Boletim dos Obreiros (obreiros.com)

Boletim dos Obreiros
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José Carlos Jacintho de Campos
José Carlos Jacintho de Campos

Seja Bem-Vindo!

Fundado e editado por José Carlos Jacintho de Campos por mais de vinte anos, o Boletim dos Obreiros informou sobre o trabalho de evangelismo, principalmente no Brasil.

Com a passagem para a glória do nosso irmão José Carlos em janeiro de 2022, a CIIB (Comunhão das Igrejas dos Irmãos no Brasil) está continuando a editar e publicar o Boletim dos Obreiros, mantendo viva a missão de edificar as Igrejas dos Irmãos pelo país e no exterior.

📚 Todo o acervo com 213 textos integrais, divididos por categorias históricas, está preservado abaixo para pesquisa e leitura direta.

Exibindo todos os 213 artigos disponíveis.
Fatos & Relatos

Abrindo nosso tesouro

Vamos abrir o nosso tesouro conscientes do imenso valor que tem, e permitir que a sua mensagem nos encaminhe pelas veredas divinas.

“... todo escriba que se fez discípulo do reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”

(Mateus 13:52)


Nestas palavras do Senhor Jesus vemos a transformação operada em um escriba que se faz discípulo do reino dos céus: o escriba, estudante e mestre da lei em Israel, ocupava-se só com as coisas velhas do passado, mas o discípulo acompanha o seu Mestre e o seu tesouro agora contém coisas novas, além das velhas, e ele as aprende para seu próprio uso e para ensinar aos outros.

São assim as Escrituras Sagradas, pois a Bíblia se compõe de coisas velhas, o Antigo Testamento, e de coisas novas, o Novo Testamento. É uma biblioteca com sessenta e seis livros, escritos originalmente em um punhado de idiomas através de milênios, por autores de diversas ocupações, desde reis até pescadores, dos quais uma pequena minoria se conhecia pessoalmente.

No entanto, a leitura dos seus livros nos indica claramente que todos eles têm em comum um Autor Supremo, e por causa disso compõem uma Obra completa e harmoniosa, um só Tema, uma Mensagem vinda do próprio Criador, e a história da humanidade, desde o seu início até o distante porvir, focalizando-se apenas nos fatos mais importantes para a nossa instrução. Ao contrário de praticamente todas as obras literárias, pouco ou nada se sabe sobre alguns dos seus autores humanos, pois nenhum se apresenta em prólogo e seu nome apenas consta do texto quando é parte da narrativa.

A Bíblia é um tesouro inexaurível, que nos surpreende pelas riquezas que contém, prontas a serem descobertas e aproveitadas. O seu conteúdo divino é poderoso para salvar e transformar as almas, pois “a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12). Vamos abrir o nosso tesouro conscientes do imenso valor que tem, e permitir que a sua mensagem nos encaminhe pelas veredas divinas.

A Palavra de Deus é poderosa para convencer o homem da sua situação faltosa diante do Criador, o que é chamado “pecado” na Bíblia, e de fazê-lo compreender o grande Preço que Ele pagou para que fosse perdoado, desde que se arrependa e tenha humildade suficiente para aceitar esse Preço e submeter-se à vontade de Deus. Tudo está lá em suas minúcias, e a isto chamamos o Evangelho (“notícias boas”) de Cristo.

Já se propuseram vários métodos para facilitar a leitura dessa biblioteca de Deus, variando em seu grau de simplicidade e profundidade conforme o nível intelectual e espiritual daqueles a quem são dirigidos. Fundamentalmente, o tesouro se abre com uma chave de uso geral que compreende as regras de interpretação, chamada “hermenêutica”. A interpretação correta das Escrituras é quase tão importante quanto a doutrina da sua inspiração verbal divina, pois é a interpretação errônea que dá origem à maioria das heresias e outros males que vemos por aí. Vejamos as regras de interpretação:

  1. Espécie de literatura: antes de se ler um texto, verificar sempre a que espécie de literatura pertence: nosso tesouro tem várias, como relato histórico, composição poética, parábola, carta de ensino, e profecia. Se for relato histórico, o texto descreve fatos que realmente aconteceram; se poesia, a linguagem é figurada, com uso de metáforas; as parábolas são narrativas de fatos comuns ou alegóricos que encerram um preceito; as cartas contêm mensagens, ensinos e explicações sobre temas e textos bíblicos; as profecias são mensagens vindas de Deus através de homens escolhidos, incluindo informações sobre acontecimentos futuros, cuja autenticidade é provada pela sua realização, às vezes séculos mais tarde.
  2. Contexto físico: para se entender um texto é essencial estudar o contexto físico: a natureza das pessoas envolvidas, o tópico, e o seu relacionamento com os versículos imediatos, etc.
  3. Contexto histórico: descobrir o que estava acontecendo quando o texto foi escrito, ou a que está se referindo. Só assim é possível compreender muitas das profecias do Velho Testamento, e também verificar o seu cumprimento, ou acompanhar o sentimento revelado nos Salmos, etc. Na maioria das vezes o contexto histórico pode ser encontrado na própria Bíblia, mas uma boa enciclopédia pode também dar informações esclarecedoras, como seriam os povos e costumes comuns da época, religiões, etc.
  4. Significado das palavras: depois de termos identificado o tipo de literatura, e os contextos da passagem em consideração, é importante estudar o sentido gramatical e o significado das palavras. Sempre deveríamos procurar o significado literal, sem logo assumir que haja algum sentido misterioso, oculto. Se o sentido literal faz sentido, não procuremos encontrar outro sentido. O Senhor Jesus dizia: “Não tendes lido... ?” (Mateus 19:4, Lucas 6:3). Evidentemente Ele assim confirma que as Escrituras são claras, literais. Um pouco dessa clareza às vezes se perde por causa da tradução feita para uma língua que não tem um equivalente perfeito da expressão nos idiomas originais, ou uma palavra que tem vários sentidos diferentes, dependendo do seu contexto. Para não interpretar incorretamente, sempre que houver dúvida deve-se verificar como a palavra é usada na passagem, em outras passagens do mesmo autor, e em outras partes da Bíblia. Algumas Bíblias facilitam a procura indicando as concordâncias, existem obras de concordâncias publicadas como a de Strong, e mesmo programas de computador gratuitos como e-Sword. A Bíblia também usa figuras de linguagem, e é essencial reconhecê-las para compreender corretamente algumas passagens bíblicas. Quando a Bíblia usa um símile, uma metáfora ou uma hipérbole, a passagem deveria ser interpretada de acordo com o uso normal desse tipo de linguagem. Em outras palavras, não se pretende que tudo na Bíblia seja entendido literalmente, mas as figuras de linguagem se identificam claramente dentro do contexto. Por exemplo, o primeiro capítulo de Gênesis é um relato histórico, portanto não cabe ali a interpretação de que seja uma figura de linguagem. O contexto é crucial.
  5. Harmonia: sendo a Bíblia inspirada pelo Deus da verdade, ela não se contradiz. As Escrituras estão todas em harmonia entre si. Devemos, portanto, comparar texto com texto para ter certeza que nossa interpretação é correta. Se houver desarmonia, o erro foi nosso e precisamos examinar o texto mais cuidadosamente.
  6. Relevância: tendo Deus entregue a Bíblia para a transformação da nossa vida, e não simplesmente para nosso estímulo intelectual, o texto terá sempre alguma relevância para nós. Isto não faz parte do processo de interpretação, mas é mediante confiar e obedecer à Palavra de Deus que a compreendemos melhor (Mateus 13:14-17). 7.
  7. Alerta: esta última regra é uma advertência: cuidado com os falsos mestres e enganadores. O Senhor Jesus nos preveniu contra os líderes religiosos que usam a tradição dos homens para invalidar a Palavra de Deus (Marcos 7:5-13). O apóstolo Paulo preveniu os crentes da igreja de Corinto contra os que usam as Escrituras para seus próprios fins, muitas vezes para seu ganho pessoal (2 Coríntios 2:17). O apóstolo Pedro nos preveniu contra gente que torce alguns pontos difíceis de entender para sua própria perdição (2 Pedro 3:16). É preciso ter muita precaução contra os que “descobrem” algo novo e surpreendente na Bíblia, bem como os que “enfeitam” o relato bíblico e tratam os seus acréscimos como se tivessem a aprovação de Deus. Os crentes devem, por isso, manejar bem a Palavra da Verdade (2 Timóteo 2:15).
  8. A vontade de Deus é que aprendamos e apliquemos a Sua Palavra às nossas vidas. Ao invés de procurar ajustar a Bíblia aos nossos pensamentos, ao seguir estas regras sensatas estaremos habilitados a compreender melhor o que Deus está realmente dizendo e o que isto significa para nós.

Assim, poderemos abrir o nosso tesouro para de lá reverentemente tirar tudo que precisamos para nortear sabiamente a nossa vida, aprofundando-nos cada vez mais nas maravilhas que Deus, por meio dela, vai nos revelando, e acompanhar os ensinos e o exemplo dados pelo nosso Salvador e Mestre, o Senhor Jesus Cristo.

Harmonizemos, portanto, as nossas vidas com a Sua Palavra e, obedientes, sigamos o Seu caminho que nos conduz à eternidade em paz e comunhão com o nosso sublime Criador.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A busca de evidência

Por causa do ensino generalizado das teorias da evolução a partir do curso primário, e da sua aceitação quase que generalizada no meio científico, torna-se cada vez mais difícil conseguir a aceitação das doutrinas do Evangelho num mundo materialista, humanista e ateu.

"Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós"

1 Pedro 3:15

Por causa do ensino generalizado das teorias da evolução a partir do curso primário, e da sua aceitação quase que generalizada no meio científico, torna-se cada vez mais difícil conseguir a aceitação das doutrinas do Evangelho num mundo materialista, humanista e ateu.

Muitos cristãos se satisfazem com a sua simples fé. Dizem: "para mim se a criação realmente se deu em seis dias, uns seis milênios atrás, ou gradativamente através de bilhões de anos, não importa: eu me satisfaço com minha fé em Cristo, que me trouxe a salvação". Infelizmente muitos deles não cuidam em ter a "mente de Cristo" (1 Coríntios 2:16) e declaram que não se deve misturar a fé com a ciência. Em conseqüência, aceitam sem protesto a interpretação dada pelos ateus aos fatos da "natureza", e descuidadamente aquiescem aos seus argumentos que levam a uma negativa da existência de Deus. É a substituição da fé cristã pela fé evolucionista.

Sem dúvida quem está disposto a confiar plenamente em Deus e na Sua Palavra merece elogios (2 Tessalonicenses 1:3-4, 10, etc.) e, afinal, "sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11:6). Mas a verdadeira fé nunca contrariou a evidência dos fatos, ou seja, não é cega. Quem sabiamente aceita a Palavra de Deus como sendo a suprema verdade, inspirada pelo Espírito Santo, fica tranqüilo frente às descobertas feitas pela ciência no mundo em que vivemos e no universo que nos rodeia, encontrando nelas evidências concretas da infinita sabedoria de Deus em Sua criação, e vê nelas a mão soberana de Deus em toda a Sua magnificência.

O crente deve estar sempre disposto e preparado para fazer a defesa da sua fé perante os incrédulos, atitude que requer um conhecimento inteligente das doutrinas do pecado e da salvação, e habilidade em defendê-las com mansidão, isto é, evitando o dogmatismo cego e uma petulância agressiva que são indicadores de falta de convicção própria. Sobretudo, temendo a Deus, pois é Seu servo (1 Pedro 2:18). O Senhor Jesus confirmou o mandamento: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu... entendimento" (Mateus 22:37). Este é o dever de todo o crente, e o apóstolo Paulo declarou: "as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo" (2 Coríntios 10:5).

É muito importante saber que a mente cristã e a do incrédulo pensam de maneira diagonalmente oposta sobre coisas fundamentais, e o crente tem que se armar poderosamente com o que Deus lhe pode suprir. Não é só o conhecimento crescente sobre a Palavra de Deus, mas também o conhecimento das obras de Deus vistas na natureza e descobertas por pesquisadores e cientistas. Longe de desmentir a revelação da Bíblia, elas dão cada vez mais evidência comprovadora da sua legitimidade, permitindo assim "derribar raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus". O cristão não deve ter medo de acompanhar as descobertas da ciência. Há um número crescente de historiadores "seculares" que estão reconhecendo que foram os princípios cristãos que deram impulso aos avanços imensos nas áreas científicas e sociais nos últimos séculos. Um autor atual argumentou que a principal contribuição da cristandade foi a "razão", que é o "entendimento" desse mandamento em Mateus.

Para milhões de almas que, desde a infância, foram ensinadas as teorias da evolução como sendo realidades comprovadas, que de fato nunca foram, é preciso piedade: "apiedai-vos de alguns que estão na dúvida, e salvai-os, arrebatando-os do fogo" (Judas v. 22). Não é preciso ser cientista para discernir muitas das suas grandes falhas, pois são evidentes a um observador não contaminado por elas, ainda mais se ele crer em Deus, tiver a "mente de Cristo" e conhecer bem as Escrituras.

Mas aos que estão imersos no evolucionismo, dos quais a grande maioria nunca aprendeu outra coisa, é geralmente preciso apresentar provas convincentes. Eles querem "ver para crer", o que não é de surpreender: o apóstolo Tomé precisou ver o Senhor ressuscitado, não acreditando na palavra dos demais apóstolos (João 20:29); quando o "outro discípulo" entrou no túmulo e o viu vazio, ele creu na ressurreição (João 20:8); o procônsul Sérgio Paulo, "um homem inteligente", creu quando viu Elimas "o encantador" ser cegado pelo apóstolo Paulo (Atos 13:12).

O homem de Deus pode se preparar para o combate contra o ateísmo diabólico armando-se com as evidências inegáveis que nos são apresentadas por cientistas esclarecidos e corajosos, que confirmam a veracidade do relato bíblico e desvendam os logros cometidos pelos evolucionistas. A quantidade destes logros é muito grande, mas veremos aqui apenas alguns exemplos entre os mais importantes, como subsídio.

Ninguém pode provar cientificamente a origem do mundo e do universo. Para isso teria que ser possível reproduzir o acontecimento em laboratório, ou por fórmulas matemáticas aceitáveis com o auxílio de computadores. Mas não é. Dispomos de apenas uma testemunha que esteve presente e que nos deixou o Seu relato por escrito. Esta testemunha declara ter sido Ele próprio, o Criador de tudo, e o Seu mantenedor. Podemos acreditar no que Ele nos diz?

Essa testemunha é o próprio Deus onipotente, Espírito eterno que enviou o Seu Filho Unigênito para viver entre nós por cerca de trinta anos, dois milênios atrás. Todas as maravilhas da criação, em nosso planeta e no universo, atestam um planejamento coordenado e uma execução perfeita muito acima de qualquer inteligência humana, como as descobertas em pesquisas realmente científicas comprovam dia-a-dia. Logo, a ciência verdadeira tem a necessária prova da existência desse Ser criador.

O relato da Testemunha, contido em nossa Bíblia, não é menos surpreendente e maravilhoso, pois embora escrito através de mãos humanas através de vários séculos, milênios atrás, manteve uma coerência e atualidade espirituais como em nenhum outro livro, provando não ser produto da inteligência humana. O seu sucesso foi tal, que sua produção excedeu em muito a de qualquer outro livro, e já foi traduzido em quase todos os idiomas escritos, e mesmo falados. Nenhum outro livro teve tão grande influência sobre a humanidade.

Embora a Bíblia descreva fatos ocorridos na remota antigüidade, aqueles cujos vestígios ainda estão ao alcance da arqueologia foram em grande parte confirmados, inclusive os nomes de pessoas neles envolvidas. Merece, portanto, toda a nossa credibilidade. O Supremo Autor só nos diz a verdade. Porque então pôr em dúvida o que Ele nos conta sobre a origem do universo, da terra e do ser humano? Essa informação dá as respostas para nossas perguntas e é imprescindível para explicar o nosso relacionamento com Ele.

As teorias da evolução são formuladas sobre a premissa que não existe um Criador, portanto tudo que nos rodeia, e nós próprios, seríamos produto do incompreensível surgimento da matéria a partir do nada. O caos resultante seria ordenado mediante leis "naturais" sem um Legislador, haveria evolução da matéria para adquirir vida própria sem uma Fonte, e a matéria viva seria automaticamente ordenada em células capazes de se alimentar, reproduzir, formar organismos cada vez mais complexos, até chegar ao homem, cujas células unidas e especializadas podem inexplicavelmente formar imagens e pensamentos abstratos.

Qualquer estatístico poderá calcular que as probabilidades disto acontecer na realidade são nulas. A matemática, portanto, confirma que as teorias da evolução são inviáveis. Não obstante, em sua insistência de negar a existência de Deus, os evolucionistas perseveram com essas teorias, e as mudam freqüentemente na medida em que os cálculos e as descobertas desmentem as suas premissas. Procurando dar alguma credibilidade à evolução, eles esticam o tempo em que a ordenação e a transformação da matéria, e a formação e evolução da matéria viva teria ocorrido para abranger períodos astronômicos. Afinal, o infinito lhes dá tempo de sobra...

Até agora nenhuma evolução dos seres vivos foi comprovada. Os fósseis apenas provam que houve um grande cataclismo na terra tempos atrás, em que os animais morreram e logo após foram cobertos por camadas de lama, terra e rochas. Sabemos que isto aconteceu no dilúvio. A flora e fauna atualmente existente podem ser identificadas com grande parte das espécies de fósseis, faltando algumas espécies que provavelmente não resistiram à ação do tempo.

Em conseqüência do pecado do homem, Deus amaldiçoou a criação (Gênesis 3:17, 5:29, Romanos 8:22). Os animais, antes pacíficos, pois tudo era bom, começaram a se agredir e algumas espécies se tornaram carnívoras. A morte veio sobre os animais assim como veio sobre os homens. Houve adaptação, que foi parte das excelentes propriedades com que foram originalmente criados, e transferência e perda de qualidades por causa da degeneração resultante da maldição. Isto é confirmado pela ciência.

O estudo do DNA das células vivas, feito intensivamente em nossos dias, dá evidência incontestável que todo ser vivo tem um código de construção muito sofisticado, desde os micróbios até o ser humano. O código pode se deformar, perder ou mesmo ter seus elementos substituídos por ação natural ou humana, mas ainda não foi encontrada uma ocorrência sequer da fabricação espontânea de um elemento novo, por mais que seja procurada pelos evolucionistas, o que seria essencial para uma confirmação das suas teorias.

Os evolucionistas pensaram ter achado duas poderosas armas para defender suas teorias: o cálculo da idade das coisas na terra pelo carbono, e o cálculo da idade dos astros em função da velocidade da luz. São dogmas que criaram e convenceram muita gente. Mas a verdadeira ciência tem demonstrado sérias falhas em ambas as medidas, havendo outras alternativas teóricas e matemáticas que, ao contrário delas, confirmam que a terra e o universo podem ter sido formados tão recentemente como os seis milênios bíblicos. As explicações são de ordem muito especializada, de difícil leitura e compreensão para os leigos, por isso não vou dá-las aqui.

No entanto, para os interessados que conheçam o idioma inglês, recomendo que procurem os seguintes excelentes sites usados por renomados cientistas cristãos: 

https://creation.com/portuguese/

https://answersingenesis.org/pt/

O primeiro é da Austrália e o segundo dos EUA, com representações em vários países, em inglês e outros idiomas, inclusive espanhol e português.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A denominação de "irmãos"

A denominação "Os Irmãos", como aplicada às congregações de crentes que procuram ser guiadas apenas pelos princípios das Escrituras em seus encontros, é uma designação absolutamente incorreta.

(1873-1949)
Traduzido e transcrito por R. David Jones

William Edwy Vine nasceu em 1873 de pais crentes que se reuniam na igreja de Blandford, Dorset na Inglaterra. Mudaram-se para Exeter e foi na igreja dali (Fore Street) que se converteu e foi batizado aos catorze anos, passando a ser membro dela. Dedicou-se aos seus estudos escolares obtendo os graus de bacharel e mestre em estudos clássicos da Universidade de Londres.

A essa altura ele já era bem conhecido como pregador do Evangelho e mestre no ensino das Escrituras, tendo adquirido um profundo conhecimento das línguas originais da Bíblia, especialmente o grego clássico do Novo Testamento.

Em 1909 foi convidado a participar do trabalho de suporte das missões da Echoes of Service, em Bath, que passou a ser o centro da sua atividade durante o resto da sua vida, além do seu ministério escrito através de livros e artigos espirituais. Ele declarou: "Na mente de Deus o grande objetivo final da atividade missionária é o plantio de igrejas... O Chefe da Igreja, que deu Suas instruções aos Seus Apóstolos... registradas para nós nas Escrituras, deu nelas um corpo de verdade e princípios adaptados para todas as idades, gerações e condições. O padrão está completo, e apresenta a sabedoria divina em todas as partes. A manipulação humana só a tem prejudicado em seu funcionamento... cabe a todos os que professam a fé cristã respeitar as intenções da Cabeça da Igreja claramente reveladas, em vez de sobrecarregá-la com as doutrinas e normas de fabricação humana".

O Senhor o levou quando lia as Escrituras em hebraico em sua cama, após um dia de trabalho intenso em Sua obra. Entre suas muitas obras destacamos “An Expository Dictionary of New Testament Words: A Comprehensive Dictionary of the Original Greek Words with their Precise Meanings for English Readers” (1940), considerado até agora um dos melhores e mais completos dicionários da língua original grega, em inglês.

 

A denominação "Os Irmãos", como aplicada às congregações de crentes que procuram ser guiadas apenas pelos princípios das Escrituras em seus encontros, é uma designação absolutamente incorreta. Ela é, ou deveria ser, repudiada por aqueles que assim são chamados. Sem dúvida a expressão "irmãos de Plymouth" teve um início bastante inocente e surgiu do fato que, em seu trabalho evangelístico e no testemunho que davam, eles se tornaram conhecidos como "irmãos de Plymouth". O erro surgiu em generalizar as circunstâncias de uma determinada localidade e em aplicar aos outros crentes, além dos “de Plymouth”, um termo que nada significava e que era aplicado sem o consentimento ou a concordância dos próprios crentes daquela cidade.

A denominação é falsa em mais de um aspecto. É contrária ao ensino das Escrituras, que, no sentido espiritual da palavra, inclui todos os crentes e não dá nenhuma justificação para qualquer terminologia denominacional assim.

Além disso, ela sugere algo que é absolutamente sem fundamento, ou seja, que as congregações locais às quais o termo é aplicado estão agrupadas em uma união denominacional, um sistema eclesiástico, enquanto que o Novo Testamento ensina, como um princípio fundamental relativo às congregações locais, que cada uma permanece sobre a sua própria base em dependência do Senhor somente e na sujeição à orientação e ao ministério, não de alguma união ou organização, mas do Espírito Santo, que vive dentro de cada igreja local como sendo Seu Templo da localidade.

Esse princípio é mantido pelas várias congregações das que estão simplesmente procurando aderir de verdade às Escrituras como o guia todo suficiente a respeito da vontade de Deus, e como “pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos” (Judas 3) – “uma vez para sempre" é como dizer que é a revelação final do Espírito de Deus para Seu povo. A própria adesão dessas congregações ao ensino do Novo Testamento lhes causa (ou devia causar) com que rejeitem a incriminação de que constituem uma seita chamada erradamente de "Irmãos". É significativo que nenhuma placa denominacional assim é colocada por fora dos edifícios onde se reúnem essas congregações.

UMA SUPOSIÇÃO INFUNDADA

O termo também é contrário à realidade, por pressupor que em alguma oportunidade ou outra, aqueles que em diferentes lugares e fora de qualquer associação chegaram a uma compreensão do que o Novo Testamento ensina e viram a importância de obedecê-lo ao invés de acompanhar as tradições dos sistemas religiosos, vieram a aceitar a denominação de "Irmãos". Essa denominação foi dada a eles como alcunha. A falácia de uma tal denominação tem sido em grande medida exposta com êxito, porém talvez inadequadamente.

O fato é que, por um movimento muito acentuado do espírito de Deus, os cristãos em vários lugares, sem saber o que estava acontecendo da mesma forma e simultaneamente em outros lugares, vieram a reconhecer a necessidade absoluta de se tornarem obedientes ao que as Escrituras ensinam, em contraste com os sistemas denominacionais, que foram simplesmente a consequência de uma ruptura em tempos medievais do papado, e que parou aquém de discernir e seguir todo o conselho de Deus conforme está revelado em Sua Palavra. Abandonar as formas de erro é uma coisa; aceitar a verdade em sua plenitude é outra.

A LIBERDADE DOS DITAMES DO HOMEM

Além disso, o trabalho do Espírito de Deus na abertura dos olhos dos crentes em localidades diferentes e em épocas diferentes se seguiu por mais de um século, sem ser dirigido pelos ditames ou ensinamentos de alguma autoridade central. É um fato significativo que não só na Grã-Bretanha, mas na América, Austrália, Nova Zelândia e países da Europa, bem como noutros locais, congregações como aquelas que são chamadas erradamente de "Irmãos" foram constituídas sem se associarem às manifestações semelhantes em outros lugares, como resultado do ensino das Escrituras, seja pela leitura direta e independente delas, ou pelo ensino de professores desligados de qualquer sociedade, assim como nos tempos mais antigos conforme está registrado no Novo Testamento.

DESONRA AO ESPÍRITO SANTO

Essas congregações não podem evitar o que os outros as chamem, mas que qualquer uma delas tacitamente aceite esta alcunha que não é bíblica é muito reprovável. Sua utilização desonra o espírito de Deus e é uma falsificação da posição real de qualquer congregação formada biblicamente. A forma petulante ou jocosa em que ela ou alguma derivação dela é às vezes usada é também reprovável. O trabalho do Espírito Santo na capacitação dos crentes para se reunirem de acordo com as Escrituras, para se formarem em igrejas locais pelo Seu poder e com o reconhecimento dos Seus direitos e prerrogativas de oferecer dons espirituais para o cuidado de cada congregação e de controlar e orientar o seu culto, é sagrado demais para permitir a utilização de tais designações.

Há os que o fazem sem nunca ter descoberto a verdade da Palavra de Deus, e ignoram o que as Escrituras ensinam quanto aos princípios da igreja e a forma em que estão sendo mantidos. Esses epítetos são partes dos mal-entendidos ou zombaria que aqueles que são fiéis a Cristo têm de suportar, mas nunca devem ser aceitos ou usados pessoalmente por quaisquer membros dessas igrejas.

Que algumas congregações locais de crentes estão em estado espiritual tão baixo que seu caráter e conduta negam a sua profissão de fé é inegável, mas isso não lhes dá nenhuma justificação para usar o termo "Irmãos", como se fossem uma seita degenerada, e como se aquilo que poderia ser infelizmente verdade de qualquer congregação individual e local deveria ser considerado uma característica geral de todas essas igrejas. O fato já mencionado que cada igreja está construída sobre a sua própria base, separada e independente, faz com que uma denominação comum seja uma completa deturpação. O que é a característica de uma congregação nunca pode necessariamente ser a mesma característica de todas elas.

OUTRO EQUÍVOCO

Mais uma vez, que uma congregação de cristãos verifique qual o ensino do Novo Testamento em matéria de batismo e seu ensino sobre “o partir do pão", isto é, que "a Ceia do Senhor” foi designada para ser celebrada no primeiro dia da semana, e pratique essas ordenanças como ali inculcadas, tem dado origem, em alguns setores do denominacionalismo, à falsa ideia que o cumprimento das duas práticas caracteriza especialmente aqueles que incorretamente são chamados de "Irmãos". Essa opinião não é muito geral, mas existe. No entanto, ela serve para exemplificar o fato que o cumprimento fiel da Palavra de Deus vai fatalmente dar de encontro com equívocos e preconceitos e, em algumas ocasiões, o que equivale a uma zombaria. Esse tipo de coisa deve, contudo, ser apenas o meio de dar um testemunho contínuo e firme, de tal modo que permitirá a outros cristãos pesquisar as Escrituras sobre estas questões e realizá-las em fidelidade a Cristo. Só assim pode qualquer igreja local receber aquela aprovação que o Senhor expressou em Seu louvor à igreja em Filadélfia: "tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome” (Apocalipse 3:8).

Alguém que estava em contato muito próximo com o reavivamento no início do século dezenove faz conhecer os fatos do movimento, em contraste com a imputação que está implícita no equívoco sobre o termo “Irmãos”. Depois de mencionar como este reavivamento começou entre crentes por sua leitura da Bíblia em conjunto, e verificar as verdades com respeito à segunda vinda de Cristo e da igreja local, diz ele: "eles se desfizeram de todas as tradições e leram a Bíblia sem anotação ou comentário. Muitos eram homens de entendimento e cultura, mas puseram à parte todas as tradições e comentários e resolveram, com a ajuda de Deus, a procurar por si. À medida que investigavam a Bíblia, não podiam descobrir nada em torno deles que fosse como era descrito nas Escrituras, o que os espantou. Examinaram todas as seitas, mas não viram qualquer fac-símile da descrição constante nas Epístolas".

ENSINAMENTOS DO NOVO TESTAMENTO

Descobriram no Novo Testamento que os crentes se reuniam para participar da Ceia do Senhor sem um ministro autorizado para consagrar ou distribuir o pão e o vinho. Foram então levados a se reunirem como crentes como se fazia nos tempos mais antigos. Viram que em cada igreja local havia anciãos (chamados superintendentes ou “bispos”), sempre mais de um, para cuidar espiritualmente de cada igreja e que não estava de acordo com o ensino do Novo Testamento um único ministro ordenado conduzir uma reunião para o culto e o partir do pão, mas que uma igreja local era um corpo no qual as atividades espirituais eram realizadas por diferentes membros, enquanto que nas denominações muitas pessoas dotadas não conseguiam exercer as suas funções.

Decidiram, portanto, que deviam seguir as Escrituras em vez das tradições dos sistemas do cristianismo, que deixou de reconhecer os direitos e prerrogativas do Espírito Santo. Esta tentativa de pôr em prática os princípios da verdade não foi feita sem grande custo de várias formas, porque não era uma seita que estava se opondo; todo mundo estava contra essa congregação estranha, e assim foi à custa de muitas amizades que a separação foi feita.

Que este reavivamento mediante o cumprimento da Palavra de Deus tem dado origem ao infundado apelido "Os Irmãos" é um dispositivo do inimigo espiritual, cujo objetivo tem sido de assim impedir que os crentes sinceros sigam a verdade.

Este artigo foi publicado pela primeira vez em uma série de volumes intitulada, "Para que o mundo possa saber", por Echoes of Service em 1986. Os volumes são um registro do trabalho e do legado de missionários das igrejas locais ao redor do mundo. Usado com permissão
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A disciplina na aprendizagem do crente

Depois de escrever o seu livro “Sobre a Origem das Espécies”, em que divulgou a idéia que a vida pode ser explicada através de processos “naturais”, sem um Deus criador, anos mais tarde Darwin publicou outro denominado “A Descendência do Homem” no qual ele aplicou suas ideias evolucionistas na orige

Hebreus 12:5-11

Disciplina é sinônimo de: doutrina, educação, ensino, instrução, ordem e organização.

Implica em aprendizagem, tendo como componentes o instrutor, o aprendiz e a matéria. O aprendiz aprende a matéria ensinada pelo instrutor, com maior ou menor dificuldade, dependendo das características de cada componente, da dedicação do aprendiz e do instrutor. Um grau maior de dificuldade requer sofrimento da parte do aprendiz e severidade da parte do instrutor.

A visão do sofrimento do cristão é agora apresentada ao leitor. Qual seria a causa da perseguição, provação, doença, dor, tristeza e problemas que surgem na vida do crente? Seriam sinais da reprovação ou descontentamento de Deus? Acontecem por acaso? Como devemos reagir contra eles?

Esses versículos nos ensinam que estas coisas são parte do processo educativo de Deus para Seus filhos. Embora não sejam causados por Deus, Ele permite que aconteçam para depois anulá-los para a Sua glória, para o nosso bem e para a bênção dos outros. Nada acontece por acaso para o cristão. Tragédias são bênçãos disfarçadas, decepções são seus ajustes. Deus aproveita as circunstâncias adversas da vida para nos conformar à imagem de Cristo.

Como lemos em Provérbios 3:11-12, Deus nos trata como filhos. Em qualquer relacionamento normal de pai e filho, o pai treina seu filho porque ele o ama e quer o melhor para ele. Deus nos ama demais para simplesmente deixar-nos crescer sem Sua ajuda.

Podemos também reconhecê-Lo como o nosso Senhor submetendo-nos à Sua disciplina. Muitas vezes tendemos a pensar que disciplina significa punição, mas na verdade inclui tudo o que está envolvido na formação de uma criança, ou seja, instrução, aviso, incentivo, conselho e correção adequada. Tudo o que Deus permite entrar em nossas vidas tem um propósito.

O propósito final de Deus nas disciplinas da vida é que nos tornemos participantes da Sua santidade. É bom nos esforçarmos para que o propósito de Deus seja alcançado através da disciplina, pois assim aproveitaremos mais. Não deveríamos detestar ou desprezar a Sua disciplina, nem reagir contra Deus, nem desistir da nossa fé. Se nos rebelarmos ou desistirmos, perderemos o benefício de nosso relacionamento com Ele e deixaremos de aprender Suas lições.

Permanecendo submissos à correção de Deus, permitimos que Sua disciplina nos molde em Sua imagem. Se tentarmos abreviar Seu tratamento conosco, Ele poderia ter que nos ensinar por mais tempo, usando métodos mais severos e consequentemente mais difíceis de suportar. Há graus na escola de Deus, e a promoção só vem quando aprendemos as Suas lições.

Temos na Bíblia muitos exemplos do sofrimento de servos de Deus, por motivos diversos, notavelmente Jó, um homem íntegro e temente a Deus. No livro de Jó aprendemos que Satanás não só perambula pela terra, mas tem acesso à presença de Deus no céu, onde acusa os servos de Deus: o seu nome significa "adversário", "acusador".

Deus conhece profundamente cada pessoa na terra e permite que Satanás ponha à prova o caráter e fidelidade dos Seus servos; Satanás, por outro lado, nada pode fazer contra eles, sem a permissão de Deus, porque Deus coloca "uma cerca" em volta deles e de tudo quanto eles possuem (Jó 1:10) - quanto isso nos conforta!

Depois de perder todos os seus filhos e todos os seus bens, a mulher de Jó lhe disse: "Você ainda mantém a sua integridade? Amaldiçoe a Deus, e morra!" Mas ele respondeu: "Você fala como uma insensata. Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?". A fé e a fidelidade de Jó eram inabaláveis e, depois de muito sofrimento físico e das tentações propostas pelos seus "amigos", Jó saiu vitorioso, pois continuou fiel a Deus através de tudo, e recebeu uma grande recompensa do Senhor, ainda aqui na terra.

O Senhor faz uso da adversidade para corrigir aos Seus filhos, assim como a punição é necessária na educação dos nossos filhos. É prova de que realmente somos Seus filhos. Quando lemos as palavras “disciplina” e “castigo”, tendemos a pensar em uma surra... Mas aqui essas palavras significam a formação e educação. Incluem a instrução, disciplina, correção e prevenção, todas destinadas a cultivar as virtudes cristãs e expulsar o mal. Nesta passagem, a correção não é um castigo por delito, mas formação através da perseguição. A passagem em Provérbios acima afirma claramente que a disciplina de Deus é uma prova do Seu amor e nenhum filho escapa da Sua correção.

Veja também: “Disciplina e Castigo”, publicado no Boletim dos Obreiros em 1/11/2002.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A firmeza de Jó

Jó foi talvez o homem que sofreu a maior variedade de catástrofes em um único dia do que qualquer outra pessoa que já viveu (Jó capítulo 1). O Senhor declarou que Jó não havia dado qualquer motivo para isso, ou seja, nem Jó nem seus filhos haviam feito algo que merecesse tal punição. Temos aí a conf

Receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal?

Jó 2:10


Jó “era homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal”. O profeta Ezequiel (contemporâneo de Daniel) colocou Jó com outros dois homens notáveis, Noé e Daniel, para destacar a sua justiça (Ezequiel 14:14 e 20). Tiago usou Jó como exemplo de homem bem-aventurado, gozando da misericórdia e compaixão de Deus porque teve paciência em suportar aflições (Ezequiel 5:11).

Jó foi talvez o homem que sofreu a maior variedade de catástrofes em um único dia do que qualquer outra pessoa que já viveu (Jó capítulo 1). O Senhor declarou que Jó não havia dado qualquer motivo para isso, ou seja, nem Jó nem seus filhos haviam feito algo que merecesse tal punição. Temos aí a confirmação que, embora nossas ações possam trazer boas ou más consequências para nós, o sofrimento não é necessariamente um castigo por algo mau que tenhamos feito. Como no caso de Jó, poderá ser uma prova de caráter.

O Senhor não executou as catástrofes, mas deu permissão e poder a Satanás para desencadeá-las sobre Jó a fim de provar que a sua piedade era genuína e não dependia das bênçãos que recebia de Deus. Jó passou nessa primeira prova de maneira brilhante, enunciando suas célebres palavras: “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu partirei. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor” (v. 21).

Satanás não se deu por satisfeito, mas pediu, e recebeu, permissão e poder para mexer na saúde de Jó, até chegar ao limite da sua resistência, sem matá-lo. É a prova final do homem de Deus, para que demonstre que não ama tanto a sua vida neste mundo ao ponto de deixar a sua fé em Deus quando sua vida for ameaçada.

Lembremos as palavras do Senhor Jesus: “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna” (João 12:25). Nosso comprometimento com o Senhor Jesus deve ser tal, a ponto de estarmos prontos a viver em pobreza ou enfermidade, ou mesmo a morrer, se com isso lhe pudermos glorificar. Viver para Ele ao invés de vivermos para nós próprios nos garante a vida eterna.

O Senhor sabia a extensão da fidelidade do Seu servo Jó melhor do que Satanás, e por isso permitiu que ele passasse pela prova final. Satanás fazia seu julgamento de Jó baseado em sua experiência da resistência da maioria das pessoas. Todos têm seus pontos fracos, e ao chegar aos extremos a maioria tende a fraquejar. Mas Deus nos prometeu: “Fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar” (1 Coríntios 10:13). Deus nunca permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar e Ele pode nos suster, mesmo se nossa experiência for das mais trágicas. Deus sabe que nossa armadura aguentará.

Muitos cristãos tiveram que provar sua fé no passado, de uma maneira similar a Jó. Sob as mãos de seus perseguidores, dos quais a inquisição por séculos pela instituição católico-romana foi um exemplo proeminente, os santos foram roubados das suas possessões e de suas famílias e sujeitados a torturas diabólicas para tentar forçá-los a negar a sua fé. Ao serem finalmente assassinados, era frequentemente por meios cruéis como serem queimados vivos na estaca, contudo eles se mantiveram firmes em sua lealdade ao Senhor Jesus.

Às vezes somos inclinados a pensar que algum irmão está sendo disciplinado pelo Senhor (Hebreus 12:6-8) por causa de coisas más que fez (como pensavam os amigos de Jó), contudo pode não ser verdade. Talvez o Senhor esteja permitindo que ele seja provado até mesmo de uma forma que não serviria para nós, porque sabe que não poderíamos aguentar como aquele irmão.

Com carta branca para fazer com a saúde do íntegro e reto Jó o que quisesse, Satanás o submeteu ao teste supremo: golpeou Jó com úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça. Tentado pela sua mulher a blasfemar contra Deus, Jó a repreendeu dizendo que falava como uma doida, e arguiu: “receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal?”.

Seria difícil encontrar explicação para os males terríveis que sobrevieram a Jó, de um ponto de vista humano. Se não era punição por seus pecados, não se pode imaginar qualquer utilidade. Parece ter sido um sofrimento cruel e injusto. Os seus amigos entenderam que só podia ser punição por algum pecado sério que Jó não queria revelar a eles. Jó estava certo que não tinha cometido qualquer pecado assim e não tinha ideia da razão. Mas sua fé na justiça de Deus continuou inabalada.

Deus tinha o motivo, que nos é revelado no início, mas não o revelou a Jó (poderia ter prejudicado a prova). Deus pode nos salvar do sofrimento, mas pode igualmente permitir que nos venha sofrimento por razões que desconhecemos no presente. É a estratégia de Satanás para nos fazer duvidar de Deus exatamente naquele momento. Se sempre soubéssemos o motivo do sofrimento, não haveria crescimento da nossa fé.

A fé em Deus não garante a prosperidade pessoal, e a falta de fé não garante problemas nesta vida. Há hoje pregadores do “evangelho da prosperidade” que pedem ao povo para crer em Deus simplesmente para ficarem ricos. Como estão errados!

Muitos crentes pensam que crer em Deus os protege dos males, e por isso quando sofrem uma calamidade, questionam a bondade e a justiça de Deus. Mas a mensagem de Jó é que não devemos perder nossa fé em Deus quando Ele permite que tenhamos más experiências.

O que estava acontecendo com Jó tinha uma finalidade elevada e digna. Havia uma razão boa e suficiente nos propósitos eternos de Deus. Agora que todos os fatos estão consumados e podemos considerar todas as suas facetas, descobrimos que Deus teve uma finalidade nobre. Foi bom para Jó, mesmo que terrível enquanto durou, e uma lição extraordinária para os leitores da Bíblia durante os milênios que se seguiram, mesmo até nossos dias.

O dia veio quando Jó percebeu que algo bom resultava da sua experiência, embora no início não compreendesse nada, como vemos pelos seus discursos. Descobriu que não era somente para o seu próprio bem, pois recebeu como recompensa sete vezes mais do que possuía antes, mas também era para a glória de Deus.

Mais importante ainda: somos informados logo no início do singular livro de Jó, que, no âmbito celestial, Satanás tinha preparado uma calúnia séria sobre o caráter de Deus, ao sugerir que não era digno de ser amado, e que tinha que pagar Jó com boa saúde, família e riquezas para que fosse amado e servido por ele. Todos os filhos de Deus devem ter tremido ao ouvir tal coisa. Mas Jó provou que Deus era digno de honra e glória mesmo depois que tudo, inclusive a saúde, lhe foi tirado.

Que a firmeza de Jó nos sirva de exemplo quando passarmos pelas provações, pois elas nos dão a oportunidade de evidenciar que a nossa fé não depende da nossa saúde ou prosperidade, e que o nosso Deus e Senhor é digno da nossa lealdade, honra e louvor simplesmente por ser Quem Ele é.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Aguardando a primeira ressurreição

A morte física é a separação entre o corpo e o espírito que acontece para todos. O corpo, feito do pó da terra, volta para ela, mas o espírito volta a Deus e é eterno, como Ele próprio. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eter

Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro... tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor

Filipenses 1:21-23


A morte física é a separação entre o corpo e o espírito que acontece para todos, conforme ensina o Pregador: “Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que... o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu” (Eclesiastes 12:1,2). O corpo, feito do pó da terra, volta para ela, mas o espírito volta a Deus e é eterno, como Ele próprio.

Oportunamente haverá ressurreição dos mortos, como ensina um dos maiores profetas: “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12:2). Estes são os dois destinos para a humanidade, já previstos antes da vinda de Jesus Cristo ao mundo trazendo as boas notícias conhecidas como o Evangelho.

Jesus Cristo veio ao mundo com o propósito de dar a Sua vida, a fim de que todo aquele que nele crê saia da morte espiritual (separação de Deus por causa do pecado) em que se encontra e tenha a “vida eterna” (a reconciliação com Deus). Isto é o que o Senhor Jesus chamou de “novo nascimento”, que é entrar num estado de comunhão para sempre com Deus que nunca poderá ser perdido.

A existência consciente continua para todos depois da morte física, tenham ou não a “vida eterna”, e, considerando que todos passarão por um período entre a morte física e sua ressurreição, em que estarão destituídos dos seus corpos físicos, surgem as seguintes perguntas: “Terá o espírito (ou alma), do morto lembrança do seu passado na terra, ou algum conhecimento do que se passa por aqui? Qual será a sua atividade onde estiver? Todos os mortos ressuscitarão juntos, ou haverá separação em períodos diferentes? O que vem a ser a “primeira ressurreição”? (Apocalipse 20:5 e 6).

Vamos a seguir procurar as respostas a essas perguntas, sem entrar em cogitações de nossa imaginação.

Os espíritos (ou almas), todos conscientes, irão depois da morte para lugares distintos, conforme ilustrado pelo Senhor Jesus com o caso do homem rico e Lázaro (Lucas 16:19-31). Abraão, justificado pela sua fé, e o mendigo Lázaro, que sofrera os males da vida, encontravam-se longe do rico, separados por um grande abismo. Os três estavam fisicamente mortos, mas conscientes, em um lugar denominado ““hades””. Não somente estavam conscientes, mas podiam se reconhecer, bem como se comunicar entre si.

O homem rico se lembrou da sua vida aqui no mundo, da sua família, e de Lázaro. Lázaro não tomou parte na conversa, mas isso não permite concluir que ele fosse diferente. Temos o raro exemplo de Samuel, que, tempos depois de morto, surgiu em espírito para falar com o rei Saul, lembrou-se dele e lhe deu uma mensagem profética vinda de Deus (1 Samuel 28:13-19). Samuel demonstrou ter conhecimento atual da situação por que passava Saul. Moisés também apareceu em espírito no monte, junto com o profeta Elias, para falar com o Senhor Jesus, e isso foi testemunhado pelos apóstolos Pedro, Tiago e João. As almas dos que terão sido martirizados durante a tribulação demonstrarão grande interesse no julgamento e vingança do seu sangue por Deus dos que habitam sobre a terra (Apocalipse 6:10).

Dados estes exemplos, concluímos que é possível às almas dos mortos tomarem conhecimento do que se passa sobre a terra. Não sabemos em que oportunidade, e em que condições isso se dá, ou se existem restrições.

É muito comum dizermos, ao falecer um irmão: “ele agora descansa no Senhor”, o que dá a idéia de completa inatividade até a sua ressurreição. Realmente uma voz vinda do céu ordenou a João que escrevesse que os santos da tribulação que morrerem depois do início da grande perseguição desencadeada pela besta, ou anticristo, são bem-aventurados, e o Espírito confirma que a morte lhes trará descanso das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham. Disto entendemos que aquilo que fizeram pelo Senhor será lembrado no céu e terão a sua recompensa.

A Bíblia por várias vezes fala dos que “dormem”, referindo-se aos mortos, o que pode dar uma idéia falsa de descanso e inatividade (Atos 7:60; 1 Coríntios 7:39; 11:30; 15:6, 15:18, 15:51, 1 Tessalonicenses 4:13-15, 2 Pedro 3:4). Trata-se, porém, do uso metafórico da palavra “sono” (“koimaomai” no grego), e se refere à morte do corpo. É apropriado por causa da semelhança entre o corpo de quem dorme e o corpo do morto: ambos se caracterizam por uma aparência de descanso e paz. Sugere que:

  • assim como quem dorme não deixa de existir enquanto o seu corpo está imóvel, também o morto continua existindo apesar da impossibilidade de comunicação entre ele e os que permanecem na terra.
  • assim como o sono é temporário, também será a morte do corpo.

Paulo nos informa que, quando o corpo físico do crente se desfaz na morte, o seu espírito é revestido de um novo corpo celestial, com o qual estará presente com o Senhor (2 Coríntios 5:2-8). Ele declara que “isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:23), do que o estado presente de gozo na comunhão com Deus e atividade em Seu serviço. Isto não poderia significar simples descanso e inatividade, e sem dúvida o espírito do crente terá muito em que se ocupar na presença do Senhor.

Paulo teve uma visão do “terceiro céu”, o paraíso, onde “ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir” (2 Coríntios 12:4). Em Lucas 23:43, o Senhor Jesus prometeu ao ladrão arrependido crucificado com Ele, que ambos estariam juntos no paraíso naquele mesmo dia. Logo, o paraíso agora está no céu, e não mais no “hades”. Aprouve a Deus não nos revelar o que os espíritos dos mortos estarão ocupados a fazer ali antes da sua ressurreição, mas o que já sabemos é suficiente para animar todo crente, e os seus queridos quando ele parte para lá.

A Bíblia nos informa sobre várias ressurreições, algumas sendo simples “despertamento” do corpo mortal, que eventualmente voltou a morrer. Outras são de grande amplitude, e todos os mortos passarão por elas. Vamos nos limitar a estas.

A primeira ressurreição é conhecida como a “Ressurreição dos Justos”, e a Bíblia declara que é “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos.” (Apocalipse 20:6). Esta iniciou-se com a ressurreição de Jesus Cristo, também chamada ”As Primícias”: Ele foi o precursor, e durante quarenta dias demonstrou o Seu novo corpo glorioso a mais de quinhentas pessoas, antes de se elevar com ele ao céu, visivelmente, diante dos Seus discípulos (Atos 1:22, 2:31, 4:33, Romanos 1:4, 6:5, Filipenses 3:10, 1 Pedro 1:3, 3:21). Em seguida, encontramos duas fases bem definidas dessa primeira ressurreição:

  • A ressurreição dos que morreram em Cristo, colocando a sua fé nEle, pertencendo assim à Sua igreja. Seus espíritos virão com o Senhor Jesus nos ares, recebendo novos corpos e encontrando-se com o remanescente da Igreja, composto dos que ainda se encontrarem vivos, cujos corpos serão transformados, e todos voltarão para os céus com o Senhor (João 14:1-3, 1 Tessalonicenses 4:13-18, 1 Coríntios 15:50-58).
  • A ressurreição do restante dos justos, desde o início da humanidade até a segunda vinda de Cristo, que acontecerá depois do período da tribulação e antes do milênio. Ela abrangerá os santos do Velho Testamento e porventura outros que nele não tenham sido mencionados, e os que tiverem morrido durante o período da tribulação (Isaías 26:19, Daniel 12:2, Apocalipse 20:4).

Finalmente, terminado o milênio, acontecerá a ressurreição do julgamento dos injustos, compreendendo todo o restante dos mortos, a fim de comparecerem ao “trono branco” para receber a sua condenação (João 5:29, Atos 24:15, Apocalipse 20:5).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A heresia da “substituição”

Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro.

Desde os tempos apostólicos os crentes lutam com heresias introduzidas pelo inimigo para desvirtuarem os fatos e as doutrinas bíblicas e afastá-los da sua fé. O crente deve estar sempre atento, e conhecer bem e usar a espada do Espírito que é a Palavra de Deus neste combate contra o mal.

Algumas heresias são fáceis de combater, porque não precisam de exame muito profundo para se perceber a sua falsidade à luz das Escrituras, e saltam aos olhos mesmo dos mais indoutos. Outras são muito mais sutis, geralmente tradicionais, e algumas surgiram muito cedo na história, e por isto não são combatidas com o vigor necessário. Contudo não deixam de ser nocivas e às vezes trazem efeitos desastrosos e inesperados. Vamos aqui tratar de uma das mais espalhadas através da chamada “cristandade”, sendo também uma das mais antigas e das mais tradicionais: é a heresia chamada “teologia do cumprimento” ou “teologia da substituição”.

Basicamente ela proclama que “a Igreja substituiu Israel e todas as muitas promessas feitas a Israel na Bíblia são cumpridas na igreja cristã, não em Israel”. Por conseguinte, as profecias nas Escrituras relativas à bênção e à restauração de Israel à terra prometida têm que ser espiritualizadas ou alegorizadas nas promessas de bênçãos de Deus para a Igreja. Além de claramente contradizer os ensinos claros nas Escrituras, como pode essa heresia explicar a existência contínua do povo israelita ao longo dos séculos e especialmente o seu renascimento no moderno Estado de Israel? Se Israel foi rejeitado por Deus, e não há futuro para a nação israelita, como explicar a sobrevivência sobrenatural do Seu povo ao longo de mais de dois milênios depois da fundação da Igreja de Cristo, apesar de várias tentativas de destruí-lo, até mesmo as promovidas por instituições que se denominavam cristãs? Como explicar o ressurgimento de Israel como uma nação no século XX após sua ausência por 1.900 anos?

A origem dessa heresia vem de Roma. Mesmo nos tempos apostólicos, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, assim como foram todos os escritores dos livros da Bíblia, combateu vigorosamente essa “raiz de amargura” em sua epístola às igrejas de lá (Romanos 11:25-32). No entanto, não foi eliminada e a encontramos em escritos de teólogos primordiais. A instituição católica romana, formada anos mais tarde, viu a nova aliança em Cristo como sendo substituta da Aliança Abraâmica. Ela até mesmo implica que as suas estruturas eclesiásticas são o cumprimento e a substituição das mosaicas, e Jerusalém é uma alegoria de si própria.

Recentemente, em 1965, o Concílio Vaticano II afirmou, "A igreja (de Roma) é o novo povo de Deus” e o catolicismo moderno afirma ser ele autoritativo para doutrina sobre o Novo Testamento. As instituições denominacionais protestantes modernas tomam uma variedade de posições, dependendo do grau de afastamento das heresias tradicionais dos católicos, sejam romanas ou ortodoxas.

Todavia, o Novo Testamento repetidamente prioriza Israel, como na informação do Senhor Jesus que Sua missão central era para os judeus “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 15:24), e na fórmula de Paulo: "primeiro para o judeu, depois para os gentios” (p.ex. Romanos 2:9-10). Ainda depois do início da Igreja em Jerusalém a inclusão dos gentios como iguais aos judeus nesta “seita” florescente do judaísmo também causou problemas, especialmente quando se tratava do cumprimento da lei mosaica pelos gentios. Isto foi discutido em uma assembleia daquela igreja, e também foi tema de Paulo em sua epístola aos Gálatas.

A visão de que Israel e a Igreja de Cristo são diferentes é claramente ensinada no Novo Testamento. Biblicamente falando, a igreja é completamente diferente e distinta de Israel, e os dois nunca devem ser confundidos ou usados de forma intercambiável. Aprendemos nas Escrituras que a Igreja é uma criação inteiramente nova que surgiu no dia de Pentecostes e irá continuar até que for levada ao Céu no arrebatamento (Efésios 1:9-11; 1 Tessalonicenses 4:13-17). A Igreja de Cristo não tem relação com as maldições e bênçãos para a nação de Israel. Os convênios, promessas e advertências são válidos apenas para aquela nação. A nação de Israel foi temporariamente removida do programa de Deus para o mundo durante estes últimos 2.000 anos de dispersão.

Após o arrebatamento (João 14:2-3, 1 Tessalonicenses 4:13-18), estando a Igreja ausente da Terra até o milênio, Deus vai restaurar a nação de Israel como o foco principal do Seu plano. O primeiro evento da restauração é a tribulação (capítulos 6 a 19 do Apocalipse). O mundo será julgado por rejeitar a Cristo, enquanto Israel é preparado através das provações da grande tribulação para a segunda vinda do Messias. Em seguida, quando Cristo voltar à Terra, no final da tribulação, o remanescente da nação de Israel terá reconhecido o Senhor Jesus como o seu Messias, terá se convertido e estará pronto a recebê-Lo. Serão salvos dos seus inimigos, e o Senhor estabelecerá Seu reino na Terra, com Jerusalém como sua capital. Com Cristo reinando como rei, Israel vai ser líder das nações, e representantes de todas as nações virão a Jerusalém para honrar e adorar o Rei — Jesus Cristo. A Igreja irá retornar com Cristo e os crentes reinarão com Ele por mil anos, literalmente (Apocalipse 20:1-5).

Embora a heresia da “substituição” tenha surgido já no primeiro século depois de Cristo, a atitude hostil aos judeus que ela incentivou se desenvolveu através dos séculos e culminou com o “holocausto” nazista em meados do século XX.  Não obstante, uma versão virulenta da heresia influenciou as gerações subsequentes de instituições que se denominam cristãs, e passou a contaminar o mundo durante os anos que se seguiram à segunda grande guerra, particularmente na Europa.

Essa versão não só promove o ódio ao povo judeu, mas nega a legitimidade da ocupação israelita da sua própria terra, acompanhando o interesse dos países árabes. A “espiritualização” das muitas promessas territoriais encontradas na Bíblia, feitas por Deus a Abraão e aos seus descendentes como uma nação, resultam em negar seus direitos de herança milenares dados por Deus. Em consequência dessa heresia, vemos que grande parte dos que se declaram cristãos se colocam ao lado dos seus inimigos tradicionais árabes, e condenam Israel por defender-se dos seus inimigos que usam da violência e terrorismo para sua destruição. Lembremo-nos de Zacarias 2:8... “Pois assim diz o Senhor dos exércitos: Para obter a glória Ele me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do Seu olho”. As nações sobreviventes ao período da tribulação, antes da instituição do Reino de Deus na Terra, serão julgadas em função do tratamento que tiverem dado “a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos” (Mateus 25:31 a 46).

Entre as nações que hoje se reúnem como Nações Unidas, Israel apenas pode contar atualmente com uma para o seu apoio: os Estados Unidos, onde a heresia tem sido contida e atualmente 42 por cento da população israelita do mundo é acolhida. Sua “hospedagem” tem sido altamente benéfica para os Estados Unidos, pois embora constitua apenas 2 por cento da população, já contribuiu com 37 por cento de todos os ganhadores do prêmio Nobel nesse país, e se distingue notavelmente em sua política, finanças, economia, ciências e artes.

A Igreja não substituiu Israel no plano de Deus. Enquanto Deus aparentemente pode estar agora concentrando a Sua atenção principalmente na Igreja durante esta dispensação da graça, Deus não se esqueceu de Israel e um dia restaurará Israel em seu papel de nação que Ele escolheu (Romanos 11). Tanto o antigo testamento como o novo apoiam um entendimento dispensacional pré-milenarista do plano de Deus para Israel. O apoio mais forte para o milenarismo encontra-se no ensino claro de Apocalipse 20:1-7, onde está declarado sete vezes que o reino de Cristo vai durar por mil anos. Depois da tribulação, Cristo reinará com Sua igreja sobre toda a Terra durante esse período, e a nação de Israel irá conduzir todas as nações do mundo.

Finalmente, temos as exortações em Colossenses 2:8 “... cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”. Também Efésios 6:14... “Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça”. Continuemos, pois, firmes no verdadeiro ensino claro das Escrituras e confiantes no seu perfeito cumprimento, pois assim não seremos decepcionados.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A Incredulidade e a Rejeição

Tendo enviado Seus apóstolos para anunciar as boas novas do Reino aos judeus, João Batista mandou alguns dos seus discípulos para perguntarem ao Senhor se Ele era de fato Aquele que havia de vir (o Messias), ou se esperavam outro.

Tendo enviado Seus apóstolos para anunciar as boas novas do Reino aos judeus, o Senhor Jesus voltou a ensinar e pregar nas cidades da Galileia. João Batista estava encarcerado, e mandou alguns dos seus discípulos para perguntarem ao Senhor se Ele era de fato Aquele que havia de vir (o Messias), ou se esperavam outro.

À primeira vista, parece que João Batista estaria começando a ficar desanimado, e já duvidava da identidade do Senhor Jesus, apesar da clara identificação feita por ocasião do batismo. Por outro lado, existe a possibilidade que ele quis que eles obtivessem a confirmação direta do Messias para benefício deles próprios. É de se notar a maneira sigilosa em que foi fraseada a pergunta.

A resposta do Senhor também não foi direta, mas ordenou que eles fossem contar a João os sinais que Ele fazia, em cumprimento às profecias que identificavam o Messias que havia de vir (Isaías 35:5,6, 53:4 e 61:1). A ressurreição dos mortos não é citada nessas profecias, e consiste num sinal ainda mais evidente do Seu poder.

Em seguida, enquanto eles saíam, Ele declarou a grandeza da missão desenvolvida por João Batista, que era a de preparar o povo para a Sua vinda (cumprindo a profecia de Malaquias 3:1). Entre os homens nunca houvera alguém maior que João Batista, que era ainda mais do que profeta.

Todavia, o menor no Reino dos céus é ainda maior do que ele! Esta é uma declaração surpreendente. O Senhor Jesus não estava falando do caráter de João Batista, mas da missão que lhe fora dada. Ser um cidadão do Reino dos céus é um privilégio maior do que o de ser quem anuncia a chegada do Messias. João não viveu para apreciar as bênçãos de que gozam os crentes aqui na terra, pois foi morto por Herodes enquanto ainda estava na prisão.

O significado da expressão feita a seguir: "E, desde os dias de João Batista até agora, se faz violência ao Reino dos céus, e pela força se apoderam dele" (v.12) não é bem claro: quem se apoderava do Reino pela força desde João Batista? No original, o verbo "se faz violência" pode estar tanto no presente como no passado, e os sentidos são diferentes. No passado a ideia é que o Reino é tomado violentamente, como uma cidade conquistada. No presente, o significado pode ser "passa por violência" ou "força a sua passagem". De maneira geral entende-se que a pregação de João Batista fez com que surgisse uma pressão violenta e impetuosa ao redor do Senhor Jesus e dos Seus discípulos. Este é o sentido em Lucas 16:16... "e todos tentam forçar sua entrada nele (no Reino de Deus)".

Todo o Velho Testamento, com suas profecias, previa a vinda do Messias. João Batista veio para anunciar o cumprimento dessa previsão. Na profecia de Malaquias, está anunciado que Elias viria como precursor (Malaquias 4:5). Se o povo tivesse aceitado o Senhor Jesus como o Messias, João Batista teria assumido o papel de Elias, e o Messias teria livrado o povo para fazer dele uma poderosa nação, como o povo estava esperando. João não era Elias, como ele próprio disse (João 1:21), mas "foi adiante do Senhor no espírito e poder de Elias" (Lucas 1:17).

Nem todos compreendiam essa realidade, e é por isso que o Senhor diz "Aquele que tem ouvidos, ouça!" Era necessário prestar muita atenção a essa revelação: sendo João Batista o precursor, o Senhor Jesus era de fato o Messias de Deus, e o povo devia aceitá-lo e obedecê-lo. Mas aquele povo não estava disposto a ouvir o testemunho de João Batista, nem se convencia com as provas irrefutáveis dadas pelo Senhor Jesus. Era um povo rebelde, que o Senhor Jesus comparou com crianças que se recusam a ficar alegres com o som da flauta, ou tristes com o canto de um lamento: diziam que João tinha demônio por causa da sua austeridade e solidão, e que o Senhor era devasso porque se alimentava normalmente e era muito sociável.

O Senhor Jesus era a sabedoria personificada (1 Coríntios 1:30). Tudo o que Ele fazia estava em conformidade com Quem Ele era, a despeito das blasfêmias e insinuações maldosas que vinham do povo. Os sinais que Ele fazia, e a transformação no caráter daqueles que O seguiam eram provas incontestáveis da Sua personalidade divina.

As cidades da Galileia foram muito privilegiadas com a presença do Senhor, e o privilégio lhes trouxe responsabilidade pelo tratamento que lhe davam. O Senhor Jesus as acusou de não se terem arrependido, apesar de todos os sinais que havia feito entre elas. Por isso Corazim e Betsaida onde ele fora rejeitado serão tratadas com mais rigor no dia do juízo do que as cidades de Tiro e Sidom, condenadas por Deus por causa da sua idolatria e maldade: estas teriam se arrependido se os milagres realizados nas primeiras tivessem sido realizados nelas. Também haverá menos rigor para Sodoma do que para Cafarnaum: esta pensava que ia para o céu, mas vai descer até o Hades, enquanto Sodoma não teria sido destruída se os sinais feitos em Cafarnaum tivessem sido feitos nela.

Além destas cidades, havia outra cidade de projeção na Galileia: Tiberíades. Depois de todos estes séculos, as cidades de Corazim e Betsaida desapareceram sem deixar vestígios, e a localização exata da cidade de Cafarnaum não é mais conhecida. Mas Tiberíades ainda está em seu lugar, pois o Senhor não disse nada contra ela. Essa é mais uma prova da onisciência de Cristo, e da inspiração da Bíblia. O Senhor Jesus sabia que a rejeição por parte dessas cidades era uma indicação da rejeição que viria da nação inteira, representada pelo seu governo religioso e civil. Mas ser rejeitado pelos "sábios e cultos" não era surpresa para Ele, portanto não ficou desanimado ou enfurecido. Ele sabia que seria recebido através dos tempos por multidões de "pequeninos" humildes e dispostos a tê-Lo como Senhor das suas vidas. Por isto Ele louvou a Deus.

Os que são orgulhosos da sua posição e conhecimento, mas que rejeitam o Evangelho de Cristo, não vão encontrar a verdadeira sabedoria e conhecimento que vem de Deus, pois Deus os esconderá deles. Mas Deus os revela aos pequeninos, os de coração humilde, que desejam aprender com Ele. O relacionamento existente entre o Pai e o Filho está além da nossa compreensão humana, mas o Senhor Jesus aqui diz que "ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho O quiser revelar." Somente o Filho pode nos revelar o Pai.

O Senhor Jesus finalmente faz um convite a "todos os que estão cansados e sobrecarregados". No ambiente em que se encontrava, da subjugação do povo pelos sacerdotes e juristas da lei mosaica, este era um convite à libertação do pesado fardo moral e religioso que carregavam. Em termos mais amplos, o convite é feito a todos os que se acham debaixo do jugo dos inimigos do homem: a carne, o mundo e o diabo. O Senhor Jesus, e só Ele, Se dispõe a dar descanso para as suas almas, e a dar o ensino de que todos precisam. Ele é manso e humilde de coração, ao contrário dos rabinos daquela época, e dos falsos sacerdotes e mestres de religião dos nossos dias. O Seu jugo é suave e o seu fardo é leve. Note-se que existe um jugo e um fardo.

Jugo é um instrumento para juntar dois animais em seu trabalho. É aqui usado como figura da vida em Cristo: Ele se oferece a acompanhar-nos em nossa vida, ajudando-nos a passar por todas as experiências que defrontamos, tornando nossa experiência suave. Existem problemas, tribulações, trabalhos e tristezas na vida cristã, mas com Cristo eles serão vencidos muito mais facilmente.

O fardo consiste nas obrigações a cumprir. Muitos não querem receber a Cristo como seu Senhor e Salvador porque preferem continuar em seus vícios e maus costumes. Mas desejaremos viver uma vida de retidão alegremente quando realmente amarmos ao Senhor e veremos então como seu fardo é mesmo leve.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A Inerrância da Bíblia

O fato da inerrância da Bíblia tem sido posto em dúvida, não só por descrentes, levados pela sua ignorância e falta de fé no Evangelho, mas também por gente que se diz cristã, no entanto não leva a sério a afirmativa que toda a Bíblia é a palavra infalível de Deus e assim deve ser aceita sem questio

Já há muito tempo que o fato da inerrância da Bíblia tem sido posto em dúvida, não só por descrentes, levados pela sua ignorância e falta de fé no Evangelho, mas também por gente que se diz cristã, no entanto não leva a sério a afirmativa que toda a Bíblia é a palavra infalível de Deus e assim deve ser aceita sem questionamento.

Assim, a inerrância absoluta de todo o teor bíblico está começando a ser posta em dúvida em alguns institutos teológicos, em púlpitos de igrejas, em livros didáticos, em grupos de estudos etc. Ainda usam o termo “inerrância”, mas redefinem o seu significado. Muito disso se deve ao desejo de conformar o relato bíblico com conceitos da ciência humana atual.

Por causa do elemento humano das Escrituras, querem agora definir a inerrância bíblica mais ou menos como: "Deus inspirou os autores bíblicos com os conceitos, mas não se preocupou com detalhes periféricos. Ele apenas queria ter certeza de que os conceitos e o ensino fossem preservados sem erro". O resultado dessa definição é a crença que a autoridade da Bíblia não é encontrada em Suas palavras, mas apenas através da Sua intenção.

No entanto, a chave para entender a natureza das Escrituras é atentar para o que o Senhor Jesus declarava sobre elas. Se adotarmos uma posição diferente da d’Ele, teremos uma posição errada. A ideia de que apenas a intenção ou os conceitos dos autores das Escrituras são inerrantes, e não as palavras das próprias Escrituras, é contrária ao ensino do Senhor e dos apóstolos.

A visão das Escrituras pelo Senhor Jesus e Seus apóstolos.

O Senhor Jesus claramente sabia que as Escrituras eram a Palavra de Deus e, portanto, a verdade. Note o que Ele diz em João 17:17... "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade". Ele não disse: "Sua palavra é verdadeira" (adjetivo); em vez disso, ele falou: "a tua palavra é a verdade” (substantivo). A implicação é que as Escrituras não são apenas verdadeiras; em vez disso, a própria natureza das Escrituras é a verdade, e é o próprio padrão da verdade ao qual todo o resto deve ser testado e comparado. Da mesma forma, em João 10:35 Jesus declarou que "a Escritura não pode ser anulada".

O Senhor Jesus estava dizendo aos líderes judeus que a autoridade das Escrituras não poderia ser negada. Ele até conectou a autoria do Deus da Bíblia com palavras específicas, não apenas com ideias ou conceitos, pelos quais precisamos viver: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4). Para o Senhor, as Escrituras não foram meramente inspiradas em suas ideias gerais ou em suas amplas reivindicações ou em seu significado geral, mas até suas próprias palavras são inspiradas (Mateus 5:18).

O uso das Escrituras pelo Senhor Jesus era autoritário e infalível enquanto falava com a autoridade de Deus, o Pai (João 5:30, 8:28). O Senhor Jesus ensinou que as Escrituras testemunham sobre Ele (João 5:39), e mostrou sua realização na visão do povo de Israel (Lucas 4:17-21). Ele até declarou aos Seus discípulos que será cumprido o que está escrito nos profetas sobre o Filho do Homem (Lucas 18:31). Além disso, Ele colocou a importância da realização das escrituras proféticas acima da fuga de Sua própria morte (Mateus 26:53-56).

Após Sua morte e ressurreição, Ele disse a Seus discípulos que tudo o que foi escrito sobre Ele nos livros de Moisés, dos Profetas e dos Salmos devia ser cumprido (Lucas 24:44-47), e os repreendeu por não acreditarem em tudo o que os profetas falaram sobre Ele (Lucas 24:25-27). A pergunta então é: como poderia o Senhor Jesus cumprir tudo o que o Velho Testamento falou sobre Ele se são apenas os conceitos e não as palavras que são inspiradas?

O entendimento dos apóstolos sobre a inspiração das Escrituras é que a revelação vem de Deus dentro e através das palavras. De acordo com 2 Timóteo 3:16,17... "toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”. As Escrituras são inspiradas por Deus (“teopastos”). Esta passagem em 2 Timóteo 3:16 não é sobre como a Bíblia veio até nós, mas de onde ela veio.

Como afirma 2 Pedro 1:21... “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo". O Espírito Santo inspirou os autores humanos das Escrituras de tal forma que foram movidos não por sua própria "vontade", mas pelo Espírito Santo. Isso não significa que os autores humanos das Escrituras eram autômatos; eles eram ativos ao invés de passivos no processo de escrita das Escrituras, como pode ser visto em seu estilo de escrita e no vocabulário que usaram. O papel do Espírito Santo era ensinar os autores das Escrituras (João 14:26, 16:12-15). No Novo Testamento, foram os apóstolos ou profetas do Novo Testamento que o Espírito levou a escrever a verdade e superar sua tendência humana de errar.

Os apóstolos compartilharam a visão do Senhor Jesus sobre as Escrituras, apresentando Sua mensagem como Palavra de Deus (1 Tessalonicenses 2:13) e proclamando que não era "em palavras que a sabedoria do homem ensina, mas a que o Espírito Santo ensina" (1 Coríntios 2:13). A revelação então não surgiu dentro do apóstolo ou profeta, mas tem sua fonte no Deus Triuno.

As pessoas dentro de nossas igrejas precisam saber que há estudiosos evangélicos influentes que estão usando ideologias históricas críticas para redefinir a natureza das Escrituras. A doutrina da inerrância não é uma questão lateral; trata-se da confiabilidade das Escrituras que reflete sobre o caráter de Deus, uma vez que Ele é responsável pelo conteúdo das Escrituras (2 Timóteo 3:16; cf. Números 23:19; Salmo 12:6; Hebreus 1:1-2).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A justiça de Deus

A reprodução natural humana é suficiente para a geração de novos indivíduos iguais aos seus progenitores: não requer a interveniência de Deus.

O último livro do Velho Testamento é chamado Malaquias, palavra hebraica que no original se traduz “Meu Mensageiro”, e foi escrito por um profeta uns quinhentos anos antes de Cristo.

Nada mais se sabe sobre o autor, mas existem nada menos que seis referências a esse livro no Novo Testamento, cinco das quais feitas pelo Senhor Jesus, embora o nome não seja mencionado (Mateus 11:10, 17:12; Marcos 1:2, 9:11-12; Lucas 1:17; Romanos 9:13).

Tem a distinção de ser a última oportunidade em que o Senhor apela ao povo de Israel para que se volte para Ele, deixando os seus maus caminhos, purificando-se do pecado e adorando-O em sinceridade de coração. O retrato do povo escolhido de Deus naquele tempo é triste, indicando que havia necessidade de grandes reformas para preparar o caminho para a chegada do Messias.

Não houve mais profetas até João Batista, que surgiu pelo menos quatro séculos depois.

A profecia consiste em uma série de perguntas da parte do povo, e respostas dadas pelo Senhor, aqui chamado o Senhor dos Exércitos. Neste artigo vamos focalizar em uma só:

“Enfadais o Senhor com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos?”

E na resposta:

Nisto, que pensais: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e desses é que ele se agrada; ou: Onde está o Deus do juízo?” (Malaquias 2:17).

Esta tradução sugere que se tratava de pensamentos que levavam a atitudes, mas é ainda mais do que isto: esses pensamentos também eram expressos em palavras, contaminando outros. O Senhor se enfada com isso, em outras palavras, não era novidade para Ele, pois esses pensamentos sempre existiram e existirão na mente daqueles que não temem a Deus, e Deus Se cansa de explicar a Sua justiça aos homens.

primeiro pensamento é que “qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e desses é que ele se agrada“. Será que eles realmente acreditavam nisso, ou apenas o diziam sarcasticamente?

Seja como for, estavam difamando o caráter de Deus. No princípio Ele dissera a Caim “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gênesis 4:7).

Quando Deus preparou o povo de Israel para Si, Ele lhe deu a Sua lei para que o povo pudesse eliminar o mal do seu meio, com sanções aos infratores e sacrifícios pelo pecado. Moisés declarou ao povo de Israel: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento...” (Deuteronômio 30:15). O bem está identificado com vida, assim como o mal com morte, como também lemos em Provérbios 11:19... “Tão certo como a justiça conduz para a vida, assim o que segue o mal, para a sua morte o faz”.

Em seu empenho de encher os bancos dos seus templos, muitos hoje estão pregando um Deus de amor apenas, não levando em conta que Ele também é um Deus de justiça e retidão. João 3:16 nos ensina que “Deus amou ao mundo“, e realmente o Seu amor à Sua criação foi imenso, mas certamente não amou o pecado que a envolvia. A fim de redimi-la Ele “deu o seu Filho unigênito” para morrer “para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Quem crê em Jesus Cristo e O recebe como seu Senhor e Salvador tem a vida eterna: gozará da comunhão com Deus por toda a eternidade, que lhe é oferecida gratuitamente e nunca lhe será tirada. Os que O rejeitam “perecerão”, como uma fruta apodrecida perde a sua utilidade e é lançada no lixo: é a morte eterna, pois estarão cônscios da sua existência, longe da presença de Deus, para sempre. Deus certamente não se agrada destes.

segundo pensamento está expresso na pergunta: “Onde está o Deus do juízo?”

É uma pergunta que vem através dos tempos, muitas vezes mediante a forma de um desafio. Homens maus alcançam prosperidade e parecem não ter tantos problemas ou conflitos como aqueles que procuram servir a Deus.

Quando se põe dúvida na justiça de Deus, os padrões de moralidade rapidamente caem para um nível de “nova moralidade”. “Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal” (Eclesiastes 8:11). Parece que o mal paga bem.

A maioria considera que, se não for apanhado, o crime compensa e cada um procura escapar com o mais que puder. Vemos isso nos governos, nas grandes empresas, haja vista os escândalos recentes. É a atitude da sociedade em geral. O homem honesto é pisoteado e ninguém se incomoda com isso.

O salmista Asafe diz no Salmo 73, “eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio. Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí, a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto… e o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos. E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo?

Asafe teve a resposta quando entrou no santuário de Deus e atinou com o fim deles. O juízo de Deus é inevitável, mas “Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9). Deus dá oportunidade para o arrependimento, conversão e uma vida nova em comunhão com Ele.

O tempo vai passando e cada um de nós chegará um dia à eternidade – esse é o “fim” de cada um de nós e vai durar para sempre. Os ímpios podem construir hoje uma “nova moralidade” e acumular quanta riqueza puderem, mas todos terão que deixar tudo e enfrentar o Juiz amanhã.

Tomemos cuidado para não nos colocarmos como juízes com respeito à aparente falta de intervenção de Deus em nossa sociedade contemporânea. Qualquer pessoa que conheça a Palavra de Deus sabe que é um pecador e que existe um Deus de justiça. O Seu juízo não vem imediatamente, mas é certo e infalível. Todos passarão por ele a não ser aqueles que tiverem sido justificados pela graça mediante a fé em Cristo Jesus.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A liderança da igreja e o clericalismo

O amor e a comunhão deveriam ser as características principais das reuniões da igreja, prevalecendo sempre sobre algumas formas de legalismo que são nelas introduzidas e ali permanecem como se fossem mandamentos divinos. Sem dúvida a reunião que se faz mais restrita por causa dessa interferência é a

 

Antes de iniciar o artigo que me propus escrever faço um pedido, e o faço porque o texto escrito não transmite as expressões faciais, feições e entonação da voz do escritor. Assim, peço que ao ler este artigo imagine um rosto sereno e uma voz calma e educada, embora firme. Navegue no texto com a mente e o coração dispostos a fazer uma avaliação criteriosa do que nele está exposto. E se ao final você não concordar comigo, não tenha nisto um motivo para malquerenças, pois, se você é um cristão verdadeiro, somos irmãos e companheiros de vida eterna. Caso queira me escrever fique à vontade para fazê-lo; mas se for para contestar, por favor, faça isto com fundamentos bíblicos e, caso me convença de que estou biblicamente errado, mudarei meu entendimento. Feita esta pequena digressão passemos ao artigo.

Embora esteja surgindo no meio dos “irmãos” argumentações asseverando que existiram diferentes formas de governo da igreja no Novo Testamento, o contrário é que é verdadeiro. O Novo Testamento apresenta apenas uma forma de governo eclesiástico que é: vários presbíteros compondo a liderança de cada igreja local. O modelo bíblico é o de uma liderança plural, exercida por mais de um homem e nunca por um homem apenas, ou por um homem com autoridade sobre os outros líderes.

Bem cedo no Novo Testamento já são mencionados os presbíteros. Já em Atos 11:30, logo no início da Igreja, podemos ler sobre os presbíteros da igreja em Jerusalém. Paulo e Barnabé, em sua primeira viagem missionária, estabeleceram o padrão de liderança através da constituição de presbíteros em todas as igrejas que haviam fundado: “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (Atos 14:23). Isto indica que o procedimento de Paulo era estabelecer um grupo de presbíteros em cada igreja que fundava. Sabemos que também em Éfeso, Paulo deve ter estabelecido presbíteros, pois lemos em Atos 20:17... “De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja”. Além disso, vemos Paulo enviando Tito à Ilha de Creta com o seguinte objetivo: “Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi” (Tito 1:5). Na carta a Timóteo Paulo menciona os presbíteros. Ele escreve: “Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1 Timóteo 4:14).

Em outras epístolas há a menção aos presbíteros. Tiago escreve: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor” (Tiago 5:14). A importância deste texto se deve ao fato da epístola de Tiago ter sido uma carta geral escrita para muitas igrejas e crentes a quem ele chama de “as doze tribos que se encontram na dispersão” (Tiago 1:1). Isto nos mostra que Tiago esperava que em cada uma das igrejas onde sua carta fosse lida existissem presbíteros.

De Pedro podemos inferir a mesma coisa. A sua primeira carta foi dirigida a várias igrejas que estavam espalhadas nas províncias romanas da Ásia menor (Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia – 1 Pedro 1:1). Ele escreveu: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles...” (1 Pedro 5:1). Ele também esperava que em cada uma daquelas dezenas de igrejas em lugares remotos houvesse presbíteros. Já em Hebreus, embora não apareça a palavra presbítero, vemos que na congregação para qual a carta foi dirigida havia uma pluralidade de líderes. Em Hebreus 13:17 lemos: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas...”. A Bíblia Revista e Corrigida contém um erro de tradução aqui ao dizer “obedecei vossos pastores”. A palavra grega usada aqui é “egouménois”, derivada de “egéomai” cujo significado é liderar, guiar. No grego bíblico a palavra pastor é “poimén” e, no original grego, ela não ocorre em Hebreus 13:7 e 17.

É digno de nota que Pedro, que era um apóstolo do Senhor Jesus, quando no contexto de igreja local chamou a si mesmo de presbítero e não de apóstolo, pastor ou outro título. Neste contexto do pastoreio do rebanho do Senhor ele se apresentou como presbítero. Como já vimos, na igreja em Jerusalém havia mais de um presbítero (Atos 11:30).

De todos estes textos não podemos deixar escapar pelo menos duas verdades. Em primeiro lugar, nunca vemos nenhuma sugestão que qualquer igreja, por menor ou mais isolada que fosse, tivesse um só presbítero. O padrão do Novo Testamento é pluralidade de presbíteros. Em segundo lugar, não vemos no Novo Testamento mais de uma forma de governo e sim uma única forma que é a de presbíteros em cada igreja local, pastoreando, dirigindo, zelando e cuidando dela. Notável também é o fato que em nenhum lugar do Novo Testamento algum escritor bíblico tenha se dirigido a um líder de qualquer igreja local chamando-o de “pastor”.

As palavras presbítero e bispo designam basicamente a mesma função. Em Atos 20:17,28, vemos Paulo se dirigindo aos presbíteros onde também os chama de bispos. Aqueles homens tinham a incumbência de pastorear a igreja. Eram eles que deveriam proteger a igreja dos “lobos” (falsos mestres) que nela penetravam com o intuito de arrebanhar adeptos para si mesmos por meio dos seus ensinos errados. Também deveriam estar atentos com os de dentro, pois mesmo entre eles poderiam surgir pessoas assim.

Tendo colocado esta base bíblica para a liderança da igreja local, passo a falar sobre alguns posicionamentos, a meu ver equivocados, que tenho presenciado por parte de alguns irmãos e até mesmo em igrejas locais. Já se vão alguns anos que um irmão me interpelou tentando defender a ideia do que ele chamou de Presbítero Presidente, que seria um presbítero que está acima dos outros presbíteros. Na prática ele seria o “chefe” dos outros presbíteros. Disse-lhe que esta prática não tem apoio e nem precedente bíblicos. Mas ele, mesmo não podendo fundamentar biblicamente seu entendimento, parece que não se deu por convencido.

Percebo que, na tentativa de copiar ou se adequar às outras igrejas evangélicas, alguns dos nossos irmãos têm tomado um caminho diferente daquele que nos é indicado pelas Escrituras Sagradas. Escrituras estas que devem ser nossa única regra de fé e prática.

Vou exemplificar com alguns casos reais que passo a citar: Um irmão me segredou que foi convidado para pregar em um evento das igrejas em uma cidade do Brasil e, a cada vez que era chamado à frente, lhe davam o título de pastor fulano de tal. Incomodado com isto, ele procurou os dirigentes e disse que não era pastor e que gostaria de ser chamado apenas de irmão. Os dirigentes insistiram que ele era pastor sim, pois era pregador da Palavra e estava pregando muito bem etc. Então, ele disse que nem presbítero era e que nem mesmo tinha o ministério de pastorear, portanto não fazia o mínimo sentido ser chamado de pastor. Foi com a promessa de não ir à frente se não o atendessem que, com muito custo, conseguiu ter seu pedido atendido.

Neste mesmo congresso, um pregador de uma denominação evangélica compartilhou com um líder bem conhecido no nosso meio estar estranhando que alguns de nós, herdeiros dos “princípios dos irmãos”, estivessem indo para aquilo do qual ele tinha saído. Afirmou que na igreja onde é um dos líderes, saiu a figura do pastor e entrou a liderança plural composta de presbíteros.

Para encerrar, conto um caso que aconteceu comigo e que exemplifica uma ideia cada vez mais corrente entre nós. Fui entregar uma correspondência em uma localidade e o irmão que me recebeu, querendo me agradar,me chamou de pastor. Disse-lhe que não costumo usar títulos e que prefiro ser chamado apenas de irmão. Ele me interpelou com a clássica pergunta: “Ora bolas, mas você não pastoreia a igreja?” Respondi que sim. Ele, então, replicou: “então você é pastor! Afinal Paulo nos diz que, na igreja, Deus concedeu alguns para pastores” (cf. Efésios 4:11), o que à primeira vista parece fazer sentido.

Então qual é o problema aqui? O problema é confundir o “dom de pastor” com o “título de pastor”; título este que, normalmente, tem a intenção de colocar seu portador um degrau (ou alguns degraus) acima dos demais crentes. Já foi demonstrado que, quando se trata da liderança da igreja local, a Bíblia menciona presbíteros. Eles são incumbidos de pastorear o rebanho de Deus, mas normalmente os autores bíblicos os chamam de presbíteros (poucas vezes de bispos) e não de pastores. Percebam que não somente o dom é confundido com um título, mas, também o é a função de pastorear.

Se fôssemos aplicar isto aos outros dons espirituais, teríamos que chamar quem tem o dom de contribuição, de contribuinte fulano de tal; quem tem o dom de exortação, de exortador cicrano; quem tem o dom de serviço, de servidor fulano de tal, quem tem o dom de presidir, de presidente, e assim por diante.

O termo pastor (poimén) ocorre 18 vezes no Novo Testamento e na maioria das ocorrências refere-se ao Senhor Jesus. Ele aparece com os seguintes significados nas seguintes passagens: Como “dom” em Efésios 4:11; Como “função” em 1 Pedro 5:2; e referindo-se ao Senhor Jesus em Mateus 24:35, 26:31; Marcos 14:27; João 10:2,11,12,14,16; Hebreus 13:20; 1 Pedro 2:25, 5:4. Aparece também designando os que cuidam de ovelhas (animais) – Lucas 2:8,15,18,20 e em Judas 12 referindo-se a hereges. Notem que o termo nunca aparece como um “título”, mas como “dom” ou “função”. Então, por qual motivo alguns estão sendo atraídos a usarem o que é claramente um dom e uma função, como título?

Um irmão me disse que o uso deste título faria com que os membros o respeitassem mais. Será? Ora, se o respeito de um líder advém do seu título há algo errado. Respeito deve ser conquistado pelo bom procedimento e não imposto por títulos, cargos ou posições. Outro irmão me segredou que, ao chegar à igreja onde era membro, se deparou com os presbíteros carregando uma plaquinha no paletó onde se lia: pastor fulano de tal. Pergunto: será que um líder precisa usar um crachá para ser identificado pelos membros da igreja? Afirmo novamente que essa prática é absolutamente equivocada.

Este “clericalismo brando”, que em minha opinião poderá descambar para um “clericalismo rígido”, pode ter sido introduzido por meio de atitudes, a princípio, até bem intencionadas. Cito como exemplo o velho costume de algumas igrejas locais, prática comum também em congressos e encontros, onde há cadeiras especiais que só podem ser ocupadas por irmãos “importantes”. Quem nunca viu alguém ser convidado para “compor o púlpito”? Quem nunca viu, em alguns encontros e congressos, lugares de destaque destinados especialmente aos que são conhecidos como obreiros em tempo integral? E o que dizer dos lugares preferenciais para obreiros em tempo integral nas filas das refeições em congressos, mesmo que isto viole o direito de idosos e mulheres com crianças? Pergunto-me: se estas pequenas práticas, aparentemente despretensiosas, não contribuíram ao longo dos anos para formar uma mentalidade de que certas “classes” de crentes são mais importantes que outras.

Nossa função na Igreja do Senhor, seja ela qual for, não deve nos levar a pensar, e nem deve levar outros a pensarem, que somos mais importantes que os demais irmãos. Importante e merecedor de todo o destaque é Aquele que nos arregimentou e nos capacitou a servi-Lo. Ora se O servimos é por sermos Seus servos. O termo servo vem da palavra grega “doulos” a qual significa escravo. Escravo é escravo, e escravo não se julga importante. Portanto o destaque deve ser dado ao nosso Senhor e não a nós! Em Mateus 8 ao tratar da busca de posições Jesus diz aos Seus discípulos: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos” (Mateus 8:8). “E vós todos sois irmãos”, prestemos atenção nisso! Pedro demonstra ter absorvido este ensino do Senhor Jesus ao mencionar o apóstolo Paulo em sua carta. Ele escreveu: “...como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada” (2 Pedro 3:15). Ele não o chama de outra coisa senão de “irmão”. Não há nada mais maravilhoso do que ser chamado de irmão em Cristo. Isto é precioso, pois, para que alcançássemos este privilégio, Ele deu a Sua vida para nos fazer filhos de Deus e, portanto, irmãos em Cristo.

Em 1828, Groves, um dos irmãos pioneiros, disse: “Eu não tenho dúvida que está de conformidade com a vontade de Deus nos reunirmos em toda simplicidade, como os discípulos, não almejando nenhum púlpito ou cargo, mas certos de que o Senhor nos edificará juntos, como Lhe aprouver, e usará um dentre nós mesmos”. Este foi um dos fundamentos daquele que ficou mundialmente conhecido como o “Movimento dos Irmãos”. Foi com esta mentalidade que eles se espalharam rapidamente para muitos países. Poucos anos depois do início deste movimento já havia cerca de 3.000 missionários dos “irmãos” espalhados pelo mundo!

Contudo, à medida que os anos passam, parece que este posicionamento vai sendo mais e mais deixado de lado. Não me assustaria muito se em breve surgissem no meio daqueles que dizem fazer parte dos “irmãos”, algum apóstolo, ou presbítera, ou pastora. É uma questão de tempo, pois um desvio de um milímetro, num determinado ponto, vai aumentando à medida que a reta avança. No início apenas um milímetro, mais um pouco o desvio será de alguns metros que podem converter-se em quilômetros em relação ao traçado original.

É difícil não notar uma crescente tendência de se colocar a sigla de um título na frente do nome (Pr., Pb., Dc., Ev., Miss. etc.). Esclareço aos leitores que não sou daqueles radicalmente contrários a se “dar nome aos bois”. Na igreja local é preciso saber quem é quem. É preciso que cada um atue numa área que esteja de acordo com o seu dom espiritual. Mas ninguém precisa sempre ser identificado pela sua função, como se ela fosse um título ou posição. Por exemplo, não há nada de errado em um dirigente dizer: “gostaria de convidar à frente o irmão fulano de tal que é nosso presbítero para orar por esta situação”. Ou seja, não é proibido chamar o líder pelo nome que a Bíblia lhe dá.

Por exemplo, sou um dos presbíteros da igreja em São Torquato, mas ao se dirigir a mim ninguém precisa colocar esta função antes do meu nome e sempre me chamar de presbítero Jabesmar. É verdade que algumas vezes as pessoas de outras igrejas e até descrentes me chamam de pastor. Não crio caso por isso e as respondo educadamente, mas procuro não fazer uso de títulos eclesiásticos. Prefiro ser chamado de “irmão”. Este nome é maravilhoso, pois só somos irmãos porque um dia Cristo pagou o preço para que pudéssemos desfrutar deste privilégio. Ele nos fez “irmãos”!

Aliás, para ser bíblica, uma igreja deve ter presbíteros e estes devem ser conhecidos como tais e, quando necessário, se identificarem como presbíteros. Já vi em uma localidade alguém perguntando sobre quem eram os presbíteros e os ditos cujos não se identificaram. Quando finalmente o fizeram, foi quase como que se desculpando. Se o irmão é um dos presbíteros e for arguido sobre isso, identifique-se prontamente, pois não há nada de errado em fazê-lo (cf. 2 João 1:1; 3 João 1:1; 1 Pedro 5:1).

Não quero que me tenham por ingênuo e simplista. Estou ciente que há os que são veementemente contra títulos, mas que, na prática, são mais dominadores e centralizadores que alguns daqueles que o usam. São verdadeiros clérigos. Estão sempre a se colocar acima dos demais irmãos. Sei que em algumas igrejas que nem presbíteros aceitam, existe um “mandachuva” que determina tudo e ai de quem não seguir suas orientações. Isto é errado, e mesmo as igrejas que tem pastor estão em melhor situação que os irmãos de tais igrejas, pois aqueles podem despedi-lo, enquanto estes não tem muito que fazer.

Portanto, entendam os leitores que minha intenção neste artigo não é simplesmente combater o uso de títulos. Antes disso, pretendo trazer um alerta quanto à crescente mentalidade clericalista no meio dos irmãos, pois ela é que tem sido a principal fonte do desvio.

Não pensem também que vou “criar caso” nas igrejas onde há este costume por mais que discorde dele. Não vou afrontar publicamente nenhuma liderança, pois ao fazer isto incorreria em outro erro que é o desrespeito a autonomia da igreja local. Faço questão de deixar claro que este artigo não tem a finalidade de discutir pessoas, e sim, ideias, conceitos. Também não tem a intenção de julgar o caráter e nem a motivação de ninguém, pois, é possível ter boa motivação e mesmo assim estar equivocado.

Quem me conhece sabe que não defendo valores fundamentados em tradições humanas. Na verdade os tenho combatido e angariado alguns desafetos por isso. Porém, não abro mão daqueles valores que são fundamentados na Palavra de Deus. Eles precisam ser constantemente relembrados, realçados e reafirmados. Não nos deixemos dominar pelo pragmatismo, pois nossa bússola e manual de instruções é a Bendita Palavra de Deus. Nela encontraremos as claras instruções quanto ao funcionamento da Igreja de Deus. Voltemo-nos, portanto, com afinco, para ela. 

 

autor: Jabesmar Aguiar Guimarães.
Fatos & Relatos

Amor entre igrejas

O amor divino gerado em nós resulta do amor que temos por Cristo: “Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros” (João 15:17). Como todo o dom espiritual, precisa ser praticado, e temos várias exortações para fazê-lo.

Por que quanto mais os grupos religiosos da cristandade falam de Cristo, e do amor que Jesus ensinou que devemos ter pelo próximo, mesmo se descrente, mais eles se odeiam?


Essa é a pergunta que um dos nossos leitores nos fez estes dias, sendo esta uma premissa a que chegou, presumimos, baseado em suas próprias observações. Por “grupos religiosos da cristandade”, ele entende as instituições religiosas que se chamam cristãs, com várias denominações, às quais são afiliadas as igrejas em várias localidades.

As instituições religiosas surgiram muito cedo na era cristã, com a união de duas ou mais igrejas locais debaixo de uma cúpula, completamente estranha ao ensino e à experiência das igrejas primitivas. As mais antigas, e ainda hoje muito influentes e poderosas, são as que começaram se chamando “católicas” ou universais: a Romana, e algumas Ortodoxas, de onde saíram, durante a Reforma, muitas outras que foram se multiplicando. Do ponto de vista doutrinário, elas variam muito, desde as apóstatas que são as maiores e substituíram a Palavra de Deus por tradições e dogmas humanos, até as mais dedicadas à evangelização, ao estudo e ao ensino da Bíblia, às quais muito devemos inclusive a própria tradução e distribuição da Bíblia a preços acessíveis por todo o mundo.

 As seitas começavam a aparecer já em Corinto, onde lemos que havia partidarismos dentro da igreja. Para se diferenciar, cada “cisma” ou “partido” tomava o nome de um líder: Paulo, Apolo, Céfas ou mesmo de Cristo! Embora severamente condenadas, estas facções foram permitidas para que os crentes “aprovados” pudessem ser reconhecidos (1 Coríntios 11:19). Em outras palavras, os sectários, tomando uma denominação para os distinguir, afastam-se dos crentes fiéis aos ensinos apostólicos, e estes podem assim ser reconhecidos. Se somos dos que querem estar entre os “aprovados”, este é um dos melhores argumentos a favor de não assumirmos outro nome senão o que originalmente nos foi dado: cristão. Outra característica das seitas é o exclusivismo: só estendem a comunhão aos seus membros e aos que pensam ou se reúnem exatamente como elas. Lamentavelmente, isto acontece também entre algumas igrejas evangélicas, denominacionais ou não, tornando-se fáceis presas dos Diótrefes entre seus membros (3 João 9,10).

Tanto as instituições religiosas como as seitas (que também acabam se institucionalizando), caracterizam-se por ter “regras de fé” próprias, firmando suas doutrinas e práticas que devem ser observadas pelas igrejas a elas submissas. É praticamente impossível resumir todos os ensinamentos da Bíblia em umas tantas “regras de fé”, portanto o que se nota é um destaque daqueles pontos que as caracterizam e as diferenciam entre si. Além do “choque de personalidade” entre os seus líderes, essas “regras de fé” são, provavelmente, a origem da maioria das discórdias, dissenções, inimizades e iras.

A virtude cristã traduzida como amor em nosso idioma não é a mesma afeição natural também chamada amor: é de origem divina e é fruto do Espírito Santo naquele que crê e recebe a Cristo como seu Senhor e Salvador pessoal. No original grego a distinção é clara pois são palavras diferentes. Para a virtude cristã a palavra grega é agapao usada para:

  • Descrever a atitude de Deus para com o Seu Filho (João 17:26), para com a humanidade em geral (João 3:16, Romanos 5:8), e para com os que crêem no Senhor Jesus Cristo em particular (João 14:21).
  • Indicar a Sua vontade aos Seus filhos com respeito às suas atitudes uns para com os outros (João 13:34) , e para com todas as pessoas (1 Tessalonicenses 3:12; 1 Coríntios 16:14; 2 Pedro 1:7).
  • Expressar a natureza essencial de Deus (1 João 4:8).

Só podemos compreender a virtude cristã pelos seus efeitos, ou seja:

  • o amor de Deus para com a humanidade se revelou pelo dom do Seu Filho (1 João 4:9,10). Obviamente não é o amor de complacência, ou afeição, pois não foi motivado pelos méritos daqueles a quem é dirigido (Romanos 5:8);
  • ela se expressou entre os homens mediante a pessoa do Senhor Jesus Cristo (2 Coríntios 5:14; Efésios 2:4; 3:19; 5:2);
  • ela se expressa no cristão como fruto do Seu Espírito (Gálatas 5:22): tem Deus como primeiro objeto, expressando-se em primeiro lugar pela implícita obediência aos mandamentos de Seu Filho, que são desde o princípio, ou seja, que andemos nesse amor (João 14:15, 21, 23; 15:10; 1 João 2:3-6; 5:3; 2 João 1:6). O egoísmo é a negação da virtude cristã. O amor cristão, seja dirigido aos irmãos ou às pessoas em geral, não é impulsionado por sentimentos, nem sempre acompanha as inclinações naturais, nem se limita às pessoas com quem se descobre alguma afinidade. Ele procura o bem de todos (Romanos 15:2), e não faz o mal a ninguém (Romanos 13:8-10); ele procura oportunidades para fazer “o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gálatas 6:10).

 

Em suma: resultando da espontânea vontade divina, tendo como única causa o Seu interesse no bem-estar da humanidade totalmente sem merecimento, o amor de Deus produz e dá crescimento a um amor reverente por parte das pessoas para com Ele, e um amor prático para com outros que são co-participantes desse amor divino (não só os que pertencem à sua própria igreja local), e um desejo de ajudar os demais a encontrarem a Deus.

Voltando às instituições ditas cristãs, como é sabido que o amor é a essência da fé cristã, elas não podem deixar de pregar o amor ao próximo. Mas, como também pode acontecer dentro das igrejas independentes, nem todos os que ali se agregam nasceram de novo pelo Espírito, e portanto não participam do amor de Deus. Logo, não conhecem o amor de Deus, apenas o amor humano com todas as suas falhas.

A Bíblia ensina: “... as obras da carne são conhecidas e são: ... idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas ... e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gálatas 5:19-21).

O ímpio, que vive ainda no pecado, pode se associar a uma igreja local, a uma instituição que se chama cristã, mesmo assumir uma posição destacada dentro dela, e falar muito sobre o amor que ele conhece mas sem ter experiência nem condições para praticar o amor divino. Isso vai se revelar pelas obras da carne e pela ausência do “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” que são o fruto do Espírito (Gálatas 5:22,23).

Não nos devemos surpreender com isto. Nos primórdios da igreja, o apóstolo Paulo disse que temia ir à igreja de Corinto e não encontrá-la da forma em que a queria, e que houvesse lá dentro “contendas, invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos” e recomendou “examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Coríntios 12:20, 13:5).

O amor divino gerado em nós resulta do amor que temos por Cristo: “Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros” (João 15:17). Como todo o dom espiritual, precisa ser praticado, e temos várias exortações para fazê-lo. A carne, que milita em nós contra o Espírito, procura intervir com argumentos como: diferença de opinião sobre doutrinas e práticas que não estão explícitas na Bíblia, ser de outra congregação, atitudes que não aprovamos, etc. Devemos combater essas tentações da carne, praticando o dom do amor provindo da parte de Deus.

 

EXAMINAI-VOS A VÓS MESMOS SE REALMENTE ESTAIS NA FÉ
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Amor e ódio

Todos os crentes devem amar uns aos outros como Jesus Cristo os amou. O mundo odeia a Cristo, e quando alguém O odeia, odeia também a Deus, o Pai.

A Bíblia, e mesmo o Senhor Jesus, falam muito sobre “amor” e “ódio”. Como explicar estas duas atitudes no mundo em que vivemos?


Para responder a esta pergunta, vou pedir que leiam o Evangelho de João, do capítulo 15:12 ao 16:4.

Nesta passagem o Senhor repetiu o Seu “novo” mandamento aos Seus discípulos: que amassem uns aos outros ou melhor, que continuassem sempre amando uns aos outros, assim como Ele os amou (João 13:34). Todo o crente também é um discípulo Seu e devemos nos amar uns aos outros como Ele nos amou! Não é um amor que vem naturalmente, pois se fosse não haveria necessidade de um mandamento: precisa de esforço, perseverança e vontade de obedecer ao nosso Mestre, e somente pode ser conseguido com o poder do Espírito de Deus.

A obediência ao mandado de Cristo é um requisito prévio ao discipulado e ao serviço: Ele era o Rabino (João 1:38; 13:13) e Senhor (João 13:13) dos Seus discípulos. A vida cristã envolve seguir as instruções de Cristo, a fim de produzir fruto. Ele entregou-Se à morte por nós, provando que é o maior amigo que poderíamos ter. Ele não requer que também nós nos entreguemos todos à morte a fim de provar a nossa amizade por Ele, mas a prova é a obediência que Lhe damos como nosso Senhor, mediante o cumprir dos Seus mandamentos. Abraão foi também chamado um amigo de Deus por causa da sua fé e obediência (Tiago 2:21-23). Há uma intimidade progressiva: servos (João 13:13), amigos (João 15:15) e irmãos (João 20:17).

Somos Seus servos, porque recebemos a Ele como nosso Senhor e Mestre, e Lhe devemos obediência incondicional. Por causa da nossa obediência, Ele nos chama de amigos e, como o Senhor foi buscar Abraão para revelar a ele o Seu plano, porque Abraão era Seu amigo, o Senhor Jesus revelou a nós as coisas de Deus, pois é isso que faz um amigo. Ele nos chama de irmãos porque, num sentido humano, Seu Pai é o nosso Pai (por adoção) e somos co-herdeiros do Seu reino.

Nessa mesma noite, pouco antes de dizer essas coisas aos Seus discípulos, estes tinham se mostrado ciumentos e briguentos (Lucas 22:24; João 13:5,15), por isso Ele repetiu o mandamento que amassem uns aos outros pela terceira vez. Esse deve ser o relacionamento entre crentes.

Quanto ao relacionamento com o mundo, como os discípulos, um crente em Jesus Cristo será odiado (ou não será amado) pelo mundo. A popularidade de um crente, ou sua falta, pode ser uma indicação da maneira em que ele está representando Cristo no mundo. Nenhum crente tem o direito de ser mais popular do que foi o Senhor Jesus, por isso devemos simplesmente transmitir a mensagem do Evangelho e vigiar para não tomar uma posição comprometedora para sermos mais benquistos.

O mundo não vai apreciar um seguidor do Senhor Jesus, e isto não quer dizer agir de forma excêntrica ou super piedosa: a própria existência dos crentes é uma censura ao mundo pecaminoso (João 7:7; 17:14; 1João 3:13). Mesmo em igrejas locais existe gente que realmente não nasceu de novo, e não vai apreciar o pregador se ele é fiel à Palavra de Deus. Tomemos cuidado com os que são bem vistos pelo mundo. O mundo não conhece o Pai, nem quer que seus pecados sejam expostos. O Senhor Jesus revela o mal, como uma luz acendida onde havia escuridão, e o mundo detesta aquele que acende a luz.

O mundo não se opõe tanto à idéia da existência de Deus, um Ser pouco conhecido lá fora. Ele odeia a Cristo, e quando alguém O odeia, odeia também a Deus, o Pai. Se apenas dizemos que cremos em Deus, isso não influirá muito na nossa popularidade, mas a prova real virá com o nosso relacionamento e atitude para com Jesus Cristo e o nosso testemunho a respeito dEle. Ou seja, não podemos ser benquistos e ao mesmo tempo crer no Senhor Jesus Cristo, porque Ele é odiado pelo mundo.

O mundo e o clero (Sinédrio) tinham se unido numa atitude de hostilidade contra Cristo e, na realidade, contra Deus, portanto pecavam porque o Senhor Jesus não só havia vindo e falado com eles, mas também fizera entre eles as obras que ninguém mais podia fazer, provando que Ele era o Messias. O Senhor Jesus identificou essa hostilidade com o cumprimento dos Salmos 35:19 e 69:4 quando disse que eles O odiavam sem causa. Eles O odiavam porque tinham criado em suas mentes um deus falso que não era o Deus das Escrituras. Alguém disse “Deus criou o homem à Sua imagem e agora o homem está criando um deus à sua imagem”. Esse é o tipo de deus que o mundo quer hoje e o tipo de deus que ele acha que está controlando o universo.

O Senhor Jesus se referiu outra vez ao Espírito Santo, que procede dEle e do Pai, como o Auxiliador. Ele é o Espírito da Verdade, e a Sua missão é testemunhar de Cristo como também é a nossa. O Senhor disse aos discípulos que eles deveriam ser testemunhas dEle porque tinham estado com Ele desde o início: esse foi o motivo porque foram chamados por Ele para serem Seus apóstolos, no início do Seu ministério (Lucas 6:13). O Evangelho de João é o testemunho dado por esse apóstolo, e ele só poderia ser dado por alguém, como ele, que tivesse estado com o Senhor Jesus desde o início. O Espírito Santo ainda dá testemunho sobre Cristo, e Ele nos torna o Senhor Jesus real para nós. Uma maneira segura de saber se o Espírito de Deus está trabalhando é verificar se Cristo está sendo glorificado.

O Senhor não queria que os apóstolos se perturbassem com o que ia acontecer com eles. Os fundadores de organizações, especialmente de religiões, procuram apresentar um futuro brilhante para os seus empreendimentos. O método do mundo é exagerar os benefícios e abafar as privações, desvantagens e sacrifícios que virão. Com o nosso Senhor é diferente! Um pouco antes (João 14) Ele havia dito aos Seus discípulos que Ele ia preparar um lugar para eles e que os receberia para Si mesmo, mas agora Ele esclareceu bem que eles seriam condenados ao ostracismo pela sua sociedade - expulsão das sinagogas os tornariam marginais na Judéia. A injustiça de que seriam vítimas seria tal que o povo pensaria que matá-los seria prestar um serviço a Deus! Isso iria acontecer porque os líderes religiosos e os que os acompanhavam não tinham conhecido o Pai nem identificado o Senhor Jesus como sendo o Messias.

Da mesma maneira, se formos segui-Lo devemos negar-nos a nós mesmos, tomar a nossa cruz (não a dEle) de inimizade e perseguição. Se sofrermos com Ele agora, reinaremos com Ele quando Ele estabelecer o Seu reino. Ele disse que os Seus seguidores estariam no mundo, mas não eram do mundo, e que o mundo os odiaria. Ele nunca disse que eles passariam bem, ou que converteriam o mundo.

Muitos procuram popularizar a “religião” cristã, usando toda a espécie de expedientes. Eles dizem: “temos que fazer isto para ganhar o mundo”. Quem lhes disse que iam ganhar o mundo? Se nos mantivermos firmes na Palavra de Deus, vamos descobrir que mundo não nos ama, e vamos passar pelo ódio que Cristo passou. O mundo detesta a Palavra de Deus porque, como nos tempos dos apóstolos, ele não conhece a Deus e rejeita ao Senhor Jesus como Seu Filho.

O Senhor Jesus estava deixando os Seus discípulos saber o que estava para vir e os estava treinando para que estivessem preparados. O Senhor sempre nos treina e prepara para o que está para vir. Se quisermos servir bem, estejamos avisados das aflições que estão por vir e preparados para enfrentá-las.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Ana, a profetisa

Ananias não duvidou mas fez exatamente o que o Senhor mandou. Estava disposto a ir quando e aonde o Senhor instruísse, e a confiar na fidelidade do Senhor quanto ao resultado.

Lucas 2:21-38

 

O nome Ana vem do hebraico hannah, que significa “graça”. Ana, filha de Fanuel, foi uma profetisa do Novo Testamento, como eram Miriã, Débora e Hulda no Velho Testamento. Só é mencionada uma vez na Bíblia, nos versículos acima do Evangelho de Lucas.

Era da tribo de Aser, uma das dez do extinto reino de Israel que foram dispersas pelos assírios muitos anos antes dos babilônios invadirem o reino de Judá e levarem cativos os judeus. Houve uma tradição segundo a qual as mulheres da tribo de Aser eram notáveis pela sua beleza e talento. Certamente Ana seria virtuosa espiritualmente, pois morando em Jerusalém “não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações”.

Quando já muito idosa (pelo menos cento e dez anos, tendo ficado viúva oitenta anos antes, ao fim de um casamento que durou dezesseis), estava como sempre servindo a Deus no templo, e ali teve o privilégio de presenciar um fato inédito em toda a história: nesse dia o menino Jesus foi trazido pelos seus pais para os rituais de purificação de Maria e dedicação do seu primeiro filho, em obediência à lei de Moisés.

Estes foram os últimos de uma série de três rituais cumpridos pelos pais de Jesus Cristo logo após o Seu nascimento, mencionados por Lucas neste capítulo 2 do seu Evangelho:

  1. A circuncisão de Jesus: feita oito dias depois de nascer. Fazia parte do pacto que Deus fez com Abraão (Gênesis 17:11,12) do qual o menino participou como seu Descendente. Neste mesmo dia, o menino recebeu o Seu nome, de acordo com o ritual judaico. Um anjo do Senhor tinha previamente instruído Maria e José a dar-lhe o nome de JESUS “porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21).
  2. A purificação de Maria: em obediência à lei de Moisés, depois de trinta e três dias após dar à luz, durante os quais não podia tocar nenhuma coisa sagrada nem entrar no santuário, Maria devia trazer ao sacerdote no templo “um cordeiro de um ano para holocausto, e um pombinho ou uma rola para oferta pelo pecado”. Mas como suas posses não bastavam para um cordeiro, foi-lhe permitido trazer apenas “duas rolas, ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para a oferta pelo pecado” (Levítico 12).
  3. A consagração de Jesus: obedecendo ao mandado do Senhor, o menino Jesus foi apresentado nesta mesma oportunidade ao Senhor no templo em Jerusalém, por ser o primeiro filho de Maria (Êxodo 13:2).

Movido pelo Espírito Santo, também compareceu ao templo nessa ocasião Simeão, um “homem justo e temente a Deus, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E lhe fora revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Assim pelo Espírito foi ao templo; e quando os pais trouxeram o menino Jesus, para fazerem por ele segundo o costume da lei, Simeão o tomou em seus braços...”.

Desde sua volta do cativeiro na Babilônia os judeus nunca tiveram soberania nacional, estando sempre subjugados aos seus inimigos, primeiro os persas, depois os gregos e por fim os romanos. Toda a nação ansiava por sua libertação, e esperavam que esta viesse de Deus através de Cristo (Ungido), ou Messias em hebraico. Essa era a esperança de Ana e Simeão e por longos anos se animaram com a perspectiva de que o Messias viesse em seus dias, especialmente depois que o Espírito Santo revelara a Simeão que ele veria Cristo do Senhor antes de morrer.

Na apresentação do menino Jesus no templo, Simeão reconheceu que a criança era o Messias prometido por Deus e se regozijou grandemente, pois assim se cumpria a profecia anunciada pelos profetas da antiguidade de lhes enviar um Salvador e Redentor, a “consolação de Israel”.

Tomando o Menino em seus braços, Simeão louvou a Deus por ter permitido que visse a Sua salvação, e abençoou os seus pais e disse a Maria que seu Filho “era posto para queda e levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição...”.

Entendemos que a “queda e levantamento de muitos em Israel” significava que os arrogantes e descrentes entre o povo seriam punidos, mas os que se humilhassem e confiassem no Senhor Jesus seriam levantados e abençoados. Seria “alvo de contradição” por causa da Sua morte vergonhosa na cruz ao invés da vitória política sobre os romanos, esperada do Messias. A Sua morte seria como uma espada traspassando a própria alma de Maria, e também os pensamentos e propósitos dos corações de muitos seriam testados e manifestados mediante a decisão que teriam que tomar a favor ou contra Cristo.

A salvação de Deus, incorporada na pessoa de Jesus (“Jesus” significa “o SENHOR é salvação” ou “SENHOR o Salvador”) teria grande impacto sobre todo o mundo, trazendo luz para os gentios e a glória do Seu povo Israel, ou seja:

  • Mediante a luz do Evangelho, a graça de Deus se estende ao mundo inteiro oferecendo a propiciação pelos seus pecados em Cristo pela fé (1 João 2:2).
  • A salvação de Deus é a glória de Israel, pois Deus escolheu esse povo para através dele se fazer conhecido e enviar o Seu Filho para trazer a salvação para a humanidade (Romanos 9:4).

Ana então entrou e “deu graças a Deus...” expressando seu profundo agradecimento a Deus por enviar o Salvador prometido, e em seguida “falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém”.

Jerusalém é uma cidade de grande antiguidade, e aparece como Urusalim em monumentos assírios de pedra do oitavo século antes de Cristo. Há divergência de opiniões sobre o significado exato original do nome: traduzido do idioma sírio poderia ser “cidade de paz” ou “cidade de (o deus) Salem”, mas traduzido do hebraico é “fundação (alicerce) de paz”. Parece uma ironia da história que em todo o tempo da sua existência uma cidade com este nome tenha tido tão pouca paz, e que tanto sangue tenha sido vertido para a sua conquista. Ela é chamada “cidade santa” tanto no Velho como no Novo Testamento (Isaías 48:2, 52:1, Neemias 11:1, Mateus 4:5 e 27:53).

Quando da conquista de Canaã pelos israelitas, a cidade de Jerusalém continuou sendo ocupada pelos jebuseus até ser capturada pelo rei Davi em 1048 a.C. (2 Samuel 5:5-7,9), que dela fez a capital do seu reino de Israel (como Belém, Jerusalém é chamada “cidade de Davi” na Bíblia) e, na divisão deste reino após a morte de seu filho Salomão, ficou sendo a capital do reino de Judá (de onde vem o nome “judeus”). Deus escolheu a cidade de Jerusalém “para ali pôr o Seu Nome” (1 Reis 11:13,32, 14:21, 2 Reis 21:4,7) e depois a rejeitou por causa da sua idolatria (2 Reis 23:27).

O reino de Judá foi aniquilado pelos caldeus, os quais foram vencidos pelos persas, depois vieram os macedônios e finalmente estes foram derrotados pelos romanos. A esta altura Jerusalém se tornou a capital da província romana da Judeia. Assim, nos tempos de Ana, os habitantes de Jerusalém sofriam o jugo do império romano e muitos “esperavam a redenção de Jerusalém” prenunciada pelos profetas do Velho Testamento, particularmente Zacarias (capítulo 14) e Malaquias 3:4. Suas profecias se cumprirão depois do milênio, mas primeiro era necessário que viesse o Messias como Salvador e foi a apresentação dEle que Ana presenciou e, como profetiza, “falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém”.

O Senhor Jesus previu a destruição de Jerusalém pelos romanos que se deu em 70 a.D. (Mateus 24:2, Marcos 13:2, Lucas 19:44 e 21:6). Foi lentamente reedificada pelos gentios e hoje é uma cidade moderna pertencente, em parte, ao país de Israel, e um novo templo está previsto. Mas Jerusalém sofrerá grandes danos durante o período da tribulação, e todo o território em que ela se encontra atualmente será elevado para formar uma grande montanha, que virá a ser a mais alta no mundo. A cidade será reconstruída sobre um vasto planalto de uns 2.500 km² no cume da montanha (Isaías 2:2-4, Miquéias 4:1-2, Ezequiel 17:22-24, 20:40-41, 40:1-4, 45:1-8, 48:8-20), e todos os sobreviventes do povo de Israel serão reunidos para viver em sua própria terra (Isaias 43:5-7, Jeremias 31:7-10, Ezequiel 11:14-18, 47:13-21, 48). Nela Jesus Cristo construirá um novo templo que será a sede do governo mundial (Isaías 2:2-4, Ezequiel 43:7, Daniel 2:44-45, 7:13-27, Zacarias 6:12-13,14:8-9, Apocalipse 11:15).

Logo após o milênio haverá um novo céu e uma nova terra, para onde descerá do céu da parte de Deus a Nova Jerusalém, uma cidade santa de magnífico esplendor (Apocalipse 3:12, 21:2, 21:10). Esta é finalmente a esperada Jerusalém redimida, habitada por todos os santos de Deus comprados pelo sangue do Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Foi Ele que, pouco depois de nascer da humilde virgem Maria, foi apresentado a Deus naquele templo em Jerusalém para o grande regozijo da anciã Ana, a profetisa.

É outra evidência do que Davi exclamou ao Senhor no Salmo 90:4... “mil anos aos Teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como uma vigília da noite”, e foi lembrado por Pedro “mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3:8). Todas as profecias que temos de Deus foram, são e serão cumpridas a seu tempo no calendário divino.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Antioquia

Fora da criação bíblica, a moral não tem qualquer justificativa.

 

Antioquia do Orontes (havia outras) foi uma cidade antiga situada no lado oriental do rio Orontes, fundada perto do fim do 4º século a.C. por Seleuco I Nicator, um general macedônio de Alexandre Magno. A localização privilegiada de Antioquia beneficiava os seus habitantes, chegando a rivalizar Alexandria como a principal cidade do oriente próximo e era o principal centro do judaísmo helênico por ocasião do período final do segundo templo de Jerusalém.

O general Seleuco I Nicator deu guarida a muitos judeus na cidade e lhes concedeu direitos civis iguais aos dos gregos, sendo que, séculos mais tarde quando lemos sobre ela na Bíblia, sua população se compunha principalmente de sírios, gregos, judeus e romanos. O idioma usado era o grego, por isso os judeus que lá moravam eram chamados “helenistas”, e assim são chamados na Bíblia. O Velho Testamento, traduzido para o grego durante o terceiro e segundo século antes de Cristo em Alexandria, era usado pelos judeus em suas sinagogas em Antioquia.

Em 64 a.C. Antioquia foi anexada a Roma por Pompeu, que lhe concedeu privilégios consideráveis e fez dela a capital da província romana chamada Síria. Sua importância e esplendor lhe ganharam o nome de “Rainha do Oriente”, a terceira cidade em importância do império romano, depois de Roma e Alexandria.

Damos a seguir um breve relato de como o Evangelho chegou a Antioquia durante a perseguição que se seguiu à morte de Estêvão, aproximadamente em 33 a.D. (Atos 8:1), e do crescimento notável desta igreja pioneira entre os gentios.

Entre os crentes de Jerusalém que foram dispersos por causa de Estêvão, havia alguns que foram até a Antioquia levando o Evangelho para os judeus apenas (Atos 11:19), enquanto outros procedentes de Chipre e Cirene pregaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus em seu próprio idioma.

Assim, tanto judeus como gentios ouviram o Evangelho, e como a mão do Senhor era com eles, grande número creu e se converteu ao Senhor. Quando a igreja em Jerusalém soube disso, enviaram Barnabé até lá, um "homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé": ótimas credenciais para um missionário.

Recomendamos a leitura do excelente artigo sobre Barnabé do saudoso irmão Kenneth Jones: “Barnabé, o filho da consolação", publicado neste boletim anos atrás e encontrado na internet AQUI. Desse artigo extraímos o seguinte comentário:

“BARNABÉ foi escolhido para uma missão à igreja em Antioquia (Atos 11:22). A igreja não podia ter escolhido alguém melhor. Mesmo sendo levita e a igreja em Jerusalém só pregava aos judeus, ele amava todas as raças. A sua paixão era unir os irmãos e se alegrar pelo progresso do Evangelho e o desenvolvimento no ministério. Ele possuía as três qualidades essenciais para o serviço de Deus. “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (Atos 11:24). “Era homem bom”: a bondade é a atitude cristã para com o homem. Barnabé não prejudicava ninguém, mas somente fazia o bem. “Cheio do Espírito Santo”: significa que ele estava sob o controle do Espírito Santo. Não havia nada na sua vida para impedir a atuação do Espírito Santo e a sua atitude para com Deus. “Cheio de fé”: a fé é a atitude para com a Palavra de Deus. Lucas descreve a chegada de Barnabé à igreja em Antioquia: “Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração permanecessem no Senhor” (Atos 11:23). Tudo foi melhor do que ele esperava. Ele viu gregos, judeus e povos de outras raças, todos unidos formando uma igreja, cumprindo a ordem de Cristo de pregar o Evangelho a todos os povos. Portanto, o que mais alegrou Barnabé foi a graça de Deus manifestada na igreja. “Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se” (Atos 11:23). Ele viu a graça de Deus em ação pela transformação de vidas pelo Evangelho, fazendo a reconciliação do pagão com Deus e a comunhão não somente com Deus, mas também uns com os outros”.

É bom quando uma igreja nova é visitada por homens com as qualidades espirituais de Barnabé. Enquanto ele permaneceu ali, muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor, e foi preservada a unidade espiritual com a igreja de Jerusalém.

A igreja de Antioquia passou a contar também com o ensino de Saulo, que Barnabé foi buscar em Tarso. Essa era a cidade de Saulo, que lhe dava a cidadania romana, e estava dentro da província de Cilícia, onde ele testemunhava do Evangelho (Gálatas 1:21).

Barnabé sabia que Saulo havia sido escolhido pelo Senhor Jesus para ser o Seu apóstolo entre os gentios (Atos 9:15, Romanos 1:1, Gálatas 1:1)), e também conhecia a sua capacidade para ensinar, e se empenhou para encontrá-lo e trazê-lo a Antioquia. Os dois ficaram ali por um ano, ensinando a muitos. Calcula-se que foi o ano 44 a.D.

Foi ali que os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos, significando “seguidores de Cristo”. O nome foi usado com desprezo pelo rei Agripa anos mais tarde (Atos 26:28) e como epiteto vergonhoso, objeto de perseguições do governo romano (1 Pedro 4:16), só aparecendo nesses três lugares na Bíblia. O nome Cristo refere-se ao Messias esperado pelos judeus, por isso os judeus incrédulos não os chamavam de “cristãos” ou “messiânicos”, mas de “nazarenos”, pois não criam que o Senhor Jesus fosse realmente o Messias.

Vieram também profetas de Jerusalém para Antioquia. Eram homens dotados pelo Espírito Santo com o dom de profecia, para exortar e fortalecer as igrejas antes delas disporem dos livros do Novo Testamento. Como Judas e Silas (Atos 14:4 e 15:32), ajudavam os apóstolos.

Um destes profetas, chamado Ágabo, previu que haveria “uma grande fome por todo o mundo” – “mundo” foi uma expressão coloquial para significar o Oriente Médio, onde viviam. A história registra escassez de alimentos nessa região durante o reinado do imperador Cláudio (41-44 a.D.), que precedeu Nero, assim cumprindo a profecia feita por Ágabo.

Os irmãos da igreja de Antioquia, aqui chamados “discípulos”, fizeram uma coleta entre si, cada um dando conforme as suas posses, e enviaram uma contribuição para os irmãos que habitavam na Judeia. A contribuição foi mandada aos anciãos por mão de Barnabé e Saulo.

Este é um modelo de como fazer as contribuições nas igrejas: cada um dando conforme as suas posses, em mãos de dois tesoureiros, para distribuição pelos anciãos da igreja (note-se a pluralidade nos dois casos). Nunca se lê na Bíblia sobre uma contribuição mediante “dízimos” nas igrejas cristãs. A contribuição é feita pelos irmãos, voluntariamente, conforme a sua prosperidade.

É a primeira vez que a palavra “ancião” é usada para os que estão na direção da igreja. “Ancião” era um título usado no Velho Testamento para designar pessoas idosas a quem era dada autoridade no governo devido à sua longa experiência e reconhecida capacidade. Vemos muitas referências aos “anciãos” dos judeus no Novo Testamento, cujas tradições orientavam o povo, e que juntamente com os principais sacerdotes e escribas foram responsáveis pela captura, condenação e morte de Jesus Cristo.

De certa forma, a direção e a condução das primeiras igrejas se assemelhavam às das sinagogas, e os supervisores (“presbíteros” ou “bispos”, transliterações do grego “presbyteros” e “epískopos”) tinham autoridade e funções equivalentes às dos “anciãos” na sinagoga. Os supervisores das igrejas são chamados de “anciãos” na Bíblia pela primeira vez nesta ocasião (Atos 11:30). Paulo e Barnabé promoveram a eleição de “anciãos” em cada igreja de Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia (Atos 14:23) e essa é a palavra mais usada no Novo Testamento para os supervisores das igrejas.

A introdução do Evangelho em Antioquia foi um passo importante no seu avanço pelo mundo, e foi dali que mais tarde Paulo e os seus companheiros saíram para as suas viagens missionárias, espalhando o Evangelho e reunindo congregações dos que criam para formar igrejas, depois voltando para relatar as suas experiências nas viagens e seus resultados.

Por causa da sua longevidade e do papel fundamental que desempenhou tanto no surgimento do período helenístico do judaísmo como no início do cristianismo, Antioquia foi chamada de "berço do Cristianismo." Chegou a ser uma metrópole de meio milhão de pessoas, mas durante a Idade Média sofreu um grande declínio por causa de guerras, terremotos e das mudanças de rota de comércio, e reduziu-se a ruínas, encontradas próximas da cidade moderna de Antáquia, na Turquia. 

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A Palavra de Deus

A profecia de Deus está completa. Qualquer outra que aparecer não provém de Deus, mas é falsa e mentirosa

Ao estudar as heresias de algumas das mais importantes religiões que se autodenominam cristãs hoje (católico-romanas, os “russellitas” que falsamente se identificam como testemunhas de Jeová, os adventistas, os carismáticos, os mórmons e os espíritas), observamos as suas principais características:

  • Um "novo Evangelho", isto é, uma ou mais características acrescentadas à Bíblia: dogmas papais e bulas, os ensinamentos dos "pais da igreja", filosofias humanas, novas "revelações" em sonhos e visões, "profecias", um novo "batismo do Espírito Santo", a "tradução" de texto alegadamente escrito em "tabletes de ouro" divulgados por um "anjo" (Marcos 7:9-13; João 12:48; Gálatas 1:8; 1 Tessalonicenses 2:13; Apocalipse 22:18-19).
  • A distorção do texto sagrado, modificando o significado real do original, para apoiar suas teorias estranhas (Provérbios 30:5-6; Deuteronômio 4:2; Mateus 4:6, 22:23-29; 2 Coríntios 2:17, 4:2; Gálatas 1:7-2; 2 Timóteo 4:3-4; 2 Pedro 3:15-17).

Tendo colocado a Palavra de Deus de lado, ou transformado a sua mensagem, as heresias mais ridículas, absurdas e blasfemas foram preparadas, com o objetivo satânico da interposição de uma barreira entre as pessoas e a sua comunhão com Deus através da fé em Cristo, e de promover os interesses financeiros daqueles que as proclamam.

No entanto, a Bíblia é a Palavra de Deus, a Palavra da Verdade, os oráculos de Deus, as Escrituras proféticas, as Sagradas Escrituras, e a espada do Espírito, como ela própria proclama ser (Romanos 1:2, 3:2, 16:26; Efésios 6:17; Hebreus 4:12; Tiago 1:18).

Ela tem toda a autoridade, ela é inspirada por Deus, ela opera de forma eficiente nos crentes, é a verdade, ela é perfeita, ela é viva e eficaz, é forte, é cortante, é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração e é pura. (Salmo 19:7, 119:160; Provérbios 30:5; Jeremias 23:29; 1 Tessalonicenses 2:13-20, 3:16; Hebreus 4:12; 1 Pedro 4:11).

Quando lemos que ela é inspirada por Deus em 2 Timóteo 3:16, a palavra usada no original grego é theopneustos, que significa soprado por Deus: cada palavra no original é de origem divina. Nunca lemos que os autores foram inspirados, o que poderia nos levar a pensar, como os que ensinam heresias querem que a gente pense, que os autores teriam sido inspirados a escrever suas próprias ideias. Como lemos em 2 Pedro 1:21... "a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo." Aqui "profecia" não significa apenas a revelação de eventos futuros, mas uma mensagem que inclui a transmissão de tudo o que procede de Deus, isto é, toda a Bíblia.

Muitos textos da Bíblia começam com as palavras "assim diz o Senhor", "ouvi a palavra do Senhor" e semelhantes. Ezequiel diz que o que está escrevendo são as "palavras de Deus". Nos quatro breves capítulos de Malaquias, o último livro do Antigo Testamento, "diz o Senhor dos Exércitos" aparece vinte e quatro vezes. O apóstolo Paulo declara, depois de afirmar que só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus, que ele falou "não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo" (1 Coríntios 2:13; João 16:13).

O conteúdo da Bíblia é confirmado pelo cumprimento de suas profecias (João 5:39, 45-47; Hebreus 2:1-4) e sua infalibilidade (João 10:35). É curioso que toda a Bíblia em suas línguas originais pode ser convertida em números, e eles formam uma rede complexa, mas bem organizada do número sete e seus múltiplos, que liga as suas frases, seus parágrafos e seus livros na língua em que foram escritos: é o único livro no mundo onde isso acontece e nenhuma mente humana é capaz de fazer algo parecido! O nome de Jesus Cristo, por exemplo, tem o valor numérico de 749: sete e sete vezes sete.

O caráter de "respirado por Deus" pertence exclusivamente aos livros da Bíblia. Não importa o que é dito pelos homens depois que o livro do Apocalipse foi escrito - o último livro a ser escrito - nada mais foi dado por revelação, nem existem quaisquer palavras adicionais ditas ao homem pelo Espírito Santo. A autenticidade e autoridade do que é dito está na medida em que se conforma à própria Bíblia. Nenhuma pessoa ou igreja tem o direito de requerer para si a autoridade que só existe na Palavra de Deus.

A Bíblia é a mensagem divina para a humanidade, e não é um privilégio apenas de estudiosos, religiosos ou intelectuais: ela foi escrita para todos. É por meio da instrução do Espírito Santo, que habita em todos os crentes, por meio de uma análise aprofundada do seu conteúdo, e o uso da razão, comparando os vários textos que tratam do mesmo assunto, ouvindo os ensinamentos dos mais experientes, mas sempre verificando as Sagradas Escrituras para ver se o ensino é correto (João 5:39; Atos 17:2, 10-12; 1 Coríntios 2:10-14; 2 Pedro 1:20-21).

A leitura, compreensão e aplicação da Palavra de Deus resultam em provas de que o Cristo é Jesus, que é a salvação, a regeneração para uma nova vida, a purificação do nosso caráter, a iluminação do nosso caminho, o crescimento espiritual e a derrota do diabo (Salmo 119:9,11,105,130; João 17:17, 20:31; Atos 18:28, 20:32; Efésios 6:16,17; 2 Timóteo 3:15; Hebreus 4:12; 1 Pedro 1:23).

A Palavra de Deus nos ensina que ela deve ser lida em uma base diária, ser amada e guardada com alegria no coração, recebida com humildade, obedecida, e ensinada aos filhos (Deuteronômio 11:19, 17:19; Salmo 1:2, 119:11,97,113,167; João 15:7, Atos 17:11; Colossenses 3:16, Tiago 1:21-22).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Aquecimento global

As catástrofes afetando a Terra irão aumentar nos dias finais desta era. O Senhor Jesus disse a respeito dos tempos anteriores à Sua Segunda Vinda: “E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.”Somente o retorno do S

Alguém nos fez uma indagação recentemente, que podemos resumir nos seguintes termos: “Vivemos dias de intenso clamor acerca do meio ambiente com previsões catastróficas para a humanidade. As Escrituras prevêem algo a respeito ou isso não passa de mais uma especulação casuística com objetivo meramente mercantilista?”

Realmente o aquecimento global parece estar acontecendo, pois pessoalmente podemos notar, entre outras coisas, que a temperatura média em nosso meio ambiente está subindo lentamente, as geleiras sobre as montanhas estão se reduzindo, a calota polar sobre o mar Ártico está se decompondo, os furacões e ciclones são mais freqüentes e devastadores, os ciclos de chuva e seca a que muitos povos estão acostumados têm mudado nas últimas décadas, e o nível do mar tem subido ligeiramente.

Jornais, revistas, a televisão e outros meios de comunicação têm dado muita cobertura a esses fatos, bem como a previsões e estatísticas sobre os efeitos que o aquecimento global, se ele continuar se intensificando, terá sobre o meio ambiente e, em conseqüência, sobre a humanidade.

Os dados existentes se multiplicam na medida em que novos equipamentos sofisticados são inventados e utilizados pelos que se aprofundam na matéria - em geral parecem comprovar uma aceleração do aquecimento global em nossos dias.

Comprovado esse fato, surgem as perguntas: qual é a causa? Quais os efeitos se o aquecimento global continuar? É possível ao homem influir em tamanho fenômeno? Os ímpios, tendo inventado teorias evolucionistas para justificar o seu ateísmo, continuam se baseando nelas para responder a essas perguntas, mas não encontram respostas seguras, e elas variam substancialmente. As respostas à segunda pergunta vão desde os que consideram que estamos passando pelo ápice de um ciclo que se repete periodicamente e outros que acham que é um progresso irreversível que eventualmente trará o fim do mundo como o conhecemos.

Nesse assunto de aquecimento global devemos tomar um cuidado especial porque ele está sendo usado por indivíduos que desejam não só mudar nossa maneira de vida, mas também todo o ponto de vista cristão sobre o mundo em que vivemos. Entre eles estão políticos da extrema esquerda, e panteístas, que têm seus próprios programas para a transformação das estruturas sociais. Assim, muitas informações falsas são divulgadas para atender aos seus interesses, e previsões sobre o futuro são feitas mediante simulações climáticas pouco confiáveis.

Devemos separar os dados concretos das interpretações, ou seja, “examinar tudo e reter o bem” (1 Tessalonicenses 5:21). Se quisermos tirar nossas próprias conclusões daquilo que é divulgado, precisamos compreender a sua base, bem como os objetivos que motivam os comentaristas. Também devemos conferir os dados que apresentam antes de nos considerar em condições de verificar a correção das respostas que estão nos apresentando a essas perguntas.

Essencial também é estarmos baseados sobre a Palavra de Deus como o “livro de instruções” para nós, e em Jesus Cristo como nosso Senhor, Criador e Salvador. É sobre essa base que vamos procurar as respostas aos nossos dilemas.

Cremos na inspiração divina da Bíblia, e ela nos explica brevemente como “no princípio criou Deus os céus e a terra” e, estando esta inicialmente “sem forma e vazia”, em seis dias Ele a tornou habitável para o ser humano, criado no último dia. “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom” (Gênesis capítulo 1).

A Terra foi criada por Deus como um todo interdependente, “muito bom”, de tal forma que Deus descansou ao sétimo dia. Tudo o que é necessário para a vida é mantido em delicado equilíbrio no único planeta em que podemos viver. A distância da Terra até o Sol, a atmosfera, o ciclo das águas, a camada de solo para plantio, tudo está exatamente certo para sustentar a vida.

Em Gênesis, a humanidade teria “domínio” sobre a Terra, não no sentido de saqueá-la, mas de cuidar dela e das suas criaturas (Gênesis 1:26-28, Salmo 8), em harmonia com Deus, nosso Criador.

Pouco tempo depois, porém, o primeiro e único casal humano em existência, decidiu quebrar a harmonia existente entre o Criador e a Sua criação mediante um ato de desobediência consciente. Em decorrência, não só eles perderam a comunhão que tinham com Deus, mas toda a criação foi influenciada, sendo a terra maldita (Gênesis caps. 2 e 3, Romanos 8:22).

Cerca de 1.700 anos depois, tendo Deus sido provocado à ira devido à maldade do homem, Ele desencadeou um gigantesco cataclismo em que grande parte da água da atmosfera caiu, e as águas contidas no único oceano se derramaram sobre a terra seca (Gênesis caps. 6 a 8) e toda a terra foi coberta.

Este dilúvio destruiu a maior parte da humanidade e dos animais da terra, salvando-se apenas Noé e sua família, e os exemplares dos animais que flutuaram na arca com ele. Assim, a perfeita e harmoniosa criação original sofreu degradação lenta resultante da desobediência do primeiro casal humano, e depois as conseqüências do dilúvio, entre as quais se contam a instabilidade da crosta terrestre, a penetração de raios nocivos pela atmosfera e as alterações genéticas nos seres vivos

Nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra (Gênesis 9:11). Mas a terra sofrerá nova destruição num dia ainda por vir, desta vez pelo fogo, “o dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão” ( 2 Pedro 3:12). No intervalo, inclusive em nossos dias, toda a criação continua num processo de lento desgaste e degeneração, acelerados pela ação humana. “Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna. Por isso a maldição tem consumido a terra; e os que habitam nela são desolados; por isso são queimados os moradores da terra, e poucos homens restam” (Isaías 24:5,6).

As catástrofes afetando a Terra irão aumentar nos dias finais desta era. Jesus disse a respeito dos tempos anteriores à Sua Segunda Vinda: “E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.” (Lucas 21:11). Alguns indagam se é isto que está acontecendo agora. Talvez não demore muito mais, porém a situação atual ainda não é tão grave e não temos os “grandes sinais no céu”: os astrônomos estão bem equipados agora para vê-los quando acontecerem.

Comenta-se que o movimento político ambiental “verde”, usando o aquecimento global como alavanca, poderá eventualmente levar o mundo em direção ao governo mundial profetizado em Apocalipse 13. É apenas uma possibilidade, entre muitas outras.

O Senhor Jesus também profetizou: “E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas. E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória.” (Lucas 21:25 a 27). Mas é óbvio, pelo contexto, que ainda não chegamos a esses dias, pois Ele está falando dos tempos ao final da grande tribulação de Israel.

Isto vai acontecer no dia da ira de Deus, ou período da tribulação, antes do qual o Senhor Jesus virá dos céus para nos buscar (1 Tessalonicenses 1:10, Apocalipse 6:17,18). Entendemos que os eventos durante o período da tribulação serão sobrenaturais, assim como o foi o dilúvio, as pragas do Egito, a destruição de Sodoma e Gomorra, etc.

Somente o retorno do Senhor Jesus Cristo salvará a Terra. Após a Sua volta, ela será miraculosamente restaurada e voltará a ser um lugar fértil e belo, capaz de suprir as necessidades dos povos durante o reino milenar de Jesus, quando “... a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A rebelião de Corá

Os líderes da igreja aprovados por Deus serão reconhecidos pela sua maturidade espiritual, sua sabedoria no ensino e no pastoreio, e na sua dedicação ao trabalho.

"Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Corá."

(Judas, 11)


No capítulo 16 de Números lemos a respeito da contradição, ou rebelião, promovida por um levita, Corá. Bisneto de Levi, ele sem dúvida tinha muita influência e autoridade, pois conseguiu reunir atrás de si duzentos e cinqüenta homens de renome, líderes do povo.

Inflado pela sua posição, Corá promoveu uma demonstração de força diante de Moisés e Arão a fim de arrancar-lhes a autoridade, exclamando que Moisés e Arão se exaltavam indevidamente sobre o povo, onde todos deviam ser iguais. Com seus comparsas, Datã e Abirão, ele instigou o povo à revolta, alegando ainda que Moisés e Arão haviam feito Israel subir de “uma terra que mana leite e mel” (o Egito) para fazê-los morrer no deserto e ainda por cima queriam fazer-se príncipes entre eles!

Tudo era mentira, sem qualquer fundamento. Moisés não havia assumido a liderança por vontade própria, tendo relutado muito antes de aceitar a missão que o Senhor lhe confiara, e Arão foi também nomeado pelo Senhor porque Moisés queria alguém que o ajudasse. O povo já teria entrado na terra de Canaã não fosse a sua incredulidade. Se tivessem seguido ao mando de Moisés, eles já estariam desfrutando da verdadeira terra que “mana leite e mel”, que não era o Egito onde eram escravizados.

Moisés nada queria para si, ao contrário de Corá, que provocou esta rebelião por inveja. O Senhor havia definido a posição e o ministério de cada um, inclusive o de Corá, um coatita (Êxodo 6:16,18; Números 3:17,28,29,31; 4:36; 26:57,62).

Moisés, em sua mansidão, não retrucou com invectivas nem procurou defender sua posição. Com toda humildade ele propôs deixar para que o Senhor indicasse quem era o santo da Sua escolha, ou seja, o homem que Deus havia separado para Si para esse fim. É Deus quem faz a escolha e dá competência aos Seus servos para o desempenho de serviços específicos. Moisés sabia o que os havia motivado - embora já tendo um cargo importante no Tabernáculo, eles queriam a liderança exercendo o sacerdócio. Moisés os repreendeu por isso e lembrou-os que estavam agindo contra o Senhor.

Datã e Abirão não quiseram cooperar neste teste e fizeram acusações maliciosas contra Moisés e Arão. Moisés desta vez irou-se com tamanha injustiça e declarou diante de Deus a sua inocência.

O juízo do Senhor veio, severo e rápido. Não fosse pela intercessão de Moisés e Arão, Ele teria consumido a congregação toda. Os rebeldes principais, Corá, Datã e Abirão foram castigados de maneira notável, seus propósitos eram de separar o povo, o Senhor os separou do povo e depois separou o solo debaixo deles para que fossem tragados, com as suas famílias e os seus bens. “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).

É abominável para um homem ou um grupo revoltar-se contra a ordem que Deus estabeleceu, e introduzir algo para dividir o Seu povo. O caminho para a rebeldia começa com a falta de contentamento e, do ceticismo gerado, passa para as reclamações contra as circunstâncias e contra aquilo que Deus tem estabelecido, depois adquire amargura e ressentimento, seguidos finalmente por rebelião e hostilidade. Vigiemos se estivermos descontentes, céticos, inclinados a reclamar ou a ficar ressentidos, estas atitudes nos levarão à rebeldia contra Deus e as conseqüências serão sérias para nós, como foi para aquele povo.

Quando irmãos na fé se reúnem em nome de Cristo numa localidade, regularmente, aceitando o senhorio do Senhor Jesus e reconhecendo o controle do Espírito Santo, submetendo-se incondicionalmente à autoridade única e exclusiva da Palavra de Deus contida na Bíblia, forma-se uma igreja de Deus.

Suas funções principais são adoração, louvor, ações de graça, Ceia do Senhor, orações, súplicas, intercessões, comunicação e ministério (Hebreus 13:15-16, 1 Timóteo 2:1-2; Atos 20:7). Não temos ensino ou exemplo na Bíblia que aprove alguma interferência ou jurisdição sobre a igreja por parte de outra, muito menos ainda por parte de uma pessoa ou grupo de pessoas que a ela não pertença. Embora não muito distantes entre si, as sete igrejas do Apocalipse eram muito diferentes, no entanto o Senhor não instruiu que houvesse interferência entre elas, ou que alguma fosse “excomungada” pelas outras por causa do seu estado.

Sempre que uma igreja se forma com esta base, Deus lhe concede dons espirituais suficientes para a edificação dos seus membros, que incluem aqueles necessários para a sua liderança e administração (1 Coríntios 12). Os líderes responsáveis pela direção da igreja, conhecidos como anciãos, presbíteros ou bispos, são chamados a esse trabalho pelo Senhor, nunca são eleitos pelo rebanho (1 Coríntios 12:6,11). A igreja não é regida democraticamente, mas é o Espírito Santo que liga os seus membros, para que cada um faça a sua parte conforme lhe é concedido.

O novo nascimento deve ser a experiência de todo o crente que é membro da igreja, mas a condição espiritual, sabedoria e habilidade de cada um varia muito. Os líderes da igreja aprovados por Deus serão reconhecidos pela sua maturidade espiritual, sua sabedoria no ensino e no pastoreio, e na sua dedicação ao trabalho. As qualidades básicas são encontradas nas cartas de Paulo a Timóteo e a Tito (1 Timóteo 3:1-8 e Tito 1:5-20). A integridade de caráter é essencial.

Referindo-se ao sumo sacerdote, a Bíblia diz: “Ninguém toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão” (Hebreus 5:4). Assim também os servos de Deus são escolhidos por Ele, e nunca devemos procurar impor nossa vontade sem a Sua autoridade. O Novo Testamento nos ensina a reconhecer os dons de ministério (1 Coríntios 12:4-31; Efésios 4:8,11,12), os supervisores (anciãos, presbíteros, bispos) e os servos (diáconos) (1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9).

Ainda hoje, vemos igrejas sendo perturbadas pela inveja e ambição de alguns dos seus membros, que vaidosamente querem uma posição destacada, sem reconhecer que Deus não os quer lá, pois lhes faltam caráter e os dons ou talentos necessários. Isto resulta em rebelião contra sua liderança e mesmo na divisão da igreja, estilo Corá. Somos instruídos a nos revestir de humildade e mansidão (Colossenses 3:12), pois toda a autoridade na igreja vem de Deus.

É da responsabilidade dos membros da igreja para com seus bispos: orar por eles, reconhecer os seus trabalhos, obedecê-los, estimá-los, honrá-los, apoiá-los financeiramente e confiar neles. Assim como não compete à congregação eleger seus presbíteros, também não pode destituí-los da sua posição mediante uma votação. Pela sua atuação o presbítero prestará contas a Deus (Hebreus 13:17), não ao rebanho. Nenhuma acusação contra presbítero deverá ser aceita se não houver duas ou três testemunhas (1 Timóteo 5:19).

Cuidemos para não perecermos na rebelião de Corá!

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Armagedom

Embora a oposição física ao Evangelho tenha quase terminado no ocidente, surgiram seitas cheias de heresias enganando a muitos e confundindo os incrédulos.

Esta palavra aparece com frequência atualmente na imprensa, televisão e internet, mas poucos entendem a sua origem e o seu significado. Traduzida como “Armagedão”, segundo Houaiss é o “local e cena da derradeira batalha entre as forças do Bem e do Mal”, ou “nome da batalha que ocorre nesse local”, ou “grande guerra final ou confrontação decisiva”. Todas essas definições estão erradas, como veremos a seguir.

Esse não é o sentido da palavra original hebraica Har-megiddon. Esta palavra, traduzida para o português como Armagedom, aparece uma única vez na Bíblia, em Apocalipse 16:16, sendo a combinação de duas palavras: Har (montanha) e megiddon (de Megido, uma cidade).

Do cume desta montanha se vê todo o vale no centro-norte da terra de Israel, chamado “vale de Jezreel”. O vale é aproximadamente triangular com margens medindo uns 24 a 35 km de lado, e aparece várias vezes no Velho Testamento por ser o teatro de batalhas furiosas entre os israelitas e os seus inimigos.

Como esta montanha é a que se destaca no horizonte, sendo vista de todos os pontos do vale, explica-se porque o vale é chamado Armagedom em Apocalipse 16:16. Ali é onde “os reis de todo o mundo” serão congregados para seguir em sua campanha contra os judeus, em Jerusalém e mais adiante. Todavia não haverá uma batalha contra exércitos humanos, mas o próprio Cristo vai destruir os exércitos invasores, porque é o Seu grande dia (Apocalipse 16:14).

A campanha de Armagedom será desenvolvida para eliminar os judeus e os gentios agregados a eles, todos refugiados em Jerusalém. São sobreviventes da grande perseguição feita ao povo de Deus, profetizada como “a grande tribulação” (Mateus 24:21, Apocalipse 7:14). A campanha será marcada por sete acontecimentos importantes:

1. A convocação dos reis (com seus exércitos) em Armagedom, quando o rio Eufrates será secado para facilitar o trânsito destes exércitos invasores (Apocalipse 16:12-16).

2. A destruição da Babilônia: As profecias que citaremos a seguir ainda não foram cumpridas, mas muitas interpretações especulativas têm sido feitas quanto à identidade daquela cidade. Como todas as profecias de Deus em Sua Palavra essas devem ser aceitas literalmente. Para seu cumprimento, elas requerem na ocasião do seu cumprimento a existência de uma cidade chamada Babilônia – possivelmente, mas não necessariamente, a reconstrução da antiga cidade deste nome no Iraque. Ela se tornará a capital do mundo liderado pelo anticristo, será destruída neste segundo acontecimento durante a campanha rebelde do mundo contra Deus.

Em contraste com o primeiro acontecimento, que envolve a congregação de inimigos do povo de Deus, aqui um exército de gentios, convertidos a Deus (meus consagrados) é convocado para destruir “toda aquela terra”, a Babilônia (Isaías 13:1-5). Há cinco capítulos na Bíblia para descrever a destruição daquela cidade no “dia do Senhor”: Isaías 13 e14, Jeremias 50 e 51 e Apocalipse 18. Jeremias explica que o anticristo não vai estar presente na cidade por ocasião desta grande invasão e completa destruição (Jeremias 50:43 e 51:31-32). Possivelmente porque estará se preparando para a campanha contra Israel, no vale de Armagedom.

3. A invasão de Jerusalém: Seria natural esperar que o anticristo fosse então sair de Armagedom para o leste em perseguição do exército destruidor da sua capital. Mas não se afastará do seu propósito principal e prosseguirá para o sul, invadindo Jerusalém. A descrição do fato se encontra em Zacarias 12:2-3 e 14:1-2, onde aprendemos que “ajuntar-se-ão contra ela todas as nações da terra” e “eis que vem um dia do Senhor, em que... ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém”. Muitos dos seus habitantes terão escapado, mas dos que ficarem muitos serão mortos ou escravizados.

4. Os exércitos do anticristo em Bozra: Como resultado do colapso do Estado de Israel no meio da tribulação (Mateus 24:15-22 e Apocalipse 12:6-7), e a ameaça dos exércitos invasores, grande parte dos judeus terão fugido para um refúgio num lugar deserto (Apocalipse 12:6,13,14), nas alturas e nas fortalezas das rochas, fácil de defender (Isaías 33:12-16), nos montes (Mateus 24:16).

Miqueias 2:12 sugere o nome do lugar: “certamente congregarei o restante de Israel; pô-lo-ei todos juntos, como ovelhas no curral...”. A palavra traduzida como “curral” aqui é o hebraico bozra, também o nome da capital de Edom, uma cidade de grande antiguidade mesmo quando esta profecia foi escrita (Gênesis 36:33, 1 Crônicas 1:44), e onde o Senhor virá para destruir os inimigos do Seu povo (Isaías 63:1-6).

Atualmente ela se encontra desabitada (Jeremias 49:13) e conhecida pelo seu nome grego Petra é uma atração turística famosa pelos seus prédios e túmulos escavados nas rochas de uma serra montanhosa no deserto ao sul de Jerusalém. Só é acessível através de uma passagem estreita tortuosa, no fundo de um desfiladeiro de quase dois quilômetros de comprimento, portanto facilmente defensível. Mas depois da invasão de Jerusalém os exércitos inimigos seguirão até Bozra a fim de eliminar esses fugitivos.

5. A regeneração nacional de Israel: Há duas condições determinadas por Deus para Sua volta a Israel: sua confissão e arrependimento nacional (Levítico 26:39-42) e o seu clamor pela volta dEle: “voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles aflitos, ansiosamente me buscarão” (Oseias 5:15). Quando o remanescente de Israel, aflito, reconhecer a sua culpa de afastar-se de Deus e rejeitar o Seu Filho, e como nação clamar sinceramente a Deus por misericórdia e salvação, Ele então (e só então) voltará de acordo com essa profecia. Veja também Zacarias 12:8-10 e Mateus 23:37-39.

6. A segunda vinda de Cristo: Mediante o arrependimento e clamor do remanescente de Israel, o Senhor Jesus voltará, não imediatamente para o Monte das Oliveiras, como muitos pensam, mas para Bozra. É descrita em muitos lugares da Bíblia, por exemplo: Salmo 18:8-16, Ezequiel 39:21-29, Habacuque 3:1-19, Mateus 16:27, 24:30, Atos 1:9-11, Judas 14-15, Apocalipse 19:1-16.

Quatro textos indicam claramente Sua volta para Bozra (atualmente Petra), e o quinto pode se referir a ela: Isaías 34:1-7, 63:1-6, Habacuque 3:3 (os montes Temã e Parã estão juntos a Petra), Miqueias 2:12-13, Juízes 5:4-5. Em Zacarias 12:7 lemos: “o Senhor salvará primeiro as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não se engrandeçam sobre Judá”. A palavra “tendas” infere que não estão em casas, mas acampados, e o fato que Ele salvará primeiro os de Judá indica que não voltará primeiro para Jerusalém, mas Bozra. O Senhor destruirá por Si só os exércitos inimigos que lá se encontrarem (Isaías 2:3-6).

7. A batalha de Bozra até o vale de Josafá: A batalha iniciada em Bozra continuará pelo caminho até o muro oriental de Jerusalém, onde terminará com a destruição do restante dos exércitos inimigos. Ali está o vale de Cedrom, também chamado vale de Josafá (Joel 3:12-13). Em Apocalipse 14:19-20 lemos sobre o mesmo “grande lagar da ira de Deus” ao qual Joel se refere em sua profecia. O sangue dos exércitos inimigos correrá por uma distância de mil e seiscentos estádios, aproximadamente a distância que Jerusalém está de Acaba, no Mar Vermelho. Somente depois de finda esta última batalha (distante de Armagedom) é que o Senhor Jesus subirá o Monte das Oliveiras (Zacarias 14:3-4), o Supremo e Único Vencedor dos exércitos que havia no princípio congregado em Armagedom e saído de lá para invadir Jerusalém e perseguir os judeus até Bozra.

Esta não vai ser a derradeira batalha entre as forças do Maligno e o povo de Deus, haverá ainda outra tentativa de rebelião ao fim do Milênio, quando o diabo, depois de solto “sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida; mas desceu fogo do céu, e os devorou” (Apocalipse 20:8-10). Só então se dará o julgamento final dos mortos que não tiverem participado da primeira ressurreição (Apocalipse 20:11-15), “e todo aquele que não for achado inscrito no livro da vida, será lançado no lago de fogo” (v. 15).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As cartas de Paulo a Timóteo

A partir da formação das igrejas constituídas na época apostólica, todas inegavelmente independentes entre si conforme comprovamos através de todo o texto das epístolas do Novo Testamento e os capítulos 2 e 3 do Apocalipse, houve polarização das igrejas em torno das mais influentes. Como vieram a se

 

Índice

Primeira carta

A missão de Timóteo, e a graça e o combate do Evangelho     

Capítulo 1

A oração - as mulheres

Capítulo 2

Bispos e diáconos

Capítulo 3

A apostasia, a piedade e a fidelidade

Capítulo 4

O tratamento de várias pessoas

Capítulo 5

Várias exortações

Capítulo 6

 

Segunda carta

Introdução

Capítulo 1

A lealdade a Cristo

Capítulo 2:1-13 

Palavras e vasos

Capítulo 2:14-26

Guia em tempos difíceis 

Capítulo 3

Exortação e conclusão

Capítulo 4

 



CAPÍTULO 1

A missão de Timóteo em Éfeso

1 Timóteo 1:1-11

Timóteo era de Listra (Atos 16:1-2), sendo filho de pai grego e de mãe judia; sua avó era também judia; estas tinham ensinado bem as Escrituras Sagradas (o Velho Testamento) a Timóteo desde a sua infância (2 Timóteo 1:5; 3:15).

Parece que Timóteo foi convertido por Paulo na ocasião da primeira visita do apóstolo a Listra (Atos 14:6) e, algum tempo depois, Paulo o chamou para ser companheiro dele no trabalho missionário. Esteve com o apóstolo em Trôade, Filipos, Tessalônica e Bereia e, na terceira viagem, acompanhou-o por uma parte do caminho para Jerusalém (Atos 20:4). Mais tarde, esteve em Éfeso, de onde Paulo o chamou para ir a Roma (2 Timóteo 4:9-21), onde o apóstolo esperava a sentença de morte. Não se sabe se Timóteo chegou ali antes do martírio do apóstolo.

Motivos desta epístola

A – Chamar a atenção dos cristãos para a necessidade de manterem "coração puro, consciência boa e fé sem hipocrisia", em vista de falsos ensinadores terem entrado nas igrejas;

B – Animar a Timóteo na sua missão difícil, visto que ele era ainda jovem e de saúde fraca.

  • VERSÍCULOS 1-2

Paulo atribui a sua autoridade como apóstolo tanto ao Pai como ao Filho - é pelo mandato de "Deus nosso Salvador" e de "Cristo Jesus, nossa esperança", os quais são também nosso "Pai" e nosso "Senhor".

Timóteo é o "verdadeiro filho na fé" para Paulo, tendo sido convertido pela pregação (e talvez pelo sofrimento) do apóstolo (veja Atos 14:19) e este entendia bem as dificuldades que o moço encontraria em Éfeso. Por isso, deseja-lhe não somente a graça e a paz de Deus como também a Sua "misericórdia" (v. 2) - repetida na saudação da Segunda Epístola. É unicamente nestas duas Epístolas que Paulo inclui "misericórdia" na saudação. A Epístola de Judas tem semelhante saudação.

  • VERSÍCULOS 3-7

Note que o apóstolo "rogou" e não "mandou", que Timóteo ficasse em Éfeso. A tarefa seria difícil e Paulo não queria obrigar seu jovem discípulo a aceitá-la; porém, para Timóteo o menor desejo de seu "pai na fé" lhe era como mandamento do Senhor.

A tarefa de Timóteo em Éfeso, então, era a de admoestar a certas pessoas com respeito à doutrina que estavam ensinando (v. 3), também avisá-las que não desperdiçassem o tempo da igreja com discussões sobre assuntos sem importância nem utilidade no serviço evangélico (v. 4).

Acerca da doutrina, lembremo-nos de que Paulo, na sua viagem a Jerusalém, já tinha avisado aos presbíteros da igreja em Éfeso que entre eles penetrariam lobos devoradores que não poupariam o rebanho e que, dentro deles mesmos (os efésios), se levantariam homens falando coisas pervertidas para arrastar os crentes atrás deles (Atos 20:17, 29-30). Parece que isto já estava acontecendo.

O motivo da "presente admoestação" (isto é, por meio desta Epístola), era produzir entre os cristãos o amor que seria o fruto de coração puro, consciência e fé sincera nos próprios mestres. Infelizmente, alguns entre estes, não tendo estas qualidades, ensinavam só tolices, mas queriam ser considerados "mestres da Lei", iguais a Gamaliel e outros eminentes ensinadores (veja Atos 5:34 e Lucas 5:17).

  • VERSÍCULOS 8-11

O motivo principal da Lei divina, dada nos primeiros livros do Velho Testamento e resumida em Lucas 10-28, é o de revelar ao homem quão terrível é o pecado, para que ele se arrependa e receba o perdão e a salvação que o Evangelho lhe oferece. Sendo justificado diante de Deus pela fé em Cristo, o cristão pode utilizar-se da Lei para entender a vontade de Deus, a qual ele vai obedecer no Poder do Espírito Santo.

Mas que lista temos aqui de diversos tipos de pecadores! São mencionados especificamente quatorze e depois há uma condenação geral de "tudo que se opõe a sã doutrina". Não podemos negar que todas estas espécies de pecado estão se tornando cada vez mais comuns na sociedade atual. Os que praticam tais coisas são condenados pela Lei divina, estão em perigo de perdição eterna, mas "o Evangelho da glória do Deus bendito" lhes oferece salvação por meio do Senhor Jesus. Tal é a "sã doutrina" que deve ocupar os ensinadores cristãos e que "uma vez por todas foi entregue aos santos" (Epístola de Judas, v. 3).

A graça e o combate do evangelho

1 Timóteo 1:12-20


A graça de Deus para com Paulo

Neste trecho, o apóstolo salienta com gratidão a grande misericórdia de Deus para com ele próprio, não somente em salvá-lo do seu pecado, como também em fazê-lo um pregador do Evangelho e um exemplo para os crentes.

  • VERSÍCULOS 12-14

Paulo fala principalmente da sua blasfêmia e violência no tempo quando ele perseguia a igreja (Atos 8:1-3; 9:1-2). Era feito "na ignorância" e "na incredulidade" - mas isto não era desculpa, pois ele era doutor da Lei divina, esperando o Messias, porém não querendo reconhecer Jesus de Nazaré como tal.

Por isso, necessitava da "misericórdia" de Deus para ser perdoado, pois mesmo os pecados de ignorância precisam de expiação (Levítico 5:17-19; Hebreus 9:7). Como grande pecador, Paulo achou em Cristo a verdadeira misericórdia, a fidelidade e o amor, recebendo d’Ele não somente o perdão e a salvação, como também a honra de ser apóstolo.

  • VERSÍCULOS 15-16

A "palavra fiel": Eis a primeira das cinco "palavras fiéis" tratadas por Paulo nas Epístolas a Timóteo e a Tito. Todas tratam de um aspecto importante da Igreja:

  • 1 Timóteo 1:15 – O Começo da Igreja: Cristo veio…
  • 1 Timóteo 3:1 – O Controle da Igreja: os presbíteros…
  • 1 Timóteo 4:9 – A Conduta da Igreja: a piedade…
  • 2 Timóteo 2:1 – A Comunhão da Igreja: com Cristo…
  • Tito 3:8 – A Caridade da Igreja: as boas obras…

Eis o grande fato histórico do Evangelho - Jesus Cristo, o Messias, Deus em carne, “veio ao mundo” com o propósito de salvar os pecadores (Lucas 19:10). Revelou-nos o amor de Deus, "dando-se a Si mesmo em preço de redenção por todos" (1 Timóteo 2:6). Entre todos os pecadores (milhões!) salvos por Cristo, Paulo considerava-se o pior, e também o menor (Efésios 3:8).

Mesmo assim, pela infinita graça de Deus, Paulo tinha a honra de ser feito como "modelo" para todo o pecador que necessitava (e desejava) a salvação; os piores pecadores podem ser salvos e santificados pelo mesmo Salvador misericordioso que salvou a Paulo!

  • VERSÍCULO 17

Eis uma doxologia de louvor e adoração, dirigida ao único Deus e Rei eterno, sem distinção entre as Pessoas da Divindade.

Houve, naqueles dias, o "dom de profecia" nas igrejas (1 Coríntios 12:10; 14:3) e temos exemplos de profecias especiais em Atos 11:27-28; 13:1-2; 21:10-11.

  • VERSÍCULO 18

Parece que houve algumas profecias feitas na ocasião da conversão de Timóteo, ou quando foi chamado para acompanhar Paulo no trabalho evangélico. Seriam profecias de dificuldades e combates?… de tentações sutis?... de vitórias espirituais?… Quaisquer que fossem, Paulo as traz à memória de Timóteo, para animá-lo e fortificá-lo no seu combate contra os poderes satânicos, os quais fariam todo esforço para desviá-lo do seu dever e mesmo da sua fé em Cristo.

  • VERSÍCULOS 19-20

Isto já tinha acontecido com Himeneu e Alexandre, entre alguns outros. Conhecendo o ensino evangélico ("doutrina"), eles desejaram e permitiram o pecado em sua vida e, com as consciências assim corrompidas, mudaram a doutrina para fazê-la conformar com as suas vidas pecaminosas e, assim, "naufragaram" - tornando-se num perigo para os outros.
Himeneu está mencionado em 2 Timóteo 2:17, com o seu falso ensino a respeito da ressurreição. Alexandre talvez seja o mesmo que se menciona em 2 Timóteo 4:14, mas era um nome muito comum e a identificação é duvidosa.

"Entreguei a Satanás" - parece uma ação apostólica, condenando aqueles dois blasfemos a um castigo fora do comum e de origem satânica. Temos exemplos desta autoridade apostólica em Atos 5:10; 13:11 e 1 Coríntios 5:3-5,13. Note que estes casos são excepcionais; não significam que todo crente disciplinado pela igreja esteja entregue a Satanás, porém mostram, isto sim, quão grave é o pecado aos olhos de Deus.

 


CAPÍTULO 2

A ORAÇÃO E AS MULHERES
1 Timóteo 2:1-15

A ORAÇÃO – Versículos 1-8

  • Deus quer que os cristãos orem em favor de todos, pois Ele quer que todos sejam salvos, pelo conhecimento do Evangelho, sendo Ele mesmo o Salvador.
  • É melhor que as autoridades (reis, presidentes, governadores, prefeitos e outros) sejam cristãs, ou, pelo menos, tementes a Deus e favoráveis ao Evangelho; assim se evitarão obstáculos e perseguição. Oremos por eles, então.
  • "Um só Deus" não uma pluralidade de deuses, como entre os romanos, os gregos, os hindus e nas exóticas religiões pagãs que são "a moda" em certos círculos hoje.
  • "Um só Mediador", o Filho de Deus, que Se fez homem para poder salvar os homens pelo sacrifício de Si mesmo como "resgate" por nós, os pecadores. Nem anjos, nem apóstolos, nem Maria a mãe de Jesus, nem qualquer outra pessoa, pode ser Mediador entre Deus e o pecador. Eis o testemunho de Paulo (e dos demais apóstolos), mormente para os gentios. Os judeus já sabiam que havia um só Deus e esperavam o Messias como Salvador, mas não O reconheceram em "Jesus, o nazareno".
  • A oração oral nas igrejas deve ser feita pelos homens, num espírito de amor e sempre sem rancor.

 AS MULHERES – Versículos 9-15

  • Deve ser decente, sem "exibição" ou desejo de atrair a atenção dos outros. Seja o caráter, o procedimento cristão dela na vida diária, o seu verdadeiro adorno, tanto na igreja como no lar (veja Atos 9:36-39).
  • Procedimento geral. A mulher não deve ser facciosa. briguenta, querendo ser "líder" em casa ou na igreja. Ela foi criada para ser "adjutora" (auxiliadora) do homem; e, tanto na igreja como no lar, os homens precisam deste auxílio... e o apreciam!

Tanto Paulo, o solteiro, como Pedro, o casado, concordam neste ensino (veja 1 Pedro 3:17), o qual é do Espírito Santo, que os inspirou.

Não é dada às mulheres a tarefa de ensinar nas igrejas, nem de pregar e nem de orar audivelmente (v. 12); veja também 1 Coríntios 14:34-35. O apóstolo apoia esta proibição por duas razões:

  • O homem foi o primeiro a ser criado (Gênesis 2:7, 22);
  • A mulher foi iludida por Satanás e caiu em transgressão; Adão não foi iludido, mas pecou para agradar a mulher. A sentença sobre ela foi: sofrimentos na gravidez; sujeição ao marido (Gênesis 3:16).

Submetendo-se à "vida comum do lar" (1 Pedro 3:7), sem desejar a liderança, nem ali e nem na igreja, ela cumprirá a missão que Deus lhe deu.

Há muitas coisas, mesmo na igreja que as irmãs podem fazer – e fazê-las melhor que os irmãos. Note quantas mulheres são mencionadas na lista de trabalhadores em Romanos 16 - "Febe, servindo a igreja em Cencreia"; "Priscila cooperadora"; "Maria, que muito trabalhou por vós"; "Trifena e Trifosa, que trabalhavam no Senhor"; "a estimada Pérside, que muito trabalhou no Senhor"; a mãe de Rufo; a Júlia e a irmã de Nereu. Talvez haja exceções, como Mary Slessor de Calabar, porém o ensino apostólico é que as irmãs não devem pregar, ensinar ou orar nas igrejas quando houver irmãos presentes.

Eis o caminho pelo qual a mulher cristã se salvará, isto é, cumprirá a vontade divina para com ela desde o princípio - ser boa esposa e mãe, com fé, amor e santa modéstia. Tal é o ensino bíblico não o do mundo de hoje. Mas o Senhor Jesus Cristo não era do mundo e o Seu povo também não o é (João 17:16); para os cristãos, "a Sua Palavra é a verdade" (João 17:17) e a mulher crente não ambicionará o que a Escritura lhe proíbe.


CAPÍTULO 3

BISPOS E DIÁCONOS
1 Timóteo 3:1-16

O CARÁTER DO BISPO – Versículos 1-7

Eis a segunda "palavra fiel" das Epístolas a Timóteo e a Tito – "O Controle da Igreja", descrevendo o caráter daquele que deseja ser reconhecido como bispo ou presbítero numa igreja local.
Note que, nas igrejas apostólicas, bispos e presbíteros são as mesmas pessoas (veja Atos 20:17, 28) e havia uma pluralidade deles em cada igreja. Houve presbíteros entre os crentes em Jerusalém (Atos 11:30; 15:2,4,6,22,23); não lemos que os apóstolos os "apontaram"; em Atos 14:23, Paulo e Barnabé "apontaram" presbíteros nas igrejas que eles mesmos tinham fundado (Derbe, Listra, Icônio e Antioquia); e Paulo mandou Tito a "pôr em ordem as coisas restantes" e que "constituísse presbíteros em cada cidade", conforme o caráter marcado (Tito 1:5-9).
Hoje não temos apóstolos nem "delegados apostólicos" para apontarem bispos (presbíteros), mas nesta Epístola temos as características pelas quais podemos reconhecer os irmãos que o Espírito Santo marcou para esta "excelente obra" (v. 1), a qual exige qualidades bem salientadas de caráter cristão:

A) Sem censura com respeito ao seu comportamento geral; não polígamo; bem controlado; não fanático; ordeiro; hospitaleiro; com capacidade para ensinar. Abstendo-se de bebidas alcoólicas; não briguento, mas pacífico; sem amor ao dinheiro (versículos 2 e 3).

B) O presbítero deve saber manter disciplina (sem ser arrogante, nem violento), a sua família estando em ordem, obedecendo-o com todo respeito. É triste e vergonhoso ver um presbítero cuja esposa e/ou filhos são mundanos e desobedientes. Ele mesmo pode ser um bom crente, porém lhe falta a qualidade de liderança (versículos 4 e 5).

C) Ele não deve ser um novo convertido, de cujo comportamento na sua nova fé nada se pode saber; ele não terá bastante conhecimento para ensinar outros e poderá cair no pecado do orgulho. Os de fora deviam testemunhar do seu bom caráter como cristão e isto necessita de tempo. Foi o orgulho que fez cair a Satanás (veja Isaías 14:12-15) e este tenta os homens com a mesma armadilha (versículos 6 e 7).

O CARÁTER DO DIÁCONO – Versículos 8-13

A palavra "diácono" na Bíblia significa simplesmente "um servo" e veio a ser aplicada a irmãos (e irmãs) que serviam a igreja numa capacidade determinada e reconhecida – tais como tesoureiro, secretário, bibliotecário, hospedeiro. Geralmente se entende que tal serviço é de natureza material, porém feito por crentes piedosos e espirituais ("cheios do Espírito Santo" e "de boa reputação" – Atos 6:3):

A) De bom caráter cristão, não bebedores de muito vinho, nem mentirosos. Devem ser crentes sinceros; o "mistério da fé" é o próprio Evangelho, a mensagem de Cristo que tem que ser anunciada (versículos 8 e 9).

B) O caráter e a capacidade do diácono devem ser provados antes de ele ser reconhecido formalmente pela igreja como diácono; ele tem que ser estritamente honesto e discreto, com esposa de caráter digno e filhos obedientes e ordeiros. O galardão de um serviço bem desempenhado será uma posição, uma preeminência, na igreja, com bastante crescimento na fé e no conhecimento do Senhor, com coragem para testemunhar do Evangelho em cada oportunidade (versículos 10-13).

Nota: Poderíamos aumentar bastante os comentários sobre estas qualidades essenciais para bispos e diáconos, porém há somente um ponto que queremos acrescentar: tais qualidades não descrevem dons especiais ou excepcionais possuídos unicamente por presbíteros ou diáconos. Ao contrário, são qualidades que pertencem à vida cristã comum; poderiam ser consideradas como assuntos para exortações aos crentes em geral, pois "ser irrepreensível" no seu caráter cristão devia ser o alvo de todo crente.

A IGREJA, CASA DE DEUS – Versículos 14-16

Paulo esperava ver Timóteo "em breve", mas escreveu esta Epístola para salientar a importância de conduta certa nos que formam a Igreja de Deus, a qual é a grande testemunha de Deus no mundo, sendo ela a "Casa de Deus", ensinando e defendendo a Verdade.
O Senhor Jesus Cristo é a "Piedade" (v. 16) personificada e revelada historicamente aos homens:

A) Encarnação: o Filho de Deus fez-Se homem (João 1:14);

B) Justificado: vindicado como o Justo (Marcos 9:7; Lucas 23:47);

C) Visto por anjos: nascimento; Getsêmani; ressurreição; ascensão;

D) Pregado: entre as nações, pelo Evangelho;

E) Crido: pela igreja universal;

F) Recebido na glória: no trono de Deus (Atos 1:11; 7:56).

Assim se resume a carreira triunfante do Senhor Jesus, o Messias, Deus em carne, Salvador do mundo e Cabeça da Sua Igreja.

 

autor: Richard Dawson Jones.
Fatos & Relatos

A simonia

A comercialização de coisas espirituais, ou temporais ligadas às espirituais.O poder do Espírito Santo nunca esteve à venda. Tampouco outras bênçãos de Deus, como a prosperidade material nesta vida, podem ser compradas.

Atos 8:9-25

Simão era um nome comum nos tempos do início da igreja de Cristo, e muitas tradições e lendas surgiram em torno do personagem mencionado nesta passagem bíblica, que veio a ser apelidado de “o Mago”. Em português e algumas outras línguas derivou-se dessa pessoa a palavra “simonia”, que significa a comercialização de coisas espirituais, ou temporais ligadas às espirituais.

Este homem, e muitos outros antes do tempo em que o gnosticismo se intensificou, praticava mágica ou feitiçaria que explorava a superstição e credulidade do povo em Samaria, ganhando para si fama e muito dinheiro. O povo dizia que ele era o “Grande Poder de Deus”, uma centelha da maior divindade, impersonificando o próprio Deus.

Mas muitos do povo creram em Filipe quando veio pregando sobre o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, e foram batizados. Também Simão, que se apegou a Filipe, admirado com o que este podia fazer. Pelo que se seguiu, entendemos que Simão não havia realmente se convertido e só queria descobrir como Filipe fazia os milagres.

Quando os apóstolos, todos em Jerusalém, souberam do que estava acontecendo em Samaria, enviaram Pedro e João para lá. É interessante ver que a decisão foi tomada em grupo: estes dois notáveis apóstolos não agiram por conta própria. Ao chegarem lá, notaram que o Espírito Santo não havia descido sobre nenhum dos samaritanos, diferentemente dos judeus convertidos, sobre os quais Ele vinha logo depois da sua conversão e batismo (Atos 2:38).

Pedro e João, portanto, oraram pedindo que esses samaritanos recebessem o Espírito Santo, e lhes impuseram as suas mãos, um sinal de solidariedade usado entre os judeus. Os samaritanos então receberam o Espírito Santo.

A Bíblia não explica porque, embora tenham crido e sido batizados, os samaritanos não receberam logo o Espírito Santo como os judeus estavam recebendo, mas é provável que fosse para manifestar a comunhão de judeus e samaritanos na igreja de Cristo. Os judeus não se davam com os samaritanos, e para que essa separação não continuasse na igreja, antes de lhes dar o Seu Espírito, Deus enviou os apóstolos para orar pelos samaritanos, e colocarem suas mãos sobre eles para provar que participavam do mesmo Espírito. Nada se diz sobre o dom de línguas, como se fosse prova do dom recebido.

Fica claro aqui que passar pelas águas do batismo ou qualquer outra cerimônia não salva, não faz com que o Espírito Santo entre na vida de uma pessoa, muito menos o faz um membro da igreja de Cristo.

Evidentemente Simão não se encontrava entre aqueles sobre quem os apóstolos haviam orado e imposto suas mãos, e não entendeu o seu significado. Ao ver aquilo, julgou que o Espírito Santo era dado assim (não era, veja-se o exemplo de Cornélio em Atos 10:44). Sua cobiça imediatamente lhe deu uma ideia que achou lucrativa: comprar esse poder dos apóstolos, pois pensava que ao apoderar-se dele teria a oportunidade de enriquecer-se ao vendê-lo para outros por bom preço, como decerto fazia com a sua mágica e manteria o seu prestígio que agora estava em jogo.

Apesar da sua confissão de fé e batismo, Simão cria que “tudo tem um preço” com se diz hoje em dia. É normal num mundo de subornos, materialismo e procura de riquezas. Mas Simão foi surpreendido com uma repreensão severa de Pedro.

Pedro viu, pela proposta que lhe fora feita, que o coração de Simão não era reto diante de Deus apesar da sua confissão de fé e batismo, e estava destinado à perdição eterna (João 3:16). Ele realmente não havia se convertido, pois:

  • Estava destinado à perdição eterna: “vá tua prata contigo à perdição” (nenhum verdadeiro crente irá para a perdição – João 3:16).
  • Não estava em comunhão com a igreja: “Tu não tens parte nem sorte neste ministério”.
  • Não havia acolhido a Palavra de Deus: “seu coração não era reto diante de Deus” (Lucas 8:15).
  • Demonstrava falta de regeneração: estava em “fel de amargura, e em laços de iniquidade”.

O poder do Espírito Santo nunca esteve à venda. Tampouco outras bênçãos de Deus, como a prosperidade material nesta vida, podem ser compradas. No reino de Deus, do qual fazem parte os que foram santificados pela graça de Deus mediante a fé em Cristo Jesus aqui na terra, todos têm o Espírito Santo. Simão não O tinha, e Pedro lhe disse que precisava arrepender-se e rogar ao Senhor para que lhe fosse perdoado por ter tido essa ideia cobiçosa. Pedro ainda parecia estar em dúvidas se Simão alcançaria o perdão de Deus.

Deus é bondoso, compassivo e de grande benignidade (Salmo 145:8). O Senhor Jesus ensinou que “Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada” (Mateus 12:31). Estaria Pedro pensando que Simão talvez tivesse cometido este pecado? Pedro deixou aberta a esperança de perdão, se Simão se arrependesse e rogasse perdão ao Senhor. Simão se assustou, mas não deu sinal de arrependimento, apenas pediu que os apóstolos interviessem a favor dele e rogassem ao Senhor para que o castigo que Pedro mencionara não viesse sobre ele. Ficou evidente que Simão nunca havia mudado a sua vida, e continuava no seu caminho distante de Deus, apesar da sua profissão de fé e batismo.

É a atitude de multidões que não querem um compromisso pessoal com Deus, e recorrem à intermediação de falsos sacerdotes, e a “santos” mortos etc., tentando assim obter o perdão dos seus pecados. Mas o Senhor Jesus disse claramente: “Quem não crer (no Evangelho) será condenado” (Marcos 16:16). A salvação não está à venda, e Deus é justo e punirá os que rejeitarem o perdão dos seus pecados mediante a fé em Jesus Cristo.

Nada mais sabemos sobre Simão, o Mago, pois seu nome não aparece mais nas Escrituras Sagradas. Mas o relato feito a respeito dele é um alerta solene que ressoa através dos tempos contra a simonia, tão em voga em nossos tempos quando o mercantilismo com as coisas de Deus enche os templos dos vendedores de prosperidade e outras “graças”. Alcançarão eles o perdão de Deus mediante o arrependimento? O apóstolo Pedro não tinha certeza disto no caso de Simão.

Tenhamos todo o cuidado para que esse mal terrível não entre em nosso meio.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As obrigações espirituais do crente

As primícias na lei de Moisés e o seu significado para os cristãos.

Hebreus 13:7-17

 

Aos hebreus, a quem foi dirigido este livro, é recomendado nesta passagem que se lembrem dos seus guias, os mestres que lhes ensinaram a Palavra de Deus. Observando o êxito que tiveram em sua carreira cristã, a sua fé deve ser imitada. Temos para nós os exemplos dados no Novo Testamento de alguns, como Paulo e seus companheiros, que pela fé levaram o Evangelho ao mundo descrente. Alguns dos campeões da fé na antiguidade são bons exemplos, como vemos no capítulo 11. Todos mantiveram a sua confissão firme até o fim da vida, e vários foram até martirizados.

Essa é a fé que se apega a Cristo e à doutrina cristã, que traz Deus para nosso lado em cada passo da vida neste mundo. Não somos todos chamados para as mesmas formas de serviço, mas todos somos chamados a uma vida de fé.

Jesus Cristo é o Filho de Deus, “ontem” chamado Javé, o Senhor, e hoje o Messias, ou Senhor Jesus Cristo em nosso idioma, eternamente imutável.  Que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre foi o foco do ensino, do objetivo e da fé desses guias dos hebreus.

Em seguida vem uma advertência contra os falsos ensinos. Os judaizantes insistiam que a santidade estava ligada a coisas externas, tais como cerimônias, rituais e alimentos, por exemplo. A verdade é que a santidade é produzida pela graça, não pela lei. Os estatutos relativos a alimentos “limpos” e “imundos” visavam produzir uma limpeza ritual. Mas não produziam santidade espiritual.

Um homem pode estar cerimonialmente limpo e ainda estar cheio de ódio e hipocrisia. Só a graça de Deus pode inspirar e capacitar os crentes a viver vidas santas. O amor pelo Salvador que morreu por causa de nossos pecados nos motiva a "viver sobriamente, com retidão e tementes a Deus na época presente" (Tito 2:12). Afinal de contas, as regras infinitas com respeito aos alimentos e bebidas não têm sido úteis para a santificação dos seus adeptos.

Não percamos o triunfo das palavras "Temos um altar". É a resposta confiante do crente às repetidas provocações dos judaizantes. Nosso altar é Cristo, e, portanto, inclui todas as bênçãos que se encontram n’Ele. Os que estiverem ligados ao sistema Levítico perdem os privilégios melhores do Evangelho. Primeiro devem admitir e se arrepender de seus pecados e depois receber Jesus Cristo como seu único Senhor e Salvador.

Sob o sistema sacrificial, certos animais eram mortos e seu sangue era trazido para o lugar Santo dos Santos pelo sumo sacerdote como um sacrifício pelo pecado. Os corpos desses animais eram transportados para um lugar longe dos arredores do Tabernáculo e queimados. “Fora do arraial” significa fora da cerca exterior que rodeava o Tabernáculo.

Os animais queimados fora do arraial foram um tipo; o Senhor Jesus foi o antítipo. Ele foi crucificado fora dos muros da cidade de Jerusalém. Foi fora do arraial do judaísmo organizado que Ele santificou o povo com Seu próprio sangue.

A aplicação para os primeiros leitores da epístola foi esta: eles deviam romper com o judaísmo. Eles deviam de uma vez por todas virar as costas aos sacrifícios do templo e apropriarem-se da obra terminada de Cristo como Seu sacrifício suficiente. A aplicação para nós é semelhante: o “arraial” de hoje é todo o sistema religioso que ensina a salvação pelas obras, pelo caráter, pelo ritual ou por ordenanças. É o sistema das igrejas modernas com seu sacerdócio ordenado humanamente, seus instrumentos físicos para adorar e sua pompa cerimonial. É a cristandade corrupta, uma igreja sem Cristo. O Senhor Jesus está lá fora e temos de sair para estar com Ele, levando a Sua ignomínia.  

Jerusalém era amada pelos que serviam no templo. Era o centro geográfico do seu “arraial”. O crente não tem uma cidade assim na terra. Seu coração está dirigido à cidade celestial, a nova Jerusalém, onde está o Cordeiro em toda a Sua glória.  O sacrifício de louvor é o fruto de lábios que reconhecem o Seu nome. A única adoração que Deus recebe é a que procede das almas redimidas.

No Novo Testamento todos os crentes são sacerdotes. São sacerdotes santos, indo para o santuário de Deus para a adoração (1 Pedro 2:5), e são sacerdotes reais, saindo ao mundo para testemunharem (1 Pedro 2:9). Há pelo menos três sacrifícios que um crente-sacerdote oferece.

  • O primeiro é o sacrifício de sua própria pessoa (Romanos 12:1).
  • Em seguida, neste versículo 15, está o segundo: o sacrifício de louvor. É oferecido a Deus através do Senhor Jesus. Todo nosso louvor e adoração passa por Ele antes de chegar a Deus Pai; nosso grande Sumo Sacerdote remove todas as impurezas e imperfeições e acrescenta Sua própria virtude a elas. O sacrifício de louvor é o “fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (versículo 15).
  • O terceiro sacrifício é a oferta de nossas posses. Devemos usar nossos recursos materiais para fazer o bem e na partilha com aqueles que estão em necessidade. Deus Se agrada com esse sacrifício. É o oposto de acumular para si.

Os leitores foram instruídos, nos versículos 7 e 8, a se lembrarem dos seus guias no passado. Agora eles são ensinados a obedecer aos seus líderes presentes. Isso diz respeito principalmente aos que estão na direção da igreja local. Esses homens agem como servos de Deus na igreja. Receberam essa autoridade, e os crentes devem ser submissos a eles. Como responsáveis diretos ao Supremo Pastor, os superintendentes (“presbíteros”) cuidam pelas almas do rebanho. Um dia terão que prestar contas a Deus pelo seu desempenho. Farão isso com alegria ou tristeza, dependendo do progresso espiritual do seu rebanho. Se for com tristeza, isto significará perda de galardão por esses santos. Portanto, é para benefício de todos respeitar as linhas de autoridade que Deus estabeleceu.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As profecias na atualidade

A profecia bíblica é a revelação de Deus à humanidade, através de seus profetas escolhidos, de acontecimentos futuros descritos com exatidão, centenas ou milhares de anos pela frente. Ela abrange todos os tempos, inclusive os nossos, desde logo depois de anunciada até o futuro remoto quando haverá a

Perguntam-nos: Com o regresso dos judeus à sua terra, tendo já a sua nação de Israel, a profecia bíblica está se cumprindo em nossos dias, ou só voltará a ser cumprida no arrebatamento da igreja?

A profecia bíblica é a revelação de Deus à humanidade, através de seus profetas escolhidos, de acontecimentos futuros descritos com exatidão, centenas ou milhares de anos pela frente. Ela abrange todos os tempos, inclusive os nossos, desde logo depois de anunciada até o futuro remoto quando haverá a criação de novos céus e nova terra.

De maneira geral, na Bíblia, a humanidade é tratada em três grupos: os descendentes de Israel, os gentios (todos os outros povos) e o povo de Deus, que inclui a igreja de Cristo. Assim, também as profecias que lá se encontram são dirigidas, ora a um, ora a outro destes grupos.

O Velho Testamento foi destinado em primeiro lugar à nação de Israel. Deus usou seus profetas dentro desse povo para declarar acontecimentos futuros, e estes dizem respeito principalmente aos descendentes de Israel e às nações gentias com as quais eles se envolveram.

Ali se encontram promessas feitas ao povo de Israel que, por serem feitas por Deus sem imposição de condições, são profecias, como:

  • o concerto “abraâmico”, considerado o tratado básico, anunciando que uma grande nação descenderia de Abraão, e que nele todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gênesis 12:1-4). No que diz respeito a nós, vê-se o seu cumprimento na formação da igreja de Cristo.
  • o concerto “palestino”, o da restauração, anunciando que, depois de ser espalhado entre muitas nações, Israel irá voltar para a terra possuída por seus pais (Deuteronômio 30:3-5). Alguns consideram que foi cumprido parcialmente com a volta dos judeus para formar a nação soberana de Israel de nossos dias, mas realmente só será plenamente confirmado na segunda volta de Cristo quando todos os judeus remanescentes da grande tribulação serão reunidos na terra prometida aos patriarcas.
  • o concerto “davídico”, o do reino, anunciando que a dinastia de Davi, seu reino e seu trono serão estabelecidos para sempre (2Samuel 7:16). Será cumprido no milênio.
  • o concerto “novo”, o da bênção e redenção, anunciando que Israel será outra vez o povo de Deus, que ele será o seu Deus, que Israel conhecerá o Senhor e será perdoado (Jeremias 31:31-40). Está bem claro em Romanos 11:25-29 que isto só acontecerá depois que haja entrado a plenitude dos gentios, ou seja, depois que a igreja de Cristo, contendo todos os gentios a serem remidos, seja completada. Também será cumprido no milênio.

Quanto à cronologia dos acontecimentos anunciados nas profecias, temos uma estrutura notável fornecida no livro de Daniel para os tempos dos gentios, começando com o cativeiro dos judeus na Babilônia e terminando com a volta do Messias para o julgamento das nações, quando ele dará início ao seu reino de mil anos. Como a existência da igreja não fora revelada aos profetas do Velho Testamento, o período da igreja na terra está excluído da cronologia de Daniel.

Na revelação das setenta semanas (cada uma de sete anos) em Daniel 9:24-27, os acontecimentos previstos se cumpriram com absoluta exatidão até o fim da 69a semana, quando a igreja foi estabelecida; a 70a semana começará quando a besta (também chamado anticristo) firmar um tratado com muitos (israelitas). Este é o início do Dia do Senhor, ou tribulação, ou ira, que durará através desses sete últimos anos, terminando na segunda vinda de Cristo (Daniel 9:27, 10:14, Lucas 21:20-28).

Chamaremos o intervalo entre a 69a e a 70a semana de hiato e nos limitaremos a ele para responder à pergunta que nos foi formulada.

O Novo Testamento introduz algo que antes estivera escondido dos profetas do Velho Testamento, mas foi revelado por Jesus Cristo e seus apóstolos (Efésios 3:3-12): muitos entre os judeus e os gentios iriam se unir por causa da sua fé em Cristo, para formar um só povo chamado a igreja de Cristo. A formação desse povo está se dando durante o hiato, que inclui os nossos dias.

O Novo Testamento contém muitas profecias concernentes à igreja. No livro do Apocalipse temos a profecia sobre as sete igrejas: poucos duvidam que estamos vivendo já nos dias da última, Laodicéia.

Quanto ao povo de Israel, e os gentios, existem profecias para o período anterior ao da Tribulação, que deverão, portanto, se cumprir dentro do hiato, período durante o qual ele tem sido submetido a juízo pelo SENHOR, por causa da sua incredulidade, murmurações e rebelião, e foi castigado, perdendo a sua terra e sendo espalhado pelo mundo:

  • Deus prometeu que ele seria tirado dentre os povos com braço estendido e derramado furor (Ezequiel 20:33,34), após o que Ele entrará em juízo com eles, e os rebeldes serão afastados do seu meio para que não entrem na terra de Israel. O furor de Deus é evidente no Holocausto nazista, após o que foi tirado dentre os povos para habitar novamente na sua terra. Israel conquistou Jerusalém durante a Guerra dos Seis Dias, e o próximo evento para preparar para o anunciado em Daniel 9:27 será a construção do seu templo. Mas notemos que a maior parte do povo de Israel ainda se encontra espalhada pelo mundo. O tratado de paz será, portanto, assinado pela besta com “muitos”: não todos, exatamente como profetizado no livro de Daniel. A segunda parte da profecia “Ele entrará em juízo com eles, e os rebeldes serão afastados do seu meio para que não entrem na terra de Israel” se dará durante a Grande Tribulação (veja também Ezequiel 22:17-22, Sofonias 2:1-3), e depois disto entrarão na terra de Israel pela segunda vez, agora uma nação regenerada, livre dos rebeldes, para gozar as bênçãos do milênio (Isaías 11:11-12).
  • Haverá uma tentativa de invasão de Israel: Ezequiel 38:1 a 39:16. Esta passagem anuncia quem, onde, porque, qual, como e quando esta invasão acontecerá. Ainda está para vir, bem como as seguintes.
  • Haverá paz entre as nações: 1Tessalonicenses 5:1-3. É usada a expressão “dia do Senhor”, esclarecendo que este período de paz e segurança virá imediatamente antes do arrebatamento da igreja, ao qual sucederá a repentina destruição dos anos da tribulação.
  • O governo mundial será distribuído entre dez reinos: Daniel 7:24. Geralmente se aceita que o sistema romano de governo e religião, dividido em duas pernas - a civilização “cristã” oriental e ocidental - eventualmente se comporá de dez “reinos”, ou unidades de governo, antes da tribulação.
  • O homem da iniqüidade será revelado, em meio à apostasia geral (2Tessalonicenses 2:1-5). Em seguida à composição dos dez reinos, este personagem, mais conhecido como o “anticristo”, começará sua escalada ao poder supremo (Daniel 7:24), e sua identidade será revelada antes da tribulação. A aliança por sete anos entre o “anticristo” e o Estado de Israel marcará o fim do hiato (Daniel 9:27), e o princípio da tribulação de sete anos.

Tanto as sete igrejas como estes acontecimentos seguem em seqüência dentro do hiato. Outros acontecimentos são previstos que não podemos encaixar em uma seqüência. Destacamos os seguintes, todos ainda no futuro:

  • Trevas: estão previstas em cinco ocasiões, uma das quais, de acordo com Joel 2:31, será antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR, outra descrição dos sete anos de tribulação. Serão semelhantes às do Egito (Êxodo 10:21-23) e às que houve durante a crucificação (Mateus 27:45).
  • A volta de Elias: acontecerá antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR, para restaurar a unidade da família de Israel, que está em vias de se desintegrar.
  • O arrebatamento da igreja de Cristo, a quem foi prometido que não estará sujeita à ira, e só Deus sabe o dia e a hora em que isto vai acontecer (Mateus 24:36-44, Atos 1:7). Este acontecimento não se confunde com a segunda volta de Cristo ao mundo com o fim de julgá-lo e estabelecer o Seu reino. O arrebatamento é a esperança da igreja, quando o Senhor, a brilhante Estrela da Manhã (Apocalipse 22:16), descerá para encontrá-la nos ares, para que estejamos para sempre com Ele (João 14:1-3, Filipenses 3:20-21, 1Tessalonicenses 4:13-18, 1Coríntios 15:50-58, 1João 3:2), enquanto a segunda volta é a esperança de Israel, quando Ele aparecerá como o Sol da justiça, com salvação nas suas asas (Malaquias 4:2). Tudo o que se sabe a respeito de quando o arrebatamento ocorrerá, é que vai ser antes da tribulação (1Tessalonicenses 1:9-10, 5:9, Apocalipse 3:10) e que está iminente, como sempre esteve (João 21:20-23, Romanos 13:11-12, Tiago 5:7-9, Apocalipse 22:20).

A verdadeira esperança do crente não está na terra, mas no céu. Esperamos o cumprimento dos desígnios de Deus na terra, mas nossa prioridade não é a nossa liberação na terra, para usufruir bênçãos terrenas, como a nação de Israel, mas sim, liberação da terra, para gozarmos das inefáveis bênçãos na presença de nosso Salvador no céu. O crente não espera a conversão do mundo para Cristo, nem a sua reforma. Sua esperança imediata não é o reino de Cristo, mas a vinda de Cristo para buscá-lo.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As profecias sobre os países árabes

O que as Escrituras nos dizem sobre o futuro dos países árabes

Atualmente os países árabes, tendo saído da relativa obscuridade em que se encontravam até pouco mais de um século atrás, tomaram uma posição mais relevante na política internacional, impulsionados pela riqueza e influência que adquiriram com a exploração dos imensos lençóis de petróleo sob o seu território, e pela migração e acelerada multiplicação da população islâmica, religião que inventaram e adotaram na Idade Média.

Considerando a forte oposição que muitos dos países árabes fazem, não só aos judeus e ao Estado de Israel, mas também ao Evangelho de Cristo, é oportuno fazer um relato sobre o que as Escrituras nos dizem sobre eles.

• Suas origens

Os árabes descendem de Abraão, através de dois personagens: Ismael, filho de Abraão e meio-irmão de Isaque, e Esaú, irmão gêmeo mais velho que Jacó, filhos de Isaque (Gênesis 12:10-20, 16:1-14, 25:19-34 e 41).

Ismael (“Deus ouve”) foi produto de dois pecados de Abraão, quando fraquejou na sua fé: o primeiro aconteceu quando Abraão se afastou da terra prometida para ir até o Egito, onde se sentiu obrigado a negar que Sarai era a sua esposa. Em consequência, foi expulso quando Faraó descobriu, mas voltou para Canaã levando grandes riquezas, inclusive servos e servas. Uma destas, chamada Hagar, servia Sarai, e num outro lapso de fé, pois Deus havia prometido dez anos antes que teria um filho com Sarai (Gênesis 12), Abraão atendeu ao pedido de Sarai, que era estéril, para obter um filho de Hagar como se fosse dela. Disto nasceu Ismael.

O Anjo do Senhor havia declarado a Hagar quando estava grávida de Ismael, que sua descendência seria muito grande: “não será contada, por numerosa que será” e que “ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos” (Gênesis 16:11-12). Portanto, Ismael e a sua numerosa descendência (começou com doze filhos com sua mulher egípcia) seriam caracterizados por:

  1. Viverem em bandos nômades no deserto, como o jumento selvagem;
  2. Serem sempre agressivos contra os outros;
  3. Em consequência, serem agredidos também;
  4. Quando firmados em um território (habitará), permanecerem em estado de hostilidade contra todos os seus irmãos (Israel atualmente).

Esaú (“cabeludo”) cedo se distinguiu de Jacó, tornando-se um perito caçador e agradando o seu pai ao prover carne de caça para a sua mesa; Jacó, mais sossegado, habitava em tendas. Como fora o primeiro a nascer, Esaú tinha direito à maior parte da herança de Isaque e, mais importante ainda, às promessas que Deus fizera ao seu avô Abraão. Mas um dia, ao voltar para casa com muita fome, trocou o seu direito à primogenitura simplesmente por uma refeição preparada por Jacó.

Jacó enganou o pai para exercer o direito de primogenitura que havia adquirido, e Esaú o odiou por causa disto. O ódio de Esaú se juntou ao ódio de Ismael. Os países árabes se originaram com os ismaelitas (descendentes de Ismael) e com os edomitas (descendentes de Esaú, tendo ele sido apelidado de Edom). Em Números 20:14 a 21 lemos com que ódio, quatro séculos mais tarde, os edomitas se recusaram a deixar os israelitas libertados por Moisés passarem pelo seu território para ir à terra prometida.

• Seu passado

Mesmo depois que os israelitas haviam se instalado na terra prometida, os ismaelitas, edomitas e outros descendentes desses dois homens desencadearam sobre eles ataques e estragos conforme lemos no livro dos Juízes. O seu ódio perpétuo é relatado pelos profetas, por exemplo Ezequiel 35:5 e Obadias 1:10-14. O Salmo 83 considera o ódio reinante no tempo de Davi e, profeticamente, a situação atual no Oriente Médio: os edomitas e os ismaelitas se aliaram naquele tempo com os moabitas e os amonitas (descendentes dos filhos de Ló), os hagarenos (uma tribo árabe composta de descendentes de Hagar), os amalequitas (outros descendentes de Esaú), e os povos da redondeza para destruir a nação de Israel e apagar o seu nome.

Não é por simples coincidência que os países árabes da atualidade têm usado a mesma expressão com respeito ao Estado de Israel de nossos dias. Logo antes da recente “guerra dos seis dias”, o então presidente Násser do Egito declarou na rádio que iria varrer os judeus para dentro do mar e apagar Israel do mapa para que não fosse lembrada a existência da atual nação de Israel (no entanto ele morreu e Israel continua lá!).

As nações mencionadas no Salmo 83 também existem hoje. Edom, Moabe e Amom compõem respectivamente o sul, o centro e o norte da Jordânia, os hagarenos vinham do Egito, Gebal e Tiro são agora o Líbano, Amaleque é o Sinai, a Filístia é a faixa de Gaza, enquanto o que era a Assíria abrange o Iraque e uma boa parte da Síria; os ismaelitas são um segmento do mundo árabe. A única ocasião na história em que todas essas nações se combinaram entre si contra Israel foi depois de 1948. Nunca aconteceu na antiguidade, mas se cumpriu claramente desde a “guerra dos seis dias” de 1967, quando os líderes árabes declararam um após outro que a única maneira de se conseguir a paz no Oriente Médio é mediante o aniquilamento total de Israel como nação.

• Seu futuro

No entanto, haverá finalmente um dia paz duradoura entre Israel e essas nações inimigas. Segundo as profecias, acontecerá de três maneiras: por ocupação, por destruição, ou por conversão. Vejamos uma por uma:

Líbano - Será ocupado por Israel, conforme Ezequiel 47:13 a 48:29. As fronteiras do reino messiânico de Israel se estenderão até o norte do Líbano atual. O território do Líbano está dentro da Terra da Promessa de Abraão, mas nunca chegou a ser ocupado pelos israelitas. A nação do Líbano deixará de existir, e haverá paz entre os ocupantes dessa terra e os israelitas.

Jordânia – O sul deste país, compreendendo as terras dos edomitas, será totalmente devastado com grande morticínio conforme Ezequiel 25:12-14 e 35:6-9, “para saberem que o Senhor Deus é o Senhor” (atualmente dizem que é Alá). Obadias centraliza toda a sua pequena profecia na destruição de Edom. Em Jeremias 49:7-13 temos mais detalhes, inclusive menciona a cidade de Bozra. Esta era muito importante até os primeiros séculos da nossa era, quando foi totalmente despopulada – redescoberta pouco mais de uma centena de anos atrás é agora uma atração turística desabitada chamada Petra.

A zona central da Jordânia, chamada terra de Moabe na Bíblia, também sofrerá destruição em parte conforme Jeremias 48:1-46, mas haverá sobreviventes que se arrependerão e um remanescente voltará, conforme Jeremias 48:47. No reino milenar de Cristo este povo formará a nação convertida chamada Moabe.

O norte da Jordânia também não sofrerá uma destruição total, os sobreviventes se voltarão ao Senhor conforme Jeremias 49:1-2 Assim haverá paz entre os israelitas e os amonitas remanescentes, que formarão a nação de Amom no milênio.

Egito – O seu futuro é detalhado em Isaías 18:1-22. Haverá guerra civil, desolação e fome. Nos versículos 11 a 15, a causa da sua devastação será uma má liderança que desviará o povo. É o que aconteceu nos governos de Farouk, Násser e Sadat, quando o Egito declarou guerra contra Israel em quatro ocasiões, resultando em grandes perdas para o Egito e ruína da sua economia. Como resultado, o Egito virá a temer Israel (Isaías 19:16-17). Desde a antiguidade, o Egito nunca temeu Israel, mas desde 1948, e especialmente desde a guerra dos seis dias, as forças armadas do Egito evidenciaram o receio e temor retratado nesses versículos. Profeticamente, hoje estamos no período de Isaías 19:16-17. Eventualmente o Egito se converterá ao Deus verdadeiro através do Senhor Jesus e viverá em paz com Israel. Durante os primeiros quarenta anos do milênio os egípcios estarão dispersos pelo mundo, mas depois voltarão à sua terra (Ezequiel 29:12) e serão uma nação, gozando da bem-aventurança do Senhor dos Exércitos, junto com a Assíria (norte do Iraque) e Israel (Isaías 19:25).

Assíria (norte do Iraque) – Também se converterá, como o Egito, e será novamente ligada a Israel e ao Egito por uma estrada possibilitando unidade política, econômica e religiosa (Isaías 19:23-25). Estará presente no milênio.

Arábia Saudita - chamada na Bíblia de Quedar e os reinos de Hazor, será devastada conforme Jeremias 49:28-33 e se tornará em desolação para sempre. A paz com Israel virá, mediante a destruição permanente dessa nação.

Irão – Antiga Elam, não é árabe, mas participa da mesma religião que os árabes muçulmanos, o islamismo. Segundo Jeremias 49:34-38, também será destruído e todos os seus habitantes se dispersarão pelo mundo, mas o versículo 39 declara que, nos últimos dias, voltarão à sua terra, assim como farão os egípcios. A Bíblia não revela quanto tempo durará a sua dispersão, mas estará presente no milênio.

Babilônia (sul do Iraque) – Capital do Anticristo, segundo diversas passagens bíblicas, será assolada e durante todo o milênio ficará desabitada por seres humanos, e tomada por animais selvagens (Isaías 13:20-22). Sua destruição será semelhante à de Sodoma e Gomorra (Jeremias 50:39-40), total e completa (Jeremias 51:41-43), tornando-se lugar de contínuo incêndio e fumaça (Apocalipse 19:3). Também os animais selvagens de Isaías e Jeremias, como os conhecemos, não poderiam viver nesse ambiente, logo são demônios como aprendemos em Apocalipse 18:1-2, que estarão presos ali durante o milênio. Entendemos que os demônios têm semelhança com animais, conforme Apocalipse 9 e outras passagens. A palavra hebraica traduzida por “sátiros” em Isaías 13:21 na verdade significa “demônios em forma de bodes”, e a palavra “Lilite”, traduzida como “criaturas noturnas”, ou “fantasmas”, significa “demônios da noite”.

Edom (sul da Jordânia) – Como a Babilônia, será desolado e desabitado perpetuamente por causa dos seus pecados contra Israel, virando lugar de fogo e fumaça, ocupado por demônios (Isaías 34:8-15, Jeremias 49:17-18, Ezequiel 35:10-15).

Em conclusão:

Verificamos que durante o reino milenar de Cristo a maioria dos países árabes continuará a existir, tendo se convertido ao verdadeiro Deus depois de castigados por guerras e calamidades. Mesmo o Egito prosperará com o retorno dos que haviam fugido. Mas a Babilônia e Edom nunca mais serão habitados por seres humanos.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As promessas de Deus aos obreiros

Um dia os obreiros haverão de prestar contas ao Senhor Jesus pela maneira em que executaram as tarefas confiadas à sua responsabilidade. Então serão honrados com a aprovação do Senhor, e recompensados com a sua nomeação para algo mais importante.

Quem coopera com um obreiro orando, contribuindo, animando enfim se envolvendo com ele, será galardoado por Deus na mesma medida que ele? Essa é uma pergunta que nos feita recentemente.


Um obreiro é aquele que executa uma obra. Obra, por sua vez, é o conjunto das ações realizadas por alguém, alguma coisa ou um fenômeno (natural, social, psicológico) tendo em vista um certo resultado.

Transpondo esse vocábulo para a área espiritual, entendemos que um “obreiro” é todo aquele que executa a obra de Deus aqui na Terra. Todos os que recebem Jesus Cristo como o Senhor de suas vidas se submetem à situação de servos. Os servos obedecem ao desejo do seu Senhor, agindo para desempenhar o que lhes é designado, logo todos são “obreiros”.

Ao final do “sermão do monte das Oliveiras”, dois dias antes da Sua crucificação, o Senhor Jesus contou uma parábola que, embora contada no contexto dos dias finais antes da Sua segunda vinda e da seleção dos que vão participar do Seu reino milenar, bem ilustra o obreiro cristão. É a “Parábola dos Talentos” encontrada em Mateus 25:14 a 28, em que três servos de um senhor, que partia em viagem, receberam um valor em dinheiro cada um correspondente à sua capacidade, a fim de negociar e produzir lucro para ele.

O Senhor Jesus está atualmente ausente, e também distribui responsabilidades correspondentes à capacidade de cada um dos Seus obreiros. É comum confundir os “talentos”, medida de moeda usada na parábola, com qualidades naturais ou adquiridas, como habilidades físicas e mentais que denominamos também de “talentos”. Estas qualidades é que constituem a “capacidade de cada um”, e é em função destas que são distribuídas as responsabilidades, os “talentos” da parábola.

Ao voltar o senhor da parábola, ele acertou contas com os seus servos, e verificou que os dois que haviam recebido mais para aplicar haviam trabalhado bem e obtido bom resultado, proporcional ao valor que receberam. Efetivamente demonstraram ser verdadeiros “servos” porque fizeram o que o seu senhor lhes ordenara e obtiveram sucesso.

Um dia os obreiros haverão de prestar contas ao Senhor Jesus pela maneira em que executaram as tarefas confiadas à sua responsabilidade. Terão se aplicado em Sua obra, nas oportunidades que se lhes ofereceram, com amor e dedicação, tendo assim algo de positivo para apresentar quando o Senhor voltar? Quanto mais tiverem se envolvido no trabalho do Senhor, mais responsabilidades lhes serão confiadas: “a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância...”. Finalmente, serão honrados com a aprovação do Senhor, e recompensados com a sua nomeação para algo mais importante: “Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:23).

Na parábola há uma séria advertência aos falsos obreiros, que são como o terceiro servo da parábola que nada fez além de enterrar o que tinha recebido. Ele provou que na verdade não amava o seu senhor, pois nada fez em seu benefício e ainda o insultou quando veio prestar contas. Se, ao menos, tivesse entregue seu dinheiro aos banqueiros para que rendesse juros, ainda teria sido aprovado.

Se um obreiro realmente ama ao Senhor e se acha incapaz de tomar uma responsabilidade, pelo menos tem a oportunidade de dar o seu apoio financeiro, etc., a outros que o possam usar para o Senhor. Como exemplo, podemos citar diversas formas de apoio aos trabalhos missionários, de evangelização, etc.

O servo mau e negligente da parábola simboliza os que apenas se apresentam como sendo de Cristo, mas na realidade nunca se converteram, na realidade não O amam e nada querem fazer por Ele, até mesmo se ressentem contra ele. Serão severamente repreendidos pelo Senhor como servos inúteis e condenados ao inferno.

A obra do Senhor às vezes parece desapontadora. O obreiro se afadiga e vê pouco resultado, às vezes mesmo nenhum. Como ele gostaria de ver almas se chegando para ouvir o Evangelho, e recebendo de bom grado as boas novas de salvação! Mas o interesse é pouco, o inimigo parece prevalecer, e a tentação de desistir é grande. Mas o Senhor promete, nas palavras de Paulo: “Meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1 Coríntios 15:58). O nosso trabalho para o Senhor, seja ele qual for, nunca será em vão se for feito segundo a vontade dele. O resultado será positivo, mesmo quando não podemos vê-lo diante de nós.

Deus nunca Se esquece do nosso trabalho, e do amor que demonstramos para com o Seu nome, em qualquer coisa que façamos para Ele, e para o bem-estar dos demais obreiros, ou santos: “Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis” (Hebreus 6:10). Toda e qualquer coisa que façamos para o bem da obra de Cristo, como contribuições financeiras, sacrifícios de oração, dedicação de tempo para encorajamento, conforto e admoestação, hospedagem, e muito mais - tudo ficará gravado na infalível memória de Deus. Tudo é serviço para ser prestado revelando o nosso amor e dedicação ao nome de Deus, e do Seu Amado Filho, e nunca é inútil.

Haverá recompensa para cada obreiro em proporção com o seu próprio trabalho: “Nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho” (1 Coríntios 3:7-8). Plantar e regar são funções diferentes num jardim, e Paulo aqui afirma que nem ele, que pregou o Evangelho, nem Apolo que ensinou os novos convertidos, são importantes por si próprios, pois é Deus que dá o crescimento. Os dois são uma unidade, pois sem plantar nada brota, e sem regar nada sobrevive. Cada obreiro faz a sua parte e receberá o galardão segundo o que o seu trabalho merece. Isso se aplica a todo o trabalho na obra de Cristo, onde há muitos obreiros, cada um fazendo a sua parte.

Em lugar nenhum encontramos o ensinamento que um obreiro receberá galardão em função do trabalho de outro, por exemplo, um irmão que ora, e contribui financeiramente para o trabalho de outro irmão envolvido diretamente em uma obra missionária não é responsável nem receberá galardão segundo o que o trabalho do outro merece. Cada um é um obreiro, servo do Senhor, e seu galardão tem a ver exclusivamente com o seu próprio serviço, como vimos acima.

Certos obreiros, no desejo de dedicar o seu tempo integral para a obra de Deus, abrem mão do trabalho secular e respectiva remuneração. Seu sustento deveria vir, em primeiro lugar, dos que são beneficiados pelo seu ministério (1 Coríntios 9:14). Mas muitos não usam desse direito, seguindo o exemplo de Paulo, a fim de apresentar o Evangelho gratuitamente, passando a depender inteiramente da provisão de Deus. Às vezes, como Paulo, eles encontram trabalho remunerado em sua área de trabalho, outras vezes contam com a contribuição daqueles do povo de Deus que têm os recursos disponíveis e são movidos a desta forma cooperar com seus irmãos “na vanguarda”, que é um privilégio do cristão (2 Coríntios 8:7).

Em suma, são todos co-participantes do trabalho de Deus, todos os seus recursos para a obra são provenientes de Cristo, e é Deus Quem dá o crescimento. Serão julgados pessoalmente pela maneira em que empregaram seus recursos. Se tiverem colaborado com outros obreiros, sem dúvida o julgamento ainda assim terá por base o valor da sua própria colaboração, mas não serão responsabilizados também pela parte que coube aos outros.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As provações do Inimigo

o SENHOR é soberano sobre nossas vidas, e a influência de Satanás está sob o Seu controle. Na realidade, o mal que Satanás é autorizado a nos causar é parte do propósito que Deus tem de preparar para Si um povo que veio a temer, amar e louvar a Ele mediante experiência própria.

E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. Então o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, e disse: De rodear a terra, e passear por ela."

(Jó 1:6,7)

O episódio descrito nos versículos 6 a 22 do primeiro capítulo de Jó nos dá uma visão do centro do mundo espiritual, na presença do próprio Deus. Não sabemos como foi revelado a quem o descreve para nós, mas, como todos os livros da Bíblia, foi por inspiração do Espírito Santo de Deus.

Jó e os outros personagens mencionados no livro não tinham conhecimento dele, nem do que se segue no capítulo 2, versículos 1 a 7. Mas essas cenas têm permitido aos leitores através dos séculos, incluindo nós, a compreender e interpretar algumas das coisas incomuns que acontecem com o povo de Deus.

Aprendemos que, naquela ocasião, alguns milênios atrás, os “filhos de Deus”, seres espirituais inteligentes por Ele criados, vieram perante o SENHOR. A expressão “filhos de Deus” também é usada na Bíblia para aqueles da raça humana que têm uma natureza piedosa e reta (Gênesis 6:2), e aqueles que nascem de novo pelo Espírito Santo mediante a fé em Seu Filho (João 1:12).

Mas aqueles eram espíritos, anjos, chamados “filhos de Deus” nas Escrituras hebraicas porque foram feitos por Deus. São responsáveis e prestam contas a Ele pelos seus atos, e vieram dar seus relatórios naquela ocasião. Entre eles estava Satanás (que significa adversário, acusador) e ele teve que explicar de onde viera. Sem dúvida o SENHOR sabia muito bem, mas mesmo assim Satanás precisava explicar ele próprio. Ele deu uma resposta um tanto vaga: “De perambular pela terra e andar por ela” .

Embora não tenham corpos físicos, todas as criaturas espirituais, ao contrário do Deus criador, estão limitadas pelo tempo e pelo espaço como nós. Muita gente não sabe disto e assume que eles têm atributos divinos.

Outra suposição que se faz, cujas origens se encontram no folclore medieval, é que Satanás e os seus anjos residem no inferno. Não estão ali, e ainda vai demorar bastante até que sejam lançados nele, o “lago de fogo e enxofre”. Muitos “espíritos imundos”, ou demônios, estão presos noutro lugar chamado Abismo (Lucas 8:31, Apocalipse 9:2).

Satanás atualmente é o “príncipe do poder do ar” (Efésios 2:2) e tem comando sobre um grande exército de anjos rebeldes que o servem e executam suas ordens. Eles têm tanta liberdade quanto nós para se moverem sobre a terra, com a vantagem de não dependerem de meios de transporte.

A Palavra de Deus nos previne: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Satanás ainda pode ir diante de Deus para acusar o Seu povo. O inferno, chamado “lago de fogo e de enxofre”, é o lugar preparado para ele e para os seus anjos, mas nem eles nem ninguém mais ainda se encontra ali.

O inferno, também em decorrência dessas fábulas medievais, é frequentemente usado como representante das forças e influências do mal. Vai, um dia, ser o destino delas, mas é um lugar e não tem personalidade. Não existem as forças infernais!

Em traduções mais antigas para o português, a palavra hebraica “sheol” é traduzida como inferno, sendo que ela na realidade significa “sepulcro, profundezas, pó, ou morte”. Por causa disto há mal-entendidos, por exemplo, o que o Senhor Jesus disse a Pedro: “… sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do “inferno” não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). O original grego “hades”, equivalente a “sheol”, foi aqui traduzido incorretamente como “inferno”. É a morte que não prevalecerá contra a igreja, referindo-se o Senhor à ressurreição dos mortos quando da Sua vinda para receber a Sua igreja nos ares (1 Tessalonicenses 4:17).

Voltando à nossa cena inicial, vemos Satanás mostrando o seu caráter de adversário e acusador de Jó, um homem íntegro, reto, temente a Deus, e que se desviava do mal. Satanás deu a entender que ele só tinha esse bom caráter porque, agindo assim, o SENHOR protegia a sua família e lhe dava prosperidade. Em sua opinião, Jó blasfemaria na face de Deus se tudo lhe fosse tirado.

Satanás sabia que não podia tocar em Jó sem a permissão de Deus, pois o havia “cercado com sebe”. É um conforto sabermos que há uma “sebe” colocada em torno de todo o crente hoje, e Satanás não pode nos tocar se Deus não o permitir. Se o SENHOR o permitir, será para o Seu bom propósito e o nosso bem, como aconteceu com Jó, mesmo sem saber os benefícios que lhe adviriam. Nós sabemos que nos trará a paciência, e oportunamente a perfeição, sem faltar em coisa alguma, e a coroa da vida (Tiago 1:3-4,12).

Satanás sabia que muita gente age piedosamente quando tudo vai bem, e busca as bênçãos de Deus. A adversidade expõe a falsa religiosidade, assim como fortalece a verdadeira fé ao fazer com que os verdadeiros crentes gozem a vitória que alcançam.

Só Deus conhece nossos corações e sabe quão forte é a nossa fé. Ele nunca permitirá que algum dos Seus seja provado além das suas forças. Por outro lado, Ele algumas vezes permite que Satanás nos tire as coisas em que nos apoiamos. Quando nos sentimos inseguros, incapazes e perdidos neste mundo é quando nos socorremos em Deus e experimentamos a Sua forte mão em nossa vida.

Este episódio também nos mostra que o SENHOR é soberano sobre nossas vidas, e a influência de Satanás está sob o Seu controle. Na realidade, o mal que Satanás é autorizado a nos causar é parte do propósito que Deus tem de preparar para Si um povo que veio a temer, amar e louvar a Ele mediante experiência própria. Podemos não compreender porque o SENHOR às vezes nos permite sofrer, mas Ele nunca é surpreendido pelos nossos dissabores e Ele nos ama, nunca nos deixa e é sempre compassivo.

Satanás e os seu anjos serão expulsos de uma vez dos céus e precipitados à terra quando perderem uma batalha decisiva no céu no meio do período da tribulação, segundo lemos em Apocalipse 12: 7 a 9. A partir de então ele não poderá mais acusar os irmãos diante de Deus.

Três anos e meio depois, ele será preso no Abismo durante todo o período do milênio (Apocalipse 20:1-3), ao fim do qual ele será solto para tentar as nações. Haverá uma batalha final, em que o Senhor Jesus Cristo o derrotará com todos os que o acompanharem, e ele será lançado no inferno, o “lago de fogo e enxofre”, por toda a eternidade, com os seus anjos.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As supostas contradições da Bíblia

O inimigo das nossas almas usou no passado, e continua usando, todos os meios de que dispõe para neutralizar a nossa arma principal, a espada do Espírito que é a Palavra de Deus.

A sua origem

O inimigo das nossas almas usou no passado, e continua usando, todos os meios de que dispõe para neutralizar a nossa arma principal, a espada do Espírito que é a Palavra de Deus.

Pouco depois de ter sido completada, e os seus 66 livros aprovados e aceitos pela maioria dos cristãos em fins do primeiro século, segundo a evidência dos mais antigos manuscritos, o diabo semeou dúvidas sobre a sua procedência e procurou incluir outros livros a fim de provocar confusão. Mas o Espírito Santo preservou a Sua espada através dos milênios e ela permanece incólume até hoje em nossas mãos.

Seguindo os planos do inimigo, as instituições apóstatas, apoiadas pelo poder público, esconderam a Bíblia durante séculos para que o povo não identificasse as inúmeras heresias que elas criavam e ensinavam. Ao esconder a Verdade, aumentavam o seu poder sobre as almas perdidas, impondo seu controle como meio de salvação em substituição ao Evangelho da graça de Deus.

Mas Deus demonstrou a Sua misericórdia levantando servos corajosos que, sob risco da própria vida, traduziram as Escrituras para a linguagem do povo e as disseminaram a preços acessíveis, trabalho esse que continua até hoje, alcançando agora até povos primitivos que são alfabetizados a fim de poder lê-las em seu próprio idioma.

O inimigo não se deu por derrotado. Induziu novas seitas a propagar traduções incorretas para afastar para si os incautos, e para pôr em dúvida o texto verdadeiramente inspirado pelo Espírito de Deus. Paralelamente, ele dirige uma campanha para desacreditar o texto sagrado, usando a falsa ciência baseada em ridículas teorias de evolução, e opiniões espalhadas por cínicos e descrentes pondo em dúvida relatos bíblicos que, segundo proclamam, não podem ser tomados seriamente em nossa idade moderna da ciência e da tecnologia.

As afirmações encontradas na Bíblia sobre a luz antes de existir o sol, um universo criado em seis dias, uma serpente e um asno que falam, o sol aparentemente voltando para trás, uma terra que tem colunas e cantos, dragões, milagres, e muitas outras coisas sobrenaturais parecem ridículas à luz da ciência moderna! São absurdas do ponto de vista materialista.

Não podemos deixar de colocar em nossas considerações o Ser criador, eterno, infinitamente superior em tudo ao ser humano, que foi por Ele planejado e criado. Tendo Deus criado o universo e tudo o que nele existe, bem como as leis “naturais” que o regem, é também perfeitamente lógico que Ele pode transgredir e mesmo revocar essas leis, bem como transformar ou destruir o universo que criou.

O ataque do inimigo sobre a temida espada do Espírito, no entanto, se recrudesce quando ele a acusa de conter contradições. Se realmente existir uma genuína contradição na Bíblia, em princípio ela deixa de ser a verdadeira Palavra de Deus, pois não se admite que uma obra de inspiração direta do Espírito Santo de Deus possa ter algum erro. Esse é um ataque sério, e devemos estar preparados para conhecer bem e defender a Bíblia contra tais alegações.

É fácil constatar que, a maioria das “contradições bíblicas” que nos são apresentadas, na realidade não são contradições, mas apenas mal-entendidos por parte de quem as apresenta. Por exemplo, as afirmações que Jesus descendeu de Adão e que Jesus descendeu de Noé podem parecer contraditórias, mas uma pequena análise indicará que, como Noé foi descendente de Adão, não existe contradição.

Algumas imaginadas contradições decorrem do fato que certas palavras ou expressões podem ser usadas em sentidos diferentes, e é até possível ter afirmações contrárias. Por exemplo, um homem pode estar livre e preso ao mesmo tempo. Isto porque está fora da cadeia, mas preso ao seu trabalho. A explicação desfaz a contradição.

Para ser uma contradição, é necessário que haja uma afirmativa e uma negativa da mesma afirmação, ambas aplicáveis na mesma ocasião e relativas ao mesmo fato e às mesmas circunstâncias. Muitas supostas contradições se desfazem quando submetidas a uma investigação em que esses fatores são considerados.

Uma das mais conhecidas “contradições” sugeridas diz respeito à justificação de Abraão: foi pela fé e não pelas obras (Romanos 4:2,3), ou foi pelas obras e não pela fé (Tiago 2:21-24)? Seria realmente uma contradição? Não, porque essas afirmações têm relacionamentos diferentes. Paulo está tratando do relacionamento com Deus, perante Quem Abraão foi justificado pela fé, enquanto que Tiago está falando sobre o relacionamento com os homens, para os quais as obras de Abraão o justificam por serem a evidência da sua fé. Não há contradição.

Outra “dificuldade” é compreender como a Bíblia pode declarar que o Senhor é o único Deus (p.ex. Isaías 45) e, ao mesmo tempo, que existem três pessoas: o Pai (Gálatas 1:1), o Filho (João 20:28) e o Espírito Santo (Atos 5:3-4). No entanto, não há contradição: quanto à Sua natureza, Deus é um só, mas se compõe de três Pessoas, o que não deixa de ser perfeitamente lógico. As afirmações têm relacionamentos diferentes.

Algumas chamadas “contradições” são geradas por um falso dilema, por exemplo, se alguns autores de livros da Bíblia declaram sua própria autoria (Lucas 1:3, João 21:24), como pode Paulo ensinar que ela toda foi inspirada, palavra por palavra, por Deus (2 Timóteo 3:16)? Sugere-se aqui que ambos não podem estar certos, logo a Bíblia tem erros. Mas é um dilema falso, porque nada impede que o Espírito Santo tenha impelido os homens a escrever usando as Suas palavras (2 Pedro 1:21).

A falta de atenção para o contexto também pode fazer com que se alegue existir uma “contradição” entre dois textos. O clássico exemplo é: a Bíblia diz: “No princípio criou Deus...” (Gênesis 1:1) e “Não há Deus” (Salmo 14:1). Obviamente não se trata de contradição, muito ao contrário, pois vemos pelo contexto da citação do Salmo que quem exclamou essa bobagem era um néscio, ou seja, incoerente, estúpido, e ignorante. É característica da Bíblia que algumas vezes ela registra ditos, comportamentos e eventos que ela não aprova. Não são relatados como exemplos para ser imitados, logo não são contradições da doutrina bíblica.

Deve-se usar discernimento para distinguir entre fatos concretos e figuras de linguagem, pois ambos são encontrados na Bíblia. As figuras de linguagem aparecem mais nos livros poéticos, mas também são encontradas dentro de algumas profecias. São atribuídos colunas e cantos à terra (Jó 9:6, Isaías 41:9), e ao céu (Jó 26:11, Jeremias 49:36), e fala-se do aparente movimento do sol sobre a terra, mas não se trata de uma aula de geologia ou astrologia. Mesmo hoje ainda se fala nos “quatro cantos da terra” e no “nascer” e no “pôr-do-sol”.

As figuras de linguagem também são usadas nas parábolas do Senhor Jesus. Não se deve dar mais atenção aos detalhes do que é necessário para compreender o ensino ali contido. Por exemplo, quando o Senhor contou a parábola do grão de mostarda Ele não estava dando uma aula de botânica – sem dúvida Ele sabia que existiam sementes ainda menores, mas não eram comuns ou mesmo conhecidas pelos seus ouvintes como a da mostarda que serviu de ilustração.

Na Bíblia também encontramos regras de ordem geral e exceções. Por exemplo, o homicídio é condenado, devendo o homicida pagar o seu crime com a sua própria vida, no entanto há exceções no caso de autodefesa, no da execução de criminosos pela autoridade legal do país etc. Não se trata de contradição. Também muitos dos princípios gerais, como os encontrados no livro de Provérbios, são normalmente aplicáveis, mas há que se cuidar para não generalizá-los de maneira inflexível.

Enfim, os ímpios sempre vão procurar motivos para justificar o seu comportamento, dos quais o descrédito com respeito à Palavra de Deus é somente um. Mas sabemos quem está fomentando os ataques que fazem contra ela, porque o diabo sabe que a Bíblia é uma arma poderosa nas mãos de todo o crente que sabe manejá-la bem: “Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15).

Saibamos usar bem essa poderosa arma que Deus nos deu!


Os erros nas cópias e nas traduções

A Bíblia foi inspirada, palavra por palavra, por Deus (2 Timóteo 3:16), portanto ela é a absoluta verdade e não contém erros de qualquer espécie.

No entanto não dispomos dos originais, por causa dos milênios decorridos desde que os seus 66 livros foram escritos, por muitos autores em diferentes e distantes épocas, e seria praticamente impossível manter o seu conteúdo intacto, através das muitas cópias, até hoje. Ademais, as próprias palavras desaparecem ou ganham novos sentidos, de forma que os originais provavelmente seriam incompreensíveis para um leitor em nossos dias, mesmo se pudessem ser preservados em sua forma original.

A esmagadora maioria dos leitores se baseia em traduções feitas para outros idiomas, e nestas traduções nem sempre é possível encontrar um vocábulo que expresse exatamente o mesmo que o original, surgindo então incorreções e até mesmo erros. Na multiplicidade de versões da Bíblia de que dispomos hoje em português, podemos encontrar algumas que são evidentemente tendenciosas, em que seus editores torceram a tradução para apoiar a sua linha doutrinária. Em outras, editadas para reduzir o vocabulário e assim facilitar a sua leitura para os menos instruídos, foi impossível transmitir com exatidão o sentido original de algumas expressões.

O inimigo se aproveita desses argumentos para pôr em dúvida a autenticidade do texto das nossas Bíblias, sugerindo que, se existem imperfeições, fica manifesto que não pode ser de origem divina e deixa de ser confiável.

Na preservação da pureza e da perfeição dos escritos originais através dos séculos, das cópias e das traduções, o fator mais importante tem sido a ação de Deus, na pessoa do Espírito Santo. Ela é manifesta a nós com várias evidências, das quais destacamos:
■Os vestígios de relatos do dilúvio e de pessoas da antigüidade mencionadas na Bíblia desde os tempos de Noé, que estão sendo encontrados por arqueólogos na Mesopotâmia provam que o livro de Gênesis foi escrito por quem tinha conhecimento dos fatos ali relatados. Seu autor, inspirado pelo Espírito Santo, foi Moisés, como o atestam muitas passagens tanto do Velho como do Novo Testamento. Sem dúvida o seu preparo intelectual no Egito, bem como as bibliotecas que tinha ao seu dispor ao seu tempo, fizeram com que ele fosse um escriba hábil e bem informado.
■O esmero dos escribas israelitas que com profunda reverência e capricho contavam até os menores sinais ortográficos nas cópias quando as conferiam com o original (ver Mateus 5:18). O Senhor Jesus citava o Velho Testamento, dando-lhe assim plena autenticidade.
■Esse mesmo cuidado com o Velho Testamento em hebraico e aramaico continuou depois do tempo de Cristo com escribas judeus dedicados à sua conservação e transcrição. Dos livros do Novo Testamento existem mais documentos comprobatórios, da época em que foram escritos, do que qualquer outra literatura da mesma idade. Existem mais de cinco mil manuscritos no grego original, oito mil traduções para o latim, e vários manuscritos em outros idiomas para atestar a sua legitimidade.
■A harmonia encontrada entre todos os livros da coleção conhecida como Bíblia atesta a realidade de um Autor divino e o Seu cuidado na sua conservação.
■A reverência para com o Autor divino se manifestou também nas muitas publicações da Bíblia (que se distingue por ser o primeiro livro a ser impresso por Gutenberg, inventor da tipografia moderna) e nas suas traduções feitas pelos Seus servos. Tal é a sua qualidade que as traduções da Bíblia têm sido freqüentemente usadas até para fins didáticos nas escolas por causa da sua perfeição gramatical.

Os mais conceituados filólogos do antigo hebraico, aramaico e grego, idiomas usados nos originais e dos quais se conservam as cópias, são judeus ou cristãos e se empenham em manter as traduções atualizadas e fiéis aos originais, mediante revisões periódicas. As traduções espúrias não podem ser evitadas, mas podem ser combatidas mediante comparação com as que são fidedignas.

Os detratores da Bíblia, em seu esforço para apontar contradições, fazem suposições incorretas que os incautos ou mal-informados são capazes de aceitar. Por exemplo:
■Quando se deu a fuga de José e Maria para o Egito: Segundo Mateus 2:14 o Senhor Jesus foi levado para o Egito imediatamente após a visita dos magos, no entanto em Lucas 2:21-22 seus pais foram com Ele até Jerusalém, passando pelo menos um mês ali. A suposição seria que os magos chegaram até Ele quando ainda era recém-nascido, ainda na manjedoura. Uma leitura mais cuidadosa evidencia que poderia ter passado até dois anos entre os dois eventos. Não há contradição.
■O dia da crucificação: Tradicionalmente se considera que foi numa sexta-feira e a maioria dos comentaristas concordam com isto. Mas, se cuidadosamente contarmos os dias, seria numa quarta-feira. Quarta-feira cabe melhor que sexta-feira e cumpre perfeitamente a profecia dos três dias e três noites. Havia dois sábados entre o dia da crucificação e o da ressurreição:
a) O primeiro dia da festa dos pães asmos,
b) O sétimo dia da semana.
A contradição não existe na Bíblia, trata-se de diferença entre uma tradição muito antiga e o que podemos apurar do relato bíblico.

Alegam outras aparentes contradições nas descrições de detalhes encontrados nos relatos dos evangelistas, como:
■Abiatar e Aimeleque: Abiatar era filho de Aimeleque (1 Samuel 22:20), e Abiatar também tinha um filho chamado Aimeleque (2 Samuel 8:17). O Senhor Jesus disse que Davi e seus companheiros entraram na casa de Deus e comeram os pães da proposição no tempo do sumo sacerdote Abiatar (Marcos 2:26), mas em 1 Samuel 21 o sacerdote mencionado no episódio é Aimeleque. Não há contradição, pois tanto Aimeleque como Abiatar eram sacerdotes e no relato de Samuel não se informa quem era o “sumo” – vale a palavra do Senhor Jesus, sem dúvida.
■Os endemoninhados gadarenos: Marcos e Lucas falam da cura de um endemoninhado (Marcos 5:2-16, Lucas 8:27-33), e Mateus nos diz que havia dois (Mateus 8:28-32). Obviamente Mateus incluiu outro que também estava envolvido. Não há contradição, pois Marcos e Lucas não dizem que foi apenas um.
■As circunstâncias da ressurreição de Jesus Cristo: os fatos relatados nos quatro Evangelhos parecem não concordar entre si. Mas não existem contradições ao fazermos um estudo cuidadoso, lado a lado, dos relatos: eles não são coincidentes, mas perfeitamente complementares (veja uma harmonização em http://www.bible-facts.info/comentarios/nt/mateus/asuaressurreicao.htm ).

Ainda existem algumas raras e ligeiras variações entre os milhares de manuscritos antigos da Bíblia. Nenhuma delas é de qualquer importância, consistindo, por exemplo, em diferenças em números, na soletração, numa palavra ou na construção de uma frase. Na maioria dos casos, é fácil dizer pelo contexto qual deve ser o original.

Algumas contradições decorrentes de problemas de tradução também podem ser encontradas. Geralmente é porque o idioma em que uma palavra é traduzida não tem uma palavra para expressar exatamente o sentido da original, e a palavra escolhida pode ter sido usada também para traduzir outra com outro sentido, usada em outro lugar. Por exemplo, a palavra “amor” em português é usada para traduzir três palavras com sentidos diferentes no grego – neste caso existem dicionários acessíveis onde se pode verificar qual é o sentido correto do original.

Essas contradições, se houver, certamente não procederam do Autor, pois Ele não é responsável pelas deficiências dos idiomas em que a Sua Palavra foi traduzida. É notável que os idiomas originais, o hebraico, o aramaico e o grego, são dos mais expressivos, tanto que o hebraico e o grego são ainda usados hoje, adaptados para o nosso tempo.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As supostas contradições da Bíblia (2)

A Bíblia foi inspirada, palavra por palavra, por Deus (2 Timóteo 3:16), portanto ela é a absoluta verdade e não contém erros de qualquer espécie.

Os erros nas cópias e nas traduções

A Bíblia foi inspirada, palavra por palavra, por Deus (2 Timóteo 3:16), portanto ela é a absoluta verdade e não contém erros de qualquer espécie.

No entanto não dispomos dos originais, por causa dos milênios decorridos desde que os seus 66 livros foram escritos, por muitos autores em diferentes e distantes épocas, e seria praticamente impossível manter o seu conteúdo intacto, através das muitas cópias, até hoje. Ademais, as próprias palavras desaparecem ou ganham novos sentidos, de forma que os originais provavelmente seriam incompreensíveis para um leitor em nossos dias, mesmo se pudessem ser preservados em sua forma original.

A esmagadora maioria dos leitores se baseia em traduções feitas para outros idiomas, e nestas traduções nem sempre é possível encontrar um vocábulo que expresse exatamente o mesmo que o original, surgindo então incorreções e até mesmo erros. Na multiplicidade de versões da Bíblia de que dispomos hoje em português, podemos encontrar algumas que são evidentemente tendenciosas, em que seus editores torceram a tradução para apoiar a sua linha doutrinária. Em outras, editadas para reduzir o vocabulário e assim facilitar a sua leitura para os menos instruídos, foi impossível transmitir com exatidão o sentido original de algumas expressões.

O inimigo se aproveita desses argumentos para pôr em dúvida a autenticidade do texto das nossas Bíblias, sugerindo que, se existem imperfeições, fica manifesto que não pode ser de origem divina e deixa de ser confiável.

Na preservação da pureza e da perfeição dos escritos originais através dos séculos, das cópias e das traduções, o fator mais importante tem sido a ação de Deus, na pessoa do Espírito Santo. Ela é manifesta a nós com várias evidências, das quais destacamos:

  • Os vestígios de relatos do dilúvio e de pessoas da antigüidade mencionadas na Bíblia desde os tempos de Noé, que estão sendo encontrados por arqueólogos na Mesopotâmia provam que o livro de Gênesis foi escrito por quem tinha conhecimento dos fatos ali relatados. Seu autor, inspirado pelo Espírito Santo, foi Moisés, como o atestam muitas passagens tanto do Velho como do Novo Testamento. Sem dúvida o seu preparo intelectual no Egito, bem como as bibliotecas que tinha ao seu dispor ao seu tempo, fizeram com que ele fosse um escriba hábil e bem informado.
  • O esmero dos escribas israelitas que com profunda reverência e capricho contavam até os menores sinais ortográficos nas cópias quando as conferiam com o original (ver Mateus 5:18). O Senhor Jesus citava o Velho Testamento, dando-lhe assim plena autenticidade.
  • Esse mesmo cuidado com o Velho Testamento em hebraico e aramaico continuou depois do tempo de Cristo com escribas judeus dedicados à sua conservação e transcrição. Dos livros do Novo Testamento existem mais documentos comprobatórios, da época em que foram escritos, do que qualquer outra literatura da mesma idade. Existem mais de cinco mil manuscritos no grego original, oito mil traduções para o latim, e vários manuscritos em outros idiomas para atestar a sua legitimidade.
  • A harmonia encontrada entre todos os livros da coleção conhecida como Bíblia atesta a realidade de um Autor divino e o Seu cuidado na sua conservação.
  • A reverência para com o Autor divino se manifestou também nas muitas publicações da Bíblia (que se distingue por ser o primeiro livro a ser impresso por Gutenberg, inventor da tipografia moderna) e nas suas traduções feitas pelos Seus servos. Tal é a sua qualidade que as traduções da Bíblia têm sido freqüentemente usadas até para fins didáticos nas escolas por causa da sua perfeição gramatical.

Os mais conceituados filólogos do antigo hebraico, aramaico e grego, idiomas usados nos originais e dos quais se conservam as cópias, são judeus ou cristãos e se empenham em manter as traduções atualizadas e fiéis aos originais, mediante revisões periódicas. As traduções espúrias não podem ser evitadas, mas podem ser combatidas mediante comparação com as que são fidedignas.

Os detratores da Bíblia, em seu esforço para apontar contradições, fazem suposições incorretas que os incautos ou mal-informados são capazes de aceitar. Por exemplo:

  • Quando se deu a fuga de José e Maria para o Egito: Segundo Mateus 2:14 o Senhor Jesus foi levado para o Egito imediatamente após a visita dos magos, no entanto em Lucas 2:21-22 seus pais foram com Ele até Jerusalém, passando pelo menos um mês ali. A suposição seria que os magos chegaram até Ele quando ainda era recém-nascido, ainda na manjedoura. Uma leitura mais cuidadosa evidencia que poderia ter passado até dois anos entre os dois eventos. Não há contradição.
  • O dia da crucificação: Tradicionalmente se considera que foi numa sexta-feira e a maioria dos comentaristas concordam com isto. Mas, se cuidadosamente contarmos os dias, seria numa quarta-feira. Quarta-feira cabe melhor que sexta-feira e cumpre perfeitamente a profecia dos três dias e três noites. Havia dois sábados entre o dia da crucificação e o da ressurreição:
    a) O primeiro dia da festa dos pães asmos,
    b) O sétimo dia da semana.
    A contradição não existe na Bíblia, trata-se de diferença entre uma tradição muito antiga e o que podemos apurar do relato bíblico.

Alegam outras aparentes contradições nas descrições de detalhes encontrados nos relatos dos evangelistas, como:

  • Abiatar e Aimeleque: Abiatar era filho de Aimeleque (1 Samuel 22:20), e Abiatar também tinha um filho chamado Aimeleque (2 Samuel 8:17). O Senhor Jesus disse que Davi e seus companheiros entraram na casa de Deus e comeram os pães da proposição no tempo do sumo sacerdote Abiatar (Marcos 2:26), mas em 1 Samuel 21 o sacerdote mencionado no episódio é Aimeleque. Não há contradição, pois tanto Aimeleque como Abiatar eram sacerdotes e no relato de Samuel não se informa quem era o “sumo” – vale a palavra do Senhor Jesus, sem dúvida.
  • Os endemoninhados gadarenos: Marcos e Lucas falam da cura de um endemoninhado (Marcos 5:2-16, Lucas 8:27-33), e Mateus nos diz que havia dois (Mateus 8:28-32). Obviamente Mateus incluiu outro que também estava envolvido. Não há contradição, pois Marcos e Lucas não dizem que foi apenas um.
  • As circunstâncias da ressurreição de Jesus Cristo: os fatos relatados nos quatro Evangelhos parecem não concordar entre si. Mas não existem contradições ao fazermos um estudo cuidadoso, lado a lado, dos relatos: eles não são coincidentes, mas perfeitamente complementares (veja uma harmonização em http://www.bible-facts.info/comentarios/nt/mateus/asuaressurreicao.htm ).

Ainda existem algumas raras e ligeiras variações entre os milhares de manuscritos antigos da Bíblia. Nenhuma delas é de qualquer importância, consistindo, por exemplo, em diferenças em números, na soletração, numa palavra ou na construção de uma frase. Na maioria dos casos, é fácil dizer pelo contexto qual deve ser o original.

Algumas contradições decorrentes de problemas de tradução também podem ser encontradas. Geralmente é porque o idioma em que uma palavra é traduzida não tem uma palavra para expressar exatamente o sentido da original, e a palavra escolhida pode ter sido usada também para traduzir outra com outro sentido, usada em outro lugar. Por exemplo, a palavra “amor” em português é usada para traduzir três palavras com sentidos diferentes no grego – neste caso existem dicionários acessíveis onde se pode verificar qual é o sentido correto do original.

Essas contradições, se houver, certamente não procederam do Autor, pois Ele não é responsável pelas deficiências dos idiomas em que a Sua Palavra foi traduzida. É notável que os idiomas originais, o hebraico, o aramaico e o grego, são dos mais expressivos, tanto que o hebraico e o grego são ainda usados hoje, adaptados para o nosso tempo.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

As três mesas

Os privilégios conferidos divinamente a Israel e à igreja de Cristo, e o suprimento dos demônios.

Estas “mesas” mencionadas na Bíblia são figuras de linguagem (metonímia), onde o recipiente é utilizado para designar o conteúdo. Existem três destas "mesas" mencionadas nas Escrituras, sendo elas a de Israel, a do Senhor e a dos demônios. Vejamos brevemente cada uma delas.

A mesa de Israel


Estes são os privilégios conferidos divinamente a esse povo terreno de Deus. Davi menciona essa mesa no Salmo 23: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos...” (Salmo 23:5). O Senhor aqui é visto sob o aspecto de um Pastor revelando o Seu amor e cuidado pelo Seu povo. Davi tinha sido pastor de ovelhas e compreendia bem as necessidades das ovelhas bem como as responsabilidades do pastor. Neste salmo ele se compara a uma ovelha, que é um animal fraco, incapaz de defender-se e tolo, tendo Deus como o seu Supridor, Defensor, Guia, enfim tudo que precisa para o seu bem-estar. Este salmo também retrata profeticamente o Senhor Jesus como Bom Pastor (João 10:11,14), que cuida do Seu rebanho tendo dado a Sua vida por ele.

O povo de Israel estava cercado de inimigos no tempo de Davi. Davi pessoalmente enfrentou e liderou muitas batalhas, confiado em Deus, e este salmo é o seu testemunho do cuidado, segurança, e generosidade de Deus. A Sua mesa estava farta de bênçãos para o Seu povo, livrando-o dos inimigos que o ameaçava. Ao morrer Davi, o seu filho Salomão teve o privilégio de reinar sobre Israel quando essa nação gozou de paz e chegou ao ápice da prosperidade, fruto da piedade do seu pai.

Lamentavelmente Salomão eventualmente permitiu a entrada da idolatria entre o povo. Ao morrer Salomão, a nação se partiu em duas, a idolatria prevaleceu e elas se afastaram de Deus, o seu Pastor. Lemos em Ezequiel 34:5 que “Assim se espalharam, por não haver pastor; e tornaram-se pasto a todas as feras do campo, porquanto se espalharam” (Ezequiel 34:5). Devido à dureza dos seus corações a sua mesa tornou-se "em laço, e em armadilha, e em tropeço, e em retribuição; escureçam-se-lhes os olhos para não verem, e tu encurva-lhes sempre as costas. " (Romanos 11:9,10 ref. Salmos 34:8 e 28:4). Essa é a situação do povo de Israel desde os tempos apostólicos até hoje, embora individualmente muitos deles tenham se arrependido e voltado a Deus, e mesmo recebido Jesus Cristo como Salvador e Senhor e assim participado da “mesa do Senhor” descrita abaixo.

Mas Deus prometeu a Israel: “Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas. Livrá-las-ei de todos os lugares por onde foram espalhadas, no dia de nuvens e de escuridão.” (Ezequiel 34:12). Este dia é mencionado por outros profetas dando-lhe este e outros nomes, entre eles o “Dia do Senhor” (Amós 5:18, Joel 2:1, Sofonias 1:14, 1 Tessalonicenses 5:2, etc.). Haverá uma grande tribulação para a terra e especialmente para os judeus, mas o remanescente dos judeus se converterá a Cristo e será salvo

A “mesa de Israel” será então restabelecida na terra, e esse remanescente, salvo dos seus inimigos, voltará à terra que antigamente o Senhor prometeu aos seus patriarcas (Sofonias 3:20, Romanos 11:25-27, etc.), para participar do reino milenar mundial de Cristo. Seu piedoso rei Davi, ressuscitado, reinará sobre a nação em cumprimento da profecia: “E suscitarei sobre elas um só pastor para as apascentar, o meu servo Davi. Ele as apascentará, e lhes servirá de pastor. Também meu servo Davi reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor só; andarão nos meus juízos, e guardarão os meus estatutos, e os observarão” (Ezequiel 34:23 e 37:24).

Os apóstolos de Jesus Cristo, também ressuscitados, julgarão as suas tribos (Mateus 19:28, Lucas 22:30).

A mesa do Senhor

As expressões "mesa do Senhor" e "ceia do Senhor" são encontradas no Novo Testamento apenas em I Coríntios 10:21 e 11:27, respectivamente. As palavras “mesa” e “ceia” não são intercambiáveis: enquanto "ceia" tem um significado literal, "mesa" denota metaforicamente tudo que o Senhor fornece ao crente, inclusive o privilégio de participar da "ceia do Senhor".

Os detalhes sobre a participação da “ceia do Senhor” são dados em 1 Coríntios 11:17-34, e portanto menciona os símbolos na ordem em que devem ser tomados, isto é, primeiro o pão e depois o cálice. É de se notar que nunca se menciona o conteúdo físico do cálice nas Escrituras, mas, seja o que for, o seu conteúdo é símbolo do “sangue” de Cristo. Devemos lembrar que “sangue” aqui não é apenas a substância, mas metaforicamente é a morte de Cristo na qual derramou o Seu sangue em sacrifício, e é assim que é referido na Bíblia. O uso de vinho como a substância é tradicional, e em algumas igrejas exclusivo, mas não tem base no ensino bíblico.

Em 1 Coríntios 10:21, dos símbolos na ceia do Senhor é primeiro mencionado o “cálice” e depois o “pão”, pois a morte de Cristo (o sacrifício), foi que originou os privilégios e responsabilidades (o pão), desfrutados pelos que por meio dele foram remidos.

A “mesa do Senhor”, foi prevista em figura no Velho Testamento em passagens como Deuteronômio 12:27: "oferecerás os teus holocaustos, a carne e o sangue sobre o altar do Senhor teu Deus; e o sangue dos teus sacrifícios se derramará sobre o altar do Senhor teu Deus, porém a carne comerás." Assim como o altar dos holocaustos fornecia alimento a Israel, o sacrifício de Cristo na Cruz foi o meio de fornecer-nos a vida nova e o sustento divino, contidos na “mesa do Senhor” (1 Coríntios 10:17-18). Tanto o corpo de Cristo como a unidade espiritual dos membros da Sua igreja (o Seu corpo espiritual) são representados pelo pão que é comido na “ceia do Senhor”.

Em seu sentido mais lato, o crente está permanentemente presente à “mesa do Senhor”. Foi o sangue de Cristo que cumpriu com a justiça divina, e ao mesmo tempo manifestou o amor de Deus. Dele resultou nossa reconciliação com Deus e a comunhão com outros igualmente redimidos por esse sangue. Essa comunhão é expressa no pão do qual todos comem, “Pois nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos de um mesmo pão” (v.17).

Enquanto a “ceia” é o início da “mesa”, esta tem provisão para responsabilidades para serem exercidas e privilégios a serem desfrutados constantemente, não só na ocasião da realização da “ceia”. São muito numerosas as bênçãos disponíveis para o crente, e não vamos enumerá-las aqui. Como exclamou o apóstolo Paulo: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo” (Efésios 1:3).

Para desfrutar melhor dessa provisão divina, o crente deve abster-se de qualquer coisa ou comportamento que não seja consistente com a mesa do Senhor: ele não pode participar deles e também desta mesa. Há uma comunhão para se manter, e cada um deve procurar o bem alheio e não o próprio, evitando assim que o outro venha a tropeçar. Tudo o que fizer, deve ser para a glória de Deus.

Em 1 Coríntios 10, versículos 1 a 12, a experiência do povo de Israel é dada como exemplo e advertência: “todos foram batizados em Moisés... e beberam da mesma bebida espiritual, que era Cristo, mas Deus não se agradou da maior parte deles”, sendo em grande parte castigados com a morte. Isto porque alguns foram idólatras, alguns se prostituiram, alguns tentaram o Senhor e alguns murmuraram, e “tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia”.

A mesa dos demônios

As ofertas e sacrifícios feitos pelos idólatras, nos vários altares dedicados às suas imagens ou esculturas, geram o suprimento pelos poderes das trevas em sua “mesa” aos devotos deste ou daquele deus, santo, ou outro objeto religioso. A atividade desses seres sem dúvida abrange muito mais do que o simples atendimento ao culto ou veneração desses objetos, pois existem outras formas de dedicação a outros “senhores”, como às riquezas (Mateus 6:24, 16:13).

A mesa dos demônios está posta para o mundo descrente com uma variedade de iguarias formosas e atraentes, e os crentes são prevenidos em 1 Coríntios 10:21 de que não devem procurar participar desta mesa junto com a mesa do Senhor. Na igreja em Corinto havia a tentação para os crentes participarem de costumes e práticas idólatras para usufruir dos seus supostos benefícios. Em sua carta o apóstolo Paulo protestou contra isto, pois é incoerente para um crente em Jesus Cristo participar das duas mesas.

É também um ato de traição e deslealdade ao Senhor Jesus alguém que diz tê-lo como Salvador e Senhor juntar-se aos que procuram os demônios para suprir-se. Tal comportamento poderá provocar o Senhor ao ciúme (1 Coríntios 10:22, Ezequiel 16:42), sendo insensato pois “somos, porventura, mais fortes do que Ele?” indaga o apóstolo. O crente que assim transgride é passível de julgamento ao invés de participar das bênçãos da mesa do Senhor.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A superioridade do novo testamento sobre o antigo

Memorial feito a Grace Minnie Jones (1937-2011)

Hebreus 12:18-24

No início do livro (Hebreus 2:2-3) encontramos o contraste entre a entrega da lei de Deus com o ministério de anjos a Moisés, e o recebimento do Evangelho vindo do próprio Filho de Deus, que é Jesus Cristo. Foi evidenciada a gravidade do perigo que ameaça quem se descuida e deixa de lhe dar atenção.

Voltando a esse assunto, são aqui mencionadas as circunstâncias que caracterizaram os dias em que a lei foi entregue a Moisés. Segundo Êxodo 19:16-19, 20:18-21 e Deuteronômio 4:11-14:

  • A cena foi o Monte Sinai, onde “ao amanhecer, houve trovões, relâmpagos, e uma nuvem espessa sobre o monte; e ouviu-se um sonido de buzina mui forte, de maneira que todo o povo que estava no arraial estremeceu”.
  • Moisés então levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte. Nisso todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; e a fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia fortemente”.
  • O som da buzina e da voz que falava a Moisés eram tão assustadores, que “os que ouviam rogaram que não se lhes falasse mais”. Até mesmo “Moisés disse: Estou todo aterrorizado e trêmulo”.

Tudo isso fala eloquentemente da seriedade do ministério da lei. Esta é uma revelação dos justos requisitos de Deus e de sua ira contra o pecado. O propósito da lei não foi dar conhecimento da salvação, mas produzir o reconhecimento do pecado. Fala da distância entre Deus e o homem por causa do pecado. É um ministério de condenação, escuridão e melancolia.

Nós, os crentes em Cristo, não testemunhamos os terrores proibitivos do Sinai, mas as boas-vindas da Graça: o monte ardente e o véu místico, com os nossos terrores e culpa, já se foram. Nossa consciência tem a paz que nunca pode falhar, pois a obediência e o sangue do nosso Salvador apagam todas as nossas transgressões.

Temos agora, em princípio, as bênçãos de que desfrutaremos em toda a sua realidade eternamente:

  1. Um santuário no céu, não no Monte Sinai, mas no Monte Sião. Esta montanha celestial simboliza todas as bênçãos da graça de Deus — tudo o que é nosso através da obra redentora de Jesus Cristo.

  2. A habitação na cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial (Apocalipse 3:12). A Lei tem sua Jerusalém terrena, mas a fé tem sua capital celestial acima. A cidade do Deus vivo está no céu, a cidade cujo arquiteto e construtor é Deus.

  3. Temos a companhia de miríades (quantidade indefinida e muito grande) de anjos, e a universal assembleia e igreja dos primogênitos inscritos nos céus (Tiago 1:18). Esta última é a verdadeira Igreja, composta de todas as pessoas, desde Pentecostes até a primeira ressurreição (1 Coríntios 15:52) unidas entre si e a Cristo pelo batismo com o Espírito Santo (1 Coríntios 12:12-13). Ela é o corpo de Cristo, da qual Ele é a cabeça (Efésios 1:22-23).

  4. Não vimos a uma montanha palpável na terra para chegarmos à presença de Deus. Nosso privilégio, enquanto estamos aqui, é de nos aproximar de Deus em confissão, louvor e oração em qualquer lugar onde estivermos. Não estamos limitados a um lugar “santificado”, nem a determinado dia, nem a alguma vestimenta especial. Somos sempre bem-vindos por Deus, o Juiz de todos.

  5. Vimos os “espíritos dos justos aperfeiçoados”. Estes são os crentes que morreram antes da proclamação do Evangelho de Cristo, como os mencionados nos capítulos 10:14 e 11:40. Estes só foram “aperfeiçoados” quando Cristo veio na hora certa e “com uma só oferta... aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”, ou seja, os santos do Velho Testamento.

  6. O Senhor Jesus está lá, o Mediador da nova aliança. Há uma diferença entre Moisés como mediador da antiga aliança e Jesus como Mediador da nova. Moisés serviu como um mediador simplesmente por receber a lei de Deus e entregá-la ao povo de Israel. Ele era o intermediário, ou o representante do povo, oferecendo os sacrifícios pelos quais foi ratificado o pacto. Cristo é Mediador da nova aliança em um sentido muito maior. Para fazer essa aliança, o Senhor Jesus teve que morrer a fim de selar a aliança com Seu próprio sangue e dar-se a Si próprio em resgate por muitos (1 Timóteo 2:6). Ele assegurou as bênçãos da nova aliança para o Seu povo mediante a Sua própria morte. Ele garante essas bênçãos para eles mediante a Sua vida sem fim. E Ele preserva Seu povo para desfrutar as bênçãos em um mundo hostil, por Seu ministério presente na mão direita de Deus. Tudo isto está incluído em Sua obra mediadora.

  7. Finalmente, há o sangue da aspersão. Quando Cristo ascendeu, Ele apresentou a Deus todo o valor do sangue que Ele derramou na Cruz. Não há nenhuma sugestão que Ele literalmente carregou Seu sangue ao céu, mas os méritos de Seu sangue se tornaram conhecidos no santuário. Seu precioso sangue é contrastado com o sangue de Abel. Seja o sangue do sacrifício de Abel, ou o sangue do próprio Abel que foi derramado por Caim, o sangue de Cristo fala melhor. O sangue do sacrifício de Abel era provisório, mas o de Cristo dá perdão eterno a todo o pecador que se arrepende e O recebe como Salvador e Senhor.
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

A terceira morada de Satanás

Como acontecia com Israel antigamente, a igreja não pode ser molestada por agentes externos pois é protegida pelas mãos de Deus, mesmo quando perseguida e martirizada, mas pode ser subvertida pelo casamento com o mundo.

Segundo Ezequiel 28:12b, quando Satanás foi criado, ele foi “o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura”. Séculos atrás surgiu uma tendência geral de representar Satanás como feio e medonho. A grande maioria das imagens e retratos de Satanás por escultores e artistas o mostra como uma criatura muito feia. Deve-se salientar que em nenhum lugar da Bíblia é essa a imagem de Satanás. Nunca o vemos como um homem com chifres, rabo e vestido com roupa vermelha. Na verdade, segundo as Escrituras, de todos os seres criados ele foi o mais bonito, bem como o mais sábio.

Ainda segundo Ezequiel, Satanás foi nomeado querubim da guarda do trono de Deus, no monte santo de Deus, que era a mais alta posição que podia ser ocupada por uma de Suas criaturas. Com este evento, este ser era o maior de todos os seres criados, não só em sabedoria e beleza, mas também em poder e autoridade. Esta foi a sua primeira morada.

Satanás ostentava o seu resplendor cobrindo-se de toda pedra preciosa, e andando para cima e para baixo no meio das pedras ardentes no “Éden, jardim de Deus” conforme Ezequiel 28:14. “Éden” pode ser traduzido como “deleite” e é provavelmente nesse sentido que é usada aqui. A descrição no versículo anterior, indicando beleza de ordem mineral, não parece ser do mesmo jardim que Deus plantou para o uso de Adão. O “Éden” de Gênesis 2:8 é uma palavra muito antiga que pode também ser traduzida como “planície”. Segundo uma interpretação judaica o primeiro seria um “jardim mineral” e o segundo um “jardim vegetal”, plantado na terra mais tarde. O “jardim mineral do Éden” foi a segunda morada de Satanás.

A certa altura, orgulhoso por causa da sua beleza e com sua sabedoria corrompida pelo seu resplendor (Ezequiel 28:17 NVI), Satanás declarou “subirei ao céu... exaltarei o meu trono... no monte da congregação me assentarei... subirei acima das alturas das nuvens... e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:12-14). Com esse propósito, liderou uma revolta contra a autoridade de Deus em que ele foi seguido por um terço de todos os anjos (Apocalipse 12:3-4). Desta forma a Estrela da Manhã (Isaías 14:12) tornou-se em Satanás, “o Adversário” ou “o Acusador”. O juízo de Deus não tardou a vir sobre ele (Ezequiel 28:16 NVI): perdeu sua primeira morada, que era a posição elevada como o guardião do trono de Deus: "Por isso eu o lancei, humilhado, para longe do monte de Deus". Depois perdeu a sua segunda morada, o privilégio que tinha em decorrência daquela posição: "e o expulsei, ó querubim guardião, do meio das pedras fulgurantes".

Em Efésios 2, Satanás é o príncipe das potestades do ar. Em Efésios 6, ele está nos lugares celestiais. Assim, a terceira e atual morada pode ser descrita como o céu atmosférico. Não está no inferno com os demônios, como contam as anedotas! Ele vive nos ares, ou na atmosfera, mas ainda tem acesso a duas outras localidades: o céu e a terra.

Ele ainda pode ir ao Céu e ficar de pé diante da presença de Deus para ser o acusador dos irmãos (Apocalipse 12: I0), como foi contra Jó (Jó 1:6, 2:1) e Israel (Zacarias 3:1). Quando um crente não confessa algum pecado, Satanás se põe de pé diante do trono de Deus Pai para acusá-lo. Por isso os crentes precisam do ministério de Cristo como seu Advogado. Sempre que Satanás vem acusá-los, o Senhor pode dizer: "Ponha o pecado na minha conta. Eu já paguei por esse pecado, quando morri por ele na cruz." Desta forma, o nosso Salvador ainda continua em ministério diante de Deus por nós. Por outro lado, os crentes têm a responsabilidade de ser cuidadosos para não dar motivos para que Satanás os acuse diante do Trono de Deus.

Satanás também tem acesso à terra. Ele ainda é o príncipe deste mundo (João 12:31). Ele ainda é o deus deste século (2 Coríntios 4:4) e é o príncipe de todos os reinos do mundo e pode oferecê-los a quem ele quer (Lucas 4:5-7). Quando ele usa a sua permissão de acesso à terra, ele o faz em uma de duas formas:

1. Na forma de um leão que ruge (1 Pedro, 5:8). O objetivo de se apresentar como um leão que ruge é para destruição. Esta é a maneira em que Satanás frequentemente apareceu ao povo judeu ao longo da história judaica. Satanás age no princípio que "qualquer um que o Senhor ama, Satanás vai odiar". Através dos Profetas e do Novo Testamento Deus enunciou o Seu eterno amor para com o povo de Israel e, portanto, Satanás tem movido uma guerra perpétua contra os judeus, procurando destruí-los em todas as oportunidades possíveis. Satanás também apareceu como um leão que ruge à Igreja. Nos primeiros séculos da história da Igreja, Satanás usou o governo romano. Milhares de fiéis foram alimentados aos leões literais nas arenas de Roma. Como usou o governo romano para tentar acabar com a Igreja daquela época, ainda hoje nos países comunistas e nos países muçulmanos, entre outros, ele continua usando os governos para tentar acabar com os grupos de crentes que existem nesses países.

2. Na forma de um anjo de luz (2 Coríntios 11:14). Nesta forma, o propósito de Satanás é o engano. A quinta resolução de Satanás foi "serei semelhante ao Altíssimo". Satanás já sabia que não podia ser o próprio Altíssimo, por isso decidiu apenas tornar-se semelhante a Ele. Assim, Satanás incitou um programa de falsidades para implementar um trabalho de decepção, mesmo entre os verdadeiros crentes, incentivando-os a se orientarem por experiência e cegando-os à sua necessidade de um estudo cuidadoso da Palavra de Deus. O programa de falsificação é realizado tanto contra os crentes (2 Coríntios 11:3) como contra os incrédulos (Apocalipse 20:3).

O objetivo de uma falsificação é fazer algo que se pareça o mais possível com o original. Uma nota falsa só terá sucesso se puder ser confundida com a verdadeira. Os investigadores policiais passam por um treinamento intensivo para conhecer uma nota verdadeira em seus menores detalhes, para que possam conferir com acerto as notas que lhes são apresentadas. As melhores falsificações ainda podem apresentar alguma falha, seja uma qualidade diferente de papel, tinta de outra espécie, alteração no desenho de algum pormenor obscuro da nota legítima, mas nunca é um defeito óbvio para quem não conhece a nota verdadeira.

Da mesma forma, o programa falsificado de Satanás se parece muito com o programa real de Deus contido nas páginas das Escrituras. O programa de Satanás não terá falhas óbvias em si próprio. Portanto, os crentes devem ser treinados nas Escrituras para serem capazes de discernir a diferença entre o real e o falsificado.

A natureza do programa falsificado é encontrada em 2 Coríntios 11:3-4... “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo. Porque, se alguém vem e vos prega outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais!”.

No versículo 4, Paulo rotulou três coisas com a palavra "outro": outro Jesus, [outro] espírito, [um] outro evangelho. Por causa da astúcia de Satanás os crentes de Corinto seriam capazes de suportar a pregação de um Jesus diferente do que aquele que Paulo pregava, outro espírito do que o que haviam recebido ou mesmo outro evangelho do que o que haviam abraçado. Não sabiam ainda distinguir o falso do verdadeiro.

Os versículos 13-14 do mesmo capítulo declaram: "Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz". Os que estavam propagando um falso Jesus foram claramente identificados por Paulo como falsos apóstolos, mas não se pareciam como tal porque "se disfarçavam" para parecer e soar como se fossem ministros reais de Cristo. Ao fazer isso, eles estavam refletindo o seu verdadeiro senhor, Satanás, o anjo das trevas, que se disfarça para aparecer como um anjo de luz. Faz parte integrante do programa falsificado propagar um Jesus que é muito semelhante ao Jesus do Novo Testamento, mas é uma falsificação tão bem feita que pode passar despercebida pelos crentes menos conhecedores da Palavra de Deus.

Até onde o programa falsificado pode ser realizado é visto em Mateus 7:22-23... "Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!".

Deve-se observar atentamente o que eles são capazes de realizar em nome de um falso Senhor. Podem expulsar demônios, profetizar usando o nome de Cristo, realizar milagres como curas, entre outros. No entanto, o Senhor Jesus lhes dirá: “Nunca vos conheci”. A razão pela qual todas estas manifestações exteriores em si não provam nada é porque Satanás pode duplicar todas elas. O teste real nunca é a existência de manifestações exteriores. O verdadeiro teste é sempre o da conformidade com as Escrituras. O que está sendo dito, que está sendo feito e ensinado está em conformidade com os ensinamentos da Palavra escrita de Deus? Não temos outro teste pelo qual devemos julgar. Em nossos dias modernos quando há tanta ênfase no sensacional, na experiência e nos sentimentos, muitos crentes estão sendo apanhados em vários movimentos “superespirituais” por nenhuma outra razão além da existência de manifestações exteriores. Ao fazer isso, nunca amadurecem na fé ou produzem em si mesmos o tipo de fruto que Deus quer que os crentes produzam.

No meio do período da tribulação Satanás será precipitado sobre a terra (Apocalipse 12:9), sendo esta a sua quarta morada. Mas será amarrado e lançado na sua quinta morada, o abismo, depois da segunda vinda de Cristo (Apocalipse 20:1-3). Terminado o milênio ele será solto brevemente na terra e depois lançado na sua sexta e final morada, o lago de fogo e enxofre, onde será atormentado, dia e noite, com a besta e o falso profeta, pelos séculos dos séculos (Apocalipse 20:7-10).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Barba

O uso ou não de barba realmente é matéria para livre escolha de cada membro de uma congregação e não cabe à igreja local estabelecer normas sobre aquilo em que a Bíblia silencia.

Sem dúvida, muitos se surpreenderão com um relato sobre este assunto. Afinal, se acharem que não cabe num periódico sério como este boletim porque nada encontramos na Bíblia que lhe dê algum valor espiritual, dou-lhes toda a razão. Mas o motivo é que, apesar de sua aparente irrelevância, o tratamento dado a essa característica natural do homem tem sido levado a sério através dos tempos não só por religiões humanas, mas infelizmente também por algumas igrejas cristãs através dos tempos, mesmo sem respaldo bíblico.

Tendo Deus feito tudo bom no início, podemos aceitar como certo que Deus criou o homem com barba, mas ao fazer a mulher, a partir de uma das suas costelas, preferiu que ficasse sem uma. Apesar das perdas de informação genética através dos milênios essa característica foi mantida na grande maioria dos seus descendentes. Se havia um significado ou lição espiritual na barba não sabemos, pois não encontramos na Bíblia.

A primeira menção da barba na Palavra de Deus se encontra em Gênesis 41:14... “Então enviou Faraó, e chamou a José, e o fizeram sair logo da cova; e barbeou-se e mudou os seus vestidos, e veio a Faraó”. Isto nos diz que José tinha barba, mas barbeou-se para se apresentar ao rei dos egípcios. Talvez o estudo das antiguidades nos possa ajudar aqui: em seus monumentos antiquíssimos, os egípcios não têm barba, mas seus inimigos se veem barbudos. Os egípcios usavam cabelo curto e se barbeavam por uma questão de higiene, inclusive para evitar piolhos. José então se barbeou para ter boa apresentação, com roupa limpa e adequada, diante de Faraó.

Como os outros povos, os israelitas usavam barba, e com isso se arriscavam a doenças da pele e parasitas. A lei de Moisés, portanto, ensinava como deviam ser curados: “... ao sétimo dia rapará todo o seu pelo, tanto a cabeça como a barba e as sobrancelhas, sim, rapará todo o pelo; também lavará as suas vestes, e banhará o seu corpo em água; assim será limpo” (Levítico 14:9). Os egípcios tinham razão em se precaver...

Mas a lei não proibia o uso de barba, tanto que mais adiante lemos: “Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem desfigurareis os cantos da vossa barba... Não farão os sacerdotes calva na cabeça, e não raparão os cantos da barba, nem farão lacerações na sua carne” (Levítico 19:27, 21:5). Estas proibições tinham em vista os costumes dos sacerdotes cananeus pagãos que, como classe, se distinguiam do resto do seu povo desta forma.

Davi, o homem “cujo coração foi perfeito para com o Senhor seu Deus” (1 Reis 15:3), usava barba como todos os outros (1 Samuel 21:13). A barba do sumo sacerdote era tal que o óleo precioso de sua unção descia por ela sobre a gola das suas vestes (Salmo 133:2). Os homens se sentiam envergonhados se não tivessem barba (2 Samuel 10:5), e não cuidar, rapar ou arrancar a própria barba era sinal de grande amargura (2 Samuel 19:24, Esdras 9:3, Isaías 15:2, 50:6, Jeremias 41:5, 48:37); fazer isso com os outros era castigo (1 Crônicas 19:4, Isaías 7:20). Ezequiel usava barba, pois o Senhor mandou que a raspasse, com os seus cabelos, para ilustrar uma profecia (Ezequiel 5:1).

Os Evangelhos nos contam muitas coisas sobre os hábitos dos tempos em que foram escritos, mas nem eles, nem as epístolas e profecias do Novo Testamento tocam no assunto de “barba”. Temos que nos voltar a uma profecia de Isaías para descobrir que o Senhor Jesus também tinha barba como todos os israelitas do seu tempo (Isaías 50:6), e ela lhe foi arrancada como parte do Seu martírio e vergonha.

Ao longo da história, aos homens com pelo facial crescido têm sido atribuídas qualidades como sabedoria, virilidade, masculinidade, ou um status mais elevado; mas também tem sido uma indicação de falta de limpeza e perda de requinte.

Alexandre, o Grande, introduziu o costume de barbear na Europa. Relata-se que ele obrigou todos os homens do seu exército a rasparem as suas barbas, para que os inimigos não as pudessem segurar para degolá-los. Esse costume foi introduzido no império romano pelo grande general Scipio Africanus no terceiro século antes de Cristo. Continuou até o princípio do segundo século depois de Cristo, quando o imperador Adriano liderou a volta ao uso da barba. Mas o imperador Constantino o reintroduziu, e ao fazer-se “sumo pontífice” da igreja em Roma e das outras que subjugou, a moda pegou entre os “cristianizados” do seu império.

Depois disso, na Europa houve constantes variações e maneiras mais aprimoradas de fazer a barba, cortar os bigodes e os cavanhaques, mas entre os povos orientais, fora das grandes metrópoles, o uso da barba tem prevalecido através do tempo.

Atualmente, entre os muçulmanos, uma barba grande e desordenada é um sinal de religiosidade, pois assim é a dos xeques, e mesmo sendo cristão quem a usa, eles o consideram piedoso e religioso. Por outro lado, muitos cristãos que vivem entre eles tratam de reduzir ou raspar a barba para mostrar que não são muçulmanos.

Os homens mórmons modernos são fortemente incentivados a se barbearem completamente, em conformidade com os requisitos do código de honra do seu sistema educativo. Os jovens que entram no seu serviço missionário de dois anos são proibidos de deixar crescer seu pelo facial.

Através da história do cristianismo, a atitude com relação à barba tem sido surpreendentemente variada e de certa forma reflete o grau de incompreensão que diferentes grupos têm dos genuínos valores espirituais. Por exemplo:

- Em momentos diferentes da sua história e em função das diversas circunstâncias, a Igreja Católica autorizou ou proibiu o pelo facial ("barbae nutritio") do clero. A grande maioria do clero romano ou do rito latino raspa a barba.

- No século 11 um abade francês (Burchardus) escreveu um tratado sobre a barba. Foi seu parecer que as barbas eram adequadas para irmãos leigos, mas não para os sacerdotes entre os monges.

- Lutero abriu um precedente deixando a barba crescer, e praticamente todos os reformadores europeus deliberadamente cultivaram suas barbas como sinal de rejeição da antiga igreja, passando a barba clerical a ser um gesto agressivo anticatólico reconhecido na Inglaterra daquele tempo.

- Atualmente, os membros de muitas congregações religiosas católicas, sobretudo de origem franciscana, usam a barba como um sinal de sua vocação.

- No cristianismo que se chama “ortodoxo”, do leste europeu, os membros do clero frequentemente usam barbas, e elas por vezes têm sido recomendadas para todos os fiéis.

- Muitos cristãos sírios procedentes de Kerala, na Índia, usavam barbas compridas.

- Os homens das seitas menonitas de Amman e de Hutter nos EUA raspam a barba até se casarem, depois deixam crescer a barba, e nunca a tiram mais, tratando-se de uma forma especial de barba.

- Alguns judeus messiânicos usam a barba com o fim de mostrar seu cumprimento do Velho Testamento.

- Algumas igrejas presbiterianas proíbem raspar a barba completamente.

A maioria das igrejas “protestantes” considera o uso da barba como matéria para livre escolha de cada membro e muitos grandes verdadeiros ensinadores cristãos do passado, como W. E. Vine eram bem barbudos; C. H. Spurgeon não somente ostentava uma barba luxuriante, mas consta que encorajava os outros homens da sua igreja a deixar crescer a barba porque "é um hábito muito natural, bíblico, masculino e benéfico".

Voltando ao ensino bíblico, o princípio geral que deve nos orientar foi dado pelo apóstolo Paulo para resolver o que convém ao crente: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8).

O uso ou não de barba realmente é matéria para livre escolha de cada membro de uma congregação. Ele deve considerar se a maneira como se apresenta é condizente com o seu testemunho cristão, que deve glorificar unicamente a Cristo e não a sua própria vaidade, e ter cuidado para não se destacar como se pertencesse a um grupo incongruente que se distingue por usar – ou não – a barba de uma certa forma. Não cabe à igreja local estabelecer normas sobre aquilo em que a Bíblia silencia.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Barnabé, o "filho da consolação"

Seu ministério foi um exemplo de como fazer a vida e o ministério mais frutífero e com um alcance maior. Deixemos a vida egoísta para ser altruístas, sempre pensando no bem-estar e proveito espiritual dos outros, especialmente no ministério cristão.

O apóstolo Paulo escreveu: “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Filipenses 2:4). É uma exortação que tem como alvo o de fazer a vida e o ministério mais frutífero e com um alcance maior. Deixemos a vida egoísta para ser altruísta, sempre pensando no bem-estar e proveito espiritual dos outros, especialmente no ministério cristão. No livro dos Atos dos Apóstolos encontra-se Barnabé como um exemplo desse sentimento.

Ele se chama José, um nome muito comum entre os judeus no tempo dos apóstolos, como também em outros países. Para os judeus o nome de alguém deve denotar o seu caráter e a sua vida. Os apóstolos achavam que o nome de José não indicava corretamente o caráter singular de um homem fora do comum. Acrescentaram-lhe o nome Barnabé, significando “filho de consolação” ou “filho de exortação”. A palavra grega dá os dois sentidos. “José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação” (Atos 4:36). Veremos como ele merecia este nome. Em sete ocasiões lemos como ele ajudava aos outros.

  1. BARNABÉ ajudando aos necessitados (Atos 4:37). Ele vendeu o seu campo; trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos, para a distribuição aos crentes necessitados em Jerusalém.
  2. BARNABÉ ajudou Saulo de Tarso em Jerusalém a provar que ele foi verdadeiramente convertido (Atos 9:26-30). Saulo escapou uma cilada em Damasco e fugiu para Jerusalém onde os crentes ficaram com medo dele, não acreditando que ele fosse discípulo. Foi desprezado e achou difícil juntar-se com os discípulos. Foram nessas circunstâncias que Barnabé resolveu o problema. Ele tomou Saulo e o levou aos apóstolos e contou-lhes como ele se converteu no caminho para Damasco e como em Damasco pregou com toda a ousadia em nome de Jesus. Quando Paulo pregou em Jerusalém os judeus procuraram tirar-lhe a vida. Para salvar a sua vida os irmãos levaram-no a Cesaréia e dali o enviaram para Tarso, a cidade onde foi criado e onde ficou abandonado.
  3. BARNABÉ foi escolhido para uma missão à igreja em Antioquia (Atos 11:22). A igreja não podia ter escolhido alguém melhor. Mesmo sendo levita e a igreja em Jerusalém só pregava aos judeus, ele amava todas as raças. A sua paixão era unir os irmãos e se alegrar pelo progresso do Evangelho e o desenvolvimento no ministério. Ele possuía as três qualidades essenciais para o serviço de Deus. “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (Atos 11:24). “Era homem bom”: a bondade é a atitude cristã para com o homem. Barnabé não prejudicava ninguém, mas somente fazia o bem. “Cheio do Espírito Santo”: significa que ele estava sob o controle do Espírito Santo. Não havia nada na sua vida para impedir a atuação do Espírito Santo e a sua atitude para com Deus. “Cheio de fé”: a fé e a atitude para com a Palavra de Deus. Lucas descreve a chegada de Barnabé à igreja em Antioquia: “Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração permanecessem no Senhor” (Atos 11:23). Tudo foi melhor do que ele esperava. Ele viu gregos, judeus e povos de outras raças, todos unidos formando uma igreja, cumprindo a ordem de Cristo de pregar o Evangelho a todos os povos. Portanto, o que mais alegrou Barnabé foi a graça de Deus manifestada na igreja. “Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se” (Atos 11:23). Ele viu a graça de Deus em ação pela transformação de vidas pelo Evangelho, fazendo a reconciliação do pagão com Deus e a comunhão não somente com Deus, mas também uns com os outros.
  4. BARNABÉ procura Paulo em Tarso (Atos 11:25). Em Antioquia o ministério de Barnabé foi muito abençoado, ainda assim ele não ficou satisfeito porque o ministério de Paulo não estava sendo aproveitado. “E partiu Barnabé para Tarso à procura de Paulo; tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia. E por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão” (Atos 11:26).
  5. BARNABÉ foi escolhido para levar ajuda aos necessitados em Jerusalém (Atos 11:27-30). Durante a sua estadia em Antioquia chegou mais uma oportunidade para ajudar aos necessitados. Souberam por profecia que haveria uma grande fome em todo o mundo. A igreja em Antioquia preveniu da necessidade de socorrer os flagelados em Jerusalém. Junto com Paulo, Barnabé foi escolhido para levar a contribuição da igreja para Jerusalém.
  6. BARNABÉ e Paulo levaram João Marcos para Antioquia. Ao sair de Jerusalém eles levaram João Marcos, primo de Barnabé, junto com eles, porque acharam que ele tinha um ministério para contribuir com a edificação da igreja, e não porque era primo de Barnabé. João é o nome hebraico e Marcos no latim. Ele como o seu primo era levita instruído na Lei e conhecedor do Velho Testamento. A casa de sua mãe Maria foi um dos lugares, talvez o lugar principal, onde a igreja se reunia em Jerusalém (Atos 12:12). Foi privilegiado porque ele recebia o ensino dos apóstolos e dos melhores ensinadores de Jerusalém. Era homem culto e o escritor do Evangelho segundo Marcos, amigo e filho na fé do apóstolo Pedro (1Pedro 5:13). Paulo e Barnabé concordaram em levar Marcos para Antioquia a fim dele ganhar experiência na Obra de Deus e exercer o seu dom num ambiente mais amplo do que em Jerusalém.
  7. Na sua primeira viagem missionária BARNABÉ e Paulo levaram Marcos com Eles, mas em Perge ele os abandonou e voltou para Jerusalém (Atos 13:13). Ele, que foi criado em Jerusalém, achou a obra missionária muito rigorosa e até Perge não havia grandes resultados. Somente depois de Perge as igrejas na Galácia foram formadas. Marcos voltou de Jerusalém para Antioquia e estava ali quando Barnabé e Paulo resolveram fazer a segunda viagem missionária. Agora arrependido da sua falha ele está disposto a enfrentar mais uma viagem com Barnabé e Paulo. Portanto, Paulo não queria que Marcos fosse com eles. “Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfilia, não acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre” (Atos 15:38,39). Barnabé não somente queria dar a Marcos a segunda oportunidade, mas também ele conhecia o valor do seu ministério que precisava ser aproveitado. Depois da separação não lemos mais de Barnabé no livro de Atos, porém sabemos o resultado da sua bondade e interesse no serviço e ministério de Marcos.

A decisão de Barnabé foi justificada. Nas cartas do apóstolo Paulo, por ocasião da sua prisão em Roma, encontramos os nomes de alguns dos cooperadores de Paulo, homens de grande coragem, dispostos a fazer sacrifícios em prol do Evangelho. O nome de Marcos foi um deles. Paulo escreveu: “Saudam-te Epafras, prisioneiro comigo, em Cristo Jesus, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores” (Filemon 1:24). Demas foi quem trabalhou muitos anos com o apóstolo, mas ao fim da vida de Paulo achou o serviço difícil e o abandonou. Marcos, no princípio, abandonou Barnabé e Paulo, mas no fim ele estava ao lado do apóstolo no lugar mais difícil e perigoso. Na mesma ocasião da carta a Filemon, Paulo escreveu aos Colossenses: “Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o” (Colossenses 4:10).

Nos últimos dias de Paulo, um pouco antes do seu martírio, da sua prisão ele escreveu: “Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2 Timóteo 4:11). A bondade de Barnabé deu resultados. É justo quando um obreiro cuida do seu dom e ministério, mas os resultados se multiplicarão e o seu campo ampliará quando ele procura ajudar aos outros no seu serviço e ministério.

autor: Kenneth Jones.
Fatos & Relatos

Batismo

Todo aquele que se converte a Cristo deve dar o seu testemunho através do batismo, conforme o mandado do Senhor, sendo este o seu primeiro passo na carreira cristã. A característica de qualquer testemunho, é que ele é dado depois da ocorrência do fato, nunca em antecipação dele. Logo qualquer supost

BATISMO: a "igreja cristã" por longos anos apoiou o batismo por aspersão e por que agora não? E sobre o batismo das crianças, qual a idade que elas devem ser batizadas? No caso de um irmão ter sido batizado quando era criança (e por aspersão), poderá confiar naquela forma de batismo ou não?

Essas perguntas dizem respeito ao batismo por água que inicialmente foi praticado por João Batista para representar o arrependimento do pecado, e continuado pelos discípulos do Senhor Jesus (João 4:1-3). Depois da morte e ressurreição do Senhor Jesus esse batismo passou a ser praticado pelos novos convertidos entre os judeus, mas agora em nome de Cristo, num ato de identificação com Ele.

Antes da sua ascensão, o Senhor Jesus mandou que se fizessem discípulos também de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28:19). Atualmente, os que se dizem “cristãos”, praticam as seguintes modalidades de batismo:

  1. O batismo infantil (pedobatismo), sob o argumento que o batismo da nova aliança é semelhante à circuncisão dos meninos na aliança abrâmica, que os batismos de famílias inteiras mencionados no livro de Atos provavelmente incluía crianças, e que as promessas bíblicas relativas à família permitiriam o batismo infantil (1 Coríntios 7:14). Esta modalidade geralmente é efetuada por aspersão, mas a imersão também tem sido usada.
  2. O batismo dos que se convertem, como testemunho da sua conversão. Alguns adotam a prática da aspersão, que consiste em despejar água na cabeça dos que estão sendo batizados. Os argumentos usados pelos que assim fazem são: a) que a palavra grega baptizo é usada num sentido secundário, “colocar sob a influência de” e a aspersão traduziria melhor esse sentido; b) a aspersão retrataria melhor a vinda do Espírito Santo sobre o crente; c) a imersão de milhares de convertidos de uma só vez seria improvável e praticamente impossível em Atos 2:41, 8:38, 10:47, 16:33; d) em Hebreus 9:10 a palavra “batizar” é utilizada para designar os rituais de aspersão da lei mosaica; e) seria, segundo eles, a forma usada pela maioria dos que se chamam cristãos.
  3. Os demais adotam a imersão por completo em água porque: a) é o sentido normal e primário da palavra grega baptizo; b) o sentido normal das preposições gregas eis (em, para dentro) e ek (de, para fora de) indica imersão em água; c) o batismo de prosélitos judeus era efetuado em total imersão, o que indica que o batismo de João e dos discípulos de Cristo também o eram; d) a prática da igreja primitiva era a imersão; e) cada uma das “dificuldades” citadas pelos aspersionistas verdadeiramente não impedem o batismo por imersão; f) a língua grega possui palavras específicas para “aspergir” e “derramar”, mas elas nunca são usadas em relação ao batismo; g) a imersão retrata melhor o que é o ministério batizador do Espírito Santo por ocasião da conversão, de acordo com Romanos 6:3-5: a imersão na água representa a identificação com Cristo na sua morte, a submersão é figura da identificação com o Seu sepultamento, e ao emergir da água temos a semelhança da Sua ressurreição.

Historicamente, a “doutrina da regeneração” pelo batismo começou a se espalhar já no princípio do segundo século da era cristã, com o clericalismo que gradualmente passou a dominar as igrejas locais. A primeira notícia que temos de batismo infantil é do ano 197 da era cristã, quando um escritor da época condenou esse costume que estava surgindo, juntamente com o batismo dos mortos.

A aspersão, em lugar do mergulho, simplificou o ritual das instituições religiosas apóstatas, que passou a significar a “lavagem” não só simbólica, mas efetiva do pecado “original,” e, portanto, aplicada aos recém-nascidos para que fossem salvos do inferno ...

Embora as instituições religiosas reformadas, ou “igrejas protestantes”, tenham abandonado a doutrina da regeneração pelo batismo, elas continuaram com a tradição de aspergir tanto novos convertidos como crianças. Durante muito tempo, depois da Reforma Protestante, houve perseguição severa aos crentes de grupos independentes que adotassem o batismo por imersão aos convertidos. Zwingli, por exemplo, um dos grandes nomes da Reforma, ordenou que todos os que se batizassem por imersão, em Zurique, fossem afogados! Na Alemanha eles foram apelidados de “anabatistas” porque não consideravam válido o batismo infantil. Deles derivaram os batistas dos nossos dias.

As igrejas neo-testamentárias independentes variam ainda hoje em suas práticas quanto ao batismo - aspersão ou imersão -, e algumas ainda batizam crianças.

Alguns dos missionários pioneiros no Brasil, que desenvolveram seu trabalho na região dos Estados do Rio de Janeiro, sul de Minas, e interior de São Paulo, eram “aspersionistas”, e muitas igrejas nessas localidades ainda conservam essa tradição. Não colocamos em dúvida a sua boa fé.

Na medida que outras dessas igrejas se compenetraram que a aspersão, como forma de batismo, surgiu apenas no segundo século, e se convenceram da legitimidade bíblica do “mergulho” dos novos convertidos, elas foram deixando a tradição da aspersão e do batismo de crianças, passando a realizar a imersão.

 Quanto às crianças, não podemos estabelecer uma idade-padrão para o batismo das que se convertem. Logo que uma criança atinge suficiente maturidade espiritual para compreender a sua condição de pecadora, ela pode vir a Cristo para recebê-lO como seu Senhor e Salvador. Ela será batizada e selada com o Espírito Santo e começará sua nova vida em Cristo. Que bênção quando isto acontece ainda em tenra idade! Ela então terá todo o direito de dar o seu testemunho através do batismo. É da responsabilidade de quem batiza certificar-se que a criança não está sendo coagida, que ela conhece as verdades básicas do Evangelho, e que tem a maturidade suficiente para realmente entender e receber o Senhor Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal, sabendo bem o que isto significa.

Todo aquele que se converte a Cristo deve dar o seu testemunho através do batismo, conforme o mandado do Senhor, sendo este o seu primeiro passo na carreira cristã. A característica de qualquer testemunho, é que ele é dado depois da ocorrência do fato, nunca em antecipação dele. Logo qualquer suposto batismo anterior à conversão não teve e nunca virá a ter valor como testemunho do novo crente, não importando se foi por imersão ou aspersão. Não há um precedente sequer na Bíblia disto.

Quero enfatizar que ninguém deverá confiar no batismo como uma premissa para a Salvação, quer seja por imersão ou aspersão, quer seja como bebê, criança ou adulto. O batismo não salva ninguém, nem é um rito para dar-nos entrada na igreja de Deus. Nossa fé é firmada unicamente na obra redentora do nosso Salvador Jesus Cristo, e é mediante essa fé que recebemos a vida eterna pela graça de Deus e por Ele somos adotados como filhos.

É, segundo me parece, uma boa prática exigir que os novos convertidos se batizem antes de serem recebidos em plena comunhão na igreja local - não se trata de um ritual, mas de uma ordenança, e é uma maneira de mostrarem publicamente sua submissão à vontade do Mestre, além de darem um testemunho público da sua conversão. Isto pressupõe que o batismo se efetue logo, e não vejo respaldo bíblico ou justificativa convincente para que o batismo seja retardado por muito tempo, conforme a prática estimulada por algumas igrejas locais.

Existem entre nós, contudo, aqueles que evidentemente são crentes verdadeiros, que andam na luz de Cristo, mas que vieram de outra prática quanto ao batismo. Nunca foram batizados por imersão, mas em tudo dão amplo testemunho público da sua fé. Devemos ter suficiente amor e compreensão para com esses irmãos e irmãs para lhes estender a nossa comunhão. Sei de alguns que, assim recebidos, sentiram que lhes faltava esse ato de obediência e se batizaram voluntariamente, alguns anos depois. Sempre tenho em mente as palavras da profecia de Oséias “Misericórdia quero, e não sacrifícios” usadas pelo Senhor Jesus contra os fariseus (p.ex. Mateus 12:7).

Por misericórdia é preferível (às vezes) abrir mão de certas práticas sobre as quais existem controvérsias entre crentes, do que desprezar nossos irmãos em Cristo por não obedecerem a letra de algum mandamento conforme nós a entendemos. “Amai-vos uns aos outros”, eis o grande mandamento (p.ex. 1 João 3).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Brasil urgente

que haja entre “nossos irmãos” um grande despertar do Espírito nestes dias de mornidão, comodismo e materialismo que imperam entre nós, e vejamos um “Brasil Urgente”, cujos campos estão brancos e não podemos deixar os frutos perecerem.

Vou fazer uso da expressão “Brasil Urgente”, utilizada com freqüência pelo irmão José Carlos Jacintho aqui no Boletim dos Obreiros, tendo em vista a recente viagem que fiz de 22/2 a 7/4/2005, juntamente com os irmãos José Reis (Zezinho) e Theodor Hahlen ao nordeste e norte do Brasil, um país de extensão continental.

DEVEMOS VALORIZAR O BRASIL NO ASPECTO SOCIO-ECONÔMICO

Talvez, por falta de uma boa administração política que vem se arrastando por séculos, nosso país é pouco valorizado pelos próprios brasileiros que consideram que os salários são baixos, às vezes enxergando somente o negativo, dizem: "aqui falta tudo"! E muitos, principalmente os jovens, vão para os Estados Unidos, Europa e Japão, em busca de melhores salários para melhorarem de padrão de vida, e lá vivem uma vida deprimente para conseguirem alguma coisa. É necessário trabalhar muito e economizar o máximo possível a fim de conseguir ajuntar alguns bens materiais, que como tudo neste mundo, um dia acaba.

Todavia, é comum ouvirmos que em outros países, da Europa ou da Ásia, há pessoas que vivem em extrema miséria, muitas vezes pior do que a do Brasil, cujos salários estão muito aquém daqueles praticados em nosso país, onde o custo de vida é muito mais elevado conforme nos é relatado por alguns obreiros brasileiros que vivem nesses paises.

Costumamos ver somente aquilo que nos interessa e não as coisas reais, pois quando vemos alguém em pior situação do que a nossa é motivo para agradecermos a Deus, nos alegrarmos e contentarmos com o que temos.

O irmão Theodor Hahlen, que é suíço, me afirmou que para uma família pequena viver na Europa sem muita mordomia, que aqui chamaríamos de "vida humilde", precisa no mínimo de 9 a 10 mil dólares, e nunca pensar em gastar em supérfluos ou se alimentar como aqui. É muito comum ouvirmos de pessoas que conhecem outros continentes, que o Brasil é o melhor país do mundo para se viver porque aqui tudo é abundante e temos ampla liberdade. Muitos brasileiros não pensam assim e acham que o inverso é verdadeiro. Devemos valorizar nosso país, ele é ricamente abençoado por Deus.

DEVEMOS VALORIZAR O BRASIL NO ASPECTO ESPIRITUAL

Graças a Deus aqui temos, ainda, total liberdade para evangelizar, sem dizer que os campos estão brancos. Podemos sair pelas ruas e pregar nas praças, distribuir literatura em qualquer lugar e até mesmo bater de casa em casa com folhetos evangelísticos e fazer evangelismo pessoal. Temos a liberdade para usar qualquer meio de comunicação para pregar o Evangelho, sem dizer que contamos com a proteção das autoridades civis e militares, enquanto que em muitos países nem pensar! O Brasil, a meu ver, é hoje o maior campo missionário do mundo e muitas denominações estão vendo nisso a oportunidade de semearem seus joios.

Foi-nos contado por um irmão nesta viagem, que os mulçumanos estão pensando em investir alto no nordeste para disseminar o islamismo e fazer o máximo possível de prosélitos, pois vêem ali um campo promissor. Seria muito bom se nossos irmãos brasileiros também tivessem essa mesma visão para levar a Verdade que liberta o pecador das garras do diabo e do lago do fogo eterno.

Para isto acontecer, será necessário que nossos olhos se voltem para este país e nos conscientizemos de que aqui se pode viver de forma humilde, com poucos recursos financeiros, ao invés de criticarmos as nossas autoridades governamentais e as igrejas brasileiras, “que não ofertam”. É hora de olharmos com mais carinho para o Brasil, que, sem falarmos das cidades com população inferior a 50 mil habitantes, há centenas delas com população acima deste número. Foi comum nesta viagem que fizemos, distribuir os Evangelhos de João em cidades do sertão nordestino com 100 a 300 mil habitantes, ou mais, onde não têm trabalhos neo-testamentários. Também, lamentamos que em muitas outras cidades do país, conforme lemos através do Boletim dos Obreiros, há igrejas que estão fechando suas portas por faltar trabalhadores. Irmãos! Missões no Brasil é Urgente!

VAMOS AGORA A UM DESAFIO PARA TODOS QUE LEREM ESTE ARTIGO

Materialismo versus campos brancos para a ceifa – Será que “nossas igrejas” podem alcançar o Brasil com o genuíno Evangelho? Se podemos, como? Vamos tentar responder estas duas perguntas.

Em primeiro lugar, creio que estamos com uma visão equivocada achando que, como nas denominações, precisamos ter “nosso obreiro” em cada igreja local. Está até havendo algum movimento para que o “nosso obreiro local” seja assalariado pela igreja local, ou por uma missão, como qualquer pastor denominacional.

Creio que Deus chama, separa, envia e sustenta alguns poucos irmãos para a Sua Obra em tempo integral, consoante ao que Paulo escreveu em 1 Coríntios 3:9 ... “Porque de Deus somos cooperadores”.  Irmãos, um “obreiro” que dá tempo integral nada mais é do que um cooperador numa gigantesca obra onde, no aspecto humano, a obra maior não é feita por estes servos, mas pelos irmãos que mantêm seus empregos ou negócios e se dedicam intensamente na Obra do Senhor.

Acredito que para alcançarmos com urgência o Brasil com o Evangelho verdadeiro e fundação de novas igrejas locais, não precisamos meramente aumentar o número dos “obreiros em tempo exclusivo”. De fato, não tenho notícias de alguém assim chamado que tenha se mudado (com raras exceções), nestes dois últimos anos, para uma cidade onde do nada se começou uma igreja local. Na verdade devemos orar e almejar um despertamento de casais, ou irmãos individuais, nas igrejas locais, sob oração e direção divina para que se mudem para cidades, principalmente as de porte médio e grande, e exerçam suas vidas profissionais e se esforcem no evangelismo com o propósito de ter naquela cidade uma igreja do Senhor, não restará dúvidas de que pelo menos nas cidades de maior porte haveria um testemunho seguindo o principio bíblico.

Conheço diversas igrejas locais que tiveram seu início quando alguns irmãos, propositadamente ou não, se mudaram para onde não havia uma igreja local e ao invés de se unirem a uma denominação, mesmo exercendo sua atividade profissional, evangelizaram vizinhos e amigos, reuniram-se em suas casas e hoje têm igrejas locais estabelecidas para a glória de Deus.

Sem dúvida eu poderia citar muitos exemplos destes, mas não o farei para não causar constrangimentos. Que bom seria se hoje muitos se sentissem despertados por Deus para a obra missionária neste sentido! Tomassem a decisão de se mudar, não para ganhar dinheiro no Brasil, ou no exterior, mas olhassem os campos brancos dessas cidades, conciliassem suas atividades profissionais com a espiritual e dessem início a muitas igrejas locais em diversas cidades deste Brasil antes da vinda do Senhor para o arrebatamento. Com certeza Deus nunca os deixaria morrer de fome. Irmão(ã), você crê nisto? As igrejas locais brasileiras não podem ficar estagnadas, somente esperando por “obreiros em tempo exclusivo”, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, como se fossem seus pastores e aqueles que resolvem a questão, pois cada crente é um(a) obreiro(a) do Senhor.

APELO

Sabemos que os apelos humanos são muitos para o campo missionário, mas somos ensinados a rogarmos ao Senhor da Seara que mande ceifeiros para a Sua Seara (Mt. 9.38). Estamos cientes de que quem chama, direciona, envia e sustenta os trabalhadores que, por amor de Cristo e das almas, deixam seus empregos e salários garantidos, é o Senhor, mas isso tem me trazido alguma preocupação, pois me parece que tem algo de errado, nunca com o Senhor é evidente, mas conosco. Por exemplo, alguém se diz chamado e dirigido pelo Senhor para trabalhar na Sua Obra em outros paises, ou para trabalhar com uma igreja local fortemente estabelecida em sua estrutura espiritual, com muitos irmãos que têm o dom para ensinar e pregar a Palavra de Deus, fazendo até longas escalas de serviço, enquanto isso existem igrejas locais em nosso Brasil que estão fechando suas portas por não haver um irmão que possa ensinar a Bíblia e há milhares de municípios que nem sequer têm um testemunho da Verdade. Irmãos! Reflitamos no apelo divino contido em João 4:35 ... “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa”.

Meu sincero desejo é que haja entre “nossos irmãos” um grande despertar do Espírito nestes dias de mornidão, comodismo e materialismo que imperam entre nós, e vejamos um “Brasil Urgente”, cujos campos estão brancos e não podemos deixar os frutos perecerem. Em toda parte deste mundo há um clamor como no passado “passa a Macedônia e ajuda-nos", todavia irmão, missões no Brasil, hoje, deixaram de ser urgentes e passaram a ser “urgentíssimas”!

Os irmãos que desejarem receber o relatório dessa nossa viagem missionária, escrevam para a Caixa Postal 605, Paranavaí-PR, 87701-970, ou para o e-mail [email protected]

Fatos & Relatos

Catástrofes

Deus é soberano e não é possível ao ser humano fazer qualquer julgamento a respeito das suas ações. Deus criou um mundo perfeito, bom aos Seus olhos. O sofrimento e a morte surgiram mais tarde, por causa da rebeldia do ser humano contra Deus. Quando procuramos entender as coisas a partir do ponto de

Como pode um Deus de amor permitir uma catástrofe?


Inevitavelmente, essa é a pergunta que é feita tanto pelos que crêem na existência do Deus criador, como pelos incrédulos ateus, quando há um acontecimento desastroso de grandes proporções, geralmente relacionado a fenômenos naturais, provocando morte e destruição. Aqueles porque procuram uma justificativa nobre para o acontecimento, estes para desafiarem a existência de um Ser superior.

Novamente a pergunta surgiu nestes dias quando um “tsunami” gigantesco se levantou nos mares do oceano Índico, devastando o litoral de vários países asiáticos com perda de vida humana acima de 280.000, segundo os últimos cálculos.

Procura-se uma causa de ordem natural para a catástrofe, que vai satisfazer ao incrédulo. A causa natural para esse “tsunami” já foi encontrada e explicada pelos geólogos: devido a um movimento de camadas da crosta terrestre sujeitas a grande pressão no fundo do mar, houve um maremoto com força equivalente a um milhão de bombas atômicas do tipo lançado sobre Hiroshima no fim da última grande guerra. Dizem que teve efeito até sobre a rotação do globo terrestre.

Já o crente procura uma razão superior, pois a Bíblia diz “Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.” (Mateus 10:29-31). E o incrédulo diz: “se Deus é assim Todo-Poderoso e cheio de amor, porque então permite tanto sofrimento e morte?”.

Foi Deus quem criou o universo, e as leis naturais também. A lei natural que chamamos de “gravidade” pode produzir a morte de um passarinho, de mínimo valor para nós; também a lei natural segundo a qual uma pressão crescente entre camadas da crosta terrestre resulta em terremoto, e maremoto, pode causar grande morte humana e destruição, de muito valor para nós. Ambas as leis foram criadas por Deus.

Ficamos impressionados com a violência das catástrofes espetaculares, pois fogem da nossa experiência rotineira. No entanto, diariamente, centenas de milhares de pessoas estão morrendo pelo mundo afora - de todas idades, a partir dos recém-nascidos até os mais velhos. Muitos sofrem de enfermidades bem mais dolorosas do que um repentino afogamento. Poderíamos perguntar então por que Deus permite qualquer sofrimento e morte do ser humano? Mesmo se todos gozassem de boa saúde e nunca morressem, salvo um só, isto não seria falta de amor?

A resposta é simples e clara, e se encontra bem no início da Bíblia, no capítulo 3 de Gênesis. Deus havia criado um mundo perfeito, bom aos Seus olhos. O sofrimento e a morte surgiram mais tarde, por causa da rebeldia do ser humano contra Deus. Quando procuramos entender as coisas a partir do ponto de vista divino (se é que isso é possível), vemos que não há qualquer injustiça na morte de qualquer um de nós, sejam quais forem as circunstâncias.

Deus é soberano e não é possível ao ser humano fazer qualquer julgamento a respeito das suas ações. Jó, que Deus qualificou de “irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal” (Jó 1:8), sofreu pessoalmente uma catástrofe atrás da outra, perdendo todos os seus bens, seus filhos e ainda ficando com uma dolorosa enfermidade. Seus amigos vieram para acusá-lo de estar sendo castigado por más ações que teria feito. Ele, sabendo que era inocente, se lamentava de não poder discutir a aparente injustiça da sua situação frente a frente com Deus. Finalmente Deus mostrou a Jó a Sua suprema sabedoria e Jó, humilhado, se calou ante a grandeza de Deus. Ele reconheceu a soberania de Deus e a sua total incapacidade de entender as coisas (Jó 41:2-3).

Lemos em Lucas 13:1-5 sobre duas catástrofes quando o Senhor Jesus estava na terra, resultando em mortes. Muitos poderiam pensar que as vítimas foram mortas por serem mais pecadoras ou mais culpadas do que os demais, mas Ele esclareceu que não era assim: quem não se arrependesse “pereceria” de igual modo.

O homem é um ser composto de corpo, alma e espírito. Por causa do seu pecado, o corpo está destinado a se corromper e morrer, e sua alma e espírito permanecem por toda a eternidade, em sofrimento, longe de Deus: isto é “perecer”, como Ele dizia.

Deus é misericordioso e longânimo (2 Pedro 3:9). Ele demonstrou Seu amor pela humanidade que havia criado, agora rebelde, dando Seu Filho para vir até aqui e sofrer a agonia e morte da cruz a fim de que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. A vida eterna é conhecer o Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou (João 17:3). O crente já tem a vida eterna e, embora seu corpo passe pela morte, ele será ressuscitado com novo corpo glorioso “no último dia” (João 6:40).

Esta é a grande demonstração do amor de Deus, muito superior ao simples alívio do sofrimento e morte em nossa passageira vida aqui na terra. A vida eterna é concedida gratuitamente e sem reservas a todo aquele que crê em Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.

A terra foi maldita por Deus em virtude da desobediência do homem, e enfermidades, tragédias e catástrofes são conseqüências. Mas um dia a maldição será retirada e não haverá maldição nenhuma (Apocalipse 22:2). Isto acontecerá no futuro, dentro da agenda divina.

Aos seus filhos, Deus não promete livramento das aflições e da morte aqui no mundo. Mas de uma coisa estamos certos: nenhum de nós morre “antes do seu tempo”. Deus nos dá oportunidade de serviço enquanto estamos aqui, e nos leva para o Seu lar apenas quando Lhe convém.

Soubemos de casos notáveis no episódio deste último “tsunami”:

  • O irmão Peter Ferry, que trabalhou por muitos anos como missionário nas regiões mais atingidas, contou que em duas vilas de pescadores na Tailândia, onde há uma igreja e um ponto de pregação, os crentes perderam grande parte dos seus bens materiais; mas Deus preservou a vida de todos os crentes conhecidos por ele, mesmo os que trabalham no setor turístico de Phuket, em hotéis e restaurantes que foram duramente atingidos.
  •  As crianças de um orfanato cristão no litoral de Sri Lanka, agrupadas numa reunião de oração, e os adultos que estavam com elas, tiveram tempo de se abrigar num barco de fibra de vidro que lhes fora doado por uma igreja do Reino Unido, e escaparam incólumes enquanto que o orfanato e tudo que ele continha foi arrasado.
  • Duas irmãs hospedadas num dos hotéis destruídos haviam ido a uma reunião dominical numa igreja próxima, mas afastada do alcance da enchente, e nada sofreram.

Finalmente, a maioria da população das áreas atingidas pelo “tsunami” é de muçulmanos, muitos dos quais são da linha mais radical e têm perseguido de maneira selvagem, até chacinado, os cristãos que ali vivem. Oremos para que a Obra do Senhor nestas áreas seja fortalecida, e que esta catástrofe conduza pelo menos alguns dos que foram atingidos a procurar o Deus Verdadeiro para obter perdão dos seus pecados e a salvação da ira de Deus, mediante a fé no Seu Filho.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Chamado para a Obra Missionária: João McClelland

Relato biográfico descrevendo o chamado para a obra do Senhor no Brasil do missionário canadense João McClelland e sua esposa Da. Margaret

Relatado por Margaret Louise McClelland


Tanto eu quanto João tivemos o privilégio de sermos criados em famílias cristãs, membros de casas de oração. Aos dez anos de idade (ambos em 1930), ainda sem conhecermos um ao outro, tivemos a experiência de entregarmos nossos corações e nossas vidas ao Senhor, e desde então aplicamo-nos em nos prepararmos para futuramente sermos usados por Deus no Seu serviço missionário.

Através dos anos, João, procurando informações, chegou a fixar o seu desejo no Brasil, enquanto eu não tinha destino fixo em mente. Um tio meu, que era missionário na Malásia, cansava de me escrever encorajando-me para ir para lá, mas Deus não me deu o desejo de pensar nisto.

Mais tarde, a família de João veio morar mais perto da igreja onde minha família se reunia e ficamos nos conhecendo. Com tempo começamos a namorar e em 1944 nos casamos.

Em 1946 os irmãos de Central Gospel Hall, em Toronto, no Canadá, sabendo do nosso interesse no Brasil e em consideração ao nosso envolvimento no trabalho da igreja, ofereceram-nos uma "carta de recomendação". Requisitamos, então, um "visto" de entrada no Brasil. O Consulado Brasileiro estava fornecendo apenas "vistos temporários”, que deveriam ser renovados a cada dois anos, mas, mesmo assim, a resposta foi negativa, e continuou voltando um "recusado" a cada nova tentativa.

Isto era difícil de entender, porque vez após vez recebemos sinais de que Deus queria que continuássemos pensando na Obra d’Ele no Brasil. Depois de orarmos muito, começamos a duvidar.

Como já estávamos com a carta de recomendação consultamos os irmãos acerca da possibilidade de irmos a uma cidade no norte da província de Ontário para ajudarmos na obra lá, e, com Sua bênção, fomos. Certamente os dois anos que passamos ali foram bem abençoados por Deus, no entanto o Brasil estava sempre em nossas mentes, e não deixamos de sentir que a mão de Deus estava sobre nós para o Seu serviço ali - no tempo da Sua escolha. Continuamos tentando obter o "visto".

Certo domingo, depois de dois anos, João estava no quarto orando antes da Escola Dominical quando eu entrei para chamá-lo. Ele estava ajoelhado, com o livro de corinhos diante dele em cima da cama, e estava chorando, falando em voz alta: "Senhor, eu preciso ter uma reposta “hoje”. Por favor, Pai, me dê uma resposta “hoje”! Se estamos errados no nosso desejo, por favor, mostra-nos agora, e voltaremos a Toronto e diremos aos irmãos que erramos e esqueceremos o Brasil”.

Ao pegar o livro de corinhos ele o abriu ao acaso e imediatamente me chamou - "Vem ver!". Na página que se abrira tinha um corinho que ele nunca havia reparado, cuja tradução era: Jesus te ama, é verdade - Mas Ele ama os BRASILEIROS também - E o meu mandamento divino é - Leva o meu evangelho para eles. Uma notinha embaixo dizia que qualquer nacionalidade poderia substituir "brasileiros" para formar outras estrofes. Mas lá estava, na primeira estrofe, a resposta imediata do Senhor, e nunca mais duvidamos!

Mais uma vez fizemos o requerimento para o "visto" e desta vez a resposta chegou em forma de pergunta - "Não podemos fornecer visto temporário, mas podemos oferecer um visto permanente. Isto é aceitável?". Renovações não seriam necessárias! Porém, havia um problema: teríamos de estar no Brasil dentro de sessenta dias. Eu já estava grávida de sete meses de nossa primeira filha, e só de pensar em dar a luz num lugar estranho, de clima tropical (iríamos para Santarém, no Pará) e em condições desconhecidas, e eu já com vinte e nove anos, era muito assustador. Hoje não seria, mas cinqüenta e seis anos atrás certamente era!

Contatamos o Consulado e nos aconselharam a deixarmos vencer o “visto” e solicitá-lo novamente depois que o bebê nascesse. Que angústia! Será que iríamos lutar mais dois anos, talvez para obtermos um “visto temporário”? “Por quê?”, perguntamos a Deus, e Sua resposta foi “aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus”.

Então Marilyn nasceu, pedimos novamente o "visto" e recebemos um permanente! Desembarcamos em Belém em 11/11/1948, de onde partimos para Santarém, sendo recebidos pelo Sr. José Penna e sua esposa D. Almerinda. Ficamos com eles até acharmos uma casa para alugar e começamos a ter aulas de português com o Sr. José.

O Sr. José Penna já estava em Santarém havia alguns anos, vindo de Pernambuco, e um grupo de crentes vindos de outras igrejas reunia-se para pregar o Evangelho, mas não como uma igreja neo-testamentária. Eles não faziam batismos nem celebravam a Ceia do Senhor, e as irmãs não faziam uso do véu. O Sr. José nunca havia tomado a Ceia e não queria iniciar a prática, mas concordou em ser intérprete enquanto João dava ministério acerca destes assuntos. Isto resultou no batismo daqueles que não haviam sido batizados nas suas igrejas de origem, depois do qual um grupo de mais ou menos 12 pessoas - as irmãs com véu - sentou-se para "lembrar o Senhor" conforme o Seu desejo, e uma igreja neo-testamentária se formou. Louvado seja Deus! Se foi para isto que Deus trouxe João McClelland ao Brasil, realizou-se ali o Seu objetivo.

João continuou ministrando por interpretação, porque logo no início, por motivos alheios à nossa vontade, as aulas de português foram interrompidas e não foram retomadas.

É notável como Deus está sempre no controle, porque durante este tempo recebemos uma carta de Domingos e Margery Lipsi, que não conhecíamos e com quem nunca tínhamos nos correspondido, dando-nos "boas-vindas ao Brasil” e convidando-nos para irmos a Sousas para trabalharmos com eles. Até tinha uma casa para alugar, ao lado da casa deles! Depois de considerarmos este convite com muita oração perante Deus, sentimos que era a direção dele, e no fim de 1949 nos mudamos para Sousas.

Contratamos um professor para aulas de português, e por três anos gozamos de doce comunhão naquele lugar, antes de irmos para Vila Luzita, em Santo André, a pedido de George e Martha Orr e, depois, para São Paulo, a pedido do Sr. Ricardo e Sra. Maria Helena Jones.

Nesse período João sentiu-se chamado para o ministério de evangelismo, e viajava muito, às vezes ficando longos tempos fora de casa. Deus abençoou, e a colheita de almas salvas foi grande. A essa altura Deus tinha nos dado quatro filhos e essas ausências de João eram muito sentidas. Resolvemos então nos radicar em Ribeirão Preto (SP), com o propósito de fundarmos uma igreja local e, dessa forma, João passaria menos tempo viajando e mais tempo em casa. Fizemos a mudança em março de 1964. Com a ajuda de Deus o nosso propósito foi conseguido e hoje tem duas igrejas locais em bom andamento naquele lugar.

Em 1984, quando estávamos no Canadá, Deus levou João para junto de Si. Eu voltei em 1985 para Ribeirão Preto, passando mais dez anos lá antes de vir para Muriaé (MG), para morar perto de meu filho Joe e sua família, e para ser útil na medida do possível na Obra do Senhor.

As memórias são muitas, e teria muitos detalhes interessantes para relatar, mas conforme foi sugerido, por ora me ative ao "chamado".

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Chamado para a Obra Missionária: Samuel Curran

Relato biográfico de Samuel Curran e sua esposa Da. Eleanor, que serviram ao Senhor no Estado do Rio Grande do Sul, informando como foram chamados por Deus para esse trabalho.

Em 1958, Samuel Curran junto com sua esposa, Da. Eleanor May Curran, atenderam ao chamado do Senhor para saírem da sua terra, a Irlanda do Norte, e virem ao Brasil para o serviço missionário. O irmão Samuel trabalhou principalmente em Osório-RS e na região circundante, até que o Senhor o chamou para Si em 25.07.1987. Foi sepultado nessa cidade. Diz seu filho Samuel (Jr.) que ele tinha um coração para o gaúcho e era um gaúcho de coração. Sua esposa Da. Eleanor voltou para a Irlanda do Norte pouco depois, vivendo a sós durante 17 anos, durante os quais ela fez visitas curtas com freqüência ao Brasil, sendo a última em 2000. Dois dos seus filhos, David e Andrew, faleceram em 1978 e 1977, respectivamente. Atendendo à minha indagação sobre a maneira em que eles se sentiram chamados para este trabalho, o seu filho Samuel (Jr.) me encaminhou uma carta que fora enviada pela sua mãe ao neto Richard, contendo este relato. Traduzo, portanto, a seguir, o teor da carta para a informação e edificação dos leitores.

Relato de Eleanor May Curran

Querido Richard,

Gostei de vê-lo tão bem e de conversar com você recentemente. Fiquei meditando sobre a sua pergunta a respeito de como foi que começamos a pensar em ir ao Brasil e não me senti contente com a resposta que dei. Raras vezes me perguntam sobre isso e não é o tipo de assunto que nos cabe impor aos outros. Refletindo, concluí que minha resposta imediata a você foi fraca e decidi lhe escrever esta nota.

Na realidade meus primeiros pensamentos a respeito de como eu deveria dedicar a minha vida me vieram depois que me casei e tive o meu primeiro filho, o David. Eu deveria ter uns 25 anos de idade. Eram pensamentos muito íntimos e eram mais uma indagação pessoal sobre a maneira em que passava a minha vida. Pensava: “fiz um bom casamento, tenho um filhinho, meu marido ganha o suficiente para termos uma vida razoavelmente confortável. Tenho amigos e família, estou em comunhão com a igreja local, mas o que é que Deus está obtendo da minha vida?”. Eventualmente, relatei meus pensamentos ao seu avô e … surpresa das surpresas … a sua resposta foi: “que estranho que você esteja pensando assim, pois esses são exatamente os meus pensamentos também”.

Desde aquele dia seu avô começou a passar as tardes dos sábados (ele trabalhava meio dia aos sábados naquela época) andando pelo campo, conversando com as pessoas e distribuindo literatura cristã. Nem sempre o recebiam bem!! Ele me disse que, certa ocasião, quando a mulher de um fazendeiro abriu a metade de cima da porta, ele percebeu pela expressão “azeda” nos olhos dela que ele estava por ouvir uma reprimenda. Quando ele lhe ofereceu um folheto, ela disse “Você está mal empregado num dia bom como este quando a colheita precisa ser recolhida”. Ele respondeu: “senhora, já trabalhei por cinco dias e meio esta semana e estou usando meu meio dia livre para fazer isto”. O rosto dela se abrandou e ela perguntou: “você é da igreja presbiteriana ali em cima?” Ele respondeu “Não, eu me reuno com os crentes de Ballywillwill Gospel Hall” e ela então lhe disse: “Ah! Eles são bons” e, esticando o braço, pegou o folheto. (Depois de estar no Brasil por alguns anos seu avô andou fazendo a mesma coisa e algo semelhante aconteceu. A mulher, uma pessoa de aparência severa, abriu a porta e disse: “Não! Não queremos mais religiões por aqui! Já temos demais!” Seu avô respondeu: “Mas não estou aqui para falar de religião”. Ele perguntou: “porque então está aqui?” “Estou aqui para falar da pessoa do Senhor Jesus Cristo”, disse ele. “Ah!” ela disse “isso é diferente” e estendeu a mão para os folhetos.)

Passaram-se alguns anos, continuamos falando sobre aqueles pensamentos e nossas convicções aumentavam. Eventualmente sentimos que deveríamos fazer alguma coisa em definitivo. Um dia, enquanto trabalhava na fábrica de móveis em Portadown, seu avô encontrou algumas revistas usadas para embalagem e descobriu histórias das mais interessantes e retratos de índios da América do Sul e isso parece ter conduzido os seus pensamentos à necessidade existente em tantos lugares na América do Sul.

Oramos muito sobre isso por algum tempo e escrevemos para missionários na América do Sul: Peru, Venezuela, etc.. Ainda, sentimos que ninguém nos podia aconselhar. Seu avô queria tanto estar bem certo que não estava forçando o desfecho e embora alguns a quem ele escrevera sem dúvida nos dariam as boas vindas alegremente -- ele continuava incerto.

Um dia eu disse a ele: “você não ficaria feliz em ir ao sul do Brasil onde o irmão João McCann trabalha?” Mas ele respondeu: “Não! Eu temeria estar indo só porque o conheço”. Fim de conversa. Eu disse :”só tem um jovem de uns 22 anos com ele”. Ele disse: “Não, iria ficar parecendo que eu estava forçando o desfecho”. Eu disse: “Em nossa idade (eu com 33 anos e ele com 35) e com 3 filhos (o menor com 3 ½) não faríamos melhor trabalhando com alguém como os McCanns?”

Depois de alguns dias o irmão J McCann, que antes não tinha procurado nos influenciar de uma maneira ou outra nos escreveu e disse: “Sam, você tem certeza que Deus não está orientando você para o sul do Brasil, pois gostaríamos muito de tê-lo aqui?”.

Li a carta quando chegou e parecia ser uma coisa tão certa que fui ao quarto, fechei a porta e me ajoelhei e agradeci a Deus pela resposta depois de tanta luta.

Quando o seu avô voltou para casa, sua primeira pergunta foi: “alguma carta hoje?” Eu respondi com naturalidade que sim, havia uma, e ele disse: “De quem?” Eu, procurando manter a calma, disse: “Só uma do John McCann” (eu não queria influenciá-lo com meus pensamentos). Ele tomou a carta e foi para a sala de estar para lê-la. Fiquei de olho para ver o que ia acontecer. Ele desceu pelo corredor e entrou no quarto, fechando a porta. Um pouco depois ele veio até a cozinha, olhou para mim e disse: “Você leu a carta?” E eu disse “Li”. Ele disse: “O que você achou?” Eu disse: “Eu fiz exatamente o que você fez. Entrei no quarto, fechei a porta (para que o nosso caçula, o Andrew não me interrompesse) e agradeci a Deus pela resposta”. Ele disse: “Isso é exatamente o que acabei de fazer”. Nós nos abraçamos e fluíram lágrimas de agradecimento e alívio. (Isto deve ter sido no início de 1958). Pouco depois saímos com destino ao Brasil em 18.6.l958.

Eleanor May Curran, 21.10.2003.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Chamado para Obra Missionária: Dominic Lipsi

Relato de como um rapaz buscou a verdade acerca da vida após a morte, Deus falou com ele ao ler dois folhetos num trem, e salvou-se colocando a sua fé em Cristo, vindo depois servi-lo na obra missionária de evangelização no Brasil

Relatado por Margery Riecke Lipsi


Em continuação a esta série de relatos sobre a maneira pela qual o Senhor chamou Seus servos de outras terras para trabalhar na obra missionária no Brasil, transcrevemos agora o que nos foi enviado pela irmã Margery Lipsi, casada com o irmão Domingos Lipsi, de saudosa memória, procedentes dos Estados Unidos.

Dominic (Domingos) Lipsi nasceu em uma família italiana, sua mãe era católica romana e seu pai era ateu. Quando ele tinha 11 anos de idade, resolveu seguir seu pai, e nunca mais freqüentou a igreja. No final de sua adolescência, durante a grande depressão econômica, ele aceitou trabalhar para a máfia, em Nova Jersey. Algum tempo depois, ele deixou a máfia e começou a procurar a verdade acerca da vida após a morte.

Ele e seu amigo Charlie foram visitar o Sr. Taylor, um professor de uma escola vocacional. O Sr. Taylor explicou o caminho da salvação e convidou os dois rapazes a visitá-lo em seu lar. Sua esposa deu ao Domingos dois folhetos, “Salvação Simplificada” e “O Remédio de Deus para o Pecado, Medo e Morte”. Ele leu ambos os folhetos viajando de trem para um acampamento do Corpo de Conservação Civil (um tipo de Guarda Civil desenvolvido para manter ocupados jovens durante a grande depressão) em Georgetown, Delaware. Naquela noite Deus falou com ele de uma forma poderosa, ele aceitou a Jesus como seu Salvador e Senhor, e sua vida foi completamente transformada.

Ele deixou o acampamento, voltou para casa e foi visitar o casal Taylor, que o ajudou no seu grande desejo de conhecer mais a Bíblia. Naquele verão ele foi todas as noites para as reuniões em uma tenda perto da residência do casal, onde a cada semana havia alguns dos melhores ensinadores dos EUA, e alguns da Inglaterra, que ensinavam as Escrituras. No outono ele freqüentou a Escola Bíblica de Camden e participava fielmente na Igreja.

Nas reuniões na tenda, ele ouviu muitos bons missionários falarem acerca da necessidade daqueles que nunca tinham ouvido o Evangelho, ficou muito impressionado por um missionário do Brasil e desde então sentiu um grande desejo de servir o Senhor aqui. Seis anos depois de sua salvação ele veio para o Brasil. Domingos falava italiano no seu lar e isto foi uma grande ajuda para aprender o português.

Eu, Margery Riecke Lipsi, nasci num lar protestante, onde aprendemos a respeitar e amar a Deus. Pensávamos que iríamos para o céu baseados nas nossas boas obras. Quando eu tinha 14 anos de idade fiz minha “confirmação” (profissão de fé) em uma igreja luterana. Mais tarde um pastor modernista, que negava a autoridade das Escrituras, se tornou o pastor daquela igreja.

Minha irmã mais velha, Louise, foi com amigos para a Escola Bíblica de Philadelphia e lá ela foi salva. Já que o pastor luterano não pregava as Escrituras, ela deixou a igreja e me levou com ela para uma igreja bíblica grande, onde fui confrontada com a verdade que só Jesus salva, não as boas obras. Através do testemunho de minha irmã, de uma excelente professora de Escola Dominical e da pregação da Palavra, eu fui salva.

Ouvimos muito acerca de missões e tínhamos missionários que visitavam a igreja freqüentemente; eu estava muito interessada. Na véspera de Natal daquele ano eu aceitei o Senhor Jesus como meu Salvador e Senhor e, naquela noite, sozinha em meu quarto, eu dei minha vida a Ele para O servir. Eu tinha 14 anos de idade e daquele momento em diante, ansiava ser uma missionária.

Pensava que seria na China, pois seis anos depois de ser salva a Louise foi até a China onde serviu ao Senhor fielmente por 51 anos. Foi através do marido dela que entramos numa igreja evangélica independente, não denominacional. No meu último ano de Escola Bíblica vim a conhecer o Domingos na reunião missionária de jovens na igreja. Tivemos simpatia um pelo outro por causa do nosso interesse mútuo por missões. Um ano e meio depois de começarmos a andar juntos, nós nos casamos.

Não podíamos sair logo rumo ao Brasil por causa da 2a. Guerra Mundial, pois a ninguém era dado passaporte para deixar o país. Depois do nascimento de Louise e David pudemos sair. A igreja com que nos reuníamos, Ashland Gospel Chapel, nos recomendou ao serviço do Senhor no Brasil.
Ao final de 1947 chegamos em São Paulo onde fomos recebidos, animados e ajudados de muitas formas pelo irmão Edward Hollywell com quem nos correspondíamos. Quanto à China, o Senhor sabe, a porta se fechara para aos missionários e Domingos deixou claro que se eu fosse me casar com ele, eu teria que vir para o Brasil!

Depois de alguns meses na cidade de São Paulo, Domingos começou a procurar um lugar onde o Evangelho ainda não havia sido proclamado, pois concluiu que havia muitos brasileiros bem dotados assim como missionários pregando o Evangelho naquela cidade. Edgard de Almeida falou ao Domingos sobre Campinas e as oportunidades ali, portanto Domingos foi a Campinas de trem e visitou o Seminário Presbiteriano onde encontrou um jovem que o ajudou a procurar uma casa.

Após várias visitas ele encontrou uma e na semana seguinte ele me levou com as crianças para vê-la. Quando Domingos foi pagar o aluguel dos primeiros meses foi-lhe dito que tinha que pagar um suborno de cento e cinqüenta reais, ao que respondeu que ele não usaria o dinheiro do Senhor para pagar um suborno e isso foi o fim daquilo.

Na semana seguinte ele foi outra vez de trem para Campinas e encontrou o seu amigo Antônio do seminário. Estavam no centro de Campinas sem saber onde procurar, quando um homem se aproximou. Domingos pediu ao Antônio para perguntar-lhe se sabia de alguma casa para alugar, mas Antônio teve vergonha. Então Domingos, que já falava alguma coisa em português, dirigiu a pergunta ao homem.

Ele respondeu que não sabia de casas em Campinas, mas sabia de uma casa que estava sendo construída em Sousas, e assim na semana seguinte ele foi a Sousas de bonde. Foi-lhe dito que o alfaiate, que também possuía o armazém, era o dono da casa nova em cima do morro. Quando Domingos foi ver o alfaiate, ele descobriu que o alfaiate era o mesmo homem que ele havia encontrado na rua em Campinas! Domingos alugou a pequena casa na hora e foi assim que aterramos em Sousas.

Embora tenhamos tido dificuldades (nosso carro foi certa vez atirado dentro do rio) os anos em Sousas têm sido frutíferos e felizes. Não havia um protestante ou estrangeiro na cidade, por isso éramos uma verdadeira novidade, e isso ajudou porque o povo queria conversar conosco. Com a ajuda do Senhor iniciamos a igreja de Sousas, depois tivemos reuniões em uma casa em Campinas (que tornou-se numa obra) depois demos início ao acampamento Betel.

Dois anos mais tarde começamos a igreja de Vila Mimosa, em Campinas. Domingos viajou para outros lugares, e esteve com os índios em Mato Grosso. Uma das maiores bênçãos em nossas vidas é que os nossos 5 filhos seguiram ao Senhor e, crescendo, ajudaram muito no trabalho do Senhor. Desde que Domingos foi para o lar do céu, em setembro de 2002, eles continuaram a ajudar nas igrejas e no acampamento. Davi e Jônatas agora moram nos Estados Unidos, mas são uma parte importante do trabalho aqui. Durante estes últimos 10 anos o Timóteo tem continuado o trabalho do acampamento com a ajuda dos seus dois filhos e os outros netos. Louise, Gary Bryar e Jeanne também têm dado muita ajuda.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Chamado para Obra Missionária: George Orr

Relato biográfico sobre o missionário George S Orr (27-12-1018 - 18-5-2006)e sua esposa Da. Marta, que trabalhou na obra do Senhor no sul do Brasil.

MINHA CONVERSÃO E CHAMADO

por George S Orr

Nasci em Dublim, capital da Irlanda, no dia 27 de dezembro de 1918, o mais velho de 7 irmãos, e não posso deixar de mencionar as orações de meus pais e o ambiente cristão em que fui criado.

Num domingo cedo, na minha infância, um irmão missionário na Índia veio almoçar em nossa casa depois da Ceia do Senhor. Dizem que ele me tomou nos braços e orando a Deus pediu para que eu fosse salvo e me tornasse um missionário.

Quando eu tinha seis anos de idade, alguém que me desejava bem e tinha um cuidado pela minha alma, pediu que eu assinasse um papel confessando meus pecados e aceitando a salvação. Fiz isto para agradar, mas não era do coração e sabia que não era salvo.

Comecei a trabalhar aos 14 anos numa importadora de chá. No serviço entrei em contato com alguns crentes que tentavam forçar ou me embaraçar para que eu me salvasse, mas, por ser tímido, não gostava de ser encurralado e me tornei um adolescente rebelde.

Cheguei aos 17 anos, ainda no caminho espaçoso que conduz a perdição. Mas Deus foi misericordioso, e na memorável noite do dia 23 de abril de 1936, eu estava numa reunião para a pregação do Evangelho, tendo sido convidado de uma maneira tão graciosa, por um irmão idoso, que eu não pude recusar.

Um missionário da Jamaica estava pregando em Êxodo, capitulo 2, sobre Moisés, o bebê condenado a morrer, mas que foi salvo pela filha do rei. Enquanto ele falava tive uma relação pessoal com Deus. Eu me reconheci como um pecador e implorei para que Ele olhasse para a cruz em vista dos meus pecados. Que momento incrível quando me vi incluído na obra de Cristo na cruz, meus pecados lavados e perdoados.

Tudo mudou quanto as minhas perspectivas e prioridades. Comecei a participar de todas as reuniões da igreja local, e depois de algum tempo fui batizado e recebido à comunhão da igreja. Comecei a me envolver com as atividades da igreja e posso me lembrar do dia em que, com joelhos tremendo, subi em uma plataforma para pregar pela primeira vez.

Deus, na Sua própria maneira, fez-me pensar no Brasil e na Sua obra neste grande país. Os irmãos da igreja local tinham uma reunião para oração por missionários, onde liam e apresentavam as características de vários países, o trabalho de Deus neles, os missionários e os problemas que enfrentavam, e orávamos por eles. Às vezes recebíamos visitas de missionários que nos contavam algo das suas experiências na obra do Senhor.

Durante este tempo, reli o livro "Aventuras com a Bíblia no Brasil" de Fred Glass, que eu tinha recebido como prêmio da escola dominical anos antes. O livro descrevia sobre o Brasil rural sem falar nada das grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, que viríamos a conhecer alguns anos depois.

Comecei a escrever a um missionário do Brasil que morava na Inglaterra querendo saber mais a respeito do país e do trabalho lá realizado. Comecei a sentir que deveria ir e ajudar na obra de Deus. Mas então, em 1939 começou a Segunda Guerra Mundial e toda a navegação de passageiros civis parou. Mas mesmo durante a guerra a idéia não me deixou e era assunto de muita meditação e oração.

No final de 1941 uma moça chamou-me a atenção, e depois de muita oração e consideração eu combinei um encontro para uma curta caminhada. Eu queria ter certeza que era a vontade do Senhor, e que ela também teria o desejo de servir ao Senhor onde quer que Ele guiasse. Portanto uma das primeiras coisas que disse a ela foi "Você já teve pensamentos sobre servir a Deus em outro país?". Tendo estabelecido que tínhamos isso em comum, retornamos à casa dela praticamente noivos. Martha e eu nos casamos em 4 de abril de 1944, e até agora ela tem sido uma preciosa ajudadora e é amada por todos que a conhecem.

A guerra ainda estava em andamento e era um tempo quando o povo tinha só o suficiente para se alimentar e tudo era racionado, e eu comecei a pensar que Deus talvez poderia sustentar a mim no Brasil, mas poderia cuidar de mim e de minha esposa também? Continuei a orar e procurar a direção de Deus.

A guerra terminou no final de 1945 e depois de um tempo os navios começaram a deixar os portos da Irlanda para países distantes. Enquanto ainda procurava a confirmação quanto a vontade de Deus para nós, certa noite, em uma reunião de ministério, o pregador lendo Jeremias, capitulo 1, uma palavra me chamou a atenção: IRÁS ("a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto eu te mandar, falarás” v.7).

Falei aos irmãos da igreja quanto ao nosso objetivo e eles estavam contentes em nos apoiar e nos recomendar para a obra do Senhor. Depois disto arrumamos as coisas, compramos passagens, e no dia 18 de outubro de 1947, deixamos a nossa terra natal rumo ao Brasil com um certo temor e conscientes da nossa fraqueza, mas confiando no Senhor. Ele nunca nos falhou!

Chegamos no Brasil no dia 5 de novembro de 1947, com um filho de dois anos de idade, sem ter onde morar, não conhecendo ninguém e não sabendo falar português.

Foi-nos sugerido que deixássemos a maior parte da nossa bagagem na casa de oração em Santos e ficássemos algum tempo com um missionário inglês em São Paulo (com quem não havíamos nos encontrado antes). Algumas semanas depois, houve uma enchente em Santos que atingiu a casa de oração e estragou grande parte da nossa bagagem, incluindo os livros.

O Sr. Hollywell, o missionário inglês, nos ajudou nos primeiros dias até acharmos um lugar onde morar, era um homem muito ocupado, pois sabia que seu tempo era curto. Ele morreu 6 meses depois, de câncer.

Uma vez que aprendemos o suficiente da língua portuguesa para podermos nos comunicar com as pessoas, foi um grande privilégio contar-lhes a boa notícia do amor de Deus, da morte de Seu Filho e salvação disponível a todos.

Durante a maior parte dos nossos anos no Brasil, moramos em São Paulo e Paraná, mas em muitas ocasiões viajamos a outras partes, do Norte, na beira do Rio Amazonas, ao Sul, no Rio Grande do Sul, para apontar pecadores ao Senhor Jesus Cristo e ajudar e ter comunhão com o povo de Deus.

Deus tem sido bom, Ele nos abençoou com mais seis filhos e nos acompanhou a cada passo do caminho. O que temos feito por Ele, não é preciso dizer; tudo tem sido anotado por Aquele que pode avaliar o que foi de ouro, prata, pau ou palha.

Nos últimos anos devido a problemas de saúde ligados a idade avançada, e minha esposa tendo de passar por algumas cirurgias, não tem sido possível voltar, mas ainda mantemos contatos e estamos a par da obra de Deus no Brasil via cartas, e-mails e telefonemas. Continuamos a orar pelo trabalho e pelos amigos que fizemos.

Em agosto, deste ano, tive que instalar um marca-passo no meu coração, ao entrar na sala de cirurgia eu disse aos que estavam lá: "Se algo der errado, não se preocupem, minha passagem ao céu já está paga!".

Como é pouco o que fazemos por Ele, quando consideramos o muito que Ele tem feito por nós!
 

Adendo

George Orr foi levado para a presença do Senhor em 18 de maio de 2006. Posteriormente seu filho Alan gentilmente nos forneceu mais detalhes da sua vida, que transcrevemos a seguir:

Quando George nasceu, sua mãe escreveu um poema contendo sete estrofes, das quais a terceira vai assim:

"Senhor, oramos que o receba de volta de nossas mãos,
Nós o cederíamos a Ti sem tardar.
E que nestes últimos dias, mesmo ele
Permaneça em pé na brecha que se abre, por Ti."

Sua mãe foi chamada para o lar na glória quando ele tinha 17 anos de idade.

(Depois de chegar pela primeira vez ao Brasil,) tendo já aprendido o suficiente do idioma, ele teve o grande privilégio de proclamar o Evangelho.

Eles logo se mudaram para Santo André, satélite de São Paulo, e pouco depois para um lugar afastado, nas divisas de Santo André, o povoado de Vila Luzita, onde uma igreja eventualmente se formou e ainda se reúne ali até hoje. Enquanto estavam em Santo André seu segundo filho Alan nasceu.

Seu movimento seguinte foi para a cidade de Niterói, do outro lado da baía de onde está o Rio de Janeiro, onde procuraram também ajudar as igrejas ao redor daquela grande metrópole. Seu terceiro filho Kenneth nasceu em Niterói.

Mudaram-se então de volta para o Estado de São Paulo e ajudaram na igreja em Souzas, perto da grande cidade de Campinas.

Sua próxima mudança foi para o Estado do Paraná, onde moraram numa pequena casa atrás da casa de oração de Ahú de Baixo e ajudaram no trabalho ao redor daquela grande cidade. Aqui foi onde nasceu seu quarto filho, Eric.

Em seguida, mudaram para o norte, ao Estado de Minas Gerais, onde por alguns anos ele trabalhou como empregado na construção de uma grande usina hidroelétrica durante o dia, e continuou a evangelizar à noite. Dali ele também auxiliou igrejas como a de São Joaquim da Barra no Estado de São Paulo e igrejas no Estado de Minas Gerais. Hilda, a sua primeira filha, nasceu ali.

Depois de uma temporada na Irlanda do Norte em 1957/58 eles voltaram para ajudar a pequena igreja em Vila Luzita por alguns anos. Edna, sua segunda filha e Leslie, seu quinto filho e caçula, nasceram em Vila Luzita.

Então mudaram para o Estado de Santa Catarina, ao sul do Paraná, morando na cidade de Joinville onde algumas almas foram salvas.

O movimento seguinte foi de volta para o Estado do Paraná, primeiro para a cidade de Maringá e mais tarde mais para o interior, para a distante área rural de Japurá. Havia uma igreja em Japurá e mais tarde foi instituído um centro para conferências. Enquanto estavam ali, puderam ajudar igrejas novas como aquelas em São João do Ivaí, Paranavaí e Umuarama.

Alguns anos depois mudaram para um vilarejo chamado Quatro Barras, nos arredores de Curitiba, onde deram início a uma pequena igreja, e puderam ajudar outras igrejas inclusive a que se encontra em Vila das Oficinas. Em Quatro Barras também se estabeleceu um centro de conferências.

Continuaram trabalhando a partir da base em Quatro Barras até que, devido a problemas ligados ao avanço da idade, não puderam regressar mas continuaram em contato com os santos ali por correspondência, e-mail ou telefone.

Embora tenham passado a maioria dos seus anos no Brasil nos Estados de São Paulo e Paraná, muitas vezes viajaram para outras partes do país, desde o norte, nas margens do Amazonas, ao sul no Rio Grande do Sul, para apontar os pecadores a Cristo e ajudar, e ter comunhão com o povo de Deus.

Eles tiveram experiência das bênçãos e da bondade de Deus e da Sua presença em cada passo do caminho. O que fizeram por Ele foi tudo anotado por Aquele que é capaz de avaliar o que foi ouro, prata, madeira ou palha. Quão pouco é o que é feito por Ele, quando pensamos no que Ele fez por nós!

No início de maio de 2006 ele foi hospitalizado várias vezes. No dia 18 de maio ele foi chamado ao lar para estar com o Senhor.

Ele gozava do carinho de muitos e isto se refletiu nos e-mails que têm chovido do Brasil recentemente. Ele amava o povo brasileiro e os brasileiros, por sua vez, amavam George e Martha.

Como sinal do seu carinho o povo decidiu dar o nome de "Dona Martha Orr" a uma pequena escola. Uns dois meses antes do seu passamento ele recebeu um e-mail de uma igreja no Brasil que lhe deu muita alegria. O texto dizia que "Cornélio quer que o Senhor George saiba que ele se tornou um cristão." Cornélio tinha resistido ao Evangelho por muito tempo, mas agora, que alegria quando uma semente plantada décadas atrás dá fruto.

2 Julho de 2006

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Chamado para Obra Missionária: Jaime D Crawford

Relato biográfico do obreiro missionário James Crawford e sua falecida esposa Da. Jenny.

Relatado por Jaime D. Crawford


Quando eu tinha seis anos de idade meus pais se mudaram da cidade de Glasgow para um sítio em Newton Mearns, onde fui criado. Nós assistíamos às reuniões na igreja na aldeia de Newton Mearns, a 7 km do sítio. Para chegar lá, andávamos 2 km a pé e depois 5 km de ônibus, mesmo assim era difícil o meu pai perder uma reunião. Não havia “obreiro em tempo integral” na nossa igreja, mas cada irmão e irmã contribuía para o bem estar de todos.

O meu pai iniciava os hinos na reunião da Ceia e gostava muito de trabalhar com crianças, o que eu também gosto de fazer até o dia de hoje. Anualmente a igreja convidava um evangelista para realizar uma campanha de evangelização e, de quando em quando, recebíamos ensinadores para ministrar a Palavra.

Na casa dos meus pais sempre havia visitas, alguns por motivo de saúde e outros missionários de várias partes do mundo: Índia, África e América do Sul. Tive a oportunidade de conhecer muitos dos “pioneiros” na Obra do Senhor em várias partes e vibrávamos quando davam os seus relatórios na nossa igreja.

Eu me converti na adolescência e, terminando os anos escolares, comecei a trabalhar com o meu pai no sítio. A juventude foi passada à sombra da 2a Guerra Mundial (1939–1945), durante a mesma o lema foi “economia em tudo!”. Sem dúvida durante aqueles anos aprendi muitas lições que serviram bem na obra missionária.

Durante a guerra fui batizado e comecei a namorar uma moça chamada Jenny Allan, cujos pais reuniam-se na mesma igreja. Já estávamos começando a nos envolver com os trabalhos da igreja e em 1946 recomeçaram as reuniões ou conferências (semelhantes as da “IDE”), duas vezes por ano, na cidade de Glasgow. Nós queríamos assistir às reuniões em um local, mas estava completamente lotado e aqueles que não cabiam no salão foram encaminhados para um outro lugar onde conseguimos assistir à uma das conferências, não onde tínhamos a intenção de ir, mas o pregador Sr. Archie Naismith nos desafiou de tal maneira que resolvemos entregar as nossas vidas ao Senhor.

Após a reunião fiquei com medo de comentar algo com a Jenny (do fato) que Deus havia falado comigo e pensei: “ela pode não ter sentido Deus falando com ela e dizer que termina por aqui o nosso namoro”. No outro fim de semana quando nos encontramos, tomei coragem e falei com ela, e ela disse: “mas eu pensei que ele estava falando só comigo e já decidi, vou fazer enfermagem”. A Jenny deixou o seu emprego como secretária em um escritório e ingressou na Victoria Infermary para um curso de cinco anos aprendendo enfermagem. Os irmãos da igreja me ajudaram muito e me animaram a estudar os cursos por correspondência da Escola Bíblica Emaús, e envolver-me mais no trabalho da igreja.

A Obra do Senhor no Brasil estava sempre perante nós, porque a minha irmã Leila estava no Brasil junto com o seu marido William Maxwell, servindo ao Senhor desde 1938. Quando voltaram para Escócia em 1946 ficaram uns meses no sítio dos meus pais.

Em 1950 e 1951 passei as férias ajudando o irmão Willie Scott, um evangelista no sul da Escócia, e aprendi muito com ele. Mais tarde ele abriu o primeiro lar para crentes idosos entre os irmãos no Reino Unido. Quando faleceu o jovem missionário Alex Simpson, que servia na Escócia e no Brasil, os irmãos em Greenview Hall, Pollokshaws, realizaram uma reunião especial e um dos pregadores foi o irmão Leonard Nye, de Sacramento-MG, Brasil, e novamente senti o desejo de ir preencher as “brechas nas fileiras”.

Casamos em dezembro de 1951 e recebendo a recomendação da igreja partimos para o Brasil em abril de 1952. Durante os anos de preparação para servir o Senhor no Brasil, juntamos das nossas economias o suficiente para pagar a viagem da Escócia para o Brasil e também nos sustentar no período de transição.

Após esse período, o Senhor assumiu a responsabilidade de suprir TODAS AS NOSSAS NECESSIDADES: espirituais, emocionais e materiais, e depois de 51 anos o nosso testemunho é que DEUS É FIEL apesar da nossa INFIDELIDADE.

Chegamos a Santos no dia 20/04/1952, domingo, depois de uma viagem marítima de dezoito dias. Os irmãos William Maxwell, Harry Ruston e George Orr estavam ali para nos recepcionar e ajudar-nos a passar pela alfândega, uma tarefa sempre traumática! Depois subimos para São Paulo onde ficamos com Sr. Ricardo e D. Maria Jones até segunda-feira à noite, quando iniciamos a viagem para Uberaba, onde chegamos na tarde de terça-feira. Guilherme e Leila haviam preparado um quarto espaçoso para nós, ficamos e nos reunimos com eles na casa de oração local até janeiro de 1953. Eles foram os nossos professores na língua portuguesa e ao mesmo tempo nos ensinaram coisas importantes acerca da cultura brasileira.

No mês de julho daquele ano surgiu um problema grande na igreja em São Joaquim da Barra com a chegada de duas senhoras que tentaram desviar os crentes novos dos ensinos bíblicos, o que causou uma grande preocupação aos irmãos Guilherme e Leila, sendo eles os pioneiros do trabalho naquela cidade.

Em dezembro de 1952 eles sugeriram que nos mudássemos para aquela cidade a fim de dar apoio aos irmãos ali residentes. Julgamos que eles sabiam as necessidades da Obra muito mais do que nós e nos mudamos para São Joaquim da Barra em janeiro de 1953, que se tornou a nossa “Jerusalém” onde começamos a trabalhar na região.

Não somos “especialistas” em nada, mas aprendemos a fazer com toda a nossa energia TUDO que o Senhor coloca perante nós e para Ele “só o melhor serve”.

Desde a mocidade tem sido o nosso privilégio conhecer muitos servos do Senhor. Um deles, saindo da casa dos meus pais pela última vez, colocou sua mão na minha cabeça e disse: “Jaime, tenha um alvo alto e mantenha a cabeça baixa”; outro disse: “Sempre procure construir e manter unido o povo do Senhor”. Um outro que foi amigo íntimo até o seu falecimento disse: “Jaime, mantenha-se no meio do caminho, mesmo quando lhe borrifarem lama dos dois lados!”.

O mesmo Deus que nos chamou continua a chamar, basta colocar-nos em posição para ouvi-Lo, e, ouvindo-O, que estejamos dispostos a OBEDECER (Atos 26:19).

Jesus, Senhor e Mestre, quero entregar-me a Ti,
Pois sobre cruz sangrenta, por mim morreste ali.
Meu coração Te oferto por trono Teu Senhor,
Vem ocupar, sim, dominar meu ser, por Teu amor.

Cânticos de Sião No. 92

Adendo

O querido irmão Jaime Crawford, com sua esposa D. Jenny (recentemente chamada à presença de Deus)  há muitos anos tem perseverado na Obra do Senhor em São Joaquim da Barra-SP e arredores, além de ter contribuído com seus talentos para a 16a. Edição do hinário Hinos e Cânticos, e a fundação da Associação Cristã Editora que assumiu os direitos desse hinário.

17.7.2012

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Chamado para Obra Missionária: Richard Dawson Jones

Relato do chamado e início do trabalho na obra do Senhor pelo Sr Ricardo e Da. Maria Jones no Brasil.

Compilado por Grace Jones  

Algum tempo depois da sua conversão, meu pai começou a sentir que o Senhor o estava chamando para trabalhar em tempo integral como missionário no exterior. Ele era membro de uma igreja que se reúne em Clumber Hall, na cidade de Nottingham. Embora professor na escola dominical e bem ativo nos trabalhos de evangelização promovidos pela igreja, inclusive reuniões ao ar livre, ele sentia que o Senhor queria que ele fosse levar a mensagem do Evangelho a outro país mais carente.

A esta altura ele e minha mãe já eram noivos. Tanto ela como a família dela não gostavam da idéia, pois ela era a caçula em uma família bastante unida e amorosa. Mas, depois de se casarem, meu pai ainda sentia que Deus o estava chamando para o serviço missionário e sentia-se culpado por não obedecer.

Minha mãe continuava a resistir, até que um dia, enquanto estava ocupada com serviços caseiros e pensando sobre o assunto, um pensamento lhe veio à mente: "Deus me deu este marido, mas se eu tentar impedi-lo de fazer o que Deus quer que ele faça, Deus poderá levar meu marido para Si!". Foi um pensamento muito solene, portanto ela passou a pedir a Deus que se Ele realmente queria que eles fossem trabalhar como missionários, que Ele tirasse dela todo o seu medo e falta de vontade. Uma manhã, quando ela acordou, ela sentiu que realmente não tinha mais medo nem objeções. Então ela contou isso ao meu pai – deve ter sido um grande alívio para ele!

Como meu pai falava bem o francês, acharam que provavelmente iriam à Algéria ou ao Congo Belga, onde o francês é a língua oficial. Mas não tinham certeza, então continuaram orando e pedindo a Deus que os guiasse. Depois de algum tempo houve uma conferência missionária em Clumber Hall e, como era costume, havia uma banca com livros missionários à venda. Meus pais decidiram comprar um livro para cada um. Assim fizeram e o livro que minha mãe comprou foi "Aventuras com a Bíblia no Brasil" – escrito por um "colportor" no começo do século XX, chamado Frederick Glass.

À medida que lia o livro, ela passou a sentir uma grande certeza de que era o Brasil o país ao qual Deus os chamava, mas ela não disse nada ao meu pai e quando ambos haviam lido seus livros, eles os trocaram e cada um leu o livro do outro. Quando meu pai terminou de ler o outro livro, ele disse à minha mãe, no dia seguinte: "Tenho certeza de que Deus quer que vamos ao Brasil". É lógico, isso confirmou o que minha mãe havia pensado e foi assim que chegaram à decisão.

Informaram a igreja e depois de orarem sobre o assunto a igreja confirmou a decisão. Em seguida comunicaram à família da minha mãe, que foi muito do contra, e o pai dela até se negou a se comunicar com eles durante uns dois anos, quando já estavam no Brasil! Foi muito difícil para ela porque era uma pessoa muito amorosa. Mas, enfim, eles se reconciliaram e o pai dela começou a lhes escrever.

Chegaram ao Rio de Janeiro em 3 de dezembro de 1925 e foram acolhidos pelo irmão Percy Ellis e esposa, que não haviam conhecido previamente, mas que lhes hospedaram no seu próprio lar durante um mês. Depois alugaram um quarto para si e mais tarde ficaram na casa de uma família cristã enquanto esta foi viajar.

Depois de uns 9 meses no Rio a família voltou e meus pais acharam que já conheciam o idioma português o suficiente para começar a trabalhar por conta própria em outro lugar. Julgaram que deveriam ir para algum lugar onde não houvesse qualquer trabalho evangélico. Examinando o mapa do Brasil viram a cidade de Uberaba e acharam que talvez fosse um bom lugar para começar. Como ninguém soubesse muito acerca dessa localidade, depois de orar eles indagaram da Sociedade Bíblica do Brasil se podiam informar algo a respeito dessa cidade. A pessoa com quem falaram lhes disse: "Pelo que podemos ver pelos registros, não deve haver qualquer trabalho ali – faz anos que não temos qualquer pedido de Bíblia dali!" E foi assim que decidiram ir para Uberaba.

Naqueles dias a viagem do Rio até Uberaba só era possível de trem, via São Paulo, e era uma viagem longa e cansativa. A viagem durou quase dois dias e eles não conheciam ninguém – nem em São Paulo nem em Uberaba.

Em Uberaba eles inicialmente foram se hospedar num hotel barato. No dia seguinte à chegada, acharam que já era tempo de começar a pregar ao ar livre. Foram primeiro ao delegado de polícia para ver se seria necessária qualquer autorização oficial. Ele lhes perguntou o que iriam pregar e qual era a sua religião, em resposta meu pai abriu sua Bíblia em Mateus 5 e leu parte do Sermão da Montanha. Quando terminou, o delegado disse: "Se é isso que vocês vão pregar, esta cidade precisa disso – é uma verdadeira Babilônia!". Mas, só para ter certeza, ele iria consultar o quartel-general em Belo Horizonte, e pediu-lhes que voltassem no próximo dia.

Mais tarde, naquele mesmo dia, eles estavam sentados num banco numa praça da cidade e uma senhora sentou-se ao lado deles e começou a conversar. Quando ela ouviu que eram missionários evangélicos, ela disse: "Esta cidade é muito religiosa!". Mais tarde, pela experiência, descobriram que ambas as afirmações eram verdadeiras.

No dia seguinte voltaram ao delegado que havia recebido uma resposta positiva de Belo Horizonte – eles poderiam ter suas reuniões, contanto que não se envolvessem de qualquer maneira com política, que logicamente eles não tencionavam fazer. No mesmo dia, à noite, fizeram a sua primeira reunião ao ar livre numa praça, só os dois. Começaram a cantar e, como ambos tinham boas vozes, atraíram um grupo de pessoas, a quem foi pregada a primeira mensagem do Evangelho. Eles notaram que havia soldados estacionados nos quatro cantos da praça! Evidentemente o delegado não queria qualquer problema ou talvez os soldados estavam ali para proteger esses estrangeiros. E foi assim que tudo começou!

Desde aquele dia, em 1926, o Evangelho tem sido pregado fielmente em Uberaba e mais tarde em muitas cidades e aldeias circunvizinhas. De certo meus pais ficariam muito surpresos e felizes se soubessem quantas casas de oração existem agora no Triângulo Mineiro e por todo o Brasil!


Adendo

O Sr Ricardo e Da. Maria Helena, meus progenitores, exerceram um profícuo trabalho de evangelização e ensino, verbalmente e através de livretos, revistas e notas para professores de Escolas Dominicais, nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, sendo levados à presença do Senhor já idosos mas ainda firmes no trabalho quando residiam em Piracicaba-SP.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Chamado para Obra Missionária: William (Guilherme) Maxwell

Relato biográfico de como o irmão William Maxwell e sua esposa Da. Leila foram chamados da Escócia para a obra do Senhor no Brasil.

Nesta série em que estudamos a maneira como o Senhor tem chamado missionários para o Seu serviço, passamos ao segundo dos exemplos tirados de vidas de missionários que deixaram suas pátrias para trabalharem no Brasil. Trata-se do querido irmão William (Guilherme) Maxwell, que acaba de completar seus 94 anos de idade e ainda se encontra ativo no trabalho em Uberaba-MG, e sua saudosa esposa Da. Leila.

Sua filha Agnes (Ana) teve a gentileza de fazer o relato para publicação, e diz: “O meu pai sempre tem prazer em contar como foi o seu chamado para o campo missionário e vou tentar reproduzir sucintamente, usando as suas próprias palavras”:

Compilado por Agnes Maxwell Penna

Eu me converti aos doze anos, depois de ouvir uma mensagem onde o pregador citou o versículo: “o meu Espírito não agirá para sempre no homem” (Gn. 6:3), e como era a terceira vez que Deus me convencia do pecado e da necessidade do arrependimento para a conversão, senti naquela noite como se fosse 'agora ou nunca' e me entreguei ao Senhor Jesus como meu Salvador.

Nestes anos todos, fui infiel muitas vezes, tive dias de fraqueza espiritual, mas nunca, nunca duvidei da minha salvação. Cresci junto com meus irmãos (que eram quatro, mais uma irmã) e os jovens da igreja, freqüentando todas as reuniões e participando, na medida do meu crescimento, de todas as atividades da igreja local - Shiloh Hall, Glasgow, Escócia.

Junto com um grupo de amigos fazíamos pregações ao ar livre no centro de Glasgow, e eu era um dos ”Acampantes da Tenda Verde do Evangelho“, passávamos parte das nossas férias armando a nossa barraca em algum lugar de praia ou em alguma vila no campo e não só descansávamos, mas também pregávamos o Evangelho.

Namorei uma jovem, amiga desde a infância, a Leila Crawford, e já durante o namoro conversávamos sobre o desejo de servir ao Senhor onde Ele nos mostrasse, com algum interesse no exterior, mais especialmente Índia ou África. A Leila então resolveu estudar enfermagem sentindo que com isto estaria mais preparada para servir ao Senhor. Casamo-nos em 1936, eu trabalhava como vendedor, montamos o nosso lar em um apartamento muito bonitinho e continuamos muito felizes trabalhando e ajudando os irmãos de Shiloh Hall nas diversas atividades.

Certa noite, depois de uma reunião, voltávamos a pé para casa na companhia de outra irmã de mais idade, que a certa altura nos disse: "Willie, eu sempre achei que você estaria ocupado no serviço do Senhor". As suas palavras tiveram um forte impacto, mas eu ri e respondi: “Eu estou ocupado no serviço do Senhor”, ao que ela retrucou seriamente: “Você sabe muito bem o que eu quero dizer”. E eu sabia mesmo! Aquela noite eu e Leila conversamos e oramos mais uma vez colocando-nos à inteira disposição do Senhor.

Porém, em vez de as portas se abrirem diante de nós, aconteceu o contrário e eu contraí uma enfermidade, muito séria para a época - tuberculose! E agora, Senhor? O que fazer? O que será do nosso chamado?

Começou então um período de tratamento muito sério, no qual fui muito ajudado pela minha esposa e sua família, ficando hospedado por alguns meses na fazenda dos seus pais onde o ar era mais puro. Durante todo este período tínhamos sempre em mente que o Senhor nos chamara, e que este era apenas um período transitório de espera e de treinamento para o serviço que viria a seguir.

Finalmente o médico deu o diagnóstico de que eu estava curado e as portas começaram a se abrir novamente. Ouvimos, certo dia, o relatório de um missionário que trabalhava na Argentina e o nosso coração foi tocado, mas o caminho não se abriu para aquele país, embora as nossas atenções já estivessem voltadas para a América do Sul. Logo depois veio às nossas mãos um livro chamado “Aventuras com a Bíblia no Brasil" escrito por F.C.Glass, contando a sua experiência como colportor e suas aventuras distribuindo e vendendo Bíblias.

Nesta época, também tivemos o privilégio de receber em nossa casa para um fim de semana o Sr. John Murray, convidado pela igreja local para uma série de reuniões especiais. Esta era a sua primeira viagem de volta à Escócia, bastante doente devido à verminose que o atacara. Falou-nos do trabalho no interior de Minas Gerais, em Ituiutaba, e da necessidade de mais obreiros naquele grande país.

Mais ou menos na mesma época ficamos conhecendo o Sr. Edward Hollywell, que servia ao Senhor em São Paulo, que também nos contagiou com seu entusiasmo pelo trabalho do Senhor naquele país tão grande e para nós praticamente desconhecido. Sentimos então com certeza que o Senhor nos chamava para o Brasil. Era uma convicção serena que resultou em paz e alegria interior. Durante todo este tempo os irmãos de Shiloh Hall nos deram todo o seu apoio em ajuda e oração.

Começamos os preparativos e depois de alguns meses partimos da Central Station em Glasgow, no dia 25/03/1938, quando um grupo grande de irmãos (umas duzentas pessoas) foi se despedir de nós. Enquanto o trem lentamente deixava aquela plataforma os nossos jovens corações batiam mais fortes sentindo já a saudade que seria nossa companheira pelo resto dos nossos dias e ao mesmo tempo a força e o poder que o Senhor nos dava, junto com o desejo ardente de levar a gloriosa mensagem do Evangelho àqueles que não a conheciam. Enquanto o trem ganhava velocidade ouvíamos cada vez mais longe as vozes que cantavam, até que o único som era o do trem que nos levava para cada vez mais longe dos nossos queridos, e o nosso coração se elevava ao Senhor em oração para que Ele nos abençoasse e nos usasse no Brasil.

Partimos de Londres no dia seguinte a bordo do navio Highland Monarch. Enquanto observávamos a terra se distanciar cada vez mais, que desolação encheu o nosso coração. Ansiedade, saudade, expectativa... Fortalecemo-nos, porém, no Senhor lembrando que Ele estaria conosco onde quer que fôssemos, e o que poderíamos desejar mais? Chegamos a Santos depois de 22 dias de viagem, após termos passado por Recife e Salvador onde a beleza deste país, já amado por nós, acabou de nos conquistar.

Em São Paulo, fomos recebidos pelos irmãos Sr. Edward Hollywell e Sr. Frederick Smith, com quem ficamos hospedados por alguns meses aguardando a direção do Senhor quanto ao próximo passo. Depois de uma passagem rápida por Ituiutaba, fomos para São Joaquim da Barra onde pudemos ver almas salvas e uma igreja estabelecida. Depois da morte do Sr. Alexandre Simpson em 1950 mudamo-nos para Uberaba, onde estou até hoje, sempre na dependência da direção do Senhor.

NR. Este amado irmão foi levado ao céu pelo Senhor para estar em Sua presença em 15 de agosto de 2005.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Ciência

A teoria da evolução é anti-ciência e anti-conhecimento. Se a evolução fosse verdade, ciência seria impossível porque não haveria razão para aceitar a uniformidade da natureza da qual dependem toda a ciência e a tecnologia. Não haveria mesmo razão para pensar que uma análise racional seria possível,

“… Guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência…”

1 Timóteo 6:20

Esta recomendação feita pelo apóstolo Paulo a Timóteo, salta aos olhos por ser tão aplicável em nossos dias quanto o foi naqueles dias do início do cristianismo. É mais do que uma recomendação: é um mandamento essencial para que se mantenha a integridade da mensagem da Palavra de Deus.

O depósito referido aqui é a bagagem de conhecimentos confiados a Timóteo, as doutrinas sadias e verdadeiras da fé Cristã. “Guarda o depósito” é a linguagem que se usaria para colocar uma coisa valiosa numa caixa-forte, protegida dos ladrões e salteadores. Timóteo acumulou esses conhecimentos desde a sua meninice, tendo Paulo contribuído com seus próprios conhecimentos na maturidade de Timóteo.

A fé cristã se consolidou na Bíblia, a Palavra de Deus, e ela tem sofrido ataques e oposições através dos tempos, mas manteve a sua integridade até os nossos dias devido à fidelidade de servos de Deus que a têm guardado em segurança contra os ataques do inimigo. Estes ataques têm sido de forma física, procurando impedir a distribuição da Bíblia, e de forma ideológica, combatendo o que ela ensina.

A falsa ciência, nos tempos do início da igreja, quando viviam Paulo e Timóteo, era em sua maior parte as doutrinas dos gnósticos, que diziam ter conhecimentos secretos superiores e procuravam confundir os crentes novos com as suas doutrinas. Hoje ainda temos no mundo o equivalente dos gnósticos e também uma grande quantidade de outros ensinos alheios à Palavra de Deus.

Sem dúvida a maior “ciência” antagônica ao Evangelho, e a mais insidiosa, é a que, curiosamente, se dá o nome de “ciência”. Ela é considerada a ciência por excelência, e tem sido tão convincente que é ensinada nas escolas a partir da infância, sem admitir contradições, nem mesmo as sérias objeções vindas da Palavra de Deus.

Essa falsa ciência tem como base as teorias imaginadas por um naturalista do século 18 chamado Darwin, cujo nome é agora conhecido em todo o mundo por ter dado início às teorias da “evolução”. Estão tão disseminadas que qualquer pessoa que passou pela escola, mesmo apenas fazendo o curso primário, sabe do que se trata.

Alguns evolucionistas têm sustentado que não é possível ter ciência sem crer na teoria da evolução - isso mesmo, é uma crença, uma fé, a religião do ateísmo. Ensinam que a ciência e a tecnologia atual exigem acreditar nos princípios da evolução das moléculas sem vida até chegar ao homem, para que possam ser compreendidas e desenvolvidas. Chegam a afirmar que aqueles que crêem na criação bíblica estão em perigo de não entender a ciência.

Isto é irônico, porque a evolução na realidade contraria os princípios da verdadeira ciência, que definimos como a constatação e prova das causas e efeitos dos fenômenos observados na natureza. Se a evolução fosse verdade, o conceito de ciência não faria sentido. Somente as verdades bíblicas da criação dão realidade à ciência.

A verdadeira ciência pressupõe que o universo é lógico e ordeiro, e obedece leis matemáticas que são consistentes através do tempo e do espaço. Mesmo quando as condições em regiões do espaço e em épocas diferentes forem bastante desiguais, ainda se observará uma uniformidade porque essas leis não mudam arbitrariamente, embora as condições e os processos específicos possam ser alterados. Por causa dessas leis, os cientistas podem muitas vezes prever, por exemplo, as posições dos astros em uma data futura. Tais previsões seriam impossíveis se não houvesse consistência nos fatos, o que é inexplicável pelo evolucionismo.

Mas quem crê na criação sabe que existe ordem no universo porque Deus fez todas as coisas (João 1:3) e impôs ordem sobre ele. A Bíblia ensina que Cristo sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:3), o que torna possível a todas as regiões do universo funcionarem de uma forma lógica e ordeira, como se obedecessem a um sistema legal (Jeremias 33:25) e consistente (1 Samuel 15:29, Números 23:19), mesmo em condições físicas muito diversas. Nota: a Bíblia não ensina que os processos atuais são idênticos aos existentes no passado, como falsamente ensina o “uniformitarianismo”.

Deus não está limitado pelo tempo ou pelo espaço (2 Pedro 3:8, Salmo 139), mas mantém a consistência do universo para o nosso benefício. Ele nos garantiu que podemos contar com ela (Gênesis 8:22). Mas Ele próprio não está preso às Suas leis, haja vista os sinais registrados tanto no Velho como no Novo Testamento. Estes princípios cristãos são absolutamente essenciais para a verdadeira ciência, tanto em suas experiências como em suas previsões.

Os evolucionistas dependem dos princípios bíblicos de consistência e uniformidade para desenvolver a sua “ciência”, mas rejeitam a Bíblia que é a fonte. São inconsistentes ao fazer isso. Declaram que o universo não segue um plano racional, mas baseiam sua “ciência” em leis consistentes e uniformes que exigem um Autor racional. No íntimo sabem da existência do Deus bíblico (Romanos 1:19-20), mas professando a falsa ciência eles se desviaram da fé (1 Timóteo 6:21).   

O cristão pode usar uma experiência do passado como orientação para o que vai acontecer no futuro porque, de certa forma, Deus nos prometeu que o futuro vai refletir o passado (Gênesis 8:22). Mas os que rejeitam o Gênesis não podem raciocinar qual é o motivo porque existe uniformidade na natureza. Uma resposta como: “sempre foi, portanto sempre será assim” não é científica, faltando causa e efeito. Também “é natural para a matéria funcionar sempre de maneira regular”, atribuindo regularidade como propriedade do universo, tem a mesma falha. A verdadeira ciência exige explicar por que a regularidade é propriedade do universo.

Se a evolução fosse verdade, não haveria qualquer motivo racional para acreditar nela! Se a vida fosse o resultado da evolução, então o cérebro do evolucionista seria apenas o resultado de milhões de anos de processos acidentais. O cérebro seria apenas uma coleção de reações químicas preservadas porque teriam tido algum valor para sobrevivência no passado. Se a evolução fosse verdade, então os pensamentos do evolucionista seriam simplesmente o resultado de uma reação química através do tempo. Portanto, um evolucionista deve pensar e dizer que “evolução é verdade” não por razões racionais, mas como conseqüência inevitável de uma química cega. Uma análise realmente científica pressupõe que a mente humana não é só um processo químico. A razão pressupõe que temos liberdade de considerar conscientemente as várias opções e escolher a melhor. O evolucionismo subverte as condições preliminares para o pensamento racional, destruindo assim até mesmo a possibilidade de haver conhecimento e ciência.

Resumindo, concluímos que evolução é anti-ciência e anti-conhecimento. Se a evolução fosse verdade, ciência seria impossível porque não haveria razão para aceitar a uniformidade da natureza da qual dependem toda a ciência e a tecnologia. Não haveria mesmo razão para pensar que uma análise racional seria possível, porque os pensamentos da nossa mente não seriam mais do que um resultado inevitável de reações químicas irracionais. Os evolucionistas só conseguem usar ciência e ganhar conhecimento porque são inconsistentes: dizendo acreditar em evolução, aceitam os princípios da criação bíblica.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Coloquem suas mãos sobre mim

Na igreja primitiva as mãos não transferiam algo invisível, como uma corrente magnética, mas o gesto de impor as mãos era uma expressão visível do desejo por parte de quem o fazia de que Deus concedesse determinada coisa à pessoa sobre quem impunha as mãos. Era um gesto simbólico, apenas.

 

Porque não se usa mais a "imposição de mâos", tão praticada pelo Senhor Jesus e os Seus discípulos?

Essa é uma das perguntas que nos foi dirigida, e a ouvimos com certa freqüência. Esse ato ainda é praticado em várias igrejas, mas realmente não o é na maioria delas.

A imposição de mãos foi considerada pelo autor de Hebreus como um dos princípios elementares da doutrina de Cristo, junto com a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, o ensino de batismos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno (Hebreus 6:1 e 2). Todas essas coisas são fundamentos encontrados no Velho Testamento que nos levam a Cristo.

No Velho Testamento, impor as mãos sobre a cabeça de um animal é símbolo não tanto da dedicação ou consagração do animal como oferta ou holocausto a Deus, mas da identificação do sacerdote ou do ofertante com o animal, que passava assim a representá-lo na sua morte ou banimento (Levítico 1:4, 16:21). O animal era uma figura de Cristo, que realmente tomou o nosso lugar quando morreu na cruz.

No Novo Testamento vemos que a imposição de mãos tem um significado bem diferente disso: ela era usada quando se abençoava (Mateus 19:15, Marcos 10:16), e quando se curava (Marcos 6:5, 7:32, Atos 28:8). Os apóstolos ainda impuseram as mãos, em apenas algumas situações, ao dotarem o Espírito Santo e outros dons (Atos 8:17-19, 9:17, 19:6, 2 Timóteo 1:6), assim como os presbíteros da igreja (1 Timóteo 4:14). Ananias, um simples discípulo, impôs suas mãos sobre Saulo no mesmo sentido (Atos 9:17) e Paulo instruiu Timóteo a não impor precipitadamente as mãos em ninguém (1 Timóteo 5:22).

As mãos não transferiam algo invisível, como uma corrente magnética, mas o gesto de impor as mãos era uma expressão visível do desejo por parte de quem o fazia de que Deus concedesse determinada coisa à pessoa sobre quem impunha as mãos. Era um gesto simbólico, apenas.

O que aconteceu com Timóteo é um exemplo disto: lemos que ele recebeu um dom mediante a imposição das mãos do presbitério (1 Timóteo 4:14), e que recebeu um dom mediante a imposição das mãos do apóstolo Paulo (2 Timóteo 1:6). Seriam duas ocasiões e portanto dois dons diferentes? Não nos foi especificado qual seria esse dom, ou dons, mas as circunstâncias parecem indicar que o dom foi um só e que lhe teria sido transmitido em uma única ocasião, como segue:

Primeiro houve profecias a respeito de Timóteo, e por meio delas Paulo foi guiado até Timóteo percebendo que ele fora designado para algum serviço especial. Mediante o ato formal de Paulo ao impor as suas mãos sobre ele, diante dos presbíteros da igreja, o Senhor lhe deu o dom de que precisava; os presbíteros reconheceram o que o Senhor havia feito, impondo as suas mãos também sobre Timóteo. Assim o dom veio com a imposição das mãos de Paulo e as dos presbíteros.

Seja como for, sabemos que todo dom provém de Deus (Atos 8:20; 11:17; 1 Coríntios 1:4-8, 7:7, Tiago 1:17), e naqueles primórdios da igreja Ele estava usando seus servos para fisicamente ilustrar a graça que Ele estava concedendo aos que punham a sua fé em Jesus Cristo. Assim, em muitos casos, a legitimidade desses servos era evidenciada quando o dom era concedido no momento em que as suas mãos eram impostas. Paulo, por exemplo, usou isto para provar a sua credencial como apóstolo legítimo (Atos 19:11, 2 Coríntios 12:12).

Isto não acontece mais hoje, pelo mesmo motivo que não vemos mais os sinais dos apóstolos - curas, milagres, profecias, conhecimento instantâneo de idiomas estrangeiros - que assinalaram o início da igreja de Cristo. A fé de Cristo, entendendo-se com isto o conjunto de ensinamentos dados mediante os seus apóstolos e profetas, chegou à sua maturidade (o “perfeito” de que lemos em 1 Coríntios 13:8-10) com a revelação de Cristo no Apocalipse. Temos já escrito na Bíblia para nós tudo o que necessitamos para crescer no conhecimento de Deus e de Cristo e chegar também ao nosso amadurecimento espiritual. Certamente Deus ainda nos concede dons espirituais para o benefício da igreja local, dentre eles sendo o mais excelente o amor, que devemos a todos os nossos irmãos na fé. Esses dons nos são concedidos pelo Espírito Santo como lhe apraz, na medida da necessidade, visando a um fim proveitoso.

Finalmente, lemos também que, em uma ocasião, a dedicação dos diáconos a serviço da igreja em Jerusalém foi marcada com a imposição de mãos pelos apóstolos. Claramente foi um gesto simbólico, feito enquanto oravam para que Deus lhes concedesse os dons necessários para desempenharem a sua missão. Era parte da atitude de intercessão por eles, não a garantia de que os dons haviam sido concedidos. Alguns também o consideram como um símbolo de identificação com o obreiro, demonstrando a sua solidariedade com ele em seu trabalho (Atos 13:2).

Um gesto simbólico dessa natureza não é condenável hoje, e é praticado por igrejas em vários lugares. Pode, no entanto, ser mal interpretado com o risco de um maior significado ser atribuído ao ato, elevando-o a um ritual necessário para a eficácia das orações, razão porque não é de uso generalizado.

Creio ser oportuno, embora não diretamente ligado a esse assunto, esclarecer algo sobre a atitude da igreja local para com os que são separados para a obra missionária.

  • Em primeiro lugar, deve haver convicção de que foram realmente chamados pelo Espírito Santo, a exemplo da igreja de Antioquia;
  • em segundo lugar, os membros da igreja devem ser solidários com eles, orando por eles (Atos 13:2);
  • em terceiro lugar, devem prover para o seu sustento, como escreveu o apóstolo João a Gaio: “Bem farás encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus; pois por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios. Portanto, devem acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade”;
  • em quarto lugar, devem lhes dar cartas de recomendação para que possam ser recebidos nas igrejas onde forem, como irmãos enviados legitimamente para a missão.

As cartas de apresentação com a recomendação evidentemente eram uma norma nas igrejas primitivas (2 Coríntios 3:1) assim como se fazia nas sinagogas (Atos 9:2). Lemos sobre os problemas que surgiram em Antioquia, Síria e Cilícia quando foram recebidas ali pessoas vindas de Jerusalém sem nenhuma autorização desta igreja, e a carta de apresentação que foi dada por ela a Judas e Silas quando foram a Antioquia, embora estivessem na companhia de Barnabé e Paulo (Atos 15:22-24). Às vezes o apóstolo Paulo incluía uma recomendação do portador da carta à igreja a quem era destinada (Efésios 6:21, Colossenses 4:7-9).

Com a vinda da comunicação eletrônica, aqueles que dispõem de acesso à Internet vão encontrar em nosso site uma relação de obreiros, quase todos em território brasileiro: obviamente a lista é limitada a apenas alguns de quem temos os dados necessários. É um pequeno catálogo apenas, para facilitar a sua identificação e conhecer a sua origem e local atual de trabalho. Esperamos que possa ser de boa utilidade na obra do Senhor.

 

 

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Consciência limpa

Deus Se desagradou com o povo de Israel por causa do seu orgulho e falta de confiança em Deus, demonstradas pelo seu rei Davi quando recenseou o povo, e o povo foi castigado por isso.

1 Pedro 3:13-22

É natural esperar que aqueles que se tornam seguidores daquilo que é bom vão ser respeitados e ninguém lhes fará mal. A expressão no grego original é bem forte: “se fordes fanáticos (em vez de zelosos) do bem”. Sem dúvida é uma referência aos três versículos precedentes, que é o “caminho da felicidade”. Mesmo entre os descrentes, existe geralmente aprovação dos que são cumpridores da lei e irrepreensíveis em seu comportamento social e doméstico.

No entanto, é bem possível que se incorra em sofrimento “por amor da justiça”, isto é, por causa da fidelidade ao Senhor: como o mundo O odiava, o mundo também odiará aos que O seguem. Bem-aventurados são os que sofrem por esse motivo, porque deles é o reino dos céus (Mateus 5:10). O profeta Isaías foi instruído a não andar no caminho pecaminoso do povo do seu tempo, nem se atemorizar com as suas ameaças, nem se assombrar (Isaías 8:11-13), e essas palavras são aqui repetidas para os crentes que se encontrarem em situação semelhante.

Sofrer por amor da justiça deveria, portanto, trazer júbilo ao filho de Deus (Atos 5:41) e lhe dar motivo para glorificar a Deus (1 Pedro 4:16).  Não é que deveríamos procurar ser perseguidos, de propósito, mediante uma atitude ofensiva aos outros em nosso testemunho, mas se simplesmente tomarmos uma posição firme pela justiça de Deus na maneira em que falamos e agimos, deveríamos nos regozijar se sofrermos por isso. Não vamos escapar ao sofrimento no mundo se formos obedientes ao Senhor. Alguém já disse “o cristianismo é um banquete, mas nunca um piquenique”. Nunca nos é dito que vamos ter uma passagem fácil por aqui.

Ao invés de ter medo, devemos santificar o Senhor Deus, ou talvez melhor, Cristo como Senhor de nossos corações – uma adaptação de Isaías 8:13...  “a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro”. Em nossas vidas hoje precisamos santificar o Senhor em nossos corações. Habacuque escreveu: “Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2:20). No domingo, por exemplo, o mundo vai passando em direção aos supermercados e diversões, e não O estão respeitando. E nós?

Devemos estar sempre prontos para explicar, quando perguntados, a razão da nossa fé e da esperança que impulsiona nosso comportamento, tendo um domínio inteligente da matéria e habilidade em apresentá-la, com mansidão e temor do Senhor, não do homem. Aqui novamente vemos como é necessário para nós conhecermos mais do que só um pouquinho da Bíblia.

Tragicamente existem hoje tantos que se dizem cristãos, mas qualquer cético, apóstata ou herege é capaz de enredá-los de tal forma que são incapazes de encontrarem a saída. Por quê? É porque eles não conhecem a Palavra de Deus. Dependem inteiramente do seu ministro ou pastor quanto aos assuntos básicos da fé, e são facilmente levados ao engano por falsos mestres e argumentos sofísticos.

Desde quando Adão e Eva comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal, a humanidade foi dotada de uma consciência: a habilidade de distinguir entre o certo e o errado. A consciência é corrompida pelo pecado, e pode se tornar incerta, mas quando a mente é renovada pelo novo nascimento no Espírito Santo e instruída pela Palavra de Deus, que a torna sensível ao que é certo e errado aos olhos de Deus, ela merece confiança outra vez. Isso também destaca o valor e importância do crente procurar as Escrituras a fim de instruir a sua mente e coração nas coisas que agradam a Deus.

Os crentes são, portanto, instruídos a manterem uma consciência limpa: falar e comportar-se de uma maneira que agrade a Deus, para que não tenham do que se arrepender depois.

Mas algumas pessoas ainda estarão inclinadas a falar mal contra os filhos de Deus e de se oporem aos que vivem conforme os padrões de Deus. Não gostam dos que são bons demais, assim como condenam os que são maus demais. Este é o caso em que a luz mostra as obras das trevas que eles praticam, e isto eles odeiam (João 3:20). Se nos assegurarmos que aqueles que falam de nós estão errados, os que estiverem observando deixarão de dar crédito aos caluniadores mediante a evidência de nossas ações, e se envergonharão, se não agora, certamente no Dia do Juízo. Os rumores caluniosos a nosso respeito não nos incomodarão porque sabemos que não são verdadeiros.

Por ser a vontade de Deus, é melhor sofrer fazendo o bem e mantendo uma consciência limpa do que sofrer merecidamente por fazer o mal. Em outras palavras, se tivermos que sofrer, que seja diretamente pela mão de Deus e não por alguma culpa nossa. Deus tem uma boa razão para permitir que soframos injustamente: tem a ver com provação e a bênção que se segue. Realmente, a mensagem é, sobretudo, que a bênção vem ao que sofre por fazer o bem.

O supremo exemplo é visto em Cristo, que foi odiado pelo bem que dizia e fazia e foi morto por isso.  Ele sofreu pelos nossos pecados, não os Seus, porque Ele não tinha nenhum. Foi na Sua humanidade que deu a Sua vida por nós na cruz, e foi o Espírito Santo que O levantou dos mortos. Em Seu caso a bênção veio para nós, que cremos n’Ele, pois era a única maneira pela qual podíamos ser reconciliados com Deus.

Pagou a penalidade pelos nossos pecados quando deu a Sua vida. Os pecados nos separavam de Deus (Isaías 59:2) – fizeram-nos morrer para Ele – e só podiam ser perdoados depois que Ele pagou por eles. Ele era justo, portanto perfeitamente aceitável diante de Deus em todos os sentidos. Sua morte foi uma obra suficiente, completa e acabada, de uma vez por todas satisfazendo a justiça de Deus. Trouxe-nos de volta à comunhão com Deus – reconciliando-nos – e esta é a vida que nunca mais se extinguirá, eterna.  

Os versículos 19 e 20 têm sido a causa de muita controvérsia através dos tempos, sendo oferecidas muitas interpretações, e são usadas até mesmo pela instituição católico-romana para justificar a sua invenção do purgatório, que é completamente estranha a todo o outro ensino, muito claro, na Bíblia. A palavra-chave a toda essa passagem está no versículo 20: é a pequena palavra “quando”.

Estes versículos são claramente uma digressão do tema principal, e nos levam para uma época em que a ira de Deus contra a humanidade foi tal que Ele destruiu todo o mundo menos a família de Noé, ao todo oito almas. Quando foi que Cristo pregou às almas em prisão? “Quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé”, não depois que Ele morreu na cruz!

Somos informados que, mesmo naquele tempo, o Espírito Santo, às vezes chamado de Espírito de Cristo da mesma forma que Espírito de Deus, falou ao povo através de Noé – durante 120 anos – anunciando a justiça divina (2 Pedro 2:5); no entanto esse povo era descrente e rebelde, por isso morreram no dilúvio e seus espíritos foram à prisão no hades e lá esperam o julgamento final como o homem rico em Lucas 16:23.

No tempo de Cristo, aqueles que rejeitaram a mensagem de Noé estavam em prisão. O ensino é que a morte de Cristo não significou nada para eles, da mesma forma que nada significa para uma grande multidão de pessoas hoje em dia que, como resultado, também virão a julgamento.    

No versículo 21 faz-se a conexão entre o tempo de Noé e o nosso: a água do dilúvio. O batismo do Espírito Santo é verdadeiro batismo, e a água do dilúvio foi símbolo dele nos tempos de Noé assim como o batismo pela água é símbolo dele hoje. Assim como Noé e a sua família foram salvos pela fé, também nós.  A arca que construíram por causa da sua fé na Palavra de Deus é um tipo de Cristo que nos dá abrigo do castigo de Deus. Batismo é a resposta a uma boa consciência para com Deus: a fé em Sua Palavra (da qual a água é símbolo) e o recebimento do Seu dom de salvação das consequências do pecado mediante a fé no Seu Filho.  

Foi a fé na ressurreição de Jesus Cristo que trouxe a obra do Espírito Santo em nossas vidas e nos regenerou. Assim fazendo temos nossos pecados enterrados n’Ele e recebemos a vida nova como Ele se levantou outra vez da sepultura. Morremos para a vida velha de pecado e vivemos agora uma vida nova de obediência ao Senhor.

Somos todos pecadores aqui no mundo, mas podemos vir a Ele e recebê-Lo como nosso Salvador e Senhor, e assim nos juntarmos à grande companhia dos salvos. Somos nesse instante batizados pelo Espírito Santo no corpo de Cristo, porque Ele foi levantado de entre os mortos e hoje está à mão direita de Deus.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Denominação

Em um sentido geral, denominação é um nome ou título. Os crentes passaram a ser chamados cristãos bem cedo (Atos 11:26) e essa denominação aparece três vezes na Bíblia. Era um nome de desprezo, ligado muitas vezes ao sofrimento (1 Pedro 4:16). Em um sentido mais restrito, denominação é um nome dado:

"É farisaísmo afirmarmos que não somos uma denominação?"

Têm havido casos de certas pessoas chamarem de hipócrita todo aquele que não concorda com a "institucionalização" (em forma de denominação) das igrejas neo-testamentárias.

Para respondermos objetivamente a esta pergunta, temos primeiro que definir resumidamente: quem somos, o que entendemos por “uma denominação”, o que vem a ser farisaísmo, e o que a Bíblia nos diz a esse respeito.

Quem somos

Assumindo que os leitores são como eu, afirmo que somos crentes em Cristo, salvos pela graça de Deus mediante a fé que temos na obra redentora de Cristo, que é o nosso Senhor e Salvador, e estamos no processo de santificar a nossa vida mediante a obediência ao que Ele nos manda pela Sua palavra, a Bíblia.

O mandamento principal do nosso Senhor é que amemos nossos irmãos na fé da mesma maneira como Ele nos amou e deu a Sua vida por nós. Esse amor é um amor prático, de serviço e de apoio mútuo.

No início, os que punham a sua fé em Cristo, batizando-se em nome dEle se fossem judeus, e em nome da Trindade se fossem gentios, reuniam-se juntos no templo em Jerusalém, e perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão de tudo o que possuíam, no partir do pão que faziam de casa em casa, participavam juntos em refeições, e oravam e louvavam a Deus juntos. Essa congregação de crentes é o que a Bíblia chama de “igreja”.

Elas foram ocorrendo em diferentes localidades, donde se chamarem Igrejas do Local onde se achavam. Todos os crentes salvos pela sua fé em Cristo pertencem a Ele, como ovelhas pertenciam ao pastor seu proprietário, e fazemos parte de um conjunto, como as ovelhas formam um rebanho, e esse conjunto é chamado a Igreja de Deus, ou de Cristo. Para não confundir com a igreja local nós a chamamos Igreja Universal, ainda em formação, e se completará um dia, quando o Senhor virá para buscá-la, incluindo todos os que a pertencem, vivos e mortos.

Desde aqueles primórdios, quase dois milênios atrás, as igrejas locais têm passado por grandes transformações, por influências internas e externas. Recomendo a todos os que puderem, que leiam os artigos “A Igreja Peregrina” de autoria do nosso querido irmão Jaime C. Jardine em seu site (Veja AQUI). São um resumo traduzido do livro “The Pilgrim Church” de E.H. Broadbent, uma obra didática valiosa pelos fatos nela relatados, resultado de profunda pesquisa feita pelo autor.

Através dos séculos, sempre têm havido congregações espalhadas pelo mundo que procuraram obedecer ao ensino da Bíblia, embora muitas vezes perseguidas, martirizadas e mesmo extintas pela oposição das instituições religiosas aliadas ao poder secular. Nosso desejo, como tem sido o delas, é de obedecer às instruções contidas na Bíblia em nossa conduta pessoal, e em nossas reuniões com outros crentes, fugindo às inovações, tradicionais ou não, que, de qualquer forma, desobedeçam a elas.

O que entendemos por "denominação"

Em um sentido geral, denominação é um nome ou título. Os crentes passaram a ser chamados cristãos bem cedo (Atos 11:26) e essa denominação aparece três vezes na Bíblia. Era um nome de desprezo, ligado muitas vezes ao sofrimento (1 Pedro 4:16).

Em um sentido mais restrito, denominação é um nome dado: a) a uma igreja, b) a uma instituição religiosa que também se dá o nome de “igreja”, c) ou uma seita.

No início, para distinguir uma igreja local de outra, elas eram denominadas pelo local, como cidade ou casa, em que se reuniam: por exemplo, Febe era uma crente da igreja em Cencreia e havia uma igreja na casa de Priscila e Àquila. Isso ainda se faz hoje e obviamente nada podemos objetar a isso com base bíblica.

Hoje a maioria das igrejas se reúne em edifícios, e alguns erradamente pensam que a igreja que lá se reúne tem o nome do edifício, por exemplo: chamam de “Casa de Oração” a igreja que se reúne num edifício deste nome (aliás, é o nome que aparentemente será dado ao novo templo em Jerusalém). “Templo”, “Capela”, são outros nomes de edifícios. Algumas igrejas não dão nenhum nome ao edifício em que se reúnem, só para evitar esse engano!

As instituições religiosas surgiram muito cedo, com a união de duas ou mais igrejas locais debaixo de uma cúpula, completamente estranha ao ensino e experiência das igrejas primitivas. As mais antigas, e ainda hoje muito influentes e poderosas são as que começaram se chamando “católicas” ou universais: a Romana, e algumas Ortodoxas, de onde saíram, durante a Reforma, muitas outras que foram se multiplicando.

De um ponto de vista doutrinário, elas variam muito, desde as apóstatas que são as maiores e substituíram a Palavra de Deus por tradições e dogmas humanos, até as mais dedicadas à evangelização, ao estudo e ao ensino da Bíblia, a quem muito devemos inclusive à própria tradução, e distribuição da Bíblia a preços acessíveis por todo o mundo.

Mas não existia nada como elas quando foi escrito o Novo Testamento, logo não é de surpreender que não sejam mencionadas ali. No entanto, praticamente todas elas se baseiam num sistema em que existe uma clara separação entre o clero e os leigos, estando estes submissos àqueles. Este sistema, que chamamos de clericalismo, foi previsto nas cartas proféticas às igrejas de Éfeso e Pérgamo onde encontramos referência às doutrinas dos nicolaítas (domínio sobre o povo), cujas obras o Senhor Jesus odeia (Apocalipse 2:6,15).

Os “clérigos” são preparados em escolas, institutos bíblicos e seminários, dentro da doutrina da instituição a que pertencem, recebem uma “ordenação” dela e depois tomam a direção das igrejas locais pertencentes a essas instituições, formando uma classe à parte com suas honras e privilégios, à semelhança dos sacerdotes e levitas israelitas. Os leigos, por sua vez, são aproveitados de uma forma ou outra, mas a ação do Espírito Santo para o seu desenvolvimento e amadurecimento é mais ou menos tolhida.

As igrejas locais primitivas, no entanto, eram independentes entre si, cada uma era um organismo ligado pelo Espírito Santo, simbolicamente uma miniatura da Igreja Universal que é o corpo de Cristo, e cada crente a elas pertencente participava com os seus dons no crescimento espiritual dos demais, sendo alguns reconhecidos para exercer a supervisão segundo um critério que o apóstolo Paulo deixou escrito em duas de suas cartas. Nosso desejo é seguir o exemplo dessas igrejas primitivas, aprovado pelos apóstolos em seu tempo. Não queremos tolher a livre ação do Espírito Santo entre nós, cometendo o mesmo erro das instituições.

As seitas começavam a aparecer já em Corinto, onde lemos que havia partidarismos dentro da igreja. Para se diferenciar, cada “cisma” ou “partido” tomava o nome de um líder: Paulo, Apolo, Céfas ou mesmo de Cristo! Embora severamente condenadas, estas facções foram permitidas para que os crentes “aprovados” pudessem ser reconhecidos (1 Coríntios 11:19). Em outras palavras, os sectários, tomando uma denominação para os distinguir, afastam-se dos crentes fiéis aos ensinos apostólicos, e estes podem assim ser reconhecidos.

Se somos dos que querem estar entre os “aprovados”, este é um dos melhores argumentos a favor de não assumirmos outro nome senão o que originalmente nos foi dado: Cristão. Outra característica das seitas é o exclusivismo: só estendem a sua comunhão aos seus membros e os que pensam ou se reúnem exatamente como eles. Lamentavelmente, isto acontece também entre algumas igrejas locais neo-testamentárias sem denominação, tornando-se fáceis presas dos Diótrefes entre seus membros.

O que vem a ser "farisaismo"

Os fariseus eram uma seita - a palavra vem do hebraico que se traduz “separatista”. Havia duas outras no início deste século, os saduceus e os essenos.

No tempo do Senhor os fariseus eram muito influentes entre o povo, sendo precisos e minuciosos em todas as questões relativas à lei de Moisés. O próprio apóstolo Paulo era um fariseu dedicado, e havia muita verdade no que criam e ensinavam, mas sua religião era um verniz externo, formal, para ser visto e imposto aos outros enquanto o seu coração era duro e impiedoso. Eles se consideravam virtuosos e tinham muito orgulho, sendo freqüentemente repreendidos pelo Senhor por isso. No entanto, seu nível moral era baixo, e foram chamados pelo Senhor Jesus, com os saduceus, de geração de víboras. Eles não suportavam as doutrinas do nosso Mestre, tornaram-se seus inimigos, e procuraram de toda a forma destruir a sua influência sobre o povo.

Mas quando se fala em farisaísmo, não é no sentido de ser sectário, mas de ser hipócrita. O Senhor chamou os fariseus e os escribas de hipócritas, falando-lhes “bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.” Isto é farisaísmo.

Conclusão

Se formos responder à pergunta “é farisaísmo afirmarmos que não somos uma denominação”, a resposta ao pé da letra é “NÃO”, pois fazer uma afirmação assim não foi uma característica dos fariseus, segundo vemos acima. Existe uma sugestão nessa pergunta, que por não desejarmos assumir um nome outro que de “cristão”, já nos tornamos diferentes dos outros que, embora também se declarem ser cristãos, assumem uma denominação. Sendo assim, somos uma denominação “sem nome” e, como os fariseus, nos orgulhamos de obedecer fielmente à Palavra de Deus e desprezamos os outros por se sujeitarem a uma denominação “com nome”.

Voltemos à definição do que vem a ser uma “denominação”, e veremos que isto não é verdade. Vejamos os três casos:

a) uma igreja? - o nome do edifício onde nos reunimos, seja “templo”, “capela”, “casa de oração”, ou outro, não nos faz uma “denominação”. Alguns ainda pensam que, porque somos “irmãos” em Cristo e que nossa congregação local é uma “igreja dos irmãos”, somos uma “denominação”. Mas, todo o crente em Cristo é nosso “irmão” na fé, sendo participante conosco do privilégio de ter sido feito filho de Deus por adoção, independentemente do edifício onde se reúne, logo não somos uma “denominação” à parte como as verdadeiras “denominações”. Não incluímos aqui os Irmãos Unidos existentes na Europa que, realmente, são uma instituição denominacional.

b) uma instituição? - não nos submetemos como igreja local a qualquer instituição, pessoa jurídica ou física. Nossa doutrina é a doutrina dos apóstolos, que é o nosso alicerce sobre a pedra fundamental, que é Cristo. Cada igreja local é responsável perante Ele, apenas, e não aceita a interferência de estranhos em sua direção, embora esteja sempre pronta a colaborar com outros visando a evangelização dos perdidos e o aperfeiçoamento dos santos. Quero deixar bem claro que as instituições religiosas aqui mencionadas nada têm a ver com as pessoas jurídicas criadas pelas igrejas locais apenas para a finalidade de cumprir com as leis do país, de dar proteção legal aos seus imóveis e outros bens materiais, absolutamente para fins jurídicos, fiscais e bancários. A estas entidades jurídicas nunca deve ser dada autoridade sobre a conduta da própria igreja local.

c) uma seita? - qualquer seita se caracteriza por um líder que dá orientação espiritual e dirige as atividades do seu grupo. Também não nos submetemos a alguma pessoa em particular - nossas igrejas são dirigidas por uma pluralidade de supervisores (bispos, anciãos ou presbíteros na linguagem bíblica), e cada igreja local reconhece apenas a Cristo como seu titular supremo, diretamente acima dela, e a Bíblia inteira como a sua regra de fé. Novamente, portanto, podemos declarar tranqüilamente que NÃO somos uma denominação.

Finalizando, quero enfatizar que somos crentes em Cristo, mas não somos, nem temos a petulância de pensar que somos absolutamente os únicos! Dentro das instituições e mesmo dentro das seitas vamos encontrar muitos outros, e, digo mais, vamos encontrar muitos que talvez sirvam muito mais ao Senhor do que nós e que se dedicam mais ao estudo e ao ensino das Escrituras do que nós.

Quantas almas foram salvas pelas “denominações” antes de aparecerem por aqui igrejas neo-testamentárias independentes, e continuam ainda sendo salvas! Nossa atitude para com esses nossos irmãos em Cristo deve ser de amor, como fomos comandados por Ele, porque amamos e servimos o mesmo Mestre. Eles podem estar desalinhados com o que entendemos ser o desejo do Senhor para a conduta das suas igrejas locais, mas é a Ele que todos nós servimos, e é a Ele a quem daremos conta finalmente de como nos conduzimos aqui.

Por outro lado, as instituições não são todas iguais, e o fato de se chamarem “igreja” ou “cristã” não significa que estão dentro dos mínimos padrões bíblicos desejáveis.

Muitas não pregam o Evangelho da salvação pela graça unicamente mediante a fé em Jesus Cristo, ou a necessidade do novo nascimento, o que nos faz duvidar da existência de um verdadeiro crente em seu meio.

Outras, além disso, introduzem grandes heresias como dogmas papais, visões de anjos, falsas profecias, promessas de riquezas materiais. Geralmente são as mais ricas e poderosas por causa do mercantilismo a que se dedicam, e a grande apostasia delas de certa forma as une, pois dão pouco ou nenhum valor à sã doutrina, e, após o ecumenismo de nossos dias (onde dizem que “o amor une, a doutrina separa”), elas se juntarão às outras religiões para formar a Babilônia religiosa de que lemos em Apocalipse 17.

Aos que pertencem a essas instituições não podemos considerar “irmãos na fé” pois a sua fé é outra, e a eles devemos pregar o verdadeiro Evangelho de Cristo para que conheçam o caminho da salvação que não têm.

 

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Desde o princípio

Os gálatas estavam sendo persuadidos a seguir uma doutrina que era uma perversão do Evangelho de Cristo - a maldição divina ("anátema") é o destino de anjo, apóstolo ou pregador que o modifique (Gálatas 1:8-9). O aviso solene aqui contido está em vigor até agora, quando infelizmente vemos uma cresce

 

Do nada, em meio à escuridão, criou Deus os céus e a terra (Gênesis 1:1), O nosso Deus criou um único planeta onde a vida seria possível com uma atmosfera adequada para o ser humano, animais e plantas. Um mundo tão maravilhoso com tudo que precisávamos para sobreviver, inclusive um homem para manter, desenvolver e governar os seres viventes. Porém, Ele quis testar aquele homem com uma ordem somente: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comerdes, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17). Como sabemos, o livre arbítrio foi dado ao ser humano e o inimigo sabendo disto se aproveitou. Conversou com a mulher questionando: ‘Foi assim realmente que Deus disse?’ O resultado desta conversa foi a queda da humanidade com a entrada do pecado no mundo. O inimigo, muito astuto, utilizou as palavras de Deus de maneira que distorceu a verdade transformando-a em uma mentira enganosa. Esta é a fórmula ou princípio que ele sempre usa para enganar o homem, até hoje!

Quando as Escrituras dizem uma realidade que não é aceitável por alguém, ouvimos a alegação que ‘não é bem assim, que isso era só para o povo antigo e não se aplica hoje’ etc. As Escrituras são verdadeiras, amados irmãos, porventura seria assim que deveríamos tratar a Palavra de Deus? Teríamos o direito de modificá-la, escolhendo o que é para hoje como queremos? Temos de pensar sinceramente se somos cristãos ou somente religiosos. A fé sem a prática é morta.

Indo um pouco mais além nas Escrituras, ao estudarmos sobre liderança, encontramos Moisés que foi escolhido por Deus, não por outro homem, para guiar o Seu povo para a terra da promessa. Mas ele enfrentou muitas batalhas com pessoas que achavam que tinham o mesmo direito de liderar o povo de Deus como ele. Olhando de perto, descobrimos como Deus resolveu cada situação de formas diferentes, usando serpentes abrasadoras, a terra se abrindo e tirando a vida daqueles rebeldes e andando no deserto por 40 anos sendo que todo o percurso duraria cerca de somente dois anos. Deixar de seguir o caminho do Senhor, ou duvidar da Sua Palavra e direção, sempre nos trará atrasos e resultados não muito agradáveis. Ouvindo a voz daqueles que não foram chamados por Deus, sempre acarretará muitos erros, dificuldades e tristezas.

Saul foi escolhido como rei, porque o povo quis ser igual aos outros povos de outros países. Israel então, sendo liderado por um homem, na primeira batalha foi mandado por Deus que acabasse com os amalequitas, porém desobedeceu e ainda tentou colocar a responsabilidade sobre os homens que tinham trazido os animais com a desculpa de sacrificá-los (1 Samuel 15:10-21). Parece com Adão e Eva, não é? Depois Saul quis buscar ajuda de uma mulher que era do maligno e ele mesmo sabia que não era da vontade do Senhor a sua aproximação com ela (1 Samuel 28:3-15). Quando seguimos os caminhos humanos, sempre começamos a cair, indo atrás daquilo que não tem valor perante o Senhor.

Tirando Saul do trono, nosso Deus pôs um homem que tinha um coração alinhado com o d’Ele. Foi escolhido Davi que realmente colocou o Senhor em primeiro lugar na sua vida, um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22 e 1 Samuel 13:14). Davi era realmente um homem que pôs Deus acima de tudo, no entanto, como todo homem, é fraco e pecador, ele como todos os outros que lemos falharam em uma ou mais atitudes e fraquezas. Como Adão ele pecou, porque todos pecaram e erraram o alvo.

Então, que esperança está deixada para nós? Somos meros humanos, pecadores, mas salvos pela graça e bondade do nosso Deus. Se formos de Cristo Jesus temos que viver por meio d’Ele. Seguindo o que Ele nos diz, no amor, na paz, e acima de tudo no Espírito do Senhor, porque temos que viver produzindo o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23), não desejando nos elevar, nem nos orgulhar, mas vivendo na humildade como lemos em Filipenses 2:5-11.   

Nosso Salvador nos ensina em João 21:15-17 uma lição maravilhosa sobre como devemos andar e pensar. Por três vezes Jesus perguntou a Pedro: “Tu me amas”? E a resposta foi: “Sim Senhor”. Após insistir o Senhor na mesma pergunta, Pedro respondeu: “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que te amo”. Então Jesus lhe disse: “Apascenta minhas ovelhas”. Isto irmãos, é a nossa responsabilidade hoje. Como os novos convertidos vão aprender a andar no caminho do Senhor, se nós que somos mais maduros na fé não ensinarmos ou apascentarmos o rebanho? É muito fácil mandar, mas andar da maneira correta mostrando pelo exemplo, como as Escrituras ensinam sabemos que é realmente mais difícil. Uma das nossas grandes falhas é estar sempre olhando os erros dos outros e criticar sem amor no coração. Devemos ter sabedoria para agir de acordo com o Espírito do Senhor e com a sã doutrina. Pedro percebendo que aquele discípulo que Jesus amava estava por ali (vs. 20 e 21), com certeza era a apóstolo João, perguntou sobre a vida dele, mas Jesus respondeu: “que te importa? Quanto a ti segue-me” (v. 22). Nosso Deus tem planos para cada um de nós, é isto que devemos buscar.

Paulo nos ensina muitas maravilhas, de como devemos andar, e também como deve ser a liderança nas nossas igrejas. Em 1 Timóteo 3 e Tito 1, ele fala com clareza de como deve ser um líder ou presbítero das igrejas locais. Lembrando que cada igreja é autônoma, não temos um sistema de uma igreja clerical, mandando uns aos outros ou tendo um presidente na cabeça. Nossa cabeça é Cristo Jesus (Colossenses 1:9-18), temos que mostrar claramente esta realidade, Jesus como o Pastor das ovelhas (Salmo 23). Ele quer suprir cada uma das nossas necessidades e é desta mesma forma que lemos em João 10 sobre o Pastor que cuida dos seus rebanhos. Encontramos também em 1 Pedro 5:1-4, o retrato do nosso Sumo Pastor. Nota-se que, enquanto líderes, o dever de pastorear não deve ser com a visão de se obter dinheiro, mas na posição de mordomos de Cristo.

Hoje em dia as igrejas estão querendo um pastor humano para liderá-las e fazer a obra. Na verdade isto não se encontra nas Escrituras, é o ensino dos seminários, livros e pensamentos humanos. Temos de perguntar, por quê? E iremos descobrir que o povo que se diz cristão quer uma vida mansa e prefere pagar para receber seu alimento espiritual, eles estão deixando de ler a Palavra e estudá-la, não tem seu tempo devocional de comunhão em oração com o Pai e não quer trabalhar para o Senhor na igreja local, por “entender” que essa função é do pastor ou pastores, afinal para isto são pagos. É fácil pagar alguém para fazer o que eu devo fazer, mas cumpriremos assim a comissão do Senhor Jesus? Estaremos cumprindo com a Sua vontade?

Por favor, amados irmãos, vamos voltar para os princípios da Palavra da verdade, seguindo e mostrando nosso Salvador aos jovens e alegrando em vê-los desejosos em andar com Jesus. Sempre me lembro de quando sentava aos pés daqueles irmãos fiéis, aprendendo, vivendo e sendo corrigido com amor. Todos eram homens trabalhadores, não recebendo dinheiro da igreja, mas dedicando muitas horas para Glória de Deus.

Qual é a razão de ter um pastor assalariado? Será que é porque as denominações têm? Devemos segui-las? Elas têm erros em suas doutrinas e princípios, como aqueles em Atos 15, que vieram dizer que os cristãos deviam ser circuncidados como os judeus. Os apóstolos responderam que isto não estava certo. Onde encontramos um pastor pago nas Escrituras? Tudo foi feito voluntariamente por amor. O Senhor não prometeu um salário a cada apóstolo.

Os líderes das igrejas locais também não devem ser novatos, não somente de idade, mas principalmente na experiência cristã. Isso não se transfere por hereditariedade como os levitas; porque meu pai ou meu avô eram, eu sou também. Nosso Salvador, o Pastor sobre todos, tinha 30 anos quando começou Seu ministério. Moisés, Davi, Josué e todos que lideraram o povo de Deus também eram acima de trinta anos de idade. Falando de Moisés lembremo-nos de que ele não era pregador ou ministro da Palavra, ao contrário, chegou a dizer que não era eloquente ao falar (Êxodo 4:10-11), mas Deus lhe respondeu: “quem fez a boca do homem?” Nosso Deus tem capacidade para tudo, nós temos que confiar n’Ele. Moisés era um bom líder, mas quem falava com Faraó era Arão, seu irmão.

Ao terminar, desejo lembrar que Aquele que dirigiu o Seu povo durante todo tempo pelo deserto, é o mesmo que está pronto para nos dirigir até ao lar celestial (Hebreus 13:8), porque Ele é o Bom Pastor e Ele é o responsável pelo Seu rebanho, que é a Sua Igreja (Salmo 23; João 10 e 1 Pedro 5:1-4). Por que então precisamos comprar o serviço de outro pastor daqui? Que o Senhor nos abençoe como Seu rebanho obediente, nos alimentando, saciando nossa sede espiritual, confortando quando somos machucados, dirigindo-nos em Seu caminho dando-nos ao final o Seu descanso. Que assim seja!

 

autor: Jeffrey Arnold Watson 4.
Fatos & Relatos

Discernimento

O discernimento em seu sentido geral consiste na capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado, de avaliar as opções com entendimento, bom senso e clareza. Ou seja, é o juízo e tino para tomar as melhores decisões. O cristão adquire a capacidade de tomar uma decisão mediante o pr

Filipenses 1:9-11

O apóstolo Paulo orava para que o amor de todos os santos em Cristo Jesus que estavam em Filipos, inclusive os que exerciam a liderança, aumentasse no conhecimento (sabedoria espiritual) e no discernimento em todas as situações, para sempre escolherem o melhor e assim serem sinceros, puros e irrepreensíveis, preparados para a Vinda do Senhor. Era a maneira correta de serem plantas frutíferas (João 15:8) em Cristo, mostrando sempre a perfeição de Deus, o Redentor, para a Sua glória e louvor.

Paulo sabia, e aqui nos ensina, que um dos temas fundamentais para oração por uma igreja em desenvolvimento é o crescimento do amor entre os seus membros em conhecimento e em discernimento. O amor a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, é o resumo de toda a lei de Deus, mas não é um amor apenas emocional ou de palavras. No serviço de Deus, em que todos os crentes em Cristo estão envolvidos, temos que usar nossa inteligência e usar discernimento para ser efetivos, senão nossos esforços serão em vão.

O discernimento em seu sentido geral consiste na capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado, de avaliar as opções com entendimento, bom senso e clareza. Ou seja, é o juízo e tino para tomar as melhores decisões. O cristão adquire a capacidade de tomar uma decisão mediante o prisma bíblico em todas as esferas da sua vida, sem qualquer comprometimento com o mundo que o cerca. Este é o discernimento que Deus lhe dá em Sua Palavra! Sem ele, os cristãos se arriscam a ser “levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro” (Efésios 4:14).

O discernimento é sem dúvida desejável de uma maneira geral, mas para o discípulo de Cristo ele não é apenas uma opção: é uma obrigação. Todo crente tem a responsabilidade de ter discernimento, pondo tudo à prova, retendo o bem e abstendo-se de toda espécie de mal (1 Tessalonicenses 5:21-22).

Graças a Deus, a Sua Palavra nos capacita para isso. O apóstolo Pedro declara: “... (Deus) nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude, pelas quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” (2 Pedro 1:3,4).

Ao chegar à maturidade espiritual estamos em perfeitas condições para discernir tanto o bem como o mal. Recebemos o alimento espiritual sólido contido na Bíblia, tendo já crescido no conhecimento dos seus princípios elementares (Hebreus 5:14). Conhecendo bem e obedecendo aos seus preceitos podemos fazer os melhores julgamentos de ordem espiritual para escapar aos perigos morais e doutrinários.

Através do “pleno conhecimento de Cristo” Deus nos deu tudo que precisamos para viver uma vida dentro dos padrões divinos neste mundo pecaminoso. Através da Palavra de Deus, a Bíblia, descobrimos as Suas “preciosas e grandíssimas promessas” que nos habilitam a nos tornar participantes da natureza divina – algo totalmente fora do alcance do pecador.

Infelizmente é em discernimento que a maioria dos cristãos tropeça. Mesmo os que estão armados com um bom conhecimento bíblico, fundamental para um bom discernimento, demonstram pouca vontade ou firmeza para usar sempre o infalível padrão da Palavra de Deus em seu dia-a-dia, e descuidadamente tomam resoluções e adotam linhas de comportamentos falhos e até mesmo desastrosos. Isto porque lhes falta a determinação de se manterem firmes com o conhecimento que têm, contra os ataques perniciosos do mundo e das falsas doutrinas que enfrentam constantemente.

Uma vida dedicada a Deus só é possível se houver discernimento em todas as suas áreas. Se houver falta de discernimento entre a verdade e o erro nas doutrinas bíblicas, por exemplo, o crente em Cristo estará sujeito a toda espécie de ensino falso. O ensino falso conduz a uma visão espiritual desvirtuada, que resulta numa maneira de vida infrutífera e desobediente, caminho certo para comprometimento com o mundo e com o pecado.

Sob o aspecto doutrinário, o apóstolo João nos previne “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1 João 4:1). Pelo contexto, percebemos que “espírito” aqui se refere aos falsos ensinadores. É preciso ter discernimento para distinguir os que sustentam a verdade daqueles que, mesmo professando ser cristãos, abrem e citam textos da Bíblia para aparentemente apoiar o que ensinam, mas que na realidade ensinam outro Evangelho.

O cristão sábio usa o seu discernimento para avaliar o que ouve, e reter o que é bom, verdadeiro e legítimo, e usar a sua liberdade para abster-se de toda a espécie de mal (1 Tessalonicenses 5:21,22). Como o padrão mediante o qual ele faz sua decisão é encontrado na Palavra de Deus, é preciso crescer em seu conhecimento, como Paulo ora pelos filipenses.

É às vezes necessário abandonar preconceitos e idéias pessoais, pois eles podem ser inimigos da compreensão das verdades bíblicas. Por exemplo, lemos em Lucas 9:44,45... “E admirando-se todos de tudo o que Jesus fazia, disse ele a seus discípulos: ‘Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos; pois o Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens’. Eles, porém, não entendiam essa palavra, cujo sentido lhes era encoberto para que não o compreendessem; e temiam interrogá-lo a esse respeito”.

Os discípulos evidentemente não queriam crer na morte e ressurreição do Senhor Jesus, tanto que, mesmo depois de morto conforme Ele havia predito algumas vezes, eles não creram na Sua ressurreição até que O viram pessoalmente. Quando o Senhor Jesus falou que ia ser entregue nas mãos dos homens, eles não podiam acreditar porque sabiam que Ele tinha o poder para evitar esse acontecimento. Ainda não tinham compreendido a natureza da Sua missão redentora, sacrificial, atendo-se à esperança da glória terrena. Estavam cegos para entender a sua verdadeira missão, portanto não podiam discernir o que o Senhor lhes dizia.

Por outro lado, diante do conhecimento que é adquirido, a maturidade cristã permite discernir as coisas que são “excelentes”, ou seja, que se destacam ou salientam muito das outras. Em todas as áreas da vida podem existir duas ou mais opções aceitáveis, por não serem pecaminosas, mas devemos sempre optar pela que for a melhor, a excelente. Muitas vezes uma opção que não for a melhor poderá prejudicar a que é excelente.

Paulo nos deu um exemplo disso: existem vários dons do Espírito Santo, e a igreja local deve desejar ser bem dotada. Os melhores dons são os de maior utilidade. Embora nenhum deva ser desprezado, alguns produzem mais benefício para a igreja do que outros, e esses é que a igreja deve rogar a Deus que lhe conceda. Na igreja de Corinto a quem Paulo escreveu, havia membros que gostavam de exibir o dom de falar publicamente em uma língua que nunca haviam aprendido, mas era inútil para os demais, que ficavam ouvindo algo sem sentido para eles.

Com seu discernimento, Paulo nos mostra “um caminho sobremodo excelente”, que é o amor: a simples existência dos dons na igreja não é tão importante quanto o exercício dos dons em um espírito de amor. O amor pensa nos outros, não é egoísta. É bom ter um dom, mas melhor ainda usá-lo para a edificação da igreja em amor e não para atrair atenção para si (1 Coríntios 12:31 – 13:13).

O amor com discernimento permite evitar o que é duvidoso ou mesmo errado. Também conduz à sinceridade, que é uma total transparência. Quem tem uma vida limpa, que vive à luz da Palavra de Deus, que ama e serve aos seus irmãos, de nada tem que se envergonhar nem é tentado a mentir, sendo puro e irrepreensível, preparado para a vinda do Senhor (no arrebatamento da Sua igreja). Oremos a Deus, como Paulo fez, que nosso amor aumente cada vez mais no conhecimento de Deus e do nosso Senhor Jesus Cristo e em discernimento, a fim de alcançarmos este objetivo.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Disciplina e Castigo

A disciplina cristã compreende todo o processo de educação, amadurecimento e aprimoramento do crente em sua nova vida com Cristo. Inclui tanto a sua instrução, como o seu treinamento e a sua correção. Em seu sentido amplo é usada por Deus, com o poder do seu Espírito, para que os Seus filhos cheguem

“A disciplina em uma igreja local deve seguir uma escala segundo a gravidade do pecado?”


Existe a idéia, bastante disseminada, segundo a qual “disciplina” é um castigo imposto dentro da igreja local aos que desobedecem a certas regras de conduta consideradas de importância para o crente.

Em algumas igrejas esse castigo consiste quase invariavelmente em proibir a participação da Santa Ceia, geralmente imposto pelos supervisores; eles também exigem que o infrator compareça a essa reunião regularmente como simples assistente até convencê-los que se arrependeu do seu pecado. Supondo-se que as infrações possam ser classificadas em vários graus de gravidade, pareceria justo que a “disciplina” fosse proporcional obedecendo a uma escala. Daí a pergunta que nos foi feita.

O verbo disciplinar, traduzido na Bíblia do grego paideuo tem um sentido muito mais amplo do que este: é treinar crianças, ser instruído, ser ensinado ou aprender, fazer com que alguém aprenda, castigar com palavras, corrigir o caráter mediante repreensão e advertência, ou castigar fisicamente como o pai usa da vara para castigar o filho, um juiz ordena açoites, ou Deus usa de males e calamidades.

A disciplina compreende, portanto, todo o processo de educação, amadurecimento e aprimoramento do crente em sua nova vida com Cristo. Inclui tanto a sua instrução, como o seu treinamento e a sua correção. Em seu sentido amplo é usada por Deus, com o poder do seu Espírito, para que os Seus filhos cheguem à perfeição da maturidade espiritual (Efésios 6:4, 1 Timóteo 3:4, Hebreus 12:7-11). Percebemos que essa disciplina é do tipo que um pai usa para educar e treinar o seu filho, na sua infância e adolescência até se tornar um adulto (Deuteronômio 8:5).

Ninguém, nem mesmo uma igreja local, pode usurpar a autoridade de Deus nesse processo. É de se notar que, em toda a Bíblia, os vocábulos disciplina e disciplinar, só são usados com referência ao tratamento carinhoso de Deus para com o Seu povo, um pai para com o seu filho, e um servo do Senhor, com mansidão, para com os que se opõem (2 Timóteo 2:24-26).

De certa forma a igreja local, que é a casa de Deus (1 Timóteo 3:15) se assemelha a uma escola: entre os seus membros o Espírito Santo constitui os supervisores (chamados de anciãos, bispos ou presbíteros - Atos 20:28) responsáveis pelo pastoreio do rebanho, mais maduros espiritualmente, deles sendo requerida uma conduta irrepreensível (Tito 1:7); todos os membros se reúnem para o aprendizado e prática das Escrituras para chegar à perfeição e habilitação para toda a boa obra (2 Timóteo 3:16,17). A igreja local tem assim uma parte na disciplina do crente, assim como a escola tem na educação de uma criança, nos aspectos de instruir, treinar e corrigir os seus membros nos caminhos de Deus.

Mas, para respondermos à pergunta que nos foi feita, vamos atentar apenas à disciplina em seu aspecto de corrigir, pois é aqui que poderia entrar a punição.

Ninguém se alegra em castigar ao seu irmão, ao contrário, isso traz tristeza a si próprio e aos outros. O apóstolo Paulo ensina: “basta-lhe a punição pela maioria. De modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor.” (2 Coríntios 2:5-8). Não encontramos autoridade na Bíblia para punir com castigos físicos, mas para corrigir o caráter dos seus membros a igreja tem autoridade para usar palavras de repreensão e advertência, ou usar o ostracismo.

Os que vivem no pecado devem ser repreendidos na presença de todos, para que também os demais temam (1 Timóteo 5:20). Vejamos as circunstâncias e as diferentes correções:

  1. Não se deve disputar sobre coisas duvidosas, aquelas sobre as quais as Escrituras silenciam: o apóstolo Paulo citou algumas que surgiam no tempo dele: comer ou não comer certas coisas, guardar ou não certos dias. “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.” (Romanos 14:1-7).
  2. Com respeito à Santa Ceia, existe uma única advertência: “aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si… Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (1 Coríntios 11:27-32). A decisão é individual e o castigo vem do Senhor, o único que pode ler o nosso coração.
  3. Se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gálatas 6:1). Trata-se de uma falta, um tropeção: a igreja deve corrigi-lo, consertá-lo, usando de mansidão, que é fruto do Espírito Santo. Uma repreensão, uma advertência, um aconselhamento feitos com mansidão serão geralmente o suficiente. Estejamos atentos para não sermos tentados também.
  4.  “Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos … e sejais longânimos para com todos.” (1 Tessalonicenses 5:14). Trata-se de submissão aos ensinos apostólicos, que inclui obediência e submissão aos seus guias porque “velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hebreus 13:17).
  5. Com a autoridade do Senhor Jesus Cristo, Paulo ordenou que os membros da igreja se apartem de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição recebida dele. Ele se referiu especialmente aos que viviam ociosos às custas dos outros e se intrometiam na vida alheia, e ordenou: “se alguém não quer trabalhar, também não coma”. A punição de ostracismo neste caso tinha por finalidade fazer com que o infrator ficasse envergonhado. Ele não devia ser considerado um inimigo, mas advertido como irmão. (2 Tessalonicenses 3:6-15).
  6. Sendo a igreja local a casa de Deus, os seus membros devem protegê-la de qualquer contaminação (1 Coríntios 5:1-13). Eles devem afastar da sua companhia e nem sequer comer com quem se diz irmão mas é:
    • Impuro, segundo os padrões bíblicos de conduta sexual
    • Avarento, para quem a riqueza material vem em primeiro lugar
    • Idólatra, que adora outras coisas com ou acima do Deus vivo
    • Maldizente, cuja língua venenosa assassina o caráter de outros
    • Beberrão, voluntariamente se entregando ao vício do alcoolismo
    • Roubador, que destitui os outros de bens, sejam materiais ou imateriais, para benefício próprio.

Note-se que não se trata de cair em tentação, como vemos em “3”, mas de uma característica pessoal que põe em dúvida se houve um novo nascimento. Ele se diz irmão mas não dá evidência disso e, se não for, é pior do que os incrédulos por causa da influência que pode ter na igreja local.

     7.     Para conservar a pureza da fé, é preciso:

    • "fazer calar os insubordinados, palradores frívolos e enganadores: eles devem ser repreendidos severamente, para que sejam sadios na fé " (Tito 1:10,11).
    • "evitar o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois … vive pecando" (Tito 3:10,11). São os sectários e falsos mestres, que causam divisões e ofensas (Romanos 16:17-20, 1 Timóteo 6:3-5).
    • "Não receber em casa nem dar as boas vindas a todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece, pois ele não tem Deus " (2 João 1:9-10).

Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos.”  (Gálatas 5:13-15).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Dívidas

O que abrange o mandamento "a ninguém devais coisa alguma" quanto a dívidas civis, financeiras e morais.

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei”.

Romanos 13:8

O alcance do mandamento em Romanos 13:8.

Este mandamento é singular, pois o ensino em toda a Bíblia visa o comportamento dos credores, com respeito à compaixão que devem ter para com os seus devedores. Ele abrange o cumprimento de todas as obrigações do crente como devedor, sejam elas civis, morais, financeiras ou de qualquer outra espécie, em consonância com os versículos precedentes (obrigações civis) e o restante do versículo (obrigação moral).

Analisaremos a seguir as dívidas que um crente está sujeito a ter aqui no mundo, e que deverão ser prontamente pagas em conformidade com este mandamento. Sem dúvida haverá várias outras em função das nossas circunstâncias, mas espero que estas sirvam de exemplo:

DÍVIDAS CIVIS   


Todo cidadão está sujeito a obrigações civis, que variam entre os países. O versículo em pauta vem logo após uma exortação para que essas obrigações sejam cumpridas: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação” (Romanos 13:1,2). O cumprimento das leis do país em que vive é uma obrigação de todo o crente (desde que não firam os mandamentos de Deus). “A quem temor, temor, a quem honra, honra” (Romanos 13:7). A regularização dos seus documentos, os serviços diversos como o militar, júri, participar nas eleições, e outros mais, são obrigações civis no Brasil.

DÍVIDAS FINANCEIRAS

As obrigações financeiras exigem muita atenção, pois o seu cumprimento é geralmente uma das principais medidas para se avaliar a honestidade e integridade de uma pessoa. O crente deve primar por cumprir estas obrigações, e é lamentável ouvir o número de casos em que o testemunho de crentes, que aparentam ter boa maturidade, tem sido comprometido por dívidas não pagas.

Empréstimos são parte da economia doméstica, geralmente necessários para se obter casa-própria e aquisição de bens mediante cartão de crédito, bem como aos comerciantes, fazendeiros, produtores, etc, para desenvolverem as suas atividades.

Curiosamente alguns têm interpretado Romanos 13:8 como uma proibição à contratação de empréstimos e apenas isso. Não encontramos alguma diretiva condenando o ato de contratar um empréstimo, como se fosse um pecado. Na lei dada através de Moisés, que “é santa; e o mandamento, santo, justo e bom” (Romanos 7:12), os empréstimos são normalmente regulados, o que não aconteceria se fossem pecado (p.ex. Êxodo 22:25, Deuteronômio 24:6, 10-13).   

Um empréstimo consiste em trocar um compromisso por um benefício. Este intercâmbio é normal e legítimo, havendo uma recompensa ao credor pelo tempo decorrente entre o empréstimo e o reembolso. Há séculos existe a interveniência facultativa de terceiros, como os bancos, para dar maior garantia ao credor ao assumir eles próprios o risco de inadimplência pelo devedor.   

O crente estará em falta se assumir um compromisso, ou tomar emprestado, se não tiver condições de cumpri-lo em seu vencimento. É a falta do pagamento na data contratada que o tornará “devedor” no sentido deste mandamento.   

Assim também contrai-se dívida se as contas dos serviços, como aluguel, luz, água, gás, telefone, escola, etc., não forem pagas em seu vencimento.   

Outras obrigações usuais são os impostos - federais, estaduais e municipais. Nem sempre as autoridades dispõem de todos os dados para o lançamento dos impostos e taxas, e neste caso pedem ao contribuinte que forneça algumas informações. Vem aqui a tentação de mentir, prática por demais comum no mundo. O crente deve resistir a essa tentação, não só por ser pecado de mentira e mesmo de roubo, mas também em coerência com o ensino do Senhor Jesus, quando lhe perguntaram se era lícito dar tributo ao imperador romano, e Ele respondeu: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus.” Às vezes as próprias autoridades civis exorbitam ao que lhes permite a legislação, e neste caso é justo que se tomem as medidas legais pertinentes, como mandado de segurança, etc. Uma vez estabelecido o valor correto, este deve ser pago para não se ficar em dívida.   

Na maioria das vezes a dívida financeira ocorre devido a imprudência ou desleixo do devedor que gasta mais do que recebe. Um crente deve cuidar dos seus bens como bom administrador daquilo que Deus lhe confiou, e uma boa administração consiste em equilibrar a receita com a despesa, deixando uma margem para os imprevistos. Mas pode ter outras causas, sobre as quais ele não tem controle. Não é portanto justo julgar mal a pessoa que se encontra insolvente, sem conhecer bem a causa.

O crente, no entanto, peca se ficar em dívida financeira. Sua obrigação é a de liquidá-la, cumprindo assim com o mandamento em Romanos 13:8, usando de todos os meios disponíveis, como negociar um refinanciamento, obter um empréstimo (desde que possa pagá-lo em seu vencimento), vender seus bens, hipotecar sua casa, reduzir seus gastos, etc.

Se ainda assim estiver em apuros, ele deve levar o assunto à direção da sua igreja, para que lhe dêem assistência. Enquanto a dívida persistir, ele estará em pecado e é melhor que ele próprio confesse o seu estado logo para que o assunto seja resolvido da melhor maneira possível. Se ele silenciar, o assunto virá eventualmente ao conhecimento público quando ele sofrer as sanções legais, para prejuízo do seu testemunho pessoal e, por conexão, do da igreja também.

DÍVIDAS MORAIS 

Estas são dívidas que surgem em vista de nosso relacionamento pessoal com outras pessoas. Promessas, por exemplo, são obrigações que devem ser cumpridas, senão serão mentiras. Não juramos, para não sermos condenados por perjúrio, mas nos limitamos ao “sim, sim” e “não, não” (Tiago 5:12). Quantas crianças aprendem a desconfiar dos seus pais e outros adultos pelas promessas vazias que lhes são feitas! O ditado popular diz que “promessa é dívida”, e é uma dívida fácil de adquirir, mas muitas vezes difícil de pagar! A integridade moral exige que não façamos qualquer promessa que não tenhamos os meios, ou a intenção, de cumprir. Uma vez feita, que seja cumprida sem vacilação.

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho!” (1 Coríntios 9:16). Esta foi também uma obrigação declarada pelo apóstolo Paulo. Temos o dever de proclamar o Evangelho ao mundo perdido, como luzes na escuridão. Há muitas formas de fazê-lo, pessoalmente, junto com outros irmãos, em trabalhos da igreja, em apoio aos evangelistas, programas de rádio, impressos, etc.   

A única dívida permitida é “o amor com que vos ameis uns aos outros”. Essa é a dívida que incorremos quando recebemos a Cristo como nosso Salvador e Senhor, pois é o Seu grande mandamento para nós e é uma obrigação constante. Devemos estar sempre pagando esta dívida, mas ela nunca nos será quitada.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Divina inspiração das epístolas de Paulo

Paulo escreveu inspirado pelo Espírito Santo. A perfeição e infalibilidade das Escrituras reunidas em nossa Bíblia atestam à influência extraordinária e sobrenatural exercida por Deus através dos séculos sobre os seus vários escritores, mediante a Sua inspiração. A Bíblia, que é a coleção de todos o

Paulo diz que "toda Escritura é inspirada por Deus" (2 Timóteo 3:16), mas em algumas passagens ele usa a expressão "falo como homem" (Romanos 3:5; 6:19; 2Co.11:17; Gl.3:15). Como conciliar isso?

Paulo declarou que "toda a Escritura é inspirada por Deus": nossa respiração física consiste em inspirar o ar que contém o oxigênio vital para o nosso organismo; assim também os escritores sagrados receberam diretamente de Deus, como um sopro, o conteúdo das mensagens que escreveram.

A perfeição e a infalibilidade das Escrituras reunidas em nossa Bíblia atestam à influência extraordinária e sobrenatural exercida por Deus através dos séculos sobre os seus vários escritores, mediante a Sua inspiração. A Bíblia, que é a coleção de todos os seus livros, é um milagre que só Deus poderia ter operado. Ela está completa, contém toda a revelação de Deus escrita para a humanidade, e Ele nada mais tem para nos dizer em nossa atualidade - se dissesse, seria uma repetição do que já está escrito.

Mas os escritores não foram como robôs, ou apenas escribas de textos que lhes eram ditados. A maravilha é que Deus usou as suas personalidades para expressar Suas verdades eternas mediante o processo de raciocínio humano, de forma a transmitir exatamente a mensagem de Deus em uma linguagem que está ao alcance do intelecto de cada um de nós.

Assim podemos perceber as características de estilo peculiares a cada escritor através dos livros da Bíblia, sem de forma alguma prejudicar a sua perfeita concordância e coerência, embora tenham sido escritos através de séculos por homens de variadas culturas, ocupações e idiomas.

Como os outros escritores, o apóstolo Paulo deixa bem claro a sua estilística própria. Educado na melhor escola da seita judaica dos fariseus, em meio à cultura grega que prevalecia em seu tempo, seus escritos primam pela exatidão da linguagem e pela lógica dos argumentos, alguns dos quais requerem grande atenção para serem compreendidos. Algumas vezes ele até coloca lado a lado pontos de vista diferentes para maior elucidação do que está a ensinar.

Pedro se refere a ele dizendo "... nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição." (2 Pedro 3:15,16). Note-se que Pedro coloca os escritos de Paulo em igualdade com as outras Escrituras.

Paulo encontrou considerável oposição dentro da igreja de Corinto ao que ele ensinava. Alguns até punham em dúvida o seu ministério e a sua autoridade de apóstolo, o que o obrigou a defendê-la brilhantemente em sua segunda carta àquela igreja (capítulos 10 a 12). Ele disse que se fazia de insensato ao aparentemente se vangloriar das suas notáveis experiências, pois "não é aprovado quem a si mesmo se recomenda, mas aquele a quem o Senhor recomenda" (10:18 - NVI), e "ao ostentar este orgulho, não estou falando segundo o Senhor, mas como insensato" (11:17 - NVI).

Temos aqui uma ilustração da retórica de Paulo: como servo fiel do Senhor, ele era humilde e abnegado e normalmente nunca iria exaltar sua própria pessoa diante dos outros. Mas a única maneira de eliminar o mal causado pela maledicência dos revoltosos dentro daquela igreja foi de defender-se, falando como insensato, e não segundo o Senhor. Sem dúvida, fora inspirado por Deus a escrever desta forma, para remediar o mal naquela igreja e em inumeráveis outras até os dias hoje, onde aparecem aqueles que querem pôr em dúvida os seus ensinos.

Vejamos agora os outros textos apresentados pelo nosso indagador:

Romanos 3:5: "E, se a nossa injustiça for causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto, trazendo ira sobre nós? (Falo como homem.)". Paulo aqui está propondo um argumento sofista, isto é, de alguém que usa habilidade retórica para defender um argumento logicamente inconsistente. Portanto, um homem. Isto não quer dizer que Paulo não estava escrevendo por inspiração divina, mas apenas apresentava um ponto de vista falho e humano para posterior argumentação. Mas a própria indagação já convida a uma resposta negativa, e nos versículos seguintes o apóstolo esclarece perfeitamente a justiça de Deus como realmente ela é.

Romanos 6:19: "Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação." Este é um notável exemplo de como a palavra de Deus nos é apresentada: nosso intelecto e conhecimento é limitado de uma forma ou outra pelo ambiente em que vivemos e pela nossa experiência, limite este aqui chamado de fraqueza da carne. Paulo então fala como homem a fim de ser compreendido pelos romanos. Eles estavam acostumados à prática da escravidão, ou servidão, e Paulo usa essa metáfora para ilustrar a transformação do comportamento pecaminoso em piedoso: tal como mudar a apresentação dos membros do corpo para o serviço de um para o de outro senhor. Ainda hoje podemos compreendê-lo. Paulo não quis dizer que não estava inspirado ao dizer isto, mas que estava falando de forma que pudesse ser compreendido.

Gálatas 3:15: "Irmãos, como homem falo. Se o testamento de um homem for confirmado, ninguém o anula nem lhe acrescenta alguma coisa." Paulo aqui se refere às obrigações contratuais profanas, não religiosas, e para que isto se saiba esclarece: como homem falo. O que se segue diz respeito a um contrato sagrado, e assim como as cláusulas de um contrato profano devem ser observadas, muito mais ainda o que foi feito entre Deus e Abraão. Deus realmente tem cumprido fielmente a sua parte e Cristo éa posteridade de Abraão mediante Quem foi abençoada toda a terra. O Senhor Jesus mesmo disse "Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se." (João 8:56).

Finalmente, alguns objetam que o apóstolo Paulo escreveu, por exemplo: "Aos outros, eu mesmo digo isto, não o Senhor ..." (1 Coríntios 7:12 - NVI), sugerindo que o ensino que ele deu aqui não foi inspirado porque não teria vindo do Senhor. Mas estão redondamente enganados: longe de dizer que não estava inspirado, o apóstolo está juntando suas palavras às do Senhor. Com a formação da igreja de Cristo, e a conversão de gentios, surgiram muitas situações fora das limitações religiosas já existentes dos judeus, não abrangidas pelo ensino do Senhor em Seu ministério que fora dirigido especialmente, embora não exclusivamente, aos israelitas. Essas novas situações demandavam diretivas, e somente as palavras inspiradas de um apóstolo poderiam dá-las (ver 1 Coríntios 7:40, 2 Pedro 3:2).

"Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana ... Eu o recebi de Jesus Cristo por revelação." Paulo aos Gálatas 1:11,12.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Divina separação

A separação, também chamada santificação, é em sua essência um relacionamento pessoal com Deus. Quem não tiver esse relacionamento não pode entrar em Sua presença santa. Como todo o crente é santificado em Cristo Jesus (1 Coríntios 1:2), todo o crente é chamado de santo no Novo Testamento. Logo a sa

Em que aspecto de santificação o autor da carta aos Hebreus
trata do assunto em Hebreus 12:14: “Segui a paz com todos
 e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”?


A palavra santificação é a tradução do grego hagiasmos, usada na Bíblia sob dois aspectos:

  • A separação para Deus.
  • O estilo de vida adequado aos que assim se separaram.

Nosso interlocutor está em dúvida sobre qual aspecto é aplicável na exortação dada em Hebreus, pois seguindo o argumento nos versículos precedentes, onde o escritor fala da disciplina de Deus, que “nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade”, temos a impressão que se trata de um esforço nosso. Mas, como sem essa santificação ninguém verá a Deus, ele deve estar se referindo ao primeiro aspecto.

A resposta é que ambos os aspectos estão incluídos aqui. A santificação é uma só, não havendo, por assim dizer, um tipo que significa purificação e consagração, e outro tipo limitado a um esforço do crente no dia-a-dia da sua luta contra a carne, o mundo e o diabo. Ninguém pode, por si próprio, santificar-se: não pode sequer separar-se para Deus, muito menos separar-se de suas próprias vontades, do mundo e do diabo.

A santificação é, em essência, um relacionamento com Deus. A única maneira de entrar nesse relacionamento é mediante a fé em Jesus Cristo, no Espírito de Deus (Atos 26:18; 1 Coríntios 6:11), e só se tornou possível mediante a Sua morte expiatória (Efésios 5:25-26; Colossenses 1:22; Hebreus 10:10-29; 13:12). É por isso que o versículo em questão diz que, sem a santificação, “ninguém verá o Senhor”. Quem não tiver esse relacionamento com Deus não pode entrar em Sua presença santa.

Tendo assim entrado nesse relacionamento, o crente é como que “adotado como filho” por Deus. Deus deseja tornar perfeita a santificação do crente (1 Tessalonicenses 4:3), separando-o das coisas e dos caminhos maus pois para isso lhe foi proclamado o Evangelho (1 Tessalonicenses 4:7), e é de Deus que ele vai aprender (1 Tessalonicenses 4:4), à medida que Deus o ensina pela Sua Palavra (João 17:17-19). Como um pai disciplina o seu filho a fim de guiá-lo com sabedoria até alcançar a maturidade, assim também Deus nos disciplina para nosso proveito a fim de sermos participantes da Sua santidade.

Ele nos ensina pela Sua Palavra, na prática da qual ganhamos experiência, e na desobediência da qual sofremos castigo. Dentro da nossa igreja local aprendemos e nos educamos uns aos outros no caminho da santidade.

A nossa fé é provada para o nosso fortalecimento: as provas são suportáveis, pois não somos provados além das nossas forças; são penosas e podem trazer sofrimentos, mas haverá regozijo com as vitórias. E temos ainda, para nosso estímulo, um galardão prometido a cada um que vencer.

Embora dotados de poder pelo Espírito Santo para alcançar vitórias, estamos sujeitos a cansar, esmorecer e mesmo a cair. Esta passagem em Hebreus nos estimula a perseverar em meio à disciplina do Senhor quando somos reprovados por Ele. Uma reprovação não significa abandono, ao contrário, é parte integrante da nossa aprendizagem e prova do empenho amoroso de Deus no Seu sublime objetivo de nos fazer participantes da Sua santidade.

Somos exortados a restabelecer as mãos descaídas e os joelhos trôpegos daqueles que estão fraquejando; fazer caminhos retos para os pés, para que não se extravie o que é manco: tenhamos em consideração os que têm dificuldades em compreender corretamente a vontade de Deus, ensinando-os claramente para que saibam como se conduzir e servindo-lhes de exemplo para seguir; segui a paz com todos (se possível, quanto depender de nós - Romanos 12:18); e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, para a qual dependemos inteiramente do nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo.

Como todo o crente é santificado em Cristo Jesus (1 Coríntios 1:2), todo o crente é chamado de santo no Novo Testamento. Logo a santidade, ou santificação, não é algo alcançado pelos méritos de uma pessoa, mas é um estado que Deus concede gratuitamente aos pecadores, e no qual eles iniciam a sua carreira cristã (Colossenses 3:12, Hebreus 3:1).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Divórcio com novo casamento

Qualquer divórcio (fora por motivo de imoralidade) é o resultado de desobediência a Deus, e conduz ao adultério. Estas declarações foram dirigidas aos judeus, esclarecendo o que o Senhor Jesus, como Rei, determinava aos seus súditos. A mulher crente não deve se separar do marido, nem o marido crent

A facilidade com que se obtém o divórcio atualmente, daí resultando novos casamentos, está tendo repercussões em algumas igrejas locais, particularmente no que diz respeito aos novos convertidos.

As opiniões sobre que atitude tomar vacilam entre um severo legalismo e compaixão. Em alguns lugares, segundo me informam, existe até receio de pregar o Evangelho a divorciados casados de novo, por causa dos problemas que advirão caso se convertam!

Não queremos e nem podemos ditar normas sobre esse assunto, mas apenas vamos procurar esclarecer o que aprendemos das Escrituras, pois os trechos onde é tratado podem às vezes nos parecer conflitantes.

Brevemente, vejamos o que vem a ser casamento e divórcio:

Casamento: o Senhor Jesus, referindo-se à união do homem e da mulher em Gênesis 2:24, disse: “de modo que já não são mais dois, porém uma só carne” (Mateus 19:6). O casamento dá origem a uma entidade única composta de um homem e de uma mulher, que é o início de uma nova família.

Divórcio: continuando, o Senhor Jesus disse: “o que Deus ajuntou, não o separe o homem”. É um mandamento proibindo a separação do casal, sendo a separação, portanto, um pecado diante de Deus, e o divórcio um resultado desse pecado. O divórcio consiste em eliminar todos os laços matrimoniais entre um casal, dentro de certas condições determinadas por um juíz visando a proteção dos filhos, equidade econômica, etc. Com o divórcio o casamento é desfeito e os que eram cônjuges voltam a ser livres como antes de se casarem, fora as obrigações do decreto de divórcio.

A idéia que o casamento é “indissolúvel” vem da tradição católica romana, segundo a qual o casamento celebrado pelos seus sacerdotes só pode ser dissolvido com a permissão do papa. A legislação brasileira adotava essa “indissolubilidade” até recentemente.

O Senhor Jesus foi provocado a se pronunciar a respeito do divórcio pelos religiosos judeus, porque a lei de Moisés previa a possibilidade do marido emitir carta de divórcio à mulher se ele não se agradasse dela (Deuteronômio 24:1-4). Encontramos seu ensino nas seguintes passagens dos Evangelhos: Marcos 10:2-12 e Lucas 16:18.

A permissão de lavrar carta de divórcio e repudiar a mulher foi dada na lei junto com a proibição de um segundo casamento entre os dois, se houvesse outro casamento e divórcio por parte da mulher. O Senhor Jesus declarou aos fariseus que a permissão fora dada por causa da dureza dos seus corações, mas o homem não deve separar o que Deus ajuntou.

Aos discípulos ele esclareceu que aquele, ou aquela, que repudiar o seu cônjuge e casar outra vez comete adultério. Esses trechos não contemplam o divórcio por causa de adultério: segundo a lei, o cônjuge infiel que praticasse adultério seria apedrejado (Deuteronômio 22:22-25); o outro cônjuge, enviuvado, poderia casar-se novamente. Mateus 5:31-32 e 19:8-12: o Senhor Jesus exclui o repúdio por imoralidade (gr. porneia) da proibição de novo casamento.

Imoralidade aqui pode significar adultério, infidelidade durante o período de noivado (veja Mateus 1:19), ou casamento consanguineo, entre parentes muito próximos (Levítico 18). Neste caso, o divórcio é admitido. Como nos demais casos um novo casamento seria adultério, os discípulos julgaram ser preferível não casar (19:10). O Senhor retorquiu que alguns homens e mulheres não precisam se casar, podem viver isolados. Isto não é para todos (1 Coríntios 7:2), mas uma decisão individual.

Em resumo, qualquer divórcio (fora por motivo de imoralidade) é o resultado de desobediência a Deus, e conduz ao adultério. Estas declarações foram dirigidas aos judeus, esclarecendo o que o Senhor Jesus, como Rei, determinava aos seus súditos.

O Seu reino terrestre, quando Ele regerá o povo com a vara de ferro, virá brevemente, no Dia do Senhor. Se Ele reina em nossos corações, fazemos bem em obedecê-lo também.

Pertencemos a uma nova congregação, a igreja de Cristo, que, embora situada no mundo, não é do mundo. Os que a ela pertencemos não estamos sujeitos à lei de Moisés, mas amamos a Deus e a Seu Filho, e damos prova disto pelo amor que temos uns pelos outros (João 15:10,12, Romanos 13:8-10).

A desobediência a Deus é característica do incrédulo, do homem sem Deus, resultando em divórcio, assassínio, furto, falso testemunho, etc. Não temos como impedi-lo: ao pecador perdido, esses são muitos dos sintomas do seu pecado e o seu destino é a separação eterna de Deus. A única coisa, e a mais importante, é pregar-lhe o Evangelho da salvação em Cristo. Quando o pecador se arrepende e recebe a Cristo como seu Senhor e Salvador, ele se torna em uma nova criatura. Todo o seu pecado lhe é perdoado, mesmo que tenha resultado em adultério, divórcio, assassínio, etc., tendo o sangue de Cristo pago o preço da sua redenção.

Não há razão por que não seja batizado ou recebido com dignidade pela igreja local na condição de um recém-nascido em comunhão na igreja local, participando também da Ceia do Senhor. Quanto ao seu ministério, o Espírito demonstrará se está habilitado através dos dons que lhe serão outorgados. Não pode haver comunhão entre o salvo e o mundo, assim como a luz não tem comunhão com as trevas, nem pode haver união do crente com o incrédulo (2 Coríntios 6:14,15).

Tendo surgido por isto a dúvida sobre o casamento já existente com um incrédulo e se o crente devia deixá-lo, como todas as outras coisas, o apóstolo Paulo, dirigido pelo Espírito Santo declarou:

1 Coríntios 7:12-17: Quando Paulo diz “digo eu, não o Senhor” ele introduz uma instrução nova, com a autoridade que tem de apóstolo, dirigido pelo Espírito Santo). O ensino é que, ao se converter, uma pessoa não deve deixar seu cônjuge se ele continuar incrédulo, especialmente se tiverem filhos, pois estes podem ser levados a Cristo pelo crente, e neste sentido são “santos”. O crente deve fazer o que puder para levar seu cônjuge a Cristo, e, se depender dele, deve ficar na situação em que se encontrava ao salvar-se: casado. Mas se o cônjuge incrédulo resolver deixá-lo, o crente não mais estará “sujeito à servidão”, pois fomos “chamados à paz”: o divórcio dissolve os laços matrimoniais. Embora não esteja explícito, cabe o entendimento que, sendo a parte inocente, o marido (ou mulher) crente que tiver sido divorciado está livre para contrair novas núpcias pois, nas palavras de Paulo “por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (1 Coríntios 7:2).

“Cada um permaneça no estado em que foi chamado” (1 Coríntios 7:17-24): não se justifica exigir de um novo convertido, divorciado e casado em segundas núpcias antes de se converter, que deixe a sua presente esposa e procure novamente casar-se com a divorciada, como, segundo fui informado, já tem acontecido. Mesmo se fosse legalmente possível, é raramente viável sem causar imensos transtornos e infelicidade a todos. Posturas como essa estão mandando almas preciosas para o inferno, pois muitos acabam não pregando o Evangelho aos divorciados por “ser politicamente correto” perante a igreja local, e o mais grave ainda é que um comportamento como esse seria a mesma coisa que afirmar-se que o sacrifício de Cristo purifica todos os pecados, menos o do divorciado incrédulo casado de novo.

A situação de um casal de crentes diante de Deus é tal que parece impossível que venham a se divorciar: provamos a todos que Deus permanece em nós pela prática do grande mandamento de Cristo, que nos amemos uns aos outros (1 João 4:13); mais ainda, o marido deve amar a sua esposa como Cristo amou a igreja, e a esposa deve ser submissa a seu próprio marido, como ao Senhor (Efésios 5:22-33). A mulher crente não deve se separar do marido, nem o marido crente da sua mulher (1 Coríntios 7:10-11), como o Senhor já havia dito aos judeus; se, desobediente, a mulher (ou o marido, entendemos também) se separar, ela não deve se casar outra vez, mas procurar uma reconciliação. Embora, segundo o Senhor, a imoralidade seja um motivo legítimo para o divórcio, o cônjuge cristão ofendido tem a oportunidade, se não o dever, de se reconciliar com o cônjuge infiel se este confessar a sua ofensa e pedir o seu perdão (Marcos 11:26), assim como Cristo nos perdoa todo o pecado (1 João 1:9).

Infelizmente surgem situações em que um dos cônjuges, supostamente crente, foge aos seus deveres e, desobediente a Deus, se separa e depois obtém o divórcio. Por exemplo, se a esposa de um crente se divorcia dele legalmente por qualquer motivo permitido pela lei vigente no país, poderá ele se casar outra vez? Independentemente do motivo legal, se houver imoralidade da mulher (e geralmente há), não parece haver dúvida que sim, em função do ensinamento do Senhor. Mas tal mulher, se for realmente crente e arrepender-se, ao que entendemos não deverá se casar outra vez (1 Coríntios 7:11). Quem se declara crente e se divorcia, está negando a sua fé. Outras situações ainda podem surgir e devem ser estudadas cuidadosamente à luz da Bíblia, usando sempre de misericórdia como é a vontade de Deus: “sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai” (Lucas 6:36) , e “misericórdia quero, e não sacrifício” (Oséias 6:6).

O pecado é uma coisa terrível e, embora perdoado, em certos casos deixa marcas e conseqüências que não se podem apagar. No caso do divórcio, vidas arruinadas e pior ainda, crianças sem um lar com o amor do pai e mãe, e todas as confusões que surgem com novos casamentos e novos filhos, etc. Por melhor que queiramos, não podemos na maioria das vezes consertar as situações surgidas. Mas podemos mostrar amor, “que cobre uma multidão de pecados”, para as vítimas deste pecado, que muito sofrem, particularmente se são a parte inocente e agora vivem vida nova em Cristo.

Talvez algum irmão encontre dificuldade em aceitar estes argumentos, por convicções próprias ou outro motivo. Reconhecemos que nem sempre todos vemos as coisas pelo mesmo prisma. O divórcio é um golpe profundo, extremamente traumatizante à vítima e aos seus filhos e familiares, do qual não se pode voltar para trás. Sejamos misericordiosos aos irmãos que passaram por isto, vítimas do pecado e da desobediência de outrem. Lembremo-nos da exortação: “de modo que deveis, pelo contrário, perdoar-lhe e confortá-lo, para que não seja o mesmo consumido por excessiva tristeza” (2 Coríntios 2:7-8). A compaixão de Deus se revelou quando Cristo perdoou a mulher adúltera. Estaríamos nós entre os que a condenavam, mas depois saíram porque também tinham pecado?

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Dízimo

O dízimo era uma contribuição feita a Deus pelos judeus, e era obrigatório sobre a renda agrícola e pastoril conforme a lei de Moisés. Não se aplica à igreja de Cristo, onde a contribuição não é imposta, mas é feita voluntariamente por cada um dos seus membros.

O dízimo é a décima parte de um todo. É freqüente ouvir exortações pelo rádio ou televisão conclamando os ouvintes a contribuir com o dízimo do seu salário, e qualquer outra receita, para determinadas organizações ou igrejas, com base em versículos tirados do Velho Testamento (na absoluta falta de qualquer referência a esta pretensa obrigação no Novo Testamento). É um exemplo clássico da retirada de versículos fora do seu contexto para uma indevida aplicação.

Vejamos as três ocorrências do dízimo encontradas no Velho Testamento:

1. O DÍZIMO DADO POR ABRÃO A MELQUISEDEQUE:

Depois que Abrão voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma, no vale de Savé (que é o vale do rei). Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo; e abençoou a Abrão… E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo. Então o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas; e os bens toma-os para ti. Abrão, porém, respondeu … não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio, nem uma correia de sapato, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão” (Gênesis 14:17-23).

Sobre este evento temos referência no Novo Testamento: “Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou, a quem também Abraão separou o dízimo de tudo… Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dentre os melhores despojos… E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos” (Hebreus 7:1-9).

Abraão deu a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, a décima parte do saque conquistado na guerra, “os melhores despojos”. Não era parte da sua propriedade, e nem tencionava Abraão ficar com o resto dos despojos, pois os entregou imediatamente depois ao rei de Sodoma, de quem haviam sido roubados anteriormente. Não há nada na Bíblia que nos possa sugerir que Abraão costumava dar o dízimo regularmente sobre a sua renda. É, portanto, um absurdo ridículo concluir que esta ocorrência isolada e apenas demonstrativa da superioridade do sacerdote Melquisedeque sobre Abraão e sobre o sacerdócio levítico, seja exemplo válido para exigir que os cristãos paguem 10% dos seus salários (não despojos de guerra), à sua igreja ou aos pregadores no rádio e televisão, como alguns destes sustentam.

2. O DÍZIMO PROMETIDO AO SENHOR POR JACÓ:

Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar… e me der pão… e vestes… de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se o Senhor for o meu Deus, então… de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gênesis 28:20-22).

Jacó, neto de Abraão, primeiro reconheceu que o Senhor é Deus, depois lhe propôs um negócio: se o Senhor cumprisse com as condições estabelecidas por Jacó, então Jacó lhe devolveria um décimo. Esta é a primeira e única vez que lemos na Bíblia sobre alguém que promete devolver a Deus o dízimo de tudo o que dEle receber. A importância dessa proposta de Jacó, ou Israel como Deus o chamou mais tarde, é que o Senhor a aceitou, e cumpriu com a Sua parte, e com base nela estabeleceu as regras dos dízimos na lei dada aos seus descendentes através de Moisés.

Não se recomenda a nenhum cristão negociar com o Senhor desta forma, muito menos considerar que ele e seus irmãos na fé estão obrigados a pagar dízimos por causa do que Jacó contratou. Deste exemplo aprendemos que Deus não espera um “dízimo” antes de ter abençoado o “contribuinte”. Jacó declarou que devolveria a décima parte a Deus: mas como? Ainda não havia igreja local, templo ou o sacerdócio levítico, e não havia como entregá-lo pessoalmente a Deus ou a um anjo. Mas havia duas maneiras diferentes: participando de uma parte ele próprio e a sua família em comunhão e com agradecimentos a Deus (Deuteronômio 12:6-7), e distribuindo ao estrangeiro, ao órfão e à viúva (Deuteronômio 14:29).

3. OS DÍZIMOS EXIGIDOS DE ISRAEL PELA LEI DE MOISÉS:

Seria necessário ler a lei para verificar todas as suas minúcias. O povo de Israel era composto de doze tribos, das quais uma, a de Levi, fornecia os sacerdotes e escribas para o serviço de Deus e para a instrução do povo. Essa tribo não herdou território do qual pudesse tirar o seu sustento da terra, e os dízimos se destinavam principalmente ao seu sustento e à própria manutenção do templo. Os dízimos eram cobrados apenas dos fazendeiros, que pagavam dízimos em espécie sobre o que cultivavam e criavam, havendo a cobrança de dois durante cada ano e um terceiro em cada terceiro ano.

Quem não fosse fazendeiro pagava apenas meio siclo por ocasião da Páscoa: não se cobravam dízimos sobre salários ou rendas financeiras. A imposição de dízimos era parte da lei de Moisés, e somente podia vigorar enquanto a lei de Moisés estivesse vigente. A lei de Moisés terminou quando Jesus Cristo morreu na cruz, dando início ao Novo Testamento com o Seu sangue.

Com o Novo Testamento, o pagamento de dízimos pelos filhos de Deus cessou completamente, pois:

  1. Como o Senhor Jesus havia declarado, o templo israelita foi totalmente destruído (Mateus 24:1-2). Somente os sacerdotes levitas podiam receber os dízimos, e não existem mais.
  2. Deus não habita em templos feitos por mãos de homens (Atos 17:24).
  3. Os verdadeiros crentes, os santos, são agora o templo de Deus segundo o Novo Testamento (2 Coríntios 6:16).
  4. Como não há mais templos, também não existe sacerdócio no templo, sendo cada crente um novo sacerdócio (1 Pedro 2:9).
  5. Do crente não se requer que dê um dízimo a Deus do seu salário, ou da sua renda, mas que entregue tudo o que ele é e tem (Romanos 12:1), sendo ele próprio o templo onde Deus habita. Ele não precisa de um intermediário ou intercessor, sendo Jesus Cristo seu perfeito intercessor e Sumo Sacerdote assentado à destra da Majestade nos céus (Hebreus 7:28-8:1). Somente começaram a aparecer as cobranças de “dízimos” financeiros em igrejas muitos séculos depois do início do cristianismo, para sustentar as instituições religiosas que se formaram. São totalmente diferentes dos dízimos do Velho Testamento, logo não podemos nos basear em textos do Velho Testamento para defendê-los.

Em princípio, a contribuição financeira dos santos à obra de Cristo não é feita em função de uma alíquota obrigatória, igual para todos, mas cada um contribui na medida em que tiver prosperado. Alguns podem dar muito, outros pouco e alguns mesmo nada. Deus ama ao que dá com alegria (2 Coríntios 9:7).

Cada um poderá destinar sua contribuição a um ou mais fins específicos na obra de Deus, por exemplo: Paulo em seu tempo recomendou aos santos de Corinto que semanalmente pusessem à parte uma contribuição destinada aos que sofriam em Jerusalém (1 Coríntios 16:1-4). Muitos vão preferir fazer ofertas anônimas em obediência ao princípio que encontramos em Mateus 6:3. Não é necessário, e poucas vezes é recomendável, que se assuma um compromisso com o destinatário.

A Bíblia não ensina em lugar algum que a contribuição deve ser dada integralmente à igreja local, a uma missão, entidade ou a uma pessoa qualquer. Ao contrário, a recomendação de Paulo foi no sentido de que seja guardada à parte, em particular, para ser fornecida na medida da necessidade. Devemos ajudar na manutenção da nossa igreja local, mas isso não significa passar tudo para ela.

A Bíblia especifica que deverão ser estimados por dignos de duplicada honra, ou remunerados, os presbíteros que governam bem, principalmente os que trabalham na Palavra e na doutrina (1 Timóteo 5:17, Gálatas 6:6). As necessidades que chegam ao nosso conhecimento podem ser variadas, e às vezes algumas surgem inesperadamente. Como despenseiros daquilo que Deus nos confia, sejamos sábios com a maneira em que o empregamos.

Ninguém tem o direito de assumir autoridade para distribuir o que é da nossa responsabilidade, muito menos de ditar quanto deve ser a nossa contribuição para determinado trabalho. Por outro lado, existem irmãos que oferecem ao Senhor o seu tempo e habilidade para encaminhar nossas contribuições ao seu destino, como o apóstolo Paulo, e fazemos bem em usarmos os seus serviços, agradecendo a Deus por eles.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Emanuel, Deus Conosco

Considerações sobre a grandeza, a santidade e o poder do Deus eterno e ver como todas estas características de Deus são vistas no Senhor Jesus Cristo – “Deus foi manifestado na carne”.

Nestes dias marcados por incredulidade, dureza de coração e desvios, vamos parar um pouco para considerar a grandeza, a santidade e o poder do Deus eterno e ver como todas estas características de Deus são vistas no Senhor Jesus Cristo – “Deus foi manifestado na carne” (1 Timóteo 3:16).

O NOME DE DEUS


Há preciosos pensamentos acompanhando os nomes bíblicos de Deus. Em Êxodo 3:13-14, Moisés pergunta a Deus “Qual é o seu nome?” Deus responde: “Eu Sou o que Sou, assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós outros”. Em Êxodo 6:2, Deus diz: “Eu sou o Senhor”. A palavra que é traduzida como Senhor, que em muitas Bíblias aparece com todas as letras maiúsculas, é a palavra hebraica YEHOVA, que é às vezes aportuguesada para Jeová. O significado deste nome sagradíssimo, “Eu Sou”, dá ênfase à eternal existência de Deus: “Aquele que é, era e sempre será”.

No Salmo 146 o nome Jeová, que geralmente é traduzido como Senhor, aparece 11 vezes. É especialmente precioso para nós, os crentes, a declaração do versículo 5: “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está posta no Senhor seu Deus".

Neste Salmo, nos versículos 1 a 4, somos exortados a louvar o Senhor e tirar nossos olhos dos homens “em quem não há salvação”. No versículo 5 vemos o segredo da felicidade daqueles que têm o auxílio do Deus de Jacó, pois sua confiança está no Deus eterno. Nos versículos 6 a 10, vemos algumas características de Jeová: 1 - Seu poder criador; 2 - Seu absoluto desejo de verdade; 3 - Seu cuidado pelos oprimidos; 4 - Sua provisão para os famintos; 5 - Ele é o que pode libertar os encarcerados; 6 - Abrir os olhos dos cegos; 7 - Levantar os abatidos; 8 - Seu amor para os justos; 9 - Sua guarda pelos estrangeiros; 10 - Seu alívio pelos órfãos e viúvas; 11- Seu julgamento para os ímpios; 12 - Seu reinado será eterno. E termina como começou, com uma exortação de louvor ao Senhor Jeová.

SUA HABITAÇÃO


Em Isaías 57:15, lemos que Sua habitação é na eternidade: “assim diz o Alto e Sublime, que habita na eternidade". Em Jeremías 10:10, lemos: “mas o Senhor Deus é a verdade: Ele mesmo é o Deus vivo e o rei eterno” (ou o Rei da Eternidade). Agora vamos para uma verdade mui gloriosa, em Miquéias 5:2, a famosa profecia onde lemos que o Senhor de Israel (o Messias) nasceria em Belém Efrata, e que viria da eternidade. Sim, o Eterno Filho do Eterno Deus, O acompanhava desde a eternidade. Assim podemos afirmar com certeza que o Jeová do Velho Testamento é o Senhor Jesus do Novo Testamento, como nós lemos em João 1:1, “o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

Lendo as características de Deus, descritas no Salmo 146, é praticamente impossível deixar de ver nelas as características demonstradas pelo Senhor Jesus Cristo em Sua vida aqui. Em João 14:8, Felipe diz ao Senhor: “Senhor, mostre-nos o Pai”, e o Senhor responde: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido? Quem vê a mim vê o Pai” (João 14:9) Em João 10:30 Ele diz: “Eu e o Pai somos um”.

É uma maravilha sem igual que este Ser da Eternidade, que podia dizer em João 8:58 “antes que Abraão existisse, Eu Sou”, tomou um corpo humano, sem pecado, e deu-Se na cruz do Calvário por nossos pecados.

SUA HUMANIDADE


Vemos no Senhor Jesus Cristo alguém que nunca deixou de ser Deus, tendo poder sobre a natureza, doenças e morte, e, ao mesmo tempo, era um ser humano que sentia cansaço (João 4:6), fome (Mateus 4:2) sede (João 19:28), e em três ocasiões lemos de Suas lágrimas: Em João 11:35, compadecendo-se dos enlutados, com a morte de Lázaro; em Lucas 19:41, triste com a dureza de Jerusalém e prevendo as calamidades que iriam cair sobre ela; e em Hebreus 5:7, uma referência ao jardim do Getsêmani, quando o Senhor previa o grande fardo de pecados que Deus iria pôr sobre Ele e o castigo que eles mereciam; que Ele iria sofrer das mãos de Deus por nós (Isaías 53:5-6).

SEU POVO


Em Êxodo 6:3 Deus diz a Moisés: “Eu apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, O Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido”. Vemos que Deus estava revelando algo a Moisés, e ao povo da época, que não tinha sido revelado aos patriarcas.

A carta aos Hebreus começa com: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Enquanto Deus Se revelou mais a Moisés do que aos patriarcas, no Novo Testamento vemos Ele se revelando mais ainda, através do Seu Filho: “Ele, que é o resplendor da sua glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas, pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade nas Alturas” (Hebreus 1:3).

Poderíamos ter benção maior do que ter o Filho de Deus como nosso Salvador? Portanto, assim como o salmista exortou, que o Senhor seja louvado de geração em geração. Seria bom que as palavras deste artigo produzissem em cada cristão um desejo de conhecer mais a Deus e o nosso Senhor Jesus Cristo; fazer a Sua vontade e engrandecer “àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele glória e poder para todo o sempre. Amém” (Apocalipse 1:5).

— Nota, por R David Jones: O querido, e agora saudoso, irmão George, foi um dos grandes incentivadores do trabalho desenvolvido pelo Boletim dos Obreiros. O seu apoio nos inspirou a prosseguir em tempos difíceis, na certeza que nosso esforço não era em vão. Muitos têm sido os ataques do inimigo das nossas almas visando nos levar ao desânimo, mas a comunhão que nos é estendida por servos de Deus como ele nos fortalece. Ele deixa muitas saudades e um grande espaço vazio em nosso meio, apesar da avançada idade à qual chegou.
Pessoalmente, eu o conheci quando primeiro chegou ao Brasil, e depois tive contato com ele e com a sua família várias vezes, até que a distância geográfica reduziu o nosso convívio. A impressão que me deixou foi a de um servo de Deus que mais se parecia com um alto executivo de uma empresa: dinâmico, hábil transmissor de idéias, muito simpático, firme em suas convicções, disposto a viajar longas distâncias, dando pouco valor ao seu conforto pessoal.
Transmitida a notícia do seu passamento para a presença de Deus, recebemos um inusitado volume de mensagens, várias ressaltando os benefícios que o nosso irmão George trouxe mediante o seu testemunho pessoal, sua pregação do Evangelho, e seu ministério da Palavra. Vou transcrever algumas passagens tiradas ao acaso desses tributos, que ilustram o valor da vida deste homem de Deus:
“... Ele era franco, direto e não fazia rodeios. Era simpático com o pecador, mas não tolerava o pecado. Trazia sempre o genuíno ensino da Palavra de Deus. Em seriedade era nota 10. Suas palavras eram sim… sim, não …não! Não suportava ver as pessoas tomando o nome de Deus em vão, dizia: “irmão, Deus não tomará por inocente aquele que tomar Seu Santo Nome em vão”! Nos seus sermões não admitia a conversa paralela ou falta de respeito à Palavra de Deus, dizia: “Deus não aceita concorrentes”! Sua maneira de se dirigir ao Senhor Jesus era: “Senhor Jesus Cristo!” - “O Eterno Jeová!” - “A Brilhante Estrela da Manhã!”. Era admirável o seu zelo pela reunião da Ceia do Senhor: almejava que realmente todos os irmãos estivessem preparados para o evento e que fossem dirigidos pelo Espírito Santo. Em suas pregações do Evangelho os pecadores saiam chocados com o seu pecado”.
“… sempre com ele aprendendo, pela maneira dócil de tratar as pessoas, pela sua inquestionável consagração ao aplicar-se no serviço do Senhor, pela firmeza de convicção demonstrada na exposição das verdades bíblicas, sempre feita com muita clareza e profundo conhecimento, e, enfim, pelo seu exemplar comportamento cristão em todas as áreas de sua vida abençoada”.
“... Lembro-me de algumas crianças no acampamento na última vez que ele trouxe os estudos (já faz muito tempo) dizendo que ele era como ‘um vovozinho simpático’ e eles gostavam muito dele, sem algumas vezes perceber a profundidade dos estudos que ele apresentava, enquanto eles ouviam atentamente”.
“... Ele fez questão de estar e tomar parte nos funerais do meu pai em julho de 1987, quando ele viajou mais de mil quilômetros num Fusca”.
“... Posso só imaginá-lo com sua coroa de ouro, cheia de jóias, uma das quais é pelo tempo que tomou para conversar com um pequeno menino que estava se sentindo muito perdido e precisando de um Salvador…” (deduzimos que era o próprio missivista!).
“... O sorriso, atitude para o Evangelho e a maneira com que tratou o povo, seja cristão ou não, era espetacular”.
“... E ele era assim, bondoso, perdoador, um amigo e irmão de fato”.
“... Eu me lembro dele como sendo um homem alegre, bem-humorado e bondoso”.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Em Seu Nome

A responsabilidade de orar a Deus em nome do Senhor Jesus Cristo, e autoridade que tem o crente de fazê-lo.

Colocar as palavras "em nome do Senhor Jesus Cristo" e semelhantes, ao fim das orações, tem sido a praxe por tempos imemoriais. Para muitos são apenas as palavras finais de qualquer prece, vindo depois, automaticamente, o Amém. Parece que a prece fica incompleta sem estas palavras. É fácil aprender a terminar as orações com elas, sem refletir e entender o verdadeiro significado que elas têm.

Regra geral, a expressão "em nome de …" , é usada para denotar a representação de uma pessoa por outra. Por exemplo, freqüentemente um assistente ou secretário assina uma carta ditada ou redigida pelo seu chefe, após as letras "p.p." (por procuração) indicando assim que embora ele próprio esteja assinando, ele o faz com autorização do chefe, cujo nome aparece logo embaixo. O chefe assume toda a responsabilidade, embora a assinatura não seja dele, desde que o assinante realmente tenha a sua autorização e com as letras p.p. ou de outra forma ateste que assina em seu nome.

O Senhor Jesus disse aos seus discípulos: "… eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (João 14:13-14). Observemos bem a clareza com que Ele determina a Quem o pedido deve ser feito (ao Pai), Quem vai atender ao pedido (o Filho), quem faz o pedido (os discípulos), em nome de Quem (do Filho) e a finalidade (para que o Pai seja glorificado no Filho). Segundo a regra acima, Ele estava ensinando que tudo o que fosse pedido pelos discípulos ao Pai com a autorização e sob a responsabilidade dEle, Ele o faria.

Não só os discípulos a quem o Senhor Jesus falava adquiriram a Sua autorização para orar em Seu Nome. O apóstolo Paulo esclareceu aos crentes da igreja de Corinto: "… haveis sido lavados, haveis sido santificados, haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus" (1 Coríntios 6:11). E, aos crentes colossenses: "quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai" (Colossenses 3:17). Como os membros da igreja em Corinto, todo aquele que foi lavado, santificado e justificado em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito Santo, tem por obrigação só falar e agir com a autorização e sob a responsabilidade do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai por Ele. Isso inclui as orações feitas a Deus Pai.

Este é o padrão elevado para a vida de todo o crente, como o apóstolo Paulo escreveu aos crentes da Galácia: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim". A chamada "regra de ouro" para o crente é ter sempre em mente a pergunta: "O Senhor Jesus faria - ou diria - isto?" antes de qualquer ação ou palavra, pois estamos agindo em Seu nome.

Todavia, mesmo depois de sermos salvos pela nossa fé em Cristo, e de sermos selados pelo Espírito de Deus, temos em nós ainda nossa velha natureza, que batalha com a nova que recebemos de Deus. "O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade" (2 Timóteo 2:19).

Se usamos o nome de Cristo diante do mundo, tenhamos cuidado com o nosso testemunho: não devemos estar vivendo em pecado. Infelizmente existem aqueles que declaram veementemente que seguem fielmente a boa doutrina apostólica, mas não suportam nem mostram qualquer amor, paciência, longanimidade, pelos seus irmãos em Cristo, ou são apanhados em outros pecados igualmente graves. O Senhor vê o coração e conhece aqueles que são Seus, mas o mundo só vê o exterior.

Não haveria necessidade da exortação para nos apartarmos da iniqüidade se automaticamente todos os nossos atos e palavras proviessem do Senhor Jesus. Temos portanto que admitir que, infelizmente, nem sempre estamos agindo ou falando com a autorização e sob a responsabilidade de Cristo. Nem quando oramos.

Dizer formalmente "em nome do Senhor Jesus Cristo" não dá autenticidade a nenhuma oração. É necessário que quem a faz, e o seu teor, tenham sido autorizados por Ele: somente têm a Sua autorização os Seus discípulos e aqueles que O receberam como Senhor e Salvador, e Ele só se responsabiliza pelos pedidos feitos por eles segundo a Sua vontade.

Orar em nome do Senhor Jesus Cristo significa estar no lugar dEle, identificado com Ele, em comunhão com Ele. Nenhum pecador pode se aproximar de Deus em seu próprio nome, e Ele só vai ouvir as orações que forem feitas pelo Seu Filho, através dos Seus servos: os que O receberam como Senhor das suas vidas. Deus vai responder à oração que permite que Ele seja glorificado em Seu Filho.

Assim, quando oramos em nome do Senhor Jesus, não estaremos orando por algo que desejamos de forma egoísta para nós próprios, mas por Ele, por Sua obra, por aquilo que sabemos ser da Sua vontade. Estaremos também vivendo em obediência ao Senhor Jesus, pois a promessa de atendimento é feita aos que O amam, e a evidência de que O amamos está em obedecermos aos Seus mandamentos, dos quais amarmos uns aos outros é o primeiro.

Finalmente, seria então uma redundância terminarmos uma oração com as palavras "em nome do Senhor Jesus"? Mesmo assumindo que somos Seus servos obedientes, e que o que pedimos está em conformidade com a Sua vontade, nunca é demais, ou redundante, declararmos claramente, para que todos possam ouvir, que não estamos pedindo em nosso próprio nome, o que seria inaceitável, mas unicamente pelos méritos e em nome do nosso Senhor e Salvador.

É verdade que Deus conhece os nossos corações, e sabe se assim é, mas ao pronunciarmos essas palavras estamos dizendo que obedecemos ao Seu mandado, e nos recordamos dEle. Também dessa forma O anunciamos a todos os que nos ouvem, com o propósito de que o Pai seja glorificado no Filho, como é o desejo dEle. Como poderá isto ser feito se Ele nem sequer for mencionado?

Mas há que se ter cuidado com as dissimulações! O uso dessas palavras por quem não está autorizado, ou pedindo algo que não está de conformidade com a vontade do Senhor Jesus Cristo, não fará com que seu pedido seja aceito.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Enoque Profeta

O livro apócrifo de Enoque não se encontra na Bíblia, embora Judas sob inspiração do Espírito se refira a um texto escrito por Enoque. O profeta Enoque foi um homem notável e muito especial, pois andou com Deus, e ao fim de seus 365 anos (o número de dias em um ano) “já não era, porque Deus o tomou

Onde está na Bíblia a profecia de Enoque fazendo referência sobre a vinda de Cristo com milhares dos Seus santos?

Não está na Bíblia, embora haja uma referência a ela em Judas versículos 14 e 15: “Quanto a estes foi que também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor entre suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticaram e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele”.

A Bíblia não explica onde Judas encontrou essa profecia e a explicação mais simples e plausível é que o Espírito Santo lhe transmitiu todo o teor da epístola, inclusive esse texto.

Enoque foi um homem notável e muito especial, pois andou com Deus, e ao fim de seus 365 anos (o número de dias em um ano) “já não era, porque Deus o tomou para si” (Gênesis 5:24): justificado pela fé, obteve testemunho de haver agradado a Deus e foi trasladado para não ver a morte (Hebreus 11:5).

Mediante a revelação de Deus, pois andava com Ele, Enoque profetizou a vinda do SENHOR com os seus santos para juízo de todos. Tempos depois da sua trasladação veio o dilúvio que destruiu toda a humanidade menos a família de Noé, mas evidentemente não foi este o juízo previsto por ele. Esta foi a primeira profecia a respeito da vinda do Senhor Jesus Cristo em glória com os Seus santos para julgar o mundo, confirmada mais tarde ainda no Velho Testamento (p.ex. Zacarias 14:5), e anunciada por Cristo e os Seus apóstolos.

Assim como Enoque foi removido deste planeta sem passar pela morte, também os crentes em Cristo, que estiverem vivos por ocasião do arrebatamento, serão trasladados e estarão entre os Seus santos para voltar e julgar o mundo. Isto só foi revelado depois dos tempos do Velho Testamento, no entanto Enoque pode ser visto como um tipo ou representante desses crentes. Eles serão extraídos da terra antes do juízo da grande tribulação, como Enoque o foi antes do dilúvio. Alguns pesquisadores, não satisfeitos com a simples inspiração do Espírito Santo para essa revelação através de Judas, andaram procurando alguma referência em outra literatura não incluída na Bíblia, existente no tempo dos apóstolos.

Em 1773 um deles encontrou um “Livro de Enoque” dentro de uma Bíblia etíope. Um dos escritores do segundo século A.D. havia se referido a esse livro, mas ele se perdera através dos tempos com exceção de uns poucos fragmentos. Essa passagem está dentro do livro, que fora rejeitado pelos homens de Deus em seu tempo e excluído da Bíblia por ser “apócrifo”, ou seja, inventado, sem autenticidade. Não se sabe exatamente quando foi escrito, não há evidência que foi antes de Judas, e é até provável que a profecia encontrada em Judas fora colocada nele para procurar dar-lhe um quê de autenticidade.

A palavra grega Apocrypha (escondido ou secreto) é usada em geral para uma coleção de livros, cujo número vai de onze a dezesseis, que apareceram entre o Velho e o Novo Testamento. Eles têm mais ou menos conexão com os livros canônicos (que se encontram em nossas Bíblias), e a sua história tem sido muito controvertida.

A opinião dos teólogos sobre o valor dos livros sempre tem variado muito. Os teólogos judeus que se dispersaram mais de dois séculos antes de Cristo para o Egito davam muito valor a esses livros, e os incluíram na tradução grega do Velho Testamento, conhecida como “septuaginta”. Os teólogos da Palestina sempre os rejeitaram e nunca os incluíram no seu cânone hebraico que está traduzido em nossas Bíblias.

Os livros apócrifos são denominados Esdras (2), Tobias, Judite, Adições a Ester, A Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, A Carta de Jeremias, O Cântico das Três Crianças Sagradas, Susana, Bel e o Dragão, A Oração de Manassés e Macabeus (1 a 4).

Mesmo os mais eruditos variam na classificação desses livros. A Instituição Católico-Romana, no concílio de Trento do ano 1546 A.D., declarou que onze destes livros são canônicos e estes aparecem nas edições modernas das suas Bíblias.

Embora estes livros contenham material de valor literário e histórico, a sua legitimidade como parte da Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo é rejeitada pelos teólogos não vinculados a essa instituição, e não aparecem em nossas Bíblias porque:

  1. Nunca foram mencionados pelo Senhor Jesus, e é muito duvidoso se houve qualquer alusão a eles pelos apóstolos.
  2. A maioria dos comentaristas dos primeiros séculos da era cristã os consideravam como não-inspirados.
  3. Eles não apareciam no cânone hebreu antigo.
  4. A qualidade inferior da maioria dos textos, comparados com os dos livros canônicos, evidenciam que não têm lugar entre os que evidentemente têm a inspiração divina.

O Senhor Jesus declarou a extensão dos livros canônicos do Antigo Testamento ao acusar os escribas de serem culpados dos assassinatos de todos os profetas que Deus enviara, desde Abel até Zacarias (Lc.11:51). A morte de Abel é registrada em Gênesis; a morte de Zacarias encontra-se em 2 Crônicas 24:20-21, que é uma porção do último livro da Bíblia hebraica (ao invés de Malaquias, como nas Bíblias em português). Nosso Mestre estava afirmando que a culpa dos judeus estava registrada do começo ao fim das Escrituras hebraicas. Ele excluiu todos os livros apócrifos, os quais já existiam naquela época, e foram escritos depois dos livros canônicos.

Curiosamente, os livros apócrifos não passam no “teste dos sete”, criado pelo Dr. Ivan Panin, um filólogo e matemático judeu, que em 1900 descobriu que ao se substituir cada letra no texto hebraico do Velho Testamento pelo seu equivalente numérico, verifica-se uma repetição surpreendente do número 7, e seus múltiplos, em muitos aspectos.

A probabilidade de apenas 12 das muitas características existentes aparecerem em uma passagem de tamanho moderado é de uma em diversos milhões, por isso a possibilidade de ter acontecido ao acaso é nula.

Ao fazer o mesmo teste no grego antigo do Novo Testamento, as mesmas características foram encontradas. Com isso, o Dr. Panin, que era ateu, converteu-se ao Evangelho e se tornou em um ardoroso evangelista.

Parece certo que a Instituição Católica Romana procura dar legitimidade a esses livros, enxertando-os na sua Bíblia, porque há neles uma rara referência a orações pelos mortos para livrá-los do castigo no inferno. Seria uma justificativa para o purgatório que ela inventou.

A Bíblia, como a temos agora, está completa. Não existe lugar ou justificativa para enxertos. Infelizmente, sob o pretexto de tornar a Bíblia mais fácil de ler e compreender, existem versões modernas de “linguagem facilitada” que enxertam palavras inexistentes, além de versões especialmente preparadas que distorcem o texto bíblico para dissimular as flagrantes heresias que seus editores querem espalhar.

Em nossos estudos, cuidemos bem da tradução que usamos, para podermos interpretar corretamente o ensino que o Espírito Santo nos está dando. Felizmente já dispomos de bons comentários escritos por homens de Deus que são profundos conhecedores dos textos em suas línguas originais e nos são de grande valia no esclarecimento de algumas expressões mais obscuras e raras, de difícil compreensão.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Estabilidade num mundo instável

Os verdadeiros crentes em Cristo que desejam segurança e estabilidade, devem conduzir as suas vidas de acordo com a Palavra do Senhor, segundo a graça e a misericórdia de Deus. Os seus padrões de comportamento em todos os âmbitos têm que ser observados, ao invés dos do mundo que, diga-se de passagem

O mundo ao nosso redor está cada vez mais instável. As tradições e as culturas firmadas através dos séculos estão sendo atacadas e gradualmente demolidas pelas novas gerações sem que sejam substituídas por algo melhor, claramente expresso e duradouro. Surge então a pergunta: como é que podemos encontrar estabilidade nesta situação?

Entre as perguntas que encontramos na Bíblia, temos a seguinte: “Que mudar leviano é esse dos teus caminhos?” (Jeremias 2:36). A pergunta é feita pelo SENHOR através do Seu profeta, e é dirigida ao Seu povo, Israel e particularmente ao reino de Judá. A palavra “mudar leviano”, tem aqui o sentido de ir e vir sem seriedade, “ziguezagueando pelo caminho” (v. 23). O povo de Israel foi um exemplo de instabilidade.

Tinha sido separado por Deus para ser um povo exclusivamente Seu, dotado com uma lei perfeita e boa, um sacerdócio santo que antecipava e figurava o Salvador que viria a Seu tempo, gozava do amor e proteção do Deus Todo-Poderoso, e fora presenteado com grande território bem localizado, contendo terras férteis onde poderia ter permanecido para sempre. Ele tinha uma abençoada estabilidade pela frente se permanecesse fiel a Deus, mas Israel titubeou e falhou lamentavelmente.

Ao invés de trilhar o caminho que Deus lhe havia indicado, que exigia fidelidade, completa dependência e obediência, ele se aventurou por outros que lhe agradavam mais. Afastou-se de Deus várias vezes e, como faz a humanidade em geral, nessas ocasiões inventava deuses para si segundo o seu próprio critério. Deuses fáceis de agradar, que não requeriam um alto padrão de conduta, pois na realidade eram simples projeções da velha natureza do homem. Para defesa dos seus inimigos, confiou em convênios firmados mediante alto preço com nações gentílicas, mas quando as conseqüências do seu pecado sobrevinham e as suas alianças se rompiam, o povo não recorria aos seus deuses, que para nada valiam, mas desavergonhadamente imploravam o socorro do SENHOR.

Nesta passagem o povo é repreendido por não se arrepender ao ser castigado, por perseverar em sua infidelidade a Deus e pecar com mais habilidade do que as mulheres perdidas, por destruir os pobres e inocentes, e ainda assim protestar inocência. Os desastres lhe vieram como conseqüência. Nunca recuperou a sua estabilidade.

A experiência do cristianismo através dos tempos nos parece ter sido muito semelhante: as igrejas foram deixando a simplicidade e pureza do Evangelho fundamentado em Cristo e nos ensinos dos Seus apóstolos, para pregar um evangelho diferente e fazer para si deuses segundo o seu próprio critério, amparando-se em filosofias e práticas rejeitadas por Deus, e mesmo aliando-se com o mundo para se tornarem mais aceitáveis e aumentarem a sua influência. O mundo, bem como muitos dos que se dizem cristãos, mas que se aliam a ele, vive segundo a filosofia e os ensinamentos dos homens. A maior parte da sabedoria humana é falível e sem valor, logo se desvanecendo.

Hoje vemos igrejas de todos os matizes, todas dizendo-se cristãs, a maior parte delas movidas apenas pelo mercantilismo, com líderes que “dançam qualquer música” sem saber para onde vão ou mesmo de onde vieram, transformando a Palavra de Deus em uma mentira para satisfazer suas ambições ímpias particulares.

Certamente não é o desejo do nosso Pai celeste que os Seus filhos se sintam inseguros e instáveis. Ele próprio é imutável - este é um dos Seus atributos. O Senhor Jesus “é o mesmo ontem, hoje e eternamente”. A Palavra do Senhor vive e permanece para sempre. A Sua palavra é segura e não muda, “passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mateus 24:35). Tudo que nela se encontra será cumprido “porque eu, o SENHOR, falarei, e a palavra que eu falar se cumprirá e não será retardada” (Ezequiel 12:25). Somente em Deus é obtida a estabilidade perene.

Os verdadeiros crentes em Cristo que desejam segurança e estabilidade, devem conduzir as suas vidas de acordo com a Palavra do Senhor, segundo a graça e a misericórdia de Deus. Os seus padrões de comportamento em todos os âmbitos têm que ser observados, ao invés dos do mundo que, diga-se de passagem, estão em vias de desaparecer.

Como cidadãos do reino de Deus, nossa conduta deve ser de uma honorabilidade digna de Cristo, “vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo” (Filipenses 1:27). A palavra grega traduzida “vivei” é politeuesthe, originada de politês, cidadão, e polis, cidade: significa agir como cidadão e mesmo tratar dos assuntos de estado. É uma posição muito honrosa - nos tempos de Paulo o cidadão era exaltado acima dos muitos servos e escravos. Paulo tinha cidadania romana. A nossa palavra “polícia” também tem a sua origem em “polis”. Em outras palavras, nossas vidas devem ser governadas pelas “políticas” (também de “polis”) do céu e “policiadas” pela Palavra de Deus, desta forma assegurando uma maneira de vida estável e segura.

Um dos princípios bíblicos é a unidade familiar segura, centrada no relacionamento amoroso entre o marido e a mulher. Este princípio divino, exposto na aurora da criação, é enfatizado vez após vez na Bíblia. A vida em família é o fundamento de uma sociedade estável. O mundo moderno está procurando desfazê-lo em seguida à “liberação feminina e da infância”, e já teve muito sucesso. O mandamento “honra o teu pai e a tua mãe” está sendo esquecido. Já está se tornando censurável ou mesmo ilegal disciplinar os filhos com a “vara”. E a instabilidade é cada vez maior, vendo-se um avanço sem precedentes na criminalidade infantil.

Como pais e avós queremos que a nova geração viva em um ambiente estável e seguro. O primeiro passo para que isso se realize consiste em dar-lhes um exemplo sadio, mediante o qual possam aprender os princípios do reino de Deus. Quantos pais crentes têm a tristeza de ver os seus filhos se desviando pelos caminhos do mundo. “Não sei por que” dizem, “sempre os levei à escola dominical”. Esquecem que, mais do que ir à escola dominical, é importante ter um exemplo de fidelidade aos ensinos da Bíblia dado pelos próprios pais.

Como participantes da comunhão de uma igreja local, desejamos um ambiente pacífico, estável, em que nós e todos os outros membros possamos crescer no conhecimento de Deus e do nosso Salvador, e propício para trazer os de fora ao conhecimento de Cristo.

Temos abundantes ensinamentos no Novo Testamento sobre a conduta que cada um deve ter dentro da igreja a fim de atingir esse objetivo. Por exemplo: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem” (Colossenses 3:12-13). “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida ..." (Filipenses 2:14-16). “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Colossenses 2:20-23).

Em resumo, mantém-se a estabilidade quando:

  • O povo de Deus vive de acordo com a Sua Palavra ao invés da sabedoria humana.
  • As crianças aprendem a comportar-se segundo o ensino bíblico e o exemplo de obediência a Deus dado por seus pais, ao invés daquilo que aprendem dos seus colegas de escola e dos seus amigos e companheiros de famílias incrédulas.
  • A igreja local procura viver em conformidade com os princípios de Deus, servindo uns aos outros em amor ao invés de contender entre si e impor as suas cargas uns sobre os outros.
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Estaremos perdendo a reverência?

“Tirar as sandálias dos pés” demonstrava reverência na presença de Deus, mas tanto Moisés como Josué sinceramente tinham um profundo respeito por Ele, e foram além do que lhes fora requerido: Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus e Josué prostrou-se em adoração. Devemos reverentement

Como se expressa a reverência a Deus dentro de uma igreja?

O santuário ou templo de Deus hoje é o corpo de Cristo. Ainda em Seu corpo físico, Ele o chamou figurativamente de templo (João 2:19 e 21). O corpo de Cristo é a Sua igreja, ou seja, a congregação dos crentes em qualquer lugar (1 Coríntios 3:16 e 17); este é como “um edifício que está sendo construído sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; este é o santuário dedicado ao Senhor para habitação de Deus no Espírito” (Efésios 2:20-22).

A igreja de Cristo conseqüentemente não tem, como tinham os israelitas, um tabernáculo ou templo físico para a habitação visível de Deus entre o Seu povo. Cada congregação de crentes que se reúne em nome de Cristo, é um templo de Deus. Não é o prédio onde eles se reúnem, seja ele uma residência, um galpão, uma casa, etc., mas as pessoas.

O templo israelita, mesmo quando ainda em forma de tabernáculo (1 Samuel 1:9), era um objeto visível, concreto, palpável; ele continha o santuário, o lugar santo, símbolo da presença de Deus entre o povo de Israel, Sua “Glória”. Nele havia um grande número de características que claramente tipificam a igreja de Cristo. Vou apenas citar três, que poderão nos ajudar a responder a pergunta em foco.

  1. SANTIDADE: Tudo, que se encontrava dentro do tabernáculo, era separado exclusivamente para o serviço do Senhor. Por sua vez, a igreja de Cristo é composta de santos: todo aquele que nela ingressa pela graça de Deus mediante o novo nascimento em Cristo é santificado pelo Seu sangue - separado exclusivamente para o serviço do Senhor. Como disse Paulo “Não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim”. Mas a igreja local está sujeita à infiltração de pessoas não santificadas: os que se declaram cristãos, mas continuam incrédulos. Só Deus conhece o coração, mas se a igreja for zelosa na doutrina, o perigo poderá ser reduzido consideravelmente.
  2. OBEDIÊNCIA: Todos os objetos e decorações, bem como os sacerdotes que ali serviam a Deus, seguiam uma prescrição divina detalhada dada através de Moisés. Todos os santos são chamados à obediência aos mandamentos de Deus. Estes são encontrados no Velho Testamento, e fazem parte da lei de Moisés, junto com muitas leis e regulamentos que dizem respeito apenas ao povo de Israel. Os que concernem à igreja são destacados no Novo Testamento, nos ensinos de Cristo e dos Seus apóstolos. Em 1 Coríntios 3:17, encontramos uma advertência séria a quem introduzir o pecado, que é desobediência, dentro da igreja: “se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”. A destruição é conseqüência da entrada do pecado, e se faz por meio da corrupção ou depravação da igreja local. Se for permitido permanecer, o pecado a contamina toda, assim como o fermento da parábola (Mateus 13:33).
  3. RESPEITO: É bem conhecida a ocasião em que Moisés, curioso, se aproximou de um arbusto em chamas que não se consumia, no monte Horebe, e o Senhor o chamou do meio da sarça e mandou que tirasse as sandálias dos pés, porque o lugar em que estava era terra santa (Êxodo 3:5). Da mesma forma o sucessor de Moisés, Josué, também recebeu a ordem de descalçar as sandálias dos pés na presença de Deus (Josué 5:15). Nas duas ocasiões o “lugar” em si não era um santuário ou um templo, mas a sua “santidade” consistia na presença de Deus nele. Para que o povo de Israel se conscientizasse da santidade da Sua presença, ele foi proibido, bem como seus animais, de até mesmo tocar no sopé do monte Sinai quando Moisés subisse para receber a Sua lei. Os sacerdotes israelitas oficiavam descalços dentro do tabernáculo e do templo, pois calçados traziam a imundície de fora. Em respeito à santidade do templo, os judeus não permitiam a entrada nele de gentios incircuncisos (Mateus 24:15, Atos 6:13, 21:28). Em relação à igreja, encontramos em 1 Coríntios ainda outra advertência, desta vez aos que desrespeitam os demais membros da igreja: “menosprezais a igreja de Deus (11:22) e quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” (11:29). É o desrespeito aos demais membros da igreja, esquecendo-se que todos fazem parte do corpo de Cristo, que é o santuário ou templo de Deus. Para Deus, isto consiste em falta de respeito para Ele próprio; as conseqüências serão graves porque quem isso faz “come e bebe juízo para si”.

Santidade, obediência e respeito são os fatores que integram a reverência a Deus, que é refletida no conceito que temos pela Sua igreja.

Comecemos por nós próprios, “porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados”. Vamos refletir sobre o que fazemos com nossos corpos: “não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? … Glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6:19,20). A glorificação a Deus no nosso corpo consiste na pureza da nossa conduta, conforme os versículos precedentes. Mas nossos corpos devem ser oferecidos “em sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor, que é o nosso culto racional” (Romanos 12:1). Portanto, tudo o que fazemos com nossos corpos deve ser santificado ao Senhor, para Lhe ser agradável. Estamos constantemente na presença de Deus, através do “santuário” dos nossos corpos. Sejamos, portanto, reverentes.

Assim como nosso amor a Deus é provado pelo amor com que tratamos nossos irmãos, a nossa reverência a Deus é provada pela maneira com que agimos dentro da Sua igreja. Não se trata apenas da nossa atuação quando estamos em reunião para a Ceia do Senhor, mas em todo o nosso relacionamento com os demais irmãos, seja nas reuniões formais ou em qualquer outra atividade.

Nossa apresentação exterior diz muito sobre a reverência que temos: nossa postura, nosso linguajar, nossa maneira de vestir. Mesmo que não nos prostremos em terra, como faziam os antigos, nossa postura deve ser condizente com a reverência que devemos a Deus, no ambiente da Sua igreja reunida. Estejamos sempre atentos ao que ministra a Palavra, e evitemos perturbar aos nossos irmãos com atitudes de pouco caso nas reuniões (principalmente as solenes como a Ceia do Senhor), por exemplo constante senta/levanta, cochichos, leituras inadequadas para o momento, mesmo um cochilo.

O uso da palavra deve ser comedido, lembrando o que nos ensina o Pregador no livro de Eclesiastes: “Guarda o teu pé quando entrares na casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus e tu na terra; portanto sejam poucas as tuas palavras. Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias” (5:1-3).

Nossa maneira de vestir deve ser modesta, moldada com o ambiente de forma a não atrair a atenção, pois é uma maneira de externar a mansidão, humildade e pureza de caráter que almejamos.

A primeira epístola aos coríntios é rica em exemplos e conselhos, pois aquela igreja parecia possuir toda a espécie de problemas que podem aparecer na vida de uma congregação de crentes. É muito atual, porque o nível moral e religioso daquele tempo não é muito diferente daquele que nos rodeia, feitas algumas adaptações.

“Tirar as sandálias dos pés” demonstrava reverência na presença de Deus, mas tanto Moisés como Josué sinceramente tinham um profundo respeito por Ele, e foram além do que lhes fora requerido: Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus e Josué prostrou-se em adoração. Devemos reverentemente obedecer a Deus em nosso comportamento mas, se O amamos e tememos como aqueles dois servos, nós O adoraremos e serviremos com todo o entusiasmo, não só cumprindo aquilo que nos é requerido, mas procurando oportunidades de ação em que possamos glorificá-Lo ainda mais em nossas vidas.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Eu gosto das igrejas locais

Cada igreja é autônoma, responsável somente perante o Senhor. Não há sede na terra, nem hierarquia ordenada pelos homens, nem organização entre a Cabeça e o Corpo. Isto impede que liberalismo, doutrinas falsas ou ditaduras tomem conta das igrejas locais.

Desculpe-me, mas acontece que eu gosto das igrejas locais.

Parece ser quase contraproducente dizer algo assim.

A "moda" é criticá-las, apontando as suas falhas e erros. Há muitos críticos que pontificam o que está errado nelas. Talvez esteja na hora de alguém se levantar e dizer o que há de bom nelas.

Gostaria de ser esta pessoa. Permita-me contar porque gosto delas.

Gosto de lembrar semanalmente do Senhor, ao partir do pão. Por 50 anos tenho procurado lembrar-me do Senhor todos os domingos, à mesa dEle, e isto nunca perdeu o encanto para mim. Há algo de especial numa reunião onde o nosso amado Senhor é a única atração e o centro da adoração. Não é de se admirar que quando certas pessoas deixam a igreja local para um tipo diferente de comunhão, geralmente dizem: "sinto muita falta da reunião de adoração". Lamento que elas a tenham deixado.

A igreja local se torna preciosa para mim porque vejo Efésios 4:12 praticado como em nenhum outro lugar. Os dons foram dados com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço. Tenho visto homens iletrados amadurecerem ao ponto de pregar o Evangelho com poder convincente. Tenho visto homens simples ministrando aos corações do povo de Deus e não apenas aos seus intelectos. Vejo mulheres devotas se realizarem não apenas criando filhos e filhas para Deus, mas também ensinando outras mulheres e crianças, cooperando assim com seus maridos, por apoiar o seu ministério, ajudando o trabalho missionário no país e no exterior, visitando doentes e aflitos, e dando hospitalidade tanto para santos como para estranhos. Tenho visto moços sendo encorajados a exercer os seus dons de um modo que nunca poderia haver em outro ambiente.

Muitos proeminentes líderes evangélicos demonstram admiração por Efésios 4:12, e alguns até louvam as igrejas locais pela maneira como o praticam.

Uma das glórias das igrejas locais é a sua recusa absoluta em dividir a irmandade em clero e leigos. Reunir-se ao redor da pessoa de Cristo, ao invés de ao redor de um pregador carismático, tanto em princípio como na prática. O Novo Testamento ensina que deve haver uma pluralidade de anciãos e nunca um ministério por um homem só. Mas as igrejas locais que pregam e praticam esta maneira serão sempre como aves raras na comunidade cristã. Há como que uma certa reprovação em pertencer à igreja local, e os que se reúnem nela devem estar preparados para suportar tal opróbrio.

Gosto do fato de que cada igreja é autônoma, responsável somente perante o Senhor. Não há sede na terra, nem hierarquia ordenada pelos homens, nem organização entre a Cabeça e o Corpo. Isto impede que liberalismo, doutrinas falsas ou ditaduras tomem conta das igrejas locais.

A programação financeira das igrejas locais é louvável. É singular que, na maior parte delas, exista uma única oferta semanal. Esta oferta, recolhida sem fanfarras ou apelos, é suficiente para suprir as despesas locais e também ajudar obras cristãs em toda a parte. Tradicionalmente, obreiros de tempo integral dependem somente do Senhor para suprir as suas necessidades, sem ter que publicá-las. O mundo não pode dizer das igrejas locais o que diz da cristandade em geral: "A igreja só quer o seu dinheiro".

Aprecio o fato de que as igrejas locais estão prontas a exercer disciplina justa quando necessário, mesmo que assim o fazendo limite as oportunidades de se tornarem igrejas enormes. Estão contentes em julgar as suas comunidades, não pelo tamanho, mas pela santidade dos seus membros.

O ministério de literatura das igrejas locais tem sido saliente. Talvez tenha sido esta a sua maior contribuição no cenário evangélico. Os escritos de Darby, Kelly, Mackintosh, Vine e muitos outros exerceram profunda e benéfica influência pelo mundo afora. Há alguns anos o bibliotecário de um colégio cristão tentou compilar a bibliografia dos escritores dos "irmãos". Logo percebeu que não lhe seria possível terminar o projeto.

Devemos mencionar o movimento missionário associado às igrejas locais, um movimento que excede a proporção do número de igrejas locais que o sustentam.

Outras pessoas têm outras razões para gostar das igrejas locais, algumas até um tanto estranhas. Por exemplo, uma irmã que recentemente entrou em comunhão, após anos de "pular de igreja em igreja", disse de sua satisfação em estar numa igreja com liderança masculina. Isto é estranho na época da liberação feminina! Provavelmente poucos grupos fazem tanta autocrítica como as igrejas locais. Francamente, sinto que isto é feito em demasia e que acaba levando pessoas sensíveis a uma desnecessária resignação. E assim muitos se desviam. A crítica vem melhor depois do louvor. Está na hora de equilibrarmos ambos.

O precedente não quer dizer que estou satisfeito com o estado atual. Reconheço que existem áreas onde precisamos melhorar, tais como métodos evangelísticos e o desenvolvimento da liderança na igreja local. Mesmo confiando inabalavelmente em princípios bíblicos, reconheço a necessidade de mudar os métodos vez por outra. Concordo que alguns de nós, incluindo os jovens, têm preocupações legítimas, e precisam ser ouvidos.

Mas em vez de chamar o pelotão de demolição, precisamos arregaçar as mangas e enfrentar os problemas. Tenhamos homens que nos mostrem como fazer um serviço construtivo em vez de generais de poltrona que se posicionam contras as igreja locais ou que as abandonem de vez. E os que recebem sustento das igrejas locais deveriam demonstrar lealdade e evitar até a aparência de "morder a mão que os alimenta".

Fonte: Refrigério, Portugal, publicado com autorização do Dr. Joel Timóteo Ramos Pereira.
autor: William MacDonald.
Fatos & Relatos

Falsificações

Compete-nos pregar “Jesus Cristo como Senhor”, como fez o apóstolo Paulo. Devemos expor a verdade de Deus. Não podemos ser inteiramente subjetivos, começando por nós, e terminando em nós, recomendando a Cristo apenas para conseguir várias coisas. O ensino das seitas não só carece de base no ensino d

Um extrato de “Ephesians: Christian Warfare Chapter 10”

de D. M. Lloyd-Jones (1898 - 1981)


Transcrito e traduzido por R. David Jones

O povo vive agora num mundo difícil e está frustrado e confuso; está procurando algo que tem autoridade e seja capaz de ajudá-lo. Muitos dizem que, depois de examinar uma igreja cristã e não ter encontrado satisfação nela, foram levados a procurar outro caminho.

Se não ouviram nada mais do que a má representação liberal-modernista do Evangelho, não é de surpreender que procurassem as seitas, pois não existe salvação naquela pregação. É só moral e ética. Uma ortodoxia morta também é inútil e sem valor. Se o povo lá fora vê membros que são perfeitamente ortodoxos, mas estão sempre miseráveis, gemendo, sempre reclamando a respeito dos seus pecados e das suas falhas, e que parecem desgraçados e infelizes, novamente não é de admirar que se volte para as seitas.

Isso faz com que se torne mais urgente aplicarmos vários testes a essas entidades que parecem estar oferecendo ao povo exatamente o que ele quer. O simples teste “se fazem bem” não é suficiente. Elas podem fazer o povo se sentir muito feliz, podem livrá-lo de preocupação e ansiedade. Os psicoterapeutas podem produzir resultados semelhantes e ajudar a livrar se de certos temores e fobias. Existem até tratamentos físicos que podem fazê-lo.

Os testes aplicados devem ser objetivos, e baseados em alguns padrões específicos. De acordo com todo o ensinamento bíblico, o que é de final e suprema importância é o nosso relacionamento com Deus. De interesse e importância particular é o exame da maneira em que vem a bênção, de acordo com as seitas.

Em seu ensino cada seita nada dá além de uma repetição constante da sua única fórmula. Falta-lhe sempre o elemento de amplitude e grandeza, o sentido de vastidão e de glória que invariavelmente encontramos quando nos chegamos à própria Bíblia. A fórmula domina e permeia tudo; não existe nada de grandioso, glorioso e maravilhoso e não há lugar para crescimento e desenvolvimento.

A metodologia da seita não se conforma com a das Escrituras em nenhum aspecto, sendo apenas a fórmula, mais o testemunho pessoal daquilo que aconteceu com alguém como resultado de aceitar e aplicar a fórmula em sua própria vida. O mesmo resultado sobrevirá a quem for fazer o mesmo.

Mas compete-nos pregar “Jesus Cristo como Senhor”, como fez o apóstolo Paulo. Devemos expor a verdade de Deus. Não podemos ser inteiramente subjetivos, começando por nós, e terminando em nós, recomendando a Cristo apenas para conseguir várias coisas.

O ensino das seitas não só carece de base no ensino do Novo Testamento, ele é até diferente do ensino do Novo Testamento em certos aspectos:

A fórmula ou o ensino prático que elas dão nunca é o produto ou resultado da dedução tirada da doutrina do Novo Testamento. Invariavelmente as seitas começam no nível prático, o que é sempre perigoso porque faltará um padrão de julgamento. O que fazemos na prática deveria sempre ser uma dedução do que cremos; se a ordem for invertida haverá perigo fatal. O Novo Testamento sempre introduz a prática com a palavra “portanto”.

Vamos descobrir que as seitas nunca nos dão a impressão de que o que vai acontecer conosco é o resultado da Obra do Espírito Santo em nós: elas simplesmente vêm a nós como estamos e dizem: “pode começar agora, aqui está, faça isto”. A essência da vida cristã é que o Espírito Santo nos é dado, e está em nós, estejamos sempre cônscios dele ou não. Ele está sempre nos estimulando, trabalhando em nós, apontando-nos o ensinamento, possibilitando colocá-lo em prática, compreendê-lo, etc.

Nunca há muito “temor e tremor” entre as seitas: há muita fluência e muita auto-satisfação, até mesmo jactância. Não se vê muita humildade entre os devotos. Eles dizem “Não há nada que temer. Antes eu era muito diferente, mas veja-me agora, tudo está bem. Maravilhoso!” Mas Paulo diz: “operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:12-13).

As seitas insistem muito que esta fórmula, este método deles, é “muito simples”. A simplicidade é a sua glória. “Maravilhoso! Assombroso!” dizem, “não se dê ao trabalho de percorrer o seu Novo Testamento. Tome esta fórmula, aplique esta idéia”. Sempre existe um elemento de infantilidade - não se reconhecem problemas, tudo é tirado do pensamento, tudo está resolvido.

Mas a Bíblia não fala dessa forma. Por exemplo, não há nada dessa animação, brilho, confiança suprema e auto-satisfação no que o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 4, ele está gloriosamente triunfando, mas como discípulo de Cristo. Há uma nota de seriedade e urgência, a consciência da imensidão do problema e a necessidade de cuidado e vigilância em Efésios 4 a 6. Estamos lutando contra poderes espirituais terríveis e qualquer noção de que tudo é “muito simples” é falsa à luz do ensinamento do Novo Testamento.

Elas oferecem a cura, a “bênção”, “de imediato”. É sempre o método do “atalho”! É por isso que sempre conseguem adeptos. Mas não é o ensino bíblico. O Novo Testamento diz ao convertido: “Você se tornou um cristão, está convertido, agradeça a Deus”. Mas também lhe diz que ele está num mundo dominado pelo diabo e que terá dificuldade até em ficar de pé. Realmente ele precisa de “toda a armadura de Deus”, terá que ser “fortalecido com poder pelo Seu Espírito no homem interior”, ele terá que ser “forte no Senhor, e na força do Seu poder”.

Ser cristão de acordo com o Novo Testamento é o resultado do trabalho da poderosa Doutrina de Cristo e dos Seus apóstolos, na qual uma pessoa crê pelo poder do Espírito, e na Obra do Espírito nele. Sua vida consiste em vigiar, em orar, em “mortificar as obras do corpo natural”, é “subjugar o corpo natural”, é “reduzi-lo à servidão” como Paulo se expressa em 1 Coríntios 9:27.

A bênção oferecida pelas seitas começa conosco, é algo para nós, é algo de que precisamos imediatamente. Pode resolver os problemas que estão nos preocupando e nos deixando perplexos, e dos quais estamos tão cônscios. Mas o método do Evangelho é bem diferente. A primeira coisa no Evangelho é trazer-nos o conhecimento de Deus como Deus, e o conhecimento do Senhor Jesus Cristo (veja João 17:3). A seguir vem o conhecimento do grande plano e propósito de Deus para o homem e o mundo, uma compreensão de toda a história e do curso do universo e do fim dos tempos! Isto é o Evangelho de Cristo. Mas essas seitas nunca mencionam tais coisas.

Nada sabem sobre santidade, ela nunca é mencionada. Santidade não só significa que eu deixo de fazer esta ou aquela coisa em particular, ou que consigo vitória sobre certos pecados, mas que eu sou feito santo. Santidade não é algo negativo, é positivo, é ser como Deus: “Sede santos, porque sou Santo”, diz o Senhor.

Elas só se propõem a ajudar-nos enquanto estamos aqui nesta vida. Não dizem uma palavra sobre a esperança da glória, nem uma palavra sobre o céu e aquela grandiosa regeneração que está para vir. O Novo Testamento dá muito maior significado ao mundo que está para vir do que ao mundo atual.

O maior teste é com respeito à Pessoa e Obra do Senhor Jesus Cristo. Qualquer movimento ou ensinamento que não faz uma absoluta necessidade central do Senhor Jesus Cristo e da Sua morte sobre a cruz e Sua gloriosa ressurreição, não é cristão, mas uma manifestação das “astutas ciladas do diabo”. Qualquer bênção recebida fora do Evangelho de Cristo é uma rejeição a Ele porque o ensino bíblico é que não há conhecimento de Deus fora do Senhor Jesus Cristo.

Não há acesso a Deus exceto através do Senhor Jesus Cristo, porque Cristo mesmo disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6). Qualquer bênção que nos for oferecida sem Ele e a Sua morte e o Seu sangue, é afinal uma negação da fé.

Cristo tem tudo, porque Ele é tudo. O apóstolo nos diz: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6-7). Nada existe que Ele não nos possa dar, Ele é todas as coisas, Ele é tudo e está em tudo.

Esta fé, que tem sustentado, fortalecido e abençoado os santos através dos séculos, e que já passou em todo o teste que se possa imaginar, é suficiente. Venhamos para a fonte de toda a bênção: o eterno Deus e o Seu Filho, nosso glorioso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, e o Espírito entrará em nós, e toda a nossa necessidade será suprida. Mas só assim!

— Publicado com a permissão que nos foi dada graciosamente pelos titulares da licença de publicação: The Banner of Truth Trust, 3 Murrayfield Road, Edinburgh, EH12 6EL, UK Telefone: +44 (0) 131 337 7310, Fax: +44 (0) 131 346 7484. Site: www.banneroftruth.co.uk
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Fatos sobre o Espírito Santo

O relacionamento do Espírito Santo com a humanidade

O Espírito Santo inspirou pessoalmente os autores dos livros da Bíblia para escreverem as Escrituras (2 Timóteo 3:16, 2 Pedro 1:20), e é na Bíblia que o Espírito Santo Se apresenta a nós como Pessoa divina. Isso é expressamente declarado (por exemplo) em João 14:16,17,26, 15:26, 16:7-15; Mateus 28:19, sendo esse fato implícito em toda a Bíblia. A revelação a Seu respeito é feita progressivamente como veremos a seguir:

NO VELHO TESTAMENTO

A personalidade e a divindade do Espírito Santo, também chamado Espírito de Deus, se revelam a partir dos Seus atributos e das Suas obras:

A Sua onipotência é evidenciada em Sua participação no trabalho da criação (Gênesis 1:2, Jó 26:13, 33:4; Salmo 104:30), bem como Sua onipresença (Salmo 139:7-18).

Em Seu relacionamento com a humanidade, Ele Se empenha (Gênesis 6:3), esclarece (Jó 32:8), imbui com capacidade construtiva e sabedoria (Juízes 3:10, 6:34, 11:29, 13:25), capacita pessoas a receber e proferir revelações divinas (Números 11:25; 2 Samuel 23:2) e, geralmente, outorga poder aos servos de Deus (Salmo 51:12; Joel 2:28; Miqueias 3:8; Zacarias 4:6).

O Espírito de Deus é santo (Salmo 51:11), é bom (Salmo 143:10), é justo e ardoroso (Isaías 4:4), tem toda a sabedoria e entendimento, fornece conselho e fortaleza, bem como o conhecimento e o temor do Senhor (Isaías 11:2), e é o Espírito de graça e de súplicas da parte do Senhor (Zacarias 12:10).

O Espírito de Deus é soberano, vindo como Lhe aprouver sobre os homens e até mesmo sobre um animal de carga, e não estabelece condições (como no Novo Testamento) para vir sobre alguém, muitas vezes inesperada e surpreendentemente.

O Velho Testamento contém a previsão de um futuro derramamento do Espírito do Senhor, o Deus de Israel, sobre Israel (Isaías 44:3) e "toda a carne" (Joel 2:28,29). A expectativa de Israel, portanto, era dupla: a vinda do Messias-Emanuel (ver Mateus 1:18), e de um derramamento do Espírito tal como fora profetizado. No dia de Pentecostes houve um cumprimento em parte (Atos 2:16), mas o seu cumprimento exato e por completo ainda está no futuro, no fim do período da Tribulação. A partir do arrebatamento da igreja entendemos que o Espírito Santo deixará de habitar nas pessoas (2 Tessalonicenses 2:6-7) até o início do milênio, quando então voltará novamente e a profecia de Joel será cumprida plenamente (veja “Os Sinais e as Maravilhas” em http://www.bible-facts.info/comentarios/vt/joelossinais.htm).

NO NOVO TESTAMENTO

A habitação permanente pelo Espírito Santo em todo crente é uma nova bênção vinda mediante o Novo Testamento, em consequência da morte e ressurreição de Cristo (João 7:39, 16:7, Atos 2:33, Gálatas 3:1-6).

O Senhor Jesus ensinou aos Seus discípulos: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11:13), mas no fim do Seu ministério, antes da Sua morte e ressurreição, Ele prometeu que Ele mesmo iria rogar ao Pai, e que em resposta à Sua oração o Espírito Santo viria para ficar com eles para sempre (João 14:16,17).

Na noite da Sua ressurreição Ele veio para os discípulos reunidos e soprou sobre eles dizendo: "Recebei o Espírito Santo" (João 20:22), mas os instruiu a aguardar até que o Espírito Santo descesse sobre eles (Lucas 24:49; Atos 1:8).

No dia de Pentecostes o Espírito Santo cumpriu essa promessa e veio sobre todos os crentes reunidos, assim sendo nEle batizada a primeira igreja de Cristo (Mateus 13:11, Atos 2:1-4).

Depois de Pentecostes, enquanto o Evangelho foi pregado apenas aos judeus e aos samaritanos, o Espírito Santo era transmitido aos que criam, pela imposição das mãos dos apóstolos (Atos 8:17; Atos 9:17 etc.). Mas quando Pedro abriu a porta do Reino aos gentios (Atos 10), o Espírito Santo, sem demora ou outra condição de fé, foi dada aos que creem (Atos 10:44, 11:15-18). Esta situação persiste até agora e continuará até o arrebatamento da igreja. Cada crente nasce de novo pelo Espírito (João 3:3-8; 1 João 5:1), e é habitado pelo Espírito, cuja presença faz com que o corpo do crente seja um templo (1 Coríntios 6:19; Romanos 8:9-15; 1 João 2:27; Gálatas 4:6), e é batizado pelo Espírito no corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12,13; 1 João 2:20,27) e selado para Deus (Efésios 1:13; 4:30). É evidente, portanto, que não é apropriado para o crente pedir que o Espírito Santo venha sobre ele, pois isto já aconteceu na sua conversão, nem que o batize novamente.

O Novo Testamento distingue entre ter o Espírito, que é dado a todos os crentes, e ser cheio do Espírito, que não só é um privilégio de todo crente, mas também é seu dever (comparar Atos 2:4 com Atos 4:29-31, e Efésios 1:13,14 com Efésios 5:18-21). Na verdade há um só batismo, mas pode haver muitos “enchimentos".

O Espírito Santo “esteve” com o Senhor Jesus em Sua concepção (Mateus 1:18-20; Lucas 1:35), batismo (Mateus 3:16; Marcos 1:10; Lucas 3:22; João 1:32,33), ministério e serviço (Lucas 4:1,14), ressurreição (Romanos 8:11), e é a Sua Testemunha por todo o tempo atual (João 15:26; João 16:8-11,13,14).

A verdadeira igreja, composta da totalidade das pessoas regeneradas desde o dia do Pentecostes até a primeira ressurreição (1 Coríntios 12:12, 13), unidas entre si e a Cristo mediante o batismo com o Espírito Santo (1 Coríntios 12:12,13) é o corpo de Cristo do qual Ele é a Cabeça (Efésios 1:22,23). Como tal, a igreja é um templo sagrado para a habitação de Deus através do Espírito (1 Coríntios 3:16,17, Efésios 2:21,22), é "uma só carne" com Cristo (Efésios 5:30,31) e está desposada com Ele como uma virgem pura a um marido (2 Coríntios 11:2-4). Ao batizar todos os crentes no corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12,13) Ele transmite dons para o serviço de todos os membros desse corpo (1 Coríntios 12:7-11,27,30), guia os membros em seu serviço (Lucas 2:27; Lucas 4:1; Atos 16:6,7) e Ele próprio é o poder desse serviço (Atos 1:8; Atos 2:4; 1 Coríntios 2:4). Não cabe, portanto, rogar a Deus para que envie Seu Espírito sobre uma igreja local, pois ela já é o Seu templo e faz parte da igreja universal.

O Senhor Jesus indicou os três aspectos do relacionamento entre o Espírito Santo e o crente:

  1. Faz a aproximação de Deus ao homem, habitando com ele (João 14:17), convencendo-o do pecado (João 16:9), e anunciando Cristo como o objeto da fé (João 16:14). Esta aproximação se faz mediante a leitura e exposição da Sua Palavra, simbolizada por água (João 3:5, Efésios 5:26, 1 João 5:8), e o pregador (Romanos 10:14).
  2. Entra no coração do pecador arrependido que se converte para dar-lhe fé para salvação (Efésios 2:8) e regeneração (João 3:3-16). Continua permanecendo no crente (1 Coríntios 6:19), para lhe dar vitória sobre a carne (Romanos 8:2-9; Gálatas 5:16,17), para criar o caráter cristão (Gálatas 5:22,23), para ajudar nas fraquezas (Romanos 8:26), para inspirar a oração (Efésios 6:18), para dar acesso consciente a Deus (Efésios 2:18), para efetivar a filiação do crente (Gálatas 4:6).
  3. Sustenta o crente com a Sua Palavra que, como água, usa para sua limpeza e santificação (Efésios 5:26; 2 Tessalonicenses 2:13; 1 Pedro 1:2); ajuda na fraqueza e intercede por ele (Romanos 8:26); multiplica a igreja (Atos 9:31), glorifica Cristo (João 16: 14) e concede-lhe dons espirituais para a edificação da igreja (1 Coríntios 12:9, 14:12).

Encontramos na Bíblia os seguintes pecados contra o Espírito Santo:

  1. Pelos incrédulos, para os quais não haverá perdão: blasfêmia (Mateus 12:31), resistência (Atos 7:51) e insulto (Hebreus 10:29).
  2. Pelos crentes: o permissivismo para que o mal entre no coração ou na vida, assim entristecendo-O (Efésios 4:30,31); a desobediência à Sua Palavra, que extingue a Sua ação (1 Tessalonicenses 5:19). A atitude correta para com o Espírito é aceitar e permitir a Sua influência na caminhada da vida e no serviço a Deus, e em sempre aceitar o Seu repúdio ao que Lhe entristece ou prejudica o Seu poder (Efésios 4:31).

O Espírito Santo é simbolizado, em Sua Palavra, por óleo ou azeite (Mateus 25:3-8, Hebreus 1:9), João 3:34; Habacuque 1:9), água (João 7:38,39), vento (Atos 2:2; João 3:8), fogo (Atos 2:3), uma pomba (Mateus 3:16), um selo (Efésios 1:13; 4:30), ou um penhor ou promessa (Efésios 1:14).

Este breve e conciso relato obviamente não pretende compreender toda a extensão da revelação de Deus na excelsa Pessoa do Espírito Santo, mas esperamos que venha a ser útil para mais estudo e ensino, bem como uma base para contestação das falsas doutrinas que temos que enfrentar em nossos dias.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Fogo estranho

A oferta de "fogo estranho" feita pelos sacerdotes Nadabe e Abiú, e as lições que podemos aprender daquele episódio.

Em que consistiu a oferta de “fogo estranho”
que custou a vida de Nadabe e Abiú?

(Levítico 10:1-3)


Nadabe e Abiú eram os dois filhos mais velhos de Arão e tiveram o grande privilégio de um dia subir ao monte de Sinai e ver o Deus de Israel (Êxodo 24:9-11). Depois foi lhes dada uma grande responsabilidade: servir ao SENHOR como sacerdotes em estatuto perpétuo (Êxodo 28:1, 29:9). Era de se esperar que, tendo visto a majestade de Deus, eles iriam servi-Lo fielmente com temor, tremor e santidade. O ministério sacerdotal israelita era de alta responsabilidade, importando que os sacerdotes cumprissem rigorosamente as determinações dadas por Deus, sendo algumas vezes mencionada a pena de morte para as infrações.

Todos os detalhes do tabernáculo e do serviço sacerdotal foram especificados em suas minúcias por Deus a Moisés. Incluído estava o altar de incenso, em frente do véu diante da arca da aliança, sobre o qual Arão deveria queimar incenso aromático todas as manhãs e ao entardecer. O SENHOR ditou até a receita para se fazer o incenso aromático destinado exclusivamente para esse fim (Êxodo 30:7-10, 34-38). O incenso puro (não o aromático) era usado para a oferta de cereal (manjares) queimado ao SENHOR no altar externo (Levítico 2:1,2,15).

Construído o tabernáculo e os seus utensílios, eles foram consagrados assim como Arão e seus filhos, obedecendo cuidadosamente às instruções recebidas. Houve sete dias de propiciação pelo altar, findos os quais ele se tornou santíssimo, bem como tudo o que nele tocasse. Terminado o cerimonial, saiu fogo do SENHOR e consumiu o holocausto e as porções de gordura sobre o altar, significando a Sua aprovação a tudo o que se havia feito, para grande alegria do povo.

Foi então que Nadabe e Abiú “tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara” (Levítico 10:1). Em duas outras passagens lemos apenas que “Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o SENHOR” (Números 3:4 e 26:61).

Não existe um acordo sobre em que consistia esse “fogo estranho” (“brasas vivas estranhas” no original), apesar das muitas opiniões e discussões a esse respeito. As mais ouvidas são:

  • Talvez eles não teriam acendido o incenso com as brasas do altar de bronze, resultantes do fogo que saíra de diante do SENHOR. Isso só foi ordenado mais tarde (Levítico 16:12) e eles pecaram ao se adiantarem usando outras brasas.
  • Talvez eles quiseram fazer, fora do horário designado pelo SENHOR, o que era da obrigação do sumo-sacerdote fazer duas vezes ao dia.
  • Talvez passaram através do véu, para dentro do Santo dos Santos, para chegar diante do SENHOR incorrendo assim na sentença de morte que viria mais tarde (Levítico 16:1-2).

O seu pecado, sem dúvida, foi pouco-caso e desobediência, pois fizeram “o que o SENHOR não lhes ordenara”, e morreram “por haverem se aproximado do SENHOR”. O SENHOR disse a Moisés: “Serei santificado naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo” (Levítico 10:3). O SENHOR havia dado instruções sobre como, quando, e onde eles deveriam servi-Lo. Eles conscientes e deliberadamente desobedeceram. Deus é um Deus zeloso e santo portanto exige que os Seus servos O sirvam à Sua maneira. Obediência é melhor que sacrifício (Hebreus 10:5-10).

Nadabe e Abiú com seu gesto desacataram a Deus. Cada ato no ritual que Deus havia determinado tão minuciosamente tinha um significado especial, uma lição para o povo sobre a santidade das coisas de Deus, a seriedade do pecado e o preço da redenção deste, figuras estas que apontam para Cristo. Não havia lugar para a improvisação que fizeram.

A autoridade de Deus é enfatizada neste incidente, no início da aliança da lei, assim como o seria mais tarde com a morte de Ananias e Safira no início da era da Igreja (Atos 5:1-11). Em ambos os casos, a morte foi a penalidade dos que desafiaram a autoridade de Deus, porque o nosso Deus é fogo consumidor (Hebreus 12:29).

A alta posição destes homens não os tornou imunes ao castigo, e a rapidez com que veio foi fulminante. O fogo veio do SENHOR repentinamente para matá-los (como um relâmpago, pois não consumiu seus corpos ou suas roupas). A punição pela desobediência vem ainda hoje, e é por isso “que há entre nós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem” (1 Coríntios 11:30), embora nem sempre imediata como no caso de Nadabe e Abiú, e Ananias e Safira.

Em seguida ao acontecimento o SENHOR falou a Arão, possivelmente pela primeira vez como sumo-sacerdote. Sua ordem a Arão foi que nem ele, nem seus filhos, bebessem vinho ou bebida forte (alcoólica) quando viessem ao tabernáculo, sob pena de morte. Esta ordem era estatuto perpétuo entre as suas gerações.

Embora no Novo Testamento não encontremos uma proibição absoluta como esta, as bebedices, a embriaguez e os beberrões (alcoólatras) são severamente condenados (Romanos 13:13; 1 Coríntios, 5:11, 6:9-10; Efésios 5:18; 1 Tessalonicenses 5:7-8). Os supervisores da igreja não devem tomar vinho, ou outras bebidas alcoólicas (1 Timóteo 3:3). Timóteo, por exemplo, só bebia água (1 Timóteo 5:23).

O uso de bebidas alcoólicas e outras drogas abafam os sentidos de forma a não se poder distinguir entre o santo e o profano, os valores morais se distorcem, e acabam em completo colapso. Talvez Nadabe e Abiú estariam influenciados pela bebida. Ao invés dessas substâncias, todo o crente deve encher-se do Espírito para melhor estudar a Palavra de Deus, transmiti-la aos outros, fortalecer-se e dirigir sua vida (Efésios 5:18).

Moisés logo depois descobriu outra transgressão por parte dos sacerdotes, da qual participaram os dois filhos sobreviventes de Arão: eles não haviam comido a oferta pelo pecado no lugar santo. Foi um mal-entendido, explicado por Arão: devido à morte de dois de seus filhos, ele e os filhos restantes haviam se sentido indignos. Moisés aceitou a explicação e eles não foram punidos, pois não desobedeceram de propósito.

Hoje Deus está agindo com misericórdia, concedendo tempo para arrependimento e para que todos cheguem ao conhecimento da verdade. Se não fosse assim, muitos estariam morrendo como Nadabe e Abiú, por procurarem se aproximar da presença de Deus de uma maneira imprópria, em desobediência ao Seu mandado. Devemos nos chegar a Ele segundo as condições que Ele estabeleceu. Não nos compete escrever as regras. Deus é o Salvador e só Ele pode determinar como seremos salvos. O Senhor Jesus declarou que ninguém vem ao Pai a não ser por Ele (João 14:6).

Finalmente, o expositor Scofield sugere que nestes trechos existem duas coisas “estranhas”: incenso comum e fogo não procedente do altar. O incenso comum nos fala da adoração simulada ou formal. O fogo que não é do altar corresponde à animação apenas por meio da excitação dos sentidos, e à substituição da devoção a Cristo por outra devoção qualquer, como a empreendimentos religiosos ou seitas (Vejam 1 Coríntios 1:11-13; Colossenses 2:8, 16-19).

“Cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo, como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: ‘Sede santos, porque eu sou santo'” (1 Pedro 1:13-16).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Governo do bispo sobre sua própria casa

Se alguém não sabe governar a sua própria casa, falta-lhe sabedoria, amor aos que ali estão e/ou dedicação, três coisas essenciais também para um bom ministério.

Se alguém não tem sua mulher ou um ou mais dos seus filhos em sujeição, terá ele idoneidade para ser um bispo?

(1 Timóteo 3:5 e Tito 1:6).

Para os que não estão acostumados com a linguagem bíblica, esclarecemos que a função de bispo na igreja é a de um supervisor, também chamado ancião ou presbítero. Segundo lemos no Novo Testamento cada uma das igrejas primitivas tinha uma pluralidade deles.

Para boa ordem nos ajuntamentos de novos convertidos ao Evangelho de Cristo, ou “igrejas”, o apóstolo Paulo instruiu seus colaboradores Timóteo e Tito a estabelecer supervisores em cada um desses locais, e citou certas qualidades morais e espirituais para que fossem reconhecidas as pessoas idôneas para essa função. Esse é o padrão que serve de modelo para todas as igrejas.

Os supervisores são constituídos pelo Espírito Santo (Atos 20:28) e o normal é que cada igreja tenha alguns (Filipenses 1:1), embora não seja exato dizer que uma igreja não possa existir sem eles, pois acontece, especialmente nas igrejas mais novas. Só o Espírito Santo de Deus pode designar supervisores, e é Ele quem coloca o desejo de assumir essa responsabilidade no coração do crente, bem como o habilita para isso. Não se pode fazer um supervisor mediante uma eleição pelos membros de uma igreja nem por ordenação eclesiástica.

É da responsabilidade dos membros de uma igreja, apenas reconhecer aqueles homens em seu meio que foram feitos supervisores pelo Espírito Santo de Deus (1Tessalonicenses 5:12-13). Foi o que fizeram Timóteo e Tito naquelas igrejas que ainda desconheciam como fazê-lo, pois não possuíam o Novo Testamento impresso para conhecimento de todos, como agora temos.

O reconhecimento pode ser formalizado em uma reunião da igreja para torná-lo público, mas também pode ser informal quando os membros da igreja sabem, como que instintivamente, quem são aqueles que Deus constituiu para esse nobre serviço à igreja e demonstram ter essas características. Não é preciso que se use nomes como supervisor, presbítero, bispo, ancião, pastor ou outros para distinguí-los: sua própria personalidade, caráter e dedicação ao rebanho deverão ser suficientes para os identificar. Se uma igreja não puder reconhecer supervisores habilitados dentro dela, deve pedir a Deus em oração que os levante para si.

Feito este preâmbulo, vamos à pergunta em foco, que concerne apenas a uma das características que convêm a um supervisor, mas muito importante. Ela tem como base 1 Timóteo 3:4: “que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia”. Na realidade temos aqui duas condições, relacionadas entre si, ou seja:

QUE GOVERNE BEM A SUA PRÓPRIA CASA

 “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3:5).

Se alguém não sabe governar a sua própria casa, falta-lhe sabedoria, amor aos que ali estão e/ou dedicação, três coisas essenciais também para um bom ministério. É uma lacuna que precisa ser preenchida antes dele se tornar apto para a tarefa muito mais difícil de cuidar da igreja de Deus. Para governar bem a sua própria casa, um homem deverá conhecer intimamente todos os seus, dar-lhes um bom exemplo para seguir e ensiná-los como andar no caminho do Senhor. Além de apoio e segurança, ele deve mostrar carinho, tratá-los com dignidade, e saber evitar excesso de severidade ou uma indulgência injusta.

Note-se bem a diferença em autoridade: como cabeça da família, ele pode governá-la ao seu modo, e o seu sucesso vai mostrar se é um bom pai de família que teme a Deus. Mas como um dos supervisores da igreja ele estará cuidando, ou ministrando, na igreja de Deus, em obediência aos ditames do supremo Pastor, o Senhor Jesus. Existe uma tendência errada em pensar que o supervisor ocupa uma posição de honra eclesiástica superior dentro da igreja, envolvendo pouca ou nenhuma responsabilidade, enquanto que na realidade é de trabalho, e é de serviço humilde prestado aos demais como servo de Cristo.

Em sua própria casa, o número de pessoas é relativamente pequeno, são geralmente todos aparentados com ele e os filhos serão muito mais novos do que ele. Na igreja o número será maior, e maior a diversidade de caráter, idade, experiência e temperamentos. Se ele não conseguir, com a autoridade que tem, governar a sua casa bem, é muito improvável que ele tenha condições para assumir como ministrante o cuidado de que necessita uma igreja.

TENDO OS SEUS FILHOS EM SUJEIÇÃO
com toda a modéstia


Enquanto seus filhos estiverem morando com ele, devem ser ensinados desde tenra idade a respeitarem, honrarem e obedecerem aos seus pais, que é um dos velhos mandamentos reiterados no Novo Testamento. O pai que sabe governar a sua casa, não só ensina isso aos seus filhos, mas exige deles obediência enquanto estiverem com ele, responsabilizando-se ele próprio pelos atos dos filhos. A condição com toda a modéstia, é da parte dos filhos, ou seja, eles reverenciam seu pai pela pessoa que ele é - não o temem por medo de serem punidos, mas aceitam a sua posição de autoridade digna, respeitada, honrada, justa, pura. Devem ser “filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes” (Tito 1:6). Depois que os filhos crescem e saem de casa para formar a sua própria família, a responsabilidade do pai termina. Os supervisores da igreja devem se sentir solidários com os membros da igreja, especialmente os mais novos, orientando-os e disciplinando-os para que se conduzam bem nos caminhos do Senhor, dando-lhes todo o apoio para que cresçam e amadureçam na fé.

A propósito, note-se que não é dito que a esposa deve estar em sujeição, como os filhos. A esposa, adulta, sendo crente como o marido, “deve sujeitar-se em tudo a ele como a igreja está sujeita a Cristo” (Efésios 5:24). Além do mais, como todo marido crente, ele deve “amar sua mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Quando a esposa não está em sujeição ao seu marido, isso é um claro indício de que ela realmente nunca recebeu a Cristo como seu Senhor e Salvador. Seu infeliz marido pode governar bem a sua casa, mas não pode impor a sua autoridade sobre a esposa rebelde e não poderá ser considerado culpado se, tendo ele cumprido com o seu dever, o casamento for desfeito por iniciativa dela.

EM CONCLUSÃO
A resposta sucinta à pergunta que nos é feita é a seguinte:

Se uma esposa não se sujeita ao seu marido, no Senhor, ela está em falta e se ele lhe mostra amor como é do seu dever, ele é inculpável. A falta de sujeição da esposa não prova necessariamente que ele não governa bem a sua casa. Mas se os filhos de um homem são indisciplinados, isso é evidência de que lhe falta sabedoria, ou de que ele está fugindo à sua responsabilidade, o que realmente o desabona para uma maior responsabilidade na igreja como o bispado.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Igreja celular?

Exposição de uma seita introduzida no Brasil caracterizada por multiplicação de grupos, ou células, compostos de 12 membros cada um.

Algumas igrejas andam preocupadas com um sistema introduzido no Brasil por um colombiano, uma espécie de “igreja em células”, chamado “G12”. De origem carismática, segundo fui informado a idéia básica é reunir um grupo de doze candidatos interessados e prepará-los para serem “líderes” de novas “igrejas”, ensinando-os as suas doutrinas (encontradas no seu “Manual do Discípulo”), e treinando-os em evangelismo, pastoreio e ensino. Em seguida, cada um destes doze repetirá o processo, visando um crescimento geométrico criando uma estrutura que chamaríamos de “pirâmide” em âmbito comercial.

Segundo o testemunho de uma pessoa que compareceu às sessões iniciais chamadas “Pré-Encontro” e “Encontro”, trata-se de um processo de lavagem cerebral mediante o qual a pessoa que se deixa envolver é injetado com doutrinas estranhas e mesmo contrárias ao que a Bíblia ensina, é sujeito a fortes emoções habilmente manipuladas por processos psicológicos, e incentivado a prosseguir no aprendizado.

O sistema piramidal tipicamente dá o controle da estrutura à cúpula formada pelos primeiros, que usufruem dos benefícios financeiros resultantes do trabalho dos demais. Segundo estou informado, isto também ocorre no sistema G12: seus promotores são movidos por ambição de poder econômico e religioso. Não é de forma alguma uma igreja no sentido bíblico.

Em seu sentido etimológico, igreja é um vocábulo usado no Novo Testamento, proveniente da palavra grega ecclesia, que se traduz “uma chamada para fora”:

  • ecclesia era usada entre os gregos para denominar um grupo de cidadãos chamados e reunidos para discutir assuntos de Estado (Atos 19:39).
  • Os redatores da Septuaginta, antiga versão do Velho Testamento em grego, citada no Novo Testamento, usaram ecclesia para designar um ajuntamento de Israel convocado para alguma finalidade, ou uma assembléia de representantes da nação (kahal em hebraico).

Embora no original grego o vocábulo ecclesia tenha sido usado em sentido mais amplo (Israel em Atos 7:38, uma multidão revoltada em Atos 19:32, 41), seu derivado em português igreja tem apenas duas aplicações com referência aos crentes em Cristo:

  • o conjunto de todos os redimidos mediante a sua fé em Cristo na era atual, que vai desde a sua primeira vinda dois milênios atrás até o arrebatamento desses redimidos, ressuscitados e transformados, do qual Cristo disse “edificarei minha igreja” (Mateus 16:18), também descrito como “a igreja a qual é o seu corpo” (Gálatas 1:13; Efésios 1:22; 5:23). O conjunto só estará completo ao fim: até lá, a qualquer tempo, seus componentes ou morreram e estão no céu, ou estão vivos, já salvos ou ainda por se salvar, ou ainda não nasceram. É ainda possível, excepcionalmente, que alguns dos seus componentes, quando vivos, não pertençam a uma congregação, por algum motivo especial.
  • uma congregação de crentes professos (Mateus 18:17, Atos 20:28; 1Coríntios 1:2; 1Tessalonicenses 1:1; 2Tessalonicenses 1:1; 1Timóteo 3:5, etc.); no plural indica mais de uma dessas congregações, de natureza semelhante ou na mesma área geográfica (Atos 9:31, 15:41, 16:5, Romanos 16:4,16, 1Coríntios 16:19, Gálatas 1:22, etc.). Em cada congregação geralmente se encontrarão em maior ou menor escala pessoas que se declaram crentes, mas nunca nasceram de novo e, portanto, não pertencem ao conjunto.

Voltando agora nossa atenção à congregação, que chamaremos de igreja local, temos no Novo Testamento, particularmente nas epístolas do apóstolo Paulo, diretrizes para a sua supervisão, as responsabilidades dos membros, a ordem a ser observada em suas reuniões, os objetivos almejados, etc.

Ao contrário do que muitos pensam, o Espírito Santo não nos forneceu parâmetros detalhados de igreja local quando nos deu o Novo Testamento: em Sua sabedoria, deu-nos muita flexibilidade para adaptação às circunstâncias que nos rodeiam, desde que observemos aquelas diretrizes.

Cada igreja local tem caráter próprio, nenhuma é perfeita embora se esforce para ser, e cada uma está nas mãos de Cristo, a quem pertence (por exemplo, Apocalipse 2 e 3). Cada uma é um organismo ligado pelo Espírito Santo, e é Ele quem lhe dá dons de pessoas competentes para o evangelismo, pastoreio e ensino (Efésios 4:11), e distribui dons para o aproveitamento de todos (1 Coríntios 12).

A igreja local é uma unidade indivisível, salvo se nela entrar o pecado e a heresia. Ela não se divide em células independentes entre si. Mediante o evangelismo feito pelos seus membros, pode dar origem a outras, igualmente independentes e com características semelhantes.

No início, depois de expulsos do templo em Jerusalém e das sinagogas, os membros das igrejas locais só podiam contar com residências particulares para as suas reuniões: a casa de Maria, mãe de João Marcos, em Jerusalém (Atos 12:12), a casa de Lídia, em Filipos (Atos 16:40), a casa de Áquila e Priscila em Éfeso (1Coríntios 16:19) e mais tarde em Roma (Romanos 16:5), a casa de Filemon em Colossos (Filemon 1:2), são todos exemplos.

Hoje as igrejas locais geralmente possuem edifícios próprios onde podem se reunir. É um privilégio, mas com seu lado negativo: perda de mobilidade e flexibilidade, empate de capital e necessidade de custeio. As reuniões de crentes em seus lares com o objetivo primordial de evangelizar parentes, amigos e conhecidos são muito úteis, e devem ser incentivadas.

As reuniões para estudo bíblico e oração em seus lares também podem ser úteis, particularmente se forem feitas sob a direção de um dos supervisores da igreja ou outra pessoa apta a ensinar (2 Timóteo 2:2). Como são reuniões em que nem toda a igreja está presente, elas não devem se realizar em prejuízo das reuniões regulares. Geralmente são reuniões informais, mais vulneráveis a influências de fora e ensinamentos falsos, exigindo muita cautela. Se surgirem dúvidas, elas devem sempre ser levadas ao conhecimento dos supervisores da igreja.

Existe ainda a tentação de formalizar tais reuniões familiares, a exemplo de certas igrejas em grandes cidades ou centros populacionais, onde elas têm expandido mediante a divisão dos seus membros em células familiares, na prática “igrejinhas locais” subordinadas à primeira, reunindo-se nas casas, juntando-se todos para culto e adoração uma vez por semana, ou menos freqüentemente, em um edifício principal. Às “igrejinhas” falta a autonomia bíblica, ficando na mesma situação das igrejas locais que se encontram presas a uma estrutura eclesiástica, como a maioria das “denominações”, ou tornando-se em clubinhos e núcleos sociais sem vida espiritual mas causando divisões na igreja local.

Soubemos de alguém que, não somente propôs dividir os membros da igreja local em células, mas ainda chamá-las de G 12; alguns estão usando suas expressões tais como “igreja em células”, “sonhando os sonhos de Deus” etc., dando uma conotação de identificação com o sistema G 12.

Irmãos, evitemos nos associar com as obras das trevas: não adotemos seus métodos nem seus rótulos!

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Ilustrações

O uso apropriado de ilustrações em evangelismo e instrução

Até que ponto é válido o uso de ilustrações nos sermões,
mesmo sendo estórias fictícias?

Se realmente não aconteceram, não estaríamos usando mentiras para ilustrar verdades?
Uma ilustração, no sentido da pergunta, é um exemplo que se usa para esclarecimento ou comentário. Poderia também ser a elucidação de um texto por meio de estampa, figura, desenho, gravura ou imagem, mas não é este o aspecto que se deseja considerar.

O uso de ilustrações é muito útil para ajudar na compreensão de um ensino ou mensagem, ou para enfatizar algum aspecto deles, e é comumente feito em sermões com essa finalidade.

Para verificarmos até que ponto é válido, vejamos primeiro como são usadas as ilustrações na Bíblia, pois encontramos abundantes ilustrações nos livros do Velho e do Novo Testamentos.

As ilustrações bíblicas abrangem o que se vê na natureza, os acontecimentos históricos, e narrativas alegóricas que transmitem uma mensagem indireta, ou preceito espiritual ou moral, por meio de comparação ou analogia, chamadas parábolas.

Nos livros de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares (chamados poéticos) encontramos os seguintes tipos de ilustração:  

  • paralelismo emblemático, em que se dá uma figura de linguagem na primeira linha para ilustrar o conteúdo da segunda (Provérbios 11:22, 42:1, etc), e
  • figuras literárias para se fazer comparações. Estas comparações tomam a forma de símiles (Salmo 5:12, Cantares 2:3a, etc), metáforas (Salmo 84:11, Cantares 4:12, etc), antropomorfismos, em que se atribui a Deus ou a seres espirituais formas, comportamentos e pensamentos característicos do ser humano (Salmo 11:4, etc), ou mesmo dos animais (Salmo 91:4), e as prosopopéias, em que palavras e sentimentos humanos são atribuídos a seres inanimados, a animais, etc (Salmo 96:11,12, Provérbios 8:12).

De uma forma mais ampla, toda a história da humanidade e do povo de Deus encontradas no Velho Testamento servem como ilustração para compreendermos melhor o relacionamento entre Deus e a humanidade, os caminhos de Deus e a natureza humana. Lembremos alguns dos inúmeros casos: ·

  • O sacerdócio, o tabernáculo, os rituais, (os sacerdotes que apresentam as ofertas prescritas na Lei) “servem num santuário que é cópia e sombra daquele que está nos céus, já que Moisés foi avisado quando estava para construir o tabernáculo: ‘Tenha o cuidado de fazer tudo segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte” (Hebreus 8:5 - NVI).
  • A destruição de Sodoma e Gomorra e das cidades circunvizinhas que se corromperam para ir após outra carne (o homossexualismo) são exemplos para os que vivem impiamente (2 Pedro 2:6, Judas 1:7).
  • A provocação do povo de Israel no deserto, que os impediu de entrar na terra prometida (Hebreus 3:7-11).
  • A aflição e a paciência dos profetas que falaram em nome do Senhor (Tiago 5:10).

O Novo Testamento também é rico em exemplos que são úteis como ilustrações: o apóstolo Paulo é uma ilustração da misericórdia e da longanimidade de Cristo (1 Timóteo 1:16); também é uma ilustração do crente fiel e trabalhador, enfrentando todas as vicissitudes por amor de Cristo (Filipenses 3:17); os membros da igreja de Tessalônica ilustravam a eleição de Deus, tendo recebido a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo, sendo imitadores de Paulo e do Senhor (1 Tessalonicenses 1:7).

O nosso supremo Mestre, o Senhor Jesus, usou muito de parábolas, das quais nada menos que trinta e três se encontram nos Evangelhos. Ilustram ensinos sobre o Reino de Deus, o serviço e a obediência, a oração, a vizinhança e a humildade, a riqueza, explicam o Evangelho no que diz respeito ao amor de Deus, e a gratidão, e advertem sobre o futuro no que concerne à Sua volta e o julgamento de Deus.

Em sua grande maioria as parábolas ditas por Ele não são necessariamente fatos históricos, mas concernem situações possíveis de acontecer, assim ilustrando verdades paralelas. Ele explicou aos seus discípulos que enunciava seus ensinos por parábolas para que os que queriam ouvi-Lo pudessem entender os mistérios do Reino dos céus (Mateus 13:10-17).

Encontramos também parábolas no Velho Testamento, como a que Natã usou para despertar no rei Davi a consciência do seu pecado (2 Samuel 12:1-4), a de Jotão (Juízes 9:7-15) e muitas outras.

Concluímos, portanto, que estórias fictícias assim como fatos verídicos podem ser usados como ilustrações para esclarecimento, como nas parábolas. Não nos é lícito, no entanto, para efeito de uma ilustração ou qualquer outro motivo, contar uma estória, ou repetir algo que ouvimos de origem duvidosa, dando a entender que é um fato verídico. Se forem usadas como ilustração, sua origem fictícia, ou duvidosa, deve ser deixada bem clara ao auditório.

Dado o grande volume de ilustrações que nos são fornecidas pela própria  Palavra de Deus, geralmente não é necessário fazer uso da nossa imaginação ou procurar em outra fonte o material para ajudar a elucidar o ensino bíblico. Se nos limitarmos às ilustrações das Escrituras Sagradas, evitaremos o risco de ilustrar mal ou incorretamente o que elas ensinam.

Finalmente, melhor do qualquer ilustração verbal ou escrita, somos exortados a ser exemplos, ou ilustrações vivas aos demais, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza, em boas obras, na incorruptibilidade doutrinária, na gravidade, na sinceridade, em linguagem sã e irrepreensível (1 Timóteo 4:12, Tito 2:7). Façamos disto a nossa prioridade.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Imitadores de Deus

Um breve esboço do início e desenvolvimento das igrejas locais cristãs através dos tempos

Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados

Efésios 5:1

 

Todos que se arrependem dos seus pecados e recebem para si a obra remidora do Senhor Jesus Cristo, “morrem” para si mesmos e “nascem” de novo pelo Espirito Santo de Deus. Deus assim revela o Seu amor, tão grande ao ponto de perdoar todos os seus pecados e de lhes dar uma nova vida que é eterna (e portanto nunca lhes será tirada).

Se estivermos entre eles, Deus declara que somos Seus “filhos” (Romanos 8:14-17 etc.) e, como tal, devemos ser Seus imitadores perdoando-nos uns aos outros assim como Ele nos perdoou. Na vida natural, temos semelhança com nossos pais e assim somos reconhecidos como sendo seus filhos. Na vida espiritual também devemos imitar nosso Pai celestial e demonstrar que somos “filhos amados” dignos de Sua paternidade, perdoando-nos uns aos outros como Ele nos perdoou, e andando em amor.

Andar em amor significa nos sujeitar e sermos prestativos uns aos outros. Nosso perfeito exemplo, Jesus Cristo o Filho de Deus, surpreendentemente nos amou enquanto éramos pecadores, ao ponto de dar a Sua vida justa e imaculada em nosso lugar no Calvário. Essa foi a prova do Seu amor. Sua dádiva foi “como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave”. Uma “oferta” é algo que é dado a Deus, e o “sacrifício” nesta oportunidade incluiu o elemento adicional da morte.

O Senhor Jesus foi a verdadeira “oferta queimada”, tendo dedicado a Sua vida inteiramente a fazer a vontade de Deus, até à morte de cruz. Seu sacrifício extremo de devoção é descrito como tendo um “aroma suave”. O comentarista B. Meyer exclama: “em um amor tão desmedido, sem consideração de custo, para os que dele não tinham merecimento algum, houve um espetáculo que encheu o céu de fragrãncia e o coração de Deus com gozo”.

Semelhantemente podemos trazer alegria a Deus na posição altamente honrada de filhos Seus, dedicando-nos com amor uns aos outros e também nutrindo um caráter justo e íntegro, novamente segundo o exemplo de Jesus Cristo. 

Primeiro é necessário nos purificarmos e nos afastarmos de todas as impurezas com que está contaminado o mundo em que vivemos. Os versículos 3 a 13, de Efésios 5, nos dão uma relação de coisas que “trazem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” e das quais os  filhos de Deus não podem participar. São pecados de ordem sexual e a instrução severa dada épara que nos afastemos completamente deles, “nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos”.

Tratam-se dos seguintes:

  1. Imoralidade sexual – Tradução da palavra grega “porneia” (NVI), de onde vem a palavra “pornografia”, que abrange prostituição, adultério, incesto, e no Velho Testamento é uma figura da idolatria.
  2. Impureza – Também envolve atos imorais, mas num sentido mais amplo, como quadros ou livros obscenos e outras coisas sugestivas que acompanham vidas indecentes e estimulam a imoralidade.
  3. Cobiça – Semelhante ao décimo mandamento da lei de Moisés, vem da palavra grega “pleonéxia” que abrange avareza, fraude e extorsão, e se estende também aos desejos sensuais e aos de ordem sexual fora do casamento.

Com a decadência assustadora da moralidade no mundo em que vivemos, estes pecados deixaram a categoria de ilegalidade em que se encontravam poucas décadas atrás e são agora considerados como sendo de pouca importância, ou mesmo parte do comportamento normal da atual civilização e são promovidos sem censura pelos meios de comunicação atuais, desde os jornais e revistas até o cinema, televisão e internet. Cuidemos para não sermos tentados a cair neles, pois diante de Deus e sendo Seus filhos, eles não devem sequer ser mencionados entre nós. Lembremos o que o Senhor Jesus disse: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mateus 5:28).

É evidente que este tipo de pecado nunca deveria ter que ser mencionado como algo cometido por crentes, filhos de Deus, pois são características dos filhos da desobediência  (veja Gênesis 6:2). Nem mesmo deviam ser discutidos de maneira a diminuir o seu caráter pecaminoso e vergonhoso. Há sempre o perigo ainda maior de tratar estas coisas levianamente procurando desculpar os detratores ou mesmo de discuti-los corriqueira e continuamente, portanto não são apropriadas para os santos.

Também não se deve ouvir dos crentes “obscenidade, conversas tolas, gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graças” (Efésios 5:4 NVI), pois foram separados da corrupção que está no mundo, tanto em obras como em palavras.

O falar do crente portanto deve estar livre de todos os traços de:

  1. Obscenidade: Todas as formas de depravação e indecência, inclusive em gestos, palavreado ou exclamações, e uma linguagem de sarjeta.
  2. Conversas tolas: Gabar-se de praticar ou de ter praticado essas coisas, pois é uma idiotice tola e sem qualquer mérito.
  3. Gracejos imorais: Piadas ou conversas que fazem com que a imoralidade pareça ser algo corriqueiro, leviano e de bom humor.

O impacto negativo da imoralidade sobre a mente de quem ouve é reduzido quando assim transmitida. Não convém ao filho de Deus sequer pensar sobre estas coisas, pois ele pode ser tentado a se aproximar delas e eventualmente cair na sua prática. É sempre perigoso gracejar sobre o pecado. Em vez de usar sua língua para falar de uma forma indigna e indecorosa assim, o cristão deve deliberadamente cultivar a prática de dar graças a Deus por todas as bênçãos e misericórdias em sua vida. Isto é agradável ao Senhor, também um bom exemplo para os outros e é benéfico para a própria alma.

O texto não dá qualquer espaço para dúvidas quanto à atitude de Deus para com os praticantes da imoralidade: eles não  têm nenhuma herança no Reino de Cristo e de Deus. Esta exclusão está em nítido contraste com a atitude atual do mundo, que pensa que os delinquentes sexuais estão somente enfermos e precisam de tratamento psiquiátrico. O que o mundo chama de doença Deus chama de pecado. O que os homens acham que podem curar com a psicanálise Deus declara que somente pode ser remediado mediante a completa regeneração. O que o mundo tolera Deus condena.

Três tipos de malfeitores são identificados como não tendo herança no reino de Cristo e de Deus, logo não podem ser Seus filhos: o imoral, o impuro e o cobiçoso, que é idolatra. O cobiçoso é um idólatra porque imagina que Deus pode aprovar a cobiça sensual, coloca a sua própria vontade acima da vontade de Deus e virtualmente adora a criatura ao invés do Criador (Romanos 1:25 ).

As pessoas cujas vidas são caracterizadas por estes pecados estão perdidas e a caminho da perdição eterna. Não é um caso de simples perda de galardão no tribunal de Cristo, mas nunca foram salvas, mesmo que digam que se converteram. Poderão ainda ser salvas mediante  arrependimento e fé no Senhor Jesus. Mas os filhos de Deus não praticam estes pecados.

É alarmante observar como o mundo está se fazendo cada vez mais tolerante destas coisas e como muitas igrejas estão se deixando contaminar com a imoralidade sexual, inclusive suas aberrações tão condenadas nas Escrituras. Não é de admirar que a ira de Deus esteja vindo sobre os filhos da desobediência. Podemos ver um exemplo da ira de Deus sobre a fornicação e o adultério quando vinte e quatro mil israelitas foram mortos porque pecaram com as mulheres moabitas (Números 25:1-9) e a destruição de Sodoma e Gomorra (Gênesis 19:24, 28).

O castigo de Deus também é evidenciado de outras maneiras: as doenças venérias estão se multiplicando, e o vírus conhecido geralmente como AIDS surgiu poucas décadas atrás como resultado de homossexualismo e promiscuidade, e se espalhou por todo o mundo, trazendo uma grande onda de sofrimento e mortes. Existem cada vez mais transtornos mentais, nervosos e emocionais, decorrentes de um sentimento de culpa. Há mudanças na personalidade e a deterioração dos hábitos e costumes cresce a largos passos (Romanos 1:26-32).

Mas os filhos de Deus devem andar como “filhos da Luz” em contraste com os que produzem estas "obras infrutíferas das trevas". Afastando-se destas coisas perniciosas, tendo o Senhor e a Sua Palavra para guiá-los em todas as coisas, devem buscar sempre a vontade do seu Pai para então manifestar em si as características divinas: bondade, justiça e verdade. Para agradar a Deus devem evitar (mesmo até reprovar) os que praticam as obras ocultas e vergonhosas das trevas. Serão então sábios, andando prudentemente.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Intolerância bíblica

O trabalho de ministério é edificar o Corpo de Cristo. A função do ministrante é edificar a igreja, não a si mesmo! Que tremendo contra-senso com os ensinos do apóstolo Paulo!

Traduzido por R. David Jones
— N.T. Recentemente nossa atenção foi chamada para este artigo, escrito por um dos grandes evangelistas e pastores do século passado, cujo conteúdo ainda tem uma notável relevância e esperamos que ajudará nossos leitores a ter discernimento para se oporem ativamente ao falso ensino que continua ameaçando as igrejas de hoje.

“Gostaria de realçar esta verdade, afirmando que existe um aspecto de intolerância na fé cristã e se não virmos esse aspecto intolerante da fé é provável que nunca a tenhamos realmente visto, pois há muitos textos nas Escrituras que comprovam essa afirmação. Colocar qualquer pessoa ao lado de Jesus Cristo, ou falar de salvação fora dEle, ou sem que Ele esteja no centro, é uma traição e uma negação da verdade. O apóstolo Pedro disse no Sinédrio em Jerusalém: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12).

Todo o ensino falso deve ser repudiado e resistido. Somos ensinados no Novo Testamento que esse ensino era combatido pelo Senhor e Seus apóstolos que, além de o resistirem, preveniam o povo contra tal prática. Pergunto, então, o que está sendo feito hoje? Qual é a sua atitude pessoal a respeito disso? Você é daqueles que dizem que não há mais necessidade daquelas rejeições e que deveríamos nos contentar com uma apresentação positiva da verdade? Concordamos com o ensino predominante que tem aversão às advertências e à crítica ao ensino falso? Você concorda com aqueles que dizem que um espírito de amor é incompatível com a denúncia e a crítica do erro retumbante, e que devemos sempre ter atitudes positivas?

A resposta simples para atitudes como essas é a postura do Senhor Jesus Cristo denunciando o mal e os falsos mestres. Ele os denunciou como “lobos devoradores”, “sepulcros caiados” e “condutores cegos”. O apóstolo Paulo disse a respeito de alguns deles: “o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos”. Essa é a linguagem das Escrituras. Há pouca dúvida de que a Igreja se encontra na situação que está hoje porque não seguimos os ensinos e exortações do Novo Testamento e nos limitamos ao que é positivo e ao que chamamos de “evangelho simples”, e deixamos de salientar os aspectos negativos e as críticas.

O resultado é que as pessoas não reconhecem o erro quando convivem com ele. Aceitam o que parece ser bom e se impressionam com aqueles que vêm à sua porta falando acerca da Palavra de Deus, oferecendo livros sobre a Bíblia, profecias, etc. Em sua imaturidade e ignorância muitas vezes as pessoas ajudam a propagar o ensino falso porque não conseguem ver nada de errado nele. Além disso não se dão conta que o erro é para ser rejeitado e denunciado. Imaginando-se cheias do espírito de amor, são enganadas por satanás, a besta predadora que estava no encalço delas, de repente as alcança e pula sobre elas com sua destreza e sutileza.

Não é agradável ser oposição! Não temos prazer em ter que denunciar e expor o erro, mas qualquer pastor que humildemente sinta um pouco da mesma responsabilidade que o apóstolo Paulo teve, num grau infinitamente maior, pelas almas e bem-estar espiritual do seu povo, se sentirá compelido a expressar estas advertências. Isto não é apreciado face a frouxidão da geração moderna. Com demasiada freqüência a audiência tem controlado o pregador e o ensinador, trazendo grande mal para a igreja. O apóstolo previne Timóteo que “virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina”. Isto acontece freqüentemente agora, e assim tem sido durante o século atual. Portanto, é importante que cada membro saiba claramente o que é a igreja local e, em especial, a responsabilidade daqueles que são os seus ministros.

Há igrejas no mundo, hoje, que de forma superficial aparentam estar frutificando muito. O povo se aglomera dentro delas e elas mostram muito zelo e entusiasmo, mas num exame mais minucioso revelará que a maior parte do tempo é dedicada a vários tipos de música, clubes, sociedades e atividades sociais. O culto se inicia às 11 horas e precisa terminar pontualmente ao meio-dia. Se não, surgirão grandes problemas! Há uma “palavra” curta demais, de uns quinze minutos, no máximo vinte. O ministrante, se não perceber claramente essas coisas, terá medo de contrariar a maioria, seu sustento depende dos membros da igreja e o resultado é que tudo se faz para atender aos desejos da congregação.

Deixem-me acrescentar que o ministro também não se deve impor. É o Senhor quem determina! Ele mesmo, que está à destra de Deus, é quem deu “uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres”. Ele os deu para a edificação da Sua Igreja e a Sua mensagem é que deve ser proclamada sem medo ou favor. Devemos recapturar algo do espírito de John Knox, cuja pregação fez tremer Maria, a rainha dos escoceses.

O trabalho de ministério é edificar o Corpo de Cristo. A função do ministrante é edificar a igreja, não a si mesmo! Lamentavelmente eles têm edificado a si próprios, pois lemos sobre líderes de igrejas que vivem em posições de grande riqueza e pompa. Que tremendo contra-senso com os ensinos do apóstolo Paulo! Notemos que os ministrantes são chamados para edificar, não para agradar e divertir. A maneira que devem fazer isso está resumida, claramente, na mais lírica das passagens de Atos 20. O apóstolo Paulo estava se despedindo dos anciãos da igreja em Éfeso, à beira-mar, quando disse: “Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os santificados” (v.32). A Palavra da Sua graça é que é poderosa para nos edificar! Não é de se surpreender que a Igreja esteja do jeito que se encontra hoje, pois a ela está sendo dado divertimento e filosofia.

Nessa prática o ministrante poderá atrair e segurar uma multidão por algum tempo, mas não poderá “edificar”. A função do ministrante é “edificar”, não atrair uma multidão. Nada edifica a não ser a genuína Palavra de Deus. Não há autoridade fora disto! Ela não deve ser modificada ou abreviada para se adaptar aos modismos dos “tempos modernos”, ou algum suposto “resultado assegurado pela crítica” que sempre está em mutação. É o “Evangelho Eterno”, é a “Palavra Eterna”, a mesma Palavra que Paulo e os outros apóstolos pregaram, a mesma Palavra que os reformadores protestantes pregaram, os puritanos e os grandes pregadores de duzentos anos atrás, como Spurgeon no século passado, sem qualquer modificação.

Por isto ter sido tão esquecido nos últimos cem anos é que as coisas estão do jeito em que se encontram hoje”.

— Publicado com a permissão que nos foi dada graciosamente pelos titulares da licença de publicação: The Banner of Truth Trust, 3 Murrayfield Road, Edinburgh, EH12 6EL, UK Telefone: +44 (0) 131 337 7310, Fax: +44 (0) 131 346 7484. Site: www.banneroftruth.co.uk
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Israel ainda é Povo de Deus

A igreja nada tem a ver com as maldições e bênçãos para Israel. Os pactos, promessas e advertências do Velho Testamento só são válidas para Israel. Israel foi colocado temporariamente à parte no programa de Deus durante estes últimos dois milênios de dispersão.Depois do arrebatamento da igreja (1 Te

“Acaso rejeitou Deus ao seu povo? De modo nenhum! ...
todo o Israel será salvo, como está escrito:
Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades”

Romanos 11:1 e 26

Persiste uma velha teoria, cujas origens se discutem, mas que continua a ser acreditada por muitos, segundo a qual a igreja de Cristo é uma continuação de Israel, e que todas as promessas e bênçãos prometidas aos patriarcas, a Moisés, Josué e Davi, foram transferidas para a igreja, sendo elas “espiritualizadas” quando falam de coisas terrenas. É conhecida como a “Teologia da Substituição”. Os partidários desta teologia acreditam – e ensinam - que Deus não tem mais planos específicos para a nação de Israel.

Com base nessa teoria, algumas igrejas têm fechado os seus olhos às perseguições feitas aos judeus, e, quando aliadas ao poder público, elas próprias têm promovido perseguições cruéis aos judeus. Os judeus conservam as perseguições em suas memórias, e generalizam o conceito de inimigo a todos os cristãos.

Como a Bíblia é muito clara sobre esse assunto, e distingue perfeitamente entre a igreja e Israel, é surpreendente que ainda hoje existam igrejas que teimam em ensinar essa substituição, a prejuízo do melhor entendimento do que a Bíblia ensina, de grande parte das profecias do Velho Testamento, e algumas do Novo, que são abandonadas por serem “de difícil interpretação”. É natural, porque devem ser aceitas literalmente e não “interpretadas espiritualmente”.

Assim, por exemplo, são “espiritualizadas” por eles as profecias da Bíblia relativas à bênção e restauração de Israel para a Terra Prometida, dizendo que são apenas alegorias de promessas de bênçãos de Deus para a igreja. Os problemas principais com esta visão, hoje, são a existência contínua de judeus ao longo dos séculos e especialmente com a revivificação da sua nação com o Estado moderno de Israel. Se Israel tivesse sido condenado por Deus, e não houvesse futuro para a nação judia, como explicar a sobrevivência sobrenatural dos judeus durante os últimos 2000 anos, apesar das muitas tentativas para os destruir? Como explicar por que e como Israel reapareceu como uma nação depois de desaparecer durante dezenove séculos?

O fato que Israel e a igreja são diferentes é ensinado claramente no Novo Testamento. Falando biblicamente, a igreja é completamente diferente e distinta de Israel e os dois nunca podem ser confundidos ou permutados. A Bíblia ensina que a igreja é uma criação completamente nova, um “mistério” escondido no Velho Testamento e só revelado no Novo, que começou a existir no dia de Pentecoste depois da morte, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, o Messias prometido a Israel, e continuará na terra até ser arrebatada ao céu por Ele (Efésios 1:9-11; 1 Tessalonicenses 4:13-17). A igreja nada tem a ver com as maldições e bênçãos para Israel. Os pactos, promessas e advertências do Velho Testamento só são válidas para Israel. Israel foi colocado temporariamente à parte no programa de Deus durante estes últimos dois milênios de dispersão.

Depois do arrebatamento da igreja (1 Tessalonicenses 4:13-18), Deus voltará a focalizar Israel na execução do Seu plano para a terra. Durante sete anos Deus despejará a Sua ira sobre o mundo por rejeitar a Cristo, o que a Bíblia chama de Dia do Senhor, ou a Tribulação (Apocalipse capítulos 6 a 19). Enquanto isso Israel será preparado para a segunda vinda do Messias, mediante pregação e conversão ao Evangelho seguidas pelas provas da Grande Tribulação que acontecerá na segunda metade daqueles sete anos.

A situação na antiguidade, antes do início da igreja, na atualidade e no futuro é comentada nos capítulos 9 a 11 de Romanos, de onde extraímos o seguinte:

  1. Os israelitas foram privilegiados, adotados por Deus, Este lhes deu glória, alianças, legislação, o culto e as promessas; deles provêm os patriarcas e deles descende o Cristo que é Senhor de todos e Deus bendito para todo o sempre. Deus é soberano, escolhe a quem quer favorecer, e determina o lugar de cada um. Não temos o direito de criticar a Sua decisão, pois Ele é o Criador de tudo.
  2. Deus suporta com muita paciência os malfeitores, ou vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de mostrar a Sua ira, dar a conhecer Seu grande poder e revelar as riquezas de Sua glória em vasos de misericórdia, preparados de antemão para glória, que somos todos nós, tanto judeus como gentios.
  3. Deus chama pessoas que não são israelitas para serem Seu povo também, como anunciado através do profeta Oséias (1:9-10) e do profeta Isaías (10:22-23).
  4. Dos filhos de Israel somente o remanescente será salvo, por mais que ele cresça, e isto vai se cumprir cabalmente e em breve. Como ainda profetizou Isaías (1:9), se o Senhor dos Exércitos não tivesse preservado a descendência dos judeus, eles já teriam desaparecido.
  5. Israel se esforça pela justificação baseada no cumprimento da lei, e não a alcança porque decorre das obras e não da fé. Os judeus rejeitam a obra redentora de Cristo: a "pedra de tropeço e rocha de escândalo" profetizada em Isaías 28:16.
  6. Todo aquele (seja judeu ou gentio) que invocar o Senhor será salvo (Joel 2:32). Nem todos obedecem à palavra do Evangelho, conforme profetizado em Isaías 53:1, embora a voz de Deus seja ouvida em toda a terra, conforme Salmo 19:4. Muitos judeus estão sendo salvos pela eleição da graça, ou seja, mediante a fé em Cristo, como aconteceu com o próprio apóstolo Paulo. Assim como no tempo de Elias, Deus reservou para si sete mil homens que não adoraram a imagem de Baal, assim também nesta época atual uma minoria sobrevive pela eleição da graça. Os demais, que buscam justificar-se pelas obras da lei, não o conseguem, e permanecem espiritualmente surdos e cegos.
  7. A maioria do povo de Israel continuará em sua incredulidade até que haja entrado a plenitude dos gentios (a igreja de Cristo já estará completa, os vivos arrebatados, em Sua presença), mas depois todo o Israel remanescente será salvo, na volta do Senhor, conforme profetizado em Isaías 59:20-21.

O lugar de privilégio diante de Deus, simbolizado por uma oliveira, foi primeiro ocupado pelos judeus; a maioria da nação de Israel, por sua incredulidade, foi rejeitada (ramos quebrados), enquanto os crentes gentios (oliveira brava) foram admitidos (enxertados na oliveira) à graça de Deus pela fé, participando das bênçãos que vêm de Abraão a quem Deus disse: "em ti serão benditas todas as famílias da terra" - Gênesis 12:3 (raiz e seiva da oliveira).

Mas os gentios não devem desprezar os judeus: assim como Deus rejeitou os judeus, como nação, por sua incredulidade e recebeu os gentios por causa da sua fé, também Ele rejeitará os gentios se eles não permanecerem em Deus e aceitará novamente os judeus, como nação, se eles deixarem a sua incredulidade. É mais natural para a nação dos judeus ajustar-se ao reino de Deus quando crer, por causa da sua raiz em Israel, do que para os gentios, que vêm de fora. "Gentio" aqui não quer dizer a Igreja, ou algum crente em particular. Temos em todo este capítulo o povo de Israel de um lado, e os demais povos, os gentios, de outro. O Corpo de Cristo jamais poderá ser separado de Cristo, que é a Cabeça, nem um crente pode ser separado do amor de Deus. Mas os gentios podem, segundo este versículo, perder a posição privilegiada de que gozam hoje.

O remanescente de Israel que sobreviver à tribulação estará àquela altura em condições para receber o Messias, e Cristo voltará à terra, dando fim à Grande Tribulação e livrando Israel dos inimigos poderosos que o cercam. Ele estabelecerá o Seu reino como Rei dos reis na terra tendo Jerusalém como sua capital. Israel será a nação principal e sobreviverão ainda as nações que tiverem tratado bem os judeus durante a sua tribulação (Mateus 25:31 a 40). Os representantes de todas essas nações virão a Jerusalém para honrar e adorar o Rei divino. Os membros da Sua igreja voltarão com Ele, em seus corpos imortais, literalmente reinando com Ele no milênio (Apocalipse 20:1-5).

Então se cumprirá a profecia: “Acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor, será estabelecido como o mais alto dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. Irão muitos povos, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor” (Isaías 2:2-4).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Jamais vi o justo desamparado

É quando estamos sem recursos que manifestamos onde está depositada a nossa confiança, nos homens ou no Senhor. Exemplos de servos de Deus que passaram pela provação e pela fome.

Salmo 37:25

Este Salmo de Davi começa com exortações para o povo de Deus confiar no Senhor e entregar o seu caminho a Ele, e nos traz lindas promessas da fidelidade de Deus em satisfazer os desejos dos corações daqueles que assim o fazem (versículos 3 a 5).

Evidentemente, Davi tinha experiências pessoais da provisão do seu Deus em tempos de grande necessidade, pois escreveu também: O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará. Foi nessas experiências e apertos que Davi provou o poder de Deus. Também, desde a sua juventude até sua velhice, Davi não viu um justo morrer de fome ou até chegar a ponto de mendigar o pão.

Isto não quer dizer que o povo de Deus nunca passava pela fome. Em Dt. 8:3 vemos que Israel passava pela fome no deserto, mas há uma grande diferença entre passar fome e morrer de fome! O Senhor Jesus passou fome aqui na terra, e numa ocasião por 40 dias! Moisés explicou para aquele povo porque Deus permitia a fome: foi para te provar e saber que estava no teu coração, se guardarias ou não os Seus mandamentos (v. 2). É quando estamos sem recursos que manifestamos onde está depositada a nossa confiança, nos homens ou no Senhor.

Elias era outro desses justos que passava pela provação e pela fome. Em 1Rs. 17:1-6 vemos outro exemplo de onisciência e onipotência de Deus em cuidar dos Seus servos. É importante notar, nos versículos 4 e 9 desse trecho, como Deus disse a Elias que Ele já tinha ordenado aos corvos e à viúva para providenciarem a provisão do Seu servo. O que aconteceu depois disto foi simplesmente o cumprimento do plano divino e tinha que acontecer independentemente dos sentimentos naturais dos corvos (para comer aquela carne) ou da viúva (em não compartilhar a sua última bocada).

Notamos que Elias não pediu alimento à viúva pensando nele, mas nela, e também garantiu a bênção que ela receberia em confiar no Senhor nesta provação. Podemos imaginar o prazer no coração de Elias, e da viúva, em ver estas promessas sendo realizadas em cada necessidade pessoal. Certamente foi uma experiência inesquecível que fortaleceu muito a sua fé em Deus e o preparou para as batalhas mais à frente.

Os mesmos princípios funcionaram nos tempos do Novo Testamento e vemos como o Senhor Jesus Cristo treinava os Seus discípulos a confiar somente NELE para seu sustento material (Lc. 12:22-31).

É natural estar-se preocupado sobre estas coisas e o mundo vive assim, mas os salvos não devem viver assim e, especialmente, aqueles que confessam viver PELA FÉ. Depois da Sua missão, o Senhor enfatizou este assunto para chamar à atenção e estabelecer o princípio nos seus corações que QUANDO ELE MANDA, ELE SUSTENTA: quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, faltou vos porventura alguma coisa? NADA, disseram eles (Lc. 22:35). Eles concordaram com Davi: O Senhor é o meu Pastor, NADA me faltará.

Mais tarde vemos o grande exemplo do apóstolo Paulo: Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação… tanto de fartura, como de fome, assim de abundância como de escassez (Fp. 4:11-12). Neste trecho ele estava agradecendo uma oferta NÃO SOLICITADA que tinha recebido daquela igreja e podia ver nisto a provisão de Deus. É verdade que noutra ocasião ele pediu a cooperação financeira dos Coríntios a favor dos irmãos pobres em Jerusalém, mas NUNCA LEMOS DELE PEDINDO PARA ELE MESMO (2Co. 8 e 9).

De fato, ele escreveu para eles na sua segunda carta, lembrando-os da sua maneira de trabalhar quando estava entre eles, sem pedir nada deles. Naquele tempo ele foi sustentado por ofertas - NÃO SOLICITADAS - de outras igrejas (2Co. 11:7-9).

Precisamos lembrar, em nossos dias, destes princípios e exemplos, quando muitos “servos do Senhor” publicam as suas necessidades pessoais. Tal prática indica uma falta de confiança no Senhor. Se Ele podia dominar os corvos imundos, será que Ele não pode tocar nos corações do Seu povo sem a nossa propaganda?

Os que usam tal prática perdem a maior bênção de ver como o nosso Deus é onisciente e onipotente, que sabe o que precisamos, e usa o Seu povo, muitas vezes estranho para nós, para providenciar esta necessidade. É a maior confirmação possível que estamos fazendo a vontade do Senhor!

Pense na alegria de Pedro quando ele achou a moeda na boca do peixe que servia exatamente para a sua necessidade daquele dia! Será que o Senhor mudou? NÃO! Ele ainda é Deus que sustenta os Seus servos.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Jejum

Na obra de Deus, alguns são colocados na vanguarda pelo Senhor, mas muitos são colocados em lugares estratégicos para suprir os que estão à frente, sendo o seu trabalho tão vital para vencer a guerra quanto os primeiros.

A prática do jejum é comum em algumas esferas, e está começando a ser incentivada em algumas igrejas, com a publicação de um livro específico escrito por um autor renomado. Uma irmã que se reúne numa igreja próxima a Londres me pediu informações sobre o que aprendemos sobre o seu uso no Novo Testamento. Em atenção ao seu pedido, escrevi este artigo e o estou publicando para o conhecimento dos nossos leitores que poderão também estar enfrentando essa situação.

Na Bíblia, "jejuar" significa "abster-se voluntariamente de comer", por exemplo, Mateus 4:2, 6:16-18, 9:14-15; Marcos 2:18-20; Lucas 5:33-35, 18:12; Atos 13:2-3. Algumas destas passagens mostram que os mestres a quem os estudiosos ou discípulos estavam ligados davam-lhes instruções especiais sobre "jejum". O Senhor Jesus ensinou a necessidade de pureza e simplicidade de motivo em nossos pedidos a Deus.

As respostas do Senhor Jesus às perguntas dos discípulos de João, e dos fariseus, revelam o propósito e método dos jejuns. Sem dúvida, durante a Sua vida Ele e Seus seguidores observaram jejuns como o do Dia da Expiação, mas Ele não impôs quaisquer "jejuns" adicionais. O que Ele ensinou era apropriado para a mudança de caráter e finalidade que Ele projetou para Seus discípulos. Sua declaração de ser o Noivo (Mateus 9:15), com referência à inadequação do jejum, demonstrou praticamente que era o Messias (Zacarias 8:19). Alguns manuscritos têm o verbo “jejuar” em Atos 10:30.

O Senhor Jesus declarou que João (Batista) marcou o fim de uma dispensação, anunciando a idade nova da graça, e mostrou que seus respectivos princípios não podem ser misturados. Tentar misturar lei e graça, seria como usar um pedaço de pano novo para remendar uma roupa velha. Quando lavada, o pedaço novo encolhe, rasgando-se do velho. A ruína seria maior ainda.

Ele preveniu Seus discípulos contra a mistura do velho e do novo... mas é o que ainda se faz em toda a cristandade. O judaísmo foi remendado e adaptado por toda parte no meio das igrejas e o vestuário velho é agora rotulado "Cristianismo". O resultado é uma mistura confusa, que não é nem o judaísmo nem o cristianismo, mas uma substituição ritualística de uma fé no Deus vivo por obras mortas. O vinho novo (suco de uva ainda não fermentado) da salvação gratuita foi despejado nos odres velhos do legalismo. O resultado está aí: os odres velhos estão arruinados e prontos a estourar, o vinho está se derramando e a maior parte do precioso suco vivificante está perdido. A lei perdeu seu terror, porque é misturada com graça, e a graça perdeu sua beleza e caráter, pois está misturada com lei e obras.

O jejum praticado por crentes, depois da ascensão de Cristo, só é mencionado em três ocasiões no Novo Testamento:

  • Por Paulo, no momento da sua conversão (Atos 9:9).
  • Pelos profetas e mestres na igreja em Antioquia antes de separarem Barnabé e Saulo para a obra missionária, por ordem do Espírito Santo (Atos 13:2-3).
  • Por ocasião da encomendação ao Senhor de anciãos nas igrejas que se reuniam em Listra, Icônio e Antioquia (Atos 14:23).

Não obstante, o jejum é agora promovido em algumas congregações cristãs como se fosse doutrina bíblica para os crentes, argumentando que:

  • "A fé precisa de oração para o seu desenvolvimento e pleno crescimento, e a oração precisa de jejum pela mesma razão. O jejum tem feito maravilhas quando usado em combinação com oração e fé". Mas se isso fosse verdade, por que não foi sequer insinuado pelo Senhor Jesus ou Seus discípulos?
  • "Desde que jejum e oração são tão proeminentes na Bíblia, os cristãos modernos devem praticá-los mais, até que recebam o poder com Deus sobre todos os poderes do diabo". No entanto, foi o Senhor Jesus quem deu poder aos Seus discípulos para "expulsar os demônios" (Marcos 3:15) e "curar doenças" (Lucas 9:1) como e quando Lhe conviesse, e Ele não exigiu que orassem e jejuassem para esse fim, nem mesmo quando prometeu que receberiam poder quando o Espírito Santo viesse sobre eles (Atos 1:8). A menção de "jejum" em Mateus 17:21 e Marcos 9:29 não consta em vários manuscritos (NVI).

Muito mais importante do que jejum é a total obediência à Palavra de Deus e dedicação em viver para Sua glória e honra. Ele nos recompensará pelo trabalho que fizermos (Apocalipse 22:12).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

José de Arimateia

José de Arimateia nos deixa o exemplo de um discípulo de Jesus que era bom e justo, que esperava o reino de Deus, era rico e ilustre mas agiu desprendidamente com convicção e coragem para cumprir a justiça.

José de Arimateia foi um homem que se tornou notável na Bíblia pelo papel que desempenhou no sepultamento do corpo do Senhor Jesus, tanto assim que é mencionado nos quatro Evangelhos (Mateus 27:57-60, Marcos 15:42-46, Lucas 23:50-55, João 19:38-42).

Sobre a sua pessoa, somos informados nestas passagens que era um homem rico, vindo de Arimateia, cidade dos judeus de onde era natural, sendo ele um homem bom e justo que também esperava o reino de Deus. Era um ilustre membro do sinédrio e se tornara discípulo de Jesus, mas oculto por medo dos judeus. Somos informados que não havia consentido no conselho e nos atos do sinédrio com relação a Jesus mas, se manifestou a sua oposição, não teve efeito algum. No entanto acabou dando um passo que lhe valeu a sua celebridade, conforme veremos a seguir.

Tendo Jesus sido crucificado, após a Sua morte o Seu corpo (como o de todos os crucificados) estava destinado a ser retirado da cruz e lançado no lixo do “vale do filho de Hinom” (ver Jeremias 32:35) para ali ser queimado. A crucificação do Messias se dera no “dia da preparação”, véspera do primeiro dia da festa dos Pães Asmos, em que todo o trabalho era proibido (sendo por isso chamado de “grande dia de sábado” para distingui-lo do sábado semanal (João 19:31, Êxodo 12:16, Levítico 23:7). Os judeus não admitiam que ficassem crucificados ou que fossem sepultados durante esse dia de festa.

O crepúsculo estava se aproximando, e foi então que José de Arimateia encheu-se de coragem, dirigiu-se a Pilatos e rogou que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus, assim manifestando publicamente o seu amor por aquele Homem. Podemos imaginar a surpresa de Pilatos, e o insulto ao sinédrio quando este ilustre membro da sua confraria publicamente tomou o lado dAquele que fora por eles desprezado, insultado e vergonhosamente crucificado. Mas Deus, em Sua sublime onisciência, já previra este notável e surpreendente acontecimento, conforme vemos em Isaías 53:9 “... deram-lhe a sepultura... com o rico na sua morte...”

Admirou-se Pilatos de que o Crucificado já tivesse morrido: não sabia que aquele Homem estava dando a Sua vida, e que Ele tinha absoluto controle sobre quando o faria. Para certificar-se, Pilatos chamou o centurião e recebeu dele a confirmação do fato, depois de obtida a prova mediante um ferimento feito no Seu lado. Pilatos então mandou que o cadáver fosse entregue a José. Note-se que José pediu pelo “corpo”, mas Pilatos mandou que lhe dessem o “cadáver”: Pilatos tinha absoluta certeza que o corpo estava mesmo sem vida, ao contrário do que têm afirmado alguns céticos, mesmo em nossos dias.

José comprou um pano de linho fino e foi até a cruz, acompanhado por Nicodemos (um fariseu que era um dos principais dos judeus e que anteriormente viera ter com Jesus de noite – João 3:1-21), que trouxe quase cinquenta quilos duma mistura de mirra e aloés. Nisto vemos o alto conceito que tinham do Senhor Jesus, suprindo o melhor que se podia adquirir para a preparação do Seu corpo para a sepultura. Até aqui haviam ocultado o seu amor pelo Mestre, mas agora iriam manifestá-lo a todos os presentes.

Foi José de Arimateia quem tirou pessoalmente o corpo da cruz e, junto com Nicodemos, envolveu-o em panos de linho com as especiarias, como os judeus costumavam fazer na preparação para a sepultura, a fim de retardar a corrupção. Mas não haveria corrupção, como Deus também havia previsto, tendo inspirado o rei Davi a profetizar no Salmo 16:10 “... pois não deixarás a minha alma no Seol, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”.

Para o sepultamento do Messias de Israel não houve pompa e cerimônias como é de praxe para figuras importantes como monarcas, heróis nacionais etc. Nem sequer se fizeram presentes os Seus familiares, discípulos e outros amigos que O haviam acompanhado quando era aclamado pelas multidões ansiosas pelos benefícios que recebiam. Todos estavam invisíveis, distantes, escondidos por medo de serem apanhados e castigados como cúmplices. É mesmo notável a ausência até dos apóstolos do Senhor Jesus, exatamente como Ele já havia previsto, em cumprimento da profecia (Zacarias 13:7), apenas é mencionada a presença de Maria Madalena e Maria mãe de José e Tiago, chamada a “outra Maria” por Mateus. Estas presenciaram tudo desde princípio até ao fim, tornando-se testemunhas valiosas para o relato de tudo o que aconteceu.

A ira, maldição e o castigo pelo nosso pecado foram sofridos e completados pelo nosso Salvador quando, logo antes de entregar o Seu espírito, Ele bradou vitoriosamente “está consumado” na cruz do Calvário. Sua alma foi para o Seol, neste caso o paraíso (Lucas 23:43), também chamado o “seio de Abraão” (Lucas 16:22), para ali aguardar a ressurreição, que se daria três dias depois.

Terminada a Sua tarefa aqui no mundo, Seus restos mortais receberam sepultura condigna. Outra vez José de Arimateia demonstrou a sua grande devoção, cedendo para esse fim o seu sepulcro novo, num jardim situado no mesmo lugar em que Jesus foi crucificado. Tinha sido escavado na rocha viva, e ainda não havia sido usado, sendo, portanto, muito apropriado para receber o Seu puríssimo corpo, livre da contaminação dos restos de outros corpos.

Depois de depositar o corpo de Jesus nesse sepulcro, José de Arimateia e Nicodemos rodaram uma grande pedra para fechar bem a porta do sepulcro e se retiraram.

Este curto relato sobre José de Arimateia nos traz as seguintes lições:

  1. Era “um homem bom e justo”: não são muitos os homens a quem são atribuídas essas qualificações na Bíblia. Mas todo o crente é capaz de obtê-las, pois nasceu de novo e tem em si o poder do Espírito Santo para vencer a carne e produzir o Seu fruto (Gálatas 5:22, Efésios 5:9).
  2. Esperava o reino de Deus: a esperança do reino de Deus está no âmago da nossa fé. O Senhor Jesus ensinou-nos a orar “venha o teu reino”, e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo é a bem-aventurada esperança que aguardamos (Tito 2:13).
  3. Era “um homem rico”: com a riqueza, vem a responsabilidade do servo de Deus. Os crentes ricos deste mundo não devem ser altivos, nem pôr a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus (1 Timóteo 6:17). Que sigam o exemplo de José de Arimateia, que colocou tudo de lado para engrandecer o seu Salvador, assim como Moisés "teve por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito" (Mateus 6:24, Hebreus 11:26).
  4. Era um ilustre membro do sinédrio: foi-lhe dada essa honra por causa das qualidades que possuía. Mas seu caráter íntegro fez com que se opusesse às decisões injustas do sinédrio e as desafiasse dando dignidade ao Senhor crucificado. Demonstrou que tinha em si o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus (Filipenses 2:5-8).
  5. Agiu na hora certa com convicção e coragem: saiu do seu esconderijo para cumprir a justiça, não medindo o risco que corria, e desta forma se destacou entre todos os homens para honrar o Messias de Deus – o primeiro a fazê-lo depois da Sua morte redentora. Sempre será lembrado por isso.
  6. Provocou uma investigação oficial para verificar se realmente Cristo estava morto: foi feita por ordem do governador Pilatos, assim eliminando qualquer dúvida sobre o fato. Era importante que isso acontecesse, e Deus pôde usar José de Arimateia para essa finalidade. Não sabemos a importância que nossos atos de justiça terão no futuro.

José de Arimateia não é mencionado mais na Bíblia. No entanto, a sua ação corajosa e importante neste momento crucial, conforme está revelada no texto bíblico, o distingue dos outros discípulos, temerosos, que eram pessoas de pouca influência em seu próprio meio e, sendo galileus, eram desprezados na metrópole de Jerusalém. Eles foram transformados em valentes pioneiros depois da ressurreição do Senhor Jesus (que viram e com Quem conviveram por poucas semanas antes da Sua ascensão), e do seu batismo pelo Espírito Santo no dia de Pentecoste.

Na ausência de mais revelações autênticas sobre ele, um século mais tarde o autor de um “evangelho de Pedro”, apócrifo, enfeitou um pouco o relato bíblico. Surgiram depois lendas contando que ele fora para a Grã-Bretanha em 63 a.D., interessado em levar o Evangelho para exportadores de metais seus conhecidos, passando um tempo no sul da Inglaterra, depois viajando para a Irlanda, fazendo milagres, inclusive livrando a Irlanda de serpentes. Ele foi nomeado “santo patrono” da cidade de Glastonbury, no sul da Inglaterra. Essas lendas e muitas outras ainda são contadas e estimulam o turismo para essas regiões, mas não merecem crédito.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Jugo desigual

O crente tem uma nova natureza que lhe é dada ao nascer de novo quando morre para si mesmo e passa a viver para Cristo ao converter-se. Ele continua no mundo, mas já não mais pertence ao mundo. Sua lealdade agora é para com Cristo, seus ideais consistem em seguir os caminhos de Deus e obedecer aos s

O que vem a ser o jugo desigual mencionado em 2 Coríntios 6:14?

Esse versículo diz: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?”.

Na expressão jugo desigual há uma figura de linguagem que se baseia na forma em que animais são emparelhados e atrelados para puxar uma carroça ou arado na agricultura primitiva.

O jugo, que talvez conheçamos melhor por canga, é uma peça de madeira assentada sobre o pescoço dos animais, geralmente bois, para mantê-los submissos e obedientes a quem os conduz.

Para o conforto dos animais e a fim de permitir o aproveitamento melhor de cada um, é importante que sejam de natureza e porte iguais. Em Deuteronômio 22:10 foi proibido aos israelitas emparelhar um boi com um jumento para lavrar. São animais de porte e natureza diferentes, além do que o boi era um animal “limpo”, permitido para alimento e sacrifícios ao Senhor enquanto o jumento era “impuro”, proibido para essas coisas.

Por analogia, em sentido figurado, jugo representa uma sujeição imposta pela força ou autoridade, mesmo opressão, e também representa um vínculo de submissão e obediência resultante de determinado tipo de convenção.

No trecho que vai do versículo 11 a 18 do sexto capítulo da sua carta, Paulo reclama que, embora tivesse seu coração aberto para os coríntios, desejando estreitá-los em seus braços, eles se achavam esquivos, presos aos seus próprios afetos. Seu apelo foi para que deixassem seus laços com a idolatria, os pecados da sua velha natureza humana e o mundanismo em que estavam envolvidos.

Era um jugo desigual, ao qual estavam presos por suas afeições, e que exigia sua lealdade embora esses parceiros fossem “imundos”: totalmente incompatíveis com o alimento espiritual e o sacrifício de seus corpos a Deus que era o seu culto racional.

Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (vs.17,18).

O crente tem uma nova natureza que lhe é dada ao nascer de novo quando morre para si mesmo e passa a viver para Cristo ao converter-se. Ele continua no mundo, mas já não mais pertence ao mundo. Sua lealdade agora é para com Cristo, seus ideais consistem em seguir os caminhos de Deus e obedecer aos seus mandamentos. Já é uma nova criatura e é tão diferente dos incrédulos como é o boi do jumento, naquela figura.

Paulo contrasta justiça com injustiça, luz com trevas, Cristo com Belial (o diabo é entendido aqui), fiel com Infiel, templo de Deus (o crente) com ídolos (o incrédulo). São perfeitos antônimos em lingüística, denominando pessoas ou coisas de qualidades totalmente opostas. Assim difere o verdadeiro crente do incrédulo empedernido. É impossível haver concordância entre eles. Como então explicar como um crente pode não só consentir mas ter gosto em vincular-se, e assim restringir a sua liberdade, com essas pessoas ou coisas?

Como os crentes de Corinto, ele poderá já de início encontrar-se emparelhado com os incrédulos, em vínculos de submissão e obediência a religiões falsas, sociedades maliciosas e escusas, convenções mundanas, e outros similares. Essa parceria e submissão são altamente prejudiciais às suas obrigações para com o seu Senhor e Mestre, à sua integridade, e aos padrões elevados que lhe convém manter.

Na sua primeira carta aos coríntios Paulo havia explicado que o crente não se deve isolar dos descrentes, apesar da sua natureza pecaminosa, porque para isso teriam que sair do mundo (1 Coríntios 5:9,10). Também não deveriam deixar os seus cônjuges incrédulos se estes concordassem em continuar vivendo com eles (1 Coríntios 7:12,13). Os crentes têm que ser testemunhas ativas de Cristo no meio dos infiéis, pois são o sal ou a luz no mundo.

Mas vincular-se em submissão ao mesmo jugo que eles é diferente: Paulo define a liberdade do crente como “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm … eu não me deixarei dominar por nenhuma … nem todas as coisas edificam” (1 Coríntios 6:12, 10:23). A simples convivência é diferente da vinculação a uma submissão ou obediência, mediante uma convenção junto com eles.

O jugo pode ser decorrente de uma obrigação legal, como o serviço militar. Paulo não pode estar se referindo a isso, uma vez que ensinou que devemos obedecer à autoridade constituída em nosso país. Existem ainda, hoje em dia, associações para diversas finalidades e muitas não são prejudiciais ao testemunho cristão nem impingem sobre a liberdade do crente, por exemplo alguns clubes esportivos, alguns hospitais e sociedades beneficentes, associações profissionais, etc, nos quais os crentes podem exercer uma influência positiva sem incorrer em restrições ao seu testemunho.

Paulo está sem dúvida condenando aqui as associações pessoais ou sociais feitas de espontânea vontade com os incrédulos, quando, longe de edificar a vida espiritual do crente, elas cerceiam ou mesmo prejudicam o testemunho da sua fé. Ao pertencer, o crente estará sendo dominado por elas.

O mandamento é “saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor”. Evidentemente, muito menos ainda podemos começar por entrar, depois de ter sido recebidos como filhos de Deus. Devemos fazer de tudo que estiver ao nosso alcance para evitar situações em que nossa lealdade seja dividida, pois nossa dedicação a Deus deve ser integral.

Nossa cultura e civilização contemporânea é anti-Deus, e é por isso que nós, os filhos de Deus, não podemos amá-las. Muitos de nós vivemos no mundo de negócios, muitos temos mesmo que andar dentro de um ambiente social, mas não precisamos ser parte dele. Antes costumávamos obedecer ao sistema do mundo, viver nele, e apreciá-lo, mas agora somos filhos de Deus e vamos obedecê-Lo. Isto significa odiar o mundo, como Paulo disse: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gálatas 6:14). Uma cruz o separava deste sistema mundial satânico, e ele se gloriava nessa cruz mediante a qual o mundo havia morrido para ele, e ele para o mundo.

O mundo está passando - vai chegar a um fim, assim como as trevas vão se dissipar (1 João 2:8) - mesmo a sua concupiscência. Mas aquele que persevera em fazer a vontade de Deus permanece eternamente: ele está fazendo aquilo que é permanente, tem estabilidade, e vai durar por toda a eternidade.

Sejamos perspicazes para aprender de Deus como viver no mundo sem ser parte dele

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Julgando os outros

A igreja de Laodicéia é retratada em Apocalipse 3:14 a 22 como sendo uma igreja arrogante, orgulhosa da sua “autonomia” - tão independente que faz o que lhe compraz - mas tão distante de Cristo que Ele bate à porta para que alguém O deixe entrar. Laodicéia é típica da maioria das igrejas que se cham

O relativismo moral que está se impondo no mundo é uma consequência lógica da larga aceitação do evolucionismo ateísta, que não deixa de ser ele próprio uma religião humanista. Com ele se promove também uma ideia de tolerância conhecida como “aceitação política” e a eliminação de padrões gerais de conduta, e de conceitos, preconceitos e tradições morais, sob a alegação que tudo isso é da escolha pessoal de cada um e não pode ser imposto aos outros.

Em decorrência disso, há uma crescente intolerância nos países ocidentais, a começar pela Europa e América do Norte, contra os cristãos mais radicais que abertamente manifestam seu repúdio às práticas que Deus chama de pecado, iniquidade e impiedade, abrangendo não só comportamento, mas também religiões e sexualidade.

Curiosamente, aqueles que rejeitam a noção de Deus ou a credibilidade da Bíblia, não raro tentam usar a palavra de Deus (por exemplo, citando versículos fora do contexto) para desculpar suas ações em confronto com o Evangelho e a consequência que virá aos que o rejeitam. Um versículo muito conhecido e usado nessas circunstâncias é “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mateus 7:1). Este versículo, como o que segue: “porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós” parecem indicar que o crente não deve em qualquer circunstância fazer um julgamento dos outros.

Vejamos então três aspectos do julgamento cristão:

A Suprema Autoridade:

A Bíblia destaca claramente que Deus é o Supremo Juiz de todos, e deu ao Filho autoridade para fazer todo o julgamento: “O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento” (João 5:22). Só Ele tem autoridade para julgar os motivos e os comportamentos das pessoas, por exemplo:

  • Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação contra os ímpios todos os dias (Salmo 7:11).

  • Ele mesmo (o SENHOR) julga o mundo com justiça; julga os povos com equidade (Salmo 9:8).

  • O SENHOR é o nosso juiz; o SENHOR é nosso legislador; o SENHOR é o nosso rei; Ele nos salvará (Isaías 33:22).

 Nesses versículos a palavra SENHOR é a tradução do hebraico YHWH, a segunda pessoa da Trindade também chamado o Filho no Novo Testamento, e nós O conhecemos como o Senhor Jesus Cristo. Ele declarou a todos, quando esteve aqui: “Eu, que sou a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o julgará no último dia” (João 12:46-48).

Inspirado pelo Espírito Santo, o apóstolo Paulo informou, num discurso aos atenienses: “Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam; porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do Varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17:30,31).

Como estas passagens e muitas outras demonstram, a Bíblia deixa bem claro que um dia o Senhor Jesus justamente julgará toda a humanidade com base na fé ou rejeição de cada indivíduo quanto à Sua Pessoa. Para um mundo cheio de gente que acredita no relativismo moral aquele é um dia cheio de temor e incerteza.

O Juiz do universo fará um julgamento para salvação ou perdição, a respeito do qual o apóstolo Pedro previne em Atos 4:12... "em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos." Não haverá oportunidade para debate, se o julgamento é certo ou errado, porque o Juiz Supremo já decretou os termos da Sua justiça através do Filho.

O julgamento dos incrédulos pelos crentes

Os incrédulos precisam conhecer o Senhor Jesus Cristo, e se reconciliar com Ele para evitar a perdição eterna. Quando um crente apresenta o Evangelho gratuitamente e com amor aos incrédulos, estes terão que tomar uma decisão em relação à sua posição com Deus. A Bíblia declara claramente que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).Este julgamento não é feito com base na opinião do crente que está apresentando o Evangelho, mas é fundamentado no que a Bíblia claramente ensina.

Muitas vezes ouve-se a alegação de que os cristãos não devem julgar quando se lida com questões como aborto, adultério, o comportamento homossexual e casamento do mesmo sexo. Quando um cristão diz, por exemplo, que o comportamento homossexual é um pecado e que o casamento homossexual é errado, o incrédulo muitas vezes encontra objeções, como “Quem é você para julgar duas pessoas que se amam?", "Quem é você para declarar quem pode e não pode amar a alguém? Você é um pecador, também!". “A vida privada de alguém é da conta dele. Não o julgue". Às vezes até citam Mateus 7:1, assumindo que esse texto apoia o seu argumento.

Devemos nos lembrar de que a palavra “julgar” pode significar "decidir, considerar, formar conceito, sentenciar, emitir parecer ou opinião, supor” e mesmo até “imaginar”, conforme o contexto. Neste mandamento, como nos seguintes até o versículo 7:5, o Senhor Jesus está prevenindo Seus discípulos contra fazer juízos hipócritas ou condenatórios, a exemplo dos fariseus daquele tempo. Mesmo neste último versículo o Senhor acrescenta: “Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão”. O ensino é que devemos nos julgar a nós mesmos antes de julgar os outros, porque “com o juízo com que julgais, sereis julgados” (v. 7:2).

O crente deve purificar a sua vida primeiro antes de julgar as dos outros. O que o Senhor ensina aos discípulos em Mateus 7 é que se eles mesmos não se arrependerem pessoalmente dos seus pecados e os deixarem, não terão condições para acusar os outros. Mas a Bíblia nos manda pregar o Evangelho, e o ato de alertar os pecadores ao seu pecado para que saibam da necessidade de salvação é parte integral da mensagem. O pecado constitui tudo aquilo que foge à pureza de comportamento determinado por Deus em Sua Palavra, e o padrão moral divino é imutável para toda a humanidade, não se admitindo, portanto, um relativismo moral.

O julgamento dos crentes por seus irmãos na fé

Todos os que se salvam pela graça de Deus mediante a sua fé em Cristo precisam crescer em Cristo e viver em harmonia uns com os outros. O mandamento em Mateus 7:1 não significa que os filhos de Deus (a quem é dirigido) são proibidos de julgar os seus irmãos em todos os sentidos.

Existem algumas proibições de fazer julgamento, como:

  • Pelos motivos dos seus atos, porque só Deus conhece os pensamentos e intenções do seu coração (Hebreus 4:12). Não sabemos nem compreendemos com certeza o motivo por que um irmão em Cristo age de certa forma.

  • Pela sua aparência (João 7:24; Tiago 2:1-4).

  • Pelos seus escrúpulos sobre assuntos que não são, em si, certos ou errados (Romanos 14:1-5).

  • Pelo trabalho feito a serviço do Senhor (1 Coríntios 4:1-5).

  • Nem deve fazer-se de juiz falando mal dos outros (Tiago 4:11-12).

Mas podem descobrir e ver o que seus irmãos fazem, e Deus não os proíbe de formar um conceito sobre os seus atos, se são bons ou maus, se produz frutos bons ou maus, frente à direção que nos dá em Sua Palavra. Deus não os proíbe de condenar suas ações erradas, que se tornam em mau testemunho diante dos incrédulos e prejudicam a mensagem do Evangelho, ou o ensino de doutrina falsa ou discordante das Escrituras.

O crente pode, e deve, usar suas faculdades de discernimento e de crítica construtiva, que são benéficas para os seus irmãos e para a obra de Deus. Encontramos no Novo Testamento várias ilustrações do juízo legítimo que deve ser feito por irmãos com relação ao estado, à conduta, e ao ensino dos outros. Também existem várias áreas em que o cristão tem a obrigação de tomar uma decisão para discriminar entre o bom e o mau e entre o bom e o melhor, como, por exemplo:

  • Distinguir os crentes dos incrédulos, para não se prender a estes (2 Coríntios 6:14-17).

  • Os conflitos entre crentes devem ser julgados e resolvidos na igreja por irmãos competentes (1 Coríntios 6:5).

  • O crente que peca deve ser repreendido pelos irmãos e, em último caso, pela igreja que tomará as medidas necessárias (Mateus 18:17; 1 Coríntios 5:9-13).

  • Um mestre deve ser julgado quanto aos seus frutos (Mateus 7:15-20; 1:29; 1 Coríntios14; João 4:1).

  • Identificar as pessoas perversas (os “porcos”) para não lhes dar as coisas santas: Quando o crente encontra pessoas que tratam as verdades divinas com um desprezo total e respondem à sua pregação do Evangelho com abuso e violência, ele não é obrigado a continuar a compartilhar o Evangelho com eles (Mateus 7:6). Sem dúvida há que ter percepção espiritual para discernir estas pessoas.

Concluímos que crente não pode ter “aceitação política” dos conceitos individuais de moralidade do mundo, mas deve se submeter aos padrões divinos que encontramos na Bíblia. Esta condena, por exemplo, os devassos, os idólatras, os adúlteros, os efeminados, os sodomitas, os ladrões, os avarentos, os bêbedos, os maldizentes, os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e tudo que for contrário à sã doutrina (1 Coríntios 6:9,10; 1 Timóteo 1:10), fartamente encontrados, dos quais alguns não ferem a moralidade individual aceita no mundo e são até aprovados pelas autoridades constituídas que lhes garantem proteção e respeito.

O cristão não tem autoridade para impor os padrões divinos ao mundo perdido, mas deve expor o pecado do incrédulo para convencê-lo do seu estado de perdido e oferecer o Evangelho da salvação. O julgamento dele vem de Deus. Feitas algumas exceções o crente também deve exercer o seu próprio julgamento com discernimento para separar-se do mal e orientar os seus irmãos para uma vida santa e agradável a Deus.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Legalismo

Devemos nos acautelar contra falsos irmãos que, em nossos dias, procuram submeter as igrejas à estrita obediência a alguma norma por eles prescrita, geralmente de particular elucidação, que não está explicitada na Palavra de Deus, e com isso perturbando a liberdade que temos em Cristo Jesus. Se não

O que vem a ser legalismo?

A palavra “legalismo” não é encontrada na Bíblia; é um sinônimo de legalidade ou observância da lei. No meio evangélico, entretanto, ela tem assumido o sentido de uma conformidade excessiva à letra dos mandamentos e doutrinas, e é esse o sentido em que vamos usá-la aqui.

Quando Deus preparou para Si o povo de Israel, Ele lhe deu uma lei através de Moisés para que soubesse se conduzir de conformidade com a Sua vontade. Como disse o profeta Isaías, “Foi do agrado do SENHOR, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa” (Isaías 42:21).

O Senhor Jesus confirmou que Ele próprio a observava, ao dizer: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:17-18). Ele cumpriria toda a lei.

Embora a obediência a todas as cláusulas da lei fosse requerida ao povo israelita, algumas eram mais importantes do que outras, o que se refletia nas sanções previstas para os infratores. O Senhor Jesus, quando perguntado por um escriba qual era o principal de todos os mandamentos, respondeu: “O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Marcos 12:29-31).

O Senhor Jesus, no entanto, não se enquadra no termo de legalista. Por exemplo, Ele deu razão a Davi numa ocasião em que este se viu em necessidade e teve fome e entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição, os quais não lhe era lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele (Marcos 2:25-26). Ele próprio escandalizava os religiosos do Seu tempo, por exemplo, ao curar no sábado, ao ordenar a um paralítico que havia curado que carregasse sua cama num sábado, ao permitir que Seus discípulos comessem sem primeiro lavar as mãos, etc.

Legalistas eram os religiosos, como os fariseus da Sua época, e os antigos contra quem falaram os profetas. Distinguimos as seguintes particularidades que os caracterizavam, chamadas também de farisaísmo, pois os fariseus passaram a tipificar essas características:

1. FORMALISMO: a prática rigorosa de atos e rituais religiosos apenas para obedecer aos costumes e manter a aparência de religiosidade. O SENHOR através do profeta Isaías, disse ao povo: “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação … não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene... Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Isaías 1:13-17). O povo honrava a Deus com os seus lábios, mas o seu coração estava longe dEle, “o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Isaías. 29:13). Jejuava, inclinando a sua cabeça e estendendo debaixo de si pano de saco e cinza, mas para cuidar dos seus próprios interesses, para contendas e rixas e para ferir com punho iníquo. O jejum que o SENHOR queria era “que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo … repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante” (Isaías 58:3-7). “O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17).

2. BEATICE: viver na escrupulosa obediência de minuciosos preceitos religiosos, negligenciando os fundamentos mais importantes: “ … dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo! … Limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!… Limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!… Exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mateus 23:23-28). “ … Quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens… não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mateus 6:5-7).

3. PRESUNÇÃO: julgar que é dono da verdade, desprezar e condenar todos aqueles que pensam e agem de forma diferente. O SENHOR disse: “estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos; povo que de contínuo me irrita abertamente, … povo que diz: Fica onde estás, não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. És no meu nariz como fumaça de fogo que arde o dia todo” (Isaías 65:2-5). O apóstolo Pedro disse ao centurião Cornélio “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo; por isso, uma vez chamado, vim sem vacilar” (Atos 10:28-29). Em nossos dias somos avisados que, entre outras coisas “os homens serão egoístas, jactanciosos, arrogantes, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, enfatuados, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Timóteo 3:2-5).

4. TRADICIONALISMO: seguir e defender crenças e costumes transmitidos por antecessores através do tempo, dando-lhes caráter doutrinário. Isto foi severamente censurado pelo Senhor Jesus, por exemplo: “Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? … invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:3-9). As tradições apostólicas, transcritas no Novo Testamento, fazem parte do fundamento da nossa fé, mas há muitas outras que lhes têm sido acrescentadas aos poucos e consideradas erradamente como normas que devem ser estritamente obedecidas. O apóstolo Paulo preveniu: “… como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos” (Gálatas 4:9-10)… “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade… por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Colossenses 2:18-23)

Os crentes que praticam tais coisas são como os fariseus que “têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10:2-4). Paulo falava por experiência própria, pois em judaísmo ele se avantajava a muitos da sua idade, sendo extremamente zeloso nas tradições dos seus pais (Gálatas 1:14).

Mas tudo mudou quando Cristo Se revelou a ele, pois, como Paulo disse “Ele é a nossa paz, o qual… aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças” (Efésios 2:14-15) e instruiu: “vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos” (Gálatas 5:13-15).

Na Galácia, Paulo informa que “falsos irmãos se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão; aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós” (Gálatas 2:4,5). Ele se referia especialmente a judeus que procuravam submeter os crentes à lei de Moisés, embora reconhecesse que “a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Romanos 7:12).

Devemos nos acautelar contra falsos irmãos que, em nossos dias, procuram submeter as igrejas à estrita obediência a alguma norma por eles prescrita, geralmente de particular elucidação, que não está explicitada na Palavra de Deus, e com isso perturbando a liberdade que temos em Cristo Jesus. Se não têm êxito nessa tentativa, eles arrastam atrás de si discípulos das igrejas locais para formar outras que se tornam antagônicas às primeiras.

NEM AINDA POR UMA HORA DEVEIS VOS SUBMETER A ESSES TAIS
(GÁLATAS 2:5)

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Maçonaria

A maçonaria consiste na maior e na mais poderosa e influente sociedade secreta que conhecemos, com milhões de membros através do mundo. No entanto seus segredos, incluindo sua estrutura e organização, seus votos secretos e atividades estão sendo corajosamente revelados mediante a publicação de livro

A maçonaria consiste na maior e na mais poderosa e influente sociedade secreta que conhecemos, com milhões de membros através do mundo. Anos atrás poucas pessoas sabiam muito a respeito dela, embora não ignorassem a sua existência. Era, em geral, considerada como uma sociedade filantrópica benigna, da qual participavam todas as classes sociais, contando-se pessoas de vulto entre os seus membros.

No entanto seus segredos, incluindo sua estrutura e organização, seus votos secretos e atividades estão sendo corajosamente revelados mediante a publicação de livros e a publicidade feita na internet por pessoas que dela saíram, a fim de prevenir os incautos sobre a sua verdadeira natureza.

As conseqüências têm sido, de uma parte, o desencorajamento de possíveis candidatos, mas, de outro, uma intensificação do recrutamento feito pela maçonaria de novos membros, mediante propaganda visando restabelecer a sua imagem. A fim de dar algum esclarecimento sobre a sua verdadeira natureza, à luz da Palavra de Deus, daremos a seguir um breve esboço da sua origem e das suas práticas atuais.

O seu nome vem de “maçom” que significa “pedreiro”. Somos informados que até o ano 1.600 AD, as lojas maçônicas eqüivaliam aos sindicatos de hoje, cujos membros eram pedreiros profissionais. Durante o século 17 as lojas passaram a admitir pessoas não envolvidas nessa profissão, que chamavam de “franco-maçons” (não-profissionais), e a assumir um sentido religioso.

No século 17 também houve o crescimento de uma seita mística religiosa, o rosacrucianismo, que nega a divindade e poder do Senhor Jesus Cristo e que considera a Bíblia como sendo um acúmulo de alegorias e mistérios escondidos. Esta seita passou a influenciar as lojas maçônicas, encontrando-se o primeiro elo na cidade de Perth, na Escócia, em 1630. Em 1646 um dos mais bem conhecidos rosacrucianistas de todos os tempos, Elias Ashmole, juntou-se com a loja maçônica de Warrington, na Inglaterra.

Um folheto evangélico foi distribuído em Londres em 1698 advertindo contra os males da maçonaria, declarando que era “uma seita satânica de homens”, “anticristo”, “praticante do mal” e “corrupta”. Os seus autores se julgavam na obrigação de prevenir “todos os homens de bem na cidade de Londres” contra “os males e perversidades praticadas à vista de Deus por estes que se chamam “franco-maçons”. O folheto ainda admoestava: “Cuidem para que as suas cerimônias e juramentos secretos não se apossem de vocês, e vigiem para que eles não os façam desviar da piedade”.

Em 24 de junho de 1717 dois homens - James Anderson e John Desaguliers - formaram na Inglaterra a instituição maçônica que conhecemos hoje, que é a maçonaria religiosa especulativa, ou esotérica, composta toda de “franco-maçons”.

A maçonaria é uma organização composta de pessoas em vários estágios de diferentes graus, porque o seu ensino e filosofia são revelados mediante um processo de “iluminação” gradual. Os primeiros três graus pertencem à “Loja Azul” e, em seguida, o candidato pode seguir pelo rito escocês (até grau 33) ou o rito de York (com número variável de graus). Coletivamente, estes são conhecidos como os graus mais altos.

Vou em seguida inserir umas passagens do testemunho de William Schnoebelen, que foi sumo-sacerdote num ramo de bruxaria chamado Wiccan por dezesseis anos, entrou na maçonaria e chegou ao grau de Mestre do Véu do Arco Real, e Patrono Associado da Ordem da Estrela Oriental, maçom do grau 32 e “Shriner”. Agora é um cristão nascido de novo e autor de 5 livros, incluindo “Maçonaria: Além da Luz”. “Para compreender as dificuldades espirituais para um cristão nascido de novo ser um maçom, é necessário se aperceber que existem elementos do ocultismo em grande escala dentro da maçonaria. A maçonaria não é só “outra religião”, como os muçulmanos e budistas, mas a natureza e o caráter da sua teologia estão fundamentados na feitiçaria e no paganismo.

“É verdade que textos bíblicos são citados em seus rituais, e mesmo a Bíblia é colocada no altar, mas o significado é completamente desvirtuado. Isso é comum, e vou citar um exemplo: Nos idos de 1970, quando primeiro me tornei em feiticeiro, um dos livros de feitiço muito populares naquela época era o chamado O Queimar de Velas, de Raymond Buckland. Nesse livro havia “receitas” para tudo, desde curas, até “encantos” para amor e proteção, instruções sobre como queimar e mover certas velas coloridas, com ritos completos de bruxaria, e o texto era totalmente pagão. Nas páginas seguintes, achavam-se os mesmos ritos, as mesmas velas, as mesmas instruções, mas os dizeres eram tirados do livro dos Salmos ou eram outros versículos bíblicos. Assim se procurava dar alguma “autoridade bíblica” às encantações. Mas, sabemos que mesmo citando versículos da Bíblia a esmo, o que se fazia era bruxaria.”

“Assim também, mesmo que os maçons usem frases e caracteres bíblicos em abundância nos ritos maçônicos, a presença desses elementos não pode “santificar” o que é na realidade um rito pagão, cheio de elementos de bruxaria. Os bruxos admitem que todos os deuses são um deus e todas as deusas são uma deusa, mas há só um iniciador (Dion Fortune) , e, no final de contas, para eles este é Lucifer, o iluminador, o deus-sol”.

“Os ritos da moderna religião de bruxaria Wiccan são praticamente idênticos aos da maçonaria, em todos os sentidos, e há notáveis semelhanças filosóficas. Albert Pike e Manly P. Hall (grau 33), notórios ocultistas, escrevem que as bases da filosofia da maçonaria são a cabala e o gnosticismo. A cabala é um sistema de origem judaica, cujo misticismo e magia são elementos fundamentais da feitiçaria moderna. O gnosticismo é uma heresia antiga, anticristã, baseada na teoria que a salvação é adquirida por um conhecimento secreto que eles têm. Tanto os feiticeiros como os maçons procuram a salvação mediante uma “iluminação”, e pelas obras, não pela graça. A reencarnação, ensinada na bruxaria, está implícita na maçonaria.”

“Como a bruxaria, a maçonaria nega o caráter e a missão do Senhor Jesus Cristo. Ambos negam a Sua ressurreição.”

“A semelhança é tal, que muitos feiticeiros notáveis também têm figurado como membros da alta roda maçom. Entre eles figuram Arthur Edward Waite (escritor do ocultismo e historiador maçônico), Dr. Wynn Westcott (membro da Societas Rosicruciana em Anglia e membro fundador da Ordem da Aurora Dourada, a mais influente sociedade de magia do fim do século 19), S. L. MacGregor Mathers (Co-fundador da Aurora Dourada), Aleister Crowley (satanista-mestre deste século e fundador da religião anticristã de Telema que se dizia ser “a grande besta 666”), Dr. Gerard Encaussé - (Papus) (escritor, professor de Tarô e líder da sociedade de ocultismo Martiniste). O “olho que vê tudo” dos maçons também é um símbolo do ocultismo”.

Ser um maçom, seja de qual for o grau, é carregar pela sua vida um fardo cheio de lixo espiritual, é estar sob jugo desigual com todos esses descrentes e feiticeiros (2 Coríntios 6:14-18), e isto já é suficiente para emudecer o Espírito Santo em qualquer cristão, por mais firme que esteja na fé.

É também uma espécie de “pirâmide financeira”: os que estão nos níveis mais altos exploram os que estão mais em baixo. Entra muito dinheiro, parte paga pelas necessidades, outra para obras de beneficência, mas muito desaparece sem que os membros da loja saibam onde vai. Alguns bem mais em cima estão se beneficiando.

Também é uma espécie de “esponja espiritual” - absorve milhões de horas para se decorar o material de graduação, e na freqüência às reuniões e atividades extracurriculares (almoços, banquetes, funerais, piqueniques). São horas gastas em atividades inúteis e mesmo perniciosas.  

Esta é apenas uma pequena amostra da influência satânica sobre esta sociedade secreta, pois há muito mais ainda que não pôde ser relatado por falta de espaço. Penso que é mais do que suficiente para demonstrar que o cristão verdadeiro não pode, de forma alguma, participar dela, e repito aqui as palavras sábias do panfleto de 1.696: “Cuidem para que as suas cerimônias e juramentos secretos não se apossem de vocês, e vigiem para que eles não os façam desviar da piedade”.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Matando a imagem de Deus

Somente Deus tem o direito de tirar a vida humana, salvo nos casos em que Ele delegou autoridade ao homem para fazê-lo. Tendo Deus concedido vida, ninguém tem o direito de tirá-la, mesmo a sua própria. A eutanásia viola a santa lei de Deus, e qualquer sociedade que a permite estará sujeita ao Seu ju

Quando alguém tem um ódio mortal contra uma pessoa, deseja matá-la. Mas, e se não puder matá-la? Então fixa a sua imagem na parede e arremessa dardos contra ela. Os dardos não ferem a pessoa, mas, pelo menos, atingem a sua imagem.

Satanás tem um ódio mortal contra Deus. Seu desejo supremo é matá-Lo. Mas Deus é imortal! Na impossibilidade de matar a Deus, o demônio investe contra a imagem de Deus.

Qual é a imagem de Deus? Está escrito: “Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27).

Por isso Satanás é “homicida desde o princípio” (João 8:44). Ele deseja destruir aqueles que são a imagem de Deus.

E, entre os homens, quais aqueles que refletem com maior esplendor a imagem de Deus? Sem dúvida, são as criancinhas.

Por isso, o desejo homicida do Diabo dirige-se principalmente contra os pequeninos. Sua ira contra os bebês aparece na Bíblia. Por exemplo, quando o Faraó do Egito ordenou às parteiras, e depois a todo o povo, que jogassem ao Rio Nilo todo menino que nascesse, poupando apenas as meninas (Êxodo 1:16,22).

Aparece também quando o Rei Herodes, na tentativa de matar o menino Jesus, mandou matar em Belém e arredores todos os meninos de dois anos para baixo (Mateus 2:16). E não nos enganemos: A busca frenética por implantar o aborto em nosso país pode ter vários motivos: permitir que potências estrangeiras exerçam sobre nós o controle demográfico e, portanto a dominação política, impedindo que no Brasil nasçam brasileiros; beneficiar as clínicas de aborto, que anseiam por praticar seu lucrativo negócio sem a proibição da lei; fornecer às indústrias de cosméticos preciosa matéria prima de cadáveres de bebês abortados; o hedonismo ou a permissividade sexual... Mas, por trás de tudo isto, está “o homicida desde o princípio”.

Nossa luta contra o aborto é, portanto, uma luta espiritual. “A nossa luta não é contra a carne e o sangue; e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6:12).

Consideremos as características do aborto (ou assassinato de crianças inocentes) que o diferenciam de outros assassinatos:

•    A vítima é totalmente inocente;
•    A vítima é totalmente indefesa;
•    Quem pratica o homicídio é a mãe ou o pai da vítima, as pessoas que mais deveriam amá-la, ou um médico, que fez o juramento de sempre defender a vida;
•    Os meios utilizados são horrendos: aspiração em pedaços (por sucção), esquartejamento (por curetagem), envenenamento em solução salina (que queima a pele do bebê), expulsão precoce do útero (a criança é deixada morrer à míngua)...

Algumas pessoas, contrárias ao aborto, não se assustam tanto com o perigo de sua legalização. Dizem elas que pouca coisa vai mudar, pois o aborto já é praticado às ocultas no Brasil. Apenas o que é clandestino vai passar a ser legal!

Ora, este argumento é falso. Legalizar ou não o aborto não é a mesma coisa. A diferença é enorme!

Uma coisa é viver em numa nação cheia de criminosos que infringem a Lei. Outra coisa é viver numa nação criminosa porque aboliu a Lei que pune o crime!

Uma coisa é não conseguir impedir o aborto com as forças policiais. Outra coisa, bem diferente, é declarar que a matança dos inocentes não deve ser impedida porque é um direito do cidadão matar seus filhos!

Uma coisa é a justiça estar apenas no papel, mas não na prática. Outra coisa, muitíssimo pior, é a justiça não estar nem sequer no papel, mas ser trocada por uma lei injusta!

Uma coisa é haver indivíduos, por numerosos que sejam, que não honram as leis justas da pátria. Outra coisa, muito mais grave, é uma pátria nem ao menos ter leis justas para serem honradas!

Uma coisa é o crime de muitos brasileiros contra a vida. Outra coisa é o crime da própria nação brasileira contra o direito sagrado e inviolável à vida!

A partir do dia em que o aborto se tornar lei (até hoje temos apenas uma iníqua decisão do STF que reinterpretou o Código Penal a fim de considerar crime o aborto de anencéfalos), não haverá apenas um aumento do número de assassinatos intrauterinos. Haverá uma mudança essencial: O Brasil se tornará uma nação aliada ao inimigo de Deus, ao “homicida desde o princípio”.

Que nenhum de nós concorra, por atos ou omissões, para que tal desgraça aconteça!

autor: Ramón Jané Amill.
Fatos & Relatos

Milênio

Todos os santos que morreram antes de Cristo, bem como os fiéis mortos durante o período da Tribulação, serão ressuscitados no início do milênio, terminando assim a primeira ressurreição; junto com os justos vivos, eles participarão da festa das bodas durante o milênio: esses são os bem-aventurados

A Bíblia diz que no milênio os animais estarão isentos de agressividade quando então as crianças brincarão com serpentes venenosas sem lhes causarem danos. A igreja de Cristo estará presente nessa época?

Esta é a pergunta que nos foi feita. O milênio aqui referido são os mil anos que sucedem ao período da Tribulação (Apoc. 20.6 e 7), e terminam com a rebelião e juízo finais.

São dois versículos no Apocalipse, mas encontramos informações detalhadas nas profecias do Velho Testamento sobre esse período, particularmente no que diz respeito ao povo de Israel. Mas sobre a igreja de Cristo especificamente pouco encontramos ali pois ainda era um mistério para ser revelado.

O Novo Testamento nos diz mais, particularmente nos ensinos por parábolas do Senhor Jesus, no entanto é preciso ter discernimento para distinguir bem o que Ele revelou a respeito da Igreja de um lado e Israel de outro. Existem várias interpretações por causa disso, mas eu vou me ater apenas àquela que me parece ser a mais correta.

Em vista do seu arrebatamento, a igreja desaparece da profecia no livro do Apoc. a partir do capítulo 5 - salvo a sua provável representação nas pessoas dos vinte e quatro anciãos - mas retorna como a esposa do Cordeiro no capítulo 19 ver. 7, significativamente pouco antes da segunda vinda de Cristo à terra para derrotar a besta e os seus exércitos, aprisionar o diabo e assumir o seu reino milenar.

No ver. 5 desse capítulo é anunciado que são chegadas as Bodas do Cordeiro, no ver. 7 vê-se esposa e não noiva e logo depois, no ver. 11 o Noivo, que é Cristo, se prepara para descer à terra e assumir o Seu reino.

Para explicar as Bodas do Cordeiro é necessário compreender como se faziam os casamentos entre os judeus, particularmente na época quando esta profecia foi escrita; temos algumas descrições informativas nos Evangelhos (Mateus 25.1-13, por exemplo).

O noivo ia buscar a noiva e a trazia para a sua casa, onde se realizava o casamento na presença de alguns familiares e amigos íntimos, depois havia a festa das bodas, para a qual todos os amigos eram convidados. O belíssimo Salmo 45 é uma profecia das bodas do Cordeiro (Heb. 1.8,9), a primeira metade dirigida ao Noivo, que é Rei, o mais formoso dos filhos dos homens e também Deus, e a segunda metade à noiva, que esquece o seu povo e a casa do seu pai, formosa e lindamente ataviada (Apoc. 19.7,8). O Noivo virá buscar a Sua noiva, a igreja, nos ares para estarmos eternamente com Ele.Note-se que a Igreja só se compõe daqueles que são salvos mediante a sua fé em Cristo durante a atual dispensação.

Algo significativo como a cerimônia de casamento se dará no céu, e depois Cristo e a sua igreja virão para a ceia das bodas do Cordeiro (Apoc. 19.9) na terra, quando Ele assumirá o seu reino milenar (e também eterno, porque continuará no novo céu e nova terra).

Todos os santos que morreram antes de Cristo, bem como os fiéis mortos durante o período da Tribulação, serão ressuscitados no início do milênio, terminando assim a primeira ressurreição; junto com os justos vivos, eles participarão da festa das bodas durante o milênio: esses são os bem-aventurados que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro (Apoc. 19.9).

Isto posto, percebemos que a Igreja estará com Cristo durante o seu reino na terra - não faria sentido uma festa das Bodas sem a nova esposa. E, como a esposa aprende a viver e a trabalhar em harmonia com o seu marido, a Igreja vai viver e trabalhar em perfeita harmonia com o Senhor Jesus, em toda a Sua glória.

 O Noivo, o Filho de Deus, será o supremo Rei da terra durante esses mil anos. Todos os santos (Velho Testamento, Igreja, Tribulação) governarão com Ele, em seus corpos de glória. O seu reino consistirá de duas áreas principais:

  •  Israel, sob o rei Davi. Será dividida em doze tribos sob a autoridade dos doze apóstolos. Haverá também príncipes e juizes em seus corpos naturais, e Israel liderará as nações.
  • As nações gentias, que serão governadas:
    1. pelos membros da igreja de Cristo (Salmo 149.6-9, Daniel 7.9,18,27, Rom. 8.17, 1 Cor. 6.2-4, 2 Tim. 2.12, Heb. 12.28, Apoc. 1.6, 2:26-27, 3.21, 5.10, 12.5, 20.4). Eles se sentarão em tronos - e a autoridade de cada um será outorgada diante do tribunal de Cristo depois do arrebatamento, de conformidade com a sua fidelidade como servos de Cristo durante a sua vida na terra (Lucas 19.12-17).
    2. pelos santos da tribulação: os que foram degolados por causa do testemunho de Jesus durante a primeira metade do período da tribulação e foram mencionados na abertura do quinto selo, e os que não adoraram a besta ou a sua imagem, nem receberam a marca 666 na sua testa ou sua destra, ou seja, os da segunda metade da tribulação.
    3. também existirão reis em seus corpos naturais.

Quando o reino milenar começar, todos os homens em seus corpos naturais serão crentes. Os judeus todos se converterão logo antes da segunda vinda de Cristo. Os gentios terão sido julgados durante um pequeno intervalo de setenta e cinco dias entre o fim da tribulação e o início do reino milenar, segundo a maneira como trataram os judeus durante a tribulação. Aos justos, "benditos de Meu Pai", será dada a posse do reino, bem como a vida eterna. Os maus, "malditos", serão removidos indo para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (Mateus 25:31-46).

A população, em seus corpos naturais, vai se multiplicar naturalmente e seus descendentes todos herdarão ainda a natureza pecaminosa, precisando de regeneração. Os que não o fizerem serão julgados ao completarem cem anos e morrerão (Isaías 65:20). Os regenerados, assim como os justos no início, não morrerão pois terão também a vida eterna. Logo não haverá outra ressurreição dos justos, sendo a que precede o milênio o fim da primeira ressurreição. Todos vão gozar de paz, prosperidade e justiça.

Terminado o milênio, depois do juízo final e da substituição do atual céu e terra por novos, lemos da descida da Nova Jerusalém, também chamada noiva, a esposa do Cordeiro (21.9), a nossa morada permanente, cuja descrição nos deixa maravilhados pela sua imensidão, preciosidade, fulgor e santidade.

Que destino sublime temos diante de nós, irmãos! Vale a pena no presente, por breve tempo, se necessário, sermos contristados por várias provações (1 Pedro 1.6), e sofrer um pouco antes de chegar à eterna glória de Deus (1 Pedro 5.10). Nosso futuro é garantido e certo porque é a promessa infalível do nosso Deus.

N.B. Para poupar espaço, não dei as abundantes referências bíblicas sobre o que não concerne diretamente à igreja, mas fico à disposição para quem as quiser.
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Ministério dos anjos

As palavras traduzidas por "anjo" em hebraico e grego significam simplesmente "mensageiro", e são empregadas na Bíblia para indicar qualquer agente que Deus envia para executar os Seus propósitos, seja ele um homem, uma coisa, ou um ser espiritual criado por Ele. O artigo apresenta vários exemplos d

Como ministram os anjos aos seres humanos?
"Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

(Hebreus 1:14)

As palavras traduzidas por "anjo" em hebraico e grego significam simplesmente "mensageiro", e são empregadas na Bíblia para indicar qualquer agente que Deus envia para executar os Seus propósitos, seja ele um homem, uma coisa, ou um ser espiritual criado por Ele.

A palavra "anjo" também é usada na Bíblia para seres espirituais inteligentes sem a conotação de serem mensageiros de Deus; nesse sentido lemos, por exemplo, que satanás tem seus próprios anjos, espíritos rebeldes como ele próprio (Mateus 25:41, Apocalipse 12:7-9).

Anjos neste segundo sentido são espíritos, limitados no tempo e no espaço como o homem, mas sem a limitação da matéria porque seus corpos são imateriais; como o espírito humano, são imortais; não se reproduzem sexualmente, como o homem. São invisíveis aos olhos humanos por causa da sua imaterialidade, mas em certas ocasiões raras Deus tem dado a homens, mesmo a um animal, a capacidade de vê-los.

São muito numerosos e segundo o relato bíblico têm graus diferentes de dignidade e de poder (Zacarias 1:9, 11; Daniel 10:13; 12:1; Efésios 1:21; Colossenses 1:16; 1 Tessalonicenses 4:16; Judas 1:9). Quando os anjos foram realmente vistos sempre o foram em forma humana (Gênesis 18:2; 19:1, 10; Daniel 3:25; Lucas 24:4; Atos 1:10), e expressões como “iguais aos anjos” (Lucas 20:36), os títulos que lhes são dados e o fato de serem chamados filhos de Deus (Jó 1:6; 38:7) como Adão (Lucas 3:38), parecem todos indicar uma grande semelhança entre eles e o homem (Juízes 13:6; Daniel 10:16).

A pergunta feita e o versículo bíblico citado no cabeçalho deste artigo obviamente concernem anjos apenas como seres espirituais identificados como mensageiros (de Deus) para ministrar aos homens. Vamos nos limitar portanto a estes, a partir daqui.

Como acontece com outros versículos das Escrituras que estão um tanto isolados, no sentido de não terem explicação em qualquer outra parte da Bíblia, existe mais de um parecer sobre o escopo do versículo, dependendo de quem seriam “aqueles que hão de herdar a salvação”:

  • Pode-se argumentar que a salvação aqui mencionada não é, necessariamente, a salvação da alma: esta não é herdada mas é dada mediante a graça de Deus àqueles que crêem no Senhor Jesus, e estes têm a salvação agora, enquanto que o versículo se refere àqueles que no futuro herdarão a salvação. Com base neste argumento alguns sustentam que este versículo está olhando para a frente ao tempo em que Deus se voltará novamente à nação de Israel e ao povo gentio (depois da remoção da igreja da terra). Como nação, Israel será salva, herdeira das promessas feitas aos seus patriarcas, e os anjos ministram a ela.
  • Outros sustentam que salvação permanece no futuro também para aqueles que são salvos pela fé; ainda está para ser herdada, mesmo que as suas bênçãos já possam ser apreciadas antecipadamente. É aquela salvação de que Paulo fala e que “está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Romanos 13:11) ou, nas palavras de Pedro, está “já prestes para se revelar no último tempo” (1 Pedro 1:5).

Na falta de mais explicações sobre o alcance do ministério dos anjos aqui mencionado, para compreender melhor qual seja, somos forçados a nos informar com os exemplos dados nas Escrituras da atuação dos anjos nas vidas dos homens.

No Velho Testamento há muitas menções de anjos, mensageiros espirituais de Deus para os homens e vistos por eles. Existem casos onde o Anjo do SENHOR é sem dúvida a manifestação da presença Divina, “sombra da encarnação”, uma revelação antes da “plenitude dos tempos” do Filho de Deus (p. ex. Gênesis 16:7-11, 18:2,22; 32:24-30, Josué 5:13-15).

No sentido mais amplo, anjos demonstram ser agentes da providência de Deus, e estão especialmente envolvidos na Sua grande obra de redenção. Não há referência a aparições de anjos até depois do chamado de Abraão. A partir dessa ocasião existem menções freqüentes ao seu ministério na terra (Gênesis 19; 24:40; 28:12; 32:1). Eles aparentam repreender a idolatria (Juízes 2:1-4), convocar Gideão (Juízes 6:11, 12), e consagrar Sansão (Juízes 13:3). A partir de Samuel, os anjos geralmente aparecem aos profetas (1 Reis 19:5; 2 Reis 6:17; Zacarias 1:12; Daniel 4:13, 23; 10:10,13, 20, 21), no entanto ao rei gentílico Nabucodonosor foi dada a oportunidade de ver um deles (Daniel 3:25).

No Novo Testamento a encarnação de Cristo introduz uma era nova no ministério dos anjos: eles vêm com o seu Senhor para a terra para servi-Lo enquanto está aqui. Eles predizem a Sua vinda (Mateus 1:20; Lucas 1:26-38), ministram a Ele depois da Sua tentação e da Sua agonia (Mateus 4:11; Lucas 22:43), e declaram a Sua ressurreição e ascensão (Mateus 28:2-8; João 20:12, 13; Atos 1:10, 11). O Senhor Jesus declarou que, se quisesse, Ele pediria ao Pai e Ele mandaria mais de doze legiões de anjos para defendê-Lo dos Seus agressores (Mateus 26:53): mas Ele tinha que sofrer nas mãos dos homens, conforme as Escrituras, para cumprir a missão a que veio, por isso não o fez.

Enquanto na terra, tendo chamado uma criança para perto de Si, Jesus a colocou no meio dos Seus discípulos e lhes disse: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus. Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido.” (Mateus 18:10,11). Ele preveniu-lhes contra desprezarem as crianças, porque Deus tem anjos empregados diante da Sua presença para ministrarem pelo seu bem dentro do propósito do Seu plano para salvar o que se havia perdido.

O Senhor Jesus também disse que “há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”. (Lucas 15:10). Os anjos estão envolvidos no plano de salvação de Deus e há alegria com o arrependimento de cada pecador, e quando ele morre eles levam a sua alma para o paraíso (Lucas 16:22).

Depois da Sua ressurreição, o Senhor Jesus “está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências” (1 Pedro 3:22, Apocalipse 22:9,16). Ele usou o ministério dos anjos para livrar os Seus apóstolos da prisão e do perigo (Atos 5:19, 12:7-11, 27:23); Ele também os empregou para levar a mensagem do Evangelho ao eunuco da Etiópia e ao centurião romano Cornélio (Atos 8:26 e 10:3-11:13). Não conheceremos toda a amplitude do trabalho que os anjos fazem agora até que cheguemos ao céu.

Os casos de assistência dada pelos anjos aos homens, relatados no livro de Atos, são uma indicação que eles realmente ministram aos santos da igreja de Cristo, bem como a exortação: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” (Hebreus 13:2). Provavelmente é uma referência aos casos já conhecidos ocorridos com Abraão, Ló e Gideão, mas não deixam de conter a sugestão que isso pode ocorrer novamente com qualquer um de nós, incentivando-nos à prática da hospitalidade.

Quando vistos, os anjos nem sempre eram reconhecidos como tais. Ainda mais importante, como espíritos, eles podem desenvolver o seu trabalho para Deus de maneira eficaz sem serem vistos por pessoas. Têm havido casos raros em que pessoas sentiram a presença de anjos dando-lhes a sua proteção. Também algumas vezes têm acontecido, por exemplo, de inimigos do Evangelho serem afastados repentinamente dos seus maus propósitos contra o povo de Deus, sem um motivo plausível; de uma “coincidência” providencial evitar o que normalmente seria um acidente fatal, etc. Nunca saberemos com certeza se anjos estiveram envolvidos, mas, sem dúvida, parece possível.

Um dia o Senhor Jesus voltará em glória com os Seus anjos, para dar início ao Seu reino na terra. Os Seus anjos então darão andamento a outro aspecto do seu ministério: o afastamento e punição dos ímpios que estiverem vivos em todo o mundo naquela época: “Mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes.” (Mateus 13:41-42). Assim os anjos abrirão o caminho para dar um bom início ao reino milenar.

Muitas suposições são feitas sobre o ministério dos anjos, confundindo a realidade com a imaginação. Se formos sábios, nós nos limitaremos ao que Deus nos revela em Sua Palavra, que é destinada especificamente a nós.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Missões difíceis

Mediante o esforço de missionários, gerações de nativos oprimidos por uma religião cruel e satânica nas ilhas de Fiji foram libertadas pelo Evangelho, transformando-se num povo pacifico e acolhedor, além de serem salvos da perdição eterna. Esses missionários demonstraram de maneira clara o que é ser

“Tema ao Senhor a terra toda; temam-no todos os moradores do mundo.”

Salmo 33:8

O Senhor Jesus encarregou os Seus servos de anunciarem o Evangelho até os confins da terra, a partir de Jerusalém. Os Seus apóstolos e Seus discípulos, através dos séculos, têm desenvolvido essa missão com relativo sucesso, enfrentando às vezes grandes dificuldades: oposição, grandes distâncias, obstáculos físicos quase intransponíveis e culturas selvagens.

Recentemente estive num lugar que ilustra muito bem a luta que alguns missionários têm travado contra todos esses fatores de uma só vez, e a notável vitória do Evangelho.

No oceano Pacífico, eqüidistante da Austrália e da Nova Zelândia, e ao norte deste último país, encontra-se um arquipélago, entre vários outros, atualmente conhecido como Fiji. Compreende umas 322 ilhas, das quais 102 são habitadas permanentemente, e 522 ilhotas.

Hoje a maioria da população está nas duas ilhas principais, Viti Levu e Vanua Levu. O povo é amável e cordato, vendo-se muitos templos de igrejas “protestantes” e evangélicas, também alguns de seitas ditas cristãs e templos hindus e algumas poucas mesquitas.

Mas até o inicio do século 19 a situação era completamente diferente, pois não havia contato entre os ilheus e o resto do mundo. O arquipélago é de origem vulcânica, e as ilhas estão cercadas de recifes de coral, um grande obstáculo à aproximação de barcos e navios. A população nativa, embora construindo barcos primitivos de boa qualidade, não se aventurava a navegar em alto-mar.

O explorador holandês Abel Tasman descobriu Fiji em 1643, quando procurava o Grande Continente do Sul, e o explorador inglês, capitão Cook, também passou pelas ilhas, tendo sido recebido com hostilidade pelos nativos. Em cartas enviadas por membros das suas expedições, os nativos eram descritos como guerreiros temíveis e canibais ferozes, construtores dos melhores navios no Pacifico, mas maus marinheiros.

Em seu isolamento, os fijianos guerreavam entre si e devoravam os guerreiros que venciam, convictos que, com isso, adquiriam as suas virtudes. Eram politeístas, e sua religião, mitos e lendas, dominavam todo o seu comportamento social. Seu “tabu” prescrevia o que deviam comer e beber, como se dirigir aos seus superiores, com quem deviam se casar, onde deviam ser enterrados. Limitava a sua escolha de alimentos e controlava o seu comportamento dentro de casa. Temiam desobedecer aos seus deuses que podiam fazer o que quisessem com eles, até mesmo matá-los.

Tinham uma infinidade de deuses que consultavam através dos seus sacerdotes para decidir sobre toda a espécie de coisa. O sacerdote era um intermediário (médium) entre o deus e o povo, e quando “inspirado” entrava em transe, tremia quando “possesso” e anunciava a mensagem do seu deus com uma voz estranha.

Consultar os espíritos e usá-los para influenciar as atividades do dia-a-dia fazia parte da religião fijiana. Também davam muito valor aos sonhos, acreditando que eram uma maneira de receber comunicação dos espíritos, incluindo a quem deviam assassinar.

Isolados, submetidos ao domínio dos demônios e cercados por recifes perigosos, os fijianos eram um desafio ao esforço de evangelização. Segundo nos conta a história, em 1830 três missionários saíram do Taiti para pregar o Evangelho em Lakemba, uma das ilhas de Fiji. Pouco mais sabemos sobre eles.

Em 1835 dois missionários ingleses também foram até lá levando as suas famílias. Tiveram progresso lento na evangelização, pois os fijianos não queriam abandonar os seus deuses e havia guerras constantes entre as tribos. Em 1839 o primeiro grande chefe se converteu, tornando-se mais fácil alcançar os seus súditos devido ao seu precedente e influência. Outros chefes o acompanharam, impressionados pelo poder do novo Deus, pois era assim que interpretavam a chegada de navios, máquinas e armamentos às suas ilhas pertencentes a pescadores e baleeiros que começaram a se aproveitar dos recursos das ilhas.

Em 1867 outro missionário inglês, de nome Thomas Baker, da igreja metodista Wesleyana, assim como os precedentes, ao levar o Evangelho para ilhas mais ocidentais foi assassinado e devorado pelos nativos em Navatusila, ilha de Viti Levu, tendo eles declarado: “comemos tudo menos suas botinas”. Vimos a sola de uma delas exposta no museu de Suva, capital de Fiji, emblema do sacrifício supremo daquele servo de Cristo. Seis companheiros foram mortos com ele.

Mas, gradualmente, os missionários e obreiros fijianos substituíram os sacerdotes feiticeiros das ilhas, e o conceito de santidade substituiu o “tabu” e o “mana” (influência dos espíritos). O Evangelho de Cristo transformou radicalmente a cultura daquele povo.

Fiji é hoje considerado um país cristão. Da população nativa, cerca de 97% são nominalmente cristãos, predominando a denominação metodista com mais de dois terços. Na aldeia onde Thomas Baker havia ministrado, Navatusila, foi construído um bonito templo, com um monumento, e a aldeia é conservada e habitada pelos nativos. Em novembro de 2003 tiveram uma cerimônia em que ofereceram um pedido de perdão aos descendentes de Thomas Baker, convidados para a ocasião.

Todavia, entre 1879 e 1916 houve considerável imigração de indianos, contratados para trabalhar na lavoura de cana de açúcar, cujos descendentes hoje chegam a quase a metade da população do país. Eles não se misturam com a população nativa, e permanecem firmes em suas religiões, sendo em sua grande maioria hindus com uma parcela menor de muçulmanos. Mantendo-se culturalmente segregados da população nativa, mas tendo considerável poder econômico e político, sua presença tem resultado em conflitos na ordem política da nação.

No pouco tempo de que dispusemos, não foi possível obter informação sobre como surgiram ali as igrejas independentes “dos irmãos”, mas averiguamos que estão presentes, tanto nas comunidades nativas como indianas. Um irmão originário da Índia está se dedicando atualmente a dar assistência muito necessária no ensino a algumas igrejas, especialmente de etnia indiana, e devemos a ele algumas informações atuais sobre várias onde o inimigo tem prevalecido por estarem enfraquecidas por circunstâncias adversas, e revelam a carência de ensino sadio. Oremos por elas!

Concluindo, fica evidente que, sem o esforço daqueles primeiros missionários, gerações de nativos oprimidos por uma religião cruel e satânica possivelmente não teriam sido libertadas pelo Evangelho, transformando-se, como aconteceu, num povo pacifico e acolhedor, além de serem salvos da perdição eterna. Esses missionários demonstraram de maneira clara o que é ser o sal da terra e a luz do mundo (Mateus 5:13,14), penetrando nas trevas de um povo totalmente afastado de Deus, sob o domínio do “príncipe deste mundo”, trazendo-lhes a vida em Cristo e a luz do Evangelho

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Mulheres em Silêncio

A igreja geralmente é composta de homens e mulheres, e quando ela se reúne dessa forma, seja onde for, não é permitido às mulheres falar, ensinar, usar de autoridade sobre homem e nem fazer perguntas. Devem estar em sujeição, aprendendo em silêncio.

A proibição à manifestação oral das mulheres encontrada em 1 Coríntios 14:34-36 e 1 Timóteo 2:12 é absoluta para todos os trabalhos da igreja?


Vejamos a proibição transmitida pelo apóstolo Paulo nessas passagens da Bíblia:

“As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é indecente que as mulheres falem na igreja. A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio”.

É importante lembrar que na Bíblia a palavra “igreja” nunca se trata de um objeto físico como uma construção ou recinto, mas de uma congregação, neste caso constituída de crentes em Cristo reunidos para oração, ceia do Senhor, culto a Deus e ministério da Palavra.

A igreja geralmente é composta de homens e mulheres, e quando ela se reúne dessa forma, seja onde for, não é permitido às mulheres falar, ensinar, usar de autoridade sobre homem e nem fazer perguntas. Devem estar em sujeição, aprendendo em silêncio. Esse é o alcance da proibição de que lemos aqui.

O princípio segundo o qual a mulher não deve ensinar ou exercer a liderança sobre o homem na igreja baseia-se, segundo Paulo esclareceu, no fato que “primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” (1 Tmóteo 2:13,14)

Entende-se que Adão, por ser o primeiro a ser formado, foi dotado com todo o discernimento necessário para a sua sobrevivência. Eva lhe foi dada por companheira, tendo assim uma natureza mais maleável e menos crítica. Formado o casal, o homem foi o líder natural assumindo a responsabilidade conjunta enquanto a mulher lhe deu companhia e acrescentou seus talentos aos dele.

Por este motivo a serpente considerou, com a sua sagacidade, que Eva era mais vulnerável aos seus argumentos, transmitiu a ela as suas insinuações contra Deus, e teve sucesso em levá-la à desobediência.

Essas características continuam no gênero humano, e tem sido constatado através dos tempos que as mulheres são convencidas mais facilmente do que os homens. Disto se aproveitam os ensinadores de doutrinas falsas (2 Timóteo 3:6). Algumas mulheres também têm introduzido sérias heresias que nos perturbam em nossos dias.

Essas passagens são claras, imediatamente compreensíveis por qualquer leitor, sem necessidade de maiores explicações. No entanto, são surpreendentes os esforços que têm surgido, de um lado para diminuir o rigor da proibição nas reuniões da igreja, de outro para estender a proibição para outras atividades da igreja que não se qualificam como tais.

A Palavra de Deus evidencia claramente que as mulheres não estão de forma alguma condenadas a um mutismo absoluto em todas as suas atividades, particulares ou nas da igreja, em função desta doutrina. Isto seria uma extravagância.

As mulheres têm grande potencial para contribuir para o trabalho de Deus com seus talentos, e Deus as tem usado através dos tempos para a Sua glória. Elas tiveram partes relevantes no ministério do Senhor Jesus.

Durante a crucificação e imediatamente após a ressurreição do Senhor Jesus, é destacada a presença das mulheres entre os discípulos, tanto que foram elas que receberam a incumbência de levar a primeira mensagem do Senhor, após a Sua ressurreição, aos demais discípulos (Marcos 16:7, João 20:17).

O mesmo apóstolo Paulo que escreveu os textos acima, também nos deu os nomes de numerosas mulheres que se destacaram pelo seu serviço na igreja e em seu ministério, por exemplo, Febe, Priscila, Maria, Júnia, Trifena, Trifosa, Pérside, Júlia e Olimpas (Romanos 16).

Uma mulher que se destacou pelo seu trabalho de evangelismo na igreja primitiva foi Priscila, a esposa de Áquila, um judeu que havia sido obrigado a sair de Roma (Atos 18:2). Ela sempre é mencionada junto com o marido, duas vezes seu nome vem antes do dele (Romanos 16:3, 2 Timóteo 4:19), e Paulo os apresenta a ambos como seus cooperadores em Cristo Jesus. Ela, junto com seu marido, levou para casa Apolo, “um varão eloqüente e poderoso nas Escrituras” e "lhe declarou com mais clareza o caminho de Deus". Uma igreja se reunia em sua casa em Corinto (1 Coríntios 16:19) e também em Roma mais tarde (Romanos 16:3-5).

Não consta haver algum impedimento às orações e intercessões feitas por mulheres fora das reuniões gerais (Atos 1:14, 12:12, 21:5). Mas alguns entendem que, ao orar na presença de irmãos, uma irmã estará tomando para si a liderança do grupo e neste caso estará pecando. Nem todos concordam, mas convém evitar causar escândalo se houver esse entendimento. Muitas igrejas têm reuniões de oração só para as mulheres, para evitar críticas.

As mulheres também não estão proibidas de ensinar em toda e qualquer circunstância. Fora das reuniões gerais da igreja, mencionadas no início deste artigo, e desde que não tomem a liderança sobre os homens, elas têm liberdade e mesmo autoridade para ensinar particularmente ou em grupos. Paulo, por exemplo, mandou que “as mulheres idosas … ensinem as mulheres novas” (Tito 2:3,4). Paulo reconheceu que Timóteo havia aprendido as “sagradas letras” desde a meninice, provavelmente com a sua avó Loide e a sua mãe Eunice, mulheres de fé (2 Timóteo 1:5, 3:15).

O ensino sistemático em classes, como se faz nas escolas dominicais, geralmente depende muito da disponibilidade de professoras competentes para as crianças e para as mulheres mais novas. Existem vários outros trabalhos e atividades da igreja em que as irmãs podem tomar parte ativa, com proveito para todos. Trabalhos na área de hospitalidade, serviços aos santos e socorro aos aflitos (1 Timóteo 5:10, Tiago 1:27), na área administrativa, secretaria e tesouraria, na área de ministério musical, em corais e no uso de instrumentos musicais, e outros mais que poderão existir.

O “silêncio” concerne falar, perguntar e ensinar. As mulheres estão livres para cantar (Efésios 5:19, Colossenses 3:16), desde que, com isso, não estejam ensinando ou usando de autoridade sobre os homens.

Finalmente, lembremos que as mulheres se distinguiram na Bíblia, entre outras coisas, por:

  1. Terem permanecido junto ao corpo de Cristo até o Seu sepultamento (Mateus 15:47).
  2. Terem sido as primeiras a comparecer ao túmulo na madrugada da Ressurreição (João 20:1).
  3. Terem sido as primeiras a proclamar a ressurreição (Mateus 28:8).
  4. Uma mulher ter sido a primeira pessoa a anunciar o Evangelho em Jerusalém (Lucas 2:37,38).
  5. Terem assistido à primeira reunião de oração depois da Ascenção (Atos 1:14).
  6. Terem sido as primeiras pessoas européias a receber o Evangelho de Paulo e Silas (Atos 16:13).
  7. Uma mulher ter sido a primeira pessoa convertida a Cristo na Europa (Atos 16:14).

Nunca menosprezemos o grande valor das mulheres na igreja de Cristo!

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O alcance do perdão de Deus

Não há qualquer pecado cometido por quem quer que seja que o Senhor Jesus não possa perdoar mediante seu arrependimento e conversão, pois Ele morreu na cruz para levar sobre Si todos os pecados.Mas quem resiste ao testemunho do Espírito Santo,faz o Espírito Santo de mentiroso, blasfemando contra Ele

Em certa ocasião o Senhor Jesus informou que “todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro” (Mateus 12:31 a 32).

Este é um versículo que nem sempre é bem entendido, às vezes com graves consequências. Fazem-se conjecturas sobre o seu significado, e não são poucas as pessoas que, julgando-se culpadas deste pecado, têm perdido a esperança do perdão de Deus. O âmago da questão é o que vem a ser “falar contra o Espírito Santo” (ou blasfemar contra Ele, como lemos em Marcos 3:29).

Vejamos seu contexto: Quando o povo viu Jesus curar instantaneamente um homem endemoninhado, cego e mudo, eles ficaram atônitos e perguntaram "É este o Filho de Davi?" Por Filho de Davi eles significavam o descendente do rei Davi que, segundo as promessas feitas a ele, e as profecias, assumiria o reino e traria glória eterna a Israel. Enfim, o Messias.

Ao perceber a grande excitação do povo naquele momento, os líderes religiosos entre o povo concluíram que a disposição manifesta do povo, de crer que Jesus era o Messias, precisava de uma ação extrema da sua parte. Não lhes sendo possível negar a autenticidade daquele prodígio sobrenatural, em seu desespero, eles sugeriram que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios.

Belzebu é uma palavra de etimologia desconhecida, mas era usada como sendo um nome vergonhoso. Segundo alguns, poderia significar "senhor de uma casa", "senhor das moscas", "senhor do esterco" ou "senhor dos sacrifícios idólatras". Foi uma declaração mal pensada e ilógica da parte desses líderes, como o Senhor Jesus logo demonstrou a todos, e em seguida lhes deu a informação acima.

São palavras solenes, pois declaram que existe um pecado para o qual não existe perdão de Deus, nem no presente nem no futuro, por toda a eternidade. Quando uma passagem não é suficientemente clara em si mesma, a exegética manda que se procure um esclarecimento em paralelo com outras passagens, pois não pode haver contradição.

Não há qualquer pecado cometido por quem quer que seja que o Senhor Jesus não possa perdoar mediante seu arrependimento e conversão, pois Ele morreu na cruz para levar sobre Si todos os pecados: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1:9). Isto está em sintonia com toda a Bíblia que nos ensina que Deus é misericordioso, e Sua justiça foi satisfeita no sangue de Cristo, permitindo assim a justificação de todo aquele que O recebe como Senhor e Salvador.

O pecado imperdoável não poderá ser cometido por aqueles que já receberam a vida eterna, mediante a fé no Senhor Jesus, pois esta nunca lhes será tirada: é eterna, e a vida eterna é comunhão com Deus diante de quem não pode haver pecado.

Mas haverá certamente uma condenação eterna, portanto sem possibilidade de perdão de Deus, para aqueles cujo nome não estiver escrito no "livro da vida" (Apocalipse 20:15). Entre estes estarão os que cometem o pecado imperdoável.

Foi a rejeição dos religiosos judeus à clara evidência que Ele expulsava demônios pelo Espírito de Deus que levou o Senhor Jesus a dar a informação do primeiro parágrafo acima. O pecado imperdoável deles foi a atitude que estavam tomando, ou a decisão que haveriam de tomar, de estar contra Cristo ao invés de se colocarem ao lado dEle conforme Seu ensino feito logo antes.

O Espírito Santo testemunha a respeito de Cristo (1 João 5:6). Quem resiste a esse testemunho faz o Espírito Santo de mentiroso, e assim blasfema contra o Espírito. Rejeita a salvação que vem pelo testemunho da Palavra inspirada pelo Espírito Santo, e rejeita a regeneração do Espírito Santo. Não só é uma blasfêmia contra o Espírito Santo, mas é falar contra Ele. Eis o pecado imperdoável neste século e no vindouro. Para este nunca haverá perdão.

A assertiva de Jesus que “todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens” com exceção dos que rejeitam a salvação proclamada pelo Evangelho é ampla, mas surgiram três perguntas que recentemente nos foram feitas e deram motivo para este artigo:

1. Os que nunca ouviram falar de Cristo estão sob condenação e vão para o inferno?

Estes são os que, por ignorância e não por culpa própria, nunca tiveram a opção de recebê-Lo como seu Salvador. Realmente a Bíblia não nos dá uma resposta taxativa a respeito deles, embora geralmente se conclua por inferência que, como a humanidade em geral está em pecado, e Jesus Cristo é o único Caminho para a salvação do castigo (morte eterna) devido aos pecadores, quem nunca chegou a conhecê-Lo está perdido. Muitos sustentam uma doutrina calvinista, segundo a qual Deus escolhe para Si os que vão ser salvos, e a estes apenas se dará a oportunidade de salvar-se. Em outras palavras, os que se perdem por rejeição ou ignorância não foram eleitos por Deus para serem salvos.

No ensino mais amplo de Cristo, aprendemos nas "bem-aventuranças" que a salvação é para o pobre de espírito e para os que têm fome e sede da justiça; nas parábolas do "filho pródigo" e do “publicano” é para o perdido que reconhece o seu pecado e procura o perdão de Deus. As características aqui vistas são o reconhecimento e o arrependimento do pecado - a alma que se salva é aquela que sente o seu pecado e deseja ser perdoada por Deus: para agradar a Deus é essencial que ela creia que Ele existe e que é galardoador dos que O buscam (Hebreus 11:6). Assim como uma criança confia em seu pai, de quem depende, a alma que pode ser salva é aquela que segue a justiça, luta para praticá-la, reconhece sua incapacidade, mas confia em Deus para o que lhe falta.

Deus nosso Salvador quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4). O conhecimento da salvação gratuita que o Senhor Jesus nos propiciou permite que seja aceita imediatamente, para que tenhamos desde agora paz em nossas almas, o usufruto das bênçãos do novo nascimento pelo Espírito Santo, a entrada na igreja de Cristo e a luz do Evangelho. A Bíblia silencia sobre os que nunca ouviram sobre essa salvação. Certamente não serão salvos pelas obras de justiça que tenham feito, mas porventura a misericórdia do nosso Deus não os alcançará se tiverem as características e a fé acima? Um dia saberemos, mas podemos nos tranquilizar sabendo que, além de perfeitamente justo, Deus é também riquíssimo em misericórdia. Ele disse a Moisés "compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Romanos 9:15).

A resposta desta pergunta pode ser deixada em Suas competentes mãos.

2. Durante o período da tribulação ainda haverá oportunidade para aqueles que não ouviram o Evangelho se salvarem?

O período da tribulação, de sete anos (Daniel 9:24-27), ou “tempo de angústia para Jacó” (Jeremias 30:7), será caracterizado pela prévia retirada da igreja e do Espírito Santo da terra (2 Tessalonicenses 2:7). Mas o Evangelho ainda será proclamado até os confins da terra e haverá uma multidão de conversões, de todas as nações, tribos, povos e línguas contribuindo com milhares de mártires (Apocalipse 7:14) por causa da perseguição promovida pela besta.

A resposta aqui é claramente SIM.

3. Haverá também ainda oportunidade no período da tribulação para os que ouviram o Evangelho, mas ficaram indecisos?

O “iníquo” (besta ou anticristo) virá “segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça.” (2 Tessalonicenses 2:7-12). Não significa necessariamente que lhes faltará a oportunidade de ouvir o Evangelho outra vez, mas enganados pela mentira do anticristo vão rejeitar o Evangelho tendo já anteriormente preferido continuar em seu pecado (“injustiça”). A feroz perseguição que a besta promoverá contra os que não se sujeitarem a ela será mais um incentivo a não se arrependerem (Apocalipse 13:5, 20:4, etc.).

A resposta é que, os que previamente recusaram a salvação que lhes foi anunciada, tendo prazer na injustiça (e assim cometendo o pecado imperdoável) não terão outra oportunidade para se converter, mas vão crer na mentira do iníquo, inspirado por Satanás. Mas entendemos que ainda haverá oportunidade para os que nunca haviam antes ouvido ou entendido claramente a mensagem do Evangelho, nem deliberada e definitivamente rejeitado o nosso Salvador. Estes são como os que nunca ouviram o Evangelho, da pergunta precedente.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O Alcance do Perdão de Deus

Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens.

Em certa ocasião o Senhor Jesus informou que "todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro" (Mateus 12:31 a 32).

Este é um versículo que nem sempre é bem entendido, às vezes com graves consequências. Fazem-se conjecturas sobre o seu significado, e não são poucas as pessoas que, julgando-se culpadas deste pecado, têm perdido a esperança do perdão de Deus. O âmago da questão é o que vem a ser "falar contra o Espírito Santo" (ou blasfemar contra Ele, como lemos em Marcos 3:29).

Vejamos seu contexto: Quando o povo viu Jesus curar instantaneamente um homem endemoninhado, cego e mudo, eles ficaram atônitos e perguntaram "É este o Filho de Davi?" Por Filho de Davi eles significavam o descendente do rei Davi que, segundo as promessas feitas a ele, e as profecias, assumiria o reino e traria glória eterna a Israel. Enfim, o Messias.

Ao perceber a grande excitação do povo naquele momento, os líderes religiosos entre o povo concluíram que a disposição manifesta do povo, de crer que Jesus era o Messias, precisava de uma ação extrema da sua parte. Não lhes sendo possível negar a autenticidade daquele prodígio sobrenatural, em seu desespero, eles sugeriram que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios.

Belzebu é uma palavra de etimologia desconhecida, mas era usada como sendo um nome vergonhoso. Segundo alguns, poderia significar "senhor de uma casa", "senhor das moscas", "senhor do esterco" ou "senhor dos sacrifícios idólatras". Foi uma declaração mal pensada e ilógica da parte desses líderes, como o Senhor Jesus logo demonstrou a todos, e em seguida lhes deu a informação acima.

São palavras solenes, pois declaram que existe um pecado para o qual não existe perdão de Deus, nem no presente nem no futuro, por toda a eternidade. Quando uma passagem não é suficientemente clara em si mesma, a exegética manda que se procure um esclarecimento em paralelo com outras passagens, pois não pode haver contradição.

Não há qualquer pecado cometido por quem quer que seja que o Senhor Jesus não possa perdoar mediante seu arrependimento e conversão, pois Ele morreu na cruz para levar sobre Si todos os pecados: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1:9). Isto está em sintonia com toda a Bíblia que nos ensina que Deus é misericordioso, e Sua justiça foi satisfeita no sangue de Cristo, permitindo assim a justificação de todo aquele que O recebe como Senhor e Salvador.

O pecado imperdoável não poderá ser cometido por aqueles que já receberam a vida eterna, mediante a fé no Senhor Jesus, pois esta nunca lhes será tirada: é eterna, e a vida eterna é comunhão com Deus diante de quem não pode haver pecado.

Mas haverá certamente uma condenação eterna, portanto sem possibilidade de perdão de Deus, para aqueles cujo nome não estiver escrito no "livro da vida" (Apocalipse 20:15). Entre estes estarão os que cometem o pecado imperdoável.

Foi a rejeição dos religiosos judeus à clara evidência que Ele expulsava demônios pelo Espírito de Deus que levou o Senhor Jesus a dar a informação do primeiro parágrafo acima. O pecado imperdoável deles foi a atitude que estavam tomando, ou a decisão que haveriam de tomar, de estar contra Cristo ao invés de se colocarem ao lado dEle conforme Seu ensino feito logo antes.

O Espírito Santo testemunha a respeito de Cristo (1 João 5:6). Quem resiste a esse testemunho faz o Espírito Santo de mentiroso, e assim blasfema contra o Espírito. Rejeita a salvação que vem pelo testemunho da Palavra inspirada pelo Espírito Santo, e rejeita a regeneração do Espírito Santo. Não só é uma blasfêmia contra o Espírito Santo, mas é falar contra Ele. Eis o pecado imperdoável neste século e no vindouro. Para este nunca haverá perdão.

A assertiva de Jesus que "todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens" com exceção dos que rejeitam a salvação proclamada pelo Evangelho é ampla, mas surgiram três perguntas que recentemente nos foram feitas e deram motivo para este artigo:

1. Os que nunca ouviram falar de Cristo estão sob condenação e vão para o inferno?

Estes são os que, por ignorância e não por culpa própria, nunca tiveram a opção de recebê-Lo como seu Salvador. Realmente a Bíblia não nos dá uma resposta taxativa a respeito deles, embora geralmente se conclua por inferência que, como a humanidade em geral está em pecado, e Jesus Cristo é o único Caminho para a salvação do castigo (morte eterna) devido aos pecadores, quem nunca chegou a conhecê-Lo está perdido. Muitos sustentam uma doutrina calvinista, segundo a qual Deus escolhe para Si os que vão ser salvos, e a estes apenas se dará a oportunidade de salvar-se. Em outras palavras, os que se perdem por rejeição ou ignorância não foram eleitos por Deus para serem salvos.

No ensino mais amplo de Cristo, aprendemos nas "bem-aventuranças" que a salvação é para o pobre de espírito e para os que têm fome e sede da justiça; nas parábolas do "filho pródigo" e do "publicano" é para o perdido que reconhece o seu pecado e procura o perdão de Deus. As características aqui vistas são o reconhecimento e o arrependimento do pecado - a alma que se salva é aquela que sente o seu pecado e deseja ser perdoada por Deus: para agradar a Deus é essencial que ela creia que Ele existe e que é galardoador dos que O buscam (Hebreus 11:6). Assim como uma criança confia em seu pai, de quem depende, a alma que pode ser salva é aquela que segue a justiça, luta para praticá-la, reconhece sua incapacidade, mas confia em Deus para o que lhe falta.

Deus nosso Salvador quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4). O conhecimento da salvação gratuita que o Senhor Jesus nos propiciou permite que seja aceita imediatamente, para que tenhamos desde agora paz em nossas almas, o usufruto das bênçãos do novo nascimento pelo Espírito Santo, a entrada na igreja de Cristo e a luz do Evangelho. A Bíblia silencia sobre os que nunca ouviram sobre essa salvação. Certamente não serão salvos pelas obras de justiça que tenham feito, mas porventura a misericórdia do nosso Deus não os alcançará se tiverem as características e a fé acima? Um dia saberemos, mas podemos nos tranquilizar sabendo que, além de perfeitamente justo, Deus é também riquíssimo em misericórdia. Ele disse a Moisés "compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Romanos 9:15).

A resposta desta pergunta pode ser deixada em Suas competentes mãos.

2. Durante o período da tribulação ainda haverá oportunidade para aqueles que não ouviram o Evangelho se salvarem?

O período da tribulação, de sete anos (Daniel 9:24-27), ou "tempo de angústia para Jacó" (Jeremias 30:7), será caracterizado pela prévia retirada da igreja e do Espírito Santo da terra (2 Tessalonicenses 2:7). Mas o Evangelho ainda será proclamado até os confins da terra e haverá uma multidão de conversões, de todas as nações, tribos, povos e línguas contribuindo com milhares de mártires (Apocalipse 7:14) por causa da perseguição promovida pela besta.

A resposta aqui é claramente SIM.

3. Haverá também ainda oportunidade no período da tribulação para os que ouviram o Evangelho, mas ficaram indecisos?

O "iníquo" (besta ou anticristo) virá "segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça." (2 Tessalonicenses 2:7-12). Não significa necessariamente que lhes faltará a oportunidade de ouvir o Evangelho outra vez, mas enganados pela mentira do anticristo vão rejeitar o Evangelho tendo já anteriormente preferido continuar em seu pecado ("injustiça"). A feroz perseguição que a besta promoverá contra os que não se sujeitarem a ela será mais um incentivo a não se arrependerem (Apocalipse 13:5, 20:4, etc.).

A resposta é que, os que previamente recusaram a salvação que lhes foi anunciada, tendo prazer na injustiça (e assim cometendo o pecado imperdoável) não terão outra oportunidade para se converter, mas vão crer na mentira do iníquo, inspirado por Satanás. Mas entendemos que ainda haverá oportunidade para os que nunca haviam antes ouvido ou entendido claramente a mensagem do Evangelho, nem deliberada e definitivamente rejeitado o nosso Salvador. Estes são como os que nunca ouviram o Evangelho, da pergunta precedente.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O amor de Deus

Deus nunca muda: Ele é sempre magnânimo, sempre compassivo, sempre tardio em irar-se, tão benigno a ponto de sempre Se dispor a perdoar o pecador arrependido que pede misericórdia. Quando um pecador se arrepende e se volta para Ele, Deus diz, com efeito: "Você estava para ser julgado por mim, e eu i

Com frequência ouvimos, quando alguém está irritado conosco, ou suplica alguma coisa, a expressão inicial é “Pelo amor de Deus...” Na maioria das vezes é apenas um hábito corriqueiro, e é tomar o nome de Deus em vão, um pecado. Vamos então refletir um pouco sobre alguns aspectos da grandeza do amor de Deus.

Ser amado é uma das maiores necessidades do ser humano, a partir da infância. Todos queremos descobrir que somos importantes para alguém, que alguém realmente nos quer, tem cuidado por nós, e nos aceita como somos. A boa mensagem do Evangelho é que Deus nos ama, que o amor faz parte da Sua natureza! É da Sua essência!

Para manifestar o Seu amor, Deus criou, além de uma multidão de seres espirituais, o mundo em que vivemos, suas plantas e animais, e o homem para deles cuidar. Deus Se comunica com a Sua criação, cuida dela e lhe dá do Seu melhor para o benefício dela. Ao homem Ele deu o livre arbítrio para poder reciprocar o Seu amor ou rejeitá-lo.

O amor de Deus é altruísta e puro, dando boas coisas para os que lhe pedem (Mateus 7:11), “sendo toda a boa dádiva e todo dom perfeito lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tiago 1:17). Como Deus é amor, só podemos esperar o bem da parte d’Ele.

O amor de Deus é sacrificial, ou seja, não só O motiva a dar de tudo que possui, mas também com sacrifício próprio. Seu amor lhe custou a vida do Seu próprio Filho, como nos declara a maior mensagem de amor da Bíblia:Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.Deus permitiu que Ele morresse em nosso lugar para pagar nossa dívida terrível de pecado, assim provando cabalmente e de maneira irrefutável o Seu amor sacrificial por nós.

O amor do Filho de Deus também foi claramente demonstrado ao descer e entregar-Se à morte cruel na cruz em lugar de todo pecador que n’Ele crê. O apóstolo Paulo declarou: “esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim“ (Gálatas 2:20). Jesus Cristo fez o supremo sacrifício por nós quando morreu em nosso lugar: foi acusado falsamente, açoitado, coroado com coroa de espinhos, pregado numa cruz e deixado para morrer da maneira mais cruel na humanidade. Ele poderia ter escapado, mas sofreu voluntariamente por nossa causa. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13).

Se formos tentados a pensar que ninguém nos ama, vamos pensar no amor revelado pelo Senhor Jesus por nós. Ele passou por aquela vergonha e sofrimento porque Ele nos ama. Isto Ele provou ao fazer o maior sacrifício possível a fim de nos assegurar o gozo eterno.

O amor de Deus é sem condições, e é dos mais surpreendentes porque nos é revelado quando não o merecemos e continua firme mesmo quando não correspondemos à sua altura. A Bíblia classifica todos os descrentes como inimigos de Deus, gente que voluntariamente se faz inimiga d’Ele (Romanos 5:10, Colossenses 1:21). Deus ama até os Seus inimigos – todos eles.

Não há nada de bom em nós que mereça o amor de Deus. Ele não nos ama porque somos amáveis ou porque podemos de alguma forma nos tornar merecedores do Seu amor. Nada merecemos, no entanto Ele nos preza muito e nos derrama o melhor sobre nós. É o Seu amor por nós que nos dá mérito.

Deus tem grande satisfação e é glorificado quando correspondemos ao Seu amor, entramos em Sua comunhão e fazemos a Sua vontade. Na realidade Ele nos fez com esse propósito, e mesmo se não correspondermos adequadamente ao Seu amor, Ele continua nos amando da mesma forma. Nada podemos fazer para aumentar ou diminuir o Seu amor por nós, pois Ele nos ama perfeitamente e completamente, e Seu amor é incondicional.

O amor de Deus é eterno, como Ele declara em Jeremias 31:3... “Com amor eterno eu te amei”. Esse amor eterno vem desde o passado distante. Ele nos conheceu e nos amou antes de nos ter feito, quando éramos somente um pensamento em Sua mente. E Ele nos amará por todo o porvir eterno pois, como exclamou Paulo, “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38,39). Paulo declara que o amor de Cristo “excede todo entendimento” (Efésios 3:19), ou seja, é incompreensível para nós.

Assim como Deus é santo, o Seu amor promoverá santidade nos amados. Deus usará todos os meios disponíveis para incentivar nossa obediência. Isto é porque Ele nos ama. O escritor de Hebreus nos exortou a não menosprezar a correção que vem do Senhor. Isso evidencia o Seu amor por nós (Hebreus 12:5,6). Ele sabe que a obediência à Sua Palavra nos trará maior felicidade, por isso Ele nos faz desejar obedecê-la. Se Ele não nos amasse, Ele não cuidaria da nossa felicidade.

O amor de Deus é confortante, pois quando compreendemos a realidade do amor de Deus, descansamos no Senhor, livres de temor, seguros na certeza que Ele vai prover tudo que precisamos e nos proteger de tudo que não é para nosso bem. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” (1 João 4:18). Deus nunca castiga Seus filhos por causa dos seus pecados, pois o Seu Filho levou sobre Si a nossa punição, mas nos disciplina amorosamente para nosso benefício. Em vista disto, nada devemos temer incluindo, por exemplo, a perda de um ente querido, desemprego, catástrofes naturais, uma guerra global, sofrimento, morte, ficar a sós, rejeição, disciplina de Deus, o futuro. Deus nos ama! Nada devemos temer.

O amor de Deus transforma a vida, e saber e crer no amor que Ele tem por nós tem muitas vantagens. Talvez nunca chegaremos a compreendê-lo completamente só com a nossa compreensão humana, mas Deus está pronto para torná-lo real para nós, se estivermos abertos e receptivos à Sua palavra.

A maioria de nós anseia amar as pessoas, mas às vezes achamos que é muito difícil. O amor de Deus pode mudar isso. Podemos encontrar toda a aceitação e carinho que almejamos n’Ele. Então, seguros em Seu amor, seremos capazes de vir a amar outros, desinteressadamente, sacrificialmente e incondicionalmente. O amor de Deus influenciará profundamente nossos relacionamentos com os que estão em torno de nós e estaremos obedecendo ao Seu segundo grande mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Assim estaremos habilitados a responder adequadamente ao pedido feito “pelo amor de Deus”.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O batismo pelos mortos

Todos os pecadores “morrem” ao se converter, pois espiritualmente “morrem para si para viver em Cristo” (o batismo pela água é símbolo desse batismo espiritual). A doutrina do batismo já tinha sido estabelecida e fora claramente aceita pelos membros da igreja de Corinto a quem foi dirigida essa cart

“De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?”

1 Coríntios 15:29


Este versículo tem a fama de ser considerado um dos versículos mais difíceis, confusos e obscuros em toda a Bíblia. A tradução ao pé da letra é como segue: “Se isso não fosse verdade, o que farão os que são batizados para o(s) morto(s), se o(s) morto(s) não ressuscita(m) absolutamente? Por que também são eles batizados para o(s) morto(s)?” Existe a opção entre o singular e o plural para “o(s) morto(s)”, e a tradução de Almeida assume o plural quando poderia igualmente ser o singular.

Os teólogos sugerem mais de trinta explicações para o seu significado. Os mais cautelosos recomendam apenas opinar sobre o que entendemos, com humildade, pois outros irmãos podem ter interpretações diferentes igualmente viáveis.

Convém primeiro estabelecer o que o versículo não ensina, embora possa parecer viável à primeira vista. Absolutamente não se refere a um batismo “em substituição” (praticado pelos mórmons), mediante o qual uma pessoa viva é batizada em nome de outra pessoa que morreu sem ser batizada, para que esta usufrua de alguma bênção ou virtude adquirida pelo batismo. É fundamentalmente errado basear uma doutrina em um único versículo, fora do seu contexto, e que claramente contradiz todo o ensino bíblico a respeito do batismo.

Como o apóstolo Paulo está se referindo aos que “se batizam pelo(s) morto(s)”, com o sujeito oculto na terceira pessoa do plural (eles), e não à primeira (nós) ou à segunda (vós), há o argumento que essas pessoas que eram batizadas não seriam cristãs, mas pertenciam a algum outro grupo, mencionados apenas como exemplo de crença na ressurreição. Não seria costume dos crentes em Cristo, senão Paulo o teria apontado nessa carta, e censurado como explicitamente fez com as práticas erradas daquela igreja. Essa explicação pode ser viável, mas nos parece muito improvável que Paulo fosse procurar um exemplo de fé na ressurreição entre os incrédulos.

A chave para uma correta interpretação do versículo consiste em compreender corretamente o significado do batismo, quem é ou são o(s) “morto(s)” nesse texto, e o que vem a ser “batizam-se pelo(s) morto(s)”.

O batismo: é uma declaração de fé, feita como testemunho público por quem se converteu a Cristo, simbolizando a morte voluntária para si mediante a imersão na água (um sepultamento, como Cristo foi sepultado depois de morrer na cruz) e a sua ressurreição para a nova vida em Cristo ao sair da água (como Cristo ressuscitou no terceiro dia), conforme Romanos 6:2-6. Mediante o batismo, o crente se identifica com Cristo. Verifica-se a incoerência do batismo de bebês, a falta do correto simbolismo no batismo por aspersão, e a inutilidade do batismo em água para a salvação da alma, para receber o Espírito Santo e outros benefícios que Lhe são atribuídos indevidamente.

O(s) morto(s): literalmente pode se referir ao Senhor Jesus, ou aos crentes que ainda estão fisicamente mortos.

O batismo “pelo(s)” ou “para (os) morto(s)”: o original grego “hoi baptizomenoi huper tōn nekrōn”, traduzido por Almeida como “os que se batizam pelos mortos” contém as palavras “huper tōn” (contraídas em “pelos” na tradução para o português) das quais “huper” tem vários significados, o primário sendo “sobre”, do qual derivam “acima”, “além”, “através”, “por”, “ao invés de”, “em lugar de”, “relativo a” etc. Também “ton nekron” pode ser singular ou plural, e no singular seria “o morto”. Pode, portanto, ter traduções diferentes e outros tantos significados. Não é de se surpreender que haja tantas explicações para o versículo!

Em todo este capítulo o tema principal é a ressurreição, e seria para admirar se este versículo não coubesse perfeitamente neste tema. Seria ainda pior se introduzisse um assunto alheio a todo o ensinamento bíblico, como o de fazer-se batizar em benefício de outra pessoa, esteja ela viva ou morta. Se assim fosse, sem dúvida o Espírito Santo nos teria fornecido algum ensino sobre tal doutrina. Mas, ao contrário, o versículo faz referência a algo que é do conhecimento não só da igreja de Corinto, mas deve também ser de todos os que conhecem e praticam os ensinos das Escrituras.

O versículo começa com as palavras “de outra maneira”, ou melhor, “se isso não fosse verdade”, e passa então a demonstrar como a realidade da ressurreição é de suprema importância para o cristão. Muitas explicações dadas pelos teólogos podem assim ser eliminadas e vamos nos limitar às duas que mais provavelmente nos dão a correta interpretação:

Quando esta carta à igreja de Corinto foi escrita, os cristãos eram perseguidos em vários lugares, e em consequência muitos escondiam a sua fé e não se batizavam. Os membros das igrejas eram perseguidos e martirizados, abrindo “brechas” no rol dos seus membros e motivando os que ficavam às escondidas a se exporem mediante o batismo, para assumir o lugar dos mortos e também sujeitar-se ao alto risco de martírio. Eles literalmente se batizavam “em lugar dos mortos”. Se não houvesse a fé na ressurreição dos mortos, esta seria uma atitude muito temerária, se não suicida.

Todos os pecadores “morrem” ao se converter, pois espiritualmente “morrem para si para viver em Cristo” (o batismo pela água é símbolo desse batismo espiritual). Leiam Colossenses 2:12 e Romanos 6:2-11. A doutrina do batismo já tinha sido estabelecida e fora claramente aceita pelos membros da igreja de Corinto a quem foi dirigida essa carta (1 Coríntios 1:13-17). Se a ressurreição física exposta nos versículos anteriores não fosse verdade, seria necessário também rejeitar a doutrina do batismo, pois todo crente é batizado "sobre” ou “através” do “Morto” que é o Senhor Jesus.

Esta segunda interpretação tem aplicação universal enquanto a primeira é limitada a alguns crentes em situação especial em tempos de grande perseguição. Em qualquer caso, o batismo em água não teria significado algum se Cristo não tivesse ressuscitado e, portanto, não houvesse uma ressurreição física para o crente além da espiritual. Demonstra como a realidade da ressurreição física de Cristo é vital para o Evangelho.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O bom samaritano

É muito importante notar a ocasião do cumprimento da profecia indicada nesta passagem, porque a citação deste versículo feita por Pedro em Atos 2:16-21 no dia de Pentecostes deu margem para uma interpretação incorreta por algumas pessoas. Esta profecia foi usada por Pedro em sua resposta aos cínicos

Lucas 10:30-37

        

Muitos vão dizer que estão indo muito bem nesta prática e têm ajudado aqueles que estão necessitados. Mas será que estamos mesmo tão bem assim?

Quando Jesus andou aqui na terra, como homem, Ele Se deparou com várias situações onde teve que mostrar amor. Uma delas foi quando a pecadora veio à casa de Simão e chorando lavou os Seus pés com as próprias lágrimas. Depois os enxugou com o seu cabelo e finalizou com unção de bálsamo. Muitos que estavam ali não olharam aquele ato com bons olhos porque ela era uma pecadora (Lucas 7:36-48).

Numa outra situação, Jesus foi confrontado pelos líderes judaicos com a responsabilidade de julgar uma mulher pega em adultério conforme a Lei de Moisés: “E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando” (João 8:3-4). Na verdade o que temos aqui não é uma questão de adultério e sim o de ter algo para condenar o Senhor Jesus. Porém, gostaria de destacar a resposta do Senhor para os acusadores: “E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (João 8:7). Por que ninguém atirou? O próprio Senhor nos dá a resposta no Sermão do Monte: “Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7:1-2). Somos tendenciosos ao julgar as outras pessoas, mas não gostamos quando somos confrontados com algo contra a nossa própria pessoa, não é verdade?

Tiago, em sua carta, nos leva a ter cuidado com os nossos julgamentos, pois todos nós somos iguais perante Deus: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (Tiago 2:1). Ao continuar lendo o texto descobrimos que Tiago revela que devemos amar o próximo: “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis” (Tiago 2:8). Já no capítulo 3 ele nos mostra como podemos fazer isso, o problema é que temos falhado muito neste ponto. Fica claro que mesmo falhando em um ponto somos culpados de todos: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tiago 3:2).

A língua é o nosso maior vilão.  Veja só o que está escrito em Provérbios: “O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios tem perturbação” (Provérbios 13:3). A língua é uma arma que tanto destrói para quem apontamos como para quem a usa, temos que ter muito cuidado com ela.

Antes de continuarmos, é extremante importante entender algo sobre a questão da língua. Além de ser um órgão do corpo, ela também é responsável pela fala. O Senhor deixou claro: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mateus 12:34). Será que tanto o Senhor como Tiago falam literalmente? Creio que eles falavam do meio de comunicação em geral. Isso fica claro nos dias atuais, principalmente com o uso cada vez mais frequente do aplicativo WhatsApp para se comunicar. A quantidade de irmãos que tem soltado o verbo contra o outro, nesse e em outros aplicativos, não é brincadeira.

A maioria das discussões e polêmicas que surgem nas redes sociais seria quebrada se levássemos mais a sério a questão da língua e, principalmente, se agíssemos como o Senhor no caso da mulher adúltera. Ele não a julgou pelo que ela tinha feito, mas a perdoou. Pedro quando perguntou ao Senhor quantas vezes deveria perdoar, Jesus respondeu: “Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:22). O apóstolo João, por sua vez, diz em sua carta: “Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1 João 4:20). Amar é perdoar! Isso nos leva à famosa oração do Pai Nosso que gostamos tanto de citar: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12). Como podemos dizer que amamos o próximo se não estamos prontos para perdoar?

Outra forma de agirmos é como Cristo quando teve Seus pés lavados pela pecadora. Ele não olhou para sua vida cheia de pecado, mas olhou para o grande ato de amor que ela teve ao lavar os Seus pés. Lembra-se do versículo em Provérbios? Aquele que não cuida da sua própria língua, ela o destruirá. Foi exatamente o que aconteceu com Simão. Ele quis condenar a mulher pelos seus pecados, não olhando os seus. Jesus então lhe mostrou o que ela tinha feito para ser perdoada diante do que ele tinha feito.

O apóstolo Paulo, anos depois, acrescenta às palavras do Senhor dizendo aos coríntios: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice” (1 Coríntios 11:28), deixando claro que antes de irmos até o Senhor devemos nos examinar. Foi isso que o Senhor disse: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta” (Mateus 5:23-24). Paulo continua mostrando a causa da nossa falta de olhar para nós mesmos: “Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem” (1 Coríntios 11:30). Veja como é importante olharmos para dentro de nós antes de julgarmos alguém. Quando fizermos isso agiremos como o Senhor que não julgou quem aquela mulher era e sim o que ela estava fazendo. “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Coríntios 11:31-32).

Irmãos, o primeiro princípio de amar o próximo é ter cuidado com as palavras: Tiago conclui: “Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também as naus que, sendo tão grandes e levadas por impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro e se gloria de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia” (Tiago 3:3-5). Quando fazemos isso estamos então procurando realmente amar o próximo. Pense nisso!

autor: Jonathan M. Watson.
Fatos & Relatos

O descanso de Deus

O “Dia do Senhor” mencionado aqui aparece em muitos lugares na Bíblia, também chamado o “dia da ira” entre outros nomes, e começa cronologicamente com o último período dos tempos dos gentios, o último dos setenta e setes anunciados por Gabriel a Daniel em sua visão (Daniel 9:27). Vem após o que é, a

Hebreus 4:1-13

Em seguida à ilustração anterior sobre “a disciplina de Deus”, somos advertidos a cuidar caso alguém entre nós tenha falhado em alcançar a promessa do descanso de Deus, pois ela continua em vigor, não tendo sido ainda totalmente cumprida. Ouvimos o Evangelho assim como os israelitas no deserto ouviram as boas novas sobre a terra prometida. Mas somente ouvir não trouxe proveito a eles, nem o trará a nós: é também preciso crer na Palavra de Deus. Todos os que se declaram cristãos devem assegurar-se que não estão falhando em atingir o objetivo de ter fé. Se a sua profissão de fé não for genuína, correm o perigo de se afastar e aderir a algum sistema religioso ou profano que não o pode salvar.

O conceito central deste texto é o descanso de Deus, e se não for compreendido, a interpretação do presente capítulo torna-se um campo minado, carregado de explosivos teológicos escondidos em quase todos os versículos. As interpretações deste conceito têm sido quase tão variadas quanto as passagens de advertência, tanto que a interpretação destas últimas geralmente tem determinado a do próprio conceito. Antes de apresentar os vários pontos de vista, será útil coletar e resumir os fatos sobre o descanso de Deus que podem ser inferidos deste texto:

  1. O substantivo katapausis, "descanso", é empregado em sete versículos (3:11-18; 4:1,3,5,10-11) e o verbo katapauō, “descansar”, em três (4:4,8-10).  Uma terceira palavra a eles relacionada, sabbatismos, "celebração do sábado", é usada uma vez (4:9), sendo esta a sua única aparição no Novo Testamento (reconhecida pela primeira vez na literatura grega antiga). Estas três palavras são empregadas neste livro em relação a um único conceito: o do descanso de Deus.
  2. É o descanso de Deus, porque três vezes neste texto Deus o chama de "Meu descanso" (3:11; 4:3-5). Este é o descanso prototípico de Deus em que Ele tem permanecido desde que cessou o Seu trabalho da criação do mundo (Gênesis 2:2). Esse descanso está disponível e é oferecido aos crentes.
  3. O descanso de Deus foi em parte dado aos israelitas quando entraram na terra prometida; no entanto, compreende muito mais (4:7-8).
  4. O descanso de Deus ainda continua disponível mediante a fé em Cristo, e é algo a ser gozado no presente e em antecipação do futuro (4:1-11).
  5. Essa disponibilidade termina para os que ouvem a pregação do Evangelho de Cristo, mas não creem (4:2), assim como foi negada à geração dos israelitas do Êxodo, por causa da sua incredulidade (Hebreus 3:19). 

Existem quatro interpretações principais para o que se entende por “entrada no descanso de Deus”:

1. O gozo da Terra. É o conceito de katapausis, "descanso", com base na promessa para a geração do Êxodo, representada pela sua entrada em Canaã, onde Israel iria gozar de repouso e segurança contra os seus inimigos (Deuteronômio 12:9-10). Esta interpretação corresponde apenas a uma parte do que se entende por “descanso de Deus”. Josué proporcionou uma parte, e este descanso não se esgotou com ele, mas estava ainda disponível nos tempos de Davi (4:7-8), e ainda está disponível agora, porque nunca foi totalmente cumprida. O propósito deste livro aos Hebreus é incentivar os crentes judeus a entrar na plenitude do descanso. Embora já desfrutando da sua cidadania na terra, ainda não entraram no pleno descanso de Deus.

2. O gozo do céu. A evidência fornecida para esta interpretação é que Hebreus indica que o gozo do descanso é ainda futuro (4:1-11). Alguma evidência adicional é que existe uma associação entre os conceitos de descanso e a experiência do céu, conforme descrito em Apocalipse 14:13. Embora não se possa discordar com a observação quanto ao aspecto futuro de descanso em que se baseia este ponto de vista, esta visão é deficiente porque deixa de incluir o contexto do Antigo Testamento especificamente judaico da passagem.

3. O gozo da vida espiritual, ou "descanso pela fé”. A base para este entendimento é que o descanso de Deus é algo de que nós que cremos atualmente já podemos desfrutar através da fé (eiserchometha é o presente indicativo médio e deve ser entendido como "estamos nos causando a entrar"). O convite do Senhor Jesus para entrarmos em Seu descanso pode ser uma ideia paralela (Mateus 11:28 a 30).

4. O gozo da era messiânica (o reino de Cristo). Este texto fornece várias provas desse gozo:

  1. Tal como na segunda interpretação acima, o "gozo do céu", nos dá a ideia de uma promessa que permanece, e certamente indica a antecipação de um gozo futuro (4:1,11).
  2. O presente do indicativo médio de eiserchometha em (4:3) pode ser entendido como um presente futurista como encontramos em Mateus 17:11, João 14:3 e 1 Coríntios 16:5.
  3. Embora a ideia de descanso não seja limitada ao usufruto da terra, também não deveria ser completamente desassociado dele.
  4. Como o Salmo 95 é frequentemente classificado com um “salmo de entronização”, cujo conteúdo se interpreta como profecia da era messiânica, segue-se que o descanso de Deus também deve ser entendido nesse sentido.
  5. Há uma forte ligação na tradição judaica entre a era do reino messiânico e o conceito da celebração do Sábado (sabbatismos, 4:9). Uma oração de Shabat tradicional de longa data diz, "possa o Todo Misericordioso nos deixar herdar o dia que será inteiramente um sábado e o descanso da vida eterna". Com efeito, o próprio Velho Testamento associa a era messiânica com descanso (Salmo 132:12-14, Isaías 11:10, 14:3, 32:18).

Cada uma destas quatro interpretações são viáveis, mas limitadas. Contudo, se as juntarmos, encontraremos a seguinte definição concisa do que vem a ser o “descanso de Deus”: Para todo ser humano, o descanso prometido por Deus consiste em um estado de paz com Deus e com os homens, na terra e no céu. Corresponde à posição atual do crente em seu relacionamento com Deus e subsequente gozo pelo acesso contínuo à Sua presença e todos os benefícios associados, como recompensa, ajuda, bênção e proteção divina.

Em suma, existem quatro estágios temporais do descanso de Deus:

  1. O aspecto eterno, protótipo, que é de Deus após a cessação dos Seus trabalhos criativos no sétimo dia de descanso (4:4,10). Ele continua a desfrutar o descanso, e serve como a fonte dos três outros aspectos disponíveis do descanso.
  1. O aspecto histórico, que é o descanso associado com o gozo de Israel na terra da promessa (3:11,18,19, também Deuteronômio 3:20, 12:9, 25:19, Josué 11:23, 21:44, 22:4, 23:1).
  1. O aspecto contemporâneo, que é a atual relação de intimidade profunda e constante, e de bênção que está disponível para todos os crentes desfrutarem de um estilo de vida de fé e descanso espiritual.
  1. O aspecto futuro, que é a era messiânica quando nós os crentes participaremos do reinado universal do Messias a partir da terra de Israel (Romanos 5:17, 2 Timóteo 2:12, Apocalipse 5:10, 20:6, 22:5).

Concluímos assim que resta um descanso para o povo de Deus. Este é o descanso eterno, que será gozado por todos os que fomos redimidos pelo precioso sangue de Cristo. É um "sábado" que nunca vai acabar.

Quem entra no descanso de Deus goza de uma cessação de trabalho, assim como Deus fez no sétimo dia depois da criação. Antes de sermos salvos, podemos ter tentado trabalhar para nossa salvação. Quando percebemos que Cristo terminou o trabalho no Calvário, abandonamos nossos próprios esforços inúteis e confiamos no Redentor ressuscitado.

Depois da salvação, assumimos a tarefa de nos dedicarmos ao serviço amoroso por Aquele que nos amou e Se entregou por nós. Nossas boas obras são o fruto do Espírito Santo em nós. Muitas vezes nos gastamos em Seu serviço, embora nunca nos cansemos dele. No descanso eterno de Deus, deixaremos os nossos trabalhos aqui. Isso não significa que estaremos inativos no céu ou na terra por toda a eternidade. Vamos ainda adorar e servi-Lo, mas não haverá nenhuma fadiga, angústia, perseguição ou aflição.

Embora o descanso de Deus ainda esteja disponível, é necessário diligenciar a fim de entrar nele. É preciso empenho para ter certeza de que nossa única esperança é de fato Cristo, o Senhor. Devemos diligentemente resistir a qualquer tentação para meramente professar a fé n’Ele, e em seguida renunciá-lo no calor do sofrimento e perseguição.

Os israelitas adultos que saíram do Egito foram descuidados. Trataram as promessas de Deus com leviandade. Ansiavam pelo Egito, a terra da sua servidão. Não foram diligentes em apropriar-se das promessas de Deus pela fé. Como resultado, nunca chegaram a Canaã. Devíamos ser alertados pelo seu exemplo, pois essa incredulidade nunca deixará de se revelar:

1) É primeiro detectada pela palavra de Deus. A palavra de Deus é:

  • Viva – sempre ativa.
  • Eficaz – produz o resultado pretendido.
  • Cortante – manifesta-se de maneira lancinante.
  • Penetra até a divisão de alma e espírito – para nós não é fácil distinguir entre essas partes imateriais do ser humano.
  • Penetra entre juntas e medulas – são as articulações, permitindo os movimentos para fora, e a medula, escondida, mas vital para os ossos.
  • Discernidora – discrimina e julga no que respeita os pensamentos e intenções do coração. É a palavra que nos julga, nós não a julgamos.

2) A incredulidade é tornada patente também pelo Senhor vivo. Aqui o pronome muda do impessoal para o pessoal. E não há nenhuma criatura escondida da Sua vista. Nada escapa à Sua atenção. Ele é absolutamente onisciente, constantemente ciente de tudo o que está acontecendo no universo. Obviamente, o ponto importante no contexto é que Ele sabe onde não há fé real e onde há apenas um assentimento intelectual aos fatos.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O dom de socorros

Dentro da nossa igreja local sempre aparecem oportunidades de apoiar trabalhos desenvolvidos por outros que se encontram à sua testa, e que muitas vezes se afadigam em sua tarefa, sem desejarem “incomodar” outros irmãos para ajudarem a carregar o seu fardo. Precisam de socorro, mas não querem pedir.

O que vem a ser e como reconhecer o dom de “socorros”?


Dois dons: o de socorros e o de governos mencionados em 1 Coríntios 12:28, têm duas características em comum: a) não são repetidos, precedidos da pergunta “são todos?”, como os demais nos versículos 29 e 30, e b) são os únicos dois de toda a lista, exceção feita aos mestres, que sobrevivem até hoje.

A palavra socorros é a tradução do vocábulo grego antilambanomai, que significa “segurar com as mãos” e aparece uma única vez em todo o Novo Testamento. Tradicionalmente tem se entendido que se refere à função do diaconato numa igreja local, bem como à ajuda aos pobres e enfermos. Falta, no entanto, uma base bíblica para essa limitação, e uma função dentro de uma igreja nem sempre corresponde a um dom espiritual.

No Velho Testamento encontramos muitas vezes a palavra socorro e outras dela derivadas, quase sempre com referência a algo provindo de Deus, como vemos nos seguintes exemplos:

• Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações (Salmo 46:1).

• Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem (Salmos 60:11 e 108:12).

• Nosso socorro está em o nome do SENHOR, criador do céu e da terra (Salmo 124:8).

Prestar socorro é evidentemente uma característica de Deus, incomparavelmente superior à capacidade de qualquer ser humano em prestar ajuda ao seu semelhante.

Deus estabelece socorros na igreja: são pessoas especialmente dotadas para “segurar com as mãos” o que está em risco de cair. Impelidas pelo poder de Deus elas agem em apoio dos outros membros e das atividades da igreja, a fim de que não se desanimem nem desvaneçam os seus esforços. O seu campo de atuação é vasto, mas exige certas características:

• Plena consciência da sua função - Quem auxilia não concorre para substituir ao que está auxiliando, mas seu objetivo é sustentá-lo ou colocá-lo de pé novamente para que continue a desenvolver o seu trabalho. Deus não faz o trabalho dos Seus servos.

 • Humildade - Deve ser a característica de todo o crente, mas especialmente de quem presta socorro. Ele é um servidor (diácono em grego) de outros irmãos, que talvez estejam à testa de algum trabalho. Ele não deve esperar que o seu nome ou o seu trabalho seja “glorificado”, pois geralmente está na retaguarda e pouco aparece.

• Dependência e obediência à vontade de Deus - Para que Deus o possa usar nessa tão nobre função é essencial que esse servo esteja em perfeita comunhão com Ele: aprendendo e cumprindo a Sua Palavra, mantendo suas mãos e coração limpos, e sempre que possível tendo paz e comunhão com os seus irmãos na fé.

Temos todos o dom de socorro? Significativamente ele não foi citado entre aqueles precedidos da pergunta “são todos?” cuja resposta é “não”, mas foi pulado junto com o de governos. Isso me diz que todos temos o potencial para exercer esse dom, desde que adquiramos aquelas características que, aliás, devem ser de todo o crente.

Se assim é, porque não o exercitamos? O apóstolo Paulo exortou a Timóteo que não se fizesse negligente para com o dom que havia nele, e mais tarde, que reavivasse o dom de Deus que havia nele (1 Tim. 4:14, 2 Tim. 1:6). Se negligenciarmos o dom que há em nós, ele se amortecerá, e perderemos oportunidades para servirmos à igreja e de ganhar o nosso galardão no tribunal de Cristo.

Dentro da nossa igreja local sempre aparecem oportunidades de apoiar trabalhos desenvolvidos por outros que se encontram à sua testa, e que muitas vezes se afadigam em sua tarefa, sem desejarem “incomodar” outros irmãos para ajudarem a carregar o seu fardo. Precisam de socorro, mas não querem pedir. Estamos sempre atentos para essas oportunidades, ou esperamos primeiro ser solicitados e, mesmo assim, só aderimos se nos for oferecida alguma compensação ou posição de honra? Essa é uma atitude “do mundo” e certamente não é espiritual.

Em uma situação semelhante, na Seara do Senhor encontramos aqueles que, como o apóstolo Paulo, saem para espalhar a semente e outros, como Apolo, que vão regá-la a fim de que Deus lhes dê o crescimento. Estes estão na vanguarda do seu trabalho. Mas todos precisam de socorro humano de tempos em tempos: nas enfermidades, em ocasiões de grande pressão, precisam de quem esteja disponível e possa ir até o seu lugar de trabalho para segurá-lo em suas mãos. Mesmo até para dar-lhes a oportunidade de voltarem às suas famílias e renovarem seu relacionamento com a igreja de origem, por um tempo.

Podemos dizer: Deus proverá, e também estou certo disso. A provisão de Deus vem na forma daqueles que Deus estabelece para isso, seus servos que são chamados e estão dispostos ao trabalho de socorro. Estamos atentos ao chamado de Deus, para aproveitarmos as oportunidades? Às vezes encontramos entre as cartas que vêm para nossa redação o clamor de um ou outro obreiro para que alguém venha em seu socorro. Ficamos felizes quando sabemos que o pedido foi atendido, mas sentimos que muito mais poderia ser feito neste setor da obra.

Sem dúvida há irmãos ocupados na maioria do tempo com atividades seculares, mas que gostariam de servir ao Senhor como socorro em seus períodos de férias, por exemplo, em outros locais. De nossa parte, poderíamos ser úteis provendo aconselhamento e os meios de comunicação a fim de que esse serviço possa ser prestado onde nos parece ser mais necessário dentro do nosso conhecimento, e mais apropriado para esses irmãos.

Cremos que nisso estaremos agindo conforme a vontade do Senhor, e pedimos as orações dos irmãos para que Ele nos indique o melhor caminho a seguir, e que aqueles que se sentirem movidos a fazer uso dessa oportunidade de trabalho entrem em contato conosco para que possamos coordenar os nossos esforços da melhor maneira possível.

Ao concluir, lembremos que irmãos que fizeram uso desse dom foram honrosamente lembrados pelo apóstolo Paulo em suas epístolas: Febe, Priscila e Áquila, Urbano, a mãe de Rufo, Timóteo, Tércio (Romanos 16.1-22), Epafrodito (Filipenses 2.30), entre muitos outros.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O estado da alma entre a morte e a ressurreição

Ao morrer: 1. Todos os que tiverem feito o bem, todos os que ouviram e aceitaram o Evangelho, vão em espírito para um lugar de conforto na presença do Senhor Jesus Cristo, no céu, e oportunamente serão ressuscitados primeiro para reinar com Ele. 2. Todos os que tiverem praticado o mal, não se arre

O ateu, materialista e humanista diz para si e quer persuadir os outros que a morte é um ponto final para a vida. Ou seja, com a morte o ser humano deixa de existir, assim como a luz de uma vela desaparece quando se apaga a chama. Como que instintivamente, sentimos que isto não pode ser verdade. Continuamos a existir mesmo depois que todo o nosso corpo deixa de funcionar e morre.

A Bíblia nos fornece a resposta claramente, da parte do nosso Criador que é a maior Autoridade a respeito disso: “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo” (Hebreus 9:27). Cada um de nós, que estamos vivos, vamos morrer uma única vez, mas vamos continuar conscientes porque haverá um julgamento e depois uma sentença a cumprir. Logo, a teoria do “ponto final” é falsa, bem como as teorias da reencarnação.

A respeito do julgamento e juízo que vêm depois da morte, a Bíblia nos informa que ocorrerão ainda no futuro, quando todos os mortos comparecerão, ressuscitados, diante de Deus para o julgamento final (Apocalipse 20:12).

Este é o plano básico. Mas dentro dele existe uma ressurreição destinada apenas para os “eleitos” de Deus: esta foi precedida pela ressurreição já realizada do Seu Filho, Jesus Cristo, designada como “as primícias”, sendo ela a evidência que nos garante a realidade da vida depois da morte, seguida pelos que são de Cristo, na Sua vinda para buscar a Sua igreja (1 Coríntios 15:23, 1 Tessalonicenses 4:16).

Em preparação para o reino milenar de Jesus Cristo no mundo, haverá também a ressurreição dos demais santos: os do Velho Testamento (Isaías 26:19, Daniel 12:2), e os que morrerem durante o domínio da besta, durante a grande tribulação (Apocalipse 20:5). Com isto se conclui a primeira ressurreição. Os santos de todos os tempos, até então, viverão e reinarão com Cristo durante o milênio.

Para todos, salvo os transladados ainda em vida da terra para o céu, sem passar pela morte, como Enoque (Gênesis 5:24) e Elias (2 Reis 2:1), haverá um intervalo entre a morte e a ressurreição e existe curiosidade, bem como diferentes teorias, sobre qual será o estado da alma durante esse período. Vamos então estudar o que a Bíblia nos ensina a respeito dele.

Cada ser humano tem três partes distintas: o corpo, a alma e o espírito. Na morte física, o corpo torna à terra e ao pó, porque dela foi tomado (Gênesis 3:19), mas o espírito volta a Deus, que o deu (Eclesiastes 12:7). É difícil distinguir a alma do espírito, e os dois permanecem juntos. Quando, portanto, falamos da alma está incluído o espírito, e vice-versa.

A Bíblia informa que, quando o corpo morre, nem a alma nem o espírito ficam pairando no espaço, mas vão para lugares definidos. São dois lugares descritos pelo próprio Senhor Jesus em Lucas 16:19 a 31. Neste exemplo um homem foi levado para o “seio de Abraão” onde foi confortado pelos sofrimentos físicos e morais havidos na terra, e o outro foi para um lugar inferior, de tormentos, no hades. Entendemos assim que ambos estavam no hades, pois é o grego equivalente do hebraico sheol, o lugar mencionado no Velho Testamento como destino da alma depois da morte, mas em dois níveis diferentes: havia entre os dois um grande abismo, de forma que era impossível passar de um nível para o outro. Os dois homens estavam em plena consciência, mas tendo experiências opostas, um de conforto e o outro de tormento.

Quando entregou o Seu espírito a Deus, Jesus Cristo também desceu ao hades (Atos 2:27) juntamente com o assaltante convertido crucificado com Ele, para o “paraíso” (Lucas 23:43). Entendemos assim que o “paraíso”, e o “seio de Abraão”, são o mesmo lugar superior no hades.

Até esse ponto, então, as almas só desciam para dois lugares no hades, um acima do outro, havendo entre os dois um abismo e não existindo qualquer meio de transferência entre um e outro, embora pudessem se ver e se comunicar.

Três dias e três noites depois de descer, o Senhor Jesus voltou em espírito novamente ao Seu corpo que, não tendo se corrompido durante esse tempo, Ele transformou em algo espiritual e glorioso, com propriedades não existentes anteriormente quando era mortal. Durante um período de quarenta dias Ele apareceu a centenas de testemunhas, entre as quais os Seus apóstolos e discípulos, e depois ascendeu visivelmente (até passar por nuvens) ao céu para tomar o Seu lugar à destra de Deus. Ali Ele está até hoje.

Lendo mais adiante, somos informados que ao morrer, os que são salvos pela fé sobem imediatamente para a presença de Cristo, no céu (2 Coríntios 5:8, Filipenses 1:23). Aprendemos também que o “paraíso” agora está em cima, haja vista a singular experiência de um homem, citada por Paulo, que foi arrebatado até lá (2 Coríntios 12:4). Esta palavra “paraíso” aparece novamente na carta que, numa visão, o Senhor Jesus mandou João escrever destinada às “igrejas” (Apocalipse 2:7) – a árvore da vida agora está no “paraíso”, e ao vencedor na carreira da fé será dado comer dela.

Nada há que indique que a Bíblia fala de dois “paraísos” diferentes, e que os santos do Velho Testamento tenham ficado, com Abraão, presos no do hades. Lemos em Efésios 4:8... “Por isso foi dito: Subindo ao alto, (Cristo) levou cativo o cativeiro”. É uma citação do Salmo 68:18, pela qual entendemos que a multidão de crentes do Velho Testamento contida no “paraíso” foi levada com Ele ao ascender ao céu, como cativos voluntários do poder do SENHOR: assim como os conquistadores da antiguidade voltavam trazendo nações inteiras ao cativeiro, o Senhor Jesus levou do território inimigo esses troféus acumulados na multidão de homens e mulheres fiéis ao SENHOR.

Ao julgamento final, portanto, comparecerão os que passarem pela segunda ressurreição, todos que estiverem esperando no lugar inferior do hades, desde o início da humanidade. Estarão aqui também os que morreram desde o fim do período da tribulação, durante o milênio e na batalha final: enfim, todos os que não foram justificados em Cristo.

Resumindo:

Todos os que tiverem feito o bem, todos os que ouviram e aceitaram o Evangelho, tendo crido em Deus o criador de todas as coisas, e na obra redentora do Seu Filho, Jesus Cristo, têm vida eterna e não entram em juízo no julgamento final (João 5:24, 28). Ao morrer, agora vão em espírito para um lugar de conforto na presença do Senhor Jesus Cristo, no céu, e oportunamente serão ressuscitados primeiro para reinar com Ele.

Todos os que tiverem praticado o mal, não se arrependeram e rejeitaram o Evangelho de Cristo, depois de morrer irão para o lugar de tormento no hades, também chamado inferno, onde permanecerão até a segunda ressurreição, para comparecerem ao julgamento final, em corpo, alma e espírito, quando então serão condenados e lançados no “lago de fogo” por toda a eternidade. O lago de fogo é chamado de “segunda morte” (Apocalipse 2:11), que o Senhor Jesus denominou “trevas exteriores”, referindo-se à separação permanente, eterna e absoluta da presença de Deus.

Não existe qualquer possibilidade de se encaixar uma heresia como um "sono da alma", um estado intermediário para uma segunda oportunidade, um purgatório, ou uma simples aniquilação no relato íntegro e completo que encontramos na Bíblia.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O estigma de Gamaliel

“Gamaliel foi o primeiro dos sete rabãs e mais tarde presidente do sinédrio, tal o apreço que gozava. Sem dúvida a recomendação que fez quanto ao tratamento dos apóstolos era politicamente conveniente para ele naquela ocasião, ao enfrentar os saduceus. O argumento se baseava na experiência tida nos

As únicas referências que encontramos acerca desse membro da seita dos fariseus estão em Atos 5:34 e 22:3. Entre os cristãos ele tornou-se célebre pelo fato da sua oportuna intervenção junto ao sinédrio que evitou que os apóstolos do Senhor fossem mortos prematuramente. Por sua vez, entre os Judeus, ele era considerado um “rabã”, ou seja, um mestre acima de um rabino, em reconhecimento ao conhecimento escriturístico que possuía.

Conforme comentado pelo irmão Ricardo David Jones, “Gamaliel foi o primeiro dos sete rabãs e mais tarde presidente do sinédrio, tal o apreço que gozava. Sem dúvida a recomendação que fez quanto ao tratamento dos apóstolos era politicamente conveniente para ele naquela ocasião, ao enfrentar os saduceus. O argumento se baseava na experiência tida nos dois casos de subversão mencionados em Atos 5:36-37, e ele colocou Deus no meio para dar-lhe mais força”. Assim como foi “conveniente” para Gamaliel, esse mesmo pronunciamento tem sido usado por muitos para justificar iniciativas que não têm respaldo na Palavra de Deus. Logo, esse parecer tornou-se um lamentável estigma.

Figurativamente, estigma significa aquilo que “marca”, que “assinala”. A grande verdade é que aqueles que passaram a se respaldar no parecer de Gamaliel, em sua maioria, transformaram esse conselho em um “sinal” da parte de Deus para gerarem algo por vezes infamante, vergonhoso ou herético. Criaram os maiores absurdos sob a “marca” de que se aquilo que estavam propondo não estivesse vindo da parte de Deus certamente sucumbiria e isso é totalmente falso, pois, se assim fosse, não teríamos esse mar de “igrejas apóstatas” e “seitas” em nome de Cristo.

Gamaliel pode até ter sido usado pelo Senhor para que os Seus apóstolos fossem poupados da morte intempestiva, mesmo porque Deus pode usar até os ímpios para que os Seus soberanos propósitos se cumpram. Todavia a história não revela que Gamaliel tenha se convertido ao Senhor, apesar de certamente ter ficado extremamente impressionado com o testemunho de Jesus. Muitos em nossos dias, dentro das próprias igrejas, encontram-se na mesma situação, ou seja, influenciados, mas não convertidos; iluminados, porém sem experimentarem a verdadeira regeneração espiritual.

Tenho observado que, com certa constância, avoca-se o parecer de Gamaliel para justificar determinadas atitudes ou projetos que surgem a fim de garantir que a novidade lançada veio do coração de Deus: Se esta obra vem dos homens perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los (Atos 5:38-39), apesar de saberem que o conselho de Gamaliel serviu exclusivamente para a libertação dos servos de Deus, naquele momento, pois a perseguição à Igreja prosseguiu feroz inclusive com a participação de Saulo, um dos seus alunos, por certo o melhor, que consentia na morte de Estevão (Atos 8:1), e daí para frente levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém e todos os crentes foram dispersos com exceção dos apóstolos.

Na medida que se estigmatiza esse pronunciamento, tornando-o como se uma prova fosse da concordância de Deus para determinadas realizações, é o mesmo que dizer-se que o Senhor sempre age dessa maneira para conduzir os propósitos para a Sua Igreja e sabemos que isso não é verdadeiro, pois muitas instituições religiosas e entidades dominantes surgiram sob a sombra dessa marca: se isto não tivesse vindo de Deus, não teria subsistido. Houve muitos que se enriqueceram ou satisfizeram as suas vaidades egóicas na busca do poder temporal, sob a fachada de um rótulo que na verdade mascara as suas verdadeiras intenções, e muitos ainda surgirão até a vinda do nosso Amado Redentor para buscar a Sua Igreja que por certo aqui encontrará, naquele glorioso dia, somente um pequeno remanescente, porém fiel, daqueles que não se iludiram com as artimanhas do inimigo das nossas almas e com os estigmas criados pelos homens para se aproveitarem da boa fé daqueles que verdadeiramente têm a Jesus como o absoluto Senhor das suas vidas. É uma pena que muitos têm se deixado levar por esses modismos.

Existe uma tradição histórica (preservada por Clemente de Alexandria e por Eusébio) que Jesus teria recomendado aos Seus apóstolos que permanecessem em Jerusalém por um período de 12 anos para que os judeus não tivessem a desculpa de alegarem que nunca ouviram acerca de Cristo e terminado esse prazo os apóstolos sairiam pelo mundo levando para os povos e nações gentílicas as Boas Novas da Salvação. Partindo-se do pressuposto que aquela igreja local permaneceu ali reunida ao longo desse tempo, vemos que o propósito de Deus começou a se cumprir não por causa do parecer de Gamaliel, mas mediante os Seus supremos desígnios. Ele permitiu a feroz perseguição contra os milhares de crentes que se reuniam em Jerusalém para que, dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria (Atos 8:2) levassem, por causa da fé que possuíam, o Evangelho aonde quer que fossem e alguns deles chegaram à cidade de Antioquia, na Síria, quando foram chamados de “cristãos” (Atos 11:26).
Essa ocorrência com a igreja primitiva se contrapõe ao pensamento daqueles que defendem um modelo institucionalizante para as igrejas locais. Segundo R. H. Nichols (The Growth of the Christian Church), “naquele tempo uma igreja cristã era formada em um pequeno grupo de crentes vivendo numa grande comunidade pagã. Eles se tratavam mutuamente por irmãos em Cristo e realmente agiam como irmãos e se reuniam em casas. Na igreja do primeiro século não havia credos ou declarações formais, eram independentes, com governo próprio decidindo todos os seus negócios e problemas. Insistentemente afirmavam que pertenciam à única igreja universal, pois todos eram um em Cristo, mas nenhuma organização de caráter geral exercia controle sobre as inúmeras igrejas espalhadas por toda a parte”. Isso ocorreu não por conselho de Gamaliel, mas por ser o modelo preestabelecido pelo Senhor para a Sua Igreja.

Para alguns pode parecer que essa capilaridade de igrejas locais surgida com a dispersão contrariaria a oração de Jesus que rogou para que fôssemos unidos assim como Ele era com o Pai. Estarmos unidos necessariamente não significa estarmos todos juntos em um mesmo lugar, debaixo de uma placa ou sigla, ou abrigados por uma entidade pára-eclesiástica. A nossa união é eminentemente espiritual conforme vemos claramente na Palavra de Deus e A. W. Tozer demonstrou essa preocupação ao escrever em sua série de livros sobre determinadas uniões: “Unir-se sempre e os homens serão irmãos apesar de tudo, é algo que a igreja iluminada pelo Espírito não aceita. Num mundo caído como o nosso a unidade não é um tesouro que deva ser comprado ao preço da transigência… O poder se encontra na união das coisas homogêneas e na divisão das heterogêneas. Talvez aquilo que precisamos nos círculos religiosos de hoje não seja mais união, mas uma certa divisão sábia e corajosa. Todos desejam a paz, mas pode ser que o reavivamento use a espada”. Certamente Tozer não acreditava, há mais de 40 anos atrás, que o parecer de Gamaliel fosse o divisor de águas, ou seja, a forma de sabermos se o Senhor aprovou esta ou aquela iniciativa humana.

Creio que nunca é demais lembrar os preciosos ensinos de William MacDonald em seu livro “Cristo Amou a Igreja”, onde ele demonstra com enorme inspiração divina e extrema clareza que a Igreja não depende do parecer de Gamaliel ou de uma instituição religiosa para o exercício do seu ministério. Infeliz daquele que supõe que a Igreja de Cristo depende da sabedoria humana para que os seus propósitos se cumpram aqui na terra. A Igreja sempre será poderosa, apesar dos membros que ela possui serem fracos. Ela sempre será poderosa, porque Cristo é a Cabeça espiritual da Igreja.

William MacDonald lança em seu livro uma pergunta intrigante: Que há de fazer a pessoa, depois de ter obedecido a injunção bíblica: Saí do meio deles? Ele mesmo dá a resposta propondo o seguinte plano bíblico:

• Reuni-vos em simplicidade cristã com os crentes que assim procedem.

 • Uni-vos a Cristo somente e fazei do Seu Nome o único centro de atração. Conquanto deste plano não resulte o ajuntamento de multidões, pelo menos reúne um grupo de crentes fiéis que não se deixará facilmente mover por provações e desânimos.

 • Quanto ao lugar das reuniões, uma casa serve muito bem para esse fim e as Escrituras fornecem-nos muitos exemplos disso (Rm.16:5; 1Co.16:19; Cl.4:15; Fm.2). Os que exigem edifícios esplêndidos com ricos paramentos ainda não descobriram a suficiência da Pessoa do Senhor Jesus Cristo, em Nome de Quem o Seu povo deve se reunir.

 • Não adoteis nenhum nome ou plano que exclua da comunhão qualquer verdadeiro crente.

 • Não aceites nenhuma filiação denominacional e recusai firmemente qualquer domínio ou interferência externa, que possa impedir a soberania da igreja local.

 • Resisti a tendência constante de deixar que o ministério caia nas mãos de um só homem. Deixai antes que o Espírito Santo use os diferentes dons que Cristo deu à Igreja e dai lugar à manifestação ativa do sacerdócio de todos os crentes.

 • Reunir-vos regularmente para oração, estudo da Palavra, parti do pão (Ceia do Senhor) e comunhão. Depois empenhai-vos num esforço ativo de evangelização, tanto individual como coletivamente.

 • Em suma, procurai reunir-vos como as Igrejas do Novo Testamento fazia, no verdadeiro sentido da palavra, representando fielmente o Corpo de Cristo e obedecendo aos mandamentos do Senhor.

Finalizando entendo que não menos importante é o prefácio desse livro, escrito há mais de 40 anos atrás por José R. Couto: (ipsis litteris) “Cada uma das igrejas permanece em directa comunhão com o Senhor e d’Ele recebe autoridade; assim é responsável para com Ele. Veja-se Apocalipse capítulos 2 e 3. Não lemos na Escritura que qualquer Igreja deva superintender sobre outra ou que deva existir qualquer união de Igrejas. As relações entre as Igrejas locais manifestam-se pela comunhão pessoal que reina entre os seus diversos membros" (Actos1:8). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
Fatos & Relatos

O estilo de vida espiritual superior dos crentes

A “entrada triunfal” marcou a ocasião em que o Cordeiro de Deus foi separado no décimo dia de Nisã, como os cordeiros do sacrifício. Nesse dia Ele deu mais um sinal da Sua identidade e cumpriu uma profecia, montando num jumento que nunca antes fora montado, entrando e mostrando-Se ao povo em Jerusal

Hebreus 10:19-25

 

Nós, os crentes, temos duas certezas magníficas:

1. Um "grande sacerdote" (Hebreus 4:14) supervisionando "a casa de Deus" (Hebreus 3:1-6).

O Senhor Jesus está firmemente a gerir os assuntos de Seu povo.

2. Temos “ousadia” para entrar no Santo lugar pelo sangue de Jesus.

A palavra “ousadia” no grego transmite a ideia mais robusta de "liberdade de acesso" e "transparência". A razão pela qual podemos possuir uma atitude ousada ou confiante é que possuímos acesso superior ao trono da graça de Deus (Hebreus 4:16). Não precisamos ser como os sacerdotes levitas, que somente se aproximavam do Santo dos Santos uma vez por ano, em um espírito de timidez provisória. Em vez disso, nossa abordagem deve ser caracterizada por temeridade, quando entramos diariamente na presença de Deus. Este acesso especial é algo de que os sacerdotes de Israel poderiam apenas ter sonhado, uma autorização diária ilimitada, íntima, sempre disponível para desfrutar de uma audiência pessoal com o Altíssimo. Este acesso só tornou-se possível "pelo sangue de Jesus".

Este acesso é feito por um novo e vivo caminho que o Messias inaugurou para nós. Ele próprio orientou Seus discípulos neste conceito, ensinando que Ele é exclusivamente "o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6).  Este caminho conduz diretamente através do véu do santuário celestial (Hebreus 9:3), identificado aqui como Sua carne. Tal linguagem metafórica ou tipológica é empregada para esclarecer que, como apenas uma espessa cortina conteve o acesso gratuito para a presença de Deus no tabernáculo terrestre, também na Sua encarnação o corpo humano de Jesus serviu como uma barreira à presença de Deus. Na morte de Jesus, o véu do templo foi rasgado e o acesso ao Santo dos Santos foi aberto, temporariamente (Mateus 27:51, Marcos 15:38, Lucas 23:45). O rompimento do corpo de Jesus, como o rasgar do véu, abriu o caminho para a presença de Deus, permanentemente. Jesus revelou Deus para nós.

Neste texto de Hebreus 10, encontramos três exortações, que estão ligadas às três grandes virtudes cristãs: (v. 22), esperança(v. 23) e amor (v. 24).

1. A fé para entrar na presença de Deus:

A primeira das três exortações se relaciona com a fé (v. 22), chamando os crentes para chegarem perto de Deus. Esta é exatamente a mesma palavra e tempo usados anteriormente (Hebreus 4:16), em um convite para aproximação do trono da graça. Pode-se entrar na presença de Deus com um coração sincero e em inteira certeza de fé. A frase "tendo o coração purificado da má consciência" usa linguagem ritualística, sacerdotal, para indicar a justificação e a santificação posicional que os crentes possuem através da aplicação metafórica do sangue de Cristo. "Tendo sido purificado", reflete a forma em pretérito perfeito de rhantizō, "aspergir." Isto significa que nossa salvação ocorreu no passado, mas continua em efeito, que este processo de limpeza foi feito por outrem e que nós próprios não desempenhamos nenhum papel em fazê-lo acontecer.

A frase "o corpo lavado com água limpa" tem gerado uma variedade de interpretações, entre as quais a de que se relaciona metaforicamente com o ritual sacerdotal de lavagem, e a de que se trata de uma referência ao batismo. Assim como “aspergido”, mencionado logo antes, a palavra traduzida “lavado” está também em forma de pretérito perfeito significando, em primeiro lugar, que a lavagem ocorreu em um momento anterior, mas continua em efeito, e que foi executada por outra pessoa sem nós mesmos termos desempenhado qualquer papel nela. É mais provável que seja uma alusão a uma das contribuições proféticas de Ezequiel às disposições da nova aliança, especificamente a da regeneração espiritual. Deus prometeu através do profeta “então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei." (Ezequiel 36:25).

2. A esperança em Jesus Cristo:

A segunda das exortações é com relação à esperança (v. 23), “retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança" (Hebreus 3:6,14, 4:14). O conteúdo de nossa esperança é, sem dúvida, o nosso grande Sumo Sacerdote Jesus Cristo, que nos purificou permitindo nosso acesso a Deus. O adjetivo aklinē, "inabalável", não é usado em qualquer outro lugar do Novo Testamento, aparecendo aqui para nos lembrar a permanecer firmes em nossa fé. Quando se apresentam problemas e a fé começa a titubear, para evitar a derrapagem espiritual é necessário manter-nos focalizados no Senhor Jesus, "porque fiel é aquele que fez a promessa". Podemos manter a nossa esperança porque o objeto de nossa esperança, Jesus Cristo, nunca vai nos abandonar.

3. O amor entre os irmãos:

A terceira das três exortações é em relação ao amor (v. 24). O autor chama seus leitores a considerar cuidadosamente como estimular um ao outro com amor e boas obras. Esta admoestação opõe-se à casualidade no relacionamento entre irmãos tão comum em nossos dias. Muitos de nós nos damos por satisfeitos em simplesmente arrastar nossos corpos (e os dos nossos filhos) ao recinto onde se reúne a igreja no fim de semana, sorrir agradavelmente para nossos vizinhos e suportar pacientemente o culto que se segue. Nossos pensamentos vão para longe, e custa-nos muito esforço concentrar sobre assuntos espirituais.

Mas devemos descobrir maneiras de incentivar a comunhão dos crentes em manifestar amor e empenhar-nos em boas obras. Aqui o amor não é uma emoção, mas uma atitude de ação voluntária.  Somos instruídos a amar, portanto é algo que se pode e deve fazer. O amor é a raiz da planta da qual as boas obras são o fruto. Pelo nosso exemplo e por nosso ensino, devemos nos estimular  uns aos outros para esta atividade.

Devemos perseverar em nos reunir, e não simplesmente abandonar a igreja local levianamente por qualquer motivo, ou mesmo sem nenhum, como alguns fazem. Isto pode ser considerado como uma exortação geral para todos os crentes a serem fieis na sua frequência à igreja. Sem dúvida, encontramos força, conforto, alimento e alegria no serviço e adoração coletiva. Pode também ser visto como um incentivo especial para os cristãos quando passam por momentos de perseguição. Há sempre a tentação de isolar-nos a fim de evitar a prisão, censura e sofrimento e, portanto, ser um discípulo secreto.

Basicamente o versículo 25 é uma advertência contra a apostasia: “abandonar a nossa congregação” significa deixar de se reunir com os outros irmãos em Cristo. Alguns judeus estavam deixando o cristianismo para reverter ao judaísmo quando este livro foi escrito. É preciso nos exortar uns aos outros, especialmente tendo em conta a proximidade do retorno de Cristo. Quando Ele vier, os crentes perseguidos, em ostracismo, desprezados, serão vistos como estando no lado vencedor. Até então, existe necessidade de firmeza e perseverança.

A referência a “aquele dia” tem sido compreendida de diversas maneiras. Existem apenas três outras referências absolutas no Novo Testamento onde a palavra "o dia" fica isolada, sem qualificação:

  • Romanos 13:11,12... “a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando nos tornamos crentes. A noite é passada, e o dia é chegado; dispamo-nos, pois, das obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz”. O tempo presente para todo crente é como o findar de uma noite de pecado com a expectativa do dia da glória eterna logo em seguida.
  • 1 Coríntios 3:13... “a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um...”. O “dia” aqui se refere ao tribunal de Cristo, quando serão revistas todas as obras de cada crente feitas para o Senhor.
  • 1 Tessalonicenses 5:4... “Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos surpreenda”. É importante notar a mudança do pronome "eles" nos versículos anteriores para “vós” aqui e nos versículos seguintes. O “dia do Senhor” será um tempo de ira para o mundo que não foi salvo, e virá como um ladrão na noite para eles (v. 2). Não surpreenderá nenhum crente, porque nenhum estará nessa escuridão.

Em cada uma destas referências, o significado do “dia” está claro no contexto. Mas neste texto de Hebreus a palavra “dia” parece, à primeira vista, estar sem contexto. No entanto, certamente se trata de um dia definido, já conhecido pelos crentes daquela época. O “dia do Senhor” foi profetizado e anunciado desde o Velho Testamento, com o qual os hebreus a quem foi dirigido o livro estariam bem familiarizados. Em Jeremias 46:10 está escrito: “...aquele dia é o dia do Senhor Deus dos exércitos, dia de vingança para ele se vingar dos seus adversários...” (Jeremias 46:10).

Os leitores originais do livro entenderiam "o dia" como abreviação do “dia da expiação”, um termo usado na tradição judaica. A literatura rabínica frequentemente refere-se a este feriado ordenado na lei de Moisés simplesmente como “ha Yom”, "o Dia", o dia final, definitivo. O retorno de Jesus Cristo no alvorecer da idade messiânica para julgar o mundo e salvar o remanescente do Seu povo Israel, arrependido, será o derradeiro cumprimento do dia da expiação. Entendemos portanto que em Hebreus 10:25 é feita referência a esse mesmo dia, o dia da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo ao mundo, desta vez para seu julgamento, dando fim à grande tribulação de Israel.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O fim do mundo

Ao avançarmos por estes meses em que a pestilência do vírus COVID 19 se alastra pelo mundo todo, surgem especulações de toda a ordem sobre as consequências que trará.

Através dos profetas Deus falou aos patriarcas dos israelitas muitas vezes e de muitas maneiras, mas por último nos falou através do Filho, Jesus Cristo (Hebreus 1:1-2).

Os incomparáveis privilégios e glórias da fé cristã não devem ser tratados levianamente: se os israelitas que rejeitaram a voz de Deus concretizada na lei foram punidos em conformidade com ela, muito menos escaparão de castigo os que se desviarem “daquele que nos adverte lá dos céus” (Hebreus 12:25): Deus nos deu uma revelação Divina do céu através do Seu Filho e pelo ministério do Espírito Santo, e nos adverte para obedecermos ao Seu Evangelho.

Quando o privilégio é maior, também é maior a responsabilidade. Vez após vez em sua peregrinação pelo deserto, os israelitas deixaram de dar atenção aos mandamentos de Deus, e sofreram por causa da sua desobediência. Em Cristo, Deus deu Sua melhor e última revelação. Os que rejeitam a Sua voz, falada agora do céu no Evangelho, são mais culpáveis e, portanto, sofrerão consequências mais graves ainda do que as resultantes da violação da lei.

Essa profecia, que contém detalhes terríveis, é chamada de “promessa” em Hebreus 12:26 por ser efetivamente o que é prometido, como disse o Senhor Jesus: “quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima” (Lucas 21:28). A seguir fica claro que o que estava sendo previsto se refere, basicamente, aos julgamentos que dissolverão tudo em que a humanidade sem Deus se apoia, e sua substituição por uma nova ordem de coisas, sob um Reino de retidão governado pelo Seu Filho.

Em seu contexto, estas palavras declaram o propósito de Deus, no Dia do Senhor, quando Ele Se levantará para destruir o domínio dos gentios e exaltar o trono de Davi, e fazer Jerusalém e Seu templo o centro da adoração e submissão de todos os povos. Isto se dará no fim da era atual, no início do milênio, quando o Senhor Jesus instalará o Seu reino (Isaías 65:17, 66:22; Apocalipse 20:11, 21:1-5).

Quando Deus disse, "Ainda uma vez”..., Ele revelou a remoção completa e final dos céus e da terra após o término do milênio (2 Pedro 3:10-12). No Sinai a voz de Deus causou um terremoto (Êxodo 19:18). Mas está previsto outro tremor imensamente maior (Isaías 2:19-21, Ageu 2:6), não só na terra, mas também no céu (Isaías 13:13, Ageu 2:6). Este evento irá explodir o mito de que o que podemos ver, tocar e manipular é real e que as coisas invisíveis são irreais. Quando Deus finalizar o processo de remoção, tudo o que pertence à criação, material, visível, terá desaparecido e apenas o que é real, mas invisível agora, permanecerá. E então, haverá novos céus e nova terra (Isaías 65:17, 66:22, 2 Pedro 3:13).

Tendo em conta que os céus e a terra, como os temos agora, estão destinados a ser destruídos pelo fogo, devemos estar prontos para a vinda do Senhor, seguindo uma conduta santa e uma vida piedosa, porque sem dúvida poderá vir a qualquer hora. Não vamos perder tempo julgando uns aos outros, mas cuidar de cada passo que damos. Os que estão ocupados com um ritualismo tangível e visível estão agarrados às coisas que podem ser abaladas.

Os crentes têm um reino que não pode ser abalado. Isto deveria inspirar o mais fervoroso culto e adoração, com reverência e temor piedoso. Deus é um fogo consumidor para todos os que se recusam a ouvi-Lo, mas mesmo aos que são Seus, Sua santidade e justiça são tão grandes que devem produzir a mais profunda homenagem e respeito.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O Fixismo e o Evolucionismo

O fixismo propunha, na biologia, que todas as espécies foram criadas tal como são por poder divino, e permaneceriam assim, imutáveis, por toda sua existência, sem que jamais ocorressem mudanças significativas na sua descendência. Vemos logo que o fixismo erra ao julgar que as espécies biológicas per

Face à multiplicação da ciência em nossos dias em seus vários campos, dão-se explicações conflitantes à origem dos fatos evidenciados, conforme a “religião” que cada um aprendeu ou adota. Este artigo tomaria um espaço imenso se fôssemos examinar cada uma, por isso ele se limita apenas ao que a Palavra de Deus nos diz sobre a criação, e aos princípios conflitantes do fixismo e do evolucionismo, frente à realidade conhecida e comprovada pelos descobrimentos feitos.

A Bíblia é uma coleção de livros inspirados por Deus com o propósito de promover a recuperação espiritual do homem. Assim sendo, ela nos dá apenas um breve relato da criação do mundo em que vivemos, contida nos primeiros dois capítulos do seu primeiro livro, o de Gênesis. Ali Deus declara, depois de cada passo da criação, que “viu que ficou bom”, isto é, que tudo estava perfeito.

No capítulo terceiro somos informados sobre a “queda” do primeiro casal de seres humanos: cometeram um ato de insubordinação, e assim perderam a sua vida espiritual, que é a comunhão com Deus, e foram impedidos de comer do fruto da árvore da vida, com isto ficando sujeitos à morte física. Deus também os amaldiçoou, bem como a terra (Gen. 3:15 a 19). A perfeição inicial foi então desfeita, dando início à degeneração física geral, bem como à moral e espiritual do ser humano.

Em seguida a Bíblia se dedica brevemente ao histórico da corrupção da humanidade nos dois primeiros milênios depois da criação, terminando com uma catástrofe global. Nela tudo o que havia em terra seca e respirava o ar foi destruído pela água: “todas as fontes do grande abismo se romperam, e as janelas dos céus se abriram”, chovendo por quarenta dias e quarenta noites, de forma que até os picos das mais altas montanhas foram cobertos pela água.

É água superaquecida acumulada em profundos lagos subterrâneos que fornece a energia no magma para as erupções vulcânicas que conhecemos até hoje. Estes seriam as “fontes do grande abismo” (Gênesis 7:11), para os quais se abriram passagens conduzindo ao cataclismo que foi o “dilúvio”, combinadas com o desencadeamento de imensos volumes de água contidos na atmosfera. Imaginemos vulcões várias vezes mais fortes que Cracatoa explodindo pelo mundo, todos ao mesmo tempo! O resultado teria sido uma transformação colossal na superfície da terra, formando-se oceanos, cadeias de montanhas, continentes e ilhas, restando uma muito reduzida extensão de nuvens na atmosfera, o que desde então permitiu a penetração de raios nocivos do sol.

Estas são deduções científicas que explicam tanta coisa que os evolucionistas procuram atribuir a catástrofes que teriam ocorrido, segundo eles pensam, no decorrer de bilhões de anos. Também explica o desaparecimento de animais e plantas gigantescos, dos quais sobraram apenas fósseis para nossa admiração, mas ainda temos exemplares de algumas das suas espécies, em tamanho reduzido e degenerados através do tempo, descendentes dos que sobreviveram na arca.

Salvaram-se com a família de Noé, apenas um casal de cada espécie de animal que respirava ar existente naqueles dias, ou sete exemplares de determinados animais e de cada espécie das aves, tendo todos flutuado dentro da segurança de uma gigantesca arca.

A família de Noé e os animais que foram salvos deram origem a toda a população de seres humanos, animais que respiram ar e pássaros da terra que temos hoje, espalhando-se por toda a parte. Deduzimos que os peixes, os animais aquáticos (baleias, crustáceos, moluscos, etc.) e as plantas não sofreram solução de continuidade, pois puderam sobreviver na água, ou por meio das suas sementes.

Nada mais encontramos na Bíblia sobre a interferência de Deus sobre a Sua criação, mas existe a expectativa de levantamento da maldição e renovação da criação, como Paulo esclareceu: “A ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme … esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:19-23).

Concluímos que houve uma criação inicial, perfeita, e um acréscimo ou modificação por ocasião da queda do homem, quando Deus amaldiçoou a terra, e ela passou a produzir “espinhos e ervas daninhas” (Gênesis 3:18). Tudo o que existe no mundo (inclusive os microorganismos) foi criado por Deus por intermédio da “Palavra” que conhecemos como o Senhor Jesus, em Quem está “a vida”. (João 1:3.)

Em seguida, através dos séculos até nossos dias, houve uma gradual degeneração. No dilúvio, em poucos meses a atmosfera perdeu uma parte da água que continha, surgiram os continentes, ilhas e cordilheiras. Algumas das espécies animais e vegetais iniciais possivelmente se extinguiram, entre elas animais cujos fósseis são encontrados, e de cuja espécie parece não haver um representante hoje em dia, mesmo muito modificado.

Com a degeneração da criação, os descendentes perdem algumas das características dos pais, o que faz com que variem entre si. Isto é facilmente comprovado pela diversidade encontrada entre os componentes de determinada espécie, ou família. Por exemplo, existem cães de muitos tamanhos, cores, temperamentos, inteligência, mas todos pertencem à espécie dos caninos, da qual também fazem parte os lobos, raposas e outras variedades. Também nos seres humanos vemos variações nas cores da pele, dos cabelos, dos olhos, em sua estatura, malformações de origem genética, etc.

 É importante notar que as mudanças, ou mutações, são sempre o resultado da degeneração, ou seja, elementos de formação (no DNA) são perdidos, reduzidos ou modificados, por ação de irradiação solar, doenças e acidentes. Podem ser recuperados, na sua descendência, mediante cruzamento com outro exemplar da mesma espécie que ainda o contenha. Até hoje não foi encontrado um caso em que um elemento ainda não existente tenha aparecido naturalmente em alguma espécie. A carência desta prova vital desmente todas as teorias da evolução.

Usando procedimentos de genética moderna, foi descoberto que as variações na cor da pele, por exemplo, podem acontecer em poucas gerações. E existe boa evidência para provar que os vários grupos étnicos que temos hoje não estão separados por grandes períodos de tempo. O fixismo era uma doutrina ou teoria filosófica bem aceita no século XVIII.

O fixismo propunha, na biologia, que todas as espécies foram criadas tal como são por poder divino, e permaneceriam assim, imutáveis, por toda sua existência, sem que jamais ocorressem mudanças significativas na sua descendência. Vemos logo que o fixismo erra ao julgar que as espécies biológicas permanecem hoje tal como foram criadas no início, pois não leva em conta a degeneração ocorrida desde a “queda”, nem o cataclismo do dilúvio, responsável, por exemplo, pela destruição dos exemplares gigantes das espécies existentes naquela época.

Na geologia, o fixismo sustentava que os continentes teriam se mantido estáveis e fixos em seus lugares atuais através de toda história geológica. Atualmente a deriva continental é aceita na forma da teoria geotectônica das placas, mas o fixismo geológico persistiu sendo defendido por um considerável tempo até que o acúmulo de evidências eventualmente favoreceu a aceitação científica da deriva continental. O fixismo ignorava os efeitos do dilúvio: o relato bíblico permite concluir que, inicialmente, a terra estava contida num só continente, cercado dos mares (Gênesis 1:10). Deduzimos que o cataclismo do dilúvio causou a separação das placas, formando continentes e ilhas, e elas continuam em movimento lento levantando cordilheiras de montanhas, e dando origem aos vulcões, terremotos e maremotos. Faz parte da degeneração da criação.

O evolucionismo consiste em um número considerável de teorias elaboradas após a publicação do livro de Darwin “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida” no século XIX.

O evolucionismo é ateu, e está diametralmente em oposição ao fixismo e também à criação. Suas teorias, elaboradas religiosamente por seus adeptos, foram aclamadas como “ciência” pela grande maioria das faculdades, embora sejam veementemente negadas por muitos cientistas sérios por causa da sua esmagadora improbabilidade estatística e pela absoluta falta de evidência, que é essencial para poderem ser classificadas como científicas.

Segundo o evolucionismo, tudo o que existe hoje, o universo inteiro, surgiu do nada. Sem se saber a causa, a partir de uma “explosão” inicial, toda a matéria foi se formando através de uma imensidade de tempo (podem colocar “zeros” à vontade …), surgiram muitos universos, nestes uma infinidade de galáxias, estrelas e sistemas como o nosso sistema solar, planetas, etc. Surgiu então o planeta Terra, que se organizou sozinho para poder sustentar vida, e esta apareceu de repente construindo organismos que conhecemos como vegetais e animais até o ponto em que nos encontramos hoje, em toda a sua beleza e diversidade.

Conto de fadas? É o que ensinam agora nas escolas como sendo “ciência”, e os “cientistas” evolucionistas procuram desesperadamente alguma prova dessas teorias, que, aliás, são mudadas constantemente por causa da falta de evidência. Todos os organismos agora existentes são imensamente complexos, e até o menor e mais simples micróbio nunca poderia se formar por si próprio por mais tempo que tivesse para isso.

A verdadeira ciência ensina que não há criação sem haver um criador, que qualquer coisa, animada ou inanimada, deixada por si só tende sempre a corromper ou dissolver-se, que é impossível obter ordem do caos sem a interferência de um agente inteligente, e por aí afora. O evolucionismo quer encontrar algo que faça o contrário, mas até hoje não achou.

Como disse o apóstolo Paulo: “As coisas invisíveis (de Deus), desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles (os homens ímpios) fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.” (Romanos 1:18-22).

Resumindo: a criação nos diz que tudo foi criado perfeito, e está passando por um processo de degeneração, o fixismo ensinava que, desde a criação, nada mudou até agora, o evolucionismo acredita que tudo o que temos agora surgiu do nada, e progride automaticamente mediante acidentes para um estado cada vez mais perfeito, sem precisar de um Deus criador e mantenedor.

Aos estudantes, e outros que tiverem interesse ou necessidade de conhecer os descobrimentos feitos (muitas vezes encobertos pelos evolucionistas por desmentir as suas teorias), recomendo o site www.answersingenesis.org  (o idioma é inglês, mas alguns tópicos estão traduzidos para o espanhol). Também em inglês, é muito esclarecedor o livro “Creation: Facts of Life” do Dr. Gary Parker, que pode ser adquirido através daquele site.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O fundamento da Igreja de Cristo

Sobre a "rocha" (petra), que era o próprio Senhor Jesus, Ele iria edificar a Sua igreja. Esta é a primeira vez que é usada a palavra "igreja" para o conjunto de todos os crentes em Cristo. A igreja é comparada a um edifício em Efésios 2:19-22, onde Jesus Cristo é a pedra fundamental e os apóstolos (

Todo aquele que realmente deseja ser cristão precisa saber claramente quem Cristo é, a fim de que possa ser salvo, e o que Ele está agora fazendo no mundo, para também participar da Sua obra.

Antes de subir a Jerusalém para tomar parte na Sua última páscoa o Senhor Jesus fez duas perguntas aos seus discípulos:

"Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?"
(Mateus 16:13, Marcos 8:27, Lucas 9:18)

Sem dúvida Ele sabia a resposta, mas queria assim introduzir a segunda pergunta. O povo havia testemunhado os sinais que Ele havia feito em seu meio, e tinham ouvido o Seu ensino. Evidentemente Ele não era uma pessoa qualquer, ao contrário, tudo indicava que era um homem com poderes supernaturais, um admirável ensinador, dotado de um caráter perfeito, sem mácula. Os discípulos responderam que o povo dizia que Ele era João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos velhos profetas que ressuscitou. Todos já haviam morrido, mas o povo julgava que só um profeta ressuscitado poderia ser como Ele era, pois Jesus era o objeto das notícias mais surpreendentes. Embora houvesse divergência nas opiniões, todos concordavam que era um vulto notável, que deveria figurar entre os heróis do povo de Deus.

Faltava àquele povo descobrir que Jesus era muito mais do que um simples ser humano, até mesmo um profeta ressuscitado. Parece que a compreensão que tinham do Messias que havia de vir de acordo com as profecias do Velho Testamento ainda não era suficiente para identificá-Lo, apesar das provas que estava dando.

A história se repete agora em nosso tempo. Fala-se muito de Jesus e se discute por toda a parte a Sua identidade – produzem-se filmes românticos e até filmes documentários com supostas evidências para apoiar ou contradizer o relato bíblico. A “paixão de Cristo” é um espetáculo produzido a cada dez anos pela aldeia alemã de Oberammergau há séculos, e os hotéis de lá e da vizinhança se beneficiam com o grande volume de “peregrinos” e curiosos que querem ver, inclusive ônibus lotados de “cristãos evangélicos”. No Brasil esse espetáculo ocorre todos os anos em várias localidades, sendo o mais famoso a de Nova Jerusalém (PE).

Em geral se acredita que o Senhor Jesus foi um homem piedoso, poeta, homem de ação, místico, um modelo de homem santo e grande moralista, que se destaca de todos os “santos”. Mas Ele próprio declarou ser Alguém sem precedente, inigualado, sem rival, sem igual (por exemplo, Mateus 10:37; 11:27; 24:35; João 10:30 e 14:6).

"E vós, quem dizeis que eu sou?"
(Mateus 16:15, Marcos 8:29, Lucas 9:20)

Essa pergunta ainda permanece para cada pessoa responder. Não se pode duvidar da Sua existência, pois é provada por inegáveis evidências históricas e pelo testemunho que temos na Bíblia de pessoas idôneas e de caráter íntegro que conviveram com Ele. Esse testemunho também relata com toda a confiabilidade os sinais extraordinários que Ele realizou. Alguns dos piores inimigos do cristianismo reconhecem a Sua sabedoria e o Seu caráter notável. Muitas respostas confusas são dadas, como também foram as daquele povo, porque só existe uma resposta correta, que foi dada logo a seguir.

O Senhor queria a declaração pessoal de cada um dos Seus discípulos, e cada um de nós também tem que reconhecer pessoalmente a identidade do nosso Salvador, a fim de colocar n’Ele a nossa fé e a declararmos publicamente.

Pedro não titubeou e declarou prontamente "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16:16), ou seja, o Messias prometido a Israel, é Deus, o Filho. Pedro havia acompanhado o Senhor Jesus de perto, junto com Tiago e João, e conhecia intimamente tudo o que o Senhor dizia e fazia. Ele não era uma pessoa crédula, facilmente enganada, mas era um homem seguro de si, "dono do seu nariz", impulsivo, pronto a falar diretamente o que pensava. Era uma testemunha confiável, pois havia visto, ouvido e comprovado tudo. Ouvindo a declaração de Pedro, o Senhor Jesus respondeu que Pedro era bem-aventurado, ou feliz, porque essa revelação lhe viera através de Deus, o Pai, não por sabedoria natural ou exercício intelectual.

É necessário que cheguemos à mesma conclusão que Pedro, a fim de podermos nos valer da salvação que vem unicamente mediante a graça de Deus pela fé em Seu Filho, Jesus Cristo.

O que o Senhor Jesus está fazendo agora?


Ele (Deus, o Filho) também tinha algo a revelar a Pedro (Mateus 16:17-19):

1. Simão Barjonas era uma "pedra" (petros), como as que se usam nas construções. Mais tarde, Pedro escreveu: "vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo". A matéria prima da construção dessa casa espiritual consiste de pessoas, todas as que foram salvas pela graça mediante a fé na obra redentora de Cristo, e elas são as "pedras vivas".

2. Sobre a "rocha" (petra), que era o próprio Senhor Jesus, Ele iria edificar a Sua igreja. Esta é a primeira vez que é usada a palavra "igreja" para o conjunto de todos os crentes em Cristo. A igreja é comparada a um edifício em Efésios 2:19-22, onde Jesus Cristo é a pedra fundamental e os apóstolos (inclusive Pedro) e os profetas são o alicerce. Está em consonância com muitas Escrituras que O chamam de "pedra", ou "pedra angular" (Salmo 118.22, Mateus 21:42, Efésios 2:20 etc.), e assim também foi entendido por Pedro (Atos 4:11, 1 Pedro 2:6,7).

3. As "portas do inferno" não poderão vencer a igreja. A palavra "inferno" é uma tradução da palavra grega "hades", correspondente ao hebraico "sheol" (o mundo invisível para onde vão os mortos). Temos aqui a figura de dois edifícios, a igreja de Cristo sobre a Rocha, e a casa da Morte com as suas portas. Estas portas são mencionadas no Velho Testamento (Jó 38:17; Salmo 9:13; 107:18; Isaias 38:10) e a ideia é que só dão entrada, não permitindo a saída de ninguém. Mas elas não impediram Cristo de sair, tendo Ele voltado ao mundo dos vivos triunfante mediante a Sua ressurreição. Igualmente não prevalecerão contra a Sua igreja. Tendo triunfado sobre a morte, Cristo é a garantia da perpetuidade dela. Quando Cristo vier buscar a Sua igreja, os mortos ressuscitarão e, unidos com os vivos transformados, viverão eternamente com Ele. Então "Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte (Hades, Sheol), a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?… Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 15:54,55,57).

4. A Pedro seriam dadas as "chaves do Reino dos céus". Isto não quer dizer que Pedro tinha autoridade para admitir pessoas no céu, como se vê nas anedotas. As "chaves" eram o símbolo de autoridade na função dos escribas, que interpretavam as Escrituras para o povo (Neemias 8:2-8). A explicação se encontra em Mateus 28:18-20, onde aprendemos que ao Senhor Jesus Cristo foi dada toda a autoridade no céu e na terra, e Ele ordenou aos Seus discípulos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:18 a 20). E essa ordem não foi dada somente a Pedro, mas a todos os Seus discípulos. Todo crente tem a mensagem salvadora do Evangelho em suas mãos e deve estar apto a transmiti-la. Nenhum homem ou instituição tem propriedade ou direito exclusivo sobre as Escrituras.

5. Tudo o que Pedro "ligasse na terra teria sido ligado nos céus, e tudo o que desligasse na terra teria sido desligado nos céus". Ligar aqui tem o sentido de amarrar, segurar. Como no caso anterior, trata-se da abertura do Evangelho para todos os povos. Pedro foi pioneiro ao anunciar o Evangelho aos judeus, e depois ao levar o Evangelho ao centurião Cornélio, um gentio. Ele estava soltando (desligando) o Evangelho. Mas o privilégio não foi restrito a Pedro - pertence a todos os que fazem a mesma confissão que Pedro fez naquela ocasião. Foi dos demais apóstolos, inclusive Paulo que surgiu depois, e é de todos os que pertencem a Cristo. Ao segurarmos o Evangelho, sem transmiti-lo, estamos amarrando os pecadores ao seu pecado. Mas se o anunciarmos, soltamos a salvação aos perdidos. E que responsabilidade a nossa, pois esse é o único meio de salvar os pecadores.

Naquela oportunidade, Simão Barjonas representou todos aqueles a quem o Espírito Santo de Deus leva a reconhecer que o Senhor Jesus é o Enviado de Deus (Messias, Cristo), o próprio Filho do Deus vivo, e O aceitam como seu Salvador e Senhor. Eles são feitos "pedras" no edifício espiritual que é chamada de "igreja de Cristo", fundada no Senhor Jesus, têm a vida eterna, e podem proclamar o Evangelho da salvação pela graça de Deus mediante a fé no Senhor Jesus, para a libertação dos que se encontram cativos pelo pecado.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O início do Dia do Senhor

O Dia do Senhor começará com escuridão e depressão e depois haverá uma grande tribulação durante sete anos. Mas antes de começar, o povo da terra de Israel vai tremer de medo porque vai sofrer uma invasão pelos seus inimigos. A grandeza e a força desses inimigos do estado de Israel é tal como nunca

Não sem razão, o “fim dos tempos” é um assunto muito discutido em nossos dias em vários meios de comunicação, levantando a curiosidade de muita gente e comentários que vão desde os mais céticos até os mais sensacionalistas. Vejamos então neste artigo alguma coisa sobre o primeiro aviso que Deus nos deu há mais de vinte e oito séculos.

Foi dado através de Joel (Jeová é o seu Deus), um profeta no reino de Judá, filho de Petuel (Visão de Deus). Joel não pode ser identificado com qualquer pessoa na história de Israel, embora haja outras pessoas com esse nome. Só o seu livro indica algo sobre a sua pessoa e há poucos eventos históricos nele para indicar quando viveu, mas existem boas indicações que foi o primeiro dos profetas a deixar a sua profecia por escrito, talvez com a exceção da profecia contra Edom feita por Obadias. Isso é confirmado pela tradição judaica.

Sendo o início das profecias que Deus nos deixou por escrito, é notável que fornece uma estrutura para o fim dos tempos, chamado "O Dia do Senhor”, um termo que Ele apresenta e define. É o primeiro aviso de Deus para a humanidade, concernente ao fim da era em que nos encontramos. As Escrituras subsequentemente expandem esse tema profético, sendo ele também o principal tema da revelação de Jesus Cristo no Apocalipse, o último livro da Bíblia. Vamos neste artigo focalizar o texto compreendido pelos primeiros dez versículos do segundo capítulo da profecia de Joel, e duas passagens na profecia de Ezequiel.

O capítulo começa anunciando o Dia do Senhor com trombetas. Enquanto o capítulo anterior usa um sério ataque de gafanhotos como símbolo, neste capítulo temos a profecia daquilo que é realmente o assunto do livro. Os gafanhotos estavam no presente quando foi escrita, mas a profecia é para acontecimentos futuros.

Pode-se argumentar que, em curto prazo, referia-se à invasão da terra pelos caldeus, que levaria a maioria da população sobrevivente do reino de Judá ao cativeiro na Babilônia. Mas contempla muito além, quando os "tempos dos gentios", durante os quais Israel é subjugado por nações gentílicas, chegarão ao fim. Os “tempos dos gentios” são simbolizados pela estátua encontrada mais tarde em um sonho de Nabucodonosor (Daniel 2), que foi atingida por uma pedra "não feita por mãos de homens".

Joel pede que uma trombeta seja tocada em Sião (a colina onde o Templo de Salomão foi construído em Jerusalém); os israelitas usavam trombetas em grande variedade de formatos, feitas de diversos materiais: algumas feitas de prata eram utilizadas apenas pelos sacerdotes para anunciar a aproximação das festas e dar sinais de guerra, e outras, feitas de chifres de carneiros, eram tocadas em festivais especiais, e para anunciar a chegada de ocasiões especiais. Também aparecem várias vezes no livro do Apocalipse para anunciar coisas importantes que estavam para acontecer.

Para chamar os israelitas para a guerra contra um inimigo que chegava, dava-se um alarme com trombetas, e com isso seriam lembrados ante o Senhor seu Deus e seriam salvos dos seus inimigos (Números 10:9). Sem dúvida, este é o tocar de trombeta que o profeta pede que seja executado nesta ocasião. Depois que o Senhor tiver arrebatado a Sua igreja do mundo, Ele se voltará outra vez à nação de Israel, que se tornará o objeto de antissemitismo mundial. Este é o início do Dia do Senhor.

O Dia do Senhor começará com escuridão e depressão e depois haverá uma grande tribulação durante sete anos. Mas antes de começar, o povo da terra de Israel vai tremer de medo porque vai sofrer uma invasão pelos seus inimigos. A grandeza e a força desses inimigos do estado de Israel é tal como nunca antes existiu, nem haverá depois. Isso por si só já indica que a ocasião só pode ser no final dos nossos tempos. Mais tarde Ezequiel forneceu mais detalhes, dos quais destacamos os seguintes, bem como a explicação que entendemos ser a mais convincente atualmente:

“Eu vos tirarei dentre os povos, e vos congregarei dos países nos quais fostes espalhados com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada...” (Ezequiel 20:34). Depois de 19 séculos, espalhados por todo o mundo, sem terra ou o seu próprio governo, os descendentes de Israel estão de volta à terra prometida em nossos dias, formando a sua própria nação. Assim como quando foram libertados do Egito, os israelitas foram tirados de entre os povos com furor derramado (por meio da Segunda Guerra Mundial).

Nos capítulos 38 e 39, Ezequiel anuncia por quem, onde, por quê, o quê, como e quando essa invasão ocorrerá. Em resumo, a explicação mais aceita hoje em geral é:

1. Quem serão os invasores:

  • Gogue, o nome do líder de uma confederação de invasores; sua terra é chamada de Magogue, que é composta de Ros, Meseque e Tubal (ver Gênesis 10:2), nos velhos tempos habitada pelos Citas, referidos na história profana como bárbaros que vagavam ao norte do Mar Cáspio e do Mar Negro (Cáucaso significa “forte de Gogue”). Ros é identificada por muitos como sendo a Rússia ou possivelmente como as nações muçulmanas daquela área.
  • Pérsia é o Irão moderno.
  • A Etiópia mencionada na maioria das nossas traduções para o português é Cuche no original, e não corresponde ao país atual. Seu outro nome, Mesopotâmia, agora chamado Iraque, parece caber melhor.
  • Pute é a Somália.
  • Gomer é declarado ser a Alemanha no Talmude e no comentário e interpretação bíblica escrito por sábios judeus.
  • Togarma, geograficamente sempre foi a terra que conhecemos como a Armênia, sendo assim chamada nos registros da Assíria, possivelmente estendendo até a Turquia.

2. Onde acontecerá a invasão: nas montanhas de Israel (Ezequiel 38:7-9).

3. O motivo (Ezequiel 38:10-13): para roubar e saquear. No versículo 13 um segundo grupo de países são listados como protestando contra a invasão, a partir do nome e descrição, que pode até incluir o Hemisfério Ocidental. Mas Deus declara o motivo real, dado no versículo 16: é para que Ele seja conhecido pelas nações, tendo em conta o que Ele terá feito.

4.  O que vai conseguir (Ezequiel 38:14-16): como foi profetizado antigamente, esta é a punição a ser dispensada a esses países por causa da sua perseguição aos judeus (vv. 17,18), de modo que muitas nações saberão que Deus é o Senhor mediante o que vai acontecer.

5. Como vai terminar (Ezequiel 38:17-23): a insurreição, e as forças da natureza, como terremotos (vv. 19-22), peste, derramamento de sangue, inundação, granizo, fogo e enxofre destruirão completamente os exércitos invasores.

6. Quando vai acontecer: entre as muitas opiniões dos estudiosos, parece cada vez mais claro que deve ser antes da tribulação começar porque:

  • a descrição do Estado de Israel da atualidade se encaixa nesse período, tendo a terra sido recuperada da espada (Ezequiel 38:8);
  • os habitantes vivem de forma segura devido à confiança em sua própria força, depois de sair de 80 a 90 nações diferentes (Ezequiel 38:8-12);
  • os lugares desertos estão agora habitados e os israelenses estão instalados e fazendo uso da terra (Ezequiel 38:12);
  • esta é a melhor solução do problema dos sete anos e sete meses para limpar os destroços deixados pela destruição dos exércitos (Ezequiel 39:9-12).

Tal como aconteceu com os gafanhotos, que encontraram a terra verde e a deixaram desolada, também esses exércitos irão devastar a terra atacando com fogo e deixando para trás o fogo para destruir tudo o que sobrou.

Os gafanhotos são comparados com cavalos por causa da sua rapidez. A guerra moderna não mais usa cavalos, mas os veículos utilizados são ainda mais rápidos do que cavalos. A descrição do grande ruído dos gafanhotos, e sua comparação com o barulho dos instrumentos de guerra do seu tempo, que era o único exemplo conhecido do profeta, se compara muito bem com os helicópteros, caças-bombardeiros, tiroteio e bombardeio das guerras de hoje. Também voam em formação, como os soldados de antigamente. Seus ataques levam as pessoas a se contorcer de dor, a palidez de seu rosto indica a perda de sangue, típico dos ferimentos e estilhaços nas batalhas. O combate de casa em casa, executado pelas forças especiais de hoje é descrito em Ezequiel 39:9 e a agitação e a fumaça de explosões violentas em Ezequiel 39:10.

Essa interpretação parece caber bem, e, se verdadeira, o palco já está praticamente pronto para o desenrolar destes acontecimentos. Eles dão início ao desencadeamento da ira de Deus sobre o mundo incrédulo, ímpio e inimigo de Deus. Queremos enfatizar que a igreja de Cristo já não estará presente, pois “sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Romanos 5:9); seremos arrebatados nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor (1 Tessalonicenses 4:17). Demos glória a Deus por isto!

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O jardim de Deus

Assim como o profeta Elias foi o instrumento para fazer o povo que se desviava voltar a Deus mediante a sua oração, também os presbíteros de uma igreja local são usados na restauração da alma e corpo de um crente que se encontra em pecado, mediante a oração.

Há um entendimento quase universal que "Cantares de Salomão", também chamado "O Cântico dos Cânticos", é o relato de uma história de amor puro e fiel, mas o seu significado espiritual tem sido interpretado de maneiras diferentes através dos quase três milênios desde que foi escrito. Em grande parte, é um diálogo, mas há dificuldade em discernir quem fala. Estamos certos que foi inspirado pelo Espírito Santo para o nosso ensino, e por isso procuramos encontrar as lições contidas em suas páginas.

Não havendo amor mais sublime do que o do Senhor Jesus Cristo para com a Sua Igreja, partimos daqui com a premissa que é uma profecia em que as duas figuras principais, ou seja, o pastor (namorado, noivo, esposo e Rei, conforme a tradução usada) corresponde ao Senhor Jesus, e a jovem sulamita na corte de Salomão representa a igreja de Cristo. As filhas de Sião, filhas de Jerusalém, nos lembram do povo do mundo, dentro do qual se encontra a Igreja.

Verifiquemos a seguir o texto que se encontra no capítulo 4, versículos 12 a 15, deste livro, usando essa interpretação.

Tendo já expressado a sua apreciação da noiva, o Rei está a compará-la a um jardim fechado, assim como a noiva está inteiramente separada para Si. No meio de um deserto estéril o Rei tem Seu jardim fechado onde há mananciais de água e frutas agradáveis para o Seu prazer.

Parece que desde o início dos tempos da criação o propósito de Deus foi ter um “jardim” neste mundo para o Seu prazer. Foi por isto que o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, na direção do Oriente. Nesse jardim havia árvores agradáveis à vista e boas para o alimento, e um rio para regar o jardim e fluir para o mundo ao redor. Mas o pecado entrou e o casal pioneiro, Adão e Eva, foi expulso do jardim e a terra foi amaldiçoada.

Séculos depois, o Senhor plantou outro “jardim”. Ele criou e fez crescer entre as nações um povo especial chamado Israel, e o comparou a uma vinha em uma colina fertilíssima. Separando-o das outras nações com uma cerca, Deus "edificou no meio dela uma torre e construiu nela um lagar”. Mas novamente o pecado estragou o jardim, e produziu apenas uvas silvestres; em consequência a vinha foi destruída e a colina transformada em deserto (Isaías 5:1-7).

Atualmente o Senhor tem o Seu “jardim’’ sobre a Terra, na forma de uma lavoura: o apóstolo Paulo escreveu à igreja que se reunia em Corinto que seus membros eram “lavoura” de Deus, plantada por Paulo e regada por Apolo (1 Coríntios 3:6-9), mas à qual Deus dava o crescimento. Infelizmente, também este “jardim” tem sido perturbado, pois "enquanto os homens dormiam, veio o inimigo e semeou o joio entre o trigo" (Mateus 13:25), resultando em impurezas, divisões, dispersões ficando apenas alguns traços isolados deste jardim do Senhor.

Quando nos voltamos para Cantares 4:12-15, encontramos uma descrição notável do “jardim” que é adequado ao Senhor. À medida que percorremos o ambiente deste belo “jardim”, aprendemos não só o que é requerido pelo Senhor, mas o quão pouco correspondemos ao desejo do Seu coração.

Lembremos que o jardim do Senhor é um “jardim fechado". Isto significa separação, preservação e santificação. Aos olhos de Deus, este mundo é apenas o lugar estéril onde o Seu Filho Se fez carne, viveu e deu Sua vida humana em resgate de muitos (Mateus 20:28); mas no meio dele existem os que o Senhor considera como sendo de Sua propriedade e diz que são Seus, e à medida que ouvimos o desejo do Senhor para os Seus, como está expresso na Sua grande oração em João 17, começamos a perceber o profundo significado espiritual de um "jardim fechado." Um "jardim fechado" envolve a separação do deserto circundante, o que nos leva a lembrar que o Senhor disse ao Pai que os Seus não são do mundo, assim como Ele não é do mundo. Um “jardim fechado" tem em vista a preservação das plantas delicadas nele cultivadas: de acordo com este pensamento, ouvimos o Senhor orando para que Seu povo seja protegido do mal. Enfim, se um “jardim fechado" implica num lugar separado para o usufruto do proprietário, então ouvimos o desejo do Senhor que Seu povo seja santificado.

Portanto esses são os desejos do Senhor: ter um grupo neste mundo, definitivamente separado do mundo, preservado do mal do mundo, formando um “jardim fechado” dedicado ao Seu prazer pelo fruto que produz (Gálatas 5:22).

Mas o jardim do Rei não é apenas um "jardim fechado": é um jardim regado. Israel em seu declínio é comparado a "um jardim que não tem água", mas no dia da sua futura restauração o profeta pode dizer a Israel: "tu serás como um jardim regado, e como um manancial cujas águas jamais faltam" (Isaías 1:30 e 58:11).

O "manancial recluso" não depende do deserto circundante para seu suprimento, o manancial está dentro do jardim. Assim é com o povo do Senhor: ele tem um manancial secreto de abastecimento, o Espírito Santo, "que o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece” (João 14:17). É possível entristecer o Espírito e silenciá-Lo, mas como as nossas almas se tornam áridas quão infrutífero se torna o povo de Deus quando o Espírito é abafado. Ele é o "Manancial", e cuidemos em manter a Sua porta cuidadosamente "fechada" contra a intrusão da carne, para que os “filisteus” não encham nossos poços com terra como nos dias de Abraão.

O "manancial recluso" é também "uma fonte selada." O manancial fornece um suprimento infalível, e a fonte, um suprimento abundante subindo até seu manancial. O Espírito Santo não é apenas uma fonte permanente, morando conosco e atendendo todas as nossas necessidades ao longo de nosso caminho peregrino, mas é também “fonte de água a jorrar para a vida eterna” (João 4:14). O manancial está separado para o Rei: está "selado". Como “manancial” o Espírito Santo está ocupado conosco e nossas necessidades, como “fonte” Ele está totalmente ocupado com Cristo e nosso relacionamento com Ele.

O jardim do Rei é um jardim frutífero. As plantas deste jardim formam um “pomar de romãs” com "frutos excelentes", e árvores e outras plantas produzindo incenso e todas as especiarias principais. As plantas podem variar em tamanho e beleza, na fragrância e fecundidade, mas todas são para o deleite do Rei. É assim no jardim do Senhor: não há dois crentes iguais, mas todos ministram ao Seu deleite.

O jardim do Rei não só provê para o Seu deleite, mas é um manancial de bênção para outras regiões, “fonte dos jardins, poço das águas vivas, torrentes que correm do Líbano”: estando o jardim do Senhor "fechado" e sendo regado por "uma fonte fechada, um manancial selado," rendendo seu precioso fruto para o Senhor, ele também é um manancial de bênção para o mundo ao redor, produzindo "rios de água viva" em homens que estão morrendo fora dos seus muros (João 7:38).

Como é bom para as nossas almas passar algum tempo dentro do jardim do Rei e procurar aprender o significado espiritual dos muros que o cercam, do manancial que o refresca, dos frutos e especiarias que nele crescem, e dos rios que fluem para as terras improdutivas que estão além. Precisamos de todas as lições do jardim, porque o nosso serviço é frequentemente pobre e parcial. Estamos inclinados a gastar muito trabalho em uma parte do jardim em detrimento de outra.

Na história do jardim do Senhor, muitas vezes aconteceu que alguns se ocuparam tanto com “o muro e a vala” que negligenciaram as “flores e as frutas”. Esses limitaram o seu trabalho à manutenção da separação do mundo e da exclusão do mal no jardim do Senhor, de forma que pouco tempo lhes restou para o cuidado das almas dentro dele. O resultado foi que garantiram para si um jardim exclusivo, mas nele houve pouco fruto para o Senhor e pouca bênção para o mundo ao redor.

Por outro lado, outros se esqueceram de manter o manancial fechado. A carne penetrou desimpedida no jardim do Senhor, tornando o Espírito Santo inoperável, e em consequência o jardim deixou de produzir o seu fruto agradável para o Senhor.

Outros, por sua vez, foram tão atraídos pelas flores e frutos que se descuidaram das sebes e das valas, e assim os muros circundantes caíram em ruína, o mal entrou pelas brechas, e o jardim do Senhor foi abafado por ervas daninhas, tornando-se infrutífero.

Finalmente, há outros que se absorveram tanto com os rios que fluem para o mundo em volta que deixaram de lado as plantas que cresciam dentro do jardim, e assim o jardim deixou de produzir frutos para o Senhor.

Lembremo-nos que o jardim não é nosso, mas do Senhor (versículo 16).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Oliveira: cultivada e brava

Atualmente o lugar onde Deus é adorado é irrelevante, como o próprio Senhor Jesus ensinou. O importante não é onde, mas como nós O adoramos. Não precisamos ir a algum lugar ou edifício especial porque Deus é Espírito e Ele pode ser encontrado em qualquer lugar. Os verdadeiros adoradores O adoram em

 

A oliveira é uma árvore nativa das áreas costeiras orientais do mar Mediterrâneo, cujo fruto é a azeitona, rica em azeite, e usada desde a antiguidade como alimento e medicação. Essa árvore é mencionada na Bíblia dezenas de vezes: uma folha da oliveira foi trazida por uma pomba a Noé ao término do dilúvio, o azeite de oliveira era usado no candeeiro do tabernáculo, sua madeira foi usada no templo pelo rei Salomão. Davi subiu pela encosta do monte das Oliveiras, chorando, quando fugia do seu filho Absalão etc. O Senhor Jesus costumava ir frequentemente ao monte das Oliveiras quando estava em Jerusalém, e ali pisará em sua volta para estabelecer o Seu reino milenar. Duas oliveiras são mencionadas no livro do Apocalipse para representar dois profetas que testemunharão de Cristo em Jerusalém por três anos e meio.

Em Romanos 11:16-36 o apóstolo Paulo usa dois tipos de oliveira em uma ilustração: 

1) A cultivada, que produz azeitonas, tem vida longa, conhecendo-se algumas árvores que já viveram por séculos, algumas por milênios. É altamente valorizada por causa do seu fruto, bem como sua madeira. Em sua ilustração, a situação de privilégio de Abraão e da sua descendência diante de Deus é representada pela oliveira cultivada, que nos fala da “bondade” de Deus. Os israelitas nasciam e cresciam na árvore cultivada, mas a nação foi cortada e lançada fora quando rejeitou Jesus Cristo, o Messias prometido, com a exceção de um remanescente que se converte. Mas os que foram cortados ainda podem ser enxertados nessa árvore ao se converterem a Cristo.

2) A oliveira-brava, também chamada “zambujeiro”, é uma planta inútil porque não produz frutos comestíveis, e é um arbusto do qual nem a madeira é aproveitável. A oliveira-brava representa a “severidade” de Deus frente à incredulidade do mundo (Romanos 11:22-23). Os gentios, sem ter o privilégio dos israelitas, são galhos da oliveira-brava. No entanto, ao se salvarem mediante a fé em Cristo, são como que enxertados na árvore cultivada e assim participam da “bondade” de Deus ilustrada pela raiz e seiva da árvore.

Um dia, quando entrar a “plenitude dos gentios”, esse endurecimento de Deus que veio em parte sobre Israel por causa da sua rejeição cessará, e todo o Israel será salvo: ou seja, no dia da plenitude dos gentios, a igreja de Cristo, completa, será arrebatada (João 14:3, 1 Tessalonicenses 4:17), os israelitas reconhecerão o Senhor Jesus como Messias e se converterão (Romanos 11:25,26).

No início do capítulo 11 de Romanos, Paulo pergunta se Deus rejeitou o Seu povo (Israel), e imediatamente responde enfaticamente: “de modo nenhum”. Abraão foi ricamente abençoado por Deus por causa da sua fidelidade, incluindo a sua descendência através de Isaque e Jacó, sendo este cognominado Israel, que significa “tens lutado com Deus e com os homens e tens prevalecido” (Gênesis 32:28). Se Deus tivesse rejeitado Israel, nenhum israelita poderia ser salvo. No entanto, muitos israelitas estão sendo salvos pela sua fé em Cristo, assim como o próprio apóstolo Paulo, cujas credenciais como um israelita eram impecáveis. A rejeição do Messias por Israel não foi de todo o povo, e Deus não rejeitou ou abandonou o Seu povo.

O fato que Paulo se refere a Israel como o povo de Deus na atualidade mostra que ainda é o povo escolhido de Deus – é o povo que “antes conheceu”, isto é, em Sua presciência. Como exemplo, parecia a Elias que só ele ficara dos profetas do Senhor e sua vida estava em perigo iminente. Mas Deus o informou que tinha reservado para si mesmo sete mil homens que se recusavam firmemente a seguir a nação que adorava Baal (1 Reis 19:10-18). Sempre houve um “remanescente” fiel a Deus, embora fosse às vezes pequeno, ao contrário dos gentios onde prevalece a apostasia.

A eleição da graça é o padrão segundo o qual o “remanescente” existe. Não segundo a lei de Moisés (capítulo 10:4), mas na base da graça. Esse remanescente existiu no passado, existe no presente, e continuará a existir no futuro. Esse é o “Israel de Deus” em Gálatas 6:16. A graça e as obras se excluem mutuamente, pois o que é alcançado pelas obras não o é pela graça. Felizmente a eleição, ou escolha de Deus, é pela graça e não pelas obras, senão ninguém alcançaria as condições necessárias para ser escolhido.

O “remanescente” alcançou a justificação pela graça, mas a nação de Israel como um todo não a obteve porque confiou nas suas próprias obras, e como consequência foi endurecida. É importante notar que a distinção não é entre Israel e a igreja de Cristo, ou entre israelitas e gentios, mas entre israelitas crentes e israelitas incrédulos. A existência de israelitas crentes, salvos pela sua fé, é evidência que Deus não rejeitou o Seu povo por completo. O endurecimento dos israelitas incrédulos já fora previsto no Velho Testamento (Deuteronômio 29:4, Salmo 69:22,23 e Isaías 29:10). Deus os deixaria num estado de insensibilidade às realidades espirituais. No Salmo 69:22-23 Davi descreveu o Salvador rejeitado pedindo a Deus para “tornar a sua mesa diante deles em laço, e sejam-lhes as suas ofertas pacíficas uma armadilha”. A mesa aqui representa a totalidade dos privilégios e bênçãos que fluem através de Cristo.

O que deveria ter sido uma bênção foi transformado em uma maldição, uma espécie de profundo sono, estupor (Isaías 29:10, 6:9), apatia, sem visão e com as costas encurvadas (como escravos levando grandes cargas sobre os ombros). Tendo recusado a reconhecer o Senhor Jesus como Messias e Salvador, não mais podiam vê-Lo. Fazendo-se surdos à Sua voz, foram acometidos de surdez espiritual. Este terrível juízo continua até hoje.

Logo vem a segunda pergunta:“Porventura tropeçaram de modo que (ou a fim de que) caíssem?” (Romanos 11:11). E novamente temos a resposta: “De maneira nenhuma”. A pergunta se refere à maioria do povo que tropeçou, e “caíssem”, é a tradução de um verbo em grego que significa “uma queda completa e irrevogável”. É inconcebível que Deus tenha falhado em Sua fidelidade. Tropeçaram, mas não caíram irrevogavelmente. Se Deus planejou o seu tropeço, foi para que lhes viesse salvação através dos gentios: a salvação dos gentios iria provocar ciúmes nos israelitas (Deuteronômio 32:21, Romanos 10:19), causando estes a crer também no Messias por ciúme daquilo que o gentio tem. Assim Deus salva os gentios, estes por sua vez anunciam o Evangelho ao israelita incrédulo, e este acaba crendo em Cristo vendo as bênçãos do Evangelho nas vidas dos gentios.

Hoje entre o povo de Israel os crentes estão reduzidos a um remanescente, mas no futuro haverá uma salvação nacional e nisso consiste a sua “plenitude” (versículo 12). O tropeço dos israelitas com a diminuição de Israel significou riqueza para o mundo e enriquecimento dos gentios (a sua salvação). Sendo assim, quanto maior benefício ainda resultará da restauração de Israel diante de Deus! Quando Israel se voltar para o Senhor durante a grande tribulação, vai se tornar o canal de benção para as nações e grandes multidões serão salvas entre os gentios (Apocalipse 7:9-14).

Paulo exalta o seu ministério aos gentios, que lhe fora designado pelo Senhor Jesus (Atos 9:15), para ver se de algum modo podia provocar os israelitas e salvar alguns deles. O versículo 15 tem o mesmo sentido que o versículo 12, vendo a posição de privilégio do mundo quando Deus colocou nele o testemunho do Seu povo, Israel, a reconciliação do mundo com Deus depois da rejeição do Messias por Israel, e a regeneração, ou mesmo ressurreição do mundo na admissão do Messias por Israel no reino milenar de Cristo. Mas os gentios não devem desprezar os israelitas que perderam a sua posição de privilégio, pois assim como Deus rejeitou os israelitas incrédulos e estendeu a Sua graça aos gentios pela sua fé, Ele rejeitará os gentios incrédulos se não permanecerem em Deus. Deus ainda aceitará novamente os israelitas, como nação, quando deixarem a sua incredulidade.

Devido à sua raiz em Israel, será mais natural para a nação dos israelitas ajustar-se ao reino de Deus quando crer do que para os gentios, que vêm de fora. O Corpo de Cristo jamais poderá ser separado de Cristo, que é a Cabeça, nem um crente pode ser separado do amor de Deus. Mas os gentios em geral poderão perder a posição privilegiada de que agora gozam, segundo Romanos 11:22.

Paulo revela um fato que antes fora encoberto (um segredo, mistério): a maioria do povo de Israel continuará em sua incredulidade até que haja entrado a plenitude dos gentios (a igreja de Cristo estará completa e os vivos, arrebatados, estarão em Sua presença), mas pouco depois disso todo o Israel será salvo na volta do Senhor, conforme profetizado em Isaías 59:20-21. Por “todo o Israel” deve se entender todos os israelitas vivos naquela época.

É impossível alcançarmos com a nossa mente humana a sabedoria, a justiça, o conhecimento de Deus, e Seus caminhos. Ninguém pode lhe dar conselhos, dEle e por meio dEle, e para Ele, são todas as cousas. A Ele, pois, seja dada a glória eternamente.

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O novo Código Civil e as igrejas

Hoje não mais se aconselha a criação de Associações que venham abrigar “casas de oração”, uma vez que as leis são mais severas e o fisco cada vez mais exigente. Por tais razões, cada Igreja local deve proceder a sua formação em Associação, cumprindo as exigências legais e fugindo de todos os embaraç

O Novo Código Civil Brasileiro, que entrou em vigor no dia 10 de janeiro de 2002, disciplinou as Associações de forma abrangente, em relação ao Código anterior que tratou do assunto em apenas quatro artigos. Em seu artigo 16 classificava as igrejas como “sociedades religiosas, pias”. Neste novo Código as igrejas estão inseridas como pessoas jurídicas de direito privado - “Associações” (Art. 44), disciplinadas nos artigos 53 a 61, e no que couber, de forma subsidiária, os artigos 966 a 1141, inclusos no Livro II.

Tanto o Código velho como o atual têm trazido muita preocupação e dúvidas por parte dos membros dirigentes de Igrejas, e de forma especial aos membros reunidos nas “casas de oração”, cujos princípios afastam-nas das denominações. Não desejam que sejam conhecidas ostentando nomes próprios, uma vez que se reúnem na simplicidade do Novo Testamento encontrada nos Atos dos Apóstolos. E muitos irmãos têm relutado na elaboração de Estatutos, temendo a indicação de um nome específico.

Entretanto, uma igreja local constituída em pessoa jurídica não perderá suas características neotestamentárias, e estará obedecendo as leis vigentes.

Uma igreja local nasce de forma bastante simples. Uma família, muitas vezes inicia um pequeno trabalho em sua casa convidando os vizinhos. Quando as primeiras conversões ocorrem, o número dos membros começa a crescer. Logo, com a arrecadação de suas ofertas, adquirem um terreno onde constróem uma sala destinada às reuniões. A partir daí surgem algumas questões: em nome de quem se coloca o imóvel, visto pertencer à comunidade? Quem será o responsável perante os órgãos públicos na construção do imóvel? E muitas questões poderiam ser levantadas, todas oriundas deste empreendimento. E aí o que se faz? Surge a necessidade da formação de uma Associação Evangélica que será representada por uma diretoria constituída.

No passado houve a existência de uma Associação que era responsável juridicamente por diversas “casas de oração”. Entretanto, referida Associação passava a ser proprietária dos seus imóveis, sem ter adquirido os mesmos com seus recursos, o que a colocava em situação de risco perante os órgãos públicos. Quando a igreja reunia elementos para sua formação jurídica a Associação devolvia o imóvel em forma de doação. Essa prática revestida de toda a legalidade por muitos anos resolveu o problema de forma satisfatória, sem quaisquer transtornos.

Hoje não mais se aconselha a criação de Associações que venham abrigar “casas de oração”, uma vez que as leis são mais severas e o fisco cada vez mais exigente.

Outra prática adotada e que aponta para diversos riscos, é a indicação de um ou dois membros como adquirentes do imóvel. Passam, assim, a serem os legítimos proprietários de um imóvel que foi adquirido por toda a comunidade. E nesta circunstância, devem incluir o imóvel em sua declaração de imposto de renda, terem os recursos suficientes para esta pseudotransação, e se responsabilizarem diante dos órgãos públicos.

Tal procedimento é deveras temerário, pois ocorrendo a morte de um dos “proprietários”, surgem herdeiros que deverão ser habilitados em inventário, transferindo-se a propriedade para os mesmos. E quando são pessoas sem qualquer vinculação com a igreja, podem existir demandas para a garantia dos direitos de propriedade.

Por tais razões, cada Igreja local deve proceder a sua formação em Associação, cumprindo as exigências legais e fugindo de todos os embaraços que possam surgir.

Algumas providências a serem tomadas:

  • A igreja local deverá anunciar uma Assembléia e expor a todos os membros a necessidade de sua regularização.
  • Caso esteja formada com um corpo de presbíteros, o que independe de sua formação jurídica, estes poderão indicar aos membros as pessoas capacitadas para exercerem a representação da igreja como pessoa jurídica. Os membros escolherão as mesmas para Presidente, Secretários (1º e 2º), Tesoureiros (1º e 2º). Uma vez concluída a referida escolha, uma ata deverá ser lavrada, com a assinatura de todos os membros presentes.
  • Em seguida, a nova diretoria deverá apresentar os Estatutos, os quais deverão ser elaborados por um advogado, observando todos os requisitos contidos no novo Código Civil. Uma vez concluídos os Estatutos, uma ata deverá ser lavrada com a transcrição dos mesmos.
  • Assim, tanto a composição da nova diretoria como os Estatutos, deverão ser encaminhados para o Registro Civil das Pessoas Jurídicas onde se localiza a sede da Igreja.
  • Uma vez registrados os Estatutos, o passo seguinte é tirar uma cópia dos mesmos, e entregá-los a cada membro mediante recibo. Em seguida os Estatutos deverão ser encaminhados a um Contador, o qual cuidará da formalização perante a Receita Federal (inscrição do CNPJ - Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas); Ministério do Trabalho (livro de empregados); Caixa Econômica Federal (FGTS); INSS, entre outros órgãos públicos.

Quanto às Igrejas que já possuem Estatutos registrados:

  • Para estas os procedimentos acima são dispensáveis, uma vez que já existem.  
  • Entretanto, os Estatutos deverão ser reformulados para serem adaptados ao novo Código Civil. Novamente o Advogado deverá cuidar dos mesmos, a fim de que sejam elaboradas as alterações. Uma vez concluídas e aprovadas em Assembléia Geral por dois terços dos presentes, os Estatutos deverão ser levados para o Registro das Pessoas Jurídicas onde se localiza a sede da Igreja. Uma vez registrados, uma cópia dos mesmos deverá ser entregue aos membros mediante recibo.
  • O novo Código Civil estabeleceu o prazo de um ano para as adaptações exigidas: “As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, terão o prazo de 1 (um) ano para se adaptarem às disposições deste Código, a partir de sua vigência; igual prazo é concedido aos empresários” (Art. 2031).

Algumas dicas importantes:

  • Fazer um cadastro de todos os membros com seus dados pessoais (idade, estado civil, profissão, residência, data de batismo etc), documentos de identidade (RG e CPF), guardando-os em pastas próprias.
  • Elaborar um documento que deverá ser assinado pelo membro, que está ciente do conteúdo dos Estatutos. Os menores de 18 anos devem assiná-los assistidos pelos seus responsáveis.
  • Nas Assembléias, por ocasião dos votos, os menores de 18 anos não poderão votar (para tanto o cadastro vai ajudar neste aspecto).
  • As atas devem ser bem legíveis, sem emendas ou rasuras em livros próprios, sem espaços em branco.
  • Atentar para o número dos votantes na Assembléia Geral, quando os administradores (diretoria) forem destituídos, quando as contas forem aprovadas, ou quando os estatutos forem alterados. É exigido o voto concorde de 2/3 dos presentes à Assembléia (Art.59). Os menores de 18 anos não serão contados.  
  • Os Estatutos devem ser bem específicos, especialmente em casos de admissão e exclusão de membros, pois não havendo previsão estatutária o membro atingido poderá recorrer ao Judiciário. Portanto, na redação dos Estatutos devem ser considerados direitos individuais e constitucionais (exemplo de casal amparado pela união estável, sem casamento pelas leis civis, que desejam se filiar à Igreja). Esta situação deverá ser bem definida nos Estatutos pela Igreja.  
  • Os imóveis deverão estar registrados em nome da Associação e toda documentação dos bens móveis regularmente contabilizada;
  • As entradas e saídas devem estar em ordem, assim como os livros a fim de serem exibidos ao Fisco assim que exigidos;
  • Entregar sempre uma cópia dos Estatutos para o novo membro, mediante recibo, declarando que está ciente e que concorda com os mesmos;
  • Definir nos Estatutos datas para as Assembléias Ordinárias, quando assuntos sobre o funcionamento da Igreja deverão ser tratados, e quando será escolhida nova diretoria.
  • Definir nos Estatutos datas para Assembléia Geral a fim de serem tratados assuntos como Prestação de contas, aprovação das mesmas, plano para o próximo ano, etc.

Diante destas exigências legais, cumpre a cada igreja local dar início a tais procedimentos. Mãos à obra!

autor: Orlando Arraz Maz.
Fatos & Relatos

O perigo do materialismo

Irmãos, os bens ou a falta deles não é o problema, mas é o que fazemos com os nossos bens, e damos graças porque estamos aprendendo que Aquele que é fiel no MÍNIMO também é fiel no muito. Os crentes da Macedônia nos deram um bom exemplo quando “em muita prova de tribulação houve abundância do seu go

O meu pai nasceu em 1879 nos Highlands da Escócia. Ele foi criado pelos seus pais na Igreja Livre da Escócia, onde quando jovem foi convertido. Sendo a família numerosa, meu pai mudou-se para Glasgow à procura de emprego e começou a assistir aos estudos bíblicos em Shiloh Hall, Glasgow, onde aprendeu pela primeira vez a necessidade do batismo bíblico como foi realizado no Novo Testamento, e foi batizado. Ele se reuniu com os irmãos ali até 1922, quando novamente voltou para os Highlands, onde eu nasci. Em 1930 os meus pais se mudaram novamente para uma fazenda perto de Glasgow, onde ficamos até mudarmos para o Brasil em 1952.

O meu pai gostava muito de trabalhos com crianças e sempre apreciava estar na Escola Dominical, embora morasse a 7 km da igreja. Nós, os meus irmãos e eu, fomos ensinados a respeitar o Senhor e a Sua Palavra, aliás, naqueles dias, a Escócia era chamada “o país que ama a Bíblia”. Infelizmente já se foram aqueles dias.

Eu aceitei Jesus Cristo como meu Salvador em janeiro de 1938 e em 1939 iniciou-se a segunda guerra mundial que durou até 1945, de modo que a minha mocidade foi vivida na sombra da guerra quando havia muitas restrições e sofrimento, mas a vida continuou.

A nossa igreja era formada de irmãos da classe média e havia muita harmonia entre todos. Não havia obreiro de tempo integral na igreja, mas cada um desenvolvia o dom que Deus lhe tinha dado, uns ensinando, outros pregando, outros ajudando na Escola Dominical, na reunião da mocidade etc. Havia uma reunião especial no domingo à noite para os marinheiros das forças armadas que foram feridos e ficaram em um hospital grande na região. Fui batizado durante a guerra e logo depois comecei a ajudar os irmãos, acompanhando um evangelista de crianças em várias campanhas dele.

Nos séculos 19 e 20 houve vários reavivamentos no Reino Unido e, logo após, um grande desejo de evangelizar publicamente e pelas casas. Entre as duas guerras mundiais não havia muitos automóveis e os crentes iam às igrejas a pé, procurando ao mesmo tempo falar do Senhor Jesus onde moravam, estudavam e trabalhavam.

Muitos jovens sentiram o dever de levar as Boas Novas para outras terras – Índia, África e América do Sul. Os irmãos da nossa igreja gostavam de convidar missionários para darem um relatório do Trabalho do Senhor, e vibrávamos ao ouvir das dificuldades e triunfos do Evangelho em outros países. Creio que uma das coisas que une o povo do Senhor são as campanhas de evangelização, quando todos estão fazendo o máximo para ver almas convictas e convertidas. Os missionários que partiram da Escócia tiveram o mesmo desejo nos países onde foram com o Evangelho, verdadeiramente foram pioneiros.

Logo depois de terminar a guerra havia uma grande falta de moradias, e o governo começou a construir conjuntos habitacionais e houve uma mudança da população, levando muitos para mais longe da igreja, mas não criou tanto problema porque agora existiam muitos carros.

Lentamente a população começou a perder o temor que se deve ao Senhor e o respeito para com a Bíblia, a família se desmoronou, e a sociedade tornou-se MATERIALISTA. Pensaram nos seus direitos, seu conforto, seu prazer, suas férias etc. As atitudes da sociedade atingiram a vida religiosa do país, e muitos prédios das igrejas nacionais foram vendidos, ficando assim muitas pessoas sem conhecer a Bíblia. Atualmente muitas pessoas nem sabem o que é a Bíblia.

Tais atitudes atingiram também os irmãos, e muitos sucumbiram ao DESÂNIMO, mas graças a Deus existe o remédio para o desânimo, que é olhar para Jesus, o autor e consumador da fé, e Deus está abençoando o Seu testemunho. Começaram a evangelizar mais vigorosamente e se tornaram uma influência positiva na vizinhança, como resultado Deus tem chamado mais jovens para servi-Lo em tempo integral.

Estou escrevendo tudo isso para que possamos dar graças a Deus, pois essa forma de MATERIALISMO por enquanto não chegou ao Brasil. Irmãos, os bens ou a falta deles não é o problema, mas é o que fazemos com os nossos bens, e damos graças porque estamos aprendendo que Aquele que é fiel no MÍNIMO também é fiel no muito. Os crentes da Macedônia nos deram um bom exemplo quando “em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza superabundou em riquezas da sua generosidade” (Leiam 2 Coríntios 8:1-5).

Há certas coisas que, como igreja, devemos lembrar:

  • Devemos estar prontos para explicar porque nos reunimos dessa forma e sermos acessíveis às pessoas que estão CONFUSAS por causa da situação religiosa que vivemos no Brasil.
  • Devemos explicar com clareza que Deus tem um plano para o Seu povo se reunir. O plano se encontra no Novo Testamento.
  • Ir além do plano ou ficar aquém do plano será prejudicial.
  • Criticar aqueles que trabalharam muito, e que agora estão com o Senhor, não é bom. Devemos lembrar que em Hebreus 11 elogia-se os atos de fé dos servos do passado sem comentar suas falhas.
  • Lembremos que os métodos de apresentar a mensagem mudam, mas a mensagem é a mesma e é a única que pode salvar o ser humano.
  • Sendo assim, devemos nos esforçar ao máximo em apresentar o EVANGELHO e VIVER de acordo com o ele. Irmãos, é tão fácil FALAR, mas o difícil é VIVER.
  • Devemos evangelizar sempre, mas de quando em quando devemos ter uma campanha especial para que todos os membros se esforcem na distribuição de convites e literatura, buscando as pessoas para ouvir o EVANGELHO. Um esforço assim UNE OS MEMBROS DA IGREJA.
  • O evangelismo não deve ser restrito às pregações na igreja, mas devemos aproveitar TODAS AS OCASIÕES.

Ao terminar, deixe-me citar as palavras do irmão T. Renshaw, pai de André Renshaw, de Casa Branca-SP: “Os nossos grupos locais dão a sua expressão mais apropriada ao ensino bíblico quando praticam e pregam a verdade em amor. Não há nada antiquado ou inaplicável nos princípios do ensino do Novo Testamento. Ocasionalmente, porém, ouvimo-los tratados com severidade áspera. Isso é inescusável ... Lembremos que muitos crentes piedosos são achados fora dos nossos círculos. Se eles cruzam os nossos caminhos ou freqüentam as nossas reuniões, deveríamos mostrar-lhes todo amor e gentileza ... Deveriam achar entre nós uma antecipação autêntica de afinidade espiritual que será realizada plenamente quando o Senhor voltar”. Que assim seja!

autor: James D Crawford.
Fatos & Relatos

O profeta Oseias

Oseias é o profeta que mais realça a extensão e a profundidade do amor de Deus

Na introdução do seu livro de profecias, que empresta o seu nome (hebraico hôshêa’, que se traduz “salvador”), Oseias apenas se apresenta como filho de Beeri, sobre quem nada mais sabemos. Foi o único profeta oriundo do reino de dez tribos do norte, chamado Israel, que escreveu um livro incluído na Bíblia.

Oseias profetizou em Israel durante cerca de 70 anos; foi contemporâneo de Isaías e Miqueias. A declaração no primeiro versículo esclarece que a Palavra do Senhor veio a ele "nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel”. Calcula-se que Uzias reinou entre 810 e 758 a.C. e Jeroboão, filho de Joás morreu em 743 a.C.

A sua história pessoal, descrita nos capítulos 1:1 a 11 e 3:1 a 5 do seu livro, informa que Oseias se casou com uma mulher chamada Gomer, que teve com ela dois filhos e uma filha, a quem deu nomes simbólicos a mandado do Senhor, que ela depois o abandonou para entregar-se à devassidão, mas Oseias continuou a amá-la e finalmente salvou-a da escravidão para que fosse sua esposa novamente. Sua experiência trágica fez com que pudesse entender como Deus amava o povo de Israel e desejava a restauração daquela nação infiel.

Em seu livro, Oseias lamenta a imoralidade dos chefes em Israel, a falta de confiança em Deus, a deslealdade ao concerto de Deus com o Seu povo, e salienta o amor e a lealdade de Deus. Conclui com a futura cura e restauração do remanescente do povo de Israel (veja Romanos 11:25-27).

São importantes as citações deste livro que se acham no Novo Testamento, prevendo a volta de Jesus do Egito quando menino, a salvação dos gentios e a grande tribulação (veja Mateus 2:15 e 9:13; Lucas 23:30; Romanos 9:25-26; Apocalipse 6:16).

O profeta, logo de início, informa que o seu casamento foi feito em conformidade com a vontade de Deus. Isto pode parecer inverossímil, se for entendido descuidadamente que Oseias foi instruído a se casar com uma prostituta. Um entendimento assim obviamente traz implicações morais, inconsistentes para um homem de Deus. Por isto, muitos comentaristas se sentem forçados a julgar que é apenas uma alegoria para ilustrar o relacionamento entre Israel e Deus.

UMA ALEGORIA APENAS?


Os intérpretes judeus em sua generalidade consideram aqueles textos como sendo alegóricos, e alguns comentaristas do início da igreja cristã encontraram nas palavras finais do livro de Oseias uma justificação para entender que era apenas uma visão: "Quem é sábio, para que entenda estas coisas? prudente, para que as saiba? porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles; mas os transgressores neles cairão” (capítulo 14:9).

É um mistério, diziam eles, para ser desvendado pelos sábios e prudentes, pois é escandaloso até mesmo pensar que Deus possa ter ordenado a Oseias casar-se com uma prostituta, por melhor que seja a finalidade. Os caminhos do Senhor são retos, e o fim não justifica os meios.

Declaravam que só podia ser uma figura, como aquela quando Jeremias foi instruído a ir até o rio Eufrates (estando Jerusalém sitiada fortemente por todos os lados) para esconder um cinto no leito do rio (Jeremias 13). Ezequiel também foi ordenado a fazer algumas coisas que nos parecem extravagantes para representar o cerco de Jerusalém e indicar os anos da sua iniquidade (Ezequiel 4 etc.).

Junto com Calvino, muitos comentaristas modernos sustentam que uma aceitação literal dos fatos é impossível, e até desnecessária. O paralelo da alegoria com a história do relacionamento de Deus com Israel é bem claro, sem precisar de tamanho sacrifício: o amor que o profeta teria pela sua mulher seria tão grande que, perdoando o seu pecado contra si, foi buscar e restaurá-la. Assim também, apesar de negado e traído pelo povo de Israel, representado pela mulher na alegoria, Deus ainda cumprirá as promessas que fez aos patriarcas. Persiste atualmente um divórcio no sentido material, mas haverá finalmente resgate e reconciliação.

O ENTENDIMENTO SÁBIO E PRUDENTE

A aceitação literal desses textos é perfeitamente viável, sendo que foi e continua a ser defendida por muitos expositores de renome na atualidade. O original hebraico não exige entender que a mulher Gomer fosse imoral antes do casamento. Esse significado, inclusive, destrói o paralelismo de Gomer com o povo de Israel que, ao sair do Egito pela mão de Deus até o Sinai, não estava ainda contaminado pela idolatria.

A expressão "uma mulher de prostituições e filhos de prostituição" prevenia Oseias da natureza pecaminosa da mulher em comum com o povo “porque a terra se prostituiu” (Oseias 1:2), explicando o comportamento posterior daquela mulher. A expressão “filhos de prostituição” não indicava que sua mãe já os tivesse ao casar, mas a natureza dela (veja um paralelo em 1 Coríntios 7:14).

Assim sendo, a mulher não teria que ser uma prostituta profissional ou religiosa antes do seu casamento, mas seria uma mulher do mundo daquele tempo. A sua impiedade veio à tona mais tarde, ao deixar o profeta para afundar-se cada vez mais em seu pecado. Ao escrever o relato posteriormente, o profeta já estava ciente do verdadeiro caráter dela e por isso não estranhou a qualificação feita por Deus no início da sua profecia.

Existem outras variantes, dado que “prostituições” também podem significar as falsas religiões que prevaleciam em Israel naquele tempo. Pode-se entender, portanto, que o profeta se casou com uma mulher idólatra, que transmitiu a idolatria aos seus filhos, conforme o capítulo 1, versículo 2. A infidelidade conjugal e declínio moral da mulher seriam produto da sua idolatria.

EM CONCLUSÃO

Oseias é o profeta que mais realça a extensão e a profundidade do amor de Deus, tendo ele próprio passado pelas agruras da traição e do horrível desmoronamento espiritual, moral e físico da sua esposa, e sofrendo mais ainda porque continuava a amá-la.

No início do ministério do profeta, o Reino do Norte estava aproveitando a prosperidade que tinha e se envolveu na idolatria dos povos que o cercavam e apostataram contra o verdadeiro Deus. O que Oseias descreve sob a figura repulsiva de prostituição era a adoração desenfreada aos baalins que tinha praticamente obscurecido o reconhecimento das reivindicações únicas para o culto do Deus de Israel.

Esta era uma forma antiga e insidiosa de idolatria. A adoração das tribos cananeias, entre as quais os israelitas se encontraram quando da ocupação da Terra Prometida, dirigia-se a divindades locais, conhecidas pelos nomes dos lugares onde cada uma tinha seu santuário ou influência. O nome genérico de “baal”  (senhor) era aplicado naturalmente como uma palavra comum para cada uma delas, com a adição do nome do lugar ou cidade para distingui-los. Assim, encontramos Baal-Hermom, Baal-Gade, Baal-Berit etc.

A insídia deste tipo de adoração é comprovada pela sua ampla prevalência através dos tempos, quando a mente ignorante é colocada face a face com as forças misteriosas e invisíveis da natureza. E a tenacidade do sentimento se evidencia mesmo hoje pela prevalência de tal adoração por pessoas cuja religião professada condena a idolatria de todo tipo. No falso cristianismo são notórias as peregrinações aos santuários de mortos que, embora não sejam formalmente adorados como divindades, têm a mesma reputação de trazer benefícios.

Tal era a condição que Oseias descreve como uma ausência do conhecimento de Deus (capítulo 4:1). E a consequência não pode ser descrita melhor do que nas palavras de Paulo: "assim como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm" (Romanos 1:28). Tanto Oseias como Amós nos dizem em termos claros como os devotos do culto impuro entregaram-se "à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de impureza” (Efésios 4:19).

A situação espiritual do mundo atual tem ainda todas as características daquele tempo, às quais podemos agora acrescentar o humanismo, que apregoa a superioridade do ser humano, sem Deus, apoiado pelas teorias impossíveis do evolucionismo, tudo levando ao materialismo egoísta e inimigo de Deus.

A triste experiência de Oseias se repete frequentemente de forma semelhante nos casamentos mistos de crentes com descrentes, enquanto a de Israel, representada por Gomer, se vê também nas igrejas que se afastaram de Deus ao permitirem que o mundo nelas entrasse. Estejamos prevenidos e atentos para não sermos também vítimas de alianças com os inimigos do nosso Deus.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O progresso na corrida espiritual, com a santificação

Só devem orar em público aqueles que já confessaram os seus pecados, que não têm amargura em seus corações contra Deus ou os seus irmãos, e que se chegam com fé, crendo que Deus vai ouvir e responder (Mateus 21:22). Quando nos reunimos como igreja, não é nosso costume orar todos audivelmente ao mesm

Hebreus 12: 12 a 17

Voltando à metáfora do atleta anteriormente empregada, temos agora duas exortações concernentes aos que, na sua carreira cristã, se sentem fatigados, esgotados e apáticos, às vezes não só perdendo a sua posição competitiva mas até precisando de muletas.

  1. A primeira é “levantai as mãos cansadas, e os joelhos vacilantes”. Encontramos uma exortação semelhante em Isaías 35:3 concernente ao povo de Israel. O crente não deve se abater com as circunstâncias adversas da vida; seu lapso de fé pode até ter uma influência desfavorável sobre os outros. As mãos cansadas devem ser levantadas para servir o Cristo vivo e os joelhos fracos devem ser reforçados para caminhar vigorosamente. Assim será combatido qualquer sentimento de depressão ou desalento que poderia impedir o cumprimento da vontade do Senhor, e a realização do propósito da disciplina. O verbo traduzido como “levantar” aqui significa “erguer de novo” no original grego, usado também para restaurar ruinas (Atos 15:16) e no milagre em que o Senhor Jesus endireitou a mulher que andava encurvada (Lucas 13:11-13).

  2. A segunda exortação é para fazer “veredas direitas para seus (vossos) pés”. A palavra traduzida "direitas" é orthos (da qual derivamos a raiz da nossa palavra ortopédica). Ela aparece também no relato da cura de um coxo de nascença por Paulo (Atos 14:10). Note-se que está no plural: devemos assegurar que nossos pés andam pelo caminho de Cristo, não só para nosso sucesso espiritual, mas também para o dos que porventura estiverem fraquejando: com nosso exemplo, estes serão sarados ao seguirem os caminhos retos que usamos para nossos próprios pés. 

Os crentes devem se esforçar para ter um relacionamento pacífico com todos a todo momento. Lembremos a bem-aventurança: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9), e também o mandado “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18). Devemos nos abster de qualquer coisa que possa perturbar a paz, e fazer o máximo possível para mantê-la, mas nunca com prejuízo da santidade. Esta exortação é especialmente necessária em meio à perseguição constante, quando alguns chegam a abandonar a fé, ou quando ficamos impacientes. Em tais momentos é muito fácil extravasar nossa frustração e medo sobre as pessoas mais próximas e queridas.

Também devemos nos esforçar pela nossa santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor”. A paz que vem com o Espírito de Deus é sempre acompanhada pela santificação, ou seja, a separação de toda a forma de mal e a dedicação pessoal a Deus, inclusive em ações e pensamentos. A santificação não é uma opção na vida cristã, mas é parte essencial dela. Só os limpos de coração verão a Deus (Mateus 5:8).

A Bíblia nos ensina que existem três fases na santificação de todo aquele que é salvo pela graça de Deus, mediante a fé na pessoa e obra redentora de Jesus Cristo:

  1. A santificação “posicional” feita no momento em que o pecador nasce de novo, por obra do Espírito Santo, ao receber o Senhor Jesus como seu único e verdadeiro Salvador (Efésios 1:7). Todos os seus pecados são então efetivamente remidos pelo sangue inocente do Cordeiro de Deus vertido na cruz, e ele está limpo.

  2. A santificação “progressiva” durante a vida aqui no mundo (Tiago 4:8). A separação do mal que nos cerca exige vigilância e esforço, gradativamente nos tornando mais semelhantes ao Senhor Jesus em pensamentos, palavras e obras (Levítico 11:45, 1 Pedro 1:15, 16, etc.). A graça de Deus permite que prossigamos nessa caminhada, e está sempre disponível (Hebreus 4:16).

  3. A santificação “perfeita” (Apocalipse 1:5). A santificação é completada quando um crente vai para o céu. Ele então está livre do pecado porque o pecado não existe no céu. Sua velha natureza é removida ao morrer, e ele permanece em seu estado posicional de santo.

Depois de salvos pela graça de Deus, enquanto vivemos aqui no mundo passamos pela santificação progressiva, e isto envolve nossa obediência e cooperação; devemos cultivar a santidade continuamente. O fato que devemos seguir a santidade é evidência de que não a alcançaremos totalmente nesta vida. No entanto, se alguém fracassar não será por falta de graça da parte de Deus, mas porque não se valeu da graça gratuita que Ele oferece mediante a fé em seu Filho. Somente pela Sua graça é que poderemos atingir o alvo de vê-lo.

A prática da santidade é evidência do novo nascimento do crente. Quem não demonstra progresso em santidade não foi salvo. Quando o Espírito Santo habita em uma pessoa, Ele manifesta Sua presença por uma vida nova, desejando a santificação.

Os dois versículos seguintes mencionam quatro pecados para evitar, ou seja, a apostasia, a raiz de amargura, a devassidão e a imoralidade, sendo que os três últimos têm um forte relacionamento com o primeiro:

  1. A apostasia surge do fracasso em obter a graça de Deus, concedida somente com o novo nascimento. A pessoa parece ser crente, fala e se comporta como se fosse, e até mesmo professa crer em Cristo, mas nunca realmente crê nEle ao ponto de recebê-lo como seu Salvador e Senhor. Chega tão perto, mas falta o essencial.

  2. A raiz de amargura é o pecado que entra numa congregação sutilmente e vai se agravando e espalhando pelos seus membros. O apóstata se priva da graça de Deus e nessa condição reclama contra Ele, repudia a fé e contamina outros na congregação com suas queixas, dúvidas e posição negativa. “Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo” (Hebreus 13:12).

  3. A devassidão compreende licenciosidade e perversão, das quais procedem tripúdio, libertinagem, desregramento, deboche, crápula, prevaricação, depravação, enfim, a corrupção. Provém do desrespeito às leis divinas, que caracteriza a apostasia.

  4. A apostasia está intimamente ligada com a imoralidade, como vemos em 2 Pedro 2:10,14,18 e Judas 1:8,16,18. “Estes são os que causam divisões; são sensuais, e não têm o Espírito” (Judas 1:19). 

Enfim, a apostasia é uma espécie de ateísmo, ilustrada por Esaú. Ele não dava valor ao direito da primogenitura, que assegurava bênçãos especiais de Deus para o seu titular, geralmente o primeiro filho na linha de descendentes de Abraão. Esaú o desprezou e trocou-o com seu irmão Jacó por uma sopa de lentilhas. Mais tarde arrependeu-se quando percebeu o valor das bênçãos de Deus que viriam aos herdeiros do seu avô, Abraão. Mas aquela sua decisão era irreversível.

Assim acontece com o apóstata. Ele não tem verdadeiro respeito por valores espirituais e voluntariamente renuncia Cristo para gozar dos prazeres sensuais do mundo, e para evitar o desprezo, sofrimento ou martírio de que os crentes são vítimas. Seguindo este caminho, o apóstata não pode ser renovado para arrependimento. Mesmo havendo remorso, a decisão que tomou foi definitiva.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O reino de Cristo (1)

O cristão pode pessoalmente discordar do que a autoridade governamental vigente faz, e com razão considerá-la incapaz, desonesta, maldosa, etc., mas nem por isso deve reagir publicamente contra ela, em atos ou palavras. Deve dar graças pela liberdade que ainda tem de pregar e praticar o Evangelho at

O Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao mundo dois mil anos atrás para dar a Sua vida em resgate de todos os pecadores que se arrependem e nele creem. Um dia Ele fisicamente voltará para livrar o Seu povo dos seus inimigos e estabelecer o Seu reino sobre a terra com justiça e equidade.

O reino não deve ser confundido com a Igreja. O Senhor Jesus ofereceu-Se à nação de Israel como rei, mas foi rejeitado (Mateus 23:37). Seu reino literal na terra foi, portanto, adiado até que Israel se arrependa e O receba como Messias (Atos 3:19-21).

Por enquanto, o rei está ausente. No entanto, Ele tem um reino invisível na terra (Colossenses 1:13), que abrange todos os que professam fidelidade a Ele (Mateus 25:1-12). De certa forma, em sua situação atual, consiste em todos os que se declaram ser cristãos, ou aparentam sê-lo (Mateus capítulo 13), mas na realidade inclui apenas aqueles que nasceram de novo (João 3:3-5). 

A Igreja é algo totalmente novo. Não era assunto de profecia do Velho Testamento (Efésios 3:5). É composta por todos os crentes desde a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes até o seu arrebatamento pelo Senhor Jesus, ainda futuro (João 14:3; 1 Tessalonicenses 4:17). Como noiva de Cristo, a Igreja reinará com Ele no Milênio e compartilhará Sua glória para sempre.

Cristo voltará à terra como rei no fim da Grande Tribulação, destruirá Seus inimigos e definirá Seu reinado de retidão sobre toda a terra (Salmo 72:8). Embora Seu reinado a partir de Jerusalém dure apenas 1.000 anos (Apocalipse 20:4), ainda o Reino é eterno no sentido de que todos os inimigos de Deus terão sido finalmente destruídos, e Ele reinará eternamente no céu sem oposição ou impedimentos (2 Pedro 1:11).

Temos registradas no Velho Testamento várias informações sobre esse assunto, dadas por Deus e transmitidas através dos Seus profetas, inclusive quatro promessas muito importantes feitas por Ele ao povo de Israel. Não foram reveladas as datas do seu cumprimento, e por serem muito auspiciosas para os judeus, muitos deles esperavam seu acontecimento já por ocasião da primeira vinda de Cristo.

As quatro promessas são, resumidamente:

  1. O convênio “Abrâmico" – promete, entre outras coisas, um território para Abraão e sua descendência, com limites claramente especificados (Gênesis 13:15). Até agora só ocuparam uma parte, mas o convênio será cumprido no Milênio.
  2. O convênio “Territorial” – também conhecido como “Palestino” – prevê o recolhimento dos judeus atualmente dispersos por todo o mundo, para tomarem posse do seu território e restabelecerem seu reino.
  3. O convênio “Davídico” – promete quatro coisas eternas: uma “casa” ou dinastia, um Trono, um reino e um Rei. A dinastia de Davi se tornou eterna porque culminou em uma Pessoa eterna: Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se fez descendente de Davi. Assim o trono e reino são eternos também, mas o restabelecimento do trono de Davi na terra e o início do reinado aqui ainda estão por acontecer.
  4. O convênio “Novo” – concernente à regeneração nacional e salvação de toda nação de Israel, abrangendo cada judeu pessoalmente, vivo nessa ocasião. Isto também aguarda seu cumprimento final e requer um Reino futuro (Salmos 15:1-5 e 24:1-6; Isaías 2:2-4).

Estas promessas formam a base da fé na vinda do reino de Cristo na terra. São incondicionais, feitas a Israel que é um povo singular, formado cerca de quatro Milênios atrás, que foi preservado através de terríveis perseguições como nenhum outro, e através de quem Deus tem Se comunicado com a humanidade de modo sobrenatural. As promessas só podem ser cumpridas por Deus mesmo, nenhuma nação tem poder para isso.

Há inúmeras profecias no Velho Testamento que falam da chegada do Messias (“Ungido” no hebraico) que vai reinar em paz sobre o mundo, com sede em Jerusalém, no trono de Davi. No Novo Testamento somos informados da sua duração nesta terra: exatamente mil anos (ou Milênio), um detalhe fundamental que não é dado no Velho Testamento. Muitas informações dadas nos capítulos 4 a 19 do livro final da Bíblia, o Apocalipse, concernem assuntos já abordados por profetas, através de séculos, no Velho Testamento: as informações do Apocalipse nos permitem colocá-las em ordem cronológica.

As restantes profecias do Velho Testamento ainda não cumpridas reforçam a fé no Reino de Cristo, o Messias, fornecendo um panorama da vida na terra durante esse tempo. Vamos a seguir nos ocupar brevemente com as Escrituras que tratam das características gerais do Reino de Cristo, que compreende tanto judeus quanto gentios, tanto os ainda vivos, quanto os ressuscitados.

  • Salmo 15 – Temos aqui a descrição do grau de justiça que caracterizará um cidadão do Reino.
  • Salmo 24:1 a 6 – Esta é uma passagem descreve o estabelecimento do Reino e a justiça que caracterizará o homem que estará relacionado corretamente com Deus nessa ocasião. Juízes autorizados se assentam sobre tronos.
  • Isaías 2:2 a 4 – Aqui temos a descrição de uma das características principais do Reino de Cristo, que é a paz universal. Enquanto ainda surgirão diferenças entre as nações, essas diferenças não serão resolvidas mediante conflitos militares, mas somente pela Palavra do Senhor, de Jerusalém. Mesmo a arte de guerrear será esquecida.
  • Isaías 11:6 a 9 – A paz universal descrita anteriormente se estenderá mesmo até ao mundo animal. Nos versículos 6 e 7 todos os animais voltarão ao seu estado original no Éden e serão vegetarianos. No versículo 8, os maiores inimigos, o homem e a serpente, viverão pacificamente, pois o conhecimento de Deus se permeará através do mundo inteiro, afetando da mesma forma o homem e o animal.
  • Miqueias 4:1 a 5 – Os versículos 1 a 3 desta passagem são os mesmos encontrados em Isaías 2:2-4, informando que a montanha da Casa do Senhor se tornará o centro da atenção da população de gentios do mundo, sendo o reino caracterizado como tempo de ensino cristão e da ausência de guerra à medida que a paz é permeada pelo reino inteiro. No versículo 4 Miqueias acrescenta que o reino será tempo de paz pessoal e prosperidade, com fidelidade absoluta de Israel a Deus (versículo 5).

No capítulo 20 do livro do Apocalipse aprendemos que Satanás estará preso no Abismo durante todo o Milênio, resultando na redução da morte e do pecado, mas não em sua completa eliminação. Será um período de grande prosperidade material individual e coletiva, e de paz entre os seres humanos, entre estes e dos animais e destes entre si, com a remoção de muitos dos efeitos da maldição divina após o Éden.  Durante esse tempo prevalecerá a verdade, a santidade e a justiça exercidas a partir de Jerusalém. Será um tempo de construção e plantação, com resultados garantidos e contentamento nesses trabalhos.

O Reino de Cristo será uma monarquia absoluta, com uma estrutura definida de comando e delegação de autoridade. O monarca absoluto será Jesus Cristo. Ele delegará autoridade a dois ramos de governo: o judeu e o gentio, cada um tendo suas próprias linhas de comando.

Toda a Bíblia ensina claramente que Jesus Cristo, o Filho de Deus, assumirá a posição de Rei no trono de Davi e governará Israel num reino cujo domínio se estende sobre todos os gentios também (Salmo 2:6 a 8). O Senhor Jesus é a segunda pessoa da Trindade, e descendente da linha real de Davi.

Embora Seu trono esteja em Jerusalém, o Seu domínio não se limitará ao território de Israel, mas se estenderá sobre todo o nosso planeta, assim dominando todos os gentios também (Isaías 9:6-7; Jeremias 23:5-6, 33:14-17; Zacarias 14:9).

Nota: A segunda parte deste artigo será publicada no próximo número desta revista.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O resultado da fé

O céu que compreende todo o universo visível, a olho nu ou com instrumentos, e onde está o nosso planeta, é apenas um dos céus de que nos fala a Bíblia (Deuteronômio 17:3, 33:26, Jeremias 8:2, Mateus 24:29 etc.). Mais perto de nós temos o “firmamento”, também visível (Gênesis 1:6, 2:19, 7:3,23, Salm

HEBREUS 11

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”: esta declaração não é uma definição de fé, mas uma afirmação do seu poder e alcance. Há uma ênfase especial sobre a palavra “é”; isto marca a realidade da fé, e a confirmação desta é introduzida pelo "porque" do versículo 2: “Porque por ela os antigos alcançaram bom testemunho”.

A palavra gregahupostasis, aqui traduzida fundamento”, também é traduzida como "pessoa" (1:3) e “confiança” (3:14), e pode-se entender também como “substância”. Isso é o que a fé faz com as coisas que se esperam: a expectativa torna-se realidade. A palavra "substância" é o exato equivalente em português dehupostasis. A palavra grega elegchos, traduzida “prova”, é só encontrada aqui no Novo Testamento, e denota o resultado de uma prova; não é simplesmente uma convicção do fato que coisas invisíveis existem, mas são realmente o resultado da experiência na vida do crente. Este é o trabalho do Espírito Santo, invisível, mas habitando nele. A fé aceita o que Deus declara e vê a prova.

Os “antigos” (os heróis dos tempos do velho testamento), receberam aprovação divina por causa da sua fé e o Espírito Santo nos dá testemunho deles em sua Palavra:

  • “Venceram reinos”, como Josué, os juízes (que eram também líderes militares), Davi etc.
  • Praticaram (ou melhor, forjaram) a justiça”, esforçando-se a praticar a justiça eles próprios e a vigorosamente levar outros também a fazê-lo, incluindo limitar-se a fazer apenas o que é certo e justo numa vida de santidade.
  • Alcançaram promessas”, o que pode significar tanto fazer convênios com Deus, como no caso de Abraão, Moisés, Davi e Salomão, como usufruir o cumprimento deles, demonstrando assim a confiabilidade da Palavra de Deus.
  • “Fecharam a boca dos leões”, lembrando-nos as experiências de Daniel (Daniel 6:22), Sansão (Juízes 14:5-6) e Davi (1 Samuel 17:34-35).
  • Apagaram a força do fogo”, como no caso dos três amigos de Daniel que foram lançados na fornalha de Nabucodonosor, mas escaparam ilesos.
  • Escaparam ao fio da espada", Davi escapou de ataques mal-intencionados de Saul (1 Samuel 19:9-10), Elias escapou do ódio homicida de Jezabel (1 Reis 19:1-3), e Eliseu fugiu do rei da Síria (2 Reis 6:15-19).
  • Da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros”. Muitos símbolos de fraqueza são encontrados nos anais da fé. Eúde, por exemplo, era canhoto; no entanto, ele matou o rei de Moabe (Juízes 3:12-22). Jael, um membro do "sexo frágil", matou Sísera com uma estaca da tenda (Juízes 4:21). Gideão usou jarros de barro frágil para derrotar os midianitas (Juízes 7:20). Sansão usou a queixada de um jumento para matar mil filisteus (Juízes 15:15). Todos eles ilustram a verdade que Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes (1Coríntios 1:27). Eles se tornaram valentes na batalha. A fé dotava os homens com força além do que era natural e permitiu-lhes superar perante o que parecia insuperável. Puseram em fuga os exércitos estrangeiros. Embora muitas vezes subequipados e em grande desvantagem, os exércitos de Israel levaram a vitória, para a confusão do inimigo e o espanto de todos os outros.
  • As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos”, como a viúva de Sarepta (1 Reis 17:22-24) e a sunamita (2 Reis 4:34).
  • Alguns foram torturados, “não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição”: receberiam livramento se renunciassem ao Senhor, mas preferiam morrer e ser ressuscitados para a glória celeste do que viver aqui como traidores de Deus. O verbo gregotumpanizoaqui traduzido como “torturado” significa espancar até a morte (tumpanonum tambor, batido com uma baqueta), ou esticar em cima de uma roda de tortura. O sentido é geral, ou seja, causar qualquer tipo de tortura. A "ressurreição melhor" significa melhor do que a ressurreição daqueles mencionados antes, que foram vivificados apenas para morrer de novo. Pode, no entanto, indicar que a sua ressurreição iria resultar em uma maior felicidade e recompensa do que se tivessem evitado o sofrimento.
  • “Outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões”: Por causa da sua fidelidade a Deus, Jeremias suportou todas estas formas de punição (Jeremias 20:1-6; 37:15). José também foi preso, porque preferiu ser castigado a pecar (Gênesis 39:20).
  • Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada”: o Senhor Jesus declarou aos escribas e fariseus: “...para que sobre vós (eles e seus antecessores)caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar” (Mateus 23:29-35). A tentação era de abandonar a sua fé e negar o seu Deus. Segundo a tradição dos judeus, Isaías foi serrado ao meio a mando do rei Manassés. O profeta Urias foi tirado do Egito e trazido ao rei Jeoiaquim, que o matou a espada, e lançou o seu cadáver nas sepulturas da plebe (Jeremias 26:22).
  • Andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados”: alguns que escaparam da morte eram necessitados, aflitos e maltratados; por falta de roupas eram obrigados a se cobrir com peles de ovelhas e de cabras, vagando assim sobre os desertos e montanhas, em covas e cavernas da terra.
  • O mundo não era digno deles”: Esta declaração expressa a apreciação divina. O mundo julga que os que são verdadeiras testemunhas de Deus não são dignos dele, mas Deus inverte a comparação. O mundo despreza os que se separam dele e dos seus costumes. O mundo será um dia forçado a reconhecer que Deus está certo. Para o restante do versículo 38 veja, por exemplo, 1 Reis 18:4.

Deus fez com que a perfeição desses heróis não se completasse sem nós. Eles nunca gozaram de uma perfeita consciência quanto ao pecado; e não gozarão da perfeição total dos seus corpos até o retorno do Senhor ao Seu povo (Isaías 26:19, Daniel 12:2, Apocalipse 20:4). Então eles gozarão a perfeição da glória da ressurreição de que nós já estaremos desfrutando como membros da igreja de Cristo arrebatada para encontrar o Senhor no ar (1 Tessalonicenses 4:13-18).

Os santos do Velho Testamento não receberam ainda o cumprimento da promessa, não apenas da futura bênção terrena, mas daquilo que ainda receberão em seu novo corpo de ressurreição e de glória. Só podemos admirar suas provas tremendas e seus triunfos emocionantes, suas façanhas extraordinárias e a sua resistência! Eles viveram antes da Cruz e nós vivemos a glória da Cruz. Como se comparam as nossas vidas com as deles? Este é o desafio convincente de Hebreus 11.

A fé nos exercita a mente com discernimento, por exemplo, permitindo-nos compreender a verdade do relato da criação encontrado na Bíblia. Deus, o nosso Criador, é a única testemunha de que dispomos de como o universo veio a existir e pela fé confiamos em Sua Palavra: sabemos como tudo aconteceu por causa da nossa fé no que ela nos conta. A concepção da existência de Deus como Espírito antes da matéria, e de Ele ter dado origem a esta pelo Seu simples comando, está além do domínio da razão humana e de qualquer demonstração científica. Simplesmente aceitamos por um ato de fé que a matéria não tem origem em matéria, mas foi originada pelo Espírito divino (João 4:24).

Entendemos pela fé. O mundo diz, "Ver para crer." Deus diz, "Crer é ver". Jesus disse para Marta, "Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?" (João 11:40). O apóstolo João escreveu, "Estas coisas vos escrevo, a vós que credes...  para que saibais..." (1 João 5:13). Em questões espirituais a fé precede a compreensão. Os mundos foram originados pela Palavra de Deus. Deus falou e surgiu a matéria. Isto concorda perfeitamente com a descoberta do homem que matéria é essencialmente energia. As coisas que vemos (matéria), não foram originalmente feitas de coisas visíveis. O fato da criação, conforme relatado brevemente no primeiro capítulo da Bíblia é impecável. Nunca foi e nunca será melhorado.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Os ensinadores perigosos

Cumpre-nos, portanto, sermos fiéis, vigilantes e combatentes ativos em defesa da santidade do Evangelho dentro da nossa igreja, eliminando a manifestação do mal e cuidando para que ensinadores perigosos não sejam convidados e ouvidos dentro dela.

A relativamente pequena carta de Judas nos previne contra os ensinadores perigosos que entram nas igrejas, mas se afastam da doutrina bíblica para explorar a credulidade dos seus seguidores.

Os falsos profetas e mestres já haviam sido previstos pelo Senhor Jesus em Mateus 24:11 e mais tarde por Pedro em sua segunda carta no capítulo 2:1-2. Os historiadores nos informam que quando a carta de Judas foi escrita, estava sendo divulgada a heresia do "gnosticismo", sistema de filosofia religiosa cujos adeptos diziam ter o conhecimento perfeito dos atributos de Deus (independentemente das Escrituras Sagradas), rejeitavam a doutrina bíblica da criação e negavam a realidade do corpo humano de Cristo. Dois dos resultados da entrada do gnosticismo no ambiente cristão do seu tempo foram a irreverência e a libertinagem na forma de devassidão ou imoralidade.

Dirigindo-se a todos os “chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo”, ou seja, os crentes salvos de todas as épocas, Judas declarou que sentiu a necessidade de escrever “exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos”. Ele não estava se referindo à fé individual em Cristo para a salvação, mas, sim, à totalidade dos ensinos dados pelos apóstolos e profetas que formam o cristianismo e o distinguem do judaísmo e das demais religiões. Notemos que esta fé fundamental, que é o Evangelho (esta palavra se encontra 100 vezes no Novo Testamento), foi entregue aos santos “de uma vez para sempre”: é permanente e imutável. Não permite que se considerem como legítimos outros evangelhos, sejam na forma de novas “revelações”, bulas papais, mensagens de anjos, ou quaisquer outras: “Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” (Gálatas 1:9).

A exortação é para pelejar, e isto quer dizer tomar uma atitude ativa, ao contrário da passividade. “Pelejar pela fé” significa manter fielmente e defender resolutamente os ensinos fundamentais e básicos da fé cristã, a doutrina evangélica. Os ensinadores perigosos penetram nas igrejas, o que é uma realidade incontestável comum por toda a parte, e terão sucesso se os membros da igreja ficarem passivos. As consequências dessa passividade serão graves e o castigo de Deus será severo. Como exemplos, Judas cita o castigo divino que nos tempos passados veio sobre os homens incrédulos e rebeldes de Israel, sobre o atrevimento de anjos e também sobre a perversidade dos habitantes de Sodoma e Gomorra.

Os ensinadores perigosos, ímpios e apóstatas, se distinguem por quatro características:

  1. São “sonhadores” (NVI) – Seu evangelho é uma ilusão, distante da realidade das Escrituras “Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal” (Colossenses 2:18).
  2. “Contaminam” o próprio corpo – São imorais, tanto a sua mente quanto a sua consciência estão contaminadas, andando em imundas concupiscências (Tito 1:15, 2 Pedro 2:10).
  3. “Rejeitam” as autoridades – Indisciplinados, rejeitam o ensino apostólico, e não reconhecendo autoridade superior, seja na família, na igreja ou no país, são atrevidos e arrogantes (2 Pedro 2:10).
  4.  “Blasfemam” de tudo o que não entendem, e difamam as dignidades – Tratam-se de seres celestiais, possivelmente dos anjos maus conforme 2 Pedro 2:11. É de se lembrar que mesmo o arcanjo Miguel não se atreveu a injuriar Satanás (este incidente é mencionado somente aqui), mas esses supostos mestres zombam do que não entendem e moralmente se comportam pior do que os animais. São comparáveis a Caim, Balaão e Coré. O primeiro não governou suas paixões de ciúmes e raiva; Balaão, pelo amor ao dinheiro, desobedeceu a Deus e depois fez que o povo pecasse gravemente (Números 25:1-9; 31:8,16); Coré difamou Moisés e Arão e rebelou-se contra eles (Números 16).

Temos a seguir sete paralelos tirados da natureza, que ilustram o comportamento dos ensinadores perigosos:

  1. São como "rochas submersas", perigosas para navios (versículo 12, tradução correta da NVI), ou “nódoas e máculas, deleitando-se em suas dissimulações” (2 Pedro 2:13).
  2. São "glutões" nas festas da igreja (2 Pedro 2:13).
  3. São "pastores interesseiros" engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância e se apascentando a si mesmos (2 Pedro 2:14).
  4. São como "nuvens sem água, levadas pelos ventos", pois prometem muito, mas se vão sem dar qualquer benefício.
  5. São inúteis como "árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas" que são marcadas para serem destruídas.
  6. São como "ondas furiosas do mar" que sujam as praias com o lixo que depositam: sem governo, impetuosas, violentas, só esparramam espuma nociva.
  7. São "estrelas sem rumo", dirigindo-se para as trevas eternas. As estrelas sem rumo são cometas, meteoroides e outros objetos vistos à noite, que são inúteis aos navegantes por causa da sua aparente instabilidade, brilham por pouco tempo e logo desaparecem de vista na escuridão da noite. Assim também não se pode obter orientação desses ensinadores perigosos que brilham por um pouco nos púlpitos, plataformas e televisões, e logo depois desaparecem como foguetes.

Os ensinadores perigosos foram previstos por Enoque, na sétima geração depois de Adão (Gênesis 5:21-24); ele "andou com Deus" e predisse a vinda do Senhor para julgar os ímpios conforme as suas obras e as suas palavras. Note-se que esta profecia não está mencionada em Gênesis, mas (como a contenda entre Miguel e Satanás no v. 9) foi informada pelo Espírito Santo a Judas. Além da profecia de Enoque, os apóstolos já tinham avisado a igreja acerca dos "mestres" ímpios antes desta carta de Judas. As palavras de Pedro (2 Pedro 3:3) são transcritas aqui e há referência também a Romanos 16:17-18 e a 2 Timóteo 3:1-8. Provavelmente todos os apóstolos ensinavam estas coisas no seu ministério entre as igrejas; veja Atos 20.29-31.

Esses ensinadores perigosos, "pastores ímpios", não têm o Espírito Santo (v. 19), nunca se converteram a Cristo e nunca nasceram de novo. São "sensuais sem percepção espiritual" e causam divisões entre os cristãos; fundam "igrejas" e "congregações" que são deles mesmos e não de Cristo.

Judas, ao concluir, indica quatro meios de "batalharmos pela fé" para mantermos nas igrejas a sã doutrina e a conduta digna do Senhor (vs. 20-23):

  1. Edificação na "vossa fé santíssima" (v 20) – Isto se faz pelo estudo da Palavra e pela obediência aos seus ensinos. Crentes que negligenciam as reuniões para estudo bíblico e para o ministério da Palavra são geralmente os primeiros a serem seduzidos por falsos mestres e divisionistas, pois não estão firmados nem edificados na doutrina de Cristo.
  2. Oração – Aqui se contempla a igreja reunida em oração; os que regularmente se ausentam destas reuniões, raras vezes são crentes dados à oração particular em casa! Porém, a oração "no Espírito Santo" é realmente a maior proteção contra o falso ensino e a carnalidade.
  3. Firmeza no amor de Deus (v. 21) – Esse amor foi mostrado no Evangelho da nossa salvação: "Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito" (João 3:16); "Pela graça sois salvos mediante a fé" (Efésios 2:8). Esperamos a Vinda do Senhor e a perfeição da nossa redenção (Romanos 8:18,23). Somos salvos para a santidade, não para o pecado.
  4. Compaixão para os crentes fracos e enganados (vs. 22-23) – Em vez de censurá-los, esforcemo-nos para guardá-los na fé, orando por eles, aconselhando-os com amor. Quanto aos que parecem ainda estar perdidos, seguindo o pecado (embora chamando-se cristãos, "mais liberais"), tenhamos pena deles, porém, cuidando de nós mesmos, separando-nos inteiramente do mal.

A Epístola termina com uma notável peroração de louvor a Deus "Àquele que é poderoso para guardar e apresentar": guardar de tropeçar e apresentar perfeitos diante do Seu trono. No v. 25, eterno louvor ("antes de todos os séculos, e agora, e por toda a eternidade") se oferece ao "único Deus, Salvador nosso" mediante "Jesus Cristo, Senhor nosso" - palavras que nos mostram tanto a unidade de Deus, como a igualdade de Jesus Cristo com Deus, o Pai.

Assim finda esta epístola curta, mas importante e solene. Como temos visto (v. 4), os libertinos entraram nas igrejas nos tempos apostólicos. Durante os séculos da Idade Média, o seu joio estragou quase completamente a moralidade e a espiritualidade do cristianismo. Hoje em dia, há pregadores e seitas inteiras que negam "a fé uma vez dada aos santos", assim desprezando a autoridade da Bíblia e relaxando o padrão cristão de moralidade e de piedade.

Cumpre-nos, portanto, sermos fiéis, vigilantes e combatentes ativos em defesa da santidade do Evangelho dentro da nossa igreja, eliminando a manifestação do mal e cuidando para que ensinadores perigosos não sejam convidados e ouvidos dentro dela.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Os filhos de Jó

Deus age a Seu tempo. Assim como os inimigos de Israel de três milênios atrás foram eliminados, tanto Israel como a igreja de Cristo serão preservados para sempre e os seus inimigos perecerão, sendo envergonhados e conturbados perpetuamente.

O livro de Jó é um dos mais antigos na Bíblia, e a experiência desse homem de Deus, bem como os muitos ensinamentos que o livro contém, todos muito válidos através dos milênios em que tem sido lido, são de um valor extraordinário. Por exemplo, a frase "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25), tem profunda significância espiritual e foram ditas por quem viveu nos tempos de Abraão, muito antes de Moisés e da lei. 

Tiago, que se denomina como "servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo" escreve em sua epístola: "Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso" (Tiago 5:11). 

Logo no início aprendemos que Satanás não só perambula pela terra, mas:

  • tem acesso à presença do Senhor no céu, onde ele acusa os servos de Deus: o seu nome significa "adversário", "acusador";
  • o Senhor conhece profundamente cada pessoa na terra;
  • o Senhor permite que Satanás ponha à prova o caráter e a fidelidade dos Seus servos;
  • Satanás, de sua parte, nenhum mal pode fazer contra eles, sem a permissão do Senhor, porque o Senhor coloca "uma cerca" em volta deles e de tudo quanto eles possuem (capítulo 1:10) - quanto conforto isso nos dá!

 Depois de perder todos os seus filhos e todos os seus bens, a mulher de Jó lhe disse: "Você ainda mantém a sua integridade? Amaldiçoe a Deus, e morra!", mas ele respondeu: "Você fala como uma insensata. Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?" (Jó 2:9-10). A fé e a fidelidade de Jó eram inabaláveis e, depois de muito sofrimento físico e das tentações propostas pelos seus "amigos", Jó saiu vitorioso, pois continuou fiel a Deus através de tudo, e recebeu uma grande recompensa do Senhor, ainda aqui na terra. 

Todo o livro de Jó focaliza a experiência deste homem justo. Sua mulher é somente mencionada quando teve esse diálogo com ele. Seus filhos aparecem no início, no capítulo 1 onde aprendemos que eram em número de dez (sete filhos e três filhas), e que tinham vida muito folgada gozando as riquezas do seu pai, pois “iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs para comerem e beberem com eles” (Jó 1:4).

Nada sabemos da sua justiça ou temor a Deus, mas tinham um sacerdote na pessoa do seu próprio pai, “que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó e os santificava; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; pois dizia Jó: Talvez meus filhos tenham pecado, e blasfemado de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente”.

Um dia todos “... estavam comendo e bebendo vinho em casa do irmão mais velho; e eis que sobrevindo um grande vento de além do deserto, deu nos quatro cantos da casa, e ela caiu sobre os jovens, de sorte que morreram...” (Jó 1:19). Esta foi uma de várias calamidades que vieram sobre Jó, movidas por Satanás com a permissão do Senhor, para provar a sua fidelidade a Deus. 

Mas esta calamidade foi desastrosa para sua mulher, e os seus filhos também. Sua mulher sofreu até que a prova foi terminada, e os seus filhos perderam a vida, embora a vida de Jó tenha sido poupada conforme a ordem do Senhor. Terminada a prova, Jó foi recompensado com um acervo muito maior de animais, outros sete filhos e três filhas muito formosas e viveu mais cento e quarenta anos, vendo seus descendentes até a quarta geração. 

Sem dúvida Deus tinha um plano para a vida dos filhos de Jó, e era de que fosse curta. Nenhum de nós sabe se terá vida curta ou longa - Deus sabe! Se fomos salvos pela graça de Deus mediante a fé em Cristo, a nossa vida aqui na terra será para o Seu serviço. A nossa morte é boa coisa, pois iremos para o lugar preparado para nós no céu. Os jovens filhos de Jó foram para o seu lugar no Sheol, e esperamos que tenham ido ao paraíso, o que seria o caso se acompanharam o seu pai em sua fidelidade. Boa coisa para eles também! 

As informações dadas na Bíblia sobre os filhos de Jó são poucas, mas suficientes para nos lembrar de que: 

  1. Como filhos, não devemos pensar que a fidelidade de nossos pais a Deus nos assegura uma vida longa e feliz, por mais que eles cuidem material e espiritualmente de nós.
  2. Como pais, nossos filhos são bênçãos de Deus e devem ser dirigidos nos caminhos e na sabedoria do Senhor desde a sua infância porque, embora sejam beneficiados por nos terem como pais, só terão vida espiritual por decisão própria, tomada em função do que sabem. Oremos, sim, mas também façamos a nossa parte em sua educação.
  3. Todos somos parte de um grande plano de Deus para o mundo, e não sabemos quantos anos estamos destinados a viver aqui, segundo a Sua determinação. Aproveitemos o tempo sabiamente para servir ao nosso Deus, de forma a sermos aprovados como bons obreiros pelo nosso Salvador quando formos levados à Sua presença. 

Nosso Deus é o supremo Soberano e nos cumpre fazer a Sua vontade neste mundo.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Os "irmãos" em Portugal

Recentemente foi aprovada uma nova lei de liberdade religiosa em Portugal que alterou radicalmente a organização religiosa neste país, exigindo-se agora para o exercício dos direitos reconhecidos por essa lei a existência legal da congregação ou confederação de igrejas há mais de 26 ou 30 anos, conf

Efésios 1:22-23

O Senhor Jesus Cristo é a Cabeça do Corpo, a Igreja, que é apresentada como a plenitude do Senhor. Esta é, na verdade, a elevada posição da Igreja perante o Senhor, sendo a Sua vontade que nós testifiquemos desta grande verdade.

Por isso, os filhos de Deus não podem aceitar, à luz do ensino das Escrituras, qualquer guia humano ou entidade criada pelos homens que dite regras de organização religiosa, pois tal consubstanciaria numa substituição da Cabeça do Corpo de Cristo por uma “cabeça temporal” da Igreja.

Como escreveu WILLIAM MCDONALD (“Cristo Amou a Igreja”), a autoridade de Cristo só é verdadeiramente reconhecida quando os crentes O deixam dominar em todas as actividades, nas resoluções e na prática.

Em Portugal, como certamente no Brasil, os crentes estão cientes desta grande verdade, mas infelizmente muitas vezes não compreendem como pode o Senhor guiar a Sua Igreja na terra e, por isso, alguns sem quererem esperar que se manifeste a vontade de Deus, julgam mais prático resolver as coisas segundo os seus próprios planos, procurando lugares de destaque (como Diótrefes, III João 9,10), criando, agrupando-se e submetendo-se a princípios denominacionais, passando a ter outras “cabeças” além da Cabeça espiritual da Igreja, Cristo.

Tendo-me sido solicitado para escrever sobre os chamados “Irmãos em Portugal”, cumpre desde logo afirmar que estes, ao contrário do que sucede com os crentes “denominacionais” e “interdenominacionais”, não aceitam, à luz do Novo Testamento, nenhuma organização dominante, como um sínodo, presbitério, concílio, convenção ou associação para exercer autoridade sobre uma igreja ou grupo de igrejas. Cada igreja é directamente responsável perante Cristo, Cabeça da Igreja, e não podemos aceitar nem praticar seja o que for que negue aquele facto.

Neste pressuposto, os “Irmãos” em Portugal, congregam-se em assembleias locais, sendo cada uma “de per se”, autónoma e independente, com o seu corpo de anciãos e diáconos e com o seu corpo de doutrina. Apesar de ser o propósito do Senhor que os Seus filhos permaneçam em unidade na Sua Palavra, na doutrina e nos mandamentos que Ele deixou para a Igreja enquanto Corpo de Cristo e manifestação da sobreexcelente grandeza do Seu poder (Ef. 1:19), infelizmente nem sempre existe unanimidade na doutrina pela existência de interpretações particulares que alguns fazem da mesma.

De qualquer modo, os “Irmãos” em Portugal, não estão agregados a nenhuma organização secular, nem outrossim, ao invés do que sucede com as denominações designadas de evangélicas, não existe qualquer órgão ou convenção que pré-determine, superintenda, emane pareceres ou decisões com referência às Igrejas locais.

É certo que existe em Portugal uma organização secular, constituída como Associação sem fins lucrativos, denominada “Comunhão de Igrejas de Irmãos em Portugal” (CIIP). Esta CIIP foi constituída para promover a comunhão entre os crentes (não propriamente entre Igrejas enquanto congregações autónomas). Contudo, a sua criação teve também por fundamento o regime legal das associações religiosas que, então, vigorava no país (NR.: No caso do Brasil leiam a nota no rodapé deste artigo).

Efectivamente, nessa altura (como ainda hoje subsistem alguns casos), a maioria das assembleias locais nem sequer estavam constituídas legalmente perante o Estado, sem o correspondente processo de acreditação para efeitos do exercício de liberdade religiosa perante as autoridades, bem assim para usufruir de benefícios de natureza fiscal em sede de aquisição de terrenos, construção de templos, compra de materiais para os mesmos, etc..

A CIIP, constituída e registada no Registo Nacional das Pessoas Colectivas e no Ministério da Justiça, possibilitou o acesso, por seu intermédio, de algumas assembleias a esses benefícios, bem assim o reconhecimento legal entre o Estado Português e essas assembleias.

É certo que embora antes da constituição da CIIP as congregações locais pudessem constituir-se livremente como associações, passou a ser mais fácil a sua inscrição no Ministério da Justiça, com a referência à CIIP, enquanto “grupo religioso” com “doutrina” e “prática” para cujos elementos a congregação local poderia apontar. Efectivamente, nos termos do nº 3 da Base IX ex vi nº 2 da Base XII da Lei 4/71, de 21 de Agosto, era necessária para a inscrição no referido órgão do Estado a referência à confissão religiosa, seus princípios de doutrina, confissão, regras de disciplina e organização. Com a constituição da CIIP a inscrição no Ministério da Justiça de uma congregação local ficou, assim, facilitada.

Recentemente foi aprovada uma nova lei de liberdade religiosa em Portugal que alterou radicalmente a organização religiosa neste país, exigindo-se agora para o exercício dos direitos reconhecidos por essa lei a existência legal da congregação ou confederação de igrejas há mais de 26 ou 30 anos, conforme já estivesse ou não registada no Ministério da Justiça.

Fora do plano legal, a CIIP embora tenha contribuído para a realização de reuniões mensais entre os anciãos e obreiros “representantes” de cada assembleia local, assim como para a comunhão entre os seus membros, a maioria das actividades cuja realização chamou a si, já existiam antes da constituição da CIIP.

Assim, já existiam, há dezenas de anos, reuniões quadrimestrais de anciãos e obreiros, para comunhão, partilha de testemunho e ministério. As mesmas continuaram a realizar-se, ainda que sob a “capa” da CIIP, mas não excluindo a intervenção de irmãos de Igrejas que não estejam associadas à mesma.

Por outro lado, antes da CIIP existia igualmente um “Fundo Missionário”, que recebia e distribuía ofertas aos obreiros dedicados a tempo integral na Obra do Senhor. O funcionamento e as regras do “Fundo” mantiveram-se, ainda que integradas no criado “Departamento Missionário da CIIP”. Aliás, as pessoas que o continuaram a administrar foram as mesmas. Não houve, assim, a criação de outro fundo ou a alteração das regras, mas unicamente a inserção da sua prática numa contabilidade legal, com isenção fiscal perante o Estado Português.

Ainda a título de exemplo, antes da constituição da CIIP existia igualmente a revista “Refrigério”, que era e continuou a ser distribuída a todas as assembleias de irmãos (tenham ou não se associado à CIIP). A partir da constituição da CIIP, o “Refrigério” passou a ficar integrado no Departamento de Comunicações da CIIP, com depósito legal associado ao registo no Ministério da Justiça, mas mantendo o mesmo corpo editorial.

Ou seja, apesar da existência legal desta organização, as Igrejas em Portugal recusaram a sua integração num órgão de cúpula, de superintendência ou com influência na organização, funcionamento da assembleia ou do seu corpo de doutrina. As Igrejas procuraram e continuam a procurar seguir o padrão bíblico de autonomia e independência da assembleia local, embora respeitando e sujeitando-se às regras legais estabelecidas pelas autoridades soberanamente estabelecidas, no âmbito das quais surgiu a referida “CIIP”.

Isto, porque é a Igreja e não qualquer organização que é chamada na Bíblia como o rebanho (João 10:16), a lavoura de Deus (1Co. 3:9), o edifício de Deus (1Co. 3:9), o templo de Deus (1Co. 3:16), o corpo de Cristo (Ef. 1:22, 23), a morada de Deus (Ef. 2:22), a noiva de Cristo (Ef. 5:25-27; 2Co. 11:2), a casa de Deus (1Tm 3:15) e a coluna e firmeza da verdade (1Tm 3:5).

Apesar da fraqueza da carne, a Igreja e, consequentemente, as assembleias reunidas localmente devem permanecer um baluarte ou reduto de defesa do que foi estabelecido pelo Senhor para proclamar, sustentar e defender a Verdade, não se desviando para aquilo que os padrões humanos possam apontar, mas influenciando o mundo ao redor, tendo por fundamento a afirmação do Senhor Jesus em Mateus 16:18.

Naturalmente que não podemos afirmar que todas as assembleias locais dos “Irmãos” em Portugal não manifestem graves falhas na forma como estão organizadas e como funcionam, porém os princípios segundo os quais cada assembleia local é independente e sem denominação são um laço que une fortemente todos os irmãos.

Isto significa que cada igreja local tem o governo próprio (de anciãos e diáconos), respondendo cada uma de per se perante o Senhor. Tal, contudo, não obsta, antes tem sido prática que a união das assembleias se fortifique através de uma relação espiritual, baseada na posse de uma salvação comum (Judas 3), o reconhecimento de um só Senhor (Ef. 4:5) e a adopção dos princípios de doutrina e organização tal como o da Igreja do I século.

O Senhor não quer o Seu corpo dividido (1 Co. 12:25). Razão por que, as assembleias locais em Portugal continuam a rejeitar qualquer agregação denominacional, por tal criar dissensão e divisão, claramente reprováveis pelo Senhor (Mt 9:16; 27:51; Jo. 7:43; 9:16 e 10:19).

A minha oração é que o Senhor opere grandiosamente, quer em Portugal, quer no Brasil, por forma a que, nós, Seus filhos, possamos defender e transmitir, na doutrina e na prática, sem hesitação, os fundamentos pelos quais o Senhor, enquanto Única Cabeça, constituiu a Igreja como Seu Corpo, “a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos”. Em Cristo Jesus Nosso Senhor.

autor: Joel Timóteo Ramos Pereira.
Fatos & Relatos

Os magos

Mateus verifica o cumprimento das profecias da antiguidade feitas sobre a vinda do Messias da parte de Deus, sendo Ele o legítimo Herdeiro do trono de Davi, portanto o Messias Rei.Os magos certamente não eram reis, pois, se o fossem, este seria um detalhe importante que não teria sido omitido. Eram

Mateus, capítulo 2

Entre os quatro evangelistas, Mateus e Lucas são os únicos que fornecem algum detalhe sobre o nascimento do Senhor Jesus. Como Lucas destaca a humanidade da Sua pessoa, ele dá mais informações. Mateus verifica o cumprimento das profecias da antigüidade feitas sobre a vinda do Messias da parte de Deus, sendo Ele o legítimo Herdeiro do trono de Davi, portanto o Messias Rei.

A visita dos magos (vs. 1-12)

Esta é a única referência feita na Bíblia à visita dos magos vindos do oriente. É muito sucinta, dando lugar a algumas lendas que dificilmente poderão corresponder à realidade. Segundo podemos deduzir do relato bíblico, os fatos seriam os seguintes:

1. Quando chegaram a Belém? - Temos dois indícios, dos quais podemos concluir que foi cerca de um ano depois do nascimento do Senhor Jesus:

  • O Menino se encontrava em uma casa com seus pais, logo não era ainda um bebê numa manjedoura da estalagem.
  • Na tentativa de eliminá-Lo, Herodes mandou matar todas as crianças de dois anos para baixo, segundo o tempo decorrido desde que os magos haviam primeiro visto a estrela.

2. Quantos eram? - O número não é importante, e o Evangelho apenas nos diz a espécie de presentes que trouxeram. Seriam pelo menos dois, mas provavelmente eram mais do que os três da lenda, dada a perturbação que causaram em Jerusalém, preocupando o próprio Herodes.

3. Quem eram? - Decerto não eram reis, pois, se o fossem, este seria um detalhe importante que não teria sido omitido. Reis não visitam outros países sem escolta e formalidades, e teriam sido recebidos com honras por Herodes. Eram decerto apenas cientistas da época, bem informados sobre o judaísmo, tementes a Deus e pesquisadores da natureza.

4. Que estrela era aquela? – Foi vista no Oriente pelos magos, e eles somente a viram novamente quando saíram da presença de Herodes. Continuaram a vê-la indo adiante deles até que se deteve onde o Menino se encontrava. Nenhuma estrela conhecida poderia fazer tal coisa, logo deve ter sido criada especialmente para esse fim.

Não se pode saber com certeza o que havia de especial na estrela para que os magos a identificassem como sendo a do novo Rei dos judeus. Existe a possibilidade que os magos ligaram a profecia de Balaão (Números 24:17) com a de Daniel (Daniel 9:24) tendo Deus então atendido ao anseio de verem o seu cumprimento dando-lhes a visão do aparecimento dessa estrela, cujas características diferiam de todas as conhecidas. Eles foram a Jerusalém para adorar o novo Rei, que sabiam ser o Messias de Deus.

Mateus nos fala da preocupação de Herodes. Ele havia sido colocado no trono de Jerusalém pelos romanos, e receava perder a sua posição, pois nem sequer pertencia ao povo judeu, sendo edomita, tradicionalmente uma raça árabe inimiga. Os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, escribas, convocados por Herodes souberam indicar precisamente onde o Messias havia de nascer: Belém da Judéia conforme Miquéias 5:2. Sabendo agora onde Ele teria que nascer, Herodes informou-se com os magos sobre quando isso teria acontecido: seria a data em que viram a estrela subir no Oriente, no máximo dois anos antes.

Herodes enviou os magos a Belém para O acharem, e os instruiu para que o avisassem em seguida. Escondeu deles a sua verdadeira intenção, que era de eliminá-Lo, e os incentivou dizendo que queria adorá-Lo: ao usar esta expressão, Herodes identificou o Messias com Deus. Mediante a informação recebida, os magos se dirigiram a Belém e a estrela os guiou até a casa onde o novo Rei se encontrava.

Não era ainda um bebê recém-nascido numa manjedoura, como muitos pensam! Os magos prostraram-se e adoraram o Menino (não a sua mãe). Deram-Lhe também presentes, dignos de um Rei (ouro), próprios para um Sacerdote (incenso), e perfume usado no embalsamento de um Morto (mirra). É surpreendente como esses magos conheciam já tão bem a missão do Messias de Deus! Seus presentes nos lembram que os povos de Sabá trarão ouro e incenso ao SENHOR no Milênio, mas não trarão mirra, pois a Sua morte já ficou no passado (Isaías 60:6).

Deus interveio em sonho advertindo os magos para não voltarem a Herodes, decerto para a proteção deles e permitir que José tivesse tempo para fugir com sua família.

A fuga para o Egito (vs. 13-18)

Novamente Deus interveio enviando um anjo a José em sonho, instruindo-o para tomar o Menino e a sua mãe e fugir com eles para o Egito até nova ordem, porque Herodes iria procurar o Menino para matá-Lo. Assim fez José, levantando-se imediatamente e fugindo com eles durante a noite para o Egito.

Herodes se enfureceu ao perceber que os magos não voltavam e, sem agora ter como identificar a casa onde o novo Herdeiro ao trono estava, mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo em Belém e nas proximidades, pois, segundo a informação obtida dos magos, sua idade estaria nessa faixa.

O número de crianças mortas não teria sido muito grande, pois a população daquela área era ainda pequena. Assim mesmo, o acontecimento já fora profetizado em Jeremias 31:15: Ramá estava a alguns quilômetros de Belém e foi incluída no morticínio.

A Volta para Israel (vs. 19-23)

Segundo os historiadores seculares, Herodes, chamado "o Grande" morreu em abril do ano 4 a.C. Na hipótese que Jesus tivesse um ano de idade quando levado para o Egito, e que Herodes morrera seis meses depois, Seu nascimento teria se dado em outubro do ano 6 a.C. Logo, nosso calendário tem um erro de uns seis anos.

Novamente um anjo do SENHOR apareceu a José em sonho, depois da morte de Herodes, instruindo-o para voltar à terra de Israel, pois estavam mortos os que procuravam tirar a vida do Menino. José obedeceu, mas ao chegar à Judéia, de onde havia saído, soube que Arquelau, o filho de Herodes, estava reinando ali em lugar de seu pai. A história nos diz que o reino de Herodes foi dividido entre três dos seus filhos, ficando Arquelau com a Judéia e Samaria, e Felipe e Antipas com o restante.

Temendo ir para a Judéia porque o Herodes Arquelau era conhecido pela sua crueldade, e mediante uma divina revelação, José levou sua família para morar em Nazaré da Galiléia (Arquelau foi um tirano e, atendendo ao clamor dos judeus, foi deposto pelo poder romano dois anos mais tarde; a Galiléia fora herdada pelo Herodes Antipas, um político hábil, e foi ele quem mandou degolar João Batista, e condenou o Senhor Jesus à morte). A circunstância da família de José ao mudar-se para Nazaré fez com que o Senhor Jesus fosse chamado Nazareno, e dizia-se mais tarde que Seus seguidores eram da “seita dos nazarenos”, sendo Paulo acusado de ser seu chefe (Atos 24:5).

Conclusão

Neste capítulo vemos o cumprimento de três profecias que pareciam conflitantes, mas cuja perfeita compatibilidade foi assim demonstrada:

  1. O Messias nasceria em Belém, na terra de Judá (Miquéias 5:2).
  2. O Messias seria chamado, por Deus, do Egito (Oséias 11:1).
  3. O Messias seria chamado “Nazareno” (os nazarenos eram desprezados pelos judeus [João 1:46], cumprindo-se assim o Salmo 22:6 e Isaías 53:3, talvez também Isaías 11:1 porque no hebraico a palavra “nazareno” tem a mesma raiz que “rebento”).

Notemos a interferência dos gentios na história, com conseqüência prevista nas profecias: foram magos do oriente que, ao indagarem no palácio do rei Herodes sobre o "recém-nascido rei dos judeus", impulsionaram este ciumento usurpador gentio a procurar matá-Lo, obrigando Seus pais a fugirem para o Egito; com a morte de Herodes eles voltaram à terra de Israel, mas foram morar em Nazaré para ficar fora do alcance do filho de Herodes que assumiu o trono da Judéia, Arquelau.

Temos aqui duas provas incontestáveis da divina inspiração da Bíblia:

  1. As profecias se cumpriram rigorosamente, e
  2. Para o seu cumprimento concorreram alguns fatos gerados inconscientemente por gentios, e não pelas pessoas interessadas em sua realização, que seriam os judeus.

Por outro lado, também vemos a interferência de Deus, necessária para encaminhar os fatos na direção dos Seus eternos desígnios:

  1. Providenciando a estrela que guiou os magos.
  2. Instruindo os magos a não voltarem a Jerusalém.
  3. Instruindo José a fugir para o Egito.
  4. Mandando José voltar para a terra de Israel.
  5. Revelando a José que fosse para as regiões da Galiléia.
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Os mercadores de crentes

Os falsos mestres usam “palavras fingidas” (“plastois logois” no grego) para fazer negócio dos crentes. Como a matéria plástica pode ser manipulada e tomar diversas formas, suas palavras são moldadas para a sua audiência: dizem uma coisa aqui, outra ali, palavras lisonjeiras que Paulo não usava. A m

"Entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras… por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio."


(2 Pedro 2:1 a 3a)


O apóstolo Pedro começou a sua segunda epístola assim: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”. É, portanto, a estes que ele dirige a advertência citada acima.

A palavra “crente” tem hoje um sentido pejorativo devido à sua derivação para abranger quem é crédulo e ingênuo. Os que alcançaram a fé preciosa de que fala Pedro, “crentes” no sentido bíblico da palavra (Atos 5:14, 10:45, Romanos 13:11, etc.), são admoestados a não irem na conversa dos falsos mestres que, movidos por ganância, farão negócio deles: isso é credulidade e ingenuidade.

Tendo terminado o primeiro capítulo declarando que “a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo”, Pedro agora informa que “houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres…” Na medida em que Deus nos entregava a Sua Palavra, mediante os Seus profetas e o Seu Filho através dos Seus apóstolos, o diabo tem enviado de sua parte seus próprios mensageiros para seduzir e para enganar, sejam eles falsos profetas, falsos cristos, falsos apóstolos ou falsos mestres.

Pedro nos diz o seguinte a respeito dos falsos mestres:

  1. Os falsos mestres ensinam erros destrutivos, mesmo heresias destruidoras, que levam à perdição eterna. Encontramos uma multiplicidade delas nas várias seitas que dividem o cristianismo.
  2. Essas heresias são introduzidas encobertamente, sob uma capa de verdade. Hoje dizem que é “evangelho”, e os falsos mestres estão dentro de instituições e grupos que tomam o nome de “igreja” e desavergonhadamente se dizem “cristãos”, e mesmo “evangélicos”, para encobrirem suas heresias escondidas à primeira vista.
  3. Os falsos mestres na realidade rejeitam e recusam ouvir o grande Mestre enviado por Deus, sendo Ele o caminho da Verdade, o único Salvador e Redentor dos homens, pois pagou o preço da redenção de todo aquele que crê.
  4. Tendo introduzido heresias destruidoras, eles trazem sobre si mesmos repentina destruição.

Em sua segunda carta a Timóteo, o apóstolo Paulo descreve muitas das características e artimanhas dos falsos mestres, e encontramos em seu terceiro capítulo, versículos 1 a 5, algumas facetas do seu caráter:

  1. Amantes de si mesmos: Narcisistas, egoístas, a paixão por si próprios abafa o amor a Deus e ao seu irmão. Querem ser elogiados, por isso falam o que o povo gosta de ouvir, usando palavras lisonjeiras. Em nossos dias evitam pregar sobre pecado, condenação e arrependimento, mas exaltam as suas audiências, destacando o amor de Deus por todos.
  2. Gananciosos: Têm em vista exclusivamente o lucro, mesmo à custa da honestidade, lealdade e ética cristã. Exploram a ganância do povo, dizendo, sem qualquer base no ensino apostólico, que Deus tem recompensas terrenas para dar, como saúde e prosperidade para os que aceitam as suas doutrinas e contribuem financeiramente para o seu ministério (2 Timóteo 4:3). Paulo, ao contrário, exclama: “O amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Timóteo 6:10).  
  3. Presunçosos: Ostentam-se como se fossem superiores, mais inteligentes, mais capazes, mais santos, etc., do que os demais. Eles se gabam de feitos ou experiências notáveis, mesmo sensacionais e sobrenaturais, para neles construir a sua fama, angariando com isso o respeito e a credibilidade dos ingênuos e incautos.

Paulo continua fazendo uma longa lista das profundezas em que o mundo terá caído depois de ouvir (e recusar) a mensagem do Evangelho, embora mantendo “uma forma de piedade” (v. 5), o que se percebe nas várias seitas do “cristianismo” e de outras religiões. Todas as características dadas neste trecho são comuns hoje em dia; o crente fiel tem que “fugir” de tais pessoas e não tê-las como companheiros e amigos (v. 5), muito menos como mestres das doutrinas do Evangelho.

Em contraste com os falsos mestres, Paulo declara: “nunca usamos de palavras lisonjeiras, como sabeis, nem agimos com intuitos gananciosos. Deus é testemunha, nem buscamos glória de homens, quer de vós, quer de outros, embora pudéssemos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados; antes nos apresentamos brandos entre vós, qual ama que acaricia seus próprios filhos” (1 Tessalonicenses 2:5-7).

Quando Paulo escrevia, havia os que ensinavam sutilmente, penetrando nas casas para enganar “mulheres néscias sobrecarregadas de pecados. Elas estão sempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Timóteo 3:6-7 - NVI). Isto é dado como exemplo, e que maneira mais sutil pode haver do que o rádio, a televisão e a internet de que dispomos hoje? Como aquelas mulherzinhas, quantos homens e mulheres mal informados e crentes descuidados se deixam enganar por programas que se dizem “cristãos”, mesmo “evangélicos”, e se deixam enlevar por discursos veementes e música ruidosa destinados a conquistá-los para algum movimento ou seita, porém nunca ao conhecimento da verdade! São vítimas dos “mercadores de crentes”, ávidos pela contribuição financeira.

Paulo nos dá outro exemplo ainda mais sinistro: indo libertar o povo de Israel do cativeiro de Faraó, Moisés fazia sinais pelo poder de Deus diante de Faraó. Mas dois magos espíritas, Janes e Jambres, o resistiram, imitando enganosamente o que fazia (Êxodo 7:22). Os enganadores feiticeiros do tempo de Paulo eram do mesmo tipo: Simão Mago, Elimas e os filhos de Ceva (Atos 8:9-20; 13:6-11; 19:13-16).

Já em nossos dias, multidões são atraídas por milagreiros: sejam eles os “santos” e suas estátuas de madeira, alvenaria ou metal, ou homens que se dizem dotados de poderes milagrosos, procurando arremedar os sinais apostólicos e com isto explorar os “crentes”. Apaixonados discursos feitos em nome de Cristo e expulsão de demônios e milagres são presenciados diariamente, nas plataformas de templos, nos palcos dos teatros e na televisão. O Senhor Jesus preveniu: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:22, 23).

Os falsos mestres usam “palavras fingidas” (“plastois logois” no grego) para fazer negócio dos crentes. Como a matéria plástica pode ser manipulada e tomar diversas formas, suas palavras são moldadas para a sua audiência: dizem uma coisa aqui, outra ali, palavras lisonjeiras que Paulo não usava. A motivação é claramente denunciada por Pedro: “movidos pela ganância” e confirmado por Paulo “intuitos gananciosos”. A crendice é muito lucrativa, haja vista a receita das maiores instituições religiosas, dos maiores “evangelistas” da atualidade e dos movimentos milagreiros. Os do chamado “evangelho da prosperidade” já chegaram a imprimir a sua própria bíblia, seguindo o exemplo dos russelitas que se chamam “testemunhas de Jeová”.

Em meio a tanto engano e perversidade por parte dos falsos mestres empenhados em fazer negócio dos crentes, assim “blasfemando o caminho da verdade”, não é de se admirar a relutância por parte dos incrédulos em ouvir a mensagem do Evangelho – afinal, poderia ser outro embuste visando a sua carteira. Pedro nos assegura que “a condenação dos quais (os falsos mestres) já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita” (2 Pedro 2:3c).

Gostaríamos que sua destruição viesse já, pois os vemos como obstáculo no caminho da verdade. Talvez estaríamos até inclinados a nos levantar contra eles. Mas isso seria tomar o lugar de Deus, que nos diz, em Sua Palavra: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Romanos 12:19). Ao procurar vingança, deixaríamos o caminho da fé.

Neste mundo sempre encontraremos joio no meio do trigo até a vinda do Senhor para reinar na terra. Cabe-nos, mais que nunca, vigiar e orar para não entrar em tentação, uma das quais poderia ser o desejo de enriquecimento aqui na terra (Lucas 12:22-34). Lembremos sempre o mandamento de Deus: “não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1 João 4:1). Aqui “espíritos” significam doutrinas. Estejamos sempre firmes na Palavra de Deus, para assim provar os mestres e evitar sermos explorados pelos “mercadores de crentes”.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Os mistérios da Bíblia

Os mistérios da Bíblia são realidades antecipadamente conhecidas por Deus e reveladas na ocasião oportuna para a sabedoria da humanidade, em contraste com a sabedoria resultante da filosofia humana (veja especialmente 1 Coríntios 2.1-16 e compare com Mateus 11:25). O contraste não consiste em que a

Segundo o dicionário Aulete a palavra “mistério” no idioma português tem vários significados, como: tudo que não se pode explicar ou compreender; os sacramentos e dogmas papais impenetráveis à razão humana e que se impõem como artigos de fé; o conjunto de conhecimentos que permitem o domínio de uma arte, técnica ou ciência; culto religioso secreto do qual só os iniciados participam etc.

Nenhum deles transmite o sentido exato do musterion grego, que significa um segredo transmitido apenas para os iniciados, ou que é desconhecido até que seja revelado, seja ele fácil ou difícil de entender. A ideia da incompreensibilidade, se implícita, é puramente acidental.   Para melhor entendimento vamos considerar brevemente o seu uso no paganismo antigo e depois examinar mais cuidadosamente o seu uso bíblico:

• No paganismo

Nos livros clássicos existentes é encontrado apenas uma vez no singular, mas é frequentemente encontrado no plural ta mustēria, "os mistérios", termo técnico para os ritos secretos e celebrações nas religiões antigas só conhecido e praticado pelos iniciados, como os Mistérios Órficos, associados com o nome de Dionísio. Além dos mistérios gregos, podemos mencionar os cultos egípcios de Isis e Serapis, e do mitraísmo persa, que no século 3 dC. foi amplamente difundido por todo o império romano. A seguir estão algumas de suas principais características:

  • Apelavam mais para as emoções do que para o intelecto.
  • Visavam garantir uma união mística com alguma divindade e uma imortalidade feliz.
  • Seus ritos se marcavam pelo simbolismo profuso de palavra e ação, precedidos por ritos de purificação pelos quais os praticantes tinham que passar.
  • Os cultos se cercavam de uma rigorosa exclusividade.
  • Os mistérios não eram sociedades secretas, mas estavam abertos a todos os que eram escolhidos para ser iniciados (exceto bárbaros e criminosos). Segundo Renan eles formavam a parte séria da religião pagã, não eram desprovidos de elementos nobres, mas também se prestavam a extravagâncias e abusos graves.

• No Velho Testamento

Não houve mistérios do tipo acima no culto a Deus. Todo o ritual da lei mosaica contava com a participação do povo em geral através dos seus representantes, os sacerdotes. Não havia qualquer sistema de iniciação cerimonial pelo qual poucos tinham privilégios negados à maioria, mas a tribo de Levi fornecia os mestres que ensinavam o povo, os que serviam no templo e os sacerdotes (que eram descendentes de Arão, também levita).

As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre” (Deuteronômio 29:29); longe de exigir silêncio e segredo, elas deviam ser proclamadas abertamente (Deuteronômio 6:7). No entanto “O conselho do Senhor é para aqueles que O temem, e Ele lhes faz saber o seu pacto” (Salmo 25:14), ou seja, o Senhor reserva a Sua intimidade para os que têm a verdadeira piedade. A palavra grega “musterion” ocorre na Septuaginta do Velho Testamento apenas em Daniel, onde aparece várias vezes como a tradução do caldeu râz, um esconderijo ou segredo, referindo-se ao sonho do rei, o significado do qual foi revelado a Daniel (capítulo 2:18-19, 27-30, 47, 4:9).

• No Novo Testamento

A palavra mustērion no singular e mustēria no plural são encontradas 28 vezes. Em recente versão de Almeida a palavra é traduzida como “testemunho” em 1 Coríntios 2:1 e inexplicavelmente omitida em Apocalipse 17:5. Felizmente a Nova Versão Internacional corrigiu esses dois erros.

Podemos distinguir 10 mistérios diferentes no Novo Testamento:

  1. Nos Evangelhos, foi usada pelo Senhor Jesus para informar aos Seus discípulos da razão por que falava ao povo em geral por parábolas: “E Ele lhes disse: A vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados” (Marcos 4:11-12, também Mateus 13:11-13 e Lucas 8:10). Foi cumprimento da profecia em Isaías 13:14-15, que informa que isso seria feito por causa da impiedade do povo, e está em conformidade com o Salmo 25:14 citado acima. As parábolas escondem o seu significado daqueles que olham apenas para o sentido literal, mas é o meio de revelação para aqueles que têm a chave para a sua interpretação: “A vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas” (Marcos 4:11). Esta é a única ocasião em que a palavra “mistério” é atribuída ao nosso Senhor.
  2. O mesmo sentido se encontra em Apocalipse 1:20; 17:5,7 e provavelmente também em Efésios 5:32, onde o casamento é chamado de "um mistério", ou seja, um símbolo a ser interpretado alegoricamente de Cristo e Sua igreja.
  3. O significado mais comum no Novo Testamento de “mistério” é aquele enfatizado pelo apóstolo Paulo, ou seja, de ser uma verdade divina escondida, mas que agora foi revelada nos evangelhos. Romanos 16:25 e 26 dizem resumidamente: “àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé”. Este é o mistério da piedade que Deus manteve em segredo desde o princípio (1 Timóteo 3:16, Romanos 16:25), e é básico para a compreensão do plano de salvação de Deus para todos os pecadores mediante a simples fé na obra redentora de Jesus Cristo.
  4. A inclusão dos gentios na igreja (Efésios 3:3-9). Dake nota que o fato que haveria salvação para os gentios não era mistério, pois a salvação da humanidade já fora prevista desde a antiguidade e os profetas também previram a sua salvação (Romanos 9:24-33, 10:19-21). O mistério oculto em Deus em todas as épocas passadas era que os gentios seriam salvos sem observar a lei, e que ambos judeus e gentios seriam liberados da lei, fazendo um só corpo, a igreja de Cristo (Efésios 1:22-23; 3:1-11; 4:11-16; 5:23-33; Colossenses 1:18,24), formado pelo Espírito Santo (1 Coríntios 12:12-13, 27:31), nos termos da nova aliança, em que todas as distinções de privilégio e bênção desaparecem (Efésios 2:14-15, 1 Coríntios 12:13, Gálatas 3:27-28; Colossenses 1:18-29; 3:10-11, Hebreus 11:10-16, 13:14; Apocalipse 21:9-10). Esta era a nova revelação (Efésios 3:1-9, Gálatas 1:12, 2:2, 3:13-14).
  5. O mistério das sete estrelas e dos sete candeeiros (Apocalipse 1:20).
  6. Relativamente apenas à igreja de Cristo, a futura ressurreição dos mortos e a transformação dos vivos em corpos incorruptíveis (1 Coríntios 15:51-53).
  7. O mistério da iniquidade (2 Tessalonicenses 2:7).
  8. A futura salvação de todo o remanescente de Israel (Romanos 11:25).
  9. A mulher vestida de escarlate, chamada “mistério” (Apocalipse 17:7).
  10. Na plenitude dos tempos, fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra (Efésios 1:10).

A primeira metade dos mistérios (até o quinto) não só foram revelados, mas também cumpridos até nossos dias. Os restantes serão cumpridos em breve dentro do calendário determinado por Deus desde os tempos eternos.

Concluindo, vemos que os mistérios da Bíblia são realidades antecipadamente conhecidas por Deus e reveladas na ocasião oportuna para a sabedoria da humanidade, em contraste com a sabedoria resultante da filosofia humana (veja especialmente 1 Coríntios 2.1-16 e compare com Mateus 11:25). O contraste não consiste em que a filosofia é humanamente compreensível enquanto os mistérios estão obscurecidos, mas que a filosofia é produto de pesquisa intelectual humana, enquanto os mistérios são revelação divina e se discernem espiritualmente.

A fé cristã não tem doutrinas secretas, pois seus mistérios são revelações feitas à humanidade por Deus pelo Seu Espírito em tempo oportuno de coisas que Ele, ciente de tudo, já sabia antecipadamente. Alguns não são compreendidos por todo o mundo, assim o “segredo” revelado a alguns parece estar sendo escondido de outros. As doutrinas de Cristo e do Seu Reino estão escondidas aos sábios, entendidos e príncipes do mundo (Mateus 11:25, 1 Coríntios 2:6-16), e de todos os que estão fora do Reino (Mateus 13:11-17), e há verdades espirituais mais profundas retidas até mesmo de cristãos, enquanto estiverem num estágio elementar de desenvolvimento (1 Coríntios 3:1-3, Hebreus 5:11-14).   Por outro lado, há muitas passagens em que as verdades da revelação se dizem ser comunicadas livremente e sem reservas a todos (por exemplo: Mateus 10:27, 28:19-20, Atos 20:20,27, Efésios 3:9, Colossenses 1:28; 1 Timóteo 2:4). A explicação é que, se a comunicação é limitada, não é por causa de qualquer sigilo na mensagem do evangelho em si ou qualquer reserva por parte do comunicante, mas pela capacidade receptiva do ouvinte. No caso dos que têm uma obtusidade carnal de espírito, moral ou mundanismo isto os torna cegos para a luz que brilha sobre eles (2 Coríntios 4:2-4). No caso das "criancinhas em Cristo," a reserva aparente é devido apenas ao princípio pedagógico de adaptação do ensino para a receptividade progressiva do discípulo (João 16:12). A linguagem forte em Mateus 13:11-15 se deve ao modo hebraico de expressão através do qual um resultado real é indicado como se fosse intencional. Não há doutrina esotérica ou reserva intencional no Novo Testamento.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Os "nefilins"

A quarta sentença esclarece que os nefilins foram os heróis do passado, homens famosos. Enfim temos uma descrição, curta, mas bastante esclarecedora, sobre quem eram eles. Acrescentada ao que se sabe da origem da palavra, que vimos acima, concluímos que os nefilins seriam do tipo dos que hoje em dia

Existe muita controvérsia sobre a palavra hebraica “nefilim”, que aparece na Bíblia em Gênesis 6:4 e Números 13:33. Embora não exista no dicionário português, ela se encontra nas versões PJFA e NVI como “nefilins” (embora “nefilim” em hebraico já seja plural).

Segundo os filólogos, essa palavra hebraica tem origem em “nafal”, com muitos significados ao redor de “cair”, como “superar, derrotar, fazer cair”, próprio de homens violentos. A tradução inglesa antiga conhecida como King James Version traduziu a palavra como “gigantes” por influência da Vulgata Latina de Jerônimo. Mas o contexto de Gênesis 6 não revela que eram de grande estatura física, e possivelmente aquela tradução foi influenciada pelo contexto de Números 13:33 onde os filhos de Anaque são chamados de “nefilins” porque “são descendentes dos nefilins”: em Deuteronômio (1:28; 2:10,11,21; 9:2) e em Josué (11:21,22; 14:12,15) encontramos menção dos anaquins, descendentes dos nefilins “um povo grande e alto” (ex. Deuteronômio 2:10). Os tradutores modernos, cautelosamente, evitam agora traduzir “nefilim” para alguma palavra portuguesa.

Isto nos leva a considerar algumas ideias que têm surgido sobre os contextos em que essa palavra foi usada.

Vejamos Gênesis 6:1-5, conforme aparece na NVI: “Quando os homens começaram a multiplicar-se na terra e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas, e escolheram para si aquelas que lhes agradaram. Então disse o Senhor: Por causa da perversidade do homem, meu Espirito não contenderá com ele para sempre, ele só viverá cento e vinte anos. Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos. O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação do seu coração era sempre e somente o mal”.

Essa é a pontuação escolhida pelos tradutores, pois os manuscritos hebraicos antigos nâo têm pontuação. Ela resulta em uma sequência de sentenças, cujo relacionamento não é, necessariamente, progressiva.

A primeira informa que a humanidade se multiplicava – o que era o desejo de Deus (Gênesis 1:28). Também esclarece que os “filhos de Deus” viram que as “filhas dos homens” eram bonitas, e escolhiam as que mais lhes agradaram. Parece muito natural que assim fosse. Mas há controvérsia sobre isso: como na sentença seguinte o Senhor castiga o homem por causa da sua perversidade, decerto haveria algum mal naquele casamento entre os “filhos de Deus” e as bonitas “filhas dos homens”! Se assim fosse, a explicação seria obtida ao descobrir quem eram os “filhos de Deus” que assim se distinguiam das “filhas dos homens”, mas casavam-se com elas. As teorias mais espalhadas sobre quem eram os “filhos de Deus” são:

1. Os “filhos de Deus” seriam perversos:

  • Seriam anjos maus, pois todos os anjos são chamados “filhos de Deus” no livro de Jó. Eles teriam a habilidade de fecundar as mulheres para que tivessem filhos, que seriam os nefilins, usando, como exemplo, o fato que o Espírito Santo fecundou Maria. Contra isto opomos que o Espírito Santo é Deus criador, e as Escrituras não indicam qualquer possibilidade de uma criatura espiritual fazer tal coisa. Além disso, o Senhor Jesus informou que os anjos não casam, nem se dão em casamento mesmo entre si. Observada a sequência, vemos que os nefilins já existiam antes disso.
  • Para contornar esse problema, outra teoria é que anjos maus teriam tomado posse de homens para através deles perversamente ter prole das mulheres. Opomos que, embora se saiba pelo relato bíblico que demônios se apossam de pessoas, isto não dá direito aos homens possessos de se chamarem “filhos de Deus”.

2. Os “filhos de Deus” seriam os antigos santos:

  • Haveria uma linha de descendentes piedosos a partir de Adão através do seu filho Sete, e seu filho Enos, pois “nessa época começou-se a invocar o nome do Senhor” (Gênesis 4:26). Estes seriam os “filhos de Deus”, fazendo parte da ascendência de Maria (Lucas 3:23-38). A teoria tem muita aceitação, pois em Lucas 3:38 Adão é chamado “filho de Deus”.
  • Finalmente, é mais provável que todos os homens piedosos fossem chamados “filhos de Deus” neste pequeno trecho, assim como são os que agora colocam a sua fé no Senhor Jesus Cristo. Lamentavelmente, assim como acontece agora, os homens piedosos eram atraídos pela formosura física de mulheres carnais, e do seu casamento vinham filhos que acompanhavam as suas mães, ímpios e distantes de Deus. Assim se explica o fato que, de toda a descendência de Adão, apenas um homem, Noé com sua família, foi salvo do extermínio. É de se notar que os seus antecessores da linhagem de Sete morreram todos por causas naturais antes do dilúvio, assim não sofrendo o castigo da ira de Deus.

A segunda sentença parece nos dizer que, naquele tempo (algum tempo antes do dilúvio) o Senhor determinou que o Seu Espírito não contenderia com o homem para sempre e que sua vida seria reduzida para cento e vinte anos. Muitos entendem que isto aconteceu cento e vinte anos antes do dilúvio, quando mandou Noé fazer a arca, e a humanidade teve esse tempo para se arrepender.

A terceira sentença nos fala dos nefilins que estavam na terra: existiram tanto antes como depois dos casamentos mistos, logo é incorreto pensar que foram resultado deles.

A quarta sentença esclarece que os nefilins foram os heróis do passado, homens famosos. Enfim temos uma descrição, curta, mas bastante esclarecedora, sobre quem eram eles. Acrescentada ao que se sabe da origem da palavra, que vimos acima, concluímos que os nefilins seriam do tipo dos que hoje em dia chamamos “barões” da política, da indústria, do comércio, das drogas, etc. Os “gigantes” – não em estatura necessariamente – mas em domínio, poder, tirania, liderança pela força. Homens como Napoleão, Stalin, Hitler e Mussolini seriam alguns dos nefilins mais recentes.

A última sentença nos diz que o Senhor viu a perversidade do homem aumentando sobre a terra, “e que toda a inclinação do seu coração era sempre e somente o mal”. Tão incorrigível era a situação da humanidade que Ele a destruiu completamente com o dilúvio, salvando apenas Noé e a sua família e exemplares dos animais que também foram destruídos.

Os nefilins daquele tempo desapareceram, mas apareceram outros em Canaã: “Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos” (Números 13:33 - PJFA). Não podiam ser descendentes dos nefilins pré-diluvianos, pois não sobrou nenhum, a não ser que Noé fosse um deles, o que é muito improvável, além disso, toda a humanidade depois de Noé era descendente dele e, como ele, de Sete e de Adão… Os espias incrédulos poderiam estar exagerando a grandeza dos anaquins.

Todos os anaquins foram destruídos pelos israelitas por ordem do SENHOR, salvo alguns que ficaram em Gaza, em Gate e em Asdode (Josué 11:22). Curiosamente Golias, com cerca de três metros de altura, campeão dos filisteus, veio de Gate para combater os israelitas, e foi morto por Davi.

Esta é uma advertência aos crentes contra tomar sobre si o jugo desigual no casamento. Eles correm risco de desgraça, de ter o pesar de ver os seus filhos distantes do Senhor, irreverentes e desobedientes. Mesmo que se tornem poderosos e influentes como os nefilins, estão destinados à destruição como foram aqueles. A humanidade em nossos dias está  assemelhando-se à dos tempos antediluvianos, com sua perversidade, inclinação para o mal, rebeldia a Deus... e nefilins. Estão se aproximando os “dias do Filho do homem” (Lucas 17:26,27) e estejamos vigilantes e prontos para a Sua vinda (Mateus 24:37-44).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Os propósitos do Senhor

Em Gênesis temos um retrato triste do estado moral e espiritual da humanidade na época de Noé. A santidade do casamento fora perturbada pela lascívia dos homens, atraídos apenas pela beleza física das mulheres. Surgiram nefilins (gigantes), homens valentes (militares) e varões de renome (influentes

Isaías 42:18-23

O Senhor manda que os surdos ouçam e que os cegos vejam.

Esta é a Sua ordem ao Seu povo, Israel, aqui chamado de “servo dedicado, consagrado ao Senhor”, que se fez cego embora tivesse olhos, o “mensageiro enviado pelo Senhor” que se fez surdo, embora tivesse ouvidos.

Esse Seu povo não andava pelos Seus caminhos, nem obedecia à Sua lei. Mesmo quando submetido ao castigo de Deus, ele não percebia nem se compenetrava de que vinha de Deus. Não se lembrava das muitas coisas que via, nem dava ouvidos às mensagens de Deus.

Em Sua justiça, o Senhor engrandeceu a lei tornando-a gloriosa. Mas o povo não Lhe deu atenção, não obedeceu ao concerto que Deus fizera com ele, e agora era um “povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos nas casas dos cárceres; são postos por presa, e ninguém há que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui” (versículo 22).

A glória da lei se revelou mais tarde no caráter e na vida do Senhor Jesus. Sobre Ele o Salmo 40 informa em seu versículo 8: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração". Sua obediência perfeita é sucintamente descrita em Filipenses 2:8... "Cristo Jesus... humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”, ou seja, foi obediente desde o início do dia da Sua encarnação até o clímax da Sua obediência na Cruz.

O Filho de Deus foi assim o único ser humano, habilitado por causa da Sua inocência, a levar sobre Si o pecado dos que se arrependem e confiam n’Ele, recebendo-O como seu Senhor e Salvador. Sua obra na cruz foi “um ato de justiça” (Romanos 5:18), em contraste com a ofensa do primeiro homem, Adão.

A lei colocou todos os homens sob condenação, mas a morte de Cristo traz "justificação e vida" (Romanos 5:18). Assim, o Senhor demonstrou Sua justiça inabalável ao fornecer a base sobre a qual a justificação é concedida ao pecador mediante a fé. A lei foi feita honrosa, ou seja, gloriosa, assim que foi "estabelecida" (Romanos 3:31) e pode ser cumprida, não como um meio de adquirir vida, mas por aqueles que já têm vida. Esta é a essência do Evangelho proclamado pelos que são enviados por Cristo.

Os últimos versículos deste capítulo apelam aos leitores para dar atenção ao chamado do Senhor, nele contido, para que ouçam, vejam e se compenetrem da origem do Seu juízo. Havia, como sempre houve, um remanescente pequeno dos que temiam o nome do Senhor, esperavam a consolação de Israel, e estavam dispostos a obedecer à voz de Deus.

Hoje existem crentes, salvos pela sua fé no Senhor Jesus, cujos ouvidos estão abertos para ouvir a voz de Deus e vão "dar ouvidos, atender e ouvir doravante” (versículo 23). As Escrituras constantemente apontam para o povo de Deus eventos futuros, determinados pelos planos infalíveis de Deus. Esses textos são geralmente chamados profecia, e não poucos os consideram demasiadamente profundos para a sua consideração e com pouco efeito prático sobre o cotidiano e o trabalho do crente.

Na realidade, a verdade é o oposto. A igreja que se reunia em Tessalônica era ainda muito nova quando o apóstolo Paulo, em seu trabalho pioneiro, os instruiu sobre a vinda do “dia do Senhor” que seria precedido pelo “homem do pecado” e outros assuntos do futuro (2 Tessalonicenses 2). Essa instrução não apenas orientava os seus pensamentos, mas era uma barreira contra as influências do mundo. Mais ainda hoje, quando se aproximam os "tempos vindouros", é importante ouvirmos o que Deus nos informa em Sua palavra a respeito do futuro e nosso destino eterno, para compreendermos o que se passa agora e nos prepararmos para o que está para vir.

A característica mais triste do estado do povo de Israel nos tempos do profeta Isaías, quando sofriam as consequências do seu grave pecado contra o Senhor, foi que não se compenetravam da origem das calamidades que lhes vinham. O próprio Senhor havia entregue “Jacó por despojo, e Israel aos roubadores” (versículo 24).

A nação de Israel foi preservada até nossos dias porque o Senhor não a abandonou definitivamente, mas até hoje continua derramando a indignação da Sua ira sobre ela. O Senhor promete que, finalmente, um dia derramarei o espírito de graça e de súplicas; e olharão para aquele a quem traspassaram, e o prantearão como quem pranteia por seu filho único; e chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito” (Zacarias 12:10). Esse remanescente reconhecerá o seu pecado, e prantearão por terem rejeitado e traspassado (ou crucificado), o Senhor encarnado em Jesus Cristo.

Estas palavras foram escritas para que não deixemos de discernir os propósitos graciosos, a sabedoria, o amor, que estão por trás da mão punidora do Senhor. Curvemo-nos em uma submissão que compreende o motivo e significado do Seu comportamento conosco, cônscios de que o que o Senhor faz é para o nosso bem, para que sejamos participantes da Sua santidade. Este é o ápice da bem-aventurança e compreende os meios de poder no nosso serviço! Assim, os Seus caminhos nos farão produzir “um fruto pacífico de justiça” (ler Hebreus 12:4-11).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O sublime nascimento do Senhor Jesus

Quantas vezes, por falta de atenção, somos levados a fazer suposições, dando asas à imaginação, sobre fatos bíblicos que nos parecem curiosos. Se uma suposição nos parece ser verossímil, contamos aos outros. É assim que eventualmente algumas delas, polidas e envernizadas, entram no folclore como se

A Bíblia nos ensina que Deus é eterno, isto é, sempre existiu e sempre existirá. Para nós, isso é difícil de compreender por causa das nossas limitações, mas não existe base para negá-lo.

A Bíblia também ensina que há um só Deus, e que Ele é triuno, ou seja, compõe-se de três pessoas que se apresentam a nós como a Trindade de Pai, Filho e Espírito Santo. Todas essas três pessoas são Deus, atuando individualmente, mas em perfeita comunhão entre si.

A vinda de Deus o Filho a este planeta do universo feito por Ele próprio (João 1:1-5), tomando um corpo humano, pessoalmente, foi um acontecimento extraordinário e maravilhoso, inacreditável se não houvesse as provas incontestáveis de que dispomos. Não vamos aqui tratar delas, mas apenas focalizar em alguns fatos dos muitos ligados à Sua encarnação.

Para revestir-se com um corpo humano, a Palavra (ou Verbo), nome dado ao Filho nesse mesmo texto, nasceu de uma virgem, Maria. Como toda a humanidade, ela era descendente de Eva, que fora criada a partir de uma costela do primeiro homem, que por sua vez fora criado por Deus do pó da terra. Maria mostrou grande surpresa e humildade pela imensa honra que lhe era dada. 

Pouco mais é revelado na Bíblia sobre Maria, mas alguns homens têm construído sobre a sua figura uma crescente variedade de lendas e proposições mentirosas, estátuas, edifícios, devoções e rituais religiosos, chamando-a de “rainha dos céus”. No entanto, precisava de salvação do pecado, como o resto da humanidade, e “se alegrou em Deus, seu Salvador” (Lucas 1:47).

O evangelista Lucas descreve uns poucos mais detalhes em seu Evangelho, concluindo que “nada é impossível para Deus" (Lucas 1:34,35,37). Este acontecimento inédito já havia sido profetizado séculos antes por Isaías "... o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel (Deus conosco)" (7:14)".

A Bíblia, portanto, ensina claramente que o Messias nasceu de uma virgem, sem a intervenção de um homem. Dois evangelistas o dizem claramente, um dos quais, Lucas, que era médico, e as profecias da antiguidade já o haviam previsto. Assim também se explica o que Deus disse à serpente, depois que ela induziu Eva ao pecado de desobediência: "E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça …" (Gênesis 3:15). A semente da mulher (não do homem), feriria a serpente, que era o diabo.

Maria era noiva de José: estava comprometida a se casar com ele, um compromisso que tinha maior valor do que o noivado de hoje em dia, e só podia ser quebrado com o divórcio. A infidelidade da noiva era tratada como se fosse adultério e era punida com a morte. Deus havia escolhido Maria para ser a mãe do Messias, mas também havia escolhido José para ser o seu pai legalmente, embora não biologicamente. Ele era da dinastia real de Davi, legítimo herdeiro do trono de Israel, um homem notável. Neste episódio José demonstrou a sua pureza de caráter, o seu brio, o seu amor por Maria, a sua mansidão e sabedoria.

Quando o povo via uma mulher grávida antes do casamento, só sabiam de duas possibilidades: o noivo teria se antecipado ao casamento, ou ela lhe teria sido infiel. O primeiro caso seria desonroso para os dois, o segundo incriminaria a noiva. A pureza de caráter de José estava em jogo, pois se admitisse ser o pai estaria mentindo, se o negasse estaria condenando Maria à desonra pública.

A única solução honrável que José conhecia para o problema foi deixar Maria e anular o casamento secretamente, o que planejou fazer. Era dos males o menor, pois Maria ficaria na situação de divorciada e ele teria liberdade para continuar a sua vida sem ter que responder perguntas. Mas não deixava de ser uma solução trágica, e não servia aos propósitos de Deus.

Era uma situação humanamente impossível e exigia a intervenção divina. Um anjo do Senhor apareceu portanto em sonhos a José para tirar as suas dúvidas e esclarecer a magnífica realidade do que estava acontecendo: ele não devia temer em receber Maria como esposa, pois o que nela foi gerado procedia do Espírito Santo; ela daria à luz um Filho a quem José deveria dar o nome de Jesus, porque Ele iria salvar o Seu povo dos seus pecados.

Jesus é uma transliteração do hebraico "Yoshua" que significa "Javê é salvação". Sendo "Javê" a segunda pessoa da Trindade, fica claro que este Filho era a segunda pessoa da Trindade, o Salvador do Seu povo.

Mateus estava escrevendo o seu Evangelho para o povo de Israel, e fez questão de salientar que tudo isto foi feito em cumprimento à profecia de Isaías 7:14 (ver acima). Ele apelava ao seu povo para que entendesse o cumprimento da profecia.

É possível achar mais de trezentas profecias no Velho Testamento a respeito da primeira vinda do Messias, todas cumpridas. Encontramos mais referências do Velho testamento no Evangelho de Mateus do que em todos os três outros Evangelhos juntos, o que nos faz entender que o seu objetivo não foi tanto fazer uma biografia do Senhor Jesus, como de provar o cumprimento das profecias do Antigo Testamento concernentes a Ele.

Naquela profecia de Isaías, o filho que iria nascer da virgem seria chamado Emanuel, que quer dizer "Deus conosco". Esta palavra aparece novamente em Mateus 1:23, identificando-o com Jesus Cristo. O nome mais usado, “Jesus”, “porque Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1:21).

Ele também é chamado "o Cristo", ou simplesmente "Cristo" que é a tradução do hebraico "Messias". Essa palavra traduz-se como simplesmente "ungido", mas entende-se que "o Cristo" é um título enquanto que, sem o artigo, simplesmente "Cristo", a palavra denota Seu caráter e o Seu relacionamento com os crentes.

Mas nesta passagem lemos que Ele será chamado Emanuel, que se traduz como "Deus conosco". Ele não pode ser Deus conosco se não for nascido de uma virgem, pois não existe outra maneira de Ele assumir nossa humanidade se não for nascido de uma mulher.

Também não pode ser "Deus conosco" se não for "Javê é salvação" (Jesus): Ele é chamado o Salvador porque ele é Deus conosco. Lemos em Hebreus 2:9: "vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos".

Ele tinha que ser inocente, um sacrifício aceitável pelos pecados de todos, e só "Deus conosco" podia ser inocente: não nasceu de homem, mas nasceu através de uma virgem mediante semente divina, e assim não herdou a natureza pecaminosa de Adão.

Mediante a intervenção do anjo, José abandonou o plano de dar carta de divórcio a Maria, e continuou a reconhecer o seu noivado até o nascimento do Senhor Jesus, quando então passou a ter relações maritais com ela. Ao se casar com Maria, José recebeu Jesus como seu próprio filho adotivo, tornando-o herdeiro legal ao trono de Davi.

A teoria surgida mais tarde que Maria continuou virgem até morrer é contradita pelo versículo 24. Temos outras passagens que mencionam os filhos que Maria teve com José: Mateus 12:46, 13:55,56, Marcos 6:3, João 7:3,5, Atos 1:14, 1 Coríntios 9:5 e Gálatas 1:19.

Desta forma nasceu o Messias-Rei, o Eterno entrou no tempo, o Onipotente se tornou um pequeno Bebê, o Senhor da Glória cobriu aquela glória em sua forma humana, e "nele habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O temor a Deus

Eles “falavam uns aos outros; o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do seu nome. ‘Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei,’ diz o SENHOR dos Exércitos; ‘poupá-los-ei como um homem poupa a seu f

"Atualmente muitos vão às igrejas atraídos por promessas de saúde e bênçãos materiais, mas alguns acham que podem viver melhor sem um compromisso espiritual. Essas promessas são válidas?"

Certa vez Deus reclamou do Seu povo, Israel, por causa da sua religiosidade interesseira. Os judeus estavam se queixando que era inútil servir a Deus: eles não recebiam nenhum benefício por guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do seu Deus. Eles viam felizes os que confiavam em si próprios, e prosperando os que não respeitavam a Deus. Esses tais não eram castigados por sua desobediência (Malaquias 3:13-15).

Em outras palavras, eles consideravam a boa saúde, prosperidade material e impunidade aparente dos que não temiam a Deus como bênçãos, portanto não viam nenhuma necessidade em se sacrificar para obedecer aos preceitos do Senhor. Eles chegaram inclusive a pensar que “qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do SENHOR, e é desses que ele se agrada, pois Ele não castiga” (Malaquias 2:17). O SENHOR Se declarou ofendido com essas palavras e sentimentos, que eram duros para Ele.

Vamos aqui considerar duas coisas: o motivo para servir a Deus e a natureza das bênçãos de Deus. Aquele povo tinha um motivo egoísta para servir a Deus: eles esperavam ser recompensados por isso. Não serviam a Deus de boa vontade e com prazer, o que se torna claro ao dizerem que andavam de luto diante do seu Deus. Como as recompensas não vinham imediatamente, sem dúvida a tristeza deles aumentava. Se tivessem sido motivados por amor, ou mesmo pelo temor a Deus, sua atitude seria muito diferente. Igualmente temos hoje em dia muitos que praticam uma religiosidade aparente: comparecem aos cultos e reuniões da igreja, fazem rituais, dão esmolas e até praticam a caridade, pelo mesmo motivo egoísta. Eles não têm nenhum prazer nisto, e como aqueles judeus, eles se verão desiludidos porque não encontrarão nenhum resultado imediato.

A natureza das bênçãos de Deus também não estava sendo entendida. A nação de Israel recebia bênçãos de espécie material, e recebia paz e prosperidade em troca da sua lealdade ao SENHOR seu Deus. Todavia, as bênçãos de Deus aos que O temem e amam são muito mais valiosas e duráveis do que boa saúde e riqueza material nesta vida: como lemos no Salmo 73:23-27, de Asafe: “Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para contigo.” Provas e tribulações (não saúde e prosperidade), são a porção aqui em baixo de quem quer que tema a Deus e confie no Senhor Jesus, como Ele próprio sofreu durante o Seu ministério na terra. A sua herança e recompensa estão esperando por eles no céu.

Entre o povo a quem foi dirigida a profecia de Malaquias, havia alguns que realmente temiam a Deus. Por causa dos seus sentimentos em comum com relação a Ele eles “falavam uns aos outros; o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do seu nome. ‘Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei,’ diz o SENHOR dos Exércitos; ‘poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve. Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve.’” (Malaquias 3:16-18)

Isso nos traz à mente o povo de Deus em nosso tempo, que é chamado de igreja de Cristo. A igreja de Cristo nada tem a ver com as construções de alvenaria e pedra, ou com as instituições feitas pelos homens que se denominam igrejas, mas é composta de todo o povo desde o tempo de Cristo que, porque tem o temor a Deus, veio ao Senhor Jesus e O recebeu como seu Senhor e Salvador pessoal.

Por causa da sua fé comum eles têm se congregado em grupos locais para gozar comunhão e para instrução, apoio mútuo e crescimento “para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito” (Efésios 2:21-22).

Cada grupo local é uma igreja de Deus em si mesmo. Tem uma vida própria, sob a supremacia de Cristo: ela nasce e também pode morrer: não tem garantia de perpetuidade. A igreja local pode morrer por causas naturais: se não houver remanescente depois da morte ou mudança dos seus membros; ou pode morrer por causas espirituais: envenenada por heresias, contaminada por alianças com o mundo ou sufocada por regulamentos e tradições de homens.

Voltando aos fiéis daqueles tempos, aprendemos que “o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do seu nome.” Algumas passagens na Escritura nos falam dos livros de Deus. Diz-se que nomes de pessoas são escritos, e parecem correr o risco de ser apagados. Naturalmente Deus nunca esquece e não precisa de um memorial para lembrar-Se. Podemos pensar que o memorial aqui mencionado seja uma figura de linguagem, mas é certamente possível e mesmo provável que algum tipo de registro é mantido no Céu para o uso das Suas criaturas quando cumprem os Seus decretos. Para nós é mais fácil entendê-lo na forma de livros, com que estamos acostumados.

Só os nomes dos “que temem ao SENHOR” e dos “que se lembram do seu nome” estão escritos no memorial. Isso nos lembra de Apocalipse 20:12-15, onde está profetizado que muitos livros serão abertos diante do grande trono branco, mas somente um da Vida. Os mortos serão julgados de acordo com as suas obras conforme os livros, mas “se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.”

O Livro da Vida, portanto, contém os nomes de todos aqueles que são salvos, enquanto que os outros livros dizem respeito às obras. Como a salvação vem pela fé e não por obras, quaisquer obras e seus registros parecem ser de relevância apenas aos salvos.

O memorial escrito diante do SENHOR de que lemos em Malaquias, para os que temem ao SENHOR e que se lembram do Seu nome, é provavelmente um dos muitos existentes para registro das suas obras. Eles foram salvos, pois Deus os poupará “como um homem poupa a seu filho que o serve.” Isso nos lembra também que aqueles que são salvos pela fé no Senhor Jesus Cristo são adotados por Deus como Seus filhos.

Encontramos uma referência ao livro de Deus no Salmo de Davi 56:8: “Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?” O SENHOR sabe exatamente onde estivemos e o que fizemos todo o tempo, mesmo se a nossa família, vizinhos e amigos o desconhecerem. Ele também conhece o nosso sofrimento, as lágrimas que derramamos, porque Ele as recolheu no Seu odre - outra figura de linguagem - e estão no Seu livro. Um dia delas seremos lembrados e poderemos ficar surpresos.

O povo de Israel ansiava pelo dia quando o SENHOR seu Deus cumpriria a Sua promessa aos patriarcas e estabeleceria Israel sobre todas as nações sob a Sua soberania. Eles esperavam a vinda do Messias a qualquer momento para essa finalidade. Deve ser a este dia que a profecia aqui se refere, quando os fiéis serão particular tesouro para o SENHOR dos exércitos. Eles serão o Seu ornamento em Seu reino.

É uma maneira encantadora de expressar quão preciosos os fiéis de Israel são para Ele. E aqueles que compõem a Sua igreja estarão também ali para reinar com Ele. A igreja é representada pelo Senhor Jesus como uma pérola de grande preço, comprada com o Seu próprio sangue precioso.

O remanescente dos que são tementes ao Senhor que estiverem vivos no início do Seu reino (o milênio) serão poupados “como um homem poupa a seu filho que o serve.” “ Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve”. Naqueles dias de Malaquias os que temiam a Deus e os que fingiam servi-Lo não se distinguiam facilmente. O SENHOR sempre sabe porque Ele pode ver o coração do homem. O mesmo acontece em nossos dias e assim será também no fim desta era. O Senhor Jesus contou a parábola do trigo e do joio que ilustra esse fato. No entanto, no dia em que Deus escolheu, o dia do Seu juízo quando Cristo voltará outra vez, Ele vai separar o justo do perverso e todos virão a saber quem são.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O tempo da consciência

O templo sendo construído por Deus na atualidade é a igreja de Cristo (1 Coríntios 3:16), onde a adoração se faz em espírito e em verdade ( João 4:21-24) pelo pobre e abatido de espírito e que treme diante da Palavra de Deus, conforme essa profecia de Isaías.Embora as Escrituras Sagradas se mantenha

Gênesis 3:25 a 8:19

 

O tempo da consciência começou no dia em que Adão e Eva comeram do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim do Éden, assim desobedecendo ao único mandamento que Deus lhes dera, que resultava em punição se não fosse cumprido. Isto é relatado em Gênesis 3:5.

O Senhor então amaldiçoou a serpente e lhe declarou: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). Este versículo é conhecido como "o primeiro evangelho". Prediz a hostilidade eterna entre a serpente (que representa Satanás - Apocalipse 12:9) e a mulher (que representa toda a humanidade) e entre a descendência da mulher (o Messias) e a descendência de Satanás (seus agentes).

A “descendência da mulher” esmagaria a cabeça do diabo, uma ferida mortal representando a derrota total. Esta ferida foi administrada no Calvário quando o Senhor Jesus Cristo decisivamente triunfou sobre Satanás. Satanás, por sua vez, “feriu o calcanhar do Messias”, referindo-se ao Seu sofrimento e morte física, mas não foi uma derrota final, pois Ele ressuscitou dos mortos, vitorioso sobre o pecado, inferno e Satanás. O fato de ser chamado “a descendência da mulher” pode sugerir seu nascimento virginal. Observe a benevolência de Deus ao prometer o Salvador antes de pronunciar a sentença nos versículos seguintes. A responsabilidade do homem durante o tempo da consciência foi crer nessa promessa. 

Os versículos seguintes, até 24, nos contam as severas punições impostas sobre Adão e Eva por causa da desobediência, que afetam toda a sua descendência, e a sua expulsão do jardim do Éden, impedindo que comessem do fruto da árvore da vida e vivessem eternamente. Em seu ato de desobediência a Deus, imediatamente “morreram” espiritualmente, significando que perderam seu direito à comunhão com Deus, tanto eles como seus descendentes. Um dia também morreriam fisicamente, porque Deus fechou seu acesso à “árvore da vida” cujas folhas lhes permitiriam viver eternamente.

Começou então um novo tempo, o da Consciência, que durou mais de dezesseis séculos. O nome enfatiza o princípio pelo qual Deus dirigiu a humanidade nesse período, que foi a consciência do bem e do mal adquirida no jardim do Éden.  Adão viveu durante os primeiros 930 anos, e o Senhor se comunicava com ele e outros da sua descendência. Entre os Seus ditames desse tempo, temos registrados na Bíblia a obrigação dada à mulher de obedecer ao seu marido, e do marido de trabalhar para seu sustento.

Ainda não haviam sido impostos leis e decretos de conduta ao ser humano, mas ele conscientemente podia distinguir entre o “bem” e o “mal”. Em Romanos 2:15 Paulo descreve que os homens e mulheres em geral “mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os quer defendendo-os”.

Se procedesse “bem”, o homem seria feliz e seu semblante se levantaria, mas se procedesse “mal” seu semblante descairia e ele estaria em vias de ser subjugado pelo desejo do pecado, desejo este que ele deveria dominar (Gênesis 4:7). Outro teste estava na espécie de ofertas que faziam a Deus, sendo que Ele se agradava daquelas do tipo que Abel lhe trazia: “dos primogênitos e gordura das ovelhas” e não “o fruto da terra” como as de Caim. As primeiras eram proféticas do “Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo”, o Senhor Jesus Cristo (João 1:29), enquanto que o segundo é o resultado do esforço humano, incapaz de lavar os seus pecados. É uma figura, usada como lembrete da restauração prometida desde que o ser humano caiu da posição privilegiada que ocupara quando foi criado.

Neste tempo houve o primeiro homicídio, quando Caim matou Abel, sendo eles dois dos primeiros filhos de Adão e Eva. Em seguida Deus deu a Eva outro filho, chamado Sete. Adão agora era da idade de 130 anos. Disto se deduz que, entre a morte de Abel e o nascimento de Sete, Eva não teve outros filhos, pois, se houvesse, ele teria sido mencionado ao invés de Sete. Mas como Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas (Gênesis 5:4) o número de pessoas no mundo por ocasião deste homicídio poderia já ter alcançado muitos milhares, justificando o temor de Caim de ser assassinado em vingança pela morte de Abel (Gênesis 4:14 e 15).

Como exemplos dos que procederam “bem”, nesse tempo, temos:

  • Abel, declarado “justo” por Deus mesmo (Mateus 23:35, Hebreus 11:4).
  • Enoque, que procedeu “bem”, pois andou com Deus e, ao completar a grande idade de 365 anos “não apareceu mais, porquanto Deus o tomou”, isto é, foi “trasladado para não ver a morte” (Hebreus 11:5). Enoque também foi profeta, anunciando a vinda do Senhor “com os seus milhares de santos para executar juízo sobre todos...” (Judas versículo 14).
  • Noé, “que era homem justo e perfeito em suas gerações, e andava com Deus” (Gênesis 6:9).
  • O Senhor não se fez ausente do ambiente humano durante esses primeiros séculos. O relato bíblico nos dá umas poucas instâncias de diálogos que teve com homens, mas não há motivo para pensar que foram os únicos.
  • Por outro lado, a despeito disso, a corrupção da humanidade crescente foi grande:
  • Os homens bem cedo se deram à luxúria (Gênesis 6:2).
  • Os homens piedosos eram atraídos pela formosura física de mulheres carnais, e do seu casamento vinham filhos que acompanhavam as suas mães, ímpios e distantes de Deus.
  • Surgiram os gigantes entre a população, (“nefilim” no hebraico): “eles foram os heróis do passado, homens famosos” (Gênesis 6:4, NVI), ou seja, as celebridades e ditadores cuja influência nociva levava as multidões para o mal.

Então “viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.” (Gênesis 6:5). A humanidade havia se tornado tão má que não mais podia seguir os ditames da sua consciência. Mesmo sua consciência havia sido abafada a tal ponto, que não podia mais ser usada para orientação. Em vista disso, o Senhor decidiu terminar toda a humanidade desse tempo, mas preservar com vida as únicas oito pessoas que lhe eram fiéis: Noé, sua esposa, seus três filhos e suas esposas.

O tempo da consciência assim terminou cerca de 1.650 anos depois da criação do mundo, quando Deus destruiu toda a superfície da terra e suas criaturas que aqui viviam, mediante um gigantesco dilúvio em que “romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram” (Gênesis 7:9), salvando apenas Noé, sua esposa e seus três filhos com suas esposas, bem como casais de representantes de todos os animais e aves da terra, dentro de uma imensa arca de madeira.

A graça de Deus se vê na preservação de Caim depois que matou Abel, na salvação de Enoque da morte, e na salvação de Noé com a sua família do dilúvio para permitir novo crescimento da população humana no mundo.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O teste de paternidade

As mulheres cristãs devem adornar-se “do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranquilo, o que é de grande valor para Deus”, e ocupar-se no exercício das boas obras, que são um tema importante nas Escrituras e suplementam tão bem a sã doutrina, pois consistem na sua práti

Leia 1 João 3:7-17


Quando a paternidade de alguém é posta em dúvida, existem exames para prová-la. Hoje em dia está em voga o uso do teste de DNA, um código genético das células de cada indivíduo, herdado dos seus pais, que é considerado praticamente infalível para identificar os pais naturais.


Mas, do ponto de vista espiritual, existem apenas duas famílias no mundo: os filhos de Deus e os filhos do diabo. A ideia de que existe uma paternidade universal de Deus e uma irmandade universal humana é uma heresia: a Bíblia não nos ensina que Deus considera toda a humanidade como Seus filhos. O Senhor Jesus disse aos líderes religiosos do Seu tempo: “Vós sois do diabo, que é vosso pai…” (João 8:44). Alguém disse que a razão por que um crente não deve se casar com um descrente, é porque vai ter problemas com o sogro…! E como isso é verdade!


Aos filhos de Deus, a quem João endereçou esta sua carta, neste texto chamados “filhinhos”, ele aponta, nos versículos 7 e 8, um teste infalível para descobrir a paternidade espiritual das pessoas. Uma tradução bem literal do original grego em que foram escritos seria: “Pequenos filhos, não permitam a ninguém levá-los a se extraviarem; aquele que está fazendo a justiça é justo, mesmo como Ele é justo, aquele que está fazendo o pecado, do diabo é, porque desde o princípio o diabo faz pecado”.


A palavra justiça tem aqui o significado da vida justa mediante a graça de Deus, que é o resultado da salvação mediante o novo nascimento em Cristo: ele faz justiça porque ele foi feito justo. A justiça de Deus é dada e aplicada em todo aquele que crê em Jesus Cristo (Romanos 3:22). O Senhor Jesus é justo, e por causa disso todos os que confiam nEle são feitos justos como Ele: Ele morreu como oferta pelo pecado, pagando a sua pena, assim tirando os pecados de todos os que creem (v. 5).


Ninguém é feito justo mediante a obediência à lei de Moisés, ou por bom comportamento, ou por dizer-se cristão, ou por ser batizado, ou por ser membro de uma igreja, ou mediante algum ritual ou por pertencer a alguma instituição religiosa. Quem não for feito justo mediante a fé em Cristo está fazendo o pecado, e é do diabo que pecou desde o princípio: ele é filho espiritual do diabo porque é igual a ele no pecado. O Filho de Deus veio para acabar com essa paternidade, e isso Ele realmente faz a todos os que confiam nEle.


Muita gente tem compreendido erradamente os versículos 9 e 10 por desconhecer a tradução literal. “Aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado” não significa cometer um pecado isoladamente, mas praticar o pecado continuamente, como hábito: isso é claramente explicado em Romanos 6. O filho de Deus tem uma natureza divina, sendo nascido de Deus. Ele almeja as coisas de Deus e detesta desobedecer-Lhe, portanto não vive continuamente na prática do pecado.


Em 1 João 2 aprendemos que é da vontade de Deus que vivamos sem pecar, mas se acontecer de um crente pecar, Ele tem um Advogado junto ao Pai para defendê-lo. No capítulo 1 somos informados que, se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e para nos purificar de toda a injustiça.


Uma vida de pecado é prova de que alguém é filho do diabo e não de Deus. Essa evidência se faz clara a todos. Os fariseus religiosos reivindicavam ser filhos de Abraão, enquanto sua conduta provou que eram filhos do diabo (João 8:33-39). “Pelos seus frutos os conhecereis”, disse o Senhor Jesus (Mateus 7:20).


Deveríamos poder encontrar algum fruto bom em nossos irmãos na fé. Não importa quem ele seja, nem o que ele declare ser, nem a sua atividade — pode até ser um diácono ou encarregado de diversos trabalhos da igreja — se alguém não produz o fruto do Espírito (amor, alegria, paz, longanimidade etc.) não é um filho de Deus.


A segunda prova no exame de paternidade é a presença ou não de amor pelos outros membros da família de Deus. Um filho de Deus ama outros que são crentes como ele. A palavra amor, muito usada nesta epístola, é uma tradução da palavra grega agapao, que também é usada para denominar o amor de Deus (João 3:16), não é a palavra phileo que é usada para expressar o amor do tipo existente entre irmãos dentro de uma família. É, portanto, diferente e superior ao amor humano.


Temos uma boa descrição desse tipo de amor em 1 Coríntios 13: o filho de Deus não aprecia necessariamente tudo o que os seus irmãos na fé fazem, dizem, e o que mais lhes interessa, mas certamente se preocupa com eles e procura ser-lhes benéfico quando surgem as oportunidades, e nunca guarda rancor em seu coração contra outro crente. Aquele que não tem cuidado pelo seu irmão em Cristo não é um filho de Deus — ele ainda pertence à família do diabo.


A mensagem de amor pela irmandade aparece desde o início do Evangelho: o Senhor Jesus o ensinou aos Seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”, e todos os apóstolos o ensinaram. Remonta ao tempo dos irmãos na carne Caim e Abel, quando Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas. Ciúmes e inveja resultaram em homicídio por parte de Caim.


Dentro das igrejas, ciúmes e inveja da parte dos que se dizem crentes fazem mais estragos à obra de Cristo do que, talvez, qualquer outra coisa. Quantos pregadores têm inveja do sucesso de outros? Quantos têm ciúmes quando outros são escolhidos para as posições ou trabalhos mais importantes? Muitas intrigas na obra de Deus têm sua origem em ciúmes.


Não é novidade, e é até de se esperar, que o mundo deteste ou não aceite os filhos de Deus. O Senhor Jesus mesmo disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso o mundo vos odeia” (João 15:18,19). Nem por isso o filho de Deus deve se fazer detestável usando de rudeza, desprezo e outras atitudes semelhantes para com os descrentes. Cuidemos para que nossa rejeição seja pela mesma razão por que Cristo foi rejeitado.


Deus conhece nossos corações e sabe se realmente nascemos de novo e somos Seus filhos. Cada um de nós pode se certificar se é um filho de Deus ou não. A prova da paternidade está neste exame: os que não são filhos de Deus, mas do diabo, se manifestam pela ausência de duas coisas: a prática da justiça e o amor pelos filhos de Deus; mas se estamos produzindo o fruto do Espírito Santo e se amamos nossos irmãos e irmãs em Cristo com o tipo de amor que Cristo revelou por nós, somos indubitavelmente filhos de Deus.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

O voto de Jefté

Apesar de ter sido desprezado e expulso pelo seu povo da sua terra por causa da sua origem, ao confiar no SENHOR Jefté provou ser um homem de fé, ao cumprir as suas promessas e o seu voto provou ser um homem de palavra, e ao agir sem hesitação embora com prudência provou ser um homem de ação e firme

Como pode um homem que sacrificou a sua própria filha em holocausto por causa de um voto irrefletido figurar como um herói da fé em Hebreus 11:32?


O voto a que a pergunta se refere foi: "Jefté fez um voto ao SENHOR e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto." (Juízes 11: 30 e 31).

Vitorioso sobre os amonitas, Jefté voltou para sua casa e "eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela só, a única; não tinha outro filho nem filha. E aconteceu que, quando a viu, rasgou as suas vestes e disse: 'Ah! Filha minha, muito me abateste e és dentre os que me turbam! Porque eu abri a minha boca ao SENHOR e não tornarei atrás'" (Juízes 11:34-35). E assim fez: "E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu varão" (Juízes 11:39).

Teria ele realmente oferecido a sua filha em holocausto? Esta é uma pergunta que tem sido debatida através dos séculos e muitos comentaristas respeitados opinam que sim, o que dá origem a essa pergunta.

Essa interpretação decorre das palavras traduzidas como "e o oferecerei em holocausto", sem levar em conta a possibilidade de outra tradução, as circunstâncias das pessoas envolvidas, a lei de Moisés e todo o contexto desse episódio.

O original hebraico permite uma sutil modificação no sentido das palavras, de forma que a segunda parte não é necessariamente conseqüência direta da primeira, ou seja, no caso do SENHOR lhe dar a vitória, Jefté promete:

  • Qualquer coisa que primeiro saísse da sua casa ao seu encontro, seria do SENHOR (mesmo se fosse uma pessoa),
  • Ele a ofereceria em holocausto (se aparecesse um animal).

Essa interpretação é mais coerente, pois:

  • a lei de Moisés proíbe o homicídio (Êxodo 20:13),
  • também proíbe sacrifícios humanos (Levítico 18:21; 20:1-5, Deuteronômio 12:31)
  • Jefté era um homem provadamente temente a Deus, e evidentemente conhecedor da lei de Moisés; ele sabia que o SENHOR se aborreceria com um holocausto humano, embora fosse feito pelos cananeus aos seus ídolos.

Jefté (Quem Deus Liberta) havia sido marcado pelo seu nascimento infeliz, de uma prostituta. A lei de Moisés mandava "nenhum bastardo entrará na assembléia do SENHOR; nem ainda a sua décima geração entrará nela" (Deuteronômio 23:2). Seus irmãos por parte do pai, legítimos, o rejeitaram e ele havia sido banido dentre o seu povo. No entanto, era um homem valente e juntou ao redor de si um grupo de outros rejeitados pela sociedade nas cercanias de Tobe, ao norte de Amom, e com eles saqueava a região habitada pelos inimigos de Israel (como Davi também faria mais tarde - 1 Samuel 22:2).

Sofrendo por causa da sua origem, da qual era inocente, ele não desanimou, e Deus o usou mais tarde. Se tivermos de sofrer por culpa de outros, não fiquemos paralisados pela amargura, mas sigamos com coragem. Deus ainda pode nos usar, mesmo se nos sentirmos rejeitados por aqueles que nos cercam.

Por causa de preconceitos e costumes da sociedade, vizinhança ou mesmo igrejas, existem pessoas que se acham isoladas ou afastadas da comunhão dos seus irmãos. Seu potencial não é usado. Sabemos que todo o crente tem um lugar na família de Deus. Procuremos ajudar essas pessoas a serem aceitas em virtude do seu caráter e dos seus dons. Deus poderá usá-los.

Um dia, precisando de um homem valente para enfrentar os seus inimigos, os anciãos de Israel lembraram-se novamente de Jefté e foram buscá-lo no exílio onde se encontrava, propondo que ele chefiasse o seu exército. Estabelecidas as condições, ele voltou à sua terra de Gileade e recebeu sua nomeação pelo povo em uma cerimônia oficial, e depois solenemente declarou suas palavras diante do SENHOR em Mispa (Torre de Vigia). Vemos aqui que o seu Deus é claramente o SENHOR.

Após uma tentativa de resolver diplomaticamente a questão com os inimigos, os amonitas, o Espírito do SENHOR veio sobre Jefté, e ele foi até onde estavam o amonitas, quando então fez esse voto.

Teria este sido um voto irrefletido? Parece-me que Jefté foi dirigido pelo Espírito Santo ao fazê-lo e embora ele não soubesse qual seria o seu desfecho, o SENHOR sabia. Em seguida ao voto, o SENHOR deu a Jefté uma vitória absoluta sobre o inimigo, indicando que tinha a Sua aprovação.

Jefté não tinha outros filhos além dessa sua filha que lhe foi ao encontro festejando a vitória. Isso explica a sua grande tristeza ao perceber que, por causa do voto que fizera, tinha agora que dá-la ao SENHOR: ele jamais poderia dá-la em casamento, ela seria obrigada a permanecer virgem por toda a vida, e ele ficaria sem descendência porque não tinha outros filhos. Fica claro agora que o voto, segundo a vontade do SENHOR, evitou que surgisse uma descendência dele que estaria debaixo da maldição da lei.

Fazer um voto diante de Deus é coisa séria: "quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras." (Eclesiastes 5:4,5). Tem gente que, impulsionada por um apelo comovente, sem se dar tempo para refletir, promete mundos e fundos para alguma causa ou vai à frente prometendo dedicar-se em tempo integral à obra missionária, etc. Mais tarde, não consegue cumprir a sua promessa. Não devemos prometer mais do que podemos fazer.

Embora Jefté desejasse muito ter uma descendência, e sentisse muito por sua filha a quem amava, ele foi fiel ao seu voto feito diante do SENHOR. A sua filha também conformou-se, resignada, ao cumprimento do voto do seu pai, apenas obtendo a sua permissão para primeiro visitar suas amigas para lamentar o seu destino com elas por dois meses. Era uma tragédia para ela, pois as jovens naquele tempo só se achavam realizadas quando casavam e tinham filhos, e as solteironas ou mulheres sem filhos eram desprezadas. Ela nunca poderia se tornar numa honrada mãe em Israel, e a sua vida seria dedicada ao SENHOR, humildemente servindo no tabernáculo. É um caso inédito na Bíblia, tanto que se tornou um costume em Israel as moças saírem todos os anos por quatro dias para celebrar a memória dessa jovem.

O SENHOR abençoou Jefté pela sua fidelidade, e deu-lhe mais uma vitória importante sobre os guerreiros revoltosos de Efraim. Apesar de ter sido desprezado e expulso pelo seu povo da sua terra por causa da sua origem, ao confiar no SENHOR Jefté provou ser um homem de fé, ao cumprir as suas promessas e o seu voto provou ser um homem de palavra, e ao agir sem hesitação embora com prudência provou ser um homem de ação e firmeza. Pelas suas grandes qualidades ele julgou a Israel seis anos, e foi incluído com outros heróis da fé em Hebreus 11:32.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Páscoa e ressurreição

Mesmo hoje, muitos que dizem que creem em Jesus Cristo não vão além de somente crer nos fatos do Evangelho. A não ser que confiem no Senhor Jesus como seu Salvador, que deu a Sua vida pelos seus pecados e para a sua justificação, sendo Ele a sua única esperança para salvação da condenação eterna pel

João 2:13-25


Notamos que a festa em Jerusalém, para a qual o Senhor Jesus subiu nessa ocasião, é chamada aqui de “Páscoa dos Judeus”. Não é mais a Páscoa do Senhor (Êxodo 12:27). Após a Sua morte ela foi reduzida a uma festividade religiosa judaica, um ritual somente. Aquele que a Páscoa representava já veio: "Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado" (1 Coríntios 5:7).

Naquele tempo a celebração da páscoa acontecia anualmente no templo em Jerusalém. Era uma das três festas anuais que exigiam o comparecimento de todos os homens, sendo as outras a festa de Pentecostes e a dos Tabernáculos. A festa da Páscoa comemorava o livramento dos judeus da escravidão no Egito (Êxodo 12:1-13) e começava aproximadamente no décimo quarto dia de abril em nosso calendário, durando sete dias ao todo. A Páscoa propriamente era celebrada no dia inicial, seguindo--se depois a festa dos Pães Asmos.

Muitas famílias judias viajavam do mundo inteiro para Jerusalém durante essas festas. Assim, durante a Páscoa, a área do templo ficava sempre abarrotada com milhares de visitantes além dos seus habitantes.

Todo israelita de vinte anos para cima tinha que pagar anualmente na tesouraria sagrada do templo meio siclo como um oferecimento ao Senhor (Êxodo 30:13-15), e isto com a tradicional e antiga moeda hebraica deste valor exato. O povo também era obrigado a oferecer animais como sacrifício pelos pecados. Muitos não podiam trazer consigo seus animais porque vinham de longe, ou porque não dispunham de animais nas perfeitas condições exigidas.

Havia, portanto, grande procura de moedas de meio siclo assim como de animais próprios para os sacrifícios e holocaustos na festa da Páscoa. Para facilitar o comércio, os líderes religiosos permitiam que cambistas de moedas e comerciantes montassem suas bancas e barracas na corte dos gentios no templo, mediante um aluguel. Era lucrativo para os negociantes e rendoso para os sacerdotes, à custa dos que vinham oferecer sacrifício. O templo de Deus estava sendo usado de forma inadequada, e a perseguição do ganho material e o uso de práticas gananciosas predominavam. A Casa de Deus tinha se tornado em uma espécie de bolsa de mercadorias ou feira livre.

O Senhor indignou-Se com isto e, tendo feito um chicote de cordas, expeliu todos do templo com seus animais, espalhou o dinheiro dos cambistas e virou-lhes as mesas, dizendo aos que vendiam as pombas “tirai daqui estas coisas: não façais da casa do meu Pai casa de negócio”, pois estavam fazendo um escárnio da casa de Deus. Ao término do Seu ministério, aproximadamente três anos mais tarde (Mateus 21:12-17; Marcos 11:12-19; Lucas 19:45-48), Ele repetiu esta “limpeza”, pois o motivo de lucro daquela gente era mais forte que o desejo de conservar a santidade do templo.

Deus sempre preveniu Seu povo contra o uso do culto a Ele para o seu próprio enriquecimento. O que o Senhor fez naquelas ocasiões não foi cruel ou injusto, mas era apenas a manifestação da Sua santidade e justiça, o que fez com que Seus discípulos se lembrassem do versículo em Salmo 69:9... “o zelo da tua casa me devorou”. Este salmo é citado dezessete vezes no Novo Testamento e é um dos seis salmos mais citados no Novo Testamento (é citado novamente em João 15:25 e 19:28-29 - os outros salmos que frequentemente são citados são 2, 22, 89, 110 e 118).

Os judeus (entendendo-se aqui os religiosos que administravam o templo) que se consideravam "donos" do templo se indignaram: como não haviam sido consultados, demandaram que o Senhor lhes provasse que tinha autoridade para o que havia feito.

A Sua resposta os deixou espantados, pois declarou “Derribai este santuário, e em três dias o levantarei”. Não prestando muita atenção às palavras que Ele usou, entenderam que o “santuário” seria o templo de onde o Senhor Jesus havia acabado de expulsar os comerciantes e cambistas. Este era o templo construído inicialmente por Zorobabel 500 anos antes, que fora arruinado pela ação dos inimigos e pelo descaso dos judeus, mas estava em fase de reedificação por Herodes, iniciada 46 anos antes (a reedificação só se completou em 65 AD, mas o templo foi completamente destruído pelos romanos cinco anos depois, como fora predito pelo Senhor conforme Lucas 19:41-44). No entender dos judeus, este poder que o Senhor Jesus se arrogava seria uma blasfêmia. Foi disto que O acusaram em seu julgamento diante dos principais sacerdotes e do sinédrio, aceitando um testemunho que distorcia as Suas palavras, pois declarava que Ele dissera: “Posso destruir o santuário de Deus” ao invés de “Desamarrai este santuário” (Mateus 26:61).

A palavra que Ele usou, traduzida como “derribai” foi "luo" que também significa “desamarrai” e a palavra que usou no versículo 19 e os judeus repetiram no versículo 20 é “naos” que se refere ao santuário interior do templo (nos versículos 14 e 15, a palavra usada para “templo” é “hieron” que significa o edifício inteiro: era o pátio exterior que fora contaminado e precisava de uma limpeza, não o santuário interno). A palavra “naos” é usada em 1 Coríntios 6:19 onde lemos que o corpo do crente é o santuário do Espírito Santo.

A palavra traduzida “levantarei” é “egeiro”, que também significa “acordarei” (Romanos 13:11) também traduzida como ressuscitar (dos mortos) em outros lugares (Atos 26:8, 2 Coríntios 4:14, Hebreus 11:19). Ao dizer: “Desamarrai este santuário e em três dias eu o acordarei dos mortos”, significou que eles "desamarrariam" o Seu espírito (por morte do Seu corpo humano) e o próprio Senhor Jesus “o acordaria (Seu corpo) da morte” depois de três dias (Mateus 12:39-41, 16:4). Assim como o Senhor usava parábolas para confundir os incrédulos, Jesus Cristo teria usado essa expressão ambígua para confundir os Seus inimigos. Os Seus ouvintes não deram conta que Ele era maior do que o templo (Mateus 12:6)!

Assim como os judeus, os discípulos também não entenderam o Seu pronunciamento. Somente depois de realizada a ressurreição foi que eles se lembraram, creram nas Escrituras (ferido e esmagado - Isaías 53:5, cortado – Daniel 9:26, sua alma não ficaria no Seol, nem seu corpo veria corrupção - Salmo 16:10), e compreenderam o Seu alto significado. O alto significado foi que, tendo Cristo cumprido tão perfeitamente a Sua predição, ela se tornou em uma das mais fortes provas da Sua reivindicação de ser Deus: só Deus poderia dizer que ressuscitaria o corpo depois de três dias!

Durante a festa, o Senhor fez sinais milagrosos que fizeram com que muitas pessoas vissem e cressem em Seu nome. Mas não era uma fé salvadora: elas somente aceitavam a legitimidade das maravilhas que viam. Embora acreditassem em Seu poder, pelo que testemunhavam, Ele não confiava nelas porque conhecia a natureza humana (Jeremias 17:9), e sabia que sua fé era superficial. Muitas daquelas pessoas que diziam crer no Senhor Jesus naquela ocasião seriam possivelmente os mesmos que mais tarde gritariam “crucifica-O”. É fácil crer quando muitos outros pensam da mesma forma dando um sentimento de bem estar, mas que na realidade é uma falsa segurança.

Mesmo hoje, muitos que dizem que creem em Jesus Cristo não vão além de somente crer nos fatos do Evangelho. A não ser que confiem no Senhor Jesus como seu Salvador, que deu a Sua vida pelos seus pecados e para a sua justificação, sendo Ele a sua única esperança para salvação da condenação eterna pelos seus pecados, e se dispuserem a declarar a sua fidelidade ao Senhor Jesus Cristo, mesmo se correrem risco de morte pelos Seus inimigos, eles não possuem a fé salvadora.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Perda da salvação

Nosso Salvador e Senhor, Jesus Cristo, nos assegura que nossa salvação é permanente: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e

É POSSÍVEL PERDER A SALVAÇÃO?

A resposta simples e imediata a esta pergunta é um vigoroso NÃO!

A salvação a que nos referimos é o livramento da morte eterna, chamada também “perecimento”, que merecemos por causa do nosso pecado; esse livramento, também eterno, Deus dá livremente e de imediato àqueles que aceitam Suas condições de arrependimento e fé no Senhor Jesus (João 3:14-16, 36, Atos 4:12, Romanos 10:8-13, Efésios 1:13-14, 2 Tessalonicenses 2:13).

Este livramento é dado porque nosso Senhor Jesus Cristo levou sobre si o castigo pelo nosso pecado passado, presente e futuro quando morreu na cruz. Com isto somos justificados, o que significa ser declarados justos na justiça de Deus, ao invés de culpados.

Existem ainda outros sentidos para salvação, como do poder do pecado (Filipenses 2:12, etc.) e da presença neste mundo (Romanos 13:11, 1 Tessalonicenses 5:8,9, Hebreus 9:28, 1 Pedro 1:5, etc.).

Sendo agora justos, temos comunhão com Deus e isto é vida, que Ele nos dá pela sua graça. Não só isto, mas a Bíblia nos garante que essa vida é eterna.

Quando Adão foi criado, ele tinha comunhão com Deus, vida, mas não era eterna: era condicional. Ela cessou quando ele comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal; nesse dia ele perdeu sua comunhão com Deus (sua morte física ocorreu, séculos depois, porque Deus lhe vedou acesso à árvore da vida). A vida que recebemos agora, pela fé em Cristo, é incondicional. “Eterna” significa que é para sempre, não é possível mais morrer, ou nos separarmos de Deus.

Um pecador não pode ser admitido na presença santíssima de Deus, mas como temos garantida, na Palavra de Deus, a nossa comunhão eterna com Ele, temos outra prova que todo o nosso pecado foi resgatado pelo nosso Salvador. Enfim, todo o crente em Cristo nunca perderá a sua salvação pois ela também é chamada eterna (Hebreus 5:9).

As Escrituras são muito claras, mesmo enfáticas, sobre isso. Por exemplo, só no capítulo 8 de Romanos, encontramos:

  • versículo 1: “Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”
  • versículo 33: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica”.
  • versículo 34: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”
  • versículo 35: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?”.
  • versículo 38: “Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Temos aqui a garantia que absolutamente nada pode nos separar do amor de Deus, que está em Cristo nosso Senhor: visível ou invisível, natural ou sobrenatural.

Mas o diabo, como fez no Éden, procura colocar dúvida na mente do crente. Novamente ele cita a Palavra de Deus para esse fim. Talvez Hebreus 6:4-6 seja um dos textos mais usados por ele, e que tem sido pedra de tropeço para muitos.

Essa passagem permite as seguintes interpretações, ambas aceitáveis, pois harmonizam com as demais escrituras, embora sejam bem diferentes entre si:  

  • a passagem se refere a meros professos, não a crentes genuínos. Assim as frases nos versículos 4-5 são experiências anteriores à conversão, que nunca houve. Aos crentes verdadeiros é impossível “cair”, mas os meros professos podem cair, não da situação de salvos (pois nunca foram), mas do conhecimento da verdade. A Bíblia fala claramente dos que falsamente declaram ser crentes, por exemplo 2 Pedro 2:20-22, onde são comparados ao “cão que voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada que voltou a revolver-se no lamaçal”.
  • a passagem se refere a verdadeiros crentes, e nada tem a ver com a salvação, mas sim com o galardão que cada um receberá no tribunal de Cristo. No versículo 6 lemos “arrependimento”, não “salvação”: Deus requer arrependimento dos crentes (p.ex. Apocalipse 2 e 3). O autor está falando das coisas que acompanham a salvação (veja o versículo 9, p.ex. Tito 3:8, 1 Pedro 2:9,12): o fruto da vida cristã e o galardão que a segue. É possível a um crente “cair” em obras infrutíferas e tudo o que construir em sua vida cristã ser consumido pelo fogo no tribunal de Cristo; ele sofrerá dano mas todavia será salvo (1 Coríntios 3:11-15, João 15:6). Essa conseqüência virá e não há lugar para arrependimento (versículos 7 e 8). Explica-se também que, porque os “hebreus” aos quais foi dirigida esta carta eram judeus convertidos, os que “caíram” teriam voltado aos sacrifícios no templo e esta era uma advertência: estavam novamente crucificando para si mesmos o Filho de Deus, do qual os sacrifícios eram símbolo, e expondo-o à ignomínia. Não queremos ouvir de Cristo: “Você falhou! Sua vida deveria ter sido um testemunho mas não foi!” A chave deste capítulo 6 de Hebreus está no versículo 9: “quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das cousas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira.” Não sejamos como bebês infrutíferos, dando mau testemunho, mas cresçamos para chegar à maturidade, o homem perfeito.

Outras passagens mal entendidas são:

  • Êxodo 32:32: o livro a que Moisés se referia é simbólico do pacto que Deus havia feito com Abraão, Isaque e Jacó - nada tem a ver com a salvação da sua alma. Moisés estava com o povo (32:10).
  • Mateus 7:15-20: é um alerta contra falsos profetas em Israel. Assim também entre nós têm havido falsos ensinadores (não são crentes genuínos) que trazem sobre si mesmos repentina destruição (2 Pedro 2:1). São reconhecidos pelos seus frutos.
  • Mateus 7:21-27: a chave é “fazer a vontade de meu Pai que está nos céus” (versículo 21). Quem faz a vontade dEle, vem a Cristo, reconhecendo que precisa de um Salvador.
  • Mateus 18:29-35: a parábola do devedor incompassivo apenas ensina que devemos perdoar os outros porque Deus nos perdoou muito mais (Efésios 4:32). Se o perdão de Deus dependesse da maneira com que perdoamos os outros, nenhum de nós seria perdoado.
  • Mateus 25: este capítulo não diz respeito à igreja, mas à segunda vinda de Cristo com ela, para o seu reino milenar: temos um teste da legitimidade da fé do remanescente de Israel na parábola das dez virgens (Lucas 12:35-36); a recompensa pela fidelidade dos Seus servos na parábola dos talentos; e a separação das nações conforme tiverem tratado o remanescente de Israel durante a Grande Tribulação.
  • Filipenses 3:12, 13: não trata da salvação de Paulo, mas do objetivo da sua vida. Salvação não é um prêmio, mas é um presente gratuito (Efésios 2:8-9). O prêmio, ou galardão, é dado por merecimento, para quem corre bem. Mais adiante lemos sobre os crentes professos, mas falsos, cujo destino é a perdição porque só se preocupam com as cousas terrenas, o que prova que nunca se converteram (versículos 18 e 19).
  • Hebreus 10:26: refere-se aos que conviveram com os crentes, talvez até levianamente fazendo uma profissão de fé, sem sinceridade, mas continuam vivendo em pecado provando que nunca nasceram de novo (1 João 5:18, 2 Pedro 2). Só lhes resta o juízo.
  • Hebreus 10:39: não é o caso que algum crente tenha “retrocedido para a perdição”, pois está claro que nós (os crentes) não estamos entre eles (os que professam falsamente). Nós, os “justos”, vivemos pela fé, sendo assim “da fé”.
  • Hebreus 12:14: não se refere à santificação própria (que é impossível), mas por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Romanos 5:1).

A teoria da “perda da salvação” tem sido disseminada muito em nossos dias, sendo usada por pentecostais e carismáticos para explicar o abandono da fé por aqueles que supostamente foram “batizados no Espírito Santo” por eles. Devemos estar firmes em nossa convicção, para resistir a essa insinuação do inimigo.

Nosso Salvador e Senhor, Jesus Cristo, nos assegura que nossa salvação é permanente: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do meu Pai ninguém pode arrebatar” (João 10:27-28). Não é uma questão de nós segurarmos sempre a Sua mão: é a capacidade dEle de nos segurar na Sua! Jamais perecerão, eternamente, não deixa qualquer dúvida sobre a segurança absoluta que temos.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Perdoando-vos uns aos outros

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (João 13:34). Ele foi ecoado por Paulo e Pedro: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12:10), e “Purificand

O que fazer quando não se cumpre Mateus 18:15-17?


Um dos nossos leitores nos fez esta pergunta. Resolvemos publicar nossa resposta porque estamos informados que é de interesse de muitas igrejas, onde o mandamento contido nesta passagem não é devidamente obedecido.

O capítulo 18 do Evangelho de Mateus trata de assuntos relevantes à igreja, onde ela aparece pela segunda vez em apenas duas das ocasiões em que é especificamente mencionada nos Evangelhos.

Depois de informar aos Seus discípulos que o maior no reino dos céus é aquele que se torna humilde como uma criança, o Senhor Jesus determina o procedimento que o crente deve tomar quando se sentir ofendido ou prejudicado por outro irmão.

Vejamos o que o Senhor Jesus está ensinando nesta passagem: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano”.

É simples, e consiste em três passos:

  1. Procurar o irmão que o ofendeu e repreendê-lo em particular, estando presentes apenas os dois. O sigilo deste encontro é importante, pois permite que haja explicação, perdão e reconciliação se o ofensor reconhecer a sua culpa e remediá-la, evitando a divulgação com suas repercussões nefastas. O ofensor neste caso se sentirá agradecido pela atenção que lhe foi dada, e os laços de união fraternal serão fortalecidos entre os dois: o ofendido terá ganho o seu irmão.
  2. Se, porém, este primeiro passo não surtir efeito porque o ofensor se recusa em atender ao irmão ofendido, este deverá novamente procurar o ofensor levando agora mais um ou dois irmãos para servirem de testemunhas em novo encontro. Possivelmente, com isto, o ofensor se arrependa e o assunto possa ser resolvido sem maiores problemas.
  3. Finalmente, se o ofensor continuar empedernido, não dando ouvidos à queixa, o assunto será levado à igreja, tendo agora testemunhas da sua falta. Se mesmo assim ele se recusar a dar satisfação ele deverá ser considerado como “gentio e publicano”, ou seja, ímpio e pecador, indigno de pertencer à igreja de Deus.

A obediência a este mandamento do Senhor é vital para a saúde espiritual da igreja, e para a comunhão dos seus membros.

No entanto, esse procedimento espiritual se opõe aos instintos carnais do homem e por isso nem sempre é adotado. Na maioria das vezes é completamente olvidado, não só pelo crente que se sente ofendido, mas até pelos irmãos responsáveis pela direção da igreja onde se reúne.

O crente ofendido às vezes não toma providência nenhuma, mas guarda rancor contra o irmão que o ofendeu. A Bíblia nos ensina: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Efésios 4:26): a ira é uma emoção natural que deve ser controlada, senão pode nos levar a agir de forma irracional da qual nos arrependeremos depois. Ela nunca deve ser fomentada e alimentada de forma a se tornar em rancor - isso é cometer pecado, pois “não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Efésios 4:26). O rancor prejudica nossa saúde física e espiritual, bem como nosso relacionamento com os irmãos.

Muitas vezes o irmão visado, o “ofensor”, não se dá conta que prejudicou ou ofendeu o outro até que seja procurado por ele. Se o ofendido não quiser procurá-lo, então que perdoe aquele seu irmão e esqueça o assunto, como o Espírito Santo recomenda, nas palavras de Paulo: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” (Colossenses 3:12,13).

Se, ao contrário, o crente que se sente ofendido abre a sua boca para espalhar a outros a sua denúncia contra o ofensor, ou leva o assunto à igreja sem ter primeiro cumprido com o procedimento ordenado pelo Senhor, ele estará incidindo em maledicência (Colossenses 3:8), mesmo que tenha sido realmente injustiçado.

O que se deve fazer ao ofendido faltoso neste caso encontra-se em Gálatas 6:1: “Se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado”. Trata-se de uma falta, um tropeção: a igreja deve corrigi-lo, consertá-lo, usando de mansidão, que é fruto do Espírito Santo. Uma repreensão, uma advertência, um aconselhamento feitos com mansidão serão geralmente o suficiente. Estejamos atentos para não sermos tentados também.

Existe a maledicência contumaz, uma característica pessoal que põe em dúvida se houve um novo nascimento. Quando ela se manifesta, a Bíblia nos diz: “não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for … maldizente … com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:11), e também “haverá homens amantes de si mesmos, … caluniadores, … obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Timóteo 3:1-5).

O que fazer neste caso está bem claro nestes versículos: “não vos associeis”, “com o tal nem ainda comais” e “afasta-te”. Isto se torna necessário a fim de que o mal não se propague na congregação, como uma “raiz de amargura” (Hebreus 12:15), resultando em murmurações e contendas dentro do povo de Deus (Filipenses 2:14). É um triste fato que freqüentemente constatamos: aprecia-se mais ouvir falar o mal do que o bem de outras pessoas, ou seja “as palavras do maldizente são como deliciosos bocados, que descem ao íntimo do ventre” (Provérbios 26:22).

Finalmente, observemos sempre o grande e principal mandamento que nos deixou o Senhor: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (João 13:34). Ele foi ecoado por Paulo e Pedro: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12:10), e “Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para caridade fraternal, não fingida, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro” (1 Pedro 1:22).

Obedecendo a este mandamento, estes problemas deixarão de existir, para a felicidade de todos os envolvidos.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Profecias e mistérios

Só Deus sabe o futuro, e já nos revelou tudo o que nos compete saber em Sua Palavra (Apocalipse 22:18-19). A Sua Palavra é firme e confiável, e deve ser a luz que nos guia os passos. O que sabemos do futuro, nos foi dado saber por Ele para a nossa instrução e fortalecimento da nossa fé.

Recentemente houve grande publicidade, curiosidade e até esperança ou receio por causa de previsões do “fim do mundo” feitas por uma pessoa que se diz crente e estudante das Escrituras. Ele insiste no disparate de procurar calcular a data da volta de Cristo com base nas profecias bíblicas interpretadas pelos acontecimentos recentes e atuais, e proclamar o resultado das suas pesquisas como se fosse o que a Bíblia diz. Como suas previsões não se têm cumprido, ele e seus seguidores estão sendo agora ridicularizados, com prejuízo também do ensino bíblico, pois o povo em geral não sabe distinguir os falsos ensinadores.

Ele não foi o primeiro a fazer previsões desta ordem. Já em 1555 a.D o boticário prognosticador francês Michel de Nostredame, latinizado como “Nostradamus”, publicou seus escritos crípticos, e estes foram ligados pelos seus admiradores a dezenas de acontecimentos históricos, embora sua linguagem seja habilmente absconsa em sua totalidade. Um texto dele se tornou famoso por suas sugestões apocalípticas: “No ano 1999 e sete meses, descerá do céu o grande rei do terror” e isto não aconteceu, para alívio de muita gente...

Um pregador batista chamado Miller, nos EUA calculou pelos seus estudos bíblicos que o mundo terminaria em 1843 com a vinda de Jesus Cristo. Convenceu muita gente, mas recusou fixar uma data definida, dizendo apenas que seria entre 21 de março de 1843 e a mesma data em 1844. Não ocorrendo o previsto, ele mudou a data para 22 de outubro de 1844. Esta data passou a ser conhecida como o dia do Grande Desapontamento. Miller morreu em 1849, ainda convencido que o dia de julgamento estava prestes a chegar. Foi um dos fundadores da seita dos adventistas.

Houve muitos outros, que não temos espaço para relatar aqui. Para nós não é surpresa o surgimento dessas profecias, interpretações errôneas e “outros evangelhos”, pois são previstos nas Escrituras, e é interessante ver que a maioria dos textos concernentes à segunda vinda do Senhor Jesus também estão acompanhados por prevenções sobre falsas profecias, por exemplo:

• “Nesse tempo... hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos” (Mateus 24:11).

• “Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo ali! não acrediteis. Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos. Ficai vós, pois, de sobreaviso; eis que de antemão vos tenho dito tudo” (Marcos 13:21-23).

• “Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras... e muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita” (2 Pedro 2:1-3).  

É especialmente errôneo procurar marcar datas no calendário para os acontecimentos previstos, pois, como disse o próprio Senhor Jesus aos Seus discípulos: "A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade" (Atos 1:7). Qualquer "dedução", por mais verossímil que pareça ser, frente a algum versículo das profecias bíblicas, é mero "palpite" ou pior, "adivinhação" como a Bíblia ensina em Jeremias 14:14 "E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam".

Embora esses que dizem ser intérpretes das Escrituras afirmem que não estão introduzindo novas profecias porque se baseiam no texto sagrado, o fato é que estão dando a elas uma interpretação toda nova que só eles compreendem. A Bíblia nos ensina: “...nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:20,21).

A Bíblia também nos ensina como testar se alguém é profeta de Deus: “Mas o profeta que tiver a presunção de falar em meu nome alguma palavra que eu não tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás.” (Deuteronômio 18:20-22). Deus não pode errar. Se uma profecia (ou interpretação de uma profecia) for dada por Deus, ela se cumprirá. Se não, o profeta (ou o intérprete) é falso. Ele é anátema, maldito (Gálatas 1:9), pois está ensinando um Evangelho que não é o que nos foi dado “...os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11:13).

Contudo, Deus não nos deixou ignorantes a respeito do “fim dos tempos” havendo várias profecias na Bíblia e indicações que é uma realidade dentro da Sua soberana programação. A maioria das profecias do Velho Testamento têm muitos detalhes, especialmente no que concerne ao povo de Israel. No Velho Testamento, destacam-se, pelo seu volume, as profecias de Isaías, Jeremias e Daniel. Através de Daniel (uns 2.500 anos atrás) somos avisados da sequência e duração de alguns eventos, a maioria dos quais já aconteceram, mas os últimos ainda estão no futuro para nós. O Novo Testamento também os tem, especialmente no livro da Revelação de Jesus Cristo, que é nossa suprema autoridade.

Nosso Deus, soberano, sabe tudo o que há de vir. Pela Sua graça, Ele nos dá a conhecer pela Sua Palavra aquilo que nos convém e o faz de maneira clara para que o possamos compreender quando o Espírito Santo abre as nossas mentes. A palavra “segredo”, que também é traduzida como “mistério”, aparece 6 vezes (caldeu râz) no livro de Daniel, e em grego 21 vezes (mustêrion) no Novo Testamento, sendo uma vez pronunciada pelo Senhor Jesus em Marcos 4:11, duas vezes no Apocalipse, e o restante em epístolas do apóstolo Paulo aos romanos, coríntios, efésios, colossenses e a Timóteo. Sempre se refere à revelação por Deus ao Seu povo, na hora apropriada, de coisas que só são do Seu conhecimento.

Em Daniel 12, por exemplo, quando perguntou “quanto tempo haverá até o fim destas maravilhas..., Senhor meu, qual será o fim destas coisas?” a resposta foi: “Vai-te, Daniel, porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim”. A futura existência da igreja de Cristo, em um período de cerca de dois milênios, pelo menos, não lhe foi revelada, sendo um “mistério” divulgado pelo Senhor Jesus por parábolas (Marcos 4:11) e esclarecido por Paulo em suas epístolas (Romanos 11:25, 16:25, 1 Coríntios 2:7, Efésios 1:9, 3:3,4,9, 5:32, 6:19, Colossenses 1:26,27, 2:2, 4:3, 1 Timóteo 3:9). Em vão vamos procurar encontrar profecias a respeito da igreja no Velho Testamento, pois era um “mistério” ainda não revelado, embora possamos encontrar certos paralelos, como a escolha da noiva de Isaque, figuras daquilo que somente Deus sabia que iria ocorrer.

Outros dois grandes mistérios que nunca antes foram revelados também foram transmitidos à igreja através do apóstolo Paulo: o arrebatamento da igreja (1 Coríntios 15:51, 1 Tessalonicenses 4:13-17) pelo Senhor Jesus Cristo, e a detenção da ação do “iníquo” (2 Tessalonicenses 2:7). Lamentavelmente muitos crentes não têm dado a importância devida a estas revelações e continuam com uma ideia muito vaga a respeito deles, e, portanto, do último período de sete anos da profecia de Daniel (Daniel 9:26) descrito em detalhes no livro do Apocalipse.

Em vista disso, não sabem explicar como encaixar o período da igreja nas profecias do Velho Testamento (impossível, pois não fora revelado ainda), o arrebatamento da igreja previsto pelo Senhor Jesus (João 14:3), a grande tribulação, também prevista por Ele (p.ex. Mateus 24:21-29, Marcos 13:19-24) e quase todo o Apocalipse que nos fala do Dia do Senhor, que Ele nos esclareceu através de João, bem como o “milênio” que é descrito com detalhes nas profecias do Velho Testamento, e também é mencionado no Apocalipse.

Isto é muito lamentável, pois o que Deus nos revela em Sua Palavra não é mais mistério, e sim realidade. Não deve ser considerado como simples fábulas, ditos ainda misteriosos que as mentes mais esclarecidas poderiam transformar em aplicações espirituais aos tempos em que vivemos. É o que fazem os falsos ensinadores, que devem ser rechaçados das igrejas.

O “fim do mundo”, ou melhor, a sua substituição por um novo mundo, céu e terra, certamente está previsto nas Escrituras, mas, segundo nos é explicado no Apocalipse, isto só se dará depois do arrebatamento da igreja, da grande tribulação, e do reino milenar de Cristo (Isaías 65:17, 66:22, 2 Pedro 3:13, Apocalipse 21:1).

Só Deus sabe o futuro, e já nos revelou tudo o que nos compete saber em Sua Palavra (Apocalipse 22:18-19). A Sua Palavra é firme e confiável, e deve ser a luz que nos guia os passos. O que sabemos do futuro, nos foi dado saber por Ele para a nossa instrução e fortalecimento da nossa fé. Os que estiverem aqui durante o período da tribulação e se converterem, terão a consolação de saber que Deus está em controle, e que será de curta duração. Saberão também que, se forem mortos por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que derem, receberão a bênção de Deus (Apocalipse 6:9-11, 14:13).

Nós, porém, que somos da igreja de Cristo, temos “pátria nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas” (Filipenses 3:20,21), e seremos levados por Ele ao lugar preparado para nós na casa do Pai (João 14:2,3).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Promovendo a unidade - uma boa obra?

Ressuscitado e tendo recebido do Pai a suprema autoridade, o Senhor Jesus está construindo esse edifício espiritual do qual os que Ele crêem fazem parte. Ele "alimenta e cuida da Sua igreja" (Efésios 5:29), que é "o seu corpo e da qual Ele é a cabeça" (Colossenses 1:18,24). É muito importante nos co

Ao analisarmos a situação das igrejas locais em nosso país, aquelas que se reúnem sem serem filiadas a uma federação ou denominação, tantas vezes referidas como “os irmãos”, encontraremos entre elas uma diversidade de condições.

Certamente, grande parte dessas igrejas se encontra em estado de prostração, estagnadas espiritualmente, não experimentando um crescimento numérico por falta de conversões; outras passam por um período de declínio, perdendo membros por diversas razões:

  • Famílias inteiras deixando as reuniões simples, atraídas ao envolvente movimento denominacional, especialmente o neopentecostalismo;
  • Muitos jovens, por não estarem sendo instruídos na sã-doutrina, deixam as igrejas locais para engrossarem o rol das seitas e denominações evangélicas, atraídos ao movimento louvor gospel;
  • Pequenas igrejas situadas na zona rural, ou em pequenas vilas perdem membros pelo êxodo rural;
  • Outras pequenas igrejas perdem famílias inteiras, simplesmente porque estes irmãos se sentem atraídos por uma igreja maior e viajam longas distâncias para desfrutarem do conforto de uma “multidão cristã”.

Não são poucos os casos de igrejas locais desaparecerem, não restando mais irmãos para se reunirem nestas localidades, antes bem frequentadas. Em tantos outros casos, igrejas foram readaptadas para se amoldarem ao gosto popular, imitando as denominações modernas, ganhando muitos adeptos, mas perdendo a identidade de uma igreja neotestamentária e se afastando da comunhão com outras igrejas que ainda perseveram mantendo até certo ponto a simplicidade de reunião.

Entretanto, não podemos deixar de reconhecer que em tantas outras localidades boas igrejas locais mantêm suas atividades, crescendo, desenvolvendo, expandindo, tornando-se cada vez mais firmes na doutrina, na adoração, no evangelismo, nas orações, na visão mais ampla da obra do Senhor.

Não podemos ignorar, também, que muitas novas igrejas têm sido iniciadas sem que se faça alarde sobre este crescimento. Tendo em vista a implantação de novas igrejas locais, muitos pontos estratégicos de evangelismo têm sido estabelecidos e mantidos fielmente.

Não podemos fechar os nossos olhos para o despertamento que tem havido entre muitos jovens pela busca do conhecimento da Palavra de Deus e de um desejo por uma igreja mais próxima das Escrituras.

Não podemos menosprezar as muitas igrejas locais sadias, grandes, médias e pequenas, que têm investido muito em trabalhos sérios como conferências bíblicas, acampamentos bíblicos, grupos de estudos bíblicos nos lares, estudos sistemáticos da Bíblia, evangelismo em massa e de porta em porta, fazendo com que a Palavra – que é a Boa Semente – seja semeada de diversas maneiras.

Também não ignoramos o importante investimento que tem sido feito na área de literatura cristã como cursos bíblicos por correspondência, material evangelístico e de esclarecimento doutrinário, comentários bíblicos editados e periódicos que têm sido mantidos fielmente.

Não podemos nos esquecer daqueles que incansavelmente têm trabalhado com crianças de famílias não cristãs, pregando nas escolas, creches e repartições públicas.

Não podemos deixar de reconhecer que entre estas igrejas, centenas de irmãos sérios, comprometidos com o Senhor e Sua Palavra, homens de Deus e santas mulheres, sem nenhum interesse que seus nomes sejam publicados e reconhecidos, servem fielmente ao Senhor sem esperar honras aqui.

Todavia, na preocupação existente quanto aos recursos financeiros necessários para o suprimento da obra do Senhor, reconhecemos a falta de envolvimento e de visão espiritual, a indisposição de grande parte de cristãos e igrejas locais, pois isto é inegável. Porém, não podemos deixar de reconhecer que o Senhor em Sua graça, tem suprido de uma forma ou de outra as diversas necessidades da Sua Obra. Infelizmente, têm sido comum ouvirmos reclamações ou estatísticas levantadas afirmando que a obra do Senhor em algumas regiões poderá morrer por falta de recursos financeiros.

Não nos esqueçamos do que Paulo, o apóstolo, escreveu acerca das igrejas da Macedônia: “Porque no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade” (2 Coríntios 8:2).  Hoje, as igrejas da Macedônia, devido a sua profunda pobreza, certamente estariam entre aquelas apontadas por estatísticas modernas como “igrejas prestes a fechar.” Possivelmente seriam usadas hoje como alvo de campanhas para levantamento de fundos para missões, no entanto foram elas que voluntariamente rogaram a Paulo o privilégio de socorrer os pobres da Judeia.

O que falar sobre o sustento do “missionário” Paulo?  Ele falou acerca de si mesmo: “e estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém...” (2 Coríntios 11:9); “em fome e sede, em jejuns muitas vezes; em frio e nudez...” (2 Coríntios 11:27); “apesar de todas as nossas privações e tribulação” (1 Tessalonicenses 3:7); “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado, como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência, tanto de fartura, como de fome; assim de abundância, como de escassez” (Filipenses. 4:11-12).

Foi justamente nesse tempo em que o principal propagador do Evangelho passava por grandes privações. As igrejas eram em sua grande maioria pequenas, pobres, e não contavam com o suporte de nenhuma entidade missionária, junta ou federação responsável por “promover a unidade”, realizar levantamentos e projetos para o campo missionário. Foi neste tempo, que o Evangelho foi anunciado a toda a criatura debaixo do céu (Colossenses 1:23).

Ao fazer estas considerações, não estou tentando negar a grande crise espiritual em que estamos mergulhados nestes últimos dias. Não estou desinformado sobre a triste realidade de muitas igrejas locais, especialmente em algumas regiões específicas. Não estou ignorante quanto à falta de comunhão e mútua cooperação entre as igrejas conhecidas como “os irmãos”. Ao contrário, me angustio com essa realidade, sofro com o atual estado de coisas, tenho orado suplicando ao Senhor por reavivamento nas igrejas.

Há os têm clamado por mais trabalhadores na extensa seara, ansiando por um avanço em áreas ainda não alcançadas. Mas, nessa angústia, pelo desejo de crescimento e desenvolvimento das igrejas, não podemos cometer os mesmos erros que nossos antepassados incorreram, trazendo prejuízos irreparáveis, quando a intenção era contribuir para o progresso.

O ERRO DE SE CRIAR UM MOVIMENTO ORGANIZADO PARA UNIR AS IGREJAS

Chamo a atenção para esse erro que já foi cometido diversas vezes na história da igreja, e que só serviu para dividir ainda mais os salvos, que são a expressão do corpo de Cristo, a Sua igreja, receba esse movimento o nome que for, prometendo ou não respeitar a autonomia de cada igreja local. Esses movimentos, criados muitas vezes com boas intenções, não fizeram e não farão bem ao Corpo de Cristo em época alguma. Por que não? O que pode haver de mal nisto?

1 - O que nos diz a “Doutrina dos Apóstolos”, o “estatuto” da igreja?

Que “há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Efésios 4:4-6).

Este texto afirma que “existe” somente um corpo e um Espírito, não diz que “haverá” de conformidade com o nosso esforço. A unidade do Corpo de Cristo já é uma realidade! Não algo que se realizará mediante o esforço das igrejas em busca da unidade. É algo que já foi realizado com perfeição pelo próprio Senhor. A unidade do Espírito já existe desde o dia de Pentecostes quando todos fomos batizados em um Corpo (1 Coríntios 12:13), é uma realidade espiritual da qual fazemos parte e aceitamos pela simples fé.

2 - O que é pedido de nós em relação à unidade?

“Esforçando-vos diligentemente por ‘preservar’ a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4:3)

Somos chamados pelo Senhor a PRESERVAR a unidade; não somos chamados a PROJETAR, arquitetar, ou construir a unidade. O “ato de preservar” a unidade, conforme o versículo 2, consiste em usar a humildade, a mansidão, sendo longânimo no relacionamento com os irmãos e igrejas locais; exercitando a capacidade de suportar debilidades uns dos outros e dispondo-se a um esforço diligente, cuidadoso até ao máximo para preservar esta preciosa unidade do Espírito, no vínculo da paz. Um esforço no sentido de impedir que a paz entre irmãos e igrejas seja banida pela separação.

Portanto, no momento em que “formamos uma unidade de igrejas”, por maior que seja o número de igrejas alcançadas, jamais conseguiremos a filiação de todas elas, mesmo em uma região limitada; consequentemente estaremos promovendo a separação de alguns e, desta forma, seremos culpados por excluir muitos que fazem parte do corpo de Cristo e ferindo a unidade do Espírito, a qual fomos chamados a preservar com grande e cuidadoso esforço.

Tentar formar uma unidade de igrejas, por melhores que sejam as intenções, só trará mais divisão entre o povo de Deus e possivelmente a criação de uma denominação entre aqueles que ainda se mantêm livres das cercas denominacionais, o que seria um fato desastroso e profundamente lamentável.

Um estudo cuidadoso da história eclesiástica revelará quantas vezes esta intenção foi levantada e levada avante e quais foram as consequências em cada época. Dentro mesmo daquilo que ficou conhecido como o “movimento dos irmãos”, que se originou de irmãos que deixaram os apriscos denominacionais, que reconheceram que as cercas denominacionais eram um pecado contra a unidade do Espírito e desejaram e buscaram a liberdade de se reunirem apenas como irmãos em torno do nome do Senhor Jesus, não permanecendo mais cúmplices de uma facção eclesiástica.

Mais tarde, com o grande aumento destas igrejas por toda parte, houve uma preocupação de se organizar instituições, juntas ou coisas semelhantes a uma federação, para amparar e apoiar financeiramente estas igrejas, e quais foram os resultados?

Cito aqui apenas o exemplo da “Fundação dos Mordomos”, criada com excelentes intenções para apoiar o avanço das igrejas locais nos EUA:

A Fundação dos Mordomos canalizou milhões de dólares para uma agressiva campanha, a fim de plantar novas igrejas... As assembleias de Ontário cresceram significativamente entre 1934 e 1970.

Durante os anos 50, as assembleias foram mais bem construídas e instaladas. Isto contribuiu para o seu crescimento interno, mas, neste processo, muitos crentes e pregadores perderam a paixão por alcançar o perdido ao redor deles. Muitas vezes, os valores da classe média se tornaram o padrão. Muitos obreiros pioneiros tiveram que ir para um emprego secular a fim de sustentarem a si e suas famílias.

Em 1964, a Fundação dos Mordomos tomou a decisão, a fim de atender o requerimento da Internal Revenue Service (Serviço Interno de Rendimento), que consistia nacriação de uma associação de igrejas”. Essa associação tornava a filiação à Fundação dos Mordomos acessível a assembleias individuais... (Na reunião dos membros da Fundação dos Mordomos em 1992, um administrador que esteve no conselho administrativo em 1964, lamentou publicamente tal decisão e o mecanismo de confusão política que isto criava nas assembleias).

Com efeito, a reorganização da Fundação dos Mordomos criou uma denominação das igrejas dos irmãos, no que diz respeito ao IRS... As assembleias haviam se tornado mais estruturadas do que eles queriam admitir... O imposto e os regulamentos do governo haviam estimulado as assembleias individuais e todo o movimento para um verdadeiro denominacionalismo. A doutrina dos Irmãos não aceita isso, por isso uma espécie de “gíria” criada tenta negar esta situação...

Desde o chamado para a renovação de 1980 e particularmente em anos recentes, sérias controvérsias têm se espalhado pelo movimento. A batalha violenta e difamadora sobre qual facção de assembleias o dinheiro e a influência da Fundação dos Mordomos controlaria. O processo aberto por esta Fundação, contra o Ministério dos Mordomos, para ganhar o controle dos fundos deste, ameaçaram dividir o movimento e até mesmo as assembleias locais... (O Movimento dos Irmãos – William W. Conard, páginas 130 a 133).

Este testemunho deveria ser suficiente para alertar-nos quanto ao perigo da criação de qualquer movimento que possa um dia tomar a mesma direção e proporção a que estes irmãos chegaram. A história nos ensina lições a fim de que não repitamos os mesmos erros.

Porém, é de se admirar que os “herdeiros dos primeiros irmãos” estejam hoje apreciando, invejando e desejando aquilo que os nossos antepassados desprezaram e abandonaram. É de se espantar que os irmãos de hoje estejam desprezando e abandonando aquilo pelo que os nossos antepassados lutaram e conquistaram.

BOAS INICIATIVAS

Apreciamos muito as iniciativas de algumas igrejas locais em incentivar o inter-relacionamento entre igrejas mais próximas, providenciando encontros ou conferências para o ensino sadio das Escrituras e tempo para confraternização. Isto tem resultado em uma aproximação das igrejas, maior liberdade entre elas, contribuição mútua em vários aspectos, melhor relacionamento entre os membros destas igrejas, e até mesmo o desenvolvimento da tolerância e respeito quanto às pequenas diferenças entre elas, que fortalecem os laços da comunhão cristã.

Isto sem contar o enriquecimento espiritual dos crentes consequente da pregação firme e sistemática das Escrituras Sagradas. Isto sim deveria ser incentivado, uma iniciativa para fortalecer, preservar, aperfeiçoar na prática, a unidade do Espírito no vínculo da paz. Isto não atenta contra a unidade do Espírito, mas, ao contrário, pode propiciar um ambiente saudável para a sua manifestação prática. Que sejamos encontrados entre estes, que promovem a paz e a edificação uns dos outros.

UNIDADE PELO NOME

Tem sido bem perceptível a inclinação de se unificar as igrejas locais em torno de um nome, a fim de que se tenha reconhecimento público como as denominações.

A inscrição Casa de Oração que tem sido a mais utilizada no Brasil (unicamente no Brasil) tem sido o nome preferível para identificar a “nossa igreja”. É preciso dizer àqueles que insistem em que precisamos reafirmar os valores e princípios dos “irmãos”, que o nome Casa de Oração não fazia parte dos seus princípios.

Esta inscrição não identificou os irmãos George Müller, Anthony Norris Groves, John Nelson Darby, J.G. Bellett, Henry Craik, Robert Chapman, Kelly, C.H. Mackintosh e tantos outros “irmãos”, e quando se usou pela primeira vez no Brasil esta inscrição em Conceição de Carangola-MG, não significou que estava sendo criada uma nova denominação e que de agora em diante todas as igrejas seriam reconhecidas uniformemente como Casas de Oração, isto iria contra os princípios dos irmãos e contra os princípios bíblicos por eles ensinados.

Não havia uniformidade entre eles em relação à identificação do prédio onde as igrejas se reuniam e ainda não há no exterior entre os irmãos esta regra. Por que no Brasil tem que haver uniformidade quanto ao nome? O que há de tão importante neste nome? O Nome de Cristo não é suficiente? Sentimo-nos humilhados por não termos outro nome além do de Cristo?

Não condeno o uso da inscrição Casa de Oração para “identificação do prédio” usado pela igreja para suas reuniões, desde que ele seja usado apenas com este objetivo e não para denominar a igreja da qual fazemos parte. No entanto, devo reconhecer as muitas igrejas locais espalhadas pelo nosso país, que não se utilizam desta inscrição, mas que são igrejas sérias em seu proceder, procurando andar conforme a doutrina dos apóstolos e não tomando nenhum partido sectário denominacional.

Quanto a mim, tenho tido o prazer de desfrutar de comunhão com muitas igrejas locais, muitas delas usam a inscrição Casa de Oração, muitas outras não usam uma inscrição específica. Em ambos os casos, o que me dá liberdade para desfrutar comunhão com elas é o fato de reconhecerem o Senhor Jesus como Cabeça da Igreja e centro da reunião, e por não estarem em cumplicidade com o denominacionalismo, de não fazerem parte dos que dividem o corpo de Cristo, tornando-se assim culpados por golpear a unidade do Espírito.

UNIDADE DE PROJETO

O Senhor tem dotado a igreja com irmãos excepcionais, alguns que possuem mentes brilhantes e que as utilizam para o bem, tanto para armazenar conhecimentos quanto para administrar áreas importantes na obra de Deus. Porém, nossa mente precisa estar cativa pela Palavra de Deus, se a deixarmos solta poderá se tornar perigosa e nos inclinar para direções erradas.

Na preocupação com a situação de ruína de muitas igrejas, podemos ser levados a projetar muitas coisas que achamos ser a solução, deixamos a nossa brilhante mente solta para investigar, pesquisar e arquitetar. Com o tempo nos tornamos “engenheiros” do Senhor e não mais “obreiros”, que significa servo. Estejamos atentos a esta inclinação; não saiamos da nossa posição de servos.

Não estamos precisando de “engenheiros” para promover “projetos” a fim de salvar ou direcionar a obra de Deus entre nós. Nós já temos “O Engenheiro”, o Senhor da Obra; é Ele quem fez o projeto; é Ele quem contrata os trabalhadores; é Ele quem nos deu as ferramentas; o Seu projeto não ficou velho, ainda é o mesmo; não faltarão materiais ou recursos, pois Ele é o dono da Obra. O que está faltando, não é “engenheiro”, porém servos, humildes e submissos para executar o que o Senhor da Obra já mandou. Não se espera que os servos inventem projetos novos, mas que cumpram com o projeto original, ainda que o considerem antigo.

Não é o meu propósito neste artigo, tratar do que consta no “Projeto Original do Senhor”, mas poderíamos pelo menos lembrar rapidamente de algumas atividades simples e básicas que foram projetadas pelo Senhor da obra para nós cumprirmos:

1 - A igreja iniciou-se aqui na Terra, não com a apresentação detalhada de um projeto espiritual por parte de Pedro, ou Tiago, ou João; iniciou-se com dez dias perseverantes de REUNIÃO DE ORAÇÃO, até que fossem revestidos do poder do Espírito Santo. Temos praticado a oração coletiva perseverante e sistemática? Ou organizamos detalhadamente o nosso projeto ministerial e só nos lembramos da oração coletiva quando nos encontramos em dificuldades para executá-lo?

2. A pregação do CRISTO CRUCIFICADO, por parte de Pedro, e a necessidade de ARREPENDIMENTO foi o lançamento da pedra fundamental. Temos praticado este tipo de pregação pública e particular? Somos reconhecidos como propagadores do Cristo crucificado, ou como executivos de missões ou gestores departamentais de igreja? Pregamos Cristo crucificado com a Bíblia aberta ou preferimos uma peça teatral?

3. A obra continuou com todos os convertidos atraídos e submissos à DOUTRINA DOS APÓSTOLOS, esta era a regra para todos (1 Coríntios 7:17; 14:33-34) e se constituía no alicerce do grande edifício que se iniciara. Temos respeitado a doutrina dos Apóstolos, ensinando-a à igreja local? Defendendo-a quando atacada por pregadores modernos? Praticando-a em nossas vidas e reuniões? Ou a deixamos de lado, como algo que embaraça, pesa, constrange? Ou a praticamos em apenas alguns poucos pontos que combinam com nossa conveniência, ou que não nos torna ridículos aos olhos da sociedade?

4 - O EVANGELISMO INDIVIDUAL e público foi praticado em praças, sinagogas, escolas, ruas, presídios, estradas desertas, montanhas, de casa em casa. Este trabalho foi realizado enfrentando-se situações das mais adversas possíveis, alguns sendo açoitados, presos, apedrejados. Estes serviços foram realizados obedecendo-se ao projeto do Espírito Santo. Temos praticado este tipo de evangelismo, que na maioria das vezes não é notado e não é publicado nas redes sociais? Ou somos mais dedicados investindo mais tempo e esforço aos grandes eventos nacionais ou internacionais que terão ampla divulgação? Não atravessamos a rua para evangelizar nosso vizinho, mas atravessamos estados inteiros, oceanos, para participarmos de constantes conferências onde muitas vezes um novo projeto será lançado, e o “velho projeto” desprezado.

5 - Os servos que iniciaram e continuaram aquela esplêndida obra, tinham uma DISPOSIÇÃO SACRIFICIAL! Por amor ao Senhor, às almas e às igrejas, andavam muitos quilômetros a pé mesmo depois de longas viagens desgastantes de navio, ou após serem presos ou açoitados. Quando chegavam numa cidade não havia uma mansão à espera, com piscina, sauna, praia, elevador, ar-condicionado. Aqueles servos não consultavam a situação financeira da igreja para onde foram convidados para se certificarem de que teriam sua passagem aérea paga pelos irmãos. Não escreviam cartas para várias igrejas para arrecadar fundos para financiar suas viagens dividindo-as em parcelas suaves de maneira que não precisassem mexer na sua Poupança. Temos tido um pouco daquela disposição inicial, disposição sacrificial em favor das igrejas? Visitamos pequenas igrejas? Igrejas da zona rural? Igrejas domésticas? Igrejas da favela? Andamos a pé para visitação pastoral? Evangelizamos por estradas de chão? Compramos literaturas com nossos próprios recursos para distribuição, ou só distribuímos se as ganharmos? Visitamos igrejas sem esperar receber ofertas? Aceitamos convites de “igrejas pobres”?

6 - Aqueles primeiros servos cumpriram com a ordenança do Senhor quanto ao DISCIPULADO PESSOAL: “fazei discípulos... batizando-os e ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28:19-20). A igreja, consequentemente, cresceu saudável e foi capaz de enfrentar provas e tribulações de toda sorte. Temos praticado o discipulado pessoal investindo tempo com “cada um”, procurando ensiná-los a responsabilidade do discipulado e assim desenvolvendo igrejas robustas? Ou não temos tempo para este serviço devido às nossas agendas executivas cheias? Não praticamos o discipulado pessoal porque tememos assustar as pessoas e especialmente os jovens de nossas igrejas? Com o intuito de manter igrejas cheias, não discipulamos, ao invés disto inventamos uma diversidade de atividades para segurar os jovens e famílias em nosso meio?

7 - As igrejas primitivas praticaram a DISCIPLINA PÚBLICA, obedecendo à ordenança do Senhor para manter a santidade que convém à Casa de Deus. O pecado era tratado conforme as instruções para cada caso, visando a restauração do caído e a preservação do temor do Senhor. Temos praticado a disciplina pública em seus vários aspectos? A disciplina tem sido imparcial? Quando um “obreiro” cai, seja em que área for, recebe a mesma disciplina, ou é acobertado para que não perca as suas ofertas? Sendo disciplinado na igreja local, continua livre para ministrar em outras regiões?

Estes e muitos outros princípios faziam parte da prática dos primitivos irmãos, refiro-me aqui às igrejas apostólicas, mas faziam parte também daquelas igrejas que em determinada época da história foram conhecidas como “os irmãos”. No entanto, parece não fazer parte dos muitos projetos modernos que têm sido levantados para salvar as igrejas locais dos nossos dias.

CONCLUINDO

Se verdadeiramente desejamos um avivamento espiritual, se sinceramente estamos preocupados com as igrejas locais, anelando profundamente uma renovação espiritual do povo de Deus, voltemos ao projeto original! Voltemos à vontade do Senhor; não às nossas próprias vontades; não à vontade dos irmãos; não à ansiedade das multidões, mas voltemos ao Senhor! À Sua vontade! À Sua Palavra! À dependência total e absoluta à Sua Suficiência!

Concluo citando mais uma vez o livro “O Movimento dos Irmãos” em sua página final:

Nosso futuro repousa não em promover ou projetar um movimento, mas em manifestar a verdade e a vida do Novo Testamento – o poder da Palavra, a mudança de vida nos relacionamentos, o poder da comunhão e a adoração dinâmica da igreja, do incisivo e prático ensino da Bíblia e do poder das vidas repletas de Cristo. A menos que Ele e Seu Espírito andem conosco, nós trabalhamos em vão. Se eles andarem conosco, cada assembleia independente recebendo força do Senhor nos céus, da mesma maneira que mantém laços espirituais com outras assembleias andará de força em força! (O Movimento dos Irmãos – William W. Conard, página 149).

autor: Adir Ramos Magalhães - o.
Fatos & Relatos

Quem é cego

O racionalismo não admite verdades bíblicas (ou dogmas e ensinos de outras religiões) que não forem baseadas na razão, e nega qualquer fundamento à simples fé. Em sua posição mais radical, o racionalismo se opõe ao cristianismo, pois o cristianismo legítimo tem por base e fundamento a fé em Deus, a

João, capítulo 9

Os vizinhos do cego que acabava de voltar do tanque de Siloé em Jerusalém, agora podendo ver, e outros que o conheciam como um mendigo que se sentava em público para mendigar, quase não podiam acreditar na sua cura e alguns até duvidaram que fosse a mesma pessoa. Ele os ouviu e confirmou que era, realmente, a mesma pessoa.

Exigiram então que explicasse de que maneira fora curado: era preciso saber como uma coisa tão extraordinária poderia ter acontecido. Ele respondeu limitando-se a citar os fatos, conforme o conhecimento que tinha: “O homem que se chama Jesus fez lodo, untou-me os olhos, e disse-me: Vai a Siloé e lava-te. Fui, pois, lavei-me, e fiquei vendo”. Apenas sabia o nome do homem que o curou, pois deve ter ouvido sobre a Sua presença antes de ser curado. Indagado sobre onde Ele se encontrava, disse que não sabia.

Os vizinhos então o levaram aos fariseus, mestres religiosos profissionais que pensavam saber tudo. Devem ter pensado que este milagre tinha um grande significado religioso - e sem dúvida já teriam pelo menos ouvido falar deste homem notório, Jesus de Nazaré. Era um sábado semanal, um dia de descanso obrigatório. Os fariseus tinham feito uma lista longa do que consideravam que se podia fazer e o que era proibido neste dia, e exigiam que fosse cumprida rigorosamente. Era proibido trabalhar.

Como o que fora cego havia sido trazido aos fariseus, estes agora tinham que dar uma manifestação de sua sabedoria, e se puseram a questioná-lo sobre como fora curado. Ele se limitou aos fatos: “Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me e vejo”. A sua explicação confirmou, no entendimento dos fariseus, que o Senhor havia com isso transgredido as regras deles sobre o sábado, pois esta cura envolvia “trabalho”.

Alguns deles logo concluíram que “este homem não é de Deus. pois não guarda o sábado” como já antes fora acusado (João 5:10, 16, 18). Fazer barro era trabalho, e a finalidade de restaurar a vista de alguém não justificava os meios. Outros, dotados de algum discernimento, olharam mais longe e ousaram perguntar: “Como pode um homem pecador fazer tais sinais?" (versículo 16) causando dissensão entre eles.

Sabemos que o Senhor poderia ter curado o cego instantaneamente com uma palavra, mas aqui Ele pode ter usado barro para demonstrar que é certo cuidar das necessidades dos outros, mesmo se for preciso trabalhar num dia de descanso.

Como os "doutores" discordavam em sua "diagnose", pediram ao "paciente" que descrevesse qual era a sua própria opinião a respeito d’Ele. Sem qualquer hesitação ele declarou: “É profeta”, mostrando assim que cria que Quem lhe dera a vista tinha sido enviado por Deus e tinha uma mensagem divina. Fez uma dedução inteligente, pois alguns dos profetas do passado também haviam feito prodígios e milagres.

Isto não satisfez o primeiro grupo porque os fatos descritos pelo homem, que tinha sido cego de nascença e recebera a sua visão, estava em conflito com a sua visão teológica sobre Deus e o sábado, logo não podia ser verdade. Se pudessem provar que o homem mentia e não fora realmente curado por Jesus, seriam superadas as objeções do segundo grupo.

Assim, apesar dos testemunhos já recebidos, chamaram os seus pais para ouvir o que eles podiam dizer sobre o assunto: se era realmente seu filho, se havia nascido cego e se assim fosse, como explicar que ele podia ver agora. Os pais confirmaram que era seu filho e nascera cego, mas disseram que não podiam explicar como agora via e que perguntassem a seu filho (por medo de serem expulsos da sinagoga). Com isso, os fariseus ficaram sem qualquer base para a sua descrença sobre a cura. 

O Senhor Jesus tinha declarado que Seus discípulos dariam a prova do Seu discipulado mediante a confissão do Nome d’Ele diante dos homens, sendo a negação uma refutação (Mateus 10:32; Lucas 12:8). Sabemos que muitos dos líderes acreditavam secretamente na Sua verdadeira identidade (capítulo 12:42), mas “não O confessaram por causa dos fariseus", pela mesma razão dada aqui para os pais, "porque temiam os judeus, porquanto já tinham estes combinado que se alguém confessasse ser Jesus o Cristo, fosse expulso da sinagoga” (havia três tipos de excomunhão: por trinta dias, por sessenta ou indefinidamente). Não é de admirar que os pais se restringissem o quanto possível. Os fariseus interrogaram novamente o que havia sido cego, na esperança de achar alguma fraqueza ou inconsistência de que pudessem se aproveitar.

A frase “dá glória a Deus" não significa gratidão a Deus (como em Lucas 17:18), mas é uma insistência para que se diga a verdade (Josué 7:19; 1 Samuel 6:5), como se não o tivesse feito antes. Já não podendo negar o fato da cura depois do testemunho dos pais (João 9:19) os fariseus agora tentaram conseguir que o homem negasse que fora Jesus que o havia curado. Pensavam que ele deveria aceitar a sua autoridade eclesiástica quando declaravam que aquele Jesus era um pecador, incapaz de curá-lo. Agiram como todos os perseguidores dos santos têm feito através dos tempos.

O homem que tinha sido cego já ouvira as mesmas perguntas vez após vez, e recusou cair na armadilha. Desviou-se do subterfúgio deles sobre Jesus ser um pecador e se agarrou ao fato inegável que sendo cego, agora via, e não sabia como ou por quê.

Desesperados, os fariseus começaram outro interrogatório, finalmente admitindo que Jesus abrira os seus olhos e demandando que outra vez informasse "como". A paciência do homem estava claramente se acabando e ele perguntou: "Acaso também vós quereis tornar-vos discípulos dele?" Esperava-se uma resposta negativa, mas a ironia foi cortante. Claramente ele sabia que Jesus tinha "discípulos" e que os fariseus também sabiam disso.

Os fariseus o injuriaram (assim pensavam) chamando-o de discípulo de Jesus, e declarando orgulhosamente que eram discípulos de Moisés a quem conheciam, acrescentando desdenhosamente que não sabiam donde “este” era (nem queriam saber, ao que parece!).

O homem com um certo sarcasmo respondeu que era muito surpreendente que não soubessem donde Jesus era, pois lhe havia aberto os olhos, que Deus não ouve os pecadores (Jó 27:9, Salmo 66:18, Isaías 1:15, 59:2 etc.), portanto Ele era temente a Deus e fazia a Sua vontade, que a cura da cegueira congênita nele operada fora inédita desde o princípio do mundo, e que se Ele não fosse de Deus, nada poderia fazer.

Até esse dia esse homem era cego, mas fez uso excelente e lógico das Escrituras diante daqueles doutores. Que exemplo para nós! Ele não só tinha ensinado os rabinos, mas os derrotou totalmente em sua discussão. Humilhados, eles recorreram ao seu último recurso de quem não tem mais argumento a opor: o insulto, dizendo que ele havia nascido todo em pecados (veja versículo 2), implicando que tinha sido atrevido quando se dirigia a eles, e expulsando-o da sua presença (provavelmente não foi uma expulsão formal da sinagoga, pois esta requeria uma reunião formal do sinédrio).

O Senhor Jesus soube do acontecido, procurou o que era cego e se revelou como o “Filho do homem” (o Messias, conforme a profecia de Daniel – 7:13-14). O homem creu imediatamente e O adorou, admitindo assim a Sua divindade.

A palavra “juízo” no início deste artigo é usada no sentido de “peneirar”. Por este milagre, o Senhor estava permitindo ao espiritualmente cego (como também fisicamente) ver. Este homem agora passou a ver física e espiritualmente.

Os fariseus tinham olhos e visão físicos, e pensavam que tinham visão espiritual, mas na realidade eram guias cegos (Mateus 23:13-36) complacentes com sua escuridão: "o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios. 2:14). Mas quem admite a sua própria cegueira espiritual e humildemente vem ao Senhor para obter visão, vai recebê-la. “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos” (João 9:39). 

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Religião sem Deus

Jesus Cristo, quando revestido do Seu corpo humano, experimentou fortes emoções entre o povo que O rodeava, até entregar esse corpo na cruz do Calvário como sacrifício aceitável a Deus pelo pecado. Ele sentia profunda compaixão pela humanidade. Ele chorou ao chegar ao túmulo de Lázaro, em simpatia c

Do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça… Pois os Seus atributos invisíveis, o Seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não O glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.”

Romanos 1:18-22

 

No primeiro capítulo de sua carta aos Romanos, Paulo relata a ira de Deus contra a impiedade e a injustiça dos homens que, com a injustiça, bloqueiam a verdade. 

A “ira” é a tradução de uma palavra grega que significa inchar-se de indignação, e é reação de Deus ao pecado, não uma emoção humana de ódio ou rancor, mas a justa e vigorosa condenação pela razão daquilo que é ilícito. “Impiedade” é a falta de amor ou reverência a Deus e o desprezo pela Sua palavra, e a “injustiça” é a falta de equidade em decisões e julgamentos. A injustiça é consequência natural da impiedade, pois o fundamento da equidade, a boa ética, nos vem da própria natureza de Deus e da nossa atitude para com Ele. 

O salmista Davi exclamou “Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem” (Salmo 14:1). Em nossos dias, feitas grandes descobertas com a ajuda de engenhosos instrumentos que permitem ver desde coisas quase que infinitamente pequenas até as coisas imensas que se encontram no espaço, dando ainda maiores provas indiscutíveis da criação inteligente do mundo, ainda a grande maioria da humanidade, cega pela sua impiedade e insensatez, resiste e procura impedir o ensino da verdade. Prevalecem os néscios! 

Em substituição à verdade, fazem especulações: mitos fantasiosos, falsos sacerdócios, rituais insensatos, superstições assustadoras, falsas filosofias e sociedades secretas vindas do gnosticismo e do seu oposto, o agnosticismo, ou mesmo um ateísmo absoluto que não deixa de ser uma forma de fé muito semelhante à religiosidade à qual se diz opor. O ateísmo recebeu uma injeção poderosa dois séculos atrás com as teorias evolucionistas elaboradas por Charles Darwin, agora abraçadas por grande parte do mundo científico, sem que tenham sido encontradas até hoje as mínimas provas conclusivas. É uma religião sem Deus, falsa, nociva e preponderante, pois é ensinada aos escolares desde tenra idade e usam-se quase universalmente medidas de tempo a partir dessas teorias para afirmar a veracidade de uma falsa “ciência”. 

Muita gente não percebe que o ensino da evolução propaga uma religião antibíblica. Um filósofo de ciências evolucionista canadense, Dr. Michael Ruse, admitiu que “a teoria da evolução, assim como a religião, envolve assumir antecipadamente certos princípios, que não podem ser provados empiricamente”, e afirmou, em outras palavras, que basicamente a evolução como teoria científica se subordina a uma espécie de humanismo, pois necessita excluir o sobrenatural, seja qual for a evidência. Como a religião, a teoria da evolução requer fé em certos princípios que não podem ser provados pela experiência, mas, como o humanismo, rejeita tudo o que é sobrenatural. A teoria da evolução tem os seus próprios dogmas, mas é uma religião sem Deus, não admitindo a verdade bíblica por ser sobrenatural.

Entende-se como “humanismo”, de uma maneira geral, qualquer sistema ou modo de pensar ou agir em que os interesses, valores ou dignidade humanos predominam. Ninguém que crê em Deus como a Fonte e o Criador do universo pode ser um humanista, pois o humanismo sustenta que foram os seres humanos, usando a sua imaginação, que criaram os deuses. Isso é certo com relação aos ídolos e deuses que foram inventados, mas é falso com relação ao verdadeiro Deus que conhecemos e sabemos ser o Criador dos céus e da terra (Gênesis 1:1 etc.). 

Do humanismo deriva outra religião sem Deus, paralela à evolução, composta de um conjunto de crenças através do qual se contempla, como se fosse um par de óculos, toda a realidade. Conhecida como o Humanismo Secular, ela se declara ser “um ponto de vista filosófico, religioso e moral” (Manifestos Humanistas I e II) e que as afirmações (nos Manifestos) não são “uma declaração de fé, ou dogma, definitiva, mas a expressão de uma fé viva e crescente”. 

Junto com os evolucionistas, os humanistas seculares creem que somente existe o mundo material, não havendo Deus ou uma dimensão espiritual, e a vida após a morte. Segue-se que, não existindo o sobrenatural, toda a vida, inclusive a vida humana, tem que ser o resultado de um fenômeno todo natural. Logo, abraçam as teorias evolucionistas porque fornecem, a seu ver, uma explicação desse fenômeno. 

O ateísmo dessas duas religiões conduz ao relativismo ético, a crença que não existe nenhum código moral absoluto. Segundo essa crença, o homem deve ajustar seus padrões éticos a cada situação conforme seu próprio julgamento, sendo a moralidade uma criação humana. Sem Deus, não existem padrões divinos universais para serem obedecidos. 

Em seu tempo, o apóstolo Paulo teve que enfrentar inicialmente as falsas religiões dos gregos e romanos, e mais tarde os gnósticos, que procuravam introduzir nas igrejas uma “ciência superior” firmada numa filosofia em que os gregos e romanos haviam se refugiado com o descrédito e abandono de suas próprias religiões, que incluía não somente filosofias gregas, mas também da Pérsia e da Índia. 

Não satisfeitos com a simplicidade do Evangelho, alguns membros das igrejas daquele tempo foram tentados a “progredir” para uma “esfera mais alta”, inserindo no Evangelho as especulações dos gnósticos. Temos vestígios da vigorosa oposição de Paulo em várias das suas epístolas, especialmente aos colossenses e nas cartas pastorais. Também há referências nas epístolas de Pedro, Judas e João. 

Hoje as duas principais “religiões sem Deus” ameaçam as igrejas que não se mantêm muito firmes em sua fé, especialmente no que diz respeito á veracidade absoluta da Palavra de Deus. São tentadas, como foram as do tempo daqueles apóstolos, a modificar o ensino bíblico para incorporar também os preceitos dessa moderna “ciência superior”. É ensinada nas escolas como sendo a realidade, e as novas gerações são impregnadas com as suas incoerências como se fossem fatos reais. 

O apóstolo Paulo declarou que estava pronto a anunciar o Evangelho aos que se encontravam em Roma, que não se envergonhava do Evangelho, sendo ele o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, e no Evangelho está revelada, de fé em fé, a justiça de Deus. Estejamos também, como ele, prontos a anunciar o Evangelho que revela a justiça do maravilhoso Deus criador “de fé em fé”, pois tem o fundamento do Senhor Jesus Cristo e sobre ele a Palavra que nos veio pelos santos apóstolos e profetas. 

Os pais devem velar pelas almas dos seus filhos, apontando as incoerências das teorias da falsa ciência e a comprovada veracidade da Bíblia. Sem dúvida vão sofrer por lutar contra a corrente prevalecente, mas estarão no caminho apertado que conduz à vida (Mateus 7:14). 

A ruína moral e espiritual do mundo sem Deus é descrita na segunda parte do capítulo 1 de Romanos, do versículo 22 ao fim. Ela se via no tempo do apóstolo Paulo, e estamos vendo tudo aquilo novamente em nossos dias, a começar pela América do Norte e Europa. O abandono dos valores morais, o crescimento da criminalidade impune ou sujeita a penas leves e de curta duração, o egoísmo geral, a promiscuidade sexual e a legitimação do homossexualismo, são fatos incontestáveis que resultam principalmente das “religiões sem Deus” que agora prevalecem. 

“O homem néscio não sabe, nem o insensato entende isto: quando os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniquidade, é para serem destruídos para sempre” (Salmo 92:6,7). 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Sansão

Em nossos dias, um dos maiores problemas da Igreja é a liderança. Há igrejas fracas porque há lideranças fracas. Há igrejas mundanas porque há lideranças mundanas.

Um avião, para poder voar, precisa ter duas asas. Uma asa só não é suficiente. São necessárias duas asas!

Um servo de Deus, para poder avançar na Obra do Senhor, precisa ter duas asas. Só com uma, pouco ou nada fará.

As duas asas para um labutar condigno na Obra do Senhor chamam-se “CARISMA” e “CARÁTER”.

Definamos estes conceitos!

 “Carisma” são qualidades especiais de liderança que Deus confere a certos servos Seus para fazerem a Sua Obra. É a parte divina.
 “Caráter” são as qualidades morais de uma pessoa; sua boa conduta; sua honestidade.


ENTENDENDO A ILUSTRAÇÃO

Às vezes, Deus concede a alguém a Sua aprovação e dons para realizar Sua Obra, mas cabe a esta pessoa ter e manter um caráter condigno com a missão que Deus lhe destina.

Às vezes, a pessoa tem uma moral ilibada, perfeita; é corretíssima em sua vida, mas não está nos planos de Deus fazer dela um líder na esfera espiritual.

Assim, da mesma maneira como um avião precisa de duas asas para voar, também o obreiro cristão precisa das duas asas, o carisma, isto é, o chamado de Deus para determinada Obra, e o caráter, a parte humana, pelo qual cada um de nós é responsável.

Pensemos um pouco em Sansão e, para isto, estaremos considerando o que o livro de Juízes nos diz a respeito dele (capítulos 13 a 16).

O CARISMA DE SANSÃO

Sansão tinha tudo para dar certo:

Pais tementes a Deus (Juízes 13.8,19,22);
Mãe em quem se operara um milagre (Juízes13.5);
Dedicado a Deus ao nascer (Juízes 13.7);
Boa criação (Juízes 13.7);
Um anjo anunciara seu nascimento (Juízes 13.3);
E tudo isto numa época mui difícil (Juízes 13.1; 21.25).
Havia necessidade de uma liderança espiritual em Israel e Deus fez a Sua parte fornecendo-a e preparando o homem para esta liderança. Deus deu a este homem um carisma todo especial. Agora caberia a este homem comportar-se de acordo com as determinações de Deus, segundo os planos de Deus e segundo a moral de Deus.

O CARÁTER DE SANSÃO

O caráter de Sansão é, na realidade, falta de caráter. Vejamos:

Uniu-se a uma filistéia (Juízes 14.3-20);
Esqueceu compromissos assumidos com a esposa (Juízes14.19);
Era vingativo (Juízes 15.1-8);
Agiu por conta própria (Juízes 15.11), pois só pensava em si;
Era um impuro sexual (Juízes 16.1,4);
Não seguiu a orientação de Deus (Juízes 13.5; 16.17,19) contando sua missão aos inimigos;
Mostrou uma falsa segurança (Juízes16.16) e uma indiferença espiritual.

APLICANDO A LIÇÃO

Em nossos dias, um dos maiores problemas da Igreja é a liderança. Há igrejas fracas porque há lideranças fracas. Há igrejas mundanas porque há lideranças mundanas.

Deus precisa de líderes; sempre precisou. O pedreiro precisa de tijolos e massa. O oleiro precisa de barro.

Deus levanta os líderes, dá-lhes o carisma para isso, as condições para isso (dons, aceitação, capacidade).

Cabe aos tais terem um caráter condizente com o chamado e com a missão que Deus lhes tem reservado.

Deus não falha; nós é que falhamos. Deus faz a Sua parte; nós é que não fazemos a nossa.

Deus nos dá uma asa para voarmos; a segunda asa é responsabilidade nossa!

autor: Ramón Jané Amill.
Fatos & Relatos

Santa Ceia e instrumentos musicais

Cabe à direção de cada igreja local examinar com cuidado todos esses aspectos e assim decidir o que é hoje mais apropriado para o seu rebanho. Evitemos obedecer simples tradições ou impor nosso gosto pessoal, pois temos responsabilidade diante do Senhor para que “tudo seja feito para edificação, com

Qual o motivo de, na ceia do Senhor, os louvores serem cantados sem acompanhamento instrumental? É bíblico isto ou é apenas tradição ou "gosto" dos irmãos mais antigos?

Evidentemente quem fez esta pergunta constatou, entre as igrejas que conhece, que não é usado acompanhamento musical na Ceia do Senhor e vem nos perguntar a razão por quê.

A resposta deveria ser obtida dos irmãos responsáveis por essas igrejas, que devem ter motivos especiais para isso. Ao contrário do tabernáculo e mais tarde templo do povo de Israel, onde os rituais, vestiduras e objetos deviam seguir escrupulosamente às instruções minuciosas dadas pelo SENHOR através de Moisés, não temos um mandamento definindo como as reuniões da igreja devam ser conduzidas.

Temos pouco mais do que instruções sobre a atitude dos participantes e o seu relacionamento e conduta entre si. Não se encontra sequer uma instrução sobre o uso de instrumentos musicais em reuniões da igreja, seja a favor, ou contra, no Novo Testamento.

Já no Velho Testamento temos muitas exortações para louvar ao SENHOR com vários instrumentos de música. Também lemos sobre o uso de instrumentos musicais no céu, pelos vinte e quatro anciãos (representantes da igreja) - Apocalipse 5:8 - e são mencionados, em outro contexto, em 1 Coríntios 14:7.

A reunião da Ceia do Senhor é, ou devia ser, a reunião principal dos membros da igreja. A razão é que nela lembramos e anunciamos aos presentes a morte de nosso Salvador para a remissão dos nossos pecados, sem a qual não poderíamos ter comunhão com Deus. Nela comemos pão e bebemos do cálice que simbolizam fisicamente o Seu corpo e o Seu sangue.

Durante essa reunião devemos permitir que o Espírito Santo nos leve à adoração, seja ela silenciosa, ou audível através de orações dos irmãos, ou cantada por alguns ou todos os irmãos e irmãs presentes.

Muitos irmãos optam pela absoluta simplicidade nessa reunião, nada fazendo que não seja explicitamente mencionado na Bíblia como sendo praticado pela igreja primitiva. O Novo Testamento mantém silêncio sobre o uso de instrumentos musicais na igreja primitiva e isto é tomado como sendo indicação de que não devemos usá-los.

Outras das principais razões dadas para não se usar qualquer instrumento musical são as seguintes:

  1. O uso de instrumento musical perturba a meditação na mensagem do hino.
  2. O instrumentista terá sua atenção desviada para o instrumento ao invés de participar, com os outros, da adoração em espírito.
  3. As palavras do hino é que são importantes. A música é apenas um meio de unir todas as vozes, seja em uníssono ou harmonia. O instrumento musical é desnecessário e nada tem de espiritual.

Por outro lado, lembro-me de uma igreja que freqüentei com minha esposa em Quilmes, perto de Buenos Aires, Argentina, anos atrás, onde a organista acompanhava os hinos na Ceia do Senhor. Um dos seus anciãos nos explicou: “no princípio não usávamos o órgão, mas tivemos dificuldades porque nem sempre acertávamos a nota certa para começar e alguns irmãos desafinavam; pusemos então a organista no órgão e a qualidade do louvor cantado melhorou muito; ela, portanto, continua tocando e estamos todos contentes”.

Essa não é a única: existem muitas outras igrejas que também usam instrumentos musicais, geralmente um pequeno órgão ou harmônio. Se fôssemos indagar, provavelmente nos dariam motivos semelhantes.

Outros entendem que toda a Palavra de Deus é a revelação da Sua vontade, incluindo o louvor e a adoração, cantada e instrumental. Recentemente um nosso irmão de Portugal assim se expressou: “Oxalá em todas as assembléias se louvasse ao Senhor, apenas METADE do louvor que Ele recebia no Templo de Jerusalém. Louvor solene, profundo, majestoso, sumptuoso, digno de Deus Todo-Poderoso! A ordem, a perfeição, a harmonia, o requinte, o zelo em contraste com o que tantas vezes se vê hoje, de desorganização, desafinação, incompetência, displicência, tédio e gelo. O nosso Deus é excelso, é magnífico, ‘Ele habita no meio dos louvores de Israel’. Então e a Igreja? Que noiva é essa, que deixa que sejam os outros a exaltar as infinitas qualidades do seu Amado? Que noiva tão fria! Será?”

Todas as razões dadas, a favor e contra os instrumentos musicais, são ponderáveis. Podemos no entanto estar tranqüilos que não estaremos desagradando a Deus se aprimorarmos a nossa adoração e louvor com o uso de instrumentos musicais. Se assim fosse, Ele nos teria dito claramente, como nos deu instruções em tantas outras coisas, algumas das quais podem até nos parecer de muito menos relevância na atualidade.

Cabe afinal à direção de cada igreja local examinar com cuidado todos esses aspectos e assim decidir o que é hoje mais apropriado para o seu rebanho. Evitemos obedecer simples tradições ou impor nosso gosto pessoal, pois temos responsabilidade diante do Senhor para que “tudo seja feito para edificação, com decência e ordem” (1 Coríntios 14:26,40). Mas que não seja este um ponto de discórdia entre os membros da igreja: se for causar ofensa a algum irmão, é muitas vezes preferível a abstenção de uma “novidade” até que se chegue a um acordo sobre o assunto.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Saul e a médium

Ninguém, vivo ou morto, pode ajudar-nos, se Deus nos desampara. Esta é uma mensagem para os que confiam na intervenção dos vivos, sejam eles clérigos ou gurus, ou dos mortos, sejam “santos” (veja Jeremias 15:1) ou “espíritos”. Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, home

No caso de Saul e a pitonisa, foi realmente Samuel que apareceu ali ou foi uma tapeação de satanás?

A pergunta é feita tendo por base 1 Samuel 28:7-20. Embora o texto bíblico diga claramente que foi Samuel (versículos 12, 15, 16, 20) parece surpreendente à primeira vista que, tendo o SENHOR recusado a se comunicar com Saul através dos meios usuais (versículo 6), o espírito de Samuel subisse do paraíso para falar com ele quando procurou a médium de Endor, já que os necromantes e os que consultam os mortos são abominação ao SENHOR (Êxodo 22:18, Levítico 20:27, Deuteronômio 18:9-14).

Por causa disso, muitos comentaristas, a partir dos primeiros da igreja católica (Tertuliano e Jerônimo), reformadores protestantes (Lutero, Calvino), e outros mais recentes, mediante um raciocínio bem elaborado defendem a tese, com muitos argumentos, que não foi Samuel que subiu do paraíso, mas foi o próprio diabo ou um dos seus demônios que fingiu subir da terra para falar com Saul (e desta forma, tendo enganado Saul, enganar também a todos os que lêem sobre o fato para fazê-los pensar que realmente os médiuns têm poder para chamar os espíritos dos mortos).

Não existe outro caso como este na Bíblia, nem outra referência a esta passagem. Os judeus aparentemente nunca puseram em dúvida este texto bíblico, e seus comentaristas, baseados no hebraico, aceitam que foi realmente o espírito de Samuel. Que fôsse Samuel mesmo quem subiu não é somente o que a escritura diz, o que já é amplamente suficiente para a maioria de nós, mas com isso concordam eruditos da antiguidade como Justino Mártir, Origines e Agostinho, e os comentaristas que se batem pela ortodoxia bíblica são quase unânimes em declarar que o profeta morto realmente apareceu e anunciou a destruição de Saul e do seu exército.

Mas eles mantêem que Samuel não subiu em virtude das artes mágicas da médium, mas através de um milagre produzido pela onipotência de Deus. Não é o único caso em que Deus, pela sua soberana vontade e na sua infinita sabedoria, age de forma contrária ao nosso raciocínio. Como em outros casos, creio que ao tomarmos uma decisão, devemos aceitar a inspiração divina na redação original do texto bíblico. Se assim fizermos, não podemos deixar de concordar que foi realmente o espírito de Samuel.

Se admitirmos que Satanás teve a liberdade de inserir uma mentira no relato bíblico, abrimos uma brecha na credulidade que nos merecem todas as Escrituras Sagradas.

O SENHOR não atendeu diretamente às consultas feitas por Saul (Saul havia assassinado oitenta e cinco sacerdotes do SENHOR anteriormente), e as Escrituras nos dizem que a situação em que ele agora se encontrava era porque de maneira altiva e leviana ele havia desobedecido às instruções que o SENHOR lhe havia dado diretamente em outra ocasião (versículo 18).

Saul, desesperado e sem saber o que fazer, quiz aconselhar-se com o profeta Samuel, já morto. Foi então procurar a médium (gênero de atividade que ele próprio havia procurado eliminar do país em dias melhores), e jurou a ela, em nome do SENHOR, que não a castigaria. Com isso, desobedeceu a Deus duas vezes.

Contra todas as expectativas, Samuel subiu do paraíso no Sheol, onde se encontrava, para lhe falar: a Bíblia não nos diz a razão por que Deus o permitiu e só podemos fazer conjecturas a esse respeito. Por exemplo, seria talvez uma última oportunidade para Saul se arrepender, confessar seus pecados, e voltar-se para Deus. Pelo seu grito e exclamação de grande surpresa, deduzimos que a médium nada teve a ver com a vinda de Samuel. Houve uma interferência extraordinária e desconhecida sobre a sua rotina usual: ela percebeu que algo completamente fora do seu controle estava acontecendo, vendo o que ela pensou ser um “deus” subir da terra, pois ela estava acostumada apenas a usar arte mágica para enganar seus clientes. Em nenhum momento a Bíblia diz que o espírito de Samuel se “incorporou” na médium.

A vinda de Samuel não trouxe consolo para Saul, pois, além de repreendê-lo por chamá-lo, Samuel confirmou a justiça de Deus, anunciou a sua morte iminente e a dos seus filhos (que combatiam com ele) e a vitória dos filisteus sobre o seu exército.

Saul, já enfraquecido por não ter comido nada por cerca de vinte a quatro horas, foi tomado de grande medo por causa das palavras de Samuel, caiu por terra e ali lhe faltaram as forças.

Hoje em dia o mundo procura grandes sensações e emoções na religião. Um dos caminhos é pelo espiritismo moderno, a antiga necromancia, cuja prática consiste, quando não em simples fraude, em chamar um demônio, que fala através da médium, como se fosse o espírito de um morto. Os demônios podem ter tido conhecimento daquela pessoa e dos seus hábitos, e assim o demônio pode enganar o cliente fazendo-o pensar que se trata realmente da pessoa morta.

Este trecho tem servido de argumento pelos espíritas para tentar dar alguma legitimidade bíblica às suas sessões. Eles dizem que a médium trouxe o espírito de Samuel para falar com Saul. Mas se assim fosse, seria o único caso na Bíblia, e as Escrituras Sagradas inegavelmente sempre condenam o espiritismo, que abrange adivinhação, prognóstico, agouro, feitiçaria, encantamento, magia e necromancia, que Deus abomina (Deuteronômio 18:10-12, Gálatas 5:19-21).

A narrativa bíblica do trecho em estudo não dá qualquer apoio ao espiritismo, pois a médium evidentemente nada tinha a ver com a subida de Samuel e foi apenas uma espectadora. Deus não violou suas próprias regras permitindo que a médium trouxesse o verdadeiro espírito de Samuel para a superfície, porque não foi isso o que aconteceu, embora ela depois procurasse reivindicar o feito para si.

Concluimos que Deus permitiu que Samuel falasse com Saul naquele recinto naquela ocasião, como permitiu que Moisés falasse com o Senhor Jesus no monte da transfiguração (Marcos 9:4). Não sabemos como o espírito de Moisés apareceu e foi identificado pelos três apóstolos, assim como não sabemos como o de Samuel foi identificado por Saul. Mas Saul, que conhecia muito bem Samuel, sabia que era ele: seria quase impossível convencê-lo se fosse apenas uma “voz” falando através da médium.

A médium, no entanto, aparentemente não conhecia Samuel e pensava que fosse um deus: se fosse obra da sua magia, e julgando que sua vida estava em jogo, ela teria procurado convencer Saul que era Samuel, coisa que não fez.

Podemos tirar algumas lições para nós desta ocorrência, e certamente esta é a principal razão porque é relatada na Bíblia, e dá origem a tanta controvérsia:

  1. Deus, mediante seu Espírito age com a Sua Palavra para convencer o homem do seu pecado, levando-o ao arrependimento. Mas não agirá para sempre (Gênesis 6:3). “Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz” (João 12:36). O incrédulo que resiste está em perigo de cometer o pecado contra o Espírito Santo, para o qual nunca terá perdão.
  2. A desobediência a Deus nunca vai nos tirar de um apuro ou nos livrar das consequências de nos termos afastado dEle.
  3. Ninguém, vivo ou morto, pode ajudar-nos, se Deus nos desampara. Esta é uma mensagem para os que confiam na intervenção dos vivos, sejam eles clérigos ou gurus, ou dos mortos, sejam “santos” (veja Jeremias 15:1) ou “espíritos”. Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem (1 Timóteo 2:5).
  4. Consultar os “espíritos” através de médiuns não somente é abominável diante de Deus, mas é enganoso e resulta em desgraça (Isaías 8:19-22).
autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas

Fomos prevenidos, logo não devemos nos admirar com a grande variedade de instituições tomando toda a espécie de denominação, algumas enormes e poderosas, todas se dizendo cristãs, mas ensinando coisas completamente alheias à Palavra de Deus. Por outro lado, devemos nos considerar muito felizes por t

Com este artigo damos início a uma edificante série de estudos sobre Seitas, da inspirada lavra do nosso estimado irmão R. David Jones, que, sem dúvida, será de grande proveito para nós tendo em vista a confusão que temos ao entorno do “cristianismo” praticado em nossos dias. Permita Deus que assim seja! J.C.Jacintho.

Introdução

O sentido etimológico da palavra portuguesa “seita”, traduzido da antiga literatura romana e pré-cristã, era “partido” ou “escola filosófica”, segundo o dicionário de Houaiss. Houaiss ainda nos informa que na atualidade ela tem os seguintes sentidos:

Doutrina ou sistema que se afasta da crença ou opinião geral e, por derivação:

  • o conjunto das pessoas que seguem essa doutrina ou sistema;
  • grupo de dissidentes de uma religião ou de uma comunhão principal;
  • grupo de indivíduos partidários de uma mesma causa; partido, bando, facção.
  • teoria de um mestre com inúmeros seguidores;
  • sociedade cujos membros se agregam voluntariamente e que se mantém à parte do mundo.

Nas versões do grego original do Novo Testamento existem as palavras hairesis e hairetikos, que literalmente se traduziriam respectivamente por “uma escolha” e “aquele que escolheu”, mas seus significados passaram a abranger também aquilo que é escolhido, um modo de vida escolhido e eventualmente uma opinião levando a um partido religioso.

É neste último sentido que hairesis é seis vezes traduzida no Novo Testamento para a palavra “seita”, todas no livro de Atos, sendo três vezes para os fariseus e saduceus (Atos 5:17, 15:5, 26:5), e três vezes para os cristãos, denominados “seita dos nazarenos” pelos judeus e gentios daquela época (Atos 24:5,14, 28:22).

Nesse contexto, “seita” é um partido religioso formado em uma divisão resultante da predileção de um grupo por determinada conduta e doutrina, ou da perversão de um ensino, geralmente esperando obter uma vantagem pessoal. Isso contrasta com o poder unificante da verdade, quando acolhida em sua totalidade.

Mas as palavras hairesis e hairetikos se encontram também em outros lugares do Novo Testamento com referência a doutrinas erradas e perniciosas, e crenças divergentes da legítima fé. Nestes casos elas não são traduzidas como “seita” em nossas Bíblias (trad. Almeida), mas ficaram as palavras gregas ligeiramente transformadas em “heresias” (1 Coríntios 11:19; Gálatas 5:20; 2 Pedro 2:1) e “herege” (Tito 3:10).

Este é o sentido bíblico da palavra “seita” que vamos estudar, e obviamente “verdade” é só o ensino bíblico: a Bíblia é a revelação de Deus feita a nós pela inspiração do Espírito Santo nos homens santos que escreveram essa profecia, como ensina Pedro: “nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:20-21).

Mas Pedro acrescenta: “Entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2 Pedro 2:1-3).

As heresias estão incluídas entre as obras da carne em Gálatas 5:20, e “os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” (v.21). Elas já se tornavam evidentes no início da igreja de Cristo, como veremos no próximo capítulo, dando motivo para a preocupação dos apóstolos que transparece em suas epístolas. O Senhor Jesus profetizou o crescimento da cristandade e a chegada das seitas em seu meio:

  1.  “O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo; o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos” (Mateus 13:31,32). Começou pequeno e puro, mas como veremos a seguir nestes estudos, cresceu de forma anormal com a injeção do clericalismo e do paganismo e se tornou um lugar onde o diabo e os seus anjos podem aninhar-se com suas muitas seitas. Basta verificar o falso ensino da maioria das “igrejas” que se dizem cristãs, para confundir o pecador que procura a salvação da sua alma e nelas nada acha.
  2.  “Outra parábola lhes disse: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado” (Mateus 13:33). Na Bíblia, fermento invariavelmente é figura de algo mau, e seria surpreendente se aqui fosse diferente. Não é o fermento que é semelhante ao Reino dos céus, mas o que acontece na parábola. O Senhor advertiu seus discípulos contra o fermento dos fariseus e dos saduceus, referindo-se à sua doutrina (Mateus 16:6,11,12) e também contra o fermento de Herodes (Marcos 8:15):
    • os fariseus acrescentavam sua tradição, que exigia do povo mais obrigações do que as requeridas pela lei de Moisés, e eram notórios pela sua hipocrisia, ritualismo, falsa piedade e intolerância;
    • os saduceus, aristocratas entre os sacerdotes, aceitavam o Torá (pentateuco) mas rejeitavam todas as demais Escrituras. Negavam a imortalidade da alma, a ressurreição dos mortos e a existência de anjos;
    • os herodianos apoiavam o poder político de Herodes e a cultura greco-romana, e se destacavam pelo seu ceticismo, imoralidade e mundanismo.

O fermento é maldade e malícia em 1 Coríntios 5:6-8, e ensino falso em Gálatas 5:9.

A primeira parábola prevê as seitas surgindo na cristandade por influência externa, satânica, enquanto a segunda nos previne sobre a corrupção interna com heresias dando origem às seitas, corrupção essa que eventualmente irá contaminá-la toda.

É notável como essas mesmas características são facilmente encontradas hoje nas seitas do cristianismo, em cumprimento a essas duas parábolas.

Fomos prevenidos, logo não devemos nos admirar com a grande variedade de instituições tomando toda a espécie de denominação, algumas enormes e poderosas, todas se dizendo cristãs, mas ensinando coisas completamente alheias à Palavra de Deus.

Por outro lado, devemos nos considerar muito felizes por termos facilmente à nossa disposição a própria fonte de toda a legítima doutrina cristã, a Palavra de Deus, barata em forma de papel, e gratuita em forma eletrônica na Internet.

Nos próximos estudos desta série vamos procurar examinar algumas das principais seitas em seu aspecto histórico e doutrinário à luz dessa mesma Palavra de Deus.

 


Os primórdios

Nas epístolas do Novo Testamento vamos encontrar as origens das primeiras seitas que foram se formando, cujas influências foram combatidas severamente pelos apóstolos.


Os “Pássaros”

1. Os judaizantes

As primeiras igrejas foram formadas por judeus e seus prosélitos, elas se reuniam inicialmente no templo de Jerusalém e nas sinagogas. As sinagogas eram, e ainda são, edifícios próprios para a leitura das Escrituras (a Lei e os Profetas), o ensino dos seus preceitos e a oração. A sua origem é muito antiga, pelo menos desde os tempos do cativeiro, quando são citadas no Salmo 74:4,8.

Quando o Evangelho se espalhou pelo mundo conhecido naquele tempo, principalmente com o apostolado de Paulo, lemos no livro de Atos que era primeiro pregado nas sinagogas existentes nas cidades, porque ali as Escrituras eram ensinadas tanto a judeus quanto a prosélitos: a chegada do Messias de Israel, e a mensagem da salvação pela fé nEle, deveria ser logo compreendida.

Os que eram convertidos a Cristo passaram a ser vistos por judeus e gentios como uma seita judaica, a dos nazarenos, e foram sendo expulsos do templo e das sinagogas. Os judeus que rejeitavam a Cristo, ciosos da sua religião tradicional, atacavam os cristãos física e moralmente.

Os judeus cristãos se encontravam diante de um dilema, pois eram pressionados a manter a tradição judaica para satisfazer os seus compatriotas, mas ela não tinha mais razão de ser no Novo Testamento. Essa pressão era tal que muitos vacilaram, e mesmo o apóstolo Pedro mostrou-se um tanto dúbio, sendo por causa disso certa vez repreendido em público pelo apóstolo Paulo (Gálatas 2:14).

Surgiram assim os “judaizantes”, a primeira seita que ameaçou a fé cristã. Professavam ser crentes em Cristo, convertidos ao Evangelho, mas pregavam que os cristãos estavam ainda obrigados a cumprir com o cerimonial judaico, guardando os sábados, dias de festa, mantendo a circuncisão, abstendo-se de alimentos, etc. A fé cristã estava sendo ameaçada de se confinar dentro dos limites de uma seita judaica e de, assim, perder o seu poder e liberdade de trazer o conhecimento da salvação de Deus ao mundo inteiro.

O Senhor Jesus já havia ensinado que o Novo Testamento substituía o Velho, e que não era possível misturá-los: “Ninguém deita remendo de pano novo em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam” (Mateus 9:16-17). O remendo de pano novo em veste velha é como misturar a “lei” e a “graça”: quando a veste velha é lavada, o remendo novo vai encolher e rasgar a veste que já passou pelo processo de encolhimento. Ela vai ficar mais imprestável do que antes. Assim também a colocação de vinho novo em odres velhos provoca o rompimento dos odres por causa da fermentação do vinho novo. Os odres velhos não têm mais elasticidade. A vida e a liberdade do Evangelho arruínam os preceitos e rituais fixos da lei de Moisés.

A utilidade do Velho Testamento, com a lei de Moisés, estava no fim, e o Senhor Jesus não veio para lhe dar continuidade mediante alguns remendos, pois estes só podiam piorar a sua situação. O Velho Testamento não podia conter o Evangelho da salvação unicamente mediante a fé na obra redentora de Cristo.

O Senhor Jesus veio para introduzir uma veste totalmente nova, um vinho completamente novo, para substituir de uma só vez o que existia naquela época. O apóstolo João resume assim: “a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.

Os ensinadores da seita dos judaizantes foram severamente censurados pelo apóstolo Paulo na epístola aos Gálatas, e chamados de “falsos irmãos” porque “se tinham entremetido e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão” (Gálatas 2:4). A epístola aos Hebreus mostra que o sacerdócio mosaico e o ritual dos sacrifícios da lei eram apenas figuras da realidade que se vê em Cristo e, portanto, foram totalmente superados por Ele.


2. Os gnósticos

Ao se espalhar pelos países de cultura grega, o Evangelho encontrou outro inimigo que adentrou pelas suas fileiras: a filosofia grega.


A filosofia (procura da verdade) grega, procurando definir a divindade, explicar a natureza e fornecer orientação para a conduta humana, fazia uso de todas as religiões do mundo conhecido para compor a gnose ou “conhecimento”. Surgia um sistema filosófico atrás de outro, e eram discutidos calorosamente. Os sistemas, em sua maioria, juntavam alguns princípios judeus e pagãos, mais tarde também cristãos, com material de várias origens.

Organizavam-se escolas onde o ensinamento era transmitido, interpretado e mantido em segredo, o que chamavam de “mistério”. Freqüentemente ensinavam a existência de dois deuses ou princípios, a Luz e a Escuridão, um Bom e o outro Mau. O que era material seria produto do poder das trevas e estava debaixo do seu controle; o que era espiritual era atribuído ao deus superior, o da Luz.

Havia muito desacordo entre os grupos com respeito à importância de rituais, alguns praticando eucaristias pseudo-cristãs e batismos, e outros rejeitando todos os aspectos de adoração convencional, oração, jejum e esmolas. Suas noções sobre ética variavam muito. Essas especulações e filosofias contribuíram para a existência de muitas heresias que, desde logo, invadiram igrejas cristãs e foram combatidas nas epístolas de Paulo e João, quando falam dos “falsos mestres”.

É de se notar que na epístola aos Colossenses, capítulo 2, os primeiros 15 versículos ensinam que Cristo é a resposta à filosofia, e o restante do capítulo que Ele é a resposta ao legalismo. Os gnósticos e os judaizantes são as primeiras seitas que ameaçaram o cristianismo com as suas heresias, e veremos que ambas persistem, em várias formas, até hoje.

 

O “fermento”

3. A carnalidade

Além dessas seitas vindas de fora, que seriam os primeiros pássaros da parábola do grão de mostarda, encontramos um início de seitas dentro da igreja de Corinto, o fermento que a mulher da parábola coloca em três medidas de farinha: houve contendas entre os membros, levando à formação de grupos, cada um dos quais dizia ser de determinado mestre da igreja - Paulo, Cefas, Apolo e … Cristo!

O acontecimento mereceu uma severa exortação de Paulo: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10). Mais adiante ele volta ao assunto e declara que por haver inveja, contendas e dissensões na igreja, eles mostravam que ainda eram carnais, “meninos em Cristo”, incapazes de receber alimento espiritual. Eles não compreendiam ainda que os seus mestres eram apenas instrumentos na mão de Deus para a igreja. A igreja não pode ser dividida assim, pois é Deus quem dá o crescimento a ela, sendo ela a Sua lavoura e Seu edifício (1 Coríntios 3:3-7).


4. O clericalismo

Os gnósticos chegaram ao auge no século 2 d.C, e, em seu combate, muitas igrejas se refugiaram no poder e controle episcopal, junto com o clericalismo que veio modificar e prejudicar seriamente o caráter das igrejas. O clericalismo surgiu já no fim do primeiro século da era cristã. É mencionado em duas cartas às igrejas do Apocalipse, a de Éfeso e a de Pérgamo, sob o nome de “práticas dos nicolaítas” e “ensinos dos nicolaítas”, práticas estas odiadas pelo Senhor Jesus (Apocalipse 2:6). Na língua grega, em que as cartas foram originalmente escritas, nicolaítas são aqueles que “conquistam, para dominar o povo”. Segundo os historiadores, já havia naquele tempo uma tentativa para estabelecer uma ordem religiosa de homens que se colocariam em posição de domínio sobre as igrejas, uma espécie de ordem sacerdotal, mais ou menos segundo o modelo judaico. Eles encontraram resistência em Éfeso, mas tiveram sucesso em Pérgamo. A atitude deles era como a de Diótrefes (3 João 9-11).

Os falsos mestres proliferavam, confundindo as igrejas, especialmente com a filosofia grega dos gnósticos, e os princípios da religião judaica. Foram combatidos pelos apóstolos e as suas epístolas, como as temos, eram copiadas e circuladas pelas igrejas. Segundo nos contam os historiadores, Pedro foi executado no ano 65 e Paulo poucos anos depois, sendo Jerusalém destruída, e tudo que ali havia, pelos romanos no ano 70. João concluiu as Escrituras do Velho e Novo Testamento com o seu Evangelho, suas epístolas e o Apocalipse perto do fim do século.

No entanto, eram abundantes os outros escritos que circulavam, notadamente inferiores em seu conteúdo ao que Deus inspirou e que encontramos na Bíblia. Um dos primeiros, e ainda conservados, foi escrito por Clemente, um presbítero de Roma, à igreja em Corinto, ainda durante a vida do apóstolo João. São citadas muitas passagens do Velho Testamento, bem como do Novo, comprovando como as Escrituras estavam sendo circuladas. Mas, em sua carta, já se nota uma distinção feita na igreja dele em Roma entre o clero e os leigos, tirada das ordenanças do Velho Testamento.

Até aproximadamente o ano 170 d.C. as igrejas haviam sido fundadas em sua maior parte pelos apóstolos, principalmente Paulo e Pedro; até 96 a.D. os cristãos eram ainda legalmente considerados uma seita do judaísmo (Atos 24:14), religião tolerada pela lei romana. As igrejas rejeitavam os falsos apóstolos que se apresentavam com novas doutrinas, bem como, em grande parte, o clericalismo incipiente. No entanto, o amor original foi se esfriando e a noção da irmandade entre os crentes, como numa família, foi sendo aos poucos olvidada; a conformidade com o mundo e a sua maneira de vida aumentou, os nicolaítas tiveram sucesso em alguns lugares e uma organização de igrejas chamando-se católicas (universais) começou a se desenvolver.

 


 

O catolicismo


A partir de 170 d.C. até 312 d.C. houve uma grande perseguição aos cristãos, considerada uma religião ilegal a partir de 96 a.D., culminando com a mais feroz de todas, com duração de dez anos, promovida pelo imperador Deoclécio. Estas perseguições, como acontecem geralmente, tiveram o efeito de purificar as igrejas, afastando delas aqueles que não tinham um comprometimento sincero com Cristo, e algumas igrejas que haviam aderido ao movimento nicolaíta se afastaram dele. Assim a maioria das igrejas, que se mantinham ainda mais ou menos fiéis às doutrinas e práticas primitivas dos apóstolos, aos poucos se acharam isoladas daquelas, em número crescente, que aderiam ao movimento catolicista, que as dominava e nelas introduzia heresias e práticas pagãs. Este movimento catolicista, portanto, era uma seita poderosa e maléfica dentro do cristianismo.

Em 312 d.C. o imperador romano Constantino legalizou a fé cristã e a adotou como religião oficial, fazendo-se seu "pontífice" ou sumo sacerdote, posição que ocupava na religião pagã de onde saiu. Antes disto, as igrejas eram autônomas, mas em sua maioria tinham sido persuadidas a se tornarem "católicas", unindo-se em grupos debaixo da supervisão de um bispo "metropolitano", que se aliava ao líder político local, geralmente um rei ou príncipe. O bispo metropolitano se comunicava com os outros bispos "católicos", e tomava parte em concílios das igrejas para tomar decisões de ordem religiosa e administrativa. Os bispos de Alexandria, Antióquia, Constantinopla, Jerusalém e Roma eram considerados os mais importantes. Constantino submeteu esses bispos à sua própria autoridade.


A instituição católico-romana 

A igreja em Roma e nas outras cidades sob a jurisdição do bispo metropolitano de Roma sofreu a maior influência de Constantino, dando origem à instituição católico-romana, a maior seita de todos os séculos, e que permanece até hoje. O "batismo" infantil, que havia aparecido e fora combatido até poucos anos antes se tornou a porta de entrada para esse novo sistema político-religioso, e a fé pessoal perdeu sua importância; sacerdotes pagãos foram "convertidos" e se tornaram "cristãos" bem como seus templos; o imperador doou um bom número de edifícios imponentes, chamados "basílicas", para serem convertidos em templos "cristãos", contribuindo generosamente para a sua decoração; ele deu ao "clero" roupagens especiais, semelhantes àquelas usadas pelos sacerdotes dos templos pagãos; os bispos logo foram providos de tronos, foram vestidos com paramentos magníficos e jóias, tendo diante deles altares caríssimos de mármore decorados com ouro e pedras preciosas. Uma liturgia padronizada de grande pompa foi introduzida, e a livre pregação e ensino da Bíblia foram grandemente restringidos, dando-se maior ênfase à filosofia pagã grega; ídolos e festas pagãs foram "cristianizadas" com os nomes de "santos", etc.

A doutrina dos nicolaítas fez um progresso enorme, tanto que no primeiro Concílio das igrejas "universais" (grande parte das quais eventualmente convergiram para se submeter ao bispo de Roma, voluntária ou obrigatoriamente), realizado em Nicéia em 325 A.D., dos 1500 delegados vinte por cento já se consideravam "clero", uma classe à parte. Foi um concílio tempestuoso, cheio de intrigas e politicagem, e pela supremacia do "clero" em suas decisões torna-se evidente que esta doutrina havia se tornado firme e permanente dentro dessa seita.

No ano 606 o "papa" Bonifácio III foi coroado "bispo universal", dando início à Idade Média. Com a "coroação" de Bonifácio III, que se deu a si mesmo o título de "vigário de Cristo", "herdeiro de São Pedro" e outras coisas mais, ele recebeu autoridade imperial para absorver os demais episcopados para dentro da sua instituição, que já havia se tornado muito corrupta, imoral e idólatra (antes, como já vimos, o imperador romano havia sido indiretamente a suprema autoridade das igrejas que se chamavam "católicas"). Esse papa e os seus sucessores trataram de submeter debaixo da sua autoridade as demais igrejas, usando a força das armas se falhassem a persuasão e a tortura, impondo a morte quando não houvesse submissão: a Inquisição e as cruzadas pertencem a esse período.

O bispo metropolitano de Constantinopla (antiga Bizâncio) conseguiu escapar: desde 381 ele havia recebido direitos iguais aos do bispo de Roma porque a sede do governo imperial havia sido transferida para lá, e a cidade se tornara a "nova Roma". Essa foi a origem da "igreja ortodoxa", uma nova seita que tomou sob suas asas as igrejas da Europa oriental e Ásia Menor. Infelizmente, com o poder secular que recebeu, essa instituição tornou-se tão corrupta quanto a instituição romana.

Jezabel (1 Reis 16 - 21, 2 Reis 9) é uma figura muito apropriada daquilo em que a seita católico-romana se converteu durante a Idade Média. Como Jezabel na antigüidade, a seita introduziu em suas igrejas práticas pagãs, bem como a idolatria (prostituição espiritual), e tornou-se um sistema religioso novo que tinha pouca semelhança com as igrejas apostólicas. Entre suas heresias está a justificação pelas obras junto com os rituais da igreja, a regeneração pelo batismo, a adoração aos anjos, aos "santos" mortos e às imagens, o celibato para o "clero", a confissão obrigatória aos "sacerdotes", o purgatório, a transubstanciação do pão e do vinho em carne e sangue de Cristo, as indulgências, a penitência, a adoração de Maria, o ritualismo pagão, o sinal da cruz, a água benta, o óleo sagrado, o rosário, etc.

No entanto, muitas igrejas fiéis a Cristo resistiram ao domínio dessa poderosa seita através da história e mantiveram a sã doutrina, sujeitando-se a perseguições terríveis promovidas pelos papas e seus asseclas, multidões sendo levadas ao martírio, em grande parte imposto pela ordem dominicana que se responsabilizou pela inquisição. Entre os martirizados se contam aqueles a quem os católicos davam o nome de cátaros, albigenses, puritanos e outros, e se chamavam entre si de "irmãos".


As instituições ortodoxas 

Logo depois de transferir a capital do império romano para Bizâncio (330), o imperador Constantino mudou seu nome para Constantinopla e Nova Roma, e promoveu o bispo para arcebispo. Em 381 o primeiro concílio de Constantinopla admitiu que seus direitos eram agora iguais aos do bispo de Roma. Uns dois séculos mais tarde o título de "patriarca ecumênico" foi acrescentado ao de arcebispo.

A autoridade do patriarca de Constantinopla se estendeu sobre a maioria das igrejas "católicas" da Europa oriental, na Bulgária, Sérvia, Românica, e Rússia, e representou um desafio à autoridade do papa romano. Houve confrontação entre os dois em 867 e 1054, desde quando se tornaram inimigos até 1964.

Neste meio tempo adquiriram também independência o patriarcado de Moscou (1593), as igrejas nacionais da Grécia (1833), Romênia (1865), Sérvia (1879), Bulgária (1870) e Albânia (1937). O patriarca de Constantinopla teve assim sua influência reduzida a um território muito pequeno na Turquia e na Grécia, alguns arcebispados e metropolitanatos na Europa, América do Sul e do Norte, Austrália e Nova Zelândia, e a igreja autônoma da Finlândia. O governo da Turquia (muçulmano) tolera a sua permanência desde que seja de nacionalidade turca e na Turquia atenda apenas a paroquianos de nacionalidade grega.

Essas seitas se assemelham muito à romana em sua doutrina e cerimonial, mas substituem as estátuas dos romanistas por ícones (pinturas) aos quais dão valor espiritual e adoram. Também perseguiram e continuam perseguindo os que rejeitam a sua autoridade e procuram obedecer apenas às Escrituras.


As instituições cópticas 

Alexandria era antigamente a capital da diocese "católica" do Egito, e foi o centro cultural do império romano oriental. A diocese tinha seu próprio bispo "metropolitano" e abrangia principalmente o Egito e a Etiópia. As igrejas sob seu controle praticavam rituais próprios, conhecidos como "alexandrinos", independentes da instituição romana. No século 18 uma parte se submeteu ao papa da instituição romana, chamando-se igreja cóptica católica, e adotou uma liturgia bizantina; a outra continuou independente da instituição romana, chamando-se de igreja ortodoxa da Etiópia. Praticam o mesmo clericalismo, ritualismo, e idolatria da instituição romana e muitas das suas heresias - e outras próprias.


Outras seitas que surgiram antes da "Reforma" 

À medida que o catolicismo crescia e se fortalecia com o apoio do poder imperial, todos os dissidentes se viam perseguidos, castigados e eliminados, tanto os que se recusavam a aderir a essas seitas quanto os que se revoltavam dentro delas. Todos eram considerados igualmente hereges pela instituições apoiadas pelo imperador romano, e muitos desapareceram deixando poucos vestígios, além de uma ligeira menção pela sua inimiga. Entre elas ainda são lembrados os Montanistas, Marcionitas, Novacianos, Donatistas, o Arianismo, Pelagianismo, Sacerdotalismo, Monasticismo.

Durante todo esse tempo, todavia, sempre houve irmãos que se mantinham firmes na fé ensinada pelos apóstolos, reunindo-se em casas ou outros lugares, recebendo vários apelidos por parte das seitas católicas, sempre perseguidos e freqüentemente assassinados, muitas vezes povoações inteiras eram martirizadas. Eram apelidados de valdenses, picardos, irmãos cristãos, irmãos unidos, hussitas, lolardos, beghardos, schwestrionos, bons homens, petrobrussianos, albigenses, moravianos e incontáveis outros nomes. Alguns, como os taboritas na Boêmia, se formaram em grupos caracterizando-se como seitas e cometeram os mesmos erros dos católicos aliando-se com políticos influentes, resultando em sua própria ruína.

 


A "reforma protestante" 

A tirania, ganância e imoralidade dos sacerdotes do catolicismo romano chegaram escandalosamente ao seu auge no início do século 16, quando então saíram do seu âmbito grandes partidos resolvidos a voltar aos princípios bíblicos que haviam sido postos de lado, abandonando as heresias que tinham tomado o seu lugar. Esse movimento ficou sendo conhecido como a Reforma Protestante.


Desta reforma surgiram várias grandes seitas institucionalizadas, entre elas o “anglicanismo”, o “luteranismo” e o “presbiterianismo”. Todas estas introduziram a Bíblia novamente nas igrejas, fizeram a sua tradução para o conhecimento e ensino de todos, negaram a autoridade do papa e da tradição como substituição ou complemento das Escrituras, rejeitaram as heresias que haviam sido introduzidas através dos tempos e voltaram a pregar a salvação somente pela fé em Cristo e não pelas obras.

Isto trouxe um grande reavivamento espiritual e muitas almas foram salvas com a disseminação do conhecimento do verdadeiro Evangelho de Cristo. Mas, infelizmente, essas novas seitas não completaram o trabalho de se voltarem inteiramente ao ensino bíblico, mas retiveram algumas práticas que haviam levado à ruína a seita católica: o clericalismo, o ritualismo, o batismo infantil, e a aliança com o mundo, especialmente com os seus líderes políticos.

A aliança política, como havia antes acontecido com o catolicismo, obrigou essas seitas a se cristalizarem dentro de conceitos politicamente aceitáveis, e a se imporem como a “religião estabelecida”, proibindo a dissensão.

Os anabatistas 

Na Alemanha irmãos em Cristo se reuniam em particular independentemente das seitas estabelecidas desde os tempos mais antigos, e ao redor de 1524 muitos se juntaram para declarar a sua independência da religião do Estado, e a sua determinação de continuar com os ensinos das Escrituras em suas igrejas. Também batizaram por imersão todos os crentes que até então não tinham sido batizados como testemunho da sua fé. Foi nesta ocasião que lhes deram o apelido (que recusavam) de “anabatistas” (re-batizadores) e incidiram na pena de morte por causa da sua forma de batismo.

A maioria dos seus líderes foram executados ou morreram no cárcere. Apesar da sangrenta perseguição aos anabatistas por parte de católicos e protestantes, seus sucessores sobreviveram. As igrejas batistas e menonitas de nossos dias vieram das igrejas neo-testamentárias da Alemanha, Suíça, Rússia, e outras partes da Europa, que passaram por aquela experiência. As igrejas batistas e menonitas (nome dado a elas na Holanda por causa de um pastor, ex-padre católico, chamado Menno Simons) ainda mantiveram uma forma branda de clericalismo, mas o ritualismo, o batismo infantil e a união das igrejas com o Estado foram eliminados.

Os quakers 

Da igreja anglicana saíram, no século 17, os “quakers”, seguindo as doutrinas de George Fox. Ainda jovem, ele se preocupava com as coisas espirituais e percebia que muitos que se diziam cristãos não praticavam o que diziam crer. Ele deu atenção particular a 1 João 2.27: “a unção que vós recebestes dele fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis”.

Ele percebeu que Deus não mora em templos feitos por mãos de homens e entendeu que Cristo, tendo morrido por toda a humanidade, iluminava todos com a Sua vida divina e salvadora, e que ninguém podia ser um verdadeiro crente sem acreditar nisso. Ele disse que não aprendeu isso de outros, mas na luz do Senhor Jesus Cristo, e pelo Seu imediato Espírito e poder, como o fizeram antes os homens de Deus pelos quais foram escritas as Escrituras Sagradas.

Muitos se reuniam para ouvi-lo em “reuniões dos amigos”, e estas reuniões se espalharam de lugar em lugar. O apelido “quakers” lhes foi dado e foram duramente perseguidos, aprisionados e punidos, mas a Sociedade de Amigos cresceu apesar disso e logo foram como missionários para as colônias da Nova Inglaterra (nos EUA), Caribe, Holanda e Alemanha. Eles não têm igrejas no sentido do Novo Testamento, pois ser sócio não se baseia em conversão ou novo nascimento, e não observam as ordenanças do batismo e da Ceia do Senhor.

O metodismo 

No século 18 prevaleciam a infidelidade e a indiferença no que concerne à religião e à moral na Inglaterra. Na alta classe social era moda ser imoral e sem religião, enquanto que as classes inferiores estavam mergulhadas na maior ignorância e pecado. O clero não era nada melhor, com raras exceções, a literatura era ateísta e impura, o alcoolismo era considerado coisa normal, a violência e o crime se viam por toda a parte. Havia uma forte corrente de religião e fé, mas estava escondida por causa do envolvimento da maioria em pecado e do ridículo que se fazia de tudo o que era bom. Os crentes eram poucos e careciam de reavivamento.

No entanto, no principado de Gales, no início desse século, com a ajuda de alguns amigos, um clérigo anglicano chamado Griffith Jones dedicou-se a enviar professores para montar escolas de alfabetização provisórias em várias localidades, para que a população pudesse ler suas Bíblias. Ao fim de vinte anos, quando ele faleceu, já havia três mil professores trabalhando e um terço da população de Gales havia sido alfabetizada.

Também durante esse tempo um jovem chamado Howel Harris pregava o Evangelho ao ar livre, nas casas ou em qualquer lugar disponível. Multidões se converteram, vidas se transformaram e se introduziram os cultos domésticos. Outros pregadores surgiram, tanto “clérigos” como “leigos”, eram perseguidos pelas autoridades civis e religiosas, mas ouvidos por congregações de centenas e até milhares de pessoas.

Em 1729 juntou-se um grupo de estudantes na universidade de Oxford com o fim de encontrarem um meio de salvar as suas almas e viver para a glória de Deus. Eram ridicularizados pelos seus colegas, pois seu modo de vida era completamente diferente ao deles: mantinham regras cuidadosas e ascéticas, visitavam os presos e doentes e ajudavam os pobres. Eles foram denominados pelos inimigos de “Clube Santo” ou “Clube Piedoso”, os “Entusiastas”, ou “Metodistas”. Entre seus fundadores se encontravam João e Carlos Wesley, logo mais tarde George Whitefield. Os irmãos Wesley foram ordenados como ministros da igreja anglicana, mas ainda procuravam a salvação da sua alma, quando foram para a Georgia (nos EUA) e no caminho encontraram irmãos moravianos que muito os impressionaram. De volta à Inglaterra, John Wesley novamente encontrou moravianos e eventualmente chegou à fé salvadora, junto com seu irmão.

Whitefield, por sua vez também se tornou um ministro anglicano, mas converteu-se através da leitura cuidadosa da Bíblia. Passou a pregar o Evangelho, mas como ia de casa em casa para expor as Escrituras, as igrejas não o convidavam para pregar em seus púlpitos. Foi então pregar nos campos, e multidões vinham para ouvi-lo. Chamou John Wesley para ajudá-lo. Em sua pregação, em um pequeno morro num campo, Wesley teve uma audiência de umas três mil pessoas. Por questão da doutrina da predestinação, pregada por Whitefield e rejeitada por Wesley, eles mais tarde se separaram. Wesley também se separou dos moravianos, que ele considerava um tanto místicos e quietos, enquanto ele era de natureza prática e agressiva.

Surgiram as “sociedades metodistas”, que se espalharam por toda a Inglaterra seguindo Wesley e o seu arminianismo, e por Gales seguindo Whitefield e o seu calvinismo. Ambos, no entanto, pregavam as mesmas verdades com seus estilos diferentes.

Wesley manteve o clericalismo, o ritualismo e o batismo infantil da seita anglicana em suas igrejas, que são as igrejas metodistas de hoje. Elas têm perdido o evangelismo que as caracterizava no início, e na Inglaterra estão quase vazias, existindo agora um movimento para se incorporarem à igreja anglicana, o que será o seu fim nesse país. Paralelamente, existe uma igreja metodista “wesleyana”, que, ao contrário das metodistas atuais, mantém que a Bíblia toda é a inerrante e verdadeira Palavra de Deus e se afasta do movimento de “união de igrejas” muito em moda agora. Contudo, mantém ainda o clericalismo e o institucionalismo.

 


 

As novas congregações 


O congregacionalismo 

Na Escócia, no fim do século 18, dois irmãos de uma família rica e bem relacionada, Robert e James Alexander Haldane, da igreja nacional da Escócia (Presbiteriana), se converteram e passaram a estudar diligentemente as Escrituras. James casou-se e começou a ter culto doméstico em casa, onde ensinava a família. Percebeu que isto era agradável e edificante para si próprio e foi assim que o Senhor o preparou para falar em público.

Embora sem ordenação de ministro, começou a pregar o Evangelho, com outros, em pequenas congregações quando o ministro não podia comparecer. Eles próprios escreviam folhetos para distribuição. Eventualmente tomavam emprestados edifícios de igrejas para ter as suas reuniões.

Reagindo, o Sínodo da Igreja da Escócia proibiu a pregação por pessoas não licenciadas por ela, e este foi acompanhado por outros sínodos. James Haldane e seus companheiros não deram ouvidos e defenderam o dever de todo o cristão de prevenir os pecadores para fugir da ira vindoura e apontar a Jesus como o caminho, a verdade e a vida. Eles enfatizavam a justificação pela fé na morte e ressurreição de Cristo, sem as obras.

Eles se separaram da igreja da Escócia, porque não podiam mais se unir com pessoas que manifestavam que nunca se haviam convertido, e só se reuniam com os que evidenciavam ser filhos de Deus. Formaram uma igreja em Edimburgo, que começou com 300 membros e cresceu depressa. Um dos seus primeiros atos foi reconhecer James Haldane como seu pastor. Robert Haldane providenciava grandes lugares de reunião, que chamavam de “tabernáculos”, não só em Edimburgo, mas em outros lugares onde as igrejas se reuniam.

Começaram a obedecer ao exemplo e ensinamento das Escrituras, celebrando a Ceia do Senhor todos os domingos, cessaram de passar “coleta” durante as reuniões de ordem geral, mas os membros contribuíam com o que podiam. Isto foi sendo introduzido aos poucos, na medida em que compreendiam melhor a vontade do Senhor conforme as Escrituras, assim como, se não houver intervenção humana o Espírito Santo irá prover uma variedade de ministros e ministérios, o que eles tiveram a grande alegria de verificar que acontecia.

Eventualmente James se convenceu que o batismo infantil não tinha base bíblica, e outros com ele. Nem todos concordaram, e assim houve uma separação amigável em que algumas congregações mantiveram o batismo infantil, outras batizavam por imersão os que se convertiam, enquanto outras praticavam as duas coisas; alguns membros saíram, voltando para a igreja da Escócia e outras denominações.

Surgiram assim as igrejas congregacionais, que enfatizam o direito e responsabilidade de cada congregação organizada corretamente de governar a si mesma, sem ter que se submeter ao julgamento de uma autoridade humana superior, assim eliminando bispos e presbitérios. Nelas existe uma forte convicção sobre a soberania de Deus e o sacerdócio de todos os crentes. Cada igreja individual é autônoma e independente. Algumas adotaram o liberalismo teológico e social, e participam do movimento ecumênico.

No início eram chamadas apenas de igrejas independentes, e ainda o são onde se fala a língua galesa. Ultimamente elas têm se espalhado pelo mundo para formar igrejas unidas com outras denominações. Na Inglaterra elas se juntaram com as presbiterianas para formar “igrejas livres”.

A purificação nos Estados Unidos 

Em várias partes do mundo continuavam a existir e a surgir novas congregações de crentes que procuravam se ater apenas às Escrituras. No início do século 19 um irlandês do norte chamado Alexander Campbell, ministro da igreja presbiteriana, emigrou para a Filadélfia, nos Estados Unidos, onde se surpreendeu ao ver que havia separações nas igrejas presbiterianas ao ponto que umas não tinham qualquer comunhão com as outras. Ele foi censurado por ter recebido na Ceia do Senhor presbiterianos que não pertenciam ao círculo em que estava.


Por defender a sua posição com base nas Escrituras, ele foi tratado com hostilidade ao ponto de levá-lo a se afastar daquela igreja. Mas continuou o seu ministério à parte, e pessoas de várias denominações se reuniram à sua congregação, descontentes com a hostilidade que havia entre as várias igrejas. Ele pregava que a união era somente possível mediante uma volta aos ensinos da Bíblia, e que uma compreensão entre o que era fé e opinião levaria a uma tolerância que muito faria para eliminar as divisões.

Campbell fez que compreendessem que as lutas e dissensões dentro das igrejas vêm como resultado de teorias e sistemas religiosos fora das Escrituras, e para haver comunhão era necessário “falar quando as Escrituras falam; manter silêncio quando as Escrituras silenciam”.

Em conseqüência, aquela congregação formou uma Associação Cristã de Washington, e fez uma declaração de objetivos onde expressaram que, assim como ninguém pode ser julgado em lugar do seu irmão ou julgar em lugar do seu irmão, cada um deve julgar por si mesmo e dar contas de si mesmo a Deus. Cada um está sujeito à Palavra de Deus, mas não a alguma interpretação humana dela. Não era a intenção deles formar uma igreja, mas apenas conscientizar os membros da sua particular igreja desses princípios, para que houvesse uma reconciliação entre elas.

A igrejas independentes 

Mas foram recebidos com hostilidade por suas igrejas, e resolveram então reunir-se como igreja obedecendo estritamente o que o Novo Testamento ensinava, e nada mais. A igreja se formou em 1811 sem denominação qualquer, com trinta membros, dos quais nomearam um presbítero e alguns diáconos. Descobriram que a igreja primitiva tinha pluralidade de presbíteros, extinguiram a distinção entre “clero” e “leigos”, passaram a ter a Ceia do Senhor todos os domingos e a batizar só os crentes, por imersão (o próprio Alexander Campbell, sua esposa, seus pais e sua irmã foram batizados em 1812), e a igreja foi abençoada, crescendo e evangelizando e assim formando outras assembléias. O mesmo ocorreu na Rússia, onde foram um exemplo do que ocorria por todo o mundo, até apelidados de “nazarenos” e eram muito perseguidos pela igreja Ortodoxa lá reinante.

Surgiu espontaneamente na Inglaterra em 1827 um movimento paralelo semelhante. Um dos pioneiros foi um dentista em Plymouth chamado Antony Groves, um evangelista dedicado, formando-se uma igreja de porte naquela localidade. Os membros se chamavam de “irmãos” entre si, e espalharam o Evangelho por outras localidades. Como não queriam adotar uma denominação, vieram a ser conhecidos como “irmãos de Plymouth”, tanto eles, como os membros de muitas outras igrejas independentes como aquela.

O Evangelho em sua simplicidade passou a ser pregado dentro de salões (geralmente chamados “Salões do Evangelho”) e ao ar livre, formando-se igrejas baseadas apenas e inteiramente no ensino bíblico, sem clericalismo ou rituais, mas obedecendo às ordenanças do batismo (por imersão) e Ceia do Senhor. As igrejas se multiplicaram, mantendo sua independência entre si, e enviaram missionários para todo o mundo para pregar o Evangelho de Cristo, sem tomarem para si qualquer denominação.

Os darbistas, também chamados de "Irmãos Exclusivistas" 

Na Irlanda um ministro anglicano, de grande erudição, chamado John Nelson Darby participou da formação de uma destas igrejas. Ele fez uma tradução da Bíblia a partir dos textos originais ainda hoje considerada excelente, e desenvolveu um grande ministério de evangelização e ensino.

Mas Darby não abandonou o batismo infantil, prática da igreja anglicana, e manteve um ponto de vista sobre o governo da igreja semelhante ao episcopal, ou mesmo o catolicismo, em que as igrejas locais devem se submeter a uma direção centralizadora (no caso, ele próprio). Teve outras teorias sobre a igreja primitiva que o separavam do entendimento comum da maioria das igrejas neo-testamentárias.

Eventualmente ele cortou a comunhão com as igrejas que não admitiam as suas idéias, e tornou-se o titular das igrejas que o seguiam, introduzindo nelas uma disciplina severa e proibindo a comunhão com qualquer outra igreja, denominacional ou independente.

Suas igrejas portanto ficaram sendo conhecidas como igrejas dos “irmãos exclusivos” ou darbistas. Vemos como Darby partiu em direção oposta à de Campbell: este reuniu membros de várias igrejas ao voltar-se para o ensino do Novo Testamento, enquanto Darby dividiu igrejas com seu ensino e tirania. Esse exclusivismo resultou também em mais divisões internas dessas igrejas que o acompanhavam, nas ilhas britânicas e nos EUA.

 


 

As  excêntricas


As seitas adventistas de sétimo dia 

Estas seitas tiveram início em meados do século 18 nos EUA com um pregador batista, William Miller, que se tornou obcecado com as profecias de Daniel e do Apocalipse e concluiu que Cristo voltaria entre março de 1843 e março de 1844, e vários pastores e acompanhantes reuniram-se a ele, tão convincentes pareciam os seus argumentos. Quando Cristo não veio, ele fixou outra data, 22 de outubro de 1844. Também nada aconteceu, e isso veio a ser conhecido como o “Grande Desapontamento” entre os adventistas.

Houve dispersão entre os que o seguiam, mas outros continuaram entre os quais Joseph Bates, James White, e sua esposa, Ellen Harmon White. Eram apelidados de “mileritas” naquele tempo. A Sra. White, mediante uma inspiração, explicou uma doutrina básica em que se firmam até hoje:
■Quando Cristo ascendeu ao céu ele teria passado a ministrar no santuário do templo celeste como os sacerdotes faziam no templo terrestre. Durante dezoito séculos Ele teria feito isso no primeiro apartamento desse santuário.
■O sangue de Cristo teria assegurado o perdão e aceitação pelo Pai dos crentes arrependidos, mas os seus pecados teriam permanecido nos registros. Seria necessário, continua ela, que houvesse um trabalho de expiação para remover o pecado do santuário.
■Isto teria acontecido após 2.300 dias, em 1844, quando Cristo teria entrado no Santo dos Santos celeste para completar a última divisão do Seu trabalho de purificação do santuário (o engano de Miller teria sido confundir isso com a volta de Cristo para a terra). Assim, os pecados dos que se arrependem seriam colocados em Cristo, que os deposita no santuário.
■Posteriormente, antes de serem transferidos para o Santo dos Santos, e serem apagados completamente, seria feita uma investigação nos registros para determinar quem tem direito à expiação, mediante o arrependimento e a fé em Cristo (veja Levítico 17:11; João 3:18; Romanos 3:24; 8:1; Hebreus 9:22; 1 Pedro 1:19).
■Depois disto Cristo viria para começar o seu reino de mil anos, o que estava iminente.
■A Sra. Miller disse que foi informada em outra visão que, se guardassem o sábado ao invés do domingo, a vinda de Cristo seria acelerada.

Os “mileritas” fundaram uma instituição com o nome de Adventistas do Sétimo Dia, em 1863, e criam que a Sra. White tinha o dom de profecia; ela viajou pela América, Europa, e Austrália, deu conferências e escreveu livros em abundância.

Inventaram muitas outras heresias, incluindo:
■Que Satanás carregará os pecados dos penitentes quando for banido da presença de Deus.
■Que o Senhor Jesus, ao nascer, herdou uma natureza humana pecaminosa.
■Que ao morrer fisicamente, a alma e o espírito das pessoas ficam inconscientes, pois não podem “funcionar” sem o corpo.
■Que tanto os pecadores impenitentes como Satanás e seus anjos rebeldes, demônios, etc., estão destinados apenas à aniquilação, que consiste em reduzir a nada, deixando de existir.

No entanto, houve divisões e surgiram outras instituições a partir do “Grande Desapontamento” como resultado direto ou indireto da profecia de William Miller. Entre elas estão os Adventistas Evangélicos (1845), União de Vida e Advento (1862), Igreja de Deus (1866), Conferência Geral da Igreja de Deus (1888), e a Igreja Cristã do Advento. Estes rejeitam os ensinos da Sra. White, bem como os ensinos sobre a observância do sábado e leis sobre dieta. Seu regime é congregacional e coordenam seu trabalho através da Conferência Geral Cristã do Advento da América. Em 1964 fez-se a união entre a Igreja Cristã do Advento e a União de Vida e Advento.

Os russelitas (que gostam de se chamar “testemunhas de Jeová”)

Os que se chamam “testemunhas de Jeová” se baseiam em teorias humanas iniciadas pelo seu fundador, o americano Charles Taze Russel, que publicou sete livros antes de sua morte em 1916. Logo após, houve uma divisão e o grupo maior seguiu a direção de J.F.Rutherford.

O nome atual desta seita foi primeiro assumido por ela em Columbus, Ohio, em 1931. Em 1981 a Sociedade Torre de Vigia, fundada em 1896 e que é o foco da organização, tinha filiais em mais de 100 países e desenvolvia sua propaganda em mais de 250. Sua literatura era distribuída em 110 línguas e se tornou em uma grande disseminadora de propaganda e um desafio ao zelo de todo cristão. Usando de uma interpretação distorcida de certos trechos bíblicos para acomodá-los às suas teorias, eles “proselitisam” mediante visitas de porta em porta, aproveitando-se da confusão que causam aos que estão menos firmes em sua fé.

Eles procuram não se identificar como promotores da seita enquanto não tiverem sua vítima “segura”. Um importante membro da seita que a deixou depois de perceber sua falsidade (W.J.Schnell - Thirty Years a Watchtower Slave) declara: “a liderança da Torre de Vigia percebeu que dentro da cristandade havia milhões de cristãos professos que não estavam firmemente alicerçados nas verdades entregues aos santos e que seriam com facilidade extraídos das igrejas e levados a uma organização da Torre de Vigia nova e revitalizada. A Sociedade calculou, corretamente, que esta falta de conhecimento adequado de Deus e a ampla aceitação de meias-verdades no cristianismo iriam ceder grandes massas de homens e mulheres, se o assunto todo fosse atacado de uma maneira sábia, o ataque mantido, e os resultados contidos, e depois usados novamente em um círculo sempre crescente”.

Embora eles não tenham chegado ao ponto de introduzir acréscimos à Bíblia, sua doutrina exige que se façam distorções do significado do texto bíblico, mais ou menos sutis. Para acomodá-la às suas teorias, eles produziram sua própria tradução da Bíblia (2 Coríntios 4:2; 2 Pedro 3:16). A correção desta tradução é negada veementemente por filólogos conhecedores dos textos originais em hebraico e grego.

Suas heresias são muitas, incluindo a negação da divindade de Cristo, a negação da pessoa do Espírito Santo, a afirmação da inexistência do inferno, a negação da punição eterna e a extinção do diabo.

Eles ensinam que o ser humano, como os animais e as plantas, desaparece ao morrer. Embora criados à semelhança de Deus, todos os seres humanos nascem como pecadores e são da terra (Gênesis 35:8; Eclesiastes 12:7; Mateus 10:28, 26:24, Lucas 9:60, 16:23, Efésios 2:1). Aqueles que seguem a Cristo fielmente até a morte herdarão um reino celeste com Ele, e as pessoas de boa vontade que aceitam Jeová e se submetem à sua autoridade autocrática vão gozar de uma nova terra. Estas duas categorias voltarão à consciência na ressurreição final, e o intervalo entre a morte e a ressurreição eles chamam de “sono da alma”.

Distorcendo as Escrituras, eles dizem que Jesus Cristo já voltou ao mundo em espírito, invisível e desconhecido por todos, salvo os fiéis, no ano 1914, quando Ele expeliu Satanás do céu, está agora desmantelando a organização de Satanás e estabelecendo Seu reino milenar teocrático com sede no Brooklyn, em Nova Iorque. Eles se chamam de “testemunhas de Jeová” porque pensam que são os 144.000 selados por Deus conforme o Apocalipse! (Mateus 24:30; 26:64; Lucas 21:27; Atos 1:11; Judas 14,15; Apocalipse 1:7).

Testemunho de um ex-"testemunha de Jeová"

O irmão David Heringer Furtado, que se reúne na igreja em Vila Camargo, em Curitiba (PR), nos envia o testemunho deste irmão, remetido à Congregação Oficinas da Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, que se converteu naquela igreja local e era um "Testemunha de Jeová". ...

"Por livre e espontânea vontade, demonstro através desta, o meu desejo de não mais pertencer a essa denominação religiosa. Muito tenho a agradecer por todo companheirismo e preocupação que me foram dispensados nestes últimos 23 anos. Espero que não haja mágoas por esta minha decisão.

Com relação aos motivos que me levaram a tomar esta atitude, gostaria de dizer o que a Bíblia nos diz em João 8:32 ... "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Foi esse o texto que fez mudar a minha maneira de pensar. A Palavra de Deus é bem clara quando fala que a salvação não acontece pelas obras, visto que são imerecidas. A salvação é uma graça de Deus e não pelo fato de se ter um relatório repleto de atividades, ou por não se perder as reuniões, que se garantirá a salvação. Isto não quer dizer que a pregação não é necessária, ao contrário, só que ninguém precisa saber quantas faço no mês.

Ouvia nas reuniões que os fariseus no passado estavam errados por acrescentar fardos à lei mosaica. Será que as TJ's não fazem o mesmo quando proíbem aniversários, Natal, Páscoa etc? Qual é realmente a base bíblica para isso?

Outra coisa, por que não podemos ler nada além das publicações da Torre de Vigia? Eu ensinava nos meus discursos que tínhamos de fazer pesquisas e que não podíamos aceitar o que os homens falavam. Bem, desde criança, é só isso que faço, aceito o que já vem mastigado, porque o "Estudo Perspicaz", a "Ajuda", o "Conhecimento", "A Sentinela", o "Despertai", foram feitos pelas mesmas pessoas? Eu pesquisava muito, mas só em publicações feitas pela Associação.

Outra pergunta à qual não encontrei resposta: "Por que só os TJ's são ungidos"? Será que não existe mais nenhuma pessoa boa no mundo inteiro que acredite em Deus? Estranho, né?

Estranho também o fato de que só quem lê a Bíblia através da "Sentinela" pode entendê-la e só quem utiliza a tradução do novo mundo está certo. Não é muito conveniente criar uma tradução da Bíblia que apóie as doutrinas da minha religião?

E o que dizer das 148 vezes que as TJ's mudaram as suas crenças? Acham que estou exagerando? Então pesquisem, porque nem eu sabia disso.

Eu, às vezes, não consigo acreditar que passei 23 anos da minha vida pensando que somente quem pertence a Associação Torre de Vigia será salvo, e o pior é que eu conhecia de cor o texto de João 14:16 ... "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim". Onde entra a Associação nesse contexto?

João 4:8 fala que "aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor". Hoje não consigo mais identificar onde está o amor na Associação. Fiquei cerca de cinco meses sem ir ao salão, não pedi o meu cartão, e nem um telefonema eu recebi. Minha mãe está do mesmo jeito e só agora ela recebeu uma visita, depois de vários anos.

Enfim, deixando as reclamações de lado, espero do fundo do meu coração, e oro a Deus, para que vocês todos possam experimentar um dia da liberdade e da paz de espírito em que me encontro hoje, e que possam encontrar a salvação através de Cristo Jesus. Leiam a Bíblia e deixem que, não os homens, mas o Espírito de Deus os guie à verdadeira paz e segurança, que aqueles que alcançaram a verdadeira salvação podem obter. "

Vanderlei Augusto Gonçalves Gonzaga, Curitiba (PR), 20/02/2006.

As carismáticas 

O movimento carismático teve início no século 20 nos EUA, e surgiu das chamadas igrejas “de santidade” batistas e metodistas do fim do século 19. Estas se baseavam na crença de que havia uma segunda obra “da graça” que santificava o crente e lhe tirava o desejo de pecar.

O passo seguinte foi argumentar que todo crente deve procurar, depois da sua conversão, uma nova experiência que chamam de “batismo do Espírito Santo” após o qual ele será dotado com dons sobrenaturais como os do início da igreja, no dia de Pentecostes.

Tiveram pouco sucesso no início, quando a evidência do batismo que apresentavam se limitava à “glossolalia”, que é falar de forma não inteligível o que dizem ser as “línguas estranhas” mencionadas na Bíblia, mas as igrejas começaram a se encher quando a notícia correu que também faziam milagres - “curas divinas” - e havia profetas também.

Os pentecostais mais “tradicionais” têm a seu favor o fato de pregarem a necessidade de conversão, exigem a observação de um bom padrão de comportamento e aceitam a autoridade da Bíblia. Desde o início não têm tido uma organização dentro de uma só instituição, mas várias foram fundadas e se multiplicaram na medida em que havia separações e novas eram fundadas.

O movimento carismático atraiu muitos incrédulos, e também um segmento mais pobre das igrejas “protestantes” tradicionais onde predominava uma classe média-alta, fria e sem muita vida. As igrejas pentecostais contrastavam com elas por causa da sua vivacidade, bandas de música, acontecimentos ditos sobrenaturais, prometiam satisfazer os seus desejos espirituais e suas necessidades emocionais, psicológicas e físicas. Também tiveram simpatizantes católicos, fazendo com que as suas instituições formassem a sua própria ala carismática para retê-los.

Nos Estados Unidos seu sucesso foi grande, havendo ainda hoje pregadores de destaque que aparecem constantemente em espetáculos de televisão disseminando as suas doutrinas, insistindo que a propiciação feita por Cristo inclui as doenças físicas e dando notícias de “curas divinas” sensacionais.

No Brasil o sucesso não tem sido menor, tendo mais recentemente propagado junto com a cura divina o exorcismo de demônios. Grandes instituições surgiram, como a IURD, que têm arrecadado fortunas por ainda acrescentar a doutrina chamada “evangelho da prosperidade”, segundo a qual Deus sendo tão poderoso e rico não deseja que seus filhos sejam pobres, mas que participem da riqueza do mundo e quanto mais contribuírem para a instituição maior será a recompensa que se receberá aqui no mundo.

Sem dúvida os malandros e espertalhões viram uma grande oportunidade para ludibriar as multidões e encher seus próprios bolsos à custa da sua crendice, e assim as seitas carismáticas se multiplicam dia-a-dia.

Os carismáticos têm contaminado com as suas doutrinas várias igrejas de outras seitas, causando muito conflito e divisões entre elas. Algumas igrejas independentes neo-testamentárias têm também sofrido com a influência deles sobre os seus membros.

 

 


As periféricas 

Vimos como pouco depois do seu início, as igrejas de Deus foram prejudicadas com a doutrina dos nicolaítas, o clericalismo, que desenvolveu um ritualismo destruidor da livre compreensão e obediência às Escrituras. Com a Reforma Protestante as igrejas em grande parte se livraram do ritualismo, mas o clericalismo ficou nas maiores instituições.

Enquanto anteriormente as Escrituras haviam sido escondidas, elas agora estavam disponíveis, traduzidas no idioma do povo, a baixo preço para o alcance de todos. O inimigo, portanto, esforçou-se para desacreditá-las.

 Racionalismo moderno

No século 19 surgiu o racionalismo. O racionalismo põe de lado a revelação divina das Escrituras, assume que a mente humana, a Razão, é suficiente para que o homem encontre a verdade e consiga maior bem. O avanço científico sem precedentes deu uma melhor compreensão do trabalho de Deus na criação, mas também fez com que alguns desejassem explicar a criação sem levar em conta a presença de Deus.om isso foi necessário provar que o relato sobre a criação dado no livro de Gênesis não veio de inspiração divina, mas da ignorância de homens que, por terem vivido muito antes dos nossos tempos, saberiam muito menos do que nós. À medida que se faziam novas descobertas, novas teorias surgiam sobre como teria sido a criação, culminando com a publicação “A Origem das Espécies” de Charles Darwin em 1859.

Os que vieram a crer na teoria de evolução (que tem sido mudada incontáveis vezes depois de Darwin) abandonaram a fé na Bíblia como livro inspirado palavra-por-palavra por Deus no original. A Bíblia começa pela criação do mundo em seis dias, do homem e do seu pecado original. Se isso não for um fato real, deixa de haver necessidade da sua redenção. Para esses, portanto, o Evangelho não tem sentido, nem o novo nascimento.

Uma ala dos racionalistas entende que não há revelação inspirada, não há um Criador, nem um Filho de Deus que se fez homem por amor de pecadores para que, pela Sua morte e ressurreição, pudesse abrir o caminho de volta a Deus.

Concomitantemente, foi feito outro ataque à Bíblia mediante a crítica do seu texto. Não se pode negar que é de interesse para todos nós o estudo dos novos textos antigos que vieram à tona durante o século 19, a descoberta das circunstâncias históricas e geográficas em que os vários livros da Bíblia foram escritos, bem como o exame do seu conteúdo literário, com isto aprendendo mais sobre a sua origem.

Mas os racionalistas têm feito um exame frio das Escrituras, considerando apenas os seus autores humanos, sem levar em conta o seu Autor divino, e disto surgiram várias teorias estranhas, por exemplo: a existência de autores diferentes de porções bíblicas em cada livro, o obscurecimento da personalidade de Moisés, a rejeição de milagres alegando que surgiram de mau entendimento, a negação da existência de Abraão e outros vultos do Velho Testamento alegando que eram personalidades mitológicas, etc.

Essas teorias levaram muitos a duvidar do texto bíblico, e a adaptar a sua doutrina, reduzindo Jesus Cristo a um bom homem que foi mal entendido, mas um exemplo para ser seguido. Prometem que seus ensinos nos tornarão em melhores pessoas, elevarão a moral e poderão trazer paz universal, prosperidade e espírito de irmandade. A esperança da volta do Senhor para governar o mundo não é deles, pois não crêem na Pessoa que veio.

Em retrospecto, vemos agora que:
■O ritualismo acrescentou tradição ao conteúdo bíblico, deu à tradição mais importância e depois escondeu a Bíblia para que ficasse apenas a tradição
■O racionalismo procurou invalidar a Bíblia:
■aceitando a teoria da evolução das espécies, portanto negando o pecado original por Adão e pondo em dúvida até mesmo a existência de Deus
■negando a inspiração divina do texto das Escrituras, pondo em dúvida os escritores e relegando a fábulas grande parte do seu conteúdo. Efetivamente tirou porções da Bíblia, minando e destruindo a sua credibilidade.

Tanto o ritualismo como o racionalismo permeiam os seminários e as mentes dos teólogos e ministros das maiores instituições humanas que ainda se chamam cristãs, e impedem os pecadores de encontrarem o Salvador.

A alta crítica trouxe divisões dentro das igrejas anglicanas, presbiterianas, metodistas e outras. As igrejas que permaneceram crentes na inspiração bíblica e obedientes ao seu texto passaram a ser conhecidas como “evangélicas” no século passado, embora continuando com a mesma denominação original.

Os mórmons

Esta não é uma seita cristã, embora adotem o nome de “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

Começou no século 19, nos EUA, com um homem chamado Joseph Smith, analfabeto e de má reputação. Ele não só era um mentiroso destituído de consciência, mas também usava de um linguajar sórdido e se comportava com uma indecência indescritível. Fugindo dos agentes da lei que o procuravam por causa das suas fraudes, ele se instalou fora do alcance deles no estado de Illinois, e ali tomou para si diversas “esposas”. Sendo já fundador e líder da sua “igreja”, ele justificou sua atuação mediante uma “revelação” conveniente, nauseante em seu conteúdo.

Joseph Smith fundou a “igreja” de Mórmon, declarando-se vidente, tradutor, profeta, apóstolo de Jesus Cristo, e ancião da Igreja. Seu fim foi trágico: uma vez, com seu cúmplice chamado Rigdon (um charlatão que começou como pastor batista) teve que fugir da polícia por ter obtido dinheiro fraudulentamente emitindo ações de um banco inexistente. Após mais logros o principal dos seus acompanhantes ameaçou denunciá-lo, o que deu início a uma briga resultando em seu aprisionamento. A multidão, enfurecida, invadiu a prisão e o matou. Infelizmente isso deu aos seus acompanhantes a oportunidade de declarar que ele fora martirizado!

Quando Joseph Smith morreu, Brigham Young, que se denominava “o maior dos doze apóstolos” excomungou seu comparsa Rigdon, e fugiu com os membros da “igreja” em 1847 para o estado de Utah (naquele tempo pertencente ao México) para escapar das leis dos Estados Unidos, contrárias à poligamia e outras práticas. Eles se estabeleceram em Salt Lake City, e Brigham Young morreu em 1877 deixando uma fortuna imensa, 17 esposas e 56 filhos e filhas. Quando Utah passou a pertencer aos Estados Unidos, eles tiveram que se submeter às suas leis, mas a poligamia ainda faz parte de suas doutrinas, e muitos a praticam às escondidas nos países onde as leis não a permitem.

Os mórmons baseiam toda a sua doutrina no que chamam de Livro Sagrado de Mórmon, e no seu Livro das Doutrinas e Alianças.
■O Livro de Mórmon foi ditado, segundo dizem, por detrás de uma cortina, por Joseph Smith primeiramente a Martin Harris e depois a Oliver Cowdery, todos norte-americanos. Joseph Smith alegou que um anjo mostrou-lhe onde estavam enterradas umas tabuinhas de ouro escritas em língua desconhecida, e lhe deu dois cristais chamados Urim e Tumim, mediante os quais ele podia ler em inglês o conteúdo das tabuinhas, e isto foi o que ele ditou. Terminado o ditado, disse ele, as tabuinhas e os cristais foram levados pelo anjo, e assim ninguém mais os viu senão ele.
■O Livro das Doutrinas e Alianças contém, entre outras coisas, uma nova “revelação” que Joseph Smith disse ter recebido, justificando sua poligamia.
■As mais repugnantes “interpretações” são dadas aos fatos e doutrinas bíblicas. Por exemplo, ensinam que Deus é um homem exaltado, sempre melhorando, mas nunca perfeito, feito de carne e ossos como nós; Joseph Smith insistia que Deus o Pai viveu no mundo, assim como Jesus Cristo, e seu sucessor Brigham Young, ainda mais venerado que ele pela “igreja”, esclarece que Adão é Deus, o supremo Deus. E muito, muito mais desse gênero.

Eles dizem que todas as igrejas cristãs são anátema (invertendo o que a Palavra de Deus chama a doutrina deles) e se consideram a única igreja de Deus, à qual todas as nações devem se submeter. Segundo eles, todas as igrejas ensinam doutrina falsa e estão debaixo da maldição de Deus.

No mormonismo existem dois elementos que obrigam seus seguidores a não deixá-lo:
■Misticismo: cada Mórmon veste o que chamam de vestidura dotal, contendo algarismos e símbolos de coisas muito importantes para ele. Ele recebe esta vestidura depois de participar de cerimônias secretas em seu templo, e os mórmons não ousam divulgar os segredos que lhes são ensinados ali.
■Batismo pelos mortos: uma das suas muitas doutrinas falsas. Consiste no ensino que ninguém pode ser salvo se não for batizado por eles, e que as almas dos mortos podem ser “libertadas” mediante o batismo de uma pessoa viva em seu lugar! Muitas de suas doutrinas, inclusive esta, só é ensinada à medida que o novato vai progredindo em seu discipulado, durante o qual seus mentores o submetem a juramentos e obrigações religiosas e materiais das quais ele dificilmente poderá escapar. É uma autocracia religiosa por parte dos seus sacerdotes que comandam tanto a vida religiosa, como a vida secular, dos que a ela pertencem.

Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito. Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.” (Judas 17 a 21).

 


Conclusão 


As igrejas de Deus conforme o Novo Testamento 

O histórico das seitas nos mostra o cumprimento de várias profecias, a partir da parábola do grão de mostarda e da parábola do fermento.

A pureza do reino dos céus, representado pela igreja de Cristo visível no mundo, foi contaminada pelo pecado interno e invadida pelas doutrinas diabólicas de tal forma que, se o pecador descrente desejar encontrar a verdade e for procurá-la numa igreja que se chama cristã, ele se verá frustrado pelas denominações existentes e pela grande variedade de doutrinas e práticas que ali vai encontrar.

Como num supermercado, ele vê igrejas para todo o gosto. Mas poucas vão satisfazer a quem realmente procura saciar a sua sede espiritual, pois poucas apresentam a fonte da água viva, a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida que são exclusivamente o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Nenhuma igreja, por maior, melhor, mais espetacular que seja, pode tomar o Seu lugar.

Apenas os Seus discípulos compõem a Sua igreja, que é o seu corpo espiritual aqui na terra. Eles são os que O recebem como seu Senhor e Salvador pessoal e obedecem aos Seus mandamentos, e à doutrina dos Seus apóstolos, como encontramos na Bíblia. As suas congregações, separadas geograficamente, são as igrejas locais que se reúnem em Seu nome.

Essas igrejas locais não são seitas, pois não são um partido religioso, nem são resultado de uma divisão, ou da perversão de um ensino. Elas não seguem o ensino de um homem, mas aprendem e praticam apenas aquilo que nos é revelado por Deus mesmo através da Sua Palavra inspirada, a Bíblia, sem acréscimos ou distorções. Como concluiu Campbell, a comunhão se consegue em “falar quando as Escrituras falam, e silenciar quando as Escrituras silenciam”. Há um poder unificante na verdade, explícita nas Escrituras.

Os discípulos, membros da igreja, não se dividem em classes: são todos iguais, com diferentes qualidades e dons espirituais que usam para benefício do grupo. Não existe um homem ou grupo dominante. A igreja é um organismo em que cada membro tem uma tarefa a cumprir, reconhecida pelos outros. Os que são reconhecidos como idôneos para estar na sua direção servem aos demais nessa posição, contribuindo para o ensino com a sua experiência e exemplo e pastoreando o rebanho pelo qual se tornam responsáveis.

Em matérias onde as Escrituras não são claras, podem existir opiniões diferentes, ou mesmo divergentes. Isto não é motivo para haver divisão ou facções. É motivo para oração a fim de que haja esclarecimento pela ação do Espírito Santo, e também oportunidade para mostrar longanimidade, que é fruto do Espírito.

Igrejas assim têm existido desde as primeiras reunidas pelos apóstolos. Através da história, elas têm surgido pelo mundo como resultado do desejo de obedecer ao Senhor Jesus Cristo e os seus apóstolos apenas, rejeitando as doutrinas e costumes que são estranhas às dos apóstolos, formando-se grupos, alguns muito pequenos, cada um consistindo em uma igreja de Deus.

Lições

O breve relato sobre o aparecimento das seitas, que expusemos, nos dá as seguintes lições a fim de não nos desviarmos pelo mesmo caminho que elas seguiram:

1) Obedecer fielmente ao que a Bíblia ensina, e nada mais. Os judaizantes e os gnósticos foram uma grande ameaça às primeiras igrejas. Temos outras grandes ameaças vindas de fora, ou mesmo de dentro: as tradições, o racionalismo, o pentecostalismo, etc. É o fermento dos fariseus e dos saduceus, contra o qual nos preveniu nosso Mestre, e dá origem a seitas.

2) Não admitir a doutrina dos nicolaítas, odiada pelo Senhor Jesus. A nenhum membro da igreja deve ser permitido destacar-se dos demais a ponto de deitar normas e tomar controle sobre a congregação, o que faz dela uma seita. Lembremos de Diótrefes, um dos pioneiros dessa doutrina, que até recusou receber o apóstolo João (3 João 1:9). Foi assim que surgiu o clericalismo, que extinguiu a liberdade da direção do Espírito Santo na igreja.

3) Não tomar uma denominação para se distinguir das demais igrejas: isto faz dela uma seita. Na igreja de Corinto Paulo combateu severamente os partidos e as denominações que a eles estavam sendo dadas, esclarecendo que eram da carne. Todo crente em Cristo e as igrejas de Deus devem ter comunhão com outros crentes salvos pela sua fé em Cristo. Quem não o fizer estará desobedecendo ao Senhor Jesus que nos mandou amar uns aos outros. A rejeição de comunhão não é compatível com o amor. Uma observação: muitas congregações de santos através da história foram apelidados pelos de fora, e pelos seus inimigos, de nomes que eles próprios rejeitavam, pois queriam ser apenas reconhecidos como cristãos. Os nomes ficaram, pois a história foi quase sempre escrita pelos seus inimigos.

4) Não se reunir com outras igrejas debaixo de uma só administração central, o que seria abandonar o exemplo dado pelas primeiras igrejas apostólicas. De um ponto de vista humano parece dar mais força ao conjunto, mas faz com que cada igreja participante se enfraqueça mais: é confiar na carne e não no Espírito. As igrejas que isto fazem perdem a liberdade que tinham quando dependiam inteiramente da providência de Deus, e se tornam sujeitas à liderança de um poder humano central, com as suas fraquezas. A federação as separa das igrejas que não são participantes, formando-se uma seita, como era a dos catolicistas. Eventualmente forma-se uma instituição religiosa, com os vícios que acompanham tais organizações.

5) Não fazer alianças políticas, ou com associações e agremiações humanas. Como corpo espiritual de Cristo, a igreja não pode se aliar a qualquer órgão “secular”. Fatalmente lhe virão obrigações e ela não pode servir a dois senhores. A igreja que assume tais obrigações torna-se em uma seita. Foi uma das causas fundamentais da ruína da seita católica romana. Tornou-se poderosa no mundo, mas perdeu toda a sua santidade, tendo até que acomodar o paganismo e a idolatria para satisfazer o poder político.

6) Cuidar da saúde espiritual dos membros, para que um não “adoeça” contraindo um pecado que não quer abandonar e contamine os demais com ele. É o fermento de Herodes, contra o qual nos precaveu o Mestre e é também o ensino de Hebreus 12:15: a raiz de amargura é uma citação de Deuteronômio 29:18 e indica o desejo de pecar, que resulta no pecado. Quando alguém resolve fazer o que sabe ser errado, isso se torna como uma raiz que brota sem controle e produz resultados inesperados, tendo repercussões em toda a igreja. É preciso “cortar o mal pela raiz” antes que isso aconteça e a igreja se transforme em uma seita.

7) Finalmente, “seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Efésios 4:15,16). Uma igreja que, seguindo a verdade cresce em Cristo, sempre unida pelo amor do tipo daquele que Cristo mostrou por nós, tornar-se-á vigorosa e chegará à maturidade para o bem de seus membros, e para a salvação dos incrédulos mediante o seu testemunho.

“As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2 Coríntios 10:4-5 - NVI).

 

 

 

 

 

 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas -2: os primórdios

as origens das primeiras seitas que foram se formando, cujas influências foram combatidas severamente pelos apóstolos: os judaizantes, os gnósticos, a carnalidade e o clericalismo.

Nas epístolas do Novo Testamento vamos encontrar as origens das primeiras seitas que foram se formando, cujas influências foram combatidas severamente pelos apóstolos.

OS “PÁSSAROS”

1. Os judaizantes
 As primeiras igrejas foram formadas por judeus e seus prosélitos, elas se reuniam inicialmente no templo de Jerusalém e nas sinagogas. As sinagogas eram, e ainda são, edifícios próprios para a leitura das Escrituras (a Lei e os Profetas), o ensino dos seus preceitos e a oração. A sua origem é muito antiga, pelo menos desde os tempos do cativeiro, quando são citadas no Salmo 74:4,8.

Quando o Evangelho se espalhou pelo mundo conhecido naquele tempo, principalmente com o apostolado de Paulo, lemos no livro de Atos que era primeiro pregado nas sinagogas existentes nas cidades, porque ali as Escrituras eram ensinadas tanto a judeus quanto a prosélitos: a chegada do Messias de Israel, e a mensagem da salvação pela fé nEle, deveria ser logo compreendida.

Os que eram convertidos a Cristo passaram a ser vistos por judeus e gentios como uma seita judaica, a dos nazarenos, e foram sendo expulsos do templo e das sinagogas. Os judeus que rejeitavam a Cristo, ciosos da sua religião tradicional, atacavam os cristãos física e moralmente.

Os judeus cristãos se encontravam diante de um dilema, pois eram pressionados a manter a tradição judaica para satisfazer os seus compatriotas, mas ela não tinha mais razão de ser no Novo Testamento. Essa pressão era tal que muitos vacilaram, e mesmo o apóstolo Pedro mostrou-se um tanto dúbio, sendo por causa disso certa vez repreendido em público pelo apóstolo Paulo (Gálatas 2:14).

Surgiram assim os “judaizantes”, a primeira seita que ameaçou a fé cristã. Professavam ser crentes em Cristo, convertidos ao Evangelho, mas pregavam que os cristãos estavam ainda obrigados a cumprir com o cerimonial judaico, guardando os sábados, dias de festa, mantendo a circuncisão, abstendo-se de alimentos, etc. A fé cristã estava sendo ameaçada de se confinar dentro dos limites de uma seita judaica e de, assim, perder o seu poder e liberdade de trazer o conhecimento da salvação de Deus ao mundo inteiro.

O Senhor Jesus já havia ensinado que o Novo Testamento substituía o Velho, e que não era possível misturá-los: “Ninguém deita remendo de pano novo em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam” (Mateus 9:16-17). O remendo de pano novo em veste velha é como misturar a “lei” e a “graça”: quando a veste velha é lavada, o remendo novo vai encolher e rasgar a veste que já passou pelo processo de encolhimento. Ela vai ficar mais imprestável do que antes. Assim também a colocação de vinho novo em odres velhos provoca o rompimento dos odres por causa da fermentação do vinho novo. Os odres velhos não têm mais elasticidade. A vida e a liberdade do Evangelho arruínam os preceitos e rituais fixos da lei de Moisés.

A utilidade do Velho Testamento, com a lei de Moisés, estava no fim, e o Senhor Jesus não veio para lhe dar continuidade mediante alguns remendos, pois estes só podiam piorar a sua situação. O Velho Testamento não podia conter o Evangelho da salvação unicamente mediante a fé na obra redentora de Cristo.

O Senhor Jesus veio para introduzir uma veste totalmente nova, um vinho completamente novo, para substituir de uma só vez o que existia naquela época. O apóstolo João resume assim: “a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”.

Os ensinadores da seita dos judaizantes foram severamente censurados pelo apóstolo Paulo na epístola aos Gálatas, e chamados de “falsos irmãos” porque “se tinham entremetido e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão” (Gálatas 2:4). A epístola aos Hebreus mostra que o sacerdócio mosaico e o ritual dos sacrifícios da lei eram apenas figuras da realidade que se vê em Cristo e, portanto, foram totalmente superados por Ele.

2. Os gnósticos
 Ao se espalhar pelos países de cultura grega, o Evangelho encontrou outro inimigo que adentrou pelas suas fileiras: a filosofia grega.

A filosofia (procura da verdade) grega, procurando definir a divindade, explicar a natureza e fornecer orientação para a conduta humana, fazia uso de todas as religiões do mundo conhecido para compor a gnose ou “conhecimento”. Surgia um sistema filosófico atrás de outro, e eram discutidos calorosamente. Os sistemas, em sua maioria, juntavam alguns princípios judeus e pagãos, mais tarde também cristãos, com material de várias origens.

Organizavam-se escolas onde o ensinamento era transmitido, interpretado e mantido em segredo, o que chamavam de “mistério”. Freqüentemente ensinavam a existência de dois deuses ou princípios, a Luz e a Escuridão, um Bom e o outro Mau. O que era material seria produto do poder das trevas e estava debaixo do seu controle; o que era espiritual era atribuído ao deus superior, o da Luz.

Havia muito desacordo entre os grupos com respeito à importância de rituais, alguns praticando eucaristias pseudo-cristãs e batismos, e outros rejeitando todos os aspectos de adoração convencional, oração, jejum e esmolas. Suas noções sobre ética variavam muito. Essas especulações e filosofias contribuíram para a existência de muitas heresias que, desde logo, invadiram igrejas cristãs e foram combatidas nas epístolas de Paulo e João, quando falam dos “falsos mestres”.

É de se notar que na epístola aos Colossenses, capítulo 2, os primeiros 15 versículos ensinam que Cristo é a resposta à filosofia, e o restante do capítulo que Ele é a resposta ao legalismo. Os gnósticos e os judaizantes são as primeiras seitas que ameaçaram o cristianismo com as suas heresias, e veremos que ambas persistem, em várias formas, até hoje.

O “FERMENTO”

3. A carnalidade
Além dessas seitas vindas de fora, que seriam os primeiros pássaros da parábola do grão de mostarda, encontramos um início de seitas dentro da igreja de Corinto, o fermento que a mulher da parábola coloca em três medidas de farinha: houve contendas entre os membros, levando à formação de grupos, cada um dos quais dizia ser de determinado mestre da igreja - Paulo, Cefas, Apolo e … Cristo!

O acontecimento mereceu uma severa exortação de Paulo: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10). Mais adiante ele volta ao assunto e declara que por haver inveja, contendas e dissensões na igreja, eles mostravam que ainda eram carnais, “meninos em Cristo”, incapazes de receber alimento espiritual. Eles não compreendiam ainda que os seus mestres eram apenas instrumentos na mão de Deus para a igreja. A igreja não pode ser dividida assim, pois é Deus quem dá o crescimento a ela, sendo ela a Sua lavoura e Seu edifício (1 Coríntios 3:3-7).

4. O clericalismo
Os gnósticos chegaram ao auge no século 2 d.C, e, em seu combate, muitas igrejas se refugiaram no poder e controle episcopal, junto com o clericalismo que veio modificar e prejudicar seriamente o caráter das igrejas. O clericalismo surgiu já no fim do primeiro século da era cristã. É mencionado em duas cartas às igrejas do Apocalipse, a de Éfeso e a de Pérgamo, sob o nome de “práticas dos nicolaítas” e “ensinos dos nicolaítas”, práticas estas odiadas pelo Senhor Jesus (Apocalipse 2:6). Na língua grega, em que as cartas foram originalmente escritas, nicolaítas são aqueles que “conquistam, para dominar o povo”. Segundo os historiadores, já havia naquele tempo uma tentativa para estabelecer uma ordem religiosa de homens que se colocariam em posição de domínio sobre as igrejas, uma espécie de ordem sacerdotal, mais ou menos segundo o modelo judaico. Eles encontraram resistência em Éfeso, mas tiveram sucesso em Pérgamo. A atitude deles era como a de Diótrefes (3 João 9-11).

Os falsos mestres proliferavam, confundindo as igrejas, especialmente com a filosofia grega dos gnósticos, e os princípios da religião judaica. Foram combatidos pelos apóstolos e as suas epístolas, como as temos, eram copiadas e circuladas pelas igrejas. Segundo nos contam os historiadores, Pedro foi executado no ano 65 e Paulo poucos anos depois, sendo Jerusalém destruída, e tudo que ali havia, pelos romanos no ano 70. João concluiu as Escrituras do Velho e Novo Testamento com o seu Evangelho, suas epístolas e o Apocalipse perto do fim do século.

No entanto, eram abundantes os outros escritos que circulavam, notadamente inferiores em seu conteúdo ao que Deus inspirou e que encontramos na Bíblia. Um dos primeiros, e ainda conservados, foi escrito por Clemente, um presbítero de Roma, à igreja em Corinto, ainda durante a vida do apóstolo João. São citadas muitas passagens do Velho Testamento, bem como do Novo, comprovando como as Escrituras estavam sendo circuladas. Mas, em sua carta, já se nota uma distinção feita na igreja dele em Roma entre o clero e os leigos, tirada das ordenanças do Velho Testamento.

Até aproximadamente o ano 170 d.C. as igrejas haviam sido fundadas em sua maior parte pelos apóstolos, principalmente Paulo e Pedro; até 96 a.D. os cristãos eram ainda legalmente considerados uma seita do judaísmo (Atos 24:14), religião tolerada pela lei romana. As igrejas rejeitavam os falsos apóstolos que se apresentavam com novas doutrinas, bem como, em grande parte, o clericalismo incipiente. No entanto, o amor original foi se esfriando e a noção da irmandade entre os crentes, como numa família, foi sendo aos poucos olvidada; a conformidade com o mundo e a sua maneira de vida aumentou, os nicolaítas tiveram sucesso em alguns lugares e uma organização de igrejas chamando-se católicas (universais) começou a se desenvolver.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas - 3: as instituições

A partir de 170 d.C. até 312 d.C. houve uma grande perseguição aos cristãos, considerada uma religião ilegal a partir de 96 a.D., culminando com a mais feroz de todas, com duração de dez anos, promovida pelo imperador Deoclécio. Estas perseguições, como acontecem geralmente, tiveram o efeito de puri

SURGEM AS INSTITUIÇÕES


O CATOLICISMO

A partir de 170 d.C. até 312 d.C. houve uma grande perseguição aos cristãos, considerada uma religião ilegal a partir de 96 a.D., culminando com a mais feroz de todas, com duração de dez anos, promovida pelo imperador Deoclécio. Estas perseguições, como acontecem geralmente, tiveram o efeito de purificar as igrejas, afastando delas aqueles que não tinham um comprometimento sincero com Cristo, e algumas igrejas que haviam aderido ao movimento nicolaíta se afastaram dele. Assim a maioria das igrejas, que se mantinham ainda mais ou menos fiéis às doutrinas e práticas primitivas dos apóstolos, aos poucos se acharam isoladas daquelas, em número crescente, que aderiam ao movimento catolicista, que as dominava e nelas introduzia heresias e práticas pagãs. Este movimento catolicista, portanto, era uma seita poderosa e maléfica dentro do cristianismo.

Em 312 d.C. o imperador romano Constantino legalizou a fé cristã e a adotou como religião oficial, fazendo-se seu "pontífice" ou sumo sacerdote, posição que ocupava na religião pagã de onde saiu. Antes disto, as igrejas eram autônomas, mas em sua maioria tinham sido persuadidas a se tornarem "católicas", unindo-se em grupos debaixo da supervisão de um bispo "metropolitano", que se aliava ao líder político local, geralmente um rei ou príncipe. O bispo metropolitano se comunicava com os outros bispos "católicos", e tomava parte em concílios das igrejas para tomar decisões de ordem religiosa e administrativa. Os bispos de Alexandria, Antióquia, Constantinopla, Jerusalém e Roma eram considerados os mais importantes. Constantino submeteu esses bispos à sua própria autoridade.

A INSTITUIÇÃO CATÓLICO-ROMANA

A igreja em Roma e nas outras cidades sob a jurisdição do bispo metropolitano de Roma sofreu a maior influência de Constantino, dando origem à instituição católico-romana, a maior seita de todos os séculos, e que permanece até hoje. O "batismo" infantil, que havia aparecido e fora combatido até poucos anos antes se tornou a porta de entrada para esse novo sistema político-religioso, e a fé pessoal perdeu sua importância; sacerdotes pagãos foram "convertidos" e se tornaram "cristãos" bem como seus templos; o imperador doou um bom número de edifícios imponentes, chamados "basílicas", para serem convertidos em templos "cristãos", contribuindo generosamente para a sua decoração; ele deu ao "clero" roupagens especiais, semelhantes àquelas usadas pelos sacerdotes dos templos pagãos; os bispos logo foram providos de tronos, foram vestidos com paramentos magníficos e jóias, tendo diante deles altares caríssimos de mármore decorados com ouro e pedras preciosas. Uma liturgia padronizada de grande pompa foi introduzida, e a livre pregação e ensino da Bíblia foram grandemente restringidos, dando-se maior ênfase à filosofia pagã grega; ídolos e festas pagãs foram "cristianizadas" com os nomes de "santos", etc.

A doutrina dos nicolaítas fez um progresso enorme, tanto que no primeiro Concílio das igrejas "universais" (grande parte das quais eventualmente convergiram para se submeter ao bispo de Roma, voluntária ou obrigatoriamente), realizado em Nicéia em 325 A.D., dos 1500 delegados vinte por cento já se consideravam "clero", uma classe à parte. Foi um concílio tempestuoso, cheio de intrigas e politicagem, e pela supremacia do "clero" em suas decisões torna-se evidente que esta doutrina havia se tornado firme e permanente dentro dessa seita.

No ano 606 o "papa" Bonifácio III foi coroado "bispo universal", dando início à Idade Média. Com a "coroação" de Bonifácio III, que se deu a si mesmo o título de "vigário de Cristo", "herdeiro de São Pedro" e outras coisas mais, ele recebeu autoridade imperial para absorver os demais episcopados para dentro da sua instituição, que já havia se tornado muito corrupta, imoral e idólatra (antes, como já vimos, o imperador romano havia sido indiretamente a suprema autoridade das igrejas que se chamavam "católicas"). Esse papa e os seus sucessores trataram de submeter debaixo da sua autoridade as demais igrejas, usando a força das armas se falhassem a persuasão e a tortura, impondo a morte quando não houvesse submissão: a Inquisição e as cruzadas pertencem a esse período.

O bispo metropolitano de Constantinopla (antiga Bizâncio) conseguiu escapar: desde 381 ele havia recebido direitos iguais aos do bispo de Roma porque a sede do governo imperial havia sido transferida para lá, e a cidade se tornara a "nova Roma". Essa foi a origem da "igreja ortodoxa", uma nova seita que tomou sob suas asas as igrejas da Europa oriental e Ásia Menor. Infelizmente, com o poder secular que recebeu, essa instituição tornou-se tão corrupta quanto a instituição romana.

Jezabel (1 Reis 16 - 21, 2 Reis 9) é uma figura muito apropriada daquilo em que a seita católico-romana se converteu durante a Idade Média. Como Jezabel na antigüidade, a seita introduziu em suas igrejas práticas pagãs, bem como a idolatria (prostituição espiritual), e tornou-se um sistema religioso novo que tinha pouca semelhança com as igrejas apostólicas. Entre suas heresias está a justificação pelas obras junto com os rituais da igreja, a regeneração pelo batismo, a adoração aos anjos, aos "santos" mortos e às imagens, o celibato para o "clero", a confissão obrigatória aos "sacerdotes", o purgatório, a transubstanciação do pão e do vinho em carne e sangue de Cristo, as indulgências, a penitência, a adoração de Maria, o ritualismo pagão, o sinal da cruz, a água benta, o óleo sagrado, o rosário, etc.

No entanto, muitas igrejas fiéis a Cristo resistiram ao domínio dessa poderosa seita através da história e mantiveram a sã doutrina, sujeitando-se a perseguições terríveis promovidas pelos papas e seus asseclas, multidões sendo levadas ao martírio, em grande parte imposto pela ordem dominicana que se responsabilizou pela inquisição. Entre os martirizados se contam aqueles a quem os católicos davam o nome de cátaros, albigenses, puritanos e outros, e se chamavam entre si de "irmãos".

AS INSTITUIÇÕES ORTODOXAS

Logo depois de transferir a capital do império romano para Bizâncio (330), o imperador Constantino mudou seu nome para Constantinopla e Nova Roma, e promoveu o bispo para arcebispo. Em 381 o primeiro concílio de Constantinopla admitiu que seus direitos eram agora iguais aos do bispo de Roma. Uns dois séculos mais tarde o título de "patriarca ecumênico" foi acrescentado ao de arcebispo.

A autoridade do patriarca de Constantinopla se estendeu sobre a maioria das igrejas "católicas" da Europa oriental, na Bulgária, Sérvia, Românica, e Rússia, e representou um desafio à autoridade do papa romano. Houve confrontação entre os dois em 867 e 1054, desde quando se tornaram inimigos até 1964.

Neste meio tempo adquiriram também independência o patriarcado de Moscou (1593), as igrejas nacionais da Grécia (1833), Romênia (1865), Sérvia (1879), Bulgária (1870) e Albânia (1937). O patriarca de Constantinopla teve assim sua influência reduzida a um território muito pequeno na Turquia e na Grécia, alguns arcebispados e metropolitanatos na Europa, América do Sul e do Norte, Austrália e Nova Zelândia, e a igreja autônoma da Finlândia. O governo da Turquia (muçulmano) tolera a sua permanência desde que seja de nacionalidade turca e na Turquia atenda apenas a paroquianos de nacionalidade grega.

Essas seitas se assemelham muito à romana em sua doutrina e cerimonial, mas substituem as estátuas dos romanistas por ícones (pinturas) aos quais dão valor espiritual e adoram. Também perseguiram e continuam perseguindo os que rejeitam a sua autoridade e procuram obedecer apenas às Escrituras.

AS INSTITUIÇÕES CÓPTICAS

Alexandria era antigamente a capital da diocese "católica" do Egito, e foi o centro cultural do império romano oriental. A diocese tinha seu próprio bispo "metropolitano" e abrangia principalmente o Egito e a Etiópia. As igrejas sob seu controle praticavam rituais próprios, conhecidos como "alexandrinos", independentes da instituição romana. No século 18 uma parte se submeteu ao papa da instituição romana, chamando-se igreja cóptica católica, e adotou uma liturgia bizantina; a outra continuou independente da instituição romana, chamando-se de igreja ortodoxa da Etiópia. Praticam o mesmo clericalismo, ritualismo, e idolatria da instituição romana e muitas das suas heresias - e outras próprias.

OUTRAS SEITAS QUE SURGIRAM ANTES DA REFORMA

À medida que o catolicismo crescia e se fortalecia com o apoio do poder imperial, todos os dissidentes se viam perseguidos, castigados e eliminados, tanto os que se recusavam a aderir a essas seitas quanto os que se revoltavam dentro delas. Todos eram considerados igualmente hereges pela instituições apoiadas pelo imperador romano, e muitos desapareceram deixando poucos vestígios, além de uma ligeira menção pela sua inimiga. Entre elas ainda são lembrados os Montanistas, Marcionitas, Novacianos, Donatistas, o Arianismo, Pelagianismo, Sacerdotalismo, Monasticismo.

Durante todo esse tempo, todavia, sempre houve irmãos que se mantinham firmes na fé ensinada pelos apóstolos, reunindo-se em casas ou outros lugares, recebendo vários apelidos por parte das seitas católicas, sempre perseguidos e freqüentemente assassinados, muitas vezes povoações inteiras eram martirizadas. Eram apelidados de valdenses, picardos, irmãos cristãos, irmãos unidos, hussitas, lolardos, beghardos, schwestrionos, bons homens, petrobrussianos, albigenses, moravianos e incontáveis outros nomes. Alguns, como os taboritas na Boêmia, se formaram em grupos caracterizando-se como seitas e cometeram os mesmos erros dos católicos aliando-se com políticos influentes, resultando em sua própria ruína.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas - 4: a reforma protestante

A tirania, ganância e imoralidade dos sacerdotes do catolicismo romano chegaram escandalosamente ao seu auge no início do século 16, quando então saíram do seu âmbito grandes partidos resolvidos a voltar aos princípios bíblicos que haviam sido postos de lado, abandonando as heresias que tinham tomad

A REFORMA PROTESTANTE

A tirania, ganância e imoralidade dos sacerdotes do catolicismo romano chegaram escandalosamente ao seu auge no início do século 16, quando então saíram do seu âmbito grandes partidos resolvidos a voltar aos princípios bíblicos que haviam sido postos de lado, abandonando as heresias que tinham tomado o seu lugar. Esse movimento ficou sendo conhecido como a Reforma Protestante.

Desta reforma surgiram várias grandes seitas institucionalizadas, entre elas o “anglicanismo”, o “luteranismo” e o “presbiterianismo”. Todas estas introduziram a Bíblia novamente nas igrejas, fizeram a sua tradução para o conhecimento e ensino de todos, negaram a autoridade do papa e da tradição como substituição ou complemento das Escrituras, rejeitaram as heresias que haviam sido introduzidas através dos tempos e voltaram a pregar a salvação somente pela fé em Cristo e não pelas obras.

Isto trouxe um grande reavivamento espiritual e muitas almas foram salvas com a disseminação do conhecimento do verdadeiro Evangelho de Cristo. Mas, infelizmente, essas novas seitas não completaram o trabalho de se voltarem inteiramente ao ensino bíblico, mas retiveram algumas práticas que haviam levado à ruína a seita católica: o clericalismo, o ritualismo, o batismo infantil, e a aliança com o mundo, especialmente com os seus líderes políticos.

A aliança política, como havia antes acontecido com o catolicismo, obrigou essas seitas a se cristalizarem dentro de conceitos politicamente aceitáveis, e a se imporem como a “religião estabelecida”, proibindo a dissensão.

OS ANABATISTAS

Na Alemanha irmãos em Cristo se reuniam em particular independentemente das seitas estabelecidas desde os tempos mais antigos, e ao redor de 1524 muitos se juntaram para declarar a sua independência da religião do Estado, e a sua determinação de continuar com os ensinos das Escrituras em suas igrejas. Também batizaram por imersão todos os crentes que até então não tinham sido batizados como testemunho da sua fé. Foi nesta ocasião que lhes deram o apelido (que recusavam) de “anabatistas” (re-batizadores) e incidiram na pena de morte por causa da sua forma de batismo.

A maioria dos seus líderes foram executados ou morreram no cárcere. Apesar da sangrenta perseguição aos anabatistas por parte de católicos e protestantes, seus sucessores sobreviveram. As igrejas batistas e menonitas de nossos dias vieram das igrejas neo-testamentárias da Alemanha, Suíça, Rússia, e outras partes da Europa, que passaram por aquela experiência. As igrejas batistas e menonitas (nome dado a elas na Holanda por causa de um pastor, ex-padre católico, chamado Menno Simons) ainda mantiveram uma forma branda de clericalismo, mas o ritualismo, o batismo infantil e a união das igrejas com o Estado foram eliminados.

OS QUAKERS

Da igreja anglicana saíram, no século 17, os “quakers”, seguindo as doutrinas de George Fox. Ainda jovem, ele se preocupava com as coisas espirituais e percebia que muitos que se diziam cristãos não praticavam o que diziam crer. Ele deu atenção particular a 1 João 2.27: “a unção que vós recebestes dele fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis”.

Ele percebeu que Deus não mora em templos feitos por mãos de homens e entendeu que Cristo, tendo morrido por toda a humanidade, iluminava todos com a Sua vida divina e salvadora, e que ninguém podia ser um verdadeiro crente sem acreditar nisso. Ele disse que não aprendeu isso de outros, mas na luz do Senhor Jesus Cristo, e pelo Seu imediato Espírito e poder, como o fizeram antes os homens de Deus pelos quais foram escritas as Escrituras Sagradas.

Muitos se reuniam para ouvi-lo em “reuniões dos amigos”, e estas reuniões se espalharam de lugar em lugar. O apelido “quakers” lhes foi dado e foram duramente perseguidos, aprisionados e punidos, mas a Sociedade de Amigos cresceu apesar disso e logo foram como missionários para as colônias da Nova Inglaterra (nos EUA), Caribe, Holanda e Alemanha. Eles não têm igrejas no sentido do Novo Testamento, pois ser sócio não se baseia em conversão ou novo nascimento, e não observam as ordenanças do batismo e da Ceia do Senhor.

O METODISMO

No século 18 prevaleciam a infidelidade e a indiferença no que concerne à religião e à moral na Inglaterra. Na alta classe social era moda ser imoral e sem religião, enquanto que as classes inferiores estavam mergulhadas na maior ignorância e pecado. O clero não era nada melhor, com raras exceções, a literatura era ateísta e impura, o alcoolismo era considerado coisa normal, a violência e o crime se viam por toda a parte. Havia uma forte corrente de religião e fé, mas estava escondida por causa do envolvimento da maioria em pecado e do ridículo que se fazia de tudo o que era bom. Os crentes eram poucos e careciam de reavivamento.

No entanto, no principado de Gales, no início desse século, com a ajuda de alguns amigos, um clérigo anglicano chamado Griffith Jones dedicou-se a enviar professores para montar escolas de alfabetização provisórias em várias localidades, para que a população pudesse ler suas Bíblias. Ao fim de vinte anos, quando ele faleceu, já havia três mil professores trabalhando e um terço da população de Gales havia sido alfabetizada.

Também durante esse tempo um jovem chamado Howel Harris pregava o Evangelho ao ar livre, nas casas ou em qualquer lugar disponível. Multidões se converteram, vidas se transformaram e se introduziram os cultos domésticos. Outros pregadores surgiram, tanto “clérigos” como “leigos”, eram perseguidos pelas autoridades civis e religiosas, mas ouvidos por congregações de centenas e até milhares de pessoas.

Em 1729 juntou-se um grupo de estudantes na universidade de Oxford com o fim de encontrarem um meio de salvar as suas almas e viver para a glória de Deus. Eram ridicularizados pelos seus colegas, pois seu modo de vida era completamente diferente ao deles: mantinham regras cuidadosas e ascéticas, visitavam os presos e doentes e ajudavam os pobres. Eles foram denominados pelos inimigos de “Clube Santo” ou “Clube Piedoso”, os “Entusiastas”, ou “Metodistas”. Entre seus fundadores se encontravam João e Carlos Wesley, logo mais tarde George Whitefield. Os irmãos Wesley foram ordenados como ministros da igreja anglicana, mas ainda procuravam a salvação da sua alma, quando foram para a Georgia (nos EUA) e no caminho encontraram irmãos moravianos que muito os impressionaram. De volta à Inglaterra, John Wesley novamente encontrou moravianos e eventualmente chegou à fé salvadora, junto com seu irmão.

Whitefield, por sua vez também se tornou um ministro anglicano, mas converteu-se através da leitura cuidadosa da Bíblia. Passou a pregar o Evangelho, mas como ia de casa em casa para expor as Escrituras, as igrejas não o convidavam para pregar em seus púlpitos. Foi então pregar nos campos, e multidões vinham para ouvi-lo. Chamou John Wesley para ajudá-lo. Em sua pregação, em um pequeno morro num campo, Wesley teve uma audiência de umas três mil pessoas. Por questão da doutrina da predestinação, pregada por Whitefield e rejeitada por Wesley, eles mais tarde se separaram. Wesley também se separou dos moravianos, que ele considerava um tanto místicos e quietos, enquanto ele era de natureza prática e agressiva.

Surgiram as “sociedades metodistas”, que se espalharam por toda a Inglaterra seguindo Wesley e o seu arminianismo, e por Gales seguindo Whitefield e o seu calvinismo. Ambos, no entanto, pregavam as mesmas verdades com seus estilos diferentes.

Wesley manteve o clericalismo, o ritualismo e o batismo infantil da seita anglicana em suas igrejas, que são as igrejas metodistas de hoje. Elas têm perdido o evangelismo que as caracterizava no início, e na Inglaterra estão quase vazias, existindo agora um movimento para se incorporarem à igreja anglicana, o que será o seu fim nesse país. Paralelamente, existe uma igreja metodista “wesleyana”, que, ao contrário das metodistas atuais, mantém que a Bíblia toda é a inerrante e verdadeira Palavra de Deus e se afasta do movimento de “união de igrejas” muito em moda agora. Contudo, mantém ainda o clericalismo e o institucionalismo.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas - 5: as novas congregações

Como surgiram as pequenas congregações independentes das grandes instituições

AS NOVAS CONGREGAÇÕES

O CONGREGACIONALISMO

Na Escócia, no fim do século 18, dois irmãos de uma família rica e bem relacionada, Robert e James Alexander Haldane, da igreja nacional da Escócia (Presbiteriana), se converteram e passaram a estudar diligentemente as Escrituras. James casou-se e começou a ter culto doméstico em casa, onde ensinava a família. Percebeu que isto era agradável e edificante para si próprio e foi assim que o Senhor o preparou para falar em público.

Embora sem ordenação de ministro, começou a pregar o Evangelho, com outros, em pequenas congregações quando o ministro não podia comparecer. Eles próprios escreviam folhetos para distribuição. Eventualmente tomavam emprestados edifícios de igrejas para ter as suas reuniões.

Reagindo, o Sínodo da Igreja da Escócia proibiu a pregação por pessoas não licenciadas por ela, e este foi acompanhado por outros sínodos. James Haldane e seus companheiros não deram ouvidos e defenderam o dever de todo o cristão de prevenir os pecadores para fugir da ira vindoura e apontar a Jesus como o caminho, a verdade e a vida. Eles enfatizavam a justificação pela fé na morte e ressurreição de Cristo, sem as obras.

Eles se separaram da igreja da Escócia, porque não podiam mais se unir com pessoas que manifestavam que nunca se haviam convertido, e só se reuniam com os que evidenciavam ser filhos de Deus. Formaram uma igreja em Edimburgo, que começou com 300 membros e cresceu depressa. Um dos seus primeiros atos foi reconhecer James Haldane como seu pastor. Robert Haldane providenciava grandes lugares de reunião, que chamavam de “tabernáculos”, não só em Edimburgo, mas em outros lugares onde as igrejas se reuniam.

Começaram a obedecer ao exemplo e ensinamento das Escrituras, celebrando a Ceia do Senhor todos os domingos, cessaram de passar “coleta” durante as reuniões de ordem geral, mas os membros contribuíam com o que podiam. Isto foi sendo introduzido aos poucos, na medida em que compreendiam melhor a vontade do Senhor conforme as Escrituras, assim como, se não houver intervenção humana o Espírito Santo irá prover uma variedade de ministros e ministérios, o que eles tiveram a grande alegria de verificar que acontecia.

Eventualmente James se convenceu que o batismo infantil não tinha base bíblica, e outros com ele. Nem todos concordaram, e assim houve uma separação amigável em que algumas congregações mantiveram o batismo infantil, outras batizavam por imersão os que se convertiam, enquanto outras praticavam as duas coisas; alguns membros saíram, voltando para a igreja da Escócia e outras denominações.

Surgiram assim as igrejas congregacionais, que enfatizam o direito e responsabilidade de cada congregação organizada corretamente de governar a si mesma, sem ter que se submeter ao julgamento de uma autoridade humana superior, assim eliminando bispos e presbitérios. Nelas existe uma forte convicção sobre a soberania de Deus e o sacerdócio de todos os crentes. Cada igreja individual é autônoma e independente. Algumas adotaram o liberalismo teológico e social, e participam do movimento ecumênico.

No início eram chamadas apenas de igrejas independentes, e ainda o são onde se fala a língua galesa. Ultimamente elas têm se espalhado pelo mundo para formar igrejas unidas com outras denominações. Na Inglaterra elas se juntaram com as presbiterianas para formar “igrejas livres”.

A PURIFICAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS

Em várias partes do mundo continuavam a existir e a surgir novas congregações de crentes que procuravam se ater apenas às Escrituras. No início do século 19 um irlandês do norte chamado Alexander Campbell, ministro da igreja presbiteriana, emigrou para a Filadélfia, nos Estados Unidos, onde se surpreendeu ao ver que havia separações nas igrejas presbiterianas ao ponto que umas não tinham qualquer comunhão com as outras. Ele foi censurado por ter recebido na Ceia do Senhor presbiterianos que não pertenciam ao círculo em que estava.

Por defender a sua posição com base nas Escrituras, ele foi tratado com hostilidade ao ponto de levá-lo a se afastar daquela igreja. Mas continuou o seu ministério à parte, e pessoas de várias denominações se reuniram à sua congregação, descontentes com a hostilidade que havia entre as várias igrejas. Ele pregava que a união era somente possível mediante uma volta aos ensinos da Bíblia, e que uma compreensão entre o que era fé e opinião levaria a uma tolerância que muito faria para eliminar as divisões.

Campbell fez que compreendessem que as lutas e dissensões dentro das igrejas vêm como resultado de teorias e sistemas religiosos fora das Escrituras, e para haver comunhão era necessário “falar quando as Escrituras falam; manter silêncio quando as Escrituras silenciam”.

Em conseqüência, aquela congregação formou uma Associação Cristã de Washington, e fez uma declaração de objetivos onde expressaram que, assim como ninguém pode ser julgado em lugar do seu irmão ou julgar em lugar do seu irmão, cada um deve julgar por si mesmo e dar contas de si mesmo a Deus. Cada um está sujeito à Palavra de Deus, mas não a alguma interpretação humana dela. Não era a intenção deles formar uma igreja, mas apenas conscientizar os membros da sua particular igreja desses princípios, para que houvesse uma reconciliação entre elas.

AS IGREJAS INDEPENDENTES

Mas foram recebidos com hostilidade por suas igrejas, e resolveram então reunir-se como igreja obedecendo estritamente o que o Novo Testamento ensinava, e nada mais. A igreja se formou em 1811 sem denominação qualquer, com trinta membros, dos quais nomearam um presbítero e alguns diáconos. Descobriram que a igreja primitiva tinha pluralidade de presbíteros, extinguiram a distinção entre “clero” e “leigos”, passaram a ter a Ceia do Senhor todos os domingos e a batizar só os crentes, por imersão (o próprio Alexander Campbell, sua esposa, seus pais e sua irmã foram batizados em 1812), e a igreja foi abençoada, crescendo e evangelizando e assim formando outras assembléias. O mesmo ocorreu na Rússia, onde foram um exemplo do que ocorria por todo o mundo, até apelidados de “nazarenos” e eram muito perseguidos pela igreja Ortodoxa lá reinante.

Surgiu espontaneamente na Inglaterra em 1827 um movimento paralelo semelhante. Um dos pioneiros foi um dentista em Plymouth chamado Antony Groves, um evangelista dedicado, formando-se uma igreja de porte naquela localidade. Os membros se chamavam de “irmãos” entre si, e espalharam o Evangelho por outras localidades. Como não queriam adotar uma denominação, vieram a ser conhecidos como “irmãos de Plymouth”, tanto eles, como os membros de muitas outras igrejas independentes como aquela.

O Evangelho em sua simplicidade passou a ser pregado dentro de salões (geralmente chamados “Salões do Evangelho”) e ao ar livre, formando-se igrejas baseadas apenas e inteiramente no ensino bíblico, sem clericalismo ou rituais, mas obedecendo às ordenanças do batismo (por imersão) e Ceia do Senhor. As igrejas se multiplicaram, mantendo sua independência entre si, e enviaram missionários para todo o mundo para pregar o Evangelho de Cristo, sem tomarem para si qualquer denominação.

 OS DARBISTAS, TAMBÉM CHAMADOS DE “IRMÃOS EXCLUSIVISTAS”

Na Irlanda um ministro anglicano, de grande erudição, chamado John Nelson Darby participou da formação de uma destas igrejas. Ele fez uma tradução da Bíblia a partir dos textos originais ainda hoje considerada excelente, e desenvolveu um grande ministério de evangelização e ensino.

Mas Darby não abandonou o batismo infantil, prática da igreja anglicana, e manteve um ponto de vista sobre o governo da igreja semelhante ao episcopal, ou mesmo o catolicismo, em que as igrejas locais devem se submeter a uma direção centralizadora (no caso, ele próprio). Teve outras teorias sobre a igreja primitiva que o separavam do entendimento comum da maioria das igrejas neo-testamentárias.

Eventualmente ele cortou a comunhão com as igrejas que não admitiam as suas idéias, e tornou-se o titular das igrejas que o seguiam, introduzindo nelas uma disciplina severa e proibindo a comunhão com qualquer outra igreja, denominacional ou independente.

Suas igrejas portanto ficaram sendo conhecidas como igrejas dos “irmãos exclusivos” ou darbistas. Vemos como Darby partiu em direção oposta à de Campbell: este reuniu membros de várias igrejas ao voltar-se para o ensino do Novo Testamento, enquanto Darby dividiu igrejas com seu ensino e tirania. Esse exclusivismo resultou também em mais divisões internas dessas igrejas que o acompanhavam, nas ilhas britânicas e nos EUA.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas - 6: as excêntricas

Seitas de maior influência formadas a partir de meados do século 18.

AS EXCÊNTRICAS

AS SEITAS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA

Estas seitas tiveram início em meados do século 18 nos EUA com um pregador batista, William Miller, que se tornou obcecado com as profecias de Daniel e do Apocalipse e concluiu que Cristo voltaria entre março de 1843 e março de 1844, e vários pastores e acompanhantes reuniram-se a ele, tão convincentes pareciam os seus argumentos. Quando Cristo não veio, ele fixou outra data, 22 de outubro de 1844. Também nada aconteceu, e isso veio a ser conhecido como o “Grande Desapontamento” entre os adventistas.

Houve dispersão entre os que o seguiam, mas outros continuaram entre os quais Joseph Bates, James White, e sua esposa, Ellen Harmon White. Eram apelidados de “mileritas” naquele tempo. A Sra. White, mediante uma inspiração, explicou uma doutrina básica em que se firmam até hoje:

  • Quando Cristo ascendeu ao céu ele teria passado a ministrar no santuário do templo celeste como os sacerdotes faziam no templo terrestre. Durante dezoito séculos Ele teria feito isso no primeiro apartamento desse santuário.
  • O sangue de Cristo teria assegurado o perdão e aceitação pelo Pai dos crentes arrependidos, mas os seus pecados teriam permanecido nos registros. Seria necessário, continua ela, que houvesse um trabalho de expiação para remover o pecado do santuário.
  • Isto teria acontecido após 2.300 dias, em 1844, quando Cristo teria entrado no Santo dos Santos celeste para completar a última divisão do Seu trabalho de purificação do santuário (o engano de Miller teria sido confundir isso com a volta de Cristo para a terra). Assim, os pecados dos que se arrependem seriam colocados em Cristo, que os deposita no santuário.
  • Posteriormente, antes de serem transferidos para o Santo dos Santos, e serem apagados completamente, seria feita uma investigação nos registros para determinar quem tem direito à expiação, mediante o arrependimento e a fé em Cristo (veja Levítico 17:11; João 3:18; Romanos 3:24; 8:1; Hebreus 9:22; 1 Pedro 1:19).
  • Depois disto Cristo viria para começar o seu reino de mil anos, o que estava iminente.
  • A Sra. Miller disse que foi informada em outra visão que, se guardassem o sábado ao invés do domingo, a vinda de Cristo seria acelerada.

Os “mileritas” fundaram uma instituição com o nome de Adventistas do Sétimo Dia, em 1863, e criam que a Sra. White tinha o dom de profecia; ela viajou pela América, Europa, e Austrália, deu conferências e escreveu livros em abundância.

Inventaram muitas outras heresias, incluindo:

  • Que Satanás carregará os pecados dos penitentes quando for banido da presença de Deus.
  • Que o Senhor Jesus, ao nascer, herdou uma natureza humana pecaminosa.
  • Que ao morrer fisicamente, a alma e o espírito das pessoas ficam inconscientes, pois não podem “funcionar” sem o corpo.
  • Que tanto os pecadores impenitentes como Satanás e seus anjos rebeldes, demônios, etc., estão destinados apenas à aniquilação, que consiste em reduzir a nada, deixando de existir.

No entanto, houve divisões e surgiram outras instituições a partir do “Grande Desapontamento” como resultado direto ou indireto da profecia de William Miller. Entre elas estão os Adventistas Evangélicos (1845), União de Vida e Advento (1862), Igreja de Deus (1866), Conferência Geral da Igreja de Deus (1888), e a Igreja Cristã do Advento. Estes rejeitam os ensinos da Sra. White, bem como os ensinos sobre a observância do sábado e leis sobre dieta. Seu regime é congregacional e coordenam seu trabalho através da Conferência Geral Cristã do Advento da América. Em 1964 fez-se a união entre a Igreja Cristã do Advento e a União de Vida e Advento.

OS RUSSELITAS (que se chamam “testemunhas de Jeová”)

Os que se chamam “testemunhas de Jeová” se baseiam em teorias humanas iniciadas pelo seu fundador, o americano Charles Taze Russel, que publicou sete livros antes de sua morte em 1916. Logo após, houve uma divisão e o grupo maior seguiu a direção de J.F.Rutherford.

O nome atual desta seita foi primeiro assumido por ela em Columbus, Ohio, em 1931. Em 1981 a Sociedade Torre de Vigia, fundada em 1896 e que é o foco da organização, tinha filiais em mais de 100 países e desenvolvia sua propaganda em mais de 250. Sua literatura era distribuída em 110 línguas e se tornou em uma grande disseminadora de propaganda e um desafio ao zelo de todo cristão. Usando de uma interpretação distorcida de certos trechos bíblicos para acomodá-los às suas teorias, eles “proselitisam” mediante visitas de porta em porta, aproveitando-se da confusão que causam aos que estão menos firmes em sua fé.

Eles procuram não se identificar como promotores da seita enquanto não tiverem sua vítima “segura”. Um importante membro da seita que a deixou depois de perceber sua falsidade (W.J.Schnell - Thirty Years a Watchtower Slave) declara: “a liderança da Torre de Vigia percebeu que dentro da cristandade havia milhões de cristãos professos que não estavam firmemente alicerçados nas verdades entregues aos santos e que seriam com facilidade extraídos das igrejas e levados a uma organização da Torre de Vigia nova e revitalizada. A Sociedade calculou, corretamente, que esta falta de conhecimento adequado de Deus e a ampla aceitação de meias-verdades no cristianismo iriam ceder grandes massas de homens e mulheres, se o assunto todo fosse atacado de uma maneira sábia, o ataque mantido, e os resultados contidos, e depois usados novamente em um círculo sempre crescente”.

Embora eles não tenham chegado ao ponto de introduzir acréscimos à Bíblia, sua doutrina exige que se façam distorções do significado do texto bíblico, mais ou menos sutis. Para acomodá-la às suas teorias, eles produziram sua própria tradução da Bíblia (2 Coríntios 4:2; 2 Pedro 3:16). A correção desta tradução é negada veementemente por filólogos conhecedores dos textos originais em hebraico e grego.

Suas heresias são muitas, incluindo a negação da divindade de Cristo, a negação da pessoa do Espírito Santo, a afirmação da inexistência do inferno, a negação da punição eterna e a extinção do diabo.

Eles ensinam que o ser humano, como os animais e as plantas, desaparece ao morrer. Embora criados à semelhança de Deus, todos os seres humanos nascem como pecadores e são da terra (Gênesis 35:8; Eclesiastes 12:7; Mateus 10:28, 26:24, Lucas 9:60, 16:23, Efésios 2:1). Aqueles que seguem a Cristo fielmente até a morte herdarão um reino celeste com Ele, e as pessoas de boa vontade que aceitam Jeová e se submetem à sua autoridade autocrática vão gozar de uma nova terra. Estas duas categorias voltarão à consciência na ressurreição final, e o intervalo entre a morte e a ressurreição eles chamam de “sono da alma”.

Distorcendo as Escrituras, eles dizem que Jesus Cristo já voltou ao mundo em espírito, invisível e desconhecido por todos, salvo os fiéis, no ano 1914, quando Ele expeliu Satanás do céu, está agora desmantelando a organização de Satanás e estabelecendo Seu reino milenar teocrático com sede no Brooklyn, em Nova Iorque. Eles se chamam de “testemunhas de Jeová” porque pensam que são os 144.000 selados por Deus conforme o Apocalipse! (Mateus 24:30; 26:64; Lucas 21:27; Atos 1:11; Judas 14,15; Apocalipse 1:7).

AS CARISMÁTICAS

O movimento carismático teve início no século 20 nos EUA, e surgiu das chamadas igrejas “de santidade” batistas e metodistas do fim do século 19. Estas se baseavam na crença de que havia uma segunda obra “da graça” que santificava o crente e lhe tirava o desejo de pecar.

O passo seguinte foi argumentar que todo crente deve procurar, depois da sua conversão, uma nova experiência que chamam de “batismo do Espírito Santo” após o qual ele será dotado com dons sobrenaturais como os do início da igreja, no dia de Pentecostes.

Tiveram pouco sucesso no início, quando a evidência do batismo que apresentavam se limitava à “glossolalia”, que é falar de forma não inteligível o que dizem ser as “línguas estranhas” mencionadas na Bíblia, mas as igrejas começaram a se encher quando a notícia correu que também faziam milagres - “curas divinas” - e havia profetas também.

Os pentecostais mais “tradicionais” têm a seu favor o fato de pregarem a necessidade de conversão, exigem a observação de um bom padrão de comportamento e aceitam a autoridade da Bíblia. Desde o início não têm tido uma organização dentro de uma só instituição, mas várias foram fundadas e se multiplicaram na medida em que havia separações e novas eram fundadas.

O movimento carismático atraiu muitos incrédulos, e também um segmento mais pobre das igrejas “protestantes” tradicionais onde predominava uma classe média-alta, fria e sem muita vida. As igrejas pentecostais contrastavam com elas por causa da sua vivacidade, bandas de música, acontecimentos ditos sobrenaturais, prometiam satisfazer os seus desejos espirituais e suas necessidades emocionais, psicológicas e físicas. Também tiveram simpatizantes católicos, fazendo com que as suas instituições formassem a sua própria ala carismática para retê-los.

Nos Estados Unidos seu sucesso foi grande, havendo ainda hoje pregadores de destaque que aparecem constantemente em espetáculos de televisão disseminando as suas doutrinas, insistindo que a propiciação feita por Cristo inclui as doenças físicas e dando notícias de “curas divinas” sensacionais.

No Brasil o sucesso não tem sido menor, tendo mais recentemente propagado junto com a cura divina o exorcismo de demônios. Grandes instituições surgiram, como a IURD, que têm arrecadado fortunas por ainda acrescentar a doutrina chamada “evangelho da prosperidade”, segundo a qual Deus sendo tão poderoso e rico não deseja que seus filhos sejam pobres, mas que participem da riqueza do mundo e quanto mais contribuírem para a instituição maior será a recompensa que se receberá aqui no mundo.

Sem dúvida os malandros e espertalhões viram uma grande oportunidade para ludibriar as multidões e encher seus próprios bolsos à custa da sua crendice, e assim as seitas carismáticas se multiplicam dia-a-dia.

Os carismáticos têm contaminado com as suas doutrinas várias igrejas de outras seitas, causando muito conflito e divisões entre elas. Algumas igrejas independentes neo-testamentárias têm também sofrido com a influência deles sobre os seus membros.

TESTEMUNHO DE UM EX- "TESTEMUNHA DE JEOVÁ"

O irmão David Heringer Furtado, que se reúne na igreja em Vila Camargo, em Curitiba (PR), nos envia o testemunho deste irmão, remetido à Congregação Oficinas da Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, que se converteu naquela igreja local e era um "Testemunha de Jeová". ...

"Por livre e espontânea vontade, demonstro através desta, o meu desejo de não mais pertencer a essa denominação religiosa. Muito tenho a agradecer por todo companheirismo e preocupação que me foram dispensados nestes últimos 23 anos. Espero que não haja mágoas por esta minha decisão.

Com relação aos motivos que me levaram a tomar esta atitude, gostaria de dizer o que a Bíblia nos diz em João 8:32 ... "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Foi esse o texto que fez mudar a minha maneira de pensar. A Palavra de Deus é bem clara quando fala que a salvação não acontece pelas obras, visto que são imerecidas. A salvação é uma graça de Deus e não pelo fato de se ter um relatório repleto de atividades, ou por não se perder as reuniões, que se garantirá a salvação. Isto não quer dizer que a pregação não é necessária, ao contrário, só que ninguém precisa saber quantas faço no mês.

Ouvia nas reuniões que os fariseus no passado estavam errados por acrescentar fardos à lei mosaica. Será que as TJ's não fazem o mesmo quando proíbem aniversários, Natal, Páscoa etc? Qual é realmente a base bíblica para isso?

Outra coisa, por que não podemos ler nada além das publicações da Torre de Vigia? Eu ensinava nos meus discursos que tínhamos de fazer pesquisas e que não podíamos aceitar o que os homens falavam. Bem, desde criança, é só isso que faço, aceito o que já vem mastigado, porque o "Estudo Perspicaz", a "Ajuda", o "Conhecimento", "A Sentinela", o "Despertai", foram feitos pelas mesmas pessoas? Eu pesquisava muito, mas só em publicações feitas pela Associação.

Outra pergunta à qual não encontrei resposta: "Por que só os TJ's são ungidos"? Será que não existe mais nenhuma pessoa boa no mundo inteiro que acredite em Deus? Estranho, né?

Estranho também o fato de que só quem lê a Bíblia através da "Sentinela" pode entendê-la e só quem utiliza a tradução do novo mundo está certo. Não é muito conveniente criar uma tradução da Bíblia que apóie as doutrinas da minha religião?

E o que dizer das 148 vezes que as TJ's mudaram as suas crenças? Acham que estou exagerando? Então pesquisem, porque nem eu sabia disso.

Eu, às vezes, não consigo acreditar que passei 23 anos da minha vida pensando que somente quem pertence a Associação Torre de Vigia será salvo, e o pior é que eu conhecia de cor o texto de João 14:16 ... "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim". Onde entra a Associação nesse contexto?

João 4:8 fala que "aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor". Hoje não consigo mais identificar onde está o amor na Associação. Fiquei cerca de cinco meses sem ir ao salão, não pedi o meu cartão, e nem um telefonema eu recebi. Minha mãe está do mesmo jeito e só agora ela recebeu uma visita, depois de vários anos.

Enfim, deixando as reclamações de lado, espero do fundo do meu coração, e oro a Deus, para que vocês todos possam experimentar um dia da liberdade e da paz de espírito em que me encontro hoje, e que possam encontrar a salvação através de Cristo Jesus. Leiam a Bíblia e deixem que, não os homens, mas o Espírito de Deus os guie à verdadeira paz e segurança, que aqueles que alcançaram a verdadeira salvação podem obter. "

Vanderlei Augusto Gonçalves Gonzaga, Curitiba (PR), 20/02/2006.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas - 7: as periféricas

Tendo as Escrituras sido novamente colocadas ao alcance do povo em geral e traduzidas para os idiomas atuais, o inimigo esforçou-se por desacreditá-las mediante o Racionalismo, e novos Evangelhos como o livro de Mormon.

AS PERIFÉRICAS

Vimos como pouco depois do seu início, as igrejas de Deus foram prejudicadas com a doutrina dos nicolaítas, o clericalismo, que desenvolveu um ritualismo destruidor da livre compreensão e obediência às Escrituras. Com a Reforma Protestante as igrejas em grande parte se livraram do ritualismo, mas o clericalismo ficou nas maiores instituições.

Enquanto anteriormente as Escrituras haviam sido escondidas, elas agora estavam disponíveis, traduzidas no idioma do povo, a baixo preço para o alcance de todos. O inimigo, portanto, esforçou-se para desacreditá-las.

O Racionalismo moderno

No século 19 surgiu o racionalismo. O racionalismo põe de lado a revelação divina das Escrituras, assume que a mente humana, a Razão, é suficiente para que o homem encontre a verdade e consiga maior bem. O avanço científico sem precedentes deu uma melhor compreensão do trabalho de Deus na criação, mas também fez com que alguns desejassem explicar a criação sem levar em conta a presença de Deus.

Com isso foi necessário provar que o relato sobre a criação dado no livro de Gênesis não veio de inspiração divina, mas da ignorância de homens que, por terem vivido muito antes dos nossos tempos, saberiam muito menos do que nós. À medida que se faziam novas descobertas, novas teorias surgiam sobre como teria sido a criação, culminando com a publicação “A Origem das Espécies” de Charles Darwin em 1859.

Os que vieram a crer na teoria de evolução (que tem sido mudada incontáveis vezes depois de Darwin) abandonaram a fé na Bíblia como livro inspirado palavra-por-palavra por Deus no original. A Bíblia começa pela criação do mundo em seis dias, do homem e do seu pecado original. Se isso não for um fato real, deixa de haver necessidade da sua redenção. Para esses, portanto, o Evangelho não tem sentido, nem o novo nascimento.

Uma ala dos racionalistas entende que não há revelação inspirada, não há um Criador, nem um Filho de Deus que se fez homem por amor de pecadores para que, pela Sua morte e ressurreição, pudesse abrir o caminho de volta a Deus.

Concomitantemente, foi feito outro ataque à Bíblia mediante a crítica do seu texto. Não se pode negar que é de interesse para todos nós o estudo dos novos textos antigos que vieram à tona durante o século 19, a descoberta das circunstâncias históricas e geográficas em que os vários livros da Bíblia foram escritos, bem como o exame do seu conteúdo literário, com isto aprendendo mais sobre a sua origem.

Mas os racionalistas têm feito um exame frio das Escrituras, considerando apenas os seus autores humanos, sem levar em conta o seu Autor divino, e disto surgiram várias teorias estranhas, por exemplo: a existência de autores diferentes de porções bíblicas em cada livro, o obscurecimento da personalidade de Moisés, a rejeição de milagres alegando que surgiram de mau entendimento, a negação da existência de Abraão e outros vultos do Velho Testamento alegando que eram personalidades mitológicas, etc.

Essas teorias levaram muitos a duvidar do texto bíblico, e a adaptar a sua doutrina, reduzindo Jesus Cristo a um bom homem que foi mal entendido, mas um exemplo para ser seguido. Prometem que seus ensinos nos tornarão em melhores pessoas, elevarão a moral e poderão trazer paz universal, prosperidade e espírito de irmandade. A esperança da volta do Senhor para governar o mundo não é deles, pois não crêem na Pessoa que veio.

Em retrospecto, vemos agora que:

  1. O ritualismo acrescentou tradição ao conteúdo bíblico, deu à tradição mais importância e depois escondeu a Bíblia para que ficasse apenas a tradição
  2. O racionalismo procurou invalidar a Bíblia:
    • aceitando a teoria da evolução das espécies, portanto negando o pecado original por Adão e pondo em dúvida até mesmo a existência de Deus
    • negando a inspiração divina do texto das Escrituras, pondo em dúvida os escritores e relegando a fábulas grande parte do seu conteúdo. Efetivamente tirou porções da Bíblia, minando e destruindo a sua credibilidade.

Tanto o ritualismo como o racionalismo permeiam os seminários e as mentes dos teólogos e ministros das maiores instituições humanas que ainda se chamam cristãs, e impedem os pecadores de encontrarem o Salvador.

A alta crítica trouxe divisões dentro das igrejas anglicanas, presbiterianas, metodistas e outras. As igrejas que permaneceram crentes na inspiração bíblica e obedientes ao seu texto passaram a ser conhecidas como “evangélicas” no século passado, embora continuando com a mesma denominação original.

Os mórmons

Esta não é uma seita cristã, embora adotem o nome de “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

Começou no século 19, nos EUA, com um homem chamado Joseph Smith, analfabeto e de má reputação. Ele não só era um mentiroso destituído de consciência, mas também usava de um linguajar sórdido e se comportava com uma indecência indescritível. Fugindo dos agentes da lei que o procuravam por causa das suas fraudes, ele se instalou fora do alcance deles no estado de Illinois, e ali tomou para si diversas “esposas”. Sendo já fundador e líder da sua “igreja”, ele justificou sua atuação mediante uma “revelação” conveniente, nauseante em seu conteúdo.

Joseph Smith fundou a “igreja” de Mórmon, declarando-se vidente, tradutor, profeta, apóstolo de Jesus Cristo, e ancião da Igreja. Seu fim foi trágico: uma vez, com seu cúmplice chamado Rigdon (um charlatão que começou como pastor batista) teve que fugir da polícia por ter obtido dinheiro fraudulentamente emitindo ações de um banco inexistente. Após mais logros o principal dos seus acompanhantes ameaçou denunciá-lo, o que deu início a uma briga resultando em seu aprisionamento. A multidão, enfurecida, invadiu a prisão e o matou. Infelizmente isso deu aos seus acompanhantes a oportunidade de declarar que ele fora martirizado!

Quando Joseph Smith morreu, Brigham Young, que se denominava “o maior dos doze apóstolos” excomungou seu comparsa Rigdon, e fugiu com os membros da “igreja” em 1847 para o estado de Utah (naquele tempo pertencente ao México) para escapar das leis dos Estados Unidos, contrárias à poligamia e outras práticas. Eles se estabeleceram em Salt Lake City, e Brigham Young morreu em 1877 deixando uma fortuna imensa, 17 esposas e 56 filhos e filhas. Quando Utah passou a pertencer aos Estados Unidos, eles tiveram que se submeter às suas leis, mas a poligamia ainda faz parte de suas doutrinas, e muitos a praticam às escondidas nos países onde as leis não a permitem.

Os mórmons baseiam toda a sua doutrina no que chamam de Livro Sagrado de Mórmon, e no seu Livro das Doutrinas e Alianças.

  • O Livro de Mórmon foi ditado, segundo dizem, por detrás de uma cortina, por Joseph Smith primeiramente a Martin Harris e depois a Oliver Cowdery, todos norte-americanos. Joseph Smith alegou que um anjo mostrou-lhe onde estavam enterradas umas tabuinhas de ouro escritas em língua desconhecida, e lhe deu dois cristais chamados Urim e Tumim, mediante os quais ele podia ler em inglês o conteúdo das tabuinhas, e isto foi o que ele ditou. Terminado o ditado, disse ele, as tabuinhas e os cristais foram levados pelo anjo, e assim ninguém mais os viu senão ele.
  • O Livro das Doutrinas e Alianças contém, entre outras coisas, uma nova “revelação” que Joseph Smith disse ter recebido, justificando sua poligamia.
  • As mais repugnantes “interpretações” são dadas aos fatos e doutrinas bíblicas. Por exemplo, ensinam que Deus é um homem exaltado, sempre melhorando, mas nunca perfeito, feito de carne e ossos como nós; Joseph Smith insistia que Deus o Pai viveu no mundo, assim como Jesus Cristo, e seu sucessor Brigham Young, ainda mais venerado que ele pela “igreja”, esclarece que Adão é Deus, o supremo Deus. E muito, muito mais desse gênero.

Eles dizem que todas as igrejas cristãs são anátema (invertendo o que a Palavra de Deus chama a doutrina deles) e se consideram a única igreja de Deus, à qual todas as nações devem se submeter. Segundo eles, todas as igrejas ensinam doutrina falsa e estão debaixo da maldição de Deus.

No mormonismo existem dois elementos que obrigam seus seguidores a não deixá-lo:

  1. Misticismo: cada Mórmon veste o que chamam de vestidura dotal, contendo algarismos e símbolos de coisas muito importantes para ele. Ele recebe esta vestidura depois de participar de cerimônias secretas em seu templo, e os mórmons não ousam divulgar os segredos que lhes são ensinados ali.
  2. Batismo pelos mortos: uma das suas muitas doutrinas falsas. Consiste no ensino que ninguém pode ser salvo se não for batizado por eles, e que as almas dos mortos podem ser “libertadas” mediante o batismo de uma pessoa viva em seu lugar! Muitas de suas doutrinas, inclusive esta, só é ensinada à medida que o novato vai progredindo em seu discipulado, durante o qual seus mentores o submetem a juramentos e obrigações religiosas e materiais das quais ele dificilmente poderá escapar. É uma autocracia religiosa por parte dos seus sacerdotes que comandam tanto a vida religiosa, como a vida secular, dos que a ela pertencem.

Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito. Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.” (Judas 17 a 21).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Seitas - 8: conclusão

A pureza do reino dos céus, representado pela igreja de Cristo visível no mundo, foi contaminada pelo pecado interno e invadida pelas doutrinas diabólicas de tal forma que, se o pecador descrente desejar encontrar a verdade e for procurá-la numa igreja que se chama cristã, ele se verá frustrado pela

CONCLUSÃO

AS IGREJAS DE DEUS CONFORME O NOVO TESTAMENTO

O histórico das seitas nos mostra o cumprimento de várias profecias, a partir da parábola do grão de mostarda e da parábola do fermento.

A pureza do reino dos céus, representado pela igreja de Cristo visível no mundo, foi contaminada pelo pecado interno e invadida pelas doutrinas diabólicas de tal forma que, se o pecador descrente desejar encontrar a verdade e for procurá-la numa igreja que se chama cristã, ele se verá frustrado pelas denominações existentes e pela grande variedade de doutrinas e práticas que ali vai encontrar.

Como num supermercado, ele vê igrejas para todo o gosto. Mas poucas vão satisfazer a quem realmente procura saciar a sua sede espiritual, pois poucas apresentam a fonte da água viva, a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida que são exclusivamente o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Nenhuma igreja, por maior, melhor, mais espetacular que seja, pode tomar o Seu lugar.

Apenas os Seus discípulos compõem a Sua igreja, que é o seu corpo espiritual aqui na terra. Eles são os que O recebem como seu Senhor e Salvador pessoal e obedecem aos Seus mandamentos, e à doutrina dos Seus apóstolos, como encontramos na Bíblia. As suas congregações, separadas geograficamente, são as igrejas locais que se reúnem em Seu nome.

Essas igrejas locais não são seitas, pois não são um partido religioso, nem são resultado de uma divisão, ou da perversão de um ensino. Elas não seguem o ensino de um homem, mas aprendem e praticam apenas aquilo que nos é revelado por Deus mesmo através da Sua Palavra inspirada, a Bíblia, sem acréscimos ou distorções. Como concluiu Campbell, a comunhão se consegue em “falar quando as Escrituras falam, e silenciar quando as Escrituras silenciam”. Há um poder unificante na verdade, explícita nas Escrituras.

Os discípulos, membros da igreja, não se dividem em classes: são todos iguais, com diferentes qualidades e dons espirituais que usam para benefício do grupo. Não existe um homem ou grupo dominante. A igreja é um organismo em que cada membro tem uma tarefa a cumprir, reconhecida pelos outros. Os que são reconhecidos como idôneos para estar na sua direção servem aos demais nessa posição, contribuindo para o ensino com a sua experiência e exemplo e pastoreando o rebanho pelo qual se tornam responsáveis.

Em matérias onde as Escrituras não são claras, podem existir opiniões diferentes, ou mesmo divergentes. Isto não é motivo para haver divisão ou facções. É motivo para oração a fim de que haja esclarecimento pela ação do Espírito Santo, e também oportunidade para mostrar longanimidade, que é fruto do Espírito.

Igrejas assim têm existido desde as primeiras reunidas pelos apóstolos. Através da história, elas têm surgido pelo mundo como resultado do desejo de obedecer ao Senhor Jesus Cristo e os seus apóstolos apenas, rejeitando as doutrinas e costumes que são estranhas às dos apóstolos, formando-se grupos, alguns muito pequenos, cada um consistindo em uma igreja de Deus.

LIÇÕES

O breve relato sobre o aparecimento das seitas, que expusemos, nos dá as seguintes lições a fim de não nos desviarmos pelo mesmo caminho que elas seguiram:

1) Obedecer fielmente ao que a Bíblia ensina, e nada mais. Os judaizantes e os gnósticos foram uma grande ameaça às primeiras igrejas. Temos outras grandes ameaças vindas de fora, ou mesmo de dentro: as tradições, o racionalismo, o pentecostalismo, etc. É o fermento dos fariseus e dos saduceus, contra o qual nos preveniu nosso Mestre, e dá origem a seitas.

2) Não admitir a doutrina dos nicolaítas, odiada pelo Senhor Jesus. A nenhum membro da igreja deve ser permitido destacar-se dos demais a ponto de deitar normas e tomar controle sobre a congregação, o que faz dela uma seita. Lembremos de Diótrefes, um dos pioneiros dessa doutrina, que até recusou receber o apóstolo João (3 João 1:9). Foi assim que surgiu o clericalismo, que extinguiu a liberdade da direção do Espírito Santo na igreja.

3) Não tomar uma denominação para se distinguir das demais igrejas: isto faz dela uma seita. Na igreja de Corinto Paulo combateu severamente os partidos e as denominações que a eles estavam sendo dadas, esclarecendo que eram da carne. Todo crente em Cristo e as igrejas de Deus devem ter comunhão com outros crentes salvos pela sua fé em Cristo. Quem não o fizer estará desobedecendo ao Senhor Jesus que nos mandou amar uns aos outros. A rejeição de comunhão não é compatível com o amor. Uma observação: muitas congregações de santos através da história foram apelidados pelos de fora, e pelos seus inimigos, de nomes que eles próprios rejeitavam, pois queriam ser apenas reconhecidos como cristãos. Os nomes ficaram, pois a história foi quase sempre escrita pelos seus inimigos.

4) Não se reunir com outras igrejas debaixo de uma só administração central, o que seria abandonar o exemplo dado pelas primeiras igrejas apostólicas. De um ponto de vista humano parece dar mais força ao conjunto, mas faz com que cada igreja participante se enfraqueça mais: é confiar na carne e não no Espírito. As igrejas que isto fazem perdem a liberdade que tinham quando dependiam inteiramente da providência de Deus, e se tornam sujeitas à liderança de um poder humano central, com as suas fraquezas. A federação as separa das igrejas que não são participantes, formando-se uma seita, como era a dos catolicistas. Eventualmente forma-se uma instituição religiosa, com os vícios que acompanham tais organizações.

5) Não fazer alianças políticas, ou com associações e agremiações humanas. Como corpo espiritual de Cristo, a igreja não pode se aliar a qualquer órgão “secular”. Fatalmente lhe virão obrigações e ela não pode servir a dois senhores. A igreja que assume tais obrigações torna-se em uma seita. Foi uma das causas fundamentais da ruína da seita católica romana. Tornou-se poderosa no mundo, mas perdeu toda a sua santidade, tendo até que acomodar o paganismo e a idolatria para satisfazer o poder político.

6) Cuidar da saúde espiritual dos membros, para que um não “adoeça” contraindo um pecado que não quer abandonar e contamine os demais com ele. É o fermento de Herodes, contra o qual nos precaveu o Mestre e é também o ensino de Hebreus 12:15: a raiz de amargura é uma citação de Deuteronômio 29:18 e indica o desejo de pecar, que resulta no pecado. Quando alguém resolve fazer o que sabe ser errado, isso se torna como uma raiz que brota sem controle e produz resultados inesperados, tendo repercussões em toda a igreja. É preciso “cortar o mal pela raiz” antes que isso aconteça e a igreja se transforme em uma seita.

7) Finalmente, “seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Efésios 4:15,16). Uma igreja que, seguindo a verdade cresce em Cristo, sempre unida pelo amor do tipo daquele que Cristo mostrou por nós, tornar-se-á vigorosa e chegará à maturidade para o bem de seus membros, e para a salvação dos incrédulos mediante o seu testemunho.

As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2 Coríntios 10:4-5 - NVI).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Semeadura

Os meios de comunicação estão se tornando imensamente mais numerosos e eficientes, e as viagens mais fáceis e baratas do que eram décadas atrás, de forma que o conhecimento que temos das regiões do país e do exterior também tem crescido consideravelmente. É assim mais fácil hoje do que era antigamen

“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento”

1 Coríntios 3:6

Os meios de comunicação estão se tornando imensamente mais numerosos e eficientes, e as viagens mais fáceis e baratas do que eram décadas atrás, de forma que o conhecimento que temos das regiões do país e do exterior também tem crescido consideravelmente. É assim mais fácil hoje do que era antigamente verificar, com a ajuda de estatísticas, onde o testemunho evangélico existe e é mais intenso, e onde não existe ou é muito débil.

O desejo de todo o crente é que o testemunho do Evangelho exista e seja forte por toda a parte do globo. Oxalá assim fosse! Quase dois milênios após o início da igreja de Cristo, constatamos que são poucos os lugares onde podemos considerar que o seu testemunho é forte, seja qual for o critério adotado para avaliá-lo.

Mas isso não é surpreendente, pois o próprio Senhor Jesus nos disse “… estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7:14), “Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lucas 13:24).

Ele nos ensinou através da parábola do semeador (Mateus 13:19-23) e Sua explicação, que a pregação da Palavra nem sempre surte o efeito desejado:

  1. Pode não ser entendida (por não querer compreender), quando então vem o maligno e arrebata o que foi semeado no coração de quem ouviu;
  2. Pode ser recebida logo com alegria, mas apenas superficialmente e por pouco tempo, pois sucumbe com as provações. É o que acontece com muitas “conversões” forçadas por um ambiente emotivo e longos apelos;
  3. Pode ser ouvida, mas não é efetiva, pois é dada prioridade aos cuidados deste mundo e à sedução das riquezas.

O Evangelho somente pode resgatar e transformar almas em “boa terra”, isto é, quando a Palavra é ouvida e voluntariamente compreendida, o que não é apenas ser “entendida”, mas absorvida por completo e posta em prática com sinceridade (Lucas 8:15).

O semeador nesta parábola é aquele que prega a Palavra do Reino (Mateus 13:19), ou seja, o Senhor Jesus como em outra parábola que se segue (Mateus 13:37). Por analogia, também os que pregam o Evangelho são semeadores.

A realidade aqui ensinada ficou bem evidente no ministério do Senhor Jesus ao povo de Israel: apesar da qualidade das Suas mensagens, da qual o povo se admirava pois “ensinava com autoridade e não como os escribas” (Mateus 7:28,29), e dos sinais convincentes que fazia, ao final eram poucos os que estavam ao Seu lado, e Ele foi rejeitado pela nação.

O Senhor disse aos Seus discípulos e estas foram as Suas últimas palavras ao ascender ao céu “… recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1:8).

De fato, após o batismo pelo Espírito Santo da pequena igreja em Jerusalém no dia de Pentecostes, depois da ascensão de Jesus Cristo, os discípulos pregaram o Evangelho com grande coragem, enfrentando a oposição dos líderes religiosos, e houve milhares de conversões. A semeadura parecia estar finalmente dando resultados positivos, alcançando boa terra. Muitos haviam vindo de outros locais e outros países, e levaram a mensagem com eles em suas próprias línguas, assim podendo espalhar as boas novas, aumentando a sementeira.

Até onde o Evangelho chegou no tempo dos primeiros discípulos não sabemos ao certo. Teriam eles realmente ido até aos confins da terra? Existem tradições antigas, sem confirmação histórica, de que teriam ido até ao norte da Europa, e mesmo até à Índia e à China. É mais provável que a expressão do Senhor “até aos confins da terra” significa que não há qualquer povo na terra que não deva ser alcançado pelo testemunho cristão.

O testemunho evidentemente não é limitado a uma equipe, por exemplo, aos onze apóstolos e os outros discípulos presentes naquela ocasião. Eles podiam dar testemunho daquilo que presenciaram pessoalmente de Cristo, e temos ainda hoje o testemunho de alguns deles, escrito nos quatro evangelhos, traduzidos em quase todos os idiomas existentes no globo terrestre, e distribuído a quase todos os povos, apesar da grande oposição encontrada pela ação do diabo.

Aqueles primeiros pioneiros já foram para a presença de Deus dezenove séculos atrás e hoje ainda é necessário que a Palavra seja semeada, como Paulo escreveu em Romanos 10:12-17: “… um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedecem ao evangelho; pois Isaías diz: ‘Senhor, quem creu na nossa pregação?’ De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

O pregador, o evangelista, o que anuncia o Evangelho, é enviado. Para ser enviado é necessário que seja primeiro escolhido e em seguida chamado. Ninguém pode ser escolhido, chamado e enviado por si próprio. Quem escolhe, chama e envia é o Senhor Jesus (João 15:16, 1 Coríntios 1:26, Atos 1:8).

Todo crente deve ser uma testemunha do Evangelho. O testemunho pessoal é parte integrante da vida cristã. Nossa missão principal agora, como foi desde que o Senhor enviou Seus onze discípulos dizendo “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15), é semear a Palavra de Deus: e este é o trabalho de cada crente! Tomemos cuidado, em nossas orações, para não pedirmos que Deus mande outros para fazer o trabalho que nós próprios deveríamos estar fazendo.

Podemos cumprir perfeitamente a nossa tarefa de sementeira, sem ver sequer uma alma convertida, como reconheceu Isaías. Fracassamos? Não! O semeador da parábola lançou a sua semente por toda a parte - não escolheu aonde caía! Também nós não podemos prever se a Palavra que distribuímos será bem ou mal compreendida, e se resultará em aceitação e conversão.

O apóstolo Paulo teve a experiência de ter plantado, enquanto outro, Apolo, teve o privilégio de regar. Tanto um como o outro eram servos conforme o Senhor concedeu a cada um, mas o crescimento veio de Deus. Não é importante saber quem está plantando, ou quem está regando, mas se Deus o está usando, demos a Deus o louvor pelo resultado do seu trabalho.

Cada um de nós não vai até os confins da terra para dar o nosso testemunho - mas podemos prover para o sustento dos que vão, ou para um programa de rádio que irradia a mensagem do Evangelho, ou mesmo para a impressão e distribuição da Bíblia feitos por associações de irmãos na fé.

Temos que reconhecer que Deus usa muitos servos. Eles podem estar fazendo o Seu trabalho de maneiras um pouco diferentes, mas nem por isso devemos ir ao ataque contra os que o fazem de maneira diferente de nós. Existem métodos diferentes, mas se Deus os está usando, eles são cooperadores conosco no trabalho de Deus.

Deus deseja que todos se salvem, e o Seu Espírito dirige os obreiros na sementeira. Não nos cabe a função de dirigir os obreiros, como muitos gostam de pensar - não nos compete estimular ou “mandar” obreiros para irem a esta ou aquela região, para este ou aquele país. Deus sabe melhor. As estatísticas são superficiais e o Espírito Santo não precisa delas para colocar os servos de Deus onde mais convém.

“Ora, aquele que dá a semente ao que semeia e pão para comer também multiplicará a vossa sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça” (2 Coríntios 9:10).

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Semeando com generosidade

Tanto a pregação direta, como o cuidado do rebanho e o ensino da Palavra constituem parte integrante da disseminação do Evangelho. Também a produção de livros e outra literatura, o uso do rádio, da televisão e da Internet etc., são instrumentos modernos muito úteis, se não essenciais, para a semente

Os que morrem para si próprios para viver uma vida sob o senhorio de Cristo, guiados pelo Espírito Santo, estão libertos dos ditames da lei de Moisés (Gálatas 5:18), que governava a conduta dos israelitas, inclusive suas obrigações financeiras.

Os israelitas eram cidadãos de uma pátria terrena, e tinham seu templo e sacerdócio terrenos para suprir suas necessidades espirituais. A lei instruía o povo como sustentar essas instituições, mediante impostos sobre a sua produção.

O Senhor Jesus, entretanto, não somente forneceu uma salvação gratuita, mas livrou o Seu rebanho de quaisquer obrigações financeiras. A sua pátria está nos céus (Filipenses 3:20) e seu templo é espiritual, formado por todos os que são redimidos e habitados pelo Espírito Santo (Efésios 2:21) sendo todos sacerdotes (Apocalipse 1:6).

O reino de Jesus Cristo não é deste mundo (João 18:36), e não há um lugar na terra designado para sacrifícios e adoração pois “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e verdade” (João 4:24). Logo, não requer um imposto para o seu sustento.

Isto posto, o que devem fazer os remidos com os bens materiais que vierem a possuir? Há uma advertência da parte do Senhor Jesus para que não se esforcem para angariar tesouros aqui na terra “onde a traça e a ferrugem os consomem”, mas que procurem ao invés disso acumular tesouros nos céus, onde não correm esses riscos (Mateus 6:19). Os avarentos não herdarão o reino de Deus (1 Coríntios 6:10).

Não obstante, os santos são encorajados a trabalhar para o seu próprio sustento (1 Tessalonicenses 4:11), e o das suas famílias, e para que tenham o que repartir com o que tem necessidade (Efésios 4:28). O Senhor Jesus contou duas parábolas que ajudam a esclarecer a correta maneira de encarar a aquisição e a distribuição de riqueza:

• A parábola dos talentos (Mateus 25:14-29): Independentemente da época na história em que é mais aplicável, temos aqui o princípio da recompensa aos servos fiéis que usaram bem o que lhes fora confiado, para benefício do seu senhor ausente, e o castigo ao servo negligente que nada fez. Entre os variados “talentos” que um servo de Cristo pode receber, está o da prosperidade em bens materiais. Ele, como aquele servo, não deve se considerar como proprietário dos seus bens para seu deleite pessoal, mas como administrador para benefício do Senhor.

• A parábola do administrador astuto (Lucas 16:1-9): É uma parábola difícil de entender, pois parece, à primeira vista, que o administrador foi desonesto, e no entanto foi elogiado pelo seu senhor por ter agido com sagacidade. Explica-se que o administrador tinha autoridade para negociar, e por isso pôde legitimamente dar descontos se quisesse, e os descontos lhe ganharam a afeição dos fregueses beneficiados, que o ajudariam quando se encontrasse desempregado.

Aplicando-se aos servos do Senhor Jesus, o ensino básico é que o cristão deve usar os bens que lhe são confiados com sabedoria e discernimento, de tal forma a se assegurar de uma boa recepção no céu. Ou seja, deve aplicar os bens deste mundo, que administra para o Senhor, para a disseminação do Evangelho, contribuindo para a salvação de almas que por isso lhe serão eternamente gratas.

Cada servo de Cristo é pessoalmente responsável diante dEle pela administração dos seus bens, pelo destino do que distribui e pela maneira com que o faz (Romanos 14:12), e “cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7). A contribuição para a obra do Senhor é o privilégio de todos os Seus servos, e havendo prontidão é aceitável de acordo com o que cada um tem, e não de acordo com o que não tem (2 Coríntios 8:12).

Tanto a pregação direta, como o cuidado do rebanho e o ensino da Palavra constituem parte integrante da disseminação do Evangelho. Também a produção de livros e outra literatura, o uso do rádio, da televisão e da Internet etc., são instrumentos modernos muito úteis, se não essenciais, para a sementeira.

Todas essas atividades demandam recursos materiais, e o servo de Deus procurará a Sua direção para encaminhar ofertas segundo a Sua vontade. Ele próprio pode ser um evangelista, um pastor ou um mestre, que são dons espirituais, e vai usar seus recursos materiais para exercê-los.

Outro princípio dado pelo Senhor Jesus foi o de manter sigilo sobre as ofertas, para evitar ser visto pelos homens e ser honrado por eles (Mateus 6:1-4). Se for usado um intermediário, não haverá o sigilo que deveria ser guardado por quem dá e pelo beneficiado. Como são honrados neste mundo os que dão grandes quantias em prol de alguma campanha ou para fins beneficentes! No entanto, essa honra lhes tira a recompensa reservada pelo Pai aos que dão em secreto.

A honra deste mundo é muitas vezes enganosa, sendo dada a quem menos a merece, segundo outro princípio que nos deu o nosso Senhor: diante de Deus, o valor da contribuição aumenta na proporção em que representa um verdadeiro sacrifício para o oferecedor (Marcos 12:41-44). Assim, quem dá daquilo que lhe sobra, está dando menos do que quem dá até mesmo o que precisa para o seu próprio sustento.

O conceito de “igreja”, no sentido de uma cúpula com o direito de cobrar todas as contribuições de seus membros destinadas a Deus não tem base na Bíblia. Uma cúpula não tem o direito de cobrar uma taxa de associação, como se fosse um clube, nem de cobrar um “dízimo” dos seus membros. A cúpula não é a igreja, ponto final. A igreja local consiste no conjunto de todos os seus membros.

A manutenção de um prédio para uso nas reuniões da igreja, seus móveis e utensílios etc., é uma despesa da qual seus membros devem participar segundo os critérios que eles próprios estabelecerem. Da mesma forma contribuirão para algum fundo da igreja de auxílio aos necessitados da igreja, viúvas idosas sem arrimo (1 Timóteo 5:3-6) etc.

Um membro pode, por sua conta, delegar a essa cúpula ou a outros irmãos, o direito de fazer a distribuição de um donativo, mas a responsabilidade diante de Deus continua a ser dele. Ele deve se assegurar que a finalidade do donativo foi corretamente cumprida, para evitar que aquilo que é dedicado ao Senhor seja usado para outros fins por pessoas inescrupulosas.

Nos capítulos 8 e 9 de 2 Coríntios, temos o exemplo que Paulo nos deixa de como foram feitas ofertas pelos irmãos da Macedônia aos crentes da Judéia, através das suas igrejas e dos portadores especialmente escolhidos para esse fim.

É de se notar que o apóstolo nada impôs àqueles irmãos, mas foram eles que suplicaram insistentemente a Paulo o privilégio de participar da assistência aos santos, tendo primeiro se entregado ao Senhor (2 Coríntios 8:4-5).

Paulo termina o capítulo 9 assegurando aos irmãos em Corinto, que:

1. A abundância da colheita está em proporção direta com a quantidade que é semeada (v. 6).

2. Deus é poderoso para que os que semeiam sempre tenham tudo o que é necessário em todas as coisas para transbordar em boas obras (vs. 8 a 11).

3. O serviço ministerial de contribuição não só supre as necessidades do povo de Deus, mas transborda em muitas expressões de gratidão e de louvor a Deus (vs. 12 e 13).

4. Em suas orações, os beneficiários estão cheios de amor pelos que contribuíram, por causa da insuperável graça que Deus lhes deu (v. 14).

"Graças a Deus pelo Seu dom inefável!" (2 Coríntios 9:15)

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Sou uma placa bem visível?

A maioria dos comentaristas segue a tradição católico-romana, que vem desde os tempos do imperador Constantino que assumiu liderança dessa instituição. Ele detestava os judeus, e fez com que se introduzisse uma “páscoa cristã” tendo por base as fases da lua, tendo sexta-feira como o dia da semana co

Marcos 2:1-7

Quantos de nós já levamos multas por não vermos uma placa que estava mal posicionada ou não estava bem visível? Foi o que aconteceu comigo! Um dia, ao entrar em uma rua, não vi a placa que estava bem alta e em cima da curva e levei uma multa por excesso de velocidade. Minha pergunta hoje é se nós não somos iguais essas placas quando se trata em levar pessoas para Cristo? Não é isso que de certa forma Paulo diz: “Portanto, suplico-lhes que sejam meus imitadores” (1 Coríntios 4:16).

Não estou a dizer que todos nós temos que ser evangelistas, apóstolos ou missionários, pois sei que cada um tem o seu chamado e dons perante o Senhor. Nos dias atuais, porém, muitos não atentam para o fato de que as pessoas não se convertem por dois motivos: Porque não conheceram um cristão ou porque conheceram um cristão.

Na leitura do trecho acima, vemos quatro amigos a levar um homem para ser curado e salvo por Cristo Jesus. Apesar de não termos muitos detalhes de como tudo aconteceu podemos imaginar alguns deles sem distorcer a Palavra.

Os quatro amigos ficaram sabendo que Jesus estava na cidade e eles descobrem onde Ele está ensinando. Então vão até seu amigo paralítico e cada um pega um canto de seu leito e juntos o carregam até o local. O que eles não esperavam é que quando chegassem lá teria tanta gente que ficasse difícil entrar. Na verdade, era impossível. Os quatro amigos tinham uma escolha a fazer! Eles podiam deixar pra lá, podiam ficar lá até Jesus sair ou achar outra forma de chegar até Jesus. E aí, o que fazer?

Não sabemos quem ou como, mas sabemos que alguém subiu viu o local onde se encontrava Jesus e juntos com muito esforço e dificuldade levaram o paralítico até o telhado e depois o desceram até os pés de Jesus. Por causa dos seus esforços todos viram um milagre acontecer. Imagina se eles tivessem deixado o paralítico lá ou tê-lo levado para casa por acharem de que não havia solução.

Não precisamos procurar muito para achar ao nosso redor pessoas que necessitam de um encontro pessoal com Cristo. Minha pergunta é o que temos feito por nossos amigos e familiares que estão ao nosso redor? Você talvez esteja a pensar como é difícil e problemático. Amados, as dificuldades são grandes e cheias de obstáculos. Mas aí temos uma escolha a fazer. Para isso temos que nos fazer uma pergunta: “Queremos ver um milagre em nossa família?”. Se a resposta for sim então vamos ver alguns obstáculos que precisamos vencer.

O maior destes é a oração. Nunca vamos realmente falar do amor de Deus, nunca vamos sentir algo por aqueles que estão fora dos caminhos do Senhor se primeiro não orarmos por eles. A oração é o primeiro passo de que nos importamos com eles, pois estamos depositando-os aos pés de Cristo e aí Cristo nos enche de Seu amor por eles.

Para entendermos melhor como a oração é importante quero relatar uma história de um grande missionário na África, David Livingston. Um dia um renomeado missionário voltou para Escócia para relatar a grande necessidade de missionários na África. Ao chegar a uma congregação numa noite fria e com muita neve descobriu que havia umas 10 mulheres idosas. E agora, estas mulheres não têm condições de ir para a África como missionárias? Lutando dentro de si se mudava a mensagem ou não, ele decidiu não a mudar, pois elas poderiam orar por esta situação. O que este missionário não sabia é que lá no alto tinha uma criança que estava ajudando no órgão. Após a mensagem este garoto se levantou e disse que ele iria.

Alguns anos mais tarde ele pesquisou como seria a melhor forma de chegar à África. Ele descobriu que seria sendo médico. Então ele estudou medicina e quando se formou foi para África. Um belo dia um chefe de uma das aldeias mandou avisar que ele estaria indo matar todos os cristãos daquela aldeia. David se ajoelhou e perguntou a Deus se este seria o fim. Porém, o dia chegou e eles não chegaram até eles. O que aconteceu foi o contrário o chefe daquela aldeia se converteu.

Ao perguntar o chefe por que ele não veio, o chefe respondeu que eles foram, porém ao chegar à aldeia eles se detiveram com 39 gigantes.  Ao voltar para Escócia para dar o relatório sobre o andamento dos trabalhos na África, David conta esta história. Após o culto um dos irmãos foi correndo até ele e perguntou qual seria o dia exato deste acontecimento. Ao abrir seu diário o senhor de idade mostrou que naquele dia tinha 39 irmãos em oração por David. Coincidência? Estes fatos são reais.

David enfrentou vários obstáculos, mas colocou sua vida nas mãos do Senhor. Se aquele primeiro homem não tivesse pregado e se David não tivesse orado pedindo ao Senhor ajuda naquela situação, o que teria acontecido?

Um dos nossos problemas é que estamos mais preocupados em enfiar a Palavra de Deus goela abaixo e nos esquecemos de que as pessoas só vão se importar com o que temos a dizer quando mostramos o quanto nos importamos com eles. Irmãos, temos que nos preocupar menos com o que falamos e mais como agimos ao redor deles. Temos que mostrar mais amor. O que fez com que o paralitico chegasse até Cristo não foram palavras e sim a ação daqueles quatro amigos. A maioria das portas que têm sido abertas para fazermos o trabalho aqui no Nordeste não é por causa de palavras persuasivas e sim pelo amor mostrado a eles.

O último ponto que quero comentar com vocês é o “compartilhar”. Aqui temos dois pontos importantes. Primeiro, é que quando oramos e mostramos amor automaticamente o nosso desejo é compartilhar com os outros a Palavra de Deus, ou levá-lo até alguém que possa ajudá-lo. Assim como fizeram os quatro amigos. E é através destes amigos que vemos o segundo ponto, para eles chegarem até Cristo com o paralitico foi preciso que os amigos se unissem. É por este motivo que lá em Atos somos orientados a sempre estarmos em comunhão, “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (Atos 2:42). Como posso levar outros a ter comunhão com Cristo se eu não estou tendo comunhão com o corpo de Cristo?

Amados, fomos orientados por Cristo para sermos Luz e ir por todo mundo para pregar o Evangelho e aí preciso me perguntar se estou cumprindo isso? Vamos orar, amar e compartilhar mais deste Amor que nos foi revelado na Cruz por nós.

autor: Jonathan M. Watson.
Fatos & Relatos

Uma igreja

Relato sobre o início e desenvolvimento de uma igreja independente que se orientou apenas pelos ensinos do Espírito Santo de Deus, encontrados Novo Testamento.

Dois meses atrás discorremos nesta seção sobre o início das igrejas locais independentes, de uma maneira geral.
Vamos focalizar agora numa em particular.

Escolhi uma que está distante da grande maioria dos que recebem este boletim, e quase indubitavelmente é desconhecida por todos. No entanto a sua formação é notavelmente semelhante ao que acontece com a grande maioria das igrejas independentes, inclusive em muitas áreas do Brasil.

No princípio deste ano fui aos funerais de uma senhora crente, numa aldeia distante, no sul da Inglaterra. Percorri uma estrada que atravessava bosques, campos e pastagens, e estava nevando ligeiramente. Em certo ponto, numa curva, deparei com o que parecia ser um estábulo à beira da estrada. Era de madeira, muito limpo e bem conservado. Na parede da frente tinha um grande cartaz com as palavras de João 3:16. Mais embaixo tinha uma placa menor dando o horário de reuniões e dizendo que quem quisesse comparecer seria benvindo.

 Curioso, indaguei de um irmão presente aos funerais, que conhecia aquela área, o que seria aquilo. Ele me contou que se tratava do lugar de reuniões de uma congregação evangélica, e que tinha um livrinho contando a sua história, publicado em 1960. Dias depois, gentilmente me emprestou o livrinho, que achei notável pela sua simplicidade e familiaridade. Os detalhes a seguir foram tirados dele.

“Lança o teu pão sobre as águas, porque DEPOIS DE MUITOS DIAS o acharás” (Eclesiastes 11.1) estava escrito na primeira folha, seguido da explicação que o livrinho trata de uma breve história de um testemunho cristão em Betchworth, Surrey, por mais de 100 anos - calcula-se que desde 1857.

Em seguida vem o prefácio de um personagem célebre na localidade, R.H.Burt, O.B.E., que vou traduzir: “Fui convidado a escrever um prefácio a este registro curto de um movimento humilde mas, acredito, inspirado por Deus em Betchworth. Um movimento assim não deve ser julgado pelo número dos seus seguidores, mas pelo seu efeito em suas vidas, porque a cristandade é essencialmente uma Vida (Atos 5.20), realmente um Caminho de vida (Atos 9.2). Tive o privilégio de conhecer dois dos primeiros homens que vieram prestar seu culto no ‘Barracão’. Eram homens que praticavam a justiça, amavam a misericórdia, e andavam humildemente com o seu Deus (Miquéias 6.8). Eles criam na palavra do salmista ‘para sempre, ó SENHOR, está firmada a tua palavra no céu. A tua fidelidade estende-se de geração em geração’ (Salmo 119.89-90). Eles provavam a Deus mediante o agir sobre a Sua palavra ‘Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia’ (Salmo 34.8). Somos exortados a imitar a fé de homens como esses (Hebreus 13.7).”

Por volta de 1830 houve um movimento espontâneo do Espírito Santo que levou crentes de todas as classes em várias partes do país, bem como na Irlanda, a estudarem as suas Bíblias e a resolverem se reunir da mesma forma que se fazia na igreja primitiva conforme se encontra no Novo Testamento, sem um líder humano mas confiando na direção e nas operações do Espírito de Deus (por exemplo, o que lemos em 1 Coríntios 12 e 13).

Alguns dos que participaram deste movimento em Betchworth se converteram ao ouvir as pregações de Richard Weaver, um carvoeiro. Este nasceu em 1827 e, segundo ele, nasceu de novo aos 25 anos na véspera de uma luta livre, pois era também lutador profissional. Em 1865 havia gente que andava uma légua ou mais para ouvi-lo pregar em uma grande tenda, junto com outro evangelista. No início eles se reuniram num celeiro, ao lado da estação da estrada de ferro, propriedade de um fazendeiro “quaker” que permitiu seu uso. Quando o proprietário se aposentou e vendeu o celeiro, eles tiveram que se mudar de lá, mas já muitos homens e mulheres haviam se convertido com o testemunho dado naquele local.

Um abastado proprietário da região, ao saber que haviam perdido o local para suas reuniões, ofereceu-lhes um barracão ao lado da estrada, usado para acomodar seus animais. Com muito trabalho e dedicação, eles transformaram aquele ambiente sujo e um tanto decrépito em um salão com dependências, adequado a essa finalidade. Dizem que, algumas vezes, até os animais da fazenda estavam presentes às reuniões. Mas, afinal, mesmo o nosso Salvador não nasceu numa estrebaria? Ficou sendo chamado “O Barracão” por muitos anos, nome que era usado com simpatia por todo o povo da região em deferência às pessoas sinceras que ali se reuniam para seu culto a Deus.

Mais tarde ficou sendo conhecido simplesmente como “Salão de Reuniões”. Esses adoradores estavam seguros da presença do Senhor mesmo nesse lugar humilde, pois Ele mesmo prometeu que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18.20). Logo o Seu encontro com aqueles que O amam não depende da existência de um edifício específico para tal finalidade. Aqueles irmãos confiaram na palavra do Senhor, e Ele não os desapontou. Com o tempo o Barracão tornou-se em Salão de Reuniões, e o Senhor honrou aqueles que O honravam. Como o apóstolo Paulo, eles desejavam “não ser desobedientes à visão celestial” (Atos 26:19). Eles eram verdadeiramente “obreiros que não têm de que se envergonhar” (2 Timóteo 2.15) e o seu trabalho tem permanecido “depois de muitos dias”, ou seja, até hoje.

Um dos pioneiros, devotado ao trabalho de ensino das crianças na escola dominical que conduzia, ainda é lembrado pelo autor quando já bem velhinho, sentado na porta da frente de sua casinha com a Bíblia na mão, meditando sobre a promessa em João 14.2 “vou preparar-vos lugar”. Ele disse: “que contraste com Judas, porque aprendemos que ele foi “para o seu próprio lugar” (Atos 1.25).

 Certo domingo, dois dos crentes que ali se reuniam caminhavam para a reunião matutina da Ceia do Senhor, quando um deles, tirando o relógio da algibeira, declarou “São onze horas e chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos” (Lucas 22.14). Estavam atrasados. Não conversaram mais entre si, considerando que a reunião já havia começado.

São dois exemplos singelos de como aqueles irmãos se achavam imbuídos da Palavra de Deus, que nos faz conhecer a mente do Senhor permitindo que sejamos instruídos pelo seu Espírito Santo.

Um dos pregadores, chamado Mr. Jones (não é meu parente ...) tinha uma voz muito poderosa e era ouvido por uma boa distância afora do Barracão. Um vizinho, rico, ouvia suas pregações sem querer e ficava perturbado, pois o evangelho é o poder de Deus (Romanos 1:16). Um dia instruiu seu jardineiro a por fogo no Barracão. Este lhe respondeu que não podia porque era um dos que se reuniam lá, tendo se convertido havia pouco tempo atrás!

Naqueles dias, os convertidos durante as pregações eram batizados imediatamente após a reunião (Atos 8.36-38, etc.) e geralmente voltavam para casa com as suas roupas molhadas. Houve o caso de um senhor de 87 anos, dobrado com reumatismo, batizado assim em 1877.

Mais de uma vez a pergunta tem sido feita: “Quem paga todas as despesas necessárias para o trabalho desenvolvido na Sala de Reuniões?” A resposta simples é “o trabalho é do Senhor e o SENHOR proverá”. O autor diz que quando olha para os montes que cercam o local e vê o gado pastando tranqüilamente, imediatamente lhe vem à mente o versículo “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém” (Salmo 24.1). Ele pode atestar que sempre que apareceu uma tarefa para ser realizada o Senhor tem sido fiel, assim como o apóstolo Paulo testemunhou aos crentes de Filipos “o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4.19). Essa foi a experiência dos que se reuniam no Barracão, e os seus sucessores.

Em 1942 o Barracão e o terreno em que está construído foi posto à venda pelo seu proprietário, quando já havia fundos suficientes providos pelos crentes que lá se reuniam para realizar a compra o que, então, fizeram.

O livrinho termina lembrando-nos que Deus não muda e nunca mudará. Assim como no passado, estamos servindo o mesmo Senhor que conhece todas as nossas necessidades e tudo o que almejamos. Talvez não haja ainda muitos mais dias para acrescentar à sua história, pois o Senhor voltará em breve (isso o autor disse há 41 anos atrás). Até esse dia, é o seu desejo que o Barracão seja preservado para a finalidade feliz e santa de adorar a Quem se dispõe a encontrar o Seu povo numa construção tão humilde e que tem Se interessado pelos que se encontram ali através de todos esses anos. Que ele possa continuar a abençoar aqueles pregam e aqueles que ouvem o Evangelho ali, e que Ele abençoe especialmente a instrução das crianças naquele local, pois são as Escrituras que podem fazê-las sábias para a Salvação.

Termina aqui o livrinho. Pessoalmente, encantam-me os fatos que:

aqueles crentes são totalmente independentes de homens e de suas associações, submetendo-se unicamente ao Senhor e ao ensino do Espírito Santo através da sua Palavra.
confiam inteiramente no Senhor para o suprimento das suas necessidades.
reúnem-se com o propósito de adorar a Deus.
não se preocupam com a humildade do ambiente onde se reúnem.
têm as portas abertas para quem quiser entrar.
estudam e se guiam pela Palavra de Deus.
pregam o Evangelho de Cristo e batizam os que se convertem.
lembram a morte e a ressurreição do nosso Salvador regularmente na Ceia do Senhor.
Notem que o autor não entra em detalhes sobre a ordem da administração e do culto, muito debatidos entre nós e que causam até divisões não só dentro das igrejas mas entre igrejas. Nem sequer chama a congregação de “igreja”, o que seria perfeitamente correto. Penso que as suas prioridades estão certas. E as nossas?

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Uma libação

Entre os israelitas, uma libação consistia em derramar líquido, geralmente vinho forte (Números 15:5,7, Oséias 9:4), sobre o holocausto no altar.O apóstolo Paulo se refere a esta libação quando diz que se alegra e congratula com os crentes em Filipos mesmo que ele fosse oferecido por libação sobre o

Entre os israelitas, uma libação consistia em derramar líquido, geralmente vinho forte (Números 15:5,7, Oséias 9:4), sobre o holocausto no altar. Por ser inflamável ele queimava bem e ajudava a queimar o holocausto, produzindo um cheiro agradável. Era sempre derramado, nunca bebido.

O apóstolo Paulo se refere a esta libação quando diz que se alegra e congratula com os crentes em Filipos mesmo que ele fosse oferecido por libação sobre o sacrifício da sua fé (Filipenses 2:17). É uma belíssima figura de linguagem ilustrando o que a vida do crente realmente deveria ser.

A libação era acrescentada às ofertas queimadas e às ofertas de manjares, transformava-se em chamas, e desaparecia. A libação não era oferta pelo pecado, mas apenas uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR (Números 15:10).

O Senhor Jesus Cristo foi o sacrifício supremo pelo nosso pecado. A vida do crente deve ser uma libação, “despejada” agradavelmente diante de Deus e consumida de tal forma que o único que se vê depois é o nosso bendito Salvador.

Tantos gostariam de ser lembrados tendo seus nomes gravados em pedra para todos verem, mas Ele é quem deve receber toda a honra e toda a glória. Anos mais tarde, percebendo que estava chegando ao fim de sua vida aqui no mundo, o apóstolo Paulo novamente usa essa expressão em sua segunda epístola a Timóteo: estou sendo já oferecido por libação (2 Timóteo 4:6).

Seu epitáfio, por assim dizer, é o que encontramos logo a seguir: em pouquíssimas palavras ele define sua vida passada, e a sua vida por vir. Mas que epitáfio!

  1. Combati o bom combate - sem dúvida ele foi um bom combatente, mas aqui ele se refere ao combate como sendo “bom”. Ele esteve ao lado de Cristo, que é a Luz, e o Caminho, e a Verdade, e a Vida, no combate contra as trevas, o mundo, o diabo, e a morte. Estamos também combatendo este bom combate? Ou desviando nossas forças para, por exemplo, combater nossos irmãos na fé por que não concordam com nosso ponto de vista? Todo o crente deve ser um defensor inabalável da Bíblia, que é a Palavra de Deus, e das grandes verdades que ela contém. Mas evitemos colocar nela nossas próprias idéias prediletas, quando ali não se encontram: é o início da heresia, que divide as igrejas.
  2. Acabei a carreira - a vida do crente é uma carreira. Não em competição com outros, olhando em volta e procurando vencê-los na concorrência para o prêmio. A carreira proposta para cada crente é individual, e consiste de circunstâncias e obstáculos próprios para ele. É necessário perseverança, desembaraço de todo o peso e pecado, disciplina (1 Coríntios 9:27), e olhar firmemente para o Autor e Consumador da Fé, Jesus (Hebreus 12). Alguns de nós sabemos que estamos no fim da carreira, outros achamos que temos ainda muito território a percorrer: corramos de tal forma a não ter de que nos envergonhar quando chegarmos ao fim.
  3. Guardei a Fé - Deus, por Sua graça, nos concede a Fé que consiste no conjunto de verdades e doutrinas da Sua Palavra, compreendidas no Evangelho de Cristo. Todo o crente tem por dever guardar a Fé. Um pouco antes, neste mesmo capítulo 4 de 2 Timóteo, somos prevenidos que haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Poderíamos ter uma descrição mais exata dos tempos atuais? Esta profecia está sendo cumprida por toda a parte. Como Timóteo, todo obreiro deve pregar a palavra ... corrigir, repreender, exortar com toda a longanimidade e doutrina (ver. 2).
  4. O tempo da minha partida é chegado - embora o apóstolo aguardasse a volta de Cristo para buscar a Sua igreja, a qualquer momento, como todo o crente até hoje, ele sabia que lhe restava pouco tempo de sua vida aqui. Encarando a morte física, ele não a considerava como uma chegada ao “porto de destino” depois de uma longa viagem aqui, como alguns poderão pensar, mas como a partida do “porto de origem”, terrestre, para uma viagem pela eternidade. A vida aqui foi curta, como uma libação. A vida eterna é assim: não partimos para a “viagem” ainda, enquanto estivermos neste planeta.
  5. Já agora a coroa de justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia - a coroa de justiça é um galardão, entre outros, que será dado a todos quantos amam a vinda do Senhor. Para amar a vinda do Senhor é necessário amar o próprio Senhor. Todos os que amam ao Senhor, guardam os seus mandamentos (João 14:21).

Que a nossa vida, como a de Paulo, também seja uma libação, uma oferta de aroma agradável ao Senhor!

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Uma lição de obediência

Este é um relato biográfico do Sr Guilherme Maxwell, um escocês que veio ao Brasil na missão de proclamar o Evangelho de Deus e de dar crescimento a igrejas no Triângulo Mineiro, feito pelo seu genro, Ronald Watterson.

1 Reis 13:1-32

Certo dia, quase três milênios atrás, quando o rei Jeroboão de Israel foi oferecer incenso a um bezerro de ouro no altar que construíra na cidade de Betel, um homem de Deus (designação dada aqui ao profeta) foi enviado de Judá por ordem do Senhor para denunciar o altar idolátrico. Este homem previu que um rei de nome Josias surgiria da casa de Davi e queimaria os sacerdotes idólatras sobre o altar. 

Como sinal de que a profecia seria cumprida, o homem de Deus declarou que o altar se fenderia e que a cinza se derramaria dele. Ouvindo isto o rei estendeu a mão sobre o altar e ordenou que prendessem aquele homem. Mas não conseguiu recolher a sua mão, o altar se fendeu e a cinza se derramou dele, evidenciando que a profecia se cumpriria. 

Jeroboão não sabia que o cumprimento da profecia só se daria mais de 300 anos depois, como relatado em 2 Reis 23:15-16. Pediu ao homem de Deus que suplicasse ao Senhor que lhe restituísse a mão, o que ele fez e a mão voltou ao normal. Jeroboão então quis agradá-lo e o convidou a ir até sua casa, onde lhe daria uma recompensa. 

Contudo, o homem de Deus declarou que nada queria dele, porque o Senhor lhe havia ordenado que não comesse pão, nem bebesse água, e que voltasse por outro caminho. E seguiu por outro caminho, fiel ao que lhe havia sido ordenado. 

Infelizmente, porém, logo em seguida ele se deixou convencer por um velho profeta mentiroso que morava em Betel, a ir até a sua casa para comer pão e beber água. Enquanto estavam à mesa, a palavra do Senhor veio ao velho profeta, e ele a clamou ao homem de Deus: porque fora rebelde e desobediente à Sua ordem, ele não seria sepultado com os seus pais. 

Ao continuar o seu caminho, o homem de Deus foi morto e despedaçado por um leão. O velho profeta foi até onde estava o seu cadáver, levou-o de volta para a cidade, pranteou o morto e o sepultou no seu próprio sepulcro. 

Deus exige obediência antes de tudo. "Por um só ato de desobediência veio o juízo sobre todos" (Romanos 5.18). Isto se refere ao pecado de Adão, que desobedeceu ao único mandamento que Deus lhe deu. O homem de Deus tinha se desempenhado muito bem numa tarefa muito perigosa, transmitira uma mensagem de castigo sobre o altar de Betel, na presença do rei e dos sacerdotes idólatras ali presentes e ousou recusar o convite do rei, feito em agradecimento por ter obtido a cura da sua mão. 

Mas, logo em seguida, o homem de Deus aceitou a palavra de alguém que contrariava a instrução clara que Deus havia lhe dado. Foi fatal para ele. Que nos sirva de advertência para nunca deixar que a palavra, ou ensino, de homens nos faça desobedecer à Palavra de Deus como a encontramos na Bíblia, mesmo que digam que tiveram uma revelação especial da parte de Deus. Ele não se contradiz, nem admite que qualquer ser o faça. 

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Um fato ocorrido em Loanda

Experiência desapontadora havida com um homem que não se converteu a Cristo porque não quis "mudar de religião".

A palavra de Deus não volta vazia: “Porque, assim como a chuva e a neve descem dos céus, e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra e a fecundem e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei” (Isaías 55:10-11)

Há alguns anos o irmão Theodor Hahlen e eu estávamos realizando uma série de reuniões evangelísticas com uma tenda em Loanda, no Paraná. Lembro-me que saindo para distribuir convites naquela manhã, ao bater numa casa percebi que o rádio estava sintonizado na Rádio Aparecida e senti um enorme desejo de visitar aquela família. Contei ao irmão Theodor e convidei-o a uma visita e ele aceitou.

Logo ao batermos palmas, saiu à porta um velho alto, lhe falamos do nosso propósito e ele nos convidou a entrar. Entramos, sentamos e conversamos longamente diversos assuntos preparando o terreno antes de lermos a Bíblia. Lembro-me que o nome daquele homem era Mateus. Sua esposa demonstrando muito medo continuou onde estava na cozinha e pelo corredor percebi que estava muito preocupada.

Já havia passado um bom tempo e tínhamos conversado de tudo, então resolvi pedir permissão ao Sr. Mateus para lermos a Bíblia, e ele sem hesitar disse: “Pode sim, só que eu já vou avisar que sou católico apostólico romano e não mudo de religião”. Não tem problema, respondi e convidei o irmão Theodor para a leitura.

Quando o irmão abriu a Bíblia o homem furioso tornou a falar: “Se quiser ler pode ler, só que já avisei que não mudo de religião”. Isso se repetiu por várias vezes, até que lhe perguntei: “Sr. Mateus, desde que entramos aqui em sua casa, por acaso temos por uma só vez pedido para o senhor mudar de religião?”. O homem emudeceu e todos ficamos um bom tempo em silêncio. Então resolvi perguntar-lhe: “E daí Sr. Mateus qual é sua resposta?”. De repente o homem se levantou cuspiu na parede por duas vezes e saiu para os quartos como se fosse buscar uma arma para nos expulsar, nisto nos entreolhamos, fechamos nossas Bíblias e ficamos de prontidão para corrermos, porém, depois de um bom tempo, o homem voltou e se sentou. Ele tremia muito, então percebemos que devíamos nos retirar.

Como não podia ser diferente, aquele acontecimento nos deixou intrigados tendo em vista que fizemos a visita no propósito de explicar o Evangelho. De lá saímos sem ao menos ler a Bíblia e nem falamos do Amor de Deus e da Salvação. Semanas depois do trabalho com a tenda, como de costume fazíamos visitas aos sábados e em um desses dias encontrei na rua o Sr. Mateus. Ele parou, me olhou aparentando estar assustado, eu logo o cumprimentei e em seguida propus-lhe nova visita, dizendo: “Sr. Mateus qualquer dia destes vou novamente à sua casa, está certo?”. Ele me respondeu: “Pode ir o dia que quiser”.

No sábado seguinte fui até sua casa. Ele era (como a maioria dos mineiros), um homem bom de conversa. Enquanto conversávamos assuntos fora da Bíblia disse a ele: “Sr. Mateus, gostaria da sua permissão para ler a Bíblia”; ele me respondeu: “Pode sim, só que eu já lhe avisei que sou católico apostólico romano e não mudo de religião”. A partir desse dia não dei confiança para suas palavras, li e expliquei o Evangelho, sendo muitas vezes interrompido por ele, num tom forte de voz, com a mesma frase: “Eu já disse que não mudo de religião”.

Por um bom tempo continuei visitando este casal, quase todos os sábados. Sua esposa foi chegando bem devagar e com o tempo, quando eu chegava para a visita, ela passou a ser a primeira pessoa que se sentava na sala para ouvir o Evangelho.

Depois de muitas visitas, sempre ouvindo a mesma coisa do Sr. Mateus, ele adoeceu. Em minha última visita, já moribundo em seu quarto, pois seu estado de saúde se agravara ao ponto dele já não mais poder se levantar ou sentar, eu anunciei que ia ler a Bíblia e ele, em tom de ira, gritou e repetiu: “Eu já estou cansado de lhe falar que não mudo de religião, vocês ficam insistindo em ler”. Desta vez ele estava muito mais irado.

Sua esposa, ao seu lado, o repreendeu e disse: “Mateus, você está doente, o homem vem aqui para fazer visita e trazer uma palavra de Deus para nós e você o trata com essa braveza?”, Sem nenhum temor ele respondeu: “Eu não quero, não quero, eu não mudo de religião, já falei, eu não quero”. Naquela manhã, naquele quarto sombrio, li a Bíblia e orei com o casal sendo esta a última oportunidade que Deus concedeu ao Sr. Mateus e ele a desprezou. Na semana seguinte ele foi para a eternidade, rejeitando a Salvação e o Amor de Deus revelado em Jesus Cristo, Seu Filho.

Contudo, há um resultado positivo nesta história. Após a morte de Sr. Mateus, sua esposa foi residir no Mato Grosso do Sul com um filho. Fui informado por uma neta deles que ela se converteu ao Senhor Jesus e estava muito feliz.

Analisando este fato podemos tirar algumas lições:

  1. O POVO DE ISRAEL NO VELHO TESTAMENTO – Quantas foram as vezes que Deus deu oportunidade para aquela nação se arrepender do mau caminho e mudar de vida, porém aquela nação não quis, preferindo seguir o seu próprio caminho que era o da idolatria.
  2. O POVO JUDEU NO NOVO TESTAMENTO – Naquele tempo, esse povo teve a oportunidade de ter entre eles a pessoa do Senhor Jesus, presenciar Seus milagres cumprindo com as profecias, contudo não quiseram, desprezaram e rejeitaram o Senhor Jesus, que veio para a casa perdida de Israel.
  3. O POVO EM GERAL NOS DIAS DE HOJE – Em nossos dias o Evangelho da graça é pregado insistentemente, mas o pecador permanece rejeitando a graça salvadora de Deus por continuar vivendo debaixo das tradições religiosas. Outros se entregam aos prazeres da carne e ao luxo como se fossem viver aqui eternamente, porém, caso não se arrependam, quando se aperceberem do seu triste e lamentável fim, será tarde demais.

Confesso que ainda hoje, depois de tantos anos, sinto profunda tristeza quando me lembro do Sr. Mateus, mas, ao mesmo tempo, sinto uma paz divina ao me lembrar de sua esposa pelo testemunho de sua neta: “Minha avó se converteu ao Senhor Jesus e está muito feliz”.

Meus irmãos, companheiros no Serviço do Senhor, que esse testemunho sirva para animá-los na Obra do nosso Mestre, visto que a Sua Palavra não volta vazia sem dar o seu fruto, quer seja no exemplo do Sr. Mateus, que apesar de ouvir muitas vezes O rejeitou, ou no de sua esposa que O aceitou e se converteu. Glórias sejam dadas a Deus e ao Seu Bendito Filho Jesus Cristo. Amém!

Fatos & Relatos

Um novo mandamento vos dou!

Pertencemos à igreja (ou congregação, assembléia) de Deus e de Cristo. Que isto seja evidente pela nossa conduta e expressão, sem procurar nos identificar a nós próprios, ou aos nossos trabalhos em conjunto, mediante algum nome que nos torne, efetivamente, em ainda outra “denominação”.

João 13:34

Nestes últimos dias Deus tem me levado a ler a primeira carta de João. Uma carta cheia de ensinamentos que nos ajudam a ver como a igreja primitiva vivia e nos dá fortes ensinamentos de como não estamos vivendo de acordo como Deus quer de nós. Temos ensinamentos sobre pecado, tentação, comunhão e, principalmente, sobre o Amor, o qual é o tema principal da carta. Pena que nos dias de hoje o amor está a faltar dentro das igrejas, não é verdade?

Você percebeu como João chegou a esse assunto? Primeiro ele fala da comunhão com Deus, depois abre nossos olhos quanto ao viver em pecado. Entretanto, ao confessarmos os nossos pecados temos um Advogado intercedendo por nós perante o Pai – Cristo Jesus. Quando então finalmente nos conscientizamos da situação em que nos encontramos, João nos deixa bem claro acerca da falta de amor que podemos estar a viver. Como então podemos dizer que estamos em Deus?

João, no começo da carta, revela-nos que ele estava a escrever sobre as coisas que testemunhou. Com isso minha mente foi levada até o local onde Jesus realizou a primeira Ceia. Mas por nos deixar envolver com aquilo que tantos estudiosos pensam, e não no que Deus realmente fala, deixamos de perceber que lá, naquele recinto, Jesus mostrou uma ordem fundamental a ser seguida para o crescimento e a união da Igreja. Primeiro, Ele deu um ensinamento, depois um mandamento e finalizou com uma ordenança. Tudo foi selado com Seu grande ato de Amor, quando deu Sua vida por nós na Cruz do Calvário.

Seu ensinamento

Ensinamento é um conjunto de ideias ou conhecimentos a serem transmitidos. O Senhor Jesus quando entrou naquele lugar a primeira coisa que fez foi lavar os pés dos Seus discípulos. Com este ato Ele pôde nos ensinar que nosso irmão é mais importante que nós mesmos e que devemos estar prontos para colocar as necessidades do nosso próximo acima dos nossos (1 João 3:16, Mateus 20:26). Se realmente formos autênticos vamos perceber que este ensinamento vai à contramão do que a grande maioria das igrejas pratica nos dias atuais. Está na hora de voltarmos à verdade e proclamarmos que estamos aqui não para sermos servidos e sim para servir.

Seu mandamento

Mandamento é a ordem dada por uma pessoa que tem autoridade. Para Jesus poder nos dar este novo mandamento, primeiro Ele teve que provar que tinha autoridade para fazê-lo. Em Mateus 7:29 as testemunhas descrevem que Jesus ensinava com autoridade, pois Ele vivia o que falava, não era igual aos escribas que ensinavam, porém não viviam. Até o governador Pilatos comprovou isso e declarou que não havia n’Ele pecado (João 19:4). Além disso, tanto o ato que acabara de realizar como toda a Sua trajetória aqui nos revelam que Cristo nos ama. Paulo, ao escrever para a igreja em Corinto, fala que eles, como nós, deveriam ser seus imitadores, como ele é de Cristo (1 Coríntios 11:1). O Senhor Jesus, com Sua autoridade, nos manda amar o nosso próximo. Mas, de fato, o que é isso?

João, em sua carta, deixa bem evidenciado que se dissermos que amamos a Deus, mas odiamos o nosso irmão, Deus não está em nós. No capitulo 3, ele dá exemplos do que é amar, mostrando como não devemos agir:

1. Por inveja: Como lemos em Gêneses 4, Caim matou seu irmão Abel por inveja. É de costume, pois isso nos é ensinado na vida secular, que devemos ser melhores que nossos concorrentes, e que o sucesso deles não deve ser visto com alegria e sim como um combustível para fazermos melhor a fim de ultrapassá-los. Isso é inveja! É o desejo irrefreável de possuir ou gozar o que é de outrem. No ensino médio, os alunos parecem ver seus amigos como inimigos na luta por uma vaga da faculdade, o objetivo será derrubá-los. Assim fez Caim. João deixa claro que nós não podemos ser assim. Nossa união deve ser a de procurar o bem do outro. Por isso Paulo nos alerta e orienta para que devamos suportar uns aos outros (Efésios 4:2). Suportar aqui nunca pode ser traduzido como tolerar. Suportar é dar suporte, ser uma bengala de apoio. Temos sido esta bengala? Temos nos alegrado com as conquistas dos outros?

2. Possuir recursos: Hoje se fala muito em prosperidade. Mas João novamente vai à contramão deste falso ensinamento e declara que se temos recursos, que aqui é claramente dinheiro e bens materiais, e não ajudamos nossos irmãos, órfãos e viúvas não temos amor por eles. Admoestação forte, não é irmão? A igreja primitiva tinha tudo em comum, desde os ensinamentos e orações até o dinheiro (leia com atenção Atos 2:42-45). Hoje temos investido dinheiro em poupança, bens materiais, como carros, grandes construções etc. Entretanto, temos negligenciado as necessidades dos irmãos, não é verdade? Não estamos mais investindo na obra do Senhor e sim em edifícios de “igrejas” e em relatórios muitas vezes fabricados com a intenção dos irmãos se compadecerem. Irmãos, Deus espera de nós um coração aberto (2 Coríntios 9:7).

3. Sua senhoria o fato: Tiago, na sua carta, nos relembra que “fé sem obras é morta” (Tiago 2:17). João deixa claro que Amor não é uma palavra e sim uma ação. Ele fala que devemos amar de fato e de verdade e não só com palavras. Estamos prontos a dar a nossa vida pelo irmão? Temos que levar este mandamento mais a sério e pô-lo em prática, como afirma Tiago: “Sede cumpridores da Palavra e não só ouvintes” (Tiago 1:22). Jesus falou sobre isso na parábola do bom samaritano (Lucas 10:25-37). Muitos cristãos têm levado esta parábola a sério e ajudado muito os outros, mas os mesmos têm negligenciado a ajuda ao seu próprio irmão, como isso é possível? Jesus deixa claro que nosso próximo é todo aquele que está ao nosso redor. Pensamos bem neste fato.

Sua Ordenança

Ordenança é lei ou regra feita por governante ou autoridade. Após ter mostrado e falado sobre amor, Jesus fala sobre comunhão. Na Sua oração, conhecida por oração sacerdotal, em João 17, Jesus ora por nós, e no versículo 21 Ele pede a Deus que sejamos como Ele e o Pai são um. Sejamos assim também! Será um exemplo para os incrédulos e o propósito maior é a salvação de almas. Quando João fala da comunhão com Deus e sobre o amor, fala sobre a importância da comunhão não mais com o mundo, mas entre os irmãos (1 João 1:7).

A palavra comunhão significa ação ou efeito de comungar, de realizar ou desenvolver alguma coisa em conjunto. Ou seja, é estarmos unidos com o mesmo intuito. Era isso que a igreja primitiva fazia. Tendo isso em mente vamos perceber que quando se fala da Santa Ceia na Bíblia, o principal ingrediente não é somente os símbolos – o Pão ou o Cálice – e sim que estejamos em comunhão um com o outro. Começamos a entender que quando Jesus diz fazei isso em memória de Mim, não está se referindo a tomar o Pão e o Cálice, mas sim a compartilhar o Pão e o Cálice um com o outro. A Ceia vem da palavra latina que significa jantar. Portanto, esse “jantar” é uma comunhão entre irmãos, juntos lembremo-nos do que Jesus fez por nós.

Em Mateus 5:24 o Senhor Jesus mostra aos seguidores da lei que ter comunhão com o irmão é mais importante que o sacrifício que ofertavam. Não é diferente com a Ceia. Porventura temos na Ceia o mesmo sentimento que os judeus faziam com o Sacrifício? Ou seja, um mero ritual religioso de cumprimento de escala sem nenhum agrado a Deus. Temos deixado a comunhão de lado, da mesma forma que houve na igreja de Corinto, quando Paulo os repreendeu? Basta ler com atenção 1 Coríntios 11. Levando estas coisas mais a sério, vamos colocar o novo mandamento em prática.

Irmãos, imaginem a cena: “Um não convertido entra na Ceia do Senhor e lá vê um irmão que está brigado com outro”. Você realmente acha que este irá querer se converter? É claro que não! O autor aos Hebreus nos lembra de que somos rodeados de grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12:1). Por isso é muito importante levar o nosso testemunho mais a sério, principalmente nossas ações. Temos que mostrar mais amor. Não fazemos isso para ganhar pontos com Deus e/ou com os homens, e sim para ganhar almas para Deus. Nossas ações falam muito mais que nossas palavras. É por isso que João reforça que só estamos em Deus se também amamos nosso irmão.            

O esfriamento tem acontecido, não no mundo e sim dentro das próprias igrejas. Então vamos voltar para a Palavra de Deus e cumprir o Novo Mandamento que Deus nos deu através de Seu Filho Amado: AMAR A SEU IRMÃO! Glória seja dada a Deus!

autor: Jonathan M. Watson.
Fatos & Relatos

Uso da coreografia em adoração

Quanto à coreografia, não temos exemplo de coreografia no templo no Velho Testamento para seguir, ou não, muito menos ainda no Novo Testamento. Quanto à ocasião em que se alega que o rei Davi dançou, que alguns costumam usar como pretexto para dançar na igreja,ele estava saltando e rodopiando na pro

Existe base bíblica para permitir ou rejeitar a implantação de um grupo de coreografia para acompanhar o louvor nos cultos da igreja? Quando se diz que Davi dançou para o Senhor, isto significa que também podemos, ou não, incluir a coreografia em nossas reuniões?


Antes de publicarmos nossa resposta, lemos as opiniões dadas nestes dias por diversos irmãos no Brasil e no exterior. Fizemos uma compilação delas, limitada apenas ao escopo das perguntas, e a transcrevemos a seguir, resumida pela premência de espaço. Um dos anciãos entre os nossos obreiros ponderou, sabiamente: “a boa interpretação das Escrituras e o bom senso é o que deve prevalecer para a glória e a honra do Senhor!”  Assim seja.

Bases bíblicas para permitir a coreografia:

  •  A Bíblia traz algumas menções de pessoas que dançaram em ocasião de alegria e festa - como Miriam e Davi - ou do povo de Deus se lamentar de não poder dançar por haver perdido o júbilo (Lamentações 5:15). Como toda expressão de comunicação, a música comunica alegria. Logo, a dialética recai não em cima da dança em si - o ‘se’ - mas ‘a quem’ e ‘o que’ eu vou comunicar através da dança. Os que dançavam em louvor não dançavam PARA O POVO: eles dançavam PARA DEUS. Qualquer expressão de louvor não deve ser dirigida A HOMENS, mas a Deus. E é Deus quem julga se o coração de quem dança é para Ele ou não.
  • Não existe qualquer referência no Novo Testamento dizendo que os cristãos da igreja primitiva dançavam, assim como também não existe qualquer referência dizendo que eles usavam hinários e Bíblias impressos, ou que usavam batistérios nas igrejas, etc. O fato de uma prática não estar registrada no início da igreja não a desabona como prática abominável.

Bases bíblicas para rejeitar a coreografia:  

  • Para que Deus aceite algo de nós (seja um sacrifício de louvor, algum serviço feito para Ele, etc.), além de uma atitude interna correta, é necessário um comportamento externo correto. As coreografias são algo que Ele não pediu.
  • Essa prática pode nos levar para mais longe da simplicidade do modelo apresentado nas Escrituras (2 Coríntios 11:3).
  • Pode escandalizar alguns (1 Coríntios 8:9, 10:32).
  • O sacrifício de louvor é o fruto dos lábios que confessam o seu nome (Hebreus 13:15), portanto para que sejamos agradáveis a Deus a voz deve prevalecer ao som dos instrumentos.
  • A coreografia introduzida em algumas igrejas é imitação dos grupos do mundo, e não nos devemos amoldar a ele (Romanos 12:1-2).
  • A carne (Gálatas 5:13,16-21), o mundanismo e satanás impedem o perfeito louvor a Deus com o nosso corpo. Então devemos ter cuidado!

O exemplo de Davi significa que podemos segui-lo:

  • Não há absolutamente nada no texto e no contexto bíblico que nos leve a concluir que Davi teria praticado um ato mundano quando dançou diante do Senhor. O texto em questão ensina que ele “dançava com todas as suas forças diante do SENHOR”. Quando sua mulher o repreendeu ele respondeu que ainda mais desprezível ele se faria e se humilharia aos seus olhos perante o SENHOR (2 Samuel 6:21-22). Na nação de Israel a dança não só era usada no contexto de louvor a Deus como foi por Ele ordenada. Não podemos esquecer do Salmo 150 que diz ao povo de Israel onde e como louvar ao Senhor: “Aleluia! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento, obra do seu poder... louvai-o com adufes e danças... todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia!”. Lembremos-nos que toda a Palavra de Deus é inspirada.

O exemplo de Davi não serve para nós:

  • O vocábulo “dança” em 2 Samuel 6:14 vem da palavra hebraica karar, raiz primária que significa rodopiar.

De nossa parte, ponderamos o seguinte:

Em adoração, bem como na apresentação do Evangelho, toda a glória deve pertencer ao Senhor. A doutrina bíblica proclama que todo o ministério cheio do Espírito Santo é focalizado em Deus, é modesto e não é exibicionista: “não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor” (2 Coríntios 4:5), “… é necessário que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30), “… para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1 Coríntios 1:29), “Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei…” (Isaías 42:8).

Ninguém pode se gloriar na presença do Deus onipotente. Ninguém pode ao mesmo tempo adorar a Deus e exibir-se. Na verdadeira adoração o individualismo deve retroceder e um crente em Cristo nunca deve adotar, imitar, divertir-se ou se entregar ao exibicionismo vão deste mundo.

Devemos sempre estar de alerta contra a tendência humana de exaltar a carne, de sobreestimar o homem e de servir-se a si próprio, de ser “mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela” (2 Timóteo 3:4).

A dança fazia parte da cultura dos israelitas (e ainda faz), sendo parte integrante das suas recreações e festas, mas não do seu culto no templo. Os eruditos nos informam que as danças de rodopios eram uma atividade comum nas aldeias, especialmente entre as crianças e os mais jovens, exigindo coordenação e dando uma imagem de energia, ação, entusiasmo e alegria, e como tal são mencionadas nos Salmos 149 e 150 (traduzidas como “flauta” na versão de Almeida). A Bíblia também nos fala de mulheres dançando isoladamente ou em grupos como demonstração de alegria. Deve-se notar que nada tinham em comum com as danças e bailes de contato físico entre os sexos, nem com a “arte” da coreografia e drama “cristãos” de hoje. Não temos, portanto, exemplo de coreografia no templo no Velho Testamento para seguir, ou não, muito menos ainda no Novo Testamento.

Quanto à ocasião em que se alega que o rei Davi dançou, que alguns costumam usar como pretexto para dançar na igreja, lemos em 2 Samuel 6:14 “E Davi saltava com todas as suas forças diante do SENHOR” e, mais adiante, no versículo 16 “vendo o rei Davi, que ia bailando e saltando diante do SENHOR” (RCA-SBB 1998). Ele estava saltando e rodopiando na procissão triunfante em que a Arca do SENHOR era levada novamente ao tabernáculo em Jerusalém. Notemos: não era um culto de louvor dentro do templo, nem se tratava de uma coreografia ensaiada. Ele deixou suas vestes reais para vestir uma simples vestidura sacerdotal e pular e rodopiar jubilosamente entre o povo. Sua mulher Mical o observou pela janela e o desprezou - aos seus olhos isso não era comportamento digno de um rei. Mical é chamada “filha de Saul” aqui, talvez para realçar que a sua atitude de desprezo ao culto a Deus lembrava a do seu pai.

Temos, sim, um exemplo sublime dado por Davi neste episódio: ele pôs de lado toda a pompa e os símbolos e vestes da sua própria realeza a fim de humildemente juntar-se ao povo jubilante, dando toda a glória e honra ao SENHOR, simbolizado pela arca. Que também seja esta a nossa atitude de espírito ao louvarmos ao nosso Deus, Salvador e Senhor, colocando de lado tudo o que poderia nos engrandecer e envaidecer, e nos juntando aos nossos irmãos com humildade para alegremente render a Ele, o nosso culto de adoração.

autor: R David Jones.
Fatos & Relatos

Vamos voltar para o Livro?

Um crente em luta com câncer expressa seus pensamentos e sentimentos em virtude da sua fé em Deus e o que pode esperar para o futuro.

Quantos livros são escritos por ano no mundo? Creio que milhares! Imagine em uma década, nos últimos 50 anos, ou até em um século. Vai além de nossa imaginação! Eles passam e caem de moda. Entretanto, há um livro que é o mais vendido em todo o mundo que vem ultrapassando os séculos, o único que é vivo, pois através dele Deus fala a esta geração na era pós-moderna. Este Livro dos livros se chama a Bíblia, não há outro igual.

Você já parou para considerar o valor inestimável do Livro que Deus deixou em suas mãos? Quantas vezes você o tem lido por inteiro, apreciando esta maravilha que temos ao nosso dispor?

Atualmente, temos tido a necessidade de mudar e inovar para ficarmos atualizados com esta era da eletrônica, modificando nossos pensamentos e estratégias para alcançar o perdido. Isto quer dizer: “viver politicamente correto”. Mas o que devemos perguntar é: “aonde esta atitude vai nos levar?” Será que “estamos certos diante de nosso Deus”?

Se fizermos uma análise sincera, há um “grande” risco nesta maneira de agir ao se procurar fazer as coisas para agradar aos ouvintes, esquecendo-nos de procurar a vontade de Deus para agradá-Lo. Há perigo em se aceitar caminhos que a Escritura Sagrada mostra que são contrários ao caminho de Deus. É muito bom avaliarmos nossos pensamentos, hábitos, inovações, para ver se eles vêm de Deus ou dos homens! E pensar no fato: “se somos verdadeiros cristãos, estamos agradando a Deus”? Não estamos a seguir as pegadas da igreja de Éfeso (Apocalipse 2:40), deixando o primeiro amor? Ou a igreja em Pérgamo (Apocalipse 2:14,15), seguindo doutrinas humanas que não agradam ao nosso Deus? Cuidemos, pois com Deus não se brinca! Dura coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

No princípio Deus falou, e pela Sua Palavra tudo foi criado. Adão sabia o que agradava a Deus e deve ter ensinado seus filhos a agradá-Lo também. Portanto, que tristeza Adão não teve em ver Caim seguir o seu próprio caminho, fazendo o sacrifício à sua maneira. Vemos que aquele foi o primeiro passo de atitudes cadenciadas que ele tomou. Vamos ver agora, um pouco da vida de Abraão. Ele era um homem de Deus que andou com Ele pela fé. Conversando e recebendo instruções para a sua vida. Por isto, foi chamado “Amigo de Deus” (Tiago 2:23). Que título maravilhoso o Senhor lhe deu, que nível ele foi posto! Perto do coração de Deus. Foi o único na Bíblia a ter esta posição privilegiada! Como Deus deve ter Se agradado ao ver a sua vida e suas atitudes devotadas a Ele. Hoje, nós temos o privilégio de ter a vontade de Deus revelada nesta biblioteca maravilhosa de 66 livros, para mostrar-nos o Seu caminho. Oremos irmãos, busquemos direção no mapa até alcançar segurança vinda do Alto para agirmos.

Quando Abraão se desviou do caminho indo para o Egito devido à fome na terra, houve consequências drásticas. Foi lá que ele mentiu para os egípcios e creio que também foi de lá que trouxe sua serva Hagar, consequências que até hoje são vistas através das guerras entre árabes e judeus e não são diferentes para nós nos dias de hoje. Abraão escolheu o que ele achou que era correto. Alguma vez você já tomou decisões sem consultar o Senhor? É bom notar que os resultados virão! Portanto, é interessante pensar que o Senhor só voltou a falar com Abraão, depois que ele saiu do Egito; logo depois teve que se separar de Ló para então ser abençoado com a promessa de possessão de Canaã. Foi quando obedeceu a Palavra de Deus é que as bênçãos voltaram! Quantas coisas ele teve que deixar para trás! A caminhada de fé não é simples e cômoda!

Ao Povo de Deus, Israel, foi prometida a terra de Canaã e a libertação da escravidão do Egito. Mas, os que estavam no Egito não tiveram a capacidade para conquistar o inimigo (Faraó). Por isto Deus precisou levar Moisés para o deserto e ensiná-los a ouvir a Sua voz para se tornar o libertador daquele povo. O Egito é a figura do mundo. Este ficou impregnado no coração do povo porque sentiam saudades da vida de lá e por isto peregrinaram no deserto por quarenta anos em lugar de dois. Todo este tempo foi necessário para Deus tirar o Egito do coração daquele povo.

Durante essa jornada, Deus entregou os dez mandamentos para ajudá-los, porém foram quebrados imediatamente por causa da idolatria do povo. Pessoas desobedientes dançavam e pulavam perante um ídolo negando assim a liderança de Moisés, esquecendo seus ensinos; só pensavam em reclamar mostrando a sua rebeldia. Quebravam as leis modificando-as para atender aos seus próprios desejos. Tristemente pagaram um preço altíssimo, morrendo toda aquela geração no deserto. Isto é o resultado da desobediência. Ninguém, além de Calebe e Josué, foi classificado para adentrar a terra da promessa. Nem mesmo Moisés entrou, por reagir impulsivamente diante da desobediência do povo e de suas reclamações. Será que a nossa geração de “cristãos” é melhor que aquela?

No tempo de Josué lemos, no capítulo um do seu livro, a necessidade de andar no caminho das leis de Deus e não nos desviarmos nem para a direita nem para a esquerda. Lembrando o livro “O Peregrino” em sua viagem, que ao desviar do caminho entrou em um lamaçal e vale de desencanto e sofreu muito. Realmente, quando saímos do caminho certo é muito difícil voltarmos se não houver ajuda por perto. Às vezes temos que voltar para Deus e confessar que verdadeiramente erramos e aceitamos que somente Ele pode nos ajudar a endireitar os nossos caminhos. Como está você, meu irmão, sendo fiel e agradando ao nosso Deus?

Lemos em 2 Reis 22, quando do reparo da Casa do Senhor, o Livro ali achado foi mostrado ao rei Josias. Lendo-o, o rei descobriu os erros do povo de Israel e que as leis que Deus havia deixado para o Seu povo não eram seguidas. Ao ouvir as palavras do Livro, Josias rasgou as suas vestes e mandou consultar o Senhor para ver o que era necessário fazer para voltarem a agradar a Deus. Sem a observação do Livro de Deus e o temor a Ele é impossível andarmos nos Seus caminhos. Paulo em Gálatas 3:10 mostra-nos a consequência que teremos se não permanecermos na Palavra de Deus. A resposta é que vamos receber maldição ao invés de bênçãos. Então, vamos fazer o que a Palavra do Senhor nos mostra.

Todavia, é tão mais fácil cair no caminho errado. Hoje temos tantos livros que “são feitos para nos ajudar”. Nada contra a leitura de livros, porém não devemos aceitar tudo o que lemos ou ouvimos sem verificar se estamos seguindo a popularidade ou a Palavra de Deus. As igrejas de hoje estão vivendo em uma situação precária! A verdade é que muitos estão utilizando os livros feitos pelos homens, várias ideologias, sem considerar as diretrizes bíblicas. Alguns “vão no embalo”, copiando esta ou aquela “denominação”, mas quanto ao valor dessas suas atitudes, isto não vem ao caso. Pensar em comparar as ideologias com a Palavra de Deus é coisa do passado. Nós, que queremos agradar a Deus, devemos ser como os cristãos de Bereia em Atos 17:11, que buscavam a resposta nas Escrituras. Em Mateus 2, Herodes perguntou aos sacerdotes sobre o lugar onde o Senhor Jesus havia de nascer e, após terem procurado nas Escrituras, responderam que era em Belém!

Paulo na sua primeira carta aos Coríntios (3:5) fez uma pergunta: “quem é Paulo, quem é Apolo”? Ele mesmo não considerou a si mesmo, mas sim a Cristo Jesus e a Sua Palavra. Ouvimos algumas pregações hoje, citando muitos nomes, sites da internet e outros, mas estes nunca fizeram parte da Palavra de Deus. Não estou dizendo que não se pode utilizar o pensamento de um comentarista usado pelo Senhor, mas não devemos focá-los levando o interesse dos ouvintes a tantos pensamentos, desviando do assunto principal que a Palavra traz, sufocando o poder da Palavra.

Tempos atrás entrei em uma conversa com um jovem sobre o seu interesse em ler muitos livros e ele me afirmou que passava o dia inteiro lendo-os, então fiz uma pergunta simples: “quantos minutos você passa lendo a Bíblia”? Ele ficou furioso comigo, porque a verdade bateu em seu coração; não quis mudar, continuou sem ler a Palavra e não muito tempo depois o seu desejo de ir à igreja local parou de existir.

As perguntas curiosas sempre são feitas, como por exemplo: “porque as igrejas não têm sustentabilidade”? A realidade é que a igreja tem, pois Deus cuida de Sua igreja e de Seus servos. Sempre querer o caminho mais simples, mais visível, não é a solução. Fomos chamados a andar por fé! Não temos necessidade de fazer o que está além da realidade bíblica. Por outro lado, também temos muitos erros doutrinários que se tornaram tradições em nosso meio, que traz confusão para nós. Tudo isto deve ser examinado à luz das Escrituras.

Se voltarmos para o Livro, conhecendo o caminho que Deus mostra nas Escrituras, vamos deixar as interpretações humanas para trás e vamos ver uma grande mudança em nossas igrejas locais. Esta mudança será vista por todos e trará frutos para Glória do nosso Deus e Salvador Cristo Jesus.

Irmãos, “vamos voltar para o Livro dos Livros”, porque seus ensinos são santos, suas leis obrigatórias e suas decisões imutáveis. Leia-o para obter luz para o seu caminhar, sabedoria em suas decisões, alimento para sua vida e conhecimento para entender a vontade do nosso Deus! Ponha-o em prática no seu dia a dia e você verá a diferença! Que Ele assim lhe abençoe!

 

autor: Jeffrey Arnold Watson 4.
Fatos & Relatos

Viver pela fé

Testemunho pessoal de um obreiro chamado para a obra de Deus, que deixou seu trabalho secular para se dedicar inteiramente à sua missão.

TESTEMUNHO PESSOAL SOBRE NOSSO CHAMADO E UMA EXPERIÊNCIA


Em dezembro de 1981, atendendo ao chamado do Senhor, saímos para servi-Lo em regime de tempo integral na cidade de Paranavaí. Naquela ocasião, deixar o emprego estável e rejeitar duas propostas tentadoras, para viver tão somente pela fé, tendo um casal de filhos pequenos, não foi fácil. Muitos acharam que estávamos loucos, e que, principalmente eu, tinha perdido o juízo e a coragem de trabalhar.

Na ocasião, eu era representante comercial de uma firma de Ribeirão Preto–SP. Além das duas propostas de empregos que tive de renunciar para trabalhar na Obra do Senhor integralmente, também tive de rejeitar uma proposta do meu patrão que não queria que eu me demitisse da firma, e mesmo mudando para Paranavaí ele queria que eu continuasse representando sua firma, abrindo nova clientela no Paraná, me oferecendo certas vantagens difíceis de rejeitar, sabendo, que daquele dia em diante nós iríamos viver tão somente pela fé e na exclusiva dependência do Senhor para nosso sustento.

Certo dia, antes de nossa mudança para Paranavaí, estive na casa de nosso estimado irmão Sr. Jaime Crawford e, dentre muitas coisas que conversamos concernente a Obra de Deus e o servir ao Senhor de tempo integral e sustento etc, ele me perguntou: “Severo, se for necessário você pegar a pasta e vender novamente, você fará?” Minha resposta foi que não somente a pasta, mas se fosse preciso, eu pegaria na enxada, machado etc, para qualquer serviço, pois sempre fui acostumado a pegar no pesado desde meus 6 anos de idade com meu pai na roça.

Era assim que se conduzia o saudoso e consagrado irmão Sr. Ricardo Jones. Durante alguns anos ele deu aulas particulares de inglês para suprir as necessidades da sua família, especialmente durante a última grande guerra. Viviam de arroz, feijão, chuchu, e alguma coisa mais barata que conseguiam comprar no açougue, como rins, fígado e coração de boi, mas nunca em sua vida pediu dinheiro a alguém, nem fez os outros saberem das suas necessidades, Deus sabia e isso lhe era suficiente.

Irmãos, são passados mais de 21 anos e neste tempo decorrido temos passado por inúmeras e difíceis provas financeiras, mas sempre O Senhor nos tem dado a saída e suprimento, até abrindo-me portas de trabalho temporário remunerado para suprimento de necessidades eventuais.

Permita-me contar uma das experiências que mais marcou a nossa vida até o dia de hoje. Em junho de 1982, realizamos em Paranavaí um trabalho evangelístico usando a tenda de lona do irmão Theodor Hählen. Os irmãos Theodor e Alberto Trinck cooperaram com esse trabalho na primeira semana e aguardávamos a chegada do Sr. Jaime Crawford para continuar nas pregações. Segundo o nosso trato, ele, sua esposa e meu tio Sr. Joãozinho, chegariam para o almoço, mas acontece que nossa alimentação tinha acabado e não havia nada para fazer para aquela refeição.

Orei ao Senhor diversas vezes sobre o assunto e fui até ao correio com a certeza de que teria lá algum dinheiro, mas, ao abrir a caixa postal, o que encontrei foi um pacote de folhetos e pensei, folheto é bom, mas não enche o estômago de ninguém. Voltei para casa e me pus a orar e a meditar na Bíblia até que a buzina tocou anunciando a chegada dos irmãos para o almoço, logo pensei, e agora o que vamos fazer!

Passados alguns minutos, tomei uma sacola e convidei meu tio para irmos até a casa de um irmão, pois, segundo meu pensamento, a única esperança de salvar aquela situação era que aquele casal nos emprestasse algumas coisas, mas, chegando lá estava tudo fechado, simplesmente, demos meia volta e meu tio parou e me disse: “porque voltamos?” Eu disse a ele que eu devia pegar algumas coisas naquela casa, mas como não tinha ninguém eu ia deixar para mais tarde. Sem me perguntar mais nada ele disse: “Severo, tua prima te mandou esse envelope”, ao abri-lo era uma oferta, a qual jamais esqueceremos, pois foi o suficiente para as despesas daqueles dias, e ninguém, nem mesmo meu tio, ficou sabendo a situação em que nos encontrávamos naqueles dias.

Quem sabe, se tivéssemos contado a situação para o irmão Theodor, ele nos teria socorrido, mas isso não fizemos, não foi por vergonha, mas porque tínhamos a certeza de que O Senhor sabia de tudo e Ele, de uma forma ou de outra nos socorreria dando-nos o suprimento como fez.

GRANDE PRIVILÉGIO

Trabalhar integralmente na Obra de Deus é um grande privilégio, pois tal pessoa está envolvida na causa mais sublime que pode haver sendo isto reconhecido desde o Velho Testamento, como em Pv.11:30 “... o que ganha almas é sábio”. Ouvi contar de um servo de Deus que trabalhava numa refinaria de petróleo e que teve a certeza do chamado do Senhor para deixar aquele serviço com remuneração garantida e dar tempo total no Seu serviço, sem nenhuma garantia de salário, depender somente dEle para o sustento seu e de sua família.

Ao ser informada, a direção da empresa o chamou e lhe ofereceu a chefia de outro departamento de nível mais elevado e de salário muitas vezes maior, e mesmo assim ele rejeitou a proposta. Então lhe perguntaram se ele achava o salário pequeno para ocupar tal cargo, ele respondeu que não, “o salário é ótimo”, mas, continuou ele, “o problema é que ante ao que eu vou fazer ao me demitir da empresa, o cargo de gerente é que é muito insignificante”, então lhe perguntaram o que ele ia fazer, ele simplesmente respondeu “eu estarei a serviço do Rei dos Reis e vou ganhar almas!”

Sem dúvida, ninguém entendeu nada, mas ele tinha a plena certeza de que o Senhor o havia chamado para Seu serviço e que servir ao Rei dos Reis era uma honra muito mais elevada do que ser gerente de um departamento de uma refinaria de petróleo.

EXEMPLOS DE PESSOAS CHAMADAS PARA SERVIR INTEGRALMENTE NA OBRA DE DEUS E QUE VIVERAM TOTALMENTE PELA FÉ

Quando o nosso Senhor esteve na terra e deixou o serviço secular da carpintaria, para nos próximos três anos e meio finais de Sua vida dedicar-se totalmente ao ministério da Palavra, Ele e os discípulos que escolhera, que também deixaram seus serviços seculares e atenderam ao chamado do Senhor, viveram totalmente pela fé e na dependência de Deus, o Pai, para o suprimento básico de Suas necessidades.

Não lemos que o Senhor fizesse milagres para sustentar a Si ou aos Seus apóstolos, mas ao contrário, Ele e Seus servos viviam das generosas ofertas do povo de Deus daqueles dias: “Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens” (Lc.8:1-3).

Paulo e Barnabé também são exemplos disso. Paulo tinha como profissão fazer tendas, mas uma vez chamado e enviado pelo Senhor, deixou seu serviço secular e passou a uma dedicação integral na Obra de Deus, sem nenhuma garantia de salário fixo, vivendo pela fé e na certeza de que Deus o sustentaria através das ofertas voluntárias das igrejas daquele tempo, semelhantemente o mesmo aconteceu com Barnabé (At.13:2).

Elias, no Velho Testamento, é outro exemplo digno de nota, pois ali estava um homem chamado por Deus para o ministério de profeta em meio à corrupção política e religiosa em Israel, em que o governo de Acabe sustentava com o dinheiro do povo a 450 profetas de Baal e mais 400 do poste-ídolo (1Rs.18:19), mas Elias nada recebia de Acabe e vivia na inteira dependência do Senhor.

Sem dúvida, poderíamos enumerar vários outros exemplos, mas creio que estes são suficientes, mas, antes de terminar este tópico, quero salientar mais uma coisa! Todo servo de Deus, genuinamente chamado por Ele, não está vivendo de favores das igrejas nem muito menos de esmolas, pois a estes a quem Deus tem chamado estão respaldados por uma ordem (mandamento) do Senhor, conforme escreveu Paulo: ”Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (1Co.9:14).

VIVER SOMENTE PELA FÉ

O que significa alguém viver pela fé? Viver pela fé não é simplesmente alguém depender do Senhor para o suprimento de todas as suas necessidades, mas sim, ter a plena certeza que Deus é fiel e não falhará em suprir a cada necessidade surgida, até mesmo as emergenciais.

Contudo, quando tal servo(a), ao passar, o que é inevitável, por alguma prova e lhe faltar dinheiro, não deverá se lamentar com ninguém acerca da sua necessidade a não ser tão somente ao Senhor, e Ele haverá de Se encarregar de suprir suas necessidades, e após ter provado a boa mão do Senhor estendida a seu favor, e receber o que estava precisando, tal servo(a) terá maior regozijo no Senhor e sua fé ficará mais fortalecida (1Pe.1:6-7).

Isto não é utopia, mas algo tão real como você sabe que está vivo e lendo este artigo, mas somente terá esta experiência aquele que realmente vive pela fé e na total dependência do Senhor para o suprimento de todas as necessidades.

Não adianta alguém, depois de tornar pública as suas necessidades, e vier a receber o que faltava, dizer que isto veio de Deus em atendimento às suas orações, isto é faltar com a verdade, pois recebeu porque tornou conhecida as necessidades e alguém ficou compadecido e ofertou. Nisto vejo que não haverá recompensa no tribunal de Cristo nem para quem recebeu, nem para quem ofertou.

Certa vez numa reunião em Londrina, ouvi o nosso saudoso e estimado irmão Sr. Henrique King contar uma experiência que se passou com ele no tempo da segunda guerra mundial. Ele contou que por motivo da guerra, por algum tempo, não receberam ofertas das igrejas da Escócia, e apesar das constantes orações, as coisas foram ficando cada dia mais difíceis, ao ponto de certo dia não ter nada para dona Lilian pôr na panela e fazer a comida para eles. De repente, bateram na porta e ao atenderem era alguém da igreja trazendo-lhes uma compra que foi suficiente para muitos dias.

QUEM CHAMA, ENVIA E SUSTENTA OS OBREIROS

O Senhor é Quem chama, envia e sustenta Seus servos. O crente que é chamado pelo Senhor para um serviço especial é também por Ele enviado e sustentado, isto não quer dizer que tal servo(a), não passará por momentos de falta de dinheiro, como já temos visto neste artigo, até como provação de sua fé, mas nestas horas, ele tem que ter convicção de que Quem o chamou e o enviou foi Deus e é a Ele que tem de recorrer, fazer somente a Ele conhecido suas necessidades: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp.4:6).

Caro irmão(ã), que dá tempo exclusivo na Obra do Senhor, você está certo do seu chamado para esse serviço? O que motivou você a sair, foi o Espírito Santo ou algum apelo humano? Você está certo(a) de que está onde Ele te quer e está fazendo o serviço que Ele te ordenou? Então, não exponha suas necessidades a ninguém a não ser a Ele, e Ele é fiel e nunca falhará. Crês nisto?

ALGO PREOCUPANTE

Tem uma coisa que está sendo preocupante nestes últimos dias! Está havendo uma onda crescente de irmãos “obreiros”, aproveitando dos meios de comunicação entre nós, inclusive o Boletim dos Obreiros, para exporem suas necessidades e lamentarem suas desventuras financeiras e seus “grandes” projetos ficando sem execução por falta de dinheiro. Temos conhecimento que Instituições de apoio missionário têm recebido cartas de irmãos lamentando seus infortúnios financeiros e, até mesmo, abertamente pedindo dinheiro para suprimento de suas necessidades, ou para a conclusão de seus projetos inacabados, mas, não só as Instituições, nós também, temos recebido cartas e e-mails desta natureza.

Muitos estão lamentando que “nossas igrejas” não têm visão missionária, bem pode ser que muitas sejam verdadeiramente míopes nesta área, mas uma boa parte delas não, o problema é que às vezes o “obreiro” está confiando nas igrejas e nos homens para o seu sustento, ao invés de confiar somente no Senhor, e acham que estas têm por obrigação, desde que são “obreiros”, a darem suas ofertas a eles.

Se é o Senhor Quem chama e envia é Ele Quem sustenta e não será preciso a divulgação das necessidades para comover igrejas ou irmãos que não têm nenhuma sensibilidade com a Obra de Deus e com os missionários, ou, caso contrário, não é Deus Quem sustenta.

Não vejo nenhuma vantagem nas mobilizações apelativas que irmãos fazem às igrejas para arrecadarem fundos para um determinado “obreiro” em particular só porque ele direta, ou indiretamente, expôs suas necessidades, enquanto outro que está, talvez, em maior angústia do que aquele, mas como não “chorou”, nada recebeu daquela igreja.

A GRANDE DIFICULDADE

Talvez a maior dificuldade para alguém, chamado por Deus, responder em obediência e sair em tempo integral na Obra é deixar suas garantias financeiras e viver totalmente na dependência de Deus para suprimento de CADA necessidade, mas se o irmão(ã) tiver a certeza deste chamado e a igreja onde você se reúne tiver a mesma convicção, você pode sair com fé e na total dependência do Senhor para o suprimento de TODAS as suas necessidades e da Obra a qual você estará envolvido, pois DEUS É FIEL e jamais te abandonará.

TRÊS EXEMPLOS DEIXADOS POR PAULO, OS QUAIS NOS AJUDARÃO

  1. Ele nunca reclamou dos momentos de escassez financeira – Procurei na Bíblia um só momento em que ele expôs suas necessidades deixando transparecer que Deus falhou, pois quem diz ser chamado por Deus para o serviço de tempo total na Obra, e vive a reclamar e a lamentar, é como se tivesse dizendo entre linhas, que Seu Deus falhou. Minha procura foi em vão, pois nada encontrei, ao contrário, achei o que ele diz em 2 Coríntios 11:7-9 - “Cometi eu, porventura, algum pecado pelo fato de viver humildemente, para que fôsseis vós exaltados, visto que gratuitamente vos anunciei o evangelho de Deus? Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir, e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me faltava; e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado”. Na carta aos Filipenses 4:10-14 ele diz que estava alegre com a oferta generosa oriunda daquela igreja e declara ter aprendido a viver CONTENTE em toda e qualquer situação fosse ela de fartura ou escassez. Irmãos, precisamos aprender com ele ao passarmos por momentos de falta de dinheiro e não ficarmos contando para os outros, lamentando e reclamando das igrejas, mas que estejamos contentes com o que Deus nos dá a cada dia.
  2. Ele agradecia as ofertas que recebia do povo de Deus – Muitos irmãos, chamados “obreiros”, são péssimos em comunicação, para não dizer ingratos. Pois quantas vezes recebem ofertas e nem se quer se lembram de enviar ao irmão, igreja ou instituição ofertante uma palavra de gratidão, às vezes em desculpas dizem: “não gosto de dar relatórios”, ou, “falta-me tempo”, ou, “sou péssimo para escrever”, etc. Sem dúvida, que estes argumentos não passam de meras desculpas. Tenho para mim que, principalmente, nós que trabalhamos integralmente na Causa do Senhor, faz parte de nosso ministério a comunicação com aqueles que se acham em nossa retaguarda, orando e contribuindo financeiramente conosco, por isso não se justifica alguém dizer que “falta tempo”, ou que “não gosta de dar relatório”. Temos o dever de escrever uma carta aos ofertantes dando uma satisfação sobre a oferta recebida e quando possível algumas notícias do trabalho em que estamos envolvidos.
  3. Em dias de dificuldades financeiras, ele trabalhou com as próprias mãos, para o suprimento dele e dos que estavam com eles – Não vejo haver motivos de censura para alguém que tendo deixado suas atividades seculares para se dedicar em tempo integral na Obra de Deus, por motivo de necessidade voltar a uma atividade secular remunerada para o seu suprimento, mas isso deverá ser somente até que a situação se normalize, porque não é correto que alguém conhecido como quem dedica seu tempo integralmente ao serviço do Senhor continue mantendo seu trabalho secular recebendo normalmente as ofertas do povo de Deus, tirando a oportunidade daqueles que não têm empregos, ou outros meios de renda. Não é feio alguém que esteja trabalhando em tempo exclusivo na Obra de Deus, trabalhar com as mãos para suprimento de alguma necessidade, Deus honra os que trabalham assim, feio é expor as necessidades e falar mal das igrejas locais porque não ofertam para eles o tanto que querem. Louvamos a Deus por tantos obreiros do Senhor que trabalham duro para ganharem seu sustento e esmeram-se no serviço do Senhor não recebendo nenhuma ajuda financeira, até ao contrário, empregando seus recursos na Obra. O Senhor que a tudo vê, haverá de recompensar a cada servo, segundo suas obras, no tribunal de Cristo.

UM ALERTA!

Há um perigo ante nossos olhos de sermos tentados na dificuldade financeira, procurarmos visitar igrejas locais, com pretexto de saudades dos irmãos, ou, senti do Senhor em vir visitá-los, mas que no fundo, está atrás de receber alguma oferta daquela igreja, não pense que isto seja exagero, pois tenho visto essa prática lamentável entre nós que precisa ser corrigida.

PROJETOS MISSIONÁRIOS

É muito importante termos projetos visando o avanço da Obra de Deus, porém, antes de qualquer coisa, devemos perguntar a Deus se tal projeto é da Sua vontade, ou será que achamos que tudo quanto projetamos será bom para a Obra de Deus e que a tudo Ele deve dizer para nós amém! Se nossos projetos estiverem de acordo com a vontade de Deus, Ele será Fiel no suprimento pleno, como no exemplo de George Muller, que transcrevo a seguir:

Em novembro de 1835, Jorge começou a orar em relação à fundação de um orfanato. No dia 5 de dezembro ele escreveu no seu diário: “Esta noite, ao ler as Escrituras, fiquei impressionado com estas palavras: Abre bem a tua boca e ta encherei” (Sl.81:10). Até hoje não tinha orado acerca dos meios e pessoas necessários para o Orfanato. Agora, sendo dirigido a aplicar este texto à obra do Orfanato, me ajoelhei e pedi ao Senhor um prédio, mil libras e pessoas capazes de cuidar das crianças”. Uma reunião pública foi realizada quatro dias depois. Em 11 de abril de 1836 o Orfanato foi aberto numa casa alugada com dinheiro suficiente e com ajudantes a altura.

Foi o início de um enorme empreendimento de fé. Desde o princípio Jorge recusou categoricamente fazer apelos, dependendo unicamente de Deus para o sustento das crianças... Ele nunca fez dívidas e nunca usou finanças já designadas para certas finalidades a fim de cobrir outras necessidades.

O trabalho cresceu e outras casas precisaram ser alugadas. Em 1849 abriu-se a primeira casa própria do Orfanato. Foi dada por Deus com acomodações suficientes para 275 crianças. Logo uma outra casa foi construída, depois uma outra, e até possuírem cinco casas com acomodações para 2.500 crianças desamparadas, além dos ajudantes e empregados necessários.

Até 1898 mais de 10 mil crianças tinham passado pelo Orfanato e mais de um milhão de libras esterlinas foi gasto nas despesas deste trabalho. Além disso, mais de 460.000 libras foram gastas nas atividades da Instituição para o Conhecimento das Escrituras. Todo este dinheiro o Senhor providenciou por meio de ofertas voluntárias (grandes e pequenas) de Seu povo. “Grande é a tua fidelidade” (Lm.3:23).

Para finalizar este artigo, gostaria que as igrejas locais não fossem omissas em relação àqueles a quem o Senhor chamou, enviou e sustenta, pois isso Ele faz através das Suas igrejas. Bem pode ser que algumas igrejas estejam com suas contas bancárias ou poupanças gordas ajudando os banqueiros a ficarem cada dia mais ricos emprestando seu dinheiro a juros exorbitantes ou, bem pode ser que haja aquelas que estão projetando a construção de casas de oração que serão verdadeiros castelos tanto em estrutura como em luxo. Sendo assim, estou convencido de que está faltando a direção do Espírito Santo quanto à distribuição e aplicação das ofertas do povo de Deus e a referida igreja deve urgentemente se colocar de forma humilde na presença do Senhor, e Lhe perguntar: “Senhor que queres que façamos com os fundos financeiros que esta igreja possui?” Espere um pouquinho e Ele dará a resposta, e haverá uma alegria muito maior em ver resultados muito mais excelentes oriundos desta decisão tomada.

Fatos & Relatos

Zacarias, o profeta

O livro das profecias de Zacarias se distingue por ser um dos que são mais difíceis de interpretar por expositores judeus, sendo considerado o mais messiânico de todos. A visão do livro e a profundeza do seu ensino são notáveis, sendo por isso considerado como o mais escatológico e apocalíptico de t

Zacarias é um nome encontrado várias vezes na Bíblia. Seu significado é um tanto obscuro, sendo compreendido como “Iah se lembra” ou “Iah é renomado”. Entre muitos que tinham esse nome mencionado na Bíblia, estão um rei de Israel, alguns nobres de várias tribos, oito levitas, e pelo menos dois profetas:

  • O que foi morto pelo povo com o consentimento do rei Joaz, citado pelo Senhor Jesus como o último de uma linha de profetas martirizados a partir de Abel (2 Crônicas 24:20-22 e Lucas 11:51). Era assim que o povo entendia porque 2 Crônicas é o último livro do Velho Testamento hebraico, e
  • O que profetizou no segundo e no quarto ano do reinado de Dario (520 e 518 a.C.). Este último é o autor da profecia que tem o seu nome, o penúltimo livro em nosso Velho Testamento. É a respeito deste profeta que vamos relatar a seguir.

Zacarias nos conta que era filho de Berequias e neto de Ido. Ido é aquele que voltou do exílio sob a liderança de Zorobabel e Josué no ano 536 a.C. com outros sacerdotes e levitas (Esdras 5:1, 6:14, Neemias 12:3,16): Zacarias era sacerdote bem como profeta e contemporâneo do profeta Ageu (Esdras 5:1, 6:14), portanto ainda jovem quando recebeu as profecias do SENHOR (Zacarias 2:4). Não se sabe ao certo como morreu, embora o “targum” declare que ele morreu como mártir.

As profecias lhe vieram quando havia motins e comoções em partes diferentes do império Persa, tendo já sido cumprida toda a profecia de Jeremias quanto ao cativeiro dos judeus na Babilônia pelo período exato de 70 anos (Jeremias 29:10).

Os que retornaram para a terra da Promessa estavam desanimados e deprimidos porque o SENHOR não havia ainda dado condições para que Jerusalém fosse restabelecida e o templo reconstruído, embora já tivessem feito o alicerce (Esdras 3:8-10; Zacarias 1:16). O altar dos holocaustos já fora reconstruído sobre a sua base e os holocaustos diários eram oferecidos regularmente (Esdras 3:2,3).

O povo estava apático e precisava ser despertado. O profeta Ageu foi o primeiro a exortar o povo, e 24 dias após iniciar o seu ministério o povo começou a trabalhar (Ageu 1:1, 1:15). Dois meses depois a palavra do SENHOR veio também a Zacarias, dedicando-se ele então a incentivar o povo para que terminasse o templo.

O livro das profecias de Zacarias se distingue por ser um dos que são mais difíceis de interpretar por expositores judeus, sendo considerado o mais messiânico de todos. A visão do livro e a profundeza do seu ensino são notáveis, sendo por isso considerado como o mais escatológico e apocalíptico de todo o Velho Testamento. Em vista da dificuldade, vamos procurar aqui fornecer algumas elucidações, já com a vantagem de se ter cumprida uma boa parte da profecia.

Zacarias recebeu a palavra do SENHOR dizendo que o povo devia se voltar para Ele, a fim de receber a Sua atenção, e que não repetisse o mesmo erro que os seus antepassados. Estes não haviam ouvido nem dado atenção aos antigos profetas quando foram exortados a se arrepender dos seus caminhos e das suas más obras e consequentemente haviam sido castigados, reconhecendo depois que o SENHOR havia feito o que os seus caminhos e práticas mereciam, conforme Ele prometera.

Depois ele trata de várias fases da vida espiritual da nação, e na última parte do livro (capítulos 9-14), o profeta revela acontecimentos futuros, ligados com a primeira vinda do Messias, a Sua rejeição, a Sua vitória final e o Seu glorioso reino. O sacerdócio seria purificado, e o reino gloriosamente estabelecido, depois da rejeição e subsequente vitória do Messias.

Zacarias teve oito visões, todas vistas na mesma noite e explicadas por um anjo:

  1. Os cavalos e os cavaleiros (1:7-17): Estando o mundo em paz, Deus planeja grande bênção para Jerusalém.
  2. Os chifres e os ferreiros (1:18-21): Os quatro grandes povos que subjugaram Israel (Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma) seriam quebrados por Deus.
  3. Jerusalém medida (capítulo 2): Ela será engrandecida, protegida e glorificada por Deus.
  4. Josué, o sumo sacerdote (capítulo 3): Este é o Jesuá de Esdras 5:2. Representa o Israel pecaminoso, mas purificado e aceito por Deus, pela obra redentora do "Renovo" (o Messias).
  5. O Candelabro (capítulo 4): Representa o templo, que Zorobabel (Esdras 5:2) acabaria de construir, no poder do Espírito Santo ("azeite"). As duas "oliveiras" eram Josué e Zorobabel (veja também Apocalipse 11:3-12; 1:5; 3:14).
  6. O rolo volante (capítulo 5:1-4): A maldição da lei de Deus sobre o povo (Deuteronômio 27:15-26). 7.
  7. O efa volante (capítulo 5:5-11): o pecado - a idolatria e a impureza – levado para a Babilônia (veja Apocalipse 17:3-5).
  8. Os quatro carros (capítulo 6:1-8): Os juízos divinos sobre o mundo inimigo de Israel (veja Apocalipse 6:1-8).

Josué, o sumo sacerdote, é coroado simbolicamente (capítulo 6:9-15), profetizando a união do sacerdócio e da monarquia no “Renovo” (Isaías 11:1; Mateus 2:23; Jeremias 23:5). Sem dúvida alguma uma profecia já cumprida de Jesus, que descendeu de Zorobabel, da casa real de Davi (Mateus 1:12), feito por Deus o Sumo Sacerdote do povo remido, que é o verdadeiro Templo (Apocalipse 5:9-10).

A desobediência dos judeus nos tempos passados tem como figura o “jejum”, uma religião sem moralidade, nos capítulos 7 e 8. Deus ainda quer abençoá-los, prevendo-se a futura grandeza de Jerusalém.

Nos capítulos 9 a 14, encontramos profecias sobre Israel em sua luta contra os gregos e os romanos (as “nações”) e a vinda e a vitória do Messias, como seguem:

  1. A restauração de Israel: capítulos 9 e 10.
  2. A rejeição do Pastor, e o Anticristo: capítulo 11.
  3. A salvação de Jerusalém e o seu arrependimento: capítulo 12.
  4. O povo purificado, a vitória final na vinda do Senhor, e a glória milenar de Jerusalém:capítulo 13 e 14.

Achamos também nesta profecia oito referências ao Messias, nas seguintes passagens:

  1. A Sua morte para expiação do pecado: capítulo 3:8-9; 13:1. Veja também 1 Pedro 2:24; 3:18.
  2. A Sua tarefa de Construtor da casa do Senhor: capítulo 6:12. Veja também Mateus 16:18 e Efésios 2:21.
  3. O Seu domínio universal como Rei e Sacerdote: capítulo 6:13 e 9:10. Veja também Hebreus 5:9-10 e Filipenses 2:9-11.
  4. A Sua entrada em Jerusalém: capítulo 9:9. Veja também Mateus 21:5.
  5. As 30 peças de prata: capítulo 11:12. Veja também Mateus 27:9-10.
  6. As mãos traspassadas: capítulo 12:10. Veja também João 19:37.
  7. O Pastor ferido: capítulo 13:7. Veja também Mateus 26:31
  8. A Sua vida triunfante: capítulo 14:4-5. Veja também Apocalipse 19:11-16

Não é de surpreender a “dificuldade” que esta profecia apresenta aos comentaristas judeus, pois não faz sentido para quem não crê que o Senhor Jesus é o Messias. Mas Ele cumpriu perfeitamente as profecias que dizem respeito ao Messias de Israel. Note-se aqui a “sombra” da igreja de Cristo, mistério que somente seria revelado depois da rejeição do Messias pelo povo de Israel. A Sua igreja figura aqui como o novo templo, do qual Ele é o Sumo Sacerdote.

Esta é uma das mais encorajadoras e confortantes profecias para os que confiam no Senhor Jesus, mas que enfrentam o desânimo e a depressão por causa da direção acentuadamente incrédula e humanista do mundo em que vivemos agora. Esta profecia escrita vinte e cinco séculos atrás está se cumprindo fielmente e anuncia o maravilhoso destino dos que são fiéis a Deus.

autor: R David Jones.
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A Autobiografia de John G. Paton - 2

John G. Paton, depois de perder sua esposa e filho, continuou na evangelização do povo de Tanna, tendo somente a companhia de alguns crentes da ilha de Anieitiuma.

O CLAMOR DOS MARES DO SUL

— John G. Paton, depois de chegar em Glasgow, trabalhou como professor por um curto período de tempo e como missionário com a Glasgow City Mission por dez anos, entre 1847 e 1857, onde teve muito êxito na tarefa de evangelização e no combate contra o alcoolismo.

Durante todo o período que passei na Missão, continuei penosamente com os meus estudos, primeiramente na Universidade de Glasgow, depois na Faculdade de Teologia da Presbiteriana Reformada e em classes de medicina no Andersonian College.

Nunca consegui a erudição que tanto desejei, visto que não tive a oportunidade de formar um bom alicerce nos meus primeiros anos escolares. Todavia, eu contava muito com a presença do Mestre Amado em todos os meus esforços; algo que tristemente faltava a muitos estudantes melhores que eu. Fui sustentado pelo sublime alvo que ardeu durante todos aqueles anos dentro da minha alma, ou seja, ser qualificado como pregador do Evangelho de Cristo a fim de ser reconhecido e usado por Ele na salvação de homens que pereciam.

Contente como me sentia e bem sucedido pelas bênçãos de Deus, mesmo assim eu ouvia continuamente o clamor dos pagãos perecendo nos “mares do sul”. Eu tinha percebido que poucos demonstravam interesse por eles, enquanto eu bem sabia que muitos estavam prontos para fazer a minha obra e levá-la avante.

Sem revelar o meu estado de espírito para qualquer outra pessoa, isto foi o supremo assunto da minha meditação e oração diária. Foi isso que me levou a entrar nos estudos de medicina, e me propus a fazer o curso inteiro. Todavia, ao final do terceiro ano, um incidente me impeliu, de imediato, para o campo missionário estrangeiro. A Igreja Presbiteriana Reformada da Escócia, na qual fui criado, estava pedindo por um outro missionário para se ajuntar a John Inglis no seu grande trabalho nas Novas Hébrides. Dr. Bates, o excelente presidente da Comissão de Missões entre Pagãos, estava muito entristecido porque por dois anos o seu apelo tivera falhado.

— John assistiu a uma reunião do Sínodo onde ficou evidente que ninguém mostrou o desejo de fazer aquele trabalho.

Novamente a causa foi colocada solenemente perante o Senhor, em oração, e uma nuvem de tristeza parecia pairar sobre todos os presentes. O Senhor ficou dizendo dentro de mim: “Visto que ninguém melhor qualificado pode ser encontrado, levante-se e ofereça a si mesmo!”. Quase irresistível foi o impulso que tive para responder em voz audível: “Eis me aqui, envia-me a mim!”.

Todavia, sentia muito medo de confundir as minhas próprias emoções com a voz de Deus. Por isso resolvi fazer disso o assunto de meditação e oração por mais alguns dias, e considerar a proposição de todo aspecto possível. Além disso, fiquei muito preocupado acerca do efeito sobre as centenas de jovens, e outros, agora ligados a todas as minhas classes e reuniões.

Mesmo assim, senti uma certeza crescente que aquilo era o chamado de Deus ao Seu servo, e que, Aquele que estava pronto a me empregar no Seu trabalho no exterior, era também capaz de providenciar, imediatamente, o que seria necessário para a continuação do trabalho em Glasgow. O clamor e a necessidade dos pagãos sempre estiveram soando em meus ouvidos. Via-os perecerem por falta do conhecimento do verdadeiro Deus e Seu Filho Jesus, enquanto meu povo tinha a Bíblia aberta e todos os meios da graça ao alcance, caso a rejeitassem, a rejeitariam propositalmente por sua conta e risco.

— Após muita oração, John se ofereceu para o trabalho nas Ilhas Novas Hébrides, sendo aceito com grande alegria pelo Dr. Bates.

Quando se tornou conhecido que estive me preparando para ir ao exterior como missionário, quase todos estavam totalmente contra a idéia, com exceção do Dr. Bates e um colega estudantil. Meus queridos pais, quando os consultei, responderam-me “que há muito tempo eles me tinham entregue ao Senhor, e neste assunto também me deixariam ao dispor de Deus”. De outros lugares fomos pressionados com fortes oposições.

Entre os muitos que procuraram me deter, havia um velho e querido cristão, cujo argumento principal sempre foi: “Os canibais! Será comido pelos canibais!” Por fim lhe respondi: “Sr. Dickson, o senhor já está muito avançado em anos e a sua expectativa é de logo ser colocado no túmulo e ali ser comido pelas minhocas. Devo confessar ao senhor que se eu tão somente posso viver e morrer honrando ao Senhor Jesus, pouco me importa se eu for comido pelos canibais ou pelas minhocas, pois, no Grande Dia, meu corpo será ressuscitado tão bonito quanto ao do senhor, na semelhança do nosso Redentor vivo”. O velho, levantando as mãos num gesto de discordância, saiu da sala exclamando: “Depois dessa, não tenho mais nada a dizer!”.

— John conta como o Senhor providenciou a continuação da obra de evangelização em Glasgow e como abençoou aquele trabalho. Pouco antes de sair da Escócia, ele se casou com Mary Ann Robson.

No dia 23/3/1858, na presença de uma grande multidão e depois de um sermão maravilhoso acerca de “Passa a Macedônia e ajuda-nos” (Atos 16:9), fomos ordenados solenemente como ministros do Evangelho e designados como missionários às Novas Hébrides. No dia 16/4, partimos da Escócia viajando para o campo missionário.

— John e Mary, depois de uma visita a Austrália, chegaram nas ilhas Novas Hébrides no dia 31/8. O jovem casal logo foi designado para estabelecer uma nova base missionária na ilha de Tanna, um povo indígena totalmente ignorante quanto à civilização ocidental, a não ser pela exploração por parte de alguns maus comerciantes. Depois de poucos meses na ilha, John sofreu um duríssimo golpe.

Eu e a minha jovem e querida esposa, Mary Ann Robson, desembarcamos em Tanna no dia 5/11/1858 com plena saúde e cheios de grandes esperanças santas e amorosas. No dia 12/2/1859 ela deu à luz a um filho; por dois dias tanto a mãe quanto a criança pareciam prosperar, e o nosso exílio na ilha ficou cheio de gozo!

Todavia, a maior das tristezas viria logo após aquele gozo. As forças da minha querida Mary não deram sinal de recuperação, pois sofrera uma crise de malária alguns dias antes de dar à luz. No terceiro dia após o parto, mais ou menos, a crise se repetiu com severidade, aumentando a febre a cada dois dias, por quinze dias. Seguiu-se a isto a diarréia, sintomas de pneumonia e um pouco de delírio de vez em quando. Num momento totalmente inesperado, veio a falecer no dia 3/3.

Para culminar as minhas tristezas e completar a minha solidão, o bebê me foi tirado no dia 20/3, após uma semana de enfermidade. Deixo àqueles que já passaram por trevas semelhantes se simpatizarem comigo; quanto aos demais, seria mais do que inútil descrever as minhas tristezas. Se não fosse por Jesus e a comunhão que Ele me outorgou, certamente teria ficado louco e falecido ao lado daquele túmulo solitário.

Não posso afirmar que entendo o mistério de tais visitações, quando Deus leva embora jovens, que prometem e parecem tão necessários para o Seu Serviço, mas uma coisa sei e sinto, que à luz de tais situações nos convém amar e servir o nosso amado Senhor Jesus para que estejamos prontos quando Ele nos chamar para a eternidade.

autor: James Jardine.
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A benção da proteção do Senhor nas nossas fragilidades

O terrível contexto de violência dos dias que estamos vivendo levou-me a pensar na inquestionável fragilidade do ser humano. É incontestável a sua vulnerabilidade.

O terrível contexto de violência dos dias que estamos vivendo levou-me a pensar na inquestionável fragilidade do ser humano. É incontestável a sua vulnerabilidade.

Frágil é o que é fraco e vulnerável, sem resistência suficiente para suportar os impactos da vida e sem os recursos que permitam chegar ao termo das realizações projetadas.

São pessoas desguarnecidas, carentes, portanto, de PROTEÇÃO.

I – Causas da fragilidade humana

Podemos apontar três aspectos distintos das causas dessa afetação negativa do ser humano:

1. As de natureza ou formação pessoal:

  • Carências de ordem física;
  • Carências de ordem intelectual;
  • Carências de ordem psicológica;
  • Carências de ordem moral;
  • Carências de ordem espiritual.

2. As derivadas de circunstâncias externas:

Por mais fortes e resistentes que pessoalmente nos julguemos, sempre somos surpreendidos por circunstâncias que nos colocam em situações de irremediáveis e insuperáveis fragilidades, altamente prejudiciais às realizações da vida. A vida moderna se caracteriza por aspectos que fragilizam, tremendamente, o ser humano, como a violência urbana, a indisciplina generalizada, a imoralidade acentuada, o desrespeito à pessoa, etc, tornando-o completamente enfraquecido, vulnerável e indefeso.

3. A inevitável e contínua atuação da realidade satânica:

Temos, ainda, que levar em conta a atuação ardilosa e poderosa de Satanás, nos alvejando insistentemente para impedir que tenhamos sucesso nos nossos bons propósitos e em nossas realizações, como claramente se declara na Palavra de Deus (1 Pedro 5:8).

II – O ensino da Palavra de Deus

A nossa vulnerabilidade se demonstra incontestável no ensino da Palavra de Deus. Paulo exorta: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (1 Coríntios 10:12). Exemplos vários se enfileiram na história bíblica: Moisés resistindo ao chamado do Senhor para a grande missão de libertar o povo escravizado diz: “quem sou eu?” (Êxodo 3:11); “que lhes direi?” (Êxodo 3:13); “Ah! Senhor! Eu nunca fui eloqüente, nem outrora, nem depois que falaste ao teu servo, pois sou pesado de boca e pesado de língua” (Êxodo 4:10); “Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim, pois sou pesado de boca e pesado de língua” (Êxodo 4:13). O mesmo observamos com Isaías (Isaías 6:5) e Jeremias (Jeremias 1:6). Pedro é um exemplo disso ao tempo do seu convívio com o Senhor (vejam suas vulnerabilidades em Mateus 16:22; Lucas 9:33; Mateus 14:28-29; 25:33-35; João 18:10-11 e Lucas 22:31-34, 55-60).

III – A Benção do Senhor na área das nossas fragilidades

Há uma notável bênção oferecida por Deus para a área das nossas fragilidades: é a Sua PROTEÇÃO, nos termos de Números 6:24: “O Senhor... te guarde”. Deus pode mudar as circunstâncias, porque para Deus não há impossíveis (Lucas 1:37). A PROTEÇÃO do Senhor, outorgada pela Sua bênção, pode nos valer suprindo, satisfatoriamente, nossas FRAGILIDADES, protegendo-nos contra tudo o que se oponha ao nosso bem estar, inclusive dos poderes malignos que se prevalecem, ardilosamente, da nossa FRAGILIDADE. O Senhor, que tudo sabe e quer o melhor para nós, oferece-nos, graciosamente, essa indizível bênção: a da Sua GUARDA. Vejam os textos: Salmos 55:22; 71:1-6; 121; 23:4-5; Mateus 28:20b; 1 Coríntios 2:1-4, 26-29; 2 Coríntios 10:12-13; 12:7-10; Efésios 6:10; João 10:28; Romanos 7:15-25; 1 Pedro 5:7-11; Hebreus 4:15-16.

IV – O usufruto da bênção da PROTEÇÃO do Senhor nas nossas fragilidades

O que fazer para usufruir a benção da PROTEÇÃO do Senhor nas nossas FRAGILIDADES?

  • Reconhecê-las honestamente;
  • Confiar nas possibilidades e nos recursos do Senhor;
  • Recorrer a Ele em todas as circunstâncias;
  • Utilizar todos os recursos que o Senhor oferece (Salmos 46:1-2; 121; 23:4).
autor: Jayro Gonçalves.
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A caminho do Apocalipse

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

Índice

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13 (1)

Capítulo 13 (2)

Capítulo 13 (3)

Capítulo 13 (4)

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17 (1)

Capítulo 17 (2)

Capítulo 17 (3)

Capítulo 18 (1)

Capítulo 18 (2) 

Capítulo 19 (1)

Capítulo 19 (2)

Capítulo 20 (1)

Capítulo 20 (2)

Capítulo 20 (3)

Capítulo 20 (4)

Capítulo 21 (1)

Capítulo 21 (2)

Capítulo 21 (3)

Capítulo 21 (4)

Capítulo 22 (1)

Capítulo 22 (2)

 

 

 


"Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo"
Apocalipse 1:3

Capítulo 1

Sem dúvida o Apocalipse é um Livro sobremodo notável, mas há que se lamentar que existam tantos que, apesar de cristãos, o menosprezem de forma tão acentuada sob a alegação de que é impossível compreendê-lo. Isso não é verdadeiro!

Ao contemplarmos o nosso entorno, podemos concluir que nunca foi tão importante se alcançar o conhecimento da Profecia contida neste Livro, pois isso poderá fazer uma grande diferença para aqueles que a desconhecem e poderão ser colhidos de surpresa, a qualquer tempo, por uma avalanche de acontecimentos pelo fato de ninguém tê-los avisado da veracidade dos eventos nele previstos e da necessidade da Salvação que somente há em Jesus Cristo, para se livrarem de tão angustioso juízo.

O Apocalipse não é um livro de profecias, mas da Profecia (v. 3) numa unidade lógica de acontecimentos acerca das coisas que o apóstolo João "viu", que se trata da majestosa pessoa do Senhor Jesus Cristo, na ilha de Patmos; as coisas "que são", revelando profeticamente o que ocorreria com a Igreja de Deus ao longo dos séculos; e as que "hão de acontecer", que é o juízo de Deus que recairá sobre aqueles que não forem "arrebatados" para o encontro com o Senhor Jesus quando Ele vier para buscar a Sua Igreja.

Ao se falar no arrebatamento, há que se lamentar o enorme equívoco daqueles que acham que a Igreja passará pela grande tribulação, apesar de estar claríssimo nas Escrituras Sagradas de que ela não foi preparada para o dia da ira de Deus (Romanos 5:9; 1 Tessalonicenses 1:10, 5:9; Apocalipse 3:10).

Convém lembrar, que as Escrituras revelam que o iminente arrebatamento será somente para a Igreja (João 14:1-4; 1 Coríntios 15:50-58; 1 Tessalonicenses 4:13-18), e não citam mais alguém além daqueles que morreram em Cristo, e os cristãos verdadeiros que estiverem vivos por ocasião da Sua vinda. Os santos que morreram na antiga dispensação (Velho Testamento) e os que serão salvos durante a grande tribulação que há de vir sobre o mundo serão ressuscitados ao se completar o último estágio da primeira ressurreição no início do reino milenar do Senhor Jesus Cristo (Apocalipse 20:6).

Os restantes dos mortos, os incrédulos de todas as épocas, serão ressuscitados somente ao final desse milênio para o grande julgamento final. Muito estranha, portanto, a afirmação de muitos que se dizem cristãos de que não haverá o reino milenar do Senhor Jesus na Terra (Apocalipse 20:4-5).

As várias interpretações confusas têm levado um grande número de pessoas ao desinteresse pela leitura desse admirável Livro e isso é de enorme importância para Satanás, cujo desejo é o de afastar os cristãos do conteúdo dessa Revelação a fim de lhes encobrir a verdade. Muitos, sem se aperceberem, estão a colaborar com os objetivos do maligno à medida que criam toda sorte de enganosas interpretações sobre o teor deste Livro.

Quando adentramos ao Apocalipse de imediato vamos ao encontro do Senhor Jesus como o revelador de Si mesmo (vs. 1-3), cujo propósito é indicado logo no seu preâmbulo: "mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer" (v. 1). Em nenhuma hipótese poderá existir mais de um entendimento acerca disso, pois o Espírito Santo é que leva aos que creem à compreensão correta deste Livro, tendo em vista que Ele é Deus (Atos 5:3-4), portanto, infalível. O Senhor Jesus deixou claramente explícito que o Espírito Santo guiaria a toda verdade aqueles que creem no Senhor Jesus e lhes anunciaria as coisas que haveriam de vir (João 16:13).

O Apocalipse não é um circo de horrores como tantos apregoam face aos acontecimentos que envolvem a grande tribulação, pois, além da plenitude das bem-aventuranças nele contidas (Apocalipse 1:3; 14:13; 16:15; 19:9; 20:6; 22:7; 22:14), há promessas inefáveis de alegrias eternas aos redimidos pelo Senhor Jesus, pois toda lágrima, morte, pranto, lamento, dor, sede, impureza, abominação, mentira, fome, doença e maldição nunca mais existirão pelos séculos dos séculos (Apocalipse 21:4, 6, 27; 22:2-5). Isto é verdadeiramente maravilhoso, magnífico, aos nossos olhos.

Neste primeiro capítulo contemplamos o resumo dos pontos principais do seu conteúdo e a primeira das sete bem-aventuranças. É o único Livro que traz uma bênção especial para os que o leem, ouvem e guardam as coisas nele escritas (v. 3).

Atentemos para a plenitude existente neste Livro pelo surgimento de dezenas de citações que contêm o número "sete". Como sabemos, esse número provém de uma raiz hebraica cujo significado é "ser completo", "pleno", "ter o suficiente", que transmite a ideia de "inteireza ou perfeição". Somente neste primeiro capítulo por dez vezes lemos sobre este algarismo:

"as sete igrejas" (vs. 4, 11, 20) que se referem ao período da dispensação da graça;"os sete espíritos" (v. 4) que demonstram a inteireza da perfeição de Deus;"os sete candeeiros" que simbolizam a perfeição da luz, da verdade e do testemunho do Senhor Jesus através da Sua Igreja (vs. 12, 20);"as sete estrelas" que revelam a perfeição do Seu governo (vs. 16, 20).

Como o Apocalipse é a Revelação do Senhor Jesus Cristo, ele é totalmente centrado na Sua magnífica Pessoa, e vemos isso claramente demonstrado na visão do consagrado apóstolo:

O Senhor dos anjos que estão ao Seu serviço (v. 1);A Fiel Testemunha tanto de Deus como da Sua Palavra (v. 5); • Ele é o primogênito dos mortos (v. 5);Ele nos ama, pelo Seu sangue nos libertou, Ele é o nosso único Propiciador (v. 5);Soberano dos reis da Terra que aqui virá para estabelecer o Seu Reino Milenar (v. 5);Ele é o que há de vir para lamento de alguns e júbilo para aqueles que amam a Sua vinda (v. 7), conforme diz Paulo em 2 Timóteo 4:8;O Ancião de Dias descrito em Daniel 7:9 (v. 14);O Primeiro e o Último, e tudo mais que estiver nesse permeio (v. 17); Ele tem a chave da "morte" que é o local que recebe o corpo físico que lá permanece até a ressurreição; e do "hades" que recebe o espírito e alma no local intermediário entre a morte e a ressurreição (v. 18).

Vê-se, portanto, que o Apocalipse é um Livro para ser plenamente compreendido, pois o seu conteúdo é de Revelação, não de cobertura ou cerramento. "Revelação" tem o significado do "abrir as cortinas" ou "retirada do véu", passando a revelar algo que não mais pode permanecer oculto. Ele não é um Livro de mistérios, mas de discernimento, e vemos isso no último versículo deste primeiro capítulo (v. 20), onde o próprio Senhor deu a interpretação do significado oculto dos "sete candeeiros" e das "sete estrelas" que estão nos versículos 12 e 16. Os "candeeiros" são as igrejas e as "estrelas" os anjos das igrejas.

Saber isto, para alguns, já seria mais do que suficiente, todavia, as interpretações dadas a essa afirmação do Senhor Jesus – anjos das igrejas – têm gerado insuportáveis controvérsias que acabam provocando desinteresse nas pessoas em estudar o Apocalipse. Digno de nota é que grande parte desses que tentam interpretar o texto sagrado contido nesse Livro usam expressões como "talvez", "provavelmente", "pode ser", dentre outras colocações. Creio que seria melhor se dissessem "não sei" do que transmitir uma dúvida. Quando se escolhe não decidir, já se tomou uma decisão; por certo a pior.

É claro que há muitos que tomam decisões por interesses pessoais à medida que se identificam como sendo esses anjos pelo fato desse vernáculo ter o significado de "mensageiro", logo, esses anjos poderiam ser os que "lideram as igrejas" e com isso atenderiam os anseios daqueles que adotam o clericalismo, passando a ter um poder temporal sobre as igrejas que nunca lhes fora dado, típica obra dos nicolaítas que tanto aborrece ao Senhor, conforme lemos em Apocalipse 2:6.

Sabemos que há aqueles em nosso meio que, bem-intencionados, sustentam o ponto de vista de que esses anjos são seres humanos, e a eles apresento os meus sinceros respeitos, todavia, pessoalmente, hão de permitir que eu pense de forma diferente ao entender que essa interpretação do Senhor Jesus se trata de personificações, tanto na forma celestial da igreja observada em Jesus Cristo, onde os anjos representam o caráter que as igrejas deveriam manifestar, como na forma terrena que é manifestada pelos candeeiros ao representarem a igreja vista pelos homens.

Ao se ler a milenar história da igreja e ver os atuais usurpadores que lideram as igrejas tidas como evangélicas, fica intolerável interpretar que esses "mensageiros" são os mesmos que estão na mão direita do Senhor Jesus (v. 20). Perdoem-me, mas isso afronta ao bom senso. É palatável, portanto, entender que os anjos descritos pelo Senhor Jesus sejam símbolos incomuns para representar o caráter celestial e sobrenatural da Sua Igreja que está em Sua mão direita (vs. 16, 20), mas sob nenhuma hipótese seres humanos imperfeitos como nós.

Lastreio o meu entendimento em dois respeitados comentaristas do nosso meio acerca de Apocalipse 1:20. Escreve James Allen em seu livro: "Muitos comentaristas, talvez a grande maioria... veem esses anjos como sendo aqueles que são capacitados para governar as igrejas... A objeção a isto, que eu considero insuperável, é que um símbolo não pode ser interpretado por outro símbolo... Os candeeiros são símbolos literais da igreja, e as estrelas só podem representar seres angelicais literais". Por sua vez nos diz William MacDonald: "Os comentaristas propõem várias explicações para os anjos. Para alguns, eram seres angelicais que representavam as igrejas, da mesma forma como os anjos representam nações (Daniel 10:13, 20-21). Para outros, eram os bispos (ou pastores) das igrejas, uma explicação sem base escriturística... O termo grego (angelos) significa anjo ou mensageiro, mas em Apocalipse o primeiro significado (anjo) é bastante proeminente. Apesar das cartas serem endereçadas aos anjos, o conteúdo é, sem dúvida, dirigido a todas as igrejas".

Bem haja! Que tudo ocorra da melhor maneira possível neste nosso caminhar rumo ao há de vir, apesar do controverso existente. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 2

Após concluir aquilo que “viu” na ilha de Patmos, isto é, a visão do Senhor Jesus glorificado, nos capítulos 2 e 3 João passa a descrever as coisas “que são”, que se referem a atual era – a da graça – através das sete cartas às igrejas que, ao serem representadas no capítulo anterior pelos sete candeeiros de ouro, revelam que são independentes entre si, mas responsáveis pelos seus atos perante o Senhor que está entre elas. A plenitude dos sete candeeiros denota a universalidade da igreja desde o seu surgimento com a descida do Espírito Santo (Atos 2).

De imediato, convém deixar ressaltado que o Livro do Apocalipse não foi para ser de exclusivo conhecimento das sete igrejas mencionadas no versículo 11 do capítulo anterior, como entendem alguns equivocadamente, mas para“todas as igrejas” existentes (Apocalipse 2:23) até ao tempo do seu arrebatamento (1 Tessalonicenses 4:17).

Não há dúvidas que essas sete cartas foram dirigidas àquelas igrejas que existiam à época, portanto com uma aplicação local, mas a amplitude do conteúdo de cada carta desfaz a ideia que o seu uso fosse restrito àquelas localidades, pois as verdades nelas contidas são para todas as igrejas nas eras que haveriam de suceder, pois vemos com clareza que os elogios e condenações nelas existentes têm caráter profético e suas características continuaram a acontecer ao longo do tempo, com bastante ênfase em nossos dias, a saber:

  • Igrejas que, apesar de louváveis, deixaram o seu primeiro amor (Éfeso)
  • Igrejas que sofreram perseguição e tentação (Esmirna)
  • Igrejas que permitem o mundanismo, tornando-se mera religiosidade (Pérgamo)
  • Igrejas culpadas por falsos ensinos (Tiatira)
  • Igrejas que ignoram os grandes pecados existentes em seu meio (Sardes)
  • Igrejas com pequeno poder, apesar de sinceras (Filadélfia)
  • Igrejas que negam a Cristo através da sua postura materialista (Laodiceia)

Inobstante a isso, lemos em todas as sete cartas a expressão: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”, que transmite com absoluta clareza que a mensagem contida em cada carta é destinada a um público maior do que simplesmente a cada igreja existente naquelas localidades.

Na introdução a essas cartas lemos repetidamente outra expressão: “Ao anjo da igreja... escreve”, cujo significado dessa personificação já foi mencionado no capítulo anterior. Ainda sobre esse assunto – anjo – William MacDonald faz menção de que há os que afirmam que esses anjos seriam mensageiros humanos que foram buscar essas cartas escritas por João na ilha de Patmos para entregá-las a cada uma dessas igrejas.

A meu ver essa é uma hipótese bastante improvável pelo fato de não existir um registro confiável a esse respeito, e pelas enormes dificuldades que esses “mensageiros” teriam para chegar até aquela inóspita ilha. Além disso, teriam que conseguir a permissão do império romano para essa visita, tendo em vista que para lá iam os que foram apenados a viver no mais absoluto desterro, isolados por completo do convívio social onde viviam, por serem considerados inimigos de Roma.

É muito provável que parte daqueles que tiram a representatividade desses “mensageiros” como seres celestiais, assim o faz por discordar da teoria da igreja católica de que eles seriam os “anjos da guarda” da Igreja de Deus. Todavia, sabemos que um erro não justifica outro! O que impediria a Deus de aparelhar sete anjos para esse mister, com uma função específica, como vemos fartamente ao longo de toda a Escritura?

Deixando de lado o controverso, há que se ressaltar que esses “mensageiros”, ainda que fossem seres humanos, seriam apenas uma parte da igreja, não o todo, portanto eles não passam de personificações, como dito na crônica anterior, pois de fato o que está sendo avaliado é o caráter espiritual da igreja, não os “mensageiros” das cartas.

Por outro lado, parece que por vezes as pessoas confundem “igreja” com o local em que se reúnem, mas de fato a igreja é uma “casa espiritual” onde cada pessoa que se converte ao Senhor torna-se uma “pedra viva” desse magnífico “edifício” (1 Pedro 2:5), e, individualmente, cada uma delas, não os tais “mensageiros”, terá que prestar contas ao Senhor pelo bem ou mal que praticaram (Romanos 14:10; 1 Coríntios 3:9-16; 2 Coríntios 5:10).

Neste segundo capítulo constam quatro das sete igrejas as quais João escreveu, vamos a elas:

1. A carta a Éfeso

Do ponto de vista profético, o período prefigurado para essa igreja vai dos anos 70 até 170 a.D. Até o ano 70 todos os apóstolos, exceto João, já haviam partido para a presença do Senhor. Portanto, ela aqui representa a igreja pós-apostólica e nela vemos que a devoção inicial ao Senhor Jesus já não era a mesma de outrora (v. 4), ela estava a se tornar uma igreja caída.

Por outro lado, a igreja em Éfeso se destacou pelo seu árduo trabalho e grande perseverança na obra do Senhor (vs. 2 e 3). Ela não tolerava os que eram maus, aqueles que se diziam apóstolos, mas de fato eram mentirosos. Por sinal, esses tais são uma grande realidade em nossos dias. Ela é também louvada pela aversão que tinha pelas obras dos nicolaítas (v. 6), que seria o início do clericalismo de pseudoapóstolos que ambicionavam a supremacia da liderança da igreja, que vinha a contrariar o princípio bíblico da pluralidade de anciãos eleitos pelo Espírito Santo para essa obra (Atos 20:28).

O nicolaísmo é uma realidade em quase a totalidade da cristandade nos dias atuais. O exemplo desse comportamento se vê através daquele que queria ser o dominador do povo de Deus: Diótrefes (3 João 9-11). É inconteste a existência de muitíssimas igrejas, das mais variadas denominações, na qual há um dono que de fato é quem manda na igreja, totalmente distante de Quem verdadeiramente a instituiu.

A igreja é exortada para que se arrependesse e voltasse à prática das suas primeiras obras, para que a sua luz não deixasse de brilhar neste mundo em trevas (v. 5). Isso é condição essencial a todas as igrejas, em todas as épocas, pois os vencedores de todas elas se servirão da árvore da vida que está no paraíso de Deus (v. 7).

2. A carta a Esmirna

Esmirna é considerada a igreja perseguida, que abrange o período de 170 a 312 a.D. Essas datas correspondem ao período das grandes perseguições dos imperadores romanos, até Constantino que se professou convertido ao Senhor em 312 a.D. Se já não bastasse Roma, houve também contra ela a blasfêmia daqueles que se diziam judeus (v. 9b), e, por sua vez, o diabo também foi implacável com essa igreja (v. 10), assim como tem sido ao longo da história da igreja haja vista a quantidade de desvios doutrinários existentes no presente século.

O Senhor a trata com grande ternura, pois sabia da sua tribulação. Ela tinha aparência de pobre, mas era rica concernente às coisas espirituais (v. 9a). Sob o jugo dos imperadores romanos ela sofreu intensas perseguições, mas a maior delas, por dez anos, de 303 a 312 a.D., foi a de Diocleciano segundo dados históricos. Um historiador da Igreja estima que durante esse período cerca de cinco milhões de cristãos teriam sido martirizados pelo testemunho do Senhor Jesus Cristo. Mas, como disse Tertuliano (200 a.D.), “o sangue dos mártires se tornou a semente da Igreja”.

Apesar disso, os cristãos verdadeiros eram encorajados a serem fiéis até a morte, ou seja, jamais renunciariam a sua fé no Senhor Jesus e com isso receberiam um galardão reservado aos mártires – a coroa da vida – (v. 10). Aos cristãos autênticos, diz o Espírito: “O que vencer de modo algum sofrerá o dano da segunda morte” (v. 11). Como vimos na crônica anterior a esta, os servos de Deus serão ressuscitados e aqueles que estiverem vivos serão arrebatados para o encontro com o Senhor, pois não passarão pelo período da grande tribulação e tampouco pela segunda morte, que é o destino de todos os incrédulos (Apocalipse 20:6 e 14).

3. A carta a Pérgamo

Considerada a “Igreja do Estado” numa união desastrosa que acarretaria enormes desvios doutrinários como vemos na igreja católica dos nossos dias. Seu período vai de 312 a 606 a.D., após a conversão de Constantino que permitiu que a igreja em Roma saísse das catacumbas onde se reunia para agir livremente na superfície. Ser “cristão nominal” caiu no agrado popular e foi um meio de se obter as benesses e o poder do Império.

Em 606 a.D., Bonifácio, que era o ancião local, foi reconhecido como bispo universal, ou seja, o primeiro papa. Como diz J. Allen – “A Igreja avidamente engoliu a isca (lançada por Constantino), sacrificou a sua consciência e fidelidade ao Senhor, e a Igreja e o mundo que até então andavam separados, passaram a caminhar de braços dados”. O clericalismo, ou a doutrina dos nicolaítas, estava estabelecido como modelo para a Igreja, e isso é algo intolerável para o Senhor (v. 15).

Em termos locais, essa igreja foi reprovada pelo Senhor por permitir em seu meio doutrinas consideradas perversas inseridas por adeptos da doutrina de Balaão (v. 14) que, dentre outras coisas, estimulavam a corrupção através da união com o paganismo, um costume tipicamente babilônico, com a desenfreada prática da imoralidade e idolatria, como fez Balaão com Israel (Números 25:1-3, 31:16). Estava formalizada na igreja a prática de se pregar o Evangelho em troca do lucro financeiro, tão em voga em nossos dias.

Em virtude da enorme prática do paganismo na localidade, o Senhor afirma que em Pérgamo estava o trono de Satanás, mas havia cristãos que lá se reuniam e não negavam a fé, como Antipas, fiel testemunha que foi terrivelmente martirizado (v. 13). Por isso o Senhor convoca os cristãos autênticos para o necessário arrependimento (v. 16), e o Espírito diz às igrejas, aos que vencerem, ou seja, aqueles que perseveram na sã doutrina em qualquer época, gozarão de uma íntima comunhão com o Senhor (v 17).

4. A carta a Tiatira– 2:18-29

Na história da igreja, Tiatira representa o período de 606 até o arrebatamento da igreja. Ela se caracterizou por um desenvolvimento constante da apostasia que chega aos nossos dias através da “igreja católica” e assim permanecerá até o fim desta dispensação com a vinda do Senhor Jesus para o arrebatamento da Sua Igreja.

Ela perdeu todas as suas características e se tornou em uma grande organização. Dentre os seus constantes e grandes desvios, se não o maior, foi a divinização de Maria ocorrida em 8/12/1854, através da bula “Ineffabilis Deus” proclamada pelo papa Pio IX, que de fato proclamou o “quarteto sagrado” constituído por Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e Maria, a “deusa mãe”. Para melhor entendimento, recomendo a leitura da minha crônica “Antes que os Demônios Assumam (1), publicada em 2009 em A Senda do Cristão, e está disponibilizada em meu site: http://www.cronicasdeumservo.com.br/ler_artigos.asp?id=86

Todavia, ela não foi sempre assim, pois o Senhor relata que além das suas boas obras havia nela outras qualidades como fé, amor, serviço e perseverança e que as suas últimas obras haviam sido mais numerosas que as primeiras (v 19). O que teria ocorrido com ela para uma queda tão grande? A resposta é a “tolerância” (v. 20). A mesma tolerância que vemos hoje no cristianismo, onde as igrejas estão a perder a sua identidade por tolerarem que o mundanismo, os pseudoapóstolos, os falsos ensinos, e até mesmo o ocultismo, tenham livre acesso ao seu meio.

Lemos nos demais versículos que as consequências foram desastrosas para aquela igreja assim como será com aquelas que estão a sucedê-la. Mas lá havia, e sempre haverá, um remanescente fiel que se conserva firme na verdade até a vinda do Senhor, e por isso nenhuma outra carga foi jogada sobre eles (vs. 24-25). A fidelidade ao Senhor será recompensada! Aos vencedores será dado o direito de reinar com o Senhor em Seu reino milenar (vs. 26-28).

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 29). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 3

Neste terceiro capítulo temos a continuidade da exposição de João sobre as coisas “que são”, ou seja, o que estava a acontecer com algumas igrejas locais que existiam naquela época. Das sete cartas escritas, constam neste capítulo as três últimas – Sardes, Filadélfia e Laodiceia – que, como as outras quatro, refletiriam as condições espirituais que afetariam as igrejas no decorrer da sua história.

Estas três cartas demonstram, respectivamente, o que ocorreu após a “reforma protestante”, no século 16, cuja luz não tardou a perder o seu brilho, seguido pelo despertar evangelístico através das obras missionárias em muitas partes do mundo, mas que lamentavelmente não impediu que a igreja se tornasse uma organização apóstata pela sua frouxidão doutrinária e institucionalização ecumênica. A igreja dos últimos dias está no mundo, como deve estar, mas o mundo passou a estar em seu meio, onde não deveria estar.

5. A carta a Sardes– 3:1-6

Embora demonstrasse, aparentemente, estar “viva”, de fato o Senhor a considerava uma “igreja morta” (v. 1). Os seus membros não possuíam uma vida espiritual “íntegra”, de fato se dedicavam a um mero ritualismo religioso, amplamente observado em nossos dias. “Não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus”, diz o Senhor (v. 2). Todavia, alguns poucos que lá se reuniam eram “dignos” por permanecerem fiéis ao Senhor e à Sua Palavra (v. 4). Ela carregava um formalismo estéril, como um cadáver bem vestido, mas faltava-lhe a força vital. O Senhor a convocou para um sincero e urgente arrependimento (v. 3).

Reflitam comigo! Havia obras praticadas por essa igreja? Claro que sim (v. 1), mas o Senhor delas não Se agradava por serem imperfeitas (v. 2), elas eram inadequadas por estarem fora da Sua soberana vontade. Fica a pergunta: Será que o Senhor está a aprovar as obras hoje praticadas por aqueles que se intitulam “evangélicos”?

Por oportuno, transcrevo o pensamento de Jayro Gonçalves a respeito: “Em 1 Timóteo 6:3-6, Paulo ensina que a doutrina do Senhor Jesus é segundo a piedade e não concorda com as falsas doutrinas que os falsos mestres expõem. No versículo 5 verificamos que a motivação da atitude dos falsos mestres era a obtenção de lucros (característica notória das seitas tão em voga em nossos dias), e o faziam, descaradamente, como demonstração de piedade (“supondo que piedade é fonte de lucro”)... Eram impulsionados por uma motivação oculta de cobiça, e ensinavam que suas riquezas eram um sinal de que Deus aprovava seus ensinos”.

Do ponto de vista histórico, Sardes nos remete ao período após a grande reforma promovida em 31/10/1517, por Martinho Lutero, mas, como observamos em nosso entorno, Satanás conseguiu obstaculizar essa “reforma” levando muitas igrejas à perda da sua identidade por carregar sobre si uma ortodoxia morta da qual jamais se recuperarão. Eis aqui um exemplo claro do cristianismo meramente nominal, que se sobressai pelos aspectos que exterioriza, mas aos olhos do Senhor é um fracasso retumbante. O denominacionalismo que se desenvolveu depois da reforma de Lutero permanecerá até o arrebatamento da Igreja.

Mas o Senhor incentiva ao que vencer: “De modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida” (v. 5). O Senhor não está a sugerir que é possível a um filho de Deus perder a Salvação, pois os cristãos verdadeiros possuem a segurança eterna da Salvação, conforme vemos em João 3:16, 5:24 e 10:27-29. Os que se “perdem” são os que de fato não se convertem ao Senhor, apenas estão envolvidos com sentimentos religiosos. Portanto, “quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 6).

6. A carta a Filadélfia – 3:7-13

Ufa, que alívio! Após lermos sobre a intensa corrupção doutrinária de Sardes, com o seu mortificante formalismo religioso, eis que o Senhor se dirige a esta igreja sem nenhuma acusação, assim como ocorrera com Esmirna, a igreja sofrida. Vemos em Filadélfia uma igreja autêntica em meio àquelas meramente professantes.

Para ela o Senhor Se apresenta como Aquele que tem a chave de Davi (v. 7), ou seja, a mais absoluta autoridade de abrir e fechar a porta da Sua casa sem que ninguém possa fazer o contrário. Escreve R. David Jones acerca disso: “No capítulo 1:18 de Apocalipse Ele diz que tem as chaves da morte e do inferno, mas aqui ele fala do cumprimento da profecia achada em Isaías 22:20-25, assim como Eliaquim recebeu plena autoridade sobre Jerusalém, Cristo recebeu de Deus todo o poder no céu e na terra (Mateus 28:18), e, como Filho sobre a Sua casa, a igreja (Hebreus 3:6)”.

O ambiente nessa localidade não era nada propício a essa igreja, pois lá estavam aqueles que se diziam judeus, mas não eram, de fato o Senhor os qualifica como sinagoga de Satanás (v. 9). Todavia, o Senhor conhecia as obras praticadas por aquela Sua igreja, que apesar da pouca força que tinha, face ao contexto em que vivia, Ele tinha posto diante dela uma porta que ninguém poderia fechar, pois ela era fiel à Sua Palavra e jamais negou o Seu Nome (v. 8).

Não há nenhum desmerecimento à Filadélfia pelo fato do Senhor afirmar que ela tinha “pouca força”. Sua força era pequena porque os que lá se reuniam eram uma minoria diante dos judeus e pagãos existentes à época. Apesar da pouca influência material, eles possuíam uma extraordinária força espiritual através da porta aberta pelo Senhor.

Aqueles cristãos confiavam plenamente no Senhor. Dada a essa absoluta fidelidade, o Senhor manteria o seu testemunho e os que eram contra eles ficariam sabendo o quanto o Senhor os amava (v. 9). Assim como foi nos inícios da igreja (Atos 14:27; 1 Coríntios 16:9; 2 Coríntios 2:12), esta porta ainda permanece aberta para aqueles que estão dispostos a manter a sã doutrina, não os ensinos de homens ou tradições religiosas, mas exclusivamente ao que está estabelecido na Palavra de Deus para a Sua Igreja.

A característica dessa igreja é vista claramente a partir de 1750 com o surgimento de um grande avivamento missionário, em muitas partes do mundo, cujo fruto dessa restauração será observado até o arrebatamento da Igreja.

Àqueles que se mantiverem na doutrina, o Senhor promete que não passarão pela grande tribulação que virá sobre a Terra (v. 10), ao contrário, serão guardados desse período através do arrebatamento da Igreja, e não em meio ou após a tribulação como asseveram alguns equivocadamente. No versículo 11 vemos que há um galardão, a coroa da perseverança, que deverá ser preservado para que ninguém o tome, pois está reservado a todo aquele que guarda o bom depósito, o modelo das sãs palavras, conforme diz Paulo em 2 Timóteo 1:11-15.

Os vencedores serão transformados em colunas gloriosas perante Deus e partilharão da vitória final do Senhor Jesus Cristo. Receberão um novo nome e habitarão na nova morada donde jamais sairão, a identificação com o Rei será completa (v. 12). Portanto, atentemos novamente para o que diz o Senhor:“quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 13).

7. A carta a Laodiceia – 3:14-22

Pois, então, chegamos ao fim! Com esta carta João encerra as coisas “que são”, ou seja, o período de existência da Igreja neste mundo. Laodiceia tipifica a igreja do fim dos tempos quando Jesus vier para buscar os que são Seus, antes do início da grande tribulação. Vemos nessa carta uma afirmação alarmante: o Senhor Jesus está fora do chamado contexto cristão: “Eis que estou à porta e bato” (v. 20), o que está a indicar que os muitos milhões que fazem parte da cristandade dos nossos dias não participarão do arrebatamento da Igreja caso não se arrependam dos desvios doutrinários praticados no formalismo religioso em que vivem (v. 19).

Ao ler essa minha afirmação, você poderá estar a indagar: “Como assim, se nunca se falou tanto no nome de Jesus como agora, há milhões de referências nos sites de busca na Internet?”. Falar em Jesus, meu caro leitor, até os demônios o fazem (Lucas 4:33-35; Atos 16:16-18; 19:13-16). Já houve quem dissesse que “é um triste erro levar o título de cristão sem o ser. É uma terrível ilusão a um não menos terrível despertar”.

Você poderá redarguir: “E a grande quantidade de sinais e milagres que estão a acontecer através dos atuais pastores, bispos, reverendos, apóstolos, profetas, patriarcas etc.?”. Você deve se lembrar dos sinais feitos pelos bruxos do faraó quando o povo de Deus estava escravizado e lá estava Moisés para libertá-los. Eles fizeram coisas impressionantes com os seus encantamentos: transformaram água em sangue e fizeram subir enorme quantidade de rãs sobre a terra do Egito (Êxodo 7:20-22; 8:6-7).

Portanto, esses sinais não são uma presunção factual da ação de Deus. O falso profeta que virá irá operar grandes sinais: fará descer fogo do céu e lhe será concedido dar fôlego à estátua do anticristo para que a imagem fale (Apocalipse 13:11-15). Você já imaginou o impacto que será ouvir uma estátua falando? Pois é, isso não virá de Deus, mas do diabo.

Você também poderá insistir em sua argumentação: “Mas o Senhor Jesus disse que os sinais e milagres acompanhariam os que creem?”. Não se esqueça do que Ele também disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus... muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muito milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”(Mateus 7:21-23).

Desnecessário acrescentar qualquer argumento sobre isso que o Senhor Jesus asseverou, mas convém citar o que William MacDonald disse a esse respeito: “Um milagre simplesmente demonstra que um poder sobrenatural está atuando, esse poder pode ser tanto divino como satânico. Satanás pode criar a ilusão de que um milagre é divino”. Lembremo-nos, sempre, das palavras do Senhor Jesus: "hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mateus 24:24).

Vejamos, então, o estado espiritual dessa igreja. Não há um único elogio para ela! Nela o Senhor não encontra nada recomendável. A sua complacência e mornidão espiritual eram duas características que colocava o Senhor para fora do seu meio (v. 15). Ela foi alcançada pelas coisas ruins das demais, desde a perda do primeiro amor pela igreja em Éfeso, passando pelo mundanismo de Pérgamo e pelo clericalismo de Tiatira. Ao chegarmos a Laodiceia vemos uma igreja em que o Senhor está a ponto de vomitá-la (v. 16). Ela é tão somente uma entidade religiosa que se denomina ser de Cristo, todavia Ele está fora dela (v. 20).

Os que lá se reuniam poderiam até pensar que estavam a fazer as coisas certas, eram bastante prósperos materialmente, como as atuais denominações evangélicas esparramadas mundo afora e que estão a pregar a enganosa “teologia da prosperidade”. Lamentavelmente essa heresia está sendo copiada até por aquelas que eram tidas como mais ortodoxas. O Senhor diz energicamente: “és um coitado, miserável, pobre, cego e nu” (v 17).

Sem dúvida uma duríssima admoestação, mas o Senhor repreende os que ama e por certo lá haveria um remanescente que se arrependeria da sua hipocrisia religiosa (v. 19). Por conta disso, o Senhor a aconselha (v. 18) para que cobrisse a vergonha da sua nudez e cegueira espiritual. Laodiceia não tinha consciência da sua imundícia espiritual, ela pensava estar “vestida” perante o Senhor, mas de fato estava despida por não conseguir enxergar que estava fora da simplicidade, santidade e autenticidade do Evangelho.

O Senhor desejava que ao menos alguns que lá se reuniam voltassem à comunhão com Ele (v. 20). Ao vencedor, àquele que conseguisse se livrar das amarras da fraude religiosa, lhe seria concedido o direito de se assentar com Ele no trono da Sua Glória (v. 21).

Finalizando este capítulo, vemos que o Senhor Se apresenta a esta igreja como “a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (v. 14) e finaliza instando-nos para que ouçamos, pela sétima vez, o que o Espírito diz às igrejas (v. 22). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 4

Neste capítulo as coisas que João “viu” e as que “são” já eram. O período da graça, o da Igreja, foi encerrado no capítulo anterior, doravante João passa a descrever as coisas que “hão de acontecer” após o Arrebatamento da Igreja.

É sobremodo notável a leitura do Apocalipse porque através dele temos a oportunidade de saber com muita antecedência os acontecimentos que hão de vir. Por incredulidade, muitas pessoas desconsideram o tremendo milagre que aconteceu na ilha de Patmos, quando João viu desfilar diante de seus olhos uma sucessão notável de eventos que ocorreriam milênios à sua frente, numa autêntica viagem ao até então desconhecido.

Essas narrativas, divinamente reveladas, não são somente para a edificação espiritual dos que creem, mas também para que outras pessoas se deem conta do incrível conteúdo deste livro, pois foi dito a João que “importa que profetizeis outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis” (Apocalipse 10:11). Por definição, o ensino correto do Apocalipse não pode deixar de ser divulgado às pessoas de todos os credos e nações. Pena que isto não esteja acontecendo em nossos dias na forma correta.

Não deixa de ser lamentável que o contraditório seja tão exacerbado a partir deste capítulo, fruto das controvérsias geradas por aqueles que se dizem entendidos, cujas consequências têm levado a imensa parte da cristandade à incompreensão dos acontecimentos contidos neste e nos próximos capítulos deste Livro e, por conta disso, subestimam a leitura do Apocalipse.

No primeiro versículo deste capítulo, já fica absolutamente claro o que está para acontecer. Diz o texto Sagrado: “Depois destas coisas...”, que coisas? É evidente que são as que lemos nos três capítulos anteriores e que se encerraram com a grande decadência espiritual da igreja do fim dos tempos (Laodiceia). Neste capítulo João vê “uma porta aberta no céu” e ouve a voz do Senhor que o convoca: “Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que depois desta devem acontecer”. Diz em seguida o versículo 2: “Imediatamente fui arrebatado em espírito”, naquele exato momento João vivenciou antecipadamente o mesmo sentimento que sentirão aqueles que serão arrebatados por ocasião do encontro com o Senhor Jesus e terão a visão esplendorosa da sua nova morada. Este arrebatamento de João prefigura o arrebatamento de todo aquele que pertence ao Senhor Jesus.

Apesar daqueles que criam tantas controvérsias sobre este assunto, esteja absolutamente certo, caro leitor, que a partir deste quarto capítulo a Igreja de Deus não estará mais na Terra, pois nesta revelação se cumpre o previsto em 1 Tessalonicenses 4:13-18... “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro... os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. O mistério dito por Paulo em 1 Coríntios 15:51-53 aqui está revelado, na prática, quando todos os verdadeiros cristãos participarão do fantástico evento do Arrebatamento. A verdade inconteste é que os vernáculos “igreja ou igrejas” aparecem por vinte vezes, dezenove deles somente nos três primeiros capítulos deste Livro e depois ressurgirá com essa expressão somente em Apocalipse 22:16, que vem corroborar que a partir do capítulo quatro a Igreja já não mais estará aqui porque foi arrebatada para estar com o Senhor.

Convém lembrar que Daniel também teve visões acerca do tempo do fim, mas a ele foi determinado que não as revelasse, pois ainda não era chegado o momento oportuno: “Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro... porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim” (Daniel 12:4,9). Em 2 Coríntios 12, Paulo revela o seu arrebatamento ao terceiro céu, à morada de Deus, e lá “ouviu palavras inefáveis as quais não é lícito ao homem referir” (v. 4), e para que ele não se exaltasse demais diante das estupendas revelações, foi-lhe dado um espinho na carne a fim de que ele não se sublimasse (v. 7). Mas o tempo é chegado, e há quase dois milênios João teve o grandioso privilégio de descerrar essas revelações (Apocalipse 1:19). Jamais me atreveria a estabelecer tempo ou fixar época para que isso aconteça – o Arrebatamento da Igreja –, mas não há dúvida que esse tempo se abrevia, aquilo que era iminente passa a ser imediato.

Você pode estar a se perguntar: “Mas não consigo entender nada daquilo que João está a contemplar neste capítulo”? Esteja certo que você entenderá quando lá estiver. Por agora se detenha à leitura dos versículos que manifestam a extraordinária visão da magnitude do Trono de Deus com o esplendor dos seus detalhes. A majestosa glória da presença divina aqui está realçada pelo imenso borbulhar de cores, brilhos, relâmpagos, vozes, trovões, pelo mar de cristal, símbolo da absoluta pureza de Deus onde nenhuma sujeira passaria despercebida, e pelos quatro estupendos seres viventes, guardiões do Trono de Deus, a entoar o ininterrupto cântico de glória, honra e ação de graças àquEle que vive pelos séculos dos séculos (vs. 3 a 9). Em vez de tentar decifrar o que isso representa é mais edificante saber que você lá estará para contemplar essas extraordinárias maravilhas. Portanto, durante a leitura deste capítulo sinta-se adentrando ao magnífico ambiente celestial. O que importa, agora, é que você tenha certeza de que irá presenciar pessoalmente todos esses notáveis acontecimentos.

Quanto aos versículos 4 e 10 tem-se levantado não pouca discrepância sobre o seu contexto. Quem seriam os vinte e quatro anciãos prostrados diante do Trono de Deus? De plano, não tenho dúvida em asseverar de que se trata da Igreja arrebatada, dos redimidos pelo Senhor Jesus com seus corpos já ressurretos, libertados que foram pelo Seu sangue e por isso os fez reino e sacerdotes para Deus (Apocalipse 1:5-6).

É impossível imaginar, como alguns afirmam, que esses anciãos seriam seres celestiais com vestiduras brancas e coroados. Os versículos 8 a 10 do capítulo 5 de Apocalipse derrubam por completo esse argumento à medida que separa com absoluta clareza os grupos que lá estarão: “E, havendo tomado o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro... E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos...”. Portanto, os vinte quatro anciãos se referem exclusivamente à Igreja arrebatada. Convém lembrar que “ancião” tem por significado etimológico de “homem mais velho”, por conseguinte jamais poderiam ser seres celestiais porque estes não envelhecem como os seres humanos. Portanto, os vinte e quatro anciãos representam a Igreja no seu sacerdócio perante o Trono de Deus.

Outra argumentação é que esses vinte e quatro anciãos seriam um grupo formado por doze patriarcas, ou tribos, de Israel e os doze apóstolos do Senhor Jesus. Embora essa sugestão traga uma irresistível atração, não há nela nenhuma base bíblica para tal afirmação. Comete-se um erro crasso de interpretação, pois o Arrebatamento ocorrerá somente para os cristãos redimidos, ao passo que os santos de Israel serão ressuscitados ao final da grande tribulação, os quais serão julgados e recompensados ao entrarem no Reino Milenar do Senhor Jesus Cristo. Por oportuno transcrevo o ensino de R. David Jones no Boletim dos Obreiros 158, de março de 2011: Em preparação para o reino milenar de Jesus Cristo no mundo, haverá também a ressurreição dos demais santos: os do Velho Testamento (Isaías 26:19, Daniel 12:2), e os que morrerem durante o domínio da besta, durante a grande tribulação (Apocalipse 20:5). Com isto se conclui a primeira ressurreição. Os santos de todos os tempos, até então, viverão e reinarão com Cristo durante o milênio. Recomendo a leitura dessa excelente matéria também disponibilizada em nosso site www.obreiros.com > Arquivo > Fatos & Relatos > O Estado da Alma entre a Morte e a Ressurreição.

Uma questão se tem levantado ao longo do tempo: Por que vinte e quatro anciãos, e não doze ou sete que é o número da plenitude? Como já foi dito aqui, esses vinte e quatros anciãos exercem o sacerdócio real. Isso nos remete às instruções de Davi ao seu filho Salomão que teve a honrosa incumbência de edificar uma casa para o Senhor Deus, Davi distribuiu os sacerdotes em vinte e quatro turmas para o serviço do Templo, como representantes plenos para entrarem na casa do Senhor, segundo lhes fora ordenado por Arão, como o Senhor Deus de Israel lhe havia mandado (1 Crônicas 24:7-19). Eles representavam a plenitude do exercício desse ministério assim como os vinte e quatro anciãos estão a representar a Igreja de Deus como um todo.

Finalizando este capítulo, vemos a Igreja arrebatada nos versículos 10 e 11, na figura desses vinte e quatro anciãos, a adorar ao que vive pelos séculos dos séculos, os quais lançavam diante do trono os galardões recebidos, frutos de suas obras aqui realizadas, dizendo: “Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas”. Que você, meu caro leitor, lá esteja fazendo parte desse notável grupo. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 5

Assim como vimos no capítulo anterior, neste João continua contemplando as grandiosas visões da morada divina. Por certo, a esta altura dos acontecimentos proféticos, Deus estará a religar o cronômetro que fora desligado aos inícios da era da Igreja.

Essa cronometragem de tempo nos remete a Daniel que, a exemplo de João, teve revelações escatológicas da parte de Deus (Daniel 9:24-27). Todavia, a mensagem transmitida ao profeta é claríssima, não diz respeito à Igreja, mas exclusivamente a Israel e Jerusalém: “Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo (Israel), e sobre a tua santa cidade (Jerusalém)” (v. 24). Segundo o texto sagrado, o começo dessa contagem de tempo foi a partir da ordem dada para restauração de Jerusalém e, desde esse início, até ao Ungido, ao Príncipe, sessenta e nove semanas de sete anos decorreriam.

O único decreto específico que diz respeito à restauração de Jerusalém foi o do rei Artaxerxes, que autorizou formalmente Neemias para que reedificasse a cidade (Neemias 2:1-10). Sob clara inspiração divina, Neemias teve o cuidado de deixar registrada a data exata desse decreto: “No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes” (v. 1), que corresponde ao mês de março de 445 a.C.

A partir dessa data, fazendo-se a contagem de tempo dessas semanas de sete anos cada, considerando os anos de 360 dias conforme vemos no cômputo de dias do dilúvio, em Gênesis, conclui-se que o fim da era das primeiras sessenta e nove semanas de Daniel deu-se por ocasião da entrada triunfal do Senhor Jesus em Jerusalém (Lucas 19:28-44).

Daí entendermos a severidade da Sua afirmação quando abordado pelos religiosos da época para que fizesse calar o clamor da multidão que O ungia como o Rei que viria em nome de Deus: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas 19:40). Aquele momento fazia parte do contexto profético de Daniel.

Nessa oportunidade Jesus chorou ao ver Jerusalém (Lucas 19:41), porque estava oculto aos olhos daquele povo o significado daquela tão importante ocasião no calendário divino. Naquele dia o cronômetro de Deus fora travado até que se completasse a era que a seguir viria, a da Sua Igreja, que corresponde ao intervalo profético contido na revelação transmitida a Daniel.

Essa contagem, a da septuagésima semana, voltará a ser ativada após o Arrebatamento da Igreja, quando então será revelado o homem da iniquidade e a concomitante tribulação que recairá sobre este mundo. Os dramáticos acontecimentos que se sucederão, nessa última semana de sete anos, serão encerrados com a volta triunfal do Senhor Jesus para o estabelecimento do Seu Reino Milenar (Apocalipse 20:6).

Você, prezado leitor, a esta altura provavelmente está a indagar: “Por que uma introdução tão grande ao capítulo cinco de Apocalipse como esta?” Sou motivado a fazê-la para que não haja dúvida de que as calamitosas ocorrências que se seguirão a este capítulo são absolutamente integrais, tendo em vista a tendência que há de se espiritualizar esses relatos dadas as terríveis consequências que recairão sobre a humanidade incrédula, apesar de religiosa, por ocasião da grande tribulação. Tudo já está antecipadamente previsto por Deus desde a antiguidade (não deixe de ler Isaías 46:9-10), por isso a humanidade será indesculpável perante Deus, pois absolutamente tudo está revelado, inclusive o mistério que estava guardado em silêncio desde os tempos eternos – a Sua Igreja (Romanos 16:25-27).

Neste quinto capítulo de Apocalipse, o cenário que está diante de João é majestoso. No trono está o Todo-Poderoso, o Deus Criador de todas as coisas. Em Sua poderosa destra contém um livro hermeticamente selado (v. 1), cujos selos transmitem um caráter de privacidade, de propriedade exclusiva, que somente o seu legítimo dono poderá rompê-los. Todo o universo pertence a Deus, que por comodato cedeu a Terra ao homem (Salmo 115:15-16), mas pela sua desobediência a Deus ele perdeu essa posse e o usurpador, o diabo, tornou-se o deus deste mundo (2 Coríntios 4:4). A reintegração de posse ocorrerá, ela já está determinada e acontecerá na data estabelecida pelo Pai que readquiriu a Terra para Si através do sacrifício efetuado pelo Seu Filho, o único que poderá romper esses selos e assim o fará (v. 5).

Há um momento dramático nessa visão de João. Um poderoso ser angelical perguntou em alta voz quem seria digno de abrir aquele livro (v. 2). Ninguém foi achado que pudesse fazê-lo, até mesmo lançar o seu olhar sobre ele (v. 3). Perante essa indagação João passou a chorar copiosamente (v. 4) porque se não existisse alguém que pudesse abrir o livro a injustiça existente na Terra não seria corrigida, os perversos permaneceriam impunes e os justos não seriam vindicados.

Mas um dos anciãos o consola com a notável notícia de que o Senhor Jesus era o único qualificado a fazê-lo (v. 5). No versículo 6 vemo-Lo em pé entre os Seus, a Igreja arrebatada, como um Cordeiro na forma que tinha sido morto. Como Cordeiro de Deus ele pagou o preço da redenção do mundo, como Leão (v. 5) ele será o Supremo Juiz que condenará a humanidade incrédula e perversa a castigos eternos.

Aquele foi um momento de grande silêncio. Os olhos de João não mais estão fixados no livro (v. 1), nem no forte anjo (v. 2), o foco da sua visão passa a ser o Senhor Jesus que tomou para Si o livro que ninguém conseguiria abrir (v. 7). O usurpador deste mundo está com os seus dias contados – 7 anos –, a Terra finalmente se livrará de Satanás, pois o programa celestial será concluído. De imediato o silêncio é interrompido, os quatro seres viventes e a Igreja arrebatada se prostram diante do Senhor Jesus (v. 8) e entoam um novo cântico: "Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra" (vs. 9,10).

Este momento tem um profundo significado que é reconhecido não somente por aqueles que estão perto do Trono. Outras vozes se juntam à sinfonia celestial. Incontáveis hostes celestiais fazem parte desse magnífico coral:“Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (vs. 11,12), que é acrescido por aqueles que fazem parte do cosmo: "Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos" (v. 13). Eis aqui um momento estupendo sendo revelado.

Neste novo cântico a exaltação é prestada ao Senhor Jesus. A expressão “digno és”, que antes tinha sido dirigida ao Deus Todo-Poderoso (Apocalipse 4:11), agora é a Ele dispensada em reconhecimento a extraordinária obra por Ele realizada: “com o teu sangue compraste para Deus homens... que reinarão sobre a terra” (vs. 9,10). Isto nos leva a considerar o reino milenar do Senhor Jesus aqui na Terra (Apocalipse 20:6). Sem dúvida, um grandioso privilégio.

Nesse texto a alegria da antecipação é contagiante. Essa é a mesma expectativa do salmista que descreveu o sublime louvor de toda criação ao Eterno Deus (Salmo 148:1-14). Os mais altos céus contemplarão a profunda significação do cântico angelical entoado por ocasião do nascimento do Senhor Jesus: “Glória a Deus nas maiores alturas” (Lucas 2:14). As vozes discordantes existentes neste mundo serão definitivamente silenciadas. A angústia e o gemido de toda criação (Romanos 8:22-23) não mais serão ouvidos.

O encerramento desse magnífico cântico é com um majestoso “Amém”! (v. 14). Será um momento de prostração e adoração na morada celestial, pois os selos existentes naquele livro serão rompidos e será desencadeado o juízo de Deus sobre este mundo rebelde. O cenário estará concluído. A contagem de tempo restabelecida. Os acontecimentos a seguir serão tremendos. O tempo de Deus é chegado! Resta-nos, portanto, não mais a esperança, mas a certeza de que faremos parte deste contexto divino. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 6

Este capítulo é encerrado com uma angustiante pergunta: “é chegado o grande dia da ira de Deus, quem poderá subsistir?” (v. 17). Esse “dia”insistentemente citado tanto no Antigo como no Novo Testamento a humanidade e até mesmos aqueles que se dizem cristãos não acreditam na sua chegada, tendo-o como um mito, uma lenda religiosa, pois Deus jamais, dizem eles, causaria tão grande mal à Sua criação, por ser Ele misericordioso, bondoso, amoroso, dentre outros qualificativos. Porém, enganam-se os que assim pensam, na verdade não conhecem o Deus Todo-Poderoso e a Sua Justiça. Isto me traz à lembrança o oráculo de um antigo profeta: “Na terra não há conhecimento de Deus... o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Oseias 4:1,6).

Dentre os profetas que vislumbraram esse “dia”, Sofonias foi aquele que recebeu da parte de Deus um resumido compêndio dessa profecia. Revela-nos o inspirado profeta: “O grande dia do Senhor está perto; sim, está perto, e se apressa muito... Aquele dia é dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido... E angustiarei os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne como esterco. Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do Senhor; mas pelo fogo do seu zelo será devorada toda a terra; porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada” (Sofonias 1:14-18). Neste capítulo, o sexto de Apocalipse, iniciamos a grande jornada rumo à Grande Tribulação determinada para este mundo desde a antiguidade.

A visão de João é fantástica! Seus olhos estão fixados no Senhor Jesus a Quem tanto amou quando aqui esteve. Ele está a contemplar a única Pessoa que poderia romper os selos daquele tão importante Livro, e assim haverá o início do juízo de Deus sobre toda Terra. Nesse instante será reiniciada a contagem de tempo estabelecida por Deus – 7 anos –, dar-se-á o início da septuagésima semana de Daniel (9:26-27).

Ao ser rompido o primeiro selo ouvem-se as poderosas vozes dos quatros seres viventes dizendo “vem” a quatro cavaleiros (v. 1). Em algumas versões equivocadamente é acrescido o verbo “ver” (vem e vê), como se o convite fosse para João, mas isso não consta no manuscrito grego, pois, de fato, essas chamadas são para esses simbólicos cavaleiros.

O primeiro cavaleiro a subir por sobre a Terra está montado em um cavalo branco, tendo um arco na mão, uma coroa na cabeça e saiu para vencer (v. 2). As características deste personagem levam muitos a uma falsa conclusão de que se trata do Senhor Jesus voltando para estabelecer um período longo de paz em Seu reino milenar. Compare com o engano mencionado pelo Senhor Jesus em Mateus 24:5.

Sem dúvida, um grave equívoco. Nesse exato momento o Senhor Jesus estará abrindo os selos do juízo de Deus no céu, logo não poderá estar na Terra; é impossível aceitar o argumento de que o Senhor Jesus terá que aguardar o comando de um dos seres viventes para entrar em ação, pois o inverso é absolutamente verdadeiro; a vinda do Senhor Jesus está estabelecida para pôr fim a Grande Tribulação e não ao início dela (Apocalipse 19:11-21).

A confusão estabelecida é pela cor branca da montaria desse cavaleiro que transmite a ideia de paz, entretanto a vinda do Senhor Jesus, também simbolicamente montado em um cavalo branco, está revelada em Apocalipse 19:11, quando aqui virá exatamente para derrotar o cavaleiro deste sexto capítulo – o anticristo –, que surgirá aparentando ser o Messias prometido a Israel e enganará a quase todos ao acenar um breve período global de paz. Na verdade se trata do “príncipe que virá” sobre a “asa das abominações” e fará um “pacto firme” com muitos por sete anos, mas na metade desse tempo ele mostrará o lado nada atraente da sua face (Daniel 9:26-27).

Com a abertura do segundo selo vemos agora o cavaleiro sobre um cavalo vermelho (vs. 3-4) cujo objetivo é o de tirar a aparente paz existente na terra. Em vez do “arco sem flecha” do cavaleiro anterior, este agora carrega uma “grande espada” que fará com que os homens se matem uns aos outros em sangrentas batalhas. Nada diferente daquilo que já havia predito o Senhor Jesus: “porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino”(Mateus 24:7), assim como Paulo em 1 Tessalonicenses 5:1-3... “Mas, irmãos, acerca dos tempos e das épocas não necessitais de que se vos escreva: porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão”.

Com tamanha beligerância sobre a Terra, sob o comando do homem da iniquidade, naturalmente ocorrerão a escassez de alimentos e a pestilência generalizada que estão representadas pelos dois próximos cavaleiros que surgirão com a abertura do terceiro e quarto selos. O do cavalo preto carrega na mão uma balança, símbolo da carestia, a indicar que haverá um imenso racionamento de alimentos (vs. 5-6). Sem dúvida serão tempos assombrosamente difíceis que se agravarão com a vinda do “cavaleiro da Morte”, que está sobre o cavalo amarelo e aniquilará uma quarta parte dos viventes sobre a terra. Hoje seria algo acima de 1 bilhão e 700 milhões de almas (vs. 7-8). Quanto tempo se levaria somente para enterrar essa imensa quantidade de mortos?

Permita-me, agora, uma pausa. Ao ler até aqui você por certo está a pensar: “Ufa! Ainda bem que fui alcançado pela graça de Deus e estou livre dessas tragédias, pois antes dessas coisas acontecerem o Senhor Jesus virá buscar aqueles que são Seus, dentre eles eu”. Você está certo ao pensar assim, todavia você tem a mesma certeza a respeito dos seus parentes mais próximos? Ou daqueles que estão ao seu lado? Sem falar naqueles que são mais distantes. Por isso insisti desde os inícios desta série acerca da gravidade em se menosprezar o estudo do conteúdo deste tão importante Livro que nos revela com bastante antecedência o porvir. Através dele realmente fazemos uma viagem no tempo.

Continuemos em nossas apreciações. A abertura do quinto selo leva João a mudar de visão, agora está novamente voltada para a morada de Deus. Lá ele vê, debaixo do altar, as almas daqueles que morreram por causa da Palavra de Deus e foram vindimados por causa do testemunho dado durante o período da terrível tribulação a vir sobre a Terra (v. 9). Verdadeiramente o anticristo será cruel ao extremo com aqueles que não lhe prestarem culto e obediência. Aquelas almas clamarão ao Senhor com veemência, suplicando para seja colocado um fim a tanta crueldade (v. 10), elas serão consoladas e orientadas para que aguardem o tempo estabelecido por Deus (v. 11).

Muitas coisas ainda estarão por acontecer, sobremodo horríveis, pois estamos diante dos acontecimentos iniciais que antecedem ao “grande e terrível dia do Senhor, quem o poderá suportar” (Joel 2:11). Se esses dias não fossem abreviados, “nenhuma carne se salvaria”, diz o Senhor Jesus em Mateus 24:22. Estes acontecimentos, até aqui, são “o princípio das dores”(Mateus 24:8), portanto ainda haverá na Terra muito sofrimento nesse período de enorme angústia.

A seguir é aberto o sexto selo. Grandes distúrbios cósmicos acontecerão e por certo afetarão o campo magnético da Terra esmagando a sua crosta provocando uma sucessão de terremotos. O primeiro deles é aqui citado como “grande” (v. 12), dando a entender que será em escala mundial. Nunca é demais lembrar que dados estatísticos dão conta que o número de terremotos tem duplicado a cada dez anos, o que revela que as placas tectônicas terrestres estão sobre forte pressão.

Nos versículos 12 a 14 a Terra é tremendamente sacudida, o sol escurece, a lua adquire uma coloração nunca dantes vista, as estrelas despencam sobre o globo terrestre numa clara demonstração do catastrófico juízo divino sobre este mundo sem Deus. Cumpre-se assim a profecia de Joel: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o terrível dia do Senhor” (Joel 2:31).

Esse transtorno astronômico foi claramente asseverado pelo Senhor Jesus:“Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão dos céus e os poderes dos céus serão abalados”(Mateus 24:29). Os acontecimentos dramáticos contidos no versículo 14 também nos remetem a Isaías 34:4... “E todo exército dos céus se dissolverá, e o céu se enrolará como um livro; e todo o seu exército se desvanecerá, como desvanece a folha da vide e da figueira”. O imenso cataclismo removerá os montes e as ilhas de seus lugares, revelando que essas catástrofes atingirão toda a Terra.

Literalmente a Terra estará sendo varrida. Tanto os acontecimentos cósmicos como os terrestres levarão os seres humanos ao entendimento que Deus está a intervir de forma drástica em todo universo. Eles perceberão que estão diante de um enfretamento com o Todo-Poderoso e com a ira do Cordeiro (v. 16). A humanidade procurará por lugares inóspitos para se esconder, mas não achará local para se ocultar da face de Deus (v. 15). Isaías já profetizara a esse respeito há quase três milênios: “... se meterão nas fendas das rochas, e nas cavernas das penhas, por causa da presença espantosa do Senhor e da glória da sua majestade, quando ele se levantar para assombrar a terra”(Isaías 2:21).

É inacreditável que em meio a todo esse pânico, os seres humanos continuarão em sua altivez. Em vez de humildemente suplicarem pela compaixão de Deus, eles clamarão para que os montes e rochedos caiam sobre si para que possam se esconder de tamanha ira divina (v. 16). A pergunta que fazem demonstra a lastimável condição espiritual da humanidade: “Quem poderá subsistir?” (v. 17). Isto denota que não há nenhuma esperança em suas mentes e corações.

Haverá resposta às perguntas dos antigos profetas? “Quem poderá manter-se diante do seu furor? E quem pode subsistir diante do ardor da sua ira?”(Naum 1:6); “Quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer?” (Malaquias 3:2). Estejamos certos que haverá naquele tempo um remanescente fiel que será poupado pelo Deus misericordioso, que será preservado nesses dias tão tenebrosos.

Diante de tão triste expectação, não cerremos os nossos lábios. Cabe-nos alertar aos que ainda não creem acerca do perigo da incredulidade e da desobediência a Deus, para que durante este tempo que aqui estivermos, que se chama “Hoje”, eles não sejam insensíveis pelo engano do pecado e ao ouvirem a Palavra de Deus não endureçam os seus corações (Hebreus 3:13-15). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 7

No sétimo capítulo contemplamos o primeiro dos quatro grandes “parênteses” existentes neste Livro. Este primeiro, inserido entre o sexto e o sétimo selo, não segue a ordem cronológica dos acontecimentos descritos nos sete selos, mas nos traz o entendimento indispensável para a compreensão das condições na Terra durante o período da grande tribulação. Seria como uma pausa para resposta à indagação contida ao final do capítulo anterior: “quem poderá subsistir?” (6:17).

Há os que não aceitam a existência desses “parênteses” no Apocalipse e com isso acabam complicando sobremodo a interpretação correta do texto sagrado. Assim como o fazem com os “intervalos proféticos”, apesar de eles estarem claramente evidenciados no Antigo Testamento.

Somente para exemplificar esses “intervalos”, quando Isaías anunciou o advento do Messias que viria para Israel, que sabemos que é o Senhor Jesus, ele profetizou o nascimento de um menino, cujo governo de paz não haveria fim, todavia há um “intervalo profético” entre o Seu nascimento e o estabelecimento do Seu reino, que é exatamente o período em que vivemos:"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu... (intervalo profético)...e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim...” (Isaías 9:6-7).

Entre o primeiro advento do Senhor Jesus até o Seu retorno para estabelecer o Seu reino milenar já se passaram mais de dois mil anos, portanto estamos no “intervalo” dessa profecia. É evidente que até hoje os judeus aguardam o nascimento do Messias que virá restaurar todas as coisas para Israel e sob nenhuma hipótese aceitam esse “intervalo”. Por isso rejeitaram o Messias sofredor, o Senhor Jesus, e deixaram de considerar que isto também tinha sido profetizado pelo mesmo profeta (Isaías 53:1-12). Podemos observar outros “intervalos proféticos” nas Sagradas Escrituras, tais como Joel 2:28-32 e Daniel 9:20-27.

Neste primeiro “parêntese” em Apocalipse, as revelações nos conduzem para o período após o arrebatamento da igreja e o início da grande tribulação que ocorrerá sobre toda a Terra, quando 144 mil judeus serão selados para passarem ilesos por ela (vs. 1 a 8), e para o final desse período com a descrição de uma incontável multidão de pessoas de todas as nações que serão salvas durante os tenebrosos acontecimentos da grande tribulação (vs.9 a 17).

Por certo, esses judeus assinalados serão aqueles que, fortemente impactados pelo desaparecimento súbito dos verdadeiros cristãos, concluirão que se trata do Arrebatamento da Igreja prometido pelo Senhor Jesus (João 14:2-3) e predito pelo apóstolo Paulo (1 Tessalonicenses 4:17). Em virtude desse notável acontecimento esses judeus mudarão a sua equivocada atitude e passarão a crer que o Senhor Jesus é o Messias prometido para Israel.

Portanto, essa visão de João é claramente retrospectiva, ou seja, antecede à abertura dos selos que até aqui ele vinha narrando, e isso é claramente observado nos versículos 1 a 3 pela revelação da presença dos anjos predeterminados a participarem do grande juízo de Deus sobre a Terra. A ordem é claríssima, nenhum dano será causado à Terra até que esses servos de Deus, somente judeus, tiverem suas frontes assinaladas (vs. 4 a 8).

A esta altura você poderá questionar: “Pera lá! Quer dizer então que na próxima dispensação os anjos é que levarão os incrédulos à conversão para salvação”? Não é isso que o texto diz. Os anjos efetuarão uma tarefa – a marcação do sinal sobre as frontes – mas antes esses judeus se converterão por um ato divino, através do Espírito Santo, que é Deus.

O Espírito Santo que fora retirado por ocasião do Arrebatamento da Igreja retornará aos procedimentos que fazia antes da Sua morada nos “nascidos de novo” que atualmente constituem a Igreja (João 3:5-7), pois nenhuma alma foi salva no passado – antes da Igreja –, assim como no futuro – depois da Igreja –, sem a Sua intermediação, pois é o Espírito da Verdade que convence os incrédulos do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Diz James Allen: “Estes santos não serão marcados para morrer, mas para viver”. Ao final do período da grande tribulação veremos essas mesmas 144.000 testemunhas incólumes na companhia do Senhor, como as primícias daqueles que entrarão no reino milenar do Senhor Jesus (Apocalipse 14:1-5). Ao passo que, aqueles que receberão o outro sinal – o da besta –, estarão marcados para a morte, não para vida (Apocalipse 19:20-21).

“Depois destas coisas” (v. 9), a visão de João é levada para o final da Tribulação. Em vez do grupo dos 144.000 judeus ele agora está a contemplar um segundo grupo de pessoas, uma imensa multidão “que ninguém podia contar” que são os salvos de todas as raças e nações saindo da Tribulação com seus corpos físicos, certamente frutos da grande pregação do primeiro grupo. Estes são os mencionados pelo Senhor Jesus: “aquele que preservar até o fim será salvo” (Mateus 24:13). Essa multidão que alcançou a Salvação (v. 10) não pode ser confundida com Israel e muito menos com a Igreja; essas pessoas passaram pelos horrores da grande tribulação (v. 14), a Igreja não estará aqui por ocasião desses acontecimentos.

Tendo em vista que essa inumerável multidão estará diante do Trono de Deus, com os anjos ao redor, os anciões que simbolizam a Igreja arrebatada, e os quatro seres viventes que caracterizam a morada divina (v. 11), em um momento de indescritível adoração a Deus (v. 12), não são poucas as divergências existentes entre os comentaristas bíblicos se os salvos aqui mencionados estarão presentes em alma e espírito no Céu, ou com os seus corpos naturais no reino milenar do Senhor Jesus?

As dúvidas deixarão de existir na medida em que tenhamos uma melhor compreensão das revelações no Antigo Testamento acerca desse acontecimento. Daniel revela que o “príncipe que virá” fará uma firme aliança com Israel aos inícios da primeira metade da grande tribulação, na metade seguinte fará cessar “os sacrifícios e as ofertas” (Daniel 9:27). Para que haja esse ritualismo é necessário que exista um templo em Jerusalém, e certamente isso fará parte do “firme pacto que ele [o anticristo] fará com muitos”, incluindo nestes “muitos” o mundo arábico, pois para essa construção será indispensável que seja demolida, sem conflito, a grande mesquita que se encontra no local do antigo templo em Jerusalém. Semdúvida será uma irresistível artimanha que a “besta” lançará para conquistar a submissão de Israel, pois com isso estará acenando que seria o Messias prometido.

Esses conflitos de interpretação são esclarecidos, como convém, quando se atenta para as revelações dos antigos profetas. Diz Jeremias 3:17... “Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do Senhor; e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do Senhor, a Jerusalém”. Por sua vez, descreve Zacarias 6:12-13... “Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do Senhor. Ele mesmo edificará o templo do Senhor; receberá a honra real, assentar-se-á no seu trono, e dominará”. Não deixe de ler o que diz Isaías 2:1-5 sobre os acontecimentos dos últimos dias. Face à perspectiva esplendorosa do Reino Milenar do Senhor Jesus o consagrado profeta roga ao povo de Judá que se arrependa de imediato.

Mais recentemente, R. David Jones esclarece: “O Senhor está tratando com o povo de Israel desde os tempos de Daniel (interrompidos durante o atual período da Igreja), e ao seu fim Ele atingirá os seguintes objetivos... ungirá o Santo dos Santos, quando Cristo se assentará sobre o trono no novo templo do milênio em Jerusalém”. Portanto, não pode existir nenhuma dúvida de que haverá um templo e um trono no Reino Milenar do Senhor Jesus e daí todos os acontecimentos descritos nos versículos 15 a 17.

Perante essas coisas que vimos, outros questionamentos poderão estar em ebulição na sua mente, prezado leitor. Dentre elas: “Quer dizer então que após o Arrebatamento da Igreja os incrédulos ainda terão chance de serem salvos”? “Caramba, pode ser que as pessoas que me são queridas, não salvas, estejam entre as que se converterão durante a Grande Tribulação”?

Esta forma de pensar não é apropriada, pois esses entes queridos poderão partir desta vida antes do retorno do Senhor Jesus e por serem inconfessos não terão ido para o regaço do Senhor. Se está difícil uma conversão na presente época – a da Graça – imagine então a dificuldade que será na próxima dispensação. Esteja certo: a Salvação é agora! Estas crônicas têm esse escopo, o de conscientizar as pessoas da realidade dos acontecimentos por vir e previstos neste notável Livro, para que você e os seus não sejam colhidos de surpresa. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 8

Fechado o parêntese do interlúdio do capítulo anterior, dá-se a abertura do sétimo selo. O livro selado descrito no capítulo 5 agora está completamente aberto. O sétimo selo foi rompido pelo Senhor Jesus. De imediato surge algo surpreendente no início deste oitavo capitulo: “O dia em que o céu se calou” (v. 1).

Este inédito silêncio não deixa de ser espantoso tendo em vista que o Apocalipse é um livro de prédicas, em cujo conteúdo há constantes barulhos de trovões, vozes, terremotos, saraivadas etc. A quietude celestial foi a reação pela expectação das espantosas calamidades que sobrevirão sobre a Terra. Eis que é chegado o momento de uma nova série de terríveis juízos que recairão sobre os seus habitantes nunca antes registrados na história da humanidade.

De imediato você, prezado leitor, poderá estar a se perguntar: “Qual o motivo desse absoluto silêncio”? É a calmaria anterior à tempestade, é o solene sinal que Deus está prestes a punir severamente a Terra, é o prenúncio da angústia vindoura. Do impressionante silêncio do sétimo selo, surgem as sete trombetas de caráter judicante.

Os olhos de João são levados a contemplar os sete anjos que se acham em pé diante de Deus, aos quais foram dadas sete trombetas (v. 2). Há algo de majestoso nesse momento. Lá estão os sete seres angelicais enfileirados prontos para entoar os juízos de Deus através desses seus instrumentos.

Já contemplamos os primeiros juízos por ocasião da abertura dos “selos” pelo Senhor Jesus. Agora veremos aqueles que virão pelo ressoar das “trombetas”. Após, ainda virão os juízos que serão derramados através das “taças” da ira de Deus. Ao contrário de alguns ensinos, esses três acontecimentos não serão contemporâneos, todos ao mesmo tempo, mas sucessivos, um após o outro.

Eis que surge um “outro anjo” (v. 3). Não são poucos os que ensinam que este “outro anjo” seria o próprio Senhor Jesus na forma angelical e baseiam-se para isso nas antigas cristofanias (aparições de Cristo antes de encarnado), em que Ele era identificado como Anjo do Senhor no Velho Testamento. A encarnação, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, com sua forma humana permanente, dispensam qualquer aparição em uma forma angelical.

Uma leitura mais atenta em Apocalipse 1:7 tira qualquer margem de dúvida sobre corpo celestial do Senhor Jesus: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram”, e em Mateus 24:30, que está a relatar a vinda do Senhor Jesus para pôr fim a grande tribulação, Ele próprio diz que todos O verão em Sua forma humana, a de “Filho do homem”,e não como um ser angelical.

Nos versículos 4 e 5 vemos que da mão desse anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as “orações de todos os santos”, depois ele encheu o incensário com o fogo do altar e o lançou sobre a Terra. Atente para a expressão “todos”. Diz James Allen acerca dela: “A ideia tem que ser mais abrangente do que simplesmente o clamor dos santos martirizados pedindo vingança pelo seu sangue derramado”. Segundo ele, esta oração aponta para as orações do povo de Deus ao longo de todos os tempos, a exemplo da oração ensinada pelo Senhor Jesus aos seus discípulos – “venha o teu reino”– agora será respondida de forma tremendamente dramática. A ira de Deus proferida por João Batista aos religiosos da sua época está prestes a eclodir sobre os impenitentes (Mateus 3:7). Na sucessão desses outros juízos – das trombetas e das taças – dar-se-á o retorno do Senhor Jesus para o estabelecimento do Seu reino milenar.

Os sete anjos estão perfilados para o anúncio desses juízos (v. 6). Ao som da primeira trombeta haverá uma violenta agitação atmosférica (v. 7). Uma repentina saraivada de fogo misturada com sangue despencará sobre a Terra. Seria como se todos os vulcões existentes na Terra entrassem simultaneamente em erupção. Um terço das áreas verdes da Terra será completamente queimado. Algo da mesma espécie lemos em Êxodo 9:22-25, quando o Senhor Deus fez chover saraiva com fogo sobre a terra do Egito. Todavia, neste acontecimento apocalíptico vemos um ingrediente espantoso – o sangue. Será uma ocorrência tão avassaladora que, por certo, levará os habitantes da Terra a entender que estão debaixo do juízo de Deus.

Em seguida o segundo anjo soa a sua trombeta. Em sua visão, João vislumbra algo como um grande monte ardendo em fogo lançado sobre o mar, que faz com que uma terça parte dele se torne em sangue (v. 8). Será como um imenso corpo celeste sendo arremessado contra a Terra que em contato com a atmosfera terrestre se incendiará e provocará a morte de um terço das criaturas viventes no mar e um terço dos navios nele existentes será destruído (v. 9). Desnecessário ressaltar o que isso representará nas rotas comerciais entre as nações diante do peso deste juízo divino.

Guardadas as devidas proporções, lemos em Êxodo 7:19-25 que por sete dias as águas do Egito ficaram ensanguentadas depois que o Senhor Deus ferira o rio Nilo. Para aqueles que colocam em dúvida estas previsões apocalípticas, convém lembrar que Deus permitiu que os bruxos do Egito realizassem o mesmo feito mediante poderes diabólicos. Portanto, quaisquer ceticismos acerca do cumprimento desta profecia deverão ser refutados energicamente, pois esta é a Palavra de Deus.

Ao toque da terceira trombeta, um imenso e fumegante corpo estelar é lançado em direção à Terra e um terço das águas potáveis tornam-se amargosas e muitos seres humanos morrerão em consequência disso (vs. 10-11). A previsão da chegada dessa bólide que virá do espaço sideral é algo que não deve ser ignorado, pois o próprio Senhor Jesus fez menção disso: “haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu” (Lucas 21:11). O nome dado a essa estrela cadente é Absinto. Nas Sagradas Escrituras há uma erva com esse nome, com a característica de ser intensamente amarga e grandemente venenosa. Em alguns textos bíblicos essa palavra é traduzida como losna, ou água de fel (Jeremias 23:15).

A seguir, na quarta trombeta, algo sobremodo apavorante acontecerá. O céu astronômico sentirá o toque onipotente do Deus Todo-Poderoso. Com a Sua permissão o nosso sistema solar será invadido por um estranho corpo celestial de energia negativa que absorverá a luz de uma terça parte do sol, da lua e das estrelas (v. 12). Algo parecido já foi identificado pelos astrônomos dentro do nosso sistema galáctico. Tanto o sol como a lua e as estrelas terão suas terças partes eclipsadas. Será como se o dia fosse encurtado em quatro horas e a noite estendida por outro tanto de horas. Indiscutivelmente será uma manifestação poderosa e milagrosa do Senhor Deus que deverá levar a humanidade a uma estupefação generalizada.

A esta altura, você poderá estar a sentir uma aura de incredulidade passando por sua mente: “Será que isso realmente acontecerá?”. Levados por essa aragem, não são poucos que tentam espiritualizar essas ocorrências procurando dar um significado mais ameno a esses acontecimentos criando toda sorte de especulações sob a alegação que não há uma explicação racional para Deus agir dessa forma.

Todavia, para que crêssemos, não foi necessário que Deus explicasse como Ele fez para que houvesse trevas no Egito por três dias (Êxodo 10:21-23), ou então, quando Ele atendeu ao pedido do Seu servo e o sol e a lua foram detidos por quase um dia para que o combate de Israel contra os amorreus se desse sob a luz do dia (Josué 10:12-15), ou ainda, quando Ele fez com que a sombra no relógio de Acaz voltasse atrás em dez graus como sinal dado a Ezequias que a Sua promessa se cumpriria (2 Reis 20:11; Isaías 38:1-8). Por que então estão a exigir provas de que Deus agirá dessa forma na grande tribulação?

Tentar amenizar as cores desses acontecimentos seria uma forma de colocar em dúvida o poder e a extensão dos juízos soberanos de Deus. Leia os trechos indicados no parágrafo acima, prezado leitor, e reflita comigo: Enquanto todo o Egito permaneceu em trevas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações. Quando Josué pediu para que o sol não se pusesse e a lua não surgisse, isto equivale dizer que Deus parou o movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo. Este foi o dia que a Terra parou.

Por sua vez, quando Isaías clamou a Deus para que fizesse retroceder a sombra do sol declinante no relógio de Acaz, por mais incrível que possa parecer Deus fez com que a Terra retrocedesse em seu movimento de transladação em torno do sol, ou que houvesse um pequeno retorno em seu movimento de rotação, ou então uma leve inclinação em seu eixo gravitacional. Inacreditável? Jamais! Para Deus não há impossíveis, Ele não está limitado pelas chamadas “leis da natureza”, porque tudo foi criado por Ele e somente por Ele poderá ser feito ou desfeito.

Por que então duvidar acerca dessas narrativas contidas no Apocalipse ao insinuar-se que não será bem assim? Lembremo-nos de que os acontecimentos dessa quarta trombeta darão cumprimento ao que foi revelado pelo Senhor Jesus: “E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a Terra haverá angústia das nações... os homens desfalecerão de terror... porquanto os poderes do céu serão abalados...” (Lucas 21:25-26). Portanto, creia nessas revelações, meu caro leitor, porque a Terra irá tremer. Ao transcrever essas revelações, em nenhum momento João vacilou ou questionou ao Senhor de como essas coisas seriam por Ele feitas. Ele apenas creu!

Ainda faltam três trombetas para serem soadas. Eis que surge um intervalo (v. 13) como que fosse dado a João um tempo para suas reflexões diante de tamanhas revelações. Nesse lapso de tempo o consagrado apóstolo ouve uma série de três “ais” vindos de uma águia como a anunciar que juízos mais estarrecedores ainda estariam por vir. No Velho testamento a águia é usada como símbolo de um juízo vindouro: Deuteronômio 28:49; Oseias 8:1; Habacuque 1:8.

Que diremos, então, à vista destas coisas? Ou então, como responder a questão levantada por João Batista: “Quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3:7). Cabe aqui, como resposta, a afirmação do apóstolo Paulo: "Jesus, que nos livra da ira vindoura... [Deus] ressuscitou dentre os mortos a Jesus, que nos livra da ira vindoura... porque Deus não nos destinoupara a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:9-10; 5:9). Diz mais Paulo acerca de Jesus: “sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9). Portanto, tenhamos absoluta certeza disto e jamais coloquemos em dúvida a Palavra de Deus. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 9

Conforme vimos no versículo 13 do capítulo anterior, o apóstolo João ouviu que três “ais” estavam por desabar sobre a Terra ao soar das três trombetas restantes. Acontecimentos terríveis ainda estavam por vir. Não dá para imaginar o que passava pela mente do consagrado servo de Deus após transcrever os juízos das quatro primeiras trombetas. Sem dúvida foram revelações aterrorizantes.

No primeiro versículo deste nono capítulo ele vê, ao soar da quinta trombeta, uma estrela que havia caído sobre a Terra e a ela – estrela – foi entregue a chave do “poço do abismo”. É impressionante a quantidade de controvérsias existentes acerca dessa “estrela” que João não viu cair do céu, mas que já havia quedado antes desta sua visão.

A primeira dificuldade encontrada pelos comentaristas é o que seria essa “estrela”. É claro que não se trata de um corpo estelar, pois em sua queda nada de catastrófico ocorreu como as outras que vimos no oitavo capítulo. Inobstante a isso, jamais poderia ser algo inanimado tendo em vista que estava a portar uma chave que abriria o “poço sem fundo” que, conforme explicita James Allen, é a tradução mais apropriada para o vernáculo originalabussos.

Aos inícios desta série de crônicas, descrevi acerca do significado simbólico de “estrelas” no Apocalipse como sendo “anjos” e é este o entendimento que devemos ter acerca desta estrela caída. Pelas razões expostas no parágrafo acima, o personagem aqui caracterizado não pode ser outro que não seja o diabo.

Diz o antigo profeta de Deus ao se referir à queda de Satanás, o anjo rebelde: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações... levado serás ao Seol, ao mais profundo do abismo” (Isaías 14:12-15). De forma semelhante citou o Senhor Jesus: “Eu via Satanás como raio, cair do céu” (Lucas 10:18). Portanto, bem haja quem assim interprete!

Essa “estrela caída”, que se trata do anjo banido, recebe a chave do “poço do abismo” para soltar a horda de demônios que ali se encontra trancafiada. Por sete vezes lemos a menção deste “poço” em Apocalipse, que se trata de uma prisão profunda temida pelos próprios demônios conforme lemos em Lucas 8:31... “Rogavam-lhe [a Jesus] que não os mandassem para o abismo”.

Sem dúvida, terrível juízo retribuidor está por acontecer na Terra. A visão de João é assustadora. Uma imensa erupção de fumaça, como que de uma fornalha ardente, surge com a abertura do “poço do abismo” que de tão densa escurece o sol e o ar ao seu redor (v. 2). É o prenúncio da soltura de terríveis poderes demoníacos sobre a Terra. Semelhante fumaça lemos por ocasião do juízo de Deus sobre as cidades impenitentes: "E Abraão... contemplando Sodoma e Gomorra e toda a terra da planície, viu que subia da terra fumaça como a de uma fornalha" (Gênesis 19:27-28).

Todavia, surge aqui algo incomparavelmente pior. Em meio a toda essa fumaça surgem criaturas aterrorizantes, semelhantes a “gafanhotos”, com o propósito de não causar dano à vegetação, como seria próprio dos gafanhotos (Êxodo 10:14-15), mas aos homens que não trouxessem o “selo de Deus”. Eles teriam o poder até para aniquilar a humanidade incrédula, entretanto isto lhes será negado, eles terão a permissão de somente atormentarem aos homens rebeldes a Deus por um período de cinco meses de terríveis tormentos (vs. 3 a 5).

Você poderá estar a questionar: “O texto bíblico fala em gafanhotos e esses insetos não têm esse poder?”. A resposta é simples, meu caro leitor. Esses gafanhotos simbolizam hostes demoníacas e isso é facilmente observável pelos aspectos que eles possuem e pelo fato deles possuírem um rei (vs. 7 a 11). Por definição, gafanhotos não têm rei como ocorre com essa escória. Diz Agur: “Os gafanhotos não têm rei” (Provérbio 30:27). Esses tinham sobre si, como seu rei, o “anjo do abismo”: Abadom, que em hebraico significa “destruição”, ou Apoliom, que em grego tem o significado de “destruidor” (v. 11).

Alguns veem nesse “anjo do abismo” que estará liderando essa súcia maligna, o próprio Satanás, todavia isto é um equívoco, pois o diabo se coloca acima deles como o tenebroso príncipe das trevas (Efésios 2:2 e 6:11-12), que Paulo o identifica como o “deus deste século” (2 Coríntios 4.4). Portanto, esse “anjo” é a ele subordinado.

Por sua vez, há grande dificuldade de entendimento para muitos a respeito do teor do versículo 6... “Naqueles dias os homens buscarão a morte, e de modo algum a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles". O tormento pelo qual passarão será agravado pelo desespero de não serem capazes de se suicidarem. Diz William MacDonald a esse respeito: “A dor será tão intensa que levará os homens a buscar a morte, mas o farão em vão. A possessão demoníaca lhes provocará intenso sofrimento físico e tormento mental...”. A morte fugirá deles. Esses demônios não terão permissão para matá-los (v. 5). A possessão demoníaca de seus corpos será tão excruciante que não conseguirão se livrar dessa opressão nem através da morte.

Passado é o primeiro “ai”! Depois deste ainda virão mais dois (v. 12). O primeiro foi extremamente dolorido, o próximo será mortal. O pior ainda está por vir, pois os juízos se tornarão cada vez mais intensos.

Ao soar a sexta trombeta ouve-se uma voz determinando para que fossem soltos os quatros anjos malignos que se acham “acorrentados” junto ao rio Eufrates (v. 13-14). A eles estava estabelecida uma data de exclusivo conhecimento de Deus – hora, dia, mês e ano – com a permissão de matarem uma terça parte da humanidade (v. 15).

Esses agentes diabólicos serão cruéis. Eles irão reunir uma poderosa força invasora jamais vista pela humanidade: um espantoso exército de 200 milhões de participantes (v. 16). Para se ter uma ideia do que esse número representa, a soma das 10 nações com o maior efetivo militar, atualmente no mundo, não chega a 10 milhões de militares, e para manter esses exércitos elas gastam mais de 500 bilhões de dólares por ano.

Numa simples analogia, todo o efetivo militar dessas 10 nações representa menos de 5% desse diabólico exército, e se fosse de seres humanos o custo alcançaria a incrível soma de mais de 10 trilhões de dólares/ano. Em termos econômicos é algo inexequível, pois se levarmos em consideração toda a logística necessária para a manutenção dessa enorme força-tarefa e a produção de armas e demais acessórios para equipar esse contingente de soldados, não haveria recursos financeiros para uma empreitada dessa envergadura. Logo, se trata de um exército de demônios que invadirá o mundo.

Difícil de acreditar nessa quantidade de 200 milhões de “militares”? Não! Porque se trata de uma revelação de Deus. Note atentamente ao que diz João: “eu ouvi o seu número” (v. 16). Se o número não lhe fosse dito seria impossível a contagem visual de tão grande ajuntamento. Logo, essa quantidade é absolutamente real.

Assim como os gafanhotos que vimos nos versículos anteriores, João agora vê estranha força invasora cujas descrições fogem à nossa percepção, portanto é algo simbólico (vs. 17 a 19). Em sua descrição ele afirma que a força desses “cavalos” estava em suas bocas e caudas, e isso é contrário à natureza desses animais, pois a força do cavalo natural está em seu pescoço, peito e patas, principalmente as traseiras, sendo que sua boca é a sua parte mais sensível, onde são colocados os cabrestos para que sejam dominados. Diz-nos Davi: “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão” (Salmo 32:9). Este é um exército atípico e medonho.

Alguns veem nesses implacáveis invasores o cumprimento da profecia acerca da invasão de Israel revelada por Ezequiel, capítulos 38 e 39, todavia pelas descrições do consagrado profeta essas forças viriam do “extremo norte”, ou melhor, “dos confins do norte” (Ezequiel 38:6 e 15). Aqui em Apocalipse, no versículo 14, esse gigantesco ajuntamento se dará junto ao “grande rio Eufrates”, portanto não ao norte, mas a leste de Israel. A sua carnificina é dirigida à humanidade como um todo, e uma terça parte dela será extinta (vs. 15 e 18).

Três flagelos são mencionados por João: fogo, fumaça e enxofre (vs. 17 e 18). Esse extermínio será de forma extremamente asfixiante. Dados recentes dão conta que a população mundial em 2011 alcançará o montante de 7 bilhões de seres humanos e em 2025, tudo mais constante, esse número chegaria a 8 bilhões. Partindo-se desse pressuposto, levando-se em conta que com a abertura do sexto selo uma quarta parte da humanidade será morta (Apocalipse 6:8), e nesta sexta trombeta mais um terço do restante será extinto, a conclusão é que a metade da população mundial deixará de existir, ou seja, cerca de 3,5 bilhões de almas serão aniquiladas nesses dois juízos. Dura coisa é tomar conhecimento disto, mas isso é o que estabelecido por Deus em Sua Palavra.

Diante de tamanha desgraça seria de se esperar que a humanidade se despertasse da sua obcecada incredulidade, se arrependesse e voltasse para Deus. Mas, lamentavelmente, não é isso que ocorrerá (vs. 20 e 21). Diz o texto desses versículos que os bilhões que ainda estiverem vivos após a essas tragédias não se arrependerão, ao contrário, continuarão em suas práticas criminosas e no enganoso exercício religioso que será introduzido pelo “falso profeta” que haverá de surgir. Mas este é um assunto que veremos mais à frente.

Não se permita, caro leitor, a colocar em dúvida o que aqui está revelado. Você poderá achar que o conteúdo deste capítulo é exacerbadamente sobrenatural e impossível de ser explicado ao incrédulo sem ser por ele ridicularizado. Primeiramente você tem que ter absoluta certeza nisso que você chama de “sobrenatural”. Indiscutivelmente é uma questão de fé. Se assim não fosse, como entender o “sobrenatural” do dilúvio, da torre de Babel, de Sodoma e Gomorra, as pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho, os dedos escrevendo na parede do palácio de Belsazar, Jonas sendo engolido pelo grande peixe, o nascimento virginal do Senhor Jesus, os Seus milagres, a aparição de Moisés e Elias no monte da transfiguração, a Sua ressurreição e ascensão, além de inúmeras outras narrativas que não há espaço aqui para descrevê-las?

A triste realidade dos nossos dias é que vivemos um cristianismo apático, institucionalizado, meramente religioso, onde as pessoas não mais se dedicam ao estudo da Palavra de Deus, deixando-se conduzir por muitos enganadores que de fato amam o lucro e a notoriedade, e através de metáforas ilusórias insinuam que os acontecimentos aqui descritos “não serão bem assim”. Portanto, "tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”(Colossenses 2:8).

Ouçamos, ainda, o que nos diz Paulo em 2 Timóteo 4:1-5, que chegará o tempo em que os homens não mais suportarão a sã doutrina, não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Por sua vez, o verdadeiro cristão deverá cumprir cabalmente com o seu ministério não tendo do que se envergonhar. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 10

Este e o próximo capítulo fazem parte do segundo grande parêntese existente em Apocalipse (capítulos 10:1 a 11:13). Vimos o primeiro parêntese no capítulo 7, inserido entre o sexto e o sétimo selo, agora vemos este segundo entre a sexta e a sétima trombeta. O primeiro nos revelou aqueles que entrariam na grande tribulação e aqueles que dela sairiam por terem alcançado a Salvação. Neste segundo veremos o propósito e o poder de Deus sendo reiterados, e que não haverá mais delonga para a execução do Seu plano. Diz o anjo: “já não haverá demora” (v. 6b). O propósito do interlúdio deste décimo capítulo é o de anunciar que quando o anjo estiver para soar a sétima trombeta “cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas” (v. 7).

Ao adentrarmos a este capítulo nos deparamos com a revelação de João que viu “outro anjo forte descendo do céu” (v. 1). O vernáculo “outro” nos remete a alguém da mesma espécie, ou seja, a um anjo, e não ao Senhor Jesus como é afirmado por alguns comentaristas. Conforme já mencionei no capítulo 8, a encarnação, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, com sua forma humana permanente, dispensam qualquer aparição em uma forma angelical. Inobstante a isso, o Senhor Jesus não juraria para Si mesmo (vs. 5 e 6), pois Ele foi partícipe de toda criação: “Tudo foi criado por ele e para ele”(Colossenses 1:16).

Diz Alford a esse respeito: “Este anjo não é, e não pode ser, o nosso Senhor. Tal suposição seria uma quebra de toda a consistência da analogia do Apocalipse. Conforme observado no capítulo 8:3, os anjos são ministros dos propósitos divinos e os executores dos acontecimentos apocalípticos, mas sempre distintos da Pessoa divina”. Diz também Ladd: “No Apocalipse anjos são sempre anjos; Cristo nunca é aqui chamado de anjo. Este anjo jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos (v. 6), e isto é significativo quando vem de um anjo, mas difícil de aplicar a Cristo. Além disto, este é somente um mensageiro; não é dado a ele um papel da divindade, e ele também não é adorado”.

É claro que sempre se respeita aqueles que têm pensamentos divergentes, mesmo porque há forte indício que este anjo poderia se tratar de um ser divino tendo em vista as características extrínsecas que ele apresenta (v. 1), semelhantes às do Senhor Jesus em Apocalipse 1:15-16. Todavia, essa aparência não é suficiente para se asseverar que este anjo se trata do Senhor Jesus, elas evidenciam tão somente a glória celestial que o reveste. Inverossímil a sugestão que esse anjo forte seria Lutero e que o livro aberto (v. 2) se refere à Bíblia por ocasião da reforma protestante, algo totalmente contrário ao texto sagrado.

Uma vez esclarecido o controverso existente acerca desse anjo, passemos à análise deste capítulo. O versículo 2 relata que na mão desse anjo está um livro que sem dúvida contém o registro dos assustadores flagelos que ainda estarão por recair sobre a humanidade, conforme veremos no capítulo 16. João deveria comer esse livro (v. 9), à semelhança do ocorrido com Ezequiel que teve que comer o rolo que continha terríveis juízos que sobreviriam a Israel: “Então vi, e eis que uma mão se estendia para mim, e eis que nela havia um rolo de livro. E estendeu-o diante de mim, e ele estava escrito por dentro e por fora; e nele estavam escritas lamentações, e suspiros e ais”(Ezequiel 2:9-10).

A seguir João ouve sete trovões (v. 3) que continham em si vozes inteligíveis e de imediato ele começa a escrevê-las, porém foi orientado para que não o fizesse, que guardasse aquela revelação em segredo (v. 4). Não se deve conjecturar em torno de qual seria o conteúdo dessas vozes, é uma revelação de exclusiva propriedade de Deus. O mesmo ocorrera anteriormente com o profeta Daniel e o apóstolo Paulo (Daniel 12:4; 2 Coríntios 12:4 – o fato do número do capítulo e do versículo serem os mesmos em ambas as passagens é mera coincidência, não há nada sobrenatural ou misterioso nisso).

Após essa revelação de exclusivo conhecimento de João, o anjo faz um solene brado de juramento de que não haverá mais demora (vs. 5 e 6). Aquilo que era iminente passa a ser imediato. O tempo de espera está a se findar. Assim que começar o soar da sétima trombeta, naqueles dias se cumprirá o “segredo de Deus” outrora anunciado aos seus profetas e servos (v. 7). Tremendo juízo paira sobre as cabeças da humanidade. Dentro do plano determinado por Deus, se aproxima o tempo em que será estabelecido o reino milenar e mundial do Senhor Jesus Cristo que há milênios fora revelado pelo Seu profeta: “Eis que vem o dia do Senhor... naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras... e o monte será fendido pelo meio... será um dia conhecido do Senhor... E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e um será o seu nome” (Zacarias 14).

Assim como ocorrera no versículo 4, novamente João ouve a poderosa voz vinda do céu, sem dúvida a do Senhor Jesus, que lhe ordena para que pegue o livro que se encontra na mão daquele anjo forte (v. 8). Ao fazê-lo, João recebe a ordem para que o comesse com a observação de que o seu paladar seria doce ao mastigá-lo, como só é a Palavra de Deus (Salmo 119:103; Jeremias 15:16; Ezequiel 3:3), porém haveria amargor em seu ventre (vs. 9 e 10), pois nele continha os juízos de Deus previstos para a Terra e seus habitantes.

Diz MacDonald acerca disso: “Conforme predito pelo anjo, o livro é doce como mel, mas amargo ao estômago. Para o cristão é doce ler sobre a resolução de Deus de glorificar o Seu Filho onde, outrora, fora crucificado. É doce ler acerca do triunfo de Deus sobre Satanás e todas as suas hostes. É doce ler sobre o tempo em que todas as injustiças na Terra serão corrigidas. Ao mesmo tempo, contudo, o estudo das profecias também tem um sabor amargo. Há amargor no próprio julgamento produzido pelas Escrituras proféticas. Há amargor na visão dos julgamentos que em breve sobrevirão ao judaísmo e à cristandade apóstata. Há amargor em contemplar a condenação eterna de todos os que rejeitarem o Salvador”.

O conteúdo deste livro absorvido por João foi para lhe dar a força indispensável para o restante da missão que ele tinha que executar. Havia para ele uma duríssima tarefa pela frente. Era necessário que ele transmitisse aquilo para muitos (v. 11). João cumpriu cabalmente com a sua parte e nos deixou revelado fielmente esses acontecimentos.

O mesmo ocorre em nossos dias. O verdadeiro cristão não pode quedar-se inerte diante de tamanhas revelações. A omissão será a pior das decisões e haverá um preço a ser pago por isso, pois se não houver quem pregue acerca dessas ocorrências como as almas se livrarão de tão grave desígnio?

Lembremo-nos, novamente, dos tempos de Noé. As pessoas viviam na incredulidade e praticavam toda sorte de imoralidades que as conduziram à morte. Contudo, Deus não deixou de adverti-las a esse respeito através desse Seu servo. Segundo Pedro, Noé pregou fervorosamente sobre um avassalador juízo que cairia sobre aqueles que desprezavam a Deus (2 Pedro 2:5). Por mais absurdo que lhe poderia parecer, Noé foi temente a Deus e aparelhou uma arca pela qual condenou a humanidade impenitente (Hebreus 11:7). Deus não está a nos pedir que construamos outra arca, mas que testemunhemos perante os incrédulos acerca das verdades contidas neste magnífico Livro. Estou a fazer a minha parte, prezado leitor. Bem haja se assim o fizer! Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 11

Neste capítulo continuaremos a examinar o segundo grande parêntese existente no Apocalipse, aberto no capítulo 10:1 e encerrado no versículo 13 deste capítulo 11. Em seguida veremos João declarando, no versículo 14, que é passado o segundo “ai” e sem demora virá o terceiro cujas terríveis consequências estão reveladas no capítulo 16. A última trombeta soará.

Nos versículos 1 e 2 João recebe ordens, por certo do anjo forte que vimos no capítulo anterior (10:1), para que medisse o santuário e os que nele adoram, sendo instruído para que não mensurasse o “átrio exterior” porque ele será dado por “quarenta e dois meses” aos gentios que subjugarão a cidade santa. Esse tempo é equivalente a “três anos e meio” de 360 dias no calendário judaico, que representa a metade do período da grande tribulação.

De imediato nos vem a pergunta: Que santuário é esse? Alguns afirmam que seria o templo construído por Herodes em Jerusalém, todavia na época em que João estava escrevendo essas revelações esse santuário já não mais existia, fora destruído pelo império romano que lá deixou somente um resto do muro que o cercava e é conhecido em nossos dias como o “muro das lamentações”.

Inobstante a isso, naquele santuário havia três átrios: o dos sacerdotes, o das mulheres e o dos incrédulos, e nesta visão de João o templo contém um único átrio, a exemplo daquele que foi construído por Salomão. Conclui-se, portanto, que este será um novo templo a ser erguido por ocasião da “aliança” que o “príncipe” que haverá de vir fará com Israel, tudo de conformidade com a profecia de Daniel: “Ele fará firme aliança com muitos por uma semana (os sete anos da grande tribulação); na metade da semana (três anos e meio)fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares...” (Daniel 9:27).

Por definição, se haverá sacrifícios e ofertas de manjares terá que existir um novo templo que será permitido aos judeus construí-lo mediante essa “firme aliança”. Sabemos que em nossos dias isso é impossível de acontecer tendo em vista que no local original do templo está erguida a mesquita de Omar que é imexível por ser um local sagrado para os muçulmanos. Israel não se atreveria a derribá-la a não ser que houvesse condições para isso, mediante a intervenção de um grande poder político, no caso o do “príncipe” profetizado por Daniel que vem a ser uma das “bestas” que veremos no capítulo 13. Nunca é demais lembrar que a formalização dessa “firme aliança” com Israel iniciará a contagem da setuagésima semana de Daniel.

Diz R. David Jones a respeito desse novo templo: “O templo de Herodes existente ao tempo do ministério do Senhor Jesus sobre a terra foi destruído pelos romanos antes do livro do Apocalipse ser escrito. O santuário mencionado aqui é, portanto, um edifício novo construído antes da tribulação ou no seu início. O ato de medi-lo, incluindo o altar e os que nele adoram, é o anúncio de um julgamento iminente: Jerusalém vai ser ocupada pelos gentios (as nações) durante os últimos três anos e meio, período também chamado o da abominação desoladora (Daniel 9:27; 12:11; Mateus 24:15; 2 Tessalonicenses 2:3-4)”. Portanto, quaisquer outras afirmações a respeito desse santuário, e o motivo da sua medição, são meras especulações.

Nos versículos seguintes – 3 a 13 – João relata acerca do surgimento de“duas testemunhas” que terão significativa atuação por três anos e meio no período da grande tribulação. Muitas têm sido as teorias acerca de ambas. A mais extravagante é que elas representam a Igreja que será arrebatada em meio à grande tribulação e, como respaldo para essa interpretação, usa-se a expressão “subi para aqui” contida no versículo 12 e o toar da sétima trombeta no versículo 15, tendo em vista que Paulo deixou revelado que o arrebatamento da Igreja se dará ao som de uma trombeta (1 Tessalonicenses 4:16-17). Se ao menos continuassem a leitura dessa epístola, veriam Paulo afirmando que Deus não destinou a Igreja para o dia ira, mas para alcançar a salvação mediante o Senhor Jesus Cristo (1 Tessalonicenses 5:9).

Essa afirmação é dar muitas asas à imaginação, pois como tenho asseverado insistentemente ao longo desta série, que aqueles que pertencem a Deus nesta atual era – a da Igreja – não estão destinados para passarem pela ira de Deus (João 3:36; Romanos 5:9; 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9). Sobremodo incompreensível o esforço que fazem para colocar a Igreja nesse angustiante período, contrariando com isso o contexto sacro. A diferença entre as dispensações é claríssima, enquanto a Igreja aqui está a pregar a graça de Deus essas duas testemunhas virão para anunciar o juízo de Deus e a vinda de Jesus Cristo como o Messias que irá restaurar todas as coisas. O realce não estará na graça, mas no governo de Deus.

Outro grande esforço é para identificar quem seriam essas duas testemunhas. Uma das opções lançadas é que elas seriam dois anjos poderosos aparelhados por Deus para uma missão específica, ou então que seriam a reencarnação de Moisés e o reenvio de Elias que não passou pela morte, ou até mesmo Enoque, que a exemplo de Elias também foi arrebatado vivo. Tudo tremendamente especulativo, devemos tão somente nos ater ao texto sagrado. Essas duas testemunhas são duas pessoas físicas naturais com uma missão extraordinária em tempos tão difíceis. O texto é claro: “minhasduas testemunhas para que profetizem por três anos e meio” (v. 3).

Portanto, essas duas testemunhas são Dele, escolhidas por Ele e dotadas por Ele com imenso poder para um importante ministério. A sugestão que elas fariam parte do grupo dos 144 mil de Israel selados por Deus (Apocalipse 7:4-8) é completamente insustentável, pois essas duas testemunhas serão mortas (v. 7), ressuscitadas por Deus (v. 11) e arrebatadas ao céu (v. 12), ao passo que os 144 mil aqui permanecerão intocáveis por toda grande tribulação. Diz-nos William MacDonald em seu comentário sobre Apocalipse 14:1-5: “O Cordeiro é visto em pé sobre o monte Sião com os Seus 144 mil seguidores... Essa cena antevê o momento em que o Senhor Jesus voltará à terra e aparecerá em Jerusalém com esse grupo de cristãos... Os 144 mil são as mesmas pessoas mencionadas no capítulo 7. Agora, estão prestes a entrar no reino de Cristo”. Como vemos, o texto não diz 143.998.

Ao descrevê-las em sua visão, João revela o caráter de seus testemunhos. Suas vestimentas tipificam a natureza sombria das suas mensagens acerca do pesado juízo que recairá sobre os homens rebeldes a Deus (v. 3). Os símbolos – oliveiras e candeeiros – nos remetem à quinta visão do antigo profeta – Zacarias 4:3, 11 e 14. Portanto, essas duas testemunhas são dois judeus ungidos que reconhecerão o Senhor Jesus como o Messias prometido a Israel (v. 4). Elas terão poder sobre a vida e a morte, e autoridade para alterarem os elementos da natureza quantas vezes desejarem enquanto aqui estiveram profetizando (vs. 5-6).

Ao se completar o tempo estabelecido por Deus para a sua missão – três anos e meio – o “príncipe” visto por Daniel, que é uma das “bestas” descritas por João no capítulo 13, será permitido matá-las (v. 7). Seus corpos ficarão expostos na cidade que tipifica a idolatria do Egito (identificação espiritual) e a imoralidade de Sodoma (identificação moral), que de fato serão as características que haverá em Jerusalém, a cidade “onde o Senhor foi crucificado” (v. 8). A morte das duas testemunhas será motivo de alegria extremada para muitos (vs. 9-10), mas após três dias e meio elas serão ressuscitadas e arrebatadas ao céu e com grande medo os seus inimigos as contemplarão (vs. 11-12).

Após o arrebatamento dessas duas testemunhas a Terra voltará a tremer fortemente! A décima parte de Jerusalém será destruída e sete mil vidas serão ceifadas pela morte, por certo de seguidores da “besta”. As demais pessoas que lá estiverem ficarão atônitas e darão glória a Deus, não necessariamente em autêntica adoração ou conversão, mas porque serão levadas, à vista do que viram, a entender que aquilo é a confirmação do que ouviram ao longo daqueles três anos e meio de testemunho (v. 13). Encerra-se aqui o segundo grande parêntese contido em Apocalipse.

João volta às trombetas. Antes deste parêntese ele havia descrito os terríveis acontecimentos que advirão sobre a humanidade com o soar das seis trombetas anteriores a esta: “Passou o segundo ai. Eis que sem demora, vem o terceiro ai” (v. 14) com o soar da sétima trombeta cujas peripécias estão descritas no capítulo 16.

Antes, porém, João narra a visão do grande alarido no céu por ocasião do toque desta sétima trombeta. É chegado o grande momento que o Senhor Jesus virá para derrotar Satanás e estabelecer o Seu reino milenar (v. 15). A Igreja que fora arrebatada antes da tribulação e aqui representada pelos vinte e quatro anciãos, conforme comentado no capítulo 4, prostrar-se-á perante Deus e O adorará (vs. 16-18). Magnífico momento será esse! Será o dia da antecipação do júbilo pela vitória absoluta do bem sobre o mal. Os que destroem a terra serão completamente derrotados através desta batalha final.

Abre-se o santuário de Deus que se acha no céu. A visão de João é estupenda, ele vê a arca da aliança. A antiga era um símbolo transitório da nova, que é superior e eterna, da qual Jesus Cristo é o mediador (Hebreus 8). O santuário e a arca que aqui estavam eram apenas símbolos, ou sombras, destes que João está contemplando. Diante da majestosa presença do Deus Todo-Poderoso sobrevêm grandes sinais: relâmpagos, vozes, trovões terremotos e grande saraivada (v. 19).

Portanto, resta saber, meu caro leitor, onde você e os seus próximos estarão? Entre aqueles que estarão adorando a Deus nessa oportunidade ou entre os que sofrerão as terríveis consequências da rebeldia para com Deus. Reflita sobre isso e tenha certeza de que a sua escolha seja a acertada. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 12

Abre-se o penúltimo grande parêntese contido em Apocalipse, por sinal bastante longo, que se inicia neste 12° capítulo e vai até o 14°. Como vimos ao final do capítulo anterior, a sétima trombeta foi soada, todavia as terríveis consequências, que advirão com os sete flagelos a serem lançados sobre a Terra, serão reveladas somente no capítulo 16.

Ao iniciar este capítulo João relata a visão que teve de um “grande sinal no céu” (v. 1) que, por ser um “sinal”, trata-se de algo simbólico. Cabe-nos, portanto, ir à busca da interpretação do seu significado através das Escrituras em vez de ficarmos a especular o que aquilo representa.

Em sua visão, o consagrado apóstolo descreve acerca de uma mulher radiante que estava grávida (vs. 1 e 2). Surge a inevitável indagação: Quem seria essa mulher? É impressionante a quantidade de interpretações dadas acerca desta figura, que de fato são meras divagações, pois não têm respaldo nas revelações contidas na Palavra de Deus.

Alguns chegam à extravagância de afirmar que se trata de Maria grávida de Jesus, todavia não é preciso muito esforço para entender que se trata de algo completamente fora do contexto descrito neste capítulo. Por outro lado, aqueles que insistem em colocar a Igreja no período da grande tribulação chegam ao absurdo de interpretar que esta “mãe” representaria a Igreja, porém vemos que a mulher em questão está a gerar aquEle que há de reger todas as nações, qual seja o Messias prometido, o Senhor Jesus, portanto o inverso é absolutamente verdadeiro, pois não foi a Igreja que O gerou, mas foi por Ele gerada (Mateus 16:18).

Se não bastasse isso, a Igreja jamais foi interpretada nas Escrituras como “mãe”, mas como a “noiva”. Escreve a esse respeito W. Kelly: “Há aqui vários pontos que requerem uma explicação. Em primeiro lugar, que geralmente prevalece, é que a mulher representa a Igreja. Mas uma simples nota basta para derrubar esta falsa noção: A Igreja nunca é apresentada nas Escrituras como sendo uma mãe, e muito menos ainda poderia ela ser a mãe de Cristo, que, evidentemente, é o Filho Varão (v. 5). Sob a figura de uma mulher, a Igreja é a noiva de Cristo; enquanto Israel, como nação, pode, na realidade, ser considerada simbolicamente como tendo dado à luz a Cristo... “um menino nos nasceu (aos judeus) um filho se nos deu (aos judeus)” (Isaías 9:6-7). Portanto, a mulher representa Israel segundo o pensamento de Deus”.

Portanto, meu caro leitor, a resposta a essa pergunta é que essa “mulher” representa Israel. A figura dessa mulher (v. 1) é semelhante àquela do sonho de José (Gênesis 37:9-10), onde o Sol é interpretado como sendo Jacó, seu pai, a Lua como sendo Raquel, sua mãe, e as onze estrelas os seus irmãos, que com ele, José, formariam as doze tribos que dariam origem a Israel como nação. Não são poucas as passagens bíblicas em que Israel é representado por uma “mulher”, dentre elas Isaías 54:5 e Jeremias 3:20.

Surge, porém, outra questão. Se a mulher é Israel (v. 1) e o seu filho varão o Senhor Jesus (v. 5), como então ela poderá sentir as dores do parto em meio à grande tribulação se Ele já era nascido? Deixemos essa interpretação, como convém, a cargo das Escrituras. Como diz J. Allen, Isaías antecipou esta situação anormal de nascimento quando escreveu: Antes que estivesse de parto deu à luz; antes que lhe viessem as dores deu à luz um filho... pois Sião, antes que lhe viessem as dores, deu à luz a seus filhos” (Isaías 66:7-8). Leia também Miqueias 4:10. Assim o verdadeiro sofrimento da nação de Israel não aconteceu no tempo do nascimento do Senhor Jesus, mas está por vir no período da tribulação. Cristo descreveu a primeira parte da tribulação como o“princípio das dores” (Mateus 24:8), onde a palavra “dores” é geralmente usada para “trabalho de parto” e pode ser traduzida como “dores de parto” como lemos em 1 Tessalonicenses 5:3.

A seguir João vê outro “sinal no céu”: “e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças sete diademas” (v. 3). Aqui não há nenhuma dificuldade em interpretar quem é este dragão, os versículos 7 a 9 o identificam como sendo “a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo”. Quanto aos significados da sua aparência veremos as explicações desses símbolos mais à frente, no capítulo 17. O que importa agora é sabermos que o personagem deste “sinal” é o diabo.

Em sua tentativa de enfrentamento a Deus ele arrasta consigo um terço das hostes celestiais rebeldes que serão precipitadas sobre a Terra (v. 4). Para que não haja dúvidas, lembremo-nos do simbolismo de “estrelas” contido no versículo 20 do capítulo 1, onde o próprio Senhor Jesus as interpreta como “anjos”, só que aqui são os anjos caídos, seguidores de Lúcifer, que por sua vez significa a “estrela da manhã” descrita em Isaías 14:12.

O intuito do maligno sempre foi o da destruição total de tudo que foi criado por Deus, e ele continua nessa busca apesar de saber, desde o princípio (Gênesis 3:14-15), que os seus dias estão contados segundo o tempo de Deus. Mas ele é sobremodo arrogante e continuará até ao cabo dos seus dias acreditando que conseguirá vencer o Todo-Poderoso. Vemo-lo aqui, no versículo 4, em sua louca tentativa de impedir o nascimento do Senhor Jesus e sabemos que para isso ele usou homens cruéis como Herodes (Mateus 2:3-18), mas tudo foi infrutífero, pois Deus protegeu o Seu Filho Amado para que cumprisse sobre Si a obra redentora estabelecida pelo Pai, em prol de toda a humanidade, e em seguida foi arrebatado ao céu (v. 5), onde aguarda o momento de vir para arrebatar aqueles que são Seus e, após os sete anos da grande tribulação, voltará para estabelecer o Seu reino milenar.

O ódio destruidor de Satanás se exacerbará. Aquilo que ele supunha ser o fracasso de Deus com a morte do Seu Filho crucificado, de fato foi a estupenda vitória da Redenção para todo aquele que nEle crê. Mais uma vez ele foi derrotado, mas ele é persistente e procurará sob todas as formas varrer Israel da face da Terra. O seu tempo está a se esgotar. Ele sabe, a priori, que é lá que o Senhor Jesus Cristo voltará para restaurar todos a coisas, quando os Seus pés tocarão o Monte das Oliveiras, que está defronte a Jerusalém (Zacarias 14:4). Por isso ele induzirá todas as nações para que destruam completamente Israel, mas o próprio Senhor Jesus impedirá tamanha insanidade, conforme veremos no capítulo 19.

Apesar de todos os esforços, como se têm visto ao longo da história, Deus jamais permitirá que Israel desapareça da face da Terra e O vemos assim fazendo neste capítulo. Os versículos 6 e 14 revelam que Ele abrigará e sustentará Israel em um lugar seguro por Ele preparado durante os três anos e meio finais da grande tribulação. Para Deus não há impossíveis, lembremo-nos de Elias (1 Reis 17), que por três anos e meio (Tiago 5:17) o Senhor o sustentou ainda que através dos corvos e de uma viúva pobre.

Por certo esse “Israel” que será perseguido e fugirá sobre as “asas da grande águia” (vs. 13 e 14), representa os judeus que se manterão crendo na promessa da vinda do Messias e certamente se recusarão a cultuar a “besta” e a receber a sua marca como veremos no próximo capítulo. Eles não se curvarão perante a imagem da “besta” assim como ocorrera nos dias de Elias (1 Reis 18:13; 19:18). Você poderá argumentar em que me baseio para afirmar isso. Observe que há um segundo grupo de israelitas no versículo 17. Em sua fúria por não ter conseguido o extermínio do primeiro grupo (vs. 15 e 16), Satanás se voltará contra o restante dos judeus, aqueles que já tinham reconhecido o Senhor Jesus como o Messias prometido e por isso “guardam os mandamentos de Deus e trazem o testemunho de Jesus” (v. 17).

Quanto às “asas da grande águia” (v. 14) é uma expressão conhecida e tem o significado do extraordinário livramento que Deus promove a favor do Seu povo: “Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos cheguei para mim” (Êxodo 19:4). Portanto, não há o porquê de se especular tanto sobre isso, assim como fazem sobre a “água como um rio”que será jorrada da boca de Satanás contra Israel e que será engolida pela terra (vs. 15-16). Dou-me por satisfeito com a simples, objetiva e clara interpretação de W. MacDonald: “Na tentativa de impedir a fuga de Israel, a serpente provoca uma grande inundação a fim de arrastar o povo na correnteza, mas um terremoto abre a terra, engole a água e frustra o plano do diabo”.

Você poderá questionar: O diabo teria poder para provocar uma inundação? Basta olharmos para os magos do faraó fazendo, por duas vezes, grandes sinais em confronto com Moisés e Arão (Êxodo 7 e 8), consoante a eficácia de Satanás (2 Tessalonicenses 2:9). No próximo capítulo o veremos capacitando suas duas “bestas” para efetuarem coisas sobrenaturais como descer fogo do céu, a estátua falar, dentre outras coisas.

Neste terceiro grande parêntese João introduz um intervalo, um pequeno parêntese (vs. 7 a 12), para descrever uma peleja que ocorrerá no céu, região própria da atual morada do diabo. Este interlúdio é indispensável para entendermos a ira do diabo contra Israel (v. 13). O “arcanjo” Miguel, o único citado como tal nas Escrituras (Judas 9), e seus anjos travam uma intensa batalha no céu contra o diabo e as suas hostes (v. 7). A derrota de Satanás será implacável. Não haverá mais lugar para ele no céu. O sedutor deste mundo será atirado para a Terra e com ele todo o seu maligno séquito (vs. 8 e 9).

Para que não haja dúvidas a respeito de que “céu” o maligno será expulso, convém relembrar que as Escrituras descrevem três céus. O primeiro, o céu atmosférico que nos rodeia, que é a região de Satanás, “o príncipe da potestade do ar” que reina na atmosfera (Efésios 2:2); o segundo céu é o astronômico, o lugar dos corpos celestes (Jó 38:31-33); e o terceiro céu, é o lugar da presença do Deus Todo-Poderoso, a região da glória divina (2 Coríntios 12:1-4), para onde estão a ir os salvos pela obra redentora do Senhor Jesus (Lucas 23:43).

Nesse mesmo momento João ouve um grande alarido de júbilo vindo do céu, da morada de Deus (vs. 10 a 12). Por certo vindo daqueles que foram martirizados na primeira metade da tribulação conforme vimos na abertura do quinto selo (Apocalipse 6:9-11). O regozijo deles é magnífico: “Por isso festejai, ó céus, e vós que neles habitais”. Entretanto, há um paradoxo! “Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera”. Não haverá alternativa para Satanás a não ser a de tornar este mundo ainda mais tenebroso, por saber “que pouco tempo lhe resta” (v.12).

Ao encerramento deste capítulo vemo-lo em pé sobre a praia (v. 18). Dali ele convocará seus dois coadjuvantes que farão grande estrago àqueles que não prestarem adoração ao seu mentor – o diabo – que lhes deu autoridade para praticarem toda sorte de crueldade, conforme veremos no capítulo seguinte. Que aqueles que estão a ler esta série de crônicas sejam despertados quanto à fundamental importância da atual dispensação – a da Igreja –, pois assim evitarão a si e a outras pessoas de tão horripilante situação, tendo em vista que aqueles que atualmente creem no Senhor Jesus serão arrebatados antes do início desse período de grande tribulação. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 13 (1)

Continuando em nossa caminhada pelo penúltimo grande parêntese contido em Apocalipse, chegamos ao capítulo 13 e nos deparamos com o surgimento de duas terríveis personagens: as duas “bestas” que são convocadas pelo diabo numa derradeira tentativa de procrastinar a sua derrota que certamente virá, mas que em sua ultrajante soberba ele acha que ainda conseguirá derrotar a Deus. A esta altura o diabo sabe que pouco tempo lhe resta e tentará uma cartada decisiva.

É impressionante a quantidade de especulações geradas em torno dessas duas criaturas, através de livros, documentários e filmes, que levam as pessoas ao completo descrédito pelas absurdas fantasias que são criadas. Com isso a coisa está a ficar do jeito que o diabo gosta, ou seja, as pessoas acabam acreditando que tudo isso não passa de uma lenda, de um mito religioso como tantos outros.

Por outro lado, existem aqueles que fazem parte da cristandade e asseveram ser este capítulo um dos mais importantes do Apocalipse. Sem dúvida, um imenso exagero, como poderá um capítulo que descreve acerca das três figuras mais execráveis – o diabo e as suas duas bestas – ter tamanha relevância? Por conta disso, prezado leitor, terei que desdobrar este capítulo em partes para que consigamos entender e esclarecer o enorme embaraço existente nesta passagem.

Antes de começarmos esta primeira parte, convém relembrarmos o contexto deste parêntese iniciado no capítulo anterior. Nele vimos que simbolicamente a “mulher” representa a nação de Israel, e o “dragão” a Satanás que persegue ferozmente a “mulher” a fim de devorar o seu “filho” – o Senhor Jesus –, quando nascesse; sabemos que ele não conseguiu esse intento. Em seguida vimos a grande peleja no céu que acontecerá quando Miguel e os seus anjos subjugarão o diabo e o atirarão para a Terra juntamente com os seus anjos malignos. Com essa queda, o diabo perceberá que o seu tempo está a se findar e nesse mesmo trecho vemo-lo em fúria a perseguir a Israel, mas Deus frustrará a sua maligna intenção.

O capítulo 12 se encerra da seguinte forma: “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus; e se pôs em pé sobre a areia do mar”. Note que nesse texto não há nenhum comentário acerca da forma, consequências e desdobramentos dessa perseguição ao remanescente fiel, portanto não se deve considerar o capítulo 13 como uma mudança de tópico do capitulo anterior tendo em vista que essa divisão não existe nos textos originais.

Nunca é demais lembrar que a criação de capítulos e versículos veio para facilitar a leitura e a interpretação dos textos bíblicos, mas por vezes atrapalha se as pessoas não levarem em consideração que essa divisão nem sempre se trata de um novo parágrafo, “cuja função seria a de mostrar que as frases aí contidas mantêm maior relação entre si do que com o restante do texto com um novo tema” (Houaiss). Por não entenderem assim, tantos cometem equívocos inaceitáveis.

Ao acatarmos, portanto, a continuidade absoluta do texto, vemos que para a perseguição diabólica àqueles que darão o testemunho de Jesus, o diabo convocará dois terríveis coadjuvantes: a besta que emerge do mar e a outra que emerge da terra (Apocalipse 13:1 e 11). De imediato, é importante que fique claríssimo em nossas mentes que essas duas figuras são seres humanos como nós, de carne e osso, não se tratando de anjos demoníacos materializados ou incorporados, ou então seres de outro planeta como alguns fantasiosamente sugerem. São daqui mesmo e receberão a autoridade do diabo para suas tenebrosas atuações.

Você pode estar a pensar a esta altura: “Se o diabo sabe de tudo isso por ter conhecimento das Escrituras por que então devemos entender que ele não mudará a estratégia aqui revelada?”. De certa forma é pertinente esse pensamento, todavia o diabo não é onisciente, ele não é Deus, ele não sabe de tudo e nem tudo foi permitido a João revelar: “Guarda em segredo as coisas que os setes trovões falaram, e não as escrevas” (Apocalipse 10:4). Todavia, em sua altivez, mesmo sabendo dessas profecias, ele continua achando que é superior ao Todo-Poderoso e tentará demonstrar isso distorcendo as revelações das Escrituras, como o vemos tentando convencer ao próprio Senhor Jesus a segui-lo (Lucas 4:1-13).

Apesar de João não nominar nenhuma dessas duas bestas como o “anticristo”, tornou-se uma tradição entre os cristãos de que o “anticristo” seria a primeira besta e daí passou-se a esse costumeiro entendimento. O mesmo ocorreu com a comemoração do Natal, que de fato é apenas uma tradição cristã, pois as Escrituras silenciam quanto ao dia do nascimento do Senhor Jesus. Aceita-se, portanto, essa tradição, tendo em vista que houve um dia do Seu nascimento, assim como chegará o dia em que será manifestado o homem da iniquidade.

Todavia, chegando-se a este capítulo convém avaliar o significado desse vernáculo. Os únicos registros dessa expressão – anticristo – são de exclusivo uso desse mesmo apóstolo em suas duas primeiras epístolas. Nenhum outro escritor sacro usa esse termo. Diz João: "como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido... Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho... e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo...” (1 João 2:18 e 22; 4:3). "Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo" (2 João v. 7). A exegese aqui tem que levar em conta o contexto dessas epístolas, que são de advertência sobre a apostasia que já estava a vir através de falsos mestres que predicavam uma doutrina equivocada sobre a Pessoa de Jesus Cristo. Nelas, João não dá nenhum indício do surgimento de um grande líder político, como será a primeira besta.

Em nosso idioma não houve tradução para “anticristo”, mas uma transliteração dessa palavra do original grego. Em sua lexicografia, Houaiss também o define como “falso Cristo” ou “falso profeta”. Ao examinarmos mais detidamente a preposição grega “anti” usada nas Escrituras, vemos que ela aparece 22 vezes no Novo Testamento. Em todas essas passagens o sentido da tradução é “em lugar de” e não “contra” alguma coisa (Mateus 2:22, 5:38, duas vezes, 17:27, 20:28; Marcos 10:45; Lucas 1:20, 11:11, 12:3, 19:44; João 1:16; Atos 12:23; Romanos 12:17; 1 Coríntios 11:15, Efésio 5:31; 1 Tessalonicenses 5:15; 2 Tessalonicenses 2:10; Hebreus 12:2, 12:16; Tiago 4:15; e 1 Pedro 3:9, duas vezes).

Em 1944, W. C. Taylor, em sua introdução ao estudo do Novo Testamento grego, define essa preposição, no caso genitivo, como “em lugar de”. Ao analisarmos os textos acima indicados veremos que esse é o sentido bíblico, por exemplo:“Arquelau reinava “em lugar de” (anti) seu pai Herodes” (Mateus 2:22). Portanto, Arquelau não reinava “contra” o seu pai, mas “em lugar” dele. Por certo é este o sentido que João tinha em mente quando usou a expressão “anticristo”. Quando olhamos para as duas bestas do Apocalipse que estão para surgir, vemos que a primeira, o grande líder político, tem a mesma semelhança do diabo (compare Apocalipse 13:1 com 12:3). Quanto à segunda besta, João a identifica como parecendo um “cordeiro”, ou seja, essa besta virá “em lugar de” Cristo, terá uma semelhança com Cristo, mas falará como um dragão, ou seja, o diabo (Apocalipse 13:11).

Ao longo de todo Apocalipse, para essas duas figuras humanas, João usou a expressão para a primeira delas simplesmente como a “besta”, ao passo que para a segunda ele a nominou como sendo o “falso profeta” (Apocalipse 16:13, 19:20 e 20:10). Em nosso idioma o prefixo “anti” tem o significado usual de “contra”, logo, se aplicarmos esse sentido, ambas as bestas são “anticristos”.

Se você, caro leitor, me perguntasse se deveríamos estar preocupados com o controverso, eu lhe responderia que não, pois os cristãos autênticos já terão sido arrebatados pelo Senhor Jesus antes do surgimento dessas duas criaturas repulsivas. Todavia, aqueles que acreditam que os cristãos que estiverem vivos à época passarão pela grande tribulação, gastam inutilmente o seu tempo procurando identificar indícios se o “anticristo” já se encontra entre nós, talvez para saberem quem vão enfrentar.

Por outro lado, há aqueles que o fazem na tentativa de encontrarem sinais que revelam o imediato “arrebatamento” da Igreja. Mas isso não é pertinente, pois, segundo o próprio Senhor Jesus, ao responder àqueles que ansiavam em saber quando se daria o tempo da restauração do reino a Israel, ele foi enfático: “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para a sua exclusiva autoridade” (Atos 1:7).

A literatura existente a esse respeito é imensa, em nossos dias há escritores famosos, tidos como cristãos, que compartilham da crença de uma famosa pitonisa americana que teria recebido uma revelação, por certo do inferno, que o “anticristo” já estaria entre nós, teria nascido no Oriente Médio no dia 5/2/1962, e está aguardando o seu chamado para assumir o poder mundial das nações.Autores que se baseiam em uma bruxa não podem ser levados a sério, não é mesmo? Isso só serve para aumentar o saldo de suas contas bancárias, com a venda de seus livros sobre esses prognósticos especulativos.

Nas crônicas a seguir, sobre este mesmo capítulo 13, analisaremos mais detalhadamente esses dois personagens, mas esteja absolutamente certo, prezado leitor, que não devemos aguardar a manifestação dessas duas bestas, pois os redimidos pelo Senhor Jesus aguardam a Sua vinda para arrebatar os que são Seus, não à vinda do “anticristo”. Tenha o mesmo sentimento que havia em Paulo: "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantosamam a sua vinda" (2 Timóteo 4:8). Portanto, não abra mão desse galardão. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 13 (2)

Antes ainda de entrarmos nos comentários acerca dessas duas nefandas personagens – as duas bestas em Apocalipse 13 – convém avaliarmos algumas distorções que são feitas no entorno delas as quais têm levado muitos a um entendimento equivocado e isso tem promovido grande descrédito ao conteúdo deste notável Livro, transformando-o em uma mera obra de ficção, ou mito, como alguns gostam de afirmar. É incrível como vários escritores, por sinal bastante famosos, geram uma enormidade de ideias fantasiosas acerca deste capítulo que não se coadunam em nada com as revelações contidas nas Sagradas Escrituras.

Como sabemos, e nesta série de crônicas estou a reiterar com a necessária insistência, o arrebatamento da igreja de Deus, ou seja, daqueles que realmente são autênticos cristãos independentemente do contexto denominacional ou segmento que pertençam, ocorrerá antes do período da grande tribulação e, portanto, antecederá à manifestação dessas duas bestas que tradicionalmentesão identificadas como o anticristo e o seu profeta. Todavia, comete-se um grande equívoco ao asseverarem que a revelação dessas duas criaturas se dará sem permeio logo após a esse acontecimento. Não há nenhum indício acerca desse imediatismo nas Escrituras. Sem dúvida, ambas surgirão após o arrebatamento, mas não há nenhuma evidência quanto ao tempo exato a decorrer para essa aparição.

Para confirmar essa minha afirmação, respaldo-me em 2 Tessalonicenses 2:1-12, quando Paulo esclarecia aos cristãos daquela localidade acerca do mal-entendido que havia a respeito da vinda do Senhor Jesus para buscá-los (v. 1), com o “dia do Senhor” que eles pensavam já estar vivenciando, por certo em virtude da grande perseguição que estavam a sofrer (v. 2). Era preciso corrigir esse equívoco. O “dia do Senhor”, não o “arrebatamento”, se dará com o surgimento da apostasia e a revelação do homem da iniquidade, o filho da perdição (v. 3). Paulo deixa claríssimo que esse iníquo será “revelado somente em ocasião própria” (v. 6), não fixando, portanto, que o seu surgimento será deimediato ao “rapto” da igreja de Deus, como alguns têm afirmado.

Esse pensamento imediatista tem propiciado, talvez propositalmente, um sem número de edições de livros, filmes e artigos a esse respeito, fazendo com que as pessoas fiquem atentas à chegada do provável “anticristo” ao mundo, a fim de saberem da proximidade do arrebatamento da igreja. Isso tem sido completamente infrutífero, uma enorme perda de tempo, pois o arrebatamento da igreja independe totalmente do surgimento desse trágico personagem, ou se ele já está pronto para assumir a liderança deste mundo rebelde a Deus.

Nunca é demais repetir que as duas bestas que surgirão são seres humanos comuns, não são deuses. Por certo, naturalmente dotadas de grande capacidade intelectual em suas áreas de atuação, “qualidades” essas que serão aproveitadas pelo seu gestor – o diabo –, mas certamente isso levará um considerável tempo até elas serem investidas em suas respectivas funções. A primeira terá que assumir o comando das nações e para isso deverá demonstrar imensa capacidade de liderança e trazer soluções eficazes para os graves problemas que cada vez mais se exacerbam neste mundo globalizado em termos políticos e, principalmente, econômicos. A segunda terá a dificílima tarefa de convencer Israel que é o Messias prometido e aglutinar em torno de si todas as religiões existentes à época, como não será coisa nada fácil ela irá operar grandes sinais segundo a eficácia de Satanás (2 Tessalonicenses 2:9). Essas coisas não acontecerão do dia para noite. Convém salientar que das duas bestas que virão, somente a segunda operará grandes sinais miraculosos e que certamente levarão muitos ao engano.

Portanto, esteja absolutamente convicto, prezado leitor, que o arrebatamento dos convertidos a Deus continua sendo iminente e poderá ocorrer a qualquer momento, no tempo estabelecido por Deus, cujo dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, somente Ele. Assim sendo, não está predeterminado na Palavra de Deus que será no dia seguinte ao arrebatamento que essas duas bestas se manifestarão, ou então, que o arrebatamento não ocorrerá até que as duas bestas estejam capacitadas. Isso é ficção, não é revelação.

Conforme já vimos, Jesus Cristo deixou expressamente revelado que Ele voltará para levar consigo aqueles que são Seus (João 14:1-3). Dentro dessa premissa, divinamente inspirado, Paulo deixou revelado como isso se dará: "Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos [morreremos], mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta...” (1 Coríntios 15:51-52); "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus [no céu], descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor" (1 Tessalonicenses 4:16-17, leia também Filipenses 3:20-21).

Observe, caro leitor, atentamente para a expressão “momento”. No original grego(atomos) ela tem o significado de “um átimo de tempo”, ou seja, algo tão rápido como a mais curta fração de tempo possível. Portanto, esse acontecimento não será perceptível aos olhos humanos como se têm propalado, o “rapto” será tão instantâneo que as pessoas nem se darão conta disso, a não ser a posterior ausência daqueles que foram arrebatados. O seu ruído será semelhante a um piscar de olhos, por conseguinte inaudível aos ouvidos humanos. É esta a interpretação que deve ser dada a esse extraordinário acontecimento.

É impressionante o imaginário que se dá acerca desse evento. Cria-se uma enorme fantasia que o mundo contemplará a subida daqueles que serão arrebatados como se fosse uma imensa procissão para o encontro com o Senhor Jesus nos ares, entre nuvens. O pior, que todos estariam desnudos, pois as suas roupas e objetos pessoais aqui ficariam por ocasião dessa ocorrência. Pura ficção, a Palavra de Deus não dá nenhum indício acerca das circunstâncias dos pertences pessoais dos arrebatados. Como diz Paulo na introdução a esse assunto, este fenômeno é um mistério e não nos cabe especular sobre isso.

A esse respeito, escreve Ronaldo E. Watterson: “A nossa transformação, por ocasião do arrebatamento, será tão “repentina” que ninguém a verá. Acontecerá “num momento”, num abrir e fechar de olhos. Os cristãos naquele dia deixarão a Terra e, num piscar de olhos, estarão com o Senhor. A rapidez incrível deste arrebatamento fará com que ninguém o possa ver. Mesmo se o momento exato fosse avisado, seria rápido demais para o olho humano ver. E acontecerá sem aviso!”.

Recentemente assisti a um documentário apocalíptico cujos autores apresentavam uma situação catastrófica pós-arrebatamento puramente fictícia, pois as Escrituras se calam a esse respeito. Aviões caindo, veículos em desenfreadas colisões, trens descarrilando, navios afundando, o caos generalizado, saques a supermercados, atos de violência de toda sorte etc. Todavia, não há nenhuma evidência bíblica acerca disso. Não devemos dar asas à imaginação a fim de não transformar a revelação divina em um engodo. Os acontecimentos imediatos ao arrebatamento são de conhecimento exclusivo de Deus, isto nos basta.

Provavelmente, meu caro leitor, você poderá estar a indagar: “O arrebatamento de uma enorme quantidade de pessoas certamente causará um grande impacto na humanidade incrédula”. Apesar da sua lógica, há que se fazer uma avaliação que quantidade será essa diante da perspectiva de um mundo que, segundo dados estatísticos atuais, está a ultrapassar sete bilhões de seres humanos.

Segundo esses mesmos dados, desses sete bilhões, somente dois bilhões são tidos como “cristãos”. Desses dois bilhões, mais de um bilhão de pessoas se declaram católicas romanas, o outro bilhão é identificado como de outros segmentos, dentre estes os tidos como “evangélicos”. Conforme vimos nesta série, mais propriamente no Capítulo 3, os cristãos autênticos ao final desta dispensação formarão um remanescente fiel, portanto a imensa maioria será de cristãos nominais que fazem parte de um movimento religioso meramente institucionalizado, onde, como em nossos dias, o Evangelho é apresentado sob um aspecto atraente e emocional, ou como complemento a uma obra social. Vivemos dias em que a “mistura” tornou-se uma lamentável realidade no cristianismo, em vez da mensagem do Evangelho de “Cristo para o mundo”, o inverso tem sido verdadeiro, qual seja, “o mundo para Cristo”. Reflita sobre esta sutil diferença!

Portanto, qual será a quantidade de arrebatados? Não podemos cometer a imprudência de quantificá-los, pois não nos cabe julgar a fé de ninguém. Todavia, partindo-se do princípio que haverá somente um remanescente, ao se comparar com os sete bilhões de habitantes, em termos percentuais deverá ser algo depois da vírgula que não irá ocasionar um tremendo caos conforme estão a propalar. Por certo haverá inúmeras justificativas por parte dos órgãos oficiais acerca desse repentino sumiço e as pessoas deverão ficar satisfeitas com as explicações, até mesmo científicas, que serão dadas. Aqueles que têm a certeza que estarão entre os arrebatados, essas especulações não são motivos de preocupações pessoais, a não ser a da separação dos entes queridos que aqui ficarão por não crerem nas revelações das Escrituras.

Entre o intervalo do arrebatamento e a manifestação das duas bestas, o que irá acontecer com os arrebatados? Conforme nos escreve R. David Jones, “logo após o arrebatamento estarão sentados diante do Seu tribunal”, onde prestarão contas de suas obras e receberão os seus galardões que serão lançados diante do Trono de Deus, e ali estarão a adorar ao que vive pelos séculos dos séculos, dizendo: “Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas” (Apocalipse 4:10-11). Conforme sugeri anteriormente, que você, meu caro leitor, lá esteja fazendo parte desse notável grupo. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 13 (3)

Após os comentários introdutórios expostos nas duas crônicas anteriores, vamos à avaliação dos dez primeiros versículos contidos neste 13° capítulo, que descrevem o surgimento da primeira "besta", lembrando que ainda estamos no terceiro dos quatro grandes parênteses existentes em Apocalipse, que teve início no capítulo 12:1 e se estenderá até o 14:20.

Nesta sua nova visão João contempla algo aterrorizante. O mesmo dragão – o diabo – personificado no capitulo 12 agora se encontra em pé na praia do Mar Mediterrâneo que banha a costa oeste de Israel. Ali João observa atentamente a chegada das duas "bestas" convocadas pelo diabo para executar a execrável missão de assumir malignamente o governo absoluto do mundo e estabelecer o movimento religioso que irá lhe prestar adoração. Isto foi algo que o diabo sempre acalentou, haja vista a absurda proposta que ele fez ao Senhor Jesus quando da tentação no deserto: "Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos... se prostrado me adorares" (Lucas 4:6-7). Como diz W. Kelly, Satanás seguirá os dois caminhos que lhe são peculiares para enlaçar as duas classes de seres humanos que sempre existiram neste mundo: Os que desejam ardorosamente o poder e os que se ligam à religiosidade meramente formal.

Essas duas "bestas" atenderão exatamente a essa perspectiva diabólica. A primeira será um autoritário líder político e militar com grande capacidade intelectual. Por sua vez, a outra será o grande líder religioso que se apresentará como o Messias prometido a Israel e, pelos grandes sinais sobrenaturais que somente ela operará, conforme vemos neste capítulo, aglutinará em torno de si as demais religiões, inclusive o cristianismo apóstata existente à época.

Muitos comentaristas tratam a primeira "besta" como o "chefe" dessa dupla diabólica, mas isso não é necessário que aconteça. Por definição, o "chefe" sempre será o diabo, ele é extremamente ambicioso, arrogante e egoísta, jamais abrirá mão dessa prerrogativa, ambas as "bestas" serão apenas coadjuvantes e uma não será superior à outra, terão funções distintas, mas formarão uma só entidade, como almas gêmeas, com o único objetivo de fazer a vontade do "chefe". Infelizmente a massacrante maioria da humanidade dará crédito a elas.

A interpretação acerca da inferioridade da segunda "besta" é porque está escrito que ela exercerá a autoridade da primeira "besta" (v. 12). Todavia, ao analisarmos o versículo 3, vemos que o poder da primeira "besta" pertence ao diabo, o grande mentor de ambas, que irá tornar a primeira o grande líder mundial para que haja o total extermínio daqueles que se converterão a Deus ao longo da grande tribulação. Não há dúvida que a segunda "besta" será extremamente atuante nesse governo globalizado como poderoso Ministro de Estado, pois terá o controle monetário de todas as nações (v. 17 e 18). Mas isso é assunto para a próxima crônica.

João vê emergir do mar a primeira "besta" (v. 1), sua aparência é bastante similar a do diabo conforme visto no capitulo 12. Por sua vez, a semelhança revelada no versículo 2 combina com as características das quatro bestas contidas em Daniel 7. Escreve R. David Jones: "Este é o homem que se revelará no início do período da tribulação, destinado a conquistar o mundo (montado no cavalo branco em Apocalipse 6.2), subjugando três reis de uma confederação de dez (Daniel 7:24-26, Apocalipse 17:12-13), ele continuará conquistando os demais até adquirir todo o domínio em três anos e meio". Essa é a expectativa do diabo com a chegada dessa criatura repulsiva que por certo virá do ocidente tendo em vista que na visão de João ela emerge do mar, ou seja, fora do continente, a oeste de Israel.

Pelo tanto que se tem escrito a respeito das descrições simbólicas dessa "besta", impressiona o apego que se dá às suas características extrínsecas. A maior preocupação de muitos está em desvendar o significado dos chifres, diademas etc. Conforme interpretado no capítulo 17, os chifres representam governantes que farão parte de uma confederação global sobre a liderança da primeira "besta". Qualquer especulação torna-se infrutífera, pois ficar imaginando que nações serão essas é sobremodo artificial, pois, em termos geopolíticos, o mundo tem se alterado substancialmente após o rompimento da antiga "cortina de ferro" (URSS) e a queda do muro de Berlim (Alemanha Oriental), todas as previsões anteriores sobre essas dez nações caíram por terra e muitos livros se tornaram inúteis.

Se não bastasse isso, qualquer exercício de adivinhação acerca dessas nações será inócuo tendo em vista a gravíssima crise econômica contemporânea que perturba a economia mundial. As teorias econômicas, até então praticadas, já não estão a cumprir com os seus objetivos. Décadas atrás, ninguém em sã consciência afirmaria que a China poderia se tornar uma nação economicamente dominante. Essa realidade caminha a passos largos. O mundo carece de uma nova ordem econômica, quem criá-la certamente terá enorme prestígio e poder. Esse grande artífice, tão desejado, poderá ser esta primeira "besta" que virá. Por isso entendo que o mais importante a ser avaliado é o caráter intrínseco desses dois personagens.

Uma coisa me impressiona! É a fixação que há, por grande parte dos escritores, pelo ressurgimento literal do "império romano" que seria restabelecido com a assunção dessa primeira "besta". A única coisa que restou desse império, além das ruínas arqueológicas, é o Vaticano. Com o papado, iniciado quando Constantino era imperador de Roma, império e igreja andaram como "a mão e a luva" por séculos. A "mão" sumiu, o italiano de hoje nada tem a ver com o romano de outrora. Longe disso! Do antigo império restou somente a "luva", a igreja romana, cujos dirigentes conseguiram sobrepor-se às crises e perseguições que surgiram ao longo dos séculos, ao contrário dos imperadores romanos que sucumbiram. Se houver alguma semelhança com o cruel imperador que está por vir, será somente quanto ao ideário romano de conquista do mundo, todavia outros tiveram o mesmo desejo, a exemplo de Hitler na segunda grande guerra mundial que nada tinha a ver com o antigo império romano.

Esse satânico império terá as mesmas características de Roma na conquista da supremacia mundial e até a mesma localização europeia, mas não passará disso. O repulsivo Nero jamais será ressuscitado como alguns absurdamente sugerem. Haja imaginação! Esteja certo, caro leitor, o líder bestial, que virá, será em tudo muito pior que qualquer antigo imperador que o mundo já viu. Essa ideia de "império romano" começou com aqueles que acreditam equivocadamente que o Apocalipse é um livro somente histórico e, portanto, descreve acontecimentos pretéritos.

Outra grande especulação é acerca da ferida mortal que acometerá a primeira "besta", cuja cura deixará a humanidade maravilhada e passará a segui-la. A sugestão que mais se dá é que ela será morta e o seu mentor a ressuscitará. O diabo nunca terá esse poder que somente a Deus pertence, é impensável a suposição que Deus lhe outorgará essa autoridade. Certamente a "besta" sofrerá um atentado, pois isso está revelado (v. 3), por certo o próprio diabo providenciará que tal aconteça para induzir as pessoas de uma pseudomorte. Isso fará parte de uma imensa encenação para que se creia que o diabo é deus ao fazê-la "ressuscitar" e as pessoas passarão a adorá-lo juntamente com a "besta" (v. 4). Quanto à pergunta contida nesse versículo acerca de quem poderá pelejar contra a "besta", a contundente resposta está no capítulo 19. Paulo já havia previsto esse acontecimento ao revelar que o Senhor Jesus destruirá o iníquo com o simples sopro da Sua boca (2 Tessalonicenses 2:8).

Conforme já vimos anteriormente, esse "príncipe" que virá fará firme aliança com muitos, principalmente com Israel, possibilitando, inclusive, a reedificação do Templo de Jerusalém, mas após três anos e meio no exercício do seu mandato como "imperador do mundo" (v. 7), ele se virará ferozmente contra Israel e por mais três anos e meio proferirá com grande arrogância (v. 5) muitas blasfêmias a Deus e àqueles que já se encontram na presença do Senhor (v. 6), e aniquilará os crentes (v. 7) que se converterão na primeira metade desse período de tribulação.

Não deixa de ser impressionante a revelação de João que toda a humanidade prestará adoração a essa "besta", com exceção, é claro, daqueles que se converterão a Deus na primeira metade desse espaço de tempo (v. 8). Essa imensa maioria que lhe prestará adoração são aqueles que entrarão em juízo por não darem crédito à verdade, antes se deleitarão com a injustiça, conforme afirmado por Paulo em 2 Tessalonicenses 2:12.

Neste trecho, algo extremamente importante ressalta-nos aos olhos. Leia atentamente, caro leitor, o versículo 9... "Se alguém tem ouvidos, ouça". Expressões semelhantes a esta lemos por sete vezes neste livro: 2:7, 11, 17 e 19; 3:6, 13 e 22. Entretanto, em todos esses trechos há uma complementação: "ouça o que o Espírito diz às igrejas". Por que será que no versículo em questão (v. 9) ele não mais diz "às igrejas"? A resposta é por demais simples. Antes do início da tribulação a Igreja de Deus, que é formada por todos aqueles que verdadeiramente têm ao Senhor Jesus como único e suficiente Redentor, não estarão mais presentes aqui, já terão sido arrebatados e estarão no regaço do seu Senhor (João 14:1-3). Incompreensível, portanto, a insinuação de que a Igreja não será arrebatada antes da chegada da tribulação.

Quanto ao versículo 10, sobremodo interessante o pensamento de W. Kelly: "Estas importantes palavras têm por objetivo guardar os santos de tomarem o poder em suas mãos. Eles podem clamar a Deus, pedir-Lhe que Se levante para julgar a Terra, mas não devem eles próprios combater... a "besta" levará muitos ao cativeiro, mas ela própria irá cativa; matará a muitos, mas ela própria será morta". Portanto, graças a essa certeza, os que creem devem esperar com perseverança e fidelidade, pois Quem fez a promessa é absolutamente fiel.

Lembremo-nos de que esta advertência não se aplica exclusivamente ao tempo que está por vir, mas a todos os filhos de Deus independentemente da época em que aqui estiverem. Que não haja em nós nenhum sentimento de vingança, pois "a mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor" (Romanos 12:19). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 13 (4)

Eis que surge o grande impostor. Virá como cordeiro, mas por dentro lobo voraz. Acerca dos embusteiros que surgiriam alertou o Senhor Jesus ao final do sermão do monte: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”(Mateus 7:15). Dentre os seres humanos, em todas as épocas, sem dúvida esta segunda “besta” será o maior de todos enganadores, atingirá o ápice“segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (2 Tessalonicenses 2:9). Observe, caro leitor, que João, nas suas visões contidas neste capítulo 13, não dá nenhuma identificação à primeira “besta”, mas a esta ele a designa como “o falso profeta” (Apocalipse 16:13; 19:20; 20:10). A primeira “besta” não manifestará nenhum “sinal” milagroso, essa função ficará a cargo desta figura abominável que será revelada.

João prossegue em descrever a sua visão, agora ele narra o surgimento da segunda “besta” (v. 11). O local e o momento são os mesmos. O “dragão” está na mesma praia de onde convocou a primeira “besta” que virá do “mar”, das nações gentílicas, a ocidente de Israel, conforme vimos na crônica anterior. João agora visualiza a aparição da segunda “besta” que virá da “terra”, ou seja, de Israel. Portanto, esta “besta” será um judeu, terá a aparência de um “cordeiro”, mas a prédica do diabo, enganosa, vil e mentirosa como não poderia deixar de ser. Acerca desta segunda “besta” diz J. Allen: “A palavra “therion” é usada novamente, indicando que esta besta é da mesma natureza que a primeira. São do mesmo gênero e têm a mesma natureza feroz, mas em todos os demais aspectos são muito diferentes”.

Você poderá estar a indagar: Por que a aparência de um “cordeiro”? É sabido que até hoje os judeus celebram a “pessach”, a páscoa judaica, como memorial pela libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. Essa solenidade seria estatuto perpétuo para o povo de Israel como lembrança que a sua libertação foi através do sacrifício de um “cordeiro” (Êxodo 12). Nos inícios do ministério do Senhor Jesus, ao vê-Lo disse João Batista aos seus discípulos: “Eis o cordeiro de Deus”. Em seguida dois dos que o acompanhavam passaram a seguir ao Senhor Jesus, um deles, André, ao se encontrar com seu irmão Simão, que passaria a se chamar Pedro, disse:“Achamos o Messias [que quer dizer Cristo]” (João 1:35-42). Portanto, esse impostor se apresentará a Israel como “o cordeiro”, em lugar do Messias (ou Cristo) que ainda hoje é aguardado pelos judeus mais ortodoxos. Eis o motivo para que essa segunda “besta” seja de origem judaica, caso contrário não seria aceita pelos judeus piedosos, pois o Cristo, que significa Ungido de Deus, deveria nascer em Belém da Judeia, assim como foi o Senhor Jesus (Miqueias 5:2).

Uma imensa farsa está para ser montada, prezado leitor. Para que os judeus o recebam como Messias, este falso profeta operará grandes sinais de maneira tal que até fogo do céu fará descer sobre a terra (v. 13). Este será um dos inúmeros engodos que ele utilizará para convencer os judeus que de fato ele seria aquele que estavam a esperar, pois este foi o sinal do céu que revelou Elias como verdadeiro profeta (1 Reis 18:36-38; 2 Reis 1:9-12). Os judeus sempre tiveram nos “sinais” a principal evidência de identificação e chegada do Messias. Quando João Batista mandou seus discípulos perguntarem ao Senhor Jesus se de fato Ele era aquele que estava para vir, Jesus lhes respondeu para que olhassem para os sinais messiânicos que Ele estava a fazer, por si só eles testificavam da Sua divindade (Lucas 7:18-23). Diz W. MacDonald a respeito dos “sinais” pedidos pelos religiosos à época: “Apesar de todos os milagres que Jesus realizou, os escribas e fariseus tiveram a imprudência de pedir a Ele um sinal, significando que creriam nEle se Ele pudesse provar ser o Messias... A exigência de sinais milagrosos como condição de crença não agrada a Deus. Como Jesus disse a Tomé: ‘Bem-aventurados os que não viram e creram’ (João 20:29). No arranjo de Deus, ver vem depois de crer”. Portanto, quando ocorrer a revelação desta segunda “besta” esses insensatos se fartarão de sinais e crerão que esse farsante é o Ungido de Deus, e toda a humanidade também será seduzida por esse falso profeta por causa dos sinais que lhe serão dados a executar diante da primeira “besta”, o grande líder mundial (v. 14).

Em toda essa encenação espetaculosa, o grande opressor diabólico que estará a reger as nações, fruto da sua falsa ressurreição, estenderá a esse impostor religioso todo o seu poderio político para que ela, a primeira “besta”, passe a ser adorada pelos homens (v. 12), juntamente com o mentor de ambas as “bestas” – o diabo –, conforme vimos no versículo 4 deste mesmo capítulo: “...e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta”. Esse falso profeta dirá aos habitantes da terra para que façam uma imagem em homenagem à primeira “besta” (v. 14), e dará fôlego a esse espantoso ídolo para que, além de falar, mate a todo aquele que não prestar adoração à primeira “besta” (v. 15).

Por certo estará passando em sua mente, prezado leitor, que isso chega a ser inacreditável. Sem dúvida, assustador, porém crível. Lembre-se do primeiro sinal que Moisés fez quando se apresentou ao Faraó, cujo cajado foi transformado em serpente pelo poder de Deus e, de forma semelhante, os encantadores do Faraó fizeram o mesmo com as suas ciências ocultas. É claro que o poder do Deus Todo-Poderoso prevaleceu e assim sempre será (Êxodo 7:10-12).

Conclui-se, portanto, que além do poder religioso mundial esse falso profeta também exercerá o poder judiciário das nações. Se não adorar o ídolo, morre. Mas ele não ficará somente nisso, pois também exercerá o controle de todo o comércio existente na Terra. Ninguém, independentemente da sua condição social, poderá comprar ou vender qualquer coisa se não tiver a “chancela” estabelecida por ele (vs. 16 e 17). Logo, o mundo estará sob o jugo do mais opressor dos impérios até hoje existentes. “Estes serão os dias terríveis dos quais o Senhor falou: ‘E, se aqueles dias não fossem abreviados nenhuma carne se salvaria’ (Mateus 24-22), haverá um genocídio numa escala inacreditável” (J. Allen).

Não são poucas as especulações feitas a esse respeito. Como seria exercido esse imenso controle sobre todas as operações mercantis em escala mundial? Lembremo-nos, sempre, de que essas duas diabólicas criaturas são seres humanos mortais como nós e, como nós, dentro das naturais limitações de tempo e espaço. Por conseguinte eles terão que fazer uso de tecnologia de ponta como a que já existe em nossos dias através dos cartões de crédito “chipados”, largamente usados para transações comerciais e bancárias.

Dentro dessa mesma tecnologia, já existem “chips” de tamanhos diminutos que podem ser introduzidos no corpo humano a fim de ser exercido um eficiente controle de localização daqueles que estiverem “chipados”. Consta que os soldados americanos e israelenses fazem uso desse dispositivo, quando em combate. Algo semelhante já é largamente usado pelas seguradoras para rastreamento de veículos roubados.

Vivemos dias de surpreendentes avanços científicos que crescem de forma tão rápida que mal conseguimos acompanhar. Recentemente, mais precisamente em agosto de 2011, surgiu uma inovação tecnológica denominada de sistema eletrônico epidérmico, que de tão fino e flexível pode ser aplicado sobre a pele humana como se fosse um “adesivo”. Essa nova "pele eletrônica" criada por um pioneiro no campo da eletrônica flexível (John Rogers) contém um circuito eletrônico que monitora, à distância, os sinais vitais das pessoas. Além do diagnóstico médico, os circuitos eletrônicos incorporados nessa pele eletrônica podem ser usados para sensoriamento e comunicação com os usuários desses circuitos. Interessante salientar que no teste desse "adesivo" alguns voluntários o tiveram "tatuados" em sua testapor julgarem um local mais apropriado. As medições efetuadas da atividade elétrica produzida pelos músculos e pelo coração foram as mesmas obtidas com os aparelhos médicos atuais. A camada ativa dessa pele artificial é mais fina do que um fio de cabelo humano, contendo todos os componentes eletrônicos necessários. Porém, uma coisa eles não disseram, assim como esse dispositivo pode ser usado para controlar a saúde das pessoas, por certo poderá também matá-las usando-se um comando eletrônico específico para esse fim.

Como se vê a tecnologia para a “marca da besta” (v. 16) já não é um mistério tão grande como o era antigamente. Imaginemos, pois, como será até a chegada desses dois terríveis personagens tendo em vista a velocidade com que o homem está a criar essas novas tecnologias de controle humano. Dada a importância dessa “marca”, por mais seis vezes ela é citada neste Livro (14:9,11; 15:2; 16:2; 19:20; e 20;4). Quanto ao local que ela será gravada ou implantada – mão direita ou testa – as interpretações dadas que a “testa” representa os intelectuais e a “mão” os trabalhadores braçais, vão muito além de qualquer indício contido no texto sagrado. Isto não tem a menor importância para os que atualmente creem no Senhor Jesus, pois lá não estarão para ver essa ocorrência. Porém, os que ainda não creem e estiverem vivos naquela ocasião, terão que decidir sobre essa “carimbada”, se a aceitam ou morram por recusá-la. Portanto, no dia que se chama “Hoje”, ao ouvir a voz do Senhor, através da Sua Palavra, não endureça o seu coração (Hebreus 3:12-15).

Diante dessas coisas, vejo completamente desnecessário o enorme esforço que é feito atualmente para se descobrir o “número da besta”. Algumas interpretações do número 666 (v. 18) chegam à beira do absurdo. Entendo que o cálculo desse número será desvendado na ocasião oportuna, por aqueles que estiverem presentes na grande tribulação, que terão o discernimento necessário para a conclusão desse enigma que tem atormentado a tantos.

Portanto, meu caro leitor, esse “número misterioso” não deve fazer parte das suas preocupações, pois não é chegado o momento dele ser decifrado. Lembre-se das palavras do consagrado apóstolo Paulo: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas... amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor” (Filipenses 3:20-21; 4:1). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 14

Com este capítulo fecha-se o terceiro grande parêntese deste Livro que contém três capítulos. No 12° vimos o diabo enfurecido contra o Senhor Jesus e a Sua nação de origem – Israel; no 13° o surgimento das duas terríveis “bestas” que causarão grande flagelo àqueles que não as seguirem, e agora, neste capítulo, se desenrolam sete cenas que nos revelam os caminhos de Deus contra a malignidade da trindade satânica que vimos nos dois capítulos anteriores.

PRIMEIRA CENA (vs. 1 a 5) – Diz João: “Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião” (v. 1). Deve ter sido um enorme regozijo para João ao contemplar essa magnífica visão do Senhor Jesus, após ter contemplado a monstruosa tríade diabólica. O Senhor está em pé sobre o monte Sião, aqui na Terra, em Jerusalém, onde outrora foi o poder central do reino de Israel (2 Samuel 5:7). Esta cena é uma prévia da que veremos no momento em que o Senhor Jesus estabelecerá o Seu reino milenar. Este é o verdadeiro Cordeiro, e não aquela abominável criatura que vimos no capítulo anterior que se faz passar pelo Messias.

Com Ele estão os mesmos 144.000 israelitas que vimos no capítulo 7:1-8. Incólumes, apesar de terem passado por uma aterrorizante tribulação. O diabo e suas duas bestas não conseguirão tocar em um único fio de seus cabelos, pois em suas frontes estarão gravados os nomes do Senhor Jesus e o do Seu Pai (v. 1). Enorme equívoco fazem aqueles que afirmam que estes judeus convertidos representam a Igreja de Deus, pois, como já vimos ao longo desta série de crônicas, a igreja será arrebatada antes desse período.

A seguir João ouve uma poderosa voz vinda do Céu (v. 2) que confirma que esta cena está a ocorrer na Terra. A Terra e o Céu estão em comunicação audível. Somente os 144.000 conseguirão aprender esse novo cântico aqui na Terra (v. 3), que será entoado no Céu por aqueles, segundo sugestão de J. Allen, que se converterão no período da tribulação, por certo frutos do testemunho desses 144.000 ao longo dos sete anos de tribulação face à proteção divina que impedirá os furiosos ataques do diabo ao longo desse período. Diz, ainda, J. Allen: “João está ouvindo o grupo que ele verá em pé sobre o mar de vidro no capitulo 15:1-4... Um grupo está no Céu, deu a sua vida pelo Cordeiro, o outro grupo, na Terra, sofreu e foi preservado para o Cordeiro. Ambos se unem num cântico”.

Segundo William MacDonald, esses 144.000 são chamados por Pentecost “como as primícias para Deus e para o Cordeiro, ou seja, trata-se da primeira colheita do período de tribulação que entrará no milênio para encher a terra milenar”. Eles se guardarão de toda e qualquer imoralidade e idolatria. Não aceitarão as mentiras das duas “bestas” e se mostrarão irrepreensíveis quanto ao testemunho acerca do Senhor Jesus (vs. 4-5).

SEGUNDA CENA (vs. 6-7) – Eis que surge o primeiro anjo dos seis contidos neste capítulo. Os três primeiros surgirão antes da aparição do Senhor, e os outros três subsequentemente. Este anjo traz consigo o Evangelho eterno a ser pregado durante o período da tribulação para toda a humanidade (v. 6). Esteja certo, meu caro leitor, se juntarmos todos os comentários sobre o que seria esse Evangelho formaríamos uma imensa pilha em virtude de tantas controvérsias. Sabemos que o Evangelho, a boa-nova de Deus, é único, que revela a coisa mais importante para este mundo incrédulo: a Salvação por meio da fé no Senhor Jesus Cristo. O Evangelho, em si, é eterno, por sempre apresentar o Criador querendo abençoar a Sua criatura.

No entanto, como diz William Mac Donald, o Evangelho pode apresentar ênfases distintas em diferentes dispensações. Durante a grande tribulação o Evangelho buscará afastar as pessoas da adoração à “besta” a fim de resgatá-las para o reino de Deus (v. 7). Certamente esse Evangelho eterno tem tudo a ver com aquele mencionado pelo Senhor Jesus: "E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim" (Mateus 24:14)..

Lembre-se, caro leitor, o conteúdo de Mateus 24 e 25 é iminentemente profético e diz respeito ao período da tribulação e a vinda do Senhor Jesus para estabelecer o Seu reino milenar. Atualmente a ênfase dada é a anunciação da graça de Deus através do sacrifício do Senhor Jesus na cruz, por isso é chamado de o Evangelho da Graça, ao passo que na tribulação o foco será a vinda do Seu reino, por isso o Senhor Jesus mencionou como o Evangelho do Reino. O Evangelho é absolutamente o mesmo em todas as eras porque ele é eterno, apenas o realce será evidenciado. Hoje é o da Graça, em breve o do Reino.

TERCEIRA CENA (v. 8) – Segue-se outro anjo, o segundo desta série, trazendo a mensagem:

“Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição”. Nos capítulos 17 a 18 analisaremos os detalhes acerca do significado e feitos dessa grande meretriz que será introduzida pelas “bestas”, mas que sucumbirá para alegria e triunfo nos céus. Esses capítulos apresentam a Babilônia religiosa (17) e a comercial (18). A religiosa certamente será constituída pelo judaísmo e a cristandade apóstata, formada tanto por católicos e evangélicos, cujas raízes já foram lançadas desde o século passado através do movimento ecumênico, por sinal conspícuo, ou seja, atraente para grande parte da cristandade.

QUARTA CENA (vs. 9-11) – A mensagem que será trazida pelo terceiro anjo será sobremodo terrível. Aqueles que se permitirem “embriagar” com a fúria do vinho da prostituição religiosa babilônica se prostrarão em adoração à imagem da “besta” e carregarão em seus corpos a sua marca identificadora vista no capítulo anterior. Por conta disso, eles estarão sob a ira de Deus e experimentarão o vinho da Sua cólera que será derramado sobre suas cabeças conforme veremos nos capítulos 15 e 16, que descrevem sobre as sete taças cheias das últimas pragas a serem lançadas sobre a Terra.

Realmente há uma horrível expectação! Essas pessoas serão atormentadas pelo fogo e enxofre, seus tormentos serão intermináveis – pelos séculos dos séculos – não haverá descanso diuturnamente. A palavra “atormentado” no original –“bazaniso” – é muito mais terrível do que “adunao” que é usada para descrever os tormentos do “rico” em Lucas 16:24. A expressão aqui usada dá a ideia de uma dor sem fim e nenhum alívio. Diz J. Allen: “Ela é equivalente à expressão “fogo que nunca se apagará” usada por Cristo (Mateus 3:12; Lucas 3:17)”. Em nenhum momento é dito que os incrédulos serão aniquilados após a morte, seus sofrimentos serão perpétuos.

Valho-me em Deus, meu caro leitor, que desde agora me livra de passar pela grande tribulação e dessa ira vindoura (1 Tessalonicenses 1:10; 5:9). Não por alguma obra que eu tenha feito, mas por aquilo que o Senhor Jesus fez para todos nós. Espero que esta seja a sua idêntica certeza e confiança.

QUINTA CENA (vs. 12-13) – Após essas angustiantes revelações João escreve:“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (v 12). Aqueles que naquele período perseverarem até o fim serão salvos, conforme Mateus 24:13. Entendamos aqui como a salvação física para entrar no reino milenar do Senhor Jesus. Já houve quem exclamasse diante desta cena: “Seria melhor sofrer a morte física sob o domínio da “besta” do que compartilhar com ele a morte eterna”. Acerca disso disse Jesus: “Não temais os que podem matar o corpo e não podem matar a alma; temeis antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma” (Mateus 10:28).

Em seguida vemos uma mensagem divina vinda diretamente do Céu, sem a intermediação de um anjo: “Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” (v. 13). Esta é a segunda bem-aventurança que lemos neste Livro. Os cristãos convertidos ao longo da tribulação não serão privados das bênçãos dos céus e do reino milenar. Mais uma vez confirma-se que tudo aquilo que é feito para o Senhor Jesus será recompensado. Estes morrerão por causa da violenta perseguição da “besta”. Aqueles que os condenarão o farão por julgarem que eles serão merecedores da morte por causa da fé que trazem, mas no Céu, para onde irão as suas almas, serão considerados “bem-aventurados”. Os adoradores da “besta” jamais descansarão dos seus tormentos, por sua vez estes descansarão das suas fadigas para todo o sempre.

SEXTA CENA (vs. 14-16) – Esta e a próxima cena são bastante controversas. Vemos em ambas duas figuras de linguagem: a ceifa (colheita de cereais) e a vindima (colheita de uvas). Muito se tem debatido se a “ceifa” que vemos citada neste trecho (vs. 14-16) se refere à bênção para os justos ou o juízo para os ímpios.

William Kelly transmite sua interpretação a respeito: “Em resumo, temos nestas duas cenas – a ceifa (vs. 14-16) e a vindima (vs. 17-20) – as duas grandes formas do juízo final; sendo a ceifa o julgamento em que o justo será separado do malfeitor, e a vindima o tombar da cólera sobre uma religião apóstata”. Por outro lado, William MacDonald não fecha questão a esse respeito. Ele entende que a primeira ceifa “pode” retratar a reunião dos cristãos convertidos na tribulação para entrarem no milênio, correspondendo aos “filhos do reino” nas parábolas do reino contidas em Mateus 13, mas é possível que seja uma “ceifa” para julgamento.

Portanto, a interpretação dada por R. David Jones afasta as possíveis dúvidas: "A colheita é frequentemente usada como o símbolo do fim de um período de tempo, quando o povo é reunido para ser julgado, como na parábola do joio e do trigo (Mateus 13.24-30). Temos aqui a proclamação da ordem dada por Deus a Cristo para que Ele pessoalmente ponha um fim aos "tempos dos gentios", saindo para julgar as nações. Ele obedece imediatamente. Tendo sido o Semeador da boa semente (Mateus 13.37) é apropriado que Ele seja o Ceifeiro também, com os Seus anjos (Mateus 13.39)”.

Ao contemplarmos esta sexta cena, vemos João tendo a visão do Senhor Jesus vindo entre as nuvens para ceifar a terra, e a terra será ceifada. A ordem transmitida do Trono de Deus é incisiva: “chegou a hora de ceifar... a seara da terra já secou”. O tempo para a colheita estará determinado, a Terra terá que ser limpa de tudo de ruim que foi semeado pelo diabo, antes que seja estabelecido o reino milenar do Senhor Jesus.

Esta ceifa nos remete à separação contida na parábola do joio em Mateus 13:30..."Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro". Para um melhor entendimento não deixe de ler a explicação dada pelo Senhor Jesus acerca dessa parábola em Mateus 13:35-43. O “trigo” representa os que entrarão no Seu reino milenar, o “joio” aqueles que parecem ser de Cristo, mas não são, irão para tormentos eternos (Apocalipse 20:15).

SÉTIMA CENA (vs. 17-20) – Por sua vez, a colheita das uvas nos fala de um terrível juízo. A videira é o símbolo de Israel nas Escrituras (Isaías 5:1-7; Jeremias 2:21, 6:9). É chegada a hora de Israel, a colheita não pode ser adiada. Israel se tornou em "uvas bravas" na medida em que recebeu “o falso profeta” como o seu Messias. Não fazem parte da videira verdadeira que é o Senhor Jesus (João 15:5-6). Como vemos na parábola dos lavradores maus o Dono da vinha os exterminará (Marcos 12:9). Nesta cena vemos a chegada deste momento.

O resultado dessa colheita lemos nos versículos 19 e 20. O anjo colherá os "frutos" dessa falsa videira e os lançará no grande lagar do furor da ira de Deus, que simboliza um tanque em que serão esmagados. Este é o lagar que veremos em Apocalipse 19.15. Diz R. David Jones acerca disso: "Mediante a profecia de Isaías 63 temos uma descrição da participação nela do Senhor Jesus. Esse lagar abrangerá toda a terra de Israel, indo ao sul até Edom e Bozra (Jordânia). Tão grande será o morticínio que o sangue subirá a uma altura de 1,2 m nos vales, por 320 km. Será a ocasião quando a terra se embriagará de sangue (Isaías 34.7-8)". A revelação é clara, o julgamento será radical. Todo e qualquer vestígio de hostilidade contra Deus será sumariamente exterminado.

Este parêntese se encerra revelando esse trágico acontecimento. Para seu conforto, prezado leitor, atente para o que diz Paulo em 1 Tessalonicenses 1:10. Aqueles que verdadeiramente creem em Deus aguardam a vinda do Seu Filho, a Quem Ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra da ira vindoura. Que esta seja a sua certeza. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 15

Após o interregno formado pelos três capítulos anteriores, voltamos, neste 15° capítulo, à ordem cronológica dos acontecimentos apocalípticos que fora suspensa ao soar da sétima trombeta (11:15-19). Este é o menor capítulo contido no Apocalipse, com apenas oito versículos, onde são descritos os preparativos que antecedem aos últimos tremendos flagelos que recairão sobre a humanidade (16:1-21). E assim estarão consumados os juízos estabelecidos por Deus para este mundo que estará sob o domínio da tríade satânica.

Diz-nos o versículo 1: “Vi no céu outro sinal grande e admirável: sete anjos tendo os sete últimos flagelos, pois com estes se consumou a cólera de Deus”. Aqui estão descritos como os “sete últimos flagelos” da série de quatro, três deles já vistos anteriormente, a saber:

I – OS SETE SELOS (capítulos 6:1-17 e 8:1-8)

  1. O cavalo branco, cujo cavaleiro disseminará imenso engano;
  2. O cavalo vermelho, que precipitará grande beligerância;
  3. O cavalo preto, que conduzirá a humanidade a uma falsa prosperidade que produzirá fome;
  4. O cavalo amarelo, que trará grande pestilência e levará milhões de pessoas à morte;
  5. A oração dos santos que foram sacrificados durante a primeira parte da tribulação;
  6. Acontecimentos cósmicos que levarão grande pânico aos habitantes da Terra;
  7. O último selo, cujo conteúdo será o anúncio das sete trombetas dos juízos de Deus.

II – AS SETE TROMBETAS (capítulos 8:7-13; 9:1-21 e 11:15-19)

  1. A terça parte da Terra, das árvores e das plantações serão queimadas;
  2. Um terço da criação existente nos mares será extinta;
  3. Os rios serão envenenados e um terço da população perecerá;
  4. Um terço do sistema estelar será tremendamente abalado e haverá trevas parciais;
  5. Terríveis “gafanhotos” assombrarão a humanidade por longos cinco meses;
  6. Um imenso e cruel exército devastará o mundo;
  7. A última trombeta trará os sétimos últimos flagelos sobre a Terra (capítulo 16:1-21).

III – OS SETE TROVÕES (capítulo 10:4)

Não sabemos o seu conteúdo, João foi impedido de revelá-lo: “Logo que falaram os sete trovões, eu ia escrever, mas ouvi uma voz do céu, dizendo: Guarda em segredo as coisas que os sete trovões falaram e não as escrevas”. Sem dúvida será algo extremamente amargo que pegará de surpresa os usurpadores deste mundo. Escreve a respeito R. Watterson: “Estes sete trovões são, obviamente, mais uma série de sete juízos divinos, mas não podem ser revelados. Foi mandado a João que selasse estas mensagens e não as escrevesse; compare com Daniel 12:4 ... e com a proibição a Paulo em 2 Coríntios 12:4. Provavelmente se trata de juízos tão terríveis que não podiam ser revelados”. Portanto, caro leitor, não devemos especular sobre aquilo que Deus reservou para a sua exclusiva revelação em tempo oportuno.

A seguir, nessa estupenda visão de João, ele relata: “Vi como que um mar de vidro, mesclado de fogo, e os vencedores da besta, da sua imagem e do número do seu nome, que se achavam em pé no mar de vidro, tendo harpas de Deus” (v. 2). Nós já lemos sobre este mar. É o mesmo que vimos no capitulo 4:6. Mas há uma diferença! Naquela oportunidade João estava tendo a visão do Trono de Deus, e lá estava a Igreja de Deus arrebatada, simbolizada pelos vinte e quatro anciãos, antes do início do período da tribulação: “Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás”. Repare que naquela passagem o mar é translúcido, puro como cristal, que denota a santidade e a pureza da morada do Deus, ao passo que, nesta nova visão de João, o mesmo mar agora está mesclado com fogo e, como sabemos, o fogo simboliza nas Escrituras o Juízo de Deus.

Em pé sobre esse mar João identifica o grupo de mártires que morreram na segunda metade da tribulação por terem recusado a prestar adoração à imagem da “besta”, que vimos no capítulo 13, e tampouco permitiram levar sobre seus corpos a marca bestial. Por certo a esse grupo estão agregados os mártires da primeira parte da tribulação que “sob o altar” clamavam a Deus por justiça (6:9-11). Acerca destes, comenta J. Allen: “Multidões da Terra sucumbirão ao embuste da “besta”; outros se conformarão politicamente e se prostrarão a sua imagem; outros por motivos puramente comerciais aceitarão o número do seu nome. Estes santos ficarão à parte, e morrerão por causa da sua separação; o Céu os chamará de vitoriosos”.

Fantástica a visão que João teve daqueles que foram terrivelmente martirizados. Vemo-los no Céu a entoar “o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos” (vs. 3 e 4). Difícil não sermos levados pela emoção ao lermos tão grande manifestação de júbilo a Deus. O regozijo deles é sobremodo contagiante pela antevisão que terão daquilo que estará por acontecer àqueles que os assassinaram por não transigirem com a inabalável fé que possuíam em Deus.

O texto sagrado nos revela que eles estarão a entoar dois cânticos – o de Moisés e o do Cordeiro. Por certo o de Moisés é em semelhança daquele que encontramos em Êxodo 15:1-19, entoado às margens do grande mar após a extraordinária vitória de Israel sobre o feroz inimigo – o faraó; por sua vez, o do Cordeiro é em exaltação à pessoa do Senhor Jesus, que apesar do martírio que sofreram, estarão livres eternamente das garras de um inimigo ainda mais terrível – o diabo. W. MacDonald cita A.T. Pierson: “Nos dois extremos da história da Redenção, encontra-se toda a história do povo resgatado por Deus”.

“Depois destas coisas, diz João, abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho, e os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário, vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro”(vs. 5 e 6). Esses emissários de Deus se apresentam de forma majestosa. Com eles estarão as setes taças que representam a “ira de Deus” que será derramada sobre a humanidade que tanto estará a debochar de Deus. Os sete últimos flagelos são irreversíveis! Esses anjos foram preparados para executar o justo juízo por meio do qual Deus será glorificado. Os blasfemadores serão severamente punidos. Nada os poderá livrar desses terríveis flagelos, cujas consequências veremos no próximo capítulo.

“Então um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos. O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos” (vs. 7 e 8). Essas taças estarão “cheias” a ponto de transbordar, revelando que nada mais poderia ser colocado nelas. Os “quatros seres viventes” são os mesmos que vimos no capítulo 4:6-9. Além de adoradores eles são os executores dos propósitos de Deus. Nesse momento o Santuário no Céu se encherá da Glória de Deus. A mesma nuvem de fumaça de outrora, novamente estará presente. Quando da dedicação do Tabernáculo no deserto, a Glória de Deus encheu o recinto de tal maneira que impediu a entrada de Moisés (Êxodo 40:34-35). O mesmo aconteceu com o primeiro Templo edificado por Salomão (2 Crônicas 5:13-14; 7:1-2). A Glória de Deus encheu sobremodo a Casa do Senhor que os sacerdotes não conseguiam entrar. O antigo profeta do passado teve uma visão semelhante: “As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça” (Isaías 6:4).

Sem dúvida, como fora no passado, este será um momento intensamente solene. Assim como naquele tempo ninguém conseguia entrar nos santuários terrenos enquanto a Glória de Deus estava presente, da mesma forma ninguém poderá entrar no Santuário de Deus, no Céu, enquanto não se cumprirem os sete flagelos pelos sete anjos (v. 8). Nenhuma intercessão poderá deter a ira de Deus. Isso nos remete a Lamentações 3:44... “De nuvens te encobriste para que não passe a nossa oração”. Nada impedirá que se cumpram os juízos de Deus sobre a Terra. A paciência de Deus estará esgotada para com a humanidade rebelde.

No próximo capítulo veremos as graves consequências desses flagelos, caro leitor. Este é um momento de profunda e urgente reflexão. Pense nisso! Se você crê nessas verdades absolutas, lembre-se daqueles que estão ao seu redor e poderão estar entre os que passarão por esse imenso assombro. Você poderá evitar que isso aconteça através do seu testemunho de fé. Como diz Paulo,"conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas... cumpre cabalmente com o teu ministério" (2 Timóteo 4:1-4). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 16

Chegamos ao 16° capítulo e nele contemplamos a chegada do dia da grande ira de Deus sobre a humanidade incrédula. João ouve uma grande voz vinda do Santuário de Deus dizendo aos sete anjos aparelhados para aquele terrível dia:“Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus” (v. 1). Que diferença brutal desse “ide” daquele que ouvimos do Senhor Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Portanto, para uma verdadeira compreensão do texto sagrado há que se considerar as dispensações.

Absolutamente nada poderá impedir a chegada desse dia. O verbo está conjugado no modo imperativo afirmativo que expressa uma ordem de Deus que em nenhuma hipótese poderá deixar de ser cumprida. Aqueles que desprezaram e caçoaram do Evangelho que os pouparia da ira vindoura agora estarão debaixo de severa punição.

“Saiu, pois, o primeiro anjo e derramou a sua taça pela terra, e, aos homens portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem, sobrevieram úlceras malignas e perniciosas” (v. 2). O impacto da primeira taça será sobre todos aqueles que trouxerem em seus corpos a marca da “besta” e prestarem adoração a sua imagem, serão afligidos por terríveis tumores malignos na pele, a exemplo do que ocorrera no passado quando da sétima praga derramada sobre o Egito. Naquela ocasião, os magos do Faraó nada puderam fazer para aliviar o castigo enviado por Deus através de Moisés, porque foram gravemente atingidos pelos tumores: “havia tumores nos magos e em todos os egípcios” (Êxodo 9:11). O mesmo ocorreria caso o povo Deus não obedecesse aos Estatutos de Deus transmitidos por Moisés, seriam acometidos de úlceras malignas, as quais não poderiam ser curadas, desde a planta dos pés ao alto da cabeça (Deuteronômio 28:35).

“Derramou o segundo anjo a sua taça no mar, e este se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que havia no mar” (v. 3). Quando do juízo da segunda trombeta (Apocalipse 8:8-9), a “terça parte” da criação dos mares e as embarcações neles existentes serão destruídas, o que restar de vida marítima agora será completamente exterminado. Literalmente haverá um “mar de sangue” desde a orla até às profundezas dos oceanos.

Algo semelhante ocorrerá através do terceiro anjo: “Derramou o terceiro a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue” (v. 4). Ao soar da terceira trombeta (Apocalipse 8:10-11) “um terço” das águas potáveis existentes sobre a Terra tornar-se-ão amargosas, agora “todas” se transformarão em sangue. A esta altura o reino das trevas começará a se sentir abalado. Assim como ocorrera com a primeira praga sobre o Egito, os egípcios sentiram nojo e não conseguiam beber a água do rio que se tornará em sangue. Naquela ocasião eles cavaram poços para encontrar água, pois da água do grande rio não puderam beber durante sete dias (Êxodo 7:14-25), mas agora isso não será possível, pois todas as “fontes das águas” estarão contaminadas pelo sangue.

Por certo, prezado leitor, essa enorme quantidade de sangue coagulado trará um odor insuportável sobre a Terra. Sem dúvida, a Ciência não terá explicações acerca dessa gravíssima ocorrência e a humanidade começará a desconfiar de que possa se tratar de um ato divino. Porém, isso será ainda o começo, pois coisas terríveis ainda estarão por vir.

Ao ver essas três primeiras revelações da “cólera de Deus”, João deveria estar estarrecido. Para seu alívio surge um pequeno intervalo e ele ouvirá mais vozes que darão explicações sobre o ocorrido: "Então, ouvi o anjo das águas dizendo: Tu és justo, tu que és e que eras, o Santo, pois julgaste estas coisas; porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sangue lhes tens dado a beber; são dignos disso. Ouvi do altar que se dizia: Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos” (vs. 5 a 7). A esse respeito, diz R. David Jones: "Duas declarações serão feitas: (1) pelo anjo das águas, que os juízos do Santo são justos porque assim como essa humanidade havia derramado o sangue dos santos e dos profetas, Ele agora lhes haveria de dar sangue para beber; (2) e do altar confirmando a justiça do juízo do Senhor Deus Todo-Poderoso. A voz estará vindo provavelmente das almas dos mártires da tribulação, satisfeitas com a vingança de Deus (Apocalipse 6:9-11)”. Estes acontecimentos nos remetem ao cântico de Moisés: "A mim me pertence a vingança, a retribuição, a seu tempo... porque o dia da sua calamidade está próximo, e o seu destino se apressa em chegar. Porque o Senhor fará justiça ao seu povo" (Deuteronômio 32:35-36).

"O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo. Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória" (vs. 8-9). Quando do juízo emanado pela quarta trombeta houve a redução de "um terço" do brilho de todo sistema estelar (Apocalipse 8:12-13). Ao derramamento desta quarta taça da ira de Deus, os dois terços restantes do brilho do sol produzirão uma insuportável radiação solar que trará gravíssimas consequências aos seres humanos blasfemadores. Eles reconhecerão que estarão sendo submetidos ao juízo de Deus, mas ainda assim não se arrependerão para Lhe dar a glória devida, ao contrário, amaldiçoarão a Deus pelo calor abrasador que os queimará. Consagrados profetas do passado previram isso: "Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão" (Isaías 24:6); "Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo" (Malaquias 4:1). Interessante o contraste citado por J. Allen nesta passagem: “A bênção física dos que entrarão no reino milenar estará em grande contraste com estes terríveis dias da Tribulação, quando será dito aos seguidores do Cordeiro: “nem cairá sobre eles o sol, nem calor algum”(Apocalipse 7:16). Imagine, caro leitor, as consequências que haverá sobre a Terra. Esse imenso calor por certo provocará o derretimento das calotas polares e as consequentes enchentes sobre a Terra trarão uma imensa devastação.

"Derramou o quinto anjo a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras" (vs. 10-11). O reino satânico estará sob intensas trevas! Cumprir-se-ão então as profecias dos antigos profetas: “O sol e a lua se escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor... grande é o dia do Senhor, e mui terrível! Quem o poderá suportar?” (Joel 2:10-11); "Aquele dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas" (Sofonias 1:15). Será uma situação desesperadora tendo em vista que estarão sofrendo cruciantes dores pelas queimaduras solares e pelas chagas das úlceras que estarão a lancinar seus corpos feridos. A total ausência de luz exacerbará seus sofrimentos a ponto de morderem a própria língua diante de tamanho terror que estará ocupando as suas mentes. Apesar de tão grande angústia, eles não se arrependerão de suas más obras e das blasfêmias contra o Deus Todo-Poderoso. Com respeito a essa escuridão, vimos algo semelhante quando da nona praga sobre o Egito. Houve três dias de espessas trevas sobre toda terra egípcia e somente nas habitações do povo de Deus havia luz (Êxodo 10:21-23). Por inferência, assim como ocorrera no passado, o povo de Deus na época dessa terrível tribulação será poupado desses acontecimentos.

"Derramou o sexto anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol. Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso” (vs. 12-14). Face aos acontecimentos ocorridos com os juízos das taças anteriores, o império satânico estará estremecido. A estiagem completa do Eufrates levará a trindade satânica a uma tresloucada atuação para arregimentar um imenso exército para “a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso”. É impressionante, caro leitor, como o diabo continuará mantendo a absurda ideia de que poderá vencer a Deus. Todavia, a sua ruína final será irrevogável.

Espíritos demoníacos serão lançados ao mundo inteiro para promoverem um grande estado de beligerância com o intuito de ajuntarem as nações para essa culminante batalha. O mundo estará combalido pelos acontecimentos descritos nas taças anteriores e será levado a crer que a única forma de se safar dessa horrível situação será o de entrar nesse imenso conflito contra Deus pelos juízos por Ele lançados sobre a humanidade rebelde.

Eis que surge um breve parêntese de grande alívio na visão de João: “Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha” (v. 15). Sem dúvida uma mensagem de grande alento para os fiéis que se recusarão a seguir a “besta”. Dentre estes estarão os judeus que escaparão da diabólica perseguição e se encontrarão refugiados conforme os ensinamentos dados pelo Senhor Jesus em Mateus 24. Quando atentarem para esse pavoroso ajuntamento militar eles perceberão que a vinda do Senhor Jesus deixou de ser iminente e passou a ser imediata. Para o povo de Deus à época será uma enorme bem-aventurança, mas para aqueles que não O esperam e nem desejam a Sua vinda, esse dia será inesperado como a chegada do ladrão.

“Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom. Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu grande voz do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está!” (vs. 16-17). O local dessa batalha está determinado e é chamado de Armagedom. Muito se tem escrito a esse respeito para a identificação dessa localidade. Todavia, sabermos agora com extrema exatidão o local dessa grande hecatombe não deve fazer parte das nossas conjecturas. O que é mais relevante neste versículo é a expressão do sétimo anjo que derramará a sétima e última taça da ira de Deus: “Feito está!”. Essa exclamação nos leva à conclusão que a ira de Deus estará consumada, e a vinda do Senhor Jesus para derrotar as hostes malignas estará prestes a acontecer.

Esse último flagelo será tremendo: "E sobrevieram relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte e grande. E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades das nações. E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira. Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados; também desabou do céu sobre os homens grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande" (vs. 18-21). Haverá grandes cataclismos como nunca houve igual na história da humanidade. Diz-nos R. David Jones acerca dessa grande tragédia: “A última taça é derramada pelo ar, e o último ato da cólera de Deus nesta série é desfechado, resultando em catástrofes imensas: o maior terremoto de todos os tempos terá lugar, destruindo montanhas e ilhas, bem como as cidades das nações. A grande cidade, Jerusalém (Zacarias 14:4 e Apocalipse 11:8), será dividida em três partes, e Babilônia será destruída debaixo do furor de Deus (veremos isto nos capítulos seguintes). A terra será bombardeada com granizo de pedras que pesarão entre 20 e 50 quilos cada uma”. Sobremodo lamentável que diante de tão grande flagelo em vez de se arrependerem eles preferirão manifestar o intenso ódio que têm de Deus.

A Terra será totalmente abalada pelo Deus Todo-Poderoso. Essas ocorrências foram claramente previstas desde a antiguidade e ninguém poderá alegar ignorância: "Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: “Ainda uma vez, dentro em pouco, farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca" (Ageu 2:6); "A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violentamente se moverá. A terra cambaleará como um bêbado e balanceará como rede de dormir” (Isaías 24:19-21). Quanto ao flagelo da chuva de pedras, faz-nos lembrar do ocorrido com a sétima praga sobre o Egito. Grande foi o estrago sobre os egípcios, animais, árvores e plantações, mas os filhos de Israel foram poupados dessa angústia (Êxodo 9:23-26).

Que diremos, pois, diante de tão grandes catástrofes? Pessoalmente louvo ao bendito Deus que desde já me livra da ira que está por vir sobre um mundo tenebroso que estará sob o domínio de uma turba maligna, e assim será feito a todo aquele que receber o Senhor Jesus como Redentor (1 Tessalonicenses 1:10). Bem haja, caro leitor, que esta seja a sua fé. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 17 (1)

Após contemplarmos o desenrolar da grande ira de Deus no capítulo anterior, surge agora o último dos quatro grandes parênteses contidos em Apocalipse, que vai do capítulo 17 até o versículo 20 do capítulo 19. Esses interlúdios são postos em permeio à sequência dos acontecimentos apocalípticos a fim de que se destaquem importantes fatos para compreensão do texto sagrado, ao desconsiderá-los alguém poderá cometer grandes equívocos, daí surgirem tantas controvérsias sobre este importante Livro. A sequência natural, após este grande intervalo, será a vinda de Cristo para extinguir o império demoníaco a ser aqui instalado; aplicar severa derrota às duas “bestas”, e estabelecer o Seu Reino milenar, conforme veremos no desenrolar do capítulo 19.

Após a visão dos terríveis juízos que cairão sobre Terra com o derramamento das taças da ira de Deus, um dos sete anjos encarregados de transmitir esses flagelos diz a João: “Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas, com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra” (vs. 1 e 2). Não são poucas as polêmicas levantadas acerca dessa “grande meretriz”, todavia, no descortinar dos textos contidos neste e no próximo capítulo, veremos que se trata do “sistema religioso” que será imposto à humanidade incrédula pelo diabólico governante mundial, e do ressurgimento da antiga e quase extinta cidade babilônica que provavelmente será reedificada durante o império da “besta” (v. 18... “A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra”, compare com 18:21... “Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será achada”).

Grande é a quantidade dos comentários sugerindo que essa “grande cidade” seria Roma e me impressiona o esforço que é feito para que haja o ressurgimento do império romano. Como já disse anteriormente, o que restou desse império foi o Vaticano que se tornou o remanescente daquele reino. Os que interpretam como sendo Roma, por certo estão impactados com o teor do versículo 9... “as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis”. Roma é tida como a cidade das “sete colinas”, todavia no mesmo texto há a indicação de que se trata de sete governantes.

A respeito de que esta cidade não seria Roma, diz-nos J. Allen: Os sete montes não são dados como sinal de “identificação” de qualquer cidade. Isto é uma interpolação interpretativa feita por comentaristas e somente deturpa o quadro... Quando a mulher está assentada sobre “as muitas águas” (v. 1), devemos entender isto de forma metafórica, pois este fato é interpretado no v. 15; quando a mulher está assentada “sobre uma besta de cor escarlate”, isto também é simbólico; portanto quando ela está assentada “sobre sete montes”, isto também precisa ser simbólico. Em nenhum desses casos há qualquer justificativa para compreender a localização como literal. A interpretação angelical é clara: “As sete cabeças (simbólicas) são sete montes (metafóricos)... e são também sete reis (históricos)” ... A Babilônia nunca foi destruída da maneira descrita em Isaías, capítulos 13 e 14, e por Jeremias, capítulos 50 a 52, portanto a reconstrução da Babilônia não é meramente uma interpretação possível, mas que o cumprimento das Escrituras exige isto.

Pessoalmente, não entendo a grande discórdia que há entre os comentaristas para “identificar” essa cidade, a meu ver tanto faz que seja Roma ou Babilônia, pois o que importa é o que ela de fato personifica no contexto dos acontecimentos futuros, ou seja, o seu caráter e não a sua localização. Inobstante a isso, convém lembrar que as sete colinas de Roma não mais existem na sua forma original. Além disso, há registros históricos que Jerusalém, à época de João, era conhecida como a grande cidade dos sete montes, talvez, por esta razão, surgem comentaristas que entendem que Jerusalém seria a cidade mencionada neste capítulo. Sem dúvida, grande é a confusão criada em torno deste assunto.

Claro que devemos respeitar os entendimentos em contrário, mas a clareza de interpretação de J. Allen dispensa acréscimos. Portanto, segundo ele, a “grande cidade” não será Roma, mas a antiga cidade babilônica que será reedificada pela “besta” e por certo se tornará a sede do seu governo imperial. Convém lembrar que historicamente algo semelhante já ocorreu através de Constantino que transferiu a sede do império romano, por mais de meio século, para Bizâncio, também conhecida à época como a Nova Roma, chamada após a morte do imperador de Constantinopla, onde hoje é Istambul, a maior cidade da Turquia. Constantinopla rivalizou durante séculos com Roma como capital da cristandade e mesmo depois da conquista muçulmana continuou a ser a sede da igreja “cristã” ortodoxa. Portanto, não seria nenhuma novidade a “besta” estabelecer o seu governo central fora das fronteiras romanas.

Você, caro leitor, poderá ponderar: “Mas o que resta da antiga Babilônia, cujas ruínas se encontram na cidade de Al Hillah, na província Babil, atual Iraque? O que dizer, então, do atual Iraque que se tornou terra arrasada pela recente guerra com a coalizão militar liderada pelos USA?” Há que se considerar algo importante: Como as duas “bestas” terão o poder político de reconstruir o Templo em Jerusalém, no período da tribulação, que não será algo fácil perante os árabes, a reconstrução da Babilônia será uma tarefa mais tranquila, pois será aprazível ao mundo arábico e esta poderá ser uma forma compensatória pelo agrado dado aos judeus. Convém ressaltar que não devemos ficar limitados ao que hoje vemos, pois esses acontecimentos se darão ao longo do período da tribulação, sob o jugo da tenebrosa “besta” que promoverá grandes alterações geopolíticas no mundo atual.

Neste capítulo vemos o sentido “religioso” dessa “grande meretriz” e no próximo capítulo o seu aspecto “comercial”. Por sinal, em nossos dias não estamos tão distantes disso, basta observarmos o rápido crescimento do lucrativo negócio que se tornou o atual segmento tido como religioso, que de espiritual nada tem. Quanto à única religião a ser estabelecida pelas “bestas”, diz W. MacDonald: A babilônia religiosa certamente inclui a cristandade apóstata, tanto católica quanto protestante. É bem possível que represente a igreja ecumênica.

Portanto, as raízes dessa ignomínia já foram lançadas desde o século passado através do movimento ecumênico que conta com participação de várias denominações evangélicas que se submetem ao jugo papal; de fato estão a lançar os fundamentos da “igreja apóstata”. A expressão “muitas águas” revela que esse domínio religioso será global (v. 15... “Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas”), muitos se “embriagarão” com a sua maligna religiosidade cuja influência alcançará um incontável número de pessoas que estará em absoluta desgraça, e o pior, sem se aperceberem disso.

Durante essa visão, João é trasladado em espírito pelo mencionado anjo ao deserto e lá contempla essa “religião apóstata” numa estranhíssima figura de uma mulher, vestida de forma extravagante, montada numa “besta” escarlate repleta de nomes de blasfêmias e que possuía sete cabeças e dez chifres (vs. 3 e 4). A “besta” já é nossa conhecida, é a mesma que vimos no capítulo 13, todavia aqui está com a mesma cor vermelha do “dragão” – o diabo – descrito no capítulo 12, que não deixa de ser um dado revelador, pois está a demonstrar que nesta visão o bestial imperador, sob o comando do seu gestor, já estará no ápice do seu governo sobre as nações que a ele se submeterão.

Essa visão traz, a princípio, a suposta ideia de que esse sistema religioso estará a dominar o império da “besta”, assim como ocorreu ao final do extinto império romano, através da igreja católica. Essa aparência é enganosa, a “besta” não se deixará dominar por aqueles que estão em seu entorno, por isso providenciará que essa religiosidade seja destroçada (v. 16) e exigirá adoração exclusiva, através de si, para aquele que o instituirá – o diabo – conforme visto no capítulo 13. Haverá uma única religião no mundo, cuja cabeça será o diabo.

Em seguida João usa a expressão “mistério”: “Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra”, que estava embriagada com o sangue derramado dos santos e das testemunhas do Senhor Jesus (vs. 5 e 6). Quanto a este “mistério”, veremos na segunda parte deste capítulo, “pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (Marcos 4:22-23). Considere atentamente o que você está a ouvir, caro leitor. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 17 (2)

A crônica anterior foi encerrada com um “mistério” contido no versículo 5 deste 17° capítulo. Na fronte da estranha figura da mulher nele revelada, a qual representa o sistema religioso e comercial que será instituído em meio à grande tribulação, está escrito algo que o anjo desta revelação destaca como sendo misterioso: “Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra”. De plano, as pessoas são levadas equivocadamente a uma postura mística diante da expressão “mistério”, todavia o Senhor Jesus deixou asseverado que “nada há oculto, que não seja revelado, nem escondido, que não venha a ser conhecido” (Lucas 8:17). Não existe nada de “místico” nessa assertiva angelical, afirmações nesse sentido não passam de bobagens criadas pelos ocultistas, prática esta que lamentavelmente campeia entre vários que se identificam como “cristãos”, mas que por suas práticas se desqualificam e deixam revelado que não passam de meros rótulos institucionais.

Por oportuno, em crônica recente acerca da expressão de Paulo contida em 1 Coríntios 2:7, Jayro Gonçalves deixou asseverado o entendimento correto sobre o significado de “mistério” nas Escrituras: “A palavra “mistério” no Novo Testamento tem o sentido de algo que está sendo revelado, não alguma coisa que nos mistifica. Nesse sentido o ensino de Paulo é que Deus Se revela aos que dEle se aproximam em Cristo. O conhecimento de Deus é, pois, “misterioso” no sentido de que o homem natural, agindo por suas próprias faculdades, não pode recebê-lo (1 Coríntios 2:14)... Uma verdade antes oculta, agora revelada por Deus e aceita somente pela fé... não tem o caráter de misterioso ou enigmático que o homem tem dificuldade em resolver, mas um segredo que ao homem é totalmente incapaz de penetrar... Paulo diz “outrora oculto”, acentuando o fato de que os homens que não estão em Cristo estão ainda às escuras em relação a tal segredo”.

Diz também acerca disso R. David Jones: “Vemos que os mistérios da Bíblia são realidades antecipadamente conhecidas por Deus e reveladas na ocasião oportuna para a sabedoria da humanidade, em contraste com a sabedoria resultante da filosofia humana (veja especialmente 1 Coríntios 2:1-16 e compare com Mateus 11:25). O contraste não consiste em que a filosofia é humanamente compreensível enquanto os mistérios estão obscurecidos, mas que a filosofia é produto de pesquisa intelectual humana, enquanto os mistérios são revelação divina e se discernem espiritualmente... A fé cristã não tem doutrinas secretas, pois seus mistérios são revelações feitas à humanidade por Deus pelo Seu Espírito em tempo oportuno de coisas que Ele, ciente de tudo, já sabia antecipadamente”.

Portanto, por definição, a palavra “musterion” contida nas Escrituras tem o significado etimológico de uma revelação divina que não pode ser alcançada pela inteligência, filosofia ou sabedoria humana sem o auxílio de quem a explicitou: o próprio Deus. Deixando, pois, o misticismo de lado, prossigamos ao que interessa.

Diante daquele “mistério” representado por aquela extravagante personagem (v. 5), prossegue João: “Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto” (v. 6). Por certo a cena não foi nada agradável aos seus olhos e grande foi o espanto do consagrado apóstolo. Imaginemos, caro leitor, a figura grotesca que ele estava a contemplar! A figura simbólica de uma mulher completamente bêbada e totalmente ensanguentada pelo martírio que será cruelmente aplicado àqueles que estarão a professar o senhorio do Senhor Jesus Cristo em suas vidas durante o trágico período da grande tribulação que está por vir. Sem dúvida, imensa foi a tristeza de João diante daquela visão.

Mas, de pronto, chega a ele o socorro esclarecedor: “O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá (vs. 7-8). Não há dúvida, apesar da interpretação dada pelo anjo, o contexto destes dois versículos não é de fácil entendimento, principalmente o versículo 8. Portanto, diante da dificuldade deixemos que prevaleça exclusivamente o que está revelado nos textos bíblicos, deixando de lado as interpolações pessoais ainda que não tenhamos uma compreensão exata neste momento.

O que estaria a dizer o anjo com a expressão: “a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição”? Note bem, caro leitor, o que ele está a afirmar em outras palavras: A “besta”, que viste surgir para ser o grande líder do império diabólico a ser instalado neste mundo, saiu de cena e agora está de volta! A esta altura convém que seja lembrado que estamos nos inícios do último grande parêntese profético, dos quatro existentes neste Livro, portanto o texto nele contido não faz parte da sequência cronológica dos acontecimentos, se assim não entendermos jamais chegaremos a uma compreensão exata dos fatos descritos por João. Vamos a eles:

1. “a besta que viste” – A quem o anjo está a se referir? Sem nenhuma dúvida ao abominável ente visto por João no capítulo 13:1-10 (que faz parte do terceiro grande parêntese). Nele João teve a revelação acerca do grande líder que surgirá e submeterá este mundo ao seu domínio, inspirado pelo seu gestor, o diabo, que proporcionará a esse bestial líder “autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação” (13:7). Como diz J. Allen, “a ‘besta’ terá uma ascensão meteórica em autoridade e poder, e certamente estará sendo capacitada antes de se revelar no início da grande tribulação. O que é aqui enfatizado é que ela já teria uma história antes deste ponto central da tribulação”.

2. “era e não é” – Conforme narrado no mesmo capítulo 13, João teve a seguinte visão: “Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte” (13:3a). A chaga mortal levará as pessoas a entender que o grande líder foi morto, ou seja, “não é” mais. Mas repentinamente ele voltará em grande estilo, de crueldade é claro. Isto fará parte do jogo de cena do diabo para que o mundo, em um breve espaço de tempo, se sinta desorientado pela aparente morte da “besta”, mas posteriormente as pessoas ficarão admiradas pelo seu surpreendente “ressurgimento”, pois a sua ferida mortal será curada e toda a terra se maravilhará seguindo a “besta” (13:3b).

3. “está para emergir do abismo” – Como resultado da aparente morte, haverá a pseudorressurreição da “besta”. Isto já foi visto no segundo grande parêntese, que descreve o ministério das duas testemunhas de Deus que serão mortas pela “besta” ressurgida do “abismo” (11:7). Afinal, que “abismo” é esse? R. Watterson escreve a respeito: “Não significa o inferno onde estão aqueles que morrem sem a salvação, nem significa o lago de fogo, onde os perdidos sofrerão eternamente, mas é o lugar onde os demônios podem ficar presos (Lucas 8:31) e onde Satanás ficará preso durante o Milênio (Apocalipse 20:1-3)”. Portanto, o “abismo” é uma figura apocalíptica para o “reino satânico”, e desse contexto a “besta” reaparecerá “corporificada” pelo mal, pelas forças diabólicas do “abismo”, para reassumir o seu império, não se tratando, portanto, de uma ressurreição, mas de um engodo.

Mas como acontecerá essa “corporificação”, se a “besta” é um ser humano como nós? Esse assunto é um campo vasto, que procurarei resumir. Há quatro níveis de ação demoníaca: opressão, obsessão, sujeição e possessão. Todas as pessoas, inclusive os cristãos, não estão isentos da “opressão” demoníaca por meio das tentações, que envolvem a cobiça dos olhos, da carne e a soberba da vida; a “obsessão” é a intensa preocupação que a pessoa passa a ter com forças ou fenômenos ocultos, curandeirismo, adivinhações, astrologia (há pessoas que não saem de casa sem lerem o horóscopo do dia etc.); a “sujeição” é a antessala da “possessão”, as pessoas se tornam tão habituadas às mistificações que passam a acreditar em qualquer vento de crendice, menos em Deus; finalmente chega-se à corporificação (“possessão”), ou seja, a habitação demoníaca nas pessoas, algo bastante atuante no Novo Testamento, onde vemos os possessos serem identificados como endemoninhados (Marcos 1:23-27, 32-34; 3:11-12; 3:14-15; 7:25-30; 9:17-29; 16:9; Lucas 10:17; Atos 5:16; 8:7; 16:16-18; 19:12). No retorno da “besta” ela estará completamente “possuída” pelo “abismo”, por certo seu jugo será algo tenebroso, jamais dantes visto pela humanidade. É sobremodo importante deixar aqui ressaltado, que os cristãos autênticos em nenhuma hipótese podem sofrer “possessão” demoníaca, pois é impossível que naquele em que habita o Espírito Santo seja também morada de demônios.

4. “e caminha para a destruição” – Isto veremos ao final deste quarto grande parêntese, quando da vinda do Senhor Jesus como Rei dos reis e Senhor dos senhores para estabelecer o Seu Reino milenar (19:11-16). Haverá um imenso confronto com a “besta” e os exércitos existentes à época, a sua destruição será arrasadora e tanto ela, a “besta”, como o “falso profeta”, serão aprisionados e “lançados vivos dentro do lago do fogo que arde com enxofre” (19:19-20). Tenhamos em lembrança, caro leitor, esses dois terríveis personagens são seres humanos como nós, todavia a serviço do seu senhor, o diabo. Portanto, a expressão “lançados vivos” ao inferno é sobremodo horrenda, pois ali “serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos” (20:10).

Como vemos, em nenhuma hipótese se pode subestimar as artimanhas do diabo, realmente ele é sagaz e fica a serpear a todos que estão ao seu redor a fim de arrastar consigo os desavisados, aqueles que se deixam levar pelos seus enganos, inclusive através das muitas religiões existentes neste mundo que até dizem que creem no Senhor Jesus, mas de fato não servem ao Deus Todo-Poderoso, ao contrário, estão a serviço dos seus próprios deleites.

Na próxima crônica serão analisados os versículos restantes deste capítulo. Enquanto isso, não percamos de vista o que vimos até agora, pois isso poderá significar que muitos estarão a caminho de tormentos eternos pelo silêncio daqueles que têm conhecimento desses fatos e por motivos inexplicáveis permanecem indiferentes. Não pode ser esquecido que todo aquele que deposita uma fé autêntica no Senhor Jesus, não pode ser omisso, pois terá que prestar conta: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão” (1 Coríntios 3:14). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 17 (3)

Após as considerações descritas nas duas crônicas anteriores, vamos aos versículos restantes deste 17° capítulo (vs. 9 a 18) e, com isso, encerrarmos a parte inicial deste último grande parêntese contido neste magnífico Livro. Antes, porém, não se pode deixar de ressaltar a essencial e determinante expressão usada pelo anjo, que demonstra ser necessária uma compreensão acima do entendimento natural para aquilo que ele irá revelar: “Aqui está o sentido, que tem sabedoria” (v. 9); se esse critério fosse cuidadosamente observado, por certo não teríamos tantas controvérsias interpretativas sobre o texto contido neste capítulo.

Conclui-se, até aqui, que nenhuma aplicação ao passado (p.ex: império romano) corresponde de forma satisfatória à exegese deste capítulo. Para entendê-lo é preciso olhar para o futuro, pois a relação da Babilônia com a “besta”, como aqui nos é apresentada, não pode se referir senão a uma época futura, e, como já foi dito, nada tem a ver com a geografia política dos nossos dias, ou nos dias de João, pois tudo será alterado pelo grande líder político – a “besta” – que surgirá e, certamente, estabelecerá uma rigorosa centralização nas relações entre os povos para que tenha domínio absoluto sobre as nações.

Diz o anjo a João: "Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco" (vs. 9 e 10). Sabemos que, nas Escrituras, a verdadeira Sabedoria indica a real natureza das coisas através das revelações divinamente inspiradas. Já vimos na primeira crônica deste capítulo que a palavra “monte” é usada de forma metafórica, de fato esses “montes” simbolizam “sete reis”, e não a Roma que tantos insistem em afirmar. Tamanha persistência só nos leva a um entendimento, o de incluir o papa como o grande guia espiritual mundial nesse tenebroso período de tribulação, todavia sabemos, a priori, que esse personagem será o “falso profeta” que operará grandes sinais (capítulo 13:11-18) e levará a humanidade a uma terrível crendice nunca dantes vista; esse hediondo personagem dará (segundo a eficácia de Satanás conforme 2 Tessalonicenses 2:9) “fôlego à imagem da besta, para que, não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta” (13:15).

Caso fôssemos especular acerca de uma religião dominante no porvir, coisa esta que não nos convém fazer, ela estaria muito mais próxima do islamismo do que do cristianismo. Nos dias atuais o islamismo é a maior religião do mundo com quase dois bilhões de fanáticos, deixando a igreja romana muito distante, com um pouco mais de um bilhão. Não é preciso muito esforço para se saber que grande parte dos católicos é apenas de fachada, pois se declaram fazer parte dessa religião somente pelo fato de terem sido batizados, ou então por terem se casado numa igreja católica. Pessoalmente convivo com vários que são contados nesse rol, mas de fato são ateus confessos e quando comparecem a uma igreja é tão somente por um compromisso social (casamento, batizado, missa de sétimo dia etc.).

O islamismo cresce de forma geométrica e seus seguidores de fato praticam a fé que professam, ao passo que o catolicismo tornou-se uma religião declinante, somente formal, muito distante dos índices de crescimento de outrora. Só para exemplificar, o Brasil que é tido como o maior país católico do mundo, em 1872 quase toda população era católica (99,7%), em 2010 caiu para menos de dois terços (64,6%), e desde 1991 esse índice está a despencar de forma preocupante para os seus bispos. O seu principal líder – o papa – atualmente é uma figura meramente simbólica, não tendo a mesma influência política e religiosa de outrora sobre as nações, ao passo que o islamismo com o seu crescimento avassalador já causa enorme preocupação, principalmente ao continente europeu.

Tudo mais constante, em poucas décadas o continente europeu será muçulmano (confirme pela Internet: http://www.youtube.com/watch?v=1-cIz1tKjOc). Convém lembrar que o Islã é uma religião odienta, apesar de seus mulás (mullah) dizerem o contrário. O seu principal objetivo é converter o mundo ao Islã de forma compulsória, apagar totalmente Israel do cenário mundial e aniquilar com os cristãos. Entendo, portanto, que será uma enorme perda de tempo dizer-se que esta ou aquela religião dos nossos dias estaria caracterizada na “mulher” aqui simbolizada. Esta figura representa a religião da época que surgirá e servirá por um tempo às simulações da “besta”, mas que terá um trágico fim como vemos no versículo 16... “odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo”.

Concluindo-se, pois, os sete montes se referem a sete governantes: “São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco" (vs. 9b,10). A forma temporal (aoristo) do verbo “caíram” no grego antigo, está no passado em relação ao tempo de João – “já caíram”; quanto à expressão “um existe” diz respeito à época de João, portanto ao “império romano” que deixou de existir; em seguida lemos que um “outro ainda não chegou”, ou seja, o sétimo governante, ainda não vindo, nos faz olhar para o futuro. Sem dúvida, este sétimo é a “besta” que virá para liderar o mundo por pouco tempo – os sete anos da tribulação.

A esta altura você poderá ficar confuso, caro leitor: Como a “besta” será o sétimo se o versículo 11 diz que ele será o oitavo governante? Vamos ao texto: “E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição” (v.11). Atente bem para a expressão “também é ele, o oitavo rei”. Tanto o sétimo como o oitavo trata-se do mesmo personagem; como sétimo ele surge como aquele que estará trazendo soluções para os graves problemas políticos e econômicos que estarão a afligir o mundo à época e fará firme aliança com Israel na primeira metade do período de tribulação; quanto ao oitavo é a mesma “besta”, que “ressurgirá”, na segunda metade da tribulação, conforme analisamos no versículo 8 (leia os comentários na crônica anterior a esta) onde a mesma expressão é usada: “a besta que era e não é”. Observe atentamente: “procede dos sete”, logo, é o mesmo que está entre os sete governantes. Diz J. Allen a respeito: “Lemos claramente que ele não é apenas a sétima cabeça restaurada, mas agora precisa ser visto como a oitava. Vemos que ele não é uma pessoa inteiramente diferente, pois é cuidadosamente dito que ele é dos (ek) sete”.

O anjo prossegue em sua fala a João: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele” (vs. 12 a 14). Desde o surgimento da “besta” (13:1), assim como do “dragão” (12:3), vemos a alusão desses dez chifres, também mencionados no versículo 3 desde capítulo, e, como já visto, formam uma confederação de países que governarão coletivamente o mundo durante o período de tribulação, mas não de forma independente da “besta”, pois estarão debaixo da sua liderança.

Lendo mais detalhadamente o texto, estes governantes já existirão antes do surgimento da “besta” – “ainda não receberam reino” –, mas após se associarem à “besta” receberão “autoridade como reis” (v. 12). Eles terão a mesma disposição mental do seu grande líder e colocarão o poder e a autoridade que possuem a serviço dele (v. 13). Conforme já foi dito nos comentários que fiz no capítulo 13, qualquer especulação para se saber quais serão essas dez nações tornar-se-á uma tarefa infrutífera, pois ficar imaginando que nações serão essas é sobremodo artificial tendo em vista que, em termos geopolíticos, o mundo será alterado substancialmente com a ascensão da “besta” à liderança mundial. No entanto, esse “poder” será passageiro, durará um breve tempo de sete anos, sendo três anos e meio associados à “besta” e outro tanto debaixo do seu domínio. Todo esse ajuntamento será para a arrogante pretensão de um confronto de proporções jamais vista contra Deus, no estulto desejo de que poderão derrotá-Lo, isso custará fragosa derrota que lhes será imposta pelo Senhor Jesus que virá para esse confronto juntamente com os “chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele” (v. 14) e participarão desse grande triunfo. As consequências dessa grande peleja veremos mais à frente no capítulo 19.

A seguir, João passa a narrar a última fala deste anjo e descreve o restante das revelações contidas neste capítulo (vs. 15 a 18). Os versículos 1 a 7 foram dedicados às revelações sobre aquela “mulher misteriosa”, dos versículos 8 a 14 acerca da “besta”. No início deste capítulo o anjo convida João para ver uma “grande meretriz” sentada sobre muitas águas (v. 1), agora ele dá a interpretação a respeito dessas águas: “Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas” (v. 15), ou seja, ele está a revelar o imenso apoio mundial que esse sistema religioso terá, todavia, quando ele estiver no auge do seu triunfo, eis que surgirá, de forma repentina, a sua completa destruição: “Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo" (v. 16). Os dez governantes, mediante o apoio da “besta”, se voltarão contra a “meretriz” e a destruirão completamente.

A “besta”, em mais um ato de traição, irá se voltar contra aquela que lhe deu apoio, todavia sem se aperceber que, juntamente com os seus governados, estará executando um propósito divino: “Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e deem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus” (v. 17). Deus está por trás de todos esses acontecimentos. É Ele quem leva os reinos a se unirem à besta contra a meretriz para que se cumpram os Seus propósitos soberanos.

Finaliza o anjo: “A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra” (v. 18). Já comentei sobre essa grande cidade na primeira crônica deste capítulo, mas não é demasiado transcrever os comentários de J. Allen acerca disto: “A mulher, obviamente, é o símbolo de um sistema religioso que tem raízes numa cidade, e a cidade é a realidade (grifos meus). Fazer a cidade um símbolo de outra coisa é a mesma coisa que fazer um símbolo de um símbolo, que é contrário ao uso normal das Escrituras... A mulher apresentada pela palavra “mistério” representa o aspecto religioso da Babilônia, enquanto que a cidade reflete a realidade por trás do símbolo. Não há mistério algum ligado a esta cidade; é simplesmente descrita como a grande cidade...”.

No capítulo a seguir (18:10), veremos explicitamente a identificação dessa grande cidade: “Ai! Ai! tu, grande cidade, Babilônia, tu poderosa cidade!”. Trata-se, portanto, da Babilônia que será erigida pela “besta”, e não a antiga Roma! Diante do controverso existente, busquemos sempre “o sentido que tem sabedoria” (v. 9). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 18 (1)

Neste capítulo chegamos à metade do último grande parêntese que foi iniciado no capítulo anterior com o relato de João acerca da revelação do mistério que envolve a “grande meretriz”. Como vimos, essa personagem simboliza o sistema religioso mundano que prevalecerá neste mundo durante o tenebroso período da grande tribulação. Agora, neste capítulo, veremos a outra face desse sistema: o mercantilismo, coisa esta que já ocorre de sobejo em nossos dias por aqueles que se dizem cristãos. Tradicionalmente este capítulo é subdividido em três partes: 1. O anúncio da queda de Babilônia (vs. 1 a 8); 2. Os lamentos dos seus admiradores (vs. 9 a 20); 3. A ruína total dessa cidade impenitente (vs. 21 a 24).

A sequência do parêntese é rigorosamente sucessiva. Pela frase usada por João no versículo que inicia este capítulo – “depois destas coisas” – vê-se que o desenrolar dos acontecimentos aqui previstos sucedem imediatamente à destruição do grande sistema religioso revelado no capítulo anterior. Nesta visão João vê um magnífico ser angelical: “Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória” (v. 1). Face à autoridade que possui e o seu esplêndido resplendor há aqueles que exageram ao afirmarem se tratar do próprio Senhor Jesus. Segundo J. Allen, isso não faz o menor sentido, trata-se, portanto, de um erro de interpretação: “...mensageiros angelicais refletem a glória relacionada ao seu ofício na execução do plano divino, mas isto não deve ser confundido com a glória resplandecente que pertence, de forma inerente, ao próprio Cristo”.

Diz o anjo a João: “Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria” (vs. 2 e 3). Pera lá, a esta altura exclamará você! No último versículo do capítulo 17 é dito que a “meretriz” simbolizará a grande cidade que dominará sobre os governantes da terra, seria completamente consumida (17:16), e agora novamente é descrita a sua queda? São essas coisas, caro leitor, que fazem do Apocalipse um livro fascinante. Tenha sempre em lembrança que nele não existem incoerências, equívocos jamais, bastam paciência e dedicada meditação para entender todo o seu contexto.

A imensa maioria dos comentaristas entende que o capítulo 17 trata do aspecto “espiritual” da Babilônia, e que o capítulo 18 diz respeito ao seu aspecto “mercantil”. Até aí é palatável essa interpretação, pois a figura da “grande meretriz” do capítulo anterior, juntamente com este, leva-nos a esse duplo entendimento de suas características: religiosa e comercial. De fato, esses dois capítulos apresentam um juízo duplo sobre essa “simbólica mulher”. O primeiro juízo já vimos (17:16), enquanto religião ela será massacrada por aqueles que anteriormente a apoiavam; agora veremos a queda da grande cidade que a “mulher” também simboliza – a nova Babilônia que será reedificada pela “besta” – e por certo será o centro comercial dominante do mundo à época.

É muito importante não nos esquecermos, nesse contexto, do “falso profeta”, apesar de não estar citado. Não convém isolá-lo desses últimos acontecimentos, pois certamente ele exercerá esse controle comercial, como já vimos no capítulo 13:16-18. Ele será o responsável pela inserção da “marca” naqueles que se curvarão à “besta”, ninguém negociará com o poder dominante se não estiver “marcado”. Portanto, o falso profeta terá duas características: a religiosa, como pseudomessias de Israel, e a comercial como o responsável pela política fiscal do tenebroso império satânico. Este importante detalhe tem passado despercebido por muitos, não se pode ter dúvida que o falso profeta terá intensa participação nesses acontecimentos. Como já vimos, quando do seu surgimento, ele não será mero figurante ou coadjuvante, erra quem assim pensar.

Nessa visão parentética, o poderoso brado angelical – “Caiu, caiu, a grande Babilônia” –, é semelhante ao que lemos em Isaías 21:9, todavia lá o profeta está a se referir a invasão da antiga Babilônia por Ciro, ao passo que aqui o anjo se refere à Babilônia que será reedificada repentinamente pela “besta” no período da grande tribulação e, com a sua ruína, se tornará “morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável” (v. 2). É nesta nova Babilônia que se completa o vaticínio dos antigos profetas acerca desta terrível cidade, sobre a qual recairá a implacável ira de Deus, “pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria” (v. 3). Diz J. Allen sobre isto: “Todos os demônios, todas as forças espirituais e tudo que o reino da natureza se rendeu a Satanás, serão agora, depois da destruição da cidade literal da Babilônia, confinados a este local, como uma prisão literal. O abandono deste lugar para os demônios e espíritos imundos é parte da sentença divina pronunciada contra Babilônia por Isaías: “Nunca jamais será habitada, ninguém morará nela de geração em geração... porém, nela, as feras do deserto repousarão, e as suas casas se encherão de corujas” (Isaías 13:19-22)”... um lugar a ser evitado durante a era milenar, como a prisão dos demônios”.

No versículo 3 vemos os motivos para o terrível juízo de destruição dessa nova Babilônia. A expressão “todas as nações” dá a ideia da influência global que terá essa cidade. O mundo à época estará como que embriagado pelo furor da sua devassidão. Todas as nações serão seduzidas para o caminho da corrupção “espiritual” pela adoração que darão à “besta”, até mesmo por necessidade de sobrevivência (conforme capítulo 13:16-17). Por certo as teorias de conspiração serão por demais praticadas através de intrigas políticas de toda sorte, pois o poder central – da “besta” – será libertino, licencioso, traiçoeiro, onde a ética e a moral passarão ao largo. Como vemos no texto, a excessiva luxúria praticada por essa nefasta cidade certamente contaminará o mundo todo e com isso os mercadores da terra se enriquecerão. No dizer popular, a coisa estará do jeito que o diabo gosta.

A mudança da capital econômica mundial e o controle comercial centralizado na Babilônia que virá, é o cumprimento da profecia do “efa” de Zacarias 5:5-11. Segundo W. MacDonald, “a sétima visão de Zacarias mostra uma “mulher” sentada dentro de um efa, o maior recipiente comercial utilizado naquela época como medida de capacidade para cereais. A “mulher” apresentada é a personificação da iniquidade na terra. A tampa de chumbo sobre o efa sugere que a iniquidade era mantida sobre controle. Porém, outras duas mulheres levantam o efa e com ele foram para Sinar (que é a Babilônia). A visão está a indicar a transferência das religiões idólatras e mercenárias de Israel para Babilônia, seu local de origem, que vem representar uma etapa preparatória para o julgamento da Babilônia para o estabelecimento do Reino de Deus. Israel foi purificado da idolatria após o cativeiro babilônico, mas no futuro se envolverá com a idolatria muito pior quando adorar o “anticristo” como se fosse Deus”.

A seguir João ouve outra voz dizendo: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos; porque os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou” (vs. 4 e 5). Por se tratar de um parêntese intercalado na sequência natural dos acontecimentos apocalípticos, este chamado para a retirada do povo de Deus, à época, provavelmente dar-se-á depois da destruição do sistema religioso que vimos no início deste grande parêntese, no capítulo 17, e imediatamente antes dos “sete flagelos” que serão derramados ao final do período da grande tribulação anunciado no capítulo 16. Sou levado a entender assim face ao anúncio transmitido: “para não participares dos seus flagelos”.

Surge uma questão! Quem são esses que o Senhor estará a chamar e se encontram em meio ao devasso sistema neobabilônico? J. Allen dá o seu entendimento: “Podemos concluir por este chamado que haverá alguns verdadeiros cristãos, que embora recusassem o sinal da besta, residiam nessa cidade, ou pelo menos estavam associados, de alguma forma, com o império comercial da besta”. Pessoalmente entendo que pela ausência de uma revelação específica acerca do dia a dia daqueles que se converteram ao longo do período de tribulação, não cabe especular a respeito desse convívio, todavia o texto revela que pela convocação haverá aqueles que de alguma forma conseguirão subsistir, apesar de terem recusado a “marca da besta”, e não se envolverão com os “atos iníquos” ali praticados.

A réplica é chegada! Os agentes executores deste juízo de Deus recebem a ordem de execução: “Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela. O quanto a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento e pranto, porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto, nunca hei de ver! Por isso, em um só dia, sobrevirão os seus flagelos: morte, pranto e fome; e será consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor Deus, que a julgou” (vs. 6 a 8). A justiça de Deus é absolutamente perfeita e implacável. A depravação babilônica será retribuída de forma irreversível. O “cálice” da ignomínia com que ela corrompeu a humanidade agora terá um conteúdo diferente – a sua irremediável e dobrada condenação. Isto nos remete a Jeremias 50:29... “Retribuí-lhe segundo a sua obra; conforme tudo o que fez, assim fazei a ela; porque se houve arrogantemente contra o Senhor, contra o Santo de Israel”.

Muitíssimos em nossos dias, inclusive cristãos, veem a Deus somente como alguém misericordioso, bondoso, com a obrigação de lhes dar saúde perfeita e prosperidade material. Todavia, se esquecem de que além dos Seus notáveis atributos Ele é absolutamente exigente em tudo o que diz respeito à transgressão aos Seus princípios. Os acontecimentos que aqui estamos vendo têm por objetivo nos trazer para perto de Deus e não para nos proteger de Deus. A recíproca é verdadeira, próximos a Ele estaremos por Ele protegidos. Ele ama de tal maneira a Sua criatura que enviou a este mundo o Seu Filho para que buscasse o que se havia perdido. O Senhor Jesus Cristo, igualmente gracioso, misericordioso e amoroso, virá para buscar aqueles que são Seus para que não passem por essa imensa tribulação. Os braços do Pai e do Filho estarão abertos para acolher em Sua morada aqueles que creem. O mesmo Filho que veio pessoalmente uma vez virá pessoalmente de novo. O mesmo Pai que O enviou uma vez O enviará outra vez. Tenha absoluta convicção nisso, meu caro leitor. Permita Deus que assim seja!

 


 Capítulo 18 (2)

 Vimos na crônica anterior o anúncio da repentina e desastrosa queda da “grande cidade”, a nova Babilônia que será edificada no tenebroso período de tribulação (vs. 1 a 8), e agora nos é revelado o desespero dos governantes aliados ao império da “besta”: “Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio, e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo” (vs. 9 e 10).

Esse lamento se dará porque a “grande cidade” lhes estava a propiciar toda sorte de fornicações, negócios ilícitos e desbragada licenciosidade. Agora estão a contemplar o fim dos seus deleites, dos desejos corruptos de seus corações e o final dos seus ganhos fraudulentos. O desastre será de tamanha magnitude que de longe contemplarão a pira funerária (vs. 9 e 18) daquele que será o maior complexo empresarial nunca dantes visto neste mundo. 

O império diabólico será extremamente abalado por esse estrondoso acontecimento, nele a humanidade incrédula preverá a sua própria destruição. Nessa oportunidade, três queixumes serão proferidos (“Ai! Ai!”, vs. 10, 16 e 19): Pelos governantes (“reis da terra”, vs. 9 e 10) que estarão à procura de poder e se sentirão seguros com o “sistema político” estabelecido pelo imperador – a “besta” – que estará a governar o mundo através da “grande cidade”; pelos grandes empresários multinacionais de todos os segmentos (“mercadores da terra”, vs. 11 a 16) que estarão a auferir grandes lucros em seus negócios; e pelos grandes conglomerados que controlarão o “comércio exterior”, através do mercado de transportes, (“pilotos” e “marinheiros”, v. 17, e “navios do mar”, v. 19), que se enriquecerão com a opulência e as negociatas existentes no império mundial sediado na nova Babilônia. A sua fonte de riqueza será destruída com grande rapidez (“em uma só hora chegou o seu juízo”, v. 10; “porque em uma só hora ficou devastada tamanha riqueza”, vs. 17 e 19). 

Não mais haverá vendas de mercadorias (v. 11). Imenso será o colapso econômico e financeiro que avassalará o mundo que está por vir e que fará desmoronar o comércio mundial. O reconhecimento dessa situação, irreversível, é o motivo da imensa lamentação. Lançarão pó sobre suas cabeças (v. 19), mas não será uma manifestação de arrependimento diante do juízo divino, mas em função da riqueza perdida. A expressão “de escravos e até almas humanas” (v. 13) dá-nos o entendimento bem interpretado por J. Allen: “Babilônia exigia as coisas melhores da vida, e criara a riqueza para consegui-las; os homens copiaram-na, se tornaram seus escravos e se vendiam de “corpo e alma” a ela. Agora eles choram, pois “numa hora” o juízo de Deus tirou tudo que eles tinham valorizado na vida”. 

Notável paradoxo vemos no versículo 20: “Exultai sobre ela, ó céus, e vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus contra ela julgou a vossa causa”. Enquanto toda a Terra estará angustiada diante de tão grande tormento, o Céu se alegrará! O povo de Deus que se encontra no Céu será convocado para se regozijar. A menção de “apóstolos e profetas” (compare com Efésios 2:20) sugere que a Igreja arrebatada antes do início da grande tribulação, agora glorificada no Céu, participará desse regozijo. Pois então, prezado leitor, resta saber se você tem a mais absoluta convicção que estará entre estes que se rejubilarão com esse dia. Bem haja se assim o fizer! 

Prossegue João em sua visão: “Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada” (vs. 21 e 22). Para a até então poderosa Babilônia Deus tem reservado um poderoso anjo, que através deste ato – a pedra arrojada ao mar – estabelece e revela os desígnios de Deus para a impenitente cidade. Esta revelação nos remete às previsões contidas nos capítulos 50 e 51 de Jeremias, que tratam do juízo divino contra a Babilônia: "Assim será afundada a Babilônia e não se levantará, por causa do mal que eu hei de trazer sobre ela; e os seus moradores sucumbirão” (Jeremias 51:64). Segundo William MacDonald, “parte dessas profecias se refere à captura da Babilônia pelos Medos. Seu cumprimento pleno, porém, ainda está por vir”. Portanto, o ato final desse cumprimento vemo-lo agora, quando todas as profecias sobre a destruição da Babilônia serão finalmente cumpridas. 

Um silêncio sepulcral irá pairar sobre a outrora “alegre” cidade, para sempre: “E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho”  (v. 22). O burburinho existente pela intensa atividade mercantil daquela megalópole não mais será ouvido. Diz-nos J. Allen: “um local que Deus deixará como testemunho silencioso do Seu juízo sobre o pecado”. 

João finaliza este estarrecedor quadro: “Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria. E nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra” (vs. 23 e 24). Vemos neste texto que o seu brilho de outrora será fugaz, repentinamente desaparecerá: “jamais em ti brilhará a luz de candeia”. As suas celebrações serão extintas: “nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá”. Aquilo que Babilônia fizera com Jerusalém: "Farei cessar entre eles a voz de folguedo e a de alegria, e a voz do noivo, e a da noiva, e o som das mós, e a luz do candeeiro" (Jeremias 25:10), vemos aqui que Deus fará o mesmo com esta cidade perversa. Entretanto, o juízo de Deus sobre Jerusalém perdurou por setenta anos, mas sobre Babilônia será para sempre. 

Toda humanidade terá que reconhecer que esta será a justiça retributiva de Deus, pois “nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra” (v. 24). Aqui se devem incluir tanto os mártires do Velho Testamento como o do Novo, como o faz H. V. Alford: “naturalmente a todos os mortos por causa de Cristo e da Sua Palavra”. Incluem-se aqui, também, aqueles que se recusaram a receber o sinal da “besta” durante o período da grande tribulação. Parte destes é vista por ocasião da abertura do “quinto selo”, em cuja oportunidade aqueles que foram perseguidos pela “besta” clamarão por vingança: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? (Apocalipse 6:9-11). Eis que esse momento é chegado, a vingança pertence ao Senhor. 

O mar de sangue derramado dos servos de Deus maculará Babilônia até o fim de seus dias. Não mais haverá perseguições. O orgulho dos seus mercadores – “os grandes da terra” (v. 23) – que tanto influenciarão o mundo da época, será substituído pelo desespero da perda. Aqueles que foram seduzidos pela sua “feitiçaria” (v. 23) receberão a sua paga por terem rejeitado o testemunho de Deus. Como vimos no capítulo 13, as práticas diabólicas serão intensas através do “falso profeta” – a segunda “besta” –, os feitiços serão assustadores: fogo descerá do céu, será dado fôlego à estátua da primeira “besta”, que não somente falará como fará morrer aqueles que não a adorarem. Realmente será uma época alucinante. 

Diante de tamanha expectação, ao finalizar esta crônica, prezado leitor, fiquei a estremecer diante de um texto que surgiu em minha mente: “Não te fatigues para seres rico; e não apliques nisso a tua inteligência. Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada? Porque certamente a riqueza criará asas e voará ao céu como a águia” (Provérbios 23:4-5). Vemos nesta palavra de sabedoria que a busca da riqueza é algo que não está estabelecido por Deus àqueles que são Seus, pois “os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1 Timóteo 6:9-10). Vimos aqui o que ocorrerá com aqueles que servirão o império das trevas no porvir que estarão ávidos por riqueza e poder. Como, então, estão a pregar em nossos dias o tal do “evangelho da prosperidade”, onde as pessoas estão sendo induzidas a “determinarem” para que Deus lhes dê riqueza de bens materiais? 

O pior é que esses tais influenciam as pessoas de que essa busca – a da riqueza – está estabelecida na Palavra de Deus. Textos fora do contexto são pretextos para atender a ganância dos seus corações pervertidos: “são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Judas 1:16). Esteja certo, prezado leitor, isto é uma deslavada mentira! No capítulo 12 do Evangelho segundo Lucas, o Senhor Jesus faz severas admoestações acerca disso: "Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui... Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus... Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir... Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações... Porque os gentios [incrédulos] de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas... Buscai, antes de tudo, o seu reino... porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Lucas 12:15, 21, 22, 29, 30, 31 e 34). Ensinar diferentemente o que o Senhor Jesus estabeleceu para os Seus é algo que vem do inferno, não de Deus. 

Reflitamos sobre isso, caro leitor, e ouçamos também o que Paulo nos diz a esse respeito: "Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida" (1 Timóteo 6:17-19)... "Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes" (1 Timóteo 6:7-8). Permita Deus que assim seja!

 


 Capítulo 19 (1)

Eis que é chegado o final da tribulação nunca dantes ocorrida na história deste mundo afastado de Deus. Este 19° capítulo está dividido em duas partes, na primeira (vs. 1-10) veremos um grande júbilo no céu e com ele o fechamento do último grande parêntese contido neste Livro; em seguida (vs. 11-21) contemplaremos a magnífica chegada do Senhor Jesus para impor implacável derrota às duas terríveis bestas que dominarão as nações por um breve período de tempo.

Diz-nos João nos primeiros versículos deste capítulo: “Depois destas coisas, ouvi no céu uma como grande voz de numerosa multidão, dizendo: Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. Segunda vez disseram: Aleluia! E a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos” (vs.1-3). Ou seja, depois da visão que teve acerca do determinante juízo de Deus e a definitiva queda da grande cidade – a nova Babilônia construída pela terrível “besta” – ele ouve no céu o alarido de uma imensa multidão que se rejubila com o acontecido. O clima de exaltação estará a inundar os céus, pois é chegado o momento da vinda do Senhor Jesus para reger as nações e estabelecer o Seu Reino milenar.

Nestes três primeiros versículos lemos por duas vezes a expressão “Aleluia”. Hoje em dia o uso dessa palavra não traz nenhuma novidade, pois ela é ouvida de roldão através dos programas “evangélicos” transmitidos pelas emissoras de rádio e televisão. De roldão não seria uma afirmação muito austera? Sem dúvida, caro leitor, mas essa é a realidade! Em nossos dias as aleluias estão sendo pronunciadas de forma impensada e confusa, dando uma ideia de bagunça, pois sua colocação nada tem a ver com o momento em que estão sendo proferidas. Por certo a imensa maioria das pessoas assim o faz por não saber nada acerca do seu profundo significado.

Pois então, caro leitor, você sabe quantas vezes aparece essa breve doxologia – “Aleluia” – no Novo Testamento? Quatro vezes! Tão somente quatro vezes e apenas neste 19° capítulo de Apocalipse. Em nenhum outro livro essa palavra é proferida a não ser no Velho Testamento, e somente no livro de Salmos, e ainda assim entoada com extrema reverência dada a sua alta significância – Louvado seja Yahweh – cujo objetivo principal é o de glorificar a grandeza e a majestade de Deus. O mesmo não ocorre hoje, ela é pronunciada como se fosse um “mantra”, para se demonstrar espiritualidade, mas de fato uma pseudorreligiosidade, pois ela é dita sem originalidade, de certa forma banal, apesar de não ser a intenção de alguns, mas o fazem por acharem bonito e normalmente há o costume de se copiar o que outros fazem e acabam por repetir aquilo que não têm a menor ideia do que representa.

Em sua expressão original no hebraico – “Halal-Yah” –, transliterada para o grego como hallelouia, essa palavra de exaltação a Deus era composta por duas palavras: “halal”, cujo significado é “louvor”, e “Yah”, forma abreviada de Yahweh, que, de forma híbrida, sem uma base bíblica clara, foi traduzida para a nossa língua como Jeová. Muitos têm tentado encontrar a palavra Yahweh no Novo Testamento, todavia dentre as traduções do Nome de Deus a que mais se aproxima é kúrios, no grego, que significa Senhor, e em várias passagens ela é atribuída a Jesus, por exemplo: “hoje vos nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor (Lucas. 2:11).

Até os dias de hoje os judeus ortodoxos sentem profundo tremor em transcrever o nome de Deus. Em nosso idioma eles usam D’us pela reverência que têm ao Nome do Todo-Poderoso, assim como fizeram no passado remoto quando usavam “Yah” em vez do nome completo. O controverso em nossos dias não está em louvar a Deus com aleluias, mas sim pela vulgarização que está havendo, pois essa manifestação de louvor está sendo feita sem a indispensável devoção. Mas isto não faz parte do nosso assunto aqui, voltemos ao texto.

Dentre as razões para que aquela incontável multidão teria para entoar esse estupendo coro de aleluias (v. 1), duas delas são proeminentes: “porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos (I), pois julgou a grande meretriz (II) (v. 2). Somente em Deus encontramos a mais absoluta Justiça, pois nEle não há nenhuma imperfeição; a condenação da grande meretriz, ou seja, a religião ecumênica que abrigará todos os credos sob o comando das duas “bestas”. Convém lembrar, pois muitos não sabem, que a etimologia da palavra grega oikoumenikós tem o significado de “aberto para o mundo inteiro”.

Esse terrível sistema religioso buscará apagar de uma vez por todas a fé, ainda que pouca, no Deus Vivo e Verdadeiro e para isso corromperá os ensinos bíblicos que levarão os homens a um desenfreado paganismo. Isto nos remete às palavras do Senhor Jesus: “... quando vier o Filho do homem, achará porventura fé na terra?” (Lucas 18:8). Ao fim dos tempos lamentavelmente somente um remanescente fiel manterá a fé genuína, tendo em vista que um enorme contingente de pessoas deixará se levar pelo deus do presente século que está a cegar o entendimento dos incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus (2 Coríntios 4:4).

João continua a descrever a sua notável visão: “Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que se acha sentado no trono, dizendo: Amém! Aleluia!” (v. 4). Como já vimos anteriormente, esses vinte e quatro anciãos representam a Igreja de Deus arrebatada e reunida no céu antes do início da grande tribulação. Como tal vemo-la por outras quatro vezes neste Livro: 4:4, 4:10, 5:8 e 11:16. Doravante, porém, segundo J. Allen, essa representação sacerdotal não mais será necessária e os vinte e quatro anciãos não mais serão mencionados, pois as bodas do Cordeiro estarão consumadas, a Sua noiva, a Sua Igreja, estará com Ele para todo o sempre. Neste momento de intensa exaltação a Igreja não poderia deixar de participar, por isso ela dirá com toda força o seu verdadeiro significado: Aleluia! Louvado seja o único Deus, o Todo-Poderoso e Criador de todas as coisas, que por Seu imenso amor nos remiu para sermos a expressão da Sua glória através de Jesus Cristo. Essa expressão não será feita de forma banal, mas uma manifestação de profundo sentimento por aquele extraordinário acontecimento.

João prossegue: “Saiu uma voz do trono, exclamando: Dai louvores ao nosso Deus, todos os seus servos, os que o temeis, os pequenos e os grandes. Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso” (vs. 5-6). Estrondoso será esse intenso alarido. Uma imensa multidão entoará com tamanho vigor esse jubiloso louvor que será semelhante ao barulho de uma enorme catarata e de grandes trovoadas. Todos os verdadeiros servos serão convocados para expressar esse fantástico júbilo a Deus; todos aqueles que O reverenciam com temor e tremor, quer sejam pequenos ou grandes. A esse respeito escreve J. Allen: “Provavelmente a voz de Cristo emite um chamado aos cristãos na Terra... eles são convocados para se unirem à adoração do Céu... Os cristãos na Terra, aliviados da opressão apavorante da Babilônia, respondem com corações alegres ao chamado do Céu e repetem a “aleluia” do Céu. Este é o verdadeiro “Coro de Aleluia”, vindo tanto do Céu como da Terra”.

Eis um momento fantástico, aguardado por todo aquele que faz parte da verdadeira Igreja de Deus: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” (vs. 7 a 8). E não é que em um texto de extrema clareza criam-se tantas controvérsias. Há os que argumentam que as bodas do Cordeiro abrangem tanto a Igreja quanto a Israel restaurado. Outros, que não fazem distinção entre a Igreja e Israel, entendem que a “esposa” mencionada (v. 7) inclui os redimidos de todos os tempos, que mantiveram uma aliança de Deus. Há que se registrar que até então somente a Igreja estará arrebatada, os demais remidos o serão imediatamente antes do estabelecimento do Reino Milenar do Senhor Jesus, portanto não podem ser a “noiva”.

Conforme argumenta J. Allen, “essas ideias são insustentáveis e só servem para causar confusão”.  Não pode haver nenhuma dúvida, a “esposa” dessas núpcias é a Igreja arrebatada antes da terrível tribulação, cujo momento nos foi antecipado em Efésios 5:25-27 (recomendo a leitura), quando Paulo compara o matrimônio entre os cristãos como a união que há em Cristo com a Sua esposa, a Igreja. W. MacDonald comenta a respeito dessa passagem contida na carta aos Efésios: “No passado, o amor de Cristo se manifestou na nossa redenção. No presente, é visto na nossa santificação. No futuro será exibido na nossa glorificação. Ele mesmo irá apresentar a Si mesmo à Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, portanto santa e sem defeito. Então ela atingirá o clímax da beleza e da perfeição espiritual”. Em Efésios 5:32, diz Paulo: “Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja”. Aquilo que fora encoberto nos séculos anteriores, agora revelado ao longo desta atual dispensação – a da Igreja – é confirmada através das bodas do Cordeiro que acontecerá no porvir.

Diz ainda o anjo a João: “Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus” (v. 9). Atente bem, caro leitor! Uma coisa é a Igreja arrebatada, a “noiva” das bodas do Cordeiro, outra coisa são os “convidados” que serão chamados para a “ceia” das bodas do Cordeiro. A Igreja é a “esposa” de Cristo os “convidados” são o restante dos remidos que terão o privilégio de participar dessa “ceia”, por isso o anjo os chama de bem-aventurados, pois estas palavras são absolutamente verdadeiras, por serem da parte de Deus. Não existe hipótese que isso não venha a acontecer.

João encerra este quarto e último grande parêntese: “Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (v. 10). Ao completar esta visão de júbilo no céu, o consagrado apóstolo está absorto diante daquilo que contemplou. A exemplo do apóstolo Paulo, João presenciou a grandeza das revelações de Deus e ouviu palavras inefáveis as quais não é lícito ao homem referir (2 Coríntios 12:2-3). O extraordinário coral de aleluias e a jubilosa celebração das bodas do Cordeiro o levam a se prostrar perante o anjo que lhe traz aquelas revelações. De imediato o anjo o adverte para que assim não o fizesse, pois ambos eram criaturas de Deus.

Vemos em nossos dias uma prática condenável de se prestar cultos a anjos da guarda e outros equivalentes. Na verdade os anjos não podem e não querem ser cultuados, pois de fato eles dão testemunho daquEle que verdadeiramente deve ser adorado. O testemunho de Jesus é o espírito da profecia, portanto o verdadeiro propósito da profecia é dar testemunho da majestosa Pessoa, da magnífica Obra e da perfeição de Cristo. Que você tenha, prezado leitor, absoluta certeza de que lá estará naquele dia; que fará parte daquela imensa multidão que comporá aquele imenso coral celestial a dar aleluias ao nosso Deus. Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 19 (2)

Na segunda parte deste capítulo chegamos ao ápice deste notável Livro. Em sua narrativa João descreve três visões do Senhor Jesus. Na primeira, vemo-Lo entre as igrejas em sua dispensação (1:9 a 3:22); em seguida temos a visão dEle em meio ao Trono (4:1), e agora Ele nos é revelado comandando os exércitos do Céu, vindo como Rei dos reis e Senhor dos senhores (v. 16), a fim de dar um basta no poder das trevas e estabelecer o Seu reino milenar. Eis um momento sobremodo sublime, caro leitor.

O antigo profeta teve a percepção deste magnífico acontecimento que se daria milênios a sua frente: "Então, sairá o Senhor e pelejará contra essas nações, como pelejou no dia da batalha. Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul" (Zacarias 14:3-4). O deus deste século – o diabo – ao longo de toda a História empenhou todos seus esforços para promover o afastamento da humanidade do seu Criador, chegando ao clímax no período da grande tribulação, levando à Terra, em todo o seu contexto, a uma rebelião contra Deus até então jamais vista. Essa tremenda crise será respondida pelo Deus Todo-Poderoso através da vinda do Senhor Jesus que porá um fim à terrível angústia promovida pelo poder sobrenatural da “besta” e do falso profeta.

Ao lermos essa revelação de Zacarias somos levados a entender um pouco mais o motivo da intensa luta do poder satânico em riscar Israel do mapa, pois o diabo sabe onde se dará a chegada do Senhor Jesus – no Monte das Oliveiras, em Jerusalém – e em sua cartada final ele agregará um regimento espantoso para uma terrível guerra contra Israel. Segundo J. Allen, “essa frente de batalha ocupará mais de 300 km de extensão desde Armagedom (Apocalipse 16:16) até Edom (Isaías 63:1)... A Terra enfrentará a maior crise da sua História”.

Atente para os dias atuais, prezado leitor, as conspirações contra Israel continuam abundantes. Terríveis inimigos se levantam com o objetivo de destruir o território judeu. Os palestinos que estão sendo defendidos por muitos não querem que sejam reconhecidos como um Estado independente, de fato desejam que Israel deixe de existir como nação para assumirem toda a Palestina e com isso a antevisão de Zacarias não viria a ocorrer. Tolos! Não existe poder neste mundo que possa impedir aquilo que Deus tem estabelecido.

Diz-nos João nesta sua visão: “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça” (v. 11). Não são poucos os que confundem este “cavalo branco” com aquele descrito no capítulo 6:2 por ocasião da abertura do primeiro selo. Conforme já vimos, lá se trata de uma farsa daquele que procurará aparentar ser o Cristo, ao passo que agora vemos a chegada do Verdadeiro. J.B. Smith faz uma consideração bastante oportuna acerca disso: “...este cavaleiro vem do céu; o anterior da terra”. A cor do cavalo é que leva ao equívoco, o primeiro cavaleiro não é dado nenhum nome, este, porém, é claramente identificado: “Fiel e Verdadeiro”. Na carta à Laodiceia vemos essa identificação dada ao Senhor Jesus: “Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação” (Apocalipse 3:14). Diz mais o texto: “O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça”, portanto Ele vem como resposta à pergunta lançada pelos adoradores da “besta”: “Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?” (Apocalipse 13:4). Jesus Cristo, virá, pelejará, vencerá e julgará mediante a Justiça de Deus.

Continua João: “Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus” (vs. 12 e 13). Nada passará despercebido ao poder penetrante dos Seus “olhos”, os infiéis não terão onde se esconder. Os vencedores recebem uma coroa, mas o Senhor Jesus terá sobre Sua cabeça “muitos diademas” que demonstrarão a Sua absoluta realeza sobre qualquer império ou poder. Aqui Ele é chamado de o “Verbo de Deus”. Isto nos remete ao Evangelho escrito pelo próprio João ao identificar o Senhor Jesus: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez" (João 1:1-3). Quanto ao “manto tinto de sangue” que o Senhor Jesus estará a vestir, as várias interpretações têm deixado as pessoas confusas a esse respeito. Entendo que W. MacDonald traz bastante clareza acerca disso: “Está vestido com um manto tinto de sangue, não com o sangue que Ele derramou na cruz do Calvário, mas com o sangue dos inimigos que pisou no lagar da cólera de Deus”.

A seguir nos deparamos com uma dificuldade maior face às controvérsias existentes: “e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro” (v. 14). Quem seriam os exércitos que há nos céus? W. MacDonald entende que se tratam dos santos, portanto a igreja arrebatada, mas que não têm ordem para lutar, pois o Senhor Jesus derrotará os Seus inimigos sem a ajuda de ninguém. Outros comentaristas entendem que estes exércitos são hostes angelicais que virão participar dessa batalha com base em Judas 14-15. Por sua vez comenta R. David Jones: “Ele estará acompanhado pelos Seus exércitos compostos de anjos e dos Seus santos (ressurretos) que compõem a Sua Igreja”. Como vemos não há consenso. Pessoalmente entendo que nesse contexto não importa se os partícipes serão somente os anjos, ou a igreja arrebatada, ou ambos formando um só grupo, de fato o essencial será a vinda do Senhor Jesus para pôr fim ao império do terror, a proeminência será toda dEle.

Eis que é chegado o momento da resposta à pergunta de Pilatos: “Tu és rei?” (João 18:37). O Senhor Jesus não é um soberano qualquer, mas o Rei dos reis: “Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (vs. 15 e 16). Ele virá para derrotar completamente os poderes demoníacos que estarão a dominar a Terra e aqui estabelecer o Seu Reino milenar. Estamos diante do tempo determinado por Deus que nos remete à revelação de Paulo: "...então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda" (2 Tessalonicenses 2.8), e à do consagrado profeta do passado: "...ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso" (Isaías 11:4). O Senhor Jesus será o Rei Supremo, todos, sem exceção, serão submetidos à Sua absoluta onipotência, bastará uma única palavra da Sua boca, como se uma espada afiada fosse, para que os seus inimigos sejam derrotados.

O momento final é chegado: “Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes” (vs. 17 e 18). João agora tem a visão de um ente poderoso que se posta sobre o sol. A vestimenta desse anjo trará uma magnífica resplandecência ao reino da “besta” que estará mergulhado em trevas profundas (não deixe de ler Apocalipse 16:10; Mateus 24:29; Zacarias 14:6). João ouve a estrondosa voz desse anjo para uma solene convocação: “a grande ceia de Deus”. Esta será a maior devastação a ocorrer com a humanidade, não existe hipótese que isso não venha a se cumprir. Como diz J. Allen, “os maiores homens da Terra serão apenas pedaços de carne”.

Encerra-se, assim, o período da grande tribulação: “E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército. Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre. Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes” (vs. 19 a 21). É impressionante a arrogância da trindade satânica – o diabo, a besta e o falso profeta. Até o fim eles manterão a tola ilusão que poderão derrotar a Deus. A “besta” e os governantes deste mundo se atreverão a batalhar contra o Senhor Jesus e Seu exército celestial. A derrota, como era de se esperar, será implacável. A “besta” e o “falso profeta” serão lançados vivos no inferno onde ficarão para todo o sempre. Repentinamente esses dois homens mais poderosos do mundo à época serão subjugados. Seus comandados por certo ficarão dramaticamente desesperados. Todos aqueles que adorarem a besta e possuírem a sua marca serão mortos e posteriormente comparecerão no dia do juízo final. Este será o alto preço a ser pago pela humanidade por sua desobediência e afronta a Deus.

Não deixa de ser um quadro muito triste ao vermos um imenso contingente de pessoas destinadas à perdição eterna em virtude de sua arrogância e incredulidade. Cabe-nos, portanto, prezado leitor, alertarmos aos que estão rumo a essa condenação, ao mesmo tempo em que guardemos firmemente a exortação de Paulo a Timóteo: "Tu, porém, ó homem de Deus... guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!” (1 Timóteo 6:11-16). Permita Deus que assim seja!

 


Capítulo 20 (1)

Pois então, prezado leitor, chegamos àquele que é considerado um dos capítulos mais polêmicos do Apocalipse e por isso faz-se necessária uma parte introdutória antes de iniciarmos a avaliação do contexto bíblico nele existente.

As controvérsias são tremendas, há autores que usam de linguagem um tanto hostil para defender o seu ponto de vista e, pessoalmente, não consigo compreender o motivo de tão grande alvoroço tendo em vista a absoluta clareza do texto bíblico contido neste capítulo.

Nele não há nenhum símbolo ainda não visto neste Livro que careça de uma interpretação mais rebuscada para que haja compreensão por aqueles que o leem. Eis o texto controvertido para muitos: Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos” (v. 6). Você poderá pensar: “Caramba! Como um texto que traz uma magnífica bem-aventurança pode ser tão controverso”. Esteja certo que isto fica por conta da falibilidade humana, por parte daqueles que quanto mais se sentem inseguros mais divergentes se tornam.

As contestações básicas são duas: (1) A existência do “reino milenar” regido pelo Senhor Jesus aqui na Terra e (2) quem serão os partícipes da “primeira ressurreição”, pois muitos incluem nela a ressurreição dos salvos na atual dispensação da Igreja. Assim interpretando, estão a asseverar que os cristãos autênticos passarão pelo período da grande tribulação, tornando, com isso, como se mentirosa fosse, a afirmação do consagrado apóstolo Paulo: “Jesus nos livra da ira vindoura” (1 Tessalonicenses 1:10).

Uma pergunta provavelmente você estará a fazer: “Como e por que surgiu toda essa desavença interpretativa?”. Como resposta, temos que ir ao período de trevas da cristandade. Na Bíblia de Jerusalém, comentada pelos “santos padres” da igreja católica, estão assim interpretados a primeira ressurreição e o reino milenar do Senhor Jesus: “Esta ressurreição dos mártires é simbólica; é a renovação da Igreja depois do término da perseguição romana... O reino de mil anos é, portanto, a fase terrestre do Reino de Deus, desde a queda de Roma até a vinda de Cristo... Para santo Agostinho e muitos outros, os “mil anos” se iniciam com a ressurreição de Cristo; a “primeira ressurreição” seria então o batismo... o milenarismo literal nunca foi favorecido na Igreja”. Não é preciso muito esforço para vermos o absurdo de uma interpretação como esta.

Essa ressurreição é absolutamente real, não simbólica como estão a afirmar, ou então, que se trata de uma “renovação da igreja”, no caso a católica, pois isto jamais existiu nessa igreja, o inverso á absolutamente verdadeiro, haja vista a recente renúncia do atual papa que não suportou as mazelas praticadas no seio daquela igreja. Terrível a afirmação que os “mil anos” estão a contar desde a queda de Roma até a vindoura chegada de Cristo, logo o Reino de Deus já está aqui através da igreja católica. Só que já se passaram “dois mil anos”, e não mil, entre um evento e o outro, mas para eles é tudo simbólico. A interpretação de Agostinho, então, é uma “pérola”! O milênio teria se iniciado com a ressurreição do Senhor Jesus e a “primeira ressurreição” seria o batismo, ou seja, para as crianças não serem pagãs e fazerem parte do reino divino aqui representado pela igreja católica é necessário que receba o Espírito Santo através da pia batismal. Dura coisa é ler e conseguir entender essa hermenêutica.

Mesmo com a chegada da reforma protestante, no século 16, essa interpretação errônea não foi completamente banida, tendo em vista que os “pais da reforma” vieram do seio daquela igreja e houve aqueles que entendiam que o Apocalipse não deveria nem fazer parte do cânone bíblico a ser usado pelos protestantes (hoje chamados de evangélicos), por acharem que além de simbólicos, aqueles acontecimentos, em sua grande maioria, já teriam ocorrido durante o império romano. Portanto, esse ranço interpretativo permaneceu até o século 18, quando Johann Albrecht Bengel, considerado o precursor do pré-milenarismo, começou a questionar esse enorme equívoco católico romano assim como de grande parte das denominações protestantes à época; posteriormente, no século 19, J. N. Darby deu prosseguimento ao entendimento de Bengel dando uma nova forma ao pré-milenarismo, ligando-o ao dispensacionalismo, cujos novos pontos de vista foram amplamente divulgados por C.I. Scofield, através de sua Bíblica de Referências. Por sinal, até hoje bastante criticada.

Por certo, a esta altura, o prezado leitor já pode estar achando um tanto enfadonha toda essa exposição contendo expressões compridas e estranhas, mas isto foi preciso para que cheguemos a uma compreensão exata acerca do motivo de tão grande desencontro de interpretações. Para melhor entendimento é preciso explicar quais são os argumentos de cada linha de pensamento. “Milênio” é uma expressão baseada na passagem contida neste 20° capítulo. A grande controvérsia existente diz respeito à posição teológica que cada comentarista possui acerca do retorno do Senhor Jesus, e o que acontecerá em relação a este período de “mil anos”. Três são os pensamentos a esse respeito, vamos a eles:

1. Amilenaristas – Não creem na existência de um período milenar. Para eles essa expressão é simbólica, portanto não pode ser interpretada literalmente e se respaldam para isso que para Deus um dia é como se mil anos fossem (2 Pedro 3:8). Estes pensadores se dedicam a “espiritualizar” as Escrituras, principalmente os acontecimentos apocalípticos. Como exemplos dessa crença interpretam que Israel é a Igreja, que o trono de Davi é o Céu, dentre outros equívocos. Para eles o “milênio” já é uma realidade para o cristão. Os amilenaristas negam que haja uma primeira ressurreição antes do milênio e uma segunda ressurreição para os não salvos depois do “milênio”. Entendem que existirá apenas uma ressurreição geral com os salvos e os não salvos. Segundo eles o retorno literal de Cristo não é a vinda aos céus para arrebatar os Seus e a vinda com os Seus para estabelecer o Seu reino milenar aqui na Terra. Eles asseveram que haverá somente um retorno quando o Senhor Jesus virá para julgar este mundo e, para isso, não será necessário estabelecer um reino na Terra, pois Ele já reina nos corações do Seu povo. Quando um método de interpretação bíblica descarta por completo o literalismo, abre-se a possibilidade de se colocar uma interpretação pessoal naquilo que diz as Escrituras. O argumento de Pedro é claríssimo a esse respeito, a Bíblia não é aberta para interpretações particulares, pois cada passagem tem um ensino específico (leia 2 Pedro 1:20-21). Portanto, aquilo que está determinado em um texto bíblico tem que ser comparado com o contexto em que ele se encontra.

2. Pós-milenarismo – É a “doutrina” que ensina que não haverá nenhum retorno do Senhor Jesus antes do fim do “milênio”. Esses creem que o “mundo inteiro” será evangelizado e convertido advindo disto um período milenar de paz e justiça ao fim do qual Jesus Cristo voltará. Simplesmente resumem que a Igreja fará com que o mundo melhore cada vez mais antes da vinda do Senhor. Eis um entendimento absurdo, pois dois mil anos se passaram e vemos em nossos dias que o inverso é absolutamente verdadeiro. Cada vez mais a humanidade está a se afastar de Deus e as consequências disto constatamos nos acontecimentos revelados neste Livro. As duas grandes guerras mundiais comprovam a crueldade existente nos corações dos humanos. Para garantir essa “melhora” do mundo antes da vinda do Senhor Jesus, esses religiosos pregam um “evangelho social”, do bem estar coletivo, da prosperidade material e da saúde perfeita. Essa crença esforça-se para satisfazer as necessidades básicas das pessoas achando que isso influenciará a sua natureza pecaminosa que será transformada em uma natureza espiritual. Todavia, não foi isso que o Senhor Jesus afirmou na parábola da viúva persistente: “quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18:8). Na verdade quando o Senhor Jesus voltar haverá somente um remanescente fiel a Ele. Esses tais defendem essa teoria respaldando-se em Mateus 24:14... “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”. Por definição, o importante discurso do Senhor Jesus no monte das Oliveiras, contido em Mateus 24 e 25, é absolutamente profético e não diz respeito à atual dispensação, ele aponta para o período da tribulação e da Sua segunda vinda, e, como temos visto, reiteradamente, ao longo destes nossos estudos, a Igreja não participará deste contexto, pois antes do início da tribulação ela será arrebatada. A Bíblia enfatiza que o mundo piorará tanto mais perto estiver o retorno do Senhor Jesus (2 Timóteo 3:1-5). Ela deixa, com muita clareza, que não há nada de bom no homem carnal (Romanos 3:10-18; 7:18-19); que aqueles que praticam as obras da carne não herdarão o Reino de Deus (Gálatas 5:19-21). A melhoria das condições materiais, intelectuais ou meramente religiosas do homem jamais operará a sua salvação. Para que haja salvação é necessário um nascimento espiritual, pela Palavra de Deus e pelo Espírito (João 3:3-8). Se houvesse salvação fora do Senhor Jesus não haveria necessidade da Sua morte redentora. Se não houver a necessidade de arrependimento dos pecados e de se crer absolutamente no Senhor Jesus para que haja a salvação, não haveria o porquê de se pregar o Evangelho.

3. Pré-milenarismo – É o princípio doutrinário correto de que o Senhor Jesus voltará ao mundo com os Seus para aqui estabelecer literalmente o Seu Reino por exatos mil anos. Diz-nos a esse respeito J. Allen: “Em contraste com as outras duas posições, tanto a que nega um verdadeiro milênio como a que prega a sua introdução pela pregação do Evangelho, está o ensino pré-milenarista. Este foi, na verdade, o ensino claro dado nos primeiros séculos da história da Igreja, até o tempo de Agostinho (século IV). Este princípio também apresenta o fato bíblico de o que o reino prometido será estabelecido quando da volta dramática de Cristo à Terra com a derrota violenta dos exércitos de Satanás (Apocalipse 19:11-21). O reino milenar então estabelecido será um período de exatamente mil anos, quando Cristo e Seus santos reinarão sobre a Terra a partir de Jerusalém, a cidade capital. Israel, como nação, se reconciliará com Deus e será a principal nação sobre a Terra. A paz e a justiça serão evidentes no ambiente transformado da Terra, e todas as promessas do Velho Testamento a Israel e às nações serão literalmente cumpridas. Não será permitida qualquer manifestação de pecado, e toda a Terra será cheia do conhecimento de Deus. Sobre o mesmo princípio de interpretação, a Igreja será retirada da Terra no arrebatamento antes da tribulação e do milênio, o que podemos resumir assim:

1. Cristo virá pessoalmente, e literalmente, com poder e grande glória para estabelecer o Seu reino milenar sobre a Terra (Isaías 2:2-4; Daniel 7:13-14; Mateus 25:31-46).

2. Antes que isso aconteça haverá um período de tribulação que durará sete anos e assim se completarão as setentas semanas de Daniel 9:24-27. Israel, em particular, e as nações em geral, passarão pelos juízos de Deus durante estes anos (Jeremias 30:4-7; Daniel 7:7-15; 8:23-25; 9:20-27; Mateus 24:3-31; João 5:22-23; 2 Tessalonicenses 2:1-12). Este período será conhecido na Terra como o dia do Senhor.

3. Antes da tribulação, Cristo virá buscar a Sua Igreja, tirando-a da Terra (1 Tessalonicenses 4:13-18) e arrebatando-a ao Céu, dando início ao dia de Cristo, que inclui o Tribunal e as Bodas de Cristo com a Sua Igreja. Cristo trará a Igreja consigo quando voltar à Terra, e esta compartilhará com Ele o reino milenar...”.

Como vemos, prezado leitor, divergências como estas afastam as pessoas da verdadeira compreensão dos assuntos escatológicos e geram um entendimento açodado e com isso tão grande confusão. Na crônica que virá a seguir me dedicarei aos comentários do precioso trecho contido neste 20° capítulo. Enquanto isso, tenhamos em mente a exortação dada pelo apóstolo João, o mesmo autor de Apocalipse, em sua primeira epístola: Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis vós no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna. Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar" (1 João 2:24-26). Permita Deus que assim seja!

 


 

 

Capítulo 20 (2)

Após a parte introdutória que vimos na crônica anterior, vamos às revelações contidas neste 20° capítulo onde contemplamos acontecimentos sobremodo importantes que virão após o terrível período de tribulação que está a expectar a humanidade rebelde a Deus:

1.      O estabelecimento do reino milenar do Senhor Jesus após o aprisionamento temporário do diabo (vs.1-3), e a completação da “primeira ressurreição” (v. 6) que teve início com Jesus Cristo – “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20) – e será seguida pela ressurreição e arrebatamento da Sua Igreja (antes do início da grande tribulação conforme já vimos), das duas testemunhas durante o período atribulativo (Apocalipse 11:11-12), e se completará com a ressurreição (imediatamente antes do milênio) de todos aqueles que morreram pela fé desde a fundação do mundo juntamente com aqueles que se converteram durante a tribulação (vs. 4-6).

2.      Ao se completar os mil anos, o diabo será solto por um breve tempo para provar os corações dos nascidos durante esse período, haverá a última revolta daqueles que seguirão o diabólico sedutor, em seguida virá a segunda ressurreição para o julgamento e destino finais daqueles que se omitiram ou explicitamente rejeitaram a Deus em todos os tempos (vs. 7-15).

Pois então, caro leitor, vamos às visões de João:  Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo” (vs. 1-3). R. David Jones descreve de forma sucinta e com muita clareza acerca desse acontecimento:

“Um anjo desce do céu, segura o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, com uma grande corrente lança-o no abismo do qual tem a chave, fecha o abismo e o sela até que se completem os mil anos, ou milênio... Ele assim será impedido de enganar as nações durante esse período, mas depois será solto por um pouco de tempo. Em preparação para o reino de Jesus Cristo no mundo, haverá a ressurreição dos demais santos: os do Velho Testamento (Isaías 26:19, Daniel 12:2), e os do período da tribulação, aqui mencionados. Com isto se conclui a primeira ressurreição, da qual terá participado também a igreja mais de sete anos antes. Os santos de todos os tempos até então viverão e reinarão com Cristo durante o milênio. Embora não seja mencionado neste trecho, também sabemos que haverá um julgamento prévio pelo Senhor Jesus de todos os sobreviventes da tribulação, em que Ele separará os justos dos injustos, permitindo aos justos entrar no Seu reino enquanto os injustos serão banidos para o castigo eterno. Ele fez muitas declarações a esse respeito durante o Seu ministério, mencionando vários critérios, inclusive sobre o julgamento das nações gentílicas que terá por base a maneira em que tiverem tratado o Seu povo durante a tribulação (Joel 3:1-3 e Mateus 25:31-46)”.

Para que não se criem devaneios, embora não estejam aqui explicitados, é evidente que as hostes demoníacas não estarão à solta a perambular pelo reino milenar durante o aprisionamento do seu chefe a fim de preparar terreno para subverter o mundo a uma rebelião ao Senhor Jesus durante o seu breve tempo de soltura ao final do milênio (v. 3). Conforme vimos no capítulo 18:2 os demônios que por aqui estarão durante o período da grande tribulação serão confinados nas ruínas da Babilônia que, conforme Isaías 13:19-22 e Jeremias 50:39, nunca mais será habitada por seres humanos e, sem dúvida, será um lugar que será evitado durante o reino milenar por ser lá uma prisão de demônios. Portanto, sob nenhuma hipótese haverá manifestação demoníaca ao longo do reino milenar do Senhor Jesus.

Não convém, portanto, ficar a especular o motivo pelo qual o Senhor assim agiu, deixando essas hostes em confinamento nas ruínas babilônicas, e tão pouco tentar adivinhar se serão soltas por ocasião do breve período de atuação do diabo ao final do milênio. Se Deus não quis Se manifestar sobre isso agora, deixemos para saber no tempo oportuno, tendo sempre em lembrança que aqueles que atualmente fazem parte do povo de Deus, ou seja, aqueles que têm o Senhor Jesus como o seu absoluto Redentor, com Ele estará em Seu reinado e lá essas coisas ficarão inteligíveis.

João continua a ver: “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”(vs. 4-6). Observamos claramente três conjuntos de pessoas nestes versículos que por certo farão parte do grupo daqueles que estarão assentadas nesses tronos. Vamos a eles:

  1. “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar”.  De plano somos levados a entender que esses que estão entronizados serão os mesmos que lemos em Apocalipse 4:4, cujos anciãos se referem à igreja arrebatada antes da grande tribulação. Perfeito esse entendimento. Todavia, aqui não vemos a especificação da quantidade de tronos como naquele capítulo, João simplesmente diz “vi também tronos”.Portanto, é lógica a avaliação que além da igreja arrebatada todos os “bem-aventurados” (v. 6) que participarão da “primeira ressurreição” (v. 6) lá estarão assentados com objetivo de coparticipar na “administração” do reino milenar do Senhor Jesus.
  2. “Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus”. Estes são os mesmos que vemos em Apocalipse 6:9-11, cujas almas estavam debaixo do altar de Deus e tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e do testemunho que sustentavam no primeiro período da tribulação. Eles estavam a clamar por vingança pelo sangue que estava sendo derramado, mas foi-lhes dito que repousassem e aguardassem até que se completasse o tempo estabelecido por Deus quando então os culpados seriam, e serão, julgados severamente pelos atos praticados.
  3. Finalmente, João vê também aqueles que “não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão, e, como os do grupo acima, não se submeteram ao jugo da besta e do falso profeta e por conta disso morreram, por certo de forma cruel, durante o segundo período da grande tribulação. Vemo-los, agora, ambos os grupos de mártires, como partícipes da “primeira ressurreição” (v. 6), com aqueles que viverão e reinarão com o Senhor Jesus durante o milênio. Jamais haverá qualquer humilhação ao povo de Deus, pois Ele enxugará "as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou"(Isaías 25:8).

Lemos neste capítulo acerca da quinta “bem-aventurança” (v. 6) das sete declaradas neste Livro. Atente para expressão aqui usada por João:  Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição”. Nesta, ele acrescenta a palavra “santo” que, como diz J. Allen, “para demonstrar como Deus tem colocado tais salvos à parte na sua bem-aventurança... com a garantia de que nunca morrerão novamente, em nenhum sentido... serão sacerdotes de Deus e de Cristo... e reinarão com Cristo. Eles não serão somente sacerdotes, mas irão compartilhar do governo de Cristo...”. Que tal, prezado leitor, estar entre estes? Sem dúvida será a sublimidade de todo aquele que hoje crê com autenticidade no Senhor Jesus. Leve em consideração que a próxima ressurreição (e concomitante arrebatamento) será daqueles que fizeram e fazem parte da Sua Igreja.

A esta altura você poderá estar a se perguntar: – Por que tanta controvérsia para um período tão importante para a história da humanidade, gerada por aqueles que refutam a ideia do vindouro reino milenar do Senhor Jesus, apesar de se considerarem cristãos, tendo em vista que somente neste capítulo, dos versículos 2 a 7, seis vezes é mencionado o milênio? Oportuna, caso seja esta a sua indagação caro leitor. O equívoco está na exegese adotada, conforme exposto na crônica anterior a esta. Segundo a interpretação dispensacionalista, a meu ver absolutamente correta, sabemos que esta é a sétima e última dispensação – a do Reino. As outras que antecedem a esta são: Inocência (Gênesis 1:28); Consciência (Gênesis 3:7); Governo Humano (Gênesis 8:15...); Promessa (Gênesis 12:1-2); Lei (Êxodo 19:1...); Igreja (Atos 2:1...).

Segundo C. I. Scofield, que popularizou a escola futurista de interpretação do Apocalipse e do pré-milenarismo dispensacionalista entre os cristãos fundamentalistas, cuja teologia fora concebida nos inícios do século 19 pelo teólogo anglo-irlandês J. N. Darby, que foi bastante influente entre os conhecidos Irmãos de Plymouth, a Dispensação do Reino une em si mesma e debaixo de Cristo as várias “épocas” mencionadas nas Escrituras, a saber:

  1. O período de opressão e desgoverno termina quando Cristo estabelece o Seu reino (Isaías 11:3-4).
  2. O período de testemunho e paciência divina termina em julgamento (Mateus 25:31-46; Atos 17:30-31; Apocalipse 20:7-15).
  3. O período de luta termina em repouso e recompensa (2 Tessalonicenses 1:6-7).
  4. O período de sofrimento termina em glória (Romanos 8:17-18).
  5. O período de cegueira e castigo de Israel termina em restauração e conversão (Ezequiel 39:25-29; Romanos 11:25-27).
  6. O tempo dos gentios termina no desmoronamento da imagem e no estabelecimento do reino dos céus (Daniel 2:34-35; Apocalipse 19:15-21).
  7. E o período da escravidão da criação termina em livramento e manifestação dos filhos de Deus (Gênesis 3:17; Isaías 11:6-8; Romanos 8:19-21).

Este será o contexto do reino milenar do Senhor Jesus que sem dúvida existirá, caro leitor, e nele participarão todos que O aguardam. Estes terão galardão, a coroa da justiça lhes estará reservada a qual o Senhor dará naquele dia a todos quantos amam a Sua vinda (2 Timóteo 4:8). Que você, prezado leitor, esteja entre estes. Permita Deus que assim seja!

 

 


 

CAPÍTULO 20 (3)

Quanto à segunda parte deste capítulo (vs. 7-15), para que haja maior facilidade de entendimento do conteúdo exposto por João é necessário subdividi-la em duas etapas: (1) a soltura do diabo para provar os corações dos nascidos durante o reino milenar do Senhor Jesus, cuja ocasião haverá a revolta daqueles que seguirão o engano diabólico sedutor (vs. 7 a 10), e, posteriormente, (2) a segunda ressurreição para o julgamento e destino final daqueles que se omitiram ou explicitamente rejeitaram a Deus em todos os tempos (vs. 11 a 15).

Você agora poderá estar a indagar, prezado leitor: “Já chegamos ao final do milênio? A parte anterior não deixou revelado nada de como será a vida durante período?”. Não é preciso que neste capítulo seja exposto, pois tudo a esse respeito já fora anteriormente revelado nas Escrituras. Não se esqueça de que, apesar das absurdas interpretações contrárias à existência do reinado milenar do Senhor Jesus Cristo, são muitas as passagens contidas no Velho Testamento que falam acerca desse notável período, que ainda é aguardado pelos judeus ortodoxos com a chegada do Messias prometido, que já veio e eles O mataram, e esperado pelos filhos de Deus da atual dispensação por terem a convicção de que serão coparticipantes desse magnífico reino.

Portanto, somente para exemplificar, dentro do contexto interpretativo, acerca do dia que “o Senhor será o rei de toda terra; naquele dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome” (Zacarias 14:9), serão estabelecidas, dentre outras coisas, as seguintes mudanças:

1. Mudanças geográficas – Zacarias 14:4 e 5b... “Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul... então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos com ele”.

2. Mudanças cósmicas – Zacarias 14:7... “Mas será um dia singular conhecido como do Senhor; não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde naquele dia”.

3. Mudanças climáticas – Zacarias 14:8... Naquele dia, também sucederá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e a outra metade, até ao mar ocidental; no verão e no inverno, sucederá isto”.

4. Mudanças na vida animal – Isaías 11:6-9... "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar".

5. Mudanças na vida vegetal – Isaías 35:1-2... "O deserto e a terra se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como o narciso. Florescerá abundantemente, jubilará de alegria e exultará; deu-se-lhes a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Sarom; eles verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus".

6. Mudanças nas relações entre as nações – Isaías 11:11-12... "Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada. Naquele dia, o Senhor tornará a estender a mão para resgatar o restante do seu povo... Levantará um estandarte para as nações, ajuntará os desterrados de Israel e os dispersos de Judá recolherá desde os quatro confins da terra...”.

7. Mudanças biológicas – Isaías 35:5-6... "Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará...”; Isaías 65:20... "não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado".

Sobre este último item, muitas especulações são levadas, todavia, conforme diz R. David Jones a esse respeito, “a morte no milênio é destinada aos injustos. Os justos viverão até o fim. Não tendo morrido, não precisam ser ressurretos. Jeremias 31:31-34 parece indicar que todos os judeus, durante o milênio, serão fiéis ao Senhor. Veja também Zacarias 8:4”.

Há muitas outras passagens nas Escrituras acerca desse reino, mas entendo que os exemplos acima são suficientes para uma plena compreensão. Vamos, portanto, aos versículos seguintes deste capítulo:

“Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” (vs. 7 a 9). É incrivelmente incompreensível o número de pessoas que se rebelarão contra o Senhor Jesus ao final do Seu reino milenar de paz e absoluta justiça: “O número dessas é como a areia do mar” (v. 8). A pergunta primeira que vem à mente é por que o Senhor permitirá que algo tão inconsequente aconteça?

Isto está, caro leitor, dentro dos atributos extraordinários do Deus Todo-Poderoso. Ele criou criaturas racionais com livre-arbítrio e deu a elas o poder de decidirem por si. Ele não criou autômatos e nem os predestinados como muitos religiosos ensinam equivocadamente. Aquela imensa multidão que será gerada durante o milênio terá que ser provada, assim como foi com o primeiro homem e como ocorre com todos os humanos em nossos dias. Os que nascerão naquele período terão a mesma mortificação espiritual e genética adâmica e, por isso, é preciso que se convertam ao Senhor Jesus para serem regenerados. Somente através desse entendimento é que se poderá compreender tão estúpida rebelião contra o Senhor Jesus ao final do milênio, mesmo estando eles habitando em mundo de extrema harmonia entre todas as coisas criadas por Deus.

Como entender essa postura? Basta lembrarmo-nos do ocorrido com Adão, que habitava em um lugar magnífico, perfeito, preparado com todo esmero por Deus, não lhe faltava absolutamente nada e, ainda assim, ele O desobedeceu por causa da soberba que intuitivamente foi incutida em sua mente pelo deus do presente século – o diabo. Com isso, como diz Paulo, o pecado se universalizou: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Romanos 5:12).

Triste será o fim de tamanha ousadia desses que se rebelarão: “desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” (v. 9). Como diz W. Hoste: “Que tristeza! Mais uma vez se provará que o ser humano, quaisquer que sejam suas vantagens e seu ambiente, a não ser pela graça de Deus e pelo novo nascimento (espiritual), permanece, no seu íntimo, perverso e em inimizade contra Deus”.

Antes de encerrar esta parte, creio ser oportuno um breve comentário sobre a introdução de certa forma abrupta da expressão “Gogue e Magogue” no versículo 8, como se estivesse a indicar a localização dos “quatro cantos da terra”, e não são poucos que a interpretam como sendo onde atualmente está localizada a Rússia. Nada a ver! J. Allen faz as seguintes considerações: “Uma explicação razoável é ver a frase como estando em aposição aos “quatro cantos da terra”, e depois traduzir as palavras ao invés de simplesmente transliterá-las. Sendo que (no vernáculo original) Gog significa “extensão” e Magog “expansão”, as palavras então simplesmente descreveriam a extensão e o alcance da tentativa satânica de juntar forças contra a capital do Reino de Cristo”. Como essas mesmas palavras aparecem em Ezequiel, (capítulos 38 e 39) alguns são levados a entender que o contexto é o mesmo, mas são coisas completamente diferentes, nesta última invasão o comandante será o próprio Satanás ao passo que não se vê isso na passagem descrita pelo antigo profeta.

Prossegue João: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (v. 10). Finalmente a humanidade estará livre dessa hedionda figura criminosa que ao longo dos milênios esteve a atormentá-la. De imediato à sua derrota e consumação dos rebelados, Satanás será lançado para o lugar para ele preparado onde lá estarão à sua espera as duas “bestas humanas” que o serviram ao longo do período da grande tribulação. Este é o lugar revelado pelo Senhor Jesus: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mateus 25:41).

Atente para algo de extrema importância, prezado leitor, que põe por terra o argumento de muitos de que o tormento eterno não existe por ser Deus um Deus de amor. Quando o diabo for lançado para o fogo eterno, lá ainda se encontram os seus dois coadjuvantes humanos na grande tribulação. Observe que para ali eles foram lançados mil anos antes desse acontecimento e permanecem vivos em tormentos. Portanto, não existe hipótese de não existir um lugar de sofrimento eterno, afastado permanentemente de Deus e de Seus remidos. Os que para lá forem manterão suas consciências e serão atormentados dia e noite, todos os dias, para todo o sempre.

Quão terrível é ir para este lugar, prezado leitor. Espero em Deus que você já tenha a mais absoluta das certezas de que para lá não irá, por estar, desde já, coberto pela graça do Senhor Jesus. Bem haja se assim já o fez, se não, faça-o agora. Permita Deus que assim seja!

 


 

 

CAPÍTULO 20 (4)

Na parte final deste capítulo (vs. 11 a 15) a visão de João é sobremodo espantosa. Não no sentido de causar medo, mas por trazer profunda admiração por ser algo digno de apreciação. Diz-nos João: "Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles" (v. 11). O Céu e a Terra sumiram! É como se tudo estivesse suspenso no espaço.

Atente, prezado leitor, para a expressão de João, ele não mais conseguia ver a Terra e o Céu. Por certo poderá surgir uma indagação em sua mente: “Mas como desapareceram? Em não havendo mais Céu e Terra para onde foi aquela imensa multidão de salvos durante o reino milenar do Senhor Jesus, pois, por definição, estes não comparecerão perante esse trono?” Sem dúvida uma boa pergunta tendo em vista que neste capítulo nada consta a esse respeito, apenas que as coisas visíveis “fugiram”.
 
Não podemos deixar de lembrar, sob nenhuma hipótese, que o “contexto” das Sagradas Escrituras é perfeito, pois foi por Deus estabelecido e muitos em nossos dias estão a se esquecer disso. Observe, prezado leitor, o que Pedro diz a respeito desse dia: “o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas” (2 Pedro 3:10). Note que ele fala em “céus”? E tinha que ser, pois vemos nas Escrituras a descrição de três céus, a saber:

  1. Atmosférico – É o ar que nos rodeia e, segundo Paulo, é a região dimensional de Satanás – “o príncipe da potestade do ar” (Efésios 2:2);
  2. Astronômico – Lugar dos astros, o espaço sideral (Jó 38:31-33);
  3. Domicílio de Deus – Diz Paulo: “Conheço um homem (ele próprio) que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) e sei que o tal homem... foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir..." (2 Coríntios 12:2-4). Como vemos, Paulo afirma que foi arrebatado ao “terceiro céu” que ele identificou como o “paraíso”. Segundo João, em Apocalipse 2:7, trata-se do “paraíso de Deus”, ou seja, a morada de Deus, de seus anjos e de seus santos que já estão na Sua presença, como disse o Senhor Jesus ao malfeitor redimido na cruz: “Em verdade te digo que hoje estará comigo no paraíso” (Lucas 23:43).

Pois então, respondendo a sua pergunta, o contexto bíblico deixa de forma bastante clara a existência desses “três céus”. O que João não está mais a ver é o “firmamento”. Os céus, atmosférico e astronômico, que foram criados por Deus, conforme lemos em Gênesis, mas o “terceiro céu” permanecerá inalterado, e todos os remidos do Senhor, desde a fundação do mundo, até o início do Grande Dia do Senhor, com Ele estarão quando “a terra e o céu”sumirem, pois esta é a promessa transmitida por Paulo: “estaremos para sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

Para sempre não é de vez em quando, mas a todo instante. “Sim”, você dirá! Mas também interrogará: “Não vemos nesse texto que estaremos junto a Ele no Grande Trono Branco?” Se assim pensar será engano seu, veja o que nos diz Paulo: "Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos?” (1 Coríntios 6:2-3). Portanto, lá com Ele estarão os Seus.

“Ah! Mas neste texto não cita os anjos?” É verdade, porém o contexto bíblico diz: "... e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia" (Judas 6). Portanto, conforme diz Judas, o meio-irmão do Senhor Jesus, os anjos caídos estarão entre aqueles que serão julgados no Grande Dia do Juízo Final. Leia também 2 Pedro 2:4. Pessoalmente, tenho absoluta convicção de fé que lá estarei como partícipe desse julgamento, mas não como réu.

Voltemos ao texto do versículo 1. Naquele dia não existirá lugar onde se esconder, pois é chegado o Grande Dia que foi contemplado de longe pelo antigo profeta: "Ah! Que dia! Porque o Dia do Senhor está perto e vem como assolação do Todo-Poderoso" (Joel 1:15). Escreve W. MacDonald acerca desse grande trono branco: “É grande por causa das questões envolvidas e branco devido à perfeição e pureza dos vereditos que ali serão dados”. Nele estará assentado o Senhor Jesus como justo Juiz. O Pai Lhe confiou todo o julgamento e Lhe deu autoridade para julgar (João 5:22-27). Não haverá escapatória. Aqueles, em todos os tempos, desde a fundação do mundo, que não fizerem parte da bem-aventurada “primeira ressurreição”, comparecerão diante do trono do Juízo de Deus.

Fico a pensar, prezado leitor, na reação que esses réus terão. Ao longo de suas vidas muitíssimos estiveram a escarnecer de Deus e naquele Dia ali estarão face a face com Aquele que tanto ridicularizaram. Outros viveram professando uma fé enganosa, conforme nos diz o Senhor Jesus: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade" (Mateus 7:21-23). Quantos desses vemos em nossos dias, não é mesmo? Poderá vir à mente a expressão: “Bem feito! Fizeram por merecer”. Entretanto isso me pesou ao coração, pois talvez eu tenha falhado em meu testemunho, me omitido diante das oportunidades que surgiram, ou então não tenha me esforçado como deveria em manifestar a minha fé e, por conta disso, alguns (ou muitos) lá estarão.
 
Prossegue o consagrado apóstolo: "Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras" (vs.12 e 13). Atentemos para as expressões: mortos, grandes e pequenos, o mar, a morte e o além deram os “mortos” que lá se encontravam. Não haverá nenhuma exceção, nenhum esconderijo possível. Todos estarão nivelados, não mais importando a condição social que tiveram, a cor da pele, o poder econômico e a inteligência que possuíram quando em vida. As sepulturas, os tragados pelo mar e o “além”, local onde se encontram as almas daqueles que estão em tormentos no aguardo do Juízo de Deus, estarão ressurretos diante do reto Juiz.

Os livros serão abertos, inclusive o Livro da Vida. Nenhum dos que serão julgados nesse Dia estarão inscritos nesse Livro. Nele constarão somente aqueles que fizeram parte da “primeira ressurreição” conforme já vimos. Mas será importante a apresentação do Livro da Vida para que saibam que todos tiveram a mesma chance que foi negligenciada quando vivos, portanto não haverá justificativas. Como diz Paulo: "porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis" (Romanos 1:19-20).

Atentemos, também, para a expressão de João: “E foram julgados, um por um, segundo as suas obras". O Juízo será individual – “um por um” –, logo a punição eterna que terão será segundo os seus feitos enquanto em vida. A esta altura você poderá arguir, prezado leitor: “Pera lá, quanto tempo levará para que este julgamento se complete dada a quantidade imensurável daqueles que serão julgados?” Neste momento a contagem de tempo não será a mesma que conhecemos. Consensualmente entende-se que há três medidas de tempo: O “khronos” que se refere ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, ou seja, o nosso tempo; “kairós” refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece; e o “aión” que no grego tem por significado “idade ininterrupta”, “sempre-existente”, “perpetuidade” ou simplesmente “eternidade”, diz respeito ao tempo divino e eterno, sem uma medida determinada, onde as horas não passam cronologicamente, portanto este é considerado o tempo de Deus e nele ocorrerá o Seu Juízo. Nesse triste acontecimento a queda das horas não será sentida como em nossos dias. Digo triste, pois enquanto "preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos" (Salmo 116:15), Deus não se regozija com a morte do pecador: "Acaso, tenho eu prazer na morte do ímpio? – diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?" (Ezequiel 18:23).

Surge outra questão: Que escala de punições haverá se cada um destes será julgado“segundo as suas obras”? Não sabemos, Deus não quis deixar revelado e isso nos basta. Diz a esse respeito W. MacDonald: “O fato dos seus nomes não estarem no Livro da Vida os condena, mas o registro de suas obras más determina o grau do castigo ... Assim como haverá graus de recompensa no Céu, também haverá graus de castigo no inferno, determinados com base nas obras dos incrédulos”. O que nos importa, hoje, prezado leitor, é termos a maior das certezas que não estaremos entre estes que irão para a perdição eterna.

João finaliza esta sua visão: "Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo" (vs. 14 e 15). O final revelado é inexorável, porém inquestionável. Este será o estado eterno dos maus, dos indiferentes, dos omissos, daqueles que acham que a Bíblia é um livro de contos, mitos ou lendas. Isto lhes custará extremamente caro, porque a vida não terá fim mesmo depois da segunda morte, ao contrário, para estes a vida continuará em um lugar de terrível sofrimento: “o lago de fogo”. O Juízo de Deus será eterno! A “primeira morte” é provisória, faz a separação do corpo físico da alma e espírito, a “segunda morte” é eterna, será a completa separação de Deus.

H. V. Alford faz um oportuno destaque acerca dos “livros” que serão abertos no Dia do Juízo Final com o Livro da Vida, de que eles serão testemunhas independentes de um mesmo fato: o registro da Terra (os livros que serão abertos) revelará através das “obras” que não há evidência de “vida divina”, ao passo que, o registro do Céu (o Livro da Vida), mostrará pela ausência do nome que nunca houve “vida” naqueles que estarão perante o Grande Trono.

Portanto, caro leitor, é de fundamental importância que você esteja convicto que o seu nome já consta no Livro da Vida. Tenha em mente aquilo que o Senhor Jesus asseverou por ocasião do regresso dos setenta discípulos que Ele encaminhou para uma missão, que se regozijavam pelos demônios que se submetiam à autoridade que lhes fora outorgada pelo Senhor Jesus: “...alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos céus” (Lucas 10:20). Isso é o que importa, conforme nos diz Paulo: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9). Permita Deus que assim seja!

 

 


 

CAPÍTULO 21 (1)

A partir deste capítulo chegamos ao “Estado Eterno”, sem dúvida estaremos nesta crônica diante de algo extremamente estupendo, sem precedentes. Como então explicar a quase ausência completa desse assunto entre os cristãos? No máximo se limitam em falar da “eternidade”, mas não se atrevem em citar estes textos como parte daquele contexto. Não são poucos os que acham que este texto um tanto mítico, utópico, difícil de crer que assim será, tornando-o como algo meramente simbólico como a imaginária ilha da Terra do Nunca do escritor escocês J.M. Barrie. Estejamos absolutamente certos, prezado leitor, que estamos diante de fatos absolutamente reais que acontecerão no porvir, pois estamos diante de uma revelação divina, do Todo-Poderoso, para Quem não existem impossíveis.

Estamos a findar as nossas meditações acerca das notáveis revelações contidas em Apocalipse. Antes de analisarmos os textos dos dois últimos capítulos restantes deste magnífico Livro, analisemos as “sete coisas novas” e as “sete últimas coisas” nele transcritas

AS COISAS NOVAS (21:1 a 22:5)

  1. Um Novo Céu (21:1) – Como já vimos no capítulo anterior o terceiro Céu é eterno por ser a habitação de Deus, portanto esse “novo céu” visto por João substituirá o primeiro céu (atmosférico) e o segundo céu (o astronômico) que hoje conhecemos. Como ele será? Particularmente acho que será algo deslumbrante, mas não convém especular. Saberemos quando lá estivermos. Os que forem condenados à perdição eterna jamais verão o resplendor desse novo Céu.
  2. Uma Nova Terra (21:1) – Eis uma expectativa gloriosa para todo aquele que crê em Deus e em Suas revelações contidas nas Sagradas Escrituras. Na nova Terra, não mais haverá desgraça; nem mais dor; nem mais fome; nem mais sede; nem mais pesar; nem mais lágrima; nem mais mar; nem mais morte; nem mais pecado; nem mais noite. Como disse Paulo: "Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (Romanos 8:18). Portanto, caro leitor, diante disto deveríamos vivenciar em nossos dias os valores da eternidade, para onde irá todo aquele que tem o Senhor Jesus como seu verdadeiro Redentor.
  3. Uma Nova Jerusalém (21:2) – Pela descrição que veremos ao longo deste capítulo ela será uma cidade fantástica, fulgurante, de extraordinária beleza. Como diz W. Newell, “será uma cidade real. Tudo sugere a realidade – ouro, ruas, dimensões, pedras. Esta cidade “desce”, pois é impossível construir uma cidade santa aqui. Neste novo lar da igreja todos os materiais serão providenciados por Deus”. Esta nova cidade que desce do céu será um lar, conforme expressão contida no Salmo 23:6... “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”. A expressão usada por Davi – habitar – tem o significado de “estar em casa”. É assim que se sentirão os que lá estiverem.
  4. Uma Nova Comunhão (21:3) – Aquilo que foi desligado no jardim do Éden com a queda de Adão (Gênesis 3) agora estará restaurado para sempre. O primeiro homem perdeu a comunhão que tinha com o Criador por sua tresloucada desobediência, mas doravante não haverá mais essa hipótese. A visão de João é a de Deus habitando com os homens. Nada poderá quebrar esta nova comunhão, pois as primeiras coisas são passadas (21:4). Sem dúvida um notabilíssimo dia! Se os que dizem crer em Deus mantivessem em suas mentes esta mesma visão de João, a de estarem entre aqueles que habitarão com Deus, por certo suas vidas teriam outro sentido.
  5. Um Novo Santuário (21:22) – É novo porque não mais existe o velho! Diz João: “Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor”. Já não mais será necessário. Com a presença do Deus Todo-Poderoso o local se torna absolutamente sagrado. Os demais santuários outrora existentes eram apenas sombras do verdadeiro. Não mais haverá tabernáculos, templos, ritos, sacrifícios ou petições, dada a presença de Deus junto aos Seus. O antigo profeta, quando teve uma visão semelhante à de João, recebeu a revelação de que Deus não habita em edifícios construídos por mãos humanas: "Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o Senhor" (Isaías 66:1-2).
  6. Uma Nova Luz (21:23-25; 22:5) – "Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite... para alumiar a terra... o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra" (Gênesis 1:14-17). Não mais serão necessários esses corpos celestes para a iluminação do universo como um todo, pois Deus e o Cordeiro proverão toda luz necessária. Não mais haverá noite, o dia será eterno: "A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (21:23) ... Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (22:5). O mundo do porvir será mais brilhante, pois irá refletir a glória eterna do Senhor Jesus.
  7. Um Novo Paraíso (22:1-5) – Chegamos ao apogeu, ao clímax, da Redenção. Ao ler acerca desse novo Jardim me senti como se um pedaço do céu descerá sobre mim. Senti sede ao ler sobre o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus; senti fome ao ler sobre a árvore da vida que fica no meio da praça e produz doze frutos, que devem ser deliciosos; senti grande alívio, pois nunca mais haverá qualquer maldição; um sentimento de iluminação me invadiu, pois no novo paraíso não mais haverá noite, nem velas ou lâmpadas, nem da luz do sol porque o Senhor Deus brilhará sobre os seus habitantes para todo o sempre. Ó Glória!

AS ÚLTIMAS COISAS (22:8 a 21)

  1. A Última Testemunha (22:8) – “Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas”. O consagrado apóstolo deixou expresso o seu referendo sobre aquilo que escrevera. Ele tinha a mais absoluta das certezas de que transcrevera “palavras fiéis e verdadeiras” (22:6) que lhes foram transmitidas pelo anjo que lhe revelou as coisas que em breve devem acontecer. Ele foi a última testemunha, o último profeta, o último servo, o último apóstolo que teve comunicação direta com o Eterno. Os que estão a surgir em nossos dias não passam de titulação barata para atenderem as suas vaidades. Já houve quem dissesse que entre o querer ser e o crer que se é, vai a distância entre o sublime e o ridículo (Ortega y Gasset).
  2. A Última Bem-Aventurança (22:14) – A penúltima bem-aventurança está contida no versículo 7 deste mesmo capítulo e é estendida a todos que guardam as palavras da profecia contida neste Livro, e por último João declara que serão bem-aventurados aqueles que estão redimidos pelo sangue do Cordeiro, porque a estes está assegurado o direito de acesso à árvore da vida e de entrarem na cidade santa.
  3. O Último Convite (22:17) – Infeliz daquele que passar por esta vida e não aceitar a este último convite contido nas Sagradas Escrituras: “Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”. Sobre os que rejeitam esse convite paira o terrível juízo da segunda morte, pois irão para o lago que arde com fogo e enxofre (21:8).
  4. A Última Advertência (22:18-19) – Ai daquele que fizer qualquer adulteração nas palavras contidas neste Livro, Deus o tratará de forma extremamente severa. Impressionante como nos dias atuais isto não é levado a sério tendo em vista a imensa quantidade dos que se dizem cristão e ficam a falsear a verdade através das suas prédicas e “sinais”, que não passam de posturas pessoais para atender os seus anseios e deleites. Nunca é demais lembrar a advertência do Senhor Jesus: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus" (Mateus 7:21).
  5. A Última Promessa (22:20) – A testemunha fiel e verdadeira, o próprio Senhor Jesus, confirma a autenticidade das palavras ditas pelos dois anjos por ocasião da Sua ascensão ao Céu: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá do modo que o vistes subir” (Atos 1:11). Jesus reitera no penúltimo versículo deste Livro essa magnífica promessa: “Certamente venho sem demora”.
  6. A Última Oração (22:20) – Não parei para conferir, mas provavelmente esta seja a oração mais breve contida na Palavra de Deus, cujo significado é extraordinária para cada um daquele que crê na vinda do Senhor Jesus para buscar e estar com aqueles que Lhe pertence: “Amém. Vem Senhor Jesus”. João não tinha mais palavras para se expressar diante de tamanha revelação final que o Senhor lhe dá, asseverando a Sua volta.
  7. A Última Bênção (22:21) – Chega-se ao fim! “A graça do Senhor Jesus seja com todos”. E com esta bênção encerro a parte introdutória ao presente capítulo, tendo em firme lembrança as palavras de Paulo: "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda" (2 Timóteo 4:8). Que esta seja a sua convicção, prezado leitor. Permita Deus que assim seja!

 

 

 


 

CAPÍTULO 21 (2)

Tão logo é encerrada a visão do juízo do Grande Trono Branco (20:11-15), de imediato João contempla a magnífica criação do porvir, absolutamente novíssima, as coisas passadas jamais serão vistas: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (v. 1). Ele está a visualizar algo nunca dantes visto, não uma simples renovação, mas o “Estado Eterno”. Portanto, não há hipótese alguma para se interpretar que esse “novo tempo” seja o milênio, pois é algo muito acima do novo ou do diferente. Fico a imaginar a Terra sem o mar que hoje conhecemos que ocupa quase três-quartos da superfície do nosso planeta. Como diz J. Allen. “Deus estabelecerá uma ecologia para a Terra e uma fisiologia para a criatura que serão totalmente diferentes daquelas que conhecemos no presente”.

Continua João em suas visões: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (v. 2). O consagrado apóstolo está tendo uma magnífica visão, a mesma que o escritor aos Hebreus descreveu como a “cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial” (Hebreus 12:22). Esta cidade estava dentro das expectativas de Paulo ao afirmar: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). Que esta seja a sua mesma expectativa, prezado leitor.

Como não podia deixar de ser, há os que insistem em asseverar que essa nova cidade se trata da Igreja, face à expressão contida nesse versículo: “ataviada como noiva adornada para o seu esposo”. Acerca disso, J.F. Walvoord faz uma oportuna consideração: “O que temos aqui não é a Igreja por si própria, mas uma cidade ou habitação tendo o frescor e a beleza de uma noiva adorada para o seu casamento com seu marido”. Portanto, não há nenhum motivo para não a considerar como uma cidade verdadeira e não simbólica como alguns afirmam. O Senhor expôs de forma clara que haveria um lugar para onde Ele iria a fim de preparar um local para os Seus: "Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (João 14:2-3). Esta é a cidade que Abraão ansiava habitar. Pelos olhos da fé ele a viu, ainda que tão distante do seu tempo, "porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador" (Hebreus 11:10).

Por certo ainda perplexo diante de tão grandiosas visões, chega aos ouvidos de João uma poderosa voz: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (vs. 3-4). Todo o propósito de Deus estará sendo cumprido neste notável momento. Todavia, há os que teimam em levantar questões sobre a comunidade que estará a habitar na nova Jerusalém. Além da Igreja de Deus: "Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome" (Apocalipse 3:12), nela também habitarão todos aqueles que, em todas as épocas, criam e aguardavam as promessas de Deus acerca da Redenção de seus corpos e a certeza da vida eterna em Sua presença. Diz acerca disso C.I. Scofield: “A nova Jerusalém é o lugar de habitação dos santos de todas as dispensações através da eternidade e cumpre a esperança de Abraão quanto à cidade celestial (Leia Hebreus 11:10-16 e compare com Hebreus 12:22-24)”.

A expressão ouvida por João: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (v. 4), não traz em si o significado que na eternidade existirão esses sofrimentos. A ênfase do texto é para deixar claramente evidenciado que nunca mais haverá qualquer forma de maldição. Aqueles que lá estarão jamais chorarão, pois suas lágrimas foram completamente enxugadas e no passado ficaram; a morte jamais existirá porque no “Estado Eterno” não mais haverá “separação”, este é o significado da morte; nem tampouco a dor, pois ela foi uma das primeiras consequências do pecado (leia Gênesis 3:16) e este nunca mais surgirá, pois será completamente banido da presença de Deus.

Essa interpretação é ratificada por W. MacDonald: “A expressão lhes enxugará dos olhos toda lágrima não significa que haverá lágrimas no céu. Trata-se de uma forma poética de dizer que não haverá! Também a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor. O povo de Deus nunca mais experimentará tais aflições. Aquele que está assentado no trono fará novas todas as coisas. Suas palavras são fiéis e verdadeiras e certamente se cumprirão”. Isto é plenamente confirmado pela voz que João ouve diretamente do Trono de Deus: “E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras” (v. 5). Pois então, prezado leitor, como pode existir tão imensa multidão que ainda insiste em não fazer parte desses quer herdarão essa nova cidadania? Espero em Deus que este não seja o seu caso.

Prossegue João: “Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho” (vs. 6-7). “Tudo está feito”! Esta notável expressão nos remete à crucificação do Senhor Jesus quando Ele exclamou: “Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (João 19:30). Aquele Seu brado de vitória continuará ecoando até este momento, o magnífico momento da criação do “Estado Eterno” que compreende o novo Céu, a nova Terra e a nova Jerusalém, porque Ele é o “Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim” de todas as coisas. Nele foi originada a primeira criação e nEle tudo será aperfeiçoado nessa nova criação. Somente Ele satisfará as necessidades daqueles que são Seus, jamais terão sede porque Ele dará de graça da fonte da água da vida conforme a Sua promessa quando aqui esteve: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede, para sempre; ao contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4:14).

Magnífica a promessa contida nesse texto: “O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho” (v. 7). Nada, absolutamente nada neste mundo poderá substituir tamanha herança! Todo aquele que crê, desde já tem o Pai, o Deus Todo-Poderoso, para sempre, se tornando, portanto, verdadeiramente um filho de Deus. Daí a importância de sermos vencedores e para isso nada neste mundo poderá nos separar do Amor de Deus, conforme escreve Paulo: "Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8:37-39). Essa era a absoluta convicção do consagrado apóstolo, pois ele cria firmemente que não era um bastardo espiritual, pois confiava nAquele que afirmou: eu vos receberei... serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso" (2 Coríntios 6:17-18).

E como haveremos de ter certeza de que já somos vencedores? O mesmo apóstolo João, em sua primeira epístola, nos responde: "todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?" (1 João 5:4-5). Quem não tiver essa fé vencedora, não nascer de Deus, pela Palavra e pelo Espírito, e não crer ser Jesus o Filho Unigênito de Deus, será um derrotado e não estará entre aqueles que habitarão com Deus. João é extremamente claro neste 21° capítulo de Apocalipse quanto a esses que não serão herdeiros da promessa de Deus: “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (v. 8).

Há que se lamentar que nem todos serão vencedores. Neles não há nenhuma esperança. Como diz R.E. Watterson: “Após contemplarmos a felicidade dos salvos, vemos mais uma vez a triste sorte dos perdidos. A lista de condenados começa com os tímidos (ou covardes), aqueles que temeram os homens e rejeitaram a Cristo. Em seguida temos os que não creram e juntamente com eles os idólatras que acreditaram até em vãs superstições. Os abomináveis, os violentos e os imorais também terão parte neste sofrimento, assim como os feiticeiros com suas práticas enganosas e, por fim, os mentirosos ou, literalmente, os falsos”.

Para estes, “a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (v. 8), e, como diz J. Allen, “não será um extermínio, como as mentes incrédulas gostam de supor, mas sofrimento consciente e interminável para sempre. As palavras vindas do trono não permitem outro significado”. Oxalá, prezado leitor, que você possua completa autenticidade de fé em Deus para que não esteja entre aqueles sobre os quais pairam tão grande e terrível juízo. Permita Deus que assim seja!

 


 

CAPÍTULO 21 (3)

 

Conforme vimos na crônica anterior, nos oito primeiros versículos deste capítulo João descreve a visão que teve do “Estado Eterno” com a formação do novo céu e da nova terra que virão a existir, e a cidade santa, a nova Jerusalém que descerá da morada de Deus. Agora, mais detalhadamente, ele transmite a visão que teve dessa magnífica habitação: Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina” (vs. 9-11). O texto é bastante claro. Um dos anjos que com João esteve por ocasião do derramamento dos sete últimos flagelos sobre a Terra (capítulo 16) o arrebata em espírito até um alto monte para lhe mostrar o lugar onde será a sua morada na eternidade e de imediato ele contempla algo extraordinariamente fulgurante que não consegue descrever com exatidão aquilo que via, a não ser como algo que, de tão precioso, ele classifica como uma joia raríssima. O motivo é inteligível: nela habitará “a glória de Deus” (v. 11).

Todavia, entre os comentaristas criou-se certo embaraço quanto à época da chegada dessa extraordinária cidade. Alguns a colocam por ocasião do reino milenar a ser estabelecido pelo Senhor Jesus Cristo aqui na Terra, como se fosse um “quinto parêntese” em Apocalipse. Com isso João teria sido levado a retornar a sua visão para o tempo do milênio. Respeitando os argumentos apresentados por esses expositores, está bastante claro que desde o capítulo 19:11 os acontecimentos revelados demonstram estar numa sequência absolutamente cronológica, não cabendo agora um retorno às coisas já reveladas neste Livro.

Convém esclarecer que no Antigo Testamento é profetizado acerca de uma nova Jerusalém terrestre, situada em Israel durante o período do milênio, todavia há pouca coisa em comum com esta cidade que irá descer do céu para ser a capital universal do “Estado Eterno”. Devemos ter em lembrança, caro leitor, que a esta altura das revelações as primeiras coisas são passadas, não mais existem, estamos diante de algo novo. Independentemente das interpretações existentes quanto à época, o que importa é o entendimento de que essa grande, nova e santa cidade é real, nela habitarão todos aqueles que têm o Senhor Jesus como o único Redentor de sua vida. Por si só, isto me basta!

A expressão contida no versículo 9: “Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro”, nos leva de imediato a entender que a noiva em questão estaria simbolizando a Igreja. É claro que a Igreja estará entre os habitantes dessa maravilhosa cidade, mas o que João está vendo é a cidade em si, não as pessoas como é o caso da Igreja, cujos membros (não um edifício, obra de alvenaria) constituem um só corpo com respeito a Cristo (1 Coríntios 12:12). R. David Jones nos traz um esclarecimento oportuno acerca disso: “Era costume no oriente médio, quando um rei entrava na capital do seu país para tomar posse do seu reino, ou um príncipe subia ao trono, dizer que ele estava casando-se com a cidade (Isaías 62:4-5). Ele estava sendo unido de forma íntima e permanente com o trono, a cidade e a nação. Assim a cidade chamada Nova Jerusalém será casada com o Cordeiro”. Nessa passagem de Isaías, Jerusalém é considerada simbolicamente como ”a noiva do Senhor”.

A contemplação das características extrínsecas da “santa cidade” continua: “Tinha grande e alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Três portas se achavam a leste, três, ao norte, três, ao sul, e três, a oeste. A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (vs. 12 a 14). Existe um esforço por parte de alguns ao tentarem “espiritualizar” esses elementos, referindo-se a eles como se símbolos fossem. Sem dúvida, um esforço inútil, pois eles significam materialmente o que são, como por exemplo: muralha é muralha como conhecemos, aliás, uma imensa muralha, pois a sua espessura (v. 17) é aproximada à largura média de um campo de futebol (cerca de 70 metros) e a sua extensão de quase dez mil quilômetros (v. 16). Isso mesmo, caro leitor, essas medidas podem nos parecer espantosas, entretanto são absolutamente reais.

Normalmente uma muralha traz a ideia de proteção para os que estão dentro da cidade para com os que fora dela estão. Todavia, observamos que não é esse o caso da muralha descrita no versículo 12, pois nela há doze portas instaladas, três de cada lado (v.13), que jamais serão fechadas como afirma o versículo 25: “As suas portas nunca jamais se fecharão”. Você poderá estar a indagar, caro leitor, então para que servirá essa gigantesca muralha se haverá livre acesso à nova Jerusalém? A resposta é simples e está no contexto desse capítulo: “As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória” (v. 24). Concluímos, portanto, que haverá dois grupos distintos no “Estado Eterno”: aqueles que estarão habitando dentro da cidade e fazem parte do Tabernáculo de Deus que vimos no versículo 2, dentre estes, é claro, aqueles que atualmente fazem parte da Igreja de Deus e serão arrebatados antes da grande tribulação que virá sobre a Terra, e o outro grupo representado pelas nações que se desenvolverão ao longo de toda eternidade. Daí a enorme importância de, ainda hoje, se tomar uma decisão a respeito do porvir.

Diante do exposto, por que cada porta terá um “anjo de guarda”? O contexto não dá essa ideia, caro leitor. Por certo os anjos lá estarão como “guardas de honra”, partícipes da administração da nova Jerusalém. Por oportuno, convém ressaltar que o número 12, que por vinte e três vezes aparece em Apocalipse, nove deles estão neste capítulo. Simbolicamente acredita-se que o número 12 representa “governo” ou “administração”. Interessante o pensamento de J. Allen a respeito dessa vasta muralha com suas portas e anjos: “No novo Céu e na nova Terra haverá privilégios especiais associados com o acesso ao trono de Deus e do Cordeiro, por isso há um muro... Esta cidade estará em comunicação com a nova Terra, mas tudo que sai da cidade, e todos que entram nela, precisam passar por essas portas”. E pelos seus anjos, acrescento eu.

Ainda com respeito à muralha, João revela que sobre cada uma das suas portas estará inscrito o nome de uma das doze tribos de Israel (v. 12), e nas suas fundações estarão inscritos os nomes dos doze apóstolos do Senhor Jesus (v. 14). Isto tem gerado algumas divagações de que Israel e a Igreja seriam a mesma coisa para Deus, mas não são. Israel, o povo terrestre de Deus, rejeitou ao Seu Ungido e no relógio cronológico de Deus eles estão parados no tempo até que a contagem seja reiniciada com o arrebatamento da Igreja, que por sua vez é o Seu povo celestial, formado por aqueles que receberam a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.

Portanto, o simples fato do nome das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos do Senhor Jesus estarem citados nessa grande muralha não significa que sejam as mesmas coisas. Pelo fato de no porvir ambos habitarem a mesma cidade, há uma distinção bastante clara entre eles, pois são mencionados em estruturas diferentes – portas e fundamentos – e, por certo, com funções diferentes na administração da grande cidade. Mas isto saberemos concretamente quando lá estivermos.

Não são somente as suas dimensões que a tornam admirável, a riqueza de detalhes da estrutura dessa muralha também é sobremodo impressionante: “A estrutura da muralha é de jaspe; também a cidade é de ouro puro, semelhante a vidro límpido. Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento é de jaspe; o segundo, de safira; o terceiro, de calcedônia; o quarto, de esmeralda; o quinto, de sardônio; o sexto, de sárdio; o sétimo, de crisólito; o oitavo, de berilo; o nono, de topázio; o décimo, de crisópraso; o undécimo, de jacinto; e o duodécimo, de ametista. As doze portas são doze pérolas, e cada uma dessas portas, de uma só pérola" (vs. 18-21). Como diz W. MacDonald, “a descrição da muralha e da cidade é difícil de visualizar, mas tem por objetivo criar uma imagem de magnificência e esplendor, e o faz com sucesso”.

A beleza dessa muralha sem dúvida é espetacular, mas confesso que não consegui de imediato “visualizar” as pérolas que formam as suas doze portas tendo em vista as suas dimensões. Sem nenhuma intenção de questionar, quando li que cada porta era formada de “uma só pérola” (v. 21), veio-me a mente: “Que pérola é essa”? Nisto surgiu-me o pensamento: “Se de um simples grão de areia a ostra produz uma joia tão preciosa como a pérola, o que dirá então o Deus Criador de todas as coisas”? Para Ele não há impossíveis! Além de me confortar, este pensamento me trouxe a compreensão que necessitava: Crer, somente!

Na próxima crônica continuaremos neste capítulo para contemplar internamente a magnitude da nova Jerusalém, que será a morada eterna daqueles que creem autenticamente no Deus Todo-Poderoso e em Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, a Quem Ele subordinará todas as coisas no “Estado Eterno” que está por vir. Espero em Deus que esta seja a sua convicção, prezado leitor. Permita Deus que assim seja!

 

 




 

 

 

CAPÍTULO 21 (4)

 

Prossegue João em sua visão acerca da nova Jerusalém. A partir do versículo 21 ele passa a descrever as características intrínsecas da cidade-sede do “Estado Eterno”: A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente”. Ao espiar, agora, para além daquela magnífica muralha que vimos na crônica anterior, ele vê algo ainda mais extraordinário que de imediato chama a sua atenção. Aquela visão deve ter permanecido na mente do apóstolo por um certo tempo: “Ah, aquela praça!”, provavelmente ficara a pensar.

Tentei ter ideia daquilo que João estava a contemplar e tive que concluir que o ouro nela contido era algo inimaginável. Por ser absolutamente íntegro, sem mistura, de perfeição absoluta, ele se mostrava a João como um “vidro transparente”, pois nele não havia a presença de um cisco sequer de impureza ou de elementos estranhos. Aquela visão deslumbrante revelava a João que ali estava um ambiente absolutamente puro, sem mácula, onde a malignidade sob nenhuma hipótese estaria presente.

Uau! Foi a exclamação que me veio à mente pelo regozijo de saber que essa mesma contemplação do apóstolo também a terei com a chegada daquele dia, assim como todo aquele que crê nas profecias contidas neste notável Livro. Que você, prezado leitor, lá esteja também, é o meu sincero desejo.

Continua João: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (v. 22). Cadê o Templo, caro leitor? Eis a grande diferença entre a Jerusalém celestial e a terrestre. Na antiga Jerusalém havia a necessidade de um local específico que personificava de forma implícita a presença de Deus junto a Israel, o Seu povo terreal, na nova Jerusalém não haverá nenhuma barreira que impedirá o convívio de Deus com os Seus. Não haverá mais a necessidade de um Templo, pois a própria cidade é um santuário pela presença explícita do Deus Todo-Poderoso juntamente com o Cordeiro, o Senhor Jesus, que nela estarão habitando juntamente com os Seus.

“A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória” (vs. 23 e 24). Como já vimos, ao contemplar o novo céu e a nova terra João não mais viu o Sol e a Lua, os dois grandes luminares da Terra. Portanto, nela, assim como em toda nova criação, não mais haverá noite nem tempo ruim, dias nublados ou carrancudos, pois a glória de Deus e a luz do Senhor Jesus serão perenes para todo o sempre. Diz J. Allen ao comentar sobre essa nova criação: “... o Sol e a Lua são obsoletos, pois esta cidade tem uma fonte de luz muito superior: “a glória de Deus”, a mesma que iluminou o tabernáculo de Moisés (Êxodo 40:34-35) e o templo de Salomão (1 Reis 8:10-11) ... As palavras de Isaías agora são cumpridas, não figurativamente, mas literalmente: ‘Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te aluminará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus a tua glória’ (Isaías 60:19)”.

As expressões “nações” e “reis” contidas no versículo 24, fazem com que alguns comentaristas asseverem que pela menção de nações e governantes nesse texto estariam a indicar que essa visão de João diz respeito ao período do reino milenar do Senhor Jesus. Carece de prova essa assertiva, pois não há nenhum indício de sustentação que não existirão nações no “Estado Eterno”. Ao contrário, dentro do contexto que se encontram fica claro que elas não só existirão na eternidade, como Israel será a nação que as liderará conforme previsto nas Escrituras. J. Allen reforça esse entendimento: “Esta grande cidade é a central de luz da Terra, e as nações podem conduzir seus negócios e organizar a sua vida diária “mediante a sua luz”. “Andarão” é a figura bíblica para descrever o viver diário do ser humano... A “glória” que trazem à cidade é a glória da sua associação com ela... Não há problema algum se esta cidade for vista no contexto do Estado Eterno, quando todos os da Terra, mesmo não tendo cidadania da cidade, têm livre acesso a ela”.

“As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. E lhe trarão a glória e a honra das nações” (vs. 25 e 26). Os portões das grandes cidadelas de outrora eram fechados à noite para proteção contra possíveis invasores. Como na eternidade não haverá noite e tampouco inimigo, desnecessário será que as portas da muralha da capital do universo sejam cerradas. Elas estarão constantemente abertas, sem exceção, tendo em vista que tudo que faz parte da noite foi-se para sempre e todos habitantes daquela que será a “nova Terra” terão acesso diuturno à nova Jerusalém, pois não mais haverá limite de tempo.

É natural que dada a nossa limitação, não só de tempo como de espaço, hoje somos totalmente incapazes de imaginar como será o dia a dia na eternidade. Não haverá mais noite, quando então dormiremos? Certamente isso passará a ser algo desnecessário. Mas se eu precisar ficar acamado? Isso jamais ocorrerá! Nunca mais haverá, cansaço, dor, doença, lágrima, sofrimento, luto, fome, sede etc. (v. 4, dentre outros). Como diz o versículo 27: “Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro”. Que Glória! Magnífico será ali morar. Pena que a imensa maioria da humanidade não tenha essa mesma expectativa e com isso muitíssimos são os que não estão inscritos no Livro da Vida do Cordeiro. Mas ainda há tempo! O porvir está a chegar, a queda das horas é inexorável, as pessoas precisam ser alertadas disso para que fiquem conscientes da decisão que tomarem, caso não se decidam crer nas revelações contidas neste Livro.

Segundo os codificadores da Bíblia aqui terminaria este capítulo. Todavia, devemos ter em lembrança que os originais das Sagradas Escrituras não contêm versículos e capítulos, é um texto contínuo. Digo isso por entender que a visão de João sobre a nova Jerusalém não termina aqui, mas continua até os cinco primeiros versículos do capítulo 22. Este também é o entendimento de R. E. Watterson: “Os primeiros versículos deste capítulo (22) continuam e concluem a descrição da cidade celestial. A divisão em capítulos, mais uma vez, foi infeliz, pois estes versículos realmente pertencem ao capítulo anterior (21)”. Portanto, vamos a eles!

“Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos” (22:1-2). João dá a sua última espiada na gloriosa cidade. Ele a viu externa e internamente, agora ele se detém ao ponto mais central dela, onde está localizado o Trono e o seu entorno, de onde será regido o Estado Eterno. Dele sairá o extraordinário manancial de água e de alimento indispensável para o suprimento da vida a todos por toda a eternidade.

Ao citar “de mês em mês” João não está a dizer que haverá marcação de tempo, pois isso, doravante, nunca mais existirá, mesmo porque não mais haverá o Sol e a Lua que são os marcadores de tempo usados neste antigo mundo. Como diz J. Allen, “fica evidente que João usa a palavra “mês” como uma referência conhecida para ilustrar a mudança da variedade da provisão da árvore da vida. Fecundidade e variedade estão em vista aqui”.

Da mesma forma quando João cita que as folhas da árvore são para a “cura dos povos”, não significa que haverá doenças e consequente morte no “Estado Eterno”. Sobre isso diz J. F. Walvoord: “Em outras palavras, as folhas da árvore promovem o prazer da vida na nova Jerusalém, e não são para corrigir doenças que não existirão”. Algo semelhante ocorreu quando vimos a expressão que Deus “enxugará dos olhos toda lágrima” (21:4), a ênfase contida naquele texto foi para deixar claramente evidenciado que nunca mais haverá qualquer forma de sofrimento na eternidade; aqueles que lá estarão jamais chorarão, pois suas lágrimas foram completamente enxugadas e no passado ficarão para todo o sempre.

Caso paire alguma dúvida em sua mente, prezado leitor, veja o que João revela a seguir: “Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele” (22:3-4). A afirmação do consagrado apóstolo é enfática, marcante, não deixa a menor dúvida: no “Estado Eterno”, nunca jamais, em tempo algum, haverá qualquer maldição por menor que seja, pois ali estará as augustas presenças de Deus e do Senhor Jesus. Os Seus servos Os servirão, dentre estes estará indiscutivelmente a Igreja de Deus, formada por aqueles que têm, absolutamente, o Senhor Jesus como o seu único Redentor. Lá haverá uma vida solene, pois estarão a contemplar o rosto do Deus Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, algo que fora tão desejado por servos do passado, a exemplo de Moisés e não lhe foi permitido (Êxodo 33:17-23). De agora em diante fará parte do dia a dia daqueles que junto a Ele estarão identificados com o Seu nome. Acontecimento como este, caro leitor, nos remete às palavras de Paulo: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas" (2 Coríntios 4:17-18).

“Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (22:5). Aqui encerra João a visão que estava tendo da majestosa cidade. Recentemente ocorreu no bairro em que moro um breve apagão. Como era noite, tudo ficou em trevas pela ausência completa da luz. Como isso ocorre esporadicamente tive que me lembrar onde estaria o farolete. Depois de muito tatear, achei-o. Cadê as pilhas? Agora ficou um poucadinho mais difícil encontrá-las na quantidade necessária. Não existe nenhuma hipótese disso ocorrer na eternidade porque a Luz divina jamais se apagará.

“Bem-aventurados os limpos de coração; porque eles verão a Deus” (Mateus 5:8). Um coração somente poderá ser limpo mediante o lavar regenerador e renovador do Santo Espírito (Tito 3:5). Que esta seja a sua realidade, caro leitor, pois assim você lá estará para contemplar o maravilhoso rosto de Deus. Permita Deus que assim seja!

 


 

 

 

CAPÍTULO 22 (1)

 

Chegamos ao epílogo deste notável Livro, prezado leitor. Neste último capítulo João nos transmite as revelações recebidas diretamente do Senhor Jesus Cristo que na maioria das vezes lhe foram transmitidas através de um ente celestial. Os cinco primeiros versículos deste capítulo foram comentados no capítulo anterior pelo fato dos mesmos pertencerem ao contexto do capítulo 21, conforme expus na última crônica. Agora, a partir do versículo 6, ouviremos três vozes: A do próprio apóstolo João (v. 8), a do Senhor Jesus (v. 7) e a do anjo que lhe trouxe essas últimas revelações (vs. 6, 9 e 11). Vamos a elas!

“Disse-me ainda: Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer. Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” (vs. 6 e 7). João ouve agora a voz do Senhor Jesus reiterando aquilo que já lhe fora dito logo de início, no primeiro versículo do capitulo 1 de Apocalipse, acerca das coisas que em breve deverão acontecer e Ele deixa claro que essas revelações são absolutamente fidedignas, por serem “fiéis e verdadeiras” (v. 6).

Portanto, não existe nenhuma hipótese que elas não se concretizem. Infeliz daquele que pensa o contrário. Essas coisas em breve acontecerão e por isso Ele confirma aquilo que já havia dito no versículo 3 do primeiro capítulo deste Livro, de que bem-aventurado é todo aquele que guarda as palavras desta profecia, pois Ele não tarda em retornar para que elas venham a acontecer (v. 7).

A esta altura você poderá estar a pensar caro leitor: “Caramba, cerca de dois mil anos já se passaram e nada aconteceu, nem um sinal tem sido dado desse Seu breve retorno”. Pode ser até compreensível se assim você pensar, mas observe que por três vezes neste capítulo o Senhor afirma que a Sua volta é “sem demora” (vs. 7, 12 e 20) e no versículo 10 Ele garante que o “tempo está próximo”. Portanto, a questão a ser avaliada é o que representa o “tempo” para cada um de nós. Será que temos a noção correta do seu significado? Vamos, então, a uma breve reflexão.

Segundo W. Kelly, “tudo o que pertence ao Corpo de Cristo está fora do tempo e do mundo. A Igreja é do Céu e, no Céu, não há tempo, nem coisa alguma que o meça. Há nos céus luminares que marcam os tempos e as estações para a Terra e para outros planetas, mas a Igreja compõe-se de pessoas chamadas para fora da Terra, pois ela não é da Terra, em consequência disso para ela o tempo está sempre próximo. Desde que Cristo foi anunciado como estando assentado à direita de Deus, portanto, desde o começo do cristianismo, foi também apresentado como estando prestes a julgar os vivos e os mortos (1 Pedro 4:5), e assim permanece até o presente tempo. A Igreja continua, pois, segundo a vontade do Senhor, Ele pode, de acordo com os Seus desígnios, alongar ou abreviar este intervalo de tempo, que está inteiramente em Suas mãos, mas a Igreja não tem nada a ver com os tempos nem os acontecimentos”. Sobremodo perfeito o pensamento desse autor.

Pense comigo, prezado leitor. Todo aquele que espiritualmente se converte em “nova criatura” à medida que verdadeiramente crê no Senhor Jesus como o Seu único e verdadeiro Redentor, passa a fazer parte do Seu Corpo, que é a Sua Igreja que por agora ainda está aqui na Terra, e é formada pelas “pedras vivas” que compõem a “casa espiritual” que oferece “sacrifícios espirituais”, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo (1 Pedro 2:5). Portanto, a Igreja, ainda que esteja aqui na Terra, até a vinda do Senhor Jesus para arrebatá-la, representa o “povo celestial” de Deus, já pertence ao Céu e nada poderá retirá-la de lá. Por conseguinte, não há contagem de tempo, pois já é!

Dentro dessa lógica divinal, para mim a conjugação do verbo “estar” é sempre no tempo verbal do presente do indicativo, ou seja, aquilo que estou a falar ou a escrever é a sensação que sinto naquele exato momento, pois, como parte da Igreja que sou, o tempo mo é único: Hoje “estou” aqui, amanhã “estou” arrebatado ao Céu, depois de amanhã “estou” com Cristo em Seu Reino, e depois do depois de amanhã “estou” com Ele no novo Céu e nova Terra, portanto, hoje já “estou” na Eternidade. Traga o futuro para junto de si, prezado leitor, e vivencie presentemente o magnífico peso da glória que o espera e que em nenhuma hipótese poderá ser comparado com as coisas aqui de baixo. Só pode pensar contrariamente a essa estupenda realidade aqueles que, tremendamente equivocados, acreditam na possibilidade da “perda da salvação”, apesar da claríssima promessa do Senhor Jesus garantindo que da Sua mão e da mão do Pai ninguém poderá arrebatar a alma que a Ele efetivamente pertence (João 10:27-29).

O questionamento sobre a “demora” da volta de Cristo já fora prevista desde os tempos apostólicos, para que fosse levado em conta que "nos últimos dias virão escarnecedores... andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?... Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento... Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça... Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; (2 Pedro 3:3, 4, 8, 9, 13 e 17). Não permita, caro leitor, que haja qualquer sombra de dúvida da garantia pessoal dada pelo Senhor Jesus acerca da Sua vinda para buscar os Seus, pois isso faz parte do calendário divino e não existe nenhuma hipótese disso ser alterado.

Por outro lado, me assusto quando ouço um “evangelho” estranho aos meus ouvidos, dizendo que hoje eu tenho que priorizar as coisas aqui debaixo e “determinar” a Deus que me dê muito dinheiro e saúde para o gozo desta vida. Que coisa mais mesquinha! Esta não é a Sabedoria que vem lá do Alto; ao contrário, é terrena, animal (psicótica) e demoníaca (Tiago 3:15). Não podemos nos limitar às coisas menores, mas com as lá de cima. Isto nos remete a Paulo quando diz: "Portanto, se [ já ] fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque [ já ] morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória. Fazei, pois, morrer [ já ] a vossa natureza terrena" (Colossenses 3:1 a 5).

Isto posto, caro leitor, pensemos como Paulo, tendo em vista que andamos por fé e não pelo que vemos, tenhamos sempre bom ânimo, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na dor, na riqueza ou na pobreza material, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor, preferindo deixar este corpo e habitar com o Senhor, pois estar com Ele é incomparavelmente melhor (2 Coríntios 5:6; Filipenses 1:23). Portanto, o que menos nos importa é o “tempo” face à convicção que temos que a nossa pátria está no Céu, para aonde iremos e de onde aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3:20).

Prosseguindo, ouçamos agora a voz do consagrado apóstolo: “Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas. E, quando as ouvi e vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrou essas coisas, para adorá-lo. Então, ele me disse: Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus (vs. 8 e 9). João estava exultante com essas impressionantes revelações. As ponderações de J. Allen sobre essa ocorrência são sobremodo oportunas para um entendimento claro do sentimento que o apóstolo estava a sentir: “João está tão maravilhado que, como uma reação natural, ele cai aos pés do anjo guia. Quando ele caiu aos pés de Cristo, no primeiro capítulo (1:17), parece que a sua reação foi involuntária; aqui ele age deliberadamente, e ele confessa que tinha a adoração em mente. Entretanto, comparando com 19:10, onde João recebeu a sua primeira repreensão angelical em circunstâncias semelhantes, vemos que a intenção de João parece ter sido de adorar a Deus aos pés dos anjos. João aprendeu algo na sua primeira repreensão, e sabe que uma criatura nunca deverá ser adorada; entretanto, este ato de prostrar-se é perigoso, e por isso ele recebe uma segunda repreensão do anjo”.

Ao longo da história da humanidade, até mesmo em meio à cristandade, observa-se um constante desvio quanto à adoração que deveria ser prestada somente a Deus. Há uma exacerbação à adoração aos elementos criados e não ao Criador. As pessoas adoram imagens, astros, seres de outros planetas (como se eles existissem) e elementos da natureza; cultuam a anjos como se deuses fossem e colocam “santos” como mediadores entre si e Deus, inclusive Maria, mãe de Jesus. Por isso Paulo considera que aqueles que tais coisas praticam são indesculpáveis perante Deus, "pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!" (Romanos 1:25).

Na próxima crônica prosseguiremos rumo ao final desta jornada. Enquanto isso, atentemos para as exortações de Paulo: "Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal" (Colossenses 2:18)... "Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos?" (1 Coríntios 6:3). O anjo em questão foi extremamente claro com João quanto a essa prática: “não faças isso”, e de forma, também imperativa, assevera: “Adora a Deus” (v. 9), pois se tratava de um conservo que estava a lhe transmitir um ministério profético como todo aquele que guarda as palavras deste Livro. Que esta seja sempre a sua firme postura, prezado leitor. Permita Deus que assim seja! 

 

 

 


 

 

CAPÍTULO 22 (2)

 

Pois então, prezado leitor, chegamos ao fim de uma longa jornada de exatos três anos a caminho do Apocalipse. Foram momentos de grande expectação à medida que trilhávamos as revelações contidas neste extraordinário Livro. Tivemos momentos de assombro ao tomarmos conhecimento dos rigorosos juízos de Deus que recairão sobre a humanidade rebelde, mas também tivemos momentos de profunda alegria diante das revelações do promissor futuro que aguarda a todo aquele que verdadeiramente deposita a sua fé, autêntica, no Deus Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas e que neste Livro O vemos em todo o Seu esplendor através das revelações que nos foram trazidas pelo Senhor Jesus. Vamos, portanto, ao conteúdo que está revelado nos versículos restantes deste último capítulo de Apocalipse.

Prossegue João a revelar o que está a ouvir do mensageiro angelical: “Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo” (v. 10). Aquilo que não fora permitido ao profeta Daniel ao receber as revelações do fim dos tempos: "Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim... porque estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim" (Daniel 12:4 e 9), é consentido a João fazê-lo, pois, quanto a Israel, estas coisas só seriam conhecidas após a chegada do período da graça – a Igreja de Deus – cuja dispensação, a sexta, iniciou-se com a descida do Espírito Santo conforme nos é revelado no segundo capítulo do Livro de Atos dos Apóstolos. Esta revelação, portanto, agora é permitida “porque o tempo está próximo”, que corrobora com aquilo que o próprio João havia escrito em sua primeira epístola: "Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora" (1 João 2.18). Como vimos na crônica anterior, a Igreja é celestial, não é do contexto deste mundo, e como tal não se fixa em datas ou contagem cronológica como Israel, pois ela faz parte da chegada dos últimos tempos.

Seguem adiante as revelações de João: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se” (v. 11). Diz R. Watterson em seu comentário: “A condição de um indivíduo é o resultado da escolha que fez e há de chegar a hora quando tal escolha se tornará irreversível e não haverá mais oportunidade de mudar. Veja como a recompensa assemelha-se à escolha. Aquele que escolheu injustiça colherá mais injustiça e aquele que está sujo colherá mais sujeira ainda. Não há maior castigo do que ser entregue ao seu próprio caminho para colher as suas consequências naturais e inevitáveis”. Portanto, caro leitor, a expressão de que o justo deverá permanecer na prática da justiça e o santo a santificar-se cresce sobremodo diante desses comentários. Sabemos que ser “justo” é não andar na conformidade deste mundo que se rebela e debocha de Deus, e ser “santo” significa estar “separado” da contaminação perniciosa deste mundo, que é avassaladora naqueles que permanecem afastados de Deus, que os levam a uma disposição mental de completa incredulidade às revelações contidas em Sua Palavra.

Agora João volta a ouvir a voz do próprio Senhor Jesus: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (vs. 12 e 13). Aqueles que creem de forma irrestrita, absoluta, naquilo que aqui está revelado, têm agora um momento de intenso regozijo. Cada um, pessoalmente, será premiado pelo próprio Senhor Jesus, por aquilo que tiver feito em prol da Sua obra enquanto aqui esteve. Que momento magnífico, prezado leitor!

Fiquei a pensar com os meus botões acerca das vezes que recebi os títulos que me foram conferidos pela conclusão dos meus cursos universitários, ou pelos meus êxitos profissionais em minhas atividades seculares, que sem dúvida me foram momentos de alegria, mas que jamais poderão ser comparados, sob nenhuma hipótese, com este exultante acontecimento de ser galardoado por Aquele que é o Princípio e o Fim de todas as coisas. Mas, ao mesmo tempo, veio-me à lembrança que em nossos dias existem tantos no chamado meio evangélico que vivem a mesquinhez de se preocuparem com títulos de identificação, ou então com a tabuleta que denomina o segmento religioso a que pertencem como que se essas identificações fossem propiciar que uma alma chegasse ao conhecimento da Verdade. Perniciosa vaidade! Como diria Salomão, é “correr atrás do vento”. Há coisas muito mais importantes para se preocuparem que estão acima dos seus interesses ou vaidades pessoais. O que importa é o que aqui lemos, que seremos galardoados pelas “obras” que fazemos, não pelos “cargos” que exercemos, ou pelos “títulos” que possuímos, ou pela denominação que participamos. Por definição, “crachá” não entra no Céu.

Portanto, a sétima e última beatitude contida neste Livro é sobremodo digna de consideração, tendo em vista a multidão daqueles que permanecem dispersos ou envoltos a uma mera religiosidade sem autenticidade de fé: “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (v. 14). Somente irão para a Eternidade com Deus aqueles que depositarem sua fé, exclusivamente, na obra redentora do Senhor Jesus, crendo que o Seu sangue derramado nos redime perante Deus, conforme é declarado por Paulo: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9). A estes será estendido o direito à árvore da vida, que simboliza usufruir o direito eterno à vida e à cidadania. Sem dúvida, uma magnífica expectativa.

Todavia, em contraste com o imenso gozo daqueles que foram redimidos há algo intensamente dramático. Há aqueles que ficarão fora desse contexto e, como já vimos, irão para angustiantes tormentos eternos: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (v. 15). Esta relação, que aparenta ser pequena, revela a realidade dos desvios de caráter que afastam as pessoas da presença de Deus. “Cães” têm por significado “aquele que tem que ficar para fora”, como assim acontecia com esses animais em terras do oriente à época que, por serem considerados “imundos”, não podiam entrar nas casas. Segundo W. MacDonald este termo se refere aos gentios impuros (Mateus 15:26), ou judaizantes (Filipenses 3:2) e também aos “prostitutos” (travestis ou homoafetivos como são denominados em nossos dias): "Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do Senhor, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao Senhor, teu Deus" (Deuteronômio 23:18).

E a lista prossegue revelando os que de fora ficarão: aqueles que se envolvem com o ocultismo como a invocação de mortos (na verdade demônios) e as demais práticas esotéricas tidas como espíritas ou espiritualistas; aqueles que se prostituem ou vivem na luxúria desenfreada; os que não dão nenhum valor à vida humana e matam de forma tão banal como em nossos dias; aqueles que praticam toda sorte de idolatria, adoradores de imagens à semelhança das coisas criadas em vez do Criador, lembrando que o “inocente” horóscopo faz parte desse contexto. Ao final desta lista lemos que os “mentirosos” também serão excluídos. Já houve quem me perguntasse: “Quem nunca proferiu uma mentirinha levante o braço?”. A minha resposta sempre será a mesma, para Deus não há pecadinho ou “pecadão”, simplesmente há pecado.

Mas atente, caro leitor, para o enunciado da expressão aqui formulada: “todo aquele que ama e pratica a mentira”. Amar a prática da mentira é um desvio comportamental próprio dos psicopatas que demonstram aquilo que na verdade não são e levam outros a terríveis enganos. São pessoas más, apesar da aparência ao contrário, que pensam exclusivamente em si em detrimento daqueles que estão próximos. Tudo neles é uma farsa. Convém esclarecer que o psicopata não é considerado um doente mental, mas alguém extremamente hipócrita, egoísta, que entende que as demais pessoas são inferiores a ele. Conheço alguns que assim se comportam e, lamentavelmente, nunca vi nenhum deles renunciar a sua forma de ser e passarem a crer em Deus, quando muito, por conveniência social, adotam uma religião por mera formalidade. Eles são a mentira personificada e arrastam muitos com eles que acabam se tornando vítimas de seus desvios e crueldades.

O Senhor dá seguimento a Sua fala: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã” (v. 16). Neste versículo, caro leitor, para quem o Senhor enviou o Seu anjo? Isso mesmo, você está lendo corretamente, para as igrejas. Para todos aqueles que formaram e formam esse magnífico edifício celestial, como pedras vivas, que ao longo da atual dispensação foram chamados para fora do sistema de incredulidade e falsa religiosidade existente neste mundo. O Apocalipse se inicia com uma dedicatória às igrejas e assim termina. Portanto, as revelações contidas neste Livro são extremamente pertinentes à Igreja de Deus, e não poderiam ser relegadas a um segundo plano nas igrejas como que se ele não fizesse parte do seu contexto. “Ah! Este livro é muito complicado, confuso e de difícil entendimento”, dizem alguns. Mas isso não é verdadeiro, como temos visto ao longo destes últimos três anos através destas crônicas.

Diz R. David Jones: "Jesus enviou o Seu anjo para nos dar este testemunho concernente às igrejas. Ele é a Raiz e o Descendente de Davi, em Sua glória divina comparável à resplandecente estrela da manhã. O Velho Testamento terminou com a promessa que o sol da justiça se levantaria trazendo salvação em suas asas (Malaquias 4:2). Agora Ele é a resplandecente estrela da manhã que virá num momento tenebroso para livrar aqueles que nEle confiam". Este mundo em trevas, caro leitor, em breve verá o raiar de um novo dia com a chegada do "Sol da Justiça". A noite sempre é seguida pelo dia, no mundo há uma constante mesmice como nos diz Salomão em Eclesiastes 1:5, assim como o sol se põe, ele surge novamente, mas há a promessa de uma nova aurora, eterna, de raro esplendor e glória com a chegada do Senhor Jesus a este mundo para estabelecer o Estado Eterno, onde nunca mais haverá injustiça. Isto nos remete ao antigo profeta: "Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória. Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão” (Isaías 60:19-20).

Daí surge o magnífico convite: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (v. 17). A noiva simboliza a Igreja de Deus, portanto todo aquele que ouve e crê nesta profecia anela pela chegada desse deslumbrante dia. Observe, caro leitor, que este convite continua disponível a todo aquele que vive neste mundo e está sedento da verdadeira esperança: “quem quiser receba de graça a água da vida”. Isto nos faz lembrar as palavras do Senhor Jesus ditas à mulher samaritana: "...aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna" (João 4:14). Urge, portanto, que a humanidade ainda incrédula chegue ao conhecimento desta magnífica verdade, mas para isso é necessário que haja aqueles que transmitam este conhecimento. Reflita, portanto, caro leitor, sobre a importância do convite aqui existente!

Vivemos dias de desastrosas interpretações dos textos bíblicos, onde há pessoas, como diz Paulo, que estão a pregar outro evangelho: "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo (Gálatas 1:6). A advertência do Senhor Jesus acerca dessa aleivosia é sobremodo severa: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro” (vs. 18 e 19). Nada há que ser tirado e tampouco acrescentado. Portanto, há que se ter extremo cuidado acerca daquilo que estamos a ouvir. Muitos insubordinados estão a transmitir revelações contrárias ao que dizem as Sagradas Escrituras, segundo os seus interesses pessoais ou até mesmo por ignorância. Conforme nos diz Paulo, Deus já revelou tudo que é necessário para aqueles que verdadeiramente são Seus servos para que estejam capacitados para toda boa obra: "Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado... Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2 Timóteo 3:13-17). Bem haja, caro leitor, se assim o fizer.

Chegamos ao final, prezado leitor. Tenho por certo que sentirei saudade deste longo tempo que passamos juntos a trilhar por este magnífico caminho rumo ao glorioso porvir. Ouçamos a última fala do Senhor Jesus contida neste Livro: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém!” (v. 20). Pela terceira vez neste capítulo lemos sobre a promessa do breve retorno do Senhor Jesus. Como vimos na crônica anterior a esta, não há demora, pois já estamos com Ele em qualquer circunstância de tempo. A Sua volta está a ponto de acontecer. João se comove profundamente e não consegue se manter calado diante dessa magnífica afirmação e responde com um emocionante suspiro: “Vem, Senhor Jesus”! (v. 21). Não posso deixar de lhe confessar, caro leitor, o sentimento que me apossou ao descrever esse doce e suave sussurro de João. As lágrimas me afloraram aos olhos, e não pude conter o meu clamor ao repetir as palavras do consagrado apóstolo: “Maranata”, que no vernáculo original significa “Vem, Senhor”. Portanto, que “a graça do Senhor Jesus seja com todos” (v. 21). Até lá, prezado leitor! Permita Deus que assim seja!

 

 

 

 

 

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
Mensagens

A Caminho do Apocalipse - 02

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

CAPÍTULO 2

Após concluir aquilo que “viu” na ilha de Patmos, isto é, a visão do Senhor Jesus glorificado, nos capítulos 2 e 3 João passa a descrever as coisas “que são”, que se referem a atual era – a da graça – através das sete cartas às igrejas que, ao serem representadas no capítulo anterior pelos sete candeeiros de ouro, revelam que são independentes entre si, mas responsáveis pelos seus atos perante o Senhor que está entre elas. A plenitude dos sete candeeiros denota a universalidade da igreja desde o seu surgimento com a descida do Espírito Santo (Atos 2).

De imediato, convém deixar ressaltado que o Livro do Apocalipse não foi para ser de exclusivo conhecimento das sete igrejas mencionadas no versículo 11 do capítulo anterior, como entendem alguns equivocadamente, mas para“todas as igrejas” existentes (Apocalipse 2:23) até ao tempo do seu arrebatamento (1 Tessalonicenses 4:17).

Não há dúvidas que essas sete cartas foram dirigidas àquelas igrejas que existiam à época, portanto com uma aplicação local, mas a amplitude do conteúdo de cada carta desfaz a ideia que o seu uso fosse restrito àquelas localidades, pois as verdades nelas contidas são para todas as igrejas nas eras que haveriam de suceder, pois vemos com clareza que os elogios e condenações nelas existentes têm caráter profético e suas características continuaram a acontecer ao longo do tempo, com bastante ênfase em nossos dias, a saber:

  • Igrejas que, apesar de louváveis, deixaram o seu primeiro amor (Éfeso)
  • Igrejas que sofreram perseguição e tentação (Esmirna)
  • Igrejas que permitem o mundanismo, tornando-se mera religiosidade (Pérgamo)
  • Igrejas culpadas por falsos ensinos (Tiatira)
  • Igrejas que ignoram os grandes pecados existentes em seu meio (Sardes)
  • Igrejas com pequeno poder, apesar de sinceras (Filadélfia)
  • Igrejas que negam a Cristo através da sua postura materialista (Laodiceia)

Inobstante a isso, lemos em todas as sete cartas a expressão: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”, que transmite com absoluta clareza que a mensagem contida em cada carta é destinada a um público maior do que simplesmente a cada igreja existente naquelas localidades.

Na introdução a essas cartas lemos repetidamente outra expressão: “Ao anjo da igreja... escreve”, cujo significado dessa personificação já foi mencionado no capítulo anterior. Ainda sobre esse assunto – anjo – William MacDonald faz menção de que há os que afirmam que esses anjos seriam mensageiros humanos que foram buscar essas cartas escritas por João na ilha de Patmos para entregá-las a cada uma dessas igrejas.

A meu ver essa é uma hipótese bastante improvável pelo fato de não existir um registro confiável a esse respeito, e pelas enormes dificuldades que esses “mensageiros” teriam para chegar até aquela inóspita ilha. Além disso, teriam que conseguir a permissão do império romano para essa visita, tendo em vista que para lá iam os que foram apenados a viver no mais absoluto desterro, isolados por completo do convívio social onde viviam, por serem considerados inimigos de Roma.

É muito provável que parte daqueles que tiram a representatividade desses “mensageiros” como seres celestiais, assim o faz por discordar da teoria da igreja católica de que eles seriam os “anjos da guarda” da Igreja de Deus. Todavia, sabemos que um erro não justifica outro! O que impediria a Deus de aparelhar sete anjos para esse mister, com uma função específica, como vemos fartamente ao longo de toda a Escritura?

Deixando de lado o controverso, há que se ressaltar que esses “mensageiros”, ainda que fossem seres humanos, seriam apenas uma parte da igreja, não o todo, portanto eles não passam de personificações, como dito na crônica anterior, pois de fato o que está sendo avaliado é o caráter espiritual da igreja, não os “mensageiros” das cartas.

Por outro lado, parece que por vezes as pessoas confundem “igreja” com o local em que se reúnem, mas de fato a igreja é uma “casa espiritual” onde cada pessoa que se converte ao Senhor torna-se uma “pedra viva” desse magnífico “edifício” (1 Pedro 2:5), e, individualmente, cada uma delas, não os tais “mensageiros”, terá que prestar contas ao Senhor pelo bem ou mal que praticaram (Romanos 14:10; 1 Coríntios 3:9-16; 2 Coríntios 5:10).

Neste segundo capítulo constam quatro das sete igrejas as quais João escreveu, vamos a elas:

1. A carta a Éfeso

Do ponto de vista profético, o período prefigurado para essa igreja vai dos anos 70 até 170 a.D. Até o ano 70 todos os apóstolos, exceto João, já haviam partido para a presença do Senhor. Portanto, ela aqui representa a igreja pós-apostólica e nela vemos que a devoção inicial ao Senhor Jesus já não era a mesma de outrora (v. 4), ela estava a se tornar uma igreja caída.

Por outro lado, a igreja em Éfeso se destacou pelo seu árduo trabalho e grande perseverança na obra do Senhor (vs. 2 e 3). Ela não tolerava os que eram maus, aqueles que se diziam apóstolos, mas de fato eram mentirosos. Por sinal, esses tais são uma grande realidade em nossos dias. Ela é também louvada pela aversão que tinha pelas obras dos nicolaítas (v. 6), que seria o início do clericalismo de pseudoapóstolos que ambicionavam a supremacia da liderança da igreja, que vinha a contrariar o princípio bíblico da pluralidade de anciãos eleitos pelo Espírito Santo para essa obra (Atos 20:28).

O nicolaísmo é uma realidade em quase a totalidade da cristandade nos dias atuais. O exemplo desse comportamento se vê através daquele que queria ser o dominador do povo de Deus: Diótrefes (3 João 9-11). É inconteste a existência de muitíssimas igrejas, das mais variadas denominações, na qual há um dono que de fato é quem manda na igreja, totalmente distante de Quem verdadeiramente a instituiu.

A igreja é exortada para que se arrependesse e voltasse à prática das suas primeiras obras, para que a sua luz não deixasse de brilhar neste mundo em trevas (v. 5). Isso é condição essencial a todas as igrejas, em todas as épocas, pois os vencedores de todas elas se servirão da árvore da vida que está no paraíso de Deus (v. 7).

 

2. A carta a Esmirna

 

Esmirna é considerada a igreja perseguida, que abrange o período de 170 a 312 a.D. Essas datas correspondem ao período das grandes perseguições dos imperadores romanos, até Constantino que se professou convertido ao Senhor em 312 a.D. Se já não bastasse Roma, houve também contra ela a blasfêmia daqueles que se diziam judeus (v. 9b), e, por sua vez, o diabo também foi implacável com essa igreja (v. 10), assim como tem sido ao longo da história da igreja haja vista a quantidade de desvios doutrinários existentes no presente século.

O Senhor a trata com grande ternura, pois sabia da sua tribulação. Ela tinha aparência de pobre, mas era rica concernente às coisas espirituais (v. 9a). Sob o jugo dos imperadores romanos ela sofreu intensas perseguições, mas a maior delas, por dez anos, de 303 a 312 a.D., foi a de Diocleciano segundo dados históricos. Um historiador da Igreja estima que durante esse período cerca de cinco milhões de cristãos teriam sido martirizados pelo testemunho do Senhor Jesus Cristo. Mas, como disse Tertuliano (200 a.D.), “o sangue dos mártires se tornou a semente da Igreja”.

Apesar disso, os cristãos verdadeiros eram encorajados a serem fiéis até a morte, ou seja, jamais renunciariam a sua fé no Senhor Jesus e com isso receberiam um galardão reservado aos mártires – a coroa da vida – (v. 10). Aos cristãos autênticos, diz o Espírito: “O que vencer de modo algum sofrerá o dano da segunda morte” (v. 11). Como vimos na crônica anterior a esta, os servos de Deus serão ressuscitados e aqueles que estiverem vivos serão arrebatados para o encontro com o Senhor, pois não passarão pelo período da grande tribulação e tampouco pela segunda morte, que é o destino de todos os incrédulos (Apocalipse 20:6 e 14).

3. A carta a Pérgamo

Considerada a “Igreja do Estado” numa união desastrosa que acarretaria enormes desvios doutrinários como vemos na igreja católica dos nossos dias. Seu período vai de 312 a 606 a.D., após a conversão de Constantino que permitiu que a igreja em Roma saísse das catacumbas onde se reunia para agir livremente na superfície. Ser “cristão nominal” caiu no agrado popular e foi um meio de se obter as benesses e o poder do Império.

Em 606 a.D., Bonifácio, que era o ancião local, foi reconhecido como bispo universal, ou seja, o primeiro papa. Como diz J. Allen – “A Igreja avidamente engoliu a isca (lançada por Constantino), sacrificou a sua consciência e fidelidade ao Senhor, e a Igreja e o mundo que até então andavam separados, passaram a caminhar de braços dados”. O clericalismo, ou a doutrina dos nicolaítas, estava estabelecido como modelo para a Igreja, e isso é algo intolerável para o Senhor (v. 15).

Em termos locais, essa igreja foi reprovada pelo Senhor por permitir em seu meio doutrinas consideradas perversas inseridas por adeptos da doutrina de Balaão (v. 14) que, dentre outras coisas, estimulavam a corrupção através da união com o paganismo, um costume tipicamente babilônico, com a desenfreada prática da imoralidade e idolatria, como fez Balaão com Israel (Números 25:1-3, 31:16). Estava formalizada na igreja a prática de se pregar o Evangelho em troca do lucro financeiro, tão em voga em nossos dias.

Em virtude da enorme prática do paganismo na localidade, o Senhor afirma que em Pérgamo estava o trono de Satanás, mas havia cristãos que lá se reuniam e não negavam a fé, como Antipas, fiel testemunha que foi terrivelmente martirizado (v. 13). Por isso o Senhor convoca os cristãos autênticos para o necessário arrependimento (v. 16), e o Espírito diz às igrejas, aos que vencerem, ou seja, aqueles que perseveram na sã doutrina em qualquer época, gozarão de uma íntima comunhão com o Senhor (v 17).

4. A carta a Tiatira– 2:18-29

Na história da igreja, Tiatira representa o período de 606 até o arrebatamento da igreja. Ela se caracterizou por um desenvolvimento constante da apostasia que chega aos nossos dias através da “igreja católica” e assim permanecerá até o fim desta dispensação com a vinda do Senhor Jesus para o arrebatamento da Sua Igreja.

Ela perdeu todas as suas características e se tornou em uma grande organização. Dentre os seus constantes e grandes desvios, se não o maior, foi a divinização de Maria ocorrida em 8/12/1854, através da bula “Ineffabilis Deus” proclamada pelo papa Pio IX, que de fato proclamou o “quarteto sagrado” constituído por Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo e Maria, a “deusa mãe”. Para melhor entendimento, recomendo a leitura da minha crônica “Antes que os Demônios Assumam (1), publicada em 2009 em A Senda do Cristão, e está disponibilizada em meu site: http://www.cronicasdeumservo.com.br/ler_artigos.asp?id=86

Todavia, ela não foi sempre assim, pois o Senhor relata que além das suas boas obras havia nela outras qualidades como fé, amor, serviço e perseverança e que as suas últimas obras haviam sido mais numerosas que as primeiras (v 19). O que teria ocorrido com ela para uma queda tão grande? A resposta é a “tolerância” (v. 20). A mesma tolerância que vemos hoje no cristianismo, onde as igrejas estão a perder a sua identidade por tolerarem que o mundanismo, os pseudoapóstolos, os falsos ensinos, e até mesmo o ocultismo, tenham livre acesso ao seu meio.

Lemos nos demais versículos que as consequências foram desastrosas para aquela igreja assim como será com aquelas que estão a sucedê-la. Mas lá havia, e sempre haverá, um remanescente fiel que se conserva firme na verdade até a vinda do Senhor, e por isso nenhuma outra carga foi jogada sobre eles (vs. 24-25). A fidelidade ao Senhor será recompensada! Aos vencedores será dado o direito de reinar com o Senhor em Seu reino milenar (vs. 26-28).

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 29). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
Mensagens

A Caminho do Apocalipse - 03

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 3

Neste terceiro capítulo temos a continuidade da exposição de João sobre as coisas “que são”, ou seja, o que estava a acontecer com algumas igrejas locais que existiam naquela época. Das sete cartas escritas, constam neste capítulo as três últimas – Sardes, Filadélfia e Laodiceia – que, como as outras quatro, refletiriam as condições espirituais que afetariam as igrejas no decorrer da sua história.

Estas três cartas demonstram, respectivamente, o que ocorreu após a “reforma protestante”, no século 16, cuja luz não tardou a perder o seu brilho, seguido pelo despertar evangelístico através das obras missionárias em muitas partes do mundo, mas que lamentavelmente não impediu que a igreja se tornasse uma organização apóstata pela sua frouxidão doutrinária e institucionalização ecumênica. A igreja dos últimos dias está no mundo, como deve estar, mas o mundo passou a estar em seu meio, onde não deveria estar.

 

5. A carta a Sardes– 3:1-6

 

Embora demonstrasse, aparentemente, estar “viva”, de fato o Senhor a considerava uma “igreja morta” (v. 1). Os seus membros não possuíam uma vida espiritual “íntegra”, de fato se dedicavam a um mero ritualismo religioso, amplamente observado em nossos dias. “Não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus”, diz o Senhor (v. 2). Todavia, alguns poucos que lá se reuniam eram “dignos” por permanecerem fiéis ao Senhor e à Sua Palavra (v. 4). Ela carregava um formalismo estéril, como um cadáver bem vestido, mas faltava-lhe a força vital. O Senhor a convocou para um sincero e urgente arrependimento (v. 3).

Reflitam comigo! Havia obras praticadas por essa igreja? Claro que sim (v. 1), mas o Senhor delas não Se agradava por serem imperfeitas (v. 2), elas eram inadequadas por estarem fora da Sua soberana vontade. Fica a pergunta: Será que o Senhor está a aprovar as obras hoje praticadas por aqueles que se intitulam “evangélicos”?

Por oportuno, transcrevo o pensamento de Jayro Gonçalves a respeito: “Em 1 Timóteo 6:3-6, Paulo ensina que a doutrina do Senhor Jesus é segundo a piedade e não concorda com as falsas doutrinas que os falsos mestres expõem. No versículo 5 verificamos que a motivação da atitude dos falsos mestres era a obtenção de lucros (característica notória das seitas tão em voga em nossos dias), e o faziam, descaradamente, como demonstração de piedade (“supondo que piedade é fonte de lucro”)... Eram impulsionados por uma motivação oculta de cobiça, e ensinavam que suas riquezas eram um sinal de que Deus aprovava seus ensinos”.

Do ponto de vista histórico, Sardes nos remete ao período após a grande reforma promovida em 31/10/1517, por Martinho Lutero, mas, como observamos em nosso entorno, Satanás conseguiu obstaculizar essa “reforma” levando muitas igrejas à perda da sua identidade por carregar sobre si uma ortodoxia morta da qual jamais se recuperarão. Eis aqui um exemplo claro do cristianismo meramente nominal, que se sobressai pelos aspectos que exterioriza, mas aos olhos do Senhor é um fracasso retumbante. O denominacionalismo que se desenvolveu depois da reforma de Lutero permanecerá até o arrebatamento da Igreja.

Mas o Senhor incentiva ao que vencer: “De modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida” (v. 5). O Senhor não está a sugerir que é possível a um filho de Deus perder a Salvação, pois os cristãos verdadeiros possuem a segurança eterna da Salvação, conforme vemos em João 3:16, 5:24 e 10:27-29. Os que se “perdem” são os que de fato não se convertem ao Senhor, apenas estão envolvidos com sentimentos religiosos. Portanto, “quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 6).

 

6.    A carta a Filadélfia – 3:7-13

Ufa, que alívio! Após lermos sobre a intensa corrupção doutrinária de Sardes, com o seu mortificante formalismo religioso, eis que o Senhor se dirige a esta igreja sem nenhuma acusação, assim como ocorrera com Esmirna, a igreja sofrida. Vemos em Filadélfia uma igreja autêntica em meio àquelas meramente professantes.

Para ela o Senhor Se apresenta como Aquele que tem a chave de Davi (v. 7), ou seja, a mais absoluta autoridade de abrir e fechar a porta da Sua casa sem que ninguém possa fazer o contrário. Escreve R. David Jones acerca disso: “No capítulo 1:18 de Apocalipse Ele diz que tem as chaves da morte e do inferno, mas aqui ele fala do cumprimento da profecia achada em Isaías 22:20-25, assim como Eliaquim recebeu plena autoridade sobre Jerusalém, Cristo recebeu de Deus todo o poder no céu e na terra (Mateus 28:18), e, como Filho sobre a Sua casa, a igreja (Hebreus 3:6)”.

O ambiente nessa localidade não era nada propício a essa igreja, pois lá estavam aqueles que se diziam judeus, mas não eram, de fato o Senhor os qualifica como sinagoga de Satanás (v. 9). Todavia, o Senhor conhecia as obras praticadas por aquela Sua igreja, que apesar da pouca força que tinha, face ao contexto em que vivia, Ele tinha posto diante dela uma porta que ninguém poderia fechar, pois ela era fiel à Sua Palavra e jamais negou o Seu Nome (v. 8).

Não há nenhum desmerecimento à Filadélfia pelo fato do Senhor afirmar que ela tinha “pouca força”. Sua força era pequena porque os que lá se reuniam eram uma minoria diante dos judeus e pagãos existentes à época. Apesar da pouca influência material, eles possuíam uma extraordinária força espiritual através da porta aberta pelo Senhor.

Aqueles cristãos confiavam plenamente no Senhor. Dada a essa absoluta fidelidade, o Senhor manteria o seu testemunho e os que eram contra eles ficariam sabendo o quanto o Senhor os amava (v. 9). Assim como foi nos inícios da igreja (Atos 14:27; 1 Coríntios 16:9; 2 Coríntios 2:12), esta porta ainda permanece aberta para aqueles que estão dispostos a manter a sã doutrina, não os ensinos de homens ou tradições religiosas, mas exclusivamente ao que está estabelecido na Palavra de Deus para a Sua Igreja.

A característica dessa igreja é vista claramente a partir de 1750 com o surgimento de um grande avivamento missionário, em muitas partes do mundo, cujo fruto dessa restauração será observado até o arrebatamento da Igreja.

Àqueles que se mantiverem na doutrina, o Senhor promete que não passarão pela grande tribulação que virá sobre a Terra (v. 10), ao contrário, serão guardados desse período através do arrebatamento da Igreja, e não em meio ou após a tribulação como asseveram alguns equivocadamente. No versículo 11 vemos que há um galardão, a coroa da perseverança, que deverá ser preservado para que ninguém o tome, pois está reservado a todo aquele que guarda o bom depósito, o modelo das sãs palavras, conforme diz Paulo em 2 Timóteo 1:11-15.

Os vencedores serão transformados em colunas gloriosas perante Deus e partilharão da vitória final do Senhor Jesus Cristo. Receberão um novo nome e habitarão na nova morada donde jamais sairão, a identificação com o Rei será completa (v. 12). Portanto, atentemos novamente para o que diz o Senhor:“quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v. 13).

7.    A carta a Laodiceia – 3:14-22

Pois, então, chegamos ao fim! Com esta carta João encerra as coisas “que são”, ou seja, o período de existência da Igreja neste mundo. Laodiceia tipifica a igreja do fim dos tempos quando Jesus vier para buscar os que são Seus, antes do início da grande tribulação. Vemos nessa carta uma afirmação alarmante: o Senhor Jesus está fora do chamado contexto cristão: “Eis que estou à porta e bato” (v. 20), o que está a indicar que os muitos milhões que fazem parte da cristandade dos nossos dias não participarão do arrebatamento da Igreja caso não se arrependam dos desvios doutrinários praticados no formalismo religioso em que vivem (v. 19).

Ao ler essa minha afirmação, você poderá estar a indagar: “Como assim, se nunca se falou tanto no nome de Jesus como agora, há milhões de referências nos sites de busca na Internet?”. Falar em Jesus, meu caro leitor, até os demônios o fazem (Lucas 4:33-35; Atos 16:16-18; 19:13-16). Já houve quem dissesse que “é um triste erro levar o título de cristão sem o ser. É uma terrível ilusão a um não menos terrível despertar”.

Você poderá redarguir: “E a grande quantidade de sinais e milagres que estão a acontecer através dos atuais pastores, bispos, reverendos, apóstolos, profetas, patriarcas etc.?”. Você deve se lembrar dos sinais feitos pelos bruxos do faraó quando o povo de Deus estava escravizado e lá estava Moisés para libertá-los. Eles fizeram coisas impressionantes com os seus encantamentos: transformaram água em sangue e fizeram subir enorme quantidade de rãs sobre a terra do Egito (Êxodo 7:20-22; 8:6-7).

Portanto, esses sinais não são uma presunção factual da ação de Deus. O falso profeta que virá irá operar grandes sinais: fará descer fogo do céu e lhe será concedido dar fôlego à estátua do anticristo para que a imagem fale (Apocalipse 13:11-15). Você já imaginou o impacto que será ouvir uma estátua falando? Pois é, isso não virá de Deus, mas do diabo.

Você também poderá insistir em sua argumentação: “Mas o Senhor Jesus disse que os sinais e milagres acompanhariam os que creem?”. Não se esqueça do que Ele também disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus... muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muito milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”(Mateus 7:21-23).

Desnecessário acrescentar qualquer argumento sobre isso que o Senhor Jesus asseverou, mas convém citar o que William MacDonald disse a esse respeito: “Um milagre simplesmente demonstra que um poder sobrenatural está atuando, esse poder pode ser tanto divino como satânico. Satanás pode criar a ilusão de que um milagre é divino”. Lembremo-nos, sempre, das palavras do Senhor Jesus: "hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mateus 24:24).

Vejamos, então, o estado espiritual dessa igreja. Não há um único elogio para ela! Nela o Senhor não encontra nada recomendável. A sua complacência e mornidão espiritual eram duas características que colocava o Senhor para fora do seu meio (v. 15). Ela foi alcançada pelas coisas ruins das demais, desde a perda do primeiro amor pela igreja em Éfeso, passando pelo mundanismo de Pérgamo e pelo clericalismo de Tiatira. Ao chegarmos a Laodiceia vemos uma igreja em que o Senhor está a ponto de vomitá-la (v. 16). Ela é tão somente uma entidade religiosa que se denomina ser de Cristo, todavia Ele está fora dela (v. 20).

Os que lá se reuniam poderiam até pensar que estavam a fazer as coisas certas, eram bastante prósperos materialmente, como as atuais denominações evangélicas esparramadas mundo afora e que estão a pregar a enganosa “teologia da prosperidade”. Lamentavelmente essa heresia está sendo copiada até por aquelas que eram tidas como mais ortodoxas. O Senhor diz energicamente: “és um coitado, miserável, pobre, cego e nu” (v 17).

Sem dúvida uma duríssima admoestação, mas o Senhor repreende os que ama e por certo lá haveria um remanescente que se arrependeria da sua hipocrisia religiosa (v. 19). Por conta disso, o Senhor a aconselha (v. 18) para que cobrisse a vergonha da sua nudez e cegueira espiritual. Laodiceia não tinha consciência da sua imundícia espiritual, ela pensava estar “vestida” perante o Senhor, mas de fato estava despida por não conseguir enxergar que estava fora da simplicidade, santidade e autenticidade do Evangelho.

O Senhor desejava que ao menos alguns que lá se reuniam voltassem à comunhão com Ele (v. 20). Ao vencedor, àquele que conseguisse se livrar das amarras da fraude religiosa, lhe seria concedido o direito de se assentar com Ele no trono da Sua Glória (v. 21).

Finalizando este capítulo, vemos que o Senhor Se apresenta a esta igreja como “a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (v. 14) e finaliza instando-nos para que ouçamos, pela sétima vez, o que o Espírito diz às igrejas (v. 22). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 04

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 4

Neste capítulo as coisas que João “viu” e as que “são” já eram. O período da graça, o da Igreja, foi encerrado no capítulo anterior, doravante João passa a descrever as coisas que “hão de acontecer” após o Arrebatamento da Igreja.

É sobremodo notável a leitura do Apocalipse porque através dele temos a oportunidade de saber com muita antecedência os acontecimentos que hão de vir. Por incredulidade, muitas pessoas desconsideram o tremendo milagre que aconteceu na ilha de Patmos, quando João viu desfilar diante de seus olhos uma sucessão notável de eventos que ocorreriam milênios à sua frente, numa autêntica viagem ao até então desconhecido.

Essas narrativas, divinamente reveladas, não são somente para a edificação espiritual dos que creem, mas também para que outras pessoas se deem conta do incrível conteúdo deste livro, pois foi dito a João que “importa que profetizeis outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis” (Apocalipse 10:11). Por definição, o ensino correto do Apocalipse não pode deixar de ser divulgado às pessoas de todos os credos e nações. Pena que isto não esteja acontecendo em nossos dias na forma correta.

Não deixa de ser lamentável que o contraditório seja tão exacerbado a partir deste capítulo, fruto das controvérsias geradas por aqueles que se dizem entendidos, cujas consequências têm levado a imensa parte da cristandade à incompreensão dos acontecimentos contidos neste e nos próximos capítulos deste Livro e, por conta disso, subestimam a leitura do Apocalipse.

No primeiro versículo deste capítulo, já fica absolutamente claro o que está para acontecer. Diz o texto Sagrado: “Depois destas coisas...”, que coisas? É evidente que são as que lemos nos três capítulos anteriores e que se encerraram com a grande decadência espiritual da igreja do fim dos tempos (Laodiceia). Neste capítulo João vê “uma porta aberta no céu” e ouve a voz do Senhor que o convoca: “Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que depois desta devem acontecer”. Diz em seguida o versículo 2: “Imediatamente fui arrebatado em espírito”, naquele exato momento João vivenciou antecipadamente o mesmo sentimento que sentirão aqueles que serão arrebatados por ocasião do encontro com o Senhor Jesus e terão a visão esplendorosa da sua nova morada. Este arrebatamento de João prefigura o arrebatamento de todo aquele que pertence ao Senhor Jesus.

Apesar daqueles que criam tantas controvérsias sobre este assunto, esteja absolutamente certo, caro leitor, que a partir deste quarto capítulo a Igreja de Deus não estará mais na Terra, pois nesta revelação se cumpre o previsto em 1 Tessalonicenses 4:13-18... “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro... os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. O mistério dito por Paulo em 1 Coríntios 15:51-53 aqui está revelado, na prática, quando todos os verdadeiros cristãos participarão do fantástico evento do Arrebatamento. A verdade inconteste é que os vernáculos “igreja ou igrejas” aparecem por vinte vezes, dezenove deles somente nos três primeiros capítulos deste Livro e depois ressurgirá com essa expressão somente em Apocalipse 22:16, que vem corroborar que a partir do capítulo quatro a Igreja já não mais estará aqui porque foi arrebatada para estar com o Senhor.

Convém lembrar que Daniel também teve visões acerca do tempo do fim, mas a ele foi determinado que não as revelasse, pois ainda não era chegado o momento oportuno: “Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro... porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim” (Daniel 12:4,9). Em 2 Coríntios 12, Paulo revela o seu arrebatamento ao terceiro céu, à morada de Deus, e lá “ouviu palavras inefáveis as quais não é lícito ao homem referir” (v. 4), e para que ele não se exaltasse demais diante das estupendas revelações, foi-lhe dado um espinho na carne a fim de que ele não se sublimasse (v. 7). Mas o tempo é chegado, e há quase dois milênios João teve o grandioso privilégio de descerrar essas revelações (Apocalipse 1:19). Jamais me atreveria a estabelecer tempo ou fixar época para que isso aconteça – o Arrebatamento da Igreja –, mas não há dúvida que esse tempo se abrevia, aquilo que era iminente passa a ser imediato.

Você pode estar a se perguntar: “Mas não consigo entender nada daquilo que João está a contemplar neste capítulo”? Esteja certo que você entenderá quando lá estiver. Por agora se detenha à leitura dos versículos que manifestam a extraordinária visão da magnitude do Trono de Deus com o esplendor dos seus detalhes. A majestosa glória da presença divina aqui está realçada pelo imenso borbulhar de cores, brilhos, relâmpagos, vozes, trovões, pelo mar de cristal, símbolo da absoluta pureza de Deus onde nenhuma sujeira passaria despercebida, e pelos quatro estupendos seres viventes, guardiões do Trono de Deus, a entoar o ininterrupto cântico de glória, honra e ação de graças àquEle que vive pelos séculos dos séculos (vs. 3 a 9). Em vez de tentar decifrar o que isso representa é mais edificante saber que você lá estará para contemplar essas extraordinárias maravilhas. Portanto, durante a leitura deste capítulo sinta-se adentrando ao magnífico ambiente celestial. O que importa, agora, é que você tenha certeza de que irá presenciar pessoalmente todos esses notáveis acontecimentos.

Quanto aos versículos 4 e 10 tem-se levantado não pouca discrepância sobre o seu contexto. Quem seriam os vinte e quatro anciãos prostrados diante do Trono de Deus? De plano, não tenho dúvida em asseverar de que se trata da Igreja arrebatada, dos redimidos pelo Senhor Jesus com seus corpos já ressurretos, libertados que foram pelo Seu sangue e por isso os fez reino e sacerdotes para Deus (Apocalipse 1:5-6).

É impossível imaginar, como alguns afirmam, que esses anciãos seriam seres celestiais com vestiduras brancas e coroados. Os versículos 8 a 10 do capítulo 5 de Apocalipse derrubam por completo esse argumento à medida que separa com absoluta clareza os grupos que lá estarão: “E, havendo tomado o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro... E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos...”. Portanto, os vinte quatro anciãos se referem exclusivamente à Igreja arrebatada. Convém lembrar que “ancião” tem por significado etimológico de “homem mais velho”, por conseguinte jamais poderiam ser seres celestiais porque estes não envelhecem como os seres humanos. Portanto, os vinte e quatro anciãos representam a Igreja no seu sacerdócio perante o Trono de Deus.

Outra argumentação é que esses vinte e quatro anciãos seriam um grupo formado por doze patriarcas, ou tribos, de Israel e os doze apóstolos do Senhor Jesus. Embora essa sugestão traga uma irresistível atração, não há nela nenhuma base bíblica para tal afirmação. Comete-se um erro crasso de interpretação, pois o Arrebatamento ocorrerá somente para os cristãos redimidos, ao passo que os santos de Israel serão ressuscitados ao final da grande tribulação, os quais serão julgados e recompensados ao entrarem no Reino Milenar do Senhor Jesus Cristo. Por oportuno transcrevo o ensino de R. David Jones no Boletim dos Obreiros 158, de março de 2011: Em preparação para o reino milenar de Jesus Cristo no mundo, haverá também a ressurreição dos demais santos: os do Velho Testamento (Isaías 26:19, Daniel 12:2), e os que morrerem durante o domínio da besta, durante a grande tribulação (Apocalipse 20:5). Com isto se conclui a primeira ressurreição. Os santos de todos os tempos, até então, viverão e reinarão com Cristo durante o milênio. Recomendo a leitura dessa excelente matéria também disponibilizada em nosso site www.obreiros.com > Arquivo > Fatos & Relatos > O Estado da Alma entre a Morte e a Ressurreição.

Uma questão se tem levantado ao longo do tempo: Por que vinte e quatro anciãos, e não doze ou sete que é o número da plenitude? Como já foi dito aqui, esses vinte e quatros anciãos exercem o sacerdócio real. Isso nos remete às instruções de Davi ao seu filho Salomão que teve a honrosa incumbência de edificar uma casa para o Senhor Deus, Davi distribuiu os sacerdotes em vinte e quatro turmas para o serviço do Templo, como representantes plenos para entrarem na casa do Senhor, segundo lhes fora ordenado por Arão, como o Senhor Deus de Israel lhe havia mandado (1 Crônicas 24:7-19). Eles representavam a plenitude do exercício desse ministério assim como os vinte e quatro anciãos estão a representar a Igreja de Deus como um todo.

Finalizando este capítulo, vemos a Igreja arrebatada nos versículos 10 e 11, na figura desses vinte e quatro anciãos, a adorar ao que vive pelos séculos dos séculos, os quais lançavam diante do trono os galardões recebidos, frutos de suas obras aqui realizadas, dizendo: “Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas”. Que você, meu caro leitor, lá esteja fazendo parte desse notável grupo. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 05

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 5

Assim como vimos no capítulo anterior, neste João continua contemplando as grandiosas visões da morada divina. Por certo, a esta altura dos acontecimentos proféticos, Deus estará a religar o cronômetro que fora desligado aos inícios da era da Igreja.

Essa cronometragem de tempo nos remete a Daniel que, a exemplo de João, teve revelações escatológicas da parte de Deus (Daniel 9:24-27). Todavia, a mensagem transmitida ao profeta é claríssima, não diz respeito à Igreja, mas exclusivamente a Israel e Jerusalém: “Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo (Israel), e sobre a tua santa cidade (Jerusalém)” (v. 24). Segundo o texto sagrado, o começo dessa contagem de tempo foi a partir da ordem dada para restauração de Jerusalém e, desde esse início, até ao Ungido, ao Príncipe, sessenta e nove semanas de sete anos decorreriam.

O único decreto específico que diz respeito à restauração de Jerusalém foi o do rei Artaxerxes, que autorizou formalmente Neemias para que reedificasse a cidade (Neemias 2:1-10). Sob clara inspiração divina, Neemias teve o cuidado de deixar registrada a data exata desse decreto: “No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes” (v. 1), que corresponde ao mês de março de 445 a.C.

A partir dessa data, fazendo-se a contagem de tempo dessas semanas de sete anos cada, considerando os anos de 360 dias conforme vemos no cômputo de dias do dilúvio, em Gênesis, conclui-se que o fim da era das primeiras sessenta e nove semanas de Daniel deu-se por ocasião da entrada triunfal do Senhor Jesus em Jerusalém (Lucas 19:28-44).

Daí entendermos a severidade da Sua afirmação quando abordado pelos religiosos da época para que fizesse calar o clamor da multidão que O ungia como o Rei que viria em nome de Deus: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas 19:40). Aquele momento fazia parte do contexto profético de Daniel.

Nessa oportunidade Jesus chorou ao ver Jerusalém (Lucas 19:41), porque estava oculto aos olhos daquele povo o significado daquela tão importante ocasião no calendário divino. Naquele dia o cronômetro de Deus fora travado até que se completasse a era que a seguir viria, a da Sua Igreja, que corresponde ao intervalo profético contido na revelação transmitida a Daniel.

Essa contagem, a da septuagésima semana, voltará a ser ativada após o Arrebatamento da Igreja, quando então será revelado o homem da iniquidade e a concomitante tribulação que recairá sobre este mundo. Os dramáticos acontecimentos que se sucederão, nessa última semana de sete anos, serão encerrados com a volta triunfal do Senhor Jesus para o estabelecimento do Seu Reino Milenar (Apocalipse 20:6).

Você, prezado leitor, a esta altura provavelmente está a indagar: “Por que uma introdução tão grande ao capítulo cinco de Apocalipse como esta?” Sou motivado a fazê-la para que não haja dúvida de que as calamitosas ocorrências que se seguirão a este capítulo são absolutamente integrais, tendo em vista a tendência que há de se espiritualizar esses relatos dadas as terríveis consequências que recairão sobre a humanidade incrédula, apesar de religiosa, por ocasião da grande tribulação. Tudo já está antecipadamente previsto por Deus desde a antiguidade (não deixe de ler Isaías 46:9-10), por isso a humanidade será indesculpável perante Deus, pois absolutamente tudo está revelado, inclusive o mistério que estava guardado em silêncio desde os tempos eternos – a Sua Igreja (Romanos 16:25-27).

Neste quinto capítulo de Apocalipse, o cenário que está diante de João é majestoso. No trono está o Todo-Poderoso, o Deus Criador de todas as coisas. Em Sua poderosa destra contém um livro hermeticamente selado (v. 1), cujos selos transmitem um caráter de privacidade, de propriedade exclusiva, que somente o seu legítimo dono poderá rompê-los. Todo o universo pertence a Deus, que por comodato cedeu a Terra ao homem (Salmo 115:15-16), mas pela sua desobediência a Deus ele perdeu essa posse e o usurpador, o diabo, tornou-se o deus deste mundo (2 Coríntios 4:4). A reintegração de posse ocorrerá, ela já está determinada e acontecerá na data estabelecida pelo Pai que readquiriu a Terra para Si através do sacrifício efetuado pelo Seu Filho, o único que poderá romper esses selos e assim o fará (v. 5).

Há um momento dramático nessa visão de João. Um poderoso ser angelical perguntou em alta voz quem seria digno de abrir aquele livro (v. 2). Ninguém foi achado que pudesse fazê-lo, até mesmo lançar o seu olhar sobre ele (v. 3). Perante essa indagação João passou a chorar copiosamente (v. 4) porque se não existisse alguém que pudesse abrir o livro a injustiça existente na Terra não seria corrigida, os perversos permaneceriam impunes e os justos não seriam vindicados.

Mas um dos anciãos o consola com a notável notícia de que o Senhor Jesus era o único qualificado a fazê-lo (v. 5). No versículo 6 vemo-Lo em pé entre os Seus, a Igreja arrebatada, como um Cordeiro na forma que tinha sido morto. Como Cordeiro de Deus ele pagou o preço da redenção do mundo, como Leão (v. 5) ele será o Supremo Juiz que condenará a humanidade incrédula e perversa a castigos eternos.

Aquele foi um momento de grande silêncio. Os olhos de João não mais estão fixados no livro (v. 1), nem no forte anjo (v. 2), o foco da sua visão passa a ser o Senhor Jesus que tomou para Si o livro que ninguém conseguiria abrir (v. 7). O usurpador deste mundo está com os seus dias contados – 7 anos –, a Terra finalmente se livrará de Satanás, pois o programa celestial será concluído. De imediato o silêncio é interrompido, os quatro seres viventes e a Igreja arrebatada se prostram diante do Senhor Jesus (v. 8) e entoam um novo cântico: "Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra" (vs. 9,10).

Este momento tem um profundo significado que é reconhecido não somente por aqueles que estão perto do Trono. Outras vozes se juntam à sinfonia celestial. Incontáveis hostes celestiais fazem parte desse magnífico coral:“Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (vs. 11,12), que é acrescido por aqueles que fazem parte do cosmo: "Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos" (v. 13). Eis aqui um momento estupendo sendo revelado.

Neste novo cântico a exaltação é prestada ao Senhor Jesus. A expressão “digno és”, que antes tinha sido dirigida ao Deus Todo-Poderoso (Apocalipse 4:11), agora é a Ele dispensada em reconhecimento a extraordinária obra por Ele realizada: “com o teu sangue compraste para Deus homens... que reinarão sobre a terra” (vs. 9,10). Isto nos leva a considerar o reino milenar do Senhor Jesus aqui na Terra (Apocalipse 20:6). Sem dúvida, um grandioso privilégio.

Nesse texto a alegria da antecipação é contagiante. Essa é a mesma expectativa do salmista que descreveu o sublime louvor de toda criação ao Eterno Deus (Salmo 148:1-14). Os mais altos céus contemplarão a profunda significação do cântico angelical entoado por ocasião do nascimento do Senhor Jesus: “Glória a Deus nas maiores alturas” (Lucas 2:14). As vozes discordantes existentes neste mundo serão definitivamente silenciadas. A angústia e o gemido de toda criação (Romanos 8:22-23) não mais serão ouvidos.

O encerramento desse magnífico cântico é com um majestoso “Amém”! (v. 14). Será um momento de prostração e adoração na morada celestial, pois os selos existentes naquele livro serão rompidos e será desencadeado o juízo de Deus sobre este mundo rebelde. O cenário estará concluído. A contagem de tempo restabelecida. Os acontecimentos a seguir serão tremendos. O tempo de Deus é chegado! Resta-nos, portanto, não mais a esperança, mas a certeza de que faremos parte deste contexto divino. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 06

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 6

Este capítulo é encerrado com uma angustiante pergunta: “é chegado o grande dia da ira de Deus, quem poderá subsistir?” (v. 17). Esse “dia”insistentemente citado tanto no Antigo como no Novo Testamento a humanidade e até mesmos aqueles que se dizem cristãos não acreditam na sua chegada, tendo-o como um mito, uma lenda religiosa, pois Deus jamais, dizem eles, causaria tão grande mal à Sua criação, por ser Ele misericordioso, bondoso, amoroso, dentre outros qualificativos. Porém, enganam-se os que assim pensam, na verdade não conhecem o Deus Todo-Poderoso e a Sua Justiça. Isto me traz à lembrança o oráculo de um antigo profeta: “Na terra não há conhecimento de Deus... o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Oseias 4:1,6).

Dentre os profetas que vislumbraram esse “dia”, Sofonias foi aquele que recebeu da parte de Deus um resumido compêndio dessa profecia. Revela-nos o inspirado profeta: “O grande dia do Senhor está perto; sim, está perto, e se apressa muito... Aquele dia é dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido... E angustiarei os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne como esterco. Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do Senhor; mas pelo fogo do seu zelo será devorada toda a terra; porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada” (Sofonias 1:14-18). Neste capítulo, o sexto de Apocalipse, iniciamos a grande jornada rumo à Grande Tribulação determinada para este mundo desde a antiguidade.

A visão de João é fantástica! Seus olhos estão fixados no Senhor Jesus a Quem tanto amou quando aqui esteve. Ele está a contemplar a única Pessoa que poderia romper os selos daquele tão importante Livro, e assim haverá o início do juízo de Deus sobre toda Terra. Nesse instante será reiniciada a contagem de tempo estabelecida por Deus – 7 anos –, dar-se-á o início da septuagésima semana de Daniel (9:26-27).

Ao ser rompido o primeiro selo ouvem-se as poderosas vozes dos quatros seres viventes dizendo “vem” a quatro cavaleiros (v. 1). Em algumas versões equivocadamente é acrescido o verbo “ver” (vem e vê), como se o convite fosse para João, mas isso não consta no manuscrito grego, pois, de fato, essas chamadas são para esses simbólicos cavaleiros.

O primeiro cavaleiro a subir por sobre a Terra está montado em um cavalo branco, tendo um arco na mão, uma coroa na cabeça e saiu para vencer (v. 2). As características deste personagem levam muitos a uma falsa conclusão de que se trata do Senhor Jesus voltando para estabelecer um período longo de paz em Seu reino milenar. Compare com o engano mencionado pelo Senhor Jesus em Mateus 24:5.

Sem dúvida, um grave equívoco. Nesse exato momento o Senhor Jesus estará abrindo os selos do juízo de Deus no céu, logo não poderá estar na Terra; é impossível aceitar o argumento de que o Senhor Jesus terá que aguardar o comando de um dos seres viventes para entrar em ação, pois o inverso é absolutamente verdadeiro; a vinda do Senhor Jesus está estabelecida para pôr fim a Grande Tribulação e não ao início dela (Apocalipse 19:11-21).

A confusão estabelecida é pela cor branca da montaria desse cavaleiro que transmite a ideia de paz, entretanto a vinda do Senhor Jesus, também simbolicamente montado em um cavalo branco, está revelada em Apocalipse 19:11, quando aqui virá exatamente para derrotar o cavaleiro deste sexto capítulo – o anticristo –, que surgirá aparentando ser o Messias prometido a Israel e enganará a quase todos ao acenar um breve período global de paz. Na verdade se trata do “príncipe que virá” sobre a “asa das abominações” e fará um “pacto firme” com muitos por sete anos, mas na metade desse tempo ele mostrará o lado nada atraente da sua face (Daniel 9:26-27).

Com a abertura do segundo selo vemos agora o cavaleiro sobre um cavalo vermelho (vs. 3-4) cujo objetivo é o de tirar a aparente paz existente na terra. Em vez do “arco sem flecha” do cavaleiro anterior, este agora carrega uma “grande espada” que fará com que os homens se matem uns aos outros em sangrentas batalhas. Nada diferente daquilo que já havia predito o Senhor Jesus: “porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino”(Mateus 24:7), assim como Paulo em 1 Tessalonicenses 5:1-3... “Mas, irmãos, acerca dos tempos e das épocas não necessitais de que se vos escreva: porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão”.

Com tamanha beligerância sobre a Terra, sob o comando do homem da iniquidade, naturalmente ocorrerão a escassez de alimentos e a pestilência generalizada que estão representadas pelos dois próximos cavaleiros que surgirão com a abertura do terceiro e quarto selos. O do cavalo preto carrega na mão uma balança, símbolo da carestia, a indicar que haverá um imenso racionamento de alimentos (vs. 5-6). Sem dúvida serão tempos assombrosamente difíceis que se agravarão com a vinda do “cavaleiro da Morte”, que está sobre o cavalo amarelo e aniquilará uma quarta parte dos viventes sobre a terra. Hoje seria algo acima de 1 bilhão e 700 milhões de almas (vs. 7-8). Quanto tempo se levaria somente para enterrar essa imensa quantidade de mortos?

Permita-me, agora, uma pausa. Ao ler até aqui você por certo está a pensar: “Ufa! Ainda bem que fui alcançado pela graça de Deus e estou livre dessas tragédias, pois antes dessas coisas acontecerem o Senhor Jesus virá buscar aqueles que são Seus, dentre eles eu”. Você está certo ao pensar assim, todavia você tem a mesma certeza a respeito dos seus parentes mais próximos? Ou daqueles que estão ao seu lado? Sem falar naqueles que são mais distantes. Por isso insisti desde os inícios desta série acerca da gravidade em se menosprezar o estudo do conteúdo deste tão importante Livro que nos revela com bastante antecedência o porvir. Através dele realmente fazemos uma viagem no tempo.

Continuemos em nossas apreciações. A abertura do quinto selo leva João a mudar de visão, agora está novamente voltada para a morada de Deus. Lá ele vê, debaixo do altar, as almas daqueles que morreram por causa da Palavra de Deus e foram vindimados por causa do testemunho dado durante o período da terrível tribulação a vir sobre a Terra (v. 9). Verdadeiramente o anticristo será cruel ao extremo com aqueles que não lhe prestarem culto e obediência. Aquelas almas clamarão ao Senhor com veemência, suplicando para seja colocado um fim a tanta crueldade (v. 10), elas serão consoladas e orientadas para que aguardem o tempo estabelecido por Deus (v. 11).

 

Muitas coisas ainda estarão por acontecer, sobremodo horríveis, pois estamos diante dos acontecimentos iniciais que antecedem ao “grande e terrível dia do Senhor, quem o poderá suportar” (Joel 2:11). Se esses dias não fossem abreviados, “nenhuma carne se salvaria”, diz o Senhor Jesus em Mateus 24:22. Estes acontecimentos, até aqui, são “o princípio das dores”(Mateus 24:8), portanto ainda haverá na Terra muito sofrimento nesse período de enorme angústia.

A seguir é aberto o sexto selo. Grandes distúrbios cósmicos acontecerão e por certo afetarão o campo magnético da Terra esmagando a sua crosta provocando uma sucessão de terremotos. O primeiro deles é aqui citado como “grande” (v. 12), dando a entender que será em escala mundial. Nunca é demais lembrar que dados estatísticos dão conta que o número de terremotos tem duplicado a cada dez anos, o que revela que as placas tectônicas terrestres estão sobre forte pressão.

Nos versículos 12 a 14 a Terra é tremendamente sacudida, o sol escurece, a lua adquire uma coloração nunca dantes vista, as estrelas despencam sobre o globo terrestre numa clara demonstração do catastrófico juízo divino sobre este mundo sem Deus. Cumpre-se assim a profecia de Joel: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o terrível dia do Senhor” (Joel 2:31).

Esse transtorno astronômico foi claramente asseverado pelo Senhor Jesus:“Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão dos céus e os poderes dos céus serão abalados”(Mateus 24:29). Os acontecimentos dramáticos contidos no versículo 14 também nos remetem a Isaías 34:4... “E todo exército dos céus se dissolverá, e o céu se enrolará como um livro; e todo o seu exército se desvanecerá, como desvanece a folha da vide e da figueira”. O imenso cataclismo removerá os montes e as ilhas de seus lugares, revelando que essas catástrofes atingirão toda a Terra.

Literalmente a Terra estará sendo varrida. Tanto os acontecimentos cósmicos como os terrestres levarão os seres humanos ao entendimento que Deus está a intervir de forma drástica em todo universo. Eles perceberão que estão diante de um enfretamento com o Todo-Poderoso e com a ira do Cordeiro (v. 16). A humanidade procurará por lugares inóspitos para se esconder, mas não achará local para se ocultar da face de Deus (v. 15). Isaías já profetizara a esse respeito há quase três milênios: “... se meterão nas fendas das rochas, e nas cavernas das penhas, por causa da presença espantosa do Senhor e da glória da sua majestade, quando ele se levantar para assombrar a terra”(Isaías 2:21).

É inacreditável que em meio a todo esse pânico, os seres humanos continuarão em sua altivez. Em vez de humildemente suplicarem pela compaixão de Deus, eles clamarão para que os montes e rochedos caiam sobre si para que possam se esconder de tamanha ira divina (v. 16). A pergunta que fazem demonstra a lastimável condição espiritual da humanidade: “Quem poderá subsistir?” (v. 17). Isto denota que não há nenhuma esperança em suas mentes e corações.

Haverá resposta às perguntas dos antigos profetas? “Quem poderá manter-se diante do seu furor? E quem pode subsistir diante do ardor da sua ira?”(Naum 1:6); “Quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer?” (Malaquias 3:2). Estejamos certos que haverá naquele tempo um remanescente fiel que será poupado pelo Deus misericordioso, que será preservado nesses dias tão tenebrosos.

Diante de tão triste expectação, não cerremos os nossos lábios. Cabe-nos alertar aos que ainda não creem acerca do perigo da incredulidade e da desobediência a Deus, para que durante este tempo que aqui estivermos, que se chama “Hoje”, eles não sejam insensíveis pelo engano do pecado e ao ouvirem a Palavra de Deus não endureçam os seus corações (Hebreus 3:13-15). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 07

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 7

No sétimo capítulo contemplamos o primeiro dos quatro grandes “parênteses” existentes neste Livro. Este primeiro, inserido entre o sexto e o sétimo selo, não segue a ordem cronológica dos acontecimentos descritos nos sete selos, mas nos traz o entendimento indispensável para a compreensão das condições na Terra durante o período da grande tribulação. Seria como uma pausa para resposta à indagação contida ao final do capítulo anterior: “quem poderá subsistir?” (6:17).

Há os que não aceitam a existência desses “parênteses” no Apocalipse e com isso acabam complicando sobremodo a interpretação correta do texto sagrado. Assim como o fazem com os “intervalos proféticos”, apesar de eles estarem claramente evidenciados no Antigo Testamento.

Somente para exemplificar esses “intervalos”, quando Isaías anunciou o advento do Messias que viria para Israel, que sabemos que é o Senhor Jesus, ele profetizou o nascimento de um menino, cujo governo de paz não haveria fim, todavia há um “intervalo profético” entre o Seu nascimento e o estabelecimento do Seu reino, que é exatamente o período em que vivemos:"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu... (intervalo profético)...e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim...” (Isaías 9:6-7).

Entre o primeiro advento do Senhor Jesus até o Seu retorno para estabelecer o Seu reino milenar já se passaram mais de dois mil anos, portanto estamos no “intervalo” dessa profecia. É evidente que até hoje os judeus aguardam o nascimento do Messias que virá restaurar todas as coisas para Israel e sob nenhuma hipótese aceitam esse “intervalo”. Por isso rejeitaram o Messias sofredor, o Senhor Jesus, e deixaram de considerar que isto também tinha sido profetizado pelo mesmo profeta (Isaías 53:1-12). Podemos observar outros “intervalos proféticos” nas Sagradas Escrituras, tais como Joel 2:28-32 e Daniel 9:20-27.

Neste primeiro “parêntese” em Apocalipse, as revelações nos conduzem para o período após o arrebatamento da igreja e o início da grande tribulação que ocorrerá sobre toda a Terra, quando 144 mil judeus serão selados para passarem ilesos por ela (vs. 1 a 8), e para o final desse período com a descrição de uma incontável multidão de pessoas de todas as nações que serão salvas durante os tenebrosos acontecimentos da grande tribulação (vs.9 a 17).

Por certo, esses judeus assinalados serão aqueles que, fortemente impactados pelo desaparecimento súbito dos verdadeiros cristãos, concluirão que se trata do Arrebatamento da Igreja prometido pelo Senhor Jesus (João 14:2-3) e predito pelo apóstolo Paulo (1 Tessalonicenses 4:17). Em virtude desse notável acontecimento esses judeus mudarão a sua equivocada atitude e passarão a crer que o Senhor Jesus é o Messias prometido para Israel.

Portanto, essa visão de João é claramente retrospectiva, ou seja, antecede à abertura dos selos que até aqui ele vinha narrando, e isso é claramente observado nos versículos 1 a 3 pela revelação da presença dos anjos predeterminados a participarem do grande juízo de Deus sobre a Terra. A ordem é claríssima, nenhum dano será causado à Terra até que esses servos de Deus, somente judeus, tiverem suas frontes assinaladas (vs. 4 a 8).

A esta altura você poderá questionar: “Pera lá! Quer dizer então que na próxima dispensação os anjos é que levarão os incrédulos à conversão para salvação”? Não é isso que o texto diz. Os anjos efetuarão uma tarefa – a marcação do sinal sobre as frontes – mas antes esses judeus se converterão por um ato divino, através do Espírito Santo, que é Deus.

O Espírito Santo que fora retirado por ocasião do Arrebatamento da Igreja retornará aos procedimentos que fazia antes da Sua morada nos “nascidos de novo” que atualmente constituem a Igreja (João 3:5-7), pois nenhuma alma foi salva no passado – antes da Igreja –, assim como no futuro – depois da Igreja –, sem a Sua intermediação, pois é o Espírito da Verdade que convence os incrédulos do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Diz James Allen: “Estes santos não serão marcados para morrer, mas para viver”. Ao final do período da grande tribulação veremos essas mesmas 144.000 testemunhas incólumes na companhia do Senhor, como as primícias daqueles que entrarão no reino milenar do Senhor Jesus (Apocalipse 14:1-5). Ao passo que, aqueles que receberão o outro sinal – o da besta –, estarão marcados para a morte, não para vida (Apocalipse 19:20-21).

“Depois destas coisas” (v. 9), a visão de João é levada para o final da Tribulação. Em vez do grupo dos 144.000 judeus ele agora está a contemplar um segundo grupo de pessoas, uma imensa multidão “que ninguém podia contar” que são os salvos de todas as raças e nações saindo da Tribulação com seus corpos físicos, certamente frutos da grande pregação do primeiro grupo. Estes são os mencionados pelo Senhor Jesus: “aquele que preservar até o fim será salvo” (Mateus 24:13). Essa multidão que alcançou a Salvação (v. 10) não pode ser confundida com Israel e muito menos com a Igreja; essas pessoas passaram pelos horrores da grande tribulação (v. 14), a Igreja não estará aqui por ocasião desses acontecimentos.

Tendo em vista que essa inumerável multidão estará diante do Trono de Deus, com os anjos ao redor, os anciões que simbolizam a Igreja arrebatada, e os quatro seres viventes que caracterizam a morada divina (v. 11), em um momento de indescritível adoração a Deus (v. 12), não são poucas as divergências existentes entre os comentaristas bíblicos se os salvos aqui mencionados estarão presentes em alma e espírito no Céu, ou com os seus corpos naturais no reino milenar do Senhor Jesus?

As dúvidas deixarão de existir na medida em que tenhamos uma melhor compreensão das revelações no Antigo Testamento acerca desse acontecimento. Daniel revela que o “príncipe que virá” fará uma firme aliança com Israel aos inícios da primeira metade da grande tribulação, na metade seguinte fará cessar “os sacrifícios e as ofertas” (Daniel 9:27). Para que haja esse ritualismo é necessário que exista um templo em Jerusalém, e certamente isso fará parte do “firme pacto que ele [o anticristo] fará com muitos”, incluindo nestes “muitos” o mundo arábico, pois para essa construção será indispensável que seja demolida, sem conflito, a grande mesquita que se encontra no local do antigo templo em Jerusalém. Semdúvida será uma irresistível artimanha que a “besta” lançará para conquistar a submissão de Israel, pois com isso estará acenando que seria o Messias prometido.

Esses conflitos de interpretação são esclarecidos, como convém, quando se atenta para as revelações dos antigos profetas. Diz Jeremias 3:17... “Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do Senhor; e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do Senhor, a Jerusalém”. Por sua vez, descreve Zacarias 6:12-13... “Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do Senhor. Ele mesmo edificará o templo do Senhor; receberá a honra real, assentar-se-á no seu trono, e dominará”. Não deixe de ler o que diz Isaías 2:1-5 sobre os acontecimentos dos últimos dias. Face à perspectiva esplendorosa do Reino Milenar do Senhor Jesus o consagrado profeta roga ao povo de Judá que se arrependa de imediato.

Mais recentemente, R. David Jones esclarece: “O Senhor está tratando com o povo de Israel desde os tempos de Daniel (interrompidos durante o atual período da Igreja), e ao seu fim Ele atingirá os seguintes objetivos... ungirá o Santo dos Santos, quando Cristo se assentará sobre o trono no novo templo do milênio em Jerusalém”. Portanto, não pode existir nenhuma dúvida de que haverá um templo e um trono no Reino Milenar do Senhor Jesus e daí todos os acontecimentos descritos nos versículos 15 a 17.

Perante essas coisas que vimos, outros questionamentos poderão estar em ebulição na sua mente, prezado leitor. Dentre elas: “Quer dizer então que após o Arrebatamento da Igreja os incrédulos ainda terão chance de serem salvos”? “Caramba, pode ser que as pessoas que me são queridas, não salvas, estejam entre as que se converterão durante a Grande Tribulação”?

Esta forma de pensar não é apropriada, pois esses entes queridos poderão partir desta vida antes do retorno do Senhor Jesus e por serem inconfessos não terão ido para o regaço do Senhor. Se está difícil uma conversão na presente época – a da Graça – imagine então a dificuldade que será na próxima dispensação. Esteja certo: a Salvação é agora! Estas crônicas têm esse escopo, o de conscientizar as pessoas da realidade dos acontecimentos por vir e previstos neste notável Livro, para que você e os seus não sejam colhidos de surpresa.  Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 08

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 8

Fechado o parêntese do interlúdio do capítulo anterior, dá-se a abertura do sétimo selo. O livro selado descrito no capítulo 5 agora está completamente aberto. O sétimo selo foi rompido pelo Senhor Jesus. De imediato surge algo surpreendente no início deste oitavo capitulo: “O dia em que o céu se calou” (v. 1).

Este inédito silêncio não deixa de ser espantoso tendo em vista que o Apocalipse é um livro de prédicas, em cujo conteúdo há constantes barulhos de trovões, vozes, terremotos, saraivadas etc. A quietude celestial foi a reação pela expectação das espantosas calamidades que sobrevirão sobre a Terra. Eis que é chegado o momento de uma nova série de terríveis juízos que recairão sobre os seus habitantes nunca antes registrados na história da humanidade.

De imediato você, prezado leitor, poderá estar a se perguntar: “Qual o motivo desse absoluto silêncio”? É a calmaria anterior à tempestade, é o solene sinal que Deus está prestes a punir severamente a Terra, é o prenúncio da angústia vindoura. Do impressionante silêncio do sétimo selo, surgem as sete trombetas de caráter judicante.

Os olhos de João são levados a contemplar os sete anjos que se acham em pé diante de Deus, aos quais foram dadas sete trombetas (v. 2). Há algo de majestoso nesse momento. Lá estão os sete seres angelicais enfileirados prontos para entoar os juízos de Deus através desses seus instrumentos.

Já contemplamos os primeiros juízos por ocasião da abertura dos “selos” pelo Senhor Jesus. Agora veremos aqueles que virão pelo ressoar das “trombetas”. Após, ainda virão os juízos que serão derramados através das “taças” da ira de Deus. Ao contrário de alguns ensinos, esses três acontecimentos não serão contemporâneos, todos ao mesmo tempo, mas sucessivos, um após o outro.

Eis que surge um “outro anjo” (v. 3). Não são poucos os que ensinam que este “outro anjo” seria o próprio Senhor Jesus na forma angelical e baseiam-se para isso nas antigas cristofanias (aparições de Cristo antes de encarnado), em que Ele era identificado como Anjo do Senhor no Velho Testamento. A encarnação, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, com sua forma humana permanente, dispensam qualquer aparição em uma forma angelical.

Uma leitura mais atenta em Apocalipse 1:7 tira qualquer margem de dúvida sobre corpo celestial do Senhor Jesus: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram”, e em Mateus 24:30, que está a relatar a vinda do Senhor Jesus para pôr fim a grande tribulação, Ele próprio diz que todos O verão em Sua forma humana, a de “Filho do homem”,e não como um ser angelical.

Nos versículos 4 e 5 vemos que da mão desse anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as “orações de todos os santos”, depois ele encheu o incensário com o fogo do altar e o lançou sobre a Terra. Atente para a expressão “todos”. Diz James Allen acerca dela: “A ideia tem que ser mais abrangente do que simplesmente o clamor dos santos martirizados pedindo vingança pelo seu sangue derramado”. Segundo ele, esta oração aponta para as orações do povo de Deus ao longo de todos os tempos, a exemplo da oração ensinada pelo Senhor Jesus aos seus discípulos – “venha o teu reino”– agora será respondida de forma tremendamente dramática. A ira de Deus proferida por João Batista aos religiosos da sua época está prestes a eclodir sobre os impenitentes (Mateus 3:7). Na sucessão desses outros juízos – das trombetas e das taças – dar-se-á o retorno do Senhor Jesus para o estabelecimento do Seu reino milenar.

Os sete anjos estão perfilados para o anúncio desses juízos (v. 6). Ao som da primeira trombeta haverá uma violenta agitação atmosférica (v. 7). Uma repentina saraivada de fogo misturada com sangue despencará sobre a Terra. Seria como se todos os vulcões existentes na Terra entrassem simultaneamente em erupção. Um terço das áreas verdes da Terra será completamente queimado. Algo da mesma espécie lemos em Êxodo 9:22-25, quando o Senhor Deus fez chover saraiva com fogo sobre a terra do Egito. Todavia, neste acontecimento apocalíptico vemos um ingrediente espantoso – o sangue. Será uma ocorrência tão avassaladora que, por certo, levará os habitantes da Terra a entender que estão debaixo do juízo de Deus.

Em seguida o segundo anjo soa a sua trombeta. Em sua visão, João vislumbra algo como um grande monte ardendo em fogo lançado sobre o mar, que faz com que uma terça parte dele se torne em sangue (v. 8). Será como um imenso corpo celeste sendo arremessado contra a Terra que em contato com a atmosfera terrestre se incendiará e provocará a morte de um terço das criaturas viventes no mar e um terço dos navios nele existentes será destruído (v. 9). Desnecessário ressaltar o que isso representará nas rotas comerciais entre as nações diante do peso deste juízo divino.

Guardadas as devidas proporções, lemos em Êxodo 7:19-25 que por sete dias as águas do Egito ficaram ensanguentadas depois que o Senhor Deus ferira o rio Nilo. Para aqueles que colocam em dúvida estas previsões apocalípticas, convém lembrar que Deus permitiu que os bruxos do Egito realizassem o mesmo feito mediante poderes diabólicos. Portanto, quaisquer ceticismos acerca do cumprimento desta profecia deverão ser refutados energicamente, pois esta é a Palavra de Deus.

Ao toque da terceira trombeta, um imenso e fumegante corpo estelar é lançado em direção à Terra e um terço das águas potáveis tornam-se amargosas e muitos seres humanos morrerão em consequência disso (vs. 10-11). A previsão da chegada dessa bólide que virá do espaço sideral é algo que não deve ser ignorado, pois o próprio Senhor Jesus fez menção disso: “haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu” (Lucas 21:11). O nome dado a essa estrela cadente é Absinto. Nas Sagradas Escrituras há uma erva com esse nome, com a característica de ser intensamente amarga e grandemente venenosa. Em alguns textos bíblicos essa palavra é traduzida como losna, ou água de fel (Jeremias 23:15).

A seguir, na quarta trombeta, algo sobremodo apavorante acontecerá. O céu astronômico sentirá o toque onipotente do Deus Todo-Poderoso. Com a Sua permissão o nosso sistema solar será invadido por um estranho corpo celestial de energia negativa que absorverá a luz de uma terça parte do sol, da lua e das estrelas (v. 12). Algo parecido já foi identificado pelos astrônomos dentro do nosso sistema galáctico. Tanto o sol como a lua e as estrelas terão suas terças partes eclipsadas. Será como se o dia fosse encurtado em quatro horas e a noite estendida por outro tanto de horas. Indiscutivelmente será uma manifestação poderosa e milagrosa do Senhor Deus que deverá levar a humanidade a uma estupefação generalizada.

A esta altura, você poderá estar a sentir uma aura de incredulidade passando por sua mente: “Será que isso realmente acontecerá?”. Levados por essa aragem, não são poucos que tentam espiritualizar essas ocorrências procurando dar um significado mais ameno a esses acontecimentos criando toda sorte de especulações sob a alegação que não há uma explicação racional para Deus agir dessa forma.

Todavia, para que crêssemos, não foi necessário que Deus explicasse como Ele fez para que houvesse trevas no Egito por três dias (Êxodo 10:21-23), ou então, quando Ele atendeu ao pedido do Seu servo e o sol e a lua foram detidos por quase um dia para que o combate de Israel contra os amorreus se desse sob a luz do dia (Josué 10:12-15), ou ainda, quando Ele fez com que a sombra no relógio de Acaz voltasse atrás em dez graus como sinal dado a Ezequias que a Sua promessa se cumpriria (2 Reis 20:11; Isaías 38:1-8). Por que então estão a exigir provas de que Deus agirá dessa forma na grande tribulação?

Tentar amenizar as cores desses acontecimentos seria uma forma de colocar em dúvida o poder e a extensão dos juízos soberanos de Deus. Leia os trechos indicados no parágrafo acima, prezado leitor, e reflita comigo: Enquanto todo o Egito permaneceu em trevas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações. Quando Josué pediu para que o sol não se pusesse e a lua não surgisse, isto equivale dizer que Deus parou o movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo. Este foi o dia que a Terra parou.

Por sua vez, quando Isaías clamou a Deus para que fizesse retroceder a sombra do sol declinante no relógio de Acaz, por mais incrível que possa parecer Deus fez com que a Terra retrocedesse em seu movimento de transladação em torno do sol, ou que houvesse um pequeno retorno em seu movimento de rotação, ou então uma leve inclinação em seu eixo gravitacional. Inacreditável? Jamais! Para Deus não há impossíveis, Ele não está limitado pelas chamadas “leis da natureza”, porque tudo foi criado por Ele e somente por Ele poderá ser feito ou desfeito.

Por que então duvidar acerca dessas narrativas contidas no Apocalipse ao insinuar-se que não será bem assim? Lembremo-nos de que os acontecimentos dessa quarta trombeta darão cumprimento ao que foi revelado pelo Senhor Jesus: “E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a Terra haverá angústia das nações... os homens desfalecerão de terror... porquanto os poderes do céu serão abalados...” (Lucas 21:25-26). Portanto, creia nessas revelações, meu caro leitor, porque a Terra irá tremer. Ao transcrever essas revelações, em nenhum momento João vacilou ou questionou ao Senhor de como essas coisas seriam por Ele feitas. Ele apenas creu!

Ainda faltam três trombetas para serem soadas. Eis que surge um intervalo (v. 13) como que fosse dado a João um tempo para suas reflexões diante de tamanhas revelações. Nesse lapso de tempo o consagrado apóstolo ouve uma série de três “ais” vindos de uma águia como a anunciar que juízos mais estarrecedores ainda estariam por vir. No Velho testamento a águia é usada como símbolo de um juízo vindouro: Deuteronômio 28:49; Oseias 8:1; Habacuque 1:8.

Que diremos, então, à vista destas coisas? Ou então, como responder a questão levantada por João Batista: “Quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3:7). Cabe aqui, como resposta, a afirmação do apóstolo Paulo: "Jesus, que nos livra da ira vindoura... [Deus] ressuscitou dentre os mortos a Jesus, que nos livra da ira vindoura... porque Deus não nos destinoupara a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:9-10; 5:9). Diz mais Paulo acerca de Jesus: “sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9). Portanto, tenhamos absoluta certeza disto e jamais coloquemos em dúvida a Palavra de Deus. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 09

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 9

Conforme vimos no versículo 13 do capítulo anterior, o apóstolo João ouviu que três “ais” estavam por desabar sobre a Terra ao soar das três trombetas restantes. Acontecimentos terríveis ainda estavam por vir. Não dá para imaginar o que passava pela mente do consagrado servo de Deus após transcrever os juízos das quatro primeiras trombetas. Sem dúvida foram revelações aterrorizantes.

No primeiro versículo deste nono capítulo ele vê, ao soar da quinta trombeta, uma estrela que havia caído sobre a Terra e a ela – estrela – foi entregue a chave do “poço do abismo”. É impressionante a quantidade de controvérsias existentes acerca dessa “estrela” que João não viu cair do céu, mas que já havia quedado antes desta sua visão.

A primeira dificuldade encontrada pelos comentaristas é o que seria essa “estrela”. É claro que não se trata de um corpo estelar, pois em sua queda nada de catastrófico ocorreu como as outras que vimos no oitavo capítulo. Inobstante a isso, jamais poderia ser algo inanimado tendo em vista que estava a portar uma chave que abriria o “poço sem fundo” que, conforme explicita James Allen, é a tradução mais apropriada para o vernáculo originalabussos.

Aos inícios desta série de crônicas, descrevi acerca do significado simbólico de “estrelas” no Apocalipse como sendo “anjos” e é este o entendimento que devemos ter acerca desta estrela caída. Pelas razões expostas no parágrafo acima, o personagem aqui caracterizado não pode ser outro que não seja o diabo.

Diz o antigo profeta de Deus ao se referir à queda de Satanás, o anjo rebelde: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações... levado serás ao Seol, ao mais profundo do abismo” (Isaías 14:12-15). De forma semelhante citou o Senhor Jesus: “Eu via Satanás como raio, cair do céu” (Lucas 10:18). Portanto, bem haja quem assim interprete!

Essa “estrela caída”, que se trata do anjo banido, recebe a chave do “poço do abismo” para soltar a horda de demônios que ali se encontra trancafiada. Por sete vezes lemos a menção deste “poço” em Apocalipse, que se trata de uma prisão profunda temida pelos próprios demônios conforme lemos em Lucas 8:31... “Rogavam-lhe [a Jesus] que não os mandassem para o abismo”.

Sem dúvida, terrível juízo retribuidor está por acontecer na Terra. A visão de João é assustadora. Uma imensa erupção de fumaça, como que de uma fornalha ardente, surge com a abertura do “poço do abismo” que de tão densa escurece o sol e o ar ao seu redor (v. 2). É o prenúncio da soltura de terríveis poderes demoníacos sobre a Terra. Semelhante fumaça lemos por ocasião do juízo de Deus sobre as cidades impenitentes: "E Abraão... contemplando Sodoma e Gomorra e toda a terra da planície, viu que subia da terra fumaça como a de uma fornalha" (Gênesis 19:27-28).

Todavia, surge aqui algo incomparavelmente pior. Em meio a toda essa fumaça surgem criaturas aterrorizantes, semelhantes a “gafanhotos”, com o propósito de não causar dano à vegetação, como seria próprio dos gafanhotos (Êxodo 10:14-15), mas aos homens que não trouxessem o “selo de Deus”. Eles teriam o poder até para aniquilar a humanidade incrédula, entretanto isto lhes será negado, eles terão a permissão de somente atormentarem aos homens rebeldes a Deus por um período de cinco meses de terríveis tormentos (vs. 3 a 5).

Você poderá estar a questionar: “O texto bíblico fala em gafanhotos e esses insetos não têm esse poder?”. A resposta é simples, meu caro leitor. Esses gafanhotos simbolizam hostes demoníacas e isso é facilmente observável pelos aspectos que eles possuem e pelo fato deles possuírem um rei (vs. 7 a 11). Por definição, gafanhotos não têm rei como ocorre com essa escória. Diz Agur: “Os gafanhotos não têm rei” (Provérbio 30:27). Esses tinham sobre si, como seu rei, o “anjo do abismo”: Abadom, que em hebraico significa “destruição”, ou Apoliom, que em grego tem o significado de “destruidor” (v. 11).

Alguns veem nesse “anjo do abismo” que estará liderando essa súcia maligna, o próprio Satanás, todavia isto é um equívoco, pois o diabo se coloca acima deles como o tenebroso príncipe das trevas (Efésios 2:2 e 6:11-12), que Paulo o identifica como o “deus deste século” (2 Coríntios 4.4). Portanto, esse “anjo” é a ele subordinado.

Por sua vez, há grande dificuldade de entendimento para muitos a respeito do teor do versículo 6... “Naqueles dias os homens buscarão a morte, e de modo algum a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles". O tormento pelo qual passarão será agravado pelo desespero de não serem capazes de se suicidarem. Diz William MacDonald a esse respeito: “A dor será tão intensa que levará os homens a buscar a morte, mas o farão em vão. A possessão demoníaca lhes provocará intenso sofrimento físico e tormento mental...”. A morte fugirá deles. Esses demônios não terão permissão para matá-los (v. 5). A possessão demoníaca de seus corpos será tão excruciante que não conseguirão se livrar dessa opressão nem através da morte.

Passado é o primeiro “ai”! Depois deste ainda virão mais dois (v. 12). O primeiro foi extremamente dolorido, o próximo será mortal. O pior ainda está por vir, pois os juízos se tornarão cada vez mais intensos.

Ao soar a sexta trombeta ouve-se uma voz determinando para que fossem soltos os quatros anjos malignos que se acham “acorrentados” junto ao rio Eufrates (v. 13-14). A eles estava estabelecida uma data de exclusivo conhecimento de Deus – hora, dia, mês e ano – com a permissão de matarem uma terça parte da humanidade (v. 15).

Esses agentes diabólicos serão cruéis. Eles irão reunir uma poderosa força invasora jamais vista pela humanidade: um espantoso exército de 200 milhões de participantes (v. 16). Para se ter uma ideia do que esse número representa, a soma das 10 nações com o maior efetivo militar, atualmente no mundo, não chega a 10 milhões de militares, e para manter esses exércitos elas gastam mais de 500 bilhões de dólares por ano.

Numa simples analogia, todo o efetivo militar dessas 10 nações representa menos de 5% desse diabólico exército, e se fosse de seres humanos o custo alcançaria a incrível soma de mais de 10 trilhões de dólares/ano. Em termos econômicos é algo inexequível, pois se levarmos em consideração toda a logística necessária para a manutenção dessa enorme força-tarefa e a produção de armas e demais acessórios para equipar esse contingente de soldados, não haveria recursos financeiros para uma empreitada dessa envergadura. Logo, se trata de um exército de demônios que invadirá o mundo.

Difícil de acreditar nessa quantidade de 200 milhões de “militares”? Não! Porque se trata de uma revelação de Deus. Note atentamente ao que diz João: “eu ouvi o seu número” (v. 16). Se o número não lhe fosse dito seria impossível a contagem visual de tão grande ajuntamento. Logo, essa quantidade é absolutamente real.

Assim como os gafanhotos que vimos nos versículos anteriores, João agora vê estranha força invasora cujas descrições fogem à nossa percepção, portanto é algo simbólico (vs. 17 a 19). Em sua descrição ele afirma que a força desses “cavalos” estava em suas bocas e caudas, e isso é contrário à natureza desses animais, pois a força do cavalo natural está em seu pescoço, peito e patas, principalmente as traseiras, sendo que sua boca é a sua parte mais sensível, onde são colocados os cabrestos para que sejam dominados. Diz-nos Davi: “Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão” (Salmo 32:9). Este é um exército atípico e medonho.

Alguns veem nesses implacáveis invasores o cumprimento da profecia acerca da invasão de Israel revelada por Ezequiel, capítulos 38 e 39, todavia pelas descrições do consagrado profeta essas forças viriam do “extremo norte”, ou melhor, “dos confins do norte” (Ezequiel 38:6 e 15). Aqui em Apocalipse, no versículo 14, esse gigantesco ajuntamento se dará junto ao “grande rio Eufrates”, portanto não ao norte, mas a leste de Israel. A sua carnificina é dirigida à humanidade como um todo, e uma terça parte dela será extinta (vs. 15 e 18).

Três flagelos são mencionados por João: fogo, fumaça e enxofre (vs. 17 e 18). Esse extermínio será de forma extremamente asfixiante. Dados recentes dão conta que a população mundial em 2011 alcançará o montante de 7 bilhões de seres humanos e em 2025, tudo mais constante, esse número chegaria a 8 bilhões. Partindo-se desse pressuposto, levando-se em conta que com a abertura do sexto selo uma quarta parte da humanidade será morta (Apocalipse 6:8), e nesta sexta trombeta mais um terço do restante será extinto, a conclusão é que a metade da população mundial deixará de existir, ou seja, cerca de 3,5 bilhões de almas serão aniquiladas nesses dois juízos. Dura coisa é tomar conhecimento disto, mas isso é o que estabelecido por Deus em Sua Palavra.

Diante de tamanha desgraça seria de se esperar que a humanidade se despertasse da sua obcecada incredulidade, se arrependesse e voltasse para Deus. Mas, lamentavelmente, não é isso que ocorrerá (vs. 20 e 21). Diz o texto desses versículos que os bilhões que ainda estiverem vivos após a essas tragédias não se arrependerão, ao contrário, continuarão em suas práticas criminosas e no enganoso exercício religioso que será introduzido pelo “falso profeta” que haverá de surgir.  Mas este é um assunto que veremos mais à frente.

Não se permita, caro leitor, a colocar em dúvida o que aqui está revelado. Você poderá achar que o conteúdo deste capítulo é exacerbadamente sobrenatural e impossível de ser explicado ao incrédulo sem ser por ele ridicularizado. Primeiramente você tem que ter absoluta certeza nisso que você chama de “sobrenatural”. Indiscutivelmente é uma questão de fé. Se assim não fosse, como entender o “sobrenatural” do dilúvio, da torre de Babel, de Sodoma e Gomorra, as pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho, os dedos escrevendo na parede do palácio de Belsazar, Jonas sendo engolido pelo grande peixe, o nascimento virginal do Senhor Jesus, os Seus milagres, a aparição de Moisés e Elias no monte da transfiguração, a Sua ressurreição e ascensão, além de inúmeras outras narrativas que não há espaço aqui para descrevê-las?

A triste realidade dos nossos dias é que vivemos um cristianismo apático, institucionalizado, meramente religioso, onde as pessoas não mais se dedicam ao estudo da Palavra de Deus, deixando-se conduzir por muitos enganadores que de fato amam o lucro e a notoriedade, e através de metáforas ilusórias insinuam que os acontecimentos aqui descritos “não serão bem assim”. Portanto, "tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”(Colossenses 2:8).

Ouçamos, ainda, o que nos diz Paulo em 2 Timóteo 4:1-5, que chegará o tempo em que os homens não mais suportarão a sã doutrina, não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Por sua vez, o verdadeiro cristão deverá cumprir cabalmente com o seu ministério não tendo do que se envergonhar. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 10

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela estão escritas;
porque o tempo está próximo”

Apocalipse 1:3

CAPÍTULO 10

Este e o próximo capítulo fazem parte do segundo grande parêntese existente em Apocalipse (capítulos 10:1 a 11:13). Vimos o primeiro parêntese no capítulo 7, inserido entre o sexto e o sétimo selo, agora vemos este segundo entre a sexta e a sétima trombeta. O primeiro nos revelou aqueles que entrariam na grande tribulação e aqueles que dela sairiam por terem alcançado a Salvação. Neste segundo veremos o propósito e o poder de Deus sendo reiterados, e que não haverá mais delonga para a execução do Seu plano. Diz o anjo: “já não haverá demora” (v. 6b). O propósito do interlúdio deste décimo capítulo é o de anunciar que quando o anjo estiver para soar a sétima trombeta “cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas” (v. 7).

Ao adentrarmos a este capítulo nos deparamos com a revelação de João que viu “outro anjo forte descendo do céu” (v. 1). O vernáculo “outro” nos remete a alguém da mesma espécie, ou seja, a um anjo, e não ao Senhor Jesus como é afirmado por alguns comentaristas. Conforme já mencionei no capítulo 8, a encarnação, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus, com sua forma humana permanente, dispensam qualquer aparição em uma forma angelical. Inobstante a isso, o Senhor Jesus não juraria para Si mesmo (vs. 5 e 6), pois Ele foi partícipe de toda criação: “Tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1:16).

 Diz Alford a esse respeito: “Este anjo não é, e não pode ser, o nosso Senhor. Tal suposição seria uma quebra de toda a consistência da analogia do Apocalipse. Conforme observado no capítulo 8:3, os anjos são ministros dos propósitos divinos e os executores dos acontecimentos apocalípticos, mas sempre distintos da Pessoa divina”. Diz também Ladd: “No Apocalipse anjos são sempre anjos; Cristo nunca é aqui chamado de anjo. Este anjo jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos (v. 6), e isto é significativo quando vem de um anjo, mas difícil de aplicar a Cristo. Além disto, este é somente um mensageiro; não é dado a ele um papel da divindade, e ele também não é adorado”.

 É claro que sempre se respeita aqueles que têm pensamentos divergentes, mesmo porque há forte indício que este anjo poderia se tratar de um ser divino tendo em vista as características extrínsecas que ele apresenta (v. 1), semelhantes às do Senhor Jesus em Apocalipse 1:15-16. Todavia, essa aparência não é suficiente para se asseverar que este anjo se trata do Senhor Jesus, elas evidenciam tão somente a glória celestial que o reveste. Inverossímil a sugestão que esse anjo forte seria Lutero e que o livro aberto (v. 2) se refere à Bíblia por ocasião da reforma protestante, algo totalmente contrário ao texto sagrado.

 Uma vez esclarecido o controverso existente acerca desse anjo, passemos à análise deste capítulo. O versículo 2 relata que na mão desse anjo está um livro que sem dúvida contém o registro dos assustadores flagelos que ainda estarão por recair sobre a humanidade, conforme veremos no capítulo 16. João deveria comer esse livro (v. 9), à semelhança do ocorrido com Ezequiel que teve que comer o rolo que continha terríveis juízos que sobreviriam a Israel: “Então vi, e eis que uma mão se estendia para mim, e eis que nela havia um rolo de livro. E estendeu-o diante de mim, e ele estava escrito por dentro e por fora; e nele estavam escritas lamentações, e suspiros e ais” (Ezequiel 2:9-10).

 A seguir João ouve sete trovões (v. 3) que continham em si vozes inteligíveis e de imediato ele começa a escrevê-las, porém foi orientado para que não o fizesse, que guardasse aquela revelação em segredo (v. 4). Não se deve conjecturar em torno de qual seria o conteúdo dessas vozes, é uma revelação de exclusiva propriedade de Deus. O mesmo ocorrera anteriormente com o profeta Daniel e o apóstolo Paulo (Daniel 12:4; 2 Coríntios 12:4 – o fato do número do capítulo e do versículo serem os mesmos em ambas as passagens é mera coincidência, não há nada sobrenatural ou misterioso nisso).

 Após essa revelação de exclusivo conhecimento de João, o anjo faz um solene brado de juramento de que não haverá mais demora (vs. 5 e 6). Aquilo que era iminente passa a ser imediato. O tempo de espera está a se findar. Assim que começar o soar da sétima trombeta, naqueles dias se cumprirá o “segredo de Deus” outrora anunciado aos seus profetas e servos (v. 7). Tremendo juízo paira sobre as cabeças da humanidade. Dentro do plano determinado por Deus, se aproxima o tempo em que será estabelecido o reino milenar e mundial do Senhor Jesus Cristo que há milênios fora revelado pelo Seu profeta: “Eis que vem o dia do Senhor... naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras... e o monte será fendido pelo meio... será um dia conhecido do Senhor... E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e um será o seu nome” (Zacarias 14).

 Assim como ocorrera no versículo 4, novamente João ouve a poderosa voz vinda do céu, sem dúvida a do Senhor Jesus, que lhe ordena para que pegue o livro que se encontra na mão daquele anjo forte (v. 8). Ao fazê-lo, João recebe a ordem para que o comesse com a observação de que o seu paladar seria doce ao mastigá-lo, como só é a Palavra de Deus (Salmo 119:103; Jeremias 15:16; Ezequiel 3:3), porém haveria amargor em seu ventre (vs. 9 e 10), pois nele continha os juízos de Deus previstos para a Terra e seus habitantes.

 Diz MacDonald acerca disso: “Conforme predito pelo anjo, o livro é doce como mel, mas amargo ao estômago. Para o cristão é doce ler sobre a resolução de Deus de glorificar o Seu Filho onde, outrora, fora crucificado. É doce ler acerca do triunfo de Deus sobre Satanás e todas as suas hostes. É doce ler sobre o tempo em que todas as injustiças na Terra serão corrigidas. Ao mesmo tempo, contudo, o estudo das profecias também tem um sabor amargo. Há amargor no próprio julgamento produzido pelas Escrituras proféticas. Há amargor na visão dos julgamentos que em breve sobrevirão ao judaísmo e à cristandade apóstata. Há amargor em contemplar a condenação eterna de todos os que rejeitarem o Salvador”.

 O conteúdo deste livro absorvido por João foi para lhe dar a força indispensável para o restante da missão que ele tinha que executar. Havia para ele uma duríssima tarefa pela frente. Era necessário que ele transmitisse aquilo para muitos (v. 11). João cumpriu cabalmente com a sua parte e nos deixou revelado fielmente esses acontecimentos.

 O mesmo ocorre em nossos dias. O verdadeiro cristão não pode quedar-se inerte diante de tamanhas revelações. A omissão será a pior das decisões e haverá um preço a ser pago por isso, pois se não houver quem pregue acerca dessas ocorrências como as almas se livrarão de tão grave desígnio?

 Lembremo-nos, novamente, dos tempos de Noé. As pessoas viviam na incredulidade e praticavam toda sorte de imoralidades que as conduziram à morte. Contudo, Deus não deixou de adverti-las a esse respeito através desse Seu servo. Segundo Pedro, Noé pregou fervorosamente sobre um avassalador juízo que cairia sobre aqueles que desprezavam a Deus (2 Pedro 2:5). Por mais absurdo que lhe poderia parecer, Noé foi temente a Deus e aparelhou uma arca pela qual condenou a humanidade impenitente (Hebreus 11:7). Deus não está a nos pedir que construamos outra arca, mas que testemunhemos perante os incrédulos acerca das verdades contidas neste magnífico Livro. Estou a fazer a minha parte, prezado leitor. Bem haja se assim o fizer! Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 11

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 11

Neste capítulo continuaremos a examinar o segundo grande parêntese existente no Apocalipse, aberto no capítulo 10:1 e encerrado no versículo 13 deste capítulo 11. Em seguida veremos João declarando, no versículo 14, que é passado o segundo “ai” e sem demora virá o terceiro cujas terríveis consequências estão reveladas no capítulo 16. A última trombeta soará.

Nos versículos 1 e 2 João recebe ordens, por certo do anjo forte que vimos no capítulo anterior (10:1), para que medisse o santuário e os que nele adoram, sendo instruído para que não mensurasse o “átrio exterior” porque ele será dado por “quarenta e dois meses” aos gentios que subjugarão a cidade santa. Esse tempo é equivalente a “três anos e meio” de 360 dias no calendário judaico, que representa a metade do período da grande tribulação.

De imediato nos vem a pergunta: Que santuário é esse? Alguns afirmam que seria o templo construído por Herodes em Jerusalém, todavia na época em que João estava escrevendo essas revelações esse santuário já não mais existia, fora destruído pelo império romano que lá deixou somente um resto do muro que o cercava e é conhecido em nossos dias como o “muro das lamentações”.

Inobstante a isso, naquele santuário havia três átrios: o dos sacerdotes, o das mulheres e o dos incrédulos, e nesta visão de João o templo contém um único átrio, a exemplo daquele que foi construído por Salomão. Conclui-se, portanto, que este será um novo templo a ser erguido por ocasião da “aliança” que o “príncipe” que haverá de vir fará com Israel, tudo de conformidade com a profecia de Daniel: “Ele fará firme aliança com muitos por uma semana (os sete anos da grande tribulação); na metade da semana (três anos e meio)fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares...” (Daniel 9:27).

Por definição, se haverá sacrifícios e ofertas de manjares terá que existir um novo templo que será permitido aos judeus construí-lo mediante essa “firme aliança”. Sabemos que em nossos dias isso é impossível de acontecer tendo em vista que no local original do templo está erguida a mesquita de Omar que é imexível por ser um local sagrado para os muçulmanos. Israel não se atreveria a derribá-la a não ser que houvesse condições para isso, mediante a intervenção de um grande poder político, no caso o do “príncipe” profetizado por Daniel que vem a ser uma das “bestas” que veremos no capítulo 13. Nunca é demais lembrar que a formalização dessa “firme aliança” com Israel iniciará a contagem da setuagésima semana de Daniel.

Diz R. David Jones a respeito desse novo templo: “O templo de Herodes existente ao tempo do ministério do Senhor Jesus sobre a terra foi destruído pelos romanos antes do livro do Apocalipse ser escrito. O santuário mencionado aqui é, portanto, um edifício novo construído antes da tribulação ou no seu início. O ato de medi-lo, incluindo o altar e os que nele adoram, é o anúncio de um julgamento iminente: Jerusalém vai ser ocupada pelos gentios (as nações) durante os últimos três anos e meio, período também chamado o da abominação desoladora (Daniel 9:27; 12:11; Mateus 24:15; 2 Tessalonicenses 2:3-4)”. Portanto, quaisquer outras afirmações a respeito desse santuário, e o motivo da sua medição, são meras especulações.

Nos versículos seguintes – 3 a 13 – João relata acerca do surgimento de“duas testemunhas” que terão significativa atuação por três anos e meio no período da grande tribulação. Muitas têm sido as teorias acerca de ambas. A mais extravagante é que elas representam a Igreja que será arrebatada em meio à grande tribulação e, como respaldo para essa interpretação, usa-se a expressão “subi para aqui” contida no versículo 12 e o toar da sétima trombeta no versículo 15, tendo em vista que Paulo deixou revelado que o arrebatamento da Igreja se dará ao som de uma trombeta (1 Tessalonicenses 4:16-17). Se ao menos continuassem a leitura dessa epístola, veriam Paulo afirmando que Deus não destinou a Igreja para o dia ira, mas para alcançar a salvação mediante o Senhor Jesus Cristo (1 Tessalonicenses 5:9).

Essa afirmação é dar muitas asas à imaginação, pois como tenho asseverado insistentemente ao longo desta série, que aqueles que pertencem a Deus nesta atual era – a da Igreja – não estão destinados para passarem pela ira de Deus (João 3:36; Romanos 5:9; 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9). Sobremodo incompreensível o esforço que fazem para colocar a Igreja nesse angustiante período, contrariando com isso o contexto sacro. A diferença entre as dispensações é claríssima, enquanto a Igreja aqui está a pregar a graça de Deus essas duas testemunhas virão para anunciar o juízo de Deus e a vinda de Jesus Cristo como o Messias que irá restaurar todas as coisas. O realce não estará na graça, mas no governo de Deus.

Outro grande esforço é para identificar quem seriam essas duas testemunhas. Uma das opções lançadas é que elas seriam dois anjos poderosos aparelhados por Deus para uma missão específica, ou então que seriam a reencarnação de Moisés e o reenvio de Elias que não passou pela morte, ou até mesmo Enoque, que a exemplo de Elias também foi arrebatado vivo. Tudo tremendamente especulativo, devemos tão somente nos ater ao texto sagrado. Essas duas testemunhas são duas pessoas físicas naturais com uma missão extraordinária em tempos tão difíceis. O texto é claro: “minhasduas testemunhas para que profetizem por três anos e meio” (v. 3).

Portanto, essas duas testemunhas são Dele, escolhidas por Ele e dotadas por Ele com imenso poder para um importante ministério. A sugestão que elas fariam parte do grupo dos 144 mil de Israel selados por Deus (Apocalipse 7:4-8) é completamente insustentável, pois essas duas testemunhas serão mortas (v. 7), ressuscitadas por Deus (v. 11) e arrebatadas ao céu (v. 12), ao passo que os 144 mil aqui permanecerão intocáveis por toda grande tribulação. Diz-nos William MacDonald em seu comentário sobre Apocalipse 14:1-5: “O Cordeiro é visto em pé sobre o monte Sião com os Seus 144 mil seguidores... Essa cena antevê o momento em que o Senhor Jesus voltará à terra e aparecerá em Jerusalém com esse grupo de cristãos... Os 144 mil são as mesmas pessoas mencionadas no capítulo 7. Agora, estão prestes a entrar no reino de Cristo”. Como vemos, o texto não diz 143.998.

Ao descrevê-las em sua visão, João revela o caráter de seus testemunhos. Suas vestimentas tipificam a natureza sombria das suas mensagens acerca do pesado juízo que recairá sobre os homens rebeldes a Deus (v. 3). Os símbolos – oliveiras e candeeiros – nos remetem à quinta visão do antigo profeta – Zacarias 4:3, 11 e 14. Portanto, essas duas testemunhas são dois judeus ungidos que reconhecerão o Senhor Jesus como o Messias prometido a Israel (v. 4). Elas terão poder sobre a vida e a morte, e autoridade para alterarem os elementos da natureza quantas vezes desejarem enquanto aqui estiveram profetizando (vs. 5-6).

Ao se completar o tempo estabelecido por Deus para a sua missão – três anos e meio – o “príncipe” visto por Daniel, que é uma das “bestas” descritas por João no capítulo 13, será permitido matá-las (v. 7). Seus corpos ficarão expostos na cidade que tipifica a idolatria do Egito (identificação espiritual) e a imoralidade de Sodoma (identificação moral), que de fato serão as características que haverá em Jerusalém, a cidade “onde o Senhor foi crucificado” (v. 8). A morte das duas testemunhas será motivo de alegria extremada para muitos (vs. 9-10), mas após três dias e meio elas serão ressuscitadas e arrebatadas ao céu e com grande medo os seus inimigos as contemplarão (vs. 11-12).

Após o arrebatamento dessas duas testemunhas a Terra voltará a tremer fortemente! A décima parte de Jerusalém será destruída e sete mil vidas serão ceifadas pela morte, por certo de seguidores da “besta”. As demais pessoas que lá estiverem ficarão atônitas e darão glória a Deus, não necessariamente em autêntica adoração ou conversão, mas porque serão levadas, à vista do que viram, a entender que aquilo é a confirmação do que ouviram ao longo daqueles três anos e meio de testemunho (v. 13). Encerra-se aqui o segundo grande parêntese contido em Apocalipse.

João volta às trombetas. Antes deste parêntese ele havia descrito os terríveis acontecimentos que advirão sobre a humanidade com o soar das seis trombetas anteriores a esta: “Passou o segundo ai. Eis que sem demora, vem o terceiro ai” (v. 14) com o soar da sétima trombeta cujas peripécias estão descritas no capítulo 16.

Antes, porém, João narra a visão do grande alarido no céu por ocasião do toque desta sétima trombeta. É chegado o grande momento que o Senhor Jesus virá para derrotar Satanás e estabelecer o Seu reino milenar (v. 15). A Igreja que fora arrebatada antes da tribulação e aqui representada pelos vinte e quatro anciãos, conforme comentado no capítulo 4, prostrar-se-á perante Deus e O adorará (vs. 16-18). Magnífico momento será esse! Será o dia da antecipação do júbilo pela vitória absoluta do bem sobre o mal. Os que destroem a terra serão completamente derrotados através desta batalha final.

Abre-se o santuário de Deus que se acha no céu. A visão de João é estupenda, ele vê a arca da aliança. A antiga era um símbolo transitório da nova, que é superior e eterna, da qual Jesus Cristo é o mediador (Hebreus 8). O santuário e a arca que aqui estavam eram apenas símbolos, ou sombras, destes que João está contemplando. Diante da majestosa presença do Deus Todo-Poderoso sobrevêm grandes sinais: relâmpagos, vozes, trovões terremotos e grande saraivada (v. 19).

Portanto, resta saber, meu caro leitor, onde você e os seus próximos estarão? Entre aqueles que estarão adorando a Deus nessa oportunidade ou entre os que sofrerão as terríveis consequências da rebeldia para com Deus. Reflita sobre isso e tenha certeza de que a sua escolha seja a acertada. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 12

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 12

Abre-se o penúltimo grande parêntese contido em Apocalipse, por sinal bastante longo, que se inicia neste 12° capítulo e vai até o 14°. Como vimos ao final do capítulo anterior, a sétima trombeta foi soada, todavia as terríveis consequências, que advirão com os sete flagelos a serem lançados sobre a Terra, serão reveladas somente no capítulo 16.

Ao iniciar este capítulo João relata a visão que teve de um “grande sinal no céu” (v. 1) que, por ser um “sinal”, trata-se de algo simbólico. Cabe-nos, portanto, ir à busca da interpretação do seu significado através das Escrituras em vez de ficarmos a especular o que aquilo representa.

Em sua visão, o consagrado apóstolo descreve acerca de uma mulher radiante que estava grávida (vs. 1 e 2). Surge a inevitável indagação: Quem seria essa mulher? É impressionante a quantidade de interpretações dadas acerca desta figura, que de fato são meras divagações, pois não têm respaldo nas revelações contidas na Palavra de Deus.

Alguns chegam à extravagância de afirmar que se trata de Maria grávida de Jesus, todavia não é preciso muito esforço para entender que se trata de algo completamente fora do contexto descrito neste capítulo. Por outro lado, aqueles que insistem em colocar a Igreja no período da grande tribulação chegam ao absurdo de interpretar que esta “mãe” representaria a Igreja, porém vemos que a mulher em questão está a gerar aquEle que há de reger todas as nações, qual seja o Messias prometido, o Senhor Jesus, portanto o inverso é absolutamente verdadeiro, pois não foi a Igreja que O gerou, mas foi por Ele gerada (Mateus 16:18).

Se não bastasse isso, a Igreja jamais foi interpretada nas Escrituras como “mãe”, mas como a “noiva”. Escreve a esse respeito W. Kelly: “Há aqui vários pontos que requerem uma explicação. Em primeiro lugar, que geralmente prevalece, é que a mulher representa a Igreja. Mas uma simples nota basta para derrubar esta falsa noção: A Igreja nunca é apresentada nas Escrituras como sendo uma mãe, e muito menos ainda poderia ela ser a mãe de Cristo, que, evidentemente, é o Filho Varão (v. 5). Sob a figura de uma mulher, a Igreja é a noiva de Cristo; enquanto Israel, como nação, pode, na realidade, ser considerada simbolicamente como tendo dado à luz a Cristo... “um menino nos nasceu (aos judeus) um filho se nos deu (aos judeus)” (Isaías 9:6-7). Portanto, a mulher representa Israel segundo o pensamento de Deus”.

Portanto, meu caro leitor, a resposta a essa pergunta é que essa “mulher” representa Israel. A figura dessa mulher (v. 1) é semelhante àquela do sonho de José (Gênesis 37:9-10), onde o Sol é interpretado como sendo Jacó, seu pai, a Lua como sendo Raquel, sua mãe, e as onze estrelas os seus irmãos, que com ele, José, formariam as doze tribos que dariam origem a Israel como nação. Não são poucas as passagens bíblicas em que Israel é representado por uma “mulher”, dentre elas Isaías 54:5 e Jeremias 3:20.

Surge, porém, outra questão. Se a mulher é Israel (v. 1) e o seu filho varão o Senhor Jesus (v. 5), como então ela poderá sentir as dores do parto em meio à grande tribulação se Ele já era nascido? Deixemos essa interpretação, como convém, a cargo das Escrituras. Como diz J. Allen, Isaías antecipou esta situação anormal de nascimento quando escreveu: Antes que estivesse de parto deu à luz; antes que lhe viessem as dores deu à luz um filho... pois Sião, antes que lhe viessem as dores, deu à luz a seus filhos” (Isaías 66:7-8). Leia também Miqueias 4:10. Assim o verdadeiro sofrimento da nação de Israel não aconteceu no tempo do nascimento do Senhor Jesus, mas está por vir no período da tribulação. Cristo descreveu a primeira parte da tribulação como o“princípio das dores” (Mateus 24:8), onde a palavra “dores” é geralmente usada para “trabalho de parto” e pode ser traduzida como “dores de parto” como lemos em 1 Tessalonicenses 5:3.

A seguir João vê outro “sinal no céu”: “e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças sete diademas” (v. 3). Aqui não há nenhuma dificuldade em interpretar quem é este dragão, os versículos 7 a 9 o identificam como sendo “a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo”. Quanto aos significados da sua aparência veremos as explicações desses símbolos mais à frente, no capítulo 17. O que importa agora é sabermos que o personagem deste “sinal” é o diabo.

Em sua tentativa de enfrentamento a Deus ele arrasta consigo um terço das hostes celestiais rebeldes que serão precipitadas sobre a Terra (v. 4). Para que não haja dúvidas, lembremo-nos do simbolismo de “estrelas” contido no versículo 20 do capítulo 1, onde o próprio Senhor Jesus as interpreta como “anjos”, só que aqui são os anjos caídos, seguidores de Lúcifer, que por sua vez significa a “estrela da manhã” descrita em Isaías 14:12.

O intuito do maligno sempre foi o da destruição total de tudo que foi criado por Deus, e ele continua nessa busca apesar de saber, desde o princípio (Gênesis 3:14-15), que os seus dias estão contados segundo o tempo de Deus. Mas ele é sobremodo arrogante e continuará até ao cabo dos seus dias acreditando que conseguirá vencer o Todo-Poderoso. Vemo-lo aqui, no versículo 4, em sua louca tentativa de impedir o nascimento do Senhor Jesus e sabemos que para isso ele usou homens cruéis como Herodes (Mateus 2:3-18), mas tudo foi infrutífero, pois Deus protegeu o Seu Filho Amado para que cumprisse sobre Si a obra redentora estabelecida pelo Pai, em prol de toda a humanidade, e em seguida foi arrebatado ao céu (v. 5), onde aguarda o momento de vir para arrebatar aqueles que são Seus e, após os sete anos da grande tribulação, voltará para estabelecer o Seu reino milenar.

O ódio destruidor de Satanás se exacerbará. Aquilo que ele supunha ser o fracasso de Deus com a morte do Seu Filho crucificado, de fato foi a estupenda vitória da Redenção para todo aquele que nEle crê. Mais uma vez ele foi derrotado, mas ele é persistente e procurará sob todas as formas varrer Israel da face da Terra. O seu tempo está a se esgotar. Ele sabe, a priori, que é lá que o Senhor Jesus Cristo voltará para restaurar todos a coisas, quando os Seus pés tocarão o Monte das Oliveiras, que está defronte a Jerusalém (Zacarias 14:4). Por isso ele induzirá todas as nações para que destruam completamente Israel, mas o próprio Senhor Jesus impedirá tamanha insanidade, conforme veremos no capítulo 19.

Apesar de todos os esforços, como se têm visto ao longo da história, Deus jamais permitirá que Israel desapareça da face da Terra e O vemos assim fazendo neste capítulo. Os versículos 6 e 14 revelam que Ele abrigará e sustentará Israel em um lugar seguro por Ele preparado durante os três anos e meio finais da grande tribulação. Para Deus não há impossíveis, lembremo-nos de Elias (1 Reis 17), que por três anos e meio (Tiago 5:17) o Senhor o sustentou ainda que através dos corvos e de uma viúva pobre.

Por certo esse “Israel” que será perseguido e fugirá sobre as “asas da grande águia” (vs. 13 e 14), representa os judeus que se manterão crendo na promessa da vinda do Messias e certamente se recusarão a cultuar a “besta” e a receber a sua marca como veremos no próximo capítulo. Eles não se curvarão perante a imagem da “besta” assim como ocorrera nos dias de Elias (1 Reis 18:13; 19:18). Você poderá argumentar em que me baseio para afirmar isso. Observe que há um segundo grupo de israelitas no versículo 17. Em sua fúria por não ter conseguido o extermínio do primeiro grupo (vs. 15 e 16), Satanás se voltará contra o restante dos judeus, aqueles que já tinham reconhecido o Senhor Jesus como o Messias prometido e por isso “guardam os mandamentos de Deus e trazem o testemunho de Jesus” (v. 17).

Quanto às “asas da grande águia” (v. 14) é uma expressão conhecida e tem o significado do extraordinário livramento que Deus promove a favor do Seu povo: “Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos cheguei para mim” (Êxodo 19:4). Portanto, não há o porquê de se especular tanto sobre isso, assim como fazem sobre a “água como um rio”que será jorrada da boca de Satanás contra Israel e que será engolida pela terra (vs. 15-16). Dou-me por satisfeito com a simples, objetiva e clara interpretação de W. MacDonald: “Na tentativa de impedir a fuga de Israel, a serpente provoca uma grande inundação a fim de arrastar o povo na correnteza, mas um terremoto abre a terra, engole a água e frustra o plano do diabo”.

Você poderá questionar: O diabo teria poder para provocar uma inundação? Basta olharmos para os magos do faraó fazendo, por duas vezes, grandes sinais em confronto com Moisés e Arão (Êxodo 7 e 8), consoante a eficácia de Satanás (2 Tessalonicenses 2:9). No próximo capítulo o veremos capacitando suas duas “bestas” para efetuarem coisas sobrenaturais como descer fogo do céu, a estátua falar, dentre outras coisas.

Neste terceiro grande parêntese João introduz um intervalo, um pequeno parêntese (vs. 7 a 12), para descrever uma peleja que ocorrerá no céu, região própria da atual morada do diabo. Este interlúdio é indispensável para entendermos a ira do diabo contra Israel (v. 13). O “arcanjo” Miguel, o único citado como tal nas Escrituras (Judas 9), e seus anjos travam uma intensa batalha no céu contra o diabo e as suas hostes (v. 7). A derrota de Satanás será implacável. Não haverá mais lugar para ele no céu. O sedutor deste mundo será atirado para a Terra e com ele todo o seu maligno séquito (vs. 8 e 9).

Para que não haja dúvidas a respeito de que “céu” o maligno será expulso, convém relembrar que as Escrituras descrevem três céus. O primeiro, o céu atmosférico que nos rodeia, que é a região de Satanás, “o príncipe da potestade do ar” que reina na atmosfera (Efésios 2:2); o segundo céu é o astronômico, o lugar dos corpos celestes (Jó 38:31-33); e o terceiro céu, é o lugar da presença do Deus Todo-Poderoso, a região da glória divina (2 Coríntios 12:1-4), para onde estão a ir os salvos pela obra redentora do Senhor Jesus (Lucas 23:43).

Nesse mesmo momento João ouve um grande alarido de júbilo vindo do céu, da morada de Deus (vs. 10 a 12). Por certo vindo daqueles que foram martirizados na primeira metade da tribulação conforme vimos na abertura do quinto selo (Apocalipse 6:9-11). O regozijo deles é magnífico: “Por isso festejai, ó céus, e vós que neles habitais”. Entretanto, há um paradoxo! “Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera”. Não haverá alternativa para Satanás a não ser a de tornar este mundo ainda mais tenebroso, por saber “que pouco tempo lhe resta” (v.12).

Ao encerramento deste capítulo vemo-lo em pé sobre a praia (v. 18). Dali ele convocará seus dois coadjuvantes que farão grande estrago àqueles que não prestarem adoração ao seu mentor – o diabo – que lhes deu autoridade para praticarem toda sorte de crueldade, conforme veremos no capítulo seguinte. Que aqueles que estão a ler esta série de crônicas sejam despertados quanto à fundamental importância da atual dispensação – a da Igreja –, pois assim evitarão a si e a outras pessoas de tão horripilante situação, tendo em vista que aqueles que atualmente creem no Senhor Jesus serão arrebatados antes do início desse período de grande tribulação. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 13 (1)

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 13 (1)

Continuando em nossa caminhada pelo penúltimo grande parêntese contido em Apocalipse, chegamos ao capítulo 13 e nos deparamos com o surgimento de duas terríveis personagens: as duas “bestas” que são convocadas pelo diabo numa derradeira tentativa de procrastinar a sua derrota que certamente virá, mas que em sua ultrajante soberba ele acha que ainda conseguirá derrotar a Deus. A esta altura o diabo sabe que pouco tempo lhe resta e tentará uma cartada decisiva.

É impressionante a quantidade de especulações geradas em torno dessas duas criaturas, através de livros, documentários e filmes, que levam as pessoas ao completo descrédito pelas absurdas fantasias que são criadas. Com isso a coisa está a ficar do jeito que o diabo gosta, ou seja, as pessoas acabam acreditando que tudo isso não passa de uma lenda, de um mito religioso como tantos outros.

Por outro lado, existem aqueles que fazem parte da cristandade e asseveram ser este capítulo um dos mais importantes do Apocalipse. Sem dúvida, um imenso exagero, como poderá um capítulo que descreve acerca das três figuras mais execráveis – o diabo e as suas duas bestas – ter tamanha relevância? Por conta disso, prezado leitor, terei que desdobrar este capítulo em partes para que consigamos entender e esclarecer o enorme embaraço existente nesta passagem.

Antes de começarmos esta primeira parte, convém relembrarmos o contexto deste parêntese iniciado no capítulo anterior. Nele vimos que simbolicamente a “mulher” representa a nação de Israel, e o “dragão” a Satanás que persegue ferozmente a “mulher” a fim de devorar o seu “filho” – o Senhor Jesus –, quando nascesse; sabemos que ele não conseguiu esse intento. Em seguida vimos a grande peleja no céu que acontecerá quando Miguel e os seus anjos subjugarão o diabo e o atirarão para a Terra juntamente com os seus anjos malignos. Com essa queda, o diabo perceberá que o seu tempo está a se findar e nesse mesmo trecho vemo-lo em fúria a perseguir a Israel, mas Deus frustrará a sua maligna intenção.

O capítulo 12 se encerra da seguinte forma: “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus; e se pôs em pé sobre a areia do mar”. Note que nesse texto não há nenhum comentário acerca da forma, consequências e desdobramentos dessa perseguição ao remanescente fiel, portanto não se deve considerar o capítulo 13 como uma mudança de tópico do capitulo anterior tendo em vista que essa divisão não existe nos textos originais.

Nunca é demais lembrar que a criação de capítulos e versículos veio para facilitar a leitura e a interpretação dos textos bíblicos, mas por vezes atrapalha se as pessoas não levarem em consideração que essa divisão nem sempre se trata de um novo parágrafo, “cuja função seria a de mostrar que as frases aí contidas mantêm maior relação entre si do que com o restante do texto com um novo tema” (Houaiss). Por não entenderem assim, tantos cometem equívocos inaceitáveis.

Ao acatarmos, portanto, a continuidade absoluta do texto, vemos que para a perseguição diabólica àqueles que darão o testemunho de Jesus, o diabo convocará dois terríveis coadjuvantes: a besta que emerge do mar e a outra que emerge da terra (Apocalipse 13:1 e 11). De imediato, é importante que fique claríssimo em nossas mentes que essas duas figuras são seres humanos como nós, de carne e osso, não se tratando de anjos demoníacos materializados ou incorporados, ou então seres de outro planeta como alguns fantasiosamente sugerem. São daqui mesmo e receberão a autoridade do diabo para suas tenebrosas atuações.

Você pode estar a pensar a esta altura: “Se o diabo sabe de tudo isso por ter conhecimento das Escrituras por que então devemos entender que ele não mudará a estratégia aqui revelada?”. De certa forma é pertinente esse pensamento, todavia o diabo não é onisciente, ele não é Deus, ele não sabe de tudo e nem tudo foi permitido a João revelar: “Guarda em segredo as coisas que os setes trovões falaram, e não as escrevas” (Apocalipse 10:4). Todavia, em sua altivez, mesmo sabendo dessas profecias, ele continua achando que é superior ao Todo-Poderoso e tentará demonstrar isso distorcendo as revelações das Escrituras, como o vemos tentando convencer ao próprio Senhor Jesus a segui-lo (Lucas 4:1-13).

Apesar de João não nominar nenhuma dessas duas bestas como o “anticristo”, tornou-se uma tradição entre os cristãos de que o “anticristo” seria a primeira besta e daí passou-se a esse costumeiro entendimento. O mesmo ocorreu com a comemoração do Natal, que de fato é apenas uma tradição cristã, pois as Escrituras silenciam quanto ao dia do nascimento do Senhor Jesus. Aceita-se, portanto, essa tradição, tendo em vista que houve um dia do Seu nascimento, assim como chegará o dia em que será manifestado o homem da iniquidade.

Todavia, chegando-se a este capítulo convém avaliar o significado desse vernáculo. Os únicos registros dessa expressão – anticristo – são de exclusivo uso desse mesmo apóstolo em suas duas primeiras epístolas. Nenhum outro escritor sacro usa esse termo. Diz João: "como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido... Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho... e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo...” (1 João 2:18 e 22; 4:3). "Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo" (2 João v. 7). A exegese aqui tem que levar em conta o contexto dessas epístolas, que são de advertência sobre a apostasia que já estava a vir através de falsos mestres que predicavam uma doutrina equivocada sobre a Pessoa de Jesus Cristo. Nelas, João não dá nenhum indício do surgimento de um grande líder político, como será a primeira besta.

Em nosso idioma não houve tradução para “anticristo”, mas uma transliteração dessa palavra do original grego. Em sua lexicografia, Houaiss também o define como “falso Cristo” ou “falso profeta”. Ao examinarmos mais detidamente a preposição grega “anti” usada nas Escrituras, vemos que ela aparece 22 vezes no Novo Testamento. Em todas essas passagens o sentido da tradução é “em lugar de” e não “contra” alguma coisa (Mateus 2:22, 5:38, duas vezes, 17:27, 20:28; Marcos 10:45; Lucas 1:20, 11:11, 12:3, 19:44; João 1:16; Atos 12:23; Romanos 12:17; 1 Coríntios 11:15, Efésio 5:31; 1 Tessalonicenses 5:15; 2 Tessalonicenses 2:10; Hebreus 12:2, 12:16; Tiago 4:15; e 1 Pedro 3:9, duas vezes).

Em 1944, W. C. Taylor, em sua introdução ao estudo do Novo Testamento grego, define essa preposição, no caso genitivo, como “em lugar de”. Ao analisarmos os textos acima indicados veremos que esse é o sentido bíblico, por exemplo:“Arquelau reinava “em lugar de” (anti) seu pai Herodes” (Mateus 2:22). Portanto, Arquelau não reinava “contra” o seu pai, mas “em lugar” dele. Por certo é este o sentido que João tinha em mente quando usou a expressão “anticristo”. Quando olhamos para as duas bestas do Apocalipse que estão para surgir, vemos que a primeira, o grande líder político, tem a mesma semelhança do diabo (compare Apocalipse 13:1 com 12:3). Quanto à segunda besta, João a identifica como parecendo um “cordeiro”, ou seja, essa besta virá “em lugar de” Cristo, terá uma semelhança com Cristo, mas falará como um dragão, ou seja, o diabo (Apocalipse 13:11).

Ao longo de todo Apocalipse, para essas duas figuras humanas, João usou a expressão para a primeira delas simplesmente como a “besta”, ao passo que para a segunda ele a nominou como sendo o “falso profeta” (Apocalipse 16:13, 19:20 e 20:10). Em nosso idioma o prefixo “anti” tem o significado usual de “contra”, logo, se aplicarmos esse sentido, ambas as bestas são “anticristos”.

Se você, caro leitor, me perguntasse se deveríamos estar preocupados com o controverso, eu lhe responderia que não, pois os cristãos autênticos já terão sido arrebatados pelo Senhor Jesus antes do surgimento dessas duas criaturas repulsivas. Todavia, aqueles que acreditam que os cristãos que estiverem vivos à época passarão pela grande tribulação, gastam inutilmente o seu tempo procurando identificar indícios se o “anticristo” já se encontra entre nós, talvez para saberem quem vão enfrentar.

Por outro lado, há aqueles que o fazem na tentativa de encontrarem sinais que revelam o imediato “arrebatamento” da Igreja. Mas isso não é pertinente, pois, segundo o próprio Senhor Jesus, ao responder àqueles que ansiavam em saber quando se daria o tempo da restauração do reino a Israel, ele foi enfático: “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para a sua exclusiva autoridade” (Atos 1:7).

A literatura existente a esse respeito é imensa, em nossos dias há escritores famosos, tidos como cristãos, que compartilham da crença de uma famosa pitonisa americana que teria recebido uma revelação, por certo do inferno, que o “anticristo” já estaria entre nós, teria nascido no Oriente Médio no dia 5/2/1962, e está aguardando o seu chamado para assumir o poder mundial das nações.Autores que se baseiam em uma bruxa não podem ser levados a sério, não é mesmo? Isso só serve para aumentar o saldo de suas contas bancárias, com a venda de seus livros sobre esses prognósticos especulativos.

Nas crônicas a seguir, sobre este mesmo capítulo 13, analisaremos mais detalhadamente esses dois personagens, mas esteja absolutamente certo, prezado leitor, que não devemos aguardar a manifestação dessas duas bestas, pois os redimidos pelo Senhor Jesus aguardam a Sua vinda para arrebatar os que são Seus, não à vinda do “anticristo”. Tenha o mesmo sentimento que havia em Paulo: "Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantosamam a sua vinda" (2 Timóteo 4:8). Portanto, não abra mão desse galardão. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 13 (2)

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 13 (2)

Antes ainda de entrarmos nos comentários acerca dessas duas nefandas personagens – as duas bestas em Apocalipse 13 – convém avaliarmos algumas distorções que são feitas no entorno delas as quais têm levado muitos a um entendimento equivocado e isso tem promovido grande descrédito ao conteúdo deste notável Livro, transformando-o em uma mera obra de ficção, ou mito, como alguns gostam de afirmar. É incrível como vários escritores, por sinal bastante famosos, geram uma enormidade de ideias fantasiosas acerca deste capítulo que não se coadunam em nada com as revelações contidas nas Sagradas Escrituras.

Como sabemos, e nesta série de crônicas estou a reiterar com a necessária insistência, o arrebatamento da igreja de Deus, ou seja, daqueles que realmente são autênticos cristãos independentemente do contexto denominacional ou segmento que pertençam, ocorrerá antes do período da grande tribulação e, portanto, antecederá à manifestação dessas duas bestas que tradicionalmentesão identificadas como o anticristo e o seu profeta. Todavia, comete-se um grande equívoco ao asseverarem que a revelação dessas duas criaturas se dará sem permeio logo após a esse acontecimento. Não há nenhum indício acerca desse imediatismo nas Escrituras. Sem dúvida, ambas surgirão após o arrebatamento, mas não há nenhuma evidência quanto ao tempo exato a decorrer para essa aparição.

Para confirmar essa minha afirmação, respaldo-me em 2 Tessalonicenses 2:1-12, quando Paulo esclarecia aos cristãos daquela localidade acerca do mal-entendido que havia a respeito da vinda do Senhor Jesus para buscá-los (v. 1), com o “dia do Senhor” que eles pensavam já estar vivenciando, por certo em virtude da grande perseguição que estavam a sofrer (v. 2). Era preciso corrigir esse equívoco. O “dia do Senhor”, não o “arrebatamento”, se dará com o surgimento da apostasia e a revelação do homem da iniquidade, o filho da perdição (v. 3). Paulo deixa claríssimo que esse iníquo será “revelado somente em ocasião própria” (v. 6), não fixando, portanto, que o seu surgimento será deimediato ao “rapto” da igreja de Deus, como alguns têm afirmado.

Esse pensamento imediatista tem propiciado, talvez propositalmente, um sem número de edições de livros, filmes e artigos a esse respeito, fazendo com que as pessoas fiquem atentas à chegada do provável “anticristo” ao mundo, a fim de saberem da proximidade do arrebatamento da igreja. Isso tem sido completamente infrutífero, uma enorme perda de tempo, pois o arrebatamento da igreja independe totalmente do surgimento desse trágico personagem, ou se ele já está pronto para assumir a liderança deste mundo rebelde a Deus.

Nunca é demais repetir que as duas bestas que surgirão são seres humanos comuns, não são deuses. Por certo, naturalmente dotadas de grande capacidade intelectual em suas áreas de atuação, “qualidades” essas que serão aproveitadas pelo seu gestor – o diabo –, mas certamente isso levará um considerável tempo até elas serem investidas em suas respectivas funções. A primeira terá que assumir o comando das nações e para isso deverá demonstrar imensa capacidade de liderança e trazer soluções eficazes para os graves problemas que cada vez mais se exacerbam neste mundo globalizado em termos políticos e, principalmente, econômicos. A segunda terá a dificílima tarefa de convencer Israel que é o Messias prometido e aglutinar em torno de si todas as religiões existentes à época, como não será coisa nada fácil ela irá operar grandes sinais segundo a eficácia de Satanás (2 Tessalonicenses 2:9). Essas coisas não acontecerão do dia para noite. Convém salientar que das duas bestas que virão, somente a segunda operará grandes sinais miraculosos e que certamente levarão muitos ao engano.

Portanto, esteja absolutamente convicto, prezado leitor, que o arrebatamento dos convertidos a Deus continua sendo iminente e poderá ocorrer a qualquer momento, no tempo estabelecido por Deus, cujo dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, somente Ele. Assim sendo, não está predeterminado na Palavra de Deus que será no dia seguinte ao arrebatamento que essas duas bestas se manifestarão, ou então, que o arrebatamento não ocorrerá até que as duas bestas estejam capacitadas. Isso é ficção, não é revelação.

Conforme já vimos, Jesus Cristo deixou expressamente revelado que Ele voltará para levar consigo aqueles que são Seus (João 14:1-3). Dentro dessa premissa, divinamente inspirado, Paulo deixou revelado como isso se dará: "Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos [morreremos], mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta...” (1 Coríntios 15:51-52); "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus [no céu], descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor" (1 Tessalonicenses 4:16-17, leia também Filipenses 3:20-21).

Observe, caro leitor, atentamente para a expressão “momento”. No original grego(atomos) ela tem o significado de “um átimo de tempo”, ou seja, algo tão rápido como a mais curta fração de tempo possível. Portanto, esse acontecimento não será perceptível aos olhos humanos como se têm propalado, o “rapto” será tão instantâneo que as pessoas nem se darão conta disso, a não ser a posterior ausência daqueles que foram arrebatados. O seu ruído será semelhante a um piscar de olhos, por conseguinte inaudível aos ouvidos humanos. É esta a interpretação que deve ser dada a esse extraordinário acontecimento.

É impressionante o imaginário que se dá acerca desse evento. Cria-se uma enorme fantasia que o mundo contemplará a subida daqueles que serão arrebatados como se fosse uma imensa procissão para o encontro com o Senhor Jesus nos ares, entre nuvens. O pior, que todos estariam desnudos, pois as suas roupas e objetos pessoais aqui ficariam por ocasião dessa ocorrência. Pura ficção, a Palavra de Deus não dá nenhum indício acerca das circunstâncias dos pertences pessoais dos arrebatados. Como diz Paulo na introdução a esse assunto, este fenômeno é um mistério e não nos cabe especular sobre isso.

A esse respeito, escreve Ronaldo E. Watterson: “A nossa transformação, por ocasião do arrebatamento, será tão “repentina” que ninguém a verá. Acontecerá “num momento”, num abrir e fechar de olhos. Os cristãos naquele dia deixarão a Terra e, num piscar de olhos, estarão com o Senhor. A rapidez incrível deste arrebatamento fará com que ninguém o possa ver. Mesmo se o momento exato fosse avisado, seria rápido demais para o olho humano ver. E acontecerá sem aviso!”.

Recentemente assisti a um documentário apocalíptico cujos autores apresentavam uma situação catastrófica pós-arrebatamento puramente fictícia, pois as Escrituras se calam a esse respeito. Aviões caindo, veículos em desenfreadas colisões, trens descarrilando, navios afundando, o caos generalizado, saques a supermercados, atos de violência de toda sorte etc. Todavia, não há nenhuma evidência bíblica acerca disso. Não devemos dar asas à imaginação a fim de não transformar a revelação divina em um engodo. Os acontecimentos imediatos ao arrebatamento são de conhecimento exclusivo de Deus, isto nos basta.

Provavelmente, meu caro leitor, você poderá estar a indagar: “O arrebatamento de uma enorme quantidade de pessoas certamente causará um grande impacto na humanidade incrédula”. Apesar da sua lógica, há que se fazer uma avaliação que quantidade será essa diante da perspectiva de um mundo que, segundo dados estatísticos atuais, está a ultrapassar sete bilhões de seres humanos.

Segundo esses mesmos dados, desses sete bilhões, somente dois bilhões são tidos como “cristãos”. Desses dois bilhões, mais de um bilhão de pessoas se declaram católicas romanas, o outro bilhão é identificado como de outros segmentos, dentre estes os tidos como “evangélicos”. Conforme vimos nesta série, mais propriamente no Capítulo 3, os cristãos autênticos ao final desta dispensação formarão um remanescente fiel, portanto a imensa maioria será de cristãos nominais que fazem parte de um movimento religioso meramente institucionalizado, onde, como em nossos dias, o Evangelho é apresentado sob um aspecto atraente e emocional, ou como complemento a uma obra social. Vivemos dias em que a “mistura” tornou-se uma lamentável realidade no cristianismo, em vez da mensagem do Evangelho de “Cristo para o mundo”, o inverso tem sido verdadeiro, qual seja, “o mundo para Cristo”. Reflita sobre esta sutil diferença!

Portanto, qual será a quantidade de arrebatados? Não podemos cometer a imprudência de quantificá-los, pois não nos cabe julgar a fé de ninguém. Todavia, partindo-se do princípio que haverá somente um remanescente, ao se comparar com os sete bilhões de habitantes, em termos percentuais deverá ser algo depois da vírgula que não irá ocasionar um tremendo caos conforme estão a propalar. Por certo haverá inúmeras justificativas por parte dos órgãos oficiais acerca desse repentino sumiço e as pessoas deverão ficar satisfeitas com as explicações, até mesmo científicas, que serão dadas. Aqueles que têm a certeza que estarão entre os arrebatados, essas especulações não são motivos de preocupações pessoais, a não ser a da separação dos entes queridos que aqui ficarão por não crerem nas revelações das Escrituras.

Entre o intervalo do arrebatamento e a manifestação das duas bestas, o que irá acontecer com os arrebatados? Conforme nos escreve R. David Jones, “logo após o arrebatamento estarão sentados diante do Seu tribunal”, onde prestarão contas de suas obras e receberão os seus galardões que serão lançados diante do Trono de Deus, e ali estarão a adorar ao que vive pelos séculos dos séculos, dizendo: “Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas” (Apocalipse 4:10-11). Conforme sugeri anteriormente, que você, meu caro leitor, lá esteja fazendo parte desse notável grupo. Permita Deus que assim seja!

 

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 13 (3)

Após os comentários introdutórios expostos nas duas crônicas anteriores, vamos à avaliação dos dez primeiros versículos contidos neste 13° capítulo, que descrevem o surgimento da primeira "besta".

"Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" Apocalipse 1:3

Capítulo 13 (3)

Após os comentários introdutórios expostos nas duas crônicas anteriores, vamos à avaliação dos dez primeiros versículos contidos neste 13° capítulo, que descrevem o surgimento da primeira "besta", lembrando que ainda estamos no terceiro dos quatro grandes parênteses existentes em Apocalipse, que teve início no capítulo 12:1 e se estenderá até o 14:20.

Nesta sua nova visão João contempla algo aterrorizante. O mesmo dragão – o diabo – personificado no capitulo 12 agora se encontra em pé na praia do Mar Mediterrâneo que banha a costa oeste de Israel. Ali João observa atentamente a chegada das duas "bestas" convocadas pelo diabo para executar a execrável missão de assumir malignamente o governo absoluto do mundo e estabelecer o movimento religioso que irá lhe prestar adoração. Isto foi algo que o diabo sempre acalentou, haja vista a absurda proposta que ele fez ao Senhor Jesus quando da tentação no deserto: "Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos... se prostrado me adorares" (Lucas 4:6-7). Como diz W. Kelly, Satanás seguirá os dois caminhos que lhe são peculiares para enlaçar as duas classes de seres humanos que sempre existiram neste mundo: Os que desejam ardorosamente o poder e os que se ligam à religiosidade meramente formal.

Essas duas "bestas" atenderão exatamente a essa perspectiva diabólica. A primeira será um autoritário líder político e militar com grande capacidade intelectual. Por sua vez, a outra será o grande líder religioso que se apresentará como o Messias prometido a Israel e, pelos grandes sinais sobrenaturais que somente ela operará, conforme vemos neste capítulo, aglutinará em torno de si as demais religiões, inclusive o cristianismo apóstata existente à época.

Muitos comentaristas tratam a primeira "besta" como o "chefe" dessa dupla diabólica, mas isso não é necessário que aconteça. Por definição, o "chefe" sempre será o diabo, ele é extremamente ambicioso, arrogante e egoísta, jamais abrirá mão dessa prerrogativa, ambas as "bestas" serão apenas coadjuvantes e uma não será superior à outra, terão funções distintas, mas formarão uma só entidade, como almas gêmeas, com o único objetivo de fazer a vontade do "chefe". Infelizmente a massacrante maioria da humanidade dará crédito a elas.

A interpretação acerca da inferioridade da segunda "besta" é porque está escrito que ela exercerá a autoridade da primeira "besta" (v. 12). Todavia, ao analisarmos o versículo 3, vemos que o poder da primeira "besta" pertence ao diabo, o grande mentor de ambas, que irá tornar a primeira o grande líder mundial para que haja o total extermínio daqueles que se converterão a Deus ao longo da grande tribulação. Não há dúvida que a segunda "besta" será extremamente atuante nesse governo globalizado como poderoso Ministro de Estado, pois terá o controle monetário de todas as nações (v. 17 e 18). Mas isso é assunto para a próxima crônica.

João vê emergir do mar a primeira "besta" (v. 1), sua aparência é bastante similar a do diabo conforme visto no capitulo 12. Por sua vez, a semelhança revelada no versículo 2 combina com as características das quatro bestas contidas em Daniel 7. Escreve R. David Jones: "Este é o homem que se revelará no início do período da tribulação, destinado a conquistar o mundo (montado no cavalo branco em Apocalipse 6.2), subjugando três reis de uma confederação de dez (Daniel 7:24-26, Apocalipse 17:12-13), ele continuará conquistando os demais até adquirir todo o domínio em três anos e meio". Essa é a expectativa do diabo com a chegada dessa criatura repulsiva que por certo virá do ocidente tendo em vista que na visão de João ela emerge do mar, ou seja, fora do continente, a oeste de Israel.

Pelo tanto que se tem escrito a respeito das descrições simbólicas dessa "besta", impressiona o apego que se dá às suas características extrínsecas. A maior preocupação de muitos está em desvendar o significado dos chifres, diademas etc. Conforme interpretado no capítulo 17, os chifres representam governantes que farão parte de uma confederação global sobre a liderança da primeira "besta". Qualquer especulação torna-se infrutífera, pois ficar imaginando que nações serão essas é sobremodo artificial, pois, em termos geopolíticos, o mundo tem se alterado substancialmente após o rompimento da antiga "cortina de ferro" (URSS) e a queda do muro de Berlim (Alemanha Oriental), todas as previsões anteriores sobre essas dez nações caíram por terra e muitos livros se tornaram inúteis.

Se não bastasse isso, qualquer exercício de adivinhação acerca dessas nações será inócuo tendo em vista a gravíssima crise econômica contemporânea que perturba a economia mundial. As teorias econômicas, até então praticadas, já não estão a cumprir com os seus objetivos. Décadas atrás, ninguém em sã consciência afirmaria que a China poderia se tornar uma nação economicamente dominante. Essa realidade caminha a passos largos. O mundo carece de uma nova ordem econômica, quem criá-la certamente terá enorme prestígio e poder. Esse grande artífice, tão desejado, poderá ser esta primeira "besta" que virá. Por isso entendo que o mais importante a ser avaliado é o caráter intrínseco desses dois personagens.

Uma coisa me impressiona! É a fixação que há, por grande parte dos escritores, pelo ressurgimento literal do "império romano" que seria restabelecido com a assunção dessa primeira "besta". A única coisa que restou desse império, além das ruínas arqueológicas, é o Vaticano. Com o papado, iniciado quando Constantino era imperador de Roma, império e igreja andaram como "a mão e a luva" por séculos. A "mão" sumiu, o italiano de hoje nada tem a ver com o romano de outrora. Longe disso! Do antigo império restou somente a "luva", a igreja romana, cujos dirigentes conseguiram sobrepor-se às crises e perseguições que surgiram ao longo dos séculos, ao contrário dos imperadores romanos que sucumbiram. Se houver alguma semelhança com o cruel imperador que está por vir, será somente quanto ao ideário romano de conquista do mundo, todavia outros tiveram o mesmo desejo, a exemplo de Hitler na segunda grande guerra mundial que nada tinha a ver com o antigo império romano.

Esse satânico império terá as mesmas características de Roma na conquista da supremacia mundial e até a mesma localização europeia, mas não passará disso. O repulsivo Nero jamais será ressuscitado como alguns absurdamente sugerem. Haja imaginação! Esteja certo, caro leitor, o líder bestial, que virá, será em tudo muito pior que qualquer antigo imperador que o mundo já viu. Essa ideia de "império romano" começou com aqueles que acreditam equivocadamente que o Apocalipse é um livro somente histórico e, portanto, descreve acontecimentos pretéritos.

Outra grande especulação é acerca da ferida mortal que acometerá a primeira "besta", cuja cura deixará a humanidade maravilhada e passará a segui-la. A sugestão que mais se dá é que ela será morta e o seu mentor a ressuscitará. O diabo nunca terá esse poder que somente a Deus pertence, é impensável a suposição que Deus lhe outorgará essa autoridade. Certamente a "besta" sofrerá um atentado, pois isso está revelado (v. 3), por certo o próprio diabo providenciará que tal aconteça para induzir as pessoas de uma pseudomorte. Isso fará parte de uma imensa encenação para que se creia que o diabo é deus ao fazê-la "ressuscitar" e as pessoas passarão a adorá-lo juntamente com a "besta" (v. 4). Quanto à pergunta contida nesse versículo acerca de quem poderá pelejar contra a "besta", a contundente resposta está no capítulo 19. Paulo já havia previsto esse acontecimento ao revelar que o Senhor Jesus destruirá o iníquo com o simples sopro da Sua boca (2 Tessalonicenses 2:8).

Conforme já vimos anteriormente, esse "príncipe" que virá fará firme aliança com muitos, principalmente com Israel, possibilitando, inclusive, a reedificação do Templo de Jerusalém, mas após três anos e meio no exercício do seu mandato como "imperador do mundo" (v. 7), ele se virará ferozmente contra Israel e por mais três anos e meio proferirá com grande arrogância (v. 5) muitas blasfêmias a Deus e àqueles que já se encontram na presença do Senhor (v. 6), e aniquilará os crentes (v. 7) que se converterão na primeira metade desse período de tribulação.

Não deixa de ser impressionante a revelação de João que toda a humanidade prestará adoração a essa "besta", com exceção, é claro, daqueles que se converterão a Deus na primeira metade desse espaço de tempo (v. 8). Essa imensa maioria que lhe prestará adoração são aqueles que entrarão em juízo por não darem crédito à verdade, antes se deleitarão com a injustiça, conforme afirmado por Paulo em 2 Tessalonicenses 2:12.

Neste trecho, algo extremamente importante ressalta-nos aos olhos. Leia atentamente, caro leitor, o versículo 9... "Se alguém tem ouvidos, ouça".  Expressões semelhantes a esta lemos por sete vezes neste livro: 2:7, 11, 17 e 19; 3:6, 13 e 22. Entretanto, em todos esses trechos há uma complementação: "ouça o que o Espírito diz às igrejas". Por que será que no versículo em questão (v. 9) ele não mais diz "às igrejas"? A resposta é por demais simples. Antes do início da tribulação a Igreja de Deus, que é formada por todos aqueles que verdadeiramente têm ao Senhor Jesus como único e suficiente Redentor, não estarão mais presentes aqui, já terão sido arrebatados e estarão no regaço do seu Senhor (João 14:1-3). Incompreensível, portanto, a insinuação de que a Igreja não será arrebatada antes da chegada da tribulação.

Quanto ao versículo 10, sobremodo interessante o pensamento de W. Kelly: "Estas importantes palavras têm por objetivo guardar os santos de tomarem o poder em suas mãos. Eles podem clamar a Deus, pedir-Lhe que Se levante para julgar a Terra, mas não devem eles próprios combater... a "besta" levará muitos ao cativeiro, mas ela própria irá cativa; matará a muitos, mas ela própria será morta". Portanto, graças a essa certeza, os que creem devem esperar com perseverança e fidelidade, pois Quem fez a promessa é absolutamente fiel.

Lembremo-nos de que esta advertência não se aplica exclusivamente ao tempo que está por vir, mas a todos os filhos de Deus independentemente da época em que aqui estiverem. Que não haja em nós nenhum sentimento de vingança, pois "a mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor" (Romanos 12:19).  Permita Deus que assim seja!

 

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 13 (4)

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 13 (4)

Eis que surge o grande impostor. Virá como cordeiro, mas por dentro lobo voraz. Acerca dos embusteiros que surgiriam alertou o Senhor Jesus ao final do sermão do monte: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”(Mateus 7:15). Dentre os seres humanos, em todas as épocas, sem dúvida esta segunda “besta” será o maior de todos enganadores, atingirá o ápice“segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (2 Tessalonicenses 2:9). Observe, caro leitor, que João, nas suas visões contidas neste capítulo 13, não dá nenhuma identificação à primeira “besta”, mas a esta ele a designa como “o falso profeta” (Apocalipse 16:13; 19:20; 20:10). A primeira “besta” não manifestará nenhum “sinal” milagroso, essa função ficará a cargo desta figura abominável que será revelada.

João prossegue em descrever a sua visão, agora ele narra o surgimento da segunda “besta” (v. 11). O local e o momento são os mesmos. O “dragão” está na mesma praia de onde convocou a primeira “besta” que virá do “mar”, das nações gentílicas, a ocidente de Israel, conforme vimos na crônica anterior. João agora visualiza a aparição da segunda “besta” que virá da “terra”, ou seja, de Israel. Portanto, esta “besta” será um judeu, terá a aparência de um “cordeiro”, mas a prédica do diabo, enganosa, vil e mentirosa como não poderia deixar de ser. Acerca desta segunda “besta” diz J. Allen: “A palavra “therion” é usada novamente, indicando que esta besta é da mesma natureza que a primeira. São do mesmo gênero e têm a mesma natureza feroz, mas em todos os demais aspectos são muito diferentes”.

Você poderá estar a indagar: Por que a aparência de um “cordeiro”? É sabido que até hoje os judeus celebram a “pessach”, a páscoa judaica, como memorial pela libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. Essa solenidade seria estatuto perpétuo para o povo de Israel como lembrança que a sua libertação foi através do sacrifício de um “cordeiro” (Êxodo 12). Nos inícios do ministério do Senhor Jesus, ao vê-Lo disse João Batista aos seus discípulos: “Eis o cordeiro de Deus”. Em seguida dois dos que o acompanhavam passaram a seguir ao Senhor Jesus, um deles, André, ao se encontrar com seu irmão Simão, que passaria a se chamar Pedro, disse:“Achamos o Messias [que quer dizer Cristo]” (João 1:35-42). Portanto, esse impostor se apresentará a Israel como “o cordeiro”, em lugar do Messias (ou Cristo) que ainda hoje é aguardado pelos judeus mais ortodoxos. Eis o motivo para que essa segunda “besta” seja de origem judaica, caso contrário não seria aceita pelos judeus piedosos, pois o Cristo, que significa Ungido de Deus, deveria nascer em Belém da Judeia, assim como foi o Senhor Jesus (Miqueias 5:2).

Uma imensa farsa está para ser montada, prezado leitor. Para que os judeus o recebam como Messias, este falso profeta operará grandes sinais de maneira tal que até fogo do céu fará descer sobre a terra (v. 13). Este será um dos inúmeros engodos que ele utilizará para convencer os judeus que de fato ele seria aquele que estavam a esperar, pois este foi o sinal do céu que revelou Elias como verdadeiro profeta (1 Reis 18:36-38; 2 Reis 1:9-12). Os judeus sempre tiveram nos “sinais” a principal evidência de identificação e chegada do Messias. Quando João Batista mandou seus discípulos perguntarem ao Senhor Jesus se de fato Ele era aquele que estava para vir, Jesus lhes respondeu para que olhassem para os sinais messiânicos que Ele estava a fazer, por si só eles testificavam da Sua divindade (Lucas 7:18-23). Diz W. MacDonald a respeito dos “sinais” pedidos pelos religiosos à época: “Apesar de todos os milagres que Jesus realizou, os escribas e fariseus tiveram a imprudência de pedir a Ele um sinal, significando que creriam nEle se Ele pudesse provar ser o Messias... A exigência de sinais milagrosos como condição de crença não agrada a Deus. Como Jesus disse a Tomé: ‘Bem-aventurados os que não viram e creram’ (João 20:29). No arranjo de Deus, ver vem depois de crer”. Portanto, quando ocorrer a revelação desta segunda “besta” esses insensatos se fartarão de sinais e crerão que esse farsante é o Ungido de Deus, e toda a humanidade também será seduzida por esse falso profeta por causa dos sinais que lhe serão dados a executar diante da primeira “besta”, o grande líder mundial (v. 14).

Em toda essa encenação espetaculosa, o grande opressor diabólico que estará a reger as nações, fruto da sua falsa ressurreição, estenderá a esse impostor religioso todo o seu poderio político para que ela, a primeira “besta”, passe a ser adorada pelos homens (v. 12), juntamente com o mentor de ambas as “bestas” – o diabo –, conforme vimos no versículo 4 deste mesmo capítulo: “...e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta”. Esse falso profeta dirá aos habitantes da terra para que façam uma imagem em homenagem à primeira “besta” (v. 14), e dará fôlego a esse espantoso ídolo para que, além de falar, mate a todo aquele que não prestar adoração à primeira “besta” (v. 15).

 

Por certo estará passando em sua mente, prezado leitor, que isso chega a ser inacreditável. Sem dúvida, assustador, porém crível. Lembre-se do primeiro sinal que Moisés fez quando se apresentou ao Faraó, cujo cajado foi transformado em serpente pelo poder de Deus e, de forma semelhante, os encantadores do Faraó fizeram o mesmo com as suas ciências ocultas. É claro que o poder do Deus Todo-Poderoso prevaleceu e assim sempre será (Êxodo 7:10-12).

Conclui-se, portanto, que além do poder religioso mundial esse falso profeta também exercerá o poder judiciário das nações. Se não adorar o ídolo, morre. Mas ele não ficará somente nisso, pois também exercerá o controle de todo o comércio existente na Terra. Ninguém, independentemente da sua condição social, poderá comprar ou vender qualquer coisa se não tiver a “chancela” estabelecida por ele (vs. 16 e 17). Logo, o mundo estará sob o jugo do mais opressor dos impérios até hoje existentes. “Estes serão os dias terríveis dos quais o Senhor falou: ‘E, se aqueles dias não fossem abreviados nenhuma carne se salvaria’ (Mateus 24-22), haverá um genocídio numa escala inacreditável” (J. Allen).

Não são poucas as especulações feitas a esse respeito. Como seria exercido esse imenso controle sobre todas as operações mercantis em escala mundial? Lembremo-nos, sempre, de que essas duas diabólicas criaturas são seres humanos mortais como nós e, como nós, dentro das naturais limitações de tempo e espaço. Por conseguinte eles terão que fazer uso de tecnologia de ponta como a que já existe em nossos dias através dos cartões de crédito “chipados”, largamente usados para transações comerciais e bancárias.

Dentro dessa mesma tecnologia, já existem “chips” de tamanhos diminutos que podem ser introduzidos no corpo humano a fim de ser exercido um eficiente controle de localização daqueles que estiverem “chipados”. Consta que os soldados americanos e israelenses fazem uso desse dispositivo, quando em combate. Algo semelhante já é largamente usado pelas seguradoras para rastreamento de veículos roubados.

Vivemos dias de surpreendentes avanços científicos que crescem de forma tão rápida que mal conseguimos acompanhar. Recentemente, mais precisamente em agosto de 2011, surgiu uma inovação tecnológica denominada de sistema eletrônico epidérmico, que de tão fino e flexível pode ser aplicado sobre a pele humana como se fosse um “adesivo”. Essa nova "pele eletrônica" criada por um pioneiro no campo da eletrônica flexível (John Rogers) contém um circuito eletrônico que monitora, à distância, os sinais vitais das pessoas. Além do diagnóstico médico, os circuitos eletrônicos incorporados nessa pele eletrônica podem ser usados para sensoriamento e comunicação com os usuários desses circuitos. Interessante salientar que no teste desse "adesivo" alguns voluntários o tiveram "tatuados" em sua testapor julgarem um local mais apropriado. As medições efetuadas da atividade elétrica produzida pelos músculos e pelo coração foram as mesmas obtidas com os aparelhos médicos atuais. A camada ativa dessa pele artificial é mais fina do que um fio de cabelo humano, contendo todos os componentes eletrônicos necessários. Porém, uma coisa eles não disseram, assim como esse dispositivo pode ser usado para controlar a saúde das pessoas, por certo poderá também matá-las usando-se um comando eletrônico específico para esse fim.

Como se vê a tecnologia para a “marca da besta” (v. 16) já não é um mistério tão grande como o era antigamente. Imaginemos, pois, como será até a chegada desses dois terríveis personagens tendo em vista a velocidade com que o homem está a criar essas novas tecnologias de controle humano. Dada a importância dessa “marca”, por mais seis vezes ela é citada neste Livro (14:9,11; 15:2; 16:2; 19:20; e 20;4). Quanto ao local que ela será gravada ou implantada – mão direita ou testa – as interpretações dadas que a “testa” representa os intelectuais e a “mão” os trabalhadores braçais, vão muito além de qualquer indício contido no texto sagrado. Isto não tem a menor importância para os que atualmente creem no Senhor Jesus, pois lá não estarão para ver essa ocorrência. Porém, os que ainda não creem e estiverem vivos naquela ocasião, terão que decidir sobre essa “carimbada”, se a aceitam ou morram por recusá-la. Portanto, no dia que se chama “Hoje”, ao ouvir a voz do Senhor, através da Sua Palavra, não endureça o seu coração (Hebreus 3:12-15).

Diante dessas coisas, vejo completamente desnecessário o enorme esforço que é feito atualmente para se descobrir o “número da besta”. Algumas interpretações do número 666 (v. 18) chegam à beira do absurdo. Entendo que o cálculo desse número será desvendado na ocasião oportuna, por aqueles que estiverem presentes na grande tribulação, que terão o discernimento necessário para a conclusão desse enigma que tem atormentado a tantos.

Portanto, meu caro leitor, esse “número misterioso” não deve fazer parte das suas preocupações, pois não é chegado o momento dele ser decifrado. Lembre-se das palavras do consagrado apóstolo Paulo: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas... amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor” (Filipenses 3:20-21; 4:1). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 14

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 14

Com este capítulo fecha-se o terceiro grande parêntese deste Livro que contém três capítulos. No 12° vimos o diabo enfurecido contra o Senhor Jesus e a Sua nação de origem – Israel; no 13° o surgimento das duas terríveis “bestas” que causarão grande flagelo àqueles que não as seguirem, e agora, neste capítulo, se desenrolam sete cenas que nos revelam os caminhos de Deus contra a malignidade da trindade satânica que vimos nos dois capítulos anteriores.

PRIMEIRA CENA (vs. 1 a 5) – Diz João: “Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião” (v. 1). Deve ter sido um enorme regozijo para João ao contemplar essa magnífica visão do Senhor Jesus, após ter contemplado a monstruosa tríade diabólica. O Senhor está em pé sobre o monte Sião, aqui na Terra, em Jerusalém, onde outrora foi o poder central do reino de Israel (2 Samuel 5:7). Esta cena é uma prévia da que veremos no momento em que o Senhor Jesus estabelecerá o Seu reino milenar. Este é o verdadeiro Cordeiro, e não aquela abominável criatura que vimos no capítulo anterior que se faz passar pelo Messias.

Com Ele estão os mesmos 144.000 israelitas que vimos no capítulo 7:1-8. Incólumes, apesar de terem passado por uma aterrorizante tribulação. O diabo e suas duas bestas não conseguirão tocar em um único fio de seus cabelos, pois em suas frontes estarão gravados os nomes do Senhor Jesus e o do Seu Pai (v. 1). Enorme equívoco fazem aqueles que afirmam que estes judeus convertidos representam a Igreja de Deus, pois, como já vimos ao longo desta série de crônicas, a igreja será arrebatada antes desse período.

A seguir João ouve uma poderosa voz vinda do Céu (v. 2) que confirma que esta cena está a ocorrer na Terra. A Terra e o Céu estão em comunicação audível. Somente os 144.000 conseguirão aprender esse novo cântico aqui na Terra (v. 3), que será entoado no Céu por aqueles, segundo sugestão de J. Allen, que se converterão no período da tribulação, por certo frutos do testemunho desses 144.000 ao longo dos sete anos de tribulação face à proteção divina que impedirá os furiosos ataques do diabo ao longo desse período. Diz, ainda, J. Allen: “João está ouvindo o grupo que ele verá em pé sobre o mar de vidro no capitulo 15:1-4... Um grupo está no Céu, deu a sua vida pelo Cordeiro, o outro grupo, na Terra, sofreu e foi preservado para o Cordeiro. Ambos se unem num cântico”.

Segundo William MacDonald, esses 144.000 são chamados por Pentecost “como as primícias para Deus e para o Cordeiro, ou seja, trata-se da primeira colheita do período de tribulação que entrará no milênio para encher a terra milenar”. Eles se guardarão de toda e qualquer imoralidade e idolatria. Não aceitarão as mentiras das duas “bestas” e se mostrarão irrepreensíveis quanto ao testemunho acerca do Senhor Jesus (vs. 4-5).

SEGUNDA CENA (vs. 6-7) – Eis que surge o primeiro anjo dos seis contidos neste capítulo. Os três primeiros surgirão antes da aparição do Senhor, e os outros três subsequentemente. Este anjo traz consigo o Evangelho eterno a ser pregado durante o período da tribulação para toda a humanidade (v. 6). Esteja certo, meu caro leitor, se juntarmos todos os comentários sobre o que seria esse Evangelho formaríamos uma imensa pilha em virtude de tantas controvérsias. Sabemos que o Evangelho, a boa-nova de Deus, é único, que revela a coisa mais importante para este mundo incrédulo: a Salvação por meio da fé no Senhor Jesus Cristo. O Evangelho, em si, é eterno, por sempre apresentar o Criador querendo abençoar a Sua criatura.

No entanto, como diz William Mac Donald, o Evangelho pode apresentar ênfases distintas em diferentes dispensações. Durante a grande tribulação o Evangelho buscará afastar as pessoas da adoração à “besta” a fim de resgatá-las para o reino de Deus (v. 7). Certamente esse Evangelho eterno tem tudo a ver com aquele mencionado pelo Senhor Jesus: "E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim" (Mateus 24:14)..

Lembre-se, caro leitor, o conteúdo de Mateus 24 e 25 é iminentemente profético e diz respeito ao período da tribulação e a vinda do Senhor Jesus para estabelecer o Seu reino milenar. Atualmente a ênfase dada é a anunciação da graça de Deus através do sacrifício do Senhor Jesus na cruz, por isso é chamado de o Evangelho da Graça, ao passo que na tribulação o foco será a vinda do Seu reino, por isso o Senhor Jesus mencionou como o Evangelho do Reino. O Evangelho é absolutamente o mesmo em todas as eras porque ele é eterno, apenas o realce será evidenciado. Hoje é o da Graça, em breve o do Reino.

TERCEIRA CENA (v. 8) – Segue-se outro anjo, o segundo desta série, trazendo a mensagem:

“Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição”. Nos capítulos 17 a 18 analisaremos os detalhes acerca do significado e feitos dessa grande meretriz que será introduzida pelas “bestas”, mas que sucumbirá para alegria e triunfo nos céus. Esses capítulos apresentam a Babilônia religiosa (17) e a comercial (18). A religiosa certamente será constituída pelo judaísmo e a cristandade apóstata, formada tanto por católicos e evangélicos, cujas raízes já foram lançadas desde o século passado através do movimento ecumênico, por sinal conspícuo, ou seja, atraente para grande parte da cristandade.

QUARTA CENA (vs. 9-11) – A mensagem que será trazida pelo terceiro anjo será sobremodo terrível. Aqueles que se permitirem “embriagar” com a fúria do vinho da prostituição religiosa babilônica se prostrarão em adoração à imagem da “besta” e carregarão em seus corpos a sua marca identificadora vista no capítulo anterior. Por conta disso, eles estarão sob a ira de Deus e experimentarão o vinho da Sua cólera que será derramado sobre suas cabeças conforme veremos nos capítulos 15 e 16, que descrevem sobre as sete taças cheias das últimas pragas a serem lançadas sobre a Terra.

Realmente há uma horrível expectação! Essas pessoas serão atormentadas pelo fogo e enxofre, seus tormentos serão intermináveis – pelos séculos dos séculos – não haverá descanso diuturnamente. A palavra “atormentado” no original –“bazaniso” – é muito mais terrível do que “adunao” que é usada para descrever os tormentos do “rico” em Lucas 16:24. A expressão aqui usada dá a ideia de uma dor sem fim e nenhum alívio. Diz J. Allen: “Ela é equivalente à expressão “fogo que nunca se apagará” usada por Cristo (Mateus 3:12; Lucas 3:17)”. Em nenhum momento é dito que os incrédulos serão aniquilados após a morte, seus sofrimentos serão perpétuos.

Valho-me em Deus, meu caro leitor, que desde agora me livra de passar pela grande tribulação e dessa ira vindoura (1 Tessalonicenses 1:10; 5:9). Não por alguma obra que eu tenha feito, mas por aquilo que o Senhor Jesus fez para todos nós. Espero que esta seja a sua idêntica certeza e confiança.

QUINTA CENA (vs. 12-13) – Após essas angustiantes revelações João escreve:“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (v 12). Aqueles que naquele período perseverarem até o fim serão salvos, conforme Mateus 24:13. Entendamos aqui como a salvação física para entrar no reino milenar do Senhor Jesus. Já houve quem exclamasse diante desta cena: “Seria melhor sofrer a morte física sob o domínio da “besta” do que compartilhar com ele a morte eterna”. Acerca disso disse Jesus: “Não temais os que podem matar o corpo e não podem matar a alma; temeis antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma” (Mateus 10:28).

Em seguida vemos uma mensagem divina vinda diretamente do Céu, sem a intermediação de um anjo: “Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham” (v. 13). Esta é a segunda bem-aventurança que lemos neste Livro. Os cristãos convertidos ao longo da tribulação não serão privados das bênçãos dos céus e do reino milenar. Mais uma vez confirma-se que tudo aquilo que é feito para o Senhor Jesus será recompensado. Estes morrerão por causa da violenta perseguição da “besta”. Aqueles que os condenarão o farão por julgarem que eles serão merecedores da morte por causa da fé que trazem, mas no Céu, para onde irão as suas almas, serão considerados “bem-aventurados”. Os adoradores da “besta” jamais descansarão dos seus tormentos, por sua vez estes descansarão das suas fadigas para todo o sempre.

SEXTA CENA (vs. 14-16) – Esta e a próxima cena são bastante controversas. Vemos em ambas duas figuras de linguagem: a ceifa (colheita de cereais) e a vindima (colheita de uvas). Muito se tem debatido se a “ceifa” que vemos citada neste trecho (vs. 14-16) se refere à bênção para os justos ou o juízo para os ímpios.

William Kelly transmite sua interpretação a respeito: “Em resumo, temos nestas duas cenas – a ceifa (vs. 14-16) e a vindima (vs. 17-20) – as duas grandes formas do juízo final; sendo a ceifa o julgamento em que o justo será separado do malfeitor, e a vindima o tombar da cólera sobre uma religião apóstata”. Por outro lado, William MacDonald não fecha questão a esse respeito. Ele entende que a primeira ceifa “pode” retratar a reunião dos cristãos convertidos na tribulação para entrarem no milênio, correspondendo aos “filhos do reino” nas parábolas do reino contidas em Mateus 13, mas é possível que seja uma “ceifa” para julgamento.

Portanto, a interpretação dada por R. David Jones afasta as possíveis dúvidas: "A colheita é frequentemente usada como o símbolo do fim de um período de tempo, quando o povo é reunido para ser julgado, como na parábola do joio e do trigo (Mateus 13.24-30). Temos aqui a proclamação da ordem dada por Deus a Cristo para que Ele pessoalmente ponha um fim aos "tempos dos gentios", saindo para julgar as nações. Ele obedece imediatamente. Tendo sido o Semeador da boa semente (Mateus 13.37) é apropriado que Ele seja o Ceifeiro também, com os Seus anjos (Mateus 13.39)”.

Ao contemplarmos esta sexta cena, vemos João tendo a visão do Senhor Jesus vindo entre as nuvens para ceifar a terra, e a terra será ceifada. A ordem transmitida do Trono de Deus é incisiva: “chegou a hora de ceifar... a seara da terra já secou”.  O tempo para a colheita estará determinado, a Terra terá que ser limpa de tudo de ruim que foi semeado pelo diabo, antes que seja estabelecido o reino milenar do Senhor Jesus.

Esta ceifa nos remete à separação contida na parábola do joio em Mateus 13:30..."Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro". Para um melhor entendimento não deixe de ler a explicação dada pelo Senhor Jesus acerca dessa parábola em Mateus 13:35-43. O “trigo” representa os que entrarão no Seu reino milenar, o “joio” aqueles que parecem ser de Cristo, mas não são, irão para tormentos eternos (Apocalipse 20:15).

SÉTIMA CENA (vs. 17-20) – Por sua vez, a colheita das uvas nos fala de um terrível juízo. A videira é o símbolo de Israel nas Escrituras (Isaías 5:1-7; Jeremias 2:21, 6:9). É chegada a hora de Israel, a colheita não pode ser adiada. Israel se tornou em "uvas bravas" na medida em que recebeu “o falso profeta” como o seu Messias. Não fazem parte da videira verdadeira que é o Senhor Jesus (João 15:5-6). Como vemos na parábola dos lavradores maus o Dono da vinha os exterminará (Marcos 12:9). Nesta cena vemos a chegada deste momento.

O resultado dessa colheita lemos nos versículos 19 e 20. O anjo colherá os "frutos" dessa falsa videira e os lançará no grande lagar do furor da ira de Deus, que simboliza um tanque em que serão esmagados. Este é o lagar que veremos em Apocalipse 19.15. Diz R. David Jones acerca disso: "Mediante a profecia de Isaías 63 temos uma descrição da participação nela do Senhor Jesus. Esse lagar abrangerá toda a terra de Israel, indo ao sul até Edom e Bozra (Jordânia). Tão grande será o morticínio que o sangue subirá a uma altura de 1,2 m nos vales, por 320 km. Será a ocasião quando a terra se embriagará de sangue (Isaías 34.7-8)". A revelação é clara, o julgamento será radical. Todo e qualquer vestígio de hostilidade contra Deus será sumariamente exterminado.

Este parêntese se encerra revelando esse trágico acontecimento. Para seu conforto, prezado leitor, atente para o que diz Paulo em 1 Tessalonicenses 1:10. Aqueles que verdadeiramente creem em Deus aguardam a vinda do Seu Filho, a Quem Ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra da ira vindoura. Que esta seja a sua certeza. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 15

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 15

Após o interregno formado pelos três capítulos anteriores, voltamos, neste 15° capítulo, à ordem cronológica dos acontecimentos apocalípticos que fora suspensa ao soar da sétima trombeta (11:15-19). Este é o menor capítulo contido no Apocalipse, com apenas oito versículos, onde são descritos os preparativos que antecedem aos últimos tremendos flagelos que recairão sobre a humanidade (16:1-21). E assim estarão consumados os juízos estabelecidos por Deus para este mundo que estará sob o domínio da tríade satânica.

Diz-nos o versículo 1: “Vi no céu outro sinal grande e admirável: sete anjos tendo os sete últimos flagelos, pois com estes se consumou a cólera de Deus”. Aqui estão descritos como os “sete últimos flagelos” da série de quatro, três deles já vistos anteriormente, a saber:

I – OS SETE SELOS (capítulos 6:1-17 e 8:1-8)

1. O cavalo branco, cujo cavaleiro disseminará imenso engano;

2. O cavalo vermelho, que precipitará grande beligerância;

3. O cavalo preto, que conduzirá a humanidade a uma falsa prosperidade que produzirá fome;

4. O cavalo amarelo, que trará grande pestilência e levará milhões de pessoas à morte;

5. A oração dos santos que foram sacrificados durante a primeira parte da tribulação;

6. Acontecimentos cósmicos que levarão grande pânico aos habitantes da Terra;

7. O último selo, cujo conteúdo será o anúncio das sete trombetas dos juízos de Deus.

II – AS SETE TROMBETAS (capítulos 8:7-13; 9:1-21 e 11:15-19)

1. A terça parte da Terra, das árvores e das plantações serão queimadas;

2. Um terço da criação existente nos mares será extinta;

3. Os rios serão envenenados e um terço da população perecerá;

4. Um terço do sistema estelar será tremendamente abalado e haverá trevas parciais;

5. Terríveis “gafanhotos” assombrarão a humanidade por longos cinco meses;

6. Um imenso e cruel exército devastará o mundo;

7. A última trombeta trará os sétimos últimos flagelos sobre a Terra (capítulo 16:1-21).

III – OS SETE TROVÕES (capítulo 10:4)

Não sabemos o seu conteúdo, João foi impedido de revelá-lo: “Logo que falaram os sete trovões, eu ia escrever, mas ouvi uma voz do céu, dizendo: Guarda em segredo as coisas que os sete trovões falaram e não as escrevas”. Sem dúvida será algo extremamente amargo que pegará de surpresa os usurpadores deste mundo. Escreve a respeito R. Watterson: “Estes sete trovões são, obviamente, mais uma série de sete juízos divinos, mas não podem ser revelados. Foi mandado a João que selasse estas mensagens e não as escrevesse; compare com Daniel 12:4 ... e com a proibição a Paulo em 2 Coríntios 12:4. Provavelmente se trata de juízos tão terríveis que não podiam ser revelados”. Portanto, caro leitor, não devemos especular sobre aquilo que Deus reservou para a sua exclusiva revelação em tempo oportuno.

A seguir, nessa estupenda visão de João, ele relata: “Vi como que um mar de vidro, mesclado de fogo, e os vencedores da besta, da sua imagem e do número do seu nome, que se achavam em pé no mar de vidro, tendo harpas de Deus” (v. 2). Nós já lemos sobre este mar. É o mesmo que vimos no capitulo 4:6. Mas há uma diferença! Naquela oportunidade João estava tendo a visão do Trono de Deus, e lá estava a Igreja de Deus arrebatada, simbolizada pelos vinte e quatro anciãos, antes do início do período da tribulação: “Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás”. Repare que naquela passagem o mar é translúcido, puro como cristal, que denota a santidade e a pureza da morada do Deus, ao passo que, nesta nova visão de João, o mesmo mar agora está mesclado com fogo e, como sabemos, o fogo simboliza nas Escrituras o Juízo de Deus.

Em pé sobre esse mar João identifica o grupo de mártires que morreram na segunda metade da tribulação por terem recusado a prestar adoração à imagem da “besta”, que vimos no capítulo 13, e tampouco permitiram levar sobre seus corpos a marca bestial. Por certo a esse grupo estão agregados os mártires da primeira parte da tribulação que “sob o altar” clamavam a Deus por justiça (6:9-11). Acerca destes, comenta J. Allen: “Multidões da Terra sucumbirão ao embuste da “besta”; outros se conformarão politicamente e se prostrarão a sua imagem; outros por motivos puramente comerciais aceitarão o número do seu nome. Estes santos ficarão à parte, e morrerão por causa da sua separação; o Céu os chamará de vitoriosos”.

Fantástica a visão que João teve daqueles que foram terrivelmente martirizados. Vemo-los no Céu a entoar “o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos” (vs. 3 e 4). Difícil não sermos levados pela emoção ao lermos tão grande manifestação de júbilo a Deus. O regozijo deles é sobremodo contagiante pela antevisão que terão daquilo que estará por acontecer àqueles que os assassinaram por não transigirem com a inabalável fé que possuíam em Deus.

O texto sagrado nos revela que eles estarão a entoar dois cânticos – o de Moisés e o do Cordeiro. Por certo o de Moisés é em semelhança daquele que encontramos em Êxodo 15:1-19, entoado às margens do grande mar após a extraordinária vitória de Israel sobre o feroz inimigo – o faraó; por sua vez, o do Cordeiro é em exaltação à pessoa do Senhor Jesus, que apesar do martírio que sofreram, estarão livres eternamente das garras de um inimigo ainda mais terrível – o diabo. W. MacDonald cita A.T. Pierson: “Nos dois extremos da história da Redenção, encontra-se toda a história do povo resgatado por Deus”.

“Depois destas coisas, diz João, abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho, e os sete anjos que tinham os sete flagelos saíram do santuário, vestidos de linho puro e resplandecente e cingidos ao peito com cintas de ouro”(vs. 5 e 6). Esses emissários de Deus se apresentam de forma majestosa. Com eles estarão as setes taças que representam a “ira de Deus” que será derramada sobre a humanidade que tanto estará a debochar de Deus. Os sete últimos flagelos são irreversíveis! Esses anjos foram preparados para executar o justo juízo por meio do qual Deus será glorificado. Os blasfemadores serão severamente punidos. Nada os poderá livrar desses terríveis flagelos, cujas consequências veremos no próximo capítulo.

“Então um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus, que vive pelos séculos dos séculos. O santuário se encheu de fumaça procedente da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia penetrar no santuário, enquanto não se cumprissem os sete flagelos dos sete anjos” (vs. 7 e 8). Essas taças estarão “cheias” a ponto de transbordar, revelando que nada mais poderia ser colocado nelas. Os “quatros seres viventes” são os mesmos que vimos no capítulo 4:6-9. Além de adoradores eles são os executores dos propósitos de Deus. Nesse momento o Santuário no Céu se encherá da Glória de Deus. A mesma nuvem de fumaça de outrora, novamente estará presente. Quando da dedicação do Tabernáculo no deserto, a Glória de Deus encheu o recinto de tal maneira que impediu a entrada de Moisés (Êxodo 40:34-35). O mesmo aconteceu com o primeiro Templo edificado por Salomão (2 Crônicas 5:13-14; 7:1-2). A Glória de Deus encheu sobremodo a Casa do Senhor que os sacerdotes não conseguiam entrar. O antigo profeta do passado teve uma visão semelhante: “As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça” (Isaías 6:4).

Sem dúvida, como fora no passado, este será um momento intensamente solene. Assim como naquele tempo ninguém conseguia entrar nos santuários terrenos enquanto a Glória de Deus estava presente, da mesma forma ninguém poderá entrar no Santuário de Deus, no Céu, enquanto não se cumprirem os sete flagelos pelos sete anjos (v. 8). Nenhuma intercessão poderá deter a ira de Deus. Isso nos remete a Lamentações 3:44... “De nuvens te encobriste para que não passe a nossa oração”. Nada impedirá que se cumpram os juízos de Deus sobre a Terra. A paciência de Deus estará esgotada para com a humanidade rebelde.

No próximo capítulo veremos as graves consequências desses flagelos, caro leitor. Este é um momento de profunda e urgente reflexão. Pense nisso! Se você crê nessas verdades absolutas, lembre-se daqueles que estão ao seu redor e poderão estar entre os que passarão por esse imenso assombro. Você poderá evitar que isso aconteça através do seu testemunho de fé. Como diz Paulo,"conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas... cumpre cabalmente com o teu ministério" (2 Timóteo 4:1-4). Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 16

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

“Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 16

Chegamos ao 16° capítulo e nele contemplamos a chegada do dia da grande ira de Deus sobre a humanidade incrédula. João ouve uma grande voz vinda do Santuário de Deus dizendo aos sete anjos aparelhados para aquele terrível dia:“Ide e derramai pela terra as sete taças da cólera de Deus” (v. 1). Que diferença brutal desse “ide” daquele que ouvimos do Senhor Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Portanto, para uma verdadeira compreensão do texto sagrado há que se considerar as dispensações.

Absolutamente nada poderá impedir a chegada desse dia. O verbo está conjugado no modo imperativo afirmativo que expressa uma ordem de Deus que em nenhuma hipótese poderá deixar de ser cumprida. Aqueles que desprezaram e caçoaram do Evangelho que os pouparia da ira vindoura agora estarão debaixo de severa punição.

“Saiu, pois, o primeiro anjo e derramou a sua taça pela terra, e, aos homens portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem, sobrevieram úlceras malignas e perniciosas” (v. 2). O impacto da primeira taça será sobre todos aqueles que trouxerem em seus corpos a marca da “besta” e prestarem adoração a sua imagem, serão afligidos por terríveis tumores malignos na pele, a exemplo do que ocorrera no passado quando da sétima praga derramada sobre o Egito. Naquela ocasião, os magos do Faraó nada puderam fazer para aliviar o castigo enviado por Deus através de Moisés, porque foram gravemente atingidos pelos tumores: “havia tumores nos magos e em todos os egípcios” (Êxodo 9:11). O mesmo ocorreria caso o povo Deus não obedecesse aos Estatutos de Deus transmitidos por Moisés, seriam acometidos de úlceras malignas, as quais não poderiam ser curadas, desde a planta dos pés ao alto da cabeça (Deuteronômio 28:35).

“Derramou o segundo anjo a sua taça no mar, e este se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que havia no mar” (v. 3). Quando do juízo da segunda trombeta (Apocalipse 8:8-9), a “terça parte” da criação dos mares e as embarcações neles existentes serão destruídas, o que restar de vida marítima agora será completamente exterminado. Literalmente haverá um “mar de sangue” desde a orla até às profundezas dos oceanos.

Algo semelhante ocorrerá através do terceiro anjo: “Derramou o terceiro a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue” (v. 4). Ao soar da terceira trombeta (Apocalipse 8:10-11) “um terço” das águas potáveis existentes sobre a Terra tornar-se-ão amargosas, agora “todas” se transformarão em sangue. A esta altura o reino das trevas começará a se sentir abalado. Assim como ocorrera com a primeira praga sobre o Egito, os egípcios sentiram nojo e não conseguiam beber a água do rio que se tornará em sangue. Naquela ocasião eles cavaram poços para encontrar água, pois da água do grande rio não puderam beber durante sete dias (Êxodo 7:14-25), mas agora isso não será possível, pois todas as “fontes das águas” estarão contaminadas pelo sangue.

Por certo, prezado leitor, essa enorme quantidade de sangue coagulado trará um odor insuportável sobre a Terra. Sem dúvida, a Ciência não terá explicações acerca dessa gravíssima ocorrência e a humanidade começará a desconfiar de que possa se tratar de um ato divino. Porém, isso será ainda o começo, pois coisas terríveis ainda estarão por vir.

Ao ver essas três primeiras revelações da “cólera de Deus”, João deveria estar estarrecido. Para seu alívio surge um pequeno intervalo e ele ouvirá mais vozes que darão explicações sobre o ocorrido: "Então, ouvi o anjo das águas dizendo: Tu és justo, tu que és e que eras, o Santo, pois julgaste estas coisas; porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sangue lhes tens dado a beber; são dignos disso. Ouvi do altar que se dizia: Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos” (vs. 5 a 7). A esse respeito, diz R. David Jones: "Duas declarações serão feitas: (1) pelo anjo das águas, que os juízos do Santo são justos porque assim como essa humanidade havia derramado o sangue dos santos e dos profetas, Ele agora lhes haveria de dar sangue para beber; (2) e do altar confirmando a justiça do juízo do Senhor Deus Todo-Poderoso. A voz estará vindo provavelmente das almas dos mártires da tribulação, satisfeitas com a vingança de Deus (Apocalipse 6:9-11)”. Estes acontecimentos nos remetem ao cântico de Moisés: "A mim me pertence a vingança, a retribuição, a seu tempo... porque o dia da sua calamidade está próximo, e o seu destino se apressa em chegar. Porque o Senhor fará justiça ao seu povo" (Deuteronômio 32:35-36).

"O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo. Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória" (vs. 8-9). Quando do juízo emanado pela quarta trombeta houve a redução de "um terço" do brilho de todo sistema estelar (Apocalipse 8:12-13). Ao derramamento desta quarta taça da ira de Deus, os dois terços restantes do brilho do sol produzirão uma insuportável radiação solar que trará gravíssimas consequências aos seres humanos blasfemadores. Eles reconhecerão que estarão sendo submetidos ao juízo de Deus, mas ainda assim não se arrependerão para Lhe dar a glória devida, ao contrário, amaldiçoarão a Deus pelo calor abrasador que os queimará. Consagrados profetas do passado previram isso: "Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão" (Isaías 24:6); "Pois eis que vem o dia e arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo" (Malaquias 4:1). Interessante o contraste citado por J. Allen nesta passagem: “A bênção física dos que entrarão no reino milenar estará em grande contraste com estes terríveis dias da Tribulação, quando será dito aos seguidores do Cordeiro: “nem cairá sobre eles o sol, nem calor algum”(Apocalipse 7:16). Imagine, caro leitor, as consequências que haverá sobre a Terra. Esse imenso calor por certo provocará o derretimento das calotas polares e as consequentes enchentes sobre a Terra trarão uma imensa devastação.

"Derramou o quinto anjo a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras" (vs. 10-11). O reino satânico estará sob intensas trevas! Cumprir-se-ão então as profecias dos antigos profetas: “O sol e a lua se escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor... grande é o dia do Senhor, e mui terrível! Quem o poderá suportar?” (Joel 2:10-11); "Aquele dia é dia de indignação, dia de angústia e dia de alvoroço e desolação, dia de escuridade e negrume, dia de nuvens e densas trevas" (Sofonias 1:15). Será uma situação desesperadora tendo em vista que estarão sofrendo cruciantes dores pelas queimaduras solares e pelas chagas das úlceras que estarão a lancinar seus corpos feridos. A total ausência de luz exacerbará seus sofrimentos a ponto de morderem a própria língua diante de tamanho terror que estará ocupando as suas mentes. Apesar de tão grande angústia, eles não se arrependerão de suas más obras e das blasfêmias contra o Deus Todo-Poderoso. Com respeito a essa escuridão, vimos algo semelhante quando da nona praga sobre o Egito. Houve três dias de espessas trevas sobre toda terra egípcia e somente nas habitações do povo de Deus havia luz (Êxodo 10:21-23). Por inferência, assim como ocorrera no passado, o povo de Deus na época dessa terrível tribulação será poupado desses acontecimentos.

"Derramou o sexto anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol. Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso” (vs. 12-14). Face aos acontecimentos ocorridos com os juízos das taças anteriores, o império satânico estará estremecido. A estiagem completa do Eufrates levará a trindade satânica a uma tresloucada atuação para arregimentar um imenso exército para “a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso”. É impressionante, caro leitor, como o diabo continuará mantendo a absurda ideia de que poderá vencer a Deus. Todavia, a sua ruína final será irrevogável.

Espíritos demoníacos serão lançados ao mundo inteiro para promoverem um grande estado de beligerância com o intuito de ajuntarem as nações para essa culminante batalha. O mundo estará combalido pelos acontecimentos descritos nas taças anteriores e será levado a crer que a única forma de se safar dessa horrível situação será o de entrar nesse imenso conflito contra Deus pelos juízos por Ele lançados sobre a humanidade rebelde.

Eis que surge um breve parêntese de grande alívio na visão de João: “Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha” (v. 15). Sem dúvida uma mensagem de grande alento para os fiéis que se recusarão a seguir a “besta”. Dentre estes estarão os judeus que escaparão da diabólica perseguição e se encontrarão refugiados conforme os ensinamentos dados pelo Senhor Jesus em Mateus 24. Quando atentarem para esse pavoroso ajuntamento militar eles perceberão que a vinda do Senhor Jesus deixou de ser iminente e passou a ser imediata. Para o povo de Deus à época será uma enorme bem-aventurança, mas para aqueles que não O esperam e nem desejam a Sua vinda, esse dia será inesperado como a chegada do ladrão.

“Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom. Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu grande voz do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está!” (vs. 16-17). O local dessa batalha está determinado e é chamado de Armagedom. Muito se tem escrito a esse respeito para a identificação dessa localidade. Todavia, sabermos agora com extrema exatidão o local dessa grande hecatombe não deve fazer parte das nossas conjecturas. O que é mais relevante neste versículo é a expressão do sétimo anjo que derramará a sétima e última taça da ira de Deus: “Feito está!”. Essa exclamação nos leva à conclusão que a ira de Deus estará consumada, e a vinda do Senhor Jesus para derrotar as hostes malignas estará prestes a acontecer.

Esse último flagelo será tremendo: "E sobrevieram relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte e grande. E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades das nações. E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira. Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados; também desabou do céu sobre os homens grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande" (vs. 18-21). Haverá grandes cataclismos como nunca houve igual na história da humanidade. Diz-nos R. David Jones acerca dessa grande tragédia: “A última taça é derramada pelo ar, e o último ato da cólera de Deus nesta série é desfechado, resultando em catástrofes imensas: o maior terremoto de todos os tempos terá lugar, destruindo montanhas e ilhas, bem como as cidades das nações. A grande cidade, Jerusalém (Zacarias 14:4 e Apocalipse 11:8), será dividida em três partes, e Babilônia será destruída debaixo do furor de Deus (veremos isto nos capítulos seguintes). A terra será bombardeada com granizo de pedras que pesarão entre 20 e 50 quilos cada uma”. Sobremodo lamentável que diante de tão grande flagelo em vez de se arrependerem eles preferirão manifestar o intenso ódio que têm de Deus.

A Terra será totalmente abalada pelo Deus Todo-Poderoso. Essas ocorrências foram claramente previstas desde a antiguidade e ninguém poderá alegar ignorância: "Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: “Ainda uma vez, dentro em pouco, farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca" (Ageu 2:6); "A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violentamente se moverá. A terra cambaleará como um bêbado e balanceará como rede de dormir” (Isaías 24:19-21). Quanto ao flagelo da chuva de pedras, faz-nos lembrar do ocorrido com a sétima praga sobre o Egito. Grande foi o estrago sobre os egípcios, animais, árvores e plantações, mas os filhos de Israel foram poupados dessa angústia (Êxodo 9:23-26).

Que diremos, pois, diante de tão grandes catástrofes? Pessoalmente louvo ao bendito Deus que desde já me livra da ira que está por vir sobre um mundo tenebroso que estará sob o domínio de uma turba maligna, e assim será feito a todo aquele que receber o Senhor Jesus como Redentor (1 Tessalonicenses 1:10). Bem haja, caro leitor, que esta seja a sua fé. Permita Deus que assim seja!

 

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 17 (1)

Neste capítulo vemos o sentido “religioso” da “grande meretriz” e no próximo capítulo o seu aspecto “comercial”. A babilônia religiosa certamente inclui a cristandade apóstata, tanto católica quanto protestante. É bem possível que represente a igreja ecumênica.

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3


CAPÍTULO 17 (1)

Após contemplarmos o desenrolar da grande ira de Deus no capítulo anterior, surge agora o último dos quatro grandes parênteses contidos em Apocalipse, que vai do capítulo 17 até o versículo 20 do capítulo 19. Esses interlúdios são postos em permeio à sequência dos acontecimentos apocalípticos a fim de que se destaquem importantes fatos para compreensão do texto sagrado, ao desconsiderá-los alguém poderá cometer grandes equívocos, daí surgirem tantas controvérsias sobre este importante Livro. A sequência natural, após este grande intervalo, será a vinda de Cristo para extinguir o império demoníaco a ser aqui instalado; aplicar severa derrota às duas “bestas”, e estabelecer o Seu Reino milenar, conforme veremos no desenrolar do capítulo 19.

Após a visão dos terríveis juízos que cairão sobre Terra com o derramamento das taças da ira de Deus, um dos sete anjos encarregados de transmitir esses flagelos diz a João: “Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas, com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra” (vs. 1 e 2). Não são poucas as polêmicas levantadas acerca dessa “grande meretriz”, todavia, no descortinar dos textos contidos neste e no próximo capítulo, veremos que se trata do “sistema religioso” que será imposto à humanidade incrédula pelo diabólico governante mundial, e do ressurgimento da antiga e quase extinta cidade babilônica que provavelmente será reedificada durante o império da “besta” (v. 18... “A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra”, compare com 18:21...“Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será achada”).

Grande é a quantidade dos comentários sugerindo que essa “grande cidade” seria Roma e me impressiona o esforço que é feito para que haja o ressurgimento do império romano. Como já disse anteriormente, o que restou desse império foi o Vaticano que se tornou o remanescente daquele reino. Os que interpretam como sendo Roma, por certo estão impactados com o teor do versículo 9... “as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis”. Roma é tida como a cidade das “sete colinas”, todavia no mesmo texto há a indicação de que se trata de sete governantes.

A respeito de que esta cidade não seria Roma, diz-nos J. Allen: Os sete montes não são dados como sinal de “identificação” de qualquer cidade. Isto é uma interpolação interpretativa feita por comentaristas e somente deturpa o quadro... Quando a mulher está assentada sobre “as muitas águas” (v. 1), devemos entender isto de forma metafórica, pois este fato é interpretado no v. 15; quando a mulher está assentada “sobre uma besta de cor escarlate”, isto também é simbólico; portanto quando ela está assentada “sobre sete montes”, isto também precisa ser simbólico. Em nenhum desses casos há qualquer justificativa para compreender a localização como literal. A interpretação angelical é clara: “As sete cabeças (simbólicas) são sete montes (metafóricos)... e são também sete reis (históricos)” ... A Babilônia nunca foi destruída da maneira descrita em Isaías, capítulos 13 e 14, e por Jeremias, capítulos 50 a 52, portanto a reconstrução da Babilônia não é meramente uma interpretação possível, mas que o cumprimento das Escrituras exige isto.

Pessoalmente, não entendo a grande discórdia que há entre os comentaristas para “identificar” essa cidade, a meu ver tanto faz que seja Roma ou Babilônia, pois o que importa é o que ela de fato personifica no contexto dos acontecimentos futuros, ou seja, o seu caráter e não a sua localização. Inobstante a isso, convém lembrar que as sete colinas de Roma não mais existem na sua forma original. Além disso, há registros históricos que Jerusalém, à época de João, era conhecida como a grande cidade dos sete montes, talvez, por esta razão, surgem comentaristas que entendem que Jerusalém seria a cidade mencionada neste capítulo. Sem dúvida, grande é a confusão criada em torno deste assunto.

Claro que devemos respeitar os entendimentos em contrário, mas a clareza de interpretação de J. Allen dispensa acréscimos. Portanto, segundo ele, a “grande cidade” não será Roma, mas a antiga cidade babilônica que será reedificada pela “besta” e por certo se tornará a sede do seu governo imperial. Convém lembrar que historicamente algo semelhante já ocorreu através de Constantino que transferiu a sede do império romano, por mais de meio século, para Bizâncio, também conhecida à época como a Nova Roma, chamada após a morte do imperador de Constantinopla, onde hoje é Istambul, a maior cidade da Turquia. Constantinopla rivalizou durante séculos com Roma como capital da cristandade e mesmo depois da conquista muçulmana continuou a ser a sede da igreja “cristã” ortodoxa. Portanto, não seria nenhuma novidade a “besta” estabelecer o seu governo central fora das fronteiras romanas.

Você, caro leitor, poderá ponderar: “Mas o que resta da antiga Babilônia, cujas ruínas se encontram na cidade de Al Hillah, na província Babil, atual Iraque? O que dizer, então, do atual Iraque que se tornou terra arrasada pela recente guerra com a coalizão militar liderada pelos USA?” Há que se considerar algo importante: Como as duas “bestas” terão o poder político de reconstruir o Templo em Jerusalém, no período da tribulação, que não será algo fácil perante os árabes, a reconstrução da Babilônia será uma tarefa mais tranquila, pois será aprazível ao mundo arábico e esta poderá ser uma forma compensatória pelo agrado dado aos judeus. Convém ressaltar que não devemos ficar limitados ao que hoje vemos, pois esses acontecimentos se darão ao longo do período da tribulação, sob o jugo da tenebrosa “besta” que promoverá grandes alterações geopolíticas no mundo atual.

Neste capítulo vemos o sentido “religioso” dessa “grande meretriz” e no próximo capítulo o seu aspecto “comercial”. Por sinal, em nossos dias não estamos tão distantes disso, basta observarmos o rápido crescimento do lucrativo negócio que se tornou o atual segmento tido como religioso, que de espiritual nada tem. Quanto à única religião a ser estabelecida pelas “bestas”, diz W. MacDonald: A babilônia religiosa certamente inclui a cristandade apóstata, tanto católica quanto protestante. É bem possível que represente a igreja ecumênica.

Portanto, as raízes dessa ignomínia já foram lançadas desde o século passado através do movimento ecumênico que conta com participação de várias denominações evangélicas que se submetem ao jugo papal; de fato estão a lançar os fundamentos da “igreja apóstata”. A expressão “muitas águas” revela que esse domínio religioso será global (v. 15... “Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas”), muitos se “embriagarão” com a sua maligna religiosidade cuja influência alcançará um incontável número de pessoas que estará em absoluta desgraça, e o pior, sem se aperceberem disso.

Durante essa visão, João é trasladado em espírito pelo mencionado anjo ao deserto e lá contempla essa “religião apóstata” numa estranhíssima figura de uma mulher, vestida de forma extravagante, montada numa “besta” escarlate repleta de nomes de blasfêmias e que possuía sete cabeças e dez chifres (vs. 3 e 4). A “besta” já é nossa conhecida, é a mesma que vimos no capítulo 13, todavia aqui está com a mesma cor vermelha do “dragão” – o diabo – descrito no capítulo 12, que não deixa de ser um dado revelador, pois está a demonstrar que nesta visão o bestial imperador, sob o comando do seu gestor, já estará no ápice do seu governo sobre as nações que a ele se submeterão.

Essa visão traz, a princípio, a suposta ideia de que esse sistema religioso estará a dominar o império da “besta”, assim como ocorreu ao final do extinto império romano, através da igreja católica. Essa aparência é enganosa, a “besta” não se deixará dominar por aqueles que estão em seu entorno, por isso providenciará que essa religiosidade seja destroçada (v. 16) e exigirá adoração exclusiva, através de si, para aquele que o instituirá – o diabo – conforme visto no capítulo 13. Haverá uma única religião no mundo, cuja cabeça será o diabo.

Em seguida João usa a expressão “mistério”: “Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra”, que estava embriagada com o sangue derramado dos santos e das testemunhas do Senhor Jesus (vs. 5 e 6). Quanto a este “mistério”, veremos na segunda parte deste capítulo, “pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (Marcos 4:22-23). Considere atentamente o que você está a ouvir, caro leitor. Permita Deus que assim seja!

 

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autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 17 (1)-1

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” 
Apocalipse 1:3

Capítulo 17 (1)

Após contemplarmos o desenrolar da grande ira de Deus no capítulo anterior, surge agora o último dos quatro grandes parênteses contidos em Apocalipse, que vai do capítulo 17 até o versículo 10 do capítulo 19. Esses interlúdios são postos em permeio à sequência dos acontecimentos apocalípticos a fim de que se destaquem importantes fatos para compreensão do texto sagrado, ao desconsiderá-los alguém poderá cometer grandes equívocos, daí surgirem tantas controvérsias sobre este importante Livro. A sequência natural, após este grande intervalo, será a vinda de Cristo para extinguir o império demoníaco a ser aqui instalado; aplicar severa derrota às duas “bestas”, e estabelecer o Seu Reino milenar, conforme veremos no desenrolar do capítulo 19.

Após a visão dos terríveis juízos que cairão sobre Terra com o derramamento das taças da ira de Deus, um dos sete anjos encarregados de transmitir esses flagelos diz a João: “Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas, com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra” (vs. 1 e 2). Não são poucas as polêmicas levantadas acerca dessa “grande meretriz”, todavia, no descortinar dos textos contidos neste e no próximo capítulo, veremos que se trata do “sistema religioso” que será imposto à humanidade incrédula pelo diabólico governante mundial, e do ressurgimento da antiga e quase extinta cidade babilônica que provavelmente será reedificada durante o império da “besta” (v. 18... “A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra”, compare com 18:21... “Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será achada”).

Grande é a quantidade dos comentários sugerindo que essa “grande cidade” seria Roma e me impressiona o esforço que é feito para que haja o ressurgimento do império romano. Como já disse anteriormente, o que restou desse império foi o Vaticano que se tornou o remanescente daquele reino. Os que interpretam como sendo Roma, por certo estão impactados com o teor do versículo 9... “as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis”. Roma é tida como a cidade das “sete colinas”, todavia no mesmo texto há a indicação de que se trata de sete governantes.

A respeito de que esta cidade não seria Roma, diz-nos J. Allen: Os sete montes não são dados como sinal de “identificação” de qualquer cidade. Isto é uma interpolação interpretativa feita por comentaristas e somente deturpa o quadro... Quando a mulher está assentada sobre “as muitas águas” (v. 1), devemos entender isto de forma metafórica, pois este fato é interpretado no v. 15; quando a mulher está assentada “sobre uma besta de cor escarlate”, isto também é simbólico; portanto quando ela está assentada “sobre sete montes”, isto também precisa ser simbólico. Em nenhum desses casos há qualquer justificativa para compreender a localização como literal. A interpretação angelical é clara: “As sete cabeças (simbólicas) são sete montes (metafóricos)... e são também sete reis (históricos)” ... A Babilônia nunca foi destruída da maneira descrita em Isaías, capítulos 13 e 14, e por Jeremias, capítulos 50 a 52, portanto a reconstrução da Babilônia não é meramente uma interpretação possível, mas que o cumprimento das Escrituras exige isto.

Pessoalmente, não entendo a grande discórdia que há entre os comentaristas para “identificar” essa cidade, a meu ver tanto faz que seja Roma ou Babilônia, pois o que importa é o que ela de fato personifica no contexto dos acontecimentos futuros, ou seja, o seu caráter e não a sua localização. Inobstante a isso, convém lembrar que as sete colinas de Roma não mais existem na sua forma original. Além disso, há registros históricos que Jerusalém, à época de João, era conhecida como a grande cidade dos sete montes, talvez, por esta razão, surgem comentaristas que entendem que Jerusalém seria a cidade mencionada neste capítulo. Sem dúvida, grande é a confusão criada em torno deste assunto.

Claro que devemos respeitar os entendimentos em contrário, mas a clareza de interpretação de J. Allen dispensa acréscimos. Portanto, segundo ele, a “grande cidade” não será Roma, mas a antiga cidade babilônica que será reedificada pela “besta” e por certo se tornará a sede do seu governo imperial. Convém lembrar que historicamente algo semelhante já ocorreu através de Constantino que transferiu a sede do império romano, por mais de meio século, para Bizâncio, também conhecida à época como a Nova Roma, chamada após a morte do imperador de Constantinopla, onde hoje é Istambul, a maior cidade da Turquia. Constantinopla rivalizou durante séculos com Roma como capital da cristandade e mesmo depois da conquista muçulmana continuou a ser a sede da igreja “cristã” ortodoxa. Portanto, não seria nenhuma novidade a “besta” estabelecer o seu governo central fora das fronteiras romanas.

Você, caro leitor, poderá ponderar: “Mas o que resta da antiga Babilônia, cujas ruínas se encontram na cidade de Al Hillah, na província Babil, atual Iraque? O que dizer, então, do atual Iraque que se tornou terra arrasada pela recente guerra com a coalizão militar liderada pelos USA?” Há que se considerar algo importante: Como as duas “bestas” terão o poder político de reconstruir o Templo em Jerusalém, no período da tribulação, que não será algo fácil perante os árabes, a reconstrução da Babilônia será uma tarefa mais tranquila, pois será aprazível ao mundo arábico e esta poderá ser uma forma compensatória pelo agrado dado aos judeus. Convém ressaltar que não devemos ficar limitados ao que hoje vemos, pois esses acontecimentos se darão ao longo do período da tribulação, sob o jugo da tenebrosa “besta” que promoverá grandes alterações geopolíticas no mundo atual.

Neste capítulo vemos o sentido “religioso” dessa “grande meretriz” e no próximo capítulo o seu aspecto “comercial”. Por sinal, em nossos dias não estamos tão distantes disso, basta observarmos o rápido crescimento do lucrativo negócio que se tornou o atual segmento tido como religioso, que de espiritual nada tem. Quanto à única religião a ser estabelecida pelas “bestas”, diz W. MacDonald: A babilônia religiosa certamente inclui a cristandade apóstata, tanto católica quanto protestante. É bem possível que represente a igreja ecumênica.

Portanto, as raízes dessa ignomínia já foram lançadas desde o século passado através do movimento ecumênico que conta com participação de várias denominações evangélicas que se submetem ao jugo papal; de fato estão a lançar os fundamentos da “igreja apóstata”. A expressão “muitas águas” revela que esse domínio religioso será global (v. 15... “Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas”), muitos se “embriagarão” com a sua maligna religiosidade cuja influência alcançará um incontável número de pessoas que estará em absoluta desgraça, e o pior, sem se aperceberem disso.

Durante essa visão, João é trasladado em espírito pelo mencionado anjo ao deserto e lá contempla essa “religião apóstata” numa estranhíssima figura de uma mulher, vestida de forma extravagante, montada numa “besta” escarlate repleta de nomes de blasfêmias e que possuía sete cabeças e dez chifres (vs. 3 e 4). A “besta” já é nossa conhecida, é a mesma que vimos no capítulo 13, todavia aqui está com a mesma cor vermelha do “dragão” – o diabo – descrito no capítulo 12, que não deixa de ser um dado revelador, pois está a demonstrar que nesta visão o bestial imperador, sob o comando do seu gestor, já estará no ápice do seu governo sobre as nações que a ele se submeterão.

Essa visão traz, a princípio, a suposta ideia de que esse sistema religioso estará a dominar o império da “besta”, assim como ocorreu ao final do extinto império romano, através da igreja católica. Essa aparência é enganosa, a “besta” não se deixará dominar por aqueles que estão em seu entorno, por isso providenciará que essa religiosidade seja destroçada (v. 16) e exigirá adoração exclusiva, através de si, para aquele que o instituirá – o diabo – conforme visto no capítulo 13. Haverá uma única religião no mundo, cuja cabeça será o diabo.

Em seguida João usa a expressão “mistério”: “Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra”, que estava embriagada com o sangue derramado dos santos e das testemunhas do Senhor Jesus (vs. 5 e 6). Quanto a este “mistério”, veremos na segunda parte deste capítulo, “pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça” (Marcos 4:22-23). Considere atentamente o que você está a ouvir, caro leitor. Permita Deus que assim seja!

autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Caminho do Apocalipse - 17 (2)

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

"Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo"
Apocalipse 1:3

Capítulo 17 (2)

A crônica anterior foi encerrada com um “mistério” contido no versículo 5 deste 17° capítulo. Na fronte da estranha figura da mulher nele revelada, a qual representa o sistema religioso e comercial que será instituído em meio à grande tribulação, está escrito algo que o anjo desta revelação destaca como sendo misterioso: “Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra”. De plano, as pessoas são levadas equivocadamente a uma postura mística diante da expressão “mistério”, todavia o Senhor Jesus deixou asseverado que “nada há oculto, que não seja revelado, nem escondido, que não venha a ser conhecido” (Lucas 8:17). Não existe nada de “místico” nessa assertiva angelical, afirmações nesse sentido não passam de bobagens criadas pelos ocultistas, prática esta que lamentavelmente campeia entre vários que se identificam como “cristãos”, mas que por suas práticas se desqualificam e deixam revelado que não passam de meros rótulos institucionais.

Por oportuno, em crônica recente acerca da expressão de Paulo contida em 1 Coríntios 2:7, Jayro Gonçalves deixou asseverado o entendimento correto sobre o significado de “mistério” nas Escrituras: “A palavra “mistério” no Novo Testamento tem o sentido de algo que está sendo revelado, não alguma coisa que nos mistifica. Nesse sentido o ensino de Paulo é que Deus Se revela aos que dEle se aproximam em Cristo. O conhecimento de Deus é, pois, “misterioso” no sentido de que o homem natural, agindo por suas próprias faculdades, não pode recebê-lo (1 Coríntios 2:14)... Uma verdade antes oculta, agora revelada por Deus e aceita somente pela fé... não tem o caráter de misterioso ou enigmático que o homem tem dificuldade em resolver, mas um segredo que ao homem é totalmente incapaz de penetrar... Paulo diz “outrora oculto”, acentuando o fato de que os homens que não estão em Cristo estão ainda às escuras em relação a tal segredo”.

Diz também acerca disso R. David Jones: “Vemos que os mistérios da Bíblia são realidades antecipadamente conhecidas por Deus e reveladas na ocasião oportuna para a sabedoria da humanidade, em contraste com a sabedoria resultante da filosofia humana (veja especialmente 1 Coríntios 2:1-16 e compare com Mateus 11:25). O contraste não consiste em que a filosofia é humanamente compreensível enquanto os mistérios estão obscurecidos, mas que a filosofia é produto de pesquisa intelectual humana, enquanto os mistérios são revelação divina e se discernem espiritualmente... A fé cristã não tem doutrinas secretas, pois seus mistérios são revelações feitas à humanidade por Deus pelo Seu Espírito em tempo oportuno de coisas que Ele, ciente de tudo, já sabia antecipadamente”.

Portanto, por definição, a palavra “musterion” contida nas Escrituras tem o significado etimológico de uma revelação divina que não pode ser alcançada pela inteligência, filosofia ou sabedoria humana sem o auxílio de quem a explicitou: o próprio Deus. Deixando, pois, o misticismo de lado, prossigamos ao que interessa.

Diante daquele “mistério” representado por aquela extravagante personagem (v. 5), prossegue João: “Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto” (v. 6). Por certo a cena não foi nada agradável aos seus olhos e grande foi o espanto do consagrado apóstolo. Imaginemos, caro leitor, a figura grotesca que ele estava a contemplar! A figura simbólica de uma mulher completamente bêbada e totalmente ensanguentada pelo martírio que será cruelmente aplicado àqueles que estarão a professar o senhorio do Senhor Jesus Cristo em suas vidas durante o trágico período da grande tribulação que está por vir. Sem dúvida, imensa foi a tristeza de João diante daquela visão.

Mas, de pronto, chega a ele o socorro esclarecedor: “O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá (vs. 7-8). Não há dúvida, apesar da interpretação dada pelo anjo, o contexto destes dois versículos não é de fácil entendimento, principalmente o versículo 8. Portanto, diante da dificuldade deixemos que prevaleça exclusivamente o que está revelado nos textos bíblicos, deixando de lado as interpolações pessoais ainda que não tenhamos uma compreensão exata neste momento.
 
O que estaria a dizer o anjo com a expressão: “a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição”? Note bem, caro leitor, o que ele está a afirmar em outras palavras: A “besta”, que viste surgir para ser o grande líder do império diabólico a ser instalado neste mundo, saiu de cena e agora está de volta! A esta altura convém que seja lembrado que estamos nos inícios do último grande parêntese profético, dos quatro existentes neste Livro, portanto o texto nele contido não faz parte da sequência cronológica dos acontecimentos, se assim não entendermos jamais chegaremos a uma compreensão exata dos fatos descritos por João. Vamos a eles:

1.    “a besta que viste” – A quem o anjo está a se referir? Sem nenhuma dúvida ao abominável ente visto por João no capítulo 13:1-10 (que faz parte do terceiro grande parêntese). Nele João teve a revelação acerca do grande líder que surgirá e submeterá este mundo ao seu domínio, inspirado pelo seu gestor, o diabo, que proporcionará a esse bestial líder “autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação” (13:7). Como diz J. Allen, “a ‘besta’ terá uma ascensão meteórica em autoridade e poder, e certamente estará sendo capacitada antes de se revelar no início da grande tribulação. O que é aqui enfatizado é que ela já teria uma história antes deste ponto central da tribulação”.

2.    “era e não é” – Conforme narrado no mesmo capítulo 13, João teve a seguinte visão: “Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte” (13:3a). A chaga mortal levará as pessoas a entender que o grande líder foi morto, ou seja, “não é” mais. Mas repentinamente ele voltará em grande estilo, de crueldade é claro. Isto fará parte do jogo de cena do diabo para que o mundo, em um breve espaço de tempo, se sinta desorientado pela aparente morte da “besta”, mas posteriormente as pessoas ficarão admiradas pelo seu surpreendente “ressurgimento”, pois a sua ferida mortal será curada e toda a terra se maravilhará seguindo a “besta” (13:3b).

3.    “está para emergir do abismo” – Como resultado da aparente morte, haverá a pseudorressurreição da “besta”. Isto já foi visto no segundo grande parêntese, que descreve o ministério das duas testemunhas de Deus que serão mortas pela “besta” ressurgida do “abismo” (11:7). Afinal, que “abismo” é esse? R. Watterson escreve a respeito: “Não significa o inferno onde estão aqueles que morrem sem a salvação, nem significa o lago de fogo, onde os perdidos sofrerão eternamente, mas é o lugar onde os demônios podem ficar presos (Lucas 8:31) e onde Satanás ficará preso durante o Milênio (Apocalipse 20:1-3)”. Portanto, o “abismo” é uma figura apocalíptica para o “reino satânico”, e desse contexto a “besta” reaparecerá “corporificada” pelo mal, pelas forças diabólicas do “abismo”, para reassumir o seu império, não se tratando, portanto, de uma ressurreição, mas de um engodo.

Mas como acontecerá essa “corporificação”, se a “besta” é um ser humano como nós? Esse assunto é um campo vasto, que procurarei resumir. Há quatro níveis de ação demoníaca: opressão, obsessão, sujeição e possessão. Todas as pessoas, inclusive os cristãos, não estão isentos da “opressão” demoníaca por meio das tentações, que envolvem a cobiça dos olhos, da carne e a soberba da vida; a “obsessão” é a intensa preocupação que a pessoa passa a ter com forças ou fenômenos ocultos, curandeirismo, adivinhações, astrologia (há pessoas que não saem de casa sem lerem o horóscopo do dia etc.); a “sujeição” é a antessala da “possessão”, as pessoas se tornam tão habituadas às mistificações que passam a acreditar em qualquer vento de crendice, menos em Deus; finalmente chega-se à corporificação (“possessão”), ou seja, a habitação demoníaca nas pessoas, algo bastante atuante no Novo Testamento, onde vemos os possessos serem identificados como endemoninhados (Marcos 1:23-27, 32-34; 3:11-12; 3:14-15; 7:25-30; 9:17-29; 16:9; Lucas 10:17; Atos 5:16; 8:7; 16:16-18; 19:12). No retorno da “besta” ela estará completamente “possuída” pelo “abismo”, por certo seu jugo será algo tenebroso, jamais dantes visto pela humanidade. É sobremodo importante deixar aqui ressaltado, que os cristãos autênticos em nenhuma hipótese podem sofrer “possessão” demoníaca, pois é impossível que naquele em que habita o Espírito Santo seja também morada de demônios.

4.    “e caminha para a destruição” – Isto veremos ao final deste quarto grande parêntese, quando da vinda do Senhor Jesus como Rei dos reis e Senhor dos senhores para estabelecer o Seu Reino milenar (19:11-16). Haverá um imenso confronto com a “besta” e os exércitos existentes à época, a sua destruição será arrasadora e tanto ela, a “besta”, como o “falso profeta”, serão aprisionados e “lançados vivos dentro do lago do fogo que arde com enxofre” (19:19-20). Tenhamos em lembrança, caro leitor, esses dois terríveis personagens são seres humanos como nós, todavia a serviço do seu senhor, o diabo. Portanto, a expressão “lançados vivos” ao inferno é sobremodo horrenda, pois ali “serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos” (20:10).

Como vemos, em nenhuma hipótese se pode subestimar as artimanhas do diabo, realmente ele é sagaz e fica a serpear a todos que estão ao seu redor a fim de arrastar consigo os desavisados, aqueles que se deixam levar pelos seus enganos, inclusive através das muitas religiões existentes neste mundo que até dizem que creem no Senhor Jesus, mas de fato não servem ao Deus Todo-Poderoso, ao contrário, estão a serviço dos seus próprios deleites.

Na próxima crônica serão analisados os versículos restantes deste capítulo. Enquanto isso, não percamos de vista o que vimos até agora, pois isso poderá significar que muitos estarão a caminho de tormentos eternos pelo silêncio daqueles que têm conhecimento desses fatos e por motivos inexplicáveis permanecem indiferentes. Não pode ser esquecido que todo aquele que deposita uma fé autêntica no Senhor Jesus, não pode ser omisso, pois terá que prestar conta: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão” (1 Coríntios 3:14). Permita Deus que assim seja!

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autor: José Carlos Jacintho de Campos.
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A Ceia Do Senhor - 2

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

A Ceia Do Senhor é Uma Reunião De Comunhão

“Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão” (1Coríntios 10:16-17).

Ao celebrarmos a Ceia do Senhor estamos revelando a comunhão que temos com o Seu sangue, no qual fomos lavados dos nossos pecados, e ao participar do pão estamos mostrando a comunhão com o Seu corpo, corpo que suportou as maiores dores por nossa causa. Em outras palavras, na Ceia do Senhor revelamos de maneira prática a nossa comunhão com o nosso amado Salvador, mas não é somente isso, manifestamos também a nossa comunhão com os nossos irmãos em Cristo. Notem: “Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo”. Paulo explica que somos um corpo, porque participamos do único pão. Fica evidente que temos comunhão uns com os outros em Cristo Jesus. Isso nos leva a entender que a comunhão entre irmãos não se baseia na doutrina que se segue, nos pensamentos que temos, ou na forma de vida que levamos, mas no fato de todos nós termos a fé num único Salvador “porque todos participamos do único pão”.

A CEIA DO SENHOR É UMA PROCLAMAÇÃO DA SUA MORTE NO CALVÁRIO

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Coríntios 11:26).

Nós podemos anunciar a morte de Cristo usando nosso falar, falando dEle aos nossos amigos do dia-a-dia, pode ser no trabalho, na escola, nos passeios etc. Podemos sair nas horas de folga e visitar conhecidos em seus lares, levando-lhes o conhecimento de Cristo. Podemos também anunciar a Sua morte através de uma vida santa, mostrando por nossas obras que pertencemos a Deus. Como igreja, quando nos reunimos para celebrar a Ceia, estaremos então anunciando a morte do Senhor até que Ele venha. Portanto, irmãos, é um lindo privilégio participar da Ceia do Senhor.

Qual Deve Ser A Nossa Ocupação Na Ceia Do Senhor?

Como é uma reunião em memória dEle, nós devemos estar ocupando todo o nosso tempo com a Sua pessoa, louvando-O: “E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras” (Mateus 26:30).

Eu creio que nós devemos entender o que é louvor, e procurar colocar em prática o verdadeiro louvor. O louvor ocupa-se com as obras realizadas pelo Senhor. Engrandece ao Senhor por aquilo que Ele fez. O salmista nos dá um exemplo disto: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Salmo 19:1). Quando na Ceia vamos escolher hinos, se queremos louvar ao Senhor temos que escolher as palavras certas. Em nosso hinário temos hinos:

  • De evangelização - Esses hinos são dirigidos aos pecadores, pessoas que ainda não se converteram a Cristo, o objetivo ao cantarmos esses hinos é levar o pecador a pensar no seu pecado, e sentir o desejo de crer no Salvador. As palavras do hino vão mostrar isso ao pecador, pois são direcionadas a ele.
  • De edificação - Ao cantarmos hinos de edificação, estamos visando os próprios cristãos. Então, vamos escolher hinos que falam ao coração dos salvos, animando-os na fé, encorajando-os a servir melhor ao Senhor. O hino de edificação é uma mensagem ao coração do povo de Deus.
  • De louvor - O hino de louvor leva-nos a engrandecer o Senhor pelas obras realizadas por Ele. Então ao escolher um hino de louvor vamos escolher aqueles que engrandecem ao Senhor por Suas obras, não podemos esquecer que o louvor é dirigido ao Senhor Jesus Cristo, enaltecendo-O por aquilo que Ele tem feito. Exemplo: “Pois me alegraste Senhor com os teu feitos; exultarei nas obras das tuas mãos. Quão grande Senhor são as tuas obras! (Salmo 92:4-5).
  • De adoração - A adoração ocupa-se com a pessoa do Senhor. Vejam bem, se o louvor nos leva a pensar nas obras que o Senhor faz, e O engrandecemos por isto, a adoração nos leva a pensar no Senhor mesmo, na Sua magnitude, grandeza, glória etc. Disse o salmista: “A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo” (Salmo 84:2). “Uma cousa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Salmo 27:4). “Como suspira a corça pelas águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Salmo 42:1-2). Observe como nestes versos o salmista se ocupa com a pessoa de Deus, “ele está adorando”.

Temos que ter isto em mente quando queremos louvar ou adorar ao Senhor. Ocorre às vezes, que mesmo na Ceia do Senhor, um irmão escolhe um hino de evangelização, ou de edificação, e diz: “vamos louvar ao Senhor com o hino tal”. A intenção do irmão é louvar, mas se o hino não expressa louvor, o nosso louvor está prejudicado. Pode ser que o irmão diga: “vamos adorar a Deus com o hino tal”, mas escolhe um hino de edificação dos crentes, a adoração não foi realizada. Temos que ter cautela na escolha dos hinos, não devemos escolher hinos só porque gostamos deles, mas devemos pensar nas palavras que queremos expressar diante do nosso amado Senhor.

O nosso hinário já tem uma seção específica de hinos de adoração, isso para ajudar os irmãos com menos conhecimento no assunto, a fim de que usem os hinos certos para aquele tão importante momento de adoração. Na oração também é preciso sermos cautelosos, se vamos para a Ceia do Senhor para louvar e adorar, não devemos fazer petições, não é um momento para súplicas, mas um tempo quando devemos derramar nossos corações em apreciação, louvor, e adoração do Senhor Jesus Cristo. Se estudarmos o livro dos Salmos nós vamos aprender muito sobre o louvor e a adoração.

Qual Deve Ser O Dia Da Celebração Da Ceia?

Alguns religiosos mal entendendo do assunto, confundem a Ceia do Senhor com a Páscoa, e desta forma dizem que a Ceia deve ser celebrada uma vez por ano. A Páscoa, sim, deve ser celebrada uma vez por ano, mas a Páscoa não pertence à Igreja, ela está ligada ao povo de Israel. Outros religiosos até entendem quando a Ceia deve ser realizada, mas como pertencem a organizações humanas, eles têm que seguir as regras daquela organização, então eles celebram o que chamam de Ceia do Senhor a cada trinta dias, essa prática na verdade não tem fundamento bíblico.

Vamos agora observar qual foi a prática dos apóstolos em relação ao Partir do Pão: Todo estudioso da Bíblia vai notar que houve uma mudança na prática de se reunir após a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. No mesmo dia da Sua ressurreição os discípulos já se reuniram no cenáculo, ainda que com as portas trancadas devido ao medo que tinham dos judeus: “Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes: paz seja convosco!” (João 20:19). “Passados oito dias (primeiro dia da semana),estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco” (João 20:26). Antes da ressurreição sempre estavam no templo ou nas sinagogas no sábado, mas agora passaram a se reunir no primeiro dia da semana. O primeiro dia da semana, não somente é dia da ressurreição do Senhor Jesus Cristo, como também é o dia ligado à Igreja de Deus. A própria Igreja de Deus surgiu no primeiro dia da semana. Vamos provar isso: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2:1). A igreja nasceu nesse dia, o dia da festa de Pentecostes.

A festa de Pentecostes era realizada cinqüenta dias depois da festa das Primícias, a própria palavra pentecostes significa 50 dias após. A festa da Páscoa apontava para a morte do Senhor Jesus Cristo na cruz do calvário, a das Primícias falava da Sua ressurreição, e a de Pentecostes apontava para o nascer da Igreja de Deus. Vemos, portanto, a importância do primeiro dia da semana para os salvos que pertencem a Igreja de Deus.

Agora vamos a uma evidência mais clara de que a Ceia do Senhor deve ser celebrada no primeiro dia da semana: “Depois dos dias dos pães asmos, navegamos de Filipos e, em cinco dias, fomos ter com eles naquele porto, onde passamos uma semana. No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite” (Atos 20:6-7). Devemos notar que o apóstolo Paulo e seus irmãos em Cristo esperaram por uma semana para celebrarem a Ceia do Senhor em Trôade, “no primeiro dia da semana”. Eles poderiam tê-la celebrado nos dias da semana, mas não o fizeram, isso indica de maneira forte que o dia para a celebração da Ceia do Senhor é sem dúvida o primeiro dia da semana (o nosso domingo).

Continua no próximo Boletim.

 

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A Ceia Do Senhor - 3

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

Agora vamos estudar um pouco mais do assunto, olhando para o exemplo deixado pela igreja em Corinto, e considerar a censura apostólica e os ensinos que Paulo nos dá: “Nisto, porém, que vos prescrevo, não vos louvo” (1Coríntios 11:17). O servo de Deus censura os irmãos em Corinto pelo descuido no realizar a Ceia do Senhor. Muitos erros havia na igreja em Corinto, entre eles destaca-se o erro quanto a celebração da Ceia. É muito triste sermos censurados no tocante a nossa vida com Deus, e especialmente nesta tão importante reunião. “Porquanto vos ajuntais, não para melhor; e sim para pior” (1 Coríntios 11:17).

Todo ajuntamento do povo de Deus visa um fim proveitoso, mas os irmãos em Corinto, embora pensando ser assim, se ajuntavam para pior. Que coisa triste! Será que o mesmo não acontece hoje em dia? Tomemos cuidado! Antes de entrarmos em mais detalhes da Ceia do Senhor, consideremos alguns aspectos que são os motivos dos problemas em Corinto. Nesse exame convém que perguntemos a nós mesmos: Porventura não ocorre o mesmo conosco?

  1. MOTIVAÇÃO – “Não tendes porventura casas onde comer e beber?” (1 Coríntios 11:22). Nessa expressão apostólica, percebemos que os coríntios estavam impulsionados pelo sentimento festivo mundano. A atração para eles era o comer e beber. Saiam de seus lares pensando na festa. Erraram o alvo, que é a apreciação e adoração do Senhor Jesus Cristo. Qual tem sido a nossa motivação? Quando vamos para a Ceia o que é que nos atrai? Será que não vamos à Ceia apenas por um mero costume? Ou, quem sabe, porque se não formos os outros irmãos vão reparar? Irmãos, sejamos sinceros, vamos a esta reunião tão importante somente com o desejo de adorar Aquele que deu Sua vida por nós na cruz do calvário? O Senhor Jesus Cristo!
  2. DIVISÕES - “Estou informado haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja” (1 Coríntios 11:18). Que coisa triste! Assentados juntos, mas com o coração separado do seu irmão, é um sério problema. Paulo fala-lhes fortemente, pois não pode ser assim, um ajuntamento desta maneira resultará em juízo, daí vem a expressão, “ajuntar-se para pior”. Consideremos Hebreus 12:15 ... “Atentando diligentemente para que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que brotando vos perturbe e, por meio dela sejam contaminados”. Notem a palavra “brotando”, é no momento que essa raiz de amargura começa a aparecer que providências devem ser tomadas, não deixem o broto crescer, joguem fora do coração essa amargura. Amem o seu irmão ainda mesmo que ele não lhe ame (1 João 4:20).
  3. PARTIDOS - “Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós” (1 Coríntios 11:19). O grande servo de Deus nos informa, por esta carta, a formação de partidos dentro da igreja em Corinto, podemos ver o princípio satânico em vários irmãos. Vejam no versículo 12: (1) O grupo que diz ser de Apolo; (2) O grupo que diz ser de Paulo; (3) O grupo que diz ser de Pedro; (4) E o grupo que diz ser de Cristo. Por esse motivo o apóstolo Paulo exorta ironicamente: “Acaso está Cristo dividido?”. Como podiam eles tomarem a Ceia para melhor? Que assunto solene! Satanás sabe que se ele dividir o povo de Deus, o testemunho cristão cai por terra e outros não se converterão. Vale aqui lembrar as palavras do nosso Senhor Jesus Cristo em João 17:20-23 ... “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um, e como és tu, ó Pai em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia, que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim”. Observe as palavras grifadas, veja a vontade do nosso Pai, que sublimidade! Quem dera o povo de Deus atendesse a este apelo da Palavra de Deus.

Examine-se, Pois, O Homem A Si Mesmo

O modo imperativo indica que é algo que deve ser feito por nós, uma ordem a cumprir. Quando esquecemos de examinar a nós mesmos, estamos em desobediência ao Senhor. Considerando essa ordem, sentimos saltar em nossa mente duas perguntas de suma importância: (1) Por que examinar-se a si mesmo? (2) Quando deve ser feito esse exame?

Para responder a primeira pergunta temos que olhar para 1 Coríntios 11:27 ... “Aquele que comer do pão e beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”. Notem que não havendo esse exame em nossa vida, pode dar-se o fato de uma participação indigna, que traria sobre nossas vidas conseqüências trágicas. Devemos lembrar que não existe em nós dignidade para tão elevado e maravilhoso culto, mas a nossa participação deve ser de acordo com a vontade de Deus, “de modo digno”.

Para respondermos a segunda pergunta, devemos olhar para 1 João 1:7-9 ... “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”. “Andar na luz” implica em continuidade, significa que diariamente estamos bem com o nosso Deus e Pai. Como pode ser isso se somos pecadores? O sangue de Jesus faz a purificação! Nós louvamos ao Senhor por tão elevada misericórdia. O que precisamos fazer é confessar os nossos pecados diariamente: “se confessarmos os nossos pecados” (1João 1:9), e como confessar sem um reconhecimento dos mesmos? O reconhecimento vem após o exame, daí vem a ordem do Senhor: “Examine-se o homem a si mesmo, e assim (perdoado) coma do pão e beba do cálice”. Quando deve ser feito esse exame? Diariamente!

A Disciplina Do Senhor

“Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” (1 Coríntios 11:32). Toda disciplina vinda do Senhor visa um fim proveitoso para o Seu povo. Atentem para o “não sermos condenados com o mundo”. Que maravilha! Que grande Deus nós temos, estamos seguros em Suas santas mãos, sabendo que não seremos condenados com o mundo. Devemos, portanto, temê-Lo, honrá-Lo e servi-Lo de todo o nosso coração.

Conforme o versículo 30 há três formas de disciplina. “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem (pessoas que morreram)”. Fraqueza, doença e morte são disciplinas do Senhor para o cristão desobediente à Sua Santa Palavra. A única maneira de não incorrermos nestas disciplinas é julgar a nós mesmos. Notem a expressão: “Porque se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Coríntios 11:31). Devemos observar que este texto nada diz com respeito às disciplinas que devem ser aplicadas pela igreja, mas a disciplina aplicada pelo Senhor, pois “somos disciplinados pelo Senhor” (1 Coríntios11:32).

Pode ser que haja em nosso coração pecados ocultos, somente quem os praticou sabe, e é evidente que Deus o sabe também. Vamos considerar 1 Coríntios 4:5 ... “Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus”.

“Coisas ocultas das trevas”, o que serão? Sem dúvida, serão obras das trevas praticadas pelo cristão, pode ser que a pessoa esteja fazendo coisas erradas e escondendo de todos os irmãos, tais como a prática de jogos considerados impróprios (baralho, loteria etc.) ou a participação em negócios escusos. Também pode ser que o cristão tenha tido, ou até mesmo mantém às escondidas relações sexuais ilícitas. Na verdade ninguém sabe, por vezes a pessoa fica doente, ou até morre, mas uma coisa é certa a pessoa sabe e o Senhor também.

Todo pecado que se torna notório, e que temos provas suficientes, deve ser tratado pela igreja. Devemos notar que a disciplina do Senhor é mais severa, Ele tem condições de aplicar a fraqueza, doença e morte, mas Ele só o faz quando deixamos de julgar a nossa própria vida: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Coríntios11:31).

Examine-se, Pois , O Homem A Si Mesmo, E Assim Coma Do Pão E Beba Do Cálice

Devemos notar que a ordem de Deus é examinar-se a si mesmo e comer do pão e beber do cálice. Tem acontecido muito entre o povo de Deus, quem se afasta da Ceia do Senhor com o pretexto de que não está em condições ou preparado para tomar a Ceia, tal suposição não tem apoio da Bíblia. Em nenhum lugar na Bíblia encontramos ensino de que o cristão deve afastar-se da Ceia. A ordem do senhor é: “Examine-se e coma do pão e beba do cálice”. E ainda, “fazei isto em memória de mim”. Portanto, se o cristão fica em casa enquanto seus irmãos estão reunidos para Ceia, está em franca e aberta desobediência à ordem do Senhor Jesus Cristo.

Devemos lembrar que os recursos, para que nossa vida esteja em dia perante o Senhor, estão a nossa disposição. O mesmo que é o nosso Advogado é também a propiciação pelos nossos pecados: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 João 2:1-2). Portanto, todo aquele que verdadeiramente é um cristão deve ter sempre sua vida em ordem perante o Senhor e nunca deixar de se lembrar do Senhor no Partir do Pão.

A minha oração é para que o Senhor leve o Seu povo a uma maior apreciação do Senhor Jesus Cristo e a uma melhor compreensão deste culto sagrado – A CEIA DO SENHOR.

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A construção é de Deus?

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

1 Crônicas 17

Durante anos os cristãos têm se preocupado em ter um lugar fixo para a adoração a Deus e por isso gastam rios de dinheiro para ter “o lugar” ideal e mais bonito que os dos outros. E nos dias atuais se têm, equivocadamente, chamado estes lugares de “Igreja”. Mas será que estas construções são o plano de Deus ou é uma ideia nossa?

No Velho Testamento vemos o desejo de Davi em construir um lugar fixo para Deus. E apesar do seu desejo ser sincero, vemos que não veio de Deus, não era algo que Deus desejava. Isso fica claro, pois, logo após Natan ter dito a Davi que Deus estava com ele, Deus chama a atenção de Natan. Pela noite Deus declara que Davi não iria construir nada para Ele, e não era por causa do sangue em suas mãos, isso vem depois. É só termos tempo para ler o texto corretamente e vamos ver que em 1 Crônicas 17 a casa mencionada aqui e a sua descendência, que é o Senhor Jesus Cristo, em momento nenhum é mencionada a construção de um lugar para Deus habitar, a menção que Salomão iria construir o Templo é feita no capitulo 22. Quando juntamos os capítulos 17 e 22 percebemos que Davi não entendeu nada do que Deus realmente estava dizendo, pois no capitulo 17 não há menção de Salomão, devemos ter muito cuidado com as nossas interpretações.

Temos que entender que o propósito do Tabernáculo era de ser um lugar móvel que acompanhasse o povo por aonde ia, era uma forma de mostrar a todos que Deus ia com eles. Quando chegamos ao Novo Testamento, Deus deixa bem claro que o que Ele deseja não é um lugar fixo feito por mãos humanas. Em João 2:19, Jesus Cristo fala aos judeus que aquela “Casa de Deus” seria destruída e em três dias seria edificado um novo Templo: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei”. Para os judeus Jesus fala sobre o Templo, que é um símbolo visível a todos da aliança de Deus com eles, mas Cristo fala de Sua morte, fazendo referência ao que foi dito a Davi em Crônicas.

Jesus Cristo em seguida afirma para a samaritana que a verdadeira adoração a Deus não seria feita no Templo nem em algum monte e sim em espírito e em verdade: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:23-24). Paulo conclui dizendo que essa edificação somos nós que entregamos nossas vidas a Cristo: “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo e fá-los-ei membros de uma meretriz? Não, por certo” (1 Coríntios 6:15).

Porém, há algum mal em ter uma construção para o homem adorar a Deus? Nosso maior guia é a própria Palavra de Deus e em 1 Tessalonicenses 5:21 Paulo diz: “Examinai tudo. Retende o bem”. Então vamos fazer isso.

Deus aceitou a construção feita por Salomão, pois vemos que a Sua glória encheu aquele lugar: “E, acabando Salomão de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa” (2 Crônicas 7:1). Mas fica claro que foi por causa do coração sincero de Salomão e não por causa da construção propriamente dita. O que se vê depois disso na história do Templo é uma soberba do povo pela grandeza do Templo e não uma confiança em Deus.

O que se vê nos dias de hoje não é muito diferente, é uma disputa entre os irmãos das denominações e até entre si, de quem tem a igreja mais chique. Porém, o que posso afirmar é o que o próprio Cristo já fala: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mateus 23:27).  Ou seja, são igrejas belas por fora e sem vida por dentro.

Com estas construções temos de fato atraído um sistema religioso chamado clericalismo, pois são criados cargos iguais aos dos sacerdotes e levitas para a manutenção do local. Pedro, por sua vez, afirma que somos todos sacerdotes reais e que Cristo é o nosso Sumo Sacerdote: Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9), e Paulo dá o reforço dizendo que somos um só corpo e Cristo é a Cabeça (1 Coríntios 12). Quando nos reunimos em casas deixamos de nos preocupar com liderança para sermos uma verdadeira família de Deus.

Ao estabelecer um clero logo é estabelecida a liturgia, onde tudo é feito bem organizado antecipadamente, não deixando espaço para ninguém fora do clero tomar parte. Mas isso tem perigo? Sim! Primeiro deixamos de cultuar com um coração voluntário para ser algo mecânico, assim já não é nem em espírito nem em verdade. Com isso o Espírito Santo deixa de ter Sua função maior em nossa vida, a de nos conduzir em adoração a Deus.

Eu poderia citar muitos outros pontos, porém irei mencionar mais um que muito me chama a atenção, o comodismo! Igrejas com cleros fazem com que os demais irmãos se tornem dependentes dos serviços deles, e quando nos reunimos em “igreja” achamos que é responsabilidade dos clérigos pregarem e dos não cristãos procurarem a Cristo. Assim deixamos de fazer um dos propósitos do cristão: o IDE. Em nenhum momento a Palavra de Deus diz que o pecador deve ir até a uma “igreja” ouvir a Sua Palavra. Na verdade, o que Cristo diz é “ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). E ao subir Ele reafirma: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1:8). Paulo ratifica dizendo:Porquanto não há diferença entre judeu e grego, porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! (Romanos 10:12-15).

Temos negligenciado este comando por estarmos bem acomodados e mais preocupados em construir “igrejas” bonitas. Acabamos de ler que formosos não são as construções e sim os pés daqueles que pregam o Evangelho (Romanos 10:15). Com isso, só tenho mais uma pergunta a ser feita: “Temos escondido os nossos talentos”? Se temos feito isso não está na hora de fazermos algo para mudar esta história e assim quando Cristo voltar podermos ouvi-Lo dizer: “Bom servo e fiel”? Vamos sair do comodismo e usar os talentos que temos para a glória de Deus.

autor: R David Jones.
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A coroa da glória

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

1 Pedro 5:1-4

Certamente o assunto que tomamos como tema é de muita importância, visto que trata da recompensa aos anciãos que servirem de acordo com a soberana vontade de Deus. Ao discorrer sobre o assunto, é meu desejo trazer aos anciãos, incentivo para que continuem fazendo o serviço com muito amor e dedicação, e, aos crentes das igrejas locais de nosso contexto, um reconhecimento do valor destes que velam pelas almas de cada um como quem tem a responsabilidade de prestar contas (Hebreus 13:17).

No tempo em que vivemos, notamos com preocupação e tristeza que muitos irmãos e igrejas estão a desviar, deixando-se levar por pensamentos denominacionais, dividindo o povo de Deus em clero e leigos. Para evitarmos este erro, se faz necessária a volta à Palavra de Deus.

Os nomes usados para descrever a liderança da igreja local

De início é importante lembrarmos que os nomes: “ancião", “presbítero" e “bispo", referem-se à mesma pessoa. Atos 20:17 usa o nome “anciãos" na versão ARC, e “presbíteros" na versão ARA e, referindo-se ao mesmo grupo no v.28, chama-os de “bispos”, os quais são exortados a pastorearem o rebanho de Deus, estando em plena harmonia com “pastores” na ARC e “guias” na ARA, citados em Hebreus 13:7,17, porque estes guias pastoreiam o rebanho de Deus (João 21:16; 1Pedro 5:2). Em nenhum lugar no Novo Testamento, estes nomes são usados como títulos dignitários, mas para descrever o serviço ou caráter da pessoa que faz o trabalho.

A pluralidade também é destaque como se pode observar ainda em Atos 20.17 ao mandar Paulo a Éfeso chamar os presbíteros da igreja, aí notamos que igreja está no singular e presbíteros no plural. Com este exemplo e outros mais, fica claro que em cada igreja local, nunca deve ter um só irmão no exercício da liderança, mas mais do que um, exceto no começo duma igreja quando há somente um irmão, depois a quantidade dependerá do seu número de membros.

Ainda em Atos 20:28, aprendemos pela exortação de Paulo aos anciãos de Éfeso, que a constituição dos bispos numa igreja local é obra exclusiva do Espírito Santo, quando os exorta: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus”. Não existe nenhum fundamento bíblico para que se eleja, por voto direto ou indireto, um ancião ou alguém com título de pastor numa igreja.

Apascentar e pastorear o rebanho de Deus:

Encontramos estas duas ordens do Senhor Jesus, a Pedro, em João 21:15-17. Apascentar é levar ao pasto, sustentar, nutrir, e pastorear é conduzir, cuidar, guardar e proteger o rebanho. Nestas duas ordens notamos a meta do trabalho dos anciãos numa igreja local: como apascentadores eles devem alimentar o rebanho com a genuína Palavra de Deus, oferecendo alimentação adequada, leite ou sólido, dependendo da faixa etária espiritual do crente (Tito 1:9; Hebreus 5:13-14).

Como pastores, os anciãos devem estar apercebidos quando alguém do rebanho apresenta qualquer sintoma de enfermidade espiritual e logo tomar as providências necessárias, indo ao encontro deste para aplicação do remédio certo na hora certa para que o mal não se agrave e chegue a afetar outros, bem como guardar o rebanho de Deus protegendo-o dos ataques do inimigo, vindo tanto de fora como de dentro da própria igreja (Atos 20:29-30).

Para o desenvolvimento e firmeza da igreja é necessário que em cada uma haja anciãos que apascentem e pastoreiem o rebanho. Podemos perceber que apascentar e pastorear o rebanho de Deus não é tarefa fácil e é por isso que o Espírito Santo é quem constitui homens devidamente qualificados para esse trabalho (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9).

O cuidado dos presbíteros para com a igreja:

Pelo que Paulo expressa em 2 Coríntios 11:2; 12:15,20-21 e Gálatas 4:18-20 etc., temos a ideia de como um ancião sofre por se preocupar em zelar pelo rebanho. Sem dúvidas de que ainda nestes últimos tempos há muitos que estão com zelo ardente cuidando do rebanho que pertence a Deus, a Quem em breve terão que prestar contas, mas, às vezes, são mal compreendidos e criticados pelo próprio rebanho.

Como ilustração de como o trabalho é duro e da incompreensão por parte de muitos, farei menção de Gênesis 31. Este capítulo narra quando Labão persegue a Jacó, e os seus, no retorno a Canaã. Nesse contexto, chegamos aos versículos 36 a 42, quando Jacó, irado contra Labão, proferiu um desabafo mostrando a ele seu zelo e cuidado pelo rebanho nos 20 anos que o serviu, tendo seu salário mudado por dez vezes (v. 41).

Para mim o versículo 40 é um perfeito retrato do trabalho árduo dos presbíteros no cuidado do rebanho de Deus, quando disse: “De maneira que eu andava, de dia consumido pelo calor, de noite, pela geada; e o meu sono me fugia dos olhos”. Experiências idênticas a de muitos anciãos, em zelo e cuidado para com o rebanho de Deus nos nossos dias.

Quanto esforço e abnegação são necessários para o exercício deste tão importante serviço nas igrejas, pois muitos são parecidos com Labão que nunca reconheceu o trabalho de Jacó, procurando sempre prejudicá-lo. Muitos crentes não conseguem ver o serviço e o cuidado dos anciãos para com o rebanho, só enxergam os erros e sabem falar mal e criticar, se esquecem de que estes presbíteros não são super-homens infalíveis, são homens como qualquer outro, sujeitos a acertos e a erros.

Surge uma pergunta: Como os anciãos devem realizar seu trabalho?

A resposta encontra-se em 1 Pedro 5:1-3, onde encontramos três recomendações de Pedro, sendo que cada uma apresenta primeiro o aspecto negativo e, em seguida, o positivo, como segue:

No versículo 2, Pedro recomendou aos presbíteros que pastoreassem o rebanho de Deus “não por constrangimento, porém espontaneamente como Deus quer”. Pedro, que também era presbítero, exorta aos seus colegas a não fazer o serviço do Senhor por mero dever e obrigação, mas com espontaneidade. Também não fazer o trabalho por sórdida ganância, isto é, por mera remuneração como mercenários, mas devia fazê-lo de boa vontade, pensando somente no agradar a Deus e no bem do rebanho e não no lucro advindo do trabalho. No versículo 3, encontramos mais uma recomendação aos anciãos, dizendo que não deveriam se colocar acima como dominadores ou donos do rebanho, mas como exemplos.

A recompensa do trabalho dos anciãos:

Antes de ver como Pedro encerra esse assunto no versículo 4, gostaria que ficasse claro que nem todos os chamados de presbíteros nas igrejas, os são de fato, mas Deus conhece cada coração e sentimento:

1. Há aqueles que nunca foram e nem serão presbíteros, apenas estão nas igrejas, ostentando orgulhosamente o título a eles conferidos, e não têm nenhum cuidado ou compromisso com o rebanho.

2. Há os que são de fato presbíteros, levantados pelo Espírito Santo, reconhecidos pela igreja, mas não têm cuidado algum do rebanho, vivem a correr atrás, apenas, dos seus interesses pessoais.

3. Há também os presbíteros de fato e de verdade, fiéis, que se desdobram em zelo e cuidado em favor do rebanho.

Infelizmente, não tem como mudar por completo esta situação, mas no tribunal de Cristo todas as coisas serão esclarecidas e aqueles que eram meros presbíteros nominais, serão repreendidos pelo Senhor por buscarem apenas a ostentação de um título.

Para os presbíteros, que apesar de terem sidos separados e constituídos pelo Espírito Santo, nunca se dedicaram ao rebanho de Deus, preferiram cuidar de seus negócios, de sua família, do bem-estar e lazeres, sem se importar, de fato, no cuidado do rebanho, o Senhor tratará com estes, como sendo servos negligentes e receberão d’Ele Sua reprovação.

Agora, quanto àqueles que se abnegaram, se sacrificaram de muitas coisas lícitas para dedicarem-se ao cuidado do rebanho do Senhor, estes sim receberão a aprovação do Senhor Jesus dando-lhes o maior prêmio que é a “IMARCESCÍVEL COROA DA GLÓRIA”.

Conclusão de 1Pedro 5, observando agora o versículo 4, Pedro encerra o assunto estimulando aos presbíteros a terem seus olhares fixados no arrebatamento da igreja dizendo: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”. Sem dúvida que esta promessa, serviu e continua servindo de estímulo aos anciãos a continuarem empenhados neste trabalho, a semelhança de um atleta lutando segundo as normas a fim de ser coroado (2 Timóteo 2.5).

Amados irmãos presbíteros, colocados nas igrejas locais pelo Espírito Santo, para apascentar e pastorear nestes dias tão difíceis da igreja na terra, que façam o trabalho do Senhor conforme ensinado, não fugindo das regras (doutrinas), pois certamente receberão, no tribunal de Cristo e das Suas próprias mãos, a “imarcescível coroa da glória”, que alegremente poderão depositá-las diante do trono, reconhecendo que Deus é digno de toda honra, glória e poder (Apocalipse 4:4,9-11).

O tratamento da igreja para com seus anciãos:

Segundo o ensino de Paulo em 1 Tessalonicenses 5:12-13, os crentes devem acatar com estima estes irmãos que trabalham entre eles. Estes trabalhadores não possuem carteira assinada, não gozam os benefícios da lei, não procuram status, mas muitas vezes abstêm-se de um descanso, de um convívio maior com a família etc., para servir ao rebanho, e quantas vezes não são reconhecidos, sendo até desprezados por alguns.

No versículo 13, Paulo continua: “e que os tenhais com amor e máxima consideração”. No final do versículo anterior ele havia dito “vos presidem no Senhor e vos admoestam”. Toda repreensão, guiando e reconduzindo alguém errado para o caminho certo, dói, e muitos passam a sentir antipatia pelos que foram admoestá-los. Pensando nisto, foi que Paulo exortou os crentes de Tessalônica a amar com a máxima consideração os presbíteros por causa do trabalho que realizam.

Em Hebreus 13:17-24, podemos notar dois aspectos importantes que devem ser observados e praticados pelos crentes em relação aos anciãos. No versículo 17, os crentes são exortados a obedecerem e a se sujeitarem aos seus guias, e dá os motivos: Primeiro, é porque “velam por vossas almas”, isto é, vigiam constantemente; e acrescenta: “como quem deve prestar contas”. Segundo, é “para que façam isto com alegria e não gemendo”.

Talvez a palavra “incentivo” caberia muito bem aqui, porque quando os anciãos estão prestando seu serviço à igreja, em vez de críticas, rebeldia e insubmissão, verem os crentes alegres, prontamente aceitando as correções e obedecendo aos ensinos, isto lhes será um incentivo, um encorajamento para continuar fazendo o serviço com mais alegria, amor e dedicação.

O escritor aos Hebreus encerra o versículo dizendo que caso os anciãos façam o serviço gemendo, resultará somente em perda para a igreja. Irmãos, que Deus nos livre de atitudes de rebeldia e desobediência aos que Ele tem posto como liderança em cada uma das nossas igrejas.

Resta-nos considerar o versículo 24: “saudai a todos os vossos guias". Deixar de saudar qualquer crente por não se simpatizar com ele é uma atitude anticristã. Quando se trata dos anciãos então, é ainda pior, pois está se colocando contra aqueles a quem o Espírito Santo tem posto na igreja para apascentar e pastorear.

Irmãos, o princípio para a igreja continua o mesmo hoje, e por não observar estas ordens dadas pelo Espírito Santo é que muitas igrejas, lamentavelmente, têm chegado a uma verdadeira falência espiritual em condutas completamente contrária a sã doutrina.

Terminando este artigo, é minha oração e desejo, que o mesmo sirva para trazer ao povo de Deus um genuíno despertamento, voltando-se ao princípio bíblico de deixar a cargo do Espírito Santo a escolha da liderança em qualquer igreja local, pequena ou grande, para que tenham discernimento do Espírito Santo para o reconhecimento dos verdadeiros anciãos em suas localidades. Que em cada uma tenha uma pluralidade de presbíteros e não um só. Que o povo de Deus possa dar o devido valor e reconhecimento aos seus guias espirituais que tanto se esmeram no serviço do Senhor. Que os anciãos façam o trabalho do Senhor fielmente, olhando somente para o Senhor Jesus que é o Supremo Pastor, O qual dará a recompensa, a imarcescível COROA DA GLÓRIA a cada um. Amém!

N. do A.: Artigo escrito em novembro de 1996, revisado e acrescentado em julho de 2018.
Mensagens

A escolha Divina para o serviço

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

A gloriosa salvação do cristão não está limitada apenas à libertação da condenação, mas outorga-lhe o estupendo privilégio de partilhar de uma santa vocação, a qual entre outras bênçãos, faz dele um cooperador de Deus nos santos interesses do Seu reino. Deus nos escolheu e nos chamou, não para ficarmos acomodados aos nossos interesses pessoais, mas para nos envolvermos na Sua obra e nos interesses da Sua Causa. Nosso estudo trata deste aspecto do chamado do Senhor, por um lado, para encorajar o povo de Deus a ouvir o Seu chamado e, por outro, objetivando conclamar as lideranças a reconhecerem a sua responsabilidade com relação às missões.

1. O SOBERANO AUTOR DA ESCOLHA

“Disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo”
(At.13:2)

“O Senhor te escolheu” (1Cr.28:10) “Eu vos escolhi”
(Jo.15:16)

(A) ESCOLHA PELA GRAÇA SOBERANA

"Não fostes vós que me escolhestes a mim". Não foi por nossos méritos, nem por nossa capacidade. Ef.2:1-6: “Deus vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, (2) nos quais andastes outrora, seguindo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; (3) entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. (4) Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, (5) e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, (6) e juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”. Em nosso passado nada tínhamos que pudesse nos recomendar.

Era um passado triste, inútil e irremediável: Ef.2:11-13: “Lembrai-vos de que outrora vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, (12) naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo”... Somente a soberana graça de Deus poderia reverter aquele quadro, transformando aquela situação angustiosa em um passado morto, substituído por um presente feliz e glorioso: (13) “Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”.

A escolha partiu do Senhor: Foi o Espírito Santo Quem enviou a Barnabé e Saulo. Os outros textos do nosso estudo afirmam: “O Senhor te escolheu...Eu vos escolhi”. Ele não baseou a Sua escolha em nenhum fator meramente humano e ninguém de nós tinha nada a reivindicar dEle. Pelo contrário, Ele escolheu-nos não por causa, mas apesar do que nós somos. Trazendo-nos de longe para junto de Si, sem nada fazermos ou merecermos, Ele faz-nos Seus filhos e Seus herdeiros e oferece-nos Sua ampla e preciosa comunhão. Quão maravilhosa é a soberana graça do nosso Deus!

(B) ESCOLHA ESPECÍFICA E IMPARCIAL

I. Fala ao indivíduo: “O Senhor te escolheu”. Ninguém pode se esquivar, pois esta é uma palavra do Senhor para cada cristão.

II. Fala à coletividade: “Eu vos escolhi”. Aquele que nos escolheu, fez de nós seus sacerdotes santos para entrarmos no Seu santuário em adoração e sacerdotes reais para “anunciarmos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1Pe.2:6,9). III. Estimula o companheirismo: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo”. Nada de isolacionismo egoísta. Nada de individualismo exibicionista. O propósito do Senhor é que os Seus obreiros andem juntos em mútua e cordial cooperação.

IV. É sumamente honrosa. É a escolha do Supremo Criador e, portanto, uma suprema honra para os escolhidos. Somos “embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2Co.5:20).

(C) ESCOLHA COM PROPÓSITO DEFINIDO

“Para a obra a que os tenho chamado ...Vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça ... Faze a obra”. O Senhor não improvisa. Ele planeja o serviço dos Seus servos e os envia para servir naquela esfera. Ele tem autoridade para designar e, então, enviar. O fruto, nas Escrituras, comunica as idéias de caráter, conduta e serviço. Este é o sentido do vocábulo neste caso, embora o propósito do Senhor sempre compreenda os outros sentidos também. O Senhor deseja fruto que permaneça, que Lhe traga prazer, honra e glória. Ao mesmo tempo Ele requer obediência por parte dos servos e exerce a Sua autoridade ao determinar-lhes: FAZE A OBRA.

 


 

 

2. O ENCORAJAMENTO PARA OS ESCOLHIDOS

“Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram (At.13:4)
"Sê forte" (1Cr.28:10 c/ Ef.6:10-13, Jo.15:5)
“Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo” (At.1:8)

Sentimo-nos, e com muita razão, pequenos e fracos demais para realizarmos a obra de Deus. E se quisermos, de fato, servi-Lo, precisamos da Sua força. Os textos acima demonstram-nos a provisão de Deus para a realização da Sua obra.

(A) A NECESSIDADE DESSA FORÇA

"Sem mim nada podeis fazer". Para servirmos o Senhor é necessário reconhecermos a nossa extrema incapacidade. Em nós mesmos somos servos inúteis e sem valor. Para correspondermos ao chamamento do Senhor precisamos de uma força que, por natureza, não está em nossas mãos.

(B) A NATUREZA DESSA FORÇA:

I. Ela é espiritual, e, não, carnal. Em Ef.6:10-12, lemos: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”; (12) porque a nossa luta não é “contra o sangue e a carne”, e, sim, “contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. Temos um inimigo sagaz e traiçoeiro, que arma astutas ciladas para apanhar-nos de surpresa e que é muito hábil em sua estratégia. Em 2Co.2:11 lemos: "Para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios”. Além disso, ele sabe disfarçar muito bem, conta com uma hoste de auxiliares e tem um poder extraordinário que se estende por todo o mundo. Comparemos os versículos citados com 2Co.11:13-15: "Os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo”. (14) “E não é de admirar; porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. (15) “Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça". Não existem recursos humanos para mantermos essa luta. Entretanto, há um recurso sobre-humano, espiritual, preparado por Deus para o nosso uso. É um equipamento completo – a armadura de Deus! A Palavra diz em Ef.6:11-13: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo... (13) tomai toda a armadura de Deus para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”. Portanto, se, seguindo estas instruções, usarmos toda a armadura de Deus, seremos vitoriosos nesta luta sem tréguas que nos é movida pelo nosso terrível inimigo.

II. É força suficiente e disponível. O convite é amplamente feito a todos: "Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder". E todos quantos desejem beneficiar-se dessa força podem aproximar-se dEle e provarão a sublime experiência de sua ampla disponibilidade e plena suficiência. Então, poderão provar a experiência de Paulo, quando disse: "Tudo posso nAquele que me fortalece" (Fp.4:13).

III. É força irresistível. O poder eterno de Deus é demonstrado em todas as Suas obras e tem o seu ponto culminante na ressurreição de Seu Filho, conforme Ef.1:18-19: "E qual a suprema grandeza do Seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do Seu poder; (19) o qual exerceu Ele em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos e fazendo-O sentar à Sua direita nos lugares celestiais". Deus tem para nós hoje a mesma promessa que deu a Josué, a qual será cumprida à medida em que nós nos posicionarmos em plena obediência à Sua vontade: "Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo: Não te deixarei, nem te desampararei" (Js.1:5). Mas notemos a condição: "Não cesses de falar deste livro da lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito" (v. 8).

Barnabé e Saulo partiram para a obra enviados pelo Espírito Santo. Não se entregaram a uma aventura inconseqüente, mas apropriaram-se plenamente dessa extraordinária força divina e por isso é que foram tão bem sucedidos.

Ao dizer: “Sê forte”, o Senhor estava encorajando a Salomão, assegurando-lhe que poderia contar com Ele em tudo, desde que obedecesse às Suas instruções.

Ao dizer-nos: “Sem mim, nada podeis fazer”, o Senhor está nos assegurando que com Ele tudo podemos. Ele garantiu-nos o poder do Seu Espírito Santo para testificarmos ousadamente dEle neste mundo. O Deus que nos escolhe, nos equipa com todos os recursos necessários e nos garante a Sua infalível presença e o Seu infinito poder. Não é tudo isto um motivo de pleno encorajamento?


 

3. A INCUMBÊNCIA DOS ESCOLHIDOS

“Para a OBRA que os tenho chamado” – At. 13:2.
“E faze a OBRA” – 1Cr. 28:10; 1Co. 15:58; 1Tm. 3:1,15; 2Tm. 4:1-5.
“Para que VADES E DEIS FRUTOS” – Jo. 15:16.

A) CARACTERÍSTICOS DA OBRA

1. É a “Obra do Senhor", o que significa o trabalho que Ele nos deu para fazer. Podemos fazer muita coisa para o Senhor, até com muito boas intenções, sem estarmos fazendo a obra do Senhor. É somente quando fazemos tudo obedecendo à orientação da Palavra que estamos, de fato, realizando a obra do Senhor.

2. É uma obra de fé. A palavra de encorajamento à firmeza e constância no serviço vem após a estupenda exposição da gloriosa ressurreição do Senhor. É pela fé no Cristo ressuscitado, exaltado e glorificado que podemos trabalhar fiel e intensamente e podemos permanecer "firmes e inabaláveis". Sua Palavra e Suas promessas nos sustentam em nossos esforços no Seu serviço.

3. É uma obra pesada e fatigante. As palavras "trabalho" e "obra" no Novo Testamento, traduzem, na maior parte da vezes, duas palavras gregas: "Ergon" e "Kopos". O vocábulo "Ergon" compreende todo tipo de serviço, inclusive atividade leve e agradável, mas a palavra "Kopos" indica labor fatigante, trabalho pesado e incômodo. Trabalhar na obra de Deus é, de fato, um prazer, mas exige muito dispêndio de energia, pois a sua atividade é, por vezes, difícil, penosa e fatigante. A forma verbal "kopiao", correspondente ao substantivo "kopos", significa trabalhar arduamente, estar sobrecarregado de trabalho, labutar, fatigar-se no labor. Paulo usa este verbo quando diz, em At. 20:34-35, que trabalhou arduamente com as próprias mãos para sustentar-se a si mesmo e aos seus companheiros. E, em Cl. 1:29, falando de seu empenho em ministrar Cristo aos homens, ele afirma: "Para isso é que eu me afadigo, esforçando-me (agonizando) o mais possível". O mesmo pensamento é comunicado em 1Tm. 4:10, onde lemos: "Para este fim é que labutamos". E, em 1Tm. 5:17, Paulo fala sobre presbíteros que se "afadigam na Palavra e na doutrina". Quem quer uma vida cômoda não pode servir a Deus. Convém notar que Barnabé e Saulo foram escolhidos para aquela obra especial porque estavam em plena comunhão e serviço na igreja local em Antioquia. É significativa a menção de que foi quando eles estavam ali servindo ao Senhor que o Espírito Santo os separou.

Isto indica que a igreja local deve ser o centro de irradiação da obra. De Jerusalém, onde começou, ela expandiu-se para muitos lugares. Muitos mudaram-se de Jerusalém e onde foram pregaram a mensagem que conduziu muitas almas ao Salvador, disto resultando o início de uma florescente igreja em Antioquia. A Igreja em Jerusalém não estava alheia ao fato, tanto que, ao ouvir o que se passava, enviou Barnabé para lá, não como chefe eclesiástico, para ditar ordens, mas como um obreiro competente e fiel, para constatar a veracidade das notícias recebidas e estender à igreja ali a mão de comunhão da igreja em Jerusalém.

Tendo a confirmação de que o Senhor estava operando poderosamente ali, Barnabé identificou-se com a novel igreja e partiu em busca de Saulo, com quem trabalhou naquela igreja até que o Espírito Santo os enviou para a sua primeira viagem missionária. É notável que antes daquele chamado Barnabé e Saulo tinham sido enviados a Jerusalém a fim de levar socorro da igreja em Antioquia para os irmãos da Judéia e, como diz Atos 12:25, “cumprida a sua missão, voltaram” à igreja em Antioquia, que os havia enviado. Isto quer dizer que quando se fala em missões, fala-se numa obra da igreja local, da qual não deve ela se omitir.

B) A ESFERA DE AÇÃO DA OBRA

I. A IGREJA DE DEUS (1Tm. 3:15). Cada cristão é feito por Deus um membro da Sua Igreja e é escolhido por Ele para servir nela. Ao nascer de novo cada crente é feito um filho e um sacerdote de Deus, nascido na Sua grande família sacerdotal. Notemos alguns aspectos do exercício desse sacerdócio.

a) A adoração. Cada cristão é um sacerdote santo: "Vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo" (1Pe. 2:5). O ponto culminante da obra de Deus é a adoração, sendo esta a mais elevada ocupação do cristão individualmente e da Igreja como um todo. Deus está procurando antes e acima de tudo adoradores por Ele habilitados a adorar "em Espírito e em verdade” (Jo. 4:23-24).

b) A supervisão (1Tm. 3:1). O episcopado é a tarefa árdua de cuidar do povo de Deus. É uma tarefa confiada por Deus aos "bispos", ou "presbíteros". Eles são identificados como presbíteros em razão de sua experiência e maturidade espiritual – a palavra "presbítero" significa "mais velho"; e são identificados como bispos em razão de sua função de superintender a igreja. Várias palavras bíblicas indicam as funções destes servos de Deus: pastorear, governar, presidir, guiar, governar, cuidar, velar e apascentar. Todos estes vocábulos indicam claramente a pesada tarefa colocada por Deus sobre os ombros destes Seus servos, recomendando-lhes solenemente: "Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiubispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual Ele comprou com o Seu próprio sangue" (At. 20:28). E mais: "Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangidos, mas espontaneamente, como Deus quer; (3) nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho. (4) Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa de glória" (1Pe. 5:2-4). Isto significa que os presbíteros não têm o direito de agir com prepotência sobre o rebanho, tendo em mente que eles não são os proprietários, e, sim, despenseiros, aos quais o Senhor, o Supremo Pastor e legítimo Proprietário, confiou as ovelhas. Eles terão de prestar contas dessa mordomia.

c) A edificação. Cristo tem de ser ministrado entre os santos para a sua edificação na fé e conseqüente crescimento espiritual. Isto deve ser feito pelo ministério fiel da Palavra manifestando as supremas glórias, belezas e perfeições do Senhor Jesus Cristo, o CENTRO para o Qual devem os santos estar voltados. As doutrinas da fé devem ser fielmente expostas a fim de salvaguardar os cristãos do perigo das falsas doutrinas que nos rondam. Todos os privilégios e responsabilidades dos fiéis devem ser claramente apresentados para seu encorajamento, exortação e advertência.

Para o exercício dessa obra Deus tem conferido dons aos Seus servos e cada um deve, com humildade, exercer as suas faculdades espirituais para descobrir qual foi a parte que Deus lhe designou neste maravilhoso plano.

II. O MUNDO PERDIDO (Is. 6:1-8; Mt. 9:36). Quão grande é a necessidade da humanidade! Milhões estão se debatendo nas trevas da ignorância e do pecado e precisam ouvir o Evangelho da salvação. Não podemos pensar nisto sem nos lembrarmos de que o Senhor diz a cada um de nós: “Eu vos escolhi e vos designei para que vades”. Cada um individualmente deve ouvir a voz Divina a dizer-lhe: “O Senhor te escolheu... sê forte e faze a obra"! Para isto Deus fez de cada cristão um sacerdote real: "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1Pe. 2:9). Notemos os requisitos indispensáveis à realização desta obra:

a) Visão. Sem uma visão do mundo perdido em seus pecados não teremos condição de evangelizá-lo. Como aconteceu com Isaías, no templo, precisamos de uma visão do alto e de dentro, para, então, alcançarmos a visão das grandes necessidades de fora. A visão da glória de Deus e da nossa miséria e indignidade e a aplicação do Seu recurso purificador abrirá os nossos olhos para vermos o que o Senhor vê – "as multidões aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor" (Mt. 9:36).

b) Compaixão. É preciso ver como o Senhor e sentir como o Senhor. Em Mt. 9:36, lemos que Ele vendo as multidões, compadeceu-se delas. Se não formos possuídos daquela mesma compaixão jamais conseguiremos realizar esta importante obra.

c) Prontidão. Depois de iluminado, despertado e purificado, Isaías respondeu prontamente: "Eis-me aqui, envia-me a mim"! Quando o Senhor chamou os discípulos, prometendo fazer deles "pescadores de homens", eles deixaram imediatamente as suas redes e O seguiram. Sem disposição e desprendimento por parte de cada um de nós a obra não será realizada.

É grande o prejuízo da nossa omissão nesta parte. A Palavra diz: "Como invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão SE NÃO HÁ QUEM PREGUE?"

O custo desta obra é muito elevado. Ela exige grande dose de determinação e auto-renúncia, mas o resultado é extraordinariamente compensador: "Os que com lágrimas semeiam, comjúbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes" (Sl. 126:5-6). Tal foi a experiência de Paulo quando, dirigindo-se aos cristãos de Filipos, frutos do seu penoso trabalho, pôde dizer: "Meus irmãos amados... minha alegria e coroa". E, aos crentes tessalonicenses: "Quem é a nossa esperança, ou coroa em que exultamos na presença de nosso Senhor Jesus em Sua vinda? Não sois vós? Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria"!

Eia, pois, irmãos! Nosso trabalho na "obra do Senhor não é vão. Atendamos, portanto, à Sua chamada e regozijemo-nos no privilégio da Sua sublime escolha. Ouçamos a voz do Espírito: “Apartai-me... para a obra a que os tenho chamado”. Ouçamos a voz do Filho: “Eu vos escolhi e vos enviei...”. Ouçamos a voz do Pai celeste: “O Senhor te escolheu... sê forte e faze a obra"!

 

autor: Luiz Soares.
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A Escolha Divina Para o Serviço - 2

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

2. O ENCORAJAMENTO PARA OS ESCOLHIDOS

“Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram (At.13:4) 
"Sê forte" (1Cr.28:10 c/ Ef.6:10-13, Jo.15:5) 
“Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo” (At.1:8)

Sentimo-nos, e com muita razão, pequenos e fracos demais para realizarmos a obra de Deus. E se quisermos, de fato, servi-Lo, precisamos da Sua força. Os textos acima demonstram-nos a provisão de Deus para a realização da Sua obra.

(A) A NECESSIDADE DESSA FORÇA

"Sem mim nada podeis fazer". Para servirmos o Senhor é necessário reconhecermos a nossa extrema incapacidade. Em nós mesmos somos servos inúteis e sem valor. Para correspondermos ao chamamento do Senhor precisamos de uma força que, por natureza, não está em nossas mãos.

(B) A NATUREZA DESSA FORÇA:

I. Ela é espiritual, e, não, carnal. Em Ef.6:10-12, lemos: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”; (12) porque a nossa luta não é “contra o sangue e a carne”, e, sim, “contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. Temos um inimigo sagaz e traiçoeiro, que arma astutas ciladas para apanhar-nos de surpresa e que é muito hábil em sua estratégia. Em 2Co.2:11 lemos: "Para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios”. Além disso, ele sabe disfarçar muito bem, conta com uma hoste de auxiliares e tem um poder extraordinário que se estende por todo o mundo. Comparemos os versículos citados com 2Co.11:13-15: "Os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo”. (14) “E não é de admirar; porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. (15) “Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça". Não existem recursos humanos para mantermos essa luta. Entretanto, há um recurso sobre-humano, espiritual, preparado por Deus para o nosso uso. É um equipamento completo – a armadura de Deus! A Palavra diz em Ef.6:11-13: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo... (13) tomai toda a armadura de Deus para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”. Portanto, se, seguindo estas instruções, usarmos toda a armadura de Deus, seremos vitoriosos nesta luta sem tréguas que nos é movida pelo nosso terrível inimigo.

II. É força suficiente e disponível. O convite é amplamente feito a todos: "Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder". E todos quantos desejem beneficiar-se dessa força podem aproximar-se dEle e provarão a sublime experiência de sua ampla disponibilidade e plena suficiência. Então, poderão provar a experiência de Paulo, quando disse: "Tudo posso nAquele que me fortalece" (Fp.4:13).

III. É força irresistível. O poder eterno de Deus é demonstrado em todas as Suas obras e tem o seu ponto culminante na ressurreição de Seu Filho, conforme Ef.1:18-19: "E qual a suprema grandeza do Seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do Seu poder; (19) o qual exerceu Ele em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos e fazendo-O sentar à Sua direita nos lugares celestiais". Deus tem para nós hoje a mesma promessa que deu a Josué, a qual será cumprida à medida em que nós nos posicionarmos em plena obediência à Sua vontade: "Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo: Não te deixarei, nem te desampararei" (Js.1:5). Mas notemos a condição: "Não cesses de falar deste livro da lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito" (v. 8).

Barnabé e Saulo partiram para a obra enviados pelo Espírito Santo. Não se entregaram a uma aventura inconseqüente, mas apropriaram-se plenamente dessa extraordinária força divina e por isso é que foram tão bem sucedidos.

Ao dizer: “Sê forte”, o Senhor estava encorajando a Salomão, assegurando-lhe que poderia contar com Ele em tudo, desde que obedecesse às Suas instruções.

Ao dizer-nos: “Sem mim, nada podeis fazer”, o Senhor está nos assegurando que com Ele tudo podemos. Ele garantiu-nos o poder do Seu Espírito Santo para testificarmos ousadamente dEle neste mundo. O Deus que nos escolhe, nos equipa com todos os recursos necessários e nos garante a Sua infalível presença e o Seu infinito poder. Não é tudo isto um motivo de pleno encorajamento?

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autor: Luiz Soares.
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A Escolha Divina Para o Serviço - 3

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

3. A INCUMBÊNCIA DOS ESCOLHIDOS

“Para a OBRA que os tenho chamado” – At. 13:2. 
“E faze a OBRA” – 1Cr. 28:10; 1Co. 15:58; 1Tm. 3:1,15; 2Tm. 4:1-5. 
“Para que VADES E DEIS FRUTOS” – Jo. 15:16.

A) CARACTERÍSTICOS DA OBRA

1. É a “Obra do Senhor", o que significa o trabalho que Ele nos deu para fazer. Podemos fazer muita coisa para o Senhor, até com muito boas intenções, sem estarmos fazendo a obra do Senhor. É somente quando fazemos tudo obedecendo à orientação da Palavra que estamos, de fato, realizando a obra do Senhor.

2. É uma obra de fé. A palavra de encorajamento à firmeza e constância no serviço vem após a estupenda exposição da gloriosa ressurreição do Senhor. É pela fé no Cristo ressuscitado, exaltado e glorificado que podemos trabalhar fiel e intensamente e podemos permanecer "firmes e inabaláveis". Sua Palavra e Suas promessas nos sustentam em nossos esforços no Seu serviço.

3. É uma obra pesada e fatigante. As palavras "trabalho" e "obra" no Novo Testamento, traduzem, na maior parte da vezes, duas palavras gregas: "Ergon" e "Kopos". O vocábulo "Ergon" compreende todo tipo de serviço, inclusive atividade leve e agradável, mas a palavra "Kopos" indica labor fatigante, trabalho pesado e incômodo. Trabalhar na obra de Deus é, de fato, um prazer, mas exige muito dispêndio de energia, pois a sua atividade é, por vezes, difícil, penosa e fatigante. A forma verbal "kopiao", correspondente ao substantivo "kopos", significa trabalhar arduamente, estar sobrecarregado de trabalho, labutar, fatigar-se no labor. Paulo usa este verbo quando diz, em At. 20:34-35, que trabalhou arduamente com as próprias mãos para sustentar-se a si mesmo e aos seus companheiros. E, em Cl. 1:29, falando de seu empenho em ministrar Cristo aos homens, ele afirma: "Para isso é que eu me afadigo, esforçando-me (agonizando) o mais possível". O mesmo pensamento é comunicado em 1Tm. 4:10, onde lemos: "Para este fim é que labutamos". E, em 1Tm. 5:17, Paulo fala sobre presbíteros que se "afadigam na Palavra e na doutrina". Quem quer uma vida cômoda não pode servir a Deus. Convém notar que Barnabé e Saulo foram escolhidos para aquela obra especial porque estavam em plena comunhão e serviço na igreja local em Antioquia. É significativa a menção de que foi quando eles estavam ali servindo ao Senhor que o Espírito Santo os separou.

Isto indica que a igreja local deve ser o centro de irradiação da obra. De Jerusalém, onde começou, ela expandiu-se para muitos lugares. Muitos mudaram-se de Jerusalém e onde foram pregaram a mensagem que conduziu muitas almas ao Salvador, disto resultando o início de uma florescente igreja em Antioquia. A Igreja em Jerusalém não estava alheia ao fato, tanto que, ao ouvir o que se passava, enviou Barnabé para lá, não como chefe eclesiástico, para ditar ordens, mas como um obreiro competente e fiel, para constatar a veracidade das notícias recebidas e estender à igreja ali a mão de comunhão da igreja em Jerusalém.

Tendo a confirmação de que o Senhor estava operando poderosamente ali, Barnabé identificou-se com a novel igreja e partiu em busca de Saulo, com quem trabalhou naquela igreja até que o Espírito Santo os enviou para a sua primeira viagem missionária. É notável que antes daquele chamado Barnabé e Saulo tinham sido enviados a Jerusalém a fim de levar socorro da igreja em Antioquia para os irmãos da Judéia e, como diz Atos 12:25, “cumprida a sua missão, voltaram” à igreja em Antioquia, que os havia enviado. Isto quer dizer que quando se fala em missões, fala-se numa obra da igreja local, da qual não deve ela se omitir.

B) A ESFERA DE AÇÃO DA OBRA

I. A IGREJA DE DEUS (1Tm. 3:15). Cada cristão é feito por Deus um membro da Sua Igreja e é escolhido por Ele para servir nela. Ao nascer de novo cada crente é feito um filho e um sacerdote de Deus, nascido na Sua grande família sacerdotal. Notemos alguns aspectos do exercício desse sacerdócio.

a) A adoração. Cada cristão é um sacerdote santo: "Vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo" (1Pe. 2:5). O ponto culminante da obra de Deus é a adoração, sendo esta a mais elevada ocupação do cristão individualmente e da Igreja como um todo. Deus está procurando antes e acima de tudo adoradores por Ele habilitados a adorar "em Espírito e em verdade” (Jo. 4:23-24).

b) A supervisão (1Tm. 3:1). O episcopado é a tarefa árdua de cuidar do povo de Deus. É uma tarefa confiada por Deus aos "bispos", ou "presbíteros". Eles são identificados como presbíteros em razão de sua experiência e maturidade espiritual – a palavra "presbítero" significa "mais velho"; e são identificados como bispos em razão de sua função de superintender a igreja. Várias palavras bíblicas indicam as funções destes servos de Deus: pastorear, governar, presidir, guiar, governar, cuidar, velar e apascentar. Todos estes vocábulos indicam claramente a pesada tarefa colocada por Deus sobre os ombros destes Seus servos, recomendando-lhes solenemente: "Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiubispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual Ele comprou com o Seu próprio sangue" (At. 20:28). E mais: "Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangidos, mas espontaneamente, como Deus quer; (3) nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho. (4) Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa de glória" (1Pe. 5:2-4). Isto significa que os presbíteros não têm o direito de agir com prepotência sobre o rebanho, tendo em mente que eles não são os proprietários, e, sim, despenseiros, aos quais o Senhor, o Supremo Pastor e legítimo Proprietário, confiou as ovelhas. Eles terão de prestar contas dessa mordomia.

c) A edificação. Cristo tem de ser ministrado entre os santos para a sua edificação na fé e conseqüente crescimento espiritual. Isto deve ser feito pelo ministério fiel da Palavra manifestando as supremas glórias, belezas e perfeições do Senhor Jesus Cristo, o CENTRO para o Qual devem os santos estar voltados. As doutrinas da fé devem ser fielmente expostas a fim de salvaguardar os cristãos do perigo das falsas doutrinas que nos rondam. Todos os privilégios e responsabilidades dos fiéis devem ser claramente apresentados para seu encorajamento, exortação e advertência.

Para o exercício dessa obra Deus tem conferido dons aos Seus servos e cada um deve, com humildade, exercer as suas faculdades espirituais para descobrir qual foi a parte que Deus lhe designou neste maravilhoso plano.

II. O MUNDO PERDIDO (Is. 6:1-8; Mt. 9:36). Quão grande é a necessidade da humanidade! Milhões estão se debatendo nas trevas da ignorância e do pecado e precisam ouvir o Evangelho da salvação. Não podemos pensar nisto sem nos lembrarmos de que o Senhor diz a cada um de nós: “Eu vos escolhi e vos designei para que vades”. Cada um individualmente deve ouvir a voz Divina a dizer-lhe: “O Senhor te escolheu... sê forte e faze a obra"! Para isto Deus fez de cada cristão um sacerdote real: "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1Pe. 2:9). Notemos os requisitos indispensáveis à realização desta obra:

a) Visão. Sem uma visão do mundo perdido em seus pecados não teremos condição de evangelizá-lo. Como aconteceu com Isaías, no templo, precisamos de uma visão do alto e de dentro, para, então, alcançarmos a visão das grandes necessidades de fora. A visão da glória de Deus e da nossa miséria e indignidade e a aplicação do Seu recurso purificador abrirá os nossos olhos para vermos o que o Senhor vê – "as multidões aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor" (Mt. 9:36).

b) Compaixão. É preciso ver como o Senhor e sentir como o Senhor. Em Mt. 9:36, lemos que Ele vendo as multidões, compadeceu-se delas. Se não formos possuídos daquela mesma compaixão jamais conseguiremos realizar esta importante obra.

c) Prontidão. Depois de iluminado, despertado e purificado, Isaías respondeu prontamente: "Eis-me aqui, envia-me a mim"! Quando o Senhor chamou os discípulos, prometendo fazer deles "pescadores de homens", eles deixaram imediatamente as suas redes e O seguiram. Sem disposição e desprendimento por parte de cada um de nós a obra não será realizada.

É grande o prejuízo da nossa omissão nesta parte. A Palavra diz: "Como invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão SE NÃO HÁ QUEM PREGUE?"

O custo desta obra é muito elevado. Ela exige grande dose de determinação e auto-renúncia, mas o resultado é extraordinariamente compensador: "Os que com lágrimas semeiam, comjúbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes" (Sl. 126:5-6). Tal foi a experiência de Paulo quando, dirigindo-se aos cristãos de Filipos, frutos do seu penoso trabalho, pôde dizer: "Meus irmãos amados... minha alegria e coroa". E, aos crentes tessalonicenses: "Quem é a nossa esperança, ou coroa em que exultamos na presença de nosso Senhor Jesus em Sua vinda? Não sois vós? Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria"!

Eia, pois, irmãos! Nosso trabalho na "obra do Senhor não é vão. Atendamos, portanto, à Sua chamada e regozijemo-nos no privilégio da Sua sublime escolha. Ouçamos a voz do Espírito: “Apartai-me... para a obra a que os tenho chamado”. Ouçamos a voz do Filho: “Eu vos escolhi e vos enviei...”. Ouçamos a voz do Pai celeste: “O Senhor te escolheu... sê forte e faze a obra"!

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autor: Luiz Soares.
Mensagens

A fachada religiosa

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

Isaías 1:1–20

Tiago foi enfático ao declarar que a fé sem obras é morta, é inativa, inoperante, infrutífera e inerte, é como um cadáver. A fé cristã não consiste só em professar, mas, sim, também, em praticar. Alguém observou que a fé e as obras são como a luz e o calor que irradiam duma vela acesa; não é possível separá-las. Foi Augustus M. Toplady quem disse: “Se Deus dá-te fé como a que deu a Paulo, logo te dará o poder para praticar as obras exigidas por Tiago”. Thomas Manton comentou: “A fé não é uma verdade ociosa”.

Uma das coisas que despertam o ódio de Deus é a hipocrisia (Mc 12.15; Lc 6.42; 12.1; 13.15). Na verdade, a hipocrisia, isto é, o fato de não ser uma coisa nem outra, nem quente, nem frio, faz com que Deus vomite (Ap 3.16). Deus quer que sejamos crentes genuínos.

Isaías foi enviado da parte de Deus para denunciar a corrupção, o formalismo e a hipocrisia que reinavam entre o povo de Deus. A sua mensagem foi dirigida a um povo – Judá (1.1) e a um país, cuja capital era Jerusalém (1.1). Porém, a mesma mensagem serve para nós, no Brasil ou em qualquer outra nação. Convém que reconheçamos a importância do recado, pois vem do trono de Deus – “porque o Senhor é Quem fala” (1.2).

A culpa da péssima condição moral e espiritual de Judá não poderia ser atribuída a Deus. Deus não é infiel, hipócrita e nem instável. Judá acusou Deus de abandonar a nação, mas Ele comprova a falsidade daquela acusação. Naqueles dias, o homem era obrigado a dar uma carta de divórcio à esposa a quem fosse repudiar. Judá era incapaz de apresentar uma carta de divórcio (Is 50.1), fato este que declara a inocência de Deus, comprovando que não foi Ele Quem deixou a nação, mas foi a nação que O abandonou. Deus é verdadeiro e a Sua fidelidade à nação de Judá era inquestionável.

Logo no início desta profecia Deus declara e prova o Seu carinho e cuidado. Judá era como um filho (1.2). A nação de Israel era a menor de todas as nações, contudo Deus a escolhera para ser o objeto especial do Seu amor e atenções, e o repositório das Suas leis.

1. UM PRONUNCIAMENTO DELATOR — vv. 1-2.

Deus fez de Judá uma grande nação, tanto numérica, quanto política e economicamente. Era como um filho de Deus (Êx 4.22-23; Dt 32.20), mas tornou-se um filho infiel e rebelde (Dt 32.20). Deus acusou-os de serem:

Insensíveis – v. 5. Embora castigado e disciplinado por Deus, o povo de Judá continuou rebelde, indiferente e insensível à Sua voz. Os muitos açoites não surtiram efeito. Deus, como Pai, não tinha prazer em afligir os filhos, porém, a apatia, frieza, inércia e descaso do Seu povo, aumentaram a Sua tristeza.

Ingratos – v. 2. Judá estava a cuspir no prato em que comeu, pois revoltou-se contra o Senhor, desprezou os Seus benefícios.

Como crentes, precisamos ficar por muito tempo perante o espelho da Palavra. Como é fácil censurarmos Judá e sermos culpados das mesmas deficiências. A Palavra de Deus deixou de ser o Guia infalível da maioria dos crentes. Somos deficientes auditivos, ou, talvez, seja o caso de sermos duros de ouvidos. Somos ingratos, como os nove leprosos, não voltamos para agradecer a Deus. Seria bom se dedicássemos alguns momentos para soliloquiar, manter monólogos com a nossa própria alma: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor e não te esqueças de nem um só de Seus benefícios” (Sl 103.2). Sim, devemos preencher grande parte do dia em louvar a Deus pela saúde, família, lar, sustento, emprego, amigos, irmãos em Cristo, a salvação, a nossa herança espiritual.

2. UM PECADO DENUNCIADO — v. 3

Em muitas coisas a criação de Deus é mais inteligente, mais grata e confia mais nEle do que nós, seres humanos. O boi reconhece o seu dono e o jumento (símbolo de burrice e obstinação) conhece a manjedoura do seu proprietário, volta para lá para se alimentar e descansar, porém, o próprio povo de Deus nada sabe dEle, não se importa com Ele. Notemos algumas expressões importantes usadas por Deus com referência ao relacionamento do Seu povo com Ele:

“Meu povo”- Que privilégio pertencermos ao Senhor, sermos a Sua propriedade exclusiva, rebanho, noiva, corpo, santuário! Somos a Sua nova criação, Ele é o Oleiro divino, mas, lamentavelmente, não descansamos nas Suas mãos onipotentes para que Ele nos molde segundo o Seu querer.

Talvez não empreguemos as palavras, mas pelo nosso comportamento negamos o nosso relacionamento com Cristo. Negamos a nossa associação com o Senhor. A exemplo de Pedro, estamos a dizer: “Não O conheço” (Mc 14.68). Naquela ocasião o galo cantou; ele não se recusou a confessar que pertencia a Deus, ele obedeceu às ordens do seu Criador. Se fôssemos atentos ouviríamos a voz do galo como uma voz de alerta, estimulando-nos à vigilância, mas ao contrário disto, fechamos os nossos ouvidos e vivemos divorciados do Senhor. Ele não reina em nós, nas igrejas locais, não faz parte integrante do nosso dia-a-dia, das nossas decisões cotidianas.

“Possuidor” e “Dono” - Os dois termos não são sinônimos. “Possuidor” tem um leque de sentidos que inclui “criador”, “comprar”, “redimir” e até “provocar ciúmes”. Jesus Cristo é o nosso Criador, foi Ele Quem deu a vida para nos possuir e remir. Fomos comprados por bom preço. Somos duas vezes do Senhor: a primeira vez pela criação e, a segunda vez, pela redenção. Isto significa que não nos pertencemos a nós mesmos, mas, sim, ao nosso Possuidor. Poucos crentes reconhecem o direito do Senhor de reger as suas vidas. “Dono” comunica o pensamento de “senhor”, “mestre” ou “marido”. Nisto temos a idéia de liderança, de autoridade suprema, do ato de governar.

Quantas vezes provocamos o nosso Senhor a ciúmes, pois, como Judá, temos transferido o nosso amor para outros, ajoelhamo-nos perante o altar de outros deuses, tais como: o comércio, o progresso material, o sexo, o estudo, a profissão, a busca frenética de riquezas; curvamo-nos perante o altar do nosso ego, do nosso sucesso, da nossa politicagem religiosa. Somos como os atenienses, temos construído muitos altares aos deuses do século 21, inclusive ao deus desconhecido. Sim, temos abandonado o nosso primeiro amor, Jesus Cristo não é o Senhor absoluto e singular do nosso ser, mas, é apenas um entre muitos.

É lamentável que, nesta época avançada, tenhamos um conhecimento tão limitado e fragmentário dAquele que é o nosso Senhor. A noiva de Cantares de Salomão era capaz de descrever em detalhes a beleza do seu noivo, mas, infelizmente, a noiva de Cristo não tem a mesma habilidade, pois, como Israel, não tem conhecimento, não entende (Fp 3.10).

 


 

 


3. UM POVO DOENTE — vv. 4–6.

Nestes versículos, o Espírito Santo revela três coisas a respeito da nação de Judá, ou sejam: O seu caráter, a sua condição e a sua conduta.

a) O SEU CARÁTER (v. 14a) - As palavras do Senhor eram duras, a Sua denúncia, severa. Ele não rodeou o assunto, não tentou pintar um quadro bonito, não tentou esconder a podridão da nação, mas foi direto ao assunto, atacou a jugular de Judá e deixou-a exposta e nua na presença de todos. A descrição não é nada agradável, é chocante e arrepiante.

“Nação pecaminosa, ou pecadora” - Deus escolheu a nação de Israel para que fosse santa (Ex 19.6), mas ela tornou-se ímpia e impura. O verniz de algumas igrejas é débil e superficial e não serve para esconder a desonestidade, a podridão, o pecado. Somos como os fariseus, não passamos de sepulcros caiados.

“Povo carregado de iniqüidade” - “A culpa do povo de Israel é tão grande que eles andam curvados com o peso de iniqüidade” (B.V). O Senhor cumulou o povo de bênçãos: “Bendito seja o Senhor que, dia a dia, nos carrega com benefícios” (Sl 68.19, Versão Britânica). É preferível ser um povo carregado com as bênçãos divinas do que ser um povo carregado de iniqüidade. Não estranhamos ao ver as pessoas sem Cristo “sobrecarregadas” de iniqüidade (Mt 11.28), mas ver o povo de Deus a carregar voluntariamente o peso do pecado é algo que aflige o coração do Senhor e traz tristeza à liderança espiritual da igreja.

“Raça de malignos ou malfeitores” - A palavra “raça” tem a ver com “fruto”, “planta”, “posteridade”. Israel era como uma vinha plantada pelo Senhor, e de quem o Senhor esperava uvas boas, mas produziu uvas bravas (Is 5.1-2). O povo de Deus tornou-se uma raça de malfeitores. O vocábulo “malfeitor” transmite a idéia de “estragar por quebrar em pedaços”. O povo estragou a nação por quebrar as leis de Deus. Quem se desvia dos caminhos do Senhor torna-se um malfeitor, “um inútil”, “um que não presta”. A nossa desobediência torna-nos inúteis, pessoas que não prestam para o serviço de Deus.

“Filhos corruptores, ou dados à corrupção” - Em vez de serem filhos de Deus e revelarem a Sua natureza e o Seu caráter, eles tornaram-se filhos dados à corrupção e chegaram a perverter outras pessoas. É sério para o crente viver em pecado, mas é seriíssimo quando leva outros a praticar o erro. O termo tem uma ligação com “arruinar”, “jogar fora”, “perder”, “estragar” e “tornar totalmente debilitado”. Uma vida de corrupção e que influencia outros a se corromperem é uma vida perdida, estragada, arruinada e totalmente debilitada. Que cena que inspira dó!

b) A SUA CONDIÇÃO (vv. 5b–6) - Quando a noiva foi convidada a descrever o amado, ela começou a falar da cabeça e depois dos olhos, das faces, dos lábios, das mãos, das pernas e dos pés. Ela só achou beleza e perfeição (Ct 5.10-16). Ao contemplar Judá, Deus viu uma nação cancerosa, na qual foi incapaz de ver uma só parte que não fosse doente e estivesse a emitir um horrível cheiro. Desde a planta do pé até a cabeça, a nação apresentava sinais de estar doente. O pecado e a corrupção penetraram todas as camadas da sociedade e todas as áreas da nação. O Espírito Santo emprega palavras dignas da nossa atenção.

“Feridas” ou “machucados” - A raiz da palavra é “racha, fenda ou divisão”. As rachas e as divisões que existem nas igrejas locais não são virtudes e nem medalhas, mas aos olhos do Senhor são como feridas. Os fatos comprovam que 99% das divisões que já ocorreram, não aconteceram por divergências doutrinárias, mas por causa de inveja, lutas pelo poder, choque de personalidades, orgulho ferido ou por coisas que não têm respaldo na Palavra de Deus ou para as quais não temos diretrizes claras da parte do Senhor.

“Contusões” ou “vergões” - São marcas deixadas na pele por chicotadas que ferem e que deixam o corpo coberto de manchas roxas. Os pretores mandaram açoitar Paulo e Silas, mas o carcereiro convertido, lavou-lhes os vergões dos açoites. Alguns líderes e ministrantes da Palavra são como os pretores de Filipos. Quantos irmãos carregam os vergões dos açoites! Muitas vezes os próprios crentes agem como o endemoninhado e se autoflagelam. A sua obstinação traz conseqüências que são infligidas por eles mesmos.

“Chagas inflamadas” ou “Ferimentos abertos” - A palavra é “carnificina” ou “pestilência”. O vocábulo, além de comunicar a idéia de “pingar”, “úmido” e “purulento”, também, indica que os ferimentos eram recentes. A história da Igreja apresenta muitos exemplos das conseqüências daquilo que acontece quando desrespeitamos o Senhor e a Sua Palavra, porém, as igrejas de hoje continuam a praticar os mesmos erros. A história recente proporciona evidências de que muitas igrejas apresentam chagas inflamadas, sinais de brigas travadas e crueldade implacável.

O Senhor Deus lamentou que nenhuma tentativa estava a ser feita para contornar a situação. As feridas não foram:

“Espremidas” - Esta palavra realmente quer dizer “fechar”, “apertar”, “juntar”. Quantas feridas entre irmãos são deixadas abertas, não há nenhum esforço para tratar e fechar as feridas, juntar ou aproximar os lados opostos. Em muitos casos, alguns procuram inflamar e piorar a situação.

“Atadas” - “Envolver”, “embrulhar”, “deitar em volta”. O mundo lá fora tem conhecimento dos males que afligem as igrejas locais, das coisas vergonhosas que acontecem no meio do povo. Não está na hora de procurarmos o Médico divino para que Ele feche as feridas, sare os males e as cubra com a Sua graça?

“Amolecidas” - Quanta dureza, resistência, intransigência existem no coração dos crentes. Não há aquela disposição ou humildade necessárias para resolver as questões. Azeite é um símbolo do Espírito Santo e é a operação do Espírito que torna o coração mole e terno, compassivo e tratável. É Ele que dá a cada um a humildade para admitir a culpa ou para perdoar.

c) A SUA CONDUTA (v. 4b) - Jeová acusou a nação de 3 atitudes feias e repugnantes.

“Abandonar o Senhor” - O Senhor prometeu a Sua presença constante: “Porque o Senhor, o vosso Deus, é Quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará”. (Dt 31.6). Mas Judá abandonou o Senhor. Como crentes é possível que façamos a mesma asneira. Tal atitude é pura loucura, pois o Senhor é a Fonte de todas as bênçãos.

“Blasfemar do Santo de Israel” - Blasfemar inclui a idéia de “desprezar, zombar, rir-se de e fazer pouco caso de”. Como é que Judá teve a coragem de adotar esta postura? Como é que nós, crentes, temos a ousadia de pecar onde Judá pecou? Conhecemos a Palavra de Deus, as Suas exigências, mas fazemos pouco caso delas e rimos no rosto do Senhor.

“Voltar para trás” - Israel deixou o Egito, mas o Egito não deixou de ocupar um lugar no coração de muitos israelitas. Como poderia desejar voltar para a tirania de Faraó, a crueldade dos exatores, a condição de escravos? Não é possível que um verdadeiro convertido, após provar as iguarias da mesa divina, o amor do Pai, o aconchego da família de Deus, a riqueza e a plenitude da herança dos filhos de Deus, possa desejar voltar para o sistema onde o diabo reina, onde existem as trevas, a escravidão do pecado e dos vícios. Porém, isso acontece com freqüência!

 


4. UMA PRÁTICA DEPLORÁVEL - vv. 7-15

O profeta descreve:

a) O CUIDADO DO SENHOR (v. 7) - A nação de Israel era próspera, rica e abençoada, e isto, sem dúvida, servia como prova do zelo de Jeová.

b) O CARINHO DO SENHOR (v. 8) - “A Filha de Sião”. Este termo mostra o amor intenso de Deus para com Jerusalém, o lugar onde pusera o Seu Nome. A igreja local pode se degenerar, mas o Senhor a ama com um amor eterno e fará tudo para trazê-la de volta.

c) O CASTIGO DO SENHOR (v. 9) - A nação que fora símbolo de grandeza, cujo poder era conhecido no mundo inteiro, tornou-se como uma tenda numa vinha, como abrigo (ou como um Judas) numa plantação de melões, como uma cidade sitiada. A glória foi-se.

d) A COMPAIXÃO DO SENHOR (v. 9) - A mão do Senhor tentou impedir o fracasso total da nação, porém, não conseguiu impedir a degeneração de Judá, pois, no verso 10, Deus assemelhou Judá a Sodoma e Gomorra. Quais eram os pecados de Sodoma? Veja Ezequiel 16.49-50. O Povo de Deus desceu ao abismo do pecado, tornou-se tão nojento como Sodoma.

Não obstante a tudo isto, o povo continuou a freqüen­tar o Templo, a observar as Festas Fixas e a ofertar a Deus. Que hipo­crisia! Que farsa! Nestes versículos vemos:
■“Uma religião oca” - Eles abandonaram o Senhor, mas não abandonaram o Templo. Os seus corações estavam doentes, tinham muitos proble­mas “cardíacos”, mas não se ausentaram da Casa de Deus. Marca­vam presença nas Festas do Senhor, mas levantavam mãos man­cha­das de sangue. Há certas condições que Deus exige das pessoas que queiram aproximar-se da Sua presença (veja Sl 24.1-5; Is 52.11). É possível estar presente em todas as reuniões da igreja local e, ao mesmo tempo, deixar para trás um rastro de problemas na vizi­nhan­ça, no comércio e na família. É possível adorar e, ao mesmo tempo, ter ódio dum irmão ou duma irmã, ou pregar e estar brigado com a esposa, ter atritos com os filhos. O Senhor chamou o Templo “a Minha casa” (Mt 21.13), mas mais tarde, chamou-o “a vossa casa” (Lc 13.35). O Templo deixou de ser a Casa de Deus e tornou-se a casa dos judeus. A Igreja é a Casa de Deus, mas pode degenerar-se a ponto de tornar-se a nossa casa.
■“Ritos vazios” - Deus determinou que o Seu povo observasse as Festas Fixas ou as Festas de Jeová. O Senhor Jesus chamou tais festas “as Festas dos judeus” (Jo 5.1). O Senhor Jesus instituiu a Ceia do Senhor, a ocasião quando recordamos a Sua Pessoa e participamos do pão e do cá­li­­ce, símbolos do Seu corpo e sangue. Mas mesmo uma ocasião tão sublime, uma celebração tão singela, pode degenerar-se a ponto de não ser mais a Ceia do Senhor (1 Co 11.20). A igreja em Corinto celebrava a Ceia, mas havia divisões entre eles, muitos estavam presentes, mas não participavam dos emblemas com discernimento e outros tomavam parte no estado de embriaguez. É possível ter os emblemas na mesa, cantar hinos, dizer amém, adorar e não celebrar a Ceia do Senhor. Se houver divisões, facções, brigas, ressentimento, um espírito que não quer perdoar, se a nossa casa ou lar não conhecer paz, se houver pecado não confessado em nossas vidas, a Ceia do Senhor perderá o seu valor.
■ “Reverência fingida” - Eles levantavam as mãos ao céu como se desejassem ter comunhão com o Senhor, como se as mãos fossem puras. Não passava duma frente, duma fachada, duma cortina de fumaça, tudo “para inglês ver”. As mãos estavam cheias de sangue e não o sangue de animais, mas, sim, sangue humano, dos profetas, de seus compa­triotas. Não adianta defender os princípios bíblicos, servir ao Senhor se as nossas mãos estão cheias de sangue. No meio cristão são comuns os assassinatos — assassinatos de caráter, do bom nome de queridos irmãos. Bastam uns boatos, notícias falsas para acabar com o ministério de alguns. Se não concordar com alguns, mesmo em pontos que não têm ordem específica de Deus, as podadeiras e navalhas aparecem para cortar. Palavras severas, grosseiras, ofensivas e desvairadas podem ferir mais que facas e machados. A fachada religiosa não engana a Deus e não cola com Ele. Deus vê atrás do exterior e, como no caso de Judá, Ele vê a camu­flagem, a injustiça, o suborno, o interesse financeiro, o desprezo dos órfãos e das viúvas, o verdadeiro estado do coração. Deus vê a falsi­dade, as mentiras, a desonestidade e a corrupção, pois Ele é onisciente e anda no meio das igrejas. Deus instituiu as Festas de Jeová e ordenou que o povo trouxesse ofertas. Não havia nada errado em estar no Templo, em trazer ofertas ao Senhor e, nem tampouco, em celebrar as Festas de Jeová. O que estava errado era o povo e a sua condição moral e espiritual. Como crentes e membros da igreja local, é imperativo que estejamos nas reuniões da igreja, mas, também, devemos ter o má­xi­mo de zelo em chegarmos à presença do Senhor com consciência pura e vida limpa.
■ “Rezas repugnantes” - O povo estava a oferecer orações decoradas e não estava a louvar o Nome do Senhor com a mente, com o entendimento e com o espírito. Muitas orações e grande parte da adoração que ouvimos são trivialidades ditas com um ar um tanto solene, frases banais, senti­mentos vazios, palavras ocas. O Espírito do Senhor precisa soprar para que os nossos hinos sejam expressões reais do coração e para que a nossa adoração, orações e a nossa comunhão com o Senhor sejam profundas, sinceras, do coração, espontâneas e que agradem a Deus, como aroma suave e não como carne estragada que cheira mal. A nossa doutrina pode ser clara como o cristal e, ao mesmo tempo, as nossas vidas podem ser como as águas fétidas dum pantanal.


5. UM PODER DISTINTO — vv. 16–18

Não havia necessidade de Judá continuar a viver esta vida degenerada e desgraçada. Três passos para a recuperação eram necessários:

a) Arrepender-se (v. 16) - Aqui temos o primeiro passo – o reconhecimento do seu estado e a disposição de virar as costas ao pecado e voltar-se novamente para Deus.

b) Aprender (v. 17) - O segundo passo é positivo e é aprender a fazer o bem, a ser honesto e a ajudar os carentes. Esta é a evidência da religião autêntica (Tg.1.22-27).

c) Atender (v. 18) - As manchas do pecado eram fundas e feias, mas Deus tinha o poder de removê-las.

Há poder no sangue do Senhor Jesus e se nós fizermos a nossa parte, isto é, confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para cumprir a Sua parte (1Jo.1.9).

6. UMA PROMESSA DIVINA — vv. 19–20

Deus quer abençoar o Seu povo mas, para isto, exige certos passos e condições:

a) Submissão (v. 19a) - “Se estiverem dispostos a obedecer” (NVI). Muitos acham que uma vida totalmente entregue ao Senhor e sob o Seu domínio é uma maçada, puro tédio, é como viajar de segunda classe, mas não é.

b) Sofrimento (v. 20) - Cada crente tem o direito de viver a vida que quer, uma vida que seja egoísta, materialista, que vise unicamente o presente, ou pode investir nos valores eternos. Pode continuar a viver atrás da fachada de hipocrisia ou na luz de Deus. O crente que vive para si e para o presente sofrerá prejuízos agora e na eternidade. O crente que vive para o Senhor terá o eterno galardão. Foi “a boca do Senhor” que o disse. A escolha é nossa

 

autor: Walter Alexander.
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A Fachada Religiosa - 2

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

ISAÍAS 1:1-20


3. UM POVO DOENTE — vv. 4–6.

Nestes versículos, o Espírito Santo revela três coisas a respeito da nação de Judá, ou sejam: O seu caráter, a sua condição e a sua conduta.

a) O SEU CARÁTER (v. 14a) - As palavras do Senhor eram duras, a Sua denúncia, severa. Ele não rodeou o assunto, não tentou pintar um quadro bonito, não tentou esconder a podridão da nação, mas foi direto ao assunto, atacou a jugular de Judá e deixou-a exposta e nua na presença de todos. A descrição não é nada agradável, é chocante e arrepiante.

“Nação pecaminosa, ou pecadora” - Deus escolheu a nação de Israel para que fosse santa (Ex 19.6), mas ela tornou-se ímpia e impura. O verniz de algumas igrejas é débil e superficial e não serve para esconder a desonestidade, a podridão, o pecado. Somos como os fariseus, não passamos de sepulcros caiados.

“Povo carregado de iniqüidade” - “A culpa do povo de Israel é tão grande que eles andam curvados com o peso de iniqüidade” (B.V). O Senhor cumulou o povo de bênçãos: “Bendito seja o Senhor que, dia a dia, nos carrega com benefícios” (Sl 68.19, Versão Britânica). É preferível ser um povo carregado com as bênçãos divinas do que ser um povo carregado de iniqüidade. Não estranhamos ao ver as pessoas sem Cristo “sobrecarregadas” de iniqüidade (Mt 11.28), mas ver o povo de Deus a carregar voluntariamente o peso do pecado é algo que aflige o coração do Senhor e traz tristeza à liderança espiritual da igreja.

“Raça de malignos ou malfeitores” - A palavra “raça” tem a ver com “fruto”, “planta”, “posteridade”. Israel era como uma vinha plantada pelo Senhor, e de quem o Senhor esperava uvas boas, mas produziu uvas bravas (Is 5.1-2). O povo de Deus tornou-se uma raça de malfeitores. O vocábulo “malfeitor” transmite a idéia de “estragar por quebrar em pedaços”. O povo estragou a nação por quebrar as leis de Deus. Quem se desvia dos caminhos do Senhor torna-se um malfeitor, “um inútil”, “um que não presta”. A nossa desobediência torna-nos inúteis, pessoas que não prestam para o serviço de Deus.

“Filhos corruptores, ou dados à corrupção” - Em vez de serem filhos de Deus e revelarem a Sua natureza e o Seu caráter, eles tornaram-se filhos dados à corrupção e chegaram a perverter outras pessoas. É sério para o crente viver em pecado, mas é seriíssimo quando leva outros a praticar o erro. O termo tem uma ligação com “arruinar”, “jogar fora”, “perder”, “estragar” e “tornar totalmente debilitado”. Uma vida de corrupção e que influencia outros a se corromperem é uma vida perdida, estragada, arruinada e totalmente debilitada. Que cena que inspira dó!

b) A SUA CONDIÇÃO (vv. 5b–6) - Quando a noiva foi convidada a descrever o amado, ela começou a falar da cabeça e depois dos olhos, das faces, dos lábios, das mãos, das pernas e dos pés. Ela só achou beleza e perfeição (Ct 5.10-16). Ao contemplar Judá, Deus viu uma nação cancerosa, na qual foi incapaz de ver uma só parte que não fosse doente e estivesse a emitir um horrível cheiro. Desde a planta do pé até a cabeça, a nação apresentava sinais de estar doente. O pecado e a corrupção penetraram todas as camadas da sociedade e todas as áreas da nação. O Espírito Santo emprega palavras dignas da nossa atenção.

“Feridas” ou “machucados” - A raiz da palavra é “racha, fenda ou divisão”. As rachas e as divisões que existem nas igrejas locais não são virtudes e nem medalhas, mas aos olhos do Senhor são como feridas. Os fatos comprovam que 99% das divisões que já ocorreram, não aconteceram por divergências doutrinárias, mas por causa de inveja, lutas pelo poder, choque de personalidades, orgulho ferido ou por coisas que não têm respaldo na Palavra de Deus ou para as quais não temos diretrizes claras da parte do Senhor.

“Contusões” ou “vergões” - São marcas deixadas na pele por chicotadas que ferem e que deixam o corpo coberto de manchas roxas. Os pretores mandaram açoitar Paulo e Silas, mas o carcereiro convertido, lavou-lhes os vergões dos açoites. Alguns líderes e ministrantes da Palavra são como os pretores de Filipos. Quantos irmãos carregam os vergões dos açoites! Muitas vezes os próprios crentes agem como o endemoninhado e se autoflagelam. A sua obstinação traz conseqüências que são infligidas por eles mesmos.

“Chagas inflamadas” ou “Ferimentos abertos” - A palavra é “carnificina” ou “pestilência”. O vocábulo, além de comunicar a idéia de “pingar”, “úmido” e “purulento”, também, indica que os ferimentos eram recentes. A história da Igreja apresenta muitos exemplos das conseqüências daquilo que acontece quando desrespeitamos o Senhor e a Sua Palavra, porém, as igrejas de hoje continuam a praticar os mesmos erros. A história recente proporciona evidências de que muitas igrejas apresentam chagas inflamadas, sinais de brigas travadas e crueldade implacável.

O Senhor Deus lamentou que nenhuma tentativa estava a ser feita para contornar a situação. As feridas não foram:

“Espremidas” - Esta palavra realmente quer dizer “fechar”, “apertar”, “juntar”. Quantas feridas entre irmãos são deixadas abertas, não há nenhum esforço para tratar e fechar as feridas, juntar ou aproximar os lados opostos. Em muitos casos, alguns procuram inflamar e piorar a situação.

“Atadas” - “Envolver”, “embrulhar”, “deitar em volta”. O mundo lá fora tem conhecimento dos males que afligem as igrejas locais, das coisas vergonhosas que acontecem no meio do povo. Não está na hora de procurarmos o Médico divino para que Ele feche as feridas, sare os males e as cubra com a Sua graça?

“Amolecidas” - Quanta dureza, resistência, intransigência existem no coração dos crentes. Não há aquela disposição ou humildade necessárias para resolver as questões. Azeite é um símbolo do Espírito Santo e é a operação do Espírito que torna o coração mole e terno, compassivo e tratável. É Ele que dá a cada um a humildade para admitir a culpa ou para perdoar.

c) A SUA CONDUTA (v. 4b) - Jeová acusou a nação de 3 atitudes feias e repugnantes.

“Abandonar o Senhor” - O Senhor prometeu a Sua presença constante: “Porque o Senhor, o vosso Deus, é Quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará”. (Dt 31.6). Mas Judá abandonou o Senhor. Como crentes é possível que façamos a mesma asneira. Tal atitude é pura loucura, pois o Senhor é a Fonte de todas as bênçãos.

“Blasfemar do Santo de Israel” - Blasfemar inclui a idéia de “desprezar, zombar, rir-se de e fazer pouco caso de”. Como é que Judá teve a coragem de adotar esta postura? Como é que nós, crentes, temos a ousadia de pecar onde Judá pecou? Conhecemos a Palavra de Deus, as Suas exigências, mas fazemos pouco caso delas e rimos no rosto do Senhor.

“Voltar para trás” - Israel deixou o Egito, mas o Egito não deixou de ocupar um lugar no coração de muitos israelitas. Como poderia desejar voltar para a tirania de Faraó, a crueldade dos exatores, a condição de escravos? Não é possível que um verdadeiro convertido, após provar as iguarias da mesa divina, o amor do Pai, o aconchego da família de Deus, a riqueza e a plenitude da herança dos filhos de Deus, possa desejar voltar para o sistema onde o diabo reina, onde existem as trevas, a escravidão do pecado e dos vícios. Porém, isso acontece com freqüência!

(continua no próximo Boletim)

autor: Walter Alexander.
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Isaías 1:1–20

4. UMA PRÁTICA DEPLORÁVEL -  vv. 7-15

O profeta descreve:

a) O CUIDADO DO SENHOR (v. 7) - A nação de Israel era próspera, rica e abençoada, e isto, sem dúvida, servia como prova do zelo de Jeová.

b) O CARINHO DO SENHOR (v. 8) - “A Filha de Sião”. Este termo mostra o amor intenso de Deus para com Jerusalém, o lugar onde pusera o Seu Nome. A igreja local pode se degenerar, mas o Senhor a ama com um amor eterno e fará tudo para trazê-la de volta.

c) O CASTIGO DO SENHOR (v. 9) - A nação que fora símbolo de grandeza, cujo poder era conhecido no mundo inteiro, tornou-se como uma tenda numa vinha, como abrigo (ou como um Judas) numa plantação de melões, como uma cidade sitiada. A glória foi-se.

d) A COMPAIXÃO DO SENHOR (v. 9) - A mão do Senhor tentou impedir o fracasso total da nação, porém, não conseguiu impedir a degeneração de Judá, pois, no verso 10, Deus assemelhou Judá a Sodoma e Gomorra. Quais eram os pecados de Sodoma? Veja Ezequiel 16.49-50. O Povo de Deus desceu ao abismo do pecado, tornou-se tão nojento como Sodoma.

Não obstante a tudo isto, o povo continuou a freqüen­tar o Templo, a observar as Festas Fixas e a ofertar a Deus. Que hipo­crisia! Que farsa! Nestes versículos vemos:

  • “Uma religião oca” - Eles abandonaram o Senhor, mas não abandonaram o Templo. Os seus corações estavam doentes, tinham muitos proble­mas “cardíacos”, mas não se ausentaram da Casa de Deus. Marca­vam presença nas Festas do Senhor, mas levantavam mãos man­cha­das de sangue. Há certas condições que Deus exige das pessoas que queiram aproximar-se da Sua presença (veja Sl 24.1-5; Is 52.11). É possível estar presente em todas as reuniões da igreja local e, ao mesmo tempo, deixar para trás um rastro de problemas na vizi­nhan­ça, no comércio e na família. É possível adorar e, ao mesmo tempo, ter ódio dum irmão ou duma irmã, ou pregar e estar brigado com a esposa, ter atritos com os filhos. O Senhor chamou o Templo “a Minha casa” (Mt 21.13), mas mais tarde, chamou-o “a vossa casa” (Lc 13.35). O Templo deixou de ser a Casa de Deus e tornou-se a casa dos judeus. A Igreja é a Casa de Deus, mas pode degenerar-se a ponto de tornar-se a nossa casa.
  • “Ritos vazios” - Deus determinou que o Seu povo observasse as Festas Fixas ou as Festas de Jeová. O Senhor Jesus chamou tais festas “as Festas dos judeus” (Jo 5.1). O Senhor Jesus instituiu a Ceia do Senhor, a ocasião quando recordamos a Sua Pessoa e participamos do pão e do cá­li­­ce, símbolos do Seu corpo e sangue. Mas mesmo uma ocasião tão sublime, uma celebração tão singela, pode degenerar-se a ponto de não ser mais a Ceia do Senhor (1 Co 11.20). A igreja em Corinto celebrava a Ceia, mas havia divisões entre eles, muitos estavam presentes, mas não participavam dos emblemas com discernimento e outros tomavam parte no estado de embriaguez. É possível ter os emblemas na mesa, cantar hinos, dizer amém, adorar e não celebrar a Ceia do Senhor. Se houver divisões, facções, brigas, ressentimento, um espírito que não quer perdoar, se a nossa casa ou lar não conhecer paz, se houver pecado não confessado em nossas vidas, a Ceia do Senhor perderá o seu valor.
  •  “Reverência fingida” - Eles levantavam as mãos ao céu como se desejassem ter comunhão com o Senhor, como se as mãos fossem puras. Não passava duma frente, duma fachada, duma cortina de fumaça, tudo “para inglês ver”. As mãos estavam cheias de sangue e não o sangue de animais, mas, sim, sangue humano, dos profetas, de seus compa­triotas. Não adianta defender os princípios bíblicos, servir ao Senhor se as nossas mãos estão cheias de sangue. No meio cristão são comuns os assassinatos — assassinatos de caráter, do bom nome de queridos irmãos. Bastam uns boatos, notícias falsas para acabar com o ministério de alguns. Se não concordar com alguns, mesmo em pontos que não têm ordem específica de Deus, as podadeiras e navalhas aparecem para cortar. Palavras severas, grosseiras, ofensivas e desvairadas podem ferir mais que facas e machados. A fachada religiosa não engana a Deus e não cola com Ele. Deus vê atrás do exterior e, como no caso de Judá, Ele vê a camu­flagem, a injustiça, o suborno, o interesse financeiro, o desprezo dos órfãos e das viúvas, o verdadeiro estado do coração. Deus vê a falsi­dade, as mentiras, a desonestidade e a corrupção, pois Ele é onisciente e anda no meio das igrejas. Deus instituiu as Festas de Jeová e ordenou que o povo trouxesse ofertas. Não havia nada errado em estar no Templo, em trazer ofertas ao Senhor e, nem tampouco, em celebrar as Festas de Jeová. O que estava errado era o povo e a sua condição moral e espiritual. Como crentes e membros da igreja local, é imperativo que estejamos nas reuniões da igreja, mas, também, devemos ter o má­xi­mo de zelo em chegarmos à presença do Senhor com consciência pura e vida limpa.
  •  “Rezas repugnantes” - O povo estava a oferecer orações decoradas e não estava a louvar o Nome do Senhor com a mente, com o entendimento e com o espírito. Muitas orações e grande parte da adoração que ouvimos são trivialidades ditas com um ar um tanto solene, frases banais, senti­mentos vazios, palavras ocas. O Espírito do Senhor precisa soprar para que os nossos hinos sejam expressões reais do coração e para que a nossa adoração, orações e a nossa comunhão com o Senhor sejam profundas, sinceras, do coração, espontâneas e que agradem a Deus, como aroma suave e não como carne estragada que cheira mal. A nossa doutrina pode ser clara como o cristal e, ao mesmo tempo, as nossas vidas podem ser como as águas fétidas dum pantanal.

 (termina no próximo Boletim)

 

autor: Walter Alexander.
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Isaías 1:1–20

5. UM PODER DISTINTO — vv. 16–18

Não havia necessidade de Judá continuar a viver esta vida degenerada e desgraçada. Três passos para a recuperação eram necessários:

a) Arrepender-se (v. 16) - Aqui temos o primeiro passo – o reconhecimento do seu estado e a disposição de virar as costas ao pecado e voltar-se novamente para Deus.

b) Aprender (v. 17) - O segundo passo é positivo e é aprender a fazer o bem, a ser honesto e a ajudar os carentes. Esta é a evidência da religião autêntica (Tg.1.22-27).

c) Atender (v. 18) - As manchas do pecado eram fundas e feias, mas Deus tinha o poder de removê-las.

Há poder no sangue do Senhor Jesus e se nós fizermos a nossa parte, isto é, confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para cumprir a Sua parte (1Jo.1.9).

6. UMA PROMESSA DIVINA — vv. 19–20

Deus quer abençoar o Seu povo mas, para isto, exige certos passos e condições:

a) Submissão (v. 19a) - “Se estiverem dispostos a obedecer” (NVI). Muitos acham que uma vida totalmente entregue ao Senhor e sob o Seu domínio é uma maçada, puro tédio, é como viajar de segunda classe, mas não é.

b) Sofrimento (v. 20) - Cada crente tem o direito de viver a vida que quer, uma vida que seja egoísta, materialista, que vise unicamente o presente, ou pode investir nos valores eternos. Pode continuar a viver atrás da fachada de hipocrisia ou na luz de Deus. O crente que vive para si e para o presente sofrerá prejuízos agora e na eternidade. O crente que vive para o Senhor terá o eterno galardão. Foi “a boca do Senhor” que o disse.  A escolha é nossa!

autor: Walter Alexander.
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A História da Criação

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

 

A História da Criação

Robert W. Cargill

Traduzido do original inglês
por Elda Veiga

 

A publicação pelo Boletim dos Obreiros desta tradução foi autorizada
por cortesia de

A Verdade

Porto Alegre-RS, Brasil

 

Detentora dos direitos de publicação que lhe foram concedidos por

John Ritchie Ltd.

40 Beansburn, Kilmarnock, Escócia  Copyright©2008

 

 

A reprodução ou transmissão total ou parcial desta tradução não poderá ser realizada por nenhum meio possível, seja eletrônico, mecânico, fotográfico, degravação ou quaisquer outros sem a prévia autorização do editor.
Publicado no Brasi lcom a devida autorização e com todos os direitos reservados para os países de língua portuguesa  por:
A Verdade, CaixaPostal 12530, PortoAlegre, 91110-970, RS, Brasil -
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Sumário

 

Prefácio                                                              

Introdução                                                           

PARTE 1: UM RESUMO DO COMEÇO AO FIM 

Consideramos o que a Bíblia ensina sobre o nosso Criador; o que nos foi dito sobre o começo da criação e o seu fim; quem a sustenta e como tudo continua funcionando; a razão de tudo ficar mais desordenado conforme o tempo passa.

  1. A glória do Criador                                           

  2. O começo: "A fundação do mundo"                     

  3. O fim: “Todas essas coisas dissolvidas”               

  4. Uma "Criação a gemer"                                   

  5. "Sustentados pela Palavra do seu Poder"            

  6. Ordem e caos                                                

PARTE 2: O RELATO DO GÊNESIS 

Tomamos nota de: o que aconteceu no princípio (Gênesis 1); as enormes mudanças causadas pelo grande dilúvio (Gênesis 6-8); vemos alguns fatos geológicos e a importância dos fósseis.

 7. Os dias da Criação                                         

 8. O que Deus criou e fez                                     

 9. O dilúvio e suas consequências                         

10. Mudanças geológicas causadas pelo dilúvio       

11. Fósseis e o dilúvio                                        

PARTE 3: FATOS ÚNICOS E MARAVILHOSOS 

Descrevemos o maravilhoso trabalho das mãos de Deus, visível – na precisa adequação da Terra para a vida e para o homem; nas propriedades sincronizadas únicas da água e da luz e da química da vida; neste ambiente cuidadosamente planejado e criado para o homem; na singularidade extraordinária do homem; na maravilhosa complexidade e eficiência dos nossos corpos.

12. A Terra - um planeta sem igual                                      

13. "Ele também criou as estrelas"                                    

14. Água - um líquido singular                                          

15. Luz - uma Iluminação singular                                       

16. Carbono - um elemento químico singular                     

17. Homem - um ser singular                                            

18. Nosso cérebro impressionante                                 

19. Nosso fluxo sanguíneo vital                                      

20. A maravilha do nosso nascimento                              

PARTE 4: CONCLUSÕES

Selecionamos alguns exemplos da natureza para ver mais da glória e da sabedoria do Criador, para nos maravilhar com os detalhes do desenho inteligente, e para notar as comparações e os contrastes entre as descobertas da pesquisa científica e as revelações das Escrituras.

21. O estudo da natureza                                                 

22. Desenho e instinto                                                   

23. A ciência e as escrituras                                           

Glossário e material de referência                                     

 

 


PREFÁCIO

O ateísmo parece estar cada vez mais na moda. Isso não é obviamente nada de novo. "Diz o insensato no seu coração: Não há Deus" ( Salmo 14:1). Já existe por milênios. Isso, a despeito da clara evidência dita pelo salmista que, "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anunciaasobrasdassuasmãos" (Salmo19:1). E esta declaração, ele explica, é dada de uma forma que pode ser compreendida por todos, qualquer que seja a sua língua nativa.

Claro, para alguns, a teoria da evolução é um acessório para a sua incredulidade. Mas a aparente confiança de que Deus é supérfluo não é bem colocada. Um estudo cuidadoso do mundo ao nosso redor deveria levar à conclusão de que não apenas existe um Deus que o criou, mas também a sua sabedoria e sua glória assim estão demonstradas. Muitos livros têm sido escritos ultimamente que deveriam dar o que pensar a quem descarta essa evidência.

É de realçar que, muito antes do nascimento de Darwin, a conclusão das Escrituras é que" os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo,sendo percebidos pormeio das coisas que foram criadas. Tais homens são, porisso, indesculpáveis" (Romanos1:20).

Os argumentos técnicos e científicos envolvidos nos debates sobre o universo e a vida são complexos. É valioso tê-los em termos simples - mas não simplistas - por alguém com conhecimento em muitos dos assuntos principais. Esses capítulos deverão oferecer conhecimento suficiente para crentes sem nenhum conhecimento especializado, para assegurar-lhes que não é contrário à razão acreditar que "Noprincípio, criou Deus os céus e a terra"(Gênesis1:1) e que "todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez" (João1:3). Essa última citação é uma clara afirmação da Criação Especial como a explicação para tudo o que nos envolve.

Um prazer particular nesse livro é que por todas as suas páginas ele procura oferecer lições espirituais para o nosso benefício. Enquanto lida com a ciência, está firmemente baseado nas Escrituras e tem como objetivo principal atrair atenção para a glória de Deus. Foi um prazer recomendá-lo.

W.S.Stevely

Ayr, setembro de 2008


 

INTRODUÇÃO

Os capítulos deste livro apareceram pela primeira vez nas edições mensais de "Believer's Magazine" durante 2007 e 2008. Em resposta aos pedidos para disponibilizar o material num formato mais permanente, eles foram editados e reunidos aqui para beneficiar uma maior audiência. Os capítulos estão agora arranjados em quatro partes coerentes, como poderá ver no sumário.

O motivo por trás de tanto este como os artigos originais é mostrar como todas equaisquer partes do universo material, grandese pequenos, vivos e inanimados, declaram a sabedoria e o poder do seu grande Criador e testemunham dele. Ao recontar e reler esta grande e fascinante história da criação, ficamos mais capacitados para glorificá-lo com entusiasmo por tudo o que ele fez e que apenas ele poderia fazer. Ecoamos as palavras do Salmo de Davi: "Todas as tuas obras te renderão graças, SENHOR; e os teus santos te bendirão" (Salmo145:10).

Este não é um livro determinado a "desprovar" a evolução, ou "provar" a criação. Estamos começando pela afirmação fundamental que " No princípio, criou Deus os céus e a terra" (Génesis 1:1), e que "sem ele (oSenhorJesusCristo), nada do que foi feito se fez" (João1:3). Estamos tomando por base que os leitores já acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus e, sendo assim, exata, competente e verdadeira do começo até ao fim.

No entanto, se algum dos meus leitores tiver dúvidas  genuínas ou questões sinceras sobre a evolução e/ou a criação, por favor, leia com a sua mente aberta. Pontos de vista diferentes são do foro individual, por razões próprias do indivíduo. Este não é um livro científico e  não requer muito conhecimento científico para que se compreenda a sua mensagem. No que toca à ciência, posso apenas assegurar que os fatos científicos que observei e descobri estão em completa harmonia com a revelação das Escrituras. Depois de ter passado uma grande parte da minha vida no ensino e na pesquisa científica, na área da Química para ser mais preciso, eu e muitos outros descobrimos que as interpretações dos fatos, baseados na história da criação, fazem muito mais sentido do que aquelas baseadas na evolução. Alguns dos capítulos aseguir irão mostrar isso. A triste situação é que muitas pessoas querem, até mesmo exigem, explicações baseadas na evolução e nada mais. Sendo assim, tais explicações são propagadas sem permitir uma séria consideração da alternativa e são aceitas sem questões e sem críticas. Você deve por si mesmo considerar isto.

Desejo registrar os meus  agradecimentos a John Grant, editor da "Believer's Magazine", pelo seu encorajamento em realizar e perseverar na escrita original, aos muitos leitores da revista que expressaram o seu interesse e apreciação do material de várias maneiras, a  Bill Stevely por ter escrito o prefácio, aos diretores e pessoal de John Ritchie Ltda. pela sua ajuda e colaboração no apoio a este projetoe, por último, mas não menos importante, à minha esposa Isobel, pela sua paciência e compreensão durante muitas horas ao computador.

Bert Cargill

St Monans

Escócia

 


 

 

 CAPÍTULO 1

A Glória do Criador

A história da criação revela a grandeza do Criador. Você a pode ver para onde quer que olhar. Olhe para o céu noturno, cravejado de infinitas estrelas, olhe para as profundezas do oceano, cheias de fantásticas formas de vida, admire uma vasta paisagem ou a beira-mar, ou um jardim de sua casa, seja movido por um pôr do sol dourado ou por um amanhecer tingido de tons cor de rosa. Pegue num telescópio e olhe mais além, pegue num microscópio e veja mais de perto, pegue num livro e estude aprofundadamente, decida por uma jornada e vá mais adiante, tire tempo e ouça, veja e toque e inspire vagarosamente. O que acontece? Os seus sentidos respondem. A sua mente e o seu coração são movidos. Você pode encontrar isso como em outra estrutura que Deus desenhou, "Tudo diz: Glória!" (Salmos 29:9).

Explore isso ao máximo que você conseguir, desfrute disso, admire e aprecie isso, tente compreendê-lo. E a partir disso tudo, aprecie Aquele que o criou também - a sua obra- prima. E então incline o seu coração e lhe dê toda a glória.

Glória Revelada

A glória de Deus tem sido revelada de formas diferentes, na verdade, é revelada em todos os seus trabalhos e caminhos. As próprias Sagradas Escrituras são um tesouro de glória. Quanto mais buscamos, com humildade e diligência, mais encontramos daquilo que move os nossos corações em adoração e louvor. E mais ainda iremos absorver dessa glória e refleti-la a outros (II Coríntios 3:18). Também vemos a glória de Deus brilhando na face de Jesus Cristo, nosso Salvador (II Coríntios 4:6). E o grande plano de redenção, elaborado no Calvário, é um plano glorioso, tanto que aqueles que se beneficiaram dele serão para louvor da glória de sua graça para sempre (Efésios 1:6).

Esta é uma "alegria indizível e cheia de glória" (I Pedro 1:8). Ela irá estremecer as nossas almas. Mas, por vezes, nós damos menos atenção do que deveríamos ao outro reino, no qual a glória de Deus é revelada, ao seu maravilhoso trabalho na Criação, que revela a sua imensurável sabedoria e onipotência.

Todo o universo físico e material, todas as criaturas grandes e pequenas, do maior mamífero ao menor inseto ou bactéria, dos enormes planetas no sistema solar aos pequeníssimos elétrons no átomo - todos eles vieram da mão de Deus, criados e sustentados pela Palavra do seu poder. Ignorar isso é deixar escapar algo importante. "As coisas que foram criadas" são um testemunho expressivo a Deus, revelando "o seu eterno poder, como também a sua própria divindade" (Romanos 1:20).

Teoria da Evolução

Dar ao Senhor nosso Deus a glória devida ao seu nome é uma das razões fundamentais para nossa existência. Todo cristão verdadeiro se deleita em fazê-lo em todo o tempo e por todos os motivos, e esta será a nossa abençoada ocupação por toda a eternidade. No entanto, um dos grandes objetivos de Satanás é roubar a Deus desta glória e de o fazer por quaisquer meios possíveis.

Um dos métodos mais bem-sucedidos pelos quais a grandeza e a glória de Deus têm sido negadas é pela propagação da teoria da evolução. Ela tem sido indoutrinada em cada nível da educação em todos os países desenvolvidos. Os meios de comunicação a promovem a cada volta. A imprensa científica deveria ser justa e neutra, mas algumas de suas seções continuam numa cruzada sem-fim contra o "criacionismo" por nenhuma outra razão além de que "não pode ser aceito"! A oposição contra a ideia da evolução não é permitida, ao contrário, é ridicularizada. Mas a razão da sua popularidade não é a verdade objetiva, e sim, a forte tendência de que Deus não é desejado.

Não é verdade dizer que a evolução desmentiu a existência de Deus, embora muitos afirmem isso. Foi uma mentalidade ateísta que levou à evolução, não a evolução que leva ao ateísmo leva ao ateísmo. A relutância em defrontar as implicações da responsabilidade para com Deus fez da evolução algo muito desejável. Ela oferece uma desculpa (que é apresentada como uma razão científica) para se afastar do óbvio e lógico – o universo e tudo nele que foi criado, mostrando claramente uma evidência de desígnio e propósito. Essa evidência é de fato a evidência da sabedoria e do poder do Deus Todo- Poderoso.

A evolução é uma teoria, uma proposta de explicação da origem de tudo o que é biológico e mais além. O livro de Charles Darwin, A Origem das Espécies, publicado em 1859, deu-lhe um enorme impulso. Desde então, a teoria tem passado por muitas mudanças e revisões, como acontece frequentemente em teorias na ciência, mas algumas dessas revisões são mutualmente contraditórias. A evolução certamente não é um fato, a despeito do que é muitas vezes afirmado.

Observações e fatos da ciência têm sido arranjados à volta da teoria da evolução, e muitos foram escolhidos a dedo para suportá-la. Mas essas observações e esses fatos podem ser explicados de uma forma muito melhor pela teoria (ou se você preferir, pela doutrina) da criação. O relato da criação sobre as origens não viola nenhum dos fatos ou leis estabelecidos da ciência. A teoria da evolução, no entanto, o faz e, sendo assim, não é boa ciência. Ela não pode ser uma teoria científica de valor, pois é contrariada por várias dessas leis como, por exemplo, a termodinâmica (energia), biogênese (vida), e ciência da informação, para mencionar algumas que iremos explorar posteriormente.

Criação

O título Criador é usado relativamente poucas vezes tanto no Antigo como no Novo Testamento. É interessante verificar essas vezes com a concordância. Mas a doutrina da criação permeia toda a Bíblia, desde literalmente o primeiro versículo até ao último livro. As passagens-chave para estudar no Novo Testamento são João 1: 1-5; Romanos 1:19-25; 8:18-25; Colossenses 1:14-19; Hebreus 1: 1-4, 10- 12 e II Pedro 3: 3-13. Os pontos principais são estes:

  • A fonte original e origem de tudo é Deus, sendo ele mesmo não criado e eterno.
  • O poder de Deus para criar foi manifesto na sua palavra falada.
  • Toda a vida vem de Deus, simples e complexa, animal e vegetal, física e espiritual, presente e eterna.
  • O Filho de Deus é aquele que tanto elaborou quanto criou tudo em todo o universo. Tudo foi criado por ele e para ele. Ele também sustenta e mantém tudo em todas as suas funções.
  • O presente estado do mundo material e das coisas vivas nele contidas tem sido modificado do seu estado original por causa do pecado dos nossos primeiros pais no Éden. Ele está de fato progressivamente deteriorando e perdendo algum do seu esplendor - num nível global está até mesmo sendo acelerado por causa da má gestão do ambiente pelo homem.
  • A criação material não é permanente. No tempo de Deus, ela irá ser completamente destruída, depois de ter servido ao seu propósito, quando ao dia da graça de Deus se seguir o dia do julgamento na sua forma final.
  • Irá existir eventualmente um novo céu e uma nova terra, onde a justiça irá habitar para sempre.

O Nosso Criador

Deus é o nosso forte Redentor, nosso bendito Salvador, o nosso amoroso Pai celestial. Ele é também o nosso fiel Criador. A ele confiamos a segurança da nossa alma (I Pedro 4:19).

Foi ele quem nos fez, e não nós a nós mesmos (Salmos 100:3). Tudo que somos, física e mentalmente, o nosso corpo terrível e maravilhosamente feito e a nossa espantosa, complexa e eficiente mente, contém o cunho da mão divina. É importante valorizá-los, usá-los de maneira própria e cuidar deles - realmente glorificar a ele em nosso corpo (I Coríntios 6:20). E, quando a idade avançada ou doença cobrarem o seu preço, podemos confiantemente entregá-los ao cuidado dele, que sabe que somos pó (Salmos 103:14), fracos e mortais, e, mesmo assim, criados pela sua perícia.

O poder de Deus no universo é imenso - imensurável. Vai além do nosso entendimento. Nada falha ou fica fora do lugar na sua disposição: "Levantai ao alto os olhos evede. Quem criou estas coisas?... nem uma só vem a faltar" (Isaías 40:26). Ele numera e dá nome às estrelas, mas ele também se lembra do número de cabelos na nossa cabeça e vê quando o pardal cai ao chão. Ele reina sobre todos e, no entanto, cuida de cada um de nós, infinito e eterno, mas perto e pessoal para aqueles que nele confiam.

O conselho de Salomão era lembrar o nosso Criador nos dias da nossa mocidade (Eclesiastes 12:1). Isto dá à vida uma fundação segura e, quando a juventude passar, mesmo muito depois, esta verdade continua sendo tão relevante quanto sempre foi. Ele nos fez. Ele nos salva. Ele nos guarda. Ele nunca nos deixará. Ele guarda até mesmo o pó do corpo dos crentes até ao dia da ressurreição.

Nesse livro, alguns aspectos da criação serão explorados e descritos de tal maneira que deem a Deus toda a glória devida ao seu Nome. Os crentes em Cristo podem também estar confiantes de que, independentemente do grande bombardeio que continua a vir do campo da evolução, a fundação do Senhor continua firme. A sua Palavra é completamente confiável, e a crença no relato literal das origens descrito na Bíblia é completamente sustentável.


CAPÍTULO 2

 

O Começo: "A Fundação do Mundo"

Uma afirmação única e majestosa compõe o primeiro versículo da nossa Bíblia. Em poucas palavras, está contida a resposta para uma questão fundamental, mesmo antes de ela ter existido. Ao longo do tempo, muitas pessoas se interrogaram: "De onde é que tudo veio?" "O que é que foi o começo de tudo?" Gênesis 1:1 conta-nos!

"No princípio, criou Deus..." Ele é a primeira causa e a origem de tudo. Aceitar essa afirmação pela fé (Hebreus 11:3) é a atitude mais sensata a se tomar. Isso vai ao encontro da experiência diária de que cada coisa foi feita por alguém, foi elaborada, teve um autor, uma causa, um criador. Isso, com certeza, inclui o maravilhoso, intrincado, belo mundo natural. Mas a teoria da evolução diz que não. Isso não é razoável nem lógico, e não é verdadeiramente científico também, apesar dos altos clamores de que assim o é. A ciência real é baseada na verdadeira observação e na medição, e nada foi alguma vez observado a acontecer sem uma causa, ou evoluindo a partir do caos, ou vindo do nada.

Cada pintura teve o seu pintor, cada estrutura teve o seu arquiteto e construtor, e cada livro o seu autor. Crédito e até mesmo glória são devidamente dados aos criadores de obras de mérito e beleza que as pessoas apreciam. Agora, nós acreditamos que "todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez" (João 1:3). Da mais minúscula partícula subatômica à maior galáxia, da mais pequena flor e o seu grão de pólen até ao sistema de trabalho das abelhas na colmeia ou das formigas numa colônia, ou cervos em rebanhos, nós admiramos a sua beleza e a sua complexidade. Na nossa admiração estamos dando glória ao seu grande Criador. A teoria da evolução nega ao Criador a sua glória; até mesmo nega que ele existe. Por quê? Porque o ateísmo é o seu ponto de partida, não a sua conclusão. É o que muitas pessoas querem acreditar.

Mas no que é que acreditamos, particularmente sobre quando, como e por que tudo começou? Foi-nos claramente dito: "por causa da tua vontade [as coisas] vieram a existir e foram criadas" (Apocalipse 4:11). Em relação a quando e como, é importante dar o peso e significado adequado às declarações de Gênesis 1 e, ao mesmo tempo, não acrescentar àquele capítulo o que não está lá.

Nenhuma Data

Não nos foi dito quando foi "o princípio", quando a Terra foi criada, ou quando Adão foi feito. Nenhuma data foi dada no texto de Gênesis 1. Foram feitos alguns cálculos, mas todas essas contas contêm algumas hipóteses que provavelmente não são válidas.

Os evolucionistas argumentam que a Terra foi formada cerca de 4.5 bilhões de anos atrás. As suas contas são baseadas na medida da taxa dos processos de radioatividade em certas rochas. Esses cálculos contêm duas suposições principais:

  1. que a taxa não mudou ao longo de vastos períodos de tempo e sob condições extremamente variáveis;
  2. que nenhum dos elementos produzidos por esses processos radioativos sequer estavam nas rochas.

Ambas as suposições provavelmente não estão corretas por bons motivos científicos. Então, embora essa retórica seja frequentemente citada, não é um fato confiável. Existem outros métodos científicos para medir a idade da Terra, e eles dão números muito inferiores, alguns até mesmo menos de 10.000 anos [1]. Esses métodos são negligenciados, na verdade rejeitados, apenas porque não se encaixam nos requerimentos da teoria da evolução e da sua interpretação dos registros fósseis.

Em 1664, o arcebispo Usher calculou que Adão foi criado em 4004 a.C. Ele usou nos seus cálculos listas genealógicas do Velho Testamento, retraçando de volta para datas mais antigas. Esse método também contém suposições que poderão estar erradas, ou seja, de que não faltou nenhuma geração nas listas genealógicas na Bíblia, o que por vezes aconteceu. Na verdade, usando métodos similares, outras pessoas chegaram a datas que vão de 6984 a 3616 a.C.. Isso apenas significa que não podemos ter a certeza exata de quando Adão foi criado, ou de quando o mundo começou. A data 4004 a.C. realmente aparece nas margens ou nas notas de colunas de muitas Bíblias, mas lembre-se de que isso não existe no texto inspirado, e não deverá ser levado como um fato confirmado!

Sem Intervalos

A narrativa de Gênesis 1 é contínua. Introduzir intervalos é forçar uma ideia que não está no texto. A "Teoria do Intervalo" que insere "épocas geológicas" entre os versículos 1 e 2 já foi uma teoria popular, sendo de fato fraca, baseada no hipotético significado de duas palavras. Ela também cria mais problemas do que resolve e, na pior das hipóteses, deturpa a Deus e compromete a verdade. Outra vez, a sua presença nas margens e rodapés de certas edições da Bíblia influenciou muitos leitores.Mas isso também não está no texto inspirado!

A Teoria do Intervalo é uma tentativa bem-intencionada, mas falha, de lidar com os ataques feitos desde o século XIX pela "ciência" em relação à veracidade de Gênesis 1. Era alegado ser necessário milhões de anos de "tempo geológico" para que a Terra e as suas camadas fossem formadas, junto com os seus fósseis. Um cientista, Georges Cuvier, de Paris, inicialmente propôs que seguidas cheias catastróficas produziam fósseis e que eles tiveram lugar nas eras pré- históricas muito antes de Adão. No Reino Unido, essa ideia foi ativamente promovida pelo teologista Thomas Chalmers e depois seguida por vários reconhecidos professores da Bíblia. Eles argumentaram que a "criação original" descrita em Gênesis 1:1 foi dizimada em julgamento por Deus e que as "criaturas pré-Adão" foram fossilizadas, e eras depois Deus "refez" a Terra como descrito no resto de Gênesis 1. Muitos que estavam preocupados com a ameaça da ciência à Escritura pensaram que as coisas "se harmonizavam" ao colocar esse intervalo entre esses dois versículos.

Mas, na verdade, elas não se harmonizaram, e existem verdadeiros problemas com isso! O ensino claro da Escritura é:

  • Adão foi o primeiro homem, e assim não existiu antes dele nenhum tipo de terra;
  • foi o pecado de Adão que trouxe a morte ao mundo, por isso, se alguma "criatura pré-Adão" existiu, a sua morte para produzir restos fossilizados não é explicável.
  • Deus pronunciou que toda a sua criação era "muito boa" - o que não é uma descrição adequada se rochas contivessem a evidência de morte, destruição e julgamento.

A criação descrita em Gênesis 1 era perfeita, não uma reconstrução de algo que "aconteceu" sem forma e vazio.

Como iremos ver posteriormente, a melhor e mais consistente explicação dos fósseis, camadas e fenômenos geológicos provêm dos efeitos do grande dilúvio nos dias de Noé. Este é um evento bem documentado com profundas influências na humanidade e no seu ambiente, e não uma tênue teoria com causas ou efeitos imaginários aonde não existe a evidência da divina revelação.

Nenhum Defeito

Toda a obra de Deus é perfeita. Quando ele tudo criou, como registrado em Gênesis 1, ele fez tudo perfeito, na primeira vez. Não foi, como alguns ensinam, que Deus começou o processo e depois usou a evolução para avançar e completar a criação. Essa "evolução teísta" é outro sério comprometimento que insulta a Deus e a sua Palavra, pois a evolução é um processo extremamente desperdiçador e insensível, envolvendo muitas formas de vida que não sobreviveram. Deus nunca é desperdiçador e caloso com nenhuma das suas criaturas.

O homem precisa de muitas tentativas para alcançar um objetivo, precisa de experimentar e melhorar versões anteriores, mas Deus não. No começo Deus criou cada criatura sem defeito, macho e fêmea, prontos para reproduzir e assumir o seu lugar numa Terra benigna e intocada. A criação também era madura, pois parecia de certa idade; por exemplo, Adão poderia se parecer um homem de cerca de 30(?) anos, as árvores a produzirem fruto maduro poderiam conter 20(?) anéis de crescimento, quando tinham apenas sido criadas no dia anterior, estrelas distantes parecendo muito antigas (para dar tempo da sua luz viajar pelo espaço), foram criadas com os seus raios de luz já a chegarem à Terra.

Os defeitos e as deficiências tão prevalentes agora são resultado da Queda. Todos os dias encaramos a doença e a morte. Os reinos animal e vegetal contêm muitas evidências da decadência e da degeneração. Muitas espécies foram extintas, enquanto muitas subespécies mudaram e se desenvolveram em resposta a pressões e condições ambientais. O mundo atual é vastamente diferente daquilo que era quando Deus o criou. Ele degenerou para algo inferior e não evoluiu para algo melhor.

Então para concluirmos, quando foi o começo? Três fatos a observar:

  • O próprio Deus não tem um começo (João 1:1). Ele é de eternidade a eternidade. Nós que estamos presos ao tempo temos dificuldades em compreender isso, mas esta é a verdade. O seu nome é Jeová - O Sempiterno..
  • O começo de Gênesis 1:1 pode ser classificado como "a fundação do mundo". A sua data é desconhecida, e isso não tem nenhuma relevância. Apenas se deleite de que fomos escolhidos em Cristo antes disso.
  • A vida de Adão começou diferentemente da nossa, para uma idade adulta desenvolvida, assim como a vida de Eva, pouco depois. Quanto tempo atrás isso foi não pode ser determinado com precisão, mas vai ao encontro da revelação Bíblica e aos fatos estabelecidos assumir-se que foi menos de 10.000 anos atrás.

1. Mais detalhes em "E disse Deus"  F Abou-Rahme, Cap. 9 


CAPÍTULO 3

O Fim: "Todas essas Coisas Dissolvidas"

Os discípulos perguntaram ao Senhor Jesus um dia: "Quando sucederão estas coisas e que sinal haverá... da consumação do século?" (Mateus 24:3). Tais questões sobre o fim são frequentes, assim como as questões sobre o início de tudo, como vimos no capítulo anterior.

Muito foi tentado para encontrar respostas, e até mesmo datas para o fim, algumas baseadas em cálculos criativos, que apenas os seus expoentes podem seguir, outras por tentativas de extrair da história o cumprimento de profecias específicas da Escritura, outras até mesmo vindas de superstição! Mas as palavras do nosso Senhor são o oposto: "Não vos compete conhecer tempos ou épocas... mas sereis minhas testemunhas" (Atos 1:7-8). Curiosidade sobre os tempos futuros não nos pode afastar na nossa responsabilidade atual. Não é que Deus não nos tenha dito sobre o futuro. Muito nos foi dito, particularmente, que o Senhor em breve virá. Mas quando, não sabemos! O que sabemos, no entanto, é que o Arrebatamento irá iniciar eventos a acontecerem na terra e no céu, como revelado pelas Escrituras, antes de o fim chegar.

Esta Terra é a plataforma (ou o palco) no qual o grande drama da redenção tem sido elaborado. Os efeitos desse maravilhoso trabalho serão para sempre, mas a Terra na qual ele aconteceu não vai durar para sempre. Nós agora vamos olhar para o que vai acontecer à presente criação, e como ela vai acabar.

II Pedro 3 declara que existem três diferentes "céus e terra":

  1. "de longo tempo, houve céus bem como terra" (v.5), o "mundo daquele tempo" (v.6) Ele foi coberto pelas águas do grande dilúvio de Gênesis 7.
  2. "os céus que agora existem e a terra" (v.7). Estes estão reservados para o fogo no dia do julgamento que está por vir.
  3. "novos céus e nova terra, nos quais habita justiça" (v.13), o que João também viu na sua grande visão (Apocalipse 21:1); quando as coisas antigas tiverem passado e houver um estado eterno de bem- aventurança.

"Os céus e a terra" nesse contexto é todo o ambiente feito para o homem. Para mostrar como os "céus e terra" de hoje irão terminar, são usadas três frases instrutivas no Novo Testamento:

  • tudo será "entregue"
  • eles serão "mudados"
  • eles serão "queimados"

Entregue

I Coríntios 15:24 diz-nos que "virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder". O que é descrito aqui é a completa e final vitória do nosso Senhor Jesus sobre todos os inimigos que invadiram esse mundo, incluindo o "último" deles, a morte (v. 26). Esta terra, desde a queda do homem no Éden, tem sido o cenário de muita rebelião contra Deus, da constante luta do mal contra o bem, de guerras e de conflitos, de séculos de tristeza e de sofrimento para a humanidade. Mas, também, nessa terra, apareceu o Filho de Deus para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo e para salvar do poder de Satanás todo aquele que crer nele (Hebreus 9:26). Aquela obra no Calvário é a garantia da mais completa liberdade e de triunfo eterno para os redimidos.

Então, antes de o presente céu e terra chegarem ao fim do seu tempo e propósito destinados, terá de haver uma deposição final de todos os inimigos e a subjugação de toda a força rebelde. Cristo o fará através da grande batalha do Armagedom, na terra de Israel, e, depois, cerca de mil anos mais tarde, da última batalha de todas, que será concluída com o diabo sendo lançado no lago de fogo (Apocalipse 20:10). Todos os seus inimigos serão postos debaixo dos seus pés. Ele "julga e peleja com justiça" (Apocalipse 19:11). O nosso bendito Senhor irá entregar ao Deus Pai um trabalho de graça completo e perfeito e o governo desta terra onde o trabalho começou.

Mudados

Entre as glórias superiores do Filho de Deus descritas em Hebreus 1 está a sua potência criadora, vs 10-12. No começo, ele lançou os fundamentos da terra. Maravilhamo-nos outra vez com a obra das suas mãos. Do nosso ponto de vista, essa obra parece tão permanente. Até a Escritura fala de "montes eternos" (Gênesis 49:26). Mas eles não são permanentes. "Eles perecerão, envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados." (Salmos 102:26)

Esta imagem é de uma veste que já serviu ao seu propósito, mas já mostra sinais de desgaste do uso. É isto que vemos ao nosso redor, por exemplo, a diminuição dos recursos de matéria-prima que vão sendo usados, conforme o mar e a terra são pilhados e exauridos das fontes de alimento, e os recursos de energia diminuem. Este planeta tem sustentado o homem e inúmeras formas de vida por vários milênios, mas essa tarefa é cada vez mais difícil. A "veste" está ficando fina e esticada ao ponto de quase rasgar.

O que acontecerá depois? O nosso Senhor Jesus a enrolará - sem permitir que ela se torne em farrapos. Assim como um velho casaco usado, a Terra será enrolada e substituída por outra nova. Ele está no controle, assim, quando o tempo certo chegar, ele irá mudar o ambiente atual completamente e introduzir um novo e melhor, que nunca irá envelhecer. Mas Deus não irá mudar. Ele continua sendo a pessoa que ele sempre foi. Ele irá ultrapassar o trabalho das suas mãos. "Tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim" - "ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre" (Hebreus 1:12; 13:8).

Queimados

As palavras de II Pedro 3 mostram uma imagem diferente. O contexto é sobre Deus guardando as suas promessas, embora os descrentes pensem que não. Eles pensam que as coisas apenas continuam e continuam, como sempre. O capítulo aponta como Deus interrompe a história, numa maneira drástica, primeiro com o dilúvio e depois com um grande fogo. A sua escala de tempo é diferente das dos homens, no entanto. Ele é longânimo e ele nunca dispensa julgamento sem primeiro enviar misericórdia e oportunidade de salvação.

O mundo atual, foi-nos dito, está reservado para o fogo. "A terra e as obras que nela existem serão atingidas (queimadas)". As palavras gráficas dos versículos 10-12  apresentam uma cena de destruição total, até mesmo aniquilação - "Os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão".

Palavras como essas têm sido usadas para descrever eventos catastróficos que este mundo já testemunhou e que podem oferecer uma pista ao cumprimento de II Pedro 3. A terrível força destrutiva de uma explosão nuclear é bem conhecida. Nelas, pequenos pedaços de matéria são convertidos em energia quase instantaneamente, com efeitos devastadores extremos. Fissão nuclear (como na bomba atômica ou num reator para produção de eletricidade) e fissão nuclear (como na bomba de hidrogênio) são processos que libertam verdadeiramente imensas quantidades de energia. Isso é uma consequência da maneira como Deus desenhou o átomo.

Átomos são compostos de um núcleo contendo prótons e nêutrons com campos de energia que os mantêm no lugar, e elétrons que se movem muito rapidamente ao redor do núcleo nos seus campos de energia. Mas, de longe, a maior parte de todo o átomo é o espaço vazio entre o núcleo e os elétrons que se movem. Então, quando um átomo colapsa, essas vastas quantidades de energia são libertadas, e, onde antes havia matéria sólida, passa a ser um espaço vazio, nada. A equação de Einstein mostra quanta energia pode ser obtida da massa, e massa (aquilo de que o Universo é feito) pode ser considerada como uma forma de energia ou poder.

Agora, isto vai ao encontro do fato de que todas as coisas foram criadas e sustentadas "pela palavra do seu poder". Esse poder está lá para os seus desígnios de providência, ou governo. No tempo apropriado, esse poder será lançado na desintegração da Terra e de tudo o que nela há. O mesmo poder eterno irá então reconstruir um outro mundo, completamente novo e melhor.

É solene entender que tudo ao redor de nós, feito de átomos, já contêm dentro de si a maneira da sua própria destruição. O mundo de Gênesis 6 também era assim - as águas do dilúvio tinham sido armazenadas num enorme dossel de vapor sobre a terra e fontes subterrâneas, prontas e esperando que Deus as usasse para inundar a terra em julgamento. Outro exemplo disso pode ser a existência do maior vale em fenda da Terra, desde o norte da África até ao vale do Jordão, onde nos foi dito que mudanças geológicas profundas irão um dia acontecer, para partir o monte das Oliveiras em dois e trazer as águas do mar à Jerusalém (Zacarias 14:4-8). Deus, conhecedor do fim desde o princípio, tem tudo preparado para o seu propósito, muito antes de isso ser requerido.

Entregue, mudado ou queimado - esse mundo irá um dia chegar ao final do tempo para o qual foi destinado. Mas Cristo e o seu reino são eternos, e o seu povo irá partilhar da sua glória "por todas as gerações, para todo o sempre. Amém" (Efésios 3:21).


CAPÍTULO 4

Uma "Criação a Gemer"

Até aqui temos considerado como, no princípio, Deus lançou "os fundamentos da terra" (Salmos 104:5), e, na sua sabedoria, fez tudo o que ela contém (v 24). Nós também vimos nas Escrituras que, num dia futuro, ele irá trazer o fim de tudo, realmente o desaparecimento de tudo, depois de ter servido a sua finalidade.

Mas o que está acontecendo agora no reino criado em que vivemos e do qual formamos uma parte? Será que está simplesmente procedendo o seu próprio momento, como um antigo vagão de trem sendo desviado lentamente até parar, ou um trenó acelerando por uma encosta de neve abaixo, até a sua colisão? Ou será que estamos rodopiando pelo espaço num planeta seguro por forças invisíveis que nunca irão mudar? Não, nenhuma dessas imagens está correta!

Na verdade, dois fatos estão acontecendo ao mesmo tempo, de acordo com as Escrituras. Um é que o Senhor Jesus Cristo está "sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hebreus 1:3). Aquele que criou todas as coisas está no seu comando, fazendo-as continuar de acordo com a sua sabedoria e o seu poder. Não irá acontecer uma colisão cósmica ou uma colapse não planejada do nosso mundo. No seu grande amor, ele se importa com a humanidade, então, antes que este mundo pereça e desapareça, a sua graça planejou e providenciou um futuro num mundo muito melhor para aqueles que confiam nele.

O outro fato que está acontecendo é que o universo está naturalmente declinando e em contínua deterioração. Nós podemos ver isso em todo o nosso redor no planeta Terra, a parte do universo que nós conhecemos melhor. A entrada do pecado "por um só homem" (Romanos 5:12), alterou tudo. O solo foi amaldiçoado e "toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora", diz Romanos 8:22. Isto é vastamente diferente do Éden.

Nós iremos olhar para esse declínio e essa degeneração primeiro, depois, no próximo capítulo, iremos ver como tudo é mantido por uma mão que nunca perde o controle.

Consumido

O universo tem sido comparado a um enorme relógio ao qual foi dado corda no princípio e que está lentamente tique-taqueando, com cada vez menos força restante. Essa imagem tem algo de verdadeiro, sendo por vezes usada na ciência popular, mas sem reconhecer a mão divina que "fez o relógio", "deu a corda" e que pode avançar ou retroceder as horas dele!

Nós, por vezes, ouvimos que as estrelas estão "se consumindo". Para nós o melhor exemplo é o Sol, do qual a vida física na Terra está dependente. O Sol é uma estrela gigantesca que está sendo lentamente consumida, enquanto a sua massa material é tornada em luz e calor e outras formas de radiação pelo processo de fusão nuclear. Os átomos de hidrogênio estão sendo convertidos em átomos de hélio, o que libera imensas quantidades de energia. Ao ritmo com que isso está acontecendo, tem sido calculado quantos mais milhões de anos existirão até que o Sol "se consuma". A mudança na radiação do Sol não é perceptível durante séculos, mas se ele alguma vez parasse de brilhar, mesmo que por apenas alguns dias, a vida no planeta Terra iria rapidamente se extinguir. O nosso Deus "faz nascer o seu sol sobre maus e bons" (Mateus 5:45). Mas é um fato que a sua energia tem sido gasta, e a quantidade restante tem diminuído.

O desgaste irreversível pode também ser visto na Terra. Montanhas e colinas estão lentamente sendo erodidas pelas forças do vento e da chuva, da geada e da neve, do frio e do calor. Rios estão ficando assoreados por causa de dejetos trazidos das terras circundantes. Os mares estão se tornando mais salgados. A atmosfera também está mudando, pois gases leves escapam pela estratosfera, e outros são adicionados. Em todo o lugar reações químicas estão acontecendo para produzir materiais que são cada vez menos úteis e com menos energia do que os seus materiais iniciais. Tudo isso acumula numa imagem de "mudança e decadência" na Terra, mesmo antes de tomar em conta o que está acontecendo nos sistemas vivos da Terra, e os efeitos que o homem teve sobre o planeta.

"O Cativeiro da Corrupção"

Quando olhamos nos reinos vegetal e animal, os efeitos são igualmente evidentes. O resultado da maldição, dos "cardos e abrolhos", tem apenas piorado com os anos. Culturas alimentícias têm cada vez mais de competir com ervas daninhas, antigas e novas. Agricultura e jardinagem estão numa constante batalha contra o crescimento de espécies indesejáveis.  Embora seja verdade que ervas daninhas são apenas "plantas crescendo no lugar errado", os lugares onde elas parecem crescer mais é no espaço destinado às culturas alimentares. Adicional ao problema das ervas daninhas, há a incidência de doenças, parasitas, fungos e insetos desfolhantes (por exemplo, besouros e gafanhotos). Produtos químicos têm sido aplicados com algum sucesso para controlar ervas daninhas, doenças e pestes, mas os efeitos secundários são uma preocupação.Para "o deserto desabrochar como uma rosa", é preciso a remoção da maldição, não esquemas de irrigação gigantescos ou a aplicação de química! A criação que geme pode ser vista ao redor de todo o campo.

Em todos os continentes também pode ser vista a natureza "vermelha-no-dente-e-na-garra". Predadores de todos os tamanhos devoram presas de todo o tipo, entre os animais da Terra, os pássaros do ar, os peixes do mar, e os insetos em todo o lado. A morte de uma espécie permite a sobrevivência de outra. Este é o estilo do mundo atual. Os efeitos da maldição podem ser ouvidos no uivar do lobo, no rugido do leão, no pio da coruja, no silvo da cobra, no bater de asas do mosquito, e nos gemidos de suas presas. No futuro, quando Cristo reinar, isso vai ser diferente: "Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte" (Isaías 65:25), mas, por agora, "o pecado reinou pela morte" (Romanos 5:21).

Quanto a nós, quando o vigor da nossa juventude declina, e as limitações da velhice aumentam, o gemido é por vezes literal e audível. Acidentes ou percalços podem precipitar esses gemidos em qualquer estágio da vida. Aparecem dores e sofrimentos, acontecem doenças e enfermidades: "gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8:23). Essa redenção é um prospecto maravilhoso, mas, nesse ínterim, somos gratos pelos analgésicos e por uma série de medicamentos. Estes corpos de humilhação (Filipenses 3:21) fazem parte do legado da Queda, e não estão imunes aos seus efeitos. Mas isso será diferente quando Cristo voltar - teremos um corpo como o dele, completa e finalmente separado de todos os efeitos do pecado. Então, na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, nós, e também toda a criação, seremos libertos do cativeiro da corrupção (Romanos 8:21). Sairemos com alegria e em paz seremos guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de nós, e todas as árvores do campo baterão palmas (Isaías 55:12).

A Mordomia da Humanidade

O desgaste natural da Terra e dos seus sistemas tem sido grandemente acelerado pela atividade humana, aumentando conforme os séculos passam. Deus deu ao homem a responsabilidade de cuidar e usar a Terra e os seus recursos, tanto por meio de Adão como de Noé, mas, infelizmente, essa mordomia tem sido falha. O egoísmo levou ao descuido, à negligência, e à exploração da Terra e de seus recursos. O uso sustentável a longo termo tem sido sacrificado em detrimento de lucros a curto prazo.

Então hoje temos deflorestação intensiva, campos contaminados, unidades populacionais de peixes depauperadas, buracos na camada de ozônio, poluição atmosférica e a ameaça da mudança climática. Temos problemas de fome e doenças, desperdício e destruição devidos à ineficiência, e mais devidos a guerras e a conflitos. Temos estradas congestionadas e cidades sobre populadas, fornecimentos de combustível a serem rapidamente depletos, assim como outros recursos naturais e a correspondente dificuldade em lidar com depósitos de lixo, poluição, e muitos outros problemas que governantes e cientistas tentam resolver. Muito comumente, no entanto, desenvolvimentos na ciência e tecnologia têm sido usados para danos e guerra em vez do benefício e da paz, para enriquecer o rico em vez de ajudar aos pobres.

Nós somos parte de uma criação que geme e que aguarda. Pessoas ainda sofrem. Injustiça ainda persegue o mundo. Mas Deus está no controle. Os seus propósitos serão realizados para a bênção de todo aquele que estiver disposto a confiar nele. Entretanto, "deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus" (II Pedro 3:11-12), aquele dia quando todo gemido cessar, quando não existir mais nenhuma maldição sobre a bela criação de Deus. 


CAPÍTULO 5

"Sustentados pela Palavra do seu Poder"

Ao nosso redor, para onde quer que olhemos, podemos ver padrões regulares e sistemas que estão sob controle. O homem no seu pecado e na sua obstinação muitas vezes fica fora do controle, mas não o mundo natural, pois este está submetido às leis do Senhor. A noite segue ao dia, o verão vem depois da primavera, a Lua segue as suas fases, os planetas próximos e as constelações mais distantes no céu noturno seguem padrões que são reconhecíveis ano após ano. As horas do nascer e do pôr do sol são tão regulares que podem ser calculadas com anos de antecedência, assim como o subir e descer das marés, acuradas em razão de segundos. Isto tem como base a constância da órbita anual da Terra ao redor do Sol, a sua rotação diária no seu próprio eixo e, em relação às marés, ao ciclo lunar mensal - tudo isso estabelecido pelo seu Criador.

É também assim com o mundo vivo. Olhe para os pássaros. Nos países do Norte, as andorinhas e outras aves migrantes de verão chegam na hora certa, vindas de milhares de quilômetros de distância, fazem os seus ninhos no mesmo lugar que no ano anterior, ficam por alguns meses para cuidar dos filhotes e depois partem outra vez no fim do outono. Nos jardins e nos campos, brotos verdejantes rompem pela terra despida e belos botões aparecem no tempo esperado, antes de produzirem o seu fruto e morrerem. Nos grandes rios, salmões dos oceanos nadam contra a corrente e saltam por cima de grandes cachoeiras, para porem os seus ovos no mesmo leito de rio onde começaram a sua vida anos antes. Nos nossos corpos, os ciclos de circulação do sangue, respiração e digestão dos alimentos são tão regulares e triviais que nem sequer paramos para pensar sobre eles (até algum deles der problema!) enquanto funções especiais, como ter filhos, são tão programadas que a data de nascimento pode ser preparada com extrema antecedência.

Isto tudo é muito maravilhoso.

Leis Naturais

Aqueles que estudaram qualquer dessas matérias irão dizer que seguem leis muito conhecidas que têm sido descobertas ao longo de muitos anos de observação e medições. É óbvio que tudo não se encontra num estado de caos. Obedece-se a certos princípios, os quais os cientistas chamaram de leis naturais. Para o cristão, a existência dessas leis naturais não é surpresa alguma. Elas originaram da sabedoria do Deus Todo-Poderoso que tem por marca a organização e a beleza em tudo o que ele faz e que faz tudo de acordo com a sua própria vontade. Toda a criação de Deus está sustentada pela palavra do seu poder (Hebreus 1:3). A sua palavra não é simplesmente uma lei a que se-obedece. Ele pessoalmente tem tudo no seu controle. O universo não é governado pela ciência, é governado por Deus.

A ciência oferece descrições e explicações para esses processos naturais. Por vezes essas explicações e as suas leis são dadas em termos de matemática complexa e elegante. Até tem sido alegado que o universo é pura matemática. Sir James Jeans (1877-1946), um renomado matemático e cientista inglês, escreveu o seguinte:

"O universo parece ter sido desenhado por um puro matemático...  Se  o  universo  é  um  universo  de  pensamento, então a sua criação deve ter sido um ato de pensamento. A teoria científica moderna leva-nos a pensar no criador como trabalhando fora do tempo e espaço, que são parte da sua criação, assim como um artista [pinta] fora da sua tela".

Jeans está entre muitos grandes pensadores que foram levados a reconhecer o Criador pela observação do belo desenho e da ordem precisa do universo. A sua linguagem pode não ser aquilo que usaríamos para descrever Deus, mas as suas palavras exemplificam a verdade de Romanos 1:19-20, e o inspirado autor diz que a criação deixa o homem sem desculpas.

Deus o criador e sustentador de tudo. Ele é superior a qualquer lei, Ele próprio cria as leis. E todas essas leis, como as morais e espirituais, são para o benefício de todos. Um mundo que não obedecesse a nenhuma lei seria um lugar perigoso, tal como uma sociedade sem leis.

As Leis Fundamentais

Quatro leis fundamentais governam o mundo natural. É de salientar que os seus descobridores reconheceram que estavam estudando os maravilhosos trabalhos de Deus.

  1. A lei da gravitação. A melhor aplicação conhecida dessa lei universal é a lei da gravidade que controla todos os movimentos na Terra. Sir Isaac Newton (1642-1727), quando descobriu a lei da gravidade, viu "o conselho e domínio de um Ser inteligente... que é Senhor de tudo". As leis do movimento planetário relacionadas explicam e descrevem como e por que a Terra e os outros planetas movemà volta do Sol em órbitas elípticas. Quando Johannes Kepler (1571-1630) as descobriu, ele orou "Oh Deus, eu o agradeço que me tenhas permitido pensar os teus pensamentos depois de ti!"

  2. As leis da eletrostática. Cargas opostas atraem-se, e cargas iguais repelem-se, com uma força que rapidamente diminui quanto mais distantes as partes estão. Essas leis, junto com leis relacionadas do eletromagnetismo, governam cada aparelho elétrico que você possa pensar, natural ou feito pelo homem. Michael Faraday (1791-1867), um dos grandes pioneiros no seu campo, foi um pregador do evangelho e honrou a Deus no seu trabalho.

  3. As leis da termodinâmica. Essas leis foram deduzidas no século XIX a partir de estudos sobre calor (termo-) e movimento ou trabalho (dinâmica). Elas governam todos os processos, mudanças e reações, sejam químicas ou físicas, naturais ou tecnológicas. A primeira dessas leis é a conservação da energia - a energia não pode ser criada ou destruída. Então esse imenso poder ou energia no universo foi obrigatoriamente providenciado fora de si mesmo - como a Bíblia diz que foi. A segunda lei governa a produção de trabalho útil e mostra que, quando trabalho é produzido, alguma energia tem que ser desperdiçada (por exemplo, para refrigerar um mecanismo). Essas leis foram formalizadas pelo Lord Kelvin (William Thomson, 1824-1907). Ele disse: "A ciência positivamente afirma o poder criativo".

  4. As leis da vida. A mais básica dessas é a lei da biogênese, formulada por Louis Pasteur (1822- 1895). Ela declara que vida pode apenas vir de uma vida prévia. A vida nunca vem de matéria morta - no entanto, um dos argumentos-chave da evolução é de que isso aconteceu! Essa lei diz que isso não aconteceria! Apenas Deus pode dar início à vida. O trabalho de Pasteur levou à cirurgia antisséptica, pasteurização, imunização e vacinação, que salvaram inúmeras vidas. Ele disse, "Quanto mais estudo a natureza, mas fico admirado com o trabalho do Criador".

Lei e Ordem

Em todo o campo da ciência e da tecnologia, em cada aplicação, desde a microbiologia até a astronomia, da oceanografia à vulcanologia, da ciência da computação à agronomia, e dezenas mais, são a lei e a ordem que prevalecem. Se não fosse assim, as matérias seriam impossíveis de estudar, e os seus benefícios indisponíveis.

Esta lei e esta ordem são um presente de Deus à sua criação, como também é o intelecto do homem que pode descobrir e aplicar essas leis. Infelizmente, muitas dessas descobertas e aplicações foram abusadas e não empregadas para o benefício humano. Pense nos explosivos - para escavar túneis, extrair minerais, ou fazer bombas e minas terrestres. Pense nos usos e abusos da impressão, da Internet e aí por diante. O conhecimento extra e habilidades agora disponíveis realçaram o dilema humano básico - como decidir entre o bem e o mal, que destino dar aos recursos, como fazer a escolha correta. A ciência não consegue oferecer orientação para isso.

Mas, para todo aquele disposto a procurar, a orientação está disponível. É encontrada na lei moral e espiritual de Deus: "A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma" (Salmos 19:7). "Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniquidade alguma." (Salmos 119:133)

Essas quatro leis fundamentais da natureza descritas acima englobam muitas outras leis ou muitos outros princípios que são usados em campos especializados da ciência e da tecnologia, para "decifrar" os detalhes e as aplicações. Algo similar é visto na lei espiritual de Deus. O Senhor Jesus disse que a mensagem da lei e dos profetas estava contida em dois mandamentos fundamentais: amar ao Senhor com todo o coração, alma e mente; e amar ao seu próximo como a si mesmo (Mateus 22:36-40). "O cumprimento da lei é o amor", é como Romanos 13:10 declara. Muitos mandamentos da Sagrada Escritura "decifram" os detalhes e dão exemplos particulares para aplicar no dia a dia, mas a lei fundamental é a lei do amor. Esse é o primeiro e o maior mandamento.

Esta "perfeita lei do Senhor" (Salmos 19:7), revelada na sua Palavra, mostra-nos como glorificá-lo e ser útil ao próximo. Essas leis naturais, as quais consideramos, "a palavra do seu poder" (Hebreus 1:3), também fazem isso. Elas existem para o bem de todos, embora talvez passem despercebidas por muitos. Elas também apontam, sem nenhuma confusão possível, para Deus o seu autor, contando a glória da sua sabedoria.


CAPÍTULO 6

Ordem e Caos

Em Gênesis 1, lemos sobre como Deus, na sua sabedoria e no seu poder, trouxe ordem e beleza a partir do caos sem forma. Vazio e escuridão foram, passo após passo, substituídos por aquilo que Deus repetidamente chamou "bom" e depois "muito bom". As coisas foram, então, separadas umas das outras, um mundo ordenado, estruturado e belo foi criado, pronto para o homem viver.

Em Gênesis 3, no entanto, tudo está mudado - pecado e caos se espalharam, assim como continuam a se espalhar, até aos dias de hoje. Mesmo assim, uma todo-poderosa e graciosa mão governadora controla tudo. O propósito de Deus é encabeçar todas as coisas em Cristo e glorificar o seu nome para sempre. Mas o propósito de Satanás é promover o caos, a desordem e a desobediência a Deus. O aumento da desordem e a deterioração, tanto na sociedade e no reino da criação, mostram que tudo na era atual não está da maneira como Deus designou para ser.

Nós temos notado recentemente quanto esta Terra tem se mudado. A história da criação está se movendo pelos capítulos negros do "cativeiro e da corrupção". Eles incluem aquilo que a humanidade chama de desastres naturais ou, até mesmo, "atos de Deus", e o homem diz: "Por que Deus permite isso acontecer?" Deus é culpado quando as coisas vão mal de acordo com o ponto de vista das pessoas, mas elas nunca reconhecem a sua providência e provisão a cada dia, raramente agradecendo-lhe pela sua graça e bondade. Não há como negar que os presentes capítulos do mundo são realmente negros e muito difíceis para muitos, mas os últimos serão tão brilhantes e belos como o primeiro, ainda mais belos, quando

"Cada  traço  da  triste  história  do  pecado,  toda  a maldição tiver passado". (H Bonar)

Os efeitos da redenção irão espalhar-se além da igreja e da nação de Israel para incluir toda a criação. Ordem e beleza ainda irão prevalecer.

Entropia

A mudança e a decadência à nossa volta podem ser examinadas usando um importante princípio científico chamado entropia. Todos os processos naturais são governados por mudanças em energia e entropia, e nós iremos ver alguns exemplos a seguir. Podemos ser mais familiarizados com o conceito de energia. Mas entropia é importante, significando basicamente caos ou desordem. Ela vem da segunda lei da termodinâmica, que já vimos antes. Poderemos ver que, de fato, ela nega as propostas principais da evolução.

Em processos naturais, energia é usualmente gasta, como quando um fogo queima para gerar calor, ou quando água escorre por uma turbina abaixo para produzir eletricidade. As cinzas e os subprodutos de combustão, ou a água num nível inferior, contêm muito menos energia do que tinha no começo. Em tais processos, também existe mais desordem no final do que no começo; por exemplo, os subprodutos da combustão possuem mais entropia (mais desordem) do que o combustível e o oxigênio. Num exemplo diferente, depois de o sal ser dissolvido na água, existe mais entropia do que antes. As partículas estão mais "misturadas" na solução, sendo essa a razão pela qual o sal se dissolve.

Mesmo na vida diária, algumas coisas "simplesmente acontecem" por causa de um aumento na entropia. O seu quarto, a sua escrivaninha, os seus arquivos ficam desarrumados, desorganizados tão facilmente - sem nenhum esforço da sua parte! Ou, mais dramaticamente, um copo de água (ou pior ainda, de leite) cai da mesa e os líquidos, mais os fragmentos de vidro, "simplesmente acontecem" de ir parar em todo lado! (Lembrar 2 Samuel 14:14.) Existe um estado de caos, desordem e até mesmo quebrantamento que "simplesmente aconteceu".

O princípio geral é, se a entropia aumenta, processos vão acontecer naturalmente, eles irão "simplesmente acontecer", tendo as condições apropriadas. Mas eles não vão "simplesmente acontecer" na direção contrária. Limpar uma bagunça e organizar coisas não "acontece simplesmente", não interessa quanto tempo você esperar! E a água também não flui para cima, subprodutos de combustão não viram combustível outra vez, e o sal não se separa da água por conta própria. Esses processos reversos podem ser feitos acontecer, por exemplo, a água pode ser bombeada para um nível superior, pode-se fazer uma arrumação, mas todos eles exigem uma aplicação designada de energia.

A partir do princípio da entropia, podemos concluir (pela experiência e toda a ciência conhecida a confirmar), que as coisas que simplesmente acontecem por vontade própria são aquelas que eventual e inevitavelmente irão gerar mais desordem e maior entropia. É o aumento na entropia que move tais processos.

Duas Implicações

Existem, pelo menos, duas implicações nisso. A primeira é que, quanto mais tempo os processos naturais no universo vão acontecendo, mais a desordem (entropia) aumenta. Assim como o tempo não pode ser voltado para trás, a entropia do universo não diminui. Por causa disso, a entropia tem sido chamada "a seta do tempo". Nós observamos uma criação gemendo, obedecendo à segunda lei da termodinâmica, movendo na direção do aumento da entropia, junto com a diminuição da energia disponível. A entropia total, o caos, é atualmente maior do que alguma vez foi.

A outra implicação da inevitável entropia em todos os processos naturais ameaça o princípio fundamental da evolução, que diz que sistemas e criaturas mais complexas "simplesmente aconteceram" de se desenvolver a partir de outros mais simples, ao longo de um grande período de tempo. Mas é contrário à segunda lei da termodinâmica (e também de toda a nossa experiência) dizer que sistemas mais simples e desorganizados conseguem se tornar por conta própria mais complexos e organizados. Ordem e organização não "acontecem simplesmente" vindo do caos, não importa quanto tempo passar. Como já vimos, alguma inteligência externa e uma aplicação designada de energia ou poder são requeridas para fazer isso acontecer.

Veja um exemplo específico. Em todas as células vivas, existem muitas substâncias complexas (proteínas, lipídios, ácidos nucléicos, etc.) num fluido à base de água. A vida é sustentada nessas moléculas muito complexas, interagindo com outras igualmente complexas, combinando e coordenando processos. Agora, de acordo com a evolução, essas moléculas organizadas "simplesmente aconteceram" de se formar a partir de outras menores e mais simples. Também por coincidência, as outras moléculas correspondentes "simplesmente aconteceram" de serem sintetizadas a partir de outras menores naquele tempo - assim o DNA seria formado e a vida começaria! Certamente, indo ainda mais atrás, essas próprias moléculas menores "simplesmente aconteceram" de se formarem dos seus componentes de átomos, e esses átomos das suas partículas componentes, e assim por diante de volta ao nada! Tais processos são opostos pelas restrições da entropia termodinâmica, e o senso comum havia de concordar (na verdade, dizer a mesma coisa numa linguagem diferente!). Síntese e cooperação coincidente e cumulativa não "acontecem simplesmente", a não ser que "alguém" organize isso!

É claro que é verdade que biomoléculas estão sendo constantemente feitas em células vivas, como os evolucionistas apontam. Mas repare que essa biossíntese acontece apenas dentro de células previamente vivas. Antes de a vida estar presente, ela não pode ser sustentada. Um sistema inteligente (por exemplo, uma enzima) já está no lugar, "Alguém" organizou isso, para utilizar energia e dirigir a reação para a direção difícil da baixa entropia (como no caso da bomba de água referida acima).

Sem isso, o que acontece por vontade própria é a degradação das moléculas complexas para outras mais simples, assim como realmente observamos na natureza num longo período de tempo. Tecido animal ou vegetal, velho e morto, deixado sozinho, apodrece, um processo natural que "simplesmente acontece", movendo na direção da entropia mais alta, a direção oposta ao que a evolução requer!

Revertendo as Mudanças

Por vezes você pode passar por um edifício velho e em ruínas. A destruição do tempo tornou numa pilha de destroços aquilo que uma vez foi uma bela estrutura, desenhada e feita por alguém muito tempo atrás. Deixado ao abandono, qualquer estrutura feita pelo homem move na direção do aumento da entropia. As estruturas naturais também o fazem, como temos descrito.

Mas aquele processo pode ser revertido. Se alguém com um plano de desenho (inteligência) e com recursos (energia) trabalhar naquela pilha de destroços, uma bela estrutura pode voltar a aparecer. Mas ela não vai aparecer por conta própria! Quanto mais tempo ficar abandonada, pior fica, e mais deteriora. Foi-nos dito que a evolução requer centenas de milhões de anos para trazer ao mundo milhões de formas de vida variadas e, antes disso, mais centenas de milhões de anos para criar um ambiente para a vida começar. Mas, de acordo com a segunda lei da termodinâmica, esses vastos períodos de tempo promoveriam mais deterioração, aumento da entropia, e não mais organização e melhoramento. Lembre- se de que a entropia é a seta do tempo. Quanto mais tempo, mais desorganizado tudo se torna.

No princípio, Deus, na sua sabedoria e no seu poder, trouxe ordem e beleza a partir do caos. Quando o nosso Senhor Jesus Cristo renovar esse mundo e reinar em perfeição, ele fará isso outra vez. Ele irá remover a maldição da Terra. Ele irá remover todos os efeitos do pecado. Ele irá diminuir a entropia. O desgaste será parado, a corrupção irá acabar, os gemidos serão acalmados em paz.

Agora o pecado reina e a entropia também, num mundo onde as ideias humanas levam cada vez mais ao caos. No entanto, em nossa vida e na igreja de Deus, por exemplo, a divina organização pode ser encontrada (I Coríntios 14:33- 40), à medida que, atual e deliberadamente, se obedece à sabedoria e ao poder da Palavra de Deus.


CAPÍTULO 7

Os Dias da Criação

Agora é hora de voltar a Gênesis 1 para considerar alguns dos detalhes desse notável capítulo. Vale a pena relê-lo mesmo agora, se você não o fezrecentemente. Isto é o que Deus revelou sobre o princípio, o que acreditamos ser o que verdadeiramente aconteceu.

Hebreus 11:3 diz que, "pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus". Lá não diz: "Nós entendemos como...", porque nós não entendemos como. Deus não nos revelou isso e, mesmo que ele o tivesse feito, poderíamos não ser capazes de o compreender. Mas nós entendemos que ele o fez, porque ele nos disse assim. Pela fé entendemos, porque a fé é a nossa resposta à revelação de Deus. Esta fundação é firme como a rocha. Existe muita especulação sobre como a criação aconteceu, mas isso é o arrazoamento humano, constantemente em mudança, cujas pesquisas são baseadas em evidências dos dias atuais, que poderiam ser completamente irrelevantes às condições do princípio. Tais especulações não têm lugar   em Gênesis 1.

Alguns Dias

Existiram muitos debates sobre o que um "dia" significava em Gênesis 1 – particularmente o que a palavra significava, ou quão longo era cada "dia". Algumas pessoas sugeriram que os dias eram dias de revelação a Moisés, conforme ele escreveu sobre isso. Outros usaram II Pedro 3:8 para "provar" que cada dia se estendeu por milhares de anos. (Aquele versículo não possui tal sentido ou aplicação. Ele simplesmente afirma que a medida de tempo é completamente irrelevante para Deus.) Em alternativa, desde que lemos sobre o "dia da graça", o "dia do Senhor", etc., os dias poderiam ser (longos) períodos de duração indeterminada. Certamente a palavra dia por vezes realmente tem tal significado. Mas, como iremos ver, essas ideias não ajudaram de maneira alguma a resolver os problemas que se pensava existir.

Mais legitimamente, interessantes lições espirituais foram tiradas das atividades dia a dia da criação, por exemplo, em paralelo com o trabalho de Deus para a nova criação (como em Efésios 2:10). A luz ilumina a manhã, a vida começa, frutos são produzidos, e assim por diante. Todos esses dias têm sido vistos como uma imagem ou tipo das dispensações das interações de Deus com o homem por toda a história deste mundo, movendo ultimamente para o dia do descanso eterno.

Então, como foi um dia de criação em Gênesis 1? Foi simplesmente um dia, a maneira de medir o tempo mais comum e reconhecível por todos os povos em qualquer lugar, através da história. A duração das horas, ou mesmo anos, não foi sempre reconhecida por todos, antes de relógios e calendários existirem, mas a regularidade da "noite e dia" dificilmente seria ignorada. Deus escolheu essa unidade fundamental de tempo tão conhecida, para nela realizar os seus vários atos da criação.

A explicação mais simples e óbvia de um "dia" de criação (e as explicações mais simples são sempre as melhores!) é confirmada por um comentário feito em Êxodo 20:11, sobre o sábado de Israel, um dia da semana normal, para seguir a seis dias similares: "Porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou". A palavra "dia" significa o mesmo através da passagem. Nós também teríamos de olhar ao uso da palavra em todos os capítulos iniciais de Gênesis e ser coerentes. Por exemplo, no capítulo 1, lemos sobre a noite e o dia (v 5), estações, dias e anos (v 14). Também, quais são "os dias da vida [de Adão]" (3:17), ou os "quarenta dias", "cento e cinquenta dias", etc., do dilúvio (7:17-24). Seria difícil, até mesmo absurdo, fazer uma palavra significar algo diferente daquilo que é óbvio.

Algumas Dificuldades

A razão principal pela qual se pensou ser necessário interpretar um "dia" para significar outra coisa foi para fazer longos períodos de tempo ficarem disponíveis para a história geológica, que, no século XIX, foi (e ainda é) insistida como algo  fatual  e indiscutível.  Nunca  tinham existido problemas com um "dia" antes disso. Mas tentativas de "estender" o dia ainda assim não conseguiram ir de encontro aos requerimentos dos registros geológicos aceitos, outra vez causando mais problemas do que resolvendo, algo semelhante à Teoria  do  Intervalo  que  já  descartamos anteriormente. Nós iremos ver numa parte mais à frente desta série que a história geológica é melhor explicada pelos efeitos do grande dilúvio de Gênesis 7. Nunca é uma boa ideia interpretar as palavras da Escritura para encaixar com ideias do homem, que são estranhas à Escritura e que são possíveis de mudarem de qualquer maneira.

Outra dificuldade para algumas pessoas é que isto parecia um tempo muito curto para tudo aquilo acontecer! Ainda assim, é possível detectar a ridicularização quando eles dizem, "Você de certo não acredita que o mundo foi feito em seis dias!" Na verdade, nós acreditamos e não pedimos desculpa! Repare em duas coisas sobre isso.

Primeiro, Deus podia ter feito tudo em apenas um instante, se isso fosse da sua vontade. Nós precisamos de tempo para fazer um trabalho, os evolucionistas postulam milhões de anos. Mas ele não precisou, ele é Todo-Poderoso. De certa maneira, é de admirar que ele levou tanto tempo com isso! O que ele nos mostra é uma manifestação progressiva do seu poder e da sua sabedoria numa forma ordenada, um dia por vez, para ensinar-nos sobre ele mesmo. O seu método de ensino é sempre "preceito sobre preceito... regra sobre regra" (Isaías 28:10). Isso é também como ele deseja que vivamos a nossa vida, dependendo dele, um dia de cada vez.

Em segundo lugar, existe uma teoria muito popular chamada o Big Bang    no qual é proposto que toda a matéria no universo foi feita numa pequena fração de segundo, a partir de um pequeno grão de algo, por uma enorme explosão. É estranho que não são feitas questões, nem sobrancelhas se levantam à ideia de todo o material desse imenso universo aparecer em apenas uma pequena fração de segundo, de repente, do nada! Uma mentalidade completamente diferente é aplicada à criação em seis dias pela palavra de Deus.

A teoria do Big Bang é popular por razões óbvias, mas é baseada em argumentos muito tênues, e enormes extrapolações. Ela começa por algumas observações astronômicas, que sugerem um universo presentemente em expansão, projetado de volta no tempo em que começou a expandir, quando foi sugerido ser apenas um pequeno grão. É calculado que isso foi há bilhões de anos, sem nenhuma mudança acontecer durante todo aquele tempo. De onde o grão original veio não é explicado, nem como uma explosão poderia acontecer do nada, sem energia para desencadeá-la, nem como essa explosão fez algo útil, quando todas as explosões que conhecemos destroem as coisas! Está faltando lógica nessa teoria. Muitos irão admitir, "Não conseguimos entendê-la, mas acreditamos que isso aconteceu". Aqueles que põem a confiança na Palavra infalível de Deus podem estar infinitamente mais confiantes, mesmo em relação à lógica, quando dizemos: "Pela fé, entendemos..." Na verdade, se você pensar sobre isso, o termo "Big Bang" (Grande Explosão) seria muito mais corretamente aplicado ao fim de tudo, não ao começo, de acordo com II Pedro 3:10.

Algo Definitivo

Conforme você lê o primeiro capítulo de Gênesis (outra vez), a imagem geral é clara para você, assim como era para o leitor devoto das Escrituras no começo dos tempos judaicos, para aqueles que viveram nos dias do Novo Testamento, na Idade das Trevas e na Idade Média, na verdade, durante todos os séculos anteriores, a.C. e d.C., e para a maioria das pessoas por todo o mundo nos dias de hoje. A maneira como o capítulo foi escrito permitiu que fosse compreendido por qualquer pessoa, muito antes de uma linguagem científica ter sido inventada, e antes de a era científica ter trazido objeções e emitido as suas questões e críticas. O capítulo foi escrito, não para ensinar ciência ou lógica, mas para ensinar sobre Deus e a sua grandeza. No entanto, é completamente consistente com fatos científicos reais e lógicos.

A Criação foi um conjunto progressivo de atos soberanos por Deus para preparar um mundo adequado para o homem viver, para preparar um palco sobre o qual o grande drama da redenção seria representado. Cada dia trouxe o objetivo mais próximo. Do caos vazio, Deus elaborou um ambiente ideal para o homem que ele tinha em mente, para viver uma vida cheia e realizada em harmonia com ele mesmo. No sétimo dia esse ambiente já estava terminado, e Deus descansou em harmonia com o homem que ele tinha criado.Isso era "muito bom".

As atividades do Criador são diferentes todos os dias, como "Ele falou, e tudo se fez" (Salmos 33:9). Mas certas frases são repetidas vezes e vezes, como "e disse Deus", "e assim se fez", e "isso era bom". Isso mostra-nos a contínua conexão entre o propósito de Deus, o seu poder e a sua satisfação, temas que irão desenvolver-se pelas páginas da Escritura e que, por graça sem par, também nos incluíram. 


CAPÍTULO 8

O que Deus Criou e Fez

O registro inspirado de Gênesis 1 contém tudo o que precisamos saber sobre a criação do universo. Ele não contém tudo o que poderíamos querer saber sobre esse fascinante e interessante assunto, porque nós somos naturalmente curiosos sobre assuntos que afetam a nós e ao nosso ambiente. No entanto, por mais que perguntemos ou tentemos pesquisar e entender pela lógica, encontramos sempre grandes dificuldades. Por qualquer medida de tempo, tudo aconteceu muito tempo atrás. As condições atuais são provavelmente muito diferentes e, sendo assim, irrelevantes às condições do princípio, porque mudança e interrupção são a norma da história, tanto humana quanto geológica. Muitas teorias têm sido propostas, mas todas contêm enormes pressuposições, extrapolações e incertezas, e, como já vimos, muitas das teorias populares contêm erros e inconsistências mesmo com fatos já estabelecidos.

Seria melhor perguntar a alguém que sabe, alguém de confiança que estava presente no momento da criação a observar. Durante o trabalho da criação, nós lemos repetidamente "e Deus viu..." Aqui está o relato de tudo por uma testemunha de confiança, a única, registrado para o nosso benefício com todos os detalhes que Deus viu que precisávamos, e de tal maneira que leitores das Escrituras pelos séculos pudessem compreender. Cada tentativa de preencher os detalhes, ou de propor alternativas, sofre da grande desvantagem de não se ter estado lá para observar. A própria ciência depende do registro de observações verdadeiras, que foram vistas e medidas de maneira fiável. Em disputas jurídicas, o relato de testemunhas fiáveis tem mais valor que deduções, conjecturas e tentativas de reconstrução. Porque "Deus viu" e "está escrito", podemos ter completa confiança na veracidade de Gênesis 1.

Criado ou Feito?

Em Gênesis 1 e 2, o verbo "criar" (bara, em hebraico), ocorre em três pontos específicos, em 1:1, 1:21, 1:27 (3 vezes), ao passo que o verbo "fazer" (asah, em hebraico) ocorre mais vezes nos capítulos 1 e 2, cinco vezes em cada. As palavras são diferenciadas, e os seus sentidos divergem, mas não devemos prestar muita atenção a isso. Tem sido proposto que os três usos para o verbo "criar" denotam processos-chave no trabalho, por exemplo, "os céus e a terra" no primeiro dia, vida animal de todos os tipos no quinto dia, e o homem no sexto dia. Eles são claramente importantes, novos começos de obras específicas que irão ter papéis significantes na continuação das Escrituras. Mas não devemos deduzir que as outras coisas de alguma maneira não foram criadas!

As palavras só têm significado dentro dos seus contextos. Então encontramos que "criado" e "feito" são várias vezes usadas indistintamente, mesmo nesses versículos. Assim, em 1:26 lemos "façamos o homem..." e no versículo 27 há "Criou Deus, pois, o homem", em 1:1 "Deus criou os céus e a terra" e em 2:3 "a obra que, como Criador, fizera" (literalmente "criou para fazer"). É assim por toda a Bíblia, por exemplo, "Todas as coisas foram feitas por ele" (João 1:3), e "Todas as coisas tu criaste" (Apocalipse 4:11); Deus é o "nosso Criador" (Salmos 95:6; Eclesiastes 12:1), "Foi ele quem nos fez" (Salmos 100:3), Ele nos "criou", "formou" e "fez" (Isaías 43:7). Sendo assim, não é uma questão de uma coisa ter sido criada ou feita, é que tudo foi criado e feito. "Tudo foi criado por ele e para ele" (Colossenses 1:16 RC), e "sem ele nada do que foi feito se fez" (João 1:3). Qualquer palavra que você usar, o trabalho é todo dele, e ele possui toda a glória.

Progressão e Propósito

Todo o trabalho de Deus tem uma progressão e um propósito, como pode ser delineado em Gênesis1.Descrições modernas do universo tendem a enfatizar a sua vastidão, e a relativa pequenez da nossa galáxia, ou planeta, e de nós mesmos (e Davi pensou isso também numa noite, ver Salmos 8:3-4), mas o ponto de vista de Gênesis 2 é claramente centrado na Terra e certamente focado no homem desde o princípio. Dado que fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo, os planos de Deus focaram em por o homem no mundo; isso não foi uma reflexão posterior. Mas foi apenas quando um ambiente apropriado para o homem tinha sido criado que Deus disse: "Façamos o homem..." (1:26). Então, do primeiro ao sexto dia, esse ambiente estava sendo preparado como um palco. Vamos olhar à progressão dos eventos, conforme os versículos nos levam do universo (1:1), à terra seca (1:10), e para Adão e Eva (1:27).

De maneira geral, durante os primeiros três dias, Deus esteve formando e aperfeiçoando uma casa apropriada para o homem e, nos três dias a seguir, ele mobiliou-a com plenitude e variedade. O homem precisa de algum lugar estável e benigno, com luz para ver, ar para respirar, água para beber, comida para comer - então, Deus providencia estas coisas durante os dias 1, 2 e 3. O planeta coberto em água em completa escuridão é claramente incompatível - as águas têm de ser postas no seu lugar, uma atmosfera expansiva, e terra seca são feitas, e um fornecimento de alimento é estabelecido. Mas a humanidade também vai precisar de um meio de contar o tempo e também de um sentido de direção para as suas viagens, providenciados no céu, no dia 4. A casa do homem será um belo lugar com uma maravilhosa variedade de outras criaturas ao redor, vivendo, movendo e reproduzindo, miríades delas, no mar, no ar e na terra, feitas nos dias 5 e 6. O homem irá compartilhar a terra com todos eles, mas será diferente de todos, na verdade sendo-lhe concedidos o domínio sobre eles e a responsabilidade por eles.

Adicionalmente, o próprio Adão tem uma necessidade especial. Ele precisa de uma ajudante, que não existe mesmo entre as criaturas mais sociáveis, mas especialmente feita por Deus, Eva, a sua verdadeira equivalente e companheira. Acima de tudo, Adão e toda a humanidade precisam de Deus, pois o homem foi feito à imagem de Deus, com uma alma vivente que nenhuma outra criatura tem igual, capaz de comunicar e partilhar experiências significativas.

Então, cada dia de trabalho sustentou o próximo. Assim, a luz é fundamental, uma forma de energia da qual cada processo natural é dependente; a água é necessária, mas deve estar no lugar certo; terra seca com a sua vegetação está disponível como um habitat e fonte de alimento, de que tanto homens quanto animais necessitam. Deus fez tudo na ordem e na lógica corretas, de acordo com o seu plano e propósito.

Separação e Distinção

Que mudança maravilhosa aconteceu durante o percurso de Gênesis 1. Pelo "sopro de sua boca" (Salmos 33:6), pela "obra dos seus dedos" (8:3), pela perícia de suas mãos (119:73), na sabedoria da sua mente (104:24), e pelo amor do seu coração, Deus produziu uma obra-prima chamada "homem" num mundo que ele pode desfrutar. Tudo é belo por causa das separações e distinções que Deus produziu, diferentes da monotonia aguada e negra inicial. Ele separou a luz da escuridão, a água da água, o dia da noite, espécies de criaturas viventes de outras espécies, o macho da fêmea. Cada um desses é diferente porque Deus assim os fez.

"Segundo a sua espécie" é repetido dez vezes no capítulo 1 (e depois disso aparece apenas em Gênesis 6 e 7, Levítico 11 e Deuteronômio 14, o que é significativo). Isso significa que cada animal, pássaro, peixe, inseto, árvore, planta, etc., é uma espécie distinta. Dentro dessas espécies o tempo iria trazer características alteradas numa resposta às pressões ambientais ou reprodução seletiva, embora uma espécie não vá mudar para outra. A mudança dentro da espécie já foi observada - a única verdadeira evolução que existe, sendo melhor chamada de adaptação. Mudar de uma espécie para outra, no entanto, independente de quanto tempo é disponibilizado, não acontece, nunca foi observado. Essa "evolução" é especulação e teorização.

Macho e fêmea de espécies relevantes também foram criados, distintos e necessários uns para os outros e para produzir gerações futuras. A reprodução e a sobrevivência das espécies dependem completamente nas funções de correspondência e complementação de cada um desde o começo. A reprodução bem-sucedida com macho e fêmea parcialmente desenvolvidos é impossível - as espécies iriam extinguir-se! A evolução não tem como contornar isso. É simplesmente prático e óbvio que macho e fêmea tiveram de ser criados de base, desde o princípio!

O mais distinto de todos foi o homem. Deus fez outras criaturas em um grande número e de uma só vez, mas ele amorosamente formou o homem e depois a mulher, um único par. Distintos por terem uma "alma vivente", à imagem de Deus, eles eram especiais. Deus abençoou todas as criaturas do mar e do ar no quinto dia, mas, quando ele abençoou o homem no sexto dia, isso foi para um propósito maior. Toda a obra de Deus iria louvá-lo (Salmos 145:10), mas apenas o homem poderia e iria adorá-lo para sempre. Foi por isso que ele nos fez. 


CAPÍTULO 9

O Dilúvio e suas Consequências

A cheia mundial descrita em Gênesis 6 a 8 tem de ser tomada em conta quando existe uma tentativa de entender e interpretar a história passada da Terra e o seu estado presente. Quando pensamos sobre o dilúvio, por boas razões, temos a tendência de focar no seu lado espiritual, as suas causas e os seus efeitos, e a bela mensagem de salvação do julgamento na arca que Deus providenciou. Mas, na Escritura, existem algumas alusões aos efeitos físicos que ele teve na face da Terra, efeitos que a geologia testemunha muito claramente. O mundo tornou-se um lugar muito diferente depois do dilúvio, em relação ao que antes era. É exatamente isso que lemos em II Pedro 3:6-7, como notamos anteriormente.

O dilúvio foi um imenso cataclismo, de dimensões que mal podemos imaginar, uma mudança dramática em relação às condições que antes prevaleciam na Terra. Os processos de criação acabaram juntamente com as palavras de Gênesis 2:1-3. Deus disse que a criação era muito boa. Mas, o pecado entrou, a deterioração começou, trazendo com ela todos os processos que ainda hoje continuam e que, progressiva e inexoravelmente, irão levar à decadência e à morte. Estes são os processos controlados pelas leis naturais, que já consideramos. Então, por razões bastante conhecidas, as quais ele explicou antes de o dilúvio acontecer, Deus, no seu soberano poder, impôs sobre essas leis esse grande dilúvio, usando os materiais e as forças já presentes e latentes na Terra e nos arredores desde os dias da criação. Isso nunca antes tinha acontecido, e nunca acontecerá outra vez, testemunhe a promessa de Deus cada vez que você olhar para a beleza pura de um arco-íris! (Gênesis 9:12-16).

Mudanças

As mudanças causadas pelo dilúvio são numerosas e de grande alcance. O mundo nunca mais seria o mesmo. Essas mudanças afetaram a humanidade e as gerações subsequentes, o tipo de ambiente em que eles iriam viver, e a estrutura física da superfície da Terra que seria apenas explorada detalhadamente e em profundidade milhares de anos depois.

Em relação à humanidade, depois do dilúvio, a raça humana se dividiu em três ramos, que são reconhecidos até hoje pelo mundo. Ainda que a Bíblia nos trace de volta a Adão, pelo pecado original que foi passado para todos nós, etnicamente cada um de nós tem uma árvore genealógica que data até a um dos filhos de Noé. Estudos de marcador genético modernos confirmam isso. De Sem vieram Abraão e as nações judaicas e árabes; de Jafé veio a vasta distribuição de nações gentis espalhadas pelas mais distantes partes da Terra; de Cam vieram aquelas nações que encontraram morada no continente africano. Mas, para todos eles, o evangelho da graça de Deus foi dispensado sem distinção ou favorecimento - todo aquele que quiser pode aproveitar. Isso foi visto até mesmo no princípio da propagação do evangelho quando, em Atos 8, um sedento filho de Cam ouve sobre o Salvador no deserto de Gaza e obtém graça, em Atos 9, um endurecido e rebelde filho de Sem recebe misericórdia na estrada de Damasco e, em Atos 10, um devoto filho de Jafé encontra paz por meio de Jesus Cristo, que é Senhor de todos.

Outra mudança que afetou o homem foi a extensão da sua vida. Antes do dilúvio, o tempo de vida normal eram centenas de anos, de acordo com Gênesis 5, mas aqueles nascidos depois do dilúvio tiveram os anos de sua vida diminuídos para cem ou duzentos anos (ver Gênesis 11: 10-26), até ao fim de Gênesis e até no resto do Antigo Testamento, poucas pessoas viveram depois dos cem anos. "Setenta anos ou, em havendo vigor, oitenta" (Salmos 90:10) rapidamente tornou- se a norma no mundo inteiro, e ainda o é. Vamos ver em breve uma possível razão para isso.

Contrastes Climáticos

Quando veio o dilúvio, uma verdadeiramente vasta quantidade de água caiu dos céus sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites sem interrupção, além da subida das águas debaixo da superfície da Terra. Ambos estes fenômenos eram totalmente inauditos, libertados por Deus pela "sua obra estranha" de julgamento (Isaías 28:21), pois ele se deleita na misericórdia. As águas que Deus tinha posto "sobre o firmamento" no segundo dia da criação, para proteção, foram agora usadas para destruição, conforme inundaram e alagaram a Terra.

Pensa-se que a chuva era algo desconhecido antes do dilúvio; o crescimento das plantas e outras necessidades hídricas eram providenciados por uma "névoa" cíclica, que se levantava da face da terra pelo calor do Sol e possivelmente retornava todas as noites (ver Gênesis 2: 5-6). Ainda mais, aquela grande quantidade de água que estava sobre a atmosfera aérea (firmamento) estaria num estado vaporoso, circundando o globo com uma espessura considerável. Este manto, ou camada de vapor de água, teria um importante efeito no clima da Terra e no bem-estar de cada um dos seus habitantes. Primeiramente, isso teria um "efeito estufa", prevenindo o extremo frio ou calor na Terra, para que um clima uniforme temperado ou subtropical pudesse estar presente por todo o mundo, oferecendo condições para o crescimento luxuriante da vegetação e a sobrevivência dos animais e do homem. Em segundo lugar, ele iria filtrar a maioria dos raios cósmicos nocivos que bombardeiam o planeta continuamente, e também muita da nociva radiação ultravioleta, protegendo a tudo destas partículas e destes raios, conhecidos por causarem danos ao tecido vivo e provocarem doenças e envelhecimento.

Então, nos tempos antediluvianos, embora a paz e a beleza do Éden já não mais existissem, as condições climáticas eram benignas, ideais para a vida e para o crescimento. Não é de admirar então que as pessoas vivessem por tanto tempo e tivessem numerosos filhos durante a sua vida. Adicionalmente, a vida animal e vegetal podia vicejar, ao ponto que enormes animais, por exemplo mamutes e dinossauros em toda a sua variedade pudessem existir por todo o mundo, e enormes florestas, pradarias e pântanos de imensa variedade e densidade seriam normais, com enormes espécimes neles. Posteriormente, quando enterrado e compactado durante o dilúvio, toda essa vegetação se tornaria nas grandes minas de carvão do mundo e, por outros mecanismos, envolvendo organismos diferentes, se tornaria em vastos campos de petróleo também. Iremos considerar os fósseis com mais detalhes posteriormente, mas, obviamente, tudo isso se encaixa.

Depois do dilúvio, tudo se tornou diferente ao redor do globo. Sem o escudo do alto dossel de vapor de água, as temperaturas extremas e as estações contrastantes se tornariam comuns (ver Gênesis 8:22, as primeiras referências na Bíblia relativamente a verão e inverno, frio e calor). Com a secagem das águas, poderosos ventos assopraram (8:1), as águas da superfície congelariam, lençóis de gelo se formariam e deixariam a sua marca na paisagem conforme se movessem e derretessem. A espécie humana enfrentaria um novo conjunto de dificuldades que teriam efeitos de longo alcance. E muitas espécies de plantas e animais que anteriormente teriam sido comuns já não poderiam existir, incapazes de se adaptarem ao ambiente alterado, exceto por alguns que encontraram um nicho onde conseguiram sobreviver. Aqui é que "a sobrevivência do mais forte" seria realmente aplicável, e é principalmente a razão de dinossauros e gigantes similares se tornarem extintos.

Datação Radio carbônica

Há quanto tempo tudo isso aconteceu não se tem a certeza, embora os registros da Escritura sugiram que foi por volta de 3000 a.C. No entanto, existe um método chamado de datação por radio carbono que tem fornecido datas para certos artefatos muito anteriores a isso, até mesmo por volta de 10.000 a.C. Isso funciona da seguinte maneira.

Quando, por exemplo, uma árvore a crescer absorve dióxido de carbono da atmosfera, nele existe uma pequena quantidade de carbono radioativo chamado carbono 14, que declina estavelmente (reduzindo a sua quantidade) depois que a madeira é cortada. Ao medir a pequena quantidade de carbono que existe num espécime no presente e comparar isso com a quantidade que havia na madeira quando ela estava crescendo, a idade do espécime pode ser calculada, porque a taxa do declínio é conhecida (a "meia-vida" é de 5730 anos). O pressuposto fundamental no cálculo é que a quantidade de carbono 14 absorvida na madeira enquanto ela crescia, há muito tempo, é a mesma que hoje é absorvida.

Isso é muito improvável, pois o carbono 14 é produzido na atmosfera superior por raios cósmicos colidindo com átomos de nitrogênio. A intensidade desses raios cósmicos muda até mesmo durante centenas de anos, mas, milhares de anos atrás, nas condições antediluvianas, o dossel de vapor espesso iria adicionalmente filtrar a maioria deles. Assim, bem menos carbono 14 seria produzido para penetrar na madeira a crescer, e proporcionalmente muito menos teria restado nos espécimes agora encontrados. Sendo assim, se datado por este método, todas as amostras da era do dilúvio irão parecer muito mais antigas do que elas realmente são. Portanto, é duvidosa uma datação de rádio carbono mais antiga do que 5.000 anos, e muitas autoridades reconhecem isso. Nós reconhecemos a fiabilidade dos relatos da Bíblia. 


CAPÍTULO 10

Mudanças Geológicas Causadas pelo Dilúvio

No nosso último capítulo, tomamos nota de como o ambiente, particularmente para a humanidade, mudou depois do acontecimento do dilúvio. Isso foi causado principalmente pela precipitação do dossel de vapor de água que, até então, tinha cercado a Terra e a protegido de muitos fatores de dano. Mudanças na atmosfera, no padrão das estações e no fornecimento de alimentação teriam um impacto de longo alcance sobre as subsequentes gerações de todas as espécies vivas.

Além disso, outras grandes mudanças aconteceriam, as quais, novamente, a Bíblia menciona de passagem, sem dar muitos detalhes. Iremos agora ver as seguintes:

  • o movimento das placas continentais da crosta terrestre
  • a altitude das montanhas e a profundidade dos mares
  • a composição e o conteúdo das rochas.

Não podemos pensar que todos eles não foram dramaticamente alterados com as perturbações que acompanharam o dilúvio. O mundo de hoje é muito diferente daquele que Deus fez no princípio, principalmente por causa disso. A Geografia e a Topografia atuais não podem ser usadas para descrever a aparência do mundo antes do dilúvio.

Inundações criam mudanças tremendas e podem infligir danos extensivos, tanto às estruturas naturais ou feitas pelo homem, pela própria água e pelos enormes sedimentos que são movidos ao redor. Cheias recentes têm demonstrado isso claramente, quer se pense no devastador tsunami no oceano Índico em dezembro de 2004, na inundação de Nova Orleans em 2005, ou nas cheias mais frequentes que acontecem em partes da África ou da Ásia, ou até mesmo nas inesperadas recentes cheias no Reino Unido. Por mais difíceis e trágicos que esses eventos tenham sido, a sua escala e os seus efeitos são realmente muito pequenos para serem comparados com a cheia mundial de Gênesis 7 e o efeito de cataclismo que ela gerou por todo o mundo. Dificilmente se poderá imaginar quão horrível (literalmente) isso foi, com chuva a cair sem parar por quarenta dias e noites, acompanhada por ondulações sísmicas e de marés, para frente e para trás, continuamente, por muito tempo.

Em adição a todo o dano e às mudanças causados pela água da superfície e pelos sedimentos, havia ainda maiores transtornos debaixo da terra. Quando lemos que "romperam- se todas as fontes do grande abismo" (Gênesis 7:11), isso poderia significar águas subindo de fontes subterrâneas, ou atividade vulcânica lançando material derretido para solidificar em contato com a água, gerando massas de vapor, ou ambos. Seja o que for que isso significar, os efeitos na crosta terrestre, com certeza, foram imensos.

A Crosta da Terra

O solo onde nos encontramos, contrário à maneira que usualmente pensamos e falamos sobre ele ("terra firme") é em termos absolutos muito frágil. A melhor informação que temos sobre a estrutura desse planeta diz-nos que ele tem um centro denso e de temperaturas elevadas composto de ferro líquido, cercado por um manto que também é fluido, porém menos denso. Flutuando no topo disso tudo está uma camada sólida, ou "crosta", com cerca de apenas 40 quilômetros de espessura, o que é menos de 1% do raio da Terra, que tem cerca de 5948 quilômetros. Você poderia visualizar essa estrutura como algo parecido com um ovo, com a sua gema e clara contidas dentro de uma casca exterior fina e frágil.

Ademais, a crosta não é contínua, mas composta de várias enormes placas que se movem muito lentamente. São esses movimentos os responsáveis por terremotos e maremotos, e é ao longo das bordas dessas placas que se encontra a maior parte da atividade vulcânica da Terra, com o material derretido de baixo irrompendo através dos pontos fracos.

Existe a possibilidade de essas placas continentais terem sido perturbadas pelo dilúvio e terem-se movido para longe umas das outras, sendo que esse movimento diminuiu para o seu ritmo atual. Talvez, antes do dilúvio, apenas existisse um grande continente, a terra seca que tinha sido criada por Deus no terceiro dia da semana da criação, e, então, depois do dilúvio, a terra se dividiu (Gênesis 10:25 fala da terra sendo repartida nos dias de Pelegue). Ao examinar as principais massas de terra no globo, dá para ver que elas, na verdade, se encaixam como se fossem um quebra-cabeça e, por causa disso, a própria Geologia tradicional propõe a existência de um único continente, muito tempo atrás, chamado de Pangeia.

Montanhas e Mares

Movimentos horizontais e laterais na superfície da Terra teriam de ser acompanhados por movimentos verticais. Para acomodar o peso da água que inundou a Terra, as leis da gravidade iriam forçar que vales afundassem profundamente e que montanhas se elevassem cada vez mais alto, conforme as placas continentais se deslocavam e inclinavam. Existem muitos indícios geológicos de que isso realmente aconteceu em determinado ponto da história da Terra.

Por exemplo, os Alpes europeus, com elevações mais altas do que 3000 metros, contêm rochas que, durante alguma altura, estiveram debaixo da água. Fósseis marinhos são abundantes em muitas rochas que hoje estão muito acima do nível do mar. De maneira similar, as fossas muito profundas do oceano podem ter sido formadas por um processo pelo qual "as águas foram minguando até... apareceram os cimos dos montes" (Gênesis 8:5). Salmos 104:6-8 descreve o dilúvio e relata sobre montanhas que subiram e vales que desceram, antes do comando de Deus de que as águas não voltassem a cobrir a Terra. A superfície da Terra agora é 70% coberta por água.

Não poderá existir nenhuma dúvida de que o dilúvio foi um evento de escala mundial, tanto pelo registro nas Escrituras, como pelas evidências que ainda são visíveis em todo o lado (falaremos mais sobre isso futuramente). Mas as águas do dilúvio não tiveram de ter mais de 9000 metros de altura para cobrir o monte Everest, por exemplo. Essa cadeia dos Himalaias, junto com outras cordilheiras principais em cada continente, foi provavelmente empurrada para cima para a sua presente elevação apenas depois de o dilúvio ter retrocedido. As águas do dilúvio tinham de ser apenas profundas o suficiente para permitir que a arca flutuasse acima das montanhas então existentes, e muito mais baixas, como Ararate, com quinze côvados extra (Gênesis 7:20), o que, curiosamente, tem sido calculado ser o esboço da arca. [1]

Rochas Sedimentares

Existem dois tipos principais de rocha na superfície da Terra, chamados de ígneas e sedimentares. Rocha ígnea já foi magma derretido, mas, ao resfriar cristalizou e solidificou. Bons exemplos desse tipo são granito e basalto, classificados quimicamente como silicatos. Essas rochas provavelmente pouco mudaram desde a sua criação inicial, em Gênesis 1.

Rocha sedimentar, por outro lado, como o nome sugere, é feita de pequenas partículas de sedimento/areia. Essas rochas foram formadas pelos efeitos da água, criando e depositando sedimentos que então se agregaram pelo efeito da pressão e da cimentação química. Bons exemplos delas são calcário e arenito. Rochas sedimentares são usualmente encontradas em cima de rocha ígnea, exceto quando a atividade vulcânica ou falhas perturbaram as camadas. Com relevância especial para aquilo que vamos ver a seguir, é fácil entender por que fósseis são encontrados apenas em rocha sedimentar, que foi criada pelo depósito por meio da água, mas não na rocha ígnea, que já esteve derretida.

Leitos de rochas sedimentares possuem diferentes espessuras e se encontram caracteristicamente em camadas, como pode ser visto em escarpas e pedreiras. Não há dúvida alguma de que as camadas foram formadas e depositadas pela ação da água e, do ponto de vista das Escrituras, isso aconteceu em, pelo menos, duas ocasiões distintas.

A primeira delas seria durante a semana da criação, quando a terra seca emergiu de um globo coberto de água. Em cima do leito rochoso ígneo iriam acumular-se camadas de sedimento erodido para assentar e solidificar. Essa rocha sedimentar não iria conter fósseis, pois ainda não existiam seres vivos para serem enterrados na lama. Muitos leitos espessos desse tipo de rocha existem em muitos lugares sem fóssil algum neles.

A segunda ocasião seria o dilúvio, quando, como descrito acima, grandes massas de sedimento iriam acumular e ser comprimidas repetidamente, conforme as águas oscilavam, em camadas. Agora, de forma significativa, todos os tipos de criaturas vivas e vegetação seriam rapidamente enterrados em lama e em sedimento. Eles seriam fossilizados nesse processo, porém essas camadas iriam conter fósseis de diferentes tipos de criaturas, dependendo de onde eles estivessem quando as águas os cobriram. Lá permaneceriam, até serem descobertos por escavações em tempos recentes. Os geólogos classificam essas rochas contendo fósseis de acordo com a escala de tempo requerida pela teoria da evolução, mas para nós elas são uma terrível lembrança marcada na rocha do julgamento divino sobre o pecado de um mundo antigo.

Iremos examinar os registros fósseis a seguir, para ver o que eles nos dizem sobre um mundo que pereceu num grande dilúvio. Iremos também ver indícios de que os fósseis não apontam para a evolução, mas são muito melhor explicados pelas ideias descritas nos parágrafos acima.

1. Para mais detalhes, ver E Disse Deus, por F Abou Rahme (Ed. Sã Doutrina), e The Genesis Flood, por JC Whitcomb e HM Morris (Baker Book House) – sem dúvida, trabalhos de autoridade e referência nesse assunto. 


CAPÍTULO 11

Fósseis e o Dilúvio

Fósseis são os remanescentes de plantas e de animais gravados em pedra, muitas vezes mostrando com muitos detalhes como eles eram. Muitos deles são muito similares a espécies presentes atualmente e podem ser reconhecidos como tal, enquanto muitos outros pertencem a espécies agora já extintas. Eles são uma testemunha silenciosa de algo que aconteceu há muito tempo, algo fora do comum, algo catastrófico. Eles são a evidência de vida e de morte repentina.

Usualmente, quando uma planta ou um animal morre, irá apodrecer rapidamente e deixar pouco ou nenhum registro de qual aparência tinha. O sepultamento comum ou predadores selvagens asseguram que, num curto espaço de tempo, talvez restem apenas alguns ossos rijos. Fósseis, no entanto, conseguem revelar o tecido mole de animais, penas de pássaros, escamas de peixes, casca em troncos de árvores, padrões intrincados de rendilhados em folhas, fetos, flores e semelhantes. Ademais, fósseis são abundantes, existindo em todos os continentes, por vezes cobrindo muitas milhas quadradas em área e por muitos metros de profundidade na camada de rocha. Então, como são os fósseis formados?

É um consenso quase universal que fósseis são formados por ocasião  de  cheias,  pelo  rápido  sepultamento  das criaturas e da vegetação em lama originada por cheias. O rápido sepultamento assegura uma preservação intacta, enquanto água rica em mineral penetra na estrutura e assegura a permanência. A contínua pressão vinda de cima cimenta tudo na pedra - literalmente petrificando tudo por muito tempo. E lá essas antigas criaturas permanecem, até que o pedreiro, o mineiro ou o geólogo os descubra, para o mundo se maravilhar e criar teorias!

Fósseis e a Teoria da Evolução

É amplamente ensinado e, assim sendo, acreditado como regra, que os registros fósseis oferecem provas para a evolução. A proposta é que, por milhões de anos, muitos tipos de criaturas que então existiam foram fossilizados durante vários eventos de cheias pré-históricas, e assim as rochas contêm um registro de diferentes formas de vida e mostram quanto elas mudaram durante aquele período de tempo. Visite qualquer museu e, em quase todos, você vai encontrar essa história popular em exibição, junto com muitas representações gráficas mas completamente imaginárias das condições pré-históricas, descrevendo mares rasos onde agora há terra, seguidos por movimentos continentais, o deslizamento das camadas, e aí por diante.

A teoria da evolução é tomada como verdade, como a base e o ponto de partida. Os fatos (ou seja, os espécimes fósseis) são arranjados para encaixar na teoria, e para tirar novas conclusões. Um exemplo típico é o seguinte, tirado recentemente de um museu em Yorkshire: "Porque plantas e animais evoluem ao longo do tempo, podemos usar fósseis para fazer uma estimativa da idade das rochas." Espera um pouco! Se eles não evoluíram, fósseis não podem dizer coisa alguma sobre a idade das rochas! Uma teoria não comprovada está sendo usada para produzir dados que depois são apresentados como fatos!

Veja, por exemplo, o velho arenito vermelho do período Devoniano no norte da Escócia. É dito que ele tem 700 milhões de anos apenas porque contêm muitos peixes fossilizados que a evolução argumenta que existiam naquela época. Mas, a seguir, também nos é dito que a idade dos fósseis é dada pelo tipo de rocha onde ele é encontrado. Então, se outro fóssil for encontrado em velho arenito vermelho, nos será dito que o fóssil tem 700 milhões de anos porque ele foi encontrado lá. Isso é lógica circular, e não ciência de verdade! Rochas e fósseis não podem ser corretamente datados um a partir do outro!

Mesmo assim, baseada na suposição de que a evolução é verdade, uma "coluna geológica" foi construída, mostrando camadas de muitos tipos diferentes contendo fósseis "chave", datando até aproximadamente 1.000 milhões de anos. Depois é ensinado de maneira dogmática esse registro de evolução progressiva de diferentes formas de vida na Terra, sendo primeiro modestas criaturas habitantes das águas no fundo, depois peixes, anfíbios e répteis, até os mamíferos e o homem no topo.

Existem, no entanto, grandes dificuldades e inconsistências que não são usualmente mencionadas! Algumas das mais preocupantes são as seguintes:

  • Toda a coluna geológica, de baixo para cima, não existe em nenhum lugar na Terra. Existem seções em diferentes lugares, algumas grandes, outras pequenas. A coluna completa apenas existe em livros, pôsteres e gráficos!
  • Existem muitos exemplos de "inversões", em que camadas de rocha "antiga" estão por cima das camadas "novas", em vez de a mais recente estar no topo.
  • Existem muitos exemplos de fósseis a compartilharem a mesma camada de pedra, os quais a teoria afirma que viveram separados por milhões de anos. Eles parecem estar no lugar errado, ao lado uns dos outros!
  • A evolução necessita de muitas criaturas parcialmente mudadas/evoluídas que tivessem existido em várias épocas. Mas esse tipo de fóssil nunca foi encontrado, apesar de intensas buscas. Os fósseis são sempre constituídos de distintas espécies de animais e plantas reconhecíveis como atualmente existem. Os "elos perdidos" continuam perdidos!
  • Os mais "antigos" fósseis já são criaturas muito complexas e especializadas, por exemplo, os trilobitas, e eles existem em tanta quantidade que isso é chamada a "explosão cambriana" de vida. Abaixo deles (Pré-Cambriano), não existe fóssil nenhum. Nenhuma criatura mais simples existiu, a não ser na imaginação do evolucionista.

Na verdade, é muito difícil encaixar a teoria da evolução ao redor dos fatos da Geologia, baseados naquilo que é encontrado nas rochas e naquilo que não é encontrado nas rochas. Mas a evolução é apresentada como a verdade, não sendo a primeira vez que uma mentira é tomada pela verdade (Romanos 1:25; II Tessalonicenses 2:11-12).

Fósseis e o Dilúvio

Os fatos da Geologia encaixam perfeitamente no enquadramento do Dilúvio bíblico, histórico e mundial, dos dias de Noé. Apenas se lembre daquilo que nos foi dito sobre o início, a duração e as perturbações do Dilúvio que recentemente consideramos, então aplique as leis e os princípios científicos normais à situação - e isso faz um fantástico sentido. Na verdade, era dessa maneira que a maioria dos cientistas e pensadores pioneiros viam as coisas, antes de a teoria da evolução ter sequestrado a instituição e ter feito uma lavagem cerebral para ser aceita por todas as pessoas.

Aqui está a imagem-base de onde podemos trabalhar.Conforme a grande cheia avançava, as primeiras criaturas a serem mortas e sepultadas seriam aquelas com menos mobilidade, sendo, de fato, aquelas que viviam em águas rasas e perto da linha d'água. As criaturas com mais mobilidade escapariam para maiores altitudes até o seu refúgio temporário ser inundado pela água, e então elas pereceriam. Os últimos a sucumbir seriam os animais com mais mobilidade e os pássaros nos níveis mais altos. Conforme os tipos de criaturas eram arrastados para dentro da cheia, para a água corrente e os sedimentos, eram então rapidamente sepultados em condições perfeitas para a fossilização. Tudo isso se encaixa nos fatos geológicos observados, e é simples e direto!

Assim a coluna geológica, onde ela existe, não é um registro geológico de como as criaturas se desenvolveram durante milhões de anos. É apenas um registro de onde e quando eles viveram e morreram, quando o dilúvio veio e destruiu a todos. A ordem dos seus sepultamentos e da sua fossilização é de acordo com o seu habitat, a vida aquática primeiro - os habitantes de águas rasas, como conchas e trilobitas, seguidos dos peixes, em grandes baixios, enterrados em posições de natação, como mostram os fósseis. Então os anfíbios das beiras de água e os répteis lentos seriam dominados e sepultados, e eventualmente os mamíferos, muitas vezes em grandes números, dado que andavam em manadas na corrida para escapar, conforme testificado por vastos leitos fósseis pelo mundo.

Sobreposto nessa imagem básica, agora temos de pensar na atividade hidrodinâmica, os efeitos de água a ser movida vigorosamente. Água agitada e rodopiante deposita os objetos de acordo com a sua densidade (peso), assim a areia, a lama, o cascalho e tudo mais na água é depositado e separado de acordo com o seu peso e a sua forma. Essa agitação, mistura e sedimentação iriam redistribuir as criaturas mortas na lama e permitir que algumas de habitats diferentes fossem por vezes sepultados juntos na mesma camada.

Adicionalmente, a atividade sísmica (terremotos) na crosta da Terra por baixo da água, conforme a cheia diminuía, iria mandar algumas camadas para cima, enquanto outras se moviam para baixo, criando as falhas e as linhas comuns pelo mundo, com os fósseis que elas contêm de igual forma deslocalizados. Além disso, a atividade vulcânica iria perturbar e inclinar as camadas, conforme a lava se forçava para cima até as camadas sedimentares, para criar os campos de lava e as intrusões de basalto que hoje encontramos.

Os vastos campos de carvão também seriam formados nessa altura. As luxuriantes florestas ricas em carbono, pântanos e planícies da era antediluviana seriam rapidamente desenraizados, aplanados, levados pela água e depois enterrados e compactados em forma de carvão. Óleo e gás também seriam produzidos e presos debaixo de rocha porosa de uma maneira similar, compostos de organismos marinhos e do apodrecimento da vegetação. (Compare a produção de metano nos campos de aterro atuais - um exemplo em pequena escala desse processo.)

Conclusão

Por que essas ideias básicas não são aceitas por tantas pessoas? Por que uma teoria sem base e feita de conjecturas é tão favorecida?

Os fósseis pregam ao mundo todo que o salário do pecado é a morte. Em vez de reconhecê-los como um registro permanente do julgamento divino sobre um mundo perverso e prestar atenção ao seu aviso, as pessoas os explicam de qualquer maneira. Aqueles que servem ao pecado e a Satanás não desejam ser relembrados de que Deus terá a última palavra. O Dilúvio é o protótipo do grande julgamento que está por vir (II Pedro 3:5-6; Mateus 24:37-39).

 


 CAPÍTULO 12

A Terra – um Planeta sem Igual

O mundo, este planeta chamado Terra, é simplesmente um lugar sem igual, um planeta excepcional entre todos  os  outros  no  sistema  solar,  um  mundo excepcional entre mundos sem-fim pelo espaço. Ele é excepcional e único em, pelo menos, dois aspectos. O primeiro e melhor destes é que o próprio Filho de Deus veio aqui, nascido numa humilde manjedoura em Belém, morrendo numa rude cruz no Calvário, para realizar o grande plano de salvação de Deus. Ele "veio ao mundo para salvar os pecadores" (I Timóteo 1:15), para oferecer vida eterna. A segunda característica única é de como apenas a Terra oferece um ambiente que é perfeito para conter e sustentar a vida física.

Embora tenhamos considerado muitas mudanças que aconteceram durante e depois do grande dilúvio, essas modificações afetaram principalmente a estrutura da superfície, a topografia, geografia e geologia, em vez das suas propriedades fundamentais, desenhadas por Deus. Já temos visto que os seus atos de criação em Gênesis 1 foram numa sequência ordenada, convergindo no ponto em que o homem poderia tomar o seu lugar em um mundo já em funcionamento, o qual ele poderia desfrutar e cuidar dele e que supriria todas as suas necessidades de alimentação, alojamento, paz e beleza. E, mesmo com a entrada do pecado no mundo, a verdade é que essas condições estritas e rigorosas para a existência da vida continuam a ser encontradas na Terra e em mais lado nenhum! As Escrituras ensinam claramente que Deus desenhou o mundo para ser habitado pelo homem (Isaías 45:18; Atos 17:26). Também sabemos que a bênção do homem foi planejada "antes da fundação do mundo" (Efésios 1:4). Sendo assim, Deus desenhou, fundou e formou esse planeta único, tendo o homem em mente desde o princípio.

A história da criação é escrita por todo o universo, sendo revelados e entendidos mais detalhes conforme o tempo passa. Mas, para nós, claramente e com especial relevância, é a parte da maravilhosa história escrita nas estruturas e nas propriedades do nosso próprio planeta Terra. Quem tenha estudado esse fascinante assunto chegou à conclusão de que a Terra é realmente um lugar sem igual, perfeitamente adequado para a vida e para o homem. Muitas teorias descabidas e confusas sobre como isso aconteceu têm sido propostas. Uma série de acidentes, umas quantas coincidências e uma medida de "sorte" (e estou parafraseando um livro recente, baseado na ciência!) é o que nos dizem que foram os responsáveis! A ideia de um "desenho inteligente" é rejeitada ferozmente, embora isso seja tão evidente, das maiores às menores estruturas que são exploradas.

Condições para Vida

A vida é muito frágil, embora a tomemos como um dado adquirido. A sua existência depende de que muitas condições físicas estejam completamente certas, por exemplo, temperaturas entre cerca de 0 e 40 °C, e os valores fundamentais de gravidade e das forças nucleares sendo os que são. Ela também depende da disponibilidade de certos químicos, por exemplo, a água e o oxigênio, e que igualmente outros estejam ausentes ou em quantidades muito pequenas, por exemplo, cianeto e monóxido de carbono. De igual maneira, existem formas de radiação que são absolutamente essenciais para toda a vida na Terra, ou seja, a luz "visível" e algumas infravermelhas, mas outras são letais, como raios-x e radiação ultravioleta profunda.

Nos próximos capítulos, iremos olhar para a maneira singular na qual todas essas condições se interligam no nosso planeta e em mais nenhum outro lugar, como Deus desenhou tais maneiras na matriz do mundo, como as condições no universo são "perfeitamente adequadas " para a vida. Isso tem sido exposto em detalhe por Paul Davies, um físico moderno, que chamou a essa condição "O Enigma dos Cachinhos Dourados".

O Sol

As temperaturas da superfície da Terra são governadas principalmente por dois elementos: a energia emitida pelo Sol e  a distância que estamos dele. Se o Sol fosse mais quente, ou se a Terra estivesse mais perto do astro, toda a vida se queimaria. Se ele fosse mais frio, ou a Terra mais distante, toda a vida se congelaria.

O Sol é uma estrela cuja energia é gerada do seu interior, de onde átomos de hidrogênio se combinam para formar átomos de hélio, numa temperatura à volta de 15 milhões de graus centígrados. A temperatura da sua superfície é de cerca de 5.500 °C. As estrelas variam em tamanho, desde um décimo até mais de cem vezes o tamanho do Sol, e as suas temperaturas variam entre 3.000 e 40.000°C (demonstrado pelas suas cores - de anãs vermelhas a gigantes branco-azuladas). Entre estas, o Sol é uma estrela amarela de tamanho médio (diâmetro de cerca de 1.392.000 Km, 109 vezes o diâmetro da Terra, 745 vezes a massa de todos os planetas juntos). Estando na distância correta de cerca de 150 milhões de quilômetros do Sol, a Terra recebe a quantidade correta de radiação dessa estrela de tamanho correto para alcançar as temperaturas corretas na qual podemos viver - tudo perfeitamente combinado!

O Sistema Solar

O Sol oferece um   ponto de ancoragem para todo o sistema solar de oito planetas maiores rodando à sua volta numa direção contrária ao movimento do relógio, enquanto eles também rodam sobre os seus próprios eixos. Existem quatro planetas internos, de Mercúrio a Marte, relativamente pequenos, densos e rochosos, e quatro exteriores, de Júpiter a Netuno, que são enormes esferas de material gasoso de baixa densidade. Planetas mais próximos do Sol são muito mais quentes, e aqueles mais distantes, muito mais frios. A nossa distância de um gerador gigante de energia eficiente e limpa chamado Sol é exatamente correta, e a energia vem livremente pela vasta distância envolvida, levando, de fato, 8.3 minutos para chegar até nós. "Nada se esconde ao seu calor” (Salmo 19:6). O nosso Deus "faz nascer o seu sol sobre maus e bons" (Mateus 5:45).

Planetas mais próximos do Sol orbitam-no mais rapidamente - um ano em Mercúrio é cerca de um quarto do nosso ano (enquanto o seu "dia" dura por 58 dos nossos dias). Planetas mais distantes orbitam o Sol mais lentamente - o ano de Netuno equivale a 165 dos nossos anos (o seu dia leva 16,1 horas). Entre os planetas, a Terra ocupa a sua posição singular dada por Deus entre Vênus e Marte, com até o comprimento de anos e dias adequados com o nosso ciclo de vida.

Outros fatores ajudam a manter a temperatura conforme precisamos. Primeiro, o período de 24 horas para a Terra rodar sobre o seu eixo é exatamente certo. Períodos mais longos dariam razão a noites extremamente frias e dias muito quentes; períodos mais curtos iriam desestabilizar os padrões do tempo e fazer os gases da atmosfera dispersarem-se pelo espaço. Também, por causa de o eixo da Terra não estar no ângulo direto aos raios do Sol, mas inclinado por 23,5 graus, o influxo de energia é espalhado por uma área maior a norte e a sul do equador. As estações são assim alongadas, e regiões com demasiado calor ou frio na Terra são minimizadas.

Assim como os planetas orbitam o Sol, eles tracejam um caminho elíptico. Alguns, como Mercúrio, o mais próximo do Sol, ou Plutão (planeta anão), mais distante, têm elipses muito alongadas. Mas a órbita da Terra é quase circular. Se ela fosse muito alongada (mais espremida), então por alguns meses do ano a Terra estaria mais perto do Sol, tornando-se muito quente, seguida de meses muito mais frios, quando a Terra estivesse mais distante. Tais extremos que ameaçam a vida não acontecem por causa da órbita praticamente redonda da Terra ao redor do Sol.

A Atmosfera

Ainda outro fator que tem um grande efeito na temperatura é o tamanho e a composição da atmosfera - um cobertor isolante que ajuda a reter o calor (efeito estufa).Atmosferas em outros planetas são muito diferentes: a de Mercúrio é tão fina que as temperaturas oscilam entre -170 e 400 °C, conforme o calor é facilmente perdido ou ganho; a de Vênus é muito espessa, composta por dióxido de carbono, com nuvens compostas de 80% ácido sulfúrico. Ela retém tanto calor que a temperatura é de 475 °C.

A composição da nossa atmosfera é governada pela força gravitacional da Terra, que também governa a mobilidade de tudo na sua superfície. Por exemplo, se a gravidade fosse muito inferior, o oxigênio, o nitrogênio e o vapor d'água necessários para a vida iriam escapar-se para o espaço, sobrando apenas argônio e dióxido de carbono. O efeito protetor da atmosfera também seria reduzido, tanto para a retenção de calor como para a prevenção de danos devida aos raios cósmicos. Por outro lado, se a gravidade fosse muito mais forte, a densidade do ar e a pressão iriam aumentar, e as formas de vida de todos os tipos iriam necessitar de muito mais músculo e força esqueletal para mover e sobreviver.

Os fatores gravitacionais governam a força de atração da Terra em tudo, especialmente da Lua, o nosso vizinho celeste mais próximo. A sua atração afeta as marés dos oceanos, e os seus tamanhos são importantes. Demasiada maré provocaria instabilidade da costa; muito pouca iria prejudicar a reciclagem de nutrientes e poluentes.

O equilíbrio de cada fator responsável pela Terra ser uma casa apropriada para o homem e também para incontáveis formas de vida é realmente um claro indicador da sabedoria e do desenho do Criador. Podemos dizer com convicção e louvor, "Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas. Eis o mar vasto, imenso..." (Salmos 104:24-25).

 


CAPÍTULO 13

"Ele também Criou as Estrelas"

Antes de meditarmos um pouco mais sobre as propriedades do nosso ambiente, que o fazem perfeita e unicamente adequado para a vida, devíamos observar além das fronteiras da Terra e além do sistema solar. A história da criação e a glória de Deus estão escritas pelos céus, uma declaração silenciosa mas constante do seu eterno poder e da sua divindade. "Os céus proclamam a glória de Deus... uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz." (Salmos 19:1-3)

Numa noite limpa e escura, saia para fora e olhe para cima. Se você conseguir se afastar da luminosidade dispersada por vilas e cidades, você poderá ver miríades de estrelas muito claramente, assentadas no veludo negro da escuridão. Olhe a toda a sua volta, do horizonte indefinido até ao nítido zênite, de norte a sul ou de leste a oeste, e deixe a beleza e a grandeza desse panorama fascinar e mover a sua alma. Mesmo que você reconheça algum nome das estrelas ou constelações, ou não saiba nenhum, existe uma inspiração à reverência na vastidão e na glória de tudo isso. Como um enorme placar pelo céu noturno, é demonstrada uma mensagem que ninguém pode apagar, todos podem ler, proclamando a Deus!

Se você fizer isso, você estará fazendo aquilo que Deus comandou que outros fizessem muito tempo atrás. Lembre-se- se de Abraão (Gênesis 15:5 - "Olha para os céus e conta as estrelas"); (9: 7-10 - "Deus... quem sozinho estende os céus... a Ursa, o Órion, o Sete-estrelo"); Elifaz (Jó 22:12 - "Olha para as estrelas mais altas. Que altura!"); Davi (Salmos 8:3 - "Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste"); Isaías (40:26 - "Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas"); também os homens sábios do Oriente (Mateus 2:2), e Paulo e os marinheiros que procuraram em vão por constelações para facilitar a navegação durante aquelas noites de tormenta (Atos 27:20).

A Astronomia se desenvolveu sobremaneira, assim como outros ramos das ciências nos últimos dois séculos, mas é um tema antigo, conforme as citações acima demonstram. Registros deixados por assírios, babilônios, chineses e árabes são valorizados hoje para comparar com observações recentes. Medidas, predições e teorias agora dominam esse tema, mas o seu portento é intemporal. Considere umas das características mais óbvias do céu estrelado.

O Número das Estrelas

Deus disse a Abraão, "conta as estrelas, se é que o podes" (Gênesis 15:5). Se você tivesse a paciência e a habilidade, poderia contar a olho nu mais de 3.000 estrelas em um hemisfério. Isso significa que existem mais de 6.000 estrelas visíveis da Terra. Mas Galileu com o seu telescópio caseiro conseguiu observar dez vezes mais, chegando até 60.000. Conforme telescópios melhoraram em poder e em resolução, esse número continuou a aumentar. Já estava acima das 600.000 no período de 1850. Agora, com o advento da Radioastronomia, é literalmente incontável! - exatamente como Deus disse! (Jeremias 33:22). Estima-se que só a nossa Via Láctea local contém mais de 200 bilhões de estrelas. E podem existir mais de 100 milhões de galáxias pelo espaço afora!

Mas por que tantas? Para nos falar da grandeza de Deus que a todas criou pela sua palavra. Ele criou todos esses milhões sobre milhões de estrelas com tanta facilidade como se fizesse apenas uma. Ele as conta, e "nem uma só vem a faltar" (Isaías 40:26). Elas são todas diferentes - a sua variedade proclama a glória de Deus. "Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos!" (Jó 26:14); "a sua grandeza é insondável" (Salmos 145:3).

Variedade das Estrelas

Assim como não existem duas folhas, dois flocos de neve, nem duas criaturas exatamente iguais, também não há duas estrelas iguais -"há diferenças de esplendor" (I Coríntios 15:41). Elas têm diferentes cores, brilhos, tamanhos, temperaturas, velocidades de rotação e composições. Nós as vemos em diferentes disposições ou padrões chamados de constelações, cada estrela numa distância diferente da Terra.

A estrela mais próxima é chamada de Alfa Centauri (não visível no hemisfério norte, é um dos "ponteiros" do Cruzeiro do Sul). Está a 4,3 anos-luz de distância, e é a terceira estrela mais brilhante que podemos ver. A mais brilhante é Sirius, vista do Reino Unido como uma estrela cintilante esverdeada bastante baixa no sul do céu. Está a 8,7 anos-luz de distância, e é, na verdade, 26 vezes mais brilhante que o Sol, que está a apenas 8,3 "minutos de luz" distante, por isso o Sol parece mais brilhante. Existe outra estrela, chamada Eta Carinae, que é 4 milhões de vezes mais brilhante que o Sol e mais de 100 vezes mais massiva, mas a 6.400 anos-luz de distância, nem sequer é visível a olho nu.

A maior estrela conhecida é chamada de Ras Algethi e está a cerca de 500 anos-luz de distância. Juntando com a sua nuvem de gás, o seu diâmetro é mais de vinte vezes o tamanho do sistema solar. É uma "gigante vermelha", com uma companheira verde azulada a orbitar à sua volta. Está no céu do norte, na quinta maior constelação, chamada Hércules. A menor estrela reconhecida é uma anã branca, com metade do tamanho da Lua, a 100 anos-luz de distância.

As Constelações

Para facilitar a mapeação, a Astronomia agora divide o céu em 88 constelações ou seções. Mas constelações foram primeiramente reconhecidas pelos antigos grupos de estrelas, nomeadas principalmente em honra de personagens da mitologia grega. Ptolomeu (150 a.C.) compilou uma lista de 48 constelações, que foi mais tarde expandida conforme viajantes observavam o céu a sul. Já mencionamos Órion, Hércules, e o Cruzeiro do Sul. A Ursa Maior é muito conhecida, direcionando os observadores para a estrela do polo norte, Polaris, que é uma supergigante amarela cerca de 650 anos-luz de distância. Elas são belas de reconhecer e admirar.

Algumas constelações juntas em grupos compõem os doze signos do Zodíaco, que são usados para descrever onde o Sol parece estar durante cada um dos doze meses da órbita anual da Terra. Estes signos foram manipulados num sistema supersticioso chamado Astrologia, derivado do paganismo antigo, completamente ilusório e explicitamente condenado nas Escrituras (ver Isaías 47:13). A proliferação de horóscopos em jornais e revistas mostra que muitas pessoas ainda seguem a Astrologia.

Tem sido dito que as constelações do Zodíaco contam a história da redenção em grande detalhe, da Virgem, a promessa do advento do Redentor, pelo Leão, o seu triunfo final. Algumas constelações como Libra, Balança e Cruzeiro do Sul poderão ilustrar com mais facilidade verdades das Escrituras. Mas, na verdade, é preciso muita imaginação para corresponder o padrão das estrelas nas constelações aos seus nomes, muitos dos quais nem sequer conhecemos. É muito mais simples e melhor prestar atenção à "confirmada palavra profética" (II Pedro 1:19) e desfrutar da completa, final e clara revelação de Deus no próprio Cristo (Hebreus 1:1).

A Vastidão do Espaço

A Via Láctea, onde está o nosso sistema solar, é cerca de 100.000 anos-luz em diâmetro. Por vezes, numa noite límpida, é possível vê-la estendendo-se de um lado ao outro do céu. A olho nu podem ser vistas mais três galáxias, as duas Nuvens de Magalhães e a Galáxia de Andrômeda, aparentemente a 2,25 milhões de anos-luz de distância. Isto é o mais distante objeto do universo observável a olho nu. Adicionalmente, existem nébulas, quasares, pulsares, buracos negros e outros semelhantes que não poderemos descrever aqui.

Essas distâncias e esses números são realmente demasiado gigantescos para serem compreendidos, tal é a vastidão do espaço vazio. Na verdade, agora já é admitido que a estrutura e a dimensão do espaço estão além da nossa compreensão. Permanecem mais perguntas que respostas, dado que o assunto é tão complexo.

As observações realizadas pelos astrônomos envolvem quantidades tão minúsculas, que erros podem ser significativos. Também as conclusões encontradas dependem de certas leis e princípios que são válidos na Terra, mas, como por vezes já foi visto, podem não ser válidos para extrapolações sobre distâncias tão enormes em condições completamente desconhecidas. A Astronomia impulsiona a ciência ao limite da sua metodologia e, assim sendo, a confiança nos detalhes de suas conclusões pode ser menor que na maioria de outras ciências.

O que é o Homem?

Confrontados com tal vastidão, com tantos números de estrelas, salienta-se outra vez a pergunta de Salmos 8:4: "Que é o homem?" Será o homem apenas um cisco insignificante num pequeno planeta rotativo em uma de muitas imensas galáxias rodopiantes? Muito pelo contrário! Apenas o homem tem a habilidade de explorar, de compreender e de apreciar a grandeza do universo, e, a partir disso, aprender mais sobre o Criador e adorá-lo. Esse é o nosso significado e propósito verdadeiros!


CAPÍTULO 14

Água – um Líquido Singular

Já tomamos nota de que a Terra é um planeta único, tendo uma temperatura de superfície correta para a vida existir, e o calor do Sol sendo balanceado pela sua distância. Essa distância, por sua vez, depende da massa da Terra, que, se fosse mais pesada, estaria mais perto do Sol e mais quente e, se mais leve, estaria mais longe do Sol e mais fria. A temperatura da superfície permite que a água exista no estado líquido, a única forma que consegue sustentar a vida. Gelo sólido ou vapor de gás escaldante não funcionaria.

De todas as substâncias que encontramos na Terra, a mais comum é definitivamente a água, na sua maioria em grandes quantidades. Embora a tenhamos como um dado adquirido, ela é uma notável substância que é unicamente desenhada e essencial para sustentar a vida. Aqueles que (em vão) procuram pela existência de vida fora da Terra, ou seja, em outros planetas, procuram por água como a primeira pista. Sem água não é possível existir vida. A maior parte da matéria do universo consiste de gases muito quentes (nas estrelas) ou em sólidos profundamente congelados (nos planetas externos). Embora tão comum na Terra, a água é extremamente rara no universo. A Terra é muitas vezes descrita como um "planeta azul". Cerca de 70% da sua superfície é coberta por água. Na forma de vapor, ela também se imbui na atmosfera. Mesmo aquelas áreas chamadas secas ou áridas continuam a conter quantidades significativas de água.

A água possui várias propriedades especiais que a tornam verdadeiramente única e necessária para a vida natural. Antes de olharmos para isso, lembre-se de como nas Escrituras a água frequentemente representa aquilo que é necessário para a vida espiritual. A água é a figura do Espírito Santo, sem o qual a vida espiritual não é possível (João 3:5; 4:14; 7:38-39). Ser "purificado por meio da lavagem de água pela palavra" (Efésios 5:26) é necessário para o cumprimento do propósito de Deus na vida cristã. O último convite da Bíblia é: "Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Apocalipse 22:17). Mesmo no deserto espiritual desse mundo, a alma do crente pode ser como um "jardim regado" (Isaías 58:11; Jeremias 31:12). Para isso, temos de nos nutrir constantemente pelas fontes do Espírito e da Palavra.

Propriedades da Água

Cada uma das propriedades químicas e físicas da água a fazem ser crucial para sustentar a vida em todos os níveis. A mais pequena célula microscópica não funciona sem ela, nem os grandes mamíferos na terra e no mar. Todos os tipos de vegetação precisam de água também, desde os arbustos do deserto à vegetação luxuriante das florestas tropicais. É necessária para necessidades óbvias de consumo potável e irrigação, e para a difusão e distribuição de nutrientes e energia. A água controla a temperatura na Terra e em todas as criaturas vivas, que apenas sobrevivem se as temperaturas não oscilarem demasiadamente. A estrutura molecular especial da água dá-lhe propriedades termais cruciais.

Propriedades Termais

A água líquida consegue absorver calor sem aumentar muito a sua própria temperatura, e esse calor é retido de maneira eficiente. Ela também pode liberar calor em grandes quantidades sem uma grande queda na sua temperatura. A água é a melhor substância comum que faz isso; ela tem uma alta capacidade térmica. A vida se beneficia disso de duas maneiras.

Primeiro, os grandes oceanos mantêm as temperaturas na terra estáveis, sem subir ou descer muito. Os oceanos também são grandes reservatórios e condutores de calor. Grandes correntes oceânicas, como a Corrente do Golfo, transferem grandes quantidades de calor do equador para latitudes mais frias, sendo por esse motivo que o clima de países, como o Reino Unido, é moderado.

Em segundo lugar, quando estamos expostos ao calor ou ao frio, a temperatura dos nossos corpos se mantém relativamente estável, porque nós somos constituídos de cerca de 70% de água (assim como muitos animais). Esse efeito é relacionado à alta capacidade térmica da água. É, no entanto, ainda auxiliada por outra das suas propriedades - a sua temperatura de vaporização também é elevada. Isso significa que, quando a água em estado líquido muda para vapor, muito calor é usado. Assim, quando os nossos corpos precisam perder calor rapidamente, a água evapora-se pela nossa respiração e pela pele - como transpiração em casos mais extremos, permitindo que os nossos corpos mantenham a sua temperatura estável. A perda de uma pequena quantidade de água pode remover uma grande quantidade de calor. A água é a única substância que consegue realizar esse processo de maneira tão eficiente.

Propriedades do Gelo

É normal reparar como a água se torna em gelo quando congela, e notar o gelo flutuando no topo da água. Mas é pouco usual que a forma sólida de qualquer substância flutue no topo do seu próprio líquido no ponto de congelação

- a maioria dos sólidos afundam porque são mais densos ("pesados") que o líquido. Mas o gelo é menos denso que a água a 0 °C quando congelado, por isso, ao contrário de outras substâncias, o gelo flutua na superfície da água.

Esse comportamento excepcional é extremamente importante para todos os tipos de vida aquática. Se o gelo afundasse enquanto era formado, a água iria congelar do fundo para cima, até que tudo ficasse sólido, e todas as criaturas vivas na água seriam empurradas para o topo, onde iriam congelar até morrer. Pelo contrário, o gelo que se forma no topo age como uma camada isolante, impedindo que o ar gelado afete a camada de água inferior que se mantém acima do ponto de congelamento, a cerca de 4 °C, onde a água tem a sua maior densidade.

É outro fenômeno fantástico que a água sólida (gelo) seja um isolante tão bom, porque a água líquida é, na verdade, um excelente condutor de calor, quatro vezes melhor que qualquer outro líquido comum. Essa alta condutividade é outro fator que ajuda ainda mais para que a água regule e distribua calor nos oceanos e nos nossos corpos como descrito acima. Todas as suas propriedades trabalham em conjunto para o benefício da vida.

Propriedades de Solvência e Difusão

Uma grande variedade de substâncias diferentes pode ser dissolvida na água, embora em medidas diferentes. A água já foi chamada do solvente universal. Assim, a água dissolve muitas substâncias e transporta-as, por exemplo, para providenciar nutrientes e remover subprodutos de maneira eficiente em todos os tipos de sistemas vivos e no amplo meio ambiente. Esta é outra razão-chave do porquê seres vivos precisam de água.

A água consegue dissolver grandes quantidades de sal e de açúcar. Também pode dissolver muito dióxido de carbono, e isso ajuda a remover esse gás dos nossos corpos e controla a acidez dos nossos fluidos. Ela também dissolve o oxigênio, outra substância crucial para a vida. Os nossos pulmões absorvem gás oxigênio diretamente do ar. Lá, o oxigênio é dissolvido no sangue de uma forma especialmente eficaz para transferi-lo rapidamente para onde é necessário, nas células e nos músculos. A vida nas águas requer oxigênio dissolvido para a respiração pelas brânquias. Oxigênio dissolvido é também fundamental para a purificação da água - para oxidar contaminantes em substâncias relativamente inofensivas, a fim de que a água seja purificada de poluentes e possa ser reutilizada. A verdadeira natureza versátil da água permite que cada forma de vida viceje em seu próprio habitat.

Algumas outras propriedades da água elevam a sua adaptação única para o sustento da vida. A sua viscosidade é baixa o suficiente para (ao contrário do melado ou do óleo) que passe facilmente por pequenos tubos, tais como capilares sanguíneos. A difusão pela água é rápida o suficiente para que materiais essenciais alcancem os locais requeridos; o oxigênio, por exemplo, chega a uma célula do corpo em um centésimo de segundo. A sua tensão de superfície lhe permite se espalhar em certos tipos de superfície, mas não em outras. Não pode existir uma substância melhor para sustentar a vida do que a água. Realmente, a água incorporada no desenho para a vida é um testemunho eloquente da sabedoria do Criador.

O Ciclo da Água

A água da Terra é constantemente trocada e reciclada conforme o calor do Sol evapora a água superficial para a atmosfera, onde ela se precipita de volta para a terra na forma de chuva, neve ou orvalho, finalmente retornando ao mar. Salomão observou isso muito tempo atrás (ver Eclesiastes 1:7). O ciclo dessaliniza, purifica e distribui a água para o uso de todas os seres vivos. Tem sido calculado que a água atmosférica é mudada e reciclada cerca de 40 vezes por ano, ou seja, quase semanalmente. Enquanto ela está na atmosfera, ela auxilia o aquecimento global, sem o qual as temperaturas da superfície da Terra estariam abaixo do ponto de congelamento, e nada poderia sobreviver.

Essa substância especial chamada água sustenta de forma singular a vida aqui e agora. Mas ela também o fará na terra milenar, como as "águas vivas" que correm de Jerusalém (Zacarias 14:8). E, fluindo do trono de Deus, o "rio da água da vida" irá assegurar o eterno frescor da nova Jerusalém (Apocalipse 22:1).

 


CAPÍTULO 15

Luz – uma Iluminação Singular

Sem luz não é possível existir vida. Tanto a vida natural quanto a espiritual dependem dela. O primeiro ato de criação de Deus foi trazer a luz numa cena de caos obscuro: "E viu Deus que a luz era boa" (Gênesis 1:4). Também no reino espiritual ele agiu, nos salvando do "império das trevas" (Colossenses 1:13) e fazendo-nos "luz no Senhor" (Efésios 5:8).

Para ser eficaz, a luz necessita de, pelo menos, três elementos - uma fonte, um receptor e nenhuma barreira entre eles. A fonte primária de todo o tipo de luz é o próprio Deus: "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma" (I João 1:5). Se Deus não tivesse enviado "a verdadeira luz" ao mundo (João 1:9), estaríamos perdidos para sempre na escuridão. Quão gratos deveríamos ser que "as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha" (I João 2:8), e quão diligentes deveríamos ser para que a nossa luz "brilhe diante os homens", sem barreiras ("alqueires") para que as pessoas ao nosso redor vejam "as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus 5:15-16).

Mas essa luz será desperdiçada se ninguém ou nada a receber. Infelizmente, Satanás tem cegado as mentes daqueles que não creem "para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo" (II Coríntios 4:4). Mas o gracioso e grande Médico que abriu muitos olhos cegos enquanto ele esteve na Terra, e deu clareza de visão (Marcos 8:25), continua a fazê-lo pelo poder do Espírito Santo e pelos seus servos (Atos 26:18; Efésios 1:18). Que o exemplo de João Batista nos inspire, para sermos uma "lâmpada que arde e alumia" (João 5:35), não a fonte da luz, mas os seus portadores, vozes a clamar, sinais que apontam (João 1:23- 29), pregando não a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor (II Coríntios 4:5).

O que é Luz?

Essa luz com a qual estamos acostumados no nosso dia a dia é uma forma única e especial de energia, vinda de certas fontes naturais ou artificiais e recebida pelos nossos olhos. A informação resultante que é então registrada no nosso cérebro é muito complexa e rica em conteúdo. Todas as variedades de cores, formatos e intensidades trazem informações variadas. De todos os nossos sentidos, a visão é o que nos dá uma maior quantidade de informação sobre o meio envolvente.

Luz é uma forma de radiação, o que, na verdade, significa que é radiada ou emitida de alguma fonte maior de energia. Para a vida na Terra, a mais comum e importante fonte de luz é o Sol. O seu calor nos aquece, a sua luz nos sustém e nos permite aprender e descobrir o que está ao nosso redor. Mas essa grande fonte teria sido ineficaz se a luz tivesse sido, de alguma maneira, bloqueada, ou se nós (e outras formas de vida) não fôssemos equipados com receptores eficientes de luz. Na verdade, as características desses receptores (nossos olhos) correspondem à fonte de luz exatamente, e o que está no meio não é uma barreira, mas uma forma efetiva de filtrar a luz. Esse é outro exemplo do maravilhoso esquema desenhado, no qual podemos reconhecer a sabedoria e a perícia do nosso Todo-Poderoso Deus.

Aquilo que chamamos luz é uma pequena seção de um  enorme  espectro  de  radiação  chamado  de  ondas eletromagnéticas, que viajam numa incrível velocidade de 299.793 km/segundo. Numa extremidade desse espectro, a radiação tem comprimentos de onda muito longos. As ondas de rádio são as ondas com comprimento muito longo, de vários quilômetros; as ondas com cerca de 1 cm de comprimento são chamadas de micro-ondas. Elas podem carregar quantidades muito pequenas de energia. Na outra extremidade está a radiação de ondas muito curtas, os raios X e raios gama, que carregam grandes quantidades de energia. No meio está o espectro visível, feito de cores, às quais os nossos olhos são sensíveis, as familiares "cores do arco-íris" em toda a sua beleza. Mais além, na extremidade vermelha, com onda mais longa, existe o infravermelho e, na extremidade violeta, com onda mais curta, a ultravioleta. Não podemos ver nenhuma delas, mas podemos sentir o efeito de ambas, uma como calor, a outra como aquela que bronzeia a nossa pele quando nos expomos ao Sol.

Luz Visível

Todos os tipos de radiação existem pelo espaço, mas nós e outras formas de vida na Terra podemos apenas usar a luz do espectro visível. Igualmente importante, precisamos de proteção da outra radiação. Algumas das ondas de comprimento longo são prejudiciais à vida (as micro-ondas) e as ondas de pequeno comprimento são letais, pelo fato de a sua energia ser tão alta - elas iriam partir as nossas células e rasgar as moléculas que as compõem. Não é maravilhoso que a Terra receba tão pouco dessas ondas prejudiciais, enquanto, ao mesmo tempo, recebe grandes quantidades de radiação visível - apenas uma pequena fração de todos os tipos existentes! O Criador e Sustentador da vida na Terra faz isso acontecer da seguinte maneira.

Primeiro, o Sol que Deus criou emite radiação com cada uma das ondas de que a vida na Terra precisa. Com a sua temperatura superficial de cerca de 6.000 °C, ele emite mais radiação no meio do nosso intervalo visível. Já vimos como o Sol permite que a Terra tenha a temperatura correta para a vida existir, mas também essa radiação é exatamente aquele tipo ao qual os nossos olhos respondem. Adicionalmente, esse é o tipo de radiação que provoca reações no nosso ambiente para providenciar o fornecimento básico de alimentação, em processos conhecidos, como foto biologia ou fotoquímica. Ele também emite alguma radiação infravermelha, que fornece o significativo efeito de aquecimento para a Terra, e alguma radiação ultravioleta, que também é utilizada em alguns processos fotoquímicos.

A seguir, conforme a radiação se aproxima das barreiras exteriores da Terra, ela é parcialmente filtrada pelo ozono e pelo vapor de água no alto da atmosfera superior. O que é filtrado é a maior parte das ondas de comprimento menor, ultravioleta, a maior parte dos raios de alta energia gama do espaço sideral, e a maior parte das micro-ondas prejudiciais de comprimento longo. Assim, uma barreira de vapor de água está colocada para proteger a Terra da maioria dos tipos de radiação prejudicial. Mas a água não absorve a luz visível, e assim essa radiação útil e benéfica continua em rota, para alcançar a superfície da Terra.

Quanta coincidência! - processos completamente diferentes, um relativo ao Sol a milhões de quilômetros de distância, o outro acontecendo aqui na atmosfera da Terra é outro exemplo das propriedades benéficas sem par da água. "Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste!" (Salmos 104:24)

Água e Luz

Essa interação de água e luz também beneficia a vida aquática. A pequena quantidade de ultravioleta que chega à superfície da Terra é rapidamente absorvida nas camadas milimetricamente superficiais da água, protegendo os muitos organismos e criaturas que vivem nos mares, lagos e rios. Mas a luz visível, essencial para a fotossíntese, não é absorvida e pode penetrar até cerca de 100 metros. O infravermelho também é absorvido nas camadas superiores de água, aquecendo-as a partir do topo, para que estejam mais leves que as camadas inferiores. A água mais quente, dessa maneira, continua mais perto da superfície, evitando que a massa de água sobreaqueça e perca muito do seu conteúdo vital de oxigênio. As camadas superficiais também transferem calor para o ar, influenciando o clima, e ajudando a manter temperaturas estáveis. Se o calor estivesse espalhado na água em profundidade, isso não poderia acontecer.

Visão e Luz

O olho é uma estrutura notável, operando de uma forma semelhante (mas muito superior) a uma câmera moderna. A luz entra por uma abertura ajustável automática chamada de pupila, é focada numa lente variável na retina e registra um sinal por uma pequena reação fotoquímica. Apenas as ondas de luz visível podem desencadear essa reação - outras ondas não são capazes de fazê-lo.

Ademais, para um ótimo desempenho e claridade de visão ao usar as ondas de luz visível, o tamanho dos nossos olhos é correto. Ondas de maior comprimento precisariam de olhos muito maiores para fazer o mesmo - se as ondas fossem dez vezes maiores, o "olho" teria de ter pelo menos 25 cm de tamanho. Por outro lado, ondas menores seriam absorvidas pelos fluidos dos olhos, até mesmo destruindo o tecido biológico e os fotorreceptores da retina. Para uma visão clara usando a luz do Sol, o melhor tamanho é exatamente aquele que Deus desenhou e nos deu, que não é demasiadamente grande para a cabeça, com aspecto grotesco, nem tão pequeno que fosse insignificante.

Visão e luz são maravilhosos presentes de Deus. Mas não podemos diminuir a nossa visão espiritual. "Visto que andamos por fé e não pelo que vemos." (II Coríntios 5:7) "Se ... andarmos na luz, como ele está na luz." (I João 1:7) Que a sua Palavra seja uma lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmos 119:105), pois na sua luz vemos a luz (Salmos 36:9).

 

 


CAPÍTULO 16

Carbono – um Elemento Químico Singular

Qualquer pessoa que estude ou observe o mundo natural deve ficar impressionada pela sua imensa variedade. No espaço sideral, aqui na Terra, dentro dos nossos corpos e tudo ao nosso redor, tanto a criação inanimada quanto o mundo vivo revelam variedade e beleza e, dessa forma, refletem a glória e a sabedoria do Criador. Nada que Deus faz é aborrecido ou monótono.

Apenas pense em milhões de substâncias ao nosso redor - do papel ao plástico, da cal ao queijo, da madeira à pedra, da água ao petróleo, do oxigênio ao aço, da vitamina C à aspirina ou clorofila... A lista de materiais com os quais estamos familiarizados é praticamente sem-fim. E todos eles são feitos de menos de noventa elementos diferentes, substâncias primárias para as quais cada material poderia ser reduzido. Na verdade, os materiais mais comuns são feitos de apenas cerca de vinte elementos. Os elementos mais comuns na Terra são o oxigênio, o silício, o alumínio e o ferro. Os mais importantes para a vida são o carbono, o hidrogênio, o nitrogênio e o oxigênio.

Os Elementos Químicos

Esses elementos químicos primários são os mesmos materiais básicos com os quais tudo é feito. Deus desenhou e fez cada elemento com o seu próprio tipo de átomo, diferente de qualquer outro elemento, para que eles pudessem combinar entre si de maneiras específicas para produzir milhões de compostos que agora reconhecemos. Assim, o oxigênio é um elemento, mas, combinado com silício e alumínio, cria a rocha; combinado com cálcio e carbono, faz a cal; combinado com hidrogênio, é água; combinado com carbono e hidrogênio, faz a vitamina C e a aspirina além de madeira e muitos plásticos e um grande número de outras substâncias.

A Química é a ciência que estuda a composição e as propriedades de todos os materiais e tenta explicar por que eles se comportam de certas maneiras, ao examinar as suas partículas menores, chamadas moléculas. Moléculas são coleções de átomos ligados um ao outro, por vezes apenas poucos átomos ligados, como no caso da água ou do dióxido de carbono ou do metano, por vezes, em grandes quantidades de átomos, como na clorofila ou nas proteínas ou nos plásticos (chamados polímeros). Moléculas possuem formas, tamanhos e propriedades distintas, e a maioria delas é menor que um milionésimo de centímetro. A Química revela o trabalho das mãos de Deus nesse nível submicroscópico e fascinante.

Os vários átomos que compõem as moléculas têm a sua estrutura única. Cada átomo contém um certo número de partículas ainda menores, chamadas de prótons, nêutrons e elétrons. A maneira como essas partículas se arranjam é outra maravilha, pesquisada e descoberta por cientistas, mesmo que ainda não seja compreendida na sua totalidade, mas desenhada e feita por Deus. O número de elétrons na parte de fora de um átomo decide o tipo de ligação química a ser feito ao seu átomo vizinho.

Arquitetura atômica e molecular proclamam a sabedoria e a glória de Deus. O Senhor Jesus disse um dia, "Asseguro- vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão" (Lucas 19:40). Cada átomo e cada molécula nas pedras, ou em qualquer outra coisa, realmente clamam àqueles dispostos a ouvir o eloquente testemunho ao seu Criador.

Carbono - a Base da Vida

De todos os elementos, um é especial e único, o elemento carbono. É aquele do qual é composta a estrutura de todos os seres vivos. Por causa disso, o estudo dos compostos de carbono tem sido tradicionalmente chamado de Química Orgânica. Compostos de carbono são muito mais numerosos de que compostos de qualquer outro tipo de elemento, e muitos desses são encontrados em seres vivos.

Todos os organismos vivos são feitos de compostos de carbono ligado a hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e, com menos frequência, enxofre. Desses poucos elementos foram construídas todas as formas de vida e as suas funções metabólicas. É verdadeiramente maravilhoso que tão poucos elementos conseguem produzir tanta variedade, e produzi-la em condições que suportam a vida. Em adição a moléculas menores, como aquelas de dióxido de carbono, água, amônia e aminoácidos, existem moléculas maiores, como aquelas dos carboidratos, proteínas, gorduras e óleos, e, em cada classe, centenas e centenas de variações na estrutura molecular. É essa larga variedade de substâncias que permite existir tanta diversidade nas formas de vida.

Carbono é o único elemento que consegue formar uma variedade tão grande de compostos diferentes. Cada átomo consegue formar quatro ligações com átomos de outros elementos ou com outros átomos de carbono, e essas ligações podem ser simples, duplas ou triplas. Isso abre caminho a possibilidades sem fim para o carbono fazer moléculas diferentes de praticamente qualquer tamanho e forma tridimensional. O elemento mais similar ao carbono é o silício, mas ele não pode criar ligações como estas em nível significativo. Claramente, Deus desenhou e fez o átomo do carbono para se adequar às necessidades especiais da vida.

Compostos de Carbono

Os processos que sustentam a vida são muito complexos, mas também muito eficientes. Pense, por exemplo, no consumo e na digestão de produtos alimentares, na reparação de tecido danificado, no transporte de nutrientes, na respiração para suprir oxigênio que é transportado pelo sangue, produzindo energia para a ação muscular ou para funções complexas dentro das células.

Para tudo isso acontecer, as substâncias envolvidas precisam passar por mudanças (reagir) às temperaturas nas quais a vida existe. Se elas fossem muito estáveis nessas temperaturas, elas não seriam usáveis e, se fossem muito instáveis, iriam mudar muito rapidamente antes de poderem fazer o seu trabalho ou chegar ao seu destino. É um fato fascinante que apenas na temperatura onde a vida se desenvolve, esses mesmos compostos de carbono possuem essa estabilidade correta intermédia. As propriedades dos compostos e a força das ligações químicas entre as suas moléculas vão ao encontro da sua utilidade apenas nas temperaturas requeridas - será coincidência? Não, foi desenhado assim!

Repare como isso se encaixa na imagem geral. A vida precisa de uma temperatura estável entre 5 e 40 °C. Nestas condições, os compostos de carbono relevantes podem reagir e mudar, e a água necessária é líquida. Isso combina perfeitamente com a temperatura da superfície da Terra. Já temos visto como essa temperatura é alcançada pelo efeito de aquecimento do Sol, moderado pela sua distância de nós e pelo efeito da atmosfera. Essa distância, por sua vez, foi determinada pela massa do planeta. Não houve correções posteriores, mudanças acidentais, ou condições evolventes para produzir a vida. É tudo um grande desenho realizado pelo nosso fiel Criador para o benefício de todas as suas criaturas! Do padrão dos elétrons ao minúsculo átomo de carbono, à posição da Terra no magnífico sistema solar - tudo isso reflete a imensa sabedoria de Deus.

As Moléculas da Vida

Os nossos corpos contêm cerca de 100 milhões de milhões de células, sendo a maioria delas cerca de dois centésimos de milímetro em tamanho. Cada célula tem a sua própria função - pele, cérebro, músculo, sangue, e aí por diante. Cada célula tem uma estrutura similar e carrega toda a informação necessária para realizar muitas tarefas complexas, a mais importante de todas sendo replicar-se a si mesma.

Células podem ser comparadas a minúsculos computadores, perfeitamente desenhadas para funcionar em materiais biologicamente codificados para produzir resultados biológicos. A informação é armazenada no núcleo da célula numa substância chave chamada de DNA (ácido desoxirribonucleico) que armazena dados de maneira mais eficiente e compactada que qualquer outro sistema conhecido (você esperava alguma coisa inferior vinda do Criador?) Tem sido calculado que a informação de cerca de um bilhão de livros poderia ser armazenada numa amostra de DNA do tamanho de uma cabeça de agulha. A estrutura e a função da molécula de DNA são verdadeiramente espantosas.

Uma célula também pode ser comparada a uma fábrica em miniatura, operando de acordo com regras específicas, usando transportes de energia e materiais eficientes para produzir certos compostos químicos. O mais importante desses são as proteínas, sintetizadas dos seus blocos de construção, feitas exatamente como o organismo precisa. Milhões de diferentes moléculas podem ser feitas desses materiais-base, mas apenas um vai ter o tamanho certo, formato tridimensional e reatividade para o seu uso final. Os complexos processos na célula (fábrica) selecionam apenas aquele que é necessário, sem nenhum subproduto hostil ou bens defeituosos! Todos os componentes de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio se encaixam de acordo com o desenho do Criador, conforme codificado no DNA de cada célula. Proteínas fazem uma incrível variedade de trabalhos. São construtores estruturais de tecido, catalisadores (enzimas) para reações, mensageiros e receptores de informação, defensores contra toxinas, apenas para mencionar alguns. As suas moléculas são todas diferentes e distintamente dobradas ou em espiral, mantidas em seus lugares por fracas ligações e pela interação pelo seu ambiente aquoso, dando a cada uma o formato tridimensional que é crítico para a sua função.

Central a isso tudo está o insubstituível átomo de carbono - uma parte fundamental do plano para dar a esse mundo variedade e beleza, forma e função. "Que isso tudo funciona, e funciona tão bem, é nada menos que miraculoso." [1]

1.            De um livro de ensino secular: General, Organic and Biological Chemistry de autoria de DM Feigl & JW Hill

 


CAPÍTULO 17

Homem – um Ser Singular

O número de espécies vivas na Terra é imenso. Elas são primeiramente classificadas pelos biologistas nos reinos vegetal e animal, depois em numerosos ramificações e tipos, até as espécies individuais. O ponto de vista da evolução é que todas elas vieram de um antepassado em comum, mudando ao longo do tempo para as suas formas atuais. O ponto de vista daqueles que acreditam na Bíblia como a Palavra de Deus é que todas foram criadas por ele, diferenciadas entre si desde o início. Modificações ("microevoluções") aconteceram dentro de espécies estabelecidas pela reprodução seletiva e isolamento de habitat, mas a evolução a longo termo de novas espécies é uma teoria não provada, embora muito popular.

Entre milhões de espécies diferentes, uma é única. Essa é o homem. O homem não é relacionado biologicamente a qualquer animal com o qual ele possa ter uma semelhança superficial, nem a qualquer outra criatura ou ao seu ambiente, embora processos químicos semelhantes impulsionem o seu metabolismo, ou fluidos semelhantes sejam encontrados em suas células. Partilhar tais traços não é uma evidência de ligação biológica ou ancestral, embora possam argumentar tal coisa! Isso apenas significa que o Criador desenhou processos bioquímicos e estruturas de unidades perfeitos e efetivos e usou-os nos muitos seres vivos que ele criou de acordo com a sua própria vontade. É como um arquiteto desenha diferentes tipos de edifícios, ou como um engenheiro produz máquinas extremamente diferentes. Mas uma fábrica não é igual a uma ponte ou uma escola, nem um motor de carro a um motor de avião ou uma máquina de costura!

Antes de olharmos para as muitas características do homem que são clara evidência da sua posição única na criação, vejamos primeiro com cuidado o que a Bíblia diz sobre a singularidade do homem.

"Que é o Homem?"

Essa pergunta aparece quatro vezes na Bíblia: Jó 7:17; Salmos 8:4; 144:3; e Hebreus 2:6. Em cada caso, o contexto é a aparente pequenez ou até mesmo insignificância do homem no grande esquema das coisas - a efemeridade da vida perturbada de um homem em Jó 7, o imenso universo estrelado em Salmo 8 e a grandeza e bondade de Deus em Salmo 144. Mas a questão é o fato maravilhoso de que Deus colocou um interesse pessoal apenas no homem - "ponhas nele o teu cuidado", "o visites", "dele tomes conhecimento... o estimes". Embora seja evidente que Deus se importa com a sua criação, o homem é um objeto de especial atenção, afeto e propósito para ele.

O homem foi criado de maneira diferente. No sexto dia da criação, quando o homem foi feito, Deus disse algo sobre aquele ato que ele não disse sobre mais nenhum. Os trabalhos da criação de Deus eram precedidos por "Haja..." (ou o equivalente), mas, na vez do homem, lemos "Façamos..." (Gênesis 1:26-28). A Divindade realizou uma atividade deliberada, propositada e unida. Foram acrescentados outros detalhes especiais: (1) "Tenha ele domínio..." O homem foi, certamente, parte da criação, mas foi-lhe dado um domínio único, e a sua intendência. (2) "Criou Deus o homem à sua imagem." Nenhuma outra criatura teve tal dignidade e tanto potencial. (3) Deus "lhe soprou nas narinas o fôlego de vida" (Gênesis 2:7). Por um ato divino, pelo fôlego direto de Deus, o homem se tornou uma alma vivente. O seu corpo foi feito do pó da terra, ou seja, composto fisicamente dos mesmos elementos químicos que compõem a Terra, assim como "[Produziu] a terra seres viventes...segundo a sua espécie" (1:24). Mas Adão era diferente, recebendo a vida e uma alma pelo toque pessoal e sopro do Criador.

O homem é constituído de maneira diferente. O homem é um "ser tripartido", constituído de "espírito, alma e corpo" (I Tessalonicenses 5:23), à imagem do seu Criador, o Deus triúno, Pai, Filho e Espírito Santo. O espírito é a parte mais importante do homem- ele permite que entremos em contato com Deus de uma maneira espiritual (João 4:24). Na morte, o espírito do homem retorna a Deus (Eclesiastes 12:7). A alma é a verdadeira pessoa ou personalidade, capaz de se envolver emocional e mentalmente com outras pessoas e coisas. A alma é imortal, vivendo para sempre no céu ou no inferno depois da morte. O corpo é a estrutura física que acomoda o espírito e a alma, por onde nos expressamos, por onde nos fazemos conhecidos aos outros, no qual somos chamados a glorificar a Deus (I Coríntios 6:20). Ele se decompõe depois da morte, para ser trocado por um novo corpo como o de Cristo na ressurreição (Filipenses 3:21). O espírito faz-nos conscientes de Deus, a alma faz-nos autoconscientes, o corpo nos faz conscientes do mundo.

O homem foi chamado para ser diferente. Deus criou o homem para que ele tivesse uma comunicação significativa e desejada com ele. O homem feito (1) "à imagem de Deus" supõe uma habilidade essencial de representar Deus e mostrar o seu caráter e, (2) "conforme a (sua) semelhança", demonstra uma potencial habilidade de se parecer com ele e cooperar com ele. Apenas o homem possui essas habilidades. Elas foram grandemente comprometidas pelo pecado de Adão, e muito do potencial foi perdido. Mas, pela redenção, o que antes estava perdido foi restaurado e adicionado.

Existe uma outra razão muito importante pela qual Deus fez o homem único e diferente. A morte de Cristo estava planejada antes da fundação do mundo (I Pedro 1:20). Para morrer e se sacrificar, para carregar o pecado do mundo, o Filho de Deus teria de se tornar homem. Então o homem foi criado de tal maneira que Deus pudesse se expressar perfeitamente em "carne e sangue" (Hebreus 2:14). A natureza única do homem iria cumprir aquilo que Deus tinha em mente para si mesmo na encarnação do seu Filho, assim como para o lugar especial do homem na criação.

Como o Homem é Diferente?

Será o homem apenas uma criatura muito evoluída, diferente apenas numa medida de sofisticação de "irmãos" ou "primos" no reino animal? Especificamente, terá sido o homem um "descendente" de um símio, ou de um ancestral semelhante a um macaco? Não - a prova está claramente contra isso.

Nem argumentamos que o homem tem o melhor de tudo. Por exemplo, certos pássaros e animais têm uma visão muito mais apurada, assim como melhor audição e olfato. Certamente, em termos de comportamento, o homem pode fazer e já fez coisas muito piores do que qualquer outra criatura. Animais não abusam pecaminosamente dos seus filhotes, nem assassinam cruelmente ou torturam sadicamente um ao outro, nem organizam e fazem guerras dentro das suas próprias espécies. Quando predadores matam, eles o fazem pela comida, sem ódio, vingança ou desejo de magoar. O homem é capaz do mais nobre dos gestos para ser muito admirado, mas homens caídos em desgraça são também capazes dos crimes mais deploráveis e terríveis, desconhecidos no mundo natural.

Em relação às diferenças principais e à evidência da singularidade do homem, aqui está uma lista interessante. Repare em como o homem é completamente diferente de tantas maneiras de qualquer outra criatura, incluindo os "primatas".

Anatomicamente, apenas o homem tem uma postura naturalmente direita, com pés e dedos oferecendo uma base única de suporte, enquanto a mão é a ferramenta de manipulação mais eficiente à disposição. Primatas têm ossos das coxas mais compridos e costas mais curtas, o que naturalmente impede a postura ereta. Os seus pés são similares às mãos, destinadas para escalar, mas não andar.

Mentalmente, apenas o homem tem a habilidade de pensar profundamente, de avaliar provas complexas, tomar decisões difíceis, de ser criativo e inventivo. Podemos fazer isso, pois somos feitos à imagem de Deus e assim podemos também admirar e desfrutar da beleza e da harmonia. Podemos compor música, inventar e tocar instrumentos musicais, criar objetos artísticos, resolver palavras-cruzadas e problemas matemáticos, compreender conceitos abstratos de filosofia, ciência e justiça, e aplicá-los com a consciência de distinguir o certo do errado.

Apenas o homem consegue falar, ler e escrever. Essas fantásticas capacidades estão baseadas num sistema complexo de sons ou sinais  que  temos  de  aprender, de maneira a nos expressarmos. Podemos comunicar sentimentos e fatos, informações numéricas e espirituais. Podemos chorar e rir.

Apenas o homem é capaz de fazer e usar ferramentas, algumas muito complexas e especializadas - por exemplo, um torno de giro, uma fechadura e chave, um computador, um submarino.

Para o homem, trabalho é uma atividade com sentido que promove a satisfação, com objetivos além da mera sobrevivência. Nós não trabalhamos apenas para podermos comer, ou comemos para sobreviver, como acontece no reino animal.

Um homem pôde fazer, dominar e controlar o fogo, levando-o ao desenvolvimento da metalurgia, tecnologia e comércio, assim como para conforto e confecção de alimentos.

Apenas o homem pode organizar sistemas complexos, seja de informação, materiais ou sociedades completas (civilizações). E o homem pode causar a desordem desses como nenhum outro!

Bebês humanos são muito mais vulneráveis e dependentes que os de qualquer outra espécie, com maturação lenta e longos tempos de desenvolvimento. O cuidado familiar e um ambiente seguro para o aprendizado são muito importantes.

O homem se interessa pelo passado e futuro, procurando por respostas sobre questões a respeito de origens e destinos e pelo propósito da vida. Nós ponderamos sobre a morte. Nós enterramos os nossos mortos.

O homem pode amar, ser fiel e verdadeiro tanto um ao outro quanto a Deus. Podemos comunicar com Deus assim como ele pode comunicar conosco. É por isso que ele nos criou da maneira como somos.

 

 


CAPÍTULO 18

Nosso Cérebro Impressionante

No decorrer de um dia, fazemos centenas de coisas e falamos ou lemos centenas de palavras. Mas podemos pensar milhões de pensamentos. Todos os nossos pensamentos são gerados e coordenados no cérebro numa estrutura verdadeiramente fantástica e complexa. Muitos pensamentos são tão passageiros, que mal os notamos ou relembramos, enquanto outros são deliberados e profundos. Alguns provocam sorrisos, outros trazem ansiedade e tristeza. Alguns irão originar ações, outros iremos rejeitar. São os nossos pensamentos que criam as nossas palavras e ações, para o bem ou para o mal. Assim, pensamentos diretos e controlados são essenciais para uma vida que agrada a Deus e é útil para o próximo. Assim diz a Bíblia - "tudo o que é verdadeiro,...justo, ...puro,,...amável,...de boa fama,...virtude... e louvor, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (Filipenses 4:8).

Quando Deus criou o homem à sua imagem, ele criou o corpo, a alma e o espírito. O cérebro faz parte do corpo - cirurgiões podem removê-lo da sua estrutura protetora (o crânio), segurá-lo em suas mãos, e muitas vezes até corrigir algum dano causado por acidente ou doença. Mas ninguém consegue segurar um pensamento - não faz parte do corpo.

Nem ninguém consegue ter as mãos na mente - ela também não é algo físico. A mente é muito próxima da alma, de fato, por vezes nas Escrituras ela é identificada com isso. A mente e a alma usam e direcionam os pensamentos - intangíveis e invisíveis, mas de tão grande valor potencial para Deus e para o homem. Meditações, resoluções, decisões, avaliações, tudo envolve a mente e a alma; na verdade elas dão forma e moldam a mente e a alma, a verdadeira e significante personalidade, a pessoa que é você, apenas você e eternamente você. Meditações e resoluções são muito importantes!

Assim como a mão é necessária para a execução e os lábios para o falar, também o cérebro é necessário para o pensamento. Ainda não é completamente conhecido como pensamentos são criados, como memórias são guardadas e relembradas e como ideias são inventadas e expressadas. Também é apenas parcialmente compreendido como o cérebro controla todas as partes funcionais do corpo, inconscientemente mantendo os nossos sistemas em funcionamento. O cérebro, que nos ajuda a compreender tanta coisa, tem sido descrito como além do nosso entendimento. Ele é justificadamente chamado da mais complexa estrutura do universo.

A Estrutura do Cérebro

O cérebro tem sido comparado a um computador, mas as suas capacidades de memória, função, rapidez e durabilidade vão muito além do melhor computador alguma vez criado, ou que possa vir a ser criado; ou comparado com o centro de controle de um aeroporto movimentado, mas gerindo um sistema muito mais complexo do que tudo isso junto; ou a uma rede de circuitos de informação centenas de vezes mais complexa que o sistema de telefonia do mundo - se o diagrama de circuito pudesse ser desenhado, ele cobriria uma área de várias milhas quadradas. De todos os ângulos, o cérebro excede a todos em complexidade e eficiência.

Alguns fatos bem estabelecidos sobre o cérebro humano. É a mais poderosa máquina pensante que pode ser construída a partir de átomos neste mundo.

Pesa cerca de 1,4 kg, maior que o de qualquer mamífero, exceto a baleia e o elefante. Mas, em termos proporcionais, o cérebro humano é bem maior, com cerca de 2% do peso do corpo. O cérebro do elefante, cerca de quatro vezes maior, tem apenas 0,1% do seu peso corporal. Esse tamanho proporcional é outra característica que faz do homem o único na criação.

Ele contém aproximadamente uma centena de bilhões de neurônios, cada um conectado a cerca de outros 10.000. Um pedaço de "matéria cinzenta" do cérebro do tamanho de uma cabeça de alfinete contém cerca de 60.000 neurônios. Durante o desenvolvimento do bebê no útero, são formados em média 250.000 neurônios por minuto. Os neurônios de apenas um cérebro são mais numerosos que as estrelas da Via Láctea.

O nosso cérebro usa cerca de 20% da energia do nosso corpo. Nos outros mamíferos esse número é de 5 a 10%. O cérebro recebe energia e nutrientes pela via sanguínea através de um intrincado sistema de pequenos vasos capilares.

O cérebro consegue processar aproximadamente 1.000.000.000.000.000.000 sinais por segundo (cem milhões de vezes mais rápido do que qualquer supercomputador).

Fibras nervosas transmitem informação entre células cerebrais. No cérebro, o seu tamanho total é de cerca de 300.000 milhas, enquanto fora tem mais cerca de 240.000 milhas de fibras nervosas (com um milésimo de milímetro de espessura) carregando ordens e informações para cada parte do corpo. Os sinais são enviados a em média 100 milhas por hora (40 metros num segundo).

Células Cerebrais ou Neurônios

Cada neurônio é em si mesmo uma maravilha de complexidade e funções. Como todas as nossas células, ele tem um núcleo no qual o DNA é guardado e usado. O corpo do neurônio tem muitos filamentos longos, ou dendrites (como os ramos de uma árvore), que se estendem para encontrar outras células e receber impulsos vindos delas. Também tem uma fibra mais longa e espessa chamada axônio, que envia impulsos para outras células. A conexão entre os neurônios vai do fim do axônio para uma das dendrites de outro neurônio através de uma fenda estreita chamada de sinapse, pelos sinais químicos chamados de neurotransmissores. Assim, quando um sinal é transmitido, é como uma tomada sendo ligada. Usualmente, uma série de tomadas são ligadas ao mesmo tempo, criando um caminho entre centenas de células, sendo talvez um caminho de um pensamento, ou um traço de memória. O resultado disso pode disparar sinais através das fibras nervosas para outras partes do corpo para causar ação. Você consegue sentir a grandeza de tudo isso - de como um pensamento é produzido? - e depois é tornado numa palavra ou ação?

Quando   aprendemos   certas   habilidades, como ler, escrever ou contar, são criados caminhos que são constantemente reforçados pelo uso regular. Quando relembramos memórias, esses caminhos são ativados outra vez, mas, com a diminuição do seu uso, eles se tornam cada vez menos efetivos, o que nos faz "não lembrar". Também com a idade, alguns neurônios podem morrer e usualmente não são substituídos. Algumas conexões não podem ser feitas, então esquecemos mais!

Existem vários tipos de neurônios. Neurônios sensoriais transportam informação dos nossos órgãos dos sentidos (por exemplo, olhos, ouvidos); neurônios motores transportam informação para os músculos e as glândulas; interneurônios conectam entre os neurônios sensoriais e motores - eles compõem cerca de 97% de todo o sistema nervoso central. A maioria dos neurônios tem menos de um milímetro de comprimento, mas alguns dos neurônios motores na coluna vertebral, por exemplo, têm 1 metro de comprimento. Cada um foi individualmente desenhado e feito para o seu propósito, desde o formato e tamanho da célula até aos processos elétricos e químicos que fazem as conexões. O todo é desenhado para cooperar como um cérebro e identificar um ser humano. Quanto tempo isso tudo iria levar para evoluir? Nunca poderia ou conseguiria! Ele foi criado, uma maravilha e um milagre da iniciativa do próprio Deus.

Setores do Cérebro

Visto como um todo, o cérebro consiste de dois hemisférios, cada um controlando o lado oposto do corpo. Cada um é coberto por uma camada de células nervosas com 3 milímetros de espessura chamada de córtex cerebral. Ele é extensivamente convoluto (com dobras) para obter uma área de superfície maior. O córtex possui tanto funções motores quanto sensoriais, e diferentes seções podem estar relatadas a diferentes habilidades. Por exemplo, as seções que controlam e sentem as mãos, com os seus movimentos intrincados, e os lábios também, são muito maiores do que aquelas que controlam o pescoço ou os quadris.

O cérebro também contém órgãos-chave que coordenam a atividade, como a glândula pituitária e o hipotálamo. A pituitária segrega hormônios que são transportados pelo sangue para outras glândulas para estimulá-las. O hipotálamo, do tamanho de uma ervilha, é um maravilhoso centro de controle para o comer, o beber, o dormir, o regular a temperatura corporal e muitas outras importantes funções automáticas, como a respiração e o batimento cardíaco. Ele também controla a pituitária.

A Mente

Além do cérebro, mas ainda dependente dele, está a mente. O cérebro recebe informação pelos sentidos, processa-a por pensamentos e memórias, e a mente interpreta tudo isso de uma forma que influencia e é influenciada pela alma ou personalidade do indivíduo.

As Escrituras, muitas vezes, referem à mente e, por vezes, ao "coração" como o centro das nossas emoções e dos nossos desejos. Assim, "como imagina em sua alma, assim ele é" (Provérbios 23:7). "Do coração dos homens é que procedem os maus desígnios." (Marcos 7:21) "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma..." (Marcos 12:30) "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus." (Filipenses 2:5)

É tão importante usarmos o nosso cérebro para bons pensamentos, para focar e treinar as nossas mentes para amar a Deus. Quão necessário é refletirmos a mente de Jesus Cristo, o nosso Senhor.

 


CAPÍTULO 19

Nosso Fluxo Sanguíneo Vital

Por vezes prestamos atenção ao nosso batimento cardíaco, à nossa pulsação e até mesmo à nossa pressão. Se fazemos um corte ou uma pequena ferida, notamos o sangue fluir e depois parar. Outras vezes estamos conscientes da nossa respiração a acelerar com o esforço, e do suor, ou de uma dor de indigestão indicando que alguma coisa estranha está acontecendo. Mas, na maioria das vezes, não pensamos muito sobre o funcionamento contínuo das diferentes partes do nosso corpo, desconhecendo quão inteligentes, complexas e cuidadosamente desenhadas essas partes são.

Assim, quanto mais você aprender sobre os órgãos internos e suas funções, mais você ficará maravilhado em relação a quão aptos eles são e quão grande e sábio é o seu Criador. Quando Davi escreveu, "Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste" (Salmos 139:14), ele tinha tirado tempo para pensar sobre isso. E, com base no seu limitado conhecimento, ele fez o que deveríamos fazer muito mais vezes - dar a glória e o crédito a Deus por tudo isso. Eleve o seu coração admiração e em adoração!

Essa admiração se torna ainda maior e mais profunda quanto mais vai sendo descoberto sobre Anatomia, Fisiologia e Bioquímica. Aqui iremos elaborar apenas alguns contornos. Nós somos assombrosa e maravilhosamente formados! - não evoluídos, não adaptados, não existentes graças a mutações aleatórias ou acidentes cósmicos! "Foi ele quem nos fez, e dele somos... rendei-lhe graças e bendizei lhe o nome." (Salmos 100:3-4)

O Coração

O nosso coração é uma bomba eficiente e fantástica que normalmente dura muito tempo, ao contrário de outras bombas que, muitas vezes, têm de ser desligadas para reparações ou manutenção. É uma estrutura oca feita de músculo que contrai e relaxa ritmicamente a cerca de 70 vezes por minuto, o que é cerca de 100.000 vezes por dia, algo como 2.500 milhões de vezes no decurso de uma vida normal! Quatro válvulas abrem e fecham em sequência para controlar a direção do fluir do sangue. Ele pesa apenas cerca de 300 gramas, circulando o sangue continuamente para permitir que um corpo de 70 kg viva e funcione.

Ele tem dois ventrículos para bombear. O ventrículo direito recebe sangue pelas veias de todas as partes do corpo onde o oxigênio foi esgotado e bombeia-o para os pulmões para ser reoxigenado. O ventrículo esquerdo recebe o sangue oxigenado oriundo dos pulmões e bombeia-o pelas várias artérias para todo o corpo. O coração tem o seu próprio fluxo sanguíneo separado, sem o qual não poderia funcionar. As artérias coronárias levam o sangue aos músculos do coração, e as veias coronárias coletam o sangue no círculo sanguíneo mais curto, porém provavelmente mais vital de todo o corpo. Quando o coração fica sem sangue, os seus músculos não trabalham e, se o coração para, nós paramos!

O coração responde instantaneamente às exigências por mais sangue provenientes de qualquer parte do corpo que esteja em esforço. Os batimentos podem ir até 200 vezes por minuto, e o volume de sangue, sendo bombeado durante cada batimento, pode aumentar. A respiração fica muito mais rápida para suprir o oxigênio extra requisitado, já que agora passa mais sangue pelos pulmões. O sangue rico em oxigênio é então distribuído pelas artérias para alcançar a ramificações muito mais finas em pequenos tubos, até eventualmente chegar a vasos muito finos chamados capilares, que entregam o oxigênio e os nutrientes a cada célula de cada parte do corpo. Depois, uma sequência similar de capilares se junta a veias maiores, para retornar o sangue para o coração. O comprimento total dos nossos vasos sanguíneos é calculado com cerca de 9700 quilômetros, sim, 9700 quilômetros, a distância entre Londres e a Cidade do Cabo! Pare outra vez e diga, "As tuas obras são admiráveis!" (Salmos 139:14).

O sangue bombeado do coração vai encontrar alguma resistência de fluxo pelas artérias que se dividem. A pressão desenvolvida pode ser facilmente medida, e os limites para a pressão arterial são bem estabelecidos. Se algum bloqueio acontecer numa artéria ou se as artérias se tornam rígidas, o esforço requerido para circular o sangue terá de aumentar, e o coração terá de trabalhar com esforço. Na verdade, pressão arterial alta é um indicador de doença arterial que pode potencialmente causar ataques cardíacos ou acidente vascular cerebral, o que irá impedir o sangue juntamente com o seu oxigênio vital de chegar a algum órgão crítico, como o coração ou o cérebro. É sempre importante verificar a pressão arterial, porque a detecção e a prevenção são sempre melhores! Deus nos desenhou e nos deu um maravilhoso e funcional coração e circulação sanguínea, e nós devemos fazer a nossa parte ao cuidar deles. Dieta, exercício e estilo de vida são importantes!

O Sangue

"A vida da carne está no sangue..." (Levítico 17:11) Escritas há centenas de anos, essas palavras englobam a conexão entre o sangue e a vida muito antes de as pesquisas médicas e científicas mostrarem quanto próxima e detalhada é essa conexão. O sangue é um fluido maravilhoso, realizando muitas tarefas vitais para um organismo.

Para um adulto, o volume do nosso sangue é cerca de 5 litros, toda essa quantidade sendo bombeada pelo coração a cada minuto enquanto em descanso. É composto de plasma (líquido, 56%) e partículas sólidas em suspensão (células ou corpúsculos sanguíneos, 44%). Estas células se dividem em três tipos - glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

Uma gota de sangue tem cerca de 250 milhões de glóbulos vermelhos. Cada um dura por cerca de 120 dias, sendo assim continuamente renovados (na medula óssea) numa taxa de cerca de 3 milhões por segundo! A sua função mais importante é transportar o oxigênio, absorvendo-o dos pulmões e distribuindo-o onde for necessário. Cada glóbulo vermelho (hemácia) é uma unidade fantasticamente eficiente para o seu propósito específico, com a sua forma circular em disco que permite a rápida difusão do oxigênio, pela estrutura da sua molécula-chave de proteína, chamada hemoglobina. Cada molécula de hemoglobina (constituída de cerca de 10.000 átomos) consegue conter quatro moléculas de oxigênio nos quatro átomos de ferro no seu centro, de tal maneira que eles podem ser reusados quantas vezes forem necessárias, sem que nenhum se danifique. O detalhe químico envolvido é maravilhoso, assim como o sistema num todo!

Glóbulos brancos (leucócitos) são diferentes e em menor quantidade. A sua função é monitorar e defender o corpo contra corpos estranhos e invasores, como bactérias, vírus e fungos. Glóbulos brancos reconhecem esses invasores e, numa maneira fantástica, alguns lutam contra eles com um vasto arsenal de "armas químicas", outros os absorvem e digerem. Milhões de glóbulos brancos morrem nesse processo, sacrificando-se para o benefício do corpo.

As plaquetas ficam inativas  até  ser  detectada  uma ruptura num vaso sanguíneo. Então elas acumulam-se, formando um tampão que impede a perda de sangue. Essas plaquetas podem também se dividir para lançarem substâncias químicas que promovem a coagulação do sangue, exatamente onde é necessário parar de sangrar, mas não demasiado ou numa área muito extensa que venha a inibir a circulação normal, o que causaria outros problemas sérios. Esta é outra sequência bioquímica maravilhosamente eficiente que opera constantemente e até mesmo regula a sua própria atividade de acordo com o desígnio do Criador.

Cada proteína nessa sequência complexa em escala molecular, cada componente do sangue em escala microscópica e cada membro do corpo numa escala maior, todos são necessários para o bem-estar do corpo. Você se lembra da importante lição sobre esse tema em I Coríntios 12, aplicada à igreja local? Todos precisamos uns dos outros, nenhum membro é sem importância ou supérfluo - talvez sejam os menos visíveis os mais vitais? E todos têm de cumprir a sua parte - "pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte" (Efésios 4:16).

O sangue tem muitas outras importantes funções. Ele controla a temperatura do corpo a 37 °C e distribui o calor pelo corpo. Ele transporta para todas as partes do corpo os nutrientes derivados da comida digerida no estômago e nos intestinos e depois processada no fígado. Ele também elimina os produtos residuais para serem filtrados pelos rins, outra estrutura fantasticamente efetiva. Ele transporta os hormônios, os mensageiros químicos do corpo (por exemplo, adrenalina e insulina), para dar andamento a processos quando e onde forem necessários. Verdadeiramente, "a vida da carne está no sangue".

O Sangue de Cristo

Assim como o sangue é importante fisicamente, também é o precioso sangue de Cristo para nós, espiritual e eternamente: se não partilharmos do seu sangue pela fé, não temos a vida em nós (João 6:53); sem o derramamento do seu sangue não há remissão de pecados (Hebreus 9:22), nem purificação do pecado (I João 1:7). Nós somos justificados pelo seu sangue (Romanos 5:9); aproximados de Deus pelo seu sangue (Efésios 2:13). Nós estamos no próprio coração de Deus. Que maravilha do propósito divino e que milagre pela graça divina isso é! Eleve o seu coração outra vez em admiração e adoração!

 


CAPÍTULO 20

A Maravilha do Nosso Nascimento

O desenvolvimento e o nascimento de um bebê estão entre os acontecimentos mais maravilhosos, complexos e fantásticos que se pode pensar. Atualmente, sabemos mais sobre o processo do desenvolvimento pré-natal, mas a sua maravilha continua tão grande quanto sempre foi. Talvez ainda maior, conforme as ultrassonografias oferecem cada vez mais fascinantes informações sobre os vários estágios de desenvolvimento.

Apenas o poderoso Deus, o autor e arquiteto de todas as coisas, poderia criar tal maravilha. Apenas o autor da vida poderia desenhar e dar vida de uma forma que ela fosse sustentável e reprodutiva. As teorias humanas não têm nenhuma maneira aceitável de explicar isso. Nenhum tipo de vida poderia simplesmente evoluir, incluindo as formas de vida tão sofisticadas e maravilhosas que preenchem o mundo, muito menos o homem, com todas as suas características únicas e especializadas que já estudamos. Iremos ver mais uma dessas características agora - o nascimento, o clímax de incontáveis eventos, intrincados, coordenados e sincronizados.

“Assombrosa e Maravilhosamente Formado"

Em Salmos 139:13-16 há uma bela descrição do processo de desenvolvimento pré-natal, realçando essas palavras: "Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste". Numa linguagem poética, no entanto, acurada (toda a Escritura é acurada) o escritor Davi descreve como Deus o cobriu (protegeu) "quando no oculto fui formado", no ventre de sua mãe, "e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado" antes de ele ter nascido, até mesmo a sua "substância ainda informe" vista e orientada por Deus. Pensando sobre essas palavras e o processo que elas descrevem, olhemos esse processo mais de perto, do ponto de vista mais privilegiado dos dias de hoje. Aqui está outra causa para nos maravilharmos, mais do que Davi poderia, da capacidade e da sabedoria daquele que nos fez, o sábio Deus da criação e da providência, e para louvá-lo também.

O nascimento é o resultado de nove meses de desenvolvimento não visível, a partir de duas células que se unem na concepção. Essa nova unidade depois se subdivide repetidamente, crescendo numa maneira cuidadosamente programada até que tudo esteja no seu lugar. Mesmo no fim do primeiro mês, o sistema nervoso do bebê e os neurônios estão lá e crescendo, o minúsculo coração batendo com o seu próprio sistema circulatório nas suas próprias veias. No próximo mês, os membros começam a se desenvolver, cada órgão no seu lugar, aparecem os olhos e os lábios, até mesmo unhas e impressões digitais estão se formando. Tudo continua a se desenvolver - interna e externamente, da cabeça ao pé, dos olhos e ouvidos às vias respiratórias, tubo digestivo e muito mais, para completar esse maravilhoso milagre, que é um bebê. Adicionalmente toda a estrutura é viva e móvel, e, mesmo depois do nascimento, continuará crescendo por um determinado número de anos, para depois parar no tempo apropriado, muitas de suas partes podem sarar em caso de fratura ou feridas, e cada célula opera tão eficientemente e numa escala tão minúscula! É maravilhoso como tudo foi formado a partir de duas células microscópicas que se fundiram para serem uma, para depois tornarem-se milhões de milhões de diferentes células especializadas. Dessa maneira, Deus cria uma casa para a alma humana, ao mesmo tempo dando vida e personalidade a essa alma.

Para fazer uma comparação, pense numa casa moderna e atual, construída para alguém. Pense em todas as fundações, as paredes, os telhados, a canalização, as janelas, as portas, as conexões elétricas e de telefone, o sistema de aquecimento, a ventilação, todos os aparelhos sofisticados, os móveis, a decoração e tudo o mais. Agora imagine, se você puder, que tudo isso veio de apenas um tijolo! - um que, de alguma maneira, se subdividiu repetidamente para produzir e fabricar toda a casa até que ela estivesse completa e pronta para ser habitada! E toda a informação necessária para construir tudo corretamente, e a habilidade de sintetizar todos os diferentes e necessários materiais de construção estavam também contidas nesse primeiro tijolo, sendo ele próprio feito de duas metades, separadas, mas complementares! Impossível? Bem, algo parecido como isso, porém muito mais complexo acontece na formação de um bebê. Se você seguir essa comparação grosseira, você poderá começar a compreender a maravilha do nascimento e perceber quanto além da nossa compreensão é esse maravilhoso trabalho de Deus! Você se lembra das palavras de Salomão? "Assim como tu não sabes... como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas." (Eclesiastes 11:5)

Nascimento

Durante a gestação, o bebê em desenvolvimento recebe toda a sua nutrição pela placenta da mãe, uma estrutura única, que foi formada durante as primeiras semanas de gravidez. O fluxo sanguíneo do bebê flui para dentro e para fora da placenta, onde ele absorve nutrientes e oxigênio do sangue da mãe e elimina os produtos residuais. A placenta também previne a transferência para o bebê de toxinas e substâncias perigosas. É um filtro e uma barreira muito eficiente, cuidadosamente desenhado para o seu propósito. Está conectada ao bebê em desenvolvimento pelo cordão umbilical até a hora do nascimento, quando a sua função se torna redundante e é descartada.

Durante o nascimento acontece uma importante mudança na circulação sanguínea do bebê. O bebê que ainda não nasceu tem os pulmões não ventilados, sendo o oxigênio fornecido pelo sangue da mãe. Não teria nenhum sentido que o sangue do bebê passasse pelos pulmões, assim o sangue evita os pulmões e circula por todo o resto do corpo. Esse desvio acontece por um canal especial que conecta as duas câmaras do coração e outro canal especial na artéria pulmonar. Durante o nascimento, conforme os pulmões se enchem de ar, esses dois canais fecham completa e permanentemente, e o desvio é fechado. A rota normal para o sangue circular a partir do ventrículo direito do coração, passando pelos pulmões e para o ventrículo esquerdo, está pronta e esperando. Ela se abre e se estabelece para a vida toda exatamente quando é necessário. Fantástico desenho, sincronia e eficiência!

A Preciosidade da Vida

Mais de 300.000 bebês nascem no mundo todos os dias, cada um especial e único. Infelizmente muitos bebês são indesejados. Antes do nascimento, muitos são deliberadamente abortados, principalmente por razões egoístas, numa sociedade que perdeu o rumo, os valores morais e qualquer sentido de prestação de contas - uma consequência do pensamento evolucionário. Em outras sociedades, alguns bebês são comprados e vendidos, e alguns são abandonados. Mas Deus põe um valor tão alto em cada vida, em cada alma, em cada bebê nascido, que ele enviou o seu único Filho para morrer por eles.

Cada criança nasce com uma natureza pecaminosa que irá rapidamente se tornar evidente, e cada uma delas precisa ser salva do pecado e das suas consequências. Para isso, o nosso abençoado Salvador teve de morrer numa cruz de sofrimento e vergonha. Ele disse: "Não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos" (Mateus 18:14).

Juntamente com isso lemos, "para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). Então, quando esses pequeninos se tornam crescidos o suficiente para entender, eles têm de confiar em Cristo por escolha própria para serem salvos. Mas até que eles sejam maduros o suficiente para fazer essa escolha, se eles morrerem, talvez por acidente ou doença, eles estão cobertos em segurança pelo sacrifício que Cristo ofereceu na cruz, tendo um lugar garantido no céu. Eles podem morrer, porque Adão pecou; mas eles irão viver, porque Jesus morreu.

O Novo Nascimento

Quando o nosso Senhor Jesus falou a Nicodemos sobre a necessidade de nascer de novo, Nicodemos não conseguiu compreendê-lo. Tudo o que ele conseguia pensar era no nascimento natural e logicamente viu a impossibilidade de uma pessoa entrar de volta no útero da sua mãe para nascer de novo.

Mas, mesmo como crianças entram numa família natural pelo nascimento natural, assim indivíduos entram na família espiritual de Deus pelo novo nascimento - não existe outra maneira! O novo nascimento é tão maravilhoso e miraculoso quanto o nascimento natural, pois Nicodemos falou por muitos quando ele disse "Como pode suceder isto?" (João 3:9). Isso só pode acontecer porque Deus tanto amou o mundo que ele deu o seu Filho unigênito (João 3:16).

Assim, homens e mulheres podem receber, e efetivamente recebem, a vida espiritual e eterna como um presente de Deus, ao aceitar e crer na sua Palavra (I Pedro 1:23), e pelo trabalho do seu Espírito Santo (João 3:8). O novo nascimento também é maravilhoso. Ainda mais, as suas consequências são eternas (I João 3:1-2).

 

 


CAPÍTULO 21

O Estudo da Natureza

Estudar a natureza é estudar diretamente um dos livros de Deus, escrito em glorioso colorido e cheio de animação, à frente dos nossos admirados olhos e mentes! Ela oferece uma vitrine em constante mudança, porém consistente, do trabalho das mãos de Deus, uma galeria de arte divina, um museu vivo, uma experiência direta interativa, que transcende qualquer outra experiência que possamos encontrar. A natureza lá está para que aprendamos dela, conforme as Escrituras nos relembram (I Coríntios 11:14). Há muito tempo, Jó deixou esse conselho: "Mas, pergunta agora às alimárias, e elas te ensinarão; e às aves do céu, e elas te farão saber; ou fala com a terra, e ela te ensinará; até os peixes o mar to declararão." (Jó 12: 7-8).

Algumas Lições da Natureza

Nosso Senhor Jesus nos exortou: "Observai os corvos... Deus os sustenta... Observai os lírios... nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" (Lucas 12:24-27). Considere-os, não observe-os simplesmente de passagem! Olhe e pense sobre eles, pois eles nos ensinam sobre o cuidado incansável de Deus por toda a sua criação; e disse ele, "quanto mais" o nosso Pai celestial cuida de nós! Por que estamos ansiosos tão constantemente? Por que não confiamos mais nele? No mesmo contexto, ele chamou a atenção para o pardal quase sem valor, para nos lembrar de detalhes desse cuidado - "Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais" (vs. 6-7).

O livro de Provérbios muitas vezes chama a nossa atenção para insetos, animais e pássaros. Por exemplo, "Vai ter com a formiga... considera os seus caminhos e sê sábio" (6:6-8). Esta é uma chamada à nossa diligência e prudência, pois confiar em Deus para prover e cuidar de nós, como ele faz aos corvos e aos lírios, não elimina a necessidade de estarmos envolvidos no processo dessa provisão! II Tessalonicenses 3:10 enfaticamente realça esse ponto!

Em Provérbios 30, criaturas tão diferentes como a sanguessuga, a águia, a serpente, o leão e o bode têm importantes lições para ensinar. Mas provavelmente mais conhecido naquele capítulo é o grupo das quatro coisas "pequenas... que, porém, são mais sábias que os sábios". As formigas (outra vez) ensinam o segredo da sobrevivência - preparação na hora certa. Os arganazes ensinam o segredo da segurança - fortificação no lugar certo. Os gafanhotos ensinam o segredo da força - congregação na companhia certa. Os gecos ensinam o segredo do sucesso - conexão com o destino certo - o palácio do rei! Será que aprendemos esses quatro segredos?

Isaías 40:31 é um versículo muitas vezes repetido, por boas razões. Lá lemos sobre como esperar no Senhor pode ter resultados tão maravilhosos! - poder subir "com asas como águias", como podemos mover sem nos fatigar. Qualquer que seja a subespécie da águia, a sua distinção é o seu poder de voo. Ver o "caminho da águia no céu" é um dos grandes espetáculos da natureza, um que Agur descreveu como maravilhoso demais para ele! (Provérbios 30:18- 19). Sem nenhum esforço aparente, com suas grandes asas abertas, desenhadas para subir nas correntes de ar, a águia pode subir a alturas impressionantes, superando a força da gravidade pelo grande poder da aerodinâmica contido nessas magníficas asas. Da mesma maneira, nós podemos, pelo poder do Espírito de Deus que habita em nós, ultrapassar e vencer as forças da nossa velha natureza ou as circunstâncias que nos tentam puxar para baixo - ver Romanos 8:2.

Variedade na Natureza

Beleza, variedade e harmonia são marcas distintas de todas as obras de Deus. De todos os milhões de espécies nos reinos vegetal e animal, cada uma é reconhecida pelas suas características próprias. Cada uma tem o seu lugar no sistema ecológico, do tão pequeno que é invisível ao espantosamente grande - dos mais pequenos insetos aos grandes quadrúpedes da África, do minúsculo plâncton aos grandes mamíferos marinhos do oceano Meridional, dos líquenes e musgos em miniatura às gigantes sequoias da América do Norte. Tudo se funde de uma maneira tão bela! Sem conflitos, sem cores dissonantes, sem formas estranhas ou traços grotescos. É um todo harmonioso, com partes individuais tão belas que roubam o fôlego! Deus fez tudo "agradável à vista" (Gênesis 2:9), e assim o é. O Deus que se deleita na beleza também nos deu esse sentido. É por isso que podemos realmente apreciar a beleza e a harmonia como nenhuma outra criatura consegue.

Conhecer as características de criaturas diferentes também é importante para nós por outra razão. O estudo da natureza ajuda o nosso estudo da Bíblia! Não vamos alcançar o completo significado das referências da Escritura sobre diferentes pássaros, bestas, flores, insetos e assim por diante, a não ser que saibamos algo sobre eles. Por exemplo, se não soubéssemos sobre certos animais, não iríamos entender o significado completo daqueles títulos do nosso Senhor Jesus, "Cordeiro de Deus" e "Leão da tribo de Judá" (Apocalipse 5). Se não soubermos algo sobre as diferentes belezas das flores, não iremos compreender a diferença entre a “Rosa de Sarom" e o "Lírio dos vales" (Cantares 2:1), e poderemos não entender algo sobre a beleza do Senhor Jesus. Podemos ver a profundidade do seu cuidado por Jerusalém quando vemos a galinha reunindo os seus filhotes debaixo de suas asas, e similarmente entendemos melhor a sua comparação de Herodes como "essa raposa" (Lucas 13:32-34) quando sabemos que tipo de animal é esse. Lições sobre criaturas puras e impuras serão mais facilmente aplicadas a nós mesmos se soubermos algo sobre esses diferentes animais, pássaros, peixes e insetos que estão listados em Levítico 11.

Poemas à Natureza

Se a natureza é um assunto digno de ser estudado, também deverá ser digna de ter obras escritas e de se escrever poesia sobre ela. Entre centenas de "poemas à natureza", dois dos mais bonitos são encontrados na Bíblia. Como a maioria dos bons poemas, eles foram lá postos para licitar emoções e admiração.

Veja o Salmo 104, para começar. Ele nos exorta, do começo até ao fim, para "Bendizer ao Senhor". O seu companheiro, Salmo 103, faz o mesmo. Naquele Salmo, bendizemos o seu santo nome como o nosso Redentor, por causa da sua misericórdia e graça para conosco. Nesse, bendizemos a Deus como nosso Criador, por causa do seu trabalho e da sua sabedoria em todo o nosso redor. Examine outra vez a sua "magnificente" obra lançando os fundamentos da terra (v 1-9); admire a provisão da água essencial para nutrir animais e pássaros, para produzir alimento e beleza (v 10- 15); passeie pelas árvores, pelas estações e pelos mares (v 16-26); repare no ciclo de vida e morte sob o comando de Deus (v 27-33); diga com o poeta, "Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! ... seja-lhe agradável a minha meditação: eu me alegrarei no SENHOR" (v 24,34).

Ou então agora vá a Jó 38-41. Este é o grande poema do próprio Deus, de palavras comoventes e inspiradoras ditas ao seu servo sofredor Jó, depois de muitos capítulos de "palavras sem conhecimento" (38:2). Isto é agora apontado, preciso, com significância. Deus faz a Jó um total de oitenta questões sobre o mundo natural na sua grande variedade. Ele se move num gigante panorama, desde a habilidade e o poder que tudo criou, do seu controle sobre o mar, a neve, as estrelas, do ciclo de vida de animais e pássaros, até ao poderoso beemote na terra e o invencível leviatã no mar [1]. Isto é uma revelação de um Deus que criou e um SENHOR que se importa. Que grande poema é este! A tremenda magnificência disso tudo deixa Jó sem palavras, prostrado em humildade perante Deus. Ele não consegue compreender tudo isso na mesma medida em que não consegue compreender como o Deus que ele serviu tão fielmente o tenha testado até ao limite. Ele não conseguia ver além das circunstâncias, e nem nós podemos, mas Deus está sempre no controle! Essa é uma das grandes lições da natureza.

1.            Beemote e leviatã poderão muito bem ser diferentes dinossauros – as descrições se encaixam melhor que qualquer outra criatura conhecida.

 

 


CAPÍTULO 22

Desenho e Instinto

Estudos detalhados de muitas criaturas revelaram a maneira tão bela como elas se encaixam no mundo natural. Não é que elas tenham evoluído por "mutações ao acaso" e que, por se adaptarem ao ambiente, uma espécie tenha eventualmente mudado para outra.  Elas foram desenhadas e feitas para ser o que elas são, onde estão. Numa determinada espécie, a adaptação ao meio realmente produz mudanças em algumas de suas características, por exemplo, ursos pardos nas florestas e ursos polares no Ártico, mas novas espécies não são formadas dessa maneira.

No entanto, tais estudos detalhados sobre seres vivos não conseguiram explicar tudo sobre eles; na verdade, alguns dos aspectos mais fascinantes continuam a ser os menos compreendidos. Para ilustrar isso, vamos pensar sobre os pássaros outra vez, criaturas belas e interessantes, comuns em todo o lado, sempre em grande variedade. Tanto aquilo que se sabe como o que não se sabe sobre eles aponta repetidamente à sabedoria e à provisão do Deus Todo- Poderoso.

Pássaros e o Voo

Feitos por Deus no quinto dia da semana da criação (Gênesis 1:20), as suas características óbvias são as asas para voar e a sua reprodução por meio de ovos. Se pássaros fêmea permanecessem grávidas até a hora do nascimento, como acontece com muitos mamíferos, pense em como a habilidade para voar ficaria seriamente comprometida e a sobrevivência prejudicada. Note como essa e outras características que examinaremos a seguir demonstram o desenho integrado de Deus para os pássaros como em nenhum outro tipo de criatura.

A asa de um pássaro preenche todos os requisitos da aerodinâmica, tanto ao bater quanto ao pairar - já fazia isso muito antes dessa palavra ser inventada! Cada pena de voo é desenhada de maneira inteligente: o eixo oco central e as "farpas" de lado, com "bárbulas" menores fechando em conjunto, desenvolvem a estrutura mais forte e mais leve para uma asa. Como poderia essa maravilhosa estrutura ter evoluído das escamas de um réptil? Adicionalmente, penas oferecem isolamento térmico e camuflagem em habitats perigosos.

Os ossos dos pássaros são ocos e de estrutura cruzada por dentro. Engenheiros declaram que esse tipo de estrutura oferece máxima resistência com um peso mínimo - exatamente do que os pássaros precisam! Um exemplo especial são os ossos "absorvedores de choques" no crânio de um pica-pau, que previne danos à sua cabeça, enquanto ele, tal como uma "broca voadora" repetidamente bate o seu afiado bico em madeira sólida.

Os pulmões dos pássaros são basicamente diferentes dos de outras criaturas. Nós respiramos ar para dentro e para fora do topo dos nossos pulmões, mas nos pássaros o ar flui dentro no topo e sai na base dos seus pulmões, enquanto o seu sangue flui na direção oposta. Isso oferece uma absorção de oxigênio muito melhor. Então pássaros podem voar rapidamente e longe, e muitos voam em altitudes onde os níveis reduzidos de oxigênio são um grande problema, tanto para o homem quanto para animais. Isso é fantástico - mas não surpreendente, quando vemos isso como um dos desenhos de Deus!

Alguns pássaros voam muito rapidamente. O falcão peregrino é a criatura mais rápida do mundo, capaz de atacar a sua presa numa velocidade de 290 Km/h. Outras aves conseguem voar longas distâncias. A andorinha do Ártico, que pode ser vista na costa norte da Escócia a cada verão, é a recordista. Ela voa mais de 16.000 quilômetros do norte da Antártica a cada primavera e volta para o sul outra vez, fazendo essa mesma distância a cada outono. Durante a sua vida, esse belo pássaro voa a mesma distância que uma viagem de ida e volta da Terra para a Lua!

Migração

Migrações de primavera e de outono são algo muito bonito. Aos milhões, andorinhas árticas ou bandos de andorinhas, andorinhões e martins, e centenas de outros tipos de pássaros pelo mundo fazem tais jornadas. A cada mês de abril, a chegada da águia marinha na Escócia, vinda da África, é aguardada com ansiedade, voltando para os seus antigos ninhos para se reproduzirem. E poucas experiências conseguem rivalizar à visão e ao som dos bandos de gansos espalhados pelo límpido céu outonal, essas formações em V com talvez centenas de pássaros ao mesmo tempo, piando bem alto para anunciar a sua presença, chegando do círculo Ártico para passar o inverno na Europa.

Como todas essas aves migratórias navegam distâncias tão vastas e repetidamente encontram o seu caminho, exatamente no mesmo lugar, ano após ano, é um mistério sem explicação! Particularmente espantoso é como jovens aves encontram o caminho certo na primeira vez, talvez até mesmo semanas depois de seus progenitores terem iniciado a migração sem eles. Instinto é um dos nomes atribuídos a isso, mas ninguém sabe que mecanismo é esse - apenas Deus, pois foi ele quem o forneceu.

Esse instinto de pássaros é lançado como um desafio a nós em Salmos 84:3. Quanto desse "anseio pela casa" temos pela presença de Deus, pela sua casa, pelos seus altares? Seja viajando grandes distâncias, como a andorinha, ou permanecendo localmente como o pardal, será que nós sempre procuramos a nossa casa espiritual e sentimos que pertencemos a ela? É lá que desejamos estar, vez após vez?

A migração não está confinada às aves. O salmão nasce num rio e desce pela corrente até ao mar, onde ele se desenvolve e cresce. Eles podem passar até quatro anos no oceano, longe do seu rio de nascença. Mas depois eles retornam exatamente à mesma seção de rio onde nasceram, subindo aos saltos fortes cachoeiras, superando enormes obstáculos, para deixar os seus ovos na mesma margem de pedras do rio, para que a próxima geração o repita vez após vez, num espantoso ciclo da natureza. Talvez o maior espetáculo de migração do mundo aconteça nas savanas do Serengeti, na África central, quando anualmente cerca de dois milhões de gnus migram por longínquas distâncias, atravessando rios infestados de crocodilos, para retornar alguns meses depois.

Outros Mistérios

A hibernação é outro acontecimento inusitado. Certos animais, como os ouriços, morcegos, e outros tipos de esquilos entram num sono profundo durante os meses de inverno e depois despertam na primavera. Durante a hibernação, a sua temperatura corporal declina para conservar a energia. Mas como eles permanecem vivos por tanto tempo sem se alimentarem? Como é que eles sabem quando dormir e quando acordar? Algumas fêmeas até mesmo permanecem grávidas durante toda a hibernação e dão à luz pouco depois de acordar!

Como morcegos veem no escuro conforme voam, apanhando insetos em pleno ar? Como eles evitam colidir uns com os outros e com obstáculos? Eles, na verdade, têm um "radar" embutido, ou um sistema de "eco localização". Eles emitem curtos pulsares de som em alta frequência e recebem os ecos de volta em seus ouvidos com tanta precisão de detalhe que eles são capazes de localizar alimentos e "voar às cegas", sem interferência dos ecos dos outros morcegos à sua volta. Eles, na verdade, "veem" no escuro pela audição!

Existem muitos desses mistérios fascinantes e inexplicados por toda a natureza. Como é que uma bela borboleta se desenvolve a partir de uma lagarta rastejante, por meio de uma crisálida rija? Como o sistema automático de camuflagem de um camaleão funciona? Que 'dança de abelhas' estranha é essa, pela qual elas comunicam informações precisas para o resto da colmeia sobre onde encontrar alimento? Por que certos animais criam laços tão íntimos com humanos, enquanto outros não?

Não é apenas sobre o reino animal que existem tais questões. E sobre as plantas e as árvores? Por que e como árvores decíduas perdem as suas folhas no outono, oferecendo-nos um espetáculo glorioso de mudanças de cores, e depois se vestem outra vez em vários tons de verde a cada primavera, enquanto pinheiros mantêm a sua cor durante todo o ano, oferecendo-nos a silenciosa beleza de seus ramos cobertos de geada ou pesados com neve, num gelado dia de inverno?

Ninguém sabe a resposta completa a tais questões. Você pode talvez saber aquilo que os cientistas descobriram, que é por causa da resposta das enzimas a condições, como luz ou temperatura, ou que, no caso dos animais, terá a ver com o fornecimento de alimento, ou um habitat apropriado para a reprodução, e isso é verdade. Como eles sabem quando e como fazer tais coisas e para onde ir? E de onde vieram essas enzimas reguladoras e mecanismos intrincados? Como em tantas ramificações da ciência, quanto mais descobrimos, mais percebemos o quanto não sabemos! Existem mais perguntas que respostas!

Em Eclesiastes 3:11 nós lemos: "Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo... sem que [o homem] possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim". Mas essa beleza é nossa para desfrutarmos, e a maravilha de tudo é nossa para apreciarmos. Em toda a natureza, em todo o universo, o desenho de Deus é visto em todo o lado. E certamente é um "desenho inteligente", mas é muito mais que isso - é engenhoso, é fantástico! Tudo isso nos direciona para o seu grande Criador. Tanto a beleza dos detalhes já descobertos quanto a maravilha dos mistérios sem resposta chamam para a sua adoração!

"Sei que tudo quanto Deus faz... nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens temam diante dele." (Eclesiastes 3:14).

 


CAPÍTULO 23

A Ciência e as Escrituras

No início deste livro sobre a criação, começamos firmados na posição de que "a fundação do Senhor permanece verdadeira, a sua Palavra é completamente confiável e é fiável crer no relato literal da Bíblia sobre as origens". Essa posição tem sido bem justificada ao examinar extensivamente e em profundidade muitos exemplos do desenho e da eficiência que permeia todo o mundo natural ao nosso redor e os processos fisiológicos dentro de nós. Neste capítulo final, iremos considerar a relação mais ampla entre a ciência e as Escrituras. A nossa tese é que ambas se complementam. Elas não estão em desacordo. Na verdade, muitas vezes foi demonstrado que a ciência confirma a revelação das Escrituras.

Ciência

A busca pela ciência já tem cerca de 400 anos. O seu começo foi lento e modesto, mas, no século XXI ela teve uma grande influência sobre cada aspecto da nossa vida diária, sendo uma componente essencial da educação e da civilização por todo o lado. Muitos de seus resultados e aplicações têm inegavelmente melhorado a nossa saúde e o nosso bem-estar material.

Mas o que é a ciência? A palavra significa "conhecimento", e é este o sentido no qual ela é usada em I Timóteo 6:20 ("o saber"). No primeiro século, não existia a "ciência" no sentido presentemente aceito, mas existiam ameaças de um "sistema de conhecimento" que rejeitava a Deus. Tais sistemas e suas ameaças mudaram de forma através do decurso da história, mas são tão antigos quanto o tempo (ver Gênesis 3:1-5) e tão modernos quanto hoje.

A ciência, hoje, é definida como um corpo organizado e correlatado de conhecimento sobre o  mundo  material, que se baseia em observações e medidas, desenvolvido pela experimentação e análise. A ciência tenta compreender o funcionamento do mundo natural e simplificar ou unificar as leis pelas quais ele opera, muitas vezes usando uma matemática elegante para fazê-lo. Isso a torna misteriosa e ameaçadora para muitas pessoas. O perigo é que aquilo que os cientistas dizem e propõem é muitas vezes simplesmente aceito sem nenhuma crítica. Pode ser difícil distinguir os fatos estabelecidos e as leis básicas da ciência das propostas e teorias que poderão ser propagadas por motivos além dos verdadeiros limites da ciência. A teoria da evolução é um grande exemplo disso - é uma necessidade ideológica para alguns cuja motivação é o ateísmo.

A ciência é limitada. É limitada ao mundo material, "matéria", como é chamado, e pode lidar apenas com aquilo que pode ser medido (em termos das três quantidades fundamentais de massa, comprimento e tempo). De tais medidas são desenvolvidas leis e teorias e então podem ser feitas predições daquilo que não é diretamente mensurável. Isso é chamado de extrapolação. Já reparamos anteriormente que tais extrapolações muitas vezes originam conclusões errôneas, especialmente quando as condições estão muito distantes das condições experimentais. Tais conclusões podem apenas ser aceitas quando testadas e verificadas por meio de novas provas experimentais.

Desses todos pelo menos dois pontos valem a pena repetir. Primeiro, aquelas afirmações que você ouve sobre tais coisas como a origem do universo, a idade da Terra, a origem e o desenvolvimento da vida, todas elas são baseadas em enormes extrapolações, que, por causa da sua própria natureza, não podem ser testadas nem experimentadas. Assim, não são fatos científicos. São apenas ideias populares daqueles que ou seguem o dogma da opinião da maioria, ou não desejam acreditar no contrário. Em segundo lugar, é porque Deus é um espírito, a ciência não é capaz de dizer o que quer que seja sobre ele - Deus não pode ser medido, não pode ser provado ou refutado pela ciência. Ninguém consegue encontrar a Deus apenas por meio da ciência (Jó 11:7). Deus é encontrado pela fé (Hebreus 11:6).

A ciência tenta simplificar as coisas ao usar o princípio do "reducionismo" - reduzindo sistemas até os seus componentes mais simples para o estudo e a explicação. Então a ciência tenta explicar tudo na natureza nos termos de seus componentes materiais. Mas existem muitas outras realidades que encontramos na vida que não são materiais e não podem ser medidas ou explicadas em termos de matéria apenas. Por exemplo, as emoções de amor e de ódio, a apreciação da beleza e da maravilha - essas não são materiais. Também não o é a dimensão espiritual da vida, que os cristãos descobriram ser tão real quanto a material ou natural, na verdade acreditamos que é muito mais importante. Por definição, é supernatural.

Informação

Existe algo mais que é encontrado pelo mundo natural que não é material. É a informação, e a informação é muito importante. Ela existe em todo lado, mas especialmente nos seres vivos que requerem matéria, energia e informação para poderem funcionar. O armazenamento e a transferência de informação usam elementos materiais, como os livros que lemos, as barras de código que identificamos, o DNA em cada célula, hormônios na corrente sanguínea, e assim por diante.

Mas a informação que tais elementos contêm e transmitem é algo além dos símbolos materiais ou códigos. Isso tem a ver com a inteligência e a habilidade de comunicar. Informação não é matéria e não pode ser reduzida a tal. Informação é uma entidade fundamental na natureza, diferente e tão importante quanto os outros fundamentais da energia e da matéria.

As leis da ciência da informação, agora muito relevantes nessa era digital, estipulam que a informação requer uma fonte, um receptor e um código de transmissão. A informação nunca aparece por si mesma, nunca vem do nada ou de lugar nenhum. Também os códigos que transferem a informação nunca aparecem por acaso, eles sempre necessitam de um desenho inteligente. A fonte de toda a informação do universo vem do Único que é a própria Sabedoria (Provérbios 8:12-31).

A informação mais importante de todas foi deixada nas Escrituras Sagradas - essa revelação de Deus (II Timóteo 3:16), da qual somos receptores. Ela foi transferida e comunicada a nós não num código estranho, mas de uma maneira que podemos compreender, por homens santos comunicando de Deus (pela escrita) por meio do Espírito Santo (II Pedro 1:21). O propósito geral disso tudo é que possamos conhecer e obter a salvação pela fé em Cristo Jesus. Isso é muito mais importante do que descobrir mundos distantes no espaço ou detalhes microscópicos de criaturas perto de nós. Esses elementos interessantes realmente declaram a glória de Deus, mas eles não são o assunto mais importante.

Para os criar, Deus falou e foi feito, ele ordenou, e tudo passou a existir (Salmos 33:9), um maravilhoso trabalho de poder! Mas, para nos salvar dos nossos pecados e nos trazer a ele, num relacionamento verdadeiro de graça, ele enviou "o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele" (I João 4:9), um maravilhoso trabalho de amor! Esse é o mais importante e o melhor. A criação não consegue ensinar isso, mas as Escrituras o ensinam com clareza! Nenhuma outra mensagem é melhor, nenhum resultado é maior, nada é mais maravilhoso que esse glorioso Evangelho! Nós que recebemos a informação, a verdade eterna, temos que a transmitir aos outros. Vamos nos assegurar que fazemos isso de maneira que os outros possam compreender, não numa estranha linguagem codificada, peculiar a nós.

Conclusão

A ciência trabalha com fatos observados sobre coisas materiais, depois deduz teorias, apelando ao nosso intelecto. A Bíblia trabalha com as necessidades e os valores espirituais, apelando à nossa fé. Não está escrito para ensinar a ciência, mas algo muito mais importante, pessoal e duradouro. Embora seja um livro tão antigo, a Bíblia não contém nenhuma absurdidade antiga incompatível com a ciência validada moderna. O Livro da Natureza e o Livro das Escrituras deveriam ser estudados lado a lado. Nenhum desacordo ou contradição será encontrado, pois Deus é o autor de ambos.

Encontrar a verdade é importante. Infelizmente muitas pessoas não querem ter esse trabalho, alguns até mesmo acreditam que a verdade não existe, apenas opiniões e valores relativos, e passam pela vida sem nenhum ponto de referência ou propósito. Outros ativamente buscam o conhecimento pela pesquisa, buscando respostas pelas medições, pelo intelecto e pela razão. Muitos fatos fantásticos sobre o mundo natural foram descobertos dessa forma.

Mas respostas a questões mais profundas e relevantes, questões sobre valores espirituais, sobre origens e destinos, sobre o nosso relacionamento com Deus e com o homem, não serão encontradas por esse tipo de pesquisa. Elas estão fora do alcance da ciência. Elas são, no entanto, encontradas na revelação que Deus tão graciosamente deixou na Bíblia e na pessoa de Cristo Jesus, o seu Filho amado. A revelação divina transcende toda a pesquisa humana.    Ela é permanente, realmente eterna, e completamente fiável.

 


 Glossário e Material de Referência

Átomo

A menor partícula de um elemento, composta principalmente de prótons, nêutrons e elétrons mantidos juntos por forças especiais de curto alcance.

Elementos químicos

As formas mais simples de matéria, na qual todas as substâncias poderão eventualmente ser decompostas. Cerca de 90 deles podem ser encontrados na Terra, indo do hidrogênio ao urânio. O mais comum é o oxigênio.

DNA

Ácido desoxirribonucleico, o polímero espiral de cadeia longa que contém a informação genética de todas as células vivas.

Equação de Einstein

Dá a relação entre massa (m) e energia (E), mostrando quanta energia pode ser teoreticamente obtida de certa massa de matéria, por exemplo, numa reação nuclear. Assim, E = mc² onde c é a velocidade da luz (abaixo).

Ondas eletromagnéticas

A forma de radiação que passa pelo espaço vindo de fontes diferentes, vindo de um enorme espectro, das ondas de rádio com comprimento de onda longo (vários kms) até aos raios X com comprimentos de onda muito curtos. A luz que nossos olhos podem ver é uma pequena seção desse espectro. Todos os tipos dessa radiação viajam na mesma velocidade - a velocidade da luz (ver abaixo).

Enzima

Uma estrutura proteica complexa que promove uma reação ou uma mudança dentro de um sistema vivo em nível molecular - um "catalisador vivo".

Extrapolação

Um método da ciência que usa uma relação dada como verdadeira em certas condições limitadas e aplica-a a condições muito diferentes onde ela ainda não foi testada. Não existe garantia de que ela será verdadeira sob as novas condições - outras leis poderão interferir.

Ano-luz

A distância pela qual a luz viaja num tempo de ano, calculada em cerca de 9,46 milhões de milhões de quilômetros (ou 5,88 milhões de milhões de milhas); encontrada pela multiplicação da velocidade da luz (dada abaixo) pelo número de segundos num ano.

Molécula

A menor partícula de um composto, feita de átomos ligados entre si.

Velocidade da luz

A velocidade mais rápida que se conhece do universo, de 299.792,5 km por segundo (ou 186.398 milhas por segundo). A essa velocidade, a luz do Sol, a cerca de 93 milhões de milhas de distância, leva pouco mais do que 8 minutos para chegar à Terra.

 

 

 

 

 

 

 

 

autor: Bert Cargill.
Mensagens

Amados

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

2 Pedro 3

Que tratamento especial ao sermos chamados de “amados” por quatro vezes neste capítulo (vs. 1, 8, 14 e 17)! Esta palavra revela aquele amor profundo que somente Deus pode dar:“...porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Romanos 5:5). Lemos que este amor faz parte do fruto do Espírito em Gálatas 5:22-23. É muito importante termos a certeza de que somos realmente “amados”, vivendo e andando neste tão Grande Amor do nosso Salvador Jesus, pelo Espírito.

Esta palavra não foi usada pelo Senhor Jesus, mas sim, vivida por Ele. Seus discípulos a aprenderam na convivência com o Mestre e passaram a usá-la. Pedro apreciou o valor desta palavra; ele foi um dos que aprendeu a ser amado em suas experiências com Jesus. Nos anos que seguiram ao arrebatamento de Cristo, encontramos Paulo e outros irmãos usando também esta bendita palavra. Isto ocorreu para mostrar que todos nós somos “amados” por Deus e que fazemos parte duma grande família, a Família do Amor de Deus.

Pedro deixou para nós quatro lições importantes que iremos aqui meditar. Desta forma, devemos procurar despertar as nossas mentes não nos esquecendo que o Senhor nos tem amado e, por isso, Ele quer o nosso empenho para vivermos em amor e paz, prevenidos contra o inimigo no dia da Sua vinda.

1) Amados, despertai-vos

Pedro estava chegando ao final da sua segunda carta sabendo que a hora da sua partida estava próxima. Ele escreveu este capítulo com o objetivo de ensinar e ajudar os cristãos a enfrentarem as batalhas que viriam. No capítulo 2 dessa epístola ele revela que haveria falsos ensinadores que pensariam só em ganho e na destruição da Obra de Deus.

Porém, no capítulo 3, Pedro chama a atenção dos leitores usando esta palavra maravilhosa: “amados”. Ele quer que todos saibam que são importantes para ele e para Deus, sendo “amados” com um amor acima de qualquer outro. Esta é a palavra-chave para que os corações sejam abertos e preparados para conhecerem o que Pedro escreveu para os cristãos.

Muitas vezes nossas mentes estão fechadas para aquilo que Deus nos envia, temos que primeiramente aquecer nossos corações com o Seu grande amor para nos fazer lembrar que somos Seus filhos “amados”. Isto despertará nossos pensamentos para considerar mais as Suas coisas.

Foi com a introdução desta palavra que Pedro trouxe às mentes dos leitores o perigo que iriam enfrentar. Como? Despertando as lembranças! Fazendo-os lembrar dos ensinamentos dos profetas, que tornaram padrão dos discípulos, e, acima de tudo, transmitindo o exemplo de amor deixado pelo nosso Salvador, porque viriam escarnecedores com o desejo de derrotá-los. Portanto, o conhecimento da Palavra é nossa arma poderosa, por ser a nossa espada de dois gumes.

No primeiro capítulo dessa mesma carta temos as Grandes Virtudes Cristãs que chegam por meio do conhecimento do divino poder de Deus no pleno conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo (vs. 3-8). Por sua vez, Paulo também nos ensina a estudar as Sagradas Escrituras que podem nos tornar sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus, pois “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16). Sem este conhecimento não podemos enfrentar o inimigo e as artimanhas que usa para destruir a união dos irmãos, porque unidos com Deus venceremos, mas sozinhos iremos cair.

2) Amados, não deveis esquecer

Nos versos 8 e 9, de 2 Pedro 3, o consagrado apóstolo está lembrando aos seus “amados” que o nosso Salvador prometeu voltar e Ele não retarda a Sua promessa. A vinda do Senhor é uma verdade que devemos firmar em nossos corações. Não importa o tempo, porque “amados... para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia”.

Tempo para Deus não existe, pois na eternidade não encontraremos relógios, despertadores ou agendas. A única coisa que devemos nos preocupar sobre isso é o que Paulo expressa em 2 Coríntios 6:2 ... “Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis agora, o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação”.

Como o Senhor prometeu voltar, Pedro está querendo que semeemos a Palavra da Salvação nesse tempo de espera, como diz no final do versículo 9: “não querendo que nenhum se perca, senão que todos cheguem ao arrependimento”.

Quantas promessas já foram quebradas por nosso Deus? Nenhuma! Então Ele cumprirá com a promessa da Sua volta no tempo certo. Enquanto isto, Ele nos diz: “Ide por tudo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Este dia glorioso brevemente virá, e quando Aquele que ama nossas almas aparecer, será tão maravilhoso que o tempo de espera será esquecido por nós.

Então, “amados”, vamos trabalhar! O dia está terminando e a hora do descanso eterno virá quando iremos louvar ao nosso Deus e Salvador para sempre. Paulo escreveu em Filipenses 3:13-14 ... “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo”. Tem coisas da velha vida que devemos esquecer e, como Paulo e Pedro, vamos ser renovados pelo amor à Sua vinda e avançar para o alvo, utilizando os maravilhosos ensinamentos de Deus e deixando o Seu Amor ser derramado em outras vidas.

3) Amados, empenhai-vos

Pedro está começando a sumarizar tudo que ele quer que apreciemos ao dizer: “Por essa razão” (2 Pedro 3:14). Ao olhar para tudo aquilo que escrevera ele decidiu dar o motivo: “pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por Ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis”. Ele já mostrara a promessa da vinda do nosso Salvador e também tentou despertar em todos sobre a necessidade de estudar as Escrituras para que não houvesse esquecimento acerca do valor delas nas suas vidas em Cristo Jesus.

Agora, a razão é nos empenhar para que vivamos em paz, com um testemunho sem mancha até que Ele volte. Sendo irrepreensíveis em nosso andar, em nossa conversa e, realmente, em tudo que fazemos, para que Ele tenha a Glória e honra que deve ser dada ao Seu Nome.

Está escrito em Hebreus 12:1-2 que devemos nos desembaraçar de todo peso, e do pecado que nos assedia, correndo com perseverança, com olhar fito na pessoa do Senhor Jesus, o qual suportou a cruz por amor a nós. Este amor que Pedro aplica em sua carta, chamando-os de “amados” por ele e, acima de tudo, por Deus em Cristo Jesus, é para que sejamos motivados a viver uma vida irrepreensível.

É interessante notar que entre Pedro e Paulo houve um desentendimento, pois Paulo chamou a atenção de Pedro, que era mais velho (Gálatas 2:11-21). Pedro, no entanto, mencionou aqui as palavras do “amado irmão Paulo” (2 Pedro 3:15). Pedro não tinha rancor, nem ódio e temos certeza que ele aceitou tudo que Paulo disse com coração humilde perante Deus. Quanto a nós, irmãos, será que aceitaríamos?

Eles amaram uns os outros no Amor do Senhor, e com isto a obra foi para frente. Pedro admitiu, mas isto deve ter sido difícil! Creio que não foi de imediato, e sim, quando considerou que foi perdoado na cruz de Cristo! Como lemos no Salmo 133:1, “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!”. Com este AMOR e UNIÃO, podemos nos empenhar nesta obra maravilhosa do nosso Salvador até que Ele volte.

4) Amados, acautelai-vos (sejam prevenidos)

Ao fazer menção às palavras inspiradas que Paulo escreveu em suas cartas, Pedro agora quer alertar a todos para que estejam prevenidos e fiquem atentos com os avanços do inimigo, para que não sejamos arrastados por erros, mas para que continuemos firmes, pois, como diz Paulo, “tudo posso naquele que nos fortalece” (Filipenses 4:13). A armadura já foi providenciada para nós. Entremos na batalha bem equipados (Efésios 6:10-20 e Hebreus 4:12). Notem bem, por favor, que o único lugar do corpo que não está protegido são as costas, nós temos que enfrentar o inimigo de frente, com cautela, com a Palavra e não fugir dele.

Pedro não nega que há algumas coisas difíceis de se entender, mas podemos resisti-las pela fé em vez de tentar virar as costas e desistir. A prevenção do erro está em nossas mãos e devemos usá-la como Pedro, Paulo e os demais discípulos e profetas, para que o Senhor obtenha a Honra e Glória da vitória.

Chegando ao final, Pedro traz de volta a necessidade das coisas mais importantes, “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja Glória, tanto agora como no dia eterno” (v. 18). O crescimento só vem com o conhecimento dado pela Graça do nosso Deus em Cristo Jesus, estudando a Sua Palavra e pedindo orientação em oração.

Sejam, irmãos AMADOS, despertados pela Palavra, nunca se esquecendo da Promessa do nosso Salvador: a Sua vinda! Empenhando-nos na boa obra até que Ele venha, e finalmente unidos no Seu Grande Amor estaremos prevenidos para guerra que vamos enfrentar, vivendo neste Amor e mostrando este fruto em nossas vidas para Glória do Seu Santo Nome, até que Ele volte. Amém!

autor: Jeffrey Arnold Watson 4.
Mensagens

A nossa identidade

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

A questão de se detectar a nossa identidade como igreja tornou-se muito complicada ultimamente. Muitos dos nossos irmãos ficarão embaraçados se forem questionados sobre “o que nos identifica como igreja”. Isto, entretanto, não acontecerá com certeza, com 90% dos seguidores de alguma denominação ou seita em nossos dias.

Ao iniciarmos um diálogo com alguém, e esta pessoa nos questiona sobre a guarda do sábado, afirmando que este é um mandamento negligenciado pela maioria das denominações, imediatamente a identificamos: é um adventista.

Em outro caso onde há um debate sobre a obra da salvação e dentre aquelas pessoas alguém insiste na soberania de Deus em eleger e predestinar alguns para vida eterna e rejeitar outros, abandonando-os para a perdição, logo, sem dificuldades, o identificamos: é um calvinista, talvez um presbiteriano.

Se alguém é encontrado falando entusiasticamente sobre o agir sobrenatural nas curas, dons de línguas, revelações etc., temos certeza: é um pentecostal.

Ao sermos chamados em nosso portão por um casal, muito bem trajados, e que nos anuncia a proximidade do reino terreno de Jeová, negando a esperança do arrebatamento, negando com veemência a futura destruição dos céus e da Terra, como também a existência do inferno, já sabemos quem são: testemunhas de Jeová.

Com certeza, não teremos dificuldades em identificar também um batista fundamentalista pela sua firmeza em defender várias doutrinas bíblicas as quais domina muito bem; um católico romano pelo seu apego a Maria e a pessoa do Papa; um mórmon pelo seu uniforme e pelo seu belíssimo templo.

E quanto a nós? Como somos identificados? O que pregamos? Qual nossa característica? O que cremos? O que defendemos? De que nós zelamos? Por qual causa damos a vida? Do que não abrimos mão? De que temos “ciúmes”?

Se pedirmos a um adventista que deixe a doutrina sabática, mesmo que por amor à unidade do corpo de Cristo, ele jamais fará isto, ficará bravo. Se rogarmos ao calvinista que abra mão da sua interpretação sobre a predestinação, ele se negará com todas as suas energias. Lembro-me de um deles que me afirmou um dia: “ou eu vivo isto (o calvinismo), ou vou para o mundo!” Se sugerirmos ao pentecostal a necessidade de deixar os movimentos carismáticos de cura, línguas, revelações, certamente receberemos uma tremenda bronca e talvez percamos a sua amizade; se afirmarmos a um testemunha de Jeová a realidade do inferno eterno, a esperança do arrebatamento, a Divindade do Senhor Jesus, seremos rechaçados como hereges, se lhe oferecermos alguma literatura serão destruídas conforme a ordem da sua liderança. Por que tais pessoas normalmente reagem assim? Porque aprenderam a amar as suas doutrinas, suas convicções, as quais defendem com unhas e dentes. Eles têm zelo, ciúmes por aquilo que lhes é próprio. Eles possuem posição! Identidade!

E QUANTO A NÓS?

Parece que muitas das igrejas do nosso contexto estão sendo formadas por pessoas que não têm posição definida, que não possuem convicções próprias, mas que estão abertas à comunhão com qualquer pessoa que se diga cristã. Estamos abertos para adotar convicções e posições de outros. Não temos a nossa própria posição. Isto tem sido apregoado como “amor fraternal” e até mesmo tem sido dito que esta foi a prática dos chamados “Irmãos” do século XVIII.

Aliás, abro aqui um parêntese para perguntar ao querido leitor: Conhece a história dos “Irmãos”? Tem pesquisado seriamente este assunto? Quantos livros já leu sobre o assunto? Tem procurado conhecer os vários lados da história? Ou só conhece de ouvir falar?

Alguém já disse que aqueles que não conhecem a história estão condenados a repeti-la. Outro disse que: Quem aprende com os próprios erros é inteligente, mas quem aprende com os erros dos outros é sábio.

Uma pesquisa séria sobre os “Irmãos” revelará os seus acertos e os seus erros no passado. Pretendo citar apenas alguns acertos destes irmãos que foram guiados unicamente pelo Espírito Santo e as Escrituras quanto às suas posições:

Aqueles irmãos inicialmente começaram a se reunir para estudar livremente as Escrituras e, consequentemente, após algum tempo ABANDONARAM as suas denominações, para se reunirem apenas como “irmãos”. Naquele tempo RENUNCIARAM seus títulos como Bispo, Reverendo, Pastor, não abandonando, porém, o ofício, o serviço. Muitos deles, DESISTIRAM da ordenação oficial e também ABANDONARAM a filiação à alguma Junta Missionária, para terem liberdade de servir conforme orientação do Espírito Santo e desta forma RENUNCIARAM a um salário fixo, passando a depender do Senhor que os supria através das igrejas.

Aqueles irmãos NÃO ACEITARAM nenhum nome que os distinguissem dos demais cristãos, não concordaram com os apelidos que lhes foram dados (Irmãos de Plymouth, Irmãos Abertos, Darbistas), embora não pudessem evitá-los.

Aqueles irmãos adquiriram posições e convicções firmes, não porque quiseram unir os irmãos, não porque receberam uma revelação ou uma intuição, mas porque sinceramente e ardentemente, em oração, VOLTARAM ÀS ESCRITURAS.

Por causa desta volta às Escrituras, verdades básicas para a vida da Igreja que estavam esquecidas, ou desprezadas, foram trazidas de volta e o Senhor honrou a fé e busca destes irmãos naquele tempo, produzindo um avivamento em muitos países, resultando na expansão da pregação pura do Evangelho para muitas nações.

Se houve uma coisa que naquele tempo foi claramente notada foi a ausência de estratégia humana, engenhosidade, logística meramente humana. Não foi necessário lançar mão destas coisas, pois as suas CONVICÇÕES no poder da PALAVRA e atuação do Espírito Santo eram suficientes.

Voltamos à nossa pergunta: E quanto a nós, hoje? Temos Posições? Convicções? Se as temos, de onde elas vêm? Como se identifica um cristão que está associado a uma igreja neotestamentária? Se como cristãos neotestamentários temos convicções e posições claras, e são bíblicas, porque somos tão maleáveis? Tão tímidos? Por que nos envergonhamos delas? Parece que hoje não é ético ter posições, fincarmos marcos firmes, porque agindo assim estaremos ferindo outros irmãos, não estaremos agindo em amor fraternal, mas sim levantando barreiras na comunhão nas igrejas locais.

No entanto, ao lermos especialmente a 2ª carta de Paulo a Timóteo, encontraremos ali um apóstolo prestes a morrer, apelando a Timóteo, e a todos nós que mantenhamos os mesmos marcos que ele fincou, que mantenhamos as mesmas convicções e posições doutrinárias que ele ensinou a cada igreja, que não aceitássemos sob hipótese alguma o afastamento das doutrinas sãs que ele como apóstolo do Senhor estabeleceu para Sua Igreja.

Ele desafia Timóteo, e a todos nós, para ensinarmos decididamente as mesmas coisas que ele ensinou a outros homens fiéis, para que estes também ensinassem as mesmas coisas a outros. E assim, de geração em geração, isso mesmo que Paulo ensinou deveria ser passado sem alteração. Esta ardente exortação, deixada nas mãos de Timóteo, antes do martírio do dedicado apóstolo, devia-se ao fato de que nos últimos dias apareceriam homens egoístas, avarentos, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, que não fariam caso de muitas doutrinas apostólicas e introduziriam de maneira implacável um “evangelho açucarado”, um discipulado sem cruz, um cristianismo sem convicções, uma voz destituída de posições firmes, uma igreja maleável, conformada ao gosto humano.

Não é meu propósito neste pequeno artigo tratar dos posicionamentos doutrinários que todos nós deveríamos ter bem fundamentados na Doutrina dos Apóstolos, enraizados em nossa mente e coração, e que deveriam ser bem visíveis numa igreja que verdadeiramente possa ser considerada neotestamentária. Um estudo sobre estes pontos seria muito extenso e já existem muitos excelentes livros que tratam do assunto específico.

O meu desejo é que sejamos levados a uma séria reflexão sobre a nossa experiência como igreja não denominacional. Ou será que somos somente “mais uma boa denominação”? Se formos, somos uma denominação sem convicções, sem posicionamento? Deixe eu mesmo responder, sem demora: NÃO, mil vezes não! Não somos uma denominação! Não fomos chamados pelo Senhor a sermos somente mais um partido religioso a participarmos democraticamente da “divisão do seu corpo”.

O mundo não está precisando de mais uma denominação cristã, ele já as têm de sobra e está enojado, enfastiado delas. O que o mundo carece é ver mais uma vez uma igreja comprometida com o seu Cabeça “invisível”, mas que transmita a imagem de Cristo em sua forma de viver; e como ela faz isso? “Seguindo a VERDADE em AMOR” (Efésios 4:15). Praticando o equilíbrio entre VERDADE e AMOR.  VERDADE: as convicções, posições doutrinárias, firmemente estabelecidas para serem obedecidas pela Sua Igreja; e o AMOR: aquele elemento que lubrifica estas verdades quando praticadas, quando seguidas, a fim de que não nos tornemos intolerantes e agressivos com estas verdades, que devem ser usadas para preservar a unidade do corpo de Cristo, e assim promover uma igreja estável, firme, unida, amorosa, fervorosa, que leva avante a propagação do poderoso Evangelho da Glória de Cristo, que produzirá novas criaturas, crentes possuidores de firmes CONVICÇÕES e ardente PAIXÃO.

 

autor: Adir Ramos Magalhães - o.
Mensagens

A organização das igrejas locais (1)

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

Nasceu em 21/11/1935, espiritualmente em 1952,
veio para o Brasil em 1960, e faleceu 30/05/2016

AS IGREJAS DE DEUS

Atos dos Apóstolos registra apenas uma pequena parte do trabalho de dois apóstolos — Pedro e Paulo. Não relata tudo que estes servos de Deus fizeram, mas apenas alguns incidentes escolhidos pelo Espírito Santo. Quanto aos outros apóstolos e aos demais servos de Deus, que sem dúvida trabalharam muito, o livro relata quase nada.

“Atos” não apresenta um quadro completo das atividades de nenhuma igreja, mas relata algumas atividades de algumas igrejas — como por exemplo a que estava em Jerusalém e, mais tarde, a que estava em Antioquia.

Fica evidente, portanto, que o propósito deste livro não é fornecer uma história dos primeiros anos da igreja, mas sim, fornecer um modelo que deve ser seguido por pregadores e por igrejas até o Arrebatamento. Este modelo não é difícil de se perceber.

O MODELO

Por ser tão diferente daquilo que vemos ao nosso redor, a simplicidade deste modelo nos impressiona muito; nos surpreende. Apresenta um contraste nítido com a organização e o institucionalismo que agora caracterizam o cristianismo.

A DEPENDÊNCIA

A pregação apostólica começou em Jerusalém, não porque eles decidiram que seria o melhor lugar para começar, mas porque o Senhor mandou começar ali (Lucas 24:47). Esta dependência da direção divina, tanto no trabalho dos apóstolos como nas atividades das igrejas, caracteriza Atos dos Apóstolos, e fica cada vez mais clara à medida que avançamos na leitura do livro.

Os apóstolos não escolheram um outro para tomar o lugar de Judas, mas pediram que o Senhor mostrasse aquele que Ele havia escolhido (Atos 1:24). No dia de Pentecostes eles não falaram quando e como quiseram, mas "conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (Atos 2:4).

Naqueles dias houve uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém, e todos foram dispersos, exceto os apóstolos (Atos 8:1). Os que foram dispersos iam por toda a parte anunciando a Palavra (Atos 8:4). Um deles, Filipe, estava pregando em Samaria quando o anjo do Senhor lhe disse: "Levanta-te e vai para a banda do sul…" (Atos 8:26). Ele levantou-se e foi. Ao chegar naquele lugar deserto, ele viu um carro se aproximar e o Espírito Santo lhe disse: "Chega-te e ajunta-te a esse carro" (Atos 8:29). Filipe obedeceu e o eunuco foi salvo e batizado e logo o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe (Atos 8:39).

Através destes exemplos Deus está dizendo que os Seus servos devem estar livres para obedecer as Suas ordens. Não devem estar presos a um trabalho planejado por uma entidade missionária, ou outra qualquer. Aqueles pregadores não foram enviados por uma igreja, nem por uma organização criada para promover o evangelismo. Foram enviados e guiados pelo Senhor e pelo Espírito Santo (Atos 13:4).

Mais tarde vemos um caso muito importante que confirma o que já notamos. Paulo, Barnabé e Timóteo tiveram a intenção de anunciar a Palavra na Ásia, mas foram impedidos pelo Espírito Santo. Em seguida, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lhes permitiu. Concluindo então que o Senhor os chamava para pregar em Macedônia, foram para lá (Atos 16:6-10).

A INDEPENDÊNCIA

Voltando a pensar naqueles que foram expulsos de Jerusalém por causa da perseguição, vemos que alguns deles chegaram à Antioquia. Começaram a anunciar o Senhor Jesus aos gregos, e a mão do Senhor era com eles, e grande número creu e se converteu ao Senhor.

As notícias logo chegaram a Jerusalém, e a igreja enviou Barnabé, o qual, quando viu a graça de Deus, alegrou-se e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, e partiu para Tarso a buscar Saulo, e ficaram com a igreja em Antioquia um ano inteiro, e ensinaram muita gente.

Mais uma vez ouvimos Deus falar através destes exemplos. Ele está dizendo que as igrejas devem ser autônomas, porém unidas por laços espirituais. Barnabé não organizou a igreja em Antioquia; não uniu aquela igreja a uma união de igrejas já existente; na verdade, não lhe acrescentou coisa alguma. Simplesmente exortou a todos que PERMANECESSEM no Senhor — isto é, que continuassem na posição na qual ele os encontrou. Esta igreja nova não se uniu a um movimento, com ou sem nome, mas uniu-se ao Senhor (Atos 11:19-26).

Este modelo — servos do Senhor independentes de organizações humanas, e igrejas autônomas e independentes, sem nenhum vínculo denominacional ou institucional, é destacado no Novo Testamento. Não existe nenhum corpo parcial que seja maior do que a igreja local e menor do que a igreja gloriosa que Ele há de apresentar a Si mesmo (Efésios 5:27). Havia muitas igrejas na Galácia, mas não se formou “A igreja da Galácia”. Qualquer união de igrejas, seja qual for o seu nome, ou quais forem os seus propósitos, é um corpo sectário que inclui alguns cristãos e exclui outros. É exclusivista, não reconhecendo a "unidade do Espírito" que temos a responsabilidade de guardar. Deus não quer que as igrejas se unam formalmente, mas sim que os laços que as unem sejam unicamente espirituais — o laço duma vida comum em Cristo, uma atração à Sua pessoa, e uma submissão à Sua palavra. O modelo deixado nas Escrituras é claro, embora seja desprezado pela sabedoria carnal e terrena.

Examine bem o livro de Atos dos Apóstolos e verifique se há lugar naquele modelo para uma entidade que visa harmonizar os esforços de igrejas locais, no sentido de desenvolvimento do ministério do Evangelho. Verifique se há lugar para uma entidade que fomente a cooperação entre as igrejas para equipar "obreiros" através de instituições objetivamente criadas para esse fim.

Não existiram tais entidades nos dias apostólicos. E não foi porque faltou tempo para organizá-las; foi porque a sua existência é incompatível com o modelo deixado em Atos dos Apóstolos.

Este fato coloca cada igreja local diante de uma escolha das mais importantes: seguir o modelo deixado nas Escrituras, ou filiar-se a uma união de igrejas. A sua sobrevivência depende da resposta.

autor: Ronaldo E. Watterson.
Mensagens

A organização das igrejas locais (3)

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

Nasceu em 21/11/1935, espiritualmente em 1952,
veio para o Brasil em 1960, e faleceu em 30/05/2016

CONSEQUÊNCIAS DE UMA “UNIÃO DE IGREJAS”

No artigo anterior vimos que as igrejas de Deus afastaram-se gradativamente do modelo que Deus estabelecera. Afastamento do modelo pode produzir um crescimento numérico, mas sem dúvida, traz um enfraquecimento espiritual.

Alguns irmãos, que zelam pelo rebanho, estão sentindo esta fraqueza, e também a necessidade de fazer algo para melhorar a situação. Já temos visto como, no passado, este reconhecimento de fraqueza levou muitos irmãos à conclusão de que era necessário formar um corpo que pudesse coordenar as atividades destas igrejas. Desta forma, afastaram-se ainda mais do modelo. O resultado sempre foi desastroso!

Hoje sentimos a fraqueza das igrejas; é inegável. Que sejamos guardados para não cairmos no mesmo erro dos irmãos dos séculos passados. Precisamos entender que esta fraqueza que vemos por toda parte é resultado do afastamento do modelo, e uma união feita por nós vai piorar ainda mais a situação; a solução é reconhecer o nosso desvio, e voltar à simplicidade do modelo que está nas Escrituras. É um paradoxo, a união divide:

UMA UNIÃO DE IGREJAS, SEJA QUAL FOR O SEU NOME, É DIVISÓRIA

Independente dos seus propósitos, ela divide, pois inclui algumas igrejas e exclui outras. Mesmo se ela quer incluir todas as igrejas, ela levanta barreiras pelos estatutos que regem as suas atividades. As igrejas que não as aprovam, não se filiam a ela, e a união torna-se algo sectário e exclusivista.

UMA UNIÃO DE IGREJAS NÃO GUARDA A UNIDADE DO ESPÍRITO

As Escrituras são claras neste ponto. "Pois todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres…" (1 Coríntios 12:13). Efésios confirma e enfatiza: "Há um só corpo e um só Espírito…" (Efésios 4:4). Neste contexto, somos exortados a "guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz" (Efésios 4:3).

Note bem que temos que guardar uma unidade que já existe — não fazer uma unidade. Observe também que esta unidade é do Espírito — jamais foi feita pelos homens ou registrada em Cartório. Seus laços são espirituais.

Fazem parte desta unidade todos os salvos desde aquele dia de Pentecostes, do qual lemos em Atos 2, até o arrebatamento dos que são de Cristo. Portanto, esta unidade é composta de pessoas, não de igrejas. Não é um grupo de congregações unidas pelos homens, mas é uma multidão de pessoas, unidas pelo Espírito. Não é a soma de todos os membros das igrejas, pois muitos salvos já estão na glória. Outros salvos ainda vivos, não estão em comunhão numa igreja local, por várias razões; e alguns membros das igrejas locais não estão incluídos na unidade do Espírito, pois são joios — meros professos.

Formar uma união de igrejas, portanto, é desprezar ou ignorar a unidade do Espírito, pois, ao invés de guardar aquela unidade que o Espírito criou, forma-se outra que não é coextensiva com a que é do Espírito. Formar uma união de igrejas, dividindo o povo de Deus, é desobedecer ao mandamento: "Procurai guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz".

UMA UNIÃO DE IGREJAS CONTRARIA OS PROPÓSITOS DE DEUS

Um dos objetivos de qualquer união de igrejas é coordenar o trabalho destas igrejas para que seja mais eficiente. Pensa-se que tal união resultará num trabalho mais organizado e melhor planejado, produzindo maior crescimento.

Há muito perigo nisto! Não é assim que Deus faz o Seu trabalho.

  • Ele usou Gideão com apenas trezentos homens para derrotar um inimigo fortíssimo.
  • Ele entregou Sua mensagem ao Sumo Sacerdote através de um menino, Samuel.
  • Ele confiou a tarefa de pregar o Evangelho ao mundo inteiro a um pequeno grupo de homens sem letras, indoutos e sem qualquer expressão social.
  • Ele escolhe as coisas fracas, sim, as desprezíveis para confundir as fortes.

Na verdade, os Seus pensamentos não são os nossos (Isaías 55:8). A fraqueza (aos olhos dos homens) das igrejas locais não é um empecilho para a realização dos propósitos de Deus; pelo contrário, é o meio pelo qual Deus aperfeiçoa a Sua força, para que nenhuma carne se glorie perante Ele.


CONCLUSÃO

Mais uma vez, estamos vendo as igrejas em vários países, buscando uma nova forma de ser. Estão vendo a inegável fraqueza do testemunho, e a grande inércia e desânimo que tomou posse de muitas igrejas. Querem fazer algo para melhorar. A intenção é louvável; a única solução é humilhar-nos perante Deus, reconhecer que a fraqueza atual é consequência do nosso desvio do modelo bíblico, e retornar à simplicidade daquele modelo. "Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo" (1 Coríntios 10:15).

autor: Ronaldo E. Watterson.
Mensagens

A participação dos obreiros no serviço de Deus

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

1 Timóteo 2.15; 1 Coríntios 14.40

Transcrito por Hacy Senghi Soares

Este estudo não tem em vista a parte técnica propriamente dita da homilética, isto é, a arte de preparar e apresentar sermões. O que temos em mira nesta série de estudos é apresentar ao leitor algumas sugestões práticas que poderão ajudá-lo a participar publicamente com maior acerto nas várias reuniões da igreja, para maior proveito de todos. Quem toma parte pública nas reuniões precisa saber qual é a reunião de que está participando, a fim de que as suas expressões sejam apropriadas a cada ocasião.

O leitor não encontrará aqui um comentário das lições, mas um simples esboço, cuja finalidade é ajudá-lo a lembrar-se da matéria apresentada.

1. Os vários tipos de reunião e suas finalidades 

1 - A Ceia do Senhor

  • É a reunião dos filhos de Deus, como um sacerdócio, a fim de prestar culto a Deus.
  • Deve ser exclusivamente reunião de adoração.
  • É ato de obediência, porque é realizada em atenção ao pedido do Senhor que temos prazer em obedecer – 1 Coríntios 11.24-25 com João 15.14.
  • É ato de recordação porque é feito “em memória” do Senhor.
  • É ato de comunhão porque todos participam juntos, demonstrando o seu interesse comum na Sua obra e na Sua Pessoa – 1 Coríntios 10.16-17.
  • É ato de testemunho porque anuncia ao mundo a morte expiatória do Senhor – 1 Coríntios 11.26.
  • É ato de esperança porque os participantes realizam-no “até que Ele venha” – 1 Coríntios 11.26.

2 - A reunião de Oração

  • É a reunião dos filhos de Deus como um sacerdócio a fim de levarem a Ele as necessidades de Sua obra e de Seu povo, bem como apresentar a Deus gratidão, louvor e ações de graça – 1 Timóteo 2.1.
  • É preciso que os participantes conheçam os vários elementos da oração, para assim orarem com mais inteligência e objetividade.

3 - A reunião de Ministério para os crentes

  • Estudo bíblico: vista geral dos livros da Bíblia (síntese ou súmula); estudo de cada livro, capítulo por capítulo.
  • Estudo das várias doutrinas bíblicas, como: de Deus, do homem, de Cristo, do Espírito Santo, da justificação, do pecado, das últimas coisas (escatologia), etc.
  • Mensagens devocionais de inspiração ou de exortação, tudo visando à edificação do povo de Deus na sua fé.

4 - A reunião de Evangelismo para descrentes

  • A reunião de evangelização na casa de oração.
  • A reunião ao ar livre.
  • Reuniões em casas familiares; mesmo quando sejam de ações de graça, devem ter em mira a evangelização dos vizinhos.
  • Outras oportunidades para reuniões: nos presídios, em abrigos de idosos ou menores, hospitais, etc.
  • O objetivo de todas essas reuniões é ministrar o Evangelho de Cristo aos perdidos, a fim de que sejam salvos.

5 - A reunião mista (crentes e descrentes)

  • A Escola Dominical: há pessoas de várias idades, e diferentes condições espirituais. Há crianças, jovens e pessoas idosas; há pessoas salvas e não salvas, há pessoas maduras e inexperientes na fé. É preciso que se façam as coisas de modo que todos possam alcançar proveito.
  • A Reunião da Mocidade. Entre nós, o objetivo é treinar os jovens a servir ao Senhor e estimular os jovens não crentes à sua conversão ao Senhor. O trabalho deve ser feito pelos jovens, porém sob a supervisão dos anciãos da igreja local..

2. Sugestões práticas para os que falam na igreja 

1 - Apresentação

  • Limpeza do corpo. Os sinais da falta de higiene não são uma boa recomendação para quem ministra na casa de Deus.
  • Limpeza e decência nos trajes. Roupas sujas, mal compostas ou exageradas, também não recomendam ninguém no serviço do Senhor. Não se trata de vestir-se com apuro ou luxo, mas com dignidade e decência. É possível vestir-se pobremente, mas digna e decentemente.
  • Evitar os gestos nervosos (movimentos estranhos com as mãos, o corpo ou a cabeça).
  • Evitar as mãos nos bolsos.
  • Evitar todo relaxamento.

2 - Falar para ser ouvido

  • Nunca gritar; nunca falar baixo demais. Todos não são surdos, e, às vezes, todos não são dotados de uma perfeita audição. O volume de voz deve ser suficientemente alto para que os ouvidos menos favorecidos possam entender, e suficientemente baixo para não ferir os ouvidos de ninguém. Deve-se falar de conformidade com o local; numa sala pequena o volume da voz tem de ser mais baixo; numa sala grande o volume de voz precisa alcançar as pessoas sentadas nos últimos bancos.

3 - Falar para ser entendido

  • Abrir bem a boca. É muito difícil para a congregação entender quando se fala com os dentes ou os lábios cerrados. Os sons emitidos não são inteligíveis quando se procede dessa maneira.
  • Pronunciar as sílabas com bastante clareza. Cortar as sílabas ao meio dificulta a compreensão.
  • Usar linguagem ao alcance de todos.

4 - Falar de modo a prender a atenção dos ouvintes

  • Não depressa demais, nem devagar demais; um traz dificuldade para entender, o outro cansa os ouvidos.
  • Não falar no mesmo tom de voz durante todo o tempo; tanto o ritmo quanto a entonação devem variar para evitar a monotonia que desvia a atenção do auditório.
  • Falar mais alto ou mais baixo, mais devagar ou mais depressa, de acordo com a natureza do fato que se está narrando. Isto enriquece a narração e ajuda os ouvintes a acompanhá-la gravando-a na mente com mais facilidade.
  • Fazer gestos adequados. Falar sobre o céu apontando para a terra não é um gesto apropriado.
  • Olhar para o povo. Nada distrai mais a atenção dos ouvintes do que falar olhando para baixo ou para o alto, ou apenas para um lado. O olhar de quem fala deve estar voltado para todo o auditório; deve-se voltar a cabeça ora para lá, ora para cá, a fim de que todos entendam que é com eles que se está falando.

5 - A leitura deve ser interpretativa

  • Dando valor exato à pontuação, que é o que, na linguagem escrita, pode indicar: intensidade, entonação ou pausa. Não sendo observados devidamente a leitura fica prejudicada.
  • Dando a expressão correspondente à natureza da leitura: narração, diálogo, monólogo, e à natureza do assunto: alegre ou triste, jocoso ou sério. Para isso, deve-se procurar fazer ligeiras variações de voz, representando diferentes personagens na leitura.
  • Quando alguém não tem facilidade para ler, é aconselhável treinar em casa, lendo o trecho bíblico várias vezes antes de sair para a reunião, procurando entender perfeitamente o sentido da leitura para que, ao apresentá-la, os que ouvem possam entender bem.
  • Cuidado para ler exatamente como está escrito, e não conservando a pronúncia errada comum em algumas palavras. Exemplo: “pobrema” em lugar de “problema”; “supertição” em lugar de “superstição”; “seje” em lugar de “seja”. Não acrescentar nem diminuir letras na leitura.

6 - Quem dirige a reunião deve tomar o cuidado de animar o ambiente sem cometer excessos

  • Anunciar claramente os hinos, se possível lendo uma estrofe e repetindo o número.
  • Tomar o cuidado de não fazer pregações antes ou depois de cada hino.
  • Cuidado para não fazer uma pregação antes do pregador, nem emendar a mensagem do mesmo. Às vezes uma pequena palavra de aprovação ou de estímulo aos ouvintes pode caber, mas não deve ser algo muito prolongado.

3. A participação na Ceia do Senhor 

1 Coríntios 11.23-26

1 - Qual é a “ordem do Culto” na Ceia?

A Bíblia não estabelece normas fixas para a celebração da Ceia (embora os homens o façam). A ordem deve ser ditada pelo Espírito Santo – 1 Coríntios 12.11.

Não deve haver ritualismo. O cristianismo não é baseado em ritos como o judaísmo. Os hinos, as pessoas que participam, o momento da distribuição dos elementos, as várias “secções” da Ceia, degeneram-se em mero ritualismo quando apresentados mecanicamente sempre do mesmo modo.

Quando damos lugar à ordem ditada pelo Espírito há variedade e proveito geral:
■O Espírito não Se utiliza sempre das mesmas pessoas para as mesmas coisas.
■Nem dos mesmos hinos e dos mesmos textos bíblicos que, muitas vezes, são usados em momentos já determinados pelos participantes.
■O Espírito promove harmonia na adoração, de modo que os que são espirituais podem acompanhar a verdadeira ordem do culto. Ele é o Grande Maestro. Se o Espírito está dirigindo, a mínima participação de cada um (e às vezes, mesmo o silêncio) é “para edificação”. Qualquer ministério antes da distribuição dos elementos levará os participantes a ocuparem-se com o Senhor e com a Sua obra; qualquer adoração será dirigida no mesmo sentido. O Espírito só pode nos dirigir no objetivo da reunião que é “EM MEMÓRIA” DO SENHOR.
■Todos os irmãos podem tomar parte, embora não tenham necessariamente de fazê-lo. A liberdade é do Espírito e não de cada um para fazer o que bem entende.

A única ordem para a nossa participação no culto é:
■Nossa presença – Quando vos ajuntais. O Senhor espera que nos ajuntemos na mais importante atividade da Igreja, quando se reúnem os adoradores aos quais Deus procura – João 4.23-24. É a mais expressiva manifestação de comunhão, e nada, a não ser o pecado ou impedimento imperioso, deve nos afastar da Ceia do Senhor. A ordem é eliminar os obstáculos e reunir – 1 Coríntios 11.28.
■Nossa pontualidade – Chegada a hora. O Senhor não nos espera depois da hora, Ele é pontual – Lucas 22.14.
■Nossa reverência – Ali estou no meio – Mateus 18.20. Ele é o motivo da reunião e não deve ficar esquecido.
■Nosso discernimento – Em memória de Mim é o objetivo da reunião. Há muita importância em andar no Espírito” – Gálatas 5.25, para poder observar rigorosamente a Sua ordem para a nossa participação no culto.

2 - Sugestões sobre a Pessoa do Senhor que podemos recordar na Ceia

O Seu Nome incomparável – Filipenses 2.9.
■Ele é Jesus, que é Jeová-Salvador – Mateus 1.21.
■Ele é o Cristo (Messias), que é o Ungido de Deus, escolhido e santificado para Ele e cumprindo fielmente a vontade do Pai em tudo – Isaías 61.1-2, Atos 2.36; 10.37-38.
■Ele é o Senhor, o Deus da Glória, um Nome exaltado – João 13.13; Atos 10.36; 1 Coríntios 2.8.

As Suas obras – Salmo 92.4.
■A Criação – Salmo 33.6-9; Provérbios 8.22-31; João 1.3; Colossenses 1.16-17; Hebreus 1.2.
■Suas obras de beneficência – João 21.25; Atos 10.38.
■Sua obra suprema – a Redenção – João 4.34; 19.30; Hebreus 10. 10, 14; Efésios 1.7.

O Seu amor infinito – João 13.1; 15.13; Efésios 3.19.
■Esvaziou-Se para Se manifestar - Filipenses 2.6-7.
■Empobrece para enriquecer a outros – 2 Coríntios 8.9.
■Perdoa para restaurar – João 8.10-11.
■Morre para salvar - João 15.13; Efésios 5.2.

Sua humilhação, sofrimentos e morte.
■Dor moral por ter de enfrentar o pecado – Mateus 26.37-42; João 12.27.
■Pela rejeição, escárnio e ingratidão dos homens – Hebreus 12.2-3; Mateus 27.27-31, 40-44.
■Pelo desamparo de Deus – Salmo 22.1; Mateus 27.46.
■Dor física pelos açoites – Mateus 27. 26, pelos espinhos – Mateus 27.29 e pelos cravos que O traspassaram Salmo 22.16; Zacarias 12.10; João 19.37; Apocalipse 1.7.

Sua exaltação – Atos 2.32-33.
■Ressuscitado e assunto ao céu – Lucas 24.5-7, 51; 1 Coríntios 15.3-4; Marcos 16.19.
■Glorificado – Efésios 1.20-23; Filipenses 2.8-10; Hebreus 2.9.

3 - Quais as condições para participar da Ceia?

Ser discípulo do Senhor. Na Bíblia só os tais participam do “Partir do Pão” – Mateus 26.26; Atos 20.7.

Estar preparado espiritualmente pela comunhão com o Senhor e a separação do mundo e do pecado – 1 Coríntios 10.20-21.
■Todo pecado conhecido deve ser confessado e abandonado – 1 João 1.9; 2.2.
■A falta nesse sentido sujeita o crente à disciplina do Senhor – 1 Coríntios 11.27-32.
■Feito isto, a ordem é “comer o pão e beber do cálice”.

 


 

4. A participação na reunião de oração 

1 - Os elementos da oração

■Adoração. É a exaltação do Senhor pela Sua natureza e Seus atributos singulares – Salmo 95.1-2; 96.6-9.
■Louvor. Ações de graças ao Senhor pelas bênçãos e favores que nos dispensa constantemente, física, material e espiritualmente – Salmo 103.1-2; Efésios 1.3.
■Petição. Apresentação a Deus das necessidades da Sua obra, do Seu povo, e as necessidades pessoais.
■Intercessão. Petição a Deus em favor de outrem. O crente pode interceder a Deus em favor dos seus irmãos ou a favor de outros suplicando a Deus pela salvação deles – Tiago 5.16.
■Confissão. O reconhecimento de nossas culpas perante Deus.
1 - Pode ser pública ou particular. A confissão pública deve ter sempre em vista a coletividade não o indivíduo.
2 - Confissão não é apresentação generalizada: “Perdoa os nossos pecados”, mas o relato de todos os pecados acompanhado de sincero arrependimento – 1 João 1.9.

2 - Sugestão para uma participação correta

■Reverência à presença do Senhor. Ao orar entramos perante o Seu Trono – Efésios 3.14; Hebreus 4.16. Devemos evitar leviandades na presença do Senhor.
■Fervor, baseado na certeza de que como nosso Pai, Ele pode e quer nos dar o melhor - Efésios 3.20.
■Humildade que resulta em submissão à vontade do Senhor. Nada podemos exigir de Deus mas temos que reconhecer que a Sua vontade é soberana – Mateus 26.39.
■Brevidade. Orações longas podem ser sintomas de egoísmo ou exibicionismo, pois quem quer pedir tudo está egoisticamente impedindo aos demais de participar, ou está querendo exibir “fervor” ou “capacidade” para fazer orações bonitas. Devemos ser breves, ainda que tenhamos de participar duas ou três vezes – Salmo 27.4; Mateus 6.5-6.
■Objetividade. Especificar os pedidos, indicando nomes, pessoas, lugares e fatos reais que requeiram a ajuda divina. Exemplos: Romanos 15.30-33; Efésios 6.18-19; Colossenses 4.2-4. Evitar sermões ou estudos bíblicos na oração. Deus não tem nada a aprender conosco – Eclesiastes 5.1-3.

3 - Assuntos para oração

■As várias atividades da igreja local: suas atividades normais ou qualquer novo empreendimento em que ela esteja empenhada.
■Outras igrejas locais conhecidas, suas atividades ou prováveis problemas.
■Os membros da igreja e seus problemas espirituais, físicos ou materiais.
■Os servos do Senhor, pregadores ou ensinadores da Palavra. Seu ministério, sua saúde, seus problemas, etc.
■Os anciãos da igreja. Antes de críticas, protestos ou insubmissão, ORAÇÃO.
■As autoridades constituídas – 1 Timóteo 2.2.
■Os crentes nos países onde há oposição ao Evangelho.
■A conversão das pessoas: familiares dos membros da igreja, os esforços unidos na evangelização de amigos, conhecidos e vizinhos.

 


 

5. A pregação 

2 Timóteo 4.2

1 - Elementos indispensáveis ao pregador

■Certeza e experiência da própria salvação - 2 Timóteo 1.12; 1 João 5.12-13.
1 - Garantida pela Palavra de Deus – João 3.36; 5.24.
2 - Confirmada pela transformação da vida – 2 Coríntios 5.17 e pelo testemunho do Espírito Santo – Romanos 8.14-16; 1 João 2.20-23, 27. Ele é um porta-voz, um embaixador de Deus e deve falar com convicção - 2 Coríntios 5.18-20.
■Experiência vitoriosa na vida cristã – 1 Coríntios 9.23-27.
1 – Vida santificada perante Deus e os homens – Romanos 12.1-2; Tito 2.12; Mateus 5.14-16; Filipenses 2.15.
2 – Sinceridade nas palavras e no trato; amor verdadeiro e não artificial – Romanos 12.9; 1 João 3.18; Efésios 4.25.
3 – Humildade. Não cultivar idéias elevadas sobre si mesmo – Romanos 12.3,16. Não se envaidecer com elogios nem andar a cata deles. A glória pertence ao Senhor – 1 Pedro 4.10-11. Reconhecer e apreciar o que os irmãos têm de bom – Filipenses 2.2-4.
4 – Honestidade, cumprimento fiel da palavra empenhada - Mateus 5.37; procedimento correto nos negócios – Romanos 12.8; no lar e no trabalho – Colossenses 3.19-4.1; Tito 2.7-10.
■Fé na mensagem que prega.
1 – Não é nenhum produto humano.
2 – Não é fábula ou fantasia – 2 Pedro 1.16.
3 – É a Palavra inspirada, poderosa e infalível de Deus – 2 Timóteo 3.16-17; 2 Pedro 1.17-18; 1 João 1.1-4.
■Conhecimento das Escrituras.
1 – Ler muito, memorizar, deixar a Palavra falar ao coração – Josué 1.8; Salmo 119.7-13.
2 – Aprender a fazer uso das Escrituras corretamente, de acordo com a necessidade. Como espada, ou ferramenta, a Bíblia tem de ser bem manejada – Efésios 6.17; 2 Timóteo 2.15.
■Exercício na oração. É a fonte de auxílio, direção, autoridade e poder do alto – Efésios 6.18; Colossenses 4.2; 1 Tessalonicenses 5.17.
■Dom. Todos os recursos já enumerados têm de ser acompanhados pelo dom conferido por Deus ao Seu servo, como membro do Corpo de Cristo – Romanos 12.4-8; 1 Coríntios 12.4-7.
■Motivação no amor. 1 Coríntios 13.1-3. É o coração e não a cabeça que deve motivar o pregador no exercício da sua função. É verdade que ele precisa fazer uso da inteligência para aplicar corretamente os conhecimentos disponíveis, mas se isto não for equilibrado pelo amor, a sua pregação será fria e inoperante.
1 – O amor ao Senhor e consagração integral a Ele devem ser a sua primeira preocupação - 2 Coríntios 5.14-15; Filipenses 3.7-10; Gálatas 2.19-20. Isto resultará em:
2 – Paixão pelas almas perdidas - Romanos 1.14-15; 1 Coríntios 9.16.
3 – Paixão pela edificação de seus irmãos na fé – Romanos 1.9-12; Gálatas 4.19-20. Uma vida assim será cheia do Espírito Santo, em cujo poder a Palavra será pregada - Atos 13.52; 14.1.

2 – Conhecimentos úteis ao pregador

■Conhecimentos de história: 

1 – Dos povos bíblicos, seus costumes, sua política, suas religiões, sua influência no mundo daqueles tempos. Isto ajuda a compreender melhor certos fatos narrados na Bíblia que nos parecem estranhos.
2 – História geral como elemento de aplicação às necessidades espirituais. Pode-se tomar fatos e aplicá-los para ilustrar verdades práticas.
■Conhecimentos lingüísticos.
1 – Da língua nacional: conjugação correta dos verbos e os conhecimentos gramaticais necessários para que se fale corretamente, além de bom vocabulário.
2 – Outras línguas modernas, de cuja literatura teológica ou secular seja possível encontrar instrução útil à pregação.
3 – As línguas originais em que foi escrita a Bíblia. Isto nem sempre é possível, mas é um dos mais úteis, talvez o mais útil auxílio para o pregador.
■Conhecimento das ciências de interpretação e exposição. A hermenêutica ensina os princípios da interpretação e a exegese é a ciência da exposição.
■Conhecimentos geográficos. Tanto a geografia bíblica, quanto a geografia moderna são de utilidade ao pregador.

3. As ferramentas do pregador

■A Bíblia é uma grande caixa de ferramentas que devem ser sabiamente usadas de modo adequado a cada necessidade. É impossível pensar no pregador do Evangelho sem a Bíblia.
■Comentários bíblicos. Estes ajudam a entender o texto bíblico. É preciso cuidado na escolha dos mesmos, pois devemos procurar comentários que sejam fiéis à sã doutrina.
■Dicionário bíblico. Este explica os termos bíblicos e dá informações doutrinárias, geográficas ou históricas. Também neste caso é preciso escolher o livro de confiança.
■Livros de cunho espiritual: doutrinários, devocionais, históricos, biográficos ou apologéticos (escritos em defesa da Verdade). Todos eles instruem e inspiram.
■Dicionário da língua portuguesa.
■Livros seculares: História, geografia, filosofia e ciências, cuidadosamente selecionados, podem proporcionar instrução que auxiliem o pregador em sua tarefa.
■Freqüência às reuniões, a fim de aprender através do ensino e experiência de outros irmãos.
■Nada disto terá o mínimo valor, se faltarem ao pregador as qualidades espirituais exigidas por Deus para o desempenho do seu serviço.

6. Noções sobre o sermão 

O vocábulo vem do latim, “sermone”, onde tem o sentido de “conversação”. Hoje tem como sentido principal um discurso ou prédica de cunho religioso. É o seguinte o critério geral de classificação do sermão:
■Quanto à MATÉRIA, pode ser doutrinário, tipológico (tratando dos tipos bíblicos e suas aplicações), histórico, profético (enfocando as mensagens proféticas), escatológico (tratando das últimas coisas: morte, ressurreição, volta do Senhor, juízo, fim da era e estado eterno), ou biográfico.
■Quanto à FINALIDADE, pode ser didático (visando ao ensino), exortativo, evangelístico ou apologético (em defesa da Verdade). Às vezes, em reuniões mistas, podem ser combinadas as finalidades didática e evangelística.
■Quanto à FORMA, pode ser expositivo, textual ou tópico, que são as formas mais comuns e, por isso, mais práticas. Explicaremos isto nas “Considerações Finais”.

 


 

7. A elaboração do sermão 

O sermão simples compõe-se de três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

■Na INTRODUÇÃO o pregador anuncia o seu assunto e procura preparar os seus ouvintes, despertando neles o interesse pela mensagem que vai ser apresentada.
■No DESENVOLVIMENTO deve o pregador argumentar, comprovar e esclarecer o texto, passagem ou tema proposto. Para isto pode usar ilustrações, que podem ser extraídas tanto da Bíblia, quanto da História, de fatos da época ou de histórias hipotéticas que possam tornar mais claras as lições que ele queira transmitir. Cuidado para não tomar a maior parte do tempo com ilustrações, nem apresentar ilustrações que antes compliquem do que ajudem o entendimento do ouvinte. Deve também dividir o assunto, dando título a cada divisão, e subdividi-lo para efeito de explicação de cada título. Tais divisões podem ser anunciadas na introdução e, neste caso, têm de ser seguidas para não frustrar o ouvinte.
■A CONCLUSÃO é a aplicação prática das verdades apresentadas. Ela apela ao ouvinte para aceitá-las e agir de acordo com elas. O alvo de uma pregação é confirmado na conclusão, a qual pode ser precedida de uma breve recapitulação.

8. A esquematização do sermão 

■Descobrir pela pesquisa, meditação e oração, o assunto, texto ou passagem que deseja focalizar. “Que quer o Senhor que eu diga?”
■Ler várias vezes o trecho e anotar todos os pensamentos que sobre ele ocorra. Procurar no dicionário bíblico e no de português, o sentido das palavras não entendidas.
■Relacionar os pensamentos e formar com eles as devidas divisões e subdivisões, selecionando as ilustrações, caso sejam necessárias. Isto deve ser feito tendo em vista o alvo da mensagem, que deve ser naturalmente alcançado na conclusão.
■Veja o primeiro sermão nas “Considerações Finais”. No trecho indicado (1 João 3.11-18) percebe-se facilmente que o tema dominante é o amor e no v. 18 temos uma excelente sugestão temática: “Exortação ao amor”. Vamos elaborá-lo juntos:
V. 11 – “Amai-vos uns aos outros” é uma mensagem ouvida desde o princípio. Portanto, há muitos anos.
V. 12 – Caim, por não amar, matou a seu irmão. Nisto ficou provado que ele não era de Deus, mas do maligno.
Vv. 13-15 – É natural que o mundo odeie o crente, mas este, por ser crente, deve naturalmente amar, pois do contrário permanece na morte, é assassino e não tem a vida eterna.
V. 16 – Cristo mostrou-nos Seu amor ao dar a Sua vida por nós e isto deve inspirar-nos a fazer o mesmo pelos irmãos.
Vv. 17-18 – Se amamos verdadeiramente nossos irmãos, não vamos abandoná-los quando eles mais precisam de nós, pois isto prova que o amor de Deus não está em nós.Tal tipo de amor é falso, pois é só “de palavra e de língua”.
■Examine a seguir, o esboço “Exortação ao Amor” e veja como o sermão foi estruturado ao redor destes pensamentos, evoluindo numa seqüência natural até chegar à conclusão. E é bom notar que a conclusão, neste caso, foi tirada do próprio trecho, constituindo-se na sua última divisão.

9. Considerações finais 

Temos procurado apresentar apenas breves sugestões e noções gerais que podem ser úteis ao pregador no preparo de seus sermões; por isto não temos nos alongado em explicações complicadas, que somente poderiam ser apreendidas por quem possui um preparo acadêmico.


Cabe-nos, agora, apresentar algumas sugestões sobre a apresentação do sermão, explicar as três formas de sermão que foram mencionadas e apresentar um exemplo de esboço para cada uma daquelas formas.

1 – Recomendações: 

Não deve o mensageiro dar uma longa explicação do que será o seu sermão antes de ler o trecho no qual o mesmo será baseado, pois ele posteriormente terá de repetir tudo. As explicações preliminares devem ser dadas na introdução.

O pregador deve sempre estabelecer um alvo para a sua mensagem e nunca ficar rodeando por toda a Bíblia falando de todos os assuntos sem deixar uma mensagem definida. Sua pregação deve levar o ouvinte a uma conclusão. Por isso ele precisa fazer uma introdução e desenvolver o tema ou trecho proposto, para então, encerrar com as lições, exortações ou apelos cabíveis.

Convém evitar a “conclusão falsa”. Quando anunciar a conclusão, não comece uma nova pregação, conclua. Uma recapitulação resumida dos pontos apresentados é sempre boa, mas só isso. Evite apelos excessivos e violentos. Deixe ao Espírito Santo a tarefa que Lhe pertence, de convencer as almas. Um apelo discreto pode ter cabimento, se Deus assim dirige, mas não se deve forçar as emoções dos ouvintes, provocando falsas decisões.

2 - Formas gerais do sermão:

Podemos classificar os sermões genericamente em três formas principais:
■Expositivo – trata-se da exposição de uma passagem da Palavra, apresentando as verdades nela contidas.
■Textual – é o sermão baseado num trecho curto ou num só versículo da Palavra.
■Tópico - é o sermão em torno de uma doutrina, tema ou personagem.

Esta classificação é, naturalmente resumida, apresentando apenas a idéia geral.

3 - Exemplos de sermões esboçados: 

O primeiro exemplo é expositivo, o segundo textual e o terceiro tópico.


─ EXORTAÇÃO AO AMOR – 1 João 3.11-18

Introdução: O mundo é indiferente para com as necessidades do seu semelhante, embora fale em amor. Precisamos impedir que esse espírito nos domine. O texto ensina:

I – O AMOR É UMA MENSAGEM ANTIGA – (v. 11)
■Deus o ensinara através de Moisés – (Levítico 19.18)
■Cristo o praticara e ensinara enfaticamente aos discípulos – (João 13.34-35; 15.8-17)
■Quer se referisse à Lei, quer ao ensino de Cristo, era mensagem antiga. Já tinha pelo menos cinqüenta anos.

II – O AMOR PÕE À PROVA A REALIDADE DA CONVERSÃO – (vv. 12-15)
■Quem ama é de Deus, quem não ama é do maligno. É uma prova concreta (v. 12).
■Não é conhecimento, nem serviço, mas é o amor que indica se somos filhos de Deus (vv. 14-15; João 13.34-35).
■O mundo odeia naturalmente; o cristão deve amar naturalmente (v. 13).

III – CRISTO É A MAIS EXPRESSIVA MANIFESTAÇÃO DE AMOR – (v. 16)
■O Seu amor é o maior de todos – (João 15.13).
■Manifestou-se de modo prático – “Deu a vida por nós!”
■Deve ser imitado – “Devemos dar a vida pelos irmãos”. Ele é nosso Exemplo!

IV - A CONCLUSÃO LÓGICA – (vv 17-18)
■O amor é prático. Manifesta-se em obras de beneficência em favor do semelhante.
■Não é mero tema de poesia ou cântico – “de palavra e de língua”, mas é ação proveniente de um coração regenerado – “de fato e de verdade”.

─ CRISTO NO MEIO – João 20.19-21

Introdução – Cristo deve ocupar o centro de nossas afeições e empreendimentos.

I – NO MEIO REVELANDO PODER
■Poder que O levantou do túmulo.
■Que Lhe permitiu passar pelas portas trancadas, varando as paredes.
■Poder que Ele quer comunicar a todos quantos O recebem.

II – NO MEIO OUTORGANDO PAZ
■Nos Seus lábios era mais que mera saudação. Ele pode dar paz aos homens.
■Paz prometida – (João 14.27).
■Paz conquistada pela cruz – (Colossenses 1.20; Efésios 2.14), “mãos e pés”, as “credenciais”.
■Com Ele “no meio” há paz verdadeira.

III - NO MEIO INFUNDINDO ALEGRIA
■“Vendo-O, alegraram-se os discípulos”.
■A alegria da Sua presença espanta todo o temor. Esqueceram-se dos perigos.
■Somente com Ele “no meio” pode haver alegria verdadeira.

─ O REAVIVAMENTO

Introdução – Ninguém ousaria negar a urgente necessidade de reavivamento espiritual em nossos dias. É preciso, porém, que o procuremos na fonte certa e pelo caminho certo.

I – SUA NECESSIDADE
■Há acentuado desinteresse pelas coisas de Deus. Religião domingueira para salvar aparências; participação rotineira e meramente formal; superficialidade. Deus não está satisfeito – (Isaías 1.10-15; 29.13).
■Falta espírito de renúncia. Há inversão da ordem: “CRISTO, os irmãos e eu”. O “eu” quer predominar e ser honrado. Negócios, diversões e conforto estão ocupando o primeiro lugar. Deus condena esse espírito (Ageu 1.4). Há rixas e contendas, inimizades pessoais, contrariando Romanos 12.8 e Efésios 4.2. Está faltando uma ENTREGA TOTAL (Filipenses 3.8-10; Gálatas 2.19-20).
■Falta paixão pela causa de Deus. 1 - Pelas almas perdidas (Romanos 1.14-16; 1 Coríntios 9.16). 2 - Pela edificação dos santos (Filipenses 1.12-14; 20-25; Gálatas 4.19-20).
■Há indiferença: Que é que tem? (Malaquias 1.6: 2.17; Apocalipse 3.17).
■Falta exemplo das lideranças (1 Pedro 5.1-4). Falta coragem para denunciar o mal e o mundanismo.

II – O SEU CAMINHO
■Tem de começar no indivíduo (Isaías 6.5-8).
■Tem de começar de dentro para fora.
■Tem de resultar de um profundo senso de culpa, seguido de sincero arrependimento (Salmo 51.1-6; Daniel 9.5, 6, 13).

III – OS SEUS AGENTES
■A Palavra de Deus – Não há possibilidade de reavivamento genuíno à margem da Bíblia (2 Timóteo 3.14-16; Neemias 8.5-9).
■O Espírito Santo – Os mesmos agentes da regeneração são os agentes do reavivamento (Zacarias 4.6; Efésios 5.18-20).

 

 

autor: Luiz Soares.
Mensagens

A Participação Dos Obreiros No Serviço De Deus - 2

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

1 Timóteo 2.15; 1 Coríntios 14.40

Transcrito por Hacy Senghi Soares

Este estudo não tem em vista a parte técnica propriamente dita da homilética, isto é, a arte de preparar e apresentar sermões. O que temos em mira nesta série de estudos é apresentar ao leitor algumas sugestões práticas que poderão ajudá-lo a participar publicamente com maior acerto nas várias reuniões da igreja, para maior proveito de todos. Quem toma parte pública nas reuniões precisa saber qual é a reunião de que está participando, a fim de que as suas expressões sejam apropriadas a cada ocasião.

O leitor não encontrará aqui um comentário das lições, mas um simples esboço, cuja finalidade é ajudá-lo a lembrar-se da matéria apresentada.

3. A PARTICIPAÇÃO NA CEIA DO SENHOR

1 Coríntios 11.23-26

1 - Qual é a “ordem do Culto” na Ceia?

A Bíblia não estabelece normas fixas para a celebração da Ceia (embora os homens o façam). A ordem deve ser ditada pelo Espírito Santo – 1 Coríntios 12.11.

Não deve haver ritualismo. O cristianismo não é baseado em ritos como o judaísmo. Os hinos, as pessoas que participam, o momento da distribuição dos elementos, as várias “secções” da Ceia, degeneram-se em mero ritualismo quando apresentados mecanicamente sempre do mesmo modo.

Quando damos lugar à ordem ditada pelo Espírito há variedade e proveito geral:

  • O Espírito não Se utiliza sempre das mesmas pessoas para as mesmas coisas.
  • Nem dos mesmos hinos e dos mesmos textos bíblicos que, muitas vezes, são usados em momentos já determinados pelos participantes.
  • O Espírito promove harmonia na adoração, de modo que os que são espirituais podem acompanhar a verdadeira ordem do culto. Ele é o Grande Maestro. Se o Espírito está dirigindo, a mínima participação de cada um (e às vezes, mesmo o silêncio) é “para edificação”. Qualquer ministério antes da distribuição dos elementos levará os participantes a ocuparem-se com o Senhor e com a Sua obra; qualquer adoração será dirigida no mesmo sentido. O Espírito só pode nos dirigir no objetivo da reunião que é “EM MEMÓRIA” DO SENHOR.
  • Todos os irmãos podem tomar parte, embora não tenham necessariamente de fazê-lo. A liberdade é do Espírito e não de cada um para fazer o que bem entende.

A única ordem para a nossa participação no culto é:

  • Nossa presença – Quando vos ajuntais. O Senhor espera que nos ajuntemos na mais importante atividade da Igreja, quando se reúnem os adoradores aos quais Deus procura – João 4.23-24. É a mais expressiva manifestação de comunhão, e nada, a não ser o pecado ou impedimento imperioso, deve nos afastar da Ceia do Senhor. A ordem é eliminar os obstáculos e reunir – 1 Coríntios 11.28.
  • Nossa pontualidade – Chegada a hora. O Senhor não nos espera depois da hora, Ele é pontual – Lucas 22.14.
  • Nossa reverência – Ali estou no meio – Mateus 18.20. Ele é o motivo da reunião e não deve ficar esquecido.
  • Nosso discernimento – Em memória de Mim é o objetivo da reunião. Há muita importância em andar no Espírito” – Gálatas 5.25, para poder observar rigorosamente a Sua ordem para a nossa participação no culto.

2 - Sugestões sobre a Pessoa do Senhor que podemos recordar na Ceia

O Seu Nome incomparável – Filipenses 2.9.

  • Ele é Jesus, que é Jeová-Salvador – Mateus 1.21.
  • Ele é o Cristo (Messias), que é o Ungido de Deus, escolhido e santificado para Ele e cumprindo fielmente a vontade do Pai em tudo – Isaías 61.1-2, Atos 2.36; 10.37-38.
  • Ele é o Senhor, o Deus da Glória, um Nome exaltado – João 13.13; Atos 10.36; 1 Coríntios 2.8.

As Suas obras – Salmo 92.4.

  • A Criação – Salmo 33.6-9; Provérbios 8.22-31; João 1.3; Colossenses 1.16-17; Hebreus 1.2.
  • Suas obras de beneficência – João 21.25; Atos 10.38.
  • Sua obra suprema – a Redenção – João 4.34; 19.30; Hebreus 10. 10, 14; Efésios 1.7.

O Seu amor infinito – João 13.1; 15.13; Efésios 3.19.

  • Esvaziou-Se para Se manifestar - Filipenses 2.6-7.
  • Empobrece para enriquecer a outros – 2 Coríntios 8.9.
  • Perdoa para restaurar – João 8.10-11.
  • Morre para salvar - João 15.13; Efésios 5.2.

Sua humilhação, sofrimentos e morte.

  • Dor moral por ter de enfrentar o pecado – Mateus 26.37-42; João 12.27.
  • Pela rejeição, escárnio e ingratidão dos homens – Hebreus 12.2-3; Mateus 27.27-31, 40-44.
  • Pelo desamparo de Deus – Salmo 22.1; Mateus 27.46.
  • Dor física pelos açoites – Mateus 27. 26, pelos espinhos – Mateus 27.29 e pelos cravos que O traspassaram Salmo 22.16; Zacarias 12.10; João 19.37; Apocalipse 1.7.

Sua exaltação – Atos 2.32-33.

  • Ressuscitado e assunto ao céu – Lucas 24.5-7, 51; 1 Coríntios 15.3-4; Marcos 16.19.
  • Glorificado – Efésios 1.20-23; Filipenses 2.8-10; Hebreus 2.9.

3 - Quais as condições para participar da Ceia?

Ser discípulo do Senhor. Na Bíblia só os tais participam do “Partir do Pão” – Mateus 26.26; Atos 20.7.

Estar preparado espiritualmente pela comunhão com o Senhor e a separação do mundo e do pecado – 1 Coríntios 10.20-21.

  • Todo pecado conhecido deve ser confessado e abandonado – 1 João 1.9; 2.2.
  • A falta nesse sentido sujeita o crente à disciplina do Senhor – 1 Coríntios 11.27-32.
  • Feito isto, a ordem é “comer o pão e beber do cálice”.

4. A PARTICIPAÇÃO NA REUNIÃO DE ORAÇÃO

1 - Os elementos da oração

  • Adoração. É a exaltação do Senhor pela Sua natureza e Seus atributos singulares – Salmo 95.1-2; 96.6-9.
  • Louvor. Ações de graças ao Senhor pelas bênçãos e favores que nos dispensa constantemente, física, material e espiritualmente – Salmo 103.1-2; Efésios 1.3.
  • Petição. Apresentação a Deus das necessidades da Sua obra, do Seu povo, e as necessidades pessoais.
  • Intercessão. Petição a Deus em favor de outrem. O crente pode interceder a Deus em favor dos seus irmãos ou a favor de outros suplicando a Deus pela salvação deles – Tiago 5.16.
  • Confissão. O reconhecimento de nossas culpas perante Deus.
    1 - Pode ser pública ou particular. A confissão pública deve ter sempre em vista a coletividade não o indivíduo. 
    2 - Confissão não é apresentação generalizada: “Perdoa os nossos pecados”, mas o relato de todos os pecados acompanhado de sincero arrependimento – 1 João 1.9.

2 - Sugestão para uma participação correta

  • Reverência à presença do Senhor. Ao orar entramos perante o Seu Trono – Efésios 3.14; Hebreus 4.16. Devemos evitar leviandades na presença do Senhor.
  • Fervor, baseado na certeza de que como nosso Pai, Ele pode e quer nos dar o melhor - Efésios 3.20.
  • Humildade que resulta em submissão à vontade do Senhor. Nada podemos exigir de Deus mas temos que reconhecer que a Sua vontade é soberana – Mateus 26.39.
  • Brevidade. Orações longas podem ser sintomas de egoísmo ou exibicionismo, pois quem quer pedir tudo está egoisticamente impedindo aos demais de participar, ou está querendo exibir “fervor” ou “capacidade” para fazer orações bonitas. Devemos ser breves, ainda que tenhamos de participar duas ou três vezes – Salmo 27.4; Mateus 6.5-6.
  • Objetividade. Especificar os pedidos, indicando nomes, pessoas, lugares e fatos reais que requeiram a ajuda divina. Exemplos: Romanos 15.30-33; Efésios 6.18-19; Colossenses 4.2-4. Evitar sermões ou estudos bíblicos na oração. Deus não tem nada a aprender conosco – Eclesiastes 5.1-3.

3 - Assuntos para oração

  • As várias atividades da igreja local: suas atividades normais ou qualquer novo empreendimento em que ela esteja empenhada.
  • Outras igrejas locais conhecidas, suas atividades ou prováveis problemas.
  • Os membros da igreja e seus problemas espirituais, físicos ou materiais.
  • Os servos do Senhor, pregadores ou ensinadores da Palavra. Seu ministério, sua saúde, seus problemas, etc.
  • Os anciãos da igreja. Antes de críticas, protestos ou insubmissão, ORAÇÃO.
  • As autoridades constituídas – 1 Timóteo 2.2.
  • Os crentes nos países onde há oposição ao Evangelho.
  • A conversão das pessoas: familiares dos membros da igreja, os esforços unidos na evangelização de amigos, conhecidos e vizinhos.

5. A PREGAÇÃO

2 Timóteo 4.2

1 - Elementos indispensáveis ao pregador

  • Certeza e experiência da própria salvação - 2 Timóteo 1.12; 1 João 5.12-13.
    1 - Garantida pela Palavra de Deus – João 3.36; 5.24. 
    2 - Confirmada pela transformação da vida – 2 Coríntios 5.17 e pelo testemunho do Espírito Santo – Romanos 8.14-16; 1 João 2.20-23, 27. Ele é um porta-voz, um embaixador de Deus e deve falar com convicção - 2 Coríntios 5.18-20.
  • Experiência vitoriosa na vida cristã – 1 Coríntios 9.23-27.
    1 – Vida santificada perante Deus e os homens – Romanos 12.1-2; Tito 2.12; Mateus 5.14-16; Filipenses 2.15.
    2 – Sinceridade nas palavras e no trato; amor verdadeiro e não artificial – Romanos 12.9; 1 João 3.18; Efésios 4.25. 
    3 – Humildade. Não cultivar idéias elevadas sobre si mesmo – Romanos 12.3,16. Não se envaidecer com elogios nem andar a cata deles. A glória pertence ao Senhor – 1 Pedro 4.10-11. Reconhecer e apreciar o que os irmãos têm de bom – Filipenses 2.2-4. 
    4 – Honestidade, cumprimento fiel da palavra empenhada - Mateus 5.37; procedimento correto nos negócios – Romanos 12.8; no lar e no trabalho – Colossenses 3.19-4.1; Tito 2.7-10.
  • Fé na mensagem que prega. 
    1 – Não é nenhum produto humano. 
    2 – Não é fábula ou fantasia – 2 Pedro 1.16. 
    3 – É a Palavra inspirada, poderosa e infalível de Deus – 2 Timóteo 3.16-17; 2 Pedro 1.17-18; 1 João 1.1-4.
  • Conhecimento das Escrituras. 
    1 – Ler muito, memorizar, deixar a Palavra falar ao coração – Josué 1.8; Salmo 119.7-13. 
    2 – Aprender a fazer uso das Escrituras corretamente, de acordo com a necessidade. Como espada, ou ferramenta, a Bíblia tem de ser bem manejada – Efésios 6.17; 2 Timóteo 2.15.
  • Exercício na oração. É a fonte de auxílio, direção, autoridade e poder do alto – Efésios 6.18; Colossenses 4.2; 1 Tessalonicenses 5.17.
  • Dom. Todos os recursos já enumerados têm de ser acompanhados pelo dom conferido por Deus ao Seu servo, como membro do Corpo de Cristo – Romanos 12.4-8; 1 Coríntios 12.4-7.
  • Motivação no amor. 1 Coríntios 13.1-3. É o coração e não a cabeça que deve motivar o pregador no exercício da sua função. É verdade que ele precisa fazer uso da inteligência para aplicar corretamente os conhecimentos disponíveis, mas se isto não for equilibrado pelo amor, a sua pregação será fria e inoperante. 
    1 – O amor ao Senhor e consagração integral a Ele devem ser a sua primeira preocupação - 2 Coríntios 5.14-15; Filipenses 3.7-10; Gálatas 2.19-20. Isto resultará em: 
    2 – Paixão pelas almas perdidas - Romanos 1.14-15; 1 Coríntios 9.16. 
    3 – Paixão pela edificação de seus irmãos na fé – Romanos 1.9-12; Gálatas 4.19-20. Uma vida assim será cheia do Espírito Santo, em cujo poder a Palavra será pregada - Atos 13.52; 14.1.

2 – Conhecimentos úteis ao pregador

  • Conhecimentos de história: 
    1 – Dos povos bíblicos, seus costumes, sua política, suas religiões, sua influência no mundo daqueles tempos. Isto ajuda a compreender melhor certos fatos narrados na Bíblia que nos parecem estranhos. 
    2 – História geral como elemento de aplicação às necessidades espirituais. Pode-se tomar fatos e aplicá-los para ilustrar verdades práticas.
  • Conhecimentos lingüísticos. 
    1 – Da língua nacional: conjugação correta dos verbos e os conhecimentos gramaticais necessários para que se fale corretamente, além de bom vocabulário. 
    2 – Outras línguas modernas, de cuja literatura teológica ou secular seja possível encontrar instrução útil à pregação. 
    3 – As línguas originais em que foi escrita a Bíblia. Isto nem sempre é possível, mas é um dos mais úteis, talvez o mais útil auxílio para o pregador.
  • Conhecimento das ciências de interpretação e exposição. A hermenêutica ensina os princípios da interpretação e a exegese é a ciência da exposição.
  • Conhecimentos geográficos. Tanto a geografia bíblica, quanto a geografia moderna são de utilidade ao pregador.

3. As ferramentas do pregador

  • A Bíblia é uma grande caixa de ferramentas que devem ser sabiamente usadas de modo adequado a cada necessidade. É impossível pensar no pregador do Evangelho sem a Bíblia.
  • Comentários bíblicos. Estes ajudam a entender o texto bíblico. É preciso cuidado na escolha dos mesmos, pois devemos procurar comentários que sejam fiéis à sã doutrina.
  • Dicionário bíblico. Este explica os termos bíblicos e dá informações doutrinárias, geográficas ou históricas. Também neste caso é preciso escolher o livro de confiança.
  • Livros de cunho espiritual: doutrinários, devocionais, históricos, biográficos ou apologéticos (escritos em defesa da Verdade). Todos eles instruem e inspiram.
  • Dicionário da língua portuguesa.
  • Livros seculares: História, geografia, filosofia e ciências, cuidadosamente selecionados, podem proporcionar instrução que auxiliem o pregador em sua tarefa.
  • Freqüência às reuniões, a fim de aprender através do ensino e experiência de outros irmãos.
  • Nada disto terá o mínimo valor, se faltarem ao pregador as qualidades espirituais exigidas por Deus para o desempenho do seu serviço.

 

autor: Luiz Soares.
Mensagens

A Participação Dos Obreiros No Serviço De Deus - 3

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

1 Timóteo 2.15; 1 Coríntios 14.40

Transcrito por Hacy Senghi Soares

Este estudo não tem em vista a parte técnica propriamente dita da homilética, isto é, a arte de preparar e apresentar sermões. O que temos em mira nesta série de estudos é apresentar ao leitor algumas sugestões práticas que poderão ajudá-lo a participar publicamente com maior acerto nas várias reuniões da igreja, para maior proveito de todos. Quem toma parte pública nas reuniões precisa saber qual é a reunião de que está participando, a fim de que as suas expressões sejam apropriadas a cada ocasião.

O leitor não encontrará aqui um comentário das lições, mas um simples esboço, cuja finalidade é ajudá-lo a lembrar-se da matéria apresentada.

6. NOÇÕES GERAIS SOBRE O SERMÃO

O vocábulo vem do latim, “sermone”, onde tem o sentido de “conversação”. Hoje tem como sentido principal um discurso ou prédica de cunho religioso. É o seguinte o critério geral de classificação do sermão:

  • Quanto à MATÉRIA, pode ser doutrinário, tipológico (tratando dos tipos bíblicos e suas aplicações), histórico, profético (enfocando as mensagens proféticas), escatológico (tratando das últimas coisas: morte, ressurreição, volta do Senhor, juízo, fim da era e estado eterno), ou biográfico.
  • Quanto à FINALIDADE, pode ser didático (visando ao ensino), exortativo, evangelístico ou apologético (em defesa da Verdade). Às vezes, em reuniões mistas, podem ser combinadas as finalidades didática e evangelística.
  • Quanto à FORMA, pode ser expositivo, textual ou tópico, que são as formas mais comuns e, por isso, mais práticas. Explicaremos isto nas “Considerações Finais”.

7. A ELABORAÇÃO DO SERMÃO

O sermão simples compõe-se de três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

  • Na INTRODUÇÃO o pregador anuncia o seu assunto e procura preparar os seus ouvintes, despertando neles o interesse pela mensagem que vai ser apresentada.
  • No DESENVOLVIMENTO deve o pregador argumentar, comprovar e esclarecer o texto, passagem ou tema proposto. Para isto pode usar ilustrações, que podem ser extraídas tanto da Bíblia, quanto da História, de fatos da época ou de histórias hipotéticas que possam tornar mais claras as lições que ele queira transmitir. Cuidado para não tomar a maior parte do tempo com ilustrações, nem apresentar ilustrações que antes compliquem do que ajudem o entendimento do ouvinte. Deve também dividir o assunto, dando título a cada divisão, e subdividi-lo para efeito de explicação de cada título. Tais divisões podem ser anunciadas na introdução e, neste caso, têm de ser seguidas para não frustrar o ouvinte.
  • A CONCLUSÃO é a aplicação prática das verdades apresentadas. Ela apela ao ouvinte para aceitá-las e agir de acordo com elas. O alvo de uma pregação é confirmado na conclusão, a qual pode ser precedida de uma breve recapitulação.

8. A ESQUEMATIZAÇÃO DO SERMÃO

  • Descobrir pela pesquisa, meditação e oração, o assunto, texto ou passagem que deseja focalizar. “Que quer o Senhor que eu diga?”
  • Ler várias vezes o trecho e anotar todos os pensamentos que sobre ele ocorra. Procurar no dicionário bíblico e no de português, o sentido das palavras não entendidas.
  • Relacionar os pensamentos e formar com eles as devidas divisões e subdivisões, selecionando as ilustrações, caso sejam necessárias. Isto deve ser feito tendo em vista o alvo da mensagem, que deve ser naturalmente alcançado na conclusão.
  • Veja o primeiro sermão nas “Considerações Finais”. No trecho indicado (1 João 3.11-18) percebe-se facilmente que o tema dominante é o amor e no v. 18 temos uma excelente sugestão temática: “Exortação ao amor”. Vamos elaborá-lo juntos: 
    V. 11 – “Amai-vos uns aos outros” é uma mensagem ouvida desde o princípio. Portanto, há muitos anos. 
    V. 12 – Caim, por não amar, matou a seu irmão. Nisto ficou provado que ele não era de Deus, mas do maligno. 
    Vv. 13-15 – É natural que o mundo odeie o crente, mas este, por ser crente, deve naturalmente amar, pois do contrário permanece na morte, é assassino e não tem a vida eterna. 
    V. 16 – Cristo mostrou-nos Seu amor ao dar a Sua vida por nós e isto deve inspirar-nos a fazer o mesmo pelos irmãos. 
    Vv. 17-18 – Se amamos verdadeiramente nossos irmãos, não vamos abandoná-los quando eles mais precisam de nós, pois isto prova que o amor de Deus não está em nós.Tal tipo de amor é falso, pois é só “de palavra e de língua”.
  • Examine a seguir, o esboço “Exortação ao Amor” e veja como o sermão foi estruturado ao redor destes pensamentos, evoluindo numa seqüência natural até chegar à conclusão. E é bom notar que a conclusão, neste caso, foi tirada do próprio trecho, constituindo-se na sua última divisão.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Temos procurado apresentar apenas breves sugestões e noções gerais que podem ser úteis ao pregador no preparo de seus sermões; por isto não temos nos alongado em explicações complicadas, que somente poderiam ser apreendidas por quem possui um preparo acadêmico.

Cabe-nos, agora, apresentar algumas sugestões sobre a apresentação do sermão, explicar as três formas de sermão que foram mencionadas e apresentar um exemplo de esboço para cada uma daquelas formas.

1 – RECOMENDAÇÕES:

Não deve o mensageiro dar uma longa explicação do que será o seu sermão antes de ler o trecho no qual o mesmo será baseado, pois ele posteriormente terá de repetir tudo. As explicações preliminares devem ser dadas na introdução.

O pregador deve sempre estabelecer um alvo para a sua mensagem e nunca ficar rodeando por toda a Bíblia falando de todos os assuntos sem deixar uma mensagem definida. Sua pregação deve levar o ouvinte a uma conclusão. Por isso ele precisa fazer uma introdução e desenvolver o tema ou trecho proposto, para então, encerrar com as lições, exortações ou apelos cabíveis.

Convém evitar a “conclusão falsa”. Quando anunciar a conclusão, não comece uma nova pregação, conclua. Uma recapitulação resumida dos pontos apresentados é sempre boa, mas só isso. Evite apelos excessivos e violentos. Deixe ao Espírito Santo a tarefa que Lhe pertence, de convencer as almas. Um apelo discreto pode ter cabimento, se Deus assim dirige, mas não se deve forçar as emoções dos ouvintes, provocando falsas decisões.

2 - FORMAS GERAIS DO SERMÃO:

Podemos classificar os sermões genericamente em três formas principais:

  • Expositivo – trata-se da exposição de uma passagem da Palavra, apresentando as verdades nela contidas.
  • Textual – é o sermão baseado num trecho curto ou num só versículo da Palavra.
  • Tópico - é o sermão em torno de uma doutrina, tema ou personagem.

Esta classificação é, naturalmente resumida, apresentando apenas a idéia geral.

3 - EXEMPLOS DE SERMÕES ESBOÇADOS:

O primeiro exemplo é expositivo, o segundo textual e o terceiro tópico.

─ EXORTAÇÃO AO AMOR – 1 João 3.11-18

Introdução: O mundo é indiferente para com as necessidades do seu semelhante, embora fale em amor. Precisamos impedir que esse espírito nos domine. O texto ensina:

I – O AMOR É UMA MENSAGEM ANTIGA – (v. 11)

  • Deus o ensinara através de Moisés – (Levítico 19.18)
  • Cristo o praticara e ensinara enfaticamente aos discípulos – (João 13.34-35; 15.8-17)
  • Quer se referisse à Lei, quer ao ensino de Cristo, era mensagem antiga. Já tinha pelo menos cinqüenta anos.

II – O AMOR PÕE À PROVA A REALIDADE DA CONVERSÃO – (vv. 12-15)

  • Quem ama é de Deus, quem não ama é do maligno. É uma prova concreta (v. 12).
  • Não é conhecimento, nem serviço, mas é o amor que indica se somos filhos de Deus (vv. 14-15; João 13.34-35).
  • O mundo odeia naturalmente; o cristão deve amar naturalmente (v. 13).

III – CRISTO É A MAIS EXPRESSIVA MANIFESTAÇÃO DE AMOR – (v. 16)

  • O Seu amor é o maior de  todos – (João 15.13).
  • Manifestou-se de modo prático – “Deu a vida por nós!”
  • Deve ser imitado – “Devemos dar a vida pelos irmãos”. Ele é nosso Exemplo!

 IV - A CONCLUSÃO LÓGICA – (vv 17-18)

  • O amor é prático. Manifesta-se em obras de beneficência em favor do semelhante.
  • Não é mero tema de poesia ou cântico – “de palavra e de língua”, mas é ação proveniente de um coração regenerado – “de fato e de verdade”.

─ CRISTO NO MEIO – João 20.19-21

Introdução – Cristo deve ocupar o centro de nossas afeições e empreendimentos.

I – NO MEIO REVELANDO PODER

  • Poder que O levantou do túmulo.
  • Que Lhe permitiu passar pelas portas trancadas, varando as paredes.
  • Poder que Ele quer comunicar a todos quantos O recebem.

II – NO MEIO OUTORGANDO PAZ

  • Nos Seus lábios era mais que mera saudação. Ele pode dar paz aos homens.
  • Paz prometida – (João 14.27).
  • Paz conquistada pela cruz – (Colossenses 1.20; Efésios 2.14), “mãos e pés”, as “credenciais”.
  • Com Ele “no meio” há paz verdadeira.

III - NO MEIO INFUNDINDO ALEGRIA

  • “Vendo-O, alegraram-se os discípulos”.
  • A alegria da Sua presença espanta todo o temor. Esqueceram-se dos perigos.
  • Somente com Ele “no meio” pode haver alegria verdadeira.

─ O REAVIVAMENTO

Introdução – Ninguém ousaria negar a urgente necessidade de reavivamento espiritual em nossos dias. É preciso, porém, que o procuremos na fonte certa e pelo caminho certo.

I – SUA NECESSIDADE

  • Há acentuado desinteresse pelas coisas de Deus. Religião domingueira para salvar aparências; participação rotineira e meramente formal; superficialidade. Deus não está satisfeito – (Isaías 1.10-15; 29.13).
  • Falta espírito de renúncia. Há inversão da ordem: “CRISTO, os irmãos e eu”. O “eu” quer predominar e ser honrado. Negócios, diversões e conforto estão ocupando o primeiro lugar. Deus condena esse espírito (Ageu 1.4). Há rixas e contendas, inimizades pessoais, contrariando Romanos 12.8 e Efésios 4.2. Está faltando uma ENTREGA TOTAL (Filipenses 3.8-10; Gálatas 2.19-20).
  • Falta paixão pela causa de Deus. 1 - Pelas almas perdidas (Romanos 1.14-16; 1 Coríntios 9.16). 2 - Pela edificação dos santos (Filipenses 1.12-14; 20-25; Gálatas 4.19-20).
  • Há indiferença: Que é que tem? (Malaquias 1.6: 2.17; Apocalipse 3.17).
  • Falta exemplo das lideranças (1 Pedro 5.1-4). Falta coragem para denunciar o mal e o mundanismo.

II – O SEU CAMINHO

  • Tem de começar no indivíduo (Isaías 6.5-8).
  • Tem de começar de dentro para fora.
  • Tem de resultar de um profundo senso de culpa, seguido de sincero arrependimento (Salmo 51.1-6; Daniel 9.5, 6, 13).

III – OS SEUS AGENTES

  • A Palavra de Deus – Não há possibilidade de reavivamento genuíno à margem da Bíblia (2 Timóteo 3.14-16; Neemias 8.5-9).
  • O Espírito Santo – Os mesmos agentes da regeneração são os agentes do reavivamento (Zacarias 4.6; Efésios 5.18-20).

 

 

autor: Luiz Soares.
Mensagens

A provisão de Deus para a nossa cura

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

UM DIÁLOGO ENTRE IRMÃOS

Meu querido irmão, não peça desculpas! É sempre muito bom poder dialogar com você, mesmo naqueles pontos onde temos uma visão diferente do ensino bíblico. Sabemos que ambos somos nascidos de novo, feitos filhos de Deus e viveremos eternamente, tudo pela graça e amor manifestados por Deus, na pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e isto é o que há de mais importante em nosso relacionamento, isto é o essencial. De resto, onde por ventura discordamos, manteremos o respeito mútuo, sabendo que nenhum dos dois tem o monopólio da verdade.

Reli os dois trechos mencionados por você (Is.53:1-6 e Mt.8:14-17). Creio que podemos concordar que Isaías profeticamente está apontando para a pessoa do Messias que viria ao mundo para SALVAR (vv. 5-6): "traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades... fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos", ou seja, o Messias pagaria o preço pelas nossas "transgressões e iniquidades" (nossos pecados), esta seria a Sua MISSÃO, nada tendo a ver com a cura de uma enfermidade.

Nos versículos anteriores de Isaías, vemos a descrição que identificaria o Messias vivo e, no versículo 4, citado por você, sinais que provariam que Ele era o Messias, aliás, o que está reforçado pelo início do versículo 17 de Mateus 8: "Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías...". As curas (e os outros milagres, como ressurreição de mortos, acalmar as tempestades, etc) que o Senhor Jesus realizou, foram sinais para provar que Ele era o Messias prometido pelos profetas do Velho Testamento, e o Seu poder para realizá-los, que viria para cumprir a Sua real missão: perdoar pecadores. Veja Mateus 9:6 e 11:2-5, onde Jesus prova para João Batista que ele era o Messias profetizado, citando o cumprimento da profecia de Isaías 35:5.

Não há, em qualquer parte da Palavra, uma promessa de Deus de que Seus filhos nunca ficariam doentes, ou não morreriam em função de uma doença, ou que o Senhor Jesus morreria na cruz para nos livrar de doenças físicas. As pregações do Evangelho registradas nas escrituras, e em todo ensino do Novo Testamento, estão centradas nos temas de Arrependimento, Conversão, Fé e Salvação dos pecados, pela graça de Deus.

Em nenhuma pregação há indicação de libertação de doenças, ou de dificuldades, bem diferente do que vemos nas pregações televisivas de hoje em dia, onde passa a ser a parte central da pregação, junto com a prosperidade material, harmonia conjugal, etc. Ao contrário, somos alertados que neste mundo teremos tribulações (e a doença é uma delas), passaremos por dificuldades, seremos perseguidos, etc. Em suas epístolas, vemos Paulo relatando que Timóteo tinha problemas gástricos e "freqüentes enfermidades" (1Tm.5:23), que ele próprio provavelmente tinha problemas de visão (Gl.6:11) e que "Trófimo estava doente em Mileto" (2Tm.4:20).

Por outro lado, podemos pedir a Deus que cure uma pessoa doente? Claro, lógico que sim! Somos exortados a isto! E provamos nossa fé no poder de nosso Deus ao solicitarmos isto d’Ele. Como diz Tiago: "muito pode em sua eficácia a oração de um justo". Portanto, continue a orar por mim!

Muitas vezes, porém, não faz parte do plano de Deus curar aquela pessoa: pode ser o plano d’Ele mantê-la doente aqui na terra ou até mesmo faz parte de Seu plano promovê-la à glória celestial. A certeza que temos é que estamos nas mãos de um Pai amoroso e que irá fazer tudo para cooperar para o nosso bem.

Em resumo: A cura de doenças não é, e nem deve ser, o tema central de nossa pregação; tão pouco a razão pela qual o Senhor Jesus veio ao mundo, morreu, ressuscitou, subiu aos céus e voltará; Deus nunca prometeu que não teríamos doenças ou, quando as tivéssemos, que Ele Se sentiria obrigado a nos curar, mediante nosso pedido (hoje em dia, segundo alguns, “nossa ordem"…).

Um grande abraço do seu irmão na fé em nosso Senhor Jesus Cristo!

autor: William Paulo Jones.
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A segunda vinda do Senhor

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

Apocalipse 19:11-16; 20:4-6

N.R. — A cada novo ano as pessoas renovam suas esperanças na expectativa que tudo de bom ocorrerá no próximo ano, porém sabemos que isso não é verdadeiro, pois tudo o mais é constante e nada há de mágico em cada virada de ano, a não ser para os supersticiosos. Por isso, em todos os momentos da nossa vida devemos fixar a nossa esperança exclusivamente em nosso amado Redentor que nos deixou a certeza que nos arrebatará ao Seu regaço. Por oportuno, transcrevemos a inspirada mensagem da lavra do nosso amado e saudoso irmão Ricardo Jones, escrita há mais de 40 anos, porém de notável atualidade. “Vem, Senhor Jesus”.

Além da certeza da salvação para todo crente em Cristo, encontramos na Bíblia um outro fato igualmente salientado: a segunda vinda do Senhor Jesus ao mundo. Esta segunda vinda é a grande esperança da igreja, trazendo a consumação de todas as promessas e a coroação de todo o trabalho evangélico.

"Esse Jesus que dentre vós foi recebido no céu, assim virá do modo como O vistes subir" (Atos 1.11). Aqui temos uma das muitas profecias bíblicas que tratam da segunda vinda do Senhor. Parece que esta vinda será em duas etapas – primeiramente para arrebatar ao céu a Sua Igreja (1 Tessalonicenses 4.13-17), e depois para reinar pessoalmente sobre a terra como "Rei dos reis e Senhor dos senhores". Assim como foram cumpridas as profecias acerca da Sua encarnação, crucificação e ressurreição, assim também serão cumpridas perfeitamente as palavras a respeito da Sua segunda vinda, ainda futura.

Os problemas encarados hoje pelo mundo inteiro só podem ser resolvidos pelo Seu glorioso aparecimento para reinar como Rei sobre esta terra. Desmorona-se toda forma de governo. Desenvolve-se rapidamente o mistério da iniqüidade (2 Tessalonicenses 2.7). O homem torna-se cada vez mais impotente contra o terrorismo, o crime e a violência. "Sobre a terra há angústia das nações em perplexidade" (Lucas 21.25).

Porém a Bíblia nos diz que virá um verdadeiro Governo, estabelecido e mantido pelo Cristo que o mundo rejeitou. Ele, sim, ocupará o trono do mundo inteiro, e será coroado Rei dos reis; todos os reinos da terra se tornarão o reino Dele (Apocalipse 11.15).

Malograram-se todos os esforços humanos para evitar guerras; a paz na terra só poderá realizar-se por meio do Homem que é o Príncipe da Paz (Is 9.6). Antes da volta Dele, não haverá paz, mas quando Cristo vier "as nações não mais aprenderão a fazer guerra". Ele tratará da pobreza, da injustiça e da opressão. A Sua volta em poder e grande glória é a única esperança de ter-se um mundo melhor. É uma esperança certa; não poderá falhar, pois é a promessa de Deus.

O Senhor Jesus voltará para reinar em justiça. Então, os problemas de nosso mundo pecaminoso e rebelde – guerra, ódio, injustiça, avareza, impureza, ignorância – serão resolvidos, mas não pelo esforço humano.

A segunda vinda do Senhor não é, como alguns pensam, a Sua conquista do mundo pelo Evangelho. Sem dúvida, as vitórias do Evangelho têm sido gloriosas, porém não são de modo algum universais e não representam o que a Bíblia diz da segunda vinda de Cristo ao mundo.

Esta vinda será corporal, visível e gloriosa. "Todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória" (Mateus 24.30). A Sua volta será mais assombrosa que a Sua ressurreição, mais significante do que o batismo no Espírito Santo, mais assustadora do que a trasladação da igreja; este acontecimento – a trasladação – não é a segunda vinda do Senhor, mas sim o primeiro passo dessa vinda. Os que tiverem parte na trasladação (1 Tessalonicenses 4.16-17) serão manifestados com Cristo na Sua volta em glória (Colossenses 3.4; Judas 14; Apocalipse 19.14; Zacarias 14.5).

É esta manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo que é a "bendita esperança" da igreja (Tito 2.13). Nesta segunda vinda do Senhor, será completada a "primeira ressurreição", que é a da vida (Apocalipse 20.5; João 5.29) e que inclui a do próprio Cristo (1 Coríntios 15.20), de "muitos corpos de santos", (Mateus 26.52-53), dos cristãos (1 Tessalonicenses 4.16) e dos salvos que morrerão durante o período da grande tribulação (Apocalipse 20.4). Haverá juízo e condenação das nações vivas e rebeldes e o Senhor instituirá o Seu reino milenar na terra.

Pergunta-se freqüentemente: "Haverá período de sete anos entre a trasladação da igreja e a segunda vinda do Senhor?" A resposta é que a Bíblia não ensina tal coisa – nem sete anos, nem quarenta, nem três e meio, nem qualquer período definido. Parece que haverá sim, um certo período de tempo entre a trasladação e a segunda vinda – o período chamado "Dia de Cristo" (Filipenses 1.6; 2 Coríntios 1.14) em que se realizará o "Tribunal de Cristo e de Deus" (Romanos 14.10; 2 Coríntios 5.10) – porém a duração deste período não está declarada na Bíblia; é assunto para investigação espiritual.

A segunda vinda do Senhor marcará o "fechamento da porta" para a salvação dos pecadores incrédulos (Lucas 13.25); até aquele momento "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Joel 2.32; Atos 2.21; Romanos 1.13). Isto não quer dizer que aqueles que rejeitam ou negligenciam a salvação hoje, terão oportunidade depois da trasladação – pois como sabem se viverão até a trasladação, ou mesmo até amanhã?

Que é que significa para nós, o Seu povo, a segunda vinda do Senhor? Qual o seu efeito prático em nossa vida? "Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é" (1 João 3.2). O primeiro efeito de tudo isto deve ser que "todo aquele que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo" (1 João 3.3).

A segunda vinda de Cristo deve incitar-nos à maior santidade, pois o grande motivo da nossa salvação é que sejamos puros de coração e de vida (Números 15.40; 1 Pedro 1.15-16). "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hebreus 12.14).

Também a segunda vinda do Senhor deve dar-nos maior zelo em evangelizar os outros. Quantos há que ainda confiam em sua religião tradicional ou que nutrem idéias de aniquilação ou de reencarnação e não querem converter-se a Cristo! Além da morte, ou depois da Sua vinda, não haverá a menor possibilidade de salvação para os que rejeitaram o Evangelho. "Hoje é o dia da salvação" (2 Coríntios 6.2).

Prega a palavra; insta, quer seja oportuno, quer não”! (2 Timóteo 4.2).

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autor: Richard Dawson Jones.
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As necessidades de Saul

O momento culminante da comemoração é a tradicional NOITE DE NATAL, infelizmente, nem sempre é a mais sublime.

Saul ocupa grande parte do 1º Livro de Samuel e sua vida é repleta de lições para todos nós. Seu primeiro contato com Samuel, à primeira vista, parece por acaso. Entretanto, tratando-se da Palavra de Deus, o que sentimos é a providência do Senhor. Deus transformou uma situação corriqueira muito comum naqueles dias – o extravio de algumas jumentas – e, por sugestão de seu servo, a pessoa mais indicada para mostrar-lhes o caminho foi um “vidente”, Samuel. Saul não o conhecia, mas o seu servo o conhecia bem (1Sm.9:6). Eles seguiram à procura da casa de Samuel.

Um dia antes deste encontro, Deus colocou Samuel a par de toda a situação. Nada escapa aos olhos do Senhor. Para nós, um acontecimento corriqueiro, banal, coisas sem importância, mas Deus estava atento a tudo. Deus estava preparando alguém para exercer a chefia do Seu povo.

Há um acontecimento semelhante em Atos dos Apóstolos, capítulo 9, logo após a conversão de Paulo. Ainda no impacto da visão da estrada de Damasco, Deus estava preparando Ananias e contando a história da conversão de Paulo. Quando se encontram, Ananias sabia tudo o que ocorrera. Deus tinha um plano a ser cumprido, não só na vida de Saul, mas também na vida de Saulo de Tarso.

Saul teve Samuel para ajudar-lhe no início de sua carreira, Saulo teve Ananias para fortalecer sua fé. Ambos tiveram os recursos necessários, lamentavelmente Saul não soube utilizá-los, deixando Deus de lado dos seus projetos e terminando seus dias de forma trágica; Paulo, por sua vez, terminou sua carreira “combatendo o bom combate”.

Voltemos aos acontecimentos da nossa meditação. Saul e o servo foram recebidos com honras pelo profeta Samuel e, mais tarde, reservadamente, Samuel revela tudo o que recebera de Deus. E em seguida, unge-o com azeite, como príncipe em Israel, dando-lhe três sinais.

  • O primeiro, (1Sm.10:2), seria o encontro de dois homens que lhe dariam boas notícias: as jumentas de seu pai foram encontradas, e ele não mais estava preocupado por elas. O peso foi retirado, o problema foi solucionado. Saul agora podia cuidar da sua casa sem qualquer impedimento, pois o único problema que surgira fora retirado. Quando Deus deseja usar o servo em Seu serviço, remove os empecilhos e tira os obstáculos a fim de que ele se preocupe somente com as coisas do Reino. Assim fez Deus com Saul, numa tentativa de que seus olhos fossem abertos para as providências de Deus. Assim Deus deseja fazer com cada servo em Sua Seara, removendo problemas e preocupações sem conta, ou ensinando-o a descansar em Suas providências, a fim de que o trabalho venha a ser executado com sucesso. É exatamente o mesmo critério executado por grandes empresas, as quais colocam profissionais competentes para resolverem problemas pessoais e familiares de seus funcionários, com vistas a uma produtividade melhor.
  • O segundo sinal (1Sm.10:3), seria o encontro de três homens que subiam à casa de Deus levando oferendas em suas mãos. O primeiro levaria três cabritos, o segundo três bolos de pão e o terceiro um odre de vinho. Após o saudarem, um deles lhe daria dois pães. Assim sucedeu. Além de confirmar Sua Palavra, Deus desejava ensinar Seu servo que em sua nova atividade o povo iria ajudá-lo. Assim sucedia com o rei naqueles tempos, recebendo presentes do povo (1Sm.10:27). Lembro-me de irmãos que foram supridos de alimentos e outros bens pelo povo de Deus, notadamente quando o ministério era desenvolvido em áreas rurais. Não lhes faltavam farinha, arroz, mandioca e tantos alimentos extraídos da terra. Como é agradável aos olhos do Senhor esta disposição dos seus santos. Será que estamos agindo da mesma forma? Recebendo com alegria o sustento que vem do povo de Deus, ou abrindo as portas do nosso celeiro, quer em bens comestíveis ou financeiros? Assim, Deus quis mostrar ao seu servo Saul, que toda ajuda material seria enviada por Ele através do Seu povo.
  • O terceiro sinal (1Sm.10:5) seria o encontro de profetas que vinham trazendo instrumentos musicais e, também, profetizando. Eram homens alegres que confiavam em Deus e que conheciam os Seus propósitos. Assim que Saul os encontrou, o Espírito do Senhor apoderou-Se dele, passando a profetizar com eles com um coração totalmente transformado.

Que experiência notável! No primeiro sinal, Deus soluciona seu problema; no segundo Deus supre suas necessidades materiais através daqueles homens, mas neste sinal Deus supre suas necessidades espirituais. Saul agora deveria ser um homem dirigido pelo Espírito do Senhor. Quão diferente era até tão pouco tempo, quando buscava as jumentas perdidas. Não havia qualquer iniciativa, deixando as decisões por conta do seu servo; não reunia condições para presentear o profeta (1Sm.9:7), servindo-se dos recursos pertencentes ao seu servo (1Sm.9:8).

Mas agora Saul era outro homem, ciente de que Deus possuía recursos infindáveis para o desenvolvimento de seu trabalho. É deveras triste que tão pouco desfrutou e dependeu dos recursos oferecidos por Deus. Os recursos de Deus são ilimitados!

Hoje Deus age da mesma forma, a fim de que o servo venha a desenvolver com alegria o seu trabalho. Claro que as dificuldades existem, mas Ele deseja estar sempre à frente suprindo as necessidades, quer sejam elas familiares, materiais ou espirituais. Como servos, que confiemos nas providências do Senhor, pois desta forma o Seu Reino se expandirá, e Ele será exaltado em cada coração. Que o Senhor da Seara nos abençoe!

autor: Orlando Arraz Maz.
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Avançai!

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

Há duas entidades neste mundo que sofrem os ataques ininterruptos e ferozes de satanás, a saber, o lar e a igreja. O lar é uma instituição desde a criação e a igreja, a noiva, é o resultado da obra redentora da Cruz.

Não há dúvida de que o inimigo foi muito bem sucedido em destruir o LAR, e os resultados são vistos por todos os lados no mundo inteiro. A violência, o desespero, o divórcio, a depressão, as crianças de rua são resultados, na maioria, do abandono da SANTIDADE DO LAR. Como satanás deve estar satisfeito ao ver o estrago feito por ele mesmo no lar!

Que diremos, irmãos, acerca dos seus ataques contra a igreja? Não estou falando das religiões, mas dos seus ataques contra o que o Senhor Jesus descreve como sendo "A MINHA IGREJA". Graças a Deus, o próprio Senhor nos anima por dizer que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt.16:18).

Irmãos, as palavras do Senhor nos incentivam porque a Sua Palavra e o Seu Plano NÃO PODEM FALHAR. Mas lamentamos os desentendimentos entre nós, a maneira como alguns alegam que estão "batalhando pela fé", e ao mesmo tempo dividem igrejas. Como podemos explicar a facilidade que alguns têm em deixar os ensinos do Novo Testamento, e introduzir novidades que realmente não têm base nem lógica perante os ensinos do Novo Testamento, mas alegam que NÓS TEMOS DE AVANÇAR. Tais pensamentos produzem a polarização das igrejas.

Creio que a resposta é "um inimigo é quem fez isso" (Mt.13:27). É o mesmo inimigo que agiu no Velho Testamento como disse Paulo: "Temo que assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo" (2Co.11:3).

Irmãos, o inimigo sabe que o seu tempo é limitado e que ele tem que agir com rapidez e astúcia, ele não se importa com quem usa para alcançar o seu desejo, mas o seu objetivo é o mesmo, ANULAR O TESTEMUNHO da igreja e TIRAR A NOSSA VISÃO do Senhor Jesus Cristo.

Concordamos com o fato de que devemos AVANÇAR. Avançar no conhecimento do nosso amado Senhor Jesus, avançar em santidade, avançar, e muito, na proclamação do Evangelho no mundo. Sim, devemos avançar SEM ABANDONAR A NOSSA IDENTIDADE e, ao mesmo tempo, desejar sermos IGUAIS A TODOS, ao ponto de pedirmos um outro rei, como Israel nos dias de Samuel (1Sm.8:5).

Estamos iniciando um novo ano, 2004, na história da humanidade, evidente é que nós vivemos um momento importante no nosso testemunho. Nós recebemos, da geração passada, um BASTÃO de ensino MARAVILHOSO, que alguns chamam "a herança cristã". O dever nosso é entregar o BASTÃO "da herança" para a geração futura, sem deixá-lo cair.

Assim diz o Senhor: "Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas" (Jr.6:16). Este é verdadeiramente o caminho de bênção, de AVANÇO.

Que Deus nos ajude a segui-Lo para Sua glória e o nosso bem estar espiritual.

"Senhor, anelo a Ti seguir e sempre a cruz levar,
De dia em dia amar-Te a Ti, viver pra Te agradar.
Oh, dá-me sempre a conhecer a vida nova assim;
Não seja eu mais que viva aqui, mas Tu, ó Cristo, em mim".

Hinos & Cânticos, 364

autor: James D Crawford.
Mensagens

Batizados em Cristo

Adoração é a mais elevada ocupação da Igreja de Deus e do crente de forma individual. O Senhor não procura evangelistas, pastores ou mestres, pois estes Ele os dá à Igreja, mas procura “Adoradores” (João 4:23).

Muito tem se falado acerca do batismo com “água,” e suas formas, pelo “fogo” e pelo “Espírito Santo”, todavia desejo nesta oportunidade considerar apenas o significado da palavra “batismo”. Por definição, nas Escrituras, batismo significa “identificação” com uma pessoa ou com a sua obra.

Em 1 Coríntios 10:1-5, o apóstolo Paulo, buscando os exemplos da história de Israel, afirma que outrora todos foram batizados em Moisés, isto é, identificados na pessoa de Moisés; todos participaram das figuras: nuvem, mar, maná e água da Rocha; porém Deus não Se agradou da maior parte deles. Por que Deus não se agradou deles? Não foram todos identificados em Moisés? Moisés não via a face de Deus?

O texto revela que eles foram reprovados porque se identificaram apenas com as figuras daquilo que era o verdadeiro, ou seja, com o líder Moisés e não com o Deus de Moisés. O Salmo 78 se refere a esse período no deserto com expressões muito fortes: “tentaram a Deus nos seus corações” (v.18); “falaram contra Deus” (v.19); “não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação” (v.22). Seus corações se voltaram para o Egito. A maioria nunca assumiu o compromisso de lutar pela promessa de Deus. Foram batizados na pessoa de Moisés, mas não na sua obra, obra que Deus lhe deu a fazer.

O Novo Testamento apresenta a nossa identificação com Adão, com suas obras e, conseqüentemente, com a sua herança (1 Coríntios 15:21-23 e 47-49). Observamos isso nas seguintes afirmações: “Porque assim como a morte veio por um homem ... assim como Adão todos morrem ... o primeiro homem, Adão, é terreno ... tais são também os demais homens ... e, assim, trouxemos a imagem do que é terreno”.

Deus em Seu plano eterno para nos livrar dessa “identificação” em Adão, decidiu enviar Seu Filho para Se identificar conosco e para que fôssemos identificados com Ele. Ele Se identificou com a nossa natureza humana (Isaías 53), no aspecto físico tornou-Se homem de dores e experimentado nos trabalhos; em Sua alma sentiu o desprezo, pois foi o mais rejeitado entre os homens e de quem escondiam o rosto, “era desprezado ... e não fizemos dele caso algum”, nos diz Isaías; no sentido espiritual, ao receber sobre Si os nossos pecados, Ele Se fez pecado por nós e, portanto, o maior pecador. O Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos, Ele assumiu sobre Si toda a penalidade dos nossos pecados.

Quando Cristo venceu a morte Ele o fez para que fôssemos identificados nEle e não mais em Adão. Ele foi batizado em nosso estado físico, em nossas culpas, em nosso juízo de fogo e no nosso Hades (1Pedro 3:19), porém Ele venceu a morte para que nEle sejamos batizados.

Em 1 Coríntios 15:20-21 lemos: “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem”. Somos chamados a nos identificar com Cristo em dois aspectos:

  1. Posicional – Pela fé em Sua obra perfeita somos elevados da posição de homem terreno para homem do céu (v.47). Em Colossenses (3:3) a palavra diz: ”Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”; em Efésios, “nele ... fomos também feitos herança” (1:11) ... “e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (2:6). Será que ainda temos dúvidas sobre a nossa elevada posição em Cristo? Pena que, na prática, a maioria não adquira a viva consciência dessa posição pessoal. 

    Nesse ponto, de certa forma, estamos em estado semelhante ao povo de Israel quando saiu do Egito. Deus lhes chamava de filhos; foram redimidos do poder do Egito como nós do poder de satanás; foram identificados com a presença de Deus nas figuras de Cristo que os seguia, “e a pedra era Cristo”, mas não O conheceram e por isso foram reprovados. 

    Em 2 Coríntios 13:5 lemos: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”. Reprovados em quê? No versículo 6, Paulo assevera: “espero que reconheçais que não somos reprovados”.

    Pelo “novo nascimento” fomos batizados em Cristo quanto à nossa posição de “aprovados”, entretanto precisamos considerar não apenas a nossa posição, mas a nossa relação, pois nesse sentido, quanto às obras, ainda vamos passar pelo “batismo do fogo” e poderemos ser reprovados (1 Coríntios 3:13).

  2. Relacional – É o segundo aspecto da nossa identificação com Cristo. Israel tinha a posição, mas não aprendeu a relacionar-se com Deus; ficaram presos às figuras, “mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto”. Não tinham visão espiritual. Creio que podemos afirmar que o Senhor não Se agrada de grande parte daqueles que estão posicionados em Cristo pela mesma razão que O levou a não Se agradar de Israel, pois perdemos a visão da “realidade”, estamos presos às figuras. 

    Mas o que é a realidade? A realidade não é o aparente e nem o que é deste tempo. A nossa realidade está no Céu e por isso Paulo diz, em Colossenses 3:1-2, “portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”. 

    A luz que hoje vemos não é a realidade, a verdadeira luz é Cristo. Quando partirmos, a luz desta vida não poderá mais nos servir; as riquezas que hoje possuímos não são as verdadeiras riquezas, não poderemos levar nada dessa riqueza para a eternidade; o alimento que hoje nos alimenta não é o verdadeiro, pois Cristo é o Pão da Vida, precisamos comer dEle, nos saciar nEle; a água que hoje sacia a nossa sede não é a verdadeira, Cristo é Água da Vida. Por que tantos crentes ainda estão vazios e insatisfeitos murmurando e se identificando mais com o Egito do que com a terra de Deus?

Essas figuras foram-nos deixadas para que possamos buscar e pensar naquilo que é verdadeiro, mas em vez disso muitos cristãos estão presos às figuras e seus corações se “voltam” para o Egito.

Podemos fazer um teste simples para verificar a nossa realidade: Basta-nos perguntar onde está o nosso investimento! Em quê investimos nosso tempo? Onde investimos nossas riquezas?

Para que em nosso rosto brilhe a imagem de Cristo (Romanos 8:29), e sejamos criados em Cristo à imagem de Deus, é necessário termos sido “batizados em Cristo” nestes dois aspectos: Posicional e Relacional. Foi assim que aconteceu conosco quando um dia descemos às águas, símbolo do batismo em Cristo? Tínhamos consciência de que não simbolizava somente a mudança de posição, mas também a nossa relação com Ele?

Se já fomos “batizados em Cristo” estejamos revestidos de Cristo, com viva participação nas realidades eternas. Amém!

autor: Claudio Martinowski.
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O que importa é vencer

Quem não conhece a história do profeta Jonas? Todos a conhecem pelo grande peixe que o engoliu, o levou às profundezas do mar, e depois o vomitou na praia. Entretanto, poucos conhecem o milagre da aboboreira.

...somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”

Romanos 8:37

Por todas as partes do mundo, o assunto prioritário a empolgar as massas é a realização das Olimpíadas. Depois de longa e cuidadosa preparação, muitos países, preliminarmente selecionados, se empregam ao máximo para conseguir a tão almejada vitória final. Todos os meios de comunicação se preparam para transmitir cada competição, a todos os cantos da terra, como fato prioritário! Multidões mudam a rotina do dia a dia, fixando-se firmemente nas telas da televisão e nas transmissões radiofônicas que se espalham por toda parte, participando do inusitado evento e torcendo com ardoroso entusiasmo para que o seu país seja vitorioso, em cada etapa e no final do evento esportivo. E a cada conquista segue-se uma movimentação louca e aturdida que, muitas vezes, ultrapassa os limites da normalidade. É a euforia dos que se sentem “mais que vencedores”.  E, assim, a história se repete, como se essa vitória periódica, tão ambicionada, fosse a mais importante a contemplar no cenário humano! Que triste ilusão!

  1. No texto em Romanos 8:37 (leia Romanos 8:28-31), que acima mencionamos, Paulo faz alusão a uma “vitória” que é incomparável. No contexto eufórico destes dias, fui levado a meditar nessa extraordinária menção paulina, que expõe, com invulgar clareza, a segurança de uma “vitória” que nos foi outorgada pelo amor de Deus, através da fiel atuação redentora do Seu Filho bendito, o Senhor Jesus Cristo. Em que consiste essa “vitória”?
  2. Uma vitória planejada por Deus– Paulo nos ensina aí que podemos ter a certeza de que tudo quanto nos acontece opera para o nosso próprio bem, se amarmos a Deus e estivermos nos ajustando aos Seus soberanos e eternos planos. A presciência de Deus, aí mencionada, significa que Ele determinou, desde a eternidade, amar e redimir a raça humana através de Cristo (João 3:16). Se o pecado arruinou o cenário de bênção da criatura de Deus, afastando o homem da Sua comunhão e destinando-o à perdição eterna, Deus mesmo planejou a Redenção do pecador perdido e a sua restauração espiritual, através da vitoriosa obra fielmente realizada por Jesus Cristo, Seu Filho. Esse maravilhoso plano passa pelo nosso “chamamento” (Mateus 11:28), pela nossa justificação (Romanos 5:1) e pela nossa “glorificação”, que, embora futura, é tão certa que pode ser considerada como algo já acontecido.
  3. Uma vitória conquistada – Todos os que entram na competição pretendem conquistar a vitória. Mas só um a conquista.  Como diz Paulo, em 1 Coríntios 9:24... “todos na verdade correm, mas um só leva o prêmio”. A “vitória” que Deus planejou para nós foi efetivamente conquistada. Se Deus está do nosso lado, quem é que pode estar contra nós? Não foi fácil conquistá-la, mas o Senhor Jesus a conquistou apesar do preço que teve que pagar (1 Pedro 1:18-19). Deus, em nosso favor, não poupou nem o Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós. E isso nos garante que Ele nos dá o melhor. A conquista da “vitória” de Cristo implicou, não só no efetivo resgate nosso da condenação eterna, mas implica na posse das bênçãos espirituais que nos advêm da condição de redimidos. Ele nos dará juntamente com Ele, de graça, todas as coisas.  Essa “vitória”, conquistada no calvário e no túmulo vazio, foi definitiva e tem valor eterno! Como diz Paulo, em 1 Coríntios 15:54-55... “Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?".
  4. Uma vitória usufruída - O prazer do usufruto de uma vitória é indizível! Nada se compara ao prazer do usufruto da “vitória” planejada por Deus Pai e conquistada pelo Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, para nós! No texto acima Paulo se refere a distintos aspectos do usufruto dessa incomparável “vitória":

a) Imunes à acusação – Ninguém se atreve a nos acusar, pois foi Deus quem nos perdoou, nos justificou e nos outorgou o direito de termos comunhão com Ele;

b) Imunes à condenação – Ninguém nos pode condenar, nem Cristo, porque foi Ele quem morreu por nós e ressuscitou por nossa causa e agora está assentado no lugar de maior honra junto a Deus, rogando por nós lá no céu;

c) Imunes à separação do amor de Cristo – Ninguém jamais pode ocultar de nós o amor de Cristo, razão e força da nossa “vitória”! E aí, Paulo mostra dois fatores tremendos que poderiam operar essa separação: I – Aspectos temporais: as contingências adversas da vida, muitas vezes inevitáveis, como aflições, desventuras, perseguições, fome, falta de dinheiro, perigos, ameaças de morte, nossos temores pelo dia de hoje e nossas preocupações sobre o dia de amanhã; II – Aspectos espirituais (poderes) de maldade: morte, vida, anjos, forças do inferno, altura, profundidade e qualquer outra criatura.

Que esmagadora, definitiva e eterna “vitória” o Senhor nos outorga!

Digamos como Paulo: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15:57).

Para termos plena participação nessa “vitória” exercitemos a nossa firme convicção de Fé nas verdades que Deus nos revela em Sua bendita Palavra. Como afirma João “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5:4).

Nestes dias de euforia, pelas vitórias alcançadas nos estádios terrenos, lembremos que temos uma esmagadora, incomparável e eterna vitória conquistada por Cristo, que nos amou a ponto de morrer por nós!

autor: Jayro Gonçalves.
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Vivendo pela fé

“Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e se retroceder, nele não se compraz a minha alma”

(Hebreus 10:37-38)

 

Essa é sem dúvida a vontade de Deus: Nossa vida espiritual começou pela fé no Senhor Jesus Cristo como nosso único e todo suficiente Salvador.  A salvação se alcança mediante a fé, observemos o que a Palavra do Senhor nos diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8). Não há como sermos salvos por outra maneira, temos que crer somente no Senhor Jesus Cristo, mas se não O vemos como vamos crer em alguém que não vemos?  Aí entra a fé, Pedro disse: “A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória” (1 Pedro 1:8).  Começamos pela fé e devemos continuar essa vida espiritual vivendo pela fé, com uma confiança inabalável naquele que nos salvou, e vive para interceder por cada um de nós. 

Se retroceder é deixar de confiar no Senhor para confiar em nós mesmos, ou mesmo em alguém, ou numa igreja local.  Há muitos anos os religiosos deixaram de confiar no Senhor para viver pelas emoções, se uma reunião não é movimentada, feita com emoções carnais, eles não se interessam por ela, não vivem pela fé, vivem pelas emoções, tiram as emoções e acabou o ânimo espiritual deles.  As religiões mais recentes levam as pessoas a confiarem em objetos tais como água do Rio Jordão, óleo de Jerusalém etc. Isso é retroceder do caminho da fé.  Não devemos esquecer que o Senhor não tem prazer no cristão que deixa de confiar n’Ele. Outros querem trabalhar na obra de Deus, mas querem garantias, como salário fixo, salário família, décimo terceiro, férias etc.

Vamos observar agora algumas pessoas que Deus separou para se dedicarem exclusivamente a Sua obra neste mundo:

1 – O Senhor Jesus Cristo

Nasceu em Belém de Judá (Mateus 2:1), foi criado em Nazaré, uma cidade da Galileia (Mateus 2: 23), viveu uma vida normal como qualquer homem nesta terra, até aos trinta anos trabalhou como carpinteiro (Marcos 6:3). Aos trinta anos foi batizado por João Batista no Rio Jordão (Marcos 1:9), iniciando o Seu ministério público em tempo integral na obra de Deus.

Agora chegamos ao ponto importante para nós, sem dúvida Ele deixou o serviço de carpinteiro para dedicar-Se totalmente ao ministério. E como Ele viveu daí por diante? Ele é o modelo por excelência para aqueles que hoje querem dedicar suas vidas ao trabalho do Senhor.  Quando analisamos a Sua vida, descobrimos que a partir de então, Ele confiou inteiramente no Pai para o Seu sustento aqui na terra. Nunca voltou ao serviço secular, o Pai O sustentou através dos irmãos, as pessoas salvas por Ele. Veja João 13:29... “Pois, como Judas era quem trazia a bolsa, pensaram alguns que Jesus lhe dissera: Compra o que precisamos para a festa ou lhe ordenara que desse alguma coisa aos pobres”. O Senhor tinha uma bolsa onde as pessoas lançavam suas ofertas para sustento d’Ele e dos Seus apóstolos.

Note mais ainda: “Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens” (Lucas 8:1-3). Nunca lemos que o Senhor Jesus Cristo fizesse qualquer apelo aos homens para receber o sustento, Ele sempre confiou no Pai.

2 – Pedro

Sabemos que Pedro era um pescador profissional juntamente com Zebedeu, Tiago e João que eram seus sócios (Lucas 5:10).  Foi chamado pelo Senhor para ser um pescador de almas. Veja: “Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens”. Pedro deixou o seu serviço secular e durante o ministério do Senhor ele O acompanhou em todos os momentos vivendo pela fé, isto é, na dependência do Senhor para o seu sustento.

Nos dias imediatos à morte de Cristo, esse servo estava fraco na fé: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortaleça os teus irmãos” (Lucas 22:31-32). Logo após a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, Pedro falhou novamente, e desta vez na sua dependência do Senhor para o seu sustento material.  Vamos dar uma olhadinha no Evangelho de João 21:2-5... “Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe os outros: Também nós vamos contigo. Saíram, e entraram no barco, e, naquela noite, nada apanharam. Mas, ao clarear da madrugada, estava Jesus na praia; todavia, os discípulos não reconheceram que era ele. Perguntou-lhes Jesus: Filhos, tendes aí alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. Pedro fora chamado para ser um pescador de homens, já tinha vivido alguns anos pela fé, dependendo somente do Senhor para o seu sustento, agora chega o momento de viver e fazer a obra sem a presença visível do Senhor Jesus Cristo, e houve sem dúvida uma grande falha na fé, vamos observar isto de perto, pode ajudar àqueles que foram verdadeiramente chamados a viver pela fé, e dar o seu tempo exclusivamente para a obra do Senhor.

“Filhos, tendes aí alguma coisa de comer?”. Quando o Senhor faz essa pergunta, Ele não a faz sem motivo, e isto está escrito para o nosso ensino. Sabemos que a resposta de Pedro foi que eles não tinham nada para comer. O que o servo de Deus faz numa hora de dificuldade? Na grande maioria os obreiros fazem o que Pedro fez, ele não foi pescar apenas para descansar um pouco e alcançar novas forças para prosseguir no trabalho do Senhor, Ele confiou na sua habilidade profissional de pescador e disse que não tem problema eu posso resolver essa situação, eu sei pescar muito bem! E lá foi Pedro confiando em si mesmo para o seu sustento. 

Pode ser que você não seja um pescador, mas um professor, ou um pedreiro, vendedor etc. Com certeza essa decisão de Pedro desonrou o nome do Senhor e foi por isso que o Senhor atuou imediatamente para corrigir esse erro.  Em primeiro lugar, Ele fez Pedro ver que confiar na sua profissão não era o caminho certo (pescaram a noite toda e nada apanharam). Em segundo lugar, Ele mostrou a eles e a nós a sua capacidade de sustentar os Seus servos e a obra que lhes confiou: “Veio Jesus, tomou o pão, e lhes deu, e, de igual modo o peixe” (João 21:13).  Eu creio que Pedro e os outros que seguiram com ele nunca mais esqueceram aquela manhã.  Quando saíram para pescar já estavam com fome, imagine você depois de pescar a noite toda e nada apanhar, a fome por certo aumentou muito e estavam bem fracos, como nós dizemos: estavam mortos de fome!  Aquele pão e aquele peixe foram tão saborosos que eles jamais esqueceriam aquela manhã, mas valeu à pena, pois eles aprenderam a confiar no Senhor.

3 – Paulo

Esse servo de Deus foi sem dúvida um exemplo para nós.  Antes de se converter teve o privilégio de estudar nas escolas do seu tempo, conhecia e falava várias línguas, religiosamente teve a sua formação aos pés de um renomado professor chamado Gamaliel, um homem preparado para uma vida secular de destaque na sociedade. Depois de convertido a Cristo foi separado por Deus para o ministério. Paulo viveu pela fé, foi sustentado por Deus, veja: “E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros; porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades” (Filipenses 4:15-16).

Durante alguns meses em Corinto, Paulo trabalhou fazendo tendas, isso, em especial, para fortalecer os laços entre ele e o casal Áquila e Priscila que trabalhavam com isto, não creio que estava confiando em sua profissão para o seu sustento. Quando Silas e Timóteo desceram a Macedônia, Paulo se entregou totalmente à Palavra (Atos 19:5). Não podemos usar esse tempo da vida de Paulo como uma desculpa para nos entregarmos ao serviço secular, abandonando dessa forma a senda da fé no Senhor. Paulo não quis receber ofertas dos irmãos de Corinto, mas depois pede perdão a eles pelo seu erro. “Porque, em que tendes vós sido inferiores às demais igrejas, senão neste fato de não vos ter sido pesado? Perdoai-me esta injustiça” (2 Coríntios 12:13). Paulo afirma neste texto que a igreja em Corinto foi inferior às outras, porque não contribuiu para a obra missionária. Em nenhum momento lemos que estes irmãos que gastaram suas vidas no serviço de Deus, fizessem um apelo para os irmãos mandarem dinheiro para eles, eles viveram pela fé n’Aquele que tudo pode.

Esses três exemplos são suficientes para entendermos o plano de Deus, eles não tinham um salário, nem qualquer garantia de sustento material, viveram pela fé, crendo que Deus ia sustentá-los, e isso Deus fez. Assim é o plano de Deus, que o Seu povo viva pela fé. “Todavia, o meu justo viverá pela fé; e se retroceder, nele não se compraz a minha alma” (Hebreus 10:38).           

No dia que a igreja em São Joaquim fez a reunião de despedida para nós, pois atendendo ao chamado de Deus sairíamos para começar a obra em Londrina e região, um irmão fez a seguinte declaração: “Tem que ser pela fé para que seja seguro”.

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Vós sois

Mateus 5:13-16

Você já se perguntou como anda a sua vida? Existem em média três tipos de cristãos nesta vida:

1. Aqueles que não saíram do leite

São os novos convertidos que estão começando a sua jornada com Cristo e “como crianças recém-nascidas, desejam de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação” (1 Pedro 2:2). O problema é que alguns irmãos de vinte anos, ou de longas datas de conversão, não saem do leite: “Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições” (1 Coríntios 3:2), diz Paulo. Irmãos, vamos amadurecer para a glória de Cristo.

2. Aqueles que saíram do leite

São os buscam alimentos mais sólidos para fortalecer a sua jornada com Cristo: “O alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal” (Hebreus 5:14).

3. Aqueles que nos dias atuais são a grande maioria

A estes podemos destrinchá-los em duas categorias. Os que acham que não precisam buscar alimentos mais sólidos por suporem que estão muito bem como estão, deixando os outros fazerem a obra por se acharem incapazes: “Por fim veio o que tinha recebido um talento e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que lhe pertence” (Mateus 25:24-25). Há aqueles que acham que são adultos e que têm uma base muito boa: “Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não têm experiência no ensino da justiça” (Hebreus 5:12-13). Independentemente qual dos dois você seja, você está igual a um grande amigo meu. Ele era ótimo conhecedor da Palavra, pregava e ministrava a Palavra de Deus por toda Inglaterra, e até fora. Porém, um belo dia ele se levantou para ministrar sobre ser o Sal da Terra, e ele afirmou que não sabia o porquê éramos chamados de sal da terra até aquele momento. Descobri então que sua vida era igual às palafitas, habitações construídas sobre troncos ou pilares, comuns em áreas alagadiças (https://escola.britannica.com.br).           

Quando pensei nisto o Senhor então me levou à parábola da casa construída na areia. E então me veio a pergunta: “Onde você tem construído sua vida?” Será que tenho construído minha vida sobre palafitas? (Mateus 7:24-27). Mas o que isso significa? Existem muitos irmãos que têm se tornado grandes estudiosos da Palavra de Deus, ou acham que são, mas a base da Palavra está em falta. Como posso saber se isso é verdade na minha vida ou não? O próprio texto de Mateus responde: “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha... Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:24-26). Paulo escrevendo aos Coríntios afirma: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1 Coríntios 11:1).Tiago deixa claro que fé sem obra é morta (Tiago 2:17). Não basta ouvir ou ensinar a Palavra de Deus, temos que colocá-la em prática.

Agora, irmão, você está entendendo por que fiz toda esta introdução? Existem muitas pessoas em nosso meio que têm falhado na base. Antes de ser grande preciso ser pequeno. No meu trabalho as pessoas gostam de mim, não é porque sou o professor de Inglês, mas porque sabem que podem contar comigo para fazer as coisas. Muito me lembro de uma lição que o Senhor ensinou a mim e a minha esposa: Tínhamos ido visitar uma igreja em construção em São Caetano. Na noite anterior, já na casa do irmão, minha esposa me perguntou se eu já tinha uma palavra, pois eles precisavam ser edificados. Eu disse que estava pensando e orando.

Mas o incômodo foi tão grande que passei a noite toda pensando sem dormir direito, e nada desta palavra de edificação. Fomos para o local em um sítio para nos encontrar com esses irmãos novos convertidos. Eles estavam fazendo tijolos para construir um local para se reunirem. Naquele dia não abri a Palavra de Deus uma vez, mas fiz o meu maior ensinamento de como ser Sal e Luz. Não viemos para ser grandes ou sermos servidos, mas para servir. Ganhei o respeito e a confiança daqueles irmãos, pois me sujei todo de barro.  Carreguei tijolos o tempo todo. O Senhor tinha autoridade, não só por ser o Filho de Deus, mas por Sua vida mostrar aquilo que praticava (“ele ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” – Mateus 7:29).

Pare um instante e se pergunte: “O que eu tenho feito, ou escrito, tem edificado o meu próximo?” Não sei de vocês, mas eu tenho recebido muito “lixo eletrônico” de irmãos que se dizem maduros. Não estou falando de brincadeiras e piadas que recebo e sim das mandingas e postagens sem pé nem cabeça usando a Palavra de Deus, como as falsas profecias e bênçãos. Tenho me perguntado ultimamente: “Em vez destas pessoas estarem mandando estas postagens infrutíferas por que não fazem um convite para 10 pessoas irem assistir a um culto?” O próprio Senhor me respondeu: “Como vão mandar se eles mesmos não estão se reunindo?” E, como temos visto, têm irmãos que estão indo para os cultos, mas não estão reunidos com a Palavra de Deus.

Irmãos, o Senhor nos chamou para sermos luz e sal, isso quer dizer que temos que mostrar clareza e dar gosto à Palavra de Deus. Abro aqui um parêntese para falar rapidamente aos presbíteros: “Sua vida tem dado sabor para que os irmãos tenham sede da Palavra? Irmãos mais velhos, vocês são um exemplo vivo de fé ou são um poço de desculpas ou críticas?” Em João nós lemos: “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (João 12:46) e “a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (João 3:19).

As Escrituras nos revelam que vivemos em um mundo dominado pelas trevas. Sendo isso verdade, pois sabemos que é, como então poderão as pessoas chegarem aos cultos, pior que isso, como é que eles vão ouvir a Palavra de Deus? Paulo nos lembra de que a salvação vem pelo ouvir: De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Como é que eles vão ouvir se estamos calados e muitas vezes com pressa dentro de um salão. Temos que ser luz para iluminar o caminho destas pessoas.

Ser luz e sal é refletir a Glória para o povo, temos que ser imitadores de Cristo (1 Coríntios 11:1; Efésios 5:1; Filipenses 3:17; 1 Tessalonicenses 1:6). Ele nos chamou para fazer a boa obra: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7:16), mas que trabalho é este? Cada um sabe para que foi chamado, este propósito está no seu coração. Então pare, ore e ouça o seu coração, mas lembre-se de que tudo deve ser para a glória d’Ele. Foi assim com Cristo, você pode ver isso em Lucas 22:42, João 4:34 e 6:38, além de Filipenses 2:5-11.

Se a sua vida está hoje construída sobre palafitas cristãs, cuidado com as tempestades. Se você anda culpando tudo e todos pelos seus erros, saia desta casa e construa uma nova sobre a Rocha. Desculpas são os piores tipos de colunas que existem. Se você tem fé, mas não as pratica seu crescimento está atrofiado. Mas se você tem a confiança das pessoas de querer estar perto de você por ver Cristo no seu ser, então continue indo e mostrando a Palavra de Deus, pois você está sendo a Palavra viva no meio das pessoas. Pense nisso!

autor: Jonathan M. Watson.
Tema do Mês

A esposa excelente

Não precisamos ser campeões em torneios de literatura: temos tudo o que precisamos na Palavra de Deus.

Provérbios 31:10-31

O mês de maio destaca a importância da figura da mulher no contexto da família, principalmente pela sua singela condição de esposa e de mãe. É verdade que a celebração, no curso do tempo, virou-se para a satisfação dos mesquinhos e egoístas interesses comerciais que o evento propicia, em detrimento da valorização do importante papel da mulher, como esposa excelente, razão primordial da positiva realidade familiar no cenário social.

O último capitulo do Livro de Provérbios contém precioso texto sobre as qualidades da esposa excelente. É um trecho que se constitui em “apêndice” do livro, distinto e autônomo. É um belo poema acróstico sobre a esposa excelente. A primeira letra do primeiro verso começa com a primeira letra do alfabeto hebraico, enquanto que as outras vinte e uma letras restantes vão aparecendo, sucessivamente, no início dos versos complementares. Em contraste com tudo o que os provérbios, no contexto do Livro, expõem sobre a “mulher estranha”, o ensino sobre a verdadeira mãe, sobre a honra e a dignidade da mulher e da esposa excelente são amplamente exaltadas neste último capítulo do livro. Assim, o livro se encerra apropriadamente com os constantes louvores feitos à esposa e à mãe perfeita por seu esposo e seus filhos (vs. 28-31).

Vejamos como o assunto da esposa excelente é exposto:

Alefe – É DE GRANDE VALOR (v. 10) – Descreve esse verso a mulher, não fácil de se achar, como dona de casa fiel a Deus nos afazeres diários. Faz da sua casa lugar de muito bom aconchego, como a casa em Betânia, onde o Senhor Jesus gostava de se hospedar (Lucas 10:38-42, João 11:1-44). O adjetivo “virtuosa” tem o conceito bem amplo, incluindo referências à força, capacidade, eficiência, riqueza e valor. Em todas essas áreas ela é a mulher excelente, valorizando-se sobremodo (“seu valor muito excede ao de finas joias”). Contrasta-se aí com a mulher imoral, mencionada em várias passagens anteriores. A BV assim traduz o v. 1: “Se você encontrar uma esposa fiel e dedicada, achará um tesouro mais valioso que ouro e pedras preciosas”.

Bete – É FIEL E DEDICADA (v. 11) – O marido de uma mulher fiel e dedicada sempre estará tranquilo e confiante, pois ela nunca deixará faltar nada para ele. Essa atitude essencial da esposa excelente constitui-se num eficiente suporte para o sucesso das realizações que competem ao marido.

Guimel – É SEMPRE BONDOSA E PRONTA A AJUDAR (v. 12) – Só dá satisfação ao marido e nunca desgostos, todos os dias da sua vida, procurando sempre ajudá-lo em tudo. Vale lembrar, neste passo o que o Senhor afirmou que a mulher deveria ser ao criá-la como esposa: ”auxiliadora idônea” do marido. A sua sempre presente “bondade” e a sua “prontidão em auxiliá-lo” faz dela a esposa excelente.

Dálete e Hê – É ECONÔMICA (Vs. 13-14) – A BV assim traduz o v. 13: “Ela compra os tecidos e faz as roupas da família”. Trabalha de boa vontade com as suas próprias mãos para aliviar os encargos financeiros do marido. Sem se cansar, anda à procura da melhor comida para a família, buscando sempre o preço mais barato. Uma eficiente economia doméstica que sempre traz lucro para a família. É essa, sem dúvida, uma excepcional qualificação da esposa excelente.

Vau, Zaine, Hete, Tete, Jode e Sâmeque – É LABORIOSA E DILIGENTE (vs. 15,19, 24) –Trabalha incansavelmente. Antes mesmo de o sol raiar já está de pé preparando a primeira refeição da família e planejando o serviço de suas empregadas e distribuindo-lhes as tarefas. Sabe negociar, com diligência e vigilância nas respectivas operações, aplicando bem o resultado lucrativo do seu trabalho, seja na aquisição imobiliária, seja na atividade agrícola. Dispõe-se sempre ao trabalho, ainda que pesado, tendo consciência de que o seu trabalho ajuda a sustentar a família, razão porque não se escusa de trabalhar até altas horas da noite.

Cafe, Lâmede e Meme – É GENEROSA, SOLÍCITA E PRECAVIDA (vs. 20-22) – Sempre está pronta a ajudar os pobres e infelizes, providenciando, também, para que não faltem agasalhos para a época de frio, inclusive para os seus familiares. Ela mesma faz as roupas da cama, mesa, os tapetes e cortinas da sua casa. Os seus vestidos ela mesma os confecciona, com tecidos da melhor qualidade. Lamentavelmente, não é bem o que vemos nos dias modernos na atitude da mulher casada, o que se torna em razão inexorável da falência familiar.

Num – PROMOVE O RESPEITO DA SOCIEDADE AO MARIDO (v. 23) – O marido será conhecido e respeitado na sua cidade e será sempre indicado para cargos importantes e atividades de interesse coletivo na sociedade e será bem considerado quando participar das respectivas reuniões. A expressão “entre os juízes” refere-se aos locais (nas portas) da cidade, onde os anciãos se assentavam para julgar e discutir os assuntos locais.

Aim – A ENERGIA E DIGNIDADE DÃO-LHE SEGURANÇA PARA O FUTURO (v. 25) – Suas grandes virtudes são a energia e a dignidade, o que lhe traz total e permanente segurança, nunca ficando preocupada com a velhice. Por isso, sorri sempre ao pensar no futuro agindo com expectativa de bom resultado.

Pê – COM PALAVRA SÁBIA INSTRUI BONDOSAMENTE (v. 26) – Fala sempre com sabedoria e dá conselhos, ensinando e corrigindo os seus filhos com amor. Participa, assim, eficientemente, do seu dever no cumprimento do precioso ensino de Paulo em Efésios 6:4... “Criai-os (os filhos) na disciplina e na admoestação do Senhor”.

Tsadê – ESTÁ SEMPRE ATENTA E ATIVA NA CASA (v. 27) – Sabe muito bem tudo o que acontece em sua casa e nunca sente preguiça ou fica cansada perante as necessidades que possam surgir. Administrar bem o lar é qualidade louvável na atitude da esposa excelente.

Cofe e Rexe – É LOUVADA PELA FAMÍLIA (vs. 28-29) – Os filhos felicitam-na e exaltam-na perante os colegas e amigos, declarando-a como a melhor mãe do mundo. O seu marido proclama, com orgulho, que “pode haver muitas boas esposas neste mundo, mas que, com certeza, nenhuma delas há de ser melhor do que a sua”.

Chim e Tau – O SEU SEGREDO (vs. 30-31) - Todo o seu encanto e o seu sucesso não acontecem por acaso, mas têm sólido fundamento e a sua razão de ser no “temor do Senhor”, que é o princípio de toda a sabedoria. Os encantos de uma mulher podem ser apenas uma ilusão e a sua beleza não dura para sempre. A verdadeira beleza e a verdadeira honra de uma mulher estão em amar e obedecer ao Senhor (1 Pedro 3:1-6). A chave para beleza de caráter da mulher é a sua vida espiritual. A mulher que agir assim deve ser elogiada diante de todos, cumprimentada e homenageada por toda a sociedade.

Conclusão: Que as reflexões sobre a família, a que o mês de maio nos conduz, nos façam meditar sobre esse precioso ensino sobre a esposa excelente, para que seja o lar valorizado e útil no cumprimento da sua sublime missão consoante os solenes planos do Senhor.

 

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

A mensagem da cruz

Neste mês de abril celebra-se o auspicioso fato da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Fato inquestionável que se constitui no fundamento maior da validade da obra da Redenção e da nossa fé.

“A mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas, para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus”

(1 Coríntios 1:18 – NVI)

 

Muitas mensagens comoventes estarão sendo proclamadas ao redor do mundo nos dias da chamada “semana santa”, fazendo ecoar conceitos diversos pertinentes à paixão, à morte e à ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Algumas meramente retóricas e vazias de conteúdo espiritual. Outras valiosas, por focarem os benefícios de valor eterno que advêm da Cruz.

Com efeito, nada transcende, na história da humanidade, a importância dos momentos dantescos dos quais o Senhor Jesus foi protagonista sobre o Calvário! É no Calvário que se concretiza o notável e eterno propósito divino da Redenção do pecador. Paulo enfatiza a importância da “mensagem da cruz” ao afirmar: “A mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós que estamos sendo salvos, é o poder de Deus”.

Sublime poesia, traduzida por William Anglin, destaca, com feliz propriedade, as bênçãos que advêm da Cruz:

Bendita a cruz de Cristo, santíssimo lugar!
À tua sombra santa eu quero descansar
E meditar, contrito, no amado Salvador,
Ali, por mim, sofrendo com infinito amor.
Na santa Cruz de Cristo encontro eterna paz;
Seu sangue derramado justiça satisfaz.
Sim, tenho já descanso e paz de coração,
Pois sobre a cruz foi feita pra mim expiação.
A cruz é sempre a glória e o tema de louvor
De todos que confiam no santo Sofredor.
Na cruz eu vejo a prova da compaixão de Deus,
E vejo ali aberto caminho para os céus"

(H&C 574).

A gloriosa “mensagem da cruz”, destacada por Paulo em todo o seu ministério, é magistralmente exposta por Pedro no expressivo quadro que ele pinta do Calvário (1 Pedro 2:21-24). Vamos contemplá-lo, discernindo sete aspectos das bênçãos que fluem do Calvário.

  1. O SOFRIMENTO VOLUNTÁRIO DE CRISTO - “... Cristo sofreu em vosso lugar” (v. 21). Sobre o Calvário Cristo exibe o exemplo supremo de quem sofre o mal por sempre ter feito o bem. Em Isaías 52:13 a 53:12 encontramos uma notável exposição profética desse comportamento do Senhor Jesus, acentuando esse aspecto fundamental da Obra Redentora. A sua experiência como o Servo-Sofredor, para ser o Salvador eficaz, transforma os sofrimentos de Seus seguidores de desgraça em privilégio! Mas o que enaltece sobremodo a Sua condição de Sofredor é a Sua voluntariedade na postura assumida. Foi “Sofredor voluntário”, por amor, valorizando a Obra que realizou para a nossa Redenção. Tornou-Se, assim, ademais, um digno exemplo para nós, a fim de que sigamos os Seus passos (v. 21). Como diz Pedro, se suportarmos o sofrimento por termos feito o bem, isso é louvável diante de Deus, pois para isso fomos chamados (v. 20).
  2. A SANTIDADE CREDENCIADORA DE CRISTO - “... não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (v. 22). A Palavra de Deus declara de forma expressiva e inequívoca a impecabilidade de Cristo, sem deixar qualquer possibilidade de exceção. E é esse fato que O “credenciou” cabalmente para tornar eternamente válida a nossa Redenção. Embora revestido de humanidade Sua natureza era impecável e, na Sua experiência de vida, jamais pecou, “como nós, passou por todo o tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hebreus 4:15). Esse aspecto nos traz a preciosa lição da essencial prática da santidade em nossa experiência de vida. É a santidade a “credencial” indispensável para que o nosso serviço para Deus seja fiel e por Ele aceito, sob o risco de sermos considerados por Cristo hipócritas e, por isso, reprovados (Mateus 23:27).
  3. A SUAVE ATITUDE DE CRISTO - “... quando ultrajado, não revidava, com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças” (v. 23a). É da índole do ser humano o revide, o revanchismo e a vingança. Ninguém quer levar desaforo para casa. Que beleza incomparável o Senhor exibe no Calvário, na manifestação da Sua “suave atitude”, perante tanta injustiça e maldade, tão rancoroso e imerecido castigo e tão atroz sofrimento que Lhe foram impingidos! Em todo o Seu ministério essa foi a característica do Seu comportamento. Que essa bela lição nos sirva para que o nosso caráter revele a beleza de Cristo. Aceitemos a Sua preciosa recomendação em Mateus 11:29 “aprendei de mim, porque sou manso e humilde da coração”. A humilde mansidão é atitude que demonstra a autêntica espiritualidade.
  4. A SUBLIME SUBMISSÃO DE CRISTO - “... entregava-se àquele que julga retamente” (v. 23b). Na Sua vida ministerial o Senhor Jesus nos deixa exemplos notáveis da Sua submissão completa à vontade do Seu Pai, no cumprimento solene da missão que Lhe incumbia. Veja João 4:34; 5:30; 6:38-40; Mateus 26:42. Nada, absolutamente nada, o fez desviar-Se do alvo solene da Redenção, em que pese o alto preço que teve que pagar para chegar lá – o Calvário! Mas o que mais nos comove é contemplar a silenciosa submissão do nosso Senhor no culminante momento do Seu vil julgamento, da Sua paixão e da Sua morte sobre a Cruz! Deixou o Seu caso nas mãos de Deus, que sempre julga retamente. Seja mais essa preciosa lição do Calvário, a “sublime submissão de Cristo”, o estímulo para que vivamos totalmente submissos à vontade do Senhor, sejam quais forem as circunstâncias, para abrimos espaço ao glorioso caminho da vitória na vida cristã.
  5. O EFICIENTE SUPORTE VICÁRIO DE CRISTO - “... carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro” (v. 24a). Não sabemos se Cristo era um homem fisicamente forte. Em João 19:17 lemos que Ele, carregando a Sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário. Mas nos outros Evangelhos lemos que um cireneu, chamado Simão, foi constrangido a carregar a cruz por Ele. Isso nos leva a concluir da Sua fragilidade física para suportar o peso do madeiro. O Seu corpo não pôde carregar o madeiro, mas suportou todo o peso dos nossos pecados sobre o Calvário! Glória a Deus por isso! Pedro mostra aí o caráter “vicário” da expiação. Cristo, como o cordeiro sacrificial do Velho Testamento, morreu por nossos pecados; o inocente pelos culpados. A expiação foi completa, a justiça divina satisfeita, o preço foi pago, a redenção eterna do pecador viabilizada! Esse aspecto da “mensagem da cruz” nos dá a segurança dessa “eterna redenção” (Hebreus 9:12). Vivamos alegremente essa bendita esperança!
  6. CRISTO, SUPRIDOR DA VITALIDADE ESPIRITUAL - “... para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (v. 24b). O “viver para a justiça” é o propósito de Deus para cada um dos redimidos. Diz Isaías 53:11 que “Ele verá o fruto do penoso trabalho da sua alma e ficará satisfeito”. Em conseqüência da morte de Cristo na cruz, os cristãos estão posicionalmente mortos para o pecado, para que levem vida nova e se apresentem a Deus como instrumentos da justiça (Romanos 6:11-13). É isso que Deus espera de cada um dos que se dizem cristãos. Esse “viver para a justiça” se define adequadamente como manifestação de “vitalidade espiritual”. Em João 10:10 o Senhor afirmou que veio para que tenhamos vida em abundância. A “mensagem da cruz” nos responsabiliza, como novas criaturas, filhos de Deus, a vivermos para a justiça, manifestando “vitalidade espiritual”. Cristo levou em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça. Ele é o Supridor dessa nova vida.
  7. CRISTO, SUPERVISOR SUFICIENTE - “... vos convertestes ao Bispo e Pastor das vossas almas” (v. 25). O conceito aí suscitado por Pedro, de Pastor e Bispo, no fecho do lindo quadro do Calvário que nos apresenta, relaciona-se com a profecia em Isaías 53 sobre as ovelhas desgarradas. As ovelhas tinham-se desviado do Pastor e agora voltaram ao Bom Pastor, que é Cristo. O Senhor disse que o Bom Pastor dá a vida pelas Suas ovelhas (João 10:11). O Calvário é a evidência irreversível dessa afirmação. Temos aí confortadora mensagem da restauração das ovelhas ao aprisco do Bom Pastor, mas a mensagem do Calvário também confirma a garantia da constante e “suficiente supervisão” do Senhor Jesus na nova e abençoada condição das Suas ovelhas. É o que Ele afirma em João 10:27-28: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”. Como é bom saber que contamos sempre com essa “suficiente supervisão” e assistência constante.

Contemplemos esses aspectos expressivos do quadro do Calvário, maravilhosamente pintado por Pedro. Que a “mensagem da cruz” nele vista nos leve a manifestar, cada dia, em nossa vida, a beleza de Cristo, no usufruto das indizíveis bênçãos que fluem do Calvário!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

A Ressurreição De Cristo - Esperança Cristã

No trecho acima, Paulo apresenta argumentos notáveis que estabelecem a confiabilidade do ministério evangelístico que incumbem ao cristão...

1 Coríntios 15:20-28

Neste mês de março o mundo religioso cristão celebra a paixão e a ressurreição de Cristo. A ressurreição de Cristo é o fato proeminente da obra da Redenção do pecador. Boa oportunidade para se refletir sobre o precioso ensino de Paulo, no texto acima mencionado, a respeito da “ressurreição de Cristo”, que sustenta a “esperança cristã”. Depois de ter exposto sobre as consequências da negação da ressurreição de Cristo, Paulo aponta, com argumentos fortes, para as consequências da ressurreição de Cristo, a fim de enfatizar a gloriosa “esperança do cristão” que se assenta, alegremente, na segurança da ressurreição de Cristo. O que ele procura passar é que a ressurreição de Cristo implica, necessariamente, com a ressurreição dos cristãos. Ao fazê-lo, reporta-se à ordem dos acontecimentos dos últimos tempos acentuando que todas as coisas serão, então, submetidas a Cristo e a morte, afinal, subjugada.  É um lindo quadro, pintado por Paulo, com pinceladas de grande efeito, da final e completa supremacia de Deus. O assunto é tratado evidenciando a alta significação do presente modo de viver do cristão, da compreensão dos grandes acontecimentos que hão de ter lugar no fim desta era. 

Vejamos três aspectos aí versados por Paulo:

1. A ressurreição à luz do fato das “primícias” (v. 20) – As “primícias” era uma das importantes festas do povo de Israel (Levítico 23:9-14). As “primícias” compreendiam o primeiro feixe da colheita, que era trazido ao templo e oferecido ao Senhor (Levítico 23:10-11). Num sentido consagravam toda a colheita. Além disso, “primícias” implicavam na existência de frutos posteriores. Ambas as ideias estão implícitas na expressão “Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem”. É verdade que Cristo não foi o primeiro a ressuscitar dos mortos. Ele próprio ressuscitara alguns, mas todos esses tornaram a morrer. A ressurreição de Cristo foi para uma vida que não conhece morte! E, nesse sentido, foi Ele o primeiro, o precursor de todos os que haveriam de estar nEle.  É o penhor e uma prova da ressurreição do Seu povo! Como o Cordeiro de Deus, Jesus morreu na Páscoa. Como o primeiro feixe (primeira colheita), Cristo ressuscitou dentre os mortos, três dias depois, no primeiro dia da semana. A ressurreição de Cristo é um sinal, uma garantia, um protótipo da ressurreição vindoura. É a garantia de que Deus nos dá de que, também nós, um dia, seremos ressuscitados, como parte daquela safra futura.  Paulo usa, no final do v. 20, a expressão “primícias dos que dormem”. Temos aí, um particípio passado denotando a continuidade do estado dos fiéis que partiram.  Para os crentes a morte não passa de um “sono”.  O corpo dorme, mas a alma está com o Senhor (2 Coríntios 5:1-8; Filipenses 1:21-23). Por ocasião da ressurreição o corpo vai ser “acordado” e glorificado (1 Tessalonicenses 4:13-14). Aleluia!

2. A ressurreição à luz da realidade adâmica (vs. 21-23) – Paulo passa a argumentar com a realidade adâmica. Vê em Adão um tipo de Jesus Cristo através de contraste: “em Adão” x “em Cristo”. Ele desenvolve este assunto em Romanos 5:12-21 (leia). Na expressão “em Adão todos morrem”, Paulo se refere à mortalidade da raça, pelo parentesco que nos liga ao progenitor da raça, apontando para o mal espiritual do qual a morte física é, a um tempo, o símbolo e a pena.  Estamos envolvidos com Adão numa solidariedade de culpa! Mas, da mesma forma como o pecado trouxe inauditas consequências do mal, assim a obra expiatória de Cristo trouxe inauditas consequências do bem!  Que extraordinário contraste evidenciando a notável esperança do cristão: a certeza da sua própria ressurreição!  O primeiro Adão foi feito da terra, mas o Último Adão, Cristo, veio do Céu (vs. 45-47). O primeiro Adão desobedeceu a Deus e trouxe pecado e morte para o mundo, mas o Último Adão obedeceu ao Pai e trouxe justiça e vida (“todos serão vivificados em Cristo”). É importante distinguir as duas vezes em que a expressão “todos” é aí empregada. A primeira vez (“todos morrem”) refere-se à humanidade inteira, pois todos estamos em Adão. A segunda vez (“todos serão vivificados em Cristo”) refere-se, apenas, a todos os que estão em Cristo. O versículo não dá qualquer apoio ao “universalismo”. Em Adão, todos os que devem morrer, morrem; em Cristo, todos os que devem viver, vivem. A expressão “serão vivificados” refere-se a algo mais do que a ressurreição como tal. Inclui a ideia da “vida abundante” que Cristo traz a todos que nEle estão.

Concluindo esse argumento, Paulo destaca que há “uma ordem” a ser observada no acontecimento.  A palavra “ordem” (gr=tagma), originalmente, um termo militar que se referia a um destacamento de soldados, mas veio, posteriormente, a ter um sentido generalizado. O que Paulo agora faz é separar Cristo dos homens, depois de, no versículo 21, tê-Lo ligado a eles. Deus estabeleceu uma ordem, ou seja, uma sequência, no fato inconteste da ressurreição. Não existe nas Escrituras uma “ressurreição geral” (veja João 5:25-29 e Apocalipse 20). A expressão “vinda”, no final do versículo 23, é “parousia” (gr), que significa, basicamente, “visita” ou “presença”, usada pelos cristãos para se referirem à volta do Senhor. Assim, a expressão “na sua vinda” refere-se ao segundo advento. Quando o Senhor voltar nos ares, levará a Sua Igreja para o céu, ocasião em que ressuscitará dentre os mortos todos os que nEle têm confiado e todos os que têm morrido na fé cristã (1 Tessalonicenses 4:13-18). A isso chamou o Senhor de “a ressurreição da vida” (João 5:29).  Quando o Senhor retornar à Terra, em julgamento, os perdidos vão ser ressuscitados na “ressurreição do juízo” (João 5:29; Apocalipse 20:11-15). Ninguém, na primeira ressurreição, estará entre os perdidos e, da mesma forma, ninguém, na segunda ressurreição, estará entre os salvos.

3. A ressurreição à luz da Soberania de Deus no Seu reino (vs. 24-28) – Quando Cristo vier para julgar, banirá o pecado, durante mil anos, e estabelecerá o Seu Reino (Apocalipse 20:1-6). Os cristãos reinarão com Ele e participarão da Sua glória e autoridade.  Esse reino é profetizado no Velho Testamento e é chamado de “milênio” (latim= mille, annum).  Após o “milênio” haverá mais uma rebelião contra Deus (Apocalipse 20:7-10), que Jesus Cristo a derrubará pelo Seu Poder. Os perdidos serão, então, ressuscitados, julgados e lançados no lago de fogo. Então, a própria morte (“último inimigo”) será lançada no inferno e o último inimigo será destruído (gr=katargeo). O Senhor Jesus Cristo terá colocado todas as coisas debaixo de Seus pés! Ele entregará o reino ao Pai e, então, o estado eterno virá. O “novo céu e a nova terra” serão introduzidos (Apocalipse 21 e 22). Jesus Cristo reina, hoje, nos céus, e toda a autoridade está “sob os seus pés” (Salmo 110; Efésios 1:15-23). Satanás e o homem ainda são capazes de exercer suas escolhas, mas o Deus Soberano está no controle de tudo. Jesus Cristo está entronizado hoje nos céus (Salmo 2). A ressurreição dos salvos ainda não aconteceu, nem a ressurreição dos perdidos (2 Timóteo 2:17-18). Ninguém sabe quando Cristo voltará para buscar a Sua igreja, será num momento, num abrir e fechar de olhos (1 Coríntios 15:52). Cabe a nós estarmos prontos para aquele evento glorioso (1 João 2:28-29). O pensamento de Paulo é que Cristo, afinal, terá plena e completa autoridade sobre todas as coisas e sobre todos os homens e que Ele, então, “entregará” essa autoridade, esse domínio, a Seu Pai. Quando Cristo voltar, será para reinar com majestade (1 Tessalonicenses 1:7 e seguintes). Tudo que se opõe a Deus será, afinal, subjugado. Assim Paulo fala de Cristo como Quem reduz a nada “todo principado, bem como toda potestade e poder”. Estas três palavras, provavelmente, não são empregadas para definir com precisão várias espécies de autoridade, mas a colocação delas juntas dá ênfase à ideia de que, naquele dia, não haverá poder governante de qualquer espécie que não fique completamente subserviente a Ele. A expressão “houver destruído” é tradução do verbo “kartageo” (gr), cujo significado aí é “tornar nulo e vazio”, “tornar inoperante”. Note, nesse trecho, como o pronome pessoal “ele” às vezes se refere a “Deus o Pai” e outras vezes se refere a “Deus o Filho” [convém que ele (Cristo) reine, até que ele (Deus) haja posto todos os inimigos debaixo dos seus pés (dele, Cristo)]. O próprio Filho Se sujeitará (a Deus) que tudo pôs sob Ele (Cristo). A relação entre Cristo e o Pai, expressa nesta passagem, é do maior valor para nós na formulação da doutrina da Santíssima Trindade. Temos aí uma amostra da “subordinação do Filho” (expressão teológica), mas isto não colide de modo algum com a crença na plena deidade de Cristo, o qual participa com o Pai da “substância” da Divindade. A “subordinação” diz respeito ao “ofício” não à “pessoa”. A referência é à obra de Cristo, como Redentor e como Rei no reino de Deus. Ele foi designado para essas funções pelo Pai (v. 27).Paulo não está falando da natureza essencial, quer de Cristo quer do Pai, ele está falando da obra que Cristo realizou e, ainda, realizará. Ele morreu pelos homens e resuscitou. Retornará e subjugará todos os inimigos de Deus. O clímax de Sua obra toda virá quando Ele entregar o reino Àquele que é a origem de todas as coisas. Tendo-Se tornado homem para a realização dessa obra, tomou a Si certa sujeição que, necessariamente, se imprime nessa obra, até à consumação, inclusive. O propósito disto “é para que Deus seja tudo em todos”.   

Conclusão: Que as nossas reflexões nestes dias sobre a ressurreição de Cristo nos estimule a uma vida cristã consagrada a serviço do Mestre e alimente em nós, fortemente, a bendita esperança da nossa própria ressurreição!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

As lições dos magos do oriente

Quando Jesus falou de um cego guiando outro pelo caminho, deixou claro o perigo de colocarmos nossa confiança em guias espirituais que não sabem por aonde vão.

"Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para adorá-lo"

Mateus 2:2

Dezembro rapidamente chega, envolvendo-nos com as múltiplas manifestações ruidosas e festivas da época chamada natalina. Decorações luzidias e coloridas por toda parte, intensa publicidade comercial em todos os meios de comunicação, festas, programações de viagens, comidas especiais, muita bebida, e é assim que se comemora o Natal.  

A rotina do ano muda radicalmente em todos os setores da vida humana, com flagrante extravagância nas atitudes comportamentais nas  áreas social, empresarial, familiar e até religiosa, nem sempre dentro dos padrões morais e espirituais adequados. 

O que motiva tudo isso no contexto humano? Um fato ocorrido há dois milênios, que ultrapassou em importância todos os acontecimentos da história!  O nascimento do Senhor Jesus Cristo. Foi o momento glorioso do cumprimento das inúmeras profecias a respeito do projeto eterno de Deus para  a restauração espiritual do homem.  

Que momento auspicioso esse! O Verbo, que era  Deus, Se faz carne para habitar entre nós e vivenciar todos os lances benéficos da manifestação da Graça de Deus, através da Sua vida, ministério, morte e ressurreição. Pena que todo o turbilhão das comemorações do evento passe  tão longe do seu verdadeiro e correto sentido. O mundo celebra um Natal sem Cristo!  

O texto bíblico consigna alguns detalhes diferenciados, sublimes e invulgares, pertinentes ao nascimento do Senhor Jesus, que nos conduzem à apreciação de lições preciosas sobre como nos devemos portar perante o fato. São as lições da humildade da manjedoura; das plagas de Belém onde os pastores, à vista da comunicação angelical e o cenário indescritível de glória que emoldurou o firmamento, com a participação do coro angelical a glorificar a Deus, foram vê-Lo para adorá-Lo.  

Mas temos, também, as lições dos magos (sábios) do Oriente conforme o  relato em Mateus 2:1-12. Provavelmente astrólogos, talvez da Pérsia ou do sul da Arábia. A atitude dos magos está registrada com detalhes impressionantes que se traduzem em preciosas lições para nós. Vejamos:

  1. .A LIÇÃO DA SENSIBILIDADE E DA CONVICÇÃO ESPIRITUAIS: "vimos a sua estrela no Oriente" (v.2a) - Ninguém vê estrela se não olhar para o céu. O que os magos mais faziam era olhar para os céus. Muitos olham para o céu, mas não vêem nada. Os magos puderam distinguir, na verificação celestial, a "estrela do Senhor" ("a sua estrela"). Que sensibilidade espiritual! Foi isso que os comoveu e os moveu à longa e difícil peregrinação  para encontrarem o Senhor. Tiveram a convicção de que era um recado de Deus. Isso os levou  a buscar o Senhor, certos de que o Messias chegara. Discute-se muito sobre as características que a  estrela especial teria. Isso não importa. Importa que eles perceberam que o Senhor colocou no firmamento uma estrela especial que lhes falava de algo transcendental e de grande valor espiritual. Aquela estrela era uma alusão a Números 24:17 - "uma estrela procederá de Jacó", que  alguns textos judaicos antigos interpretavam como símbolo do Messias. Como estudiosos teriam conhecimento de tais textos e, por isso, logo tiveram a sensibilidade do maravilhoso recado do Senhor. A sua sensibilidade espiritual se demonstra, de forma clara, na convicção manifesta quando falaram ao rei Herodes: "onde está o recém-nascido rei dos Judeus". Que extraordinária convicção da revelação divina! Faltam-nos muito essa sensibilidade espiritual e a convicção das  verdades por Deus reveladas. Temos que olhar mais para o alto! Há estrelas que o Senhor quer nos exibir com mensagens extraordinárias! Talvez olhamos, mas não vemos nada! A convicção das verdades preciosas, que traz bênçãos indizíveis, depende de  um bom conhecimento da Palavra de Deus!.
  2. A LIÇÃO DA ADORAÇÃO DEVIDA AO SENHOR: "viemos para adorá-lo" (v.2b); "prostrando-se, o adoraram" (v.11a) - Os magos nos dão uma das mais lindas lições que a Bíblia nos fornece sobre o maior privilégio do ser humano, que é a sua própria vocação celestial: adorar corretamente o Senhor. O Senhor deixou claro que o Pai deseja adoradores que O adorem em Espírito  e em verdade (João 4:23). Para isso fomos criados. Se o pecado anulou em nós o usufruto desse privilégio, em Cristo ele nos é restaurado. Infelizmente perdemos a visão dessa sublime vocação celestial e exercitamos um cristianismo às avessas, longe das delícias espirituais que  a adoração autêntica nos reserva, limitando-nos à vã religiosidade que passa longe da espiritualidade.
  3. A LIÇÃO DA CONSAGRAÇÃO TOTAL AO SENHOR: "abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra" (v.11b) - É impressionante constatar que os magos vieram supridos, na sua longa viagem, com ofertas valiosas para oferecerem ao Senhor!  Abriram os seus tesouros e ofereceram o melhor. Isso nos lembra outra sublime e idêntica lição deixada por Maria, ao ungir os pés de Jesus (João 12:3). Honraram o Senhor, não só através da adoração, mas, também, na disponibilidade de valores excepcionais, como demonstração da total consagração do que possuíam de mais valioso! O ouro simbolizava a "realeza", o incenso a "divindade" e a mirra o "sacrifício". Manifestaram os magos sua completa consagração ao Rei dos Reis, Deus e Redentor!  Bom seria que manifestássemos assim  a nossa consagração total.  

Não há Natal sem Cristo! Não ajamos como o mundo! Celebremo-lo com discernimento espiritual das verdades que  a Palavra de Deus nos revela a Seu respeito, nelas firmando a nossa convicção irremovível; devotando-Lhe solene e correta adoração; oferecendo-Lhe total consagração dos tesouros de nossa vida.  

Se adotarmos as lições dos magos, a comemoração do Natal terá sentido e glorificará a Deus!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Há esperança para o nosso futuro

Devemos refutar, firmemente, a banalização com que se trata nos dias que correm, nos múltiplos e amplos ajuntamentos de multidões, enganosamente chamados de “movimentos evangélicos”, a gloriosa mensagem do Evangelho, desfigurando totalmente o seu caráter sobrenatural, bem como o do seu ministério, e

"Há esperança para o nosso futuro"

(Jeremias 31:17)

Inicia-se novembro com acentuada comoção.

O chamado "dia de finados" marca momentos de reflexões profundas sobre o futuro do ser humano.

Um dos grandes problemas do homem são a incerteza e a insegurança em relação ao seu futuro.

Não só em relação à sua existência física, mas também em relação à eternidade.

Tudo o que o homem busca para garantir o seu futuro terreno se sujeita a contingências e situações imprevisíveis, que acabam por frustrá-lo.

São valores perecíveis e inseguros que sofrem danos inesperados, pois os fatos da vida fogem ao seu controle.

Quando Jeremias disse ao povo: "Há esperança para o teu futuro", a sua situação no cativeiro era humilhante.

Jeremias deixou claro que a esperança para um futuro abençoado não dependia de um novo esquema político, social, econômico, bélico, ideológico ou religioso. Sustentava-se na ação misericordiosa de Deus!

No que diz respeito à eternidade a coisa não é diferente.

A expectativa da eternidade se apresenta terrivelmente incerta, apesar do grande esforço que se emprega para, misticamente, desvendar o futuro e dele se assegurar com os precários recursos da vã religiosidade humana!

Entretanto, podemos compreender, pela Palavra de Deus, que a esperança para o futuro, quanto à vida eterna, somente se alcança de forma inequívoca e segura pela fé em Jesus Cristo.

O futuro não se esgota com o fim da vida física, tão lamentada no "dia de finados", mas projeta-se para a eternidade!

O Senhor Jesus enfatizou essa verdade quando disse: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?" (Lucas 9:25).

Em Lucas 12:20, Ele ilustrou, na parábola que contou, a loucura do homem que não se preocupa com o futuro eterno, mas, apenas, com o futuro terreno. Aí disse do rico insensato: "Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?".

Só Jesus Cristo é a esperança para o futuro eterno!

O "dia de finados" é mais uma grande oportunidade para refletirmos a respeito da nossa segurança quanto à eternidade.

O que, realmente, nos espera, após a morte física, tão certa quanto surpreendente, incontrolável e contundente?

Em João 14:1-3 o Senhor Jesus define a esperança para o futuro eterno, em três aspectos importantes.

O cenário da ocasião era de tristeza e de apreensão.

A cruz se aproximava e o Senhor fazia os Seus discípulos terem a consciência do fato.

Por isso, disse a eles: "Não se turbe o vosso coração". Notáveis palavras que estabelecem, de forma inequívoca, a favorável esperança para o futuro!

Preliminarmente, o Senhor os conduz a dois pensamentos preciosos:

  • "Não se turbe" - Não temos porque nos preocupar, pois é a Palavra do Senhor que fundamenta em nós essa gloriosa esperança;
  •  "Crede em Mim" - Está aí estabelecida a essencialidade da nossa Fé, pois é ela que nos faz apropriar dessa preciosa verdade e dela sermos usufrutuários.

Vejamos os três aspectos dessa bem-aventurada esperança:

Uma esperança de HABITAÇÃO (v. 2) "vou preparar-vos lugar" 

Gênesis 2:8 afirma: "E plantou O Senhor Deus um jardim no Éden... e pôs nele o homem que havia formado". Para o homem que criou, preparou Deus, antecipadamente, um lugar maravilhoso, onde devia habitar no pleno gozo da Sua comunhão. O versículo 15 diz: "tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim de Deus". O pecado humano fez o homem perder esse lugar. O Senhor teve que lançá-lo fora! (Gênesis 3:23). Mas Deus não abandonou o projeto de habitação para o homem. Cristo veio para nos garantir a posse de nova habitação (Lucas 19:10). N'Ele está a gloriosa esperança da nossa HABITAÇÃO eterna, privilégio garantido aos que n'Ele crêem! O túmulo não é o fim! Há um lugar a nossa espera: pessoal, perfeito e permanente (1 Tessalonicenses 4:13).

Uma esperança de VIAGEM (v. 3a) "voltarei e vos receberei para mim mesmo"

Para chegarmos ao lugar do futuro uma VIAGEM nos está prometida! E quê viagem! Será a mais extraordinária VIAGEM que alguém já fez ou fará! Diz Paulo em 1 Tessalonicenses 4:17 "seremos arrebatados... entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares". Será uma viagem com tempo certo, pois o seu momento é marcado pelo Senhor (1 Coríntios 15:52; 1 Tessalonicenses 4:16). Com pessoas certas, pois só os que dormem no Senhor dela participarão (1 Tessalonicenses 4:16; Apocalipse 14:13). Com destino certo claramente definido pelo Senhor. Não é viagem sem destino (Apocalipse 22:14).

Uma esperança da melhor COMPANHIA (v. 3b) – "para que, onde eu estou, estejais vós também"

Não estaremos sozinhos! Estaremos para sempre com o Senhor! (1 Tessalonicenses 4:17). Lá usufruiremos, na gloriosa Comunhão com o Senhor, da Sua Proteção, da Sua Provisão e da Sua Paz.

No dia de finados lembremos de que há esperança para o nosso futuro!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

O cidadão celestial

Precisa-se de jovens de caráter; jovens que tenham um alto ideal de vida e que desprezem tudo quanto é vil; que tenham um profundo ideal de Eternidade.

"A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo"

Filipenses 3:20 (NVI)

 

Setembro, no Brasil, é um mês muito alegre e festivo. 

É o mês do início da primavera.

Flores coloridas que exalam perfumes inebriantes.

Dias claros e sol brilhante.

Tudo isso faz o encantamento da época.

É um prazer especial passear pelos jardins primaveris.

Faz-nos admirar, ainda mais, a maravilhosa ação criadora de Deus e sentir as delícias da comunhão com Deus..

Mas é, também, o mês da afirmação de nossa “cidadania” nacional, que destaca, no dia 7, o "Dia da Pátria", que se festeja com grande júbilo e orgulho nacional, lembrando a nossa independência política.

Afirma o dicionário que "Pátria é o país ou estado em que cada um nasceu, e ao qual pertence como cidadão" (Aulete). Esse conceito afirma a importância invulgar da “cidadania”. É patrimônio natural e gracioso, de valor excepcional, que garante privilégios e direitos singulares e estabelece responsabilidades incontestáveis. 

A “cidadania” é inalienável! 

Acompanha o indivíduo desde que nasce e só se extingue quando ele morre, o que a torna limitada ao tempo da vida física. 

É a “cidadania” terrestre. 

É lamentável que, nos dias que correm, acentua-se, em todas as áreas do comportamento humano, o mau exercício da “cidadania”, sem que se lhe dê o respeito que merece. O seu exercício tem sido de modo relaxado e desprezível. O que resulta disso é uma nação desordenada e caótica, onde os valores morais e espirituais se anulam. Festeja-se muito a “cidadania”, mas não é ela exercida na dimensão correta dos valores que a caracterizam. A irresponsabilidade é notória nessa área. Perdem-se, então, os preciosos privilégios e os direitos que dela advêm! E, então, exibimos uma nação melancolicamente enfraquecida e desmoralizada, sem expressão e respeito! 

Deplorável quadro da “cidadania” terrestre! O que faz uma nação respeitada é o correto exercício da “cidadania”. Quando a “cidadania” é mal exercida a nação se torna falida!

Mas a Bíblia fala-nos de outro tipo de CIDADANIA: "A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (Filipenses 3:20).

Trata-se da incomparável CIDADANIA CELESTIAL! 

Algumas oportunas considerações a respeito:

  1. Não pertence a todos. Só os que, autenticamente, nascem de novo a possuem (2 Coríntios 5:17). Não tem nada a ver com a membração eclesiástica formal ou práticas religiosas (Mateus 7:21).
  1. É um direito irrevogável dos filhos de Deus, alcançado e possuído graciosamente (Efésios 2:8,9), mas que teve um preço imensurável, pago amorosa e espontaneamente pelo Senhor Jesus (I Pedro 1:18-19).
  1. É alcançada, somente, pela fé sincera e verdadeira na Palavra, na Pessoa e na Obra do Senhor Jesus Cristo (João 1:12; 6:40).
  1. Confere privilégios inestimáveis, que implicam em bênçãos e exercícios espirituais, na companhia do Senhor (Mateus 28:20b) e na habitação permanente do Espírito Santo (João 14:16-17), garantia de nossa herança e redenção, cujo poder passa a atuar em todas as áreas da nossa vida (Tito 2:11-13; Efésios 1:13-14).
  1. Tem caráter eterno (possuímos a vida eterna - João 10:28) e implica no usufruto da eternidade com Deus. Ultrapassa a precária experiência da vida física, pelo evento miraculoso da ressurreição do corpo e do arrebatamento, a fim de estarmos para sempre com o Senhor (1 Tessalonicenses 4:13-18; Efésios 3:21).

Festejemos, com santo e jubiloso entusiasmo a CIDADANIA CELESTIAL que possuímos. 

Cumpramos, porém, no seu privilegiado exercício, com fidelidade, a oportuna recomendação de Paulo em Efésios 4:1... "que vivam de maneira digna da vocação que receberam".

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Primavera, o jardim da Casa de Deus

Há que haver, com urgência, uma mudança de atitude, por parte de lideranças chamadas evangélicas e dos que se dizem cristãos, quanto à tolerância à detestável promiscuidade com o mal (pecado), pois a Deus ninguém engana e as consequências dessa atitude rebelde à orientação divina serão funestas, afe

"...os justos florescerão... crescerão... plantados nos jardins da casa de Deus... florescerão nos átrios do Senhor."

(Salmo 92:12-13 - NVI-BV)

 Setembro, a primavera está chegando! É um dos mais belos períodos do ano. O céu é mais azul, o sol é mais brilhante e a lua é mais encantadora. As campinas se renovam com as suas matizes verdejantes variadas e harmoniosas, exibindo um painel de beleza incomparável.

Surgem os jardins plantados pelos Hábeis e Poderosos Dedos de Deus! Abre-se, diante de nossos olhos extasiados o panorama das flores, as mais diversas, coloridas e perfumadas, através das quais passeiam, bailando lindamente, as borboletas vestidas de rara beleza. Surgem os arbustos, com roupagens que nenhuma dama, por mais elegante que seja, pode vestir. Aparecem as árvores frondosas e copadas, no meio das quais os passarinhos multicores e cantantes produzem uma musicalidade invulgar, celestial, sob a regência habilidosa do Maestro por excelência que nos comove e motiva ao louvor e ao cântico jubiloso.

É a manifestação espontânea da alma, compungida e emocionada, dos que amam a Deus, sensibilizada pela natureza! É o JARDIM DE DEUS! Essas reflexões conduzem-me ao Salmo 92, onde o Salmista, com maestria e inspiração, fala desse jardim. A "Bíblia Viva" usa a expressão "jardim", onde outras versões dizem "casa" ou "átrios" de Deus.

Nesse belo Salmo, os "justos" ou "os que amam a Deus" (BV) são comparados às plantas, às arvores e às flores que devem formar esse lindo cenário de encantamento e beleza espiritual. Somos chamados de O JARDIM DE DEUS!

Em Is.58:11, diz o Senhor, sobre o seu povo: "serás como um jardim regado"; e em Jr.31:12: "a tua alma será como um jardim regado, e nunca mais desfalecerão". Que privilégio! Não podemos, por isso, nos omitir no louvor sincero e autêntico e nos cânticos espirituais. Devem eles sair, em notas melodiosas e retumbantes de nossa alma jubilosa e agradecida a Deus, pelo que Ele é para nós e pelo que faz em nós e através de nós!

É bom lembrar que o Senhor "plantou... um jardim no Eden... e pôs nele o homem que tinha formado" (Gn.2:8). Que lindo era esse jardim do Senhor! Nele "andava... pela viração do dia"! (Gn.3:8). Que prazer lhe dava o jardim!

Como o salmista, devemos proclamar: "Como é bom dar graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome ó Altíssimo" (v.1); e: "Tu me alegras, Senhor... as obras das tuas mãos levam-me a cantar de alegria" (v.4). No Salmo temos alguns motivos especiais para exercitarmos essa devoção, como JARDIM DE DEUS:

1. A misericórdia de Deus (v.2a) - É a misericórdia de Deus um dos seus mais destacados atributos. A BV usa a expressão: "o teu amor e o teu cuidado constantes" e a NVI: "o teu amor leal”. Os benefícios que nos advêm do exercício da Sua misericórdia são incalculáveis. As misericórdias do Senhor: a) são a razão de não sermos consumidos; b) não têm fim; c) renovam-se a cada manhã. (Lm.3:22-23). Diz Paulo (Ef.2:4), que Deus é "rico em misericórdia" e, por isso, nos tem salvo pela Sua Graça.. Veja I Pd 1:3.

2.  A fidelidade de Deus (v.2b) - A fidelidade de Deus é uma das grandes motivações de nosso louvor. Diz Davi no Sl .23: "O Senhor é o meu Pastor, de nada terei falta... mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo"  Veja: Mt.20:28; 1Co.1:9; 10:13; Hb.10:23..

3. As obras da Sua mão (v.5a) - Afirma o salmista "como são grandes as tuas obras". Nada se compara à grandeza das obras de Deus, tanto no mundo da micronatureza como no da macronatureza. E tudo Deus fez com vistas ao benefício da sua criatura. No Sl.104:24 lemos: "Que variedade, Senhor, nas tuas obras, todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas". Veja Rm.11:33-36.

4. Os pensamentos (propósitos) de Deus (v.5b) - Aí lemos que os pensamentos de Deus são profundos! "O insensato não entende e o tolo não vê"! (v.6). Rm 11:34 diz: "Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?" e I Co 2:16: "Quem conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? Porém, nós, os seus filhos, "temos a mente de Cristo". Como é bom saber que estamos nos propósitos Soberanos e profundos de Deus e que os temos a orientar e enriquecer a nossa vida! Veja Is.55:7-9 e Ef.4:1.

5. A eternidade de Deus (v.8) - Aí lemos: "tu, porém, és o Altíssimo eternamente". Só o Eterno nos pode garantir a eternidade.  A vitória sobre a morte está garantida. Veja Jo.10:28; 1Ts.4:17; 1Co.15:52-57.

QUE NO JARDIM DE DEUS HAJA LOUVOR E CÂNTICOS JUBILOSOS EXALTANDO O SEU NOME!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Soberana vocação

Neste dezembro novamente vivenciamos a euforia da comemoração do nascimento de Cristo.

"Esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" - Filipenses 3:13-14

Ano novo nos impõe reflexões sérias.

O que vai acontecer dependerá muito do que definirmos no início da nova jornada.

O texto de Paulo acima mencionado pode nos ajudar nessas reflexões. Vejamos:

1 - Temos que seguir em frente

O relógio não para. Não podemos deixar de segui-lo no tempo que corre inflexivelmente. A inércia é incompatível com a própria vida! Quem para no tempo não vive. Vegeta! Temos que decidir. Temos que agir. Temos que realizar para não nos distanciarmos das oportunidades, do tempo certo e das conquistas possíveis, vivendo a vida na sua plenitude e realizando a vontade Soberana de Deus. Vida ideal é a vida na vontade de Deus. E o novo ano é um desafio novo para esse tipo de experiência.

2 - Temos que esquecer as coisas passadas

Derrotas e conquistas do passado não nos devem ocupar na projeção do novo desafio. É claro que devemos ter presentes as lições que nos restaram dessas experiências, pois elas, sem dúvida, nos serão úteis. Viver na angústia das derrotas ou na euforia das vitórias nos inibirá nas cogitações necessárias para a projeção do novo desafio. O que passou, passou! Com as lições do passado, organizemos o projeto do futuro, na sábia orientação do Senhor, sem nos quedarmos absortos e inúteis na contemplação do que já foi, criando, assim, alvissareira expectativa das bênçãos do novo ano.

3 - Temos que levar em conta os alvos do Senhor

O mais importante no desafio do novo ano é acertar, sempre, com a vontade do Senhor naquilo que realizarmos. Paulo define isso como "soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". O nosso grande desafio, no novo ano, é permitir que o Senhor possa realizar, através de nós, a Sua soberana vocação. Deus tem planos para as nossas vidas. Anulamos o exercício dessa soberana vocação, quando não damos o espaço que Deus necessita para trabalhar em nós e através de nós. Os alvos do Senhor são o nosso grande desafio. Não deixemos o novo ano se escoar à margem da soberana vontade de Deus! Se assim agirmos tornaremos sem razão de ser o novo ano e falharemos, rotundamente, no desafio que Deus ora nos faz!

Seja 2020 um ano ricamente abençoado na realização da SOBERANA VOCAÇÃO DE DEUS EM CRISTO JESUS.

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Triunfante declaração no Monte do Calvário: Está consumado

"Jesus... disse: 'Está consumado.' E inclinando a cabeça rendeu o espírito" (João 19:30)

Semana santa!  Celebração, no calendário religioso cristão, do mais alto destaque. Tem atravessado séculos envolvendo comovidas multidões de todas as classes sociais em todo o mundo.  Sabemos que a maioria a celebra por mera formalidade religiosa, sem o entendimento correto da importância dos acontecimentos históricos pertinentes. Tudo se faz, com muita pompa, sem a compreensão do verdadeiro significado espiritual da morte e da ressurreição do Senhor. 

Esses fatos, registrados nas páginas da História pelo Senhor, de forma indelével, têm valor eterno. A paixão de Cristo e a Sua ressurreição gloriosa viabilizaram, de forma auspiciosa e incomparável, a REDENÇÃO do pecador destinado à perdição eterna.

Louvamos a Deus por isso! 

Algumas das declarações do Senhor se tornaram antológicas e inesquecíveis. Esta é de importância transcendental: ESTÁ CONSUMADO!  Não a prolatou, na hora angustiante e final da Sua paixão, para afirmar o fim da Sua vida humana ou do Seu terrível flagelo físico. Não era a declaração do fim de uma aventura ou de uma boa tentativa frustrada.  Não.  Era, sim, a voz divina, fazendo ecoar, triunfalmente e para toda a Eternidade, a afirmação gloriosa do valor da REDENÇÃO.

OBRA que se pretenda realizar, só se pode dar como efetivamente acabada, quando se chega ao fim da execução completa do respectivo projeto. Muitos tentam, mas ficam no meio do caminho!

Há três elementos básicos que devem, necessariamente, ocorrer, para que a consideremos consumada:

·         Deve ser realizada, em todos os detalhes, na conformidade exata do projeto

A REDENÇÃO foi uma obra projetada na eternidade por Deus e realizada, com absoluta fidelidade, ao plano do PAI, pelo Seu FILHO - Efésios 1:3-7.

·         Deve ser realizada no tempo certo

A REDENÇÃO foi realizada no tempo de Deus. Tudo Deus faz na hora certa - João 12:23,27,31-33.

·         Deve satisfazer plenamente ao alvo pretendido

A REDENÇÃO alcançou o objetivo planejado por Deus, satisfazendo-o plenamente, pois possibilita a restauração plena do pecador perdido à comunhão com o Senhor e à sua capacitação necessária para a realização do Seu eterno propósito - Efésios 2:11-22.

Há quatro notáveis aspectos da REDENÇÃO que se consumaram com a Obra realizada por Jesus Cristo, na Sua paixão e na Sua ressurreição:

1 - Consumou a prova do AMOR de Deus

A moldura maravilhosa da REDENÇÃO é o AMOR PERDOADOR de Deus, declarado nas Escrituras, personificado em Cristo, provado no Calvário e no túmulo vazio e, afinal, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado - João 3:16, 13:1; Romanos 5:5-8.

2 - Consumou a JUSTIÇA de Deus a favor do homem

Nenhuma iniciativa humana, religiosa ou filantrópica, pode nos justificar perante Deus. Só a idoneidade de Jesus Cristo, Aquele que, não tendo conhecido pecado, Se fez pecado por nós, para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus, pôde nos justificar de forma cabal, definitiva e eterna - Romanos 5:1, 8:1,31-39; 2 Coríntios 5:21.

3 - Consumou a segurança da VIDA ETERNA, a favor do homem redimido

A condição do homem, estabelecida na sua criação à imagem e semelhança de Deus, foi a de ser eterno.  O pecado afetou essa condição, tornando-o mortal. Mas a obra da REDENÇÃO consumou a possibilidade da restauração desse patrimônio incomparável - João 10:10-28; Efésios 2:1.

4 - Consumou a ESPERANÇA da ressurreição do corpo do homem redimido

Nada se compara com a gloriosa expectativa da eternidade. É a afirmação inquestionável da certeza da nossa vitória sobre a morte - João 14:1-3; 1 Tessalonicenses 4:13-18 - 1 Coríntios 15:53-57.

"ESTÁ CONSUMADO" - Brado divino que assegura a REDENÇÃO eterna!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Um exemplo de vida espiritual autêntica para o ano novo

Asa fez o que era bom e reto perante o Senhor

2 Crônicas 14:2

Não há como se negar que o panorama cristão dos nossos dias apresenta, em muitas áreas de atuação, um contexto de carente espiritualidade. Essa situação negativa do cristianismo atual é reconhecida e proclamada por lideranças evangélicas idôneas. Refletindo sobre esse fato deparei-me com um digno exemplo de notável espiritualidade nos idos da velha monarquia israelita: o rei Asa, de Judá (2 Crônicas 14:1-8).

Sabemos, pelas Escrituras, que o contexto geral do comportamento religioso israelita era deplorável, tanto no reino de Israel como no de Judá, por causa da ausência de espiritualidade das suas lideranças. Raros foram os reis que correspondiam ao padrão determinado por Deus para o exercício de suas importantes funções. Por isso o caos acontecia e alcançava toda a coletividade israelita.  O versículo 2 do texto define a espiritualidade de Asa com uma notável definição de seu modo de ser e de agir como rei: “Asa fez o que era bom e reto perante o Senhor”. Que extraordinário exemplo de vida espiritual autêntica!  Destacamos três marcas desse exemplo positivo:

1.     PREOCUPADO COM O EXERCÍCIO DA BONDADE – “fez o que era bom”

Afirmou o Senhor Jesus que ”ninguém é bom, senão um, que é Deus” (Lucas 18:19). Na verdade, o ser humano não tem condição de exercer a “bondade” no seu conceito verdadeiro, por causa da sua natureza pecaminosa. Mas em Cristo, pela atuação do Espírito Santo em e através de nós, somos capacitados a manifestar a “bondade”, evidência indiscutível de espiritualidade. Por isso Paulo, em Gálatas 5:22, afirma ser a “bondade” um dos aspectos do fruto do Espírito. Não confundir “bondade” com práticas filantrópicas exibicionistas e formais, contemporização com erros censuráveis, omissão de ações disciplinadoras necessárias, e muitas outras atitudes mascaradas de “bem querer” ou práticas de falso amor, em geral adotadas para atender a interesses próprios, motivadas por segundas intenções. Ser “bom”, como no exemplo do rei Asa, é agir com sinceridade e sem alarde, como se Deus mesmo estivesse agindo através de nós. É conduzir-se sob o total controle do Espírito de Deus. Quando buscamos esse tipo de atitude, a verdadeira “bondade” se manifesta e a espiritualidade se evidencia no nosso comportamento. Veja o exemplo de Paulo em Filipenses 1:21, conforme Romanos 7:19.

2. PREOCUPADO COM O EXERCÍCIO DA RETIDÃO – “fez o que era... reto”

O detalhe do exemplo de espiritualidade do rei ASA aí destacado é a sua preocupação em agir, em tudo, com “retidão”. É uma expressão de conotação jurídica da maior importância. “Reto” é aquilo que corresponde exatamente à medida certa, isto é, está estritamente dentro do padrão correto. É o “justo”. Só Deus é justo, pois só Deus age em absoluta “justiça”. “Justiça”, na Bíblia, tem o sentido daquilo que corresponde, rigorosamente, ao padrão de comportamento estabelecido por Deus.  O pecado nos “desajustou” e nos tornou “injustos”. Mas pela Graça de Deus, através da obra de justiça realizada por Jesus Cristo no Calvário, onde Ele recebeu o castigo dos nossos pecados (Isaías 53 – obra da Redenção), somos declarados “justos”, quando cremos (Romanos 5:1 – justificados pela fé) e capacitados à prática da justiça, pela atuação poderosa do Espírito Santo que em nós habita. É o exercício da Soberana vontade de Deus em tudo o que fazemos, agindo, rigorosamente, no Seu padrão em nosso viver cristão, para evidenciarmos espiritualidade.  Deus não quer que sejamos “religiosos”. Quer que sejamos “espirituais”. Que digno exemplo de espiritualidade é Asa para nós, fazendo somente o que era reto! Fazer o que é reto é agir na estrita vontade de Deus. Veja o ensino de Paulo em Romanos 12:1-2 – experiência da boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

3. PREOCUPADO EM SER BEM AVALIADO POR DEUS – “perante o Senhor”.

Asa era diferente de muitos reis que lideraram os israelitas, que agiam mais preocupados em satisfazer aos interesses temporais do que a Deus. Ignoravam o fato de que estavam perante Deus e de que é Deus, afinal, Quem avalia e julga o comportamento humano. Asa agia sempre consciente de que estava perante Deus e que a Deus é que deveria prestar contas (Romanos 14:12). Isso o estimulava a ter a máxima atenção na maneira como agia. Não lhe importava a avaliação humana, mas a divina. Essa é outra marca notável da espiritualidade. Devemos sempre ter presente que vamos comparecer perante o Tribunal de Cristo, para que cada um de nós receba segundo o bem ou o mal que tivermos feito por meio do corpo (2 Coríntios 5:10). Ajamos segundo o louvável exemplo de espiritualidade de Asa, conscientes de que estamos sempre agindo perante Deus, por Quem vamos ser avaliados e julgados e a Quem deveremos prestar contas.

Anotamos, a seguir, quatro aspectos práticos do exemplo de espiritualidade do seu comportamento como rei:

1. EXTIRPOU A IDOLATRIA – vs. 3, 5

Veja os verbos que descrevem a sua contundente atitude: “aboliu” e “quebrou”. Deus é absoluto e exclusivo e não admite outros cultos e devoções que Lhe sejam estranhos e concorrentes.  Devemos nos examinar e, consciente e determinadamente, extirpar qualquer resquício de idolatria que agasalhemos. Veja Salmo 16:2-4.

2. DETERMINOU QUE BUSCASSEM AO SENHOR – v. 4

Deus deve ser prioritário em nossa vida. Deixamos, muitas vezes, de buscar ao Senhor, perdendo-nos nas nossas próprias propostas de soluções, prejudicando, assim, a nossa espiritualidade. Veja Provérbios 3:5-6; Salmo 37:5.

3. DETERMINOU A OBSERVÂNCIA RIGOROSA À PALAVRA DE DEUS – v. 4

É indispensável, para a espiritualidade na vida cristã, permanente preocupação com a observância dos ditames da Palavra do Senhor. Veja a orientação de Deus a Josué, para que fosse bem sucedido na sua missão da conquista da terra pelo povo de Israel, sob o seu comando (Josué 1:7-8). E funcionou! Veja Salmo 119:11; 97-105.

4. ESTABELECEU FORTIFICAÇÕES SEGURAS CONTRA OS INIMIGOS – vs.6-8

Não poderemos manifestar espiritualidade na fragilidade de nossas resistências espirituais. Veja Efésios 6:10-18 – a armadura de Deus. Deus não nos quer desguarnecidos e nos propicia todos os recursos necessários para sermos vencedores. Devemos apropriá-los e utilizá-los. A exortação de Pedro vai nesse sentido (1 Pedro 5:8).

CONCLUSÃO

No digno exemplo da espiritualidade de Asa, constatamos o “resultado” de extraordinárias bênçãos: PAZ – REPOUSO – PROSPERIDADE (vs. 6-8). Sigamos o seu exemplo de vida espiritual autêntica, para usufruirmos, também, as mesmas bênçãos.

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Um homem enviado por Deus

Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João

João 1:6

No mundo globalizado em que vivemos tornam-se imperiosas e constantes as gestões para a solução dos intrincados problemas que afligem os povos. A figura do diplomata é tremendamente valorizada, pois as suas funções são da maior importância para a coexistência pacífica e favorável dos povos. O destino dos povos depende da correta, eficiente e dedicada atuação desses homens que, “enviados” pelos seus governos, muitas vezes fracassam em suas missões.  

Deus tem bons propósitos para este mundo. Embora o ser humano esteja mergulhado na desgraça do pecado, porque se afastou de Deus e dEle vive alienado, o que Deus mais deseja é reverter essa situação, na qual o  homem voluntariamente se meteu. Foi por isso que “enviou “Seu unigênito Filho, para que o homem não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16-17). Vejam Mateus 10:40; João 17:3 e 1 João 4:9-10.  

Deus sempre enviou homens, por Ele escolhidos, para a realização de grandes missões na terra: Moisés (Êxodo 3:10-15); Isaías (Isaías 6:8-9); Jeremias (Jeremias 1:4-10); Ezequiel (Ezequiel 2:1-3:15); Zacarias (Zacarias 2:11); Malaquias (Malaquias 4:5).  

Consumada a Obra Redentora, quis Deus, consoante o Seu eterno plano, que a divulgação da mensagem que, afinal, beneficia o homem com a sua restauração espiritual, ficasse a cargo do próprio redimido. Disse Jesus “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os envio”. Vejam João 20:21. Por sua vez, Paulo nos ensina que “somos embaixadores em nome de Cristo” (1 Coríntios 5:20).

João Batista, profeta singular e de importância notável no cenário histórico, foi o "homem enviado por Deus", como arauto, preanunciando a vinda de Jesus Cristo ao mundo. No exemplo de João Batista, como “enviado por Deus”, identificamos a condição essencial para ser o "homem enviado por Deus": COMUNHÃO com Deus. Ninguém será um bom embaixador em nome de Cristo sem perfeita e íntima identificação com Ele, a qual só será alcançada através de estreita COMUNHÃO com Ele.  Assim aconteceu com muitos que, à semelhança de João Batista, foram enviados e eficientemente usados pelo Senhor. O Senhor Jesus enviou os Seus discípulos a partir de profícuo e intenso tempo de COMUNHÃO com os mesmos (João 15:16; 20:19; Lucas 24:44-53; Atos 11:8). Paulo é outro exemplo notável, consoante o que nos informa Gálatas 1:17-24. Ficou longo tempo na presença do Senhor, em íntima COMUNHÃO com Ele, antes de ser envolvido na missão incomparável que o Senhor lhe destinara. E que missão!  

Ser “enviado”  não significa, apenas, declarar-se como alguém que Deus enviou, mas alguém que sai no “tempo de Deus”, na “maneira de Deus”, para “fazer o que Deus quer” e “onde Deus mandar”. Tudo isso implica, necessariamente, em plena COMUNHÃO com Deus, onde toda a preparação e orientação imprescindíveis serão obtidas na Sua sábia provisão, mas a busca da presença do Senhor é indispensável no exercício de nossa missão, para que ela tenha sucesso.  

Vejamos alguns aspectos sobre a COMUNHÃO no contexto do tema meditado:  

1. Manter COMUNHÃO é o nosso ponto fraco. Somos negligentes nessa área de nosso comportamento cristão, pois nos preocupamos, apenas, com o nosso trabalho e com o que ele significa para nós e não para Deus. Constata-se isso quando:

  • Envolvemo-nos com a satisfação pessoal  da nossa animada atuação e do entusiasmo no trabalho que fazemos, descuidando de buscar a presença do Senhor para verificarmos se o trabalho está sendo feito na Sua soberana vontade e se, realmente, O agrada. Centralizamo-nos, mais, na experiência do gosto e do prazer pessoais do que no prazer da santa COMUNHÃO com o Senhor e da Sua presença;
  • Valorizamos o trabalho que fazemos mais pela projeção pessoal que nos confere perante o contexto humano, sem darmos a devida importância ao nosso tempo com Deus. Apreciamos o aplauso das multidões mais do que a apreciação do Senhor no recôndito sublime da Sua COMUNHÃO. Quanto mais merecemos a aprovação do Senhor, menos procuraremos para nós o louvor dos homens!
  • Avaliamos mal o resultado do trabalho que fazemos. Alienando o Senhor do nosso convívio afetamos o critério correto da nossa avaliação. Resta-nos, então, a falha apreciação feita com os precários recursos da nossa vaidade pessoal. Isso nos impede de constatar a triste realidade da ausência das bênçãos do Senhor naquilo que fazemos.

2. A COMUNHÃO com Deus dá-nos a percepção exata de nós próprios e do nosso envolvimento com a  missão que nos incumbe. A nossa eficaz COMUNHÃO com Deus permite:

  • Que sintamos que nada somos. Interrogado João Batista pelos sacerdotes e levitas sobre quem era, três vezes disse que não era o Cristo, nem Elias ou um profeta, evidenciando que não se considerava nada mais além do que realmente era. Na sua nobre humildade, obtida  na Sua COMUNHÃO com Deus, declarou que era "apenas a voz". Essa era a percepção exata que tinha de si mesmo e do seu envolvimento na Obra do Senhor (João 1:19-23);
  • Que reconheçamos que o verdadeiro serviço para o Senhor manifesta Vida e Poder e não, apenas, resultados efêmeros e passageiros, ainda que aparentemente  grandiosos. Assim usufruiremos de uma experiência espiritual e não meramente emocional;
  •  Que não nos enganemos quanto à medida do nosso progresso espiritual, dom e fé, elementos essenciais para a constatação dos resultados obtidos. A glória do que for alcançado será sempre do Senhor e não nossa (Colossenses 3:17; 1 Coríntios 10:31).

3. Na COMUNHÃO calma e santa da presença do Senhor aprendemos as preciosas lições necessárias ao bom desenvolvimento do Seu serviço e alcançaremos a realização do Seu Soberano propósito. É a “boa parte” constatada na escolha de Maria aos pés de Jesus Cristo (Lucas 10:42). Há muitas coisas preciosas que aprendemos na presença do Senhor, entre as quais destacamos:

  • A maravilha do Seu amor;
  • A Sua Graça infinita;
  • O Seu Soberano propósito; O Seu programa, os ensinamentos sobre a Igreja e a nossa responsabilidade como membros do Corpo de Cristo;  
  • A realidade do poder do Espírito Santo, atuante em nossa vida.

 4. A COMUNHÃO com Deus estabelece em nós as condições para uma atuação correta e corajosa. Não podemos cumprir cabalmente a nossa missão se não atuarmos com correção e com coragem. João Batista é um digno exemplo desse tipo de comportamento. A COMUNHÃO com Deus nos supre nessa área, levando-nos a que:

  • Não meçamos a força do inimigo perante a nossa fraqueza, mas perante o Poder de Deus; sigamos o exemplo de Paulo que, na prisão, escreveu: “tudo posso naquele que  me fortalece” (Filipenses 4:13);
  • Não procuremos imitar outros servos, mas fazer aquilo que o Senhor nos manda, contentes por sermos enviados por Ele para fazermos somente o que Ele deseja;
  • Não pretendamos escolher o que devemos fazer, segundo as nossas conveniências pessoais, à revelia da vontade do Senhor, mesmo quando ela se apresente como um grande e difícil desafio;
  • Nunca saiamos para a realização de qualquer atividade antes de termos a convicção de que fomos enviados, não correndo na frente da vontade do Senhor;
  • Esperemos no santuário da presença do Senhor, com Ele aprendendo e formando-nos espiritualmente;
  • Constatemos se os outros estão percebendo em nossas atividades as características que evidenciam que, realmente, fomos enviados pelo Senhor.

João Batista evidenciou esses aspectos no seu peculiar e específico ministério, patenteando, inquestionavelmente, ter sido "um homem enviado por Deus"! O resultado do seu curto, mas importante, fiel e profícuo ministério, no cenário do programa de Deus para a humanidade, revelam "duas marcas" notáveis da ação de "um homem enviado por Deus":  

1. TESTEMUNHO FIEL  – “Ele veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele” (João 1:7). João Batista falava do que tinha "visto e conhecido". Falava o que o Senhor queria que falasse, ainda que isso lhe custasse muito, como, afinal, lhe custou (Mateus 14:1-12). Só na experiência pessoal das verdades divinas, alcançada no cultivo da COMUNHÃO com Deus, seremos "testemunhas fiéis", conduzindo os incrédulos à fé. Podemos ser excepcionais conferencistas, aplaudidos e cortejados pelos homens. mas péssimas testemunhas de Deus. Cuidemos para que isso não aconteça conosco!  

2 DEDICAÇÃO SINCERA E TOTAL  – “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). João Batista já dissera: “o que vem depois de mim tem contudo a primazia, porque já era antes de mim” (João 1:15); e “após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim” (João 1:30). Ele não se ufanava, considerando-se o centro do seu trabalho. Olhava para Cristo, a razão do seu viver e o alvo supremo da sua fé e do seu amor. Cristo era o "motivo e o fim" do seu serviço. Sua "dedicação sincera e total" foi provada na adversidade que enfrentou. Seja assim conosco!  

Conclusão – Preciosa lição  nos deixa esse "homem enviado por Deus". Devemos segui-la, buscando íntima e constante COMUNHÃO com Deus, para obtermos um "testemunho fiel" e alcançarmos "dedicação sincera e total".

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Um tesouro particular

“Eles serão para mim particular tesouro”

Malaquias 3:17

Vivemos época de incertezas e insegurança. Bruscas oscilações no universo dos mercados mundiais, nas diversas áreas de atuação, sejam comerciais, industriais, econômicas, financeiras e outras correlatas motivam grandes preocupações e um desesperado esforço para a formação de “particulares tesouros”.

Buscamos todos construí-los, com o acúmulo rápido dos mais diversos recursos patrimoniais que se oferecem, muitas vezes de modo desonesto e pouco ético, por considerarem tais “particulares tesouros” provisões seguras para ultrapassarem os impactos negativos das instabilidades ocorrentes.

Consoante o texto acima o Senhor, também, está formando o seu “particular tesouro”. Não com o acúmulo de bens materiais, porque Ele é o Criador de todas as coisas, possuidor e controlador do Universo, tudo tendo em Suas mãos, sob o Seu absoluto domínio (Colossenses 1:16-17), dono do ouro e da prata (Ageu 2:8). Refere-se aí o Senhor aos que O servem fielmente: “eles serão para mim particular tesouro”.

São os que temem ao Senhor e mantêm doce, agradável e ampla comunhão uns com os outros (“os que temiam ao Senhor falavam uns com os outros” – v. 16).

Sem dúvida, essas são duas características básicas dos verdadeiros “servos de Deus”:

1 - Temer ao Senhor;
2 - Comunhão uns com os outros.

A notável afirmação do Senhor no v. 14 constitui-se numa resposta ao lamentável questionamento que fora feito sobre a utilidade de servir ao Senhor: “Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?”

O desânimo e a frustração que tal pronunciamento revela não são tão raros na atitude de muitos! Vez por outra constatamos essa deficiência grave de autoavaliação negativa.

A lição nos serve. “Servir” ao Senhor não nos põe a coberto de problemas, dificuldades, pressões, angústias, incompreensões e injustiças (João 16:33). Antes de ficarmos preocupados e desanimados com os conceitos negativos a respeito de nós e do serviço que prestamos para o Senhor, devemos lembrar que não servimos a homens, mas a Deus e que a apreciação cabe ao Senhor!

Deve nos confortar saber que, como servos de Deus, somos-Lhe preciosos “são para mim particular tesouro” (v.17).

O contexto oferece alguns aspectos que caracterizam essa preciosidade. Vejamos:

  1. O SENHOR A TUDO ESTÁ ATENTO – “o Senhor atentava...” (v.16). Somos alvos, e também o nosso serviço, da Sua total e constante “atenção”, porque somos “preciosos para Deus” (Salmo 33:18). Seu permanente desvelo nos deve sempre animar, ainda que as circunstâncias nos sejam desfavoráveis. A vigilância do Senhor é a nossa garantia inquestionável no serviço que Lhe prestamos.
  2. O SENHOR SEMPRE NOS OUVE – “e ouvia...” (v. 16). A audiência do Senhor não se interrompe nunca. Temos com Ele um canal direto e permanente de comunicação através da oração (Efésios 6:18), que nos garante o suprimento indispensável na realização da Sua obra e os resultados por Ele desejados naquilo que Lhe prestamos.  É bom saber que contamos com Sua sempre pronta orientação e o Seu sábio conselho! Isso nos infunde confiança ao servi-Lo!
  3. O SENHOR REGISTRA TUDO – “havia um memorial escrito diante dele...” (v. 16). Não há porque nos preocupar em catalogar os nossos sucessos e os nossos fracassos. O registro do Senhor é o que vale e o que nos basta. As anotações e estatísticas que fazemos não são importantes, porque é o Senhor quem avalia o nosso serviço e a nós próprios. O que vale é o que Ele registra (Romanos 14:12; 2 Coríntios 5:10). Ao Senhor é que estamos servindo (Efésios 6:6-7). Não devemos servir para mostrar serviço aos homens e por eles sermos aprovados ou reprovados.  O memorial do Senhor há de registrar tudo com absoluta fidelidade! A Sua apreciação há de ser sempre a melhor! Não haverá distorções, superavaliações, equívocos ou depreciações, mas fidelidade divina no Memorial da Eternidade.
  4. O SENHOR POUPA OS SEUS SERVOS – “poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho que o serve...” (v. 17). Isso nos dá tranquilidade quanto ao que nos possa fazer os homens. “Se Deus é por nós quem será contra nós? (Romanos 8:31). Paulo testemunha sobre a sua difícil experiência ministerial: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). Diz mais, no final desse seu difícil, mas glorioso ministério: “fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará também de toda obra maligna, e me levará salvo para o reino celestial” (2 Timóteo 4:17-18). Chegaremos lá inteiros! Preservados pelo Senhor! É bom servir com essa convicção!
  5. e.     O SENHOR GALARDOARÁ OS QUE O SERVEM – “vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve” (v. 18). Temos aí a afirmação da avaliação fiel e correta que o Senhor fará do nosso serviço, para dar o Seu galardão aos que merecem (1 Coríntios 3:10-15). Essa era a convicção de Paulo ao fim de sua carreira: “já agora a coroa da justiça me está guardada...” (2 Timóteo 4:8). Será muito gratificante ouvir o Senhor declarar-nos, ao final: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei: entra no gozo do teu Senhor” (Mateus 25:21).

Conclusão: Vale a pena ser o “particular tesouro” do Senhor, usufruindo os privilégios acima mencionados. Que a nossa preocupação não seja com o ajuntamento dos valores temporais, que para nada servem (Mateus 6:19-21), mas sermos para o Senhor o Seu “particular tesouro”, aplicando-nos com fidelidade no Seu glorioso serviço. O salmista afirma: “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116:15).

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Visão Transformadora

"Então os olhos deles foram abertos e o reconheceram"  

Lucas 24:31

Na velocidade incrível do tempo chegamos a mais um abril. Neste mês, não há como se fugir do extraordinário impacto que a recordação da paixão e da ressurreição de Cristo nos causa. Os fatos são assuntos inevitáveis nos meios de comunicação de todo o mundo. Agora mesmo as massas humanas se empolgam e as controvérsias se avolumam com a milionária produção cinematográfica sobre o acontecimento.

Não cabe aqui analisar a produção quanto ao seu valor artístico, o seu conteúdo, fidelidade histórica e conveniência social ou racial. Que, pelo menos, se aproveite a oportunidade para conduzir as pessoas à reflexão necessária do "significado" dos fatos, biblicamente registrados, com vistas à imperiosa necessidade espiritual do homem, a Redenção, viabilizada, exclusivamente, pela fidelidade de Cristo, no cumprimento do eterno projeto de Seu Pai Celestial, sendo Ele o eficaz protagonista dos acontecimentos.

Multidões afluem às casas de espetáculos, conferências e entrevistas televisadas acontecem, acirradas e longas polêmicas e articulações se exibem nas revistas e nos jornais mais lidos do universo, focando o assunto de forma emotiva.

Riqueza imensa vai para os bolsos dos espertos e habilidosos exploradores da curiosidade popular. E, assim, os solenes fatos programados por Deus para a benção espiritual do homem, perdido na devassidão da sua pecaminosidade, tornam-se instrumentos, de um lado, da satisfação do apetite ganancioso dos interesses escusos do homem, e, de outro, da satisfação do emocional humano e do estímulo a uma forte experiência de adrenalina. É lamentável!

Mas, afinal, será que tudo isso reflete o correto comportamento humano diante dos dantescos fatos que envolvem a paixão e a ressurreição de Cristo? Creio que não! Na verdade o que há é uma equivocada contemplação pessoal e humana dos fatos em si, sem a necessária percepção do seu real "significado".

Mas isso já aconteceu quando os fatos ocorreram! Muitos foram os ângulos abordados nos comentários que se sucederam à época e as atitudes diversas assumidas pelos próximos e distantes do Senhor Jesus. Entretanto, faltou a todos a correta percepção do "significado" dos fatos e a compreensão correta da razão do que ocorrera. Faltava-lhes, então, a visão transformadora, que não contempla, apenas, os fatos, mas que vem da percepção e compreensão do verdadeiro "significado" dos mesmos. E estas só se conseguem pela fé na Palavra!

Veja a experiência dos dois discípulos de Emaús que viram tudo e voltavam para a sua aldeia (Lc.24:13-33).

  • Sabiam tudo sobre Cristo (v. 19) - O depoimento que fazem sobre Cristo denota um amplo conhecimento da Sua Pessoa, somente possível por uma convivência estreita e interesse especial. É impressionante o testemunho que dEle dão: "Ele era um profeta, poderoso em palavras e em obras diante de Deus e de todo o povo". Não basta o conhecimento intelectual sobre a pessoa de Cristo.
  • Contemplaram os fatos que envolveram Cristo na Sua paixão e morte (v. 20) - A visão que tiveram dos fatos fora direta e pessoal e não através de informação. Mas não avançaram na sua compreensão.
  • Foram emocionalmente e fortemente afetados (v. 17) - Afirma o texto que eles estavam "com os rostos entristecidos". A mera afetação emocional não significa uma experiência de real conversão ao Senhor. A tristeza que demonstravam, era, na verdade, a prova de que lhes faltava um correto entendimento do significado dos fatos que tanto os incomodara.
  • Contemplaram tudo mas nada viam (v.16) - Diz o texto: "mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo". É incrível! Mas sem a compreensão do significado dos fatos, a visão se fecha totalmente à maravilhosa presença do Cristo ressuscitado! Faltava-lhes ver o Cristo gloriosamente ressuscitado, ao lado deles, indo com eles.

Impunha-se-lhes, pois, uma “Visão Transformadora”! Como essa “Visão Transformadora” aconteceu? Com a ampla exposição das Escrituras (vv. 25-27), a respeito dos acontecimentos. O Senhor os levou a "crer em tudo o que os profetas falaram!" Esse era o testemunho deles quando já tinham os olhos abertos (v. 32).

Concluo: Somente a nossa Fé na Palavra do Senhor nos trará a “Visão Transformadora”, que nos fará alegres e seguros na presença do Cristo Ressuscitado. Não basta o impacto emocionante dos fatos exibidos ao público com os recursos extraordinários da indústria da comunicação.

Não se alcança “Visão Transformadora” pela contemplação do espetáculo, mas pelo PODER da Palavra crida!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Vivendo De Modo Digno Do Senhor

“... a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda a boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus, sendo fortalecidos com todo o poder... dando graças ao Pai” 

Colossenses 1:10-11

Um dos mais sérios desafios que nos é feito pela Palavra de Deus está contido no oportuno texto que encima esta crônica. Como temos vivido? A resposta a essa pergunta nos fará refletir sobre equívocos que cometemos. E é bom que reconheçamos esse fato. Mas o que passou, passou. Não devemos ficar a lamentar os fracassos, mas, reconhecendo-os com humildade, deles tirar as lições que nos ajudarão a responder favoravelmente ao novo desafio do Senhor: “Viver de modo digno do Senhor”.

Um chinês pagão disse, certa vez, a um missionário, que o seu maior desejo era tornar-se cristão evangélico. “Onde ouviu a pregação do Evangelho?”, perguntou o missionário. “Nunca o ouvi pregado, mas o tenho visto vivido”. Em Nirgpo havia um homem mau, fumador de ópio, violento, mas que foi transformado pelo poder do Evangelho. Por isso, “eu vi o Evangelho vivido e não pregado”.

Há duas maneiras de nos manifestarmos perante os outros: a primeira é pela proclamação verbal do que julgamos ser. A segunda é pela evidência de nossas atitudes e atos.

Revelamo-nos mais pelo que os outros veem em nós do que pelo que de nós dizemos. Jesus Cristo enfatizou a importância do testemunho da vida na afirmação do verdadeiro cristianismo, quando afirmou que “somos a luz do mundo e o sal da terra” (Mateus 5:13-16).

O “viver” fala mais alto do que o “falar”. O Senhor Jesus verberou e condenou fortemente a expressão negativa e hipócrita da religião formalista, sem valor e autenticidade, caracterizada pela verbosidade inconsistente (Mateus 23:13-36).

O que têm constatado em nós aqueles com quem convivemos? Tem sido notória a presença do poder transformador de Cristo em nossas atitudes e em nossos atos? O que de positivo pode ser notado? Não terá havido evidente contradição entre o que tenhamos dito a nosso respeito e aquilo que nossos atos e atitudes mostraram? Não terá a nossa vida desmentido e anulado a mensagem das nossas palavras, ainda que expressivas e eloquentes?

A esse respeito, Paulo é um digno e positivo exemplo. Paulo falou muito. Escreveu bastante. Mas viveu exuberantemente o que falou e escreveu. Viveu em Cristo. Mostrou Cristo em seu viver cotidiano. O que tem levado muitos, através dos tempos, a aceitar e confiar nas verdades por ele proclamadas a respeito de Cristo tem sido a mensagem do seu próprio viver. Ele afirmou: “Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2:20).

O cristianismo não se faz de palavras eloquentes, mas de vidas humildes que revelam o caráter do próprio Cristo. O cristianismo autêntico revela-se pelo “viver” do cristão, não pelo seu “dizer” que não é vivido. Isto será a negação do cristianismo.

Viver de modo digno do Senhor é o desafio que Ele nos faz. Se somos do Senhor não nos resta alternativa. Como novas criaturas devemos viver de modo digno do Senhor. A dignidade do Senhor é incomparável! Se não O dignificamos em nosso viver, O estaremos desonrando! Devemos, pois, “andar (viver) de modo digno da vocação a que fomos chamados” (Efésio 4:1).

Como viver de modo digno do Senhor? Paulo responde no texto básico desta crônica:

1. Vivendo para o Seu inteiro agrado – O Senhor deve ser “exclusivo” e “prioritário” em todos os lances do nosso viver. Nem sempre é isso que norteia nossos atos e atitudes. Buscamos, em geral, a nossa satisfação pessoal. Priorizamo-nos equivocadamente, deixando de lado o Senhor. O Senhor nos ensina que devemos “buscar em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça” (Mateus 6:33). A expressão “o seu reino” aí fala da nossa total submissão à Sua Soberania em nosso viver; a expressão ”sua justiça” tem a ver com o Seu padrão para o nosso viver. Isso significa que a Sua vontade deve ser ampla e necessariamente manifestada em nossa realidade existencial. O Senhor Jesus fez notável esse aspecto no exercício de Sua missão no mundo. Fazer a vontade do Pai era fundamental no Seu ministério na terra, como declarou reiteradas vezes (Mateus 12:50; Lucas 22:42; João 4:34; 5:30; 6:38). Somente priorizando o Senhor em nosso viver cotidiano e buscando fazer, em tudo, a Sua vontade, pondo-a acima da nossa própria vontade, é que viveremos para o Seu inteiro agrado. Paulo, também, dá grande ênfase a esse ensino, acentuando a imprescindibilidade da experiência da boa, perfeita e agradável vontade de Deus em nosso viver, para que a vida valha a pena (Romanos 12:1-2). Agindo assim estaremos vivendo para o Seu inteiro agrado e de modo digno do Senhor.

2. Frutificando em toda a boa obra – Ensinando os Seus discípulos sobre a produção de frutos no viver cristão disse o Senhor Jesus: “Todo o ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda” (João 15:2). A oportuna metáfora usada pelo Senhor Jesus, em João 15:1-17, contém preciosas lições sobre o desejo do Senhor para que o nosso viver cristão manifeste ampla frutificação. No verso 5 afirma o Senhor: “Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanecer em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”. Aprendemos aí três coisas fundamentais sobre o viver frutificando:

  1. – Devemos assumir totalmente o Senhor em nossa vida (“permanecer em mim”);
  2. – Devemos dar-lhe todo o espaço de nossa vida (“e eu, nele”);
  3. – Só assim frutificaremos em toda a boa obra (“esse dá muito fruto”).

O verbo chave nesse precioso capítulo é “permanecer”. O Senhor acentua a necessidade de permanecermos nEle (vs. 4, 5, 6 e 7), permanecermos na Sua Palavra (vs. 7 e10), permanecermos no Seu amor (vs. 9 e 10) para que possamos frutificar em toda a boa obra e o nosso fruto permaneça (v. 16). Ensina-nos Paulo que podemos contar, ainda, com o Espírito Santo, agente divino de nossa frutificação em toda a boa obra. Gálatas 5:22-23 afirma que “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Que privilégio podermos contar com o substancial suprimento do Espírito para frutificarmos em toda a boa obra nas várias áreas do nosso viver e, assim, vivermos de modo digno do Senhor!

3. Crescendo no pleno conhecimento de Deus – Em Efésios 4:15, Paulo afirma: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo”. O crescimento espiritual é uma evidência do novo nascimento. Afinal de contas é preciso nascer para crescer! A Palavra de Deus é clara quanto à imperiosidade do nosso crescimento espiritual: “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4:14). Que bom seria se, em nosso viver, pudéssemos ser notados em razão da acentuada maturidade espiritual exteriorizada nas nossas atitudes, na firmeza da nossa doutrina e autoridade espiritual, e na convicção de nossa fala, tudo isso resultante de inquestionável crescimento no pleno conhecimento de Deus! Antes de nascermos de novo estávamos afastados de Deus. Cristo nos reconciliou com Deus. Possibilitou-nos o Seu conhecimento, tanto como o Deus Criador como o nosso Deus e Pai. Exemplar foi a experiência de Enoque. Andou com Deus e Deus o tomou para Si. Cresceu no conhecimento de Deus como Pai e amigo íntimo. Diz Davi, no Salmo 25:14: “A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança”. Devemos procurar crescer no pleno conhecimento de Deus, como o Pai que nos ama. Esse conhecimento nos fará crescer espiritualmente, porque nos fará conhecer melhor a Sua vontade em toda a sabedoria e inteligência espirituais. Assim teremos condição de vivermos de modo digno do Senhor.

4. Fortalecidos com todo o poder – Vitalidade espiritual é fundamental para vivermos de modo digno do Senhor. Em 2 Timóteo 2:1, Paulo exorta: “Tu, pois, filho, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus”. O cristão deve ser dotado de energia espiritual (força) na manifestação do seu viver cotidiano. Não é a força do intelecto, da sua capacidade de persuasão, dos recursos materiais e financeiros de que dispõe, da sua posição privilegiada no contexto da sociedade, do seu autoritarismo, da sua truculência. A força de que carecemos vem do alto! É a concessão da graça que está em Cristo Jesus! Todos os recursos que nos revestem de todo o poder são fornecidos pelo Senhor. Por isso devemos buscá-los incansável e insistentemente. O Senhor no-los põe à disposição e espera que deles nos apropriemos através do exercício de nossa Fé. Em Efésios 3:16 lemos que Paulo orava para que o Senhor, segundo a riqueza da Sua glória, fortalecesse os crentes em Éfeso com poder, mediante o Espírito no homem interior. O Espírito Santo é recurso fundamental do nosso fortalecimento com todo o poder. Em Efésios 6:10, Paulo recomenda “sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder”. Alinha, a seguir, os recursos da armadura de Deus, dos quais nos devemos apossar para estarmos fortalecidos com todo o poder. O seu testemunho a respeito é notável, dado em circunstâncias de grande adversidade, pois se encontrava preso quando o deu: “tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). Somente fortalecidos com todo o poder poderemos viver de modo digno do Senhor.

5. Gratos ao Senhor – A gratidão ao Senhor no nosso porte cotidiano evidencia o nosso viver de modo digno do Senhor. Agrada muito ao Senhor contemplar-nos sempre gratos pelas múltiplas manifestações da Sua permanente graça a nosso favor. Paulo exorta: “Em tudo, dai graças, porque esta é vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Tessalonicenses 5:18). A gratidão ao Senhor é a moldura do nosso viver de modo digno do Senhor.

CONCLUSÃO – Aceitemos o desafio para vivermos de modo digno do Senhor. Adotando as cinco atitudes sugeridas por Paulo, estaremos fazendo do cotidiano uma notável experiência de vida cristã!

autor: Jayro Gonçalves.
Tema do Mês

Vivendo nas atuais circunstâncias adversas

2 Coríntios 4:8-18

Estamos mergulhados num turbilhão de apreensões, incertezas e inseguranças. Ser cristão não significa estar imune às contingências desfavoráveis da experiência cristã. O Senhor Jesus nos preveniu a respeito (João 16:1-4,33; 15:19,20). O texto acima referido nos dá uma demonstração notável desse fato. Aí Paulo expõe aspectos inevitáveis de circunstâncias adversas na experiência cristã, mas evidencia, com confortadoras palavras, os resultados altamente recompensadores que o Senhor, afinal, nos oferece no meio de tantas contrariedades.

Vejamos:

1 - As CIRCUNSTÂNCIAS ADVERSAS da experiência cristã – vs. 8 e 9

Há duas séries de particípios verbais (quatro em cada série), em contraste, usados por Paulo, que se relacionam gramaticalmente a nós (“somos”). Esses particípios aparecem em ordem ascendente e são paradoxais e antitéticos, no confronto das duas séries, contrastando “a natureza” com “a graça”. Essa notável exposição paulina tem por base o que se lê no capítulo 2:14-17 e nos conduz, afinal, até o capítulo 6:4-10. Assim descreve Paulo as circunstâncias adversas da experiência cristã:

a)    “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados” – A expressão “somos atribulados” tem o sentido de “oprimidos de toda a maneira”. Nunca estamos livres de uma ou outra provação. Estamos no mundo e, por isso, esperamos tribulações. Contudo, não estamos “angustiados”. Temos a paz de Deus (Filipenses 4:7), as manifestações do Seu amor e do Seu cuidado; e temos liberdade para chegarmos ao Seu trono, bem como à graça suficiente para toda provação (2 Coríntios 12:9).

b)    “perplexos, porém não desanimados” – A palavra “perplexo” significa “dúvida” ou “incerteza”. Muitas vezes estamos incertos e duvidosos acerca do que nos irá acontecer e, por vezes, não sabemos o que devemos fazer, que caminho devemos tomar, nem como as nossas necessidades irão ser supridas. Todavia “não desanimamos”. Não desesperamos porque contamos com a orientação, a ajuda, a presença e o apoio por parte do Senhor.

c)     “perseguidos, porém, não desamparados” – Podemos ser perseguidos pelos homens, amaldiçoados e desprezados por confessarmos a Cristo e pregarmos a Cristo crucificado, ressurreto e exaltado. Tal experiência adversa pode, até, ter origem na equívoca atitude de alguns que, dizendo-se filhos de Deus, não são fiéis seguidores do padrão ético cristão, não adotam a não conformação com o mundo e atacam os que se mantêm fiéis no ensino e na orientação do comportamento cristão correto. Porém, “não estamos desamparados” pelo Senhor a quem pertencemos e que nos faz sempre triunfar em Cristo (2 Coríntios 2:14). Nem, tampouco, somos desamparados ou abandonados pelos que amam o Senhor, pois esses nos apoiam e sustentam com oração e provisão confortadoras.

d)    “abatidos, porém, não destruídos” – Podemos nos sentir abatidos como um “vaso de barro”, por vezes lançados fora ou atirados a chão, aparentemente esquecidos e abandonados.  Mas, “não somos destruídos”. Vivemos pela poderosa força de Deus e somos imortais até que a obra “em nós”, “por meio de nós” e “para nós” esteja completa. Qualquer que seja a condição dos filhos de Deus neste mundo há sempre um “mas não” que os consola.  Ainda que o seu caso possa ser difícil, contudo nunca há de ser desesperador, pois Ele é a sua esperança! Se experimentamos a presença de Cristo e o Seu poder em nossa vida, nenhuma aflição, perturbação, enfermidade ou tragédia provocarão a nossa derrota espiritual. Quando as circunstâncias exteriores se tornam insuportáveis e os nossos recursos humanos se esgotam, os recursos divinos nos são dados, para aumentar e desenvolver a nossa fé, esperança e força. Deus não abandonará os filhos fiéis, em nenhuma circunstância adversa.

2 - A IDENTIFICAÇÃO COM CRISTO nas circunstâncias adversas da experiência cristã – v. 10

Paulo diz-nos: “levando sempre no corpo o morrer de Jesus”. Paulo compara a sua própria perseguição e sofrimentos constantes com os de Jesus Cristo, de cuja morte e ressurreição, consequentemente, compartilha (Gálatas 2:20; Colossenses 1:24). Era assim que Paulo podia interpretar os sofrimentos que suportava, ministrando no nome do Senhor. Seu Mestre sofrera grandes aflições nos dias da Sua vida na carne, e o discípulo estava pronto para experimentar os mesmos dissabores, porque neles e por eles sentia consigo a presença de Cristo, transformando as aflições mortais em retumbante vitória. Em 2 Timóteo 2:3 Paulo aconselha seu filho na fé Timóteo: “participa dos meus sofrimentos, como bom soldado de Jesus Cristo”, ensinando-lhe a desenvolver a necessária “resignação sofredora”. Estamos sujeitos aos mesmos ódios, sofrimentos e entrega à morte que o Senhor suportou. Somos um com Ele e, por conseguinte, o mundo que O odeia nos odeia também. Não podemos esperar melhor tratamento do que aquele que foi dado ao Senhor.

3 - A VIDA manifesta nas circunstâncias adversas da experiência cristã – vs. 11-12

Em João 14:19 o Senhor afirmou: “Porque eu vivo, vós também vivereis”. Paulo afirma: “para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo” (v. 10) e “para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal” (v. 11). No v. 12 afirma que “em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida”. Há dois aspectos aí da manifestação da vida nas circunstâncias adversas da experiência cristã:

a)    A vida em nós (“em nosso corpo mortal”). A vida de Jesus Cristo se manifesta no corpo do discípulo, isto é, nas experiências adversas do seu viver, na medida em que ele “se considera morto para o pecado, mas vivo para Deus em Cristo Jesus” (Romanos 6:4-11). A nossa morte é vida para nós!

b)    A vida naqueles com quem nos relacionamos – (“em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida”). O poder da graça, da força, da consolação e da paz do Senhor manifesta-se diariamente “a nós” e “em nós” à igreja e ao mundo. Os apóstolos e os servos de Deus parecem ser os alvos principais do ódio de Satanás e da inimizade do mundo, mas Deus usa até mesmo essas provações para chamar as Suas ovelhas (2 Timóteo 2:9,10) por meio da Palavra. Os nossos sofrimentos são para proveito dos que estão sem Cristo. O Evangelho que pregamos à custa das perseguições, das provações e mesmo da própria morte, é o meio de trazer os ainda perdidos ao Evangelho da vida.

4. A FÉ manifesta nas circunstâncias adversas da experiência cristã – v. 13

É notável a afirmação de Paulo quanto à convicção que tinha no exercício do seu ministério, apesar das circunstâncias adversas! Declara que tanto ele como os seus cooperadores têm “o mesmo espírito da fé” que havia em Davi, que escreveu no Salmo 116:10: “Cri, por isso falei”. Nós, também, cremos em Deus, no Seu eterno propósito em Cristo, na total ruína e incapacidade do homem, na Pessoa e na obra do Senhor Jesus Cristo, na ressurreição dos crentes para a vida eterna. Portanto, falamos destas verdades, seguindo o exemplo dos santos do Velho Testamento (Romanos 4:19-25). Confiança pessoal em Deus conduz o testemunho por Ele, ainda que as circunstâncias da experiência cristã sejam adversas.

5 - A ESPERANÇA manifesta nas circunstâncias adversas da experiência cristã – v. 14

Embora esteja oprimido, a perspectiva de Paulo é de ESPERANÇA: “aquele que ressuscitou ao Senhor Jesus, também nos ressuscitará com Jesus, e nos apresentará convosco”. Uma dupla e gloriosa ESPERANÇA está aí afirmada:

a) seremos ressuscitados;

b) estaremos para sempre com Ele (1 Tessalonicenses 4:13-18).

Estamos certos de que Deus, que ressuscitou ao Senhor Jesus como primícias dos que dormem, também, pelo mesmo poder que emana d’Aquele que está assentado à Sua destra, ressuscitará os nossos corpos mortais, sabendo que Cristo ressuscitou e a sua ressurreição é a garantia da nossa ressurreição (1 Coríntios 15:20-27). Na ressurreição reunir-nos-emos todos e seremos apresentados a Deus, por Cristo, redimidos pela Sua vida e lavados pelo Seu sangue (Judas vs. 24, 25).

6 - A GRATIDÃO manifesta nas circunstâncias adversas da experiência cristã – v. 15

Paulo diz que “todas as coisas existem por amor de vós”. Tudo o que Paulo tem mencionado (desde o eterno propósito de Deus, as profecias, as promessas e os símbolos do Velho Testamento, a encarnação, obediência, morte, ressurreição e exaltação de Cristo, até à chamada, pregação e sofrimentos dos apóstolos) foi “por amor de vós”! Assim, tudo isso é evidência da inquestionável GRAÇA de Deus. E a “graça multiplicando-se torna abundantes as ações de graças (GRATIDÃO) por meio de muitos, para glória de Deus”. Quanto mais a graça, o favor e as bênçãos de Deus são revelados às multidões, mais honra, glória, louvor e gratidão são dados ao nosso Deus (1 Coríntios 1:30-31).

7 - A GLÓRIA manifesta nas circunstâncias adversas da experiência cristã – vs.16-18

No v. 16 Paulo dá um lindo testemunho da sua experiência sofredora: “o nosso homem interior se renova dia a dia”. O espírito de Paulo revigorava-se mais e mais nos seus trabalhos por Cristo, a despeito do esgotamento físico a que as aflições o submetiam. O nosso homem interior, criado em Cristo Jesus, está crescendo e tornando-se cada dia mais forte na graça e na fé de Cristo. O ”homem exterior” é o nosso corpo físico, sujeito à decadência, e que vai caminhando para a morte por causa da mortalidade e aflições da vida (v. 17). O “homem interior” é o espírito humano; o nosso ser interior, que recebe a vida espiritual de Cristo. Embora o nosso corpo envelheça e decaia, experimentamos a renovação contínua, mediante a outorga constante da vida e do poder de Cristo, cuja influência capacita a nossa mente, as nossas emoções e a nossa vontade a se conformarem com a Sua semelhança e o Seu propósito eterno. Os vs. 17 e 18 revelam como a experiência das circunstâncias adversas presentes pouco significam face à abundância de GLÓRIA que temos em Cristo. As aflições e as privações suportadas na experiência cristã, se permanecermos fiéis a Cristo, são leves em comparação com essa abundância de GLÓRIA. Essa glória já está parcialmente presente, mas só no futuro será experimentada plenamente (Romanos 8:18). Quando alcançarmos a nossa herança no céu, poderemos dizer que as tribulações mais severas não eram nada em comparação com a GLÓRIA do estado eterno.

Conclusão – Se há circunstâncias adversas, com perspectivas sombrias em todos os aspectos, não devemos, por isso, desesperar-nos, perder a esperança, sem deixar nossa fé diminuir, em meio aos problemas (“as coisas que se veem”). Alguém disse que há duas coisas que sustêm o crente sob provação: primeiro ver o propósito e a mão do Senhor em tudo (Hebreus 11:27; Romanos 8:28); segundo, olhando pela fé para além desse mundo, para aquela glória que Deus preparou para aqueles que O amam (Hebreus 11:9,10).

autor: Jayro Gonçalves.